Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Um novo blog

  
Amigos leitores


INTRODUÇÃO

É bom ter mais um blog na ativa. Bom porque mais informações e entretenimento são disponibilizados a todos os amigos e amigas que nos visitam.
Não só eu, mas muito de nós tem em seu coração a vivência Escoteira. É isso que nos faz uma nação de abnegados que não se descuidam um só instante de suas atividades escoteiras ou mesmo na ajuda ao próximo.
Os artigos e contos aqui publicados falam sobre isto. Em outros me meto em uma seara não muito simpática que é a de discordar de tantas e tantas “lambanças” (risos) que nossos dirigentes escoteiros fazem (em meu modo de pensar é claro).
Se pudesse estaria na lida como todos. Como é bom estar lá junto aos jovens, vendo seus olhares, seus sorrisos e suas indagações. Isto é que me fez estar até hoje vivendo a cada dia a cada minuto o escotismo. Nem tudo é como antes. Saúde e idade me impedem de estar lá com eles.
Mas aqui, não só na memória, escrevo e tento ao meu modo de pseudo escritor, deixar para os meus amigos leitores situações agradáveis, simpáticas, aventureiras que vivi no escotismo e que de algum modo pode ajudar nosso movimento a crescer e ser forte em qualidade e em quantidade. Assim é que vou vivendo o escotismo. 
Sejam bem vindos, e como digo sempre é para mim uma honra ter amigos que nunca vi e quem sabe nunca os verei, mas os tenho todos no meu coração.
Saboreiem cada artigo ou o condenem. Não importa. Só ter voces aqui me faz feliz, muito mesmo, obrigado!

COLOQUEM SUA MOCHILA, CANTEM UMA CANÇÃO E VAMOS TODOS JUNTOS A FAZER O ESCOTISMO QUE TANTOS SONHAMOS.


Osvaldo um escoteiro  


Escotismo, ainda é uma aventura?


Conversa a pé do fogo.
Escotismo, ainda é uma aventura?

                        Costumo andar por aí nos dias de semana. Nada a fazer e devagar faço minha jornada observando e pensando. Isto me faz bem. Sem perceber passei na frente da casa de um antigo Escoteiro. Não o conhecia profundamente e poucas vezes mantivemos contato pessoal. Eis que no passeio em frente a sua casa o vi rodeado de garotos sorridentes a conversarem com ele. Foi uma surpresa, pois tem tempos que não vejo algum assim. Para mim inusitado. Não eram escoteiros pelo que pude perceber. Eram jovens da vizinhança e parece que já o conheciam há muito tempo.

                       - Vocês não conhecem o Movimento Escoteiro? Só de vista? – Pois olhem estão perdendo boa parte da juventude longe dele. Lá vocês teriam outros amigos para ampliar o leque dos que já tem. Poderão tomar decisões importantes para o crescimento e para a formação alem de que terão seu próprio time a decidir o que fazer. – Não acreditam? Bem tem muitos que pensam assim até ir lá e participar. – Lá não terão a obrigação de fazer nada do que não queiram. As decisões são em grupos e democráticas. Irão fazer lindas atividades ao ar livre, lá no campo dormirão em barracas, poderão ver as estrelas, aprender a se guiar pôr elas. Vão aprender a cozinhar, a lavar a louça, suas próprias roupas. Irão jogar os melhores  jogos de suas vidas.

                      - Mas isto não é bom? Eu sei que tem muitos jovens que não pensam assim. Mas a maioria como vocês eu sei que gostam de tomar decisões, em pensar por sí próprio. Mas tem mais, se forem lá irão praticar transmissões a distancia pôr bandeirolas, pôr Morse através de lanternas à noite, irão usar cordas para atravessar rios, despenhadeiros. Farão escadas de diversos tipos e pontes de diversos tamanhos. Irão também aprender a usar o machado, a respeitar árvores, fazer fogueiras, transmitir mensagens pôr fumaça pré-definidas. Irão fazer jornadas, com seus amigos escoteiros, aprenderão a ler mapas, fazer croquis, e se orientar pelas estrelas.

                     - Estou brincando? – Não meus jovens, nada  disso. Eu mesmo fiz tudo que estou dizendo há muito tempo atrás e olhe fiz muito mais do que isto. Se não acreditam, porque não vão até lá e verifiquem com seus próprios olhos? Um deles riu e falou para o Chefe: - Olhe Chefe, sem ofensas, eu mesmo tentei. Não aconteceu nada disto que você está dizendo. Só ficamos na sede, correndo prá lá e prá cá. Uns jogos que não divertia. Um Monitor mandão. Nunca nos consultou para nada. Só sabia gritar firme descansar e cobrir. Uma vez fomos ao campo. Os chefes ficaram horas preparando cordas para atravessarmos de um lado a outro. Ficavam segurando a gente com medo de cairmos. Parecia que éramos de louça. Eles não confiavam na gente. Aventura? Não vi nada disto. O Chefe Escoteiro ficou calado. – Tentou retrucar e dizer que não era assim. Eles não tiveram sorte no grupo que procuraram. Mas sem graça sorriu e voltou para sua casa.

                       - O cumprimentei, dei meu Sempre Alerta e ele sorrindo sem vontade retribuiu. Vi que ele colocou para os meninos de uma maneira fácil e correta do que é o escotismo. Qualquer jovem compraria esta ideia. Posso apostar. Mas e depois? Será que iriam ter isto no grupo procurado? Pensei com meus botões - Como seria bom se estivéssemos ainda fazendo um escotismo de aventuras, de descobertas. Poderíamos ajudar a esta juventude ou parte dela, que sem rumo segue por aí perseguindo o vento sem saber o que vai encontrar. Se os pais soubessem do valor do escotismo para ajudá-los na formação iriam ver de forma diferente o que veem hoje.   


                     Mas enfim, não adianta termos a isca. Precisamos aprender a usá-la para que dê resultados. Muitos estão preparados outros não. Escotismo é movimento e o movimento está fazendo o que melhor sabe fazer, motivar a moçada para estarem sempre esperando ansiosos a reunião no sábado seguinte. Mas será que é isto mesmo que está acontecendo em alguns Grupos Escoteiros?

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Canção da Despedida.


Conversa ao pé do fogo.
A Canção da Despedida.

               Diga-me quem não a conhece? Quem nunca se emocionou a ponto de chorar quando a cantou pela primeira vez? Impossível dizer que existe alguém assim. Não importa a idade, a cor, a crença, a religião. A Canção da Despedida marca. Ela entra na gente e nos faz tremer de emoção. Ela é incrível quando cantada em volta do fogo, olhos dormentes a entorpecer o corpo, mãos firmes entrelaçadas, um circulo perdido em sonhos de nunca mais perder as esperanças. Ah! Quantas esperanças de nos tornar a ver. Nesta hora não dá para olhar o amigo do lado. Os olhos estão marejados de lágrimas. Seria tristeza? Seria alegria? Difícil explicar. “Os antigos conhecidos deveriam ser esquecidos e nunca lembrados”? Diz sua letra original. Nunca poderiam dizer. “Pelos velhos tempos, nunca vamos esquecer um dos outros. Iremos correr as colinas, colher as margaridas, mas já vamos a tantos lugares e estamos cansados, vamos ainda recordar os velhos tempos”? É... A letra original é bem diferente da nossa.

               Bendito Robert Burns que escreveu a letra. Das terras da Escócia alcançou o mundo e Guy Lombardo criou a musica. Deus do céu! O mundo mudou depois desta linda canção. Tornou-se tradição nas comemorações de ano novo em centenas de países. Seu nome em Inglês é Auld Lang Syne. Dizem que significa Velho longo, uma vez que, ou outros dizem que seria muito tempo atrás, dias de muito tempo, pelos velhos tempos ou quem sabe para os bons e velhos tempos. De uma coisa eu sei, ela sempre que nos vem à mente nos emociona mesmo nos longínquos tempos. Quando surgiu no passado já significava que era importante lembrar amizades de hoje e de ontem. Nós mantemos a tradição de cantar sempre nos Fogos de Conselho, em nossos encontros Escoteiros, em atividades mil. Ela virou uma tradição também em outras partes do mundo. Pelos velhos e bons tempos que vivemos neste mundo! E melhor ainda, pois nunca iremos perder a esperança de nos ver novamente!

           Cada um de nós tem uma história para contar. Uma história que esta canção faz parte da vida, da história Escoteira e que quem sabe de tão linda poderia ser escrita no livro da vida de cada um Badeniano. Poderia dizer que a vida escoteira se tornaria sem sentido sem ela. Esquecer que não é mais que um até logo? É um breve adeus meu amigo, você sabe haverá outros dias e junto ao fogo vamos de novo nos ver e nos encontrar. A Canção da Despedida marca. Ela entra em nós como se fosse um novo mundo para vivermos. Temos mil canções, mas esta é especial. Nunca descobri quem foi que fez a letra para os Escoteiros e esteja onde estiver ele estava iluminado pela maravilhosa letra que escreveu. “Com as mãos entrelaçadas, ao redor do calor, formemos esta noite um circulo de amor” Maravilhoso! Espetacular! Incrível a emoção quando se canta apertando as mãos dos companheiros que estão junto a nós e olhando o crepitar da fogueira, das fagulhas se perdendo no céu.

            Ah! Meus fogos de Conselho. Lembranças que não se apagam. A gente ali, com muitos amigos em volta, o fogo crepitando, quem sabe alguma tocha vermelha iluminando ao redor. A escoteirada gargalhando, apresentações lindas, Do Rei da Macedônia, do Professor Pardal e do Serafim – Aquele que fica assim! Demais, demais mesmo. As palmas se desdobrando, são tantas. Adorava a do peixinho, do trem, do sapo falante da batida no corpo, da mexicana, e claro da nossa mais famosa palma Escoteira. A noite alta, o fogo terminando, a gente olha para o céu estrelado e pensa que não tem mais nada tão lindo para viver. É uma hora de plena felicidade. Todos esperam ansiosa a última apresentação. De todos. Agora é hora de entrelaçar as mãos. Sentir o calor do seu amigo ou da amiga, ver seu sorriso, olhar nos seus olhos e ver a esperança nascendo, pois ele assim como os outros sabem que a Canção da Despedida marca, hora de chorar? Para alguns não dá para evitar. Melhor é deixar as lágrimas rolarem pela face, e dizer – É de alegrias seu moço!

               A Canção da Despedida seja aonde for é um espetáculo a parte. Cantar e deixar-se levar pela brisa, pelo vento, é um encantamento. Agora é deixar as lágrimas rolarem, elas fazem parte de você agora e você sabe isto acontece com todos. A cada estrofe olhamos para o céu estrelado e pensamos quão pequenos somos neste imenso universo. Mas ali, com as mãos entrelaçadas e junto aos amigos Escoteiros temos uma força enorme. Elevamos nosso pensamento ao criador para agradecer o que estamos recebendo. Uma força incomum nos move como a dizer que nunca haverá um adeus, sabemos que sempre haverá a realização de um sonho, um sonho Escoteiro, um sonho que fica marcado para sempre em nossos corações. E finalmente já com a mente posta um no outro, onde podemos dizer que somos irmãos para sempre, e finalmente agradecer a ele, pois nos trouxe a alegria de viver e conhecer que a felicidade está ali, junto a nós, entrando devagar em nossos corações.


Pois o Senhor que nos protege
E nos vai abençoar
Um dia certamente
Vai de novo nos juntar.

sábado, 16 de agosto de 2014

Para onde vai o Escotismo?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Para onde vai o Escotismo?

                 Tenho pensado bastante sobre isto. Até tenho evitado escrever aqui e em meus blogs como escrevia no passado dizendo o que pensava das mudanças e alterações que os dirigentes estão fazendo. Todos são unânimes em dizer que temos que crescer e para isto precisamos mudar. Mudar a forma de ser, o uniforme, a apresentação e muito mais. Tenho visto no site da UEB grandes ideias dos dirigentes. Os cursos estão aí para todos conhecerem melhor nosso movimento. Cada um deles de tirar o chapéu. Já existe membros da corte dizendo que até 2.023 chegaremos a um milhão de escoteiros. Será? Não sou um estudioso no tema. Sei de alguns países que chegaram e passaram de um milhão de membros. Cada um deles com seu estilo e outros com a mão do governo fazendo um escotismo quase obrigatório.

                        Aqui não conheço os planos para este milhão. Só sei que a UEB ainda mantem com mão de ferro suas ideias, elas não transparentes, não existe consulta e quando decidem determinam suas ideias que são aceitas quase que normalmente. Veja o caso da vestimenta. Três anos discutindo estudando e planejando. Todos aguardando para saber o que seria. Poucos sabiam e poucos foram informados. E eles continuaram vendendo o traje para os jovens e adultos sabendo que ele seria extinto. Agora um plano feito a poucas mãos. Os associados levados de roldão. Ninguém sabe de nada a não que consultem os dirigentes ou seu site ou alguém ligado à direção contar para eles. Claro, eu sei que nunca consultaram e quando dizem que consultam só pode ser meia dúzia de grupos dos mais próximos.

                    Hoje temos uma vestimenta com vários tipos para que cada um faça sua escolha. Pensei em outras organizações sem considerar as militares onde seria possivel escolher o que quer vestir. Se existe desconheço. Para todos a UEB sempre tem uma explicação e dizendo por que. O caqui dizem continua. Porque ninguém da alta direção o veste? Porque para sair do Brasil só vale a vestimenta? Porque nos escritos e no site da UEB não aparece o caqui? E porque nossos dirigentes dos estados não usam o caqui? Porque aconselharam todos da cúpula que usassem o novo para dar exemplo. Se eles acharam melhor a vestimenta parabéns! Interessante que publico uma foto de uma tropa escoteira com todos bem uniformizados de caqui e as curtidas passam de 100 com muitos comentários nas minhas duas paginas e dois grupos. E olhe só escrevi que  o verdadeiro uniforme no meu modo de pensar era este.  

                Se vocês tiverem um tempinho para ler os últimos artigos do blog Café Mateiro terão uma surpresa. Uma direção que resolve sem consulta, que indica apadrinhados para seus diversos cargos, que se mantém no poder sem dividir, que não tem um canal aberto com todos. Sei que a UEB fez uma página aqui. Mas não sei se ela não vai ajudar a mostrar os descontentes. Muitos se calam, pois sabem que podem ter represálias. Quem duvida disto? Eles sabem o que acontece se aparecem. Agora leio esta história da Carochinha que poderemos ter até 2023 um milhão de Escoteiros. Pensando baixo teríamos que arregimentar um pouco mais de 100.000 Escoteiros por ano. Um sonho que nunca será realizado. Com um bom trabalho quem sabe lá pelos anos de 2.099 conseguiremos?

Enfim, as mudanças que fizerem já foram efetivadas e outras estão vindo por aí. Como somos um movimento obediente e disciplinado, pois sempre nos cobram a lealdade, pois discordar é considerado anti Escoteiro, não vejo como seria feito uma mudança geral nisto tudo. Afinal a UEB tem os politicamente corretos espalhados por todo Brasil. Em vez de ficar defendendo porque todos não pedem uma nova forma de consultas? Pedir que sejam mais transparentes. Parecem com o papai e a mamãe com os brinquedos que o Papai Noel no natal trouxe para as crianças. Muitos eles escolheram achando que os filhos queriam. É desculpem, mas ainda somos levados pela mão em um movimento que tem tudo para ser uma grande ajuda na formação de caráter e ética, e olhe estamos precisando disto em nosso país.

                Assunto polêmico? Sei não. Dizer que os estatutos dão liberdade para que cada um se manifeste é uma utopia. São poucos que chegam ao topo e a maioria precisou de bons amigos para indicar. Não quero unanimidade, para mim ela é “burra” em uma democracia. Agora cada um deve pensar se o caminho é este. Se ficar por mais vinte anos no escotismo então diga se tudo que planejaram aconteceu, se foi verdade, se os tais milhões apareceram. Só para São Tomé - Quem viver verá! 


                E NÃO DEIXEM DE LER OS ARTIGOS DO BLOG CAFÉ MATEIRO. Lá todos poderão entender bem como funciona a engrenagem da Direção Nacional. E depois tem aquele que vem dizer: - Não concorda? Va a Assembleia e mostre como deve ser! Só rindo. Ir a Assembleia? Experimente e depois me diga como foi.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O último apague as luzes...


Crônicas de Um comissário de Distrito.
O último apague as luzes...

Conto escrito pelo Chefe Kleber Sidvzinski

                         - Pois é Chefe Adriano, não vejo outra saída – disse o Comissário Distrital, tirando os olhos do relatório e fitando aquela figura cabisbaixa na cadeira a sua frente – sei o que representa este grupo na sua vida e a importância que ele tinha na sociedade, mas já tentamos de tudo, palestras informativas, atividades de divulgação com outros grupos, trouxemos cursos preliminares para vocês, tentamos conversar com as lideranças locais, mas infelizmente não tem como fazer escotismo com as moscas. São mais de dois anos nesta situação. Chefe Adriano tomou o relatório das mãos do Chefe Leandro, mais que um Comissário Distrital, um amigo e confidente. Olhou para o papel, mas não conseguia fixar em nada. Onde foi que errara? Como ele, com toda sua experiência, com toda sua paixão pelo escotismo tinha deixado que isso acontecesse? Um grupo com 27 anos de existência, com um lindo histórico de formação de jovens, conhecido em toda a região...

                         Um filme se passava pela sua cabeça, lembrou-se das primeiras reuniões para a fundação do grupo, a escolha do nome, as cores do lenço, o desenho do símbolo do grupo. Parecia que tinha sido ontem. Lembrava claramente das sugestões para o nome, eram tantos, mas nenhum agradara tanto como o nome da rocha que dera nome a cidade – Pedra Azul. E o lenço? Foram quatro modelos, todos costurados a mão pelas esposas dos membros fundadores, havia sido uma difícil escolha, mas o escolhido era lindo, para eles o mais belo até então. Lembrava claramente do dia da inauguração, as primeiras promessas, a música alegre da banda municipal, os belos discursos...

- Hoje Pedra Azul escreve mais um importante capítulo de sua história – assim começara o discurso de Pedro Saviola, prefeito na época, hoje já falecido. O brilho nos olhos dos primeiros escoteiros promessados, as primeiras patrulhas. Fora uma época de ouro, os melhores de sua vida. Sua alegria só não tinha sido maior do que a promessa de seus dois filhos, Martina e Luccas. Quantos momentos de alegria intensa não vivenciaram junto com sua família? Acampamentos, jornadas, excursões, enfim, um mundo mágico, onde não existia monotonia, não existia tristeza. Os melhores momentos da sua vida ele viveu dentro daquele grupo, construíra fortes amizades, adquirira respeito, conhecimento.

Correu os olhos nas prateleiras daquela pequena sala. Olhou os troféus das conquistas das patrulhas. Eram dezenas, conseguia se lembrar de quase todos, afinal quase sempre esteve presente em todos os eventos do grupo, fosse das seções, fosse do grupo. Era um chefe extremamente ativo, participante, gostava de estar junto com a galera, vibrava com eles a cada conquista.

Primeiro foram os Chefes Jonas e sua esposa Eulália, ele um excelente assistente de tropa escoteira ela a primeira Akelá do grupo, cozinhava como poucas. A desculpa havia sido por problemas profissionais, muito serviço, pouco tempo para se dedicar, mas todos sabiam que depois que uma nova diretoria nomeou outra para o cargo de Akelá ela ficara muito desmotivada. Aos pouco foi deixando as obrigações, começaram a faltar, isso também foi desmotivando Carlinhos, o filho, e acabaram saindo todos.

Depois foi a vez dos Chefes Tino e sua esposa Vanessa, ambos da tropa sênior, eram os chefes da seção, animados, criativos, carismáticos. Mas depois da participação em um curso no campo escola regional de onde haviam chegado cheios de ideias, querendo fazer mudanças, questionando velhos dogmas e encontraram forte resistência por parte da diretoria, chegando a entrar em atritos várias vezes, também se desmotivaram até sair, o filho Cássio saiu alguns meses depois.

E assim foi um após outro, os membros fundadores do grupo foram saindo, pelos motivos mais diversos, brigas, sede de poder, falta de capacidade, falta de carisma, falta de comprometimento, enfim, os problemas e desculpas eram vários. E os que chegavam, mesmo se maravilhando com o escotismo, pouco tempo depois por um motivo ou outro acabavam saindo. Lembrava-se de quase todos, tentara de todas as formas evitar as perdas, sabia que a cada saída de um adulto a perda de jovens era certa e a reposição do adulto capacitado, motivado, envolvido era muito difícil.

Correu os dedos pelo seu colar da insígnia da madeira, cujo merecimento foi demorado e muito festejado pela sua tropa escoteira, pelo seu grupo, era a primeira e única do grupo e uma das poucas de toda a região. Infelizmente nem com os conhecimentos adquiridos com ela haviam sido suficientes para tentar reverter àquela situação. Levantou-se da cadeira lentamente, não conseguia olhar nos olhos do Chefe Leandro.

Olhou a coleção de lenços que enfeitava uma parede inteira daquela sala, tantas emoções, tantos momentos vividos, cada lenço tinha uma história. Aquela parede representava muito bem tudo que tinha vivido nestes anos todos de movimento. - Sabe que eu tentei de tudo, faz três anos que tenho registrado uma diretoria “fantasma” somente para manter os cinco escoteiros do grupo... Porque estes tipos de coisas acontecem? O que vou dizer para estes cinco jovens? - Disse sem se voltar para o Chefe Leandro, como se estivesse envergonhado com aquele momento. Seus olhos estavam mareados. Sentia-se um incapaz, um derrotado.

- Bem a ideia de você levá-los ao grupo de Cerro Verde é boa, e ainda de quebra você mesmo irá dar uma mão ao grupo também. Para eles será um grande reforço e para vocês uma forma de continuar no movimento. Quem sabe não conseguem voltar depois? Realmente. Havia ainda uma luz no fim do túnel, quem sabe depois de certo tempo não voltasse o interesse dos moradores da cidade? Quem sabe seus antigos escoteiros depois de terem a vida encaminhada não voltariam dispostos a ajudá-lo a reerguer o grupo? Pensar nesta possibilidade lhe deu certo alento.


Virou-se lentamente, pegou o velho e surrado chapelão escoteiro que estava sobre a mesa, colocou-o meio desajeitado sobre a cabeça, dobrou cuidadosamente o relatório que estava sobre a mesa, colocou no bolso do seu impecável uniforme, exatamente no bolso onde estava pregado o distintivo de sua promessa. Fitou firmemente o Ch. Leandro, um meio sorriso surgiu em sua boca. - Eu sou escoteiro e não desisto jamais... O escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades. Este guerreiro irá apenas adormecer, mas voltará, criará mais forças, buscará mais informações, reforços, mas voltará. A bela história deste bravo guerreiro não irá acabar em minhas mãos... Palavra de escoteiro.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Vocês conhecem a guerra no Brasil?


As crônicas de um aposentado.
Vocês conhecem a guerra no Brasil?

             Não gosto de misturar alhos com bugalhos. Considero-me um expert em escotismo. Conheço profundamente. Arrosto mesmo que sou bom nisto, sei fazer já fiz e os resultados foram bons. Escotismo para mim não tem segredos. Mas estive pensando se não devia escrever outros temas do nosso dia a dia. Alternar escotismo e as coisas da vida. Claro que no livro arbítrio todos têm direitos a pensar e acreditar em suas convicções e de maneira nenhuma quero mudar uma concepção de ideologia ou pensamento. Vamos lá. Alguns estão postando nas redes sociais sua discordância ou revolta do que se passa em Gaza, na Palestina por forças armadas de Israel. O numero de mortos a cada dia aumenta. Muitas crianças e ficamos a pensar até onde vamos. Não dou razão a ninguém. A guerra, dizem que só os mortos conhecem seu fim. Mas vocês sabiam que temos uma guerra surda e muda em nosso país? Uma guerra que a cada dia tira a vida de um jovem ou adulto, que não respeita a cor, o credo ou a classe social?

               Os acidentes em moto estão ceifando a vida de muitos. Quem se sente dolorido por ter perdido um ente querido sabe como é. Não adianta falar que respeito às leis de trânsito resolvem. Eu mesmo fico boquiaberto quando estou dirigindo nas ruas de São Paulo. Tenho um filho que usa uma moto para trabalhar. Rezo por ele todos os dias. Ele tem esposa e dois filhos. E quantos a cada dia morrem deixando para trás seus filhos e esposa? Você sabia que só em São Paulo Morrem cinco por dia? Mais que o dobro é internado em hospitais? Muitos destes voltaram para casa em uma cadeira de rodas. Li que as mortes em todo Brasil superam as 40 por dia. 40? Isto mesmo. Faça o calculo 120 por mês, 1.440 por ano. E os feridos quantos são? Isto não é uma guerra? É, temos mesmo uma guerra no Brasil. Sei que muitos desfraldaram uma bandeira para evitar esta guerra. Ela machuca, ela dói quem perde um ente querido sabe como é.

                As guerras existem deste o começo do mundo. Nós humanos sempre queremos defender nossas ideologias, nossas crenças, nossas raízes e é um orgulho em dizer que se for preciso darei minha vida pelo meu país. Mas aqui temos uma guerra e pouco se comenta. As leis são criadas, mas que se preocupa? Lei? Ora a lei! Se ela é boa para mim ótimo. Se não que ela se dane. Culpar o motorista? O motoqueiro? Culpar as leis? Porque não acabar com esta guerra? Qual a solução? Não perguntem para mim, perguntem para quem morreu quem bateu, quem está chorando a morte de um que se foi ou então para as autoridades e aqueles que estão a pedir votos prometendo tudo. Afinal guerra é guerra, e vence sempre o mais forte. O automóvel. Ele seria o culpado? Procurar culpas não sei se adianta, pois prantear um ente querido que nunca mais vai voltar não é fácil. É como um punhal encravado no coração para sempre em uma mãe, em um pai e em irmãos que o amavam.


                    Vamos lutar para que acabe as guerras no mundo. Não só a da Palestina. Existem muitas outras que devemos levantar nossas bandeiras. O Cristo veio ao mundo para muitas coisas, a principal é que ele sempre dizia - Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Não é só palavras para tentar amenizar a dor de uma perda. Atos e fatos e ambos os lados deveriam parar por um minuto nas estradas, nas ruas e pensar – O que posso fazer para ajudar? Sei que isto é impossível. Voltemos nosso pensamento para o Brasil. Morrem jovens, morrem adultos, morrem velhos, São mais de 1.400 mortes de motoqueiros por ano. O mesmo número ou mais que serão condenados a viver em uma cadeira de rodas pelo resto da vida. Quem sabe o dobro daqueles que terão sequelas pelo resto da vida. As doenças que matam existem em todo o mundo, mas aqui fora as doenças temos uma guerra. Tem muitos perdendo a vida por nada. Não adianta esconder, aqui também tem uma guerra que mata sem dó e sem piedade. Mas afinal, quem liga? Quem se preocupa? O que estes candidatos hoje dizem? Tem solução?

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Não dá para desistir.


Não dá para desistir.

                  Algumas vezes eu penso em parar de postar as minhas reminiscências, minhas criações, minhas lendas e descansar um pouco. As forças aos poucos vão se extinguindo. Escrever para mim tornou-se um vicio e dizem que vício não se deve deixar crescer, pois um dia poderemos sofrer com ele. Quando as crises pioram fico alguns dias sem postar nada. Sei que para a maioria isto não seja importante se eu posto ou não, mas quer saber? Tem uma minoria que me obriga a não deixar nunca de postar, pois eles fazem a diferença. Tenho mil e tantos amigos, mas alguns deles são tão importantes que me sinto na obrigação de estar presente aqui. Eles escrevem, comentam, me mandam e-mails, deixam recados e até fico embevecido. Se por um lado eu gosto de escrever e agradeço a Deus por me dar esta graça, por outro lado para alguns a leitura faz parte do dia a dia na internet.

                Teria centenas de casos para exemplificar, mas veja alguns deles:

- Chefe, eu e meu filho não dormimos enquanto o senhor não posta uma história. Ficamos eu e ele lendo e então vamos dormir. Muito obrigado – Incrível não?
- Chefe, eu fico sempre a esperar suas histórias. Não consigo dormir sem ler uma delas. Quando o senhor não posta, tenho insônias e não durmo bem. – Falar o que?
- Chefe, eu não conhecia as histórias dos Escoteiros, através do senhor tudo mudou. Resolvi participar só porque gostei de tudo que li. – bem vindo amigo!
- Chefe eu não aguentei. Tive de chorar. Nunca vi uma história tão linda que me marcou tanto! Ah! Meu coração! - Dizer o que? Eu também choro quando escrevo.
- Adoro seus contos. Aqui é o cantinho do Chefe Osvaldo! – Danada de simpatia.
- Chefe, nosso grupo faz questão de ter suas histórias sempre à mão para os lobos, Escoteiros e seniores. Lá todos admiram seu trabalho! – Me desmancho todo com estes elogios.
- Chefe, tem dia que minhas ideias para programas não andam boas, e através de suas histórias minhas reuniões tem sido elogiada por todos e os monitores pedem mais. - Puxa vida!
- Chefe, eu não sou Escoteira e nem conhecia o movimento. Foram suas histórias que me abriram a mente para este movimento tão maravilhoso – Já pensou minha alegria?
- Chefe no último fogo do conselho suas histórias nos serviram para o jogral. Foi sucesso absoluto. Agora se tornou obrigação de em todos ter uma história sua– Que vontade de estar lá para ver!
- Chefe, tornou-se um costume eu ler suas histórias nas reuniões da Alcateia. Os lobinhos adoram! – Melhor possivel!
- Chefe, eu quero seu autógrafo! Olho e lá vejo um compêndio dos meus contos devidamente organizados como se fosse um livro. Nossa! Pediram meu autógrafo!
- Chefe eu não aguentei. Estou sorrindo até agora de felicidade. Minha família me olha espantada e explicar para eles o final da história que li, não vão entender – Bravoô!
- Chefe, sem os seus contos aqui no Facebook fica sem graça. São eles a razão de eu estar sempre aqui. Obrigado – Aceite meu aperto de mão e meu abraço!
-  Chefe, na última Corte de Honra nós discutimos um dos seus contos. Os monitores fizeram questão de dizer que eles têm enorme valor para eles! – Bom demais!
- Chefe Osvaldo, “pai” das grandes histórias do escotismo! Conheço o cara, gente fina!
- Osvaldo, você tem sido um bom pai para todos nós, aprendemos muito com tuas histórias. Obrigado por todos os momentos de leitura!
-  Chefe Osvaldo Escoteiro, eu preciso lhe dizer uma coisa. Quando o conheci mais jovem, sua figura austera, sempre alinhada e de rosto sério, chegava a dar medo na gente. Mas depois de conhecê-lo um pouquinho víamos o quanto o senhor era humano e o quanto tinha a nos ensinar. Agora, o senhor está com cara de Papai Noel. Sua alma tomou conta de seu corpo e transparece quem o senhor é internamente. Meus olhos enchem-se de lágrimas!

                 E assim prosseguem outros tantos. Já disse que não são muitos, mas quem foi que disse: - “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”! Parece-me que foi o primeiro ministro britânico Winston Churchil pela bravura dos ingleses na segunda guerra. Eu digo o mesmo, quem sabe alterar para “Nunca eu fiquei devendo tanto para tão poucos”. Não importa aqueles que não gostam. Eles de vez em quando aparecem com suas chatices. Entra em um ouvido e sai no outro. Sinceridade é fundamental. Quando o elogio vem do fundo do coração ele marca, conquista e faz da gente escravo daquilo que provocou o elogio. Ainda bem que me sinto bem entre os chefes que demonstram a simplicidade e é isto que mantém uma boa amizade. Meu abraço é mais forte no Chefe que se mostra meu amigo. Não procuro nele olhos azuis, lenço de Giwell, nem porte de atleta. Ele vale como é. Nada contra, tenho amigos chefões, não sei quantas contas no pescoço, formador, diretor e Presidente. Mas eu gosto mesmo é daqueles simples, sem afetação, com um sorriso verdadeiro nos lábios e a mente pura vivendo com intensidade o que BP nos deixou.


                   Não dá para parar. Quem para parte deste mundo mais depressa. Quero viver ainda muito, claro aceitando o que Deus me reservou. Os que não gostam das minhas postagens, pois tem alguns que não acreditam que tenho o Espírito Escoteiro, paciência. Eu escrevo de acordo com minha consciência. Nunca pretendi ofender, mas não defendo os desmandos, a prepotência e o orgulho de alguns que se acham mestres escoteiros. O escotismo é fraterno amigo e isto deve fazer ponto de honra para todos nós. Os poucos que citei já é para mim uma multidão. E é esta multidão de uma dezena que me faz continuar. E por eles não vou parar. E vocês meus amigos que gostam do que escrevo eu só tenho a dizer – MUITO OBRIGADO! Vocês estão como BP na minha mente, na minha alma e no meu coração!       

domingo, 10 de agosto de 2014

A árvore das folhas rosa.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
A árvore das folhas rosa.

                   Era uma visão incrível. Apareceu assim do nada. Fez-se presente para sempre em nossas vidas. Dizem por aí que só os escoteiros têm o privilegio de ver e ouvir coisas, pois eles têm o dom de enxergar de outra maneira a natureza hoje perseguida de maneira implacável pelos homens. Acredito piamente que isto é real. Estava eu em uma pequena trilha, mais quatro amigos escoteiros, todos em fila indiana, tentando cortar caminho para chegar ao Tanque dos Afogados. Desculpem, não morreu ninguém lá e nem é um tanque. Uma represa pequena, dócil, rasa, de águas cristalinas que por duas vezes ali estivemos acampando. Sempre passamos pelo caminho do Marquês mais de doze quilômetros. Não lembro quem deu a ideia de cortar caminho em um vale entre duas montanhas. Nem sempre as boas ideias prevalecem. Passava da uma da tarde. Um sol a pico e queimando. Quase quatro horas de caminhada. O suor escorrendo pelo rosto, os olhos vermelhos e o chapelão de três bicos faziam às vezes de um protetor carinhoso, mas que pouco ajudava.

                  Um local descampado, sem árvores, quem sabe para pasto do gado que ao longe pastava calmamente. Pensei em parar, mas sempre um animando dizia: - Vamos chegar! Vamos chegar! É só encontrar o vale das Vertentes. E esse não chegava nunca. Uma fome brava. Nem um biscoitinho a solta. Já respirava com dificuldade quando avistei o paraíso. Uma árvore. Não uma árvore qualquer. Era enorme. Incrivelmente linda! Nunca tinha visto uma cerejeira igual. Florida, folhas e flores rosa destoando da natureza ao seu redor. Só ela, ali, imponente e ao seu lado um pequeno riacho de águas claras. Visão maravilhosa. Um oásis dos deuses do paraíso naquele campo seco. Incrivelmente maravilhosa. Molhei o rosto calmamente. A sombra da cerejeira nos dava uma sensação de calma silenciosa e gostosa. Uma brisa fresca soprava de este para oeste. Sentamos embaixo próximo ao tronco. Pés levantados. Dizem ser bom para a circulação. Dez minutos, quinze, vinte. Uma hora. Ninguém animava em partir. Estavam todos no mundo dos sonhos coloridos que só os escoteiros possuem.

                 A tarde chegou mansamente. O sol estava se despedindo e prometendo voltar amanhã. Vermelho atrás das montanhas verdejantes. Ainda de olhos fechados lembrei que tinha lido não sei onde – “A flor de cerejeira cai da árvore na primeira brisa mais forte, mas não dizemos que ela nunca viveu. Uma flor que só dura um dia, não é menos bonita por isso”. Não queria abrir os olhos. Não queria partir. Eu tinha encontrado o paraíso. Não disseram que o tempo é relativo? Que a flor da cerejeira, por exemplo, dura apenas uma semana e mesmo se durasse mil anos ainda seria efêmera? Flor tão bela como ela não merecia durar eternamente? E o que é eterno se não o que dura com tamanha intensidade? Dormi. Não queira acordar. Agora a cerejeira não dava mais sombra. Não precisava, a noite chegou escura, mas logo o clarão das estrelas no céu dava o seu espetáculo a parte.

                Reunião de Patrulha. Partir? Cinco a zero para ficar. Um foguinho. Uma sopa, um café na brasa. Cantando baixinho a Árvore da Montanha. O céu estrelado ainda dando seu espetáculo maravilhoso. Um cometa passou correndo deixando um rastro brilhante. Fiz um pedido. Que a cerejeira em flor durasse para sempre! Aos poucos alguns dormiam. A cerejeira das folhas rosa era nossa barraca. O tempo passou. Ao lado algum anjo velava o sono dos escoteiros. Abri os olhos mansamente, uma réstia de luz aportava lá por trás das montanhas distantes. Era a madrugada chegando. O sol já ia nascer. O novo dia chegava sem fazer alarde. O orvalho caia de mansinho. A brisa eterna amiga não nos deixou. Um acalanto para nos dar um novo vigor no dia que chegava sem fazer ruído.


                 O riacho ao lado parecia cantar canções de ninar. Pequenos peixinhos nadavam como a nos dizer bom dia!  Mochila as costas. Olhares e sorrisos entre nós. Escoteiros avante! Pé na estrada, pois o sol agora já estava firme no horizonte. Nosso destino? O Tanque dos Afogados. O ultimo olhar para a árvore das folhas rosa que nos deu abrigo.  E lá fomos nós, em marcha de estrada sorrindo, mas saibam que nunca mais, em tempo algum, nós nos esquecemos da árvore das folhas rosa. Cerejeira em flor. Um amor, uma lembrança que ficou marcada para sempre!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

SOMOS TODOS IRMÃOS.


SOMOS TODOS IRMÃOS.
Nunca canso de dizer isto. Repetirei sempre até meu ultimo dia na face da terra. Minha mão, meu sinal, meu sorriso e meu abraço não distinguem associações. Que seja a FET, a AEBP, Os Florestais, a FBB (bandeirantes) os Desbravadores, os Escoteiros Católicos, as diversas associações Escoteiras mundiais e todas que existem ou forem criadas sob a éxige de Baden-Powell. A lei Escoteira que ele nos deixou e instruiu é clara  - O ESCOTEIRO  É AMIGO DE TODOS E IRMÃO DOS DEMAIS ESCOTEIROS.
BP não definiu que o escotismo teria dono. Não tem. Sua ideia central era a formação individual e a fraternidade universal. Se existem divergências quanto às origens, o uso de normas e distintivos eu não comungo com nada disto. Todos tem direitos de ser chamados de Escoteiros. Os homens de hoje estão fazendo sua própria cartilha. Querendo separar o joio do trigo e nem sabemos quem é o joio e quem é o trigo. Não discuto ideologias, aceito o escotismo como uma filosofia de vida. Para mim, a única coisa que importa é que se acreditamos em Baden-Powell, acreditamos que...

SOMOS TODOS IRMÃOS!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Dia do Chefe Escoteiro



OBRIGADO SENHOR POR ME PERMITIR SER UM CHEFE ESCOTEIRO.

A todos vocês que me seguem em meu blog, e se é um Chefe Escoteiro, aceite meu abraço, meu Sempre Alerta e meus parabéns. Fui um de vocês e hoje sei que o escotismo nunca morrerá por tantos chefes abnegados a fazerem pelos jovens o que BP nos ensinou. PARABÉNS!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Escotismo adulto. Você gostaria de fazer?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Escotismo adulto. Você gostaria de fazer?

            Cresce entre adultos Escoteiros a ideia de fazerem um escotismo entre eles. Na Europa a ideia já germinou e uma organização floresce. Aqui no Brasil muitos já se interessaram em filiar e dizem (em não sei) a própria UEB está estudando a filiação com uma organização própria. Onde isto vai dar não sei. Outros não concordam com a UEB ser exclusivista. Acham que o Escotismo adulto deve caminhar com suas próprias pernas. Eu como mineiro fico na minha matutando. Tudo que aparece sobre o tema eu leio e tento entender bem o que seria Escotismo adulto. Sou meio tapado com estas coisas. Sei que a palavra já diz tudo, mas precisa mesmo ter uma organização a parte? Claro que discordo da UEB ser a mentora, pois logo aparecem “sumidades” Escoteiras a determinar isto e aquilo desfigurando o sentido da ideia. Sei não. Eu vejo o Escotismo Adulto de outra forma. Uma organização poderia ser bem vinda se ela viesse nos oferecer liberdade e democracia. Se ela fosse viva e cheia de fraternidade. Se ela tivesse a ideia de dar aqueles que não tiveram a oportunidade de fazer um escotismo mateiro os levar para o campo com liberdade sem imposição.

              Vejo, no entanto que isto nem sempre transparece nas ideias europeias. Claro que uma organização voltada para a boa ação é sempre bem vinda. Quem sabe eles pretendem dar todo apoio às associações Escoteiras que estão com dificuldades ou mesmo dar facilidades ao crescimento dos jovens nos Grupos Escoteiros. Por outro lado vejo uma infinidade de adultos voluntários que nunca tiveram a oportunidade de fazerem um escotismo autêntico, no sistema de patrulhas, nos acampamentos de Gilwell, e entre sí jogarem gostosamente os maravilhosos jogos Escoteiros como aqueles que a meninada se diverte em tropas Escoteiras. Todos que fizeram escotismo quando jovens, entre eles muito se comenta com saudades “daqueles tempos” e logo a mente os transporta para os acampamentos vivendo a vida de um Escoteiro fazendo tudo que a oportunidade lhe deu. Pensando assim eu vejo uma possibilidade de se ter um programa de Escotismo Adulto. Voltado para as atividades Escoteiras que uns nunca fizeram e outros com lembranças boas querendo retornar a Gilwell.

                 Muitos confundem Indabas com atividades preparatórias para programas, cursos e em algumas existem um pouco do escotismo aventureiro, mas sempre com o líder ensinando e falando e apitando. Não sei se isto é válido para uma volta aos tempos de menino ou mesmo sonhar ser um menino Escoteiro que nunca foi. Sei que existem milhares de Chefes que não tiveram a oportunidade de viver uma vida de campo. Quem armou uma barraca e dormiu sob ela em um campo de patrulha junto com outros chefes? Quem junto a uma patrulha construiu um ninho de águia? Quem construiu uma ponte pênsil ou seguiu uma pegada de um animal qualquer na floresta? Que ficou até a madrugada contando estrelas e cantando com seus amigos chefes da patrulha? E quantos mais decidiram fazer uma jornada seguindo um mapa, um percurso de Giwell, utilizando o Passo Escoteiro ou o Passo Duplo? Quem pode um dia transmitir mensagens em semáforos ou Morse a distancia principalmente em um jogo noturno? Sei que muitos que não foram escoteiros sonham com isto. Mas feito de maneira a “Escoteira” decidindo por sí só ou pela patrulha unida.

                       Como seria bom olhar para o outro lado da estrada. Uma patrulha de chefes ou várias, caminhando como se fossem jovens patrulheiros naquela trilha a procura de um bom lugar para acampar. Quem sabe tendo um Monitor eleito democraticamente e sabendo que poderia ser retirado por qualquer “audácia” de impor suas ideias. São muitas coisas que muitos chefes sonham. Seria este o Escotismo Adulto que eu penso. Um escotismo aventureiro para chefes. Sem apitos, sem gritos, sem imposições e sempre voltado democraticamente no pensamento de todos. Uma patrulha de chefes que seria viva para sempre. Um sai outro entra. A patrulha de chefes tem normas para eleições, tem normas de amizade e fraternidade. Ela a patrulha poderia ser formada por chefes do próprio grupo ou do distrito. Tem normas de respeito e ética e todas elas nunca escritas, mas sempre sabida. – Ei Patrulheiros da Raposa! Tudo pronto para o acampamento de verão? Sei que existem muitas necessidades para se atingir a maioridade. Mas não dizem que se conhece o Escoteiro no acampamento? Porque então não acampar com os chefes para conhecê-los melhor?

                         Não acho impossível isto acontecer. Com alguns acampamentos os chefes do grupo e do distrito não teriam outro diapasão? Quem sabe viver em uma patrulha daria oportunidade para entender melhor nossas deficiências e as deficiências dos outros chefes? Lembre-se que aqui falo de Chefes Escoteiros Aventureiros e mais nada. Sem imposição e se tiver um dirigente ele seria previamente eleito, mas determinado há um tempo mínimo na liderança, pois seria substituído por outro a seguir. Afinal ele não gostaria de estar lá na patrulha? Sei que é difícil começar, mas não dizem que tudo tem um começo? Se alguém na liderança não apoiar eu acredito que falta apoio aos Adultos Escoteiros. Eles não podem ser massa de manobra como até hoje. Levados pela mão aonde o dirigente acha que é o caminho. Eles não estão dando aos chefes Escoteiros a possibilidade de discordar, de sugerir, e de votar. Portanto pensem bem afinal vocês não tem sonhos? E porque não realizá-los? Só lembre-se que o acampamento é para chefes e dos chefes mais ninguém. Os Pioneiros e seniores já tem o seu. Aquele é seu agora é sua vez.

                       Eu sei que a ideia de BP era voltada para os rapazes e moças. Tudo que ele fez foi em função da formação individual, o desenvolvimento da liderança e formar caráter e civismo para jovens. Mas hoje temos milhares de adultos Escoteiros que nunca fizeram tais técnicas e tais atividades. Afinal, eles não têm este direito? Conversem entre si se acham que a sugestão é valida. Discutam se acreditam que a outra forma europeia é mais valida. Quem sabe o embrião que está surgindo na Europa não seria válido aqui? Mas se querem também fazer escotismo, viver a vida mateira e aventureira como adulto e junto a outros adultos está na hora de se por em ação. Como diz um amigo meu, pé no pedaço, preparem o programa, mochila as costas, uniforme no lombo, chapéu Escoteiro, uma bandeira e escolham sua trilha e parta para onde o vento os levar, cantando uma bela canção! Bons ventos e bons caminhos!


“Saudades de quando junto a amigos chefes, embrenhávamos na mata, fazíamos uma clareira e ali vivíamos a vida de um escoteiro. Quantas amizades foram marcadas para sempre”!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Apenas uma homenagem, uma simples homenagem a minha amiga Letícia.


Apenas uma homenagem, uma simples homenagem a minha amiga Letícia.

Ontem me lembrei de Letícia. Quem não a conhece saiba que é apenas uma guia. Uma guia que durante alguns meses surpreendeu o movimento Escoteiro como um todo. Pela primeira uma jovem mostrou que nem tudo no escotismo é um lindo arco íris como dizem nossos dirigentes. Ela nunca teve pretensão de se insurgir, de ser contra, queria somente dizer que nossos lideres precisavam ser mais pragmáticos e transparentes principalmente quando sem consulta (dizem que fizeram e ninguém viu) colocaram de modo impositivo a nova vestimenta. Ela pensava que se tivessem feito uma pesquisa nacional séria com a participação de todos, não haveria motivo de discordar da nova vestimenta. Muitos acham que ouve, ela e eu sabemos que não. Transparência é quando todos são informados dos estudos e participam dando sugestões. Pensem bem, se isto tivesse acontecido durante três anos que durou a implantação da mudança, não teriam mais investido no traje. E olhe como se nada fosse acontecer o traje continuou a ser vendido nas lojas Escoteiras. Quantos jovens e adultos ainda usam o traje? Depois da data marcada pela UEB quantos serão inutilizados? Sei que vários escotistas antes e depois defenderam as decisões da UEB. Eu como sou totalmente contra esta mudança e tenho meus motivos já ditos aqui e nos meus blogs vi com surpresa uma guia que arregimentou tantos e que mesmo não conseguindo como queria fazer seu intento, ela venceu uma batalha.

Letícia sofreu uma pressão psicológica incrível. Quantos foram contra ela? Eram membros da elite Escoteira tentando convencê-la ao contrário e ela irredutível. Eu mesmo a aconselhei que desse um tempo para seu protesto. Não era a hora propícia, pois simultaneamente a data programada iria acontecer a Assembleia Regional. Enquanto isto ela recebeu telefonemas e e-mail de dirigentes assim como foi chamada (a convite) para uma reunião na Sede Regional de São Paulo. Finalmente convidada para a Assembleia Regional viu que ali era não era ninguém. Seu sonho de um protesto Escoteiro não aconteceu. Mas alertou a muitos que precisamos de mais democracia, mais transparência, mais pesquisas leais e não as que de vez em quando são feitas. Ela acordou muitos chefes em saber que precisamos lutar pelos nossos direitos e não aceitar sempre os Politicamente Corretos que para nos calar dizem que o Escoteiro é Obediente e Disciplinado. Quanto a vestimenta ela hoje é um fato consumado. Não existe mais um retorno às origens. Tudo que disserem que a escolha dela “a vestimenta” é democrática nos Grupos Escoteiros uma análise leal irá mostrar que não. Afinal para quem conhece democracia na sua totalidade ela não existe para nós.

O tempo passou Leticia ainda sobrevive nas hostes Escoteiras. Continua a vestir seu uniforme com orgulho. Tem muitos amigos de sua idade e com eles ainda corre por aí com sua bandeira a acampar fazendo o escotismo que acredita. Ela tem o escotismo na alma no pensamento e no coração. Me orgulho em ser seu amigo.


PARABÉNS LETÍCIA. ORGULHO-ME DE VOCÊ!

A morte da barata.


Hora de dormir. Boa noite para os que ficam.
A morte da barata.

             Esta madrugada eu me levantei lá pelas três. Destino? O banheiro da minha morada. Nem bem acendo a luz e lá está ela. Quieta. Parada, finge-se de morta. Eu a olho e penso: - Mato? Sou um matador? Dizem que todos tem o sangue de pistoleiro ao avistar uma barata. Coitada, é totalmente indefesa. Tem algumas que correm e escapam tem outras que se fingem de morta. Truque Velho já conhecido pelos matadores. A barata é o terror das mulheres. Claro para alguns homens também. Se você gritar alto – Uma barata! É um Deus nos acuda. É gente correndo para todo lado. E veja a pobre coitada. Pequena, indefesa, não morde e não sabe dar porrada. Ela é noctívaga. Só a noite dá as caras, pois espera que os humanos estejam dormindo. Tem aquelas que resolvem passear durante o dia, mas estão cometendo haraquiri.

             Não adianta as donas de casa a deixarem um brinco. Elas as perseguidas se escondem nos canos de esgoto ou no próprio esgoto. Deus do céu! Que destino é esse? Morar no esgoto e sair para ser morta? Dizem que elas adoram uma cozinha. Restos de alimentos ou açúcar e quase não bebem agua. Os estudiosos separam as famílias de barata como a americana (nunca vi, deve riquíssima e com filhos Marines), a cascuda e a voadora. Esta é demais. De vez em quando estou com a janela do meu pequeno escritório aberta e surge uma voando. Levo o maior susto. Deve ser americana da Air Force saltou de paraquedas e veio parar na minha janela. Falam ainda na barata Alemã e na australiana. Não tem a brasileira? Acho que não. Mas voltemos a nossa mente assassina. Assassina? Era apenas uma barata. Pequena coitada. Tentando se esconder e você atrás com uma metralhadora, uma bazuca e não leva um canhão porque é pesado demais.

              Bem para não alongar a história da barata Escoteira... Calma não era Escoteira. Não existe uma barata usando a vestimenta. Kkkkkkk. Elas são contra totalmente contra este tipo de uniforme. Uma me disse que se fosse seria o caqui de calças curtas. Mas voltemos à barata no banheiro. Paro na porta, ela para perto do vaso. Eu olho para ela com os olhos injetados. Ela finge-se de morta. O que devo fazer? Dizem que nós Escoteiros somos bons para os animais e as plantas, mas a barata não é animal, não é pássaro e nem peixe. Dizem que é um inseto perigosíssimo. Penso, analiso, somo dois mais dois, faço uma raiz quadrada de 0,0,3285860. Ainda na duvida se a mando para a terra dos baratos e baratas fecho os olhos. Uma pena enorme. Se contar para a Célia que a deixei viver vou ouvir o que não quero. Levanto o pé calçado com um chinelo, o levo em cima da barata. Ela imóvel não sabe que vai ser assassinada. Abaixo o pé sem dó e sem piedade. Um barulho de “trak” se fez. A barata morreu!


                 Boa noite meus amigos e minhas amigas. Que a semana seja cheia de alegrias e felicidade. Que nenhuma barata acompanhem vocês a noite em suas camas. Kkkkkkk. Durmam com Deus!         

sábado, 26 de julho de 2014

O lobisomem de Onda Verde e o valente Escoteiro Pedrito.


Lendas Escoteiras.
O lobisomem de Onda Verde e o valente Escoteiro Pedrito.

            Debora Bottcher uma poetiza sintetizou de uma maneira estupenda como seria as lendas que correm pelo mundo. Ela tem um poema lindo, que parte dele diz: - “Sou lenda, porque a lendas correm livres junto ao vento, buscando as vozes da memória para que alcancem as histórias perdidas no tempo”. Não que Pedrito o cozinheiro da Patrulha Coruja fosse o “faloreiro”, ou melhor, um garganta na cidade de Onda Verde. Afinal Onda Verde no interior de Goiás era considerada uma cidade com o melhor ar do mundo. Onde se podia sentir o aroma das flores, onde se podia ver a relva verde como se fosse uma onda espalhada sem mar. Calma, pacífica, menos de vinte mil habitantes era um paraíso para os que nasceram lá. Mas o Escoteiro Pedrito nascido e criado lá não era fácil. Contava “patacas”, valentias e até criava histórias impossíveis, e que ele sempre era o herói. Seu Chefe de tropa sempre disse a ele do primeiro artigo da lei. Uma só palavra. – Pedrito deixa de ser garganta! Dizia sempre. Ainda bem que todos sabiam que sua imaginação era fértil, e compreendiam.
   
            Mas eis que um fato aconteceu e tudo mudou de repente. Um boato surgiu do nada e serviu de motivo para que todos habitantes não saíssem à noite. Contava-se a boca pequena que alguns moradores juraram ter visto um lobisomem rondando a cidade na ultima semana. Até os escoteiros que tinham o costume de ir à sede a noite na Rua Garça ficaram com medo e só saiam em patrulhas e nunca sozinhos. Sempre tinha os mais entendidos que diziam que o perigo era só nas noites de lua cheia e em uma encruzilhada. “Aí então era um Deus nos acuda” O monstro passava a atacar animais e se não tivesse atacava os homens ou as mulheres. Diziam que ele adorava sangue humano. Só volta ao normal quando vem o raiar do sol.

            Naquela quinta a lua era quarto crescente. Na sede da Rua Garça todas as patrulhas estavam reunidas com o Chefe Naldinho e o Assistente Renato. Lá estavam os águias, os corujas, os touros e os elefantes. Ninguém faltou. Sabiam do grande jogo e ninguém queria perder. Seria uma “Busca ao Tesouro Perdido” na cidade. Achavam que seria um jogo estupendo. Seis pistas espalhadas pelos quatro cantos de Onda Verde. A primeira seria uma espécie de carta prego. Cada Patrulha deveria abrir em determinada hora em um ponto da cidade. O que não estava agradando a todos era o horário do jogo. O Chefe tinha determinado que fosse de seis da tarde às dez da noite. Assim ele disse o jogo seria mais difícil e para encontrá-lo seria preciso olhos de coruja. Claro os Corujas também não ficaram muito animados. A conversa de esquina do lobisomem amedrontava a todos. Menos Pedrito.

           Para mostrar coragem ele dizia que ia achar o tesouro e “caçar” o lobisomem. Mostrava os braços estendidos fazendo pose de como ia derrubar o Lobisomem com um soco somente. No meio da testa. A Patrulha se reuniu para discutir sobre o jogo. Mas Lavério um Escoteiro antigo entrou com o assunto do lobisomem. Disse que fizera uma pesquisa sobre Lobisomens e que ele se originou de uma lenda antiga. Segunda a lenda, o lobisomem seria o sétimo filho após uma sequência de filhas mulheres. Ele seria um homem normal, que se transforma em meio lobo meio homem durante as noites de lua cheia. A lenda dizia que as Quartas feiras de cinzas e a Sexta feira santa seriam os dias mais propícios para o aparecimento do lobisomem. Quando ele aparece para se saciar de sangue humano, dizia Lavério.

          Todos deveriam tomar cuidado, continuou Lavério, quando os cães ficassem agitados, não parassem de latir, pois eles poderiam ter avistado o Cachorro grande que nada mais nada menos seria o lobisomem. A Patrulha ficou muda. Ninguém dizia nada. Pedrito logo se levantou. Se ele aparecer me chame, dou um jeito nele! Todos riram. Naquela noite foram para casa juntos. O ultimo a chegar seria Pedrito. Quando Nando ficou na casa dele ele sozinho, começou a ficar com medo. Agora sem ninguém na esquina da Peçanha ele pensava se topasse com o Lobisomem. Nem pensar! Que Deus me ajude! Saiu correndo virou a próxima esquina e entrou em sua casa espavorido.

           Os dias foram passando. A Patrulha se encontrando e se preparando para o grande jogo. Na sexta feira seria entregue aos Monitores uma carta prego dando a primeira pista. Sabiam que no envelope só estaria escrito o local e o horário aonde eles os Corujas deveriam abrir. As instruções só quando abrissem. Conheciam as cartas prego. Não era segredo, mas ninguém sabia como era a primeira pista. Naquele dia era noite de lua cheia. Não ficaram na sede até tarde como era costume. Só comentaram sobre a carta que tinham recebido e “diabos” o local para abrir seria na Rua Balalaica, em frente ao portão do cemitério! Caramba! Pedrito não gostava dali. Claro seria às seis da tarde, mas mesmo assim ele não gostava do cemitério. Jurava ter visto um dia uma alma do outro mundo voando baixo em cima das catacumbas.

               Pedrito naquela noite não pensava em assombração, capetas, ou mesmo o tal lobisomem que por sinal estava sendo esquecido por toda a cidade. Assoviava baixinho uma linda canção Escoteira que aprendera no último acampamento e pensava como seriam lindos as montanhas e lagos existentes na canção. Disseram que assim cantavam os caçadores de peles daquele país, no passado, quando não conseguiam caçar nada e voltavam em seus caiaques cantando tristonhos e saudosos de suas famílias que há tempos não viam. Ao virar a esquina da Rua do Papagaio, viu um vulto correndo em direção ao Matadouro do seu Luizão. Para dizer a verdade em outras épocas Pedrito teria corrido sim em direção a sua casa, mas, como estava sem histórias para contar, resolveu correr atrás do vulto. Nem olhou para trás e quando olhou era tarde de mais.

                 Viu o vulto passar pelo matadouro e entrar no cemitério. Nove da noite ele começou a tremer e deu meia volta. Deu de cara com o Lobisomem. Enorme, parte de cima peluda, dentes enormes, olhos vermelhos chamejantes, unhas dos pés e das mãos enormes. O bicho o pegou pelo lenço Escoteiro e o levantou no ar. – Quem é você magrelo papudo? Perguntou. – Pedrito tremendo e já molhando sua calça curta respondeu chorando – Sou o Pedrito Senhor Lobisomem! – Pare de borrar de medo e seja homem! Falou o Lobisomem. – Mas sou um menino Senhor Lobisomem, bom Escoteiro da Patrulha Coruja, bom filho, bom aluno. Solte-me pelo amor de Deus! – O lobisomem chegou sua boca fedida no seu rosto e disse – Vou lhe dar uma mordida na orelha, se gostar vou tirar todo seu sangue, se não gostar quebro seu pescoço e o deixo ir embora! – Pedrito estava quase desmaiando de medo. Sem perceber quando o Lobisomem ia morder a sua orelha ele foi mais rápido. Deu uma dentada na orelha dele. O bicho berrou! Maldito disse. E o soltou levando a mão na orelha.

                Ninguém soube explicar, mas a Patrulha toda apareceu para ajudar Pedrito, estavam com seus bastões e o Lobisomem tentou correr e caiu na calçada bem em frente ao portão do cemitério. Ao cair a mascara de lobisomem se soltou e todos viram que era “Seu” Chulápio, o coveiro do cemitério. – Então é o Senhor o Lobisomem não “Seu” Chulápio, fingindo e assustando todo mundo. “Seu” Chulápio choramingando pediu pelo amor de Deus que não contassem para ninguém. Ele não tinha diversão nenhuma no cemitério. Nem mesmo uma alma do outro mundo ou um fantasma aparecia mais. Deixaram-no sozinho, pois tinha mais de seis meses que não morria ninguém na cidade.

                  A patrulha ficou com pena do “Seu” Chulápio. Prometeram não contar nada. Mas o Pedrito, ora, ora. O Pedrito contava para todo mundo da mordida que deu na orelha do Lobisomem. Todos riam e olhe, Pedrito fazia questão de passar em frente ao cemitério todas as noites de lua cheia. A cidade passou a admirar sua coragem. O Lobisomem apareceu outras vezes e não deixou de fazer alguns habitantes correrem feito loucos. Alguns juraram de pé junto que viram muitas vezes em noite de lua cheia, o Lobisomem abraçando Pedrito. Quem não gostou foi à mãe de Pedrito. Teve que dar muitas lavadas na calça de Pedrito. O jovem Escoteiro valente tinha “borrado” ela de tal maneira que quase teria sido melhor comprar uma nova.


                  Bem, deixa o Lobisomem para lá. O jogo da Caça ao Tesouro Perdido foi um sucesso. Melhor para Pedrito que junto a sua Patrulha acharam a sexta pista fácil. Claro, com a ajuda do “Seu” Chulápio que viu o Chefe colocando o tesouro no Mausoléu da família Crispim. Ninguém soube da ajuda e nem Pedrito contou para ninguém. O Tesouro? Oito canivetes suíços. Lindos. Valeu. Certo ou errado, Pedrito era um bom escoteiro. E como caçador de Lobisomens e Vampiros sua fama correu mundo. Mundo? Claro, mundo de Onda Verde, a cidade que ele viveu e morreu amando para sempre.