Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

BOAS AÇÕES, GRANDES RESULTADOS




Pequenas (Boas) Ações, Grandes Resultados!

(desculpem o plágio de grandes empresas pequenos negócios)

Sobre as boas ações

Não sei se hoje as boas ações são presentes nos programas escoteiros como no passado. Será que os chefes ainda lembram aos jovens sobre boas ações? O que os jovens dizem? Será que isto já é ultrapassado na vida da tropa ou da Alcateia? Mas só falar e comentar sem ir a fundo da questão?

Vejamos – No passado quando fazíamos a inspeção, perguntávamos a cada jovem a viva voz se ele tinha feito sua boa ação. Bastava ele dizer sim ou não. Na reunião de Patrulha ela decidia qual a melhor e mais marcante. Na inspeção final era comentada pelo Escoteiro que a fez. (confiávamos no Escoteiro e sempre lembrávamos que o escoteiro tem uma só palavra e sua honra vale mais que sua própria vida).

No cerimonial de bandeira, o Escoteiro com a melhor boa ação era ovacionado com uma palma escoteira.

Porque isto? Ora, se desejamos formar jovens para uma perfeita integração na sociedade, para que ele seja capaz tanto de participar como colaborar com todos, nada mais natural que desenvolver nele desde o início o hábito da boa ação.

Fico em dúvida se ainda fazem isso nas reuniões de tropa ou alcateia. Claro, sem esquecer também a boa ação coletiva da patrulha. Era estimulada sua realização pelo menos uma vez por mês. No passado isto era feito antes da reunião. A patrulha se reunia em local determinado (tinha planejado durante a semana o que fazer, quando e onde) e desenvolvia uma boa ação que era sempre admirada pelos adultos do bairro, e com isto angariando simpatias, fazendo com que ficássemos mais conhecidos e os escoteiros eram sempre comentados como exemplo.

 E a boa ação da tropa? A cada seis meses e a do Grupo Escoteiro anualmente. Muito? Risos. Não sei. Mas aqueles que participaram deram o valor ao que aprenderam e hoje vivem em comunidade ajudando e sendo ajudados. E sempre acreditei que era uma das melhores formas de fazer proselitismo e Marketing

Quem sabe, não tenho certeza, mas acho que hoje estamos sendo motivo de depreciação por parte de autoridades e da na imprensa, simplesmente porque não estamos presentes como deveríamos estar. Li em algum lugar que agora somos considerados no domínio da Educação, como atrasados e ineficazes. Isto não é verdade, mas como provar ou mostrar o contrário? Só com atividades escoteiras bem planejadas podemos atingir a meta que mudará tudo ao nosso respeito.

 A moeda da boa ação, o nó no lenço, ou no bolso, era motivo de orgulho para nós escoteiros. Ajudar a velhinha a atravessar a rua hoje é motivo de piadas, mas de grande orgulho para nós. Isto desapareceu? Não vale mais? Vocês podem responder. Se estão fazendo, se estão incutindo na mente dos seus jovens a importância da boa ação, então o caminho para o sucesso está sendo percorrido.

Boas ações, grandes resultados! Se ainda não está fazendo, convido a você para começar já. E depois vão ver que os resultados foram mais do que os esperados.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O VAGALUME QUE NÃO SABIA VOAR



O Vagalume que não sabia voar

O que você está fazendo Naldinho? Olhando esse vagalume chefe. Veja, não é interessante? Parece que é. Mas e sua patrulha? Onde foi? Disseram que iam cortar madeira para fazer uma mesa. Foram todos, achei que não precisava ir. Mas veja, aproveitei bem o tempo. O senhor sabia que o vagalume só voa nas primeiras horas da noite? Não sabia. – Pois é ele é reconhecido pelo brilho esverdeado, continuo, e vive mais entre vegetação das regiões tropicais e temperadas. Em alguns lugares o chamam de pirilampo.

Olhe chefe, pode não acreditar, mas esse vagalume me disse que ele mora muito longe daqui. Pensou que eu poderia ajudar. Está tentando falar com seus irmãos e não consegue – Pensei com meus botões - Esses jovens e seus sonhos impossíveis. Vivem criando histórias e mais histórias muitas vezes para não fazer nada. – Naldinho abaixou a cabeça, fingiu que ouvia o vagalume e me disse – Ele está dizendo que eu não tenho sonhos. E ele disse também que não estou criando histórias chefe!

Arregalei os olhos! O que? Repita que não entendi. Ora chefe, ele diz que é verdadeiro, que eu sou verdadeiro e só não fui com a patrulha porque o Lídio monitor disse que não precisava. Estava ali olhando para Naldinho e pensando o que dizer e fazer com ele. Essas invencionices já estavam passando da conta. Naldinho riu. Sabe o que ele está dizendo chefe? Que o senhor acha que eu estou inventando. Ora Naldinho deixa disso. Não vai querer que eu acredite que você conversa com um vagalume.

Quer uma prova chefe? Olhe – Pimaisdois, dê um pulo – O vagalume deu. Você soprou nele, eu disse. Está bem chefe – Pimaisdois, agora cinco pulos. O vagalume deu cinco pulos. Porque Pimaisdois? É o nome dele chefe. O menino estava me fazendo de bobo. Estou perdendo o meu tempo aqui. Olhe vou lhe mostrar o que faço com um vagalume falador – Peguei meu sapato e ia esmagá-lo quando Naldinho pediu. Não chefe, não. Não faça isso. Ele se comunica com os outros. Poderiam vir milhares aqui e nos carregar para a cratera negra.

