Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Um novo blog

  
Amigos leitores


INTRODUÇÃO

É bom ter mais um blog na ativa. Bom porque mais informações e entretenimento são disponibilizados a todos os amigos e amigas que nos visitam.
Não só eu, mas muito de nós tem em seu coração a vivência Escoteira. É isso que nos faz uma nação de abnegados que não se descuidam um só instante de suas atividades escoteiras ou mesmo na ajuda ao próximo.
Os artigos e contos aqui publicados falam sobre isto. Em outros me meto em uma seara não muito simpática que é a de discordar de tantas e tantas “lambanças” (risos) que nossos dirigentes escoteiros fazem (em meu modo de pensar é claro).
Se pudesse estaria na lida como todos. Como é bom estar lá junto aos jovens, vendo seus olhares, seus sorrisos e suas indagações. Isto é que me fez estar até hoje vivendo a cada dia a cada minuto o escotismo. Nem tudo é como antes. Saúde e idade me impedem de estar lá com eles.
Mas aqui, não só na memória, escrevo e tento ao meu modo de pseudo escritor, deixar para os meus amigos leitores situações agradáveis, simpáticas, aventureiras que vivi no escotismo e que de algum modo pode ajudar nosso movimento a crescer e ser forte em qualidade e em quantidade. Assim é que vou vivendo o escotismo. 
Sejam bem vindos, e como digo sempre é para mim uma honra ter amigos que nunca vi e quem sabe nunca os verei, mas os tenho todos no meu coração.
Saboreiem cada artigo ou o condenem. Não importa. Só ter voces aqui me faz feliz, muito mesmo, obrigado!

COLOQUEM SUA MOCHILA, CANTEM UMA CANÇÃO E VAMOS TODOS JUNTOS A FAZER O ESCOTISMO QUE TANTOS SONHAMOS.


Osvaldo um escoteiro  


Apenas uma homenagem, uma simples homenagem a minha amiga Letícia.


Apenas uma homenagem, uma simples homenagem a minha amiga Letícia.

Ontem me lembrei de Letícia. Quem não a conhece saiba que é apenas uma guia. Uma guia que durante alguns meses surpreendeu o movimento Escoteiro como um todo. Pela primeira uma jovem mostrou que nem tudo no escotismo é um lindo arco íris como dizem nossos dirigentes. Ela nunca teve pretensão de se insurgir, de ser contra, queria somente dizer que nossos lideres precisavam ser mais pragmáticos e transparentes principalmente quando sem consulta (dizem que fizeram e ninguém viu) colocaram de modo impositivo a nova vestimenta. Ela pensava que se tivessem feito uma pesquisa nacional séria com a participação de todos, não haveria motivo de discordar da nova vestimenta. Muitos acham que ouve, ela e eu sabemos que não. Transparência é quando todos são informados dos estudos e participam dando sugestões. Pensem bem, se isto tivesse acontecido durante três anos que durou a implantação da mudança, não teriam mais investido no traje. E olhe como se nada fosse acontecer o traje continuou a ser vendido nas lojas Escoteiras. Quantos jovens e adultos ainda usam o traje? Depois da data marcada pela UEB quantos serão inutilizados? Sei que vários escotistas antes e depois defenderam as decisões da UEB. Eu como sou totalmente contra esta mudança e tenho meus motivos já ditos aqui e nos meus blogs vi com surpresa uma guia que arregimentou tantos e que mesmo não conseguindo como queria fazer seu intento, ela venceu uma batalha.

Letícia sofreu uma pressão psicológica incrível. Quantos foram contra ela? Eram membros da elite Escoteira tentando convencê-la ao contrário e ela irredutível. Eu mesmo a aconselhei que desse um tempo para seu protesto. Não era a hora propícia, pois simultaneamente a data programada iria acontecer a Assembleia Regional. Enquanto isto ela recebeu telefonemas e e-mail de dirigentes assim como foi chamada (a convite) para uma reunião na Sede Regional de São Paulo. Finalmente convidada para a Assembleia Regional viu que ali era não era ninguém. Seu sonho de um protesto Escoteiro não aconteceu. Mas alertou a muitos que precisamos de mais democracia, mais transparência, mais pesquisas leais e não as que de vez em quando são feitas. Ela acordou muitos chefes em saber que precisamos lutar pelos nossos direitos e não aceitar sempre os Politicamente Corretos que para nos calar dizem que o Escoteiro é Obediente e Disciplinado. Quanto a vestimenta ela hoje é um fato consumado. Não existe mais um retorno às origens. Tudo que disserem que a escolha dela “a vestimenta” é democrática nos Grupos Escoteiros uma análise leal irá mostrar que não. Afinal para quem conhece democracia na sua totalidade ela não existe para nós.

O tempo passou Leticia ainda sobrevive nas hostes Escoteiras. Continua a vestir seu uniforme com orgulho. Tem muitos amigos de sua idade e com eles ainda corre por aí com sua bandeira a acampar fazendo o escotismo que acredita. Ela tem o escotismo na alma no pensamento e no coração. Me orgulho em ser seu amigo.


PARABÉNS LETÍCIA. ORGULHO-ME DE VOCÊ!

A morte da barata.


Hora de dormir. Boa noite para os que ficam.
A morte da barata.

             Esta madrugada eu me levantei lá pelas três. Destino? O banheiro da minha morada. Nem bem acendo a luz e lá está ela. Quieta. Parada, finge-se de morta. Eu a olho e penso: - Mato? Sou um matador? Dizem que todos tem o sangue de pistoleiro ao avistar uma barata. Coitada, é totalmente indefesa. Tem algumas que correm e escapam tem outras que se fingem de morta. Truque Velho já conhecido pelos matadores. A barata é o terror das mulheres. Claro para alguns homens também. Se você gritar alto – Uma barata! É um Deus nos acuda. É gente correndo para todo lado. E veja a pobre coitada. Pequena, indefesa, não morde e não sabe dar porrada. Ela é noctívaga. Só a noite dá as caras, pois espera que os humanos estejam dormindo. Tem aquelas que resolvem passear durante o dia, mas estão cometendo haraquiri.

             Não adianta as donas de casa a deixarem um brinco. Elas as perseguidas se escondem nos canos de esgoto ou no próprio esgoto. Deus do céu! Que destino é esse? Morar no esgoto e sair para ser morta? Dizem que elas adoram uma cozinha. Restos de alimentos ou açúcar e quase não bebem agua. Os estudiosos separam as famílias de barata como a americana (nunca vi, deve riquíssima e com filhos Marines), a cascuda e a voadora. Esta é demais. De vez em quando estou com a janela do meu pequeno escritório aberta e surge uma voando. Levo o maior susto. Deve ser americana da Air Force saltou de paraquedas e veio parar na minha janela. Falam ainda na barata Alemã e na australiana. Não tem a brasileira? Acho que não. Mas voltemos a nossa mente assassina. Assassina? Era apenas uma barata. Pequena coitada. Tentando se esconder e você atrás com uma metralhadora, uma bazuca e não leva um canhão porque é pesado demais.

              Bem para não alongar a história da barata Escoteira... Calma não era Escoteira. Não existe uma barata usando a vestimenta. Kkkkkkk. Elas são contra totalmente contra este tipo de uniforme. Uma me disse que se fosse seria o caqui de calças curtas. Mas voltemos à barata no banheiro. Paro na porta, ela para perto do vaso. Eu olho para ela com os olhos injetados. Ela finge-se de morta. O que devo fazer? Dizem que nós Escoteiros somos bons para os animais e as plantas, mas a barata não é animal, não é pássaro e nem peixe. Dizem que é um inseto perigosíssimo. Penso, analiso, somo dois mais dois, faço uma raiz quadrada de 0,0,3285860. Ainda na duvida se a mando para a terra dos baratos e baratas fecho os olhos. Uma pena enorme. Se contar para a Célia que a deixei viver vou ouvir o que não quero. Levanto o pé calçado com um chinelo, o levo em cima da barata. Ela imóvel não sabe que vai ser assassinada. Abaixo o pé sem dó e sem piedade. Um barulho de “trak” se fez. A barata morreu!