Já estava cheio daquilo. Deu uma pancada com o sapato no tal Pimaisdois. Ele pulou. Corri atrás. Ele pulou. O danado só me escapava. Ouvi um grande zumbido. Olhei para trás, centenas de milhares de vagalumes voavam em minha direção. Corri mas não tinha onde esconder. Corri mais e sem olhar para frente caí na cratera negra. Fui caindo e lá em baixo tudo vermelho. Ia morrer queimado. Comecei a gritar, a chorar e pedir perdão. Tremia como vara verde.

Chefe, chefe, calma, não grite. Era Naldinho. Abri os olhos. Estava dormindo debaixo de uma castanheira. – Chefe não é hora da atividade do jogo noturno? Caramba. Dormi mais de quatros horas. Já escurecia. Que sono. Ferrei no sono. Mas o pesadelo. Que susto. Vamos lá Naldinho. As patrulhas não podem esperar. Naldinho foi a minha frente, com minha lanterna olhava o chão para não tropeçar. Olhei as costas de Naldinho, um grande vagalume está lá em seu ombro. Olhando para mim e sorrindo com um olhar zombeteiro! Não acredito! Era o Pimaisdois!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

UMA MEDALHA PARA DONA SARITA SILVA



Uma medalha para Dona Sarita Silva

Dona Sarita Silva. Cabelos brancos, morena, ou clara não sei bem, um sorriso no rosto, algumas rugas, olhos profundos, nem alta nem baixa, um vigor de dar inveja a muitos no Grupo Escoteiro. Claro, estou falando de uma senhora que não é Escotista. Nunca foi. Ela é uma das pioneiras no grupo. Como apareceu poucos se lembram. Mas está lá. Firme como uma rocha.

Apareceu assim do nada, sorrindo, dizendo que veio ajudar. Ela limpa a sede, corre ao lado dos chefes, sempre perguntando – Tem algum que possa fazer? E quando o grupo vai fazer alguma festividade, visando melhorar as finanças do grupo? Lá esta Dona Sarita Silva. Um baluarte. Uma força. Muitos não sabem a importância no grupo de Dona Sarita Silva. Afinal ela não veste o uniforme. Nunca fez um curso na vida. Todos acham que ela é a faxineira!

Nas atividades extra sede, tais como acantonamentos dos lobinhos, Dona Sarita Silva sempre está presente. Quando na volta de acampamentos por motivo de força maior (chuva etc.) ela vai até a sede com as patrulhas ajudar na limpeza. Se o grupo precisa fazer um cafezinho para visitantes, claro é Dona Sarita Silva que faz tudo. Sem esquecer as feijoadas e milhares de outras coisas. Dificilmente ela dá ideias. Não é para isso que está ali. Seu lema é Servir!  

Ela acho eu, é uma senhora humilde, que está junto a nós todos os sábados e a noite também se precisarmos dela. Para dizer a verdade não tem hora nem dia que ela recuse um pedido nosso. Inclusive seu valor é tanto que nem a colocam no registro do grupo. Registrar para que? Alguns de nós nem sabe onde ela mora. Muitos desconhecem que ela não tem filhos no grupo. Pode até ter tido, mas deve ter sido há muito tempo atrás.

Interessante que Dona Sarita Silva é uma das primeiras a chegar. Quando chega depois da hora nos procura e pede desculpas. Desculpas? Isso mesmo. Muitas vezes ninguém se lembra dela, até o dia que ela não aparece. Ai sim. Onde está Dona Sarita Silva? Podem alguns perguntar. Muitas vezes não a convidam para o cerimonial de bandeira. Afinal ela não é chefe. Não tem nada a fazer ali.

Um dia alguém se lembrou do seu trabalho. Pediu e insistiu para que ela recebesse uma medalha de gratidão. Foi um custo. Os dirigentes que decidem disseram: - Quem é Sarita? É escoteira? O que faz? Tem ficha modelo 120? A Diretoria do Grupo Sabe disso? Tem Ata registrada do pedido? Tem processo bem feito? Caramba! Quase desistiu. Mas insistiu e a medalha veio. Dona Sarita Silva não sabia. Quando a convidaram para a ferradura ela quase desmaiou de emoção. Mas eu não sou escoteira! Disse.

E então alguém do grupo reconheceu o trabalho de Dona Sarita Silva. A medalha foi entregue com pompa. Ela chora, sorri, não sabe o que dizer. Uma simplória a Dona Sarita Silva. Nunca pensou que poderia ser recompensada assim. Uma medalha escoteira? Claro ela iria mostrar a todas suas amigas, ao Padre, ao Pastor, a todos que ela dedica amizade. Durante muito tempo ela deita e sonha com a medalha. Não deixa de voltar ao grupo sempre. Seu trabalho continua. Um dia ela fica doente. Poucos do grupo lembram-se de visitar. Alguns vão. Ela sorri. Não reclama nunca.

Essa Dona Sarita Silva não é exclusiva deste Grupo Escoteiro. Existem em muitas espalhadas por esse Brasil. Pode ser no seu. Quem sabe ela está aí junto a vocês e ainda não descobriram Dona Sarita Silva? Mas é importante não descobrir só quando ela adoecer, não for mais ao seu grupo. E se Deus a chamar junto de si, não vão chorar tardiamente. Não vão dizer – Lembra-se de Dona Sarita Silva? Que falta ela está fazendo. Porque não soubemos agradecer a ela em vida? Nunca lhe dei um abraço, nunca disse – Olhe a Senhora é importante. Mais importante que todos nós...

Uma vez um “Velho” chefe me disse – amigo, sabe quem é o mais importante em seu grupo? – O anônimo. O que faz a faxina. Não se esqueça dele nunca. Um dia li que o que diferencia o Presidente do faxineiro é a responsabilidade que cada um tem na empresa. O Presidente tem a responsabilidade de fazer toda a empresa funcionar e o faxineiro manter sua sala e os ambientes limpos. Se não faz, a sala fica suja prejudicando seu trabalho. Assim caso seu serviço não seja bem feito, a empresa poderá sofrer grandes perdas. Na estrutura em rede, ninguém é mais importante que ninguém.

Assim não esqueça, verifique se não tem uma Dona Sarita Silva em seu grupo Escoteiro! Ou quem sabe o “Seu” Pedro França, aquele humilde que ninguém vê. Faça isso já! E se possível briguem para ela ou ele receber uma recompensa e nada melhor que uma medalha de Gratidão. Nada de bronze e prata, tem de ser a de Ouro!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

VOCÊ SABIA? - FRASES INTERESSANTES



Você Sabia? – Frases interessantes

Que Baden Powell no livro Escotismo para Rapazes definia o Escotismo como movimento mundial, educacional, voluntariado, apartidário, sem fins lucrativos. A sua proposta é o desenvolvimento do jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Promessa e na Lei escoteira, e através da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, fazer com que o jovem assuma seu próprio crescimento, tornar-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina e que estas definições foram hoje mudadas?

Que se alguém encher o teu saco, você precisa usar 42 músculos da face para franzir a testa. Mas, só precisa de quatro músculos para esticar o braço e dar um soco na cabeça desse chato! (hahahahaha... sem violência).

Que o número de escotistas portadores da Insígnia da Madeira no Brasil é insignificante?

Que cada cor da bandeira tem um significado?
O verde representa as nossas matas; o amarelo o nosso ouro (representando as riquezas nacionais); o azul representa o céu do Rio de Janeiro com a constelação do Cruzeiro do Sul e o branco representa a paz.

Que as programações da Nacional, Regional e Distrital quase não deixam datas para o programa do grupo, e das seções?

Que cigarro, charutos e cachimbos causam mais mortes prematuras do que a soma das mortes provocadas por AIDS, cocaína, heroína, álcool, acidentes de trânsito, incêndios e suicídios. Um terço das mortes por câncer é ocasionado pelo uso de cigarros.
 Que a Bíblia é o livro mais roubado de livrarias?

Você sabia que... O deserto do Saara é o maior do mundo com 9.065.000 Kms quadrados?

Que hoje em dia a alegria é participar de um evento programado pelos órgãos nacionais e que os escotistas e escoteiros vibram com tais atividades?

Você sabia que... O escaravelho (besouro) é um dos símbolos mais poderosos do Egito?

Que você não deve permanecer no interior de veículos parados especialmente falando ao telefone?

Que as águas do Mar Morto são cerca de dez vezes mais salgadas que as dos oceanos?

Que mais de 20% dos participantes do movimento escoteiro não são registrados anualmente na UEB?

Você sabia que sapo come cobra?

Que é impossível lamber o seu próprio cotovelo?

Que mais de 50% das pessoas, no mundo inteiro, nunca fizeram nem receberam  chamadas telefônicas?

Que os ratos multiplicam-se tão rapidamente que, em 18 meses, um casal de ratos pode ter para cima de um milhão de descendentes?

Que o Manual do Registro da UEB tem 14 paginas e tive que ler várias vazes para entender como fazer o registro?
Que ao longo de uma vida, em média, cada pessoa engole durante o sono cerca de 70 insetos e 10 aranhas?

Que muitos escotistas desconhecem e praticamente não tomam conhecimento das resoluções, relatórios e muitos fatos interessantes da UEB e só vivem reclamando?

Que o isqueiro foi inventado antes do fósforo?
Que se espirrar com muita força pode partir uma costela?

Que um estudo, que abrangeu cerca 200 mil avestruzes durante mais de 80 anos, não registrou um único caso em que uma avestruz fosse vista a enfiar a cabeça na areia?

Que as exigências para Escoteiro da Pátria estão ao alcance dos seniores bastando para isto uma boa colaboração do Chefe da Seção?

Que um crocodilo não coloca a língua para fora da boca?
Você sabia que na Primavera os papagaios gritam para atrair as fêmeas?

Você sabia que cerca de 12 milhões de animais são ilegalmente retirados anualmente das matas brasileiras e vendidos em diversas cidades do país, representando um faturamento de mais de 2 bilhões de dólares por ano?!

Que o Brasil é o país mais rico em água doce do planeta? Nada menos que 13,7 % de toda água do mundo está aqui?

Que eu apesar de pessimista sou um grande otimista?

VOCÊ JÁ TEVE ESTE TIPO DE PROBLEMA?



Você já teve este tipo de problema?

Era um acampamento de cinco dias. Após a cerimônia de bandeira e a entrega das bandeirolas de eficiência do dia, Conrado pediu a Jerônimo que logo após o tempo livre do almoço o procurasse. Jerônimo era o monitor da Tigre. Um ano que tinha sido eleito. Quatro patrulhas acampadas. Todas com sete membros. Mas desde a chegada a patrulha Tigre estava se distanciando das outras.

Jerônimo chegou ressabiado. Deixou Valério o sub no comando. Laurindo o cozinheiro sabia o que ia fazer para o almoço. Procurou o chefe Conrado. Sempre Alerta chefe! Monitor da Tigre se apresentando. Sempre Alerta Jerônimo! Sente-se. Jerônimo sentou no banco em frente à barraca do chefe. Eles tinham seu campo separado. Faziam suas mesas, seus toldos e a própria comida no seu fogão suspenso. Eram três, mas sempre cozinhavam para eles.

Meu amigo, sua patrulha estava ficando para trás. Desde que chegamos nem o terceiro lugar. Alguma coisa que eu não saiba? Jerônimo abaixou a cabeça. Olha chefe, o senhor me conhece. Não gosto de reclamar. Tentei tudo com o Mario Julio. Até comentei mês passado com o senhor. É um bom escoteiro. Entusiasmado. Lê tudo que aparece de escotismo. Mas está apático. Não presta atenção. Neste acampamento quase não ajudou a patrulha. Fica olhando os pássaros, tentando saber o que dizem. Pega seu caderninho e anota. Agora deu para correr atrás das borboletas. Disse que quer saber onde dormem.

Entendi Jerônimo. Acho que esta deve ser a causa. Porque não pensa em alguma coisa? Já pensei chefe. Conversei, falei disse se ele queria outra função que não escriba e nada. Vamos fazer uma coisa, posso sugerir? Disse o chefe Conrado. Claro que sim chefe. Bem, faremos o seguinte, hoje tarde tinha um jogo de ataque e defesa. Meio forte. Vou mudar. Faremos um sobre a “busca da Borboleta Encantada”. A patrulha que conseguir desenhar e descrever o maior número de borboletas e saber imitar pelo menos cinco pássaros será a campeã.

Não precisamos dizer quem ganhou. A Tigre empatou com as demais. Não ganhou a eficiência geral no ultimo dia, mas não fez feio. Muitas vezes temos as soluções simples para um problema complexo. Basta pensar e ver como será o resultado. Se for o que se pretende ponha em Prática. Apitar, formar, jogar e palestrar é fácil, o chefe escoteiro tem de ir muito mais além. Assim como os monitores devem conduzir sua própria patrulha, o chefe também conduz seus monitores e sua tropa.

“Conduza com o próprio remo a sua canoa”
Baden Powell 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

SAUDADE NÃO TEM IDADE



Saudade não tem idade

Muitos dizem que a saudade não tem dono. Ela pertence a todos. Ainda bem. Assim posso sentir minhas saudades sem dever nada a ninguém. E olhe como é bom sentir e lembrar. Isso nos faz crescer ainda mais, mesmo estando com a idade no ponto onde não pensamos no futuro e sempre voltamos ao passado.

Todos nós que chegamos na idade da razão (dizem assim da terceira idade, não sei) sabemos que o futuro vai ser lindo. Cada um acredita na sua fé. Tem certeza que do outro lado da vida existe outra vida. Os jovens não pensam muito sobre isso. Mas o dia deles vai chegar e assim como nós irão lembrar com saudades de tudo, e também que o futuro lhes reserva fantásticos céus azuis, nuvens brancas e coloridas e milhares de estrelas a brilhar no universo.

Fico olhando as fotos que aqui se oferecem a minha vista já cansada. Vejo os jovens em atividades, sorrindo, chefes ao seu lado orgulhosos. Jogos, acampamentos e sinto saudades. Vontade de estar ali junto a eles. Sinto as palavras que escrevem, poemas nunca sonhados, sobejas, cheias de carinho, de honra, de amor, de ufanismo, e sinto que o escotismo assim como foi maravilhoso para mim também está sendo para eles.

Saudades, quantas saudades. Mas saibam que isso é bom. Só não sente saudades quem não fez nada. Quem nada produziu. Eu sinto saudades de amigos, do escotismo corrido, das semanas pensantes, dos acampamentos volantes, sinto saudades de todos, pessoas amigas, irmãs com quem não mais falei ou cruzei...

“Mario Quintana e Rubens Alves definem bem a saudade: - O tempo não para. Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo – A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar...


O PEIXE DA BOCA TORTA

Uma das coisas que eu mais gostava quando acampava, era pescar. Adorava. Muitas vezes após o horário lá pelas onze da noite, eu ia pescar alguns bagres e traíras. A noite era o melhor horário para esses peixes. Afinal comer só lingüiças não dava. Não levávamos mais nada para completar o arroz, feijão, batata e macarrão. Portanto o peixe era uma mão na roda. Na minha mochila sempre tinha três linhas para pescar. Uma para peixes miúdos, linha fina e chumbada pequena. Outra com dois anzóis. Linha número dois, chumbada média, para pescar peixes até meio quilo. E a mais grossa, três anzóis, numero três para pescar peixes acima de meio quilo.

Claro, podem até duvidar, mas no Rio Piranga eu peguei um piau de mais de cinco quilos. Comemos peixe à vontade e ainda dividimos com o Antonio Vaqueiro que não saia de nosso acampamento. O danado tinha 14 filhos! Nunca faltava peixe em nossa cozinha. Os demais patrulheiros gostavam de comer de pescar não. Mas eu adorava. Na beira do córrego, da lagoa, do rio ou de uma represa eu era “bamba” na pesca. Usava duas espécies de isca. Um pedaço de queijo partido em fatias pequenas e minhocas. Na época conhecia dois tipos, a puladeira e a preguiçosa. Fácil de conseguir em qualquer barranca.

Lembro de uma vez que fomos acampar no córrego dos “Pintos”. Uma aguada excelente. O riacho corria por quilômetros sobre pedras, fazendo belas cachoeiras e corredeiras. Nós nos divertíamos a valer. Claro, só íamos nas partes rasas. Próximo onde acampávamos ficava uma curva sinuosa do riacho. Uma parte ficava represada e devido a chuvas fortes na barraca se juntava muitos paus e diversos tipos de arvores arrastadas pela correnteza. Um pesqueiro dos melhores.

Uma época onde se preservava a natureza. Nada de garrafas “pet” sacolinhas e latas vazias de cerveja. Lembro como se fosse hoje, que no segundo dia pela manhã falei com Romildo nosso monitor que iria pegar uns peixes para o almoço. Nosso campo já possuía todas as pioneirias necessárias e pela manhã não estávamos fazendo nada. Com minha faca escoteira fui à barranca, lá tinha um pequeno bambuzal de bambus chineses. Perfeito para pescar.

Ali ao lado um pequeno lamaçal. As minhocas a rodo. Peguei na beira do córrego duas folhas de inhame amarelo, que não servia para comer. Suas folhas eram enormes. Muito usada como copos na falta destes. Com barro e muita minhoca enrolei a folha e fui para o meu lugar favorito. Mas de dez minutos e nada. Nenhum peixe mordia. Nenhum puxão. Notei um peixe próximo com a boca para fora da água. O danado tinha a boca torta. A água estava meio turva, mas deu para ver que era uma Cará. Das grandes. Daria uma boa fritada. Jogava o anzol próximo e ela nada. Ficamos assim no jogo de gato e rato e desisti.

Voltei ao campo e esqueci na beira do remanso, minhas iscas amarradas na folha de inhame. Depois do almoço voltei lá. Em nossa programação só pelas quatro iríamos até a casa do Zé do Boi, um fazendeiro amigo. Ele sempre insistia que fossemos lá. Gostava de sentar fora da sua choupana e contar “causos e causos” pitando um cigarrinho de palha. O danado era bom nisso, pois ficávamos horas e horas ouvindo e só voltávamos tarde da noite. Sua esposa dona Hortência sempre fazia um “quentado” para nós.

Na volta, fui direto ao “pesqueiro”. As iscas desapareceram. Alguém desamarrou as folhas de inhame e as minhocas sumiram. No outro dia cedo, lá fui eu de novo. Peguei muitas minhocas. Logo ela apareceu. A danada da cará e sua boca torta. Nenhum peixe. Quando desisti por volta das onze da manhã, e vinha saindo, um redemoinho de peixes se formou. A cará da boca torta deu vários pulos como se estivesse rindo. Pensei comigo. Aguarde! Vou comer você frita!

Depois do almoço todos foram até o morro onde se avistava toda a cidade onde morávamos. Iriam treinar semáforas. Não fui. Voltou ao “pesqueiro” de novo as minhocas se foram. Quem estaria desamarrando as folhas? Fiquei ali até as cinco. Nada. Não pegava nada. Ao ir à danada da cara da boca torta pulava e um redemoinho de peixes se formava. Parecia que ela estava rindo de mim. Fiquei toda tarde e a noite fazendo um “balaio” de taquaras. Era bom nisso. Fiz um belo balaio.

No dia seguinte, voltei lá. Sabia que não ia pescar nada. Fingi que vinha embora e quando a cará pulou e os peixes pularam joguei o balaio e pulei na água. Levantei o balaio e lá estava ela, a bela cará e sua boca torta. Mais de um palmo e meio. Sai da água, olhei para ela e disse – E agora ladrona de minhocas, vai dar sua risada? Ela fechou os olhos, mexeu com a boca e parece que saiu um pequeno gemido. Não agüentei. Joguei-a de novo na água. Ela começou a pular e o cardume em sua volta pulando também.

Naquele acampamento só comemos lingüiça. Peixes? Nem pensar!

PS – Não é historia de pescador. É História de escoteiros e suas lembranças extraordinárias! 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A CIDADE FANTASMA



A cidade Fantasma

Lembrando do passado. Dizem que é bom. As saudades substituem os pensamentos que vagueiam com os problemas do dia a dia. Eu era sub monitor sênior. Patrulha Gavião. (só mais tarde sugeriram nomes históricos ou lugares históricos para nomes de patrulhas seniores.)

Há tempos sabíamos da “Cidade fantasma“ próxima ao rio caudaloso que acompanhava a estrada de ferro. Bem perto onde morávamos. Duas horas de trem. A História era antiga. Quando da construção da Ferrovia, devido ao ataque freqüente dos Índios Aimorés e da malária, que dizimava completamente a maioria dos trabalhadores, não havia peão que ficava muito tempo na Empresa encarregada da construção. De cada vinte contratados, pelo menos oito morriam.

  - O Governo pressionado, pois queria a todo custo terminar a obra, ofereceu liberdade condicional aos presos na Capital de algumas grandes cidades, em troca do trabalho forçado para a Estrada de Ferro. Pelo contrato, após três anos de serviço, estariam livres.

  - A lenda contava que em uma determinada cidade, como muitas que apareciam com a ferrovia à maioria dos criminosos ali residiam. O padre local sempre fora contra este tipo de coisa e era freqüentemente jurado de morte pelos bandidos.

Durante uma procissão da Semana Santa junto a milhares de fieis, agarraram o “dito cujo“ e o enterraram em frente à Matriz só com o pescoço para fora. Dizem que suas últimas palavras foram que não ficaria pedra sobre pedra naquela cidade. A maldição parece que “emplacou“. Dai há alguns anos a cidade foi ficando deserta e praticamente não ficou uma viva alma. (a Estrada de Ferro mudou de itinerário e a população acompanhou, fundando outra cidade). 

  Pegamos o trem rápido das nove da manhã. Onze horas e chegamos a Barra do Cuieté. Mais oito quilômetros e chegamos à antiga Cuieté. Passava das duas da tarde quando avistamos a tal cidade. Havia uma rua com calçamento de pedra e pequenas paredes caídas. Era o que restavam das casas que ali existiram.  Montamos barraca bem próximo onde devia ser a antiga praça. Queríamos ouvir o famoso grito do Padre que todos juravam ouvir após a meia noite.

   Era um desafio a nossa coragem. Se existia uma lenda, nós seniores iríamos verificar se era verdade ou não. Não perguntamos e não pedimos orientação a ninguém. Ali eram os quatro mais experientes do Grupo. Não havia nada que não enfrentávamos de frente.

  - A tarde corria solta. O sol se pôs no horizonte e se foi. A noite chegou brava e eu estava fazendo o meu “Celebre e histórico“ sopão. Ainda não eram nove horas da noite. O Grito foi ensurdecedor! - Gelei! - Os “mosqueteiros“ correram para a cozinha. Nosso lampião a querosene dava uma iluminação bruxelante.

 Ficamos ali grudados uns aos outros. Era uma tremedeira geral. O Grito aumentava mais ainda quando o vento soprava mais forte. Caminhamos em direção ao Grito. Não preciso explicar como estávamos. Para dizer a verdade, minha calça curta estava toda molhada na frente. O bravo escoteiro agora era um “escoteiro mijão”. Risos.

O grito vinha da praça onde enterraram o padre, pensei. - O medo aflorava a pele! - Mas éramos persistentes e insistentes. Caminhávamos no rumo da pedra onde pensávamos vinha o grito. Grito? Uma grande piada.  O grito  do padre nada mais era que uma fenda que ia de um lado a outro de uma grande pedra bem no meio da antiga praça.

 O vento forte vindo do rio próximo entrava pôr um lado e saia pôr outro e uma espécie de apito davam impressão de um grito. Todos na cidade sabiam da historia. Não nos contaram. Diziam que sempre vinham "otários” de todas as partes para ver. Nada mais a dizer, os “otários” voltaram para suas casas. Pelo menos a investigação chegou a bom termo. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SENHOR




Senhor
Ensina-me a ser obediente às regras do jogo.
Ensina-me a não proferir e nem receber elogio imerecido.
Ensina-me a ganhar, se me for possível.
Mas seu eu puder, acima de tudo,
Ensina-me a perder!

(inscrições encontradas nas paredes da Biblioteca
Real do Palácio de Buckingham) 

MENSAGEM A GARCIA



MENSAGEM A GARCIA

 Elbert Hubbard
(22/2/1899)

 Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte no seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o Presidente [Mac Kinley] tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer?

Alguém lembrou ao presidente: "Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan".

Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para, depois de três semanas, surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregado a carta a Garcia, são coisas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente. O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou a carta e nem sequer perguntou: "Onde é que ele está?"

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze perene e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem de instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altiva no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

O general Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la.

Não significa que tudo que se disse aqui seja parte do programa escoteiro. Mas Baden Powell acreditava que devemos ensinar aos jovens a fazerem com suas próprias mãos. Os jovens acreditam que o escotismo é uma fonte de aventura onde eles podem caminhar e remar sua própria canoa. Se não fizermos isso, eles iram embora para sempre. 
    
Acredito que muitos de nós chefes escoteiros precisamos levar uma carta a Garcia. Reclamar menos e fazer mais. Esquecer que o jovem adora levar essa carta deixe que ele descubra sozinho seu próprio caminho e pode um dia contar que viveu sua grande aventura.
Portanto mãos a obra. APRENDER A FAZER FAZENDO NÃO SERIA UMA CARTA A GARCIA?

 Oi! Eu disse ele, não você. Risos

NOTÍCIA PUBLICADA EM TODOS OS JORNAIS DO BRASIL



 NOTÍCIA PUBLICADA EM TODOS OS JORNAIS DO BRASIL

Partiram hoje rumo ao Japão, 130 jovens escoteiros, de ambos os sexos, para o Jamboree Mundial dos escoteiros no Japão.

Estes jovens alcançaram pelos seus esforços pessoais, o mais alto grau do ramo sênior e guia. Lutaram durantes anos e hoje receberam seu prêmio que a partir de agora irão acontecer sempre, conforme explicação do presidente máximo da direção escoteira brasileira.

Para que os leitores tenham uma idéia, Os Jamborees são considerados o maior evento regular organizado pelo Movimento escoteiro. Ocorre a cada quatro anos em um país diferente. Sua organização é atribuída pela OMME (Organização Mundial do Movimento Escoteiro) que na Conferência Mundial, escolhe entre as candidaturas que se apresentaram anteriormente.

O primeiro Jamboree aconteceu em 1920 na Inglaterra. Participou o líder Maximo e criador do Escotismo o General Inglês Sir Robert Stephenson Smyth Baden Powell. O Sr. Baden Powell esteve presente também nos Jamborees de 1924 na Dinamarca, no de 1929 na de novo na Inglaterra, no de 1933 na Hungria. Debilitado passou seus últimos momentos em um chalé que possuía na República de Kenia.  

É a primeira vez que escoteiros são premiados e isto se deve ao esforço da direção escoteira brasileira, do Presidente da Republica Sua Excelência Leogildo Lampazo, que foi escoteiro quando jovem. O Presidente colocou a disposição um avião da Força Aérea Brasileira e para surpresa de todos, dois dos pilotos também foram escoteiros.

Devemos levar em consideração, que quinze grandes empresários brasileiros, todos advindo do escotismo quando jovem fizeram uma grande campanha e esta será realizada de quatro em quatro anos para custear as despesas desses bravos escoteiros e escoteiras que pelo seu esforço pessoal alcançaram o mais alto grau do escotismo nacional.

Parabéns aos jovens Escoteiros da Pátria. Esperamos que nos próximos tenhamos uma delegação bem maior.

- Nota: Somente cinco chefes os acompanharam. Todos eles arcaram com suas próprias despesas. A delegação da UEB que também irá participar foram por meios próprios e cada um arcando com suas despesas pessoais e das taxas de campo.

                    Nossa! Que despertador barulhento! O sol já nasceu e ainda estou aqui na cama? Preciso levantar. Ligar meu computador e entrar no Facebook. Preciso contar o meu sonho. Um belo sonho. Ainda bem, sonhar é de graça.

                    Mas não dizem que os sonhos podem se realizar?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O SIMPÁTICO MACAQUINHO QUINZINHO



O simpático macaquinho Quinzinho.

Quando escoteiro tínhamos facilidades de acampar sempre. Seja com a tropa ou com a patrulha quase sempre passávamos o fim de semana no campo. Todas as patrulhas tinham suas escolhas. Seus locais. A nossa, a Raposa sempre que podíamos acampávamos na Fazenda do Chico Flores. Perto, menos de seis quilômetros. Uma aguada maravilhosa e um grande bambuzal que poderíamos usar a vontade. Menos de cinco quilômetros do Rio Doce.

Chico Flores e sua esposa dona Alice Flores eram um casal de velhinhos muito simpáticos. Nem precisávamos avisar e quando lá chegávamos, ele dava um belo sorriso. Sua casa era simples, ainda de barro, mas por dentro era um brinco. Dona Alice com seu eterno sorriso. Os filhos na capital estudando. Uns boizinhos (como ele dizia, mas eram mais de 2.000 cabeças), uns porquinhos, galinhas e uma centena de bodes e avestruz.

Estávamos voltando pela segunda vez aquele mês. Uma investigação se fazia necessária. Na última vez, fomos roubados em toda nossa alimentação. Quem roubou abriu a porta da barraca de duas lonas facilmente. Ela estava bem presa e não sobrou nada. Tínhamos naquela época três tipos de ração. Ração A – Arroz feijão, batata e macarrão e dois pedaços de lingüiça. Óleo, sal e sabão. Tudo dividido por cada patrulheiro. Nossas mães colocavam em saquinhos e vidrinhos, fácil para levar na mochila. A ração B era mais ou menos a mesma, mas para dois ou três dias. E por último a ração C – Maior. Comprada no Armazém do Seu Zé Mutum. Ele fazia um preço especial para nós. Nossos pais pagavam com a caderneta mensal.

Dormíamos na sede a noite na sexta, e lá pelas quatro da manhã já com a carrocinha preparada partíamos. Menos de duas horas e já estávamos no local. Montamos o campo como se não soubéssemos de nada. Fizemos um almoço e sabíamos que era de primeira. Fumanchú nosso cozinheiro tinha fama de ser p melhor cozinheiro de todas as patrulhas. Após a limpeza do vasilhame e do campo, saímos como se fossemos fazer uma excursão. Nosso material de sapa e alimentação era guardado na barraca de intendência. As lingüiças penduradas no teto da barraca para durar mais.

Voltamos e nos escondemos em uma saliência a menos de oitenta metros do nosso campo. Não demorou. O ladrão chegou. Olhou para um lado, para o outro e como se fosse treinado abriu a porta da barraca. Levou o que podia. Voltou logo, levou mais. Romildo o monitor pé-ante-pé o prendeu dentro da barraca. O danado nem gritou. Punha a mão entre os olhos e mostrava seus belos dentes como se aquilo fosse uma diversão.

Ficamos seu amigo, ele ficou nosso amigo. Quando íamos acampar ali estava ele. Claro que não nos esquecíamos de levar suas duas dúzias de banana caturra. Sua preferida. Quinzinho nunca foi esquecido. Um macaquinho lindo, amável e educado. Claro, roubava comida, mas para ele não era roubo. Ali era seu habitat. Ele era o dono. Nascera ali. Tinha o seu direito. Nós éramos os invasores. Nas outras vezes nem chegávamos e ele saltava em nossas costas com aquele sorriso brejeiro.

O tempo passou, crescemos outras plagas, agora mais longe em busca de novas aventuras. Não esquecemos Quinzinho. Quando podíamos íamos lá de bicicleta sempre levando suas bananas. Mas nem tudo dura para sempre. Um dia não vimos mais Quinzinho. Para onde foi se morreu, se o levaram para um circo qualquer. Foram muitas saudades. Muitas. Quinzinho teve seu lugar de honra no livro da Patrulha Raposa. Acho que está lá até hoje!

UMA LUZ NO FIM DO TUNEL



Uma luz no fim do túnel?

"A menos que seu coração, sua alma, e todo seu ser estejam atrás de toda decisão que você toma, as palavras de sua boca estarão vazias, e cada ação será sem sentido. Verdade e confiança são as raízes de felicidade."
 (Autor desconhecido)

                            Sou um lutador pelas causas democráticas que até então não vejo nas nossas lideranças escoteiras. Mas sempre reconheci o trabalho de muitos que lá estão. Sei que estão empenhados no melhor. O que aconteceu até agora é que eles pensam, decidem e fazem tudo entre eles. Consultas sérias para mudanças ou melhorias são pífias. Isto acontece desde os primórdios do nascimento do escotismo.

                             É claro que temos muitas etapas que são imutáveis. Tudo aquilo que BP nos deixou é intocável. Como somos um movimento que todos dizem apolítico e não seguimos o modelo militar fica fácil alterar e manobrar conforme idéias de poucos.  Temos uma disciplina de dar inveja. Isso facilita para um mandatário decidir em nome de todos, com o auxilio de uma minoria. Nossa disciplina e nossa preocupação com o jovem nos deixam a mercê de decisões que devíamos tomar, e, no entanto não tomamos.

                              De uns tempos para cá, está havendo pequenas mudanças na nossa liderança. Tênues. Ínfimas. Alguns novos que assumiram estão tentando alterar situações em que dois ou três decidiam em nome de dezenas de milhares. Não sou mais daqueles que batem palmas quando dizem que um livro novo foi escrito. Que novas mudanças foram feitas. Tampouco sou daqueles que deixo de lutar pelos meus ideais no que acredito dentro dos principios democráticos do escotismo. Admiro a UEB. Já disse foi onde nasci e onde morrerei. Não vou sair dela. Vou lutar com ela.

                             Parece um paradoxo. Não tenho registro. Não tenho mesmo. Poderia procurar um Grupo Escoteiro amigo e me registrar. Não vou fazer isso. Ficaria com uma venda e uma mordaça sem poder dizer o que digo hoje. Podem contradizer, mas ameaças fazem parte ainda de uns poucos dirigentes que acreditam estar com a lei e a verdade. Minhas criticas são para melhorar e não destruir. Se pensarem o contrário são contra as próprias palavras de BP quando dizia que devemos enxergar mais que a ponta do próprio nariz.

                             Sempre achei que malhava em ferro frio. Outro dia fiz um artigo dizendo que podemos fazer um escotismo com jovens humildes e sem condição financeira. Muitos comentam que o escotismo é para ricos. Em parte sim. Mas pode-se fazer perfeitamente com pobres. Foi bem recebido por muitos que o leram. Infelizmente alguém junto aos lideres fez um comentário jocoso. Não respondi. Polemica é para ser feita com muitos participantes com direito a voz e voto. Bate boca aqui ou defesa ali não leva a nada.

                             Mas voltando a luz que cito na introdução deste artigo. Como recebo poucas comunicações da nossa liderança, pois ela acho eu só faz isso com aqueles devidamente registrados e eu não sou, procuro me atualizar lendo seus sites, e que agora está aumentando as informações aos seus associados. Informações eu digo, não troca de idéias. Recebo via email, um comunicado eletrônico. Ou Seja, o Sempre Alerta! Eletrônico. Uma gentileza que agradeço.

                               Quase sempre estão lá às atividades que a UEB realizou, as fotos de delegações brasileiras aos Jamborees (só de adultos, o Zezinho da patrulha Raposa não está lá. A idéia de Jamborees mudou. Agora só para adultos ou aqueles seniores/guias ou pioneiros, que conseguiram abalizar os gastos necessários) e atividades relacionadas à sua programação anual. Para minha surpresa, no último lá estava:

- Após as recentes atualizações do nosso Programa Educativo (feito por eles, não discutido com todos os membros adultos do movimento), comentam da atualização do POR. Pedem “palpites” a todos. Uma data para o término. Abril deste ano. Menos de dois meses para que sejam enviados sugestões, e seus “palpites”. Um tema tão importante, dois meses. A pressa como sempre em tentar fazer um POR a altura do que precisamos. Não entendo essa pressa. Mas é sempre assim.

                          Foi à primeira vez. Pelo menos nunca vi outra como essa nos meios de comunicação. Sei que consultam meia dúzia de regiões e grupos e só. Portanto é válida essa consulta. Consulta não, desculpe “(palpites) Você pode dar um palpite, se ele vai ser válido ou não isso compete à meia dúzia decidir. Depois é esperar e ver o novo POR e se seu “palpite” foi aceito. Interessante que no final se divertem com todos – Nossos chefes (?) aguardam suas opiniões. Estão ansiosos. Ou você dá seu “palpite” ou pode ficar “chupando” o dedo. E não pode reclamar depois! Risos.

                              Vejam, se a nossa liderança recomendasse via região a todos os grupos escoteiros, que realizassem Indabas ou seminários, ou outras reuniões (os nomes não importam) por seis meses no mínimo, e depois o tema POR fosse discutido com representantes dos grupos e distritos em região por mais seis meses. E finalmente culminar com um grande seminário nacional, com prazo determinado, mas não essa correria de agora, digam-me. Seria uma idéia geral? Seria um POR de dar água na boca como estão dizendo?

                            Mas não vamos reclamar. Foi uma abertura, um começo. Quem sabe virão outros. Uma colher de chá como dizem e que isso se torne um hábito de comportamento. Uma obrigação e não uma concessão de migalhas nas decisões importantes. Afinal são nossos representantes e não estão fazendo nenhum favor. Eu aguardo mesmo que isso aconteça. Luto por isso, mas sei que outros não pensam assim. Paciência. Sempre digo, sempre repito sempre retorno ao "Velho" tema. O importante são os resultados. Se eles forem bons, vamos bater palmas. Estamos no caminho certo. Infelizmente estes ainda não apareceram.                                                    

"O começo da sabedoria é encontrado na dúvida; duvidando começamos a questionar, e procurando podemos achar a verdade."
 (Pierre Abelard)