                 Boa noite meus amigos e minhas amigas. Que a semana seja cheia de alegrias e felicidade. Que nenhuma barata acompanhem vocês a noite em suas camas. Kkkkkkk. Durmam com Deus!         

sábado, 26 de julho de 2014

O lobisomem de Onda Verde e o valente Escoteiro Pedrito.


Lendas Escoteiras.
O lobisomem de Onda Verde e o valente Escoteiro Pedrito.

            Debora Bottcher uma poetiza sintetizou de uma maneira estupenda como seria as lendas que correm pelo mundo. Ela tem um poema lindo, que parte dele diz: - “Sou lenda, porque a lendas correm livres junto ao vento, buscando as vozes da memória para que alcancem as histórias perdidas no tempo”. Não que Pedrito o cozinheiro da Patrulha Coruja fosse o “faloreiro”, ou melhor, um garganta na cidade de Onda Verde. Afinal Onda Verde no interior de Goiás era considerada uma cidade com o melhor ar do mundo. Onde se podia sentir o aroma das flores, onde se podia ver a relva verde como se fosse uma onda espalhada sem mar. Calma, pacífica, menos de vinte mil habitantes era um paraíso para os que nasceram lá. Mas o Escoteiro Pedrito nascido e criado lá não era fácil. Contava “patacas”, valentias e até criava histórias impossíveis, e que ele sempre era o herói. Seu Chefe de tropa sempre disse a ele do primeiro artigo da lei. Uma só palavra. – Pedrito deixa de ser garganta! Dizia sempre. Ainda bem que todos sabiam que sua imaginação era fértil, e compreendiam.
   
            Mas eis que um fato aconteceu e tudo mudou de repente. Um boato surgiu do nada e serviu de motivo para que todos habitantes não saíssem à noite. Contava-se a boca pequena que alguns moradores juraram ter visto um lobisomem rondando a cidade na ultima semana. Até os escoteiros que tinham o costume de ir à sede a noite na Rua Garça ficaram com medo e só saiam em patrulhas e nunca sozinhos. Sempre tinha os mais entendidos que diziam que o perigo era só nas noites de lua cheia e em uma encruzilhada. “Aí então era um Deus nos acuda” O monstro passava a atacar animais e se não tivesse atacava os homens ou as mulheres. Diziam que ele adorava sangue humano. Só volta ao normal quando vem o raiar do sol.

            Naquela quinta a lua era quarto crescente. Na sede da Rua Garça todas as patrulhas estavam reunidas com o Chefe Naldinho e o Assistente Renato. Lá estavam os águias, os corujas, os touros e os elefantes. Ninguém faltou. Sabiam do grande jogo e ninguém queria perder. Seria uma “Busca ao Tesouro Perdido” na cidade. Achavam que seria um jogo estupendo. Seis pistas espalhadas pelos quatro cantos de Onda Verde. A primeira seria uma espécie de carta prego. Cada Patrulha deveria abrir em determinada hora em um ponto da cidade. O que não estava agradando a todos era o horário do jogo. O Chefe tinha determinado que fosse de seis da tarde às dez da noite. Assim ele disse o jogo seria mais difícil e para encontrá-lo seria preciso olhos de coruja. Claro os Corujas também não ficaram muito animados. A conversa de esquina do lobisomem amedrontava a todos. Menos Pedrito.

           Para mostrar coragem ele dizia que ia achar o tesouro e “caçar” o lobisomem. Mostrava os braços estendidos fazendo pose de como ia derrubar o Lobisomem com um soco somente. No meio da testa. A Patrulha se reuniu para discutir sobre o jogo. Mas Lavério um Escoteiro antigo entrou com o assunto do lobisomem. Disse que fizera uma pesquisa sobre Lobisomens e que ele se originou de uma lenda antiga. Segunda a lenda, o lobisomem seria o sétimo filho após uma sequência de filhas mulheres. Ele seria um homem normal, que se transforma em meio lobo meio homem durante as noites de lua cheia. A lenda dizia que as Quartas feiras de cinzas e a Sexta feira santa seriam os dias mais propícios para o aparecimento do lobisomem. Quando ele aparece para se saciar de sangue humano, dizia Lavério.

          Todos deveriam tomar cuidado, continuou Lavério, quando os cães ficassem agitados, não parassem de latir, pois eles poderiam ter avistado o Cachorro grande que nada mais nada menos seria o lobisomem. A Patrulha ficou muda. Ninguém dizia nada. Pedrito logo se levantou. Se ele aparecer me chame, dou um jeito nele! Todos riram. Naquela noite foram para casa juntos. O ultimo a chegar seria Pedrito. Quando Nando ficou na casa dele ele sozinho, começou a ficar com medo. Agora sem ninguém na esquina da Peçanha ele pensava se topasse com o Lobisomem. Nem pensar! Que Deus me ajude! Saiu correndo virou a próxima esquina e entrou em sua casa espavorido.

           Os dias foram passando. A Patrulha se encontrando e se preparando para o grande jogo. Na sexta feira seria entregue aos Monitores uma carta prego dando a primeira pista. Sabiam que no envelope só estaria escrito o local e o horário aonde eles os Corujas deveriam abrir. As instruções só quando abrissem. Conheciam as cartas prego. Não era segredo, mas ninguém sabia como era a primeira pista. Naquele dia era noite de lua cheia. Não ficaram na sede até tarde como era costume. Só comentaram sobre a carta que tinham recebido e “diabos” o local para abrir seria na Rua Balalaica, em frente ao portão do cemitério! Caramba! Pedrito não gostava dali. Claro seria às seis da tarde, mas mesmo assim ele não gostava do cemitério. Jurava ter visto um dia uma alma do outro mundo voando baixo em cima das catacumbas.

               Pedrito naquela noite não pensava em assombração, capetas, ou mesmo o tal lobisomem que por sinal estava sendo esquecido por toda a cidade. Assoviava baixinho uma linda canção Escoteira que aprendera no último acampamento e pensava como seriam lindos as montanhas e lagos existentes na canção. Disseram que assim cantavam os caçadores de peles daquele país, no passado, quando não conseguiam caçar nada e voltavam em seus caiaques cantando tristonhos e saudosos de suas famílias que há tempos não viam. Ao virar a esquina da Rua do Papagaio, viu um vulto correndo em direção ao Matadouro do seu Luizão. Para dizer a verdade em outras épocas Pedrito teria corrido sim em direção a sua casa, mas, como estava sem histórias para contar, resolveu correr atrás do vulto. Nem olhou para trás e quando olhou era tarde de mais.

                 Viu o vulto passar pelo matadouro e entrar no cemitério. Nove da noite ele começou a tremer e deu meia volta. Deu de cara com o Lobisomem. Enorme, parte de cima peluda, dentes enormes, olhos vermelhos chamejantes, unhas dos pés e das mãos enormes. O bicho o pegou pelo lenço Escoteiro e o levantou no ar. – Quem é você magrelo papudo? Perguntou. – Pedrito tremendo e já molhando sua calça curta respondeu chorando – Sou o Pedrito Senhor Lobisomem! – Pare de borrar de medo e seja homem! Falou o Lobisomem. – Mas sou um menino Senhor Lobisomem, bom Escoteiro da Patrulha Coruja, bom filho, bom aluno. Solte-me pelo amor de Deus! – O lobisomem chegou sua boca fedida no seu rosto e disse – Vou lhe dar uma mordida na orelha, se gostar vou tirar todo seu sangue, se não gostar quebro seu pescoço e o deixo ir embora! – Pedrito estava quase desmaiando de medo. Sem perceber quando o Lobisomem ia morder a sua orelha ele foi mais rápido. Deu uma dentada na orelha dele. O bicho berrou! Maldito disse. E o soltou levando a mão na orelha.

                Ninguém soube explicar, mas a Patrulha toda apareceu para ajudar Pedrito, estavam com seus bastões e o Lobisomem tentou correr e caiu na calçada bem em frente ao portão do cemitério. Ao cair a mascara de lobisomem se soltou e todos viram que era “Seu” Chulápio, o coveiro do cemitério. – Então é o Senhor o Lobisomem não “Seu” Chulápio, fingindo e assustando todo mundo. “Seu” Chulápio choramingando pediu pelo amor de Deus que não contassem para ninguém. Ele não tinha diversão nenhuma no cemitério. Nem mesmo uma alma do outro mundo ou um fantasma aparecia mais. Deixaram-no sozinho, pois tinha mais de seis meses que não morria ninguém na cidade.

                  A patrulha ficou com pena do “Seu” Chulápio. Prometeram não contar nada. Mas o Pedrito, ora, ora. O Pedrito contava para todo mundo da mordida que deu na orelha do Lobisomem. Todos riam e olhe, Pedrito fazia questão de passar em frente ao cemitério todas as noites de lua cheia. A cidade passou a admirar sua coragem. O Lobisomem apareceu outras vezes e não deixou de fazer alguns habitantes correrem feito loucos. Alguns juraram de pé junto que viram muitas vezes em noite de lua cheia, o Lobisomem abraçando Pedrito. Quem não gostou foi à mãe de Pedrito. Teve que dar muitas lavadas na calça de Pedrito. O jovem Escoteiro valente tinha “borrado” ela de tal maneira que quase teria sido melhor comprar uma nova.


                  Bem, deixa o Lobisomem para lá. O jogo da Caça ao Tesouro Perdido foi um sucesso. Melhor para Pedrito que junto a sua Patrulha acharam a sexta pista fácil. Claro, com a ajuda do “Seu” Chulápio que viu o Chefe colocando o tesouro no Mausoléu da família Crispim. Ninguém soube da ajuda e nem Pedrito contou para ninguém. O Tesouro? Oito canivetes suíços. Lindos. Valeu. Certo ou errado, Pedrito era um bom escoteiro. E como caçador de Lobisomens e Vampiros sua fama correu mundo. Mundo? Claro, mundo de Onda Verde, a cidade que ele viveu e morreu amando para sempre. 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Nas terras bravias do Lago Dourado.


Não há limites para os sonhos Escoteiros.
Nas terras bravias do Lago Dourado.

          Foi uma noite calma. As estrelas não cintilavam no céu como no dia anterior. Algumas nuvens brancas as cobriam como se fossem um manto protetor. A lua se fora há tempos. Achei que ia chover. Não choveu. Meus olhos estavam fechados. Dormitava pela madrugada fria. Um pequeno tronco me serviu como travesseiro. Coisas de um "Velho" mateiro acostumado. Um pequeno fogo ao lado agora só brasas com pequenas fagulhas que se inibiam ao subir aos céus me davam um pouquinho de calor. Pela aba do meu chapéu de três bicos eu podia ver a escuridão da noite. Gostava dela. À noite. Era minha amiga de muitas e muitas jornadas.

       Não ansiava pela madrugada. Que ela chegasse de mansinho. Não era um arbusto e quem sabe seria um pequeno arvoredo que encontrei perdido naquele vale dos sonhos onde dormia. Serviu-me de manto para a noite gostosa daquele inverno que não fora tão rigoroso como os anteriores. Minha mochila ao lado era minha companheira de anos e anos de caminhada. Sempre fora. Dentro dela com carinho estavam minhas “bugigangas” de mais uma jornada. Meu bornal pendurado no galho guardava minha “matutagem” caso tivesse fome. Abri um olho de mansinho. Avistei uma cigarra azul que cantava baixinho seus cantos noturnos. Gosto das cigarras. Fazem-se pródigas e só aparecem uma vez ao ano. E como são lindas. Amo-as! Muito!

         Senti uma brisa leve no rosto. Soprava gostosamente. Gostosa mesmo. Afagante. A brisa. Sempre perdida por aí. Nas montanhas, nos vales nos rios caudalosos ou no pequeno riacho de aguas turvas. Uma amiga. Não se esquece da gente. Os anos passam e lá está ela.  A madrugada não iria demorar. Grilos falantes pareciam fantasminhas na escuridão noturna. Melhor tentar dormir. Fora um dia e tanto. Uma grande jornada de um "Velho" Escoteiro sonhador. Um vagalume pousou no meu ombro. Sorri para ele. Enrosquei-me na Manta Negra que um dia a muitos e muitos anos meu Vô me deu com carinho. Não sentia frio. O corpo curtido pela idade já não era aquele de um passado que se foi.

         Um pequeno lusco fusco. Sinal que ela a madrugada ia chegar. Eu gostava das madrugadas. Eram lindas. Não importava se com sol ou com chuva. Adorava as madrugadas nos campos perdidos deste mundo de Deus. O cheiro da relva, das flores silvestres. O cheiro da terra. Ah! Maravilhoso! Tive madrugadas que marcaram. Com brumas a cobrir o campo verdejante, com brumas sobre os lagos azuis, cinzentos e vermelhos com o sol cobrindo-os. As brumas. Ah! Adoro-as. São lindas, querem cobrir meus olhos. Não querem que você veja ninguém só elas. Mas choram. Choram porque o sol irá chegar e elas terão que ir para longe, aonde ele o “Senhor Sol” ainda não chegou.

          Lá no horizonte um pequeno brilho. Pequeno mesmo. O sol. Ele estava chegando. Gostava de anunciar sua chegada. Era o rei. Não era um astro qualquer. Não aparecia assim do nada. Anunciava que se preparassem todos. Uma pequena claridade, um pequeno vermelho desbotado, raios brancos tingidos de amarelo ouro e eis que ele aparece. A montanha o reverencia. O dia nasceu. Eu estou acordado. Uma hora sagrada. Sempre gosto de ver o nascer do dia. É como se fosse uma criança chegando ao mundo. As brumas cinzentas me disseram adeus. O orvalho se escondeu. A última gota d’água caiu de uma folha adormecida. A brisa insistente continuava lá a me acariciar o rosto. Não se afastava. Uma amiga de épocas e épocas passadas.

          Hora de partir. Não disse adeus para todos eles que me acompanharam a noite e no lusco fusco da manhã. Não precisava. Eles sabiam que não era mais que um até logo, não era mais que um breve adeus. Eu voltaria. O "Velho" Escoteiro não para. Em sonhos ou pisantes nos meus pés hoje cansados. Ajeitei meu lenço, arrumei meu meião. Calcei meu velho coturno de guerra. Mochila as costas, pendurei meu bornal no ombro, o chapéu meu protetor do sol já posto. Minha forquilha de anos e anos e agradeci o arbusto que me serviu de lar e parti. Meu rumo? O mesmo de sempre. Para onde o vento me levar. Sabia que em algum lugar iria encontrar o Lago Dourado. Diziam que não tinha peixes. Que uma bruma cinza o cobria por todo o tempo. Isto eu iria ver quando chegasse.


            O sol a pino. Gosto disto. Os primeiros pingos do suor caem e somem na estrada da vida que leva a rumos impossíveis. Meu chapéu de abas largas me protege. A forquilha me ajuda a andar e achar o caminho. Uma montanha verde cheia de árvores floridas avisto ao longe. Deve estar perto a minha busca incessante. Quem sabe na virada da curva da Raposa que Chora eu encontro o Lago Dourado? Acordo. Era um sonho. Sempre sonho com este lago. Um dia irei encontrar. A cada dia em meus sonhos mais me aproximo. Levanto. Dou um sorriso. Um novo dia. Na janela o sol. Não há brumas. Até o lusco fusco da manhã se foi. A brisa está ali de leve de mansinho nunca deixou de me acariciar o rosto. Mais um dia iniciando. Ele vai passar como tantos que passaram. E quando a noite chegar vou dormir, vou sonhar e quem sabe um dia eu vou encontrar o Lago Dourado. Não vou desistir dos meus sonhos. Eles fazem parte de mim. A cada dia eu digo, não desista "Velho" Escoteiro. Digo sempre – “Eu voltarei”. Quem sabe um dia eu poderei dizer que encontrei o meu querido Lago Dourado? 

sábado, 19 de julho de 2014

O grande jogo do Ouro Misterioso.


Lendas Escoteiras.
O grande jogo do Ouro Misterioso.

                     Seria uma atividade de um domingo. Próximo ao Vale Cinzento. Disseram que seria filmado por uma emissora. Uma grande publicidade para o escotismo. Não podíamos ficar de fora. A vida pulsava com alegria em nossa tropa. Claro muitos esperando ansioso o dia em que iriam confraternizar com outras patrulhas. Diziam que estariam presente vinte ou trinta patrulhas. Talvez um pouco mais com as patrulhas femininas. Às oito da manhã partiram para a Matriz onde seria o ponto de encontro. Muitos lá estavam e como sempre a tropa do Chefe Jurema foi à última a chegar. Ele um rapagão de uns vinte e cinco anos, óculos escuros, chapéu de exploradores canadenses e uma vareta embaixo do braço. Chegou sem cumprimentar ninguém e deram o grito de tropa. Como sempre diziam que eram os melhores, iam arrasar. Nem o demônio podia com eles enfim um monte de asneira mais própria de times sem formação e que não sabiam ainda o que era uma fraternidade Escoteira.

           O distrital tomou a palavra e explicou o jogo. A conquista do Ouro Misterioso. Deu como ponto de partida uma parte do Vale Cinzento que ia da nascente até a estrada do Astro Rei que cortava boa parte do Vale. Ali estavam escondidos quinze lenços escoteiros. Todos numerados. As Patrulhas não precisavam seguir a ordem, mas para achar a pista final precisavam de pelo menos cinco lenços. Menos que isto não seria fácil chegar ao ouro perdido. A ordem era clara. Todos deveriam estar sempre juntos. Em cada ponto haveria um Chefe Escoteiro. Se a Patrulha dispersasse seria desclassificada. Às treze horas poderiam parar para o lanche. Obrigatório. Deu outras instruções e depois o debandar. Paulo Cobra Monitor da Caveira do Diabo (Como deixaram dar esse nome a uma Patrulha Escoteira ninguém sabia) se aproximou sorrindo e disse para Nonôvat – Não me esperava eim? Não tem para ninguém. Você sabe que somos os bons, os melhores da cidade. Melhor reconhecer agora e desistir! E começou a rir se dirigindo para sua Patrulha.

              O jogo começou guerra! Gritou o Comissário Distrital. Eram dez da manhã. Vai aqui, vai ali e a Patrulha Jaguatirica conseguiu achar três lenços. Faltavam ainda dois. Ao meio dia e vinte Nonôvat viu Paulo Cobra sozinho correndo sem a Patrulha. Não podia. Era contra as normas. Chamar um Chefe e dizer? Nonôvat preferiu ir atrás dele e ser sincero – Se continuar vou informar ao dirigente distrital. E ele sabia que faria isto. Correu atrás de Paulo Cobra que tinha subido em um penhasco proibido pela direção do jogo por oferecer grande perigo. Avisou sua Patrulha, deixou Leozinho no comando. Ao subir uns oitenta metros ouviu um grito de socorro. Avistou lá em bairro Paulo Cobra estirado em cima de um galho enorme de uma árvore. Desceu com cuidado.

              Paulo Cobra chorava. Gritava de dor. Dizia ter fraturado uma costela e o braço. Nonôvat achou que deveria ir buscar ajuda. Mas ventava forte e ele sabia que uma tempestade se aproximava. Deixar Paulo Cobra sozinho seria pior. Subiu na árvore. Galho por galho foi descendo Paulo Cobra. Ele gemia. Chorava e pedia sua mãe. Com muito custo chegou ao pé da árvore. A chuva caiu. Forte. Raios cortando pedras e árvores no fundo da garganta. Viu uma grande pedra que fazia uma espécie de caverna a uns quarenta metros. Pegou Paulo Cobra a moda Escoteira e o carregou ombro acima até a pedra. Não foi fácil. Ele era pequeno. Paulo Cobra forte, meio gordo. Nonôvat não desistiu. Chegou à pedra e protegeu o Paulo com sua blusa Escoteira ficando sem nada sobre a pele. Disse que ia buscar ajuda. Paulo gritou que não iria ficar só tinha medo. Muito medo.

             A chuva passou. Nonôvat pegou novamente Paulo Cobra e o colocou no ombro. Poderia ter ido buscar ajuda, mas Paulo Cobra choramingava, pedia para não ficar sozinho. Andava tropeçando. A cada cem ou duzentos metros parava para descansar. Viu que ia escurecer. Resolveu fazer um SOS. Acendeu um fogo com muitas folhas verdes. Com sua blusa presa em duas varetas tentava fazer no código Morse as letras S. O. S. difícil. Se conseguiu ou não a noite chegou. Mas menos de uma hora depois ouviu vozes.  Vários chefes chegando. Paulo Cobra foi levado por uma carroça de um sitiante. Nonôvat soube depois que quebrou duas costelas, uma fratura na coxa direita e no braço direito. Mas ia ficar bom. Levou sua Patrulha para visitá-lo em sua casa. Foi muito bem recebido. Paulo Cobra chorou varias vezes e pediu perdão por tudo que fez. Nonôvat o abraçou. Ficaram amigos para sempre.

                       Dois meses depois um “monte” de chefes adentrou a sede. Nonovat sabia que eram figurões da região e do distrito. A ferradura foi formada. O Chefe Ricardo usou da palavra para apresentar a todos. O Presidente Regional chamou Nonovat a frente. Ele se assustou. Que seria? Então ficou sabendo que iam lhe entregar a medalhar de valor. Ouro. Não era bronze e nem prata. Seria ouro mesmo. Acharam que ele mereceu. Nonovat segurou as lágrimas. Ele não era de chorar fácil. As patrulhas deram o grito. Nonôvat estava tremendo. Emocionado. Viu que seus pais também estavam lá. Todo o grupo se fechou em circulo fechado e deram o grito do grupo. Uma festa. Ele Nonôvat não sabia. No salão de festas muitos comes e bebes. Primeiro entraram os grandões, depois chamaram Nonovat. Ele educadamente disse que sua Patrulha fazia parte dele. Assim como as demais. Entraram todos. Até tarde da noite cantaram e brincaram. Nonôvat em hora nenhuma se sentiu superior. Ele sabia o que tinha feito. Ajudar um amigo Escoteiro. Não importa quem ele seja.

                       Nonôvat teve muitas outras histórias. Histórias que não serão contadas. Histórias de escoteiro de valor. História de Escoteiro amigo e fraterno. Aquele que pensa primeiro nos outros e que tem amor no coração. Dizem que cada coração tem uma sentença. Tem sim, Nonôvat tem a sentença de fazer o bem. Espírito Escoteiro antes de tudo. Soube que ele e seus patrulheiros sempre ficaram juntos mesmo quando passaram para Sênior. José Sanho, Marlon, Leozinho, Marcondes, Daniel um cozinheiro adorado e Zezé Ruaça. Uma vez eu disse para mim mesmo, tem gente que nasce para ser Escoteiro, tem gente que nasce para ser um grande Escoteiro e tem aqueles que nascem para dar o exemplo de humildade e amor com todos ao seu redor. Nonôvat, um Escoteiro que nunca será esquecido!  


Não vim a este mundo competir com ninguém. Quem quer competir comigo perde seu tempo. Estou neste mundo para competir somente comigo: Ultrapassar meus limites. Vencer meus medos, lutar contra meus defeitos. Superar dificuldades e correr em busca dos meus objetivos, já me ocupam muito tempo!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Onde está o caminho a seguir?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Onde está o caminho a seguir?

Estava na praia com o meu pai, e ele me pediu para ver se a temperatura da água estava boa.
Ela estava com cinco anos, e ficou contente de poder ajudar; foi até a beira da água e molhou os seus pés.
 “Coloquei os pés, está fria", disse para ele.
O pai pegou-a no colo, caminhou com ela até a beira do mar, e sem qualquer aviso, atirou-a dentro da água.
ela levou um susto, mas depois ficou contente com a brincadeira.
 “Como está à água?" perguntou o pai.
 “Está gostosa", respondeu.
 “Então, daqui pra frente, quando você quiser saber alguma coisa, mergulhe nela".

Não sou mais o "Velho" estudioso do passado. Tento ler quando possível às novas mudanças, mas sinto dificuldades em interpretá-las. Meus olhos estão um pouco cansados. São tantas resoluções normas, artigos que fazem da minha cabeça um redemoinho. Sei que sem entender bem os novos ventos escoteiros não posso discutir os velhos ventos que já ser perderam no tempo. Antes achava tudo muito simples. Três ou quatro e o feijão com arroz ficava pronto. Hoje não.

Outro dia recebi um email de um jovem Escotista. Dizia – Leio seus escritos. Alguns bons outros não. Se não vai até um grupo trabalhar, melhor não ficar dando opinião. Eu estou em uma tropa. Amo o escotismo. Porque não faz como eu?  O passado Osvaldo ficou para trás. Agora temos outro escotismo. Mais moderno mais atual. Tente conhecer melhor para não ficar só fazendo críticas. Chamava-me de Osvaldo. Não chefe Osvaldo ou senhor Osvaldo. Até aí tudo bem. Fiz um exame de consciência. Tentei me colocar com a idade que tenho como um novo voluntário em um Grupo Escoteiro qualquer. Sabem? Eu não saberia preencher a tal ficha de inscrição. Muito complicada para mim. Tentei mas achei que não iria me enquadrar em nada. Mas suponhamos que fosse aceito. Teria um “assessor pessoal”, ele iria dizer no final se seria aprovado ou não. Afinal não é assim que funciona?

Passado alguns meses, vi em sonhos o assessor pessoal dizendo ao seu superior o seguinte – Olhe chefe, acho que o "Velho" não serve. Não me ouve e sempre discute comigo o que tento passar para ele. Veja, ele no primeiro dia já criticou a forma com que fazemos o cerimonial. Disse que devíamos ter uma patrulha de serviço ou matilha. Pode isso? Deixar para os meninos tamanha responsabilidade? O pior, nas reuniões fica dizendo aos chefes que não devem ficar dando palestras, por mais de 10 minutos, e que quando fizerem isso procurem um local adequado, etc. e etc. Completou. Depois de 10 minutos ninguém está mais prestando atenção!

E sabe o que mais? No acampamento. Criticou o tempo todo porque levamos os lobinhos, escoteiros, seniores todo mundo junto e fazíamos jogos e atividades escoteiras e devíamos fazer em separado. E olhe, falou um monte dos pais fazerem as refeições para todos. Usem as patrulhas, elas devem ser autônomas. Uma piada chefe. O cara não dá. É “carne de pescoço” vive cobrando que façamos pelo menos uma reunião de chefes por mês. Reclama de tudo. Acha que somos ásperos de vez em quando. E ainda quer que nos transformemos em anjos. Detesta uma piadinha e reclama dos meninos e meninas dizerem de vez em quando uns palavrões! E a Lei escoteira? Só reclama.

Cobra da gente tudo. Boa ação, treinamento dos monitores, um pouco de autonomia as matilhas, mais atividades e menos papeis coloridos. Fala sempre numa tal pontuação mensal. Reclama por que nos os chefes arrumamos a sede. Fala com nosso Diretor Técnico como se ele fosse sim o professor. Vive enchendo a paciência que não somos democráticos. Não ouvimos o que os meninos têm a dizer. Outro dia fizemos a promessa de seis de uma vez. Foi uma festa. Eles nos procuraram claro, sei que nosso grupo é bom. Sei que muitos estão saindo, mas eu disse a ele que nem todo mundo nasceu para ser escoteiro. Se quiserem ir embora xau!

Reclama sempre porque o distrito faz muitas atividades. Reclama mais ainda porque nós os chefes sempre vamos a Jamborees, Grande atividades escoteiras e os meninos não vão. Pode? Afinal somos adultos. Podemos pagar. Para isso trabalhamos. Quando eles crescerem poderá fazer o mesmo não acha? Olhe se fosse enumerar tudo o mandaria para a “Tonga da milonga do cabuletê”. O cara é carne de pescoço mesmo! E olhe, fique lá conosco uma reunião e você vai ver o "Velho". Só “enchendo o saco”!

É, o melhor é ficar na minha. São tantas atribulações e exigências que não iria ser aceito mesmo. Eu sei que sou um "Velho chato” mesmo. Não vou parar. Podem me chamar do que quiserem. Minhas idéias do que aprendi eu irei insistir até o fim da minha vida. Não sou perfeito eu sei, mas queira ou não é a única coisa que posso fazer. Lutar pelos meus ideais!


E por fim, o velho chato. Vocês conhecem um Velho Escoteiro chato? Ele é aquele que já viu de tudo, sabe de tudo, comeu de tudo, trabalhou de tudo na vida. Foi sapateiro, fazendeiro, caminhoneiro, lenhador, pescador, dentista e quem sabe Escoteiro. Na época dele ele serviu o exército e fez maravilhas que nem o Indiana Jones faria. Os peixes que ele pescava mal cabiam no mar. Adora falar sobre a guerra e sempre te dá conselhos QUE VOCÊ NÃO DEVE SEGUIR. A esposa dele não é chata, ela é uma velhinha carinhosa e cansada, sentada numa cadeira, fazendo tricô, que só quer te oferecer bolinhos, biscoitos e cafezinho. Se a velhinha é viúva, aí lascou tudo... Ela é boazinha, mas é triste e solitária, quando recebe uma visita faz questão de te tratar como um príncipe, mas você não gosta de velhinhas e tá morrendo de pressa! Só passou na casa dela pra fazer algum favor pra sua mãe. A principal função dos velhinhos chatos é tomar o seu tempo e gastar os seus ouvidos!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Opiniões? Eu as tenho, mas acho que todos também têm.


Opiniões? Eu as tenho, mas acho que todos também têm.

                   Gosto de escotismo e falo muito sobre ele. Acredito que conheço o movimento como todos, melhor não, mas tecnicamente falando me considero um estudioso e expert no tema. Escotismo para mim não tem segredos. Afinal foram mais de sessenta e cinco anos e centenas de acampamentos, excursões viagens e dezenas de atividades aventureiras. Porque escrevo isto? Bem porque não até o momento não me imiscui em assuntos da copa do mundo e passo ao largo das eleições deste ano. Claro que sou brasileiro como qualquer um, mas sofri e torci pelo meu time. Não deu. Vou me esganar por isto? Daqui a um mês todos voltam aos seus times e apesar das tristezas a vida continua. Sou daqueles que ganhe o melhor e o melhor queira ou não foram os Alemães.

                     Está vindo ai as eleições. Opinar? Será que todos não têm já uma opinião formada? Cada um sabe onde aperta o calo e no fundo já tem seu candidato. Se gostar do que existe bata palmas e se não gostar pense se pode mudar seu modo pensar. O que não entendendo em nosso país é que bons candidatos como pedagogos, professores, outros profissionais que são homens e mulheres de caráter são preteridos por alguns que nada oferecem. Basta à fama para serem eleitos. Eleger um analfabeto que se diz “estudado”, eleger um cantor, ou jogador de futebol se ele merece tudo bem. Mas só porque canta bem? Só porque joga bem ou é divertido?

                      Nas últimas eleições escrevi um artigo em que dizia sobre escolhas e porque não os oriundos do escotismo? Bem ou mal eles são ou foram escoteiros. Mas eles não foram eleitos. Nunca são. União dos Escoteiros? Sei não. Dizem que somos apolíticos. Acreditam? Sei de muitos que aproveitam do escotismo nas eleições. Em nossas lideranças regionais e nacionais tem vários exemplos. Agora eu pergunto: - Porque eleger o Zé das Quantas quando podemos eleger alguém nosso, ou quem sabe quase nosso? Veja esta bancada Escoteira no Congresso Nacional que dizem trabalhar por nós, alguém já viu o que fizeram? Agora nas eleições eles irão aproveitar nosso potencial (se o tivermos é claro) e falarem que são Escoteiros para angariar nossos votos?

                     Que cada um faça suas escolhas, não importa o partido, mas, por favor, procurem ver um pouco da Lei Escoteira em cada um. Não vá você colocar um lenço no pescoço de um candidato. Seu lenço tem honra, tem glória e tem passado. Pelo menos respeite o esforço dos chefes e jovens do seu Grupo Escoteiro que um dia lutaram para fazer uma promessa e ter orgulhosamente o símbolo do grupo no pescoço. É rotina sempre nesta época nos aconselharem, a saber, o que nossos candidatos fizeram nos últimos quatro anos. Se alguém faz isto não sei, mas eu faço e por isto já apaguei da minha lista muitos deles. – Mas Chefe, o fulano me faz muitos favores! Tudo bem, mas ele é probo e tem a Lei Escoteira como principio de vida?

                       Eu não dou conselhos e nem aponto escolhas. Só lembro que em toda minha vida lutando pelo escotismo foram poucos que se declararam Escoteiros não só nas eleições, mas em toda sua vida. Repito sempre que não temos pessoas bem colocadas na sociedade brasileira, que vem dar testemunho do valor do escotismo na imprensa falada, escrita e televisada. Claro que temos excelentes homens, honestos, caráter ilibado que sabem do nosso valor e alardeiam aos quatros ventos. Mas os que são altos dirigentes empresariais, os altos dirigentes políticos e aqueles que se assanham com o poder nada dizem e nada fazem. Mesmo aqueles que já se foram procurem saber o que fizeram pelo escotismo.

                  Nosso país carece muito de homens dignos que foram Escoteiros e nos dão valor devido. Qualquer estudioso sabe que nos demais que tem o escotismo como fato que são bem aquinhoados com cidadãos que alardeiam sua condição Escoteira. Temos muito que mudar, mas por onde começar que cada um comece agora. Escolha bem e lembre-se nas eleições Escoteiras pense bem se o que você está elegendo merece seu voto. Se ele vai dar transparência em seus atos e se vai prestigiar você ouvindo suas opiniões.


Abraço fraterno a todos. 

sábado, 12 de julho de 2014

O nostálgico toque do “Silêncio”.


Conversa ao pé do fogo.
O nostálgico toque do “Silêncio”.

Em Silêncio Acampamento,
Este canto vinde ouvir,
São fagulhas da fogueira que nos dizem
Escoteiros a Servir...

                   Um toque de clarim é mágico. Lindo. Marca profundamente para que já tocou ou ouviu seus sons calmos e tranquilos em uma noite de luar ou sem luar. Dizem que é um toque choroso, machucado, que dói fundo no coração. Sua história até que diz isto. Conta-se que na guerra civil americana um soldado gemia em uma trincheira. Um oficial confederado achou que era alguém do seu batalhão. Com dificuldade o trouxe até onde estavam. Não era um confederado e sim do exercito do norte. Todos o queriam morto e ele morreu. O oficial agora sobre uma luz bruxuleante nota que o morto parece com alguém. Sim, era seu filho que deixara sua fazenda no sul da Geórgia há muitos anos e foi para o norte. Queria enterrá-lo com honras. Não deixaram. O General confederado com pena chamou um corneteiro. – Toque qualquer coisa quando forem enterrá-lo. Ao retirar os objetos do bolso de seu filho morto viu um pedaço de papel onde ele havia escrito um hino. Surgiu assim a lenda que se transformou em realidade. Hoje esse hino é conhecido como o “Toque do Silêncio”.

                  Nunca me foi estranho. O toquei diversas vezes no exército onde servi e muitas outras vezes em acampamentos que fiz neste mundão de Deus. O toquei algumas vezes na partida de alguém que foi se juntar ao criador. Toque triste, não era o que eu gostava de tocar. No acampamento sim. Tocava sorrido. Ao terminar gostava de olhar a noite escura. Olhar para o céu estrelado. Olhar as barracas onde dormiam os Escoteiros, onde ao terminar de um dia, onde a fogueira apagou, onde as brasas adormecidas se escondiam em cinzas deixando aqui e ali algumas centelhas que subiam aos céus e tentavam os moleques vagalumes e pirilampos que se divertiam na orla da floresta. Gostava disto. Amava mesmo o Toque do Silêncio. Sabia que a noite seria longa, que sonhos mil iriam habitar a mente da escoteirada que dormia. Hora de ir dormir. Meu clarim guardava com orgulho. Sabia que na manhã seguinte, quando o sol despontasse no horizonte eu iria usá-lo novamente. O Toque da Alvorada.

                 Mesmo com sono, sentava na porta da barraca. A pequena fogueira era acesa. Nas brasas um bule de café esquentando. Um pão do caçador perdido no meio do fogo. De uma ou outra barraca saia um noctívago. Eram velhos amigos que sempre participavam desta deliciosa conversa ao pé do fogo. Eles sabiam que ali iriam surgir piadas, contos e causos, alguém iria trazer um violão e iriam surgir canções deliciosas e muito mais. Um amor que só os Escoteiros sabem ter um pelos outros. Algumas vezes, perdidos e vindos do meio da floresta, um tatu bola aparecia espantado, uma coruja buraqueira a nos olhar curiosa e até mesmo um antigo amigo um Lobo Guará mais conhecido como O “Anjo Amarelo” esperava seu quinhão de carne que sempre lhe dei. Coisas de um Velho corneteiro. Hoje não toco mais, tocar onde e como?

                      Dizem os Grandes Chefes da nossa liderança que isto não se faz. É para os militares. Adoro ser Escoteiro, adoro meu clarim que tanto toquei e que hoje não posso mais tocar. Eu os perdoo estes pobres velhos lobos que não sabem o que dizem e falam. Sei que eles nunca passaram por isto. Não viveram o que eu vivi. Não sabem o que é sentir o vento soprando de leve no rosto, uma brisa gostosa da noite fresca o ar da floresta, um pingo de um orvalho solto na folha que o segurou. Eles não sabem como é lindo um toque de um clarim no seio de uma floresta, em uma noite escura e sem luar, estrelas cintilantes como a aplaudir, o som se espalhando pela mata, um silêncio respeitoso dos animais e da passarada e sentir aos poucos o sorriso da madrugada a chegar.

¶ “Dorme o sol e a terra”...
Tudo em paz se encerra!
                    

                        È, o dia terminou, a lua nasceu e é hora de dormir – “O espírito da Coruja mora neste acampamento”!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O caminho para o sucesso. Afinal existe oposição no escotismo?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O caminho para o sucesso.
Afinal existe oposição no escotismo?

                Alguns dizem que o escotismo é uma filosofia de vida, outros dizem que é uma diversão e outros fazem da sua participação um aprendizado para a vida toda. Poucos são aqueles que discordam e falam o que pensam e se assim o fazem é somente em OF e se firmam que o escotismo é para colaborar e fazer os jovens caminhar para o sucesso. Sempre me pautei por criticar nossos dirigentes. Claro que sabemos que entre eles tem muitos cheios de boas ideias, mas que ainda se aferram no cargo que estão nunca discordando o certo e o errado. Poderia enumerar aqui centenas deles. Porque não crescemos apesar de que nossos dirigentes dizem ao contrário. Aceitamos tudo de mão beijada e nunca damos nossa opinião e quando o fazemos logo tem um para dizer – O Escoteiro é obediente e disciplinado. Isto é bom para nossos dirigentes. Eles decidem entre eles o que fazer como fazer e nunca nos perguntam se deveria ser assim ou não.

                Se os leitores deste blog tiver paciência vai ver que tenho muitos artigos aqui publicados que mostram onde estamos errando. Participo de algumas listas aonde por e-mail vamos discutindo e aprendendo uns com os outros. Ainda nesta semana um amigo mineiro escreveu respondendo a uma pergunta minha sobre a evasão. Tudo surgiu porque outro amigo mostrou um estudo da UEB sobre ela. O estudo baseou em poucos associados e ali nada poderia ser levado em conta. Não representava nada em relação ao que todos nós estudiosos do escotismo estamos vendo, uma evasão que prejudica e se ela acontece é porque o escotismo não caminha para o rumo que BP um dia nos deu. Não vou me alongar e transcrevo abaixo tudo que o Chefe escreveu. Poderia eu mesmo ter escrito em outras palavras, mas sobre evasão ele atingiu em cheio tudo aquilo que penso:

- Às vezes eu acho os participantes desta lista inocentes. Não há interesse da UEB em computar e divulgar números da evasão. Percebam quais são os principais argumentos dos politicamente corretos defendendo nossos lideres: Eles dizem - "Se está tão ruim porque estamos tendo crescimento? meu distrito cresceu, meu GE está com fila de espera", como se não houvesse evasão, como se não faltassem adultos, como se jovens não estivessem largando o Movimento Escoteiro pelos mais variados motivos. Aliás, estes tipos não dão a menor importância para a evasão, pois vivem a apontar a porta da rua para quem está insatisfeito com os rumos da instituição, mesmo que haja um enorme déficit de adultos voluntários que, em geral, quando deixam o ME levam mais algumas pessoas consigo.

O que acontece é que o adulto voluntário não é valorizado. A direção trata adultos como mão de obra barata que deveriam se sentir demais satisfeitos e privilegiados por serem aceitos como voluntários. A oposição não é bem vinda, as críticas às patacoadas muito menos (não é escoteiro apontar os erros que fazem) e, claro, se o sujeito não sair por livre e espontânea vontade se arruma um processo na comissão de ética com acusações imbecis e infundadas ou o colocam no ostracismo.

O ME hoje é dividido em dois extremos: os "Profetas do Caos" e os "Senhores de Xangri-la". Os primeiros conseguem enxergar que o Movimento Escoteiro é uma ferramenta válida para a formação dos jovens, acredita nos ideais, mas não fazem vistas grossas às constantes patacoadas da direção. Os segundos vivem em um mundo perfeito, aonde o Escotismo brasileiro vai muito bem, onde dirigentes não cometem erros sérios, onde tudo é justificável e relativo e, claro, pensando e agindo assim, tem um lugar ao sol junto à direção. Esta é a turma que vive falando de Lei e Promessa para os que criticam, mas acham que tais mandamentos não se aplicam aos dirigentes, em especial aqueles de notório Poder dentro da instituição. Então para esta turma, por exemplo, é muito ético, normal, escoteiro, que um comissário indique a si mesmo para se manter no cargo, como se entre 80 mil associados não exista outro capaz de exercê-lo. É a turma que não vê o menor problema de um alto dirigente ser flagrado saudando a bandeira, ao mesmo tempo em que fala ao celular. (foto vista no Facebook) É a turma que acha que rombos em lojas escoteiras e que não foram apurados devidamente devem cair no esquecimento e apesar de serem muito ativos muito apaixonados pelo Escotismo, não exigem que este tipo de coisa seja esclarecida. É a turma que afirma ser a AR uma instituição democrática, mas quando uma jovem é censurada não mexe uma palha quanto isto.

O que tenho constatado em conversas com outros escotistas de todo país é que existe MUITA GENTE descontentes com esta turminha que vem há anos se revezando na direção nacional. O caminho que muitos têm escolhido é deixar o ME e levar consigo amigos e parentes, pois não acreditam valer a pena ficar dando murros em ponta de faca tentando mudar o que uma maioria, por interesses vários, deseja manter. Os que apoiam não o fazem, muitas vezes, por que são a favor do que está sendo feito e sim com vistas às medalhas, honrarias e cargos.

Sobre a entrega da Insígnia da Madeira

Por fim, o que acontece hoje no ME são pessoas se aproveitando dele para promoção pessoal e afago ao ego. E, felizmente, existem muitos que não concordam com a bandalheira que tem acontecido. Vamos lembrar que a IM é mera conclusão do nível de formação do Escotista: não é medalha, não é honraria, não é benesse. É DIREITO de quem participou dos cursos e os concluiu com o devido aproveitamento. No entanto em algumas Regiões a IM virou uma honraria reservada aos alinhados com o Poder. Como viram aqui, até insinuar que eu não recebi a minha porque não sei nada sobre Escotismo já fizeram. Aliás, isto normal, já que para alguns a direção nunca erra: a culpa é sempre do escotista. Hoje dizem que não posso receber minha IM porque no que pese registrado, meu GE não está ativo. Ora, posso participar de qualquer curso (pagando taxas para tanto de R$ 100,00), posso comprar na Loja Escoteira, posso exercer qualquer direito meu dentro da UEB com meu atual registro, mesmo não estando meu GE ativo, mas não posso receber minha IM? Já pensei em recorrer à Justiça, mas desisti por dois motivos: o primeiro em respeito e agradecimento ao meu APF; o segundo que não quero ficar conhecido como um escotista que conseguiu a IM no "tapetão".


                Deixei o nome do Chefe em OF. Melhor assim, ele tem caráter, tem honra, faz tudo para que o escotismo cresça, mas hoje é considerado “persona no grata” por muitos dirigentes. Sua IM está guardada em alguma gaveta. Sinto tristeza nesta hora em ver que meu estado natal tem pessoas de índole má, onde a Lei e a Promessa só vale para os amigos. Um dia fui Comissário neste valoroso estado, pessoas com estes que se arvoram como dono da verdade não existiam. Mas hoje os tempos são outros. Melhor mesmo é colocar a cabeça no travesseiro e pensar se o escotismo como dizia BP tem seu Caminho Para o Sucesso garantido. A sede de poder, a vontade de ser alguém e pertencer à casta dos lideres ainda vão existir por muitos e muitos anos.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Jovem você pode escolher se quiser o caminho da felicidade.



Conversa ao pé do fogo.
Jovem você pode escolher se quiser o caminho da felicidade.

                Ei jovem, você mesmo, para onde vai? Está não é a estrada certa. Procure outra. Quem sabe aquela que ficou lá atrás, pois tinha flores azuis e amarelas na entrada do bosque florido. Não percebestes? Era lá que você devia olhar e quem sabe encontrar o que procuras. Eu vi na curva do caminho centenas de jovens sorrindo. Notou que eles brincavam de gente grande? Viu como eles eram solícitos quando perguntas-te se eles gostavam do que faziam? Sei que você gostou deles e porque não permaneceu lá? Todos insistiram para você ficar. Não se lembras daquele pequenino que lhe deu um aperto com a mão esquerda e disse que ali morava a felicidade eterna? Então porque titubeaste? Porque não aceitou o convite feito de forma alegre e fraterna? Eles são assim, divertidos, amigos de todos e irmão daqueles que estão com eles nas veredas do bom caminho. Sabe quem são? Não sabe? Eles são Escoteiros, entusiastas joviais briosos brasileiros que vão se tornar homens brincando de aventuras.

                Volte! Não siga nesta trilha que está cheia de espinhos. Ela não vai levar você a lugar nenhum. Não acredite que os outros que vais encontrar serão seus amigos. Eles estão perdidos como você. Eles não pensam mais, são mortos vivos a vagar por aí. Esqueceram-se seu passado, suas vidas seus sonhos. Eles não sonham mais. Sentam em qualquer lugar onde alguém lhe oferece o néctar do veneno que mata. Você não pode desejar isto. Ainda tens tempo. É só voltar nas passadas do tempo. Lembre-se daqueles que te amam, que desejam seu retorno. Eles imploram seu retorno. Volte, não fique na duvida. Você tem ainda vastos caminhos a percorrer. Não peço para acreditar no criador. Muitos que estão aí com você hoje duvidam que ele exista. Mas cada um tem o direito de criar seu próprio destino e você não precisa criar um onde um dia irá ver só a escuridão, quem sabe um raio solto no céu mostrando o lamaçal onde irás viver. Isto seria vida? Não escolha este caminho. Não é um bom caminho.

                  Volte! Procure a terra do amor perfeito. Encontre outros amigos, aqueles do sorriso franco, do abraço sincero, aqueles que te dizem para cantar com eles o Rataplã. Abriram-lhe uma vaga na patrulha da felicidade. Deixarão para você uma flor de lis para lhe indicar o caminho. Deixarão você um dia escolher se quer ou não ser mais um destes milhões de jovens amigos que o mundo abraçou. Sei que se tentar vai gostar. Vais sentir o cheiro da terra, do capim molhado, do doce cantar do riacho cristalino, onde na cascata da nevoa branca as borboletas dançam e cantam nas ondas que o vento sopra sobre elas. Encontre o novo mundo, um mundo de jovens que querem o seu bem. Vá com eles. Suba nas mais altas árvores, escale as montanhas da alegria e volte depois para os seus que com os olhos cheios de lágrimas, pois eles o receberão de braços abertos.

                    Escute por favor, o chamado dos Escoteiros que insistem que você seja mais um deles. Abandone esta estrada que não tem fim. Abrace com eles a felicidade, a sede da aventura, a vontade de ser mais um, de ter amigos, de saber que agora tem com quem contar. Escotismo é isto. Um caminho certo para que você um dia possa orgulhar do seu caráter. Onde todos dirão que você é um homem de honra e não importam o que digam mais, importa sim o que você vai sentir no seu coração. E como diz o velho poema: Quem afinal se anima a escalar das serranias as alturas? Quem são aqueles que uma bandeira arvora nas asas da imaginação? Contemplais e vereis, são jovens Escoteiros, entusiastas, joviais briosos brasileiros que lá vão brincar ao léu de uma aventura

domingo, 6 de julho de 2014

Paranapiacaba, a vila dos sonhos Escoteiros.


Crônicas escoteiras.
Paranapiacaba, a vila dos sonhos Escoteiros.

                       A primeira vista fazer escotismo aventureiro ao ar livre em São Paulo era tarefa de gigantes. Eu mesmo pensei assim quando cheguei por aqui em 1977. Aos poucos fui descobrindo que quem quer anda e consegue, quem não quer senta e dança a roda das galochas. Não esqueço a primeira vez que fui a Paranapiacaba. Para ser sincero nem me lembro de quem foi à ideia. Adoro andar de trem e tendo a oportunidade lá fomos nós, eu mais dois chefes e uma patrulha de monitores. Uma hora e pouca de viagem. Naquela época tinha trem todos os dias. Hoje? Acabaram com tudo, estão acabando até com a vila. Dou uma olhada na Folha de São Paulo e lá está escrito: - CANDIDATA A PATRIMÔNIO MUNDIAL, PARANAPIACABA TENTA RESISTIR AO ABANDONO. Lá tem uma foto de trens e vagões jogados as traças. Meu deu um nó na garganta. Quantas vezes eu fui lá? Pelas minhas contas mais de quinze. Fui com monitores, com a tropa masculina e feminina, fui com seniores e fui com as guias. Claro fui também com a lobada querida e por último fui sozinho pois queria descer a Serra do Mar e quer saber? Foi delicioso.

                     Paranapiacaba foi projetado no século dezenove para abrigar operários da Ferrovia da São Paulo Railway Company que ligava Santos a Jundiaí. Uma pequena Vila de casas de madeira, mas como é linda. Na passarela da estação para a Vila a vista é maravilhosa. Como está na Serra do Mar à origem do seu nome que significa “lugar de onde se vê o mar” veio a calhar.  A São Paulo Railway inaugurou sua linha férrea em 1º de janeiro de 1867. Ela, primeiramente, serviu como transporte de passageiros; também serviu como escoamento da produção de café da província paulista para o porto de Santos. Em 1874, foi inaugurada a Estação do Alto da Serra, que, mais tarde, seria denominada Paranapiacaba. Em 1969 em visita a São Paulo minha Mana nos levou até santos por trem descendo a serra e passado pela Vila de Paranapiacaba. Nunca esqueci a viagem. A descida era de tirar o folego e as cascatas, cachoeiras, corredeiras, matas, pássaros e animais eram visto a cada curva.

                     Uma vez com Guias e Escoteiras fiquei acampado lá por três dias. Saindo da cidade rumo à descida do mar, acampamos em um local espetacular, um riacho com corredeiras cujo barulho marca. Lenha à vontade, e pioneirias surgiram da noite para o dia. Um jogo de aventuras quase deu o que falar em uma patrulha. Ainda bem que a monitora além da bússola Silva tinha um Percurso de Giwell do local perfeito. Havia uma pequena estrada que desembocava em uma trilha entrando em uma mata cheia de riachos com águas cristalinas e nela todos nós do Grupo Escoteiro nos divertimos enquanto duraram nossas jornadas que se estenderam por mais de dez anos. Impossível descrever tudo. Os chefes que comigo lá estiveram e se acaso me estão lendo devem lembrar como tudo foi maravilhoso. Os jovens lobinhos ou escoteiros pequenos ou maiores tenho certeza que tem de lá grandes lembranças.

                    Um dia Paranapiacaba saiu do nosso roteiro. Descoberta por marginais, rapazes e moças que iam lá para dar início ao seu vicio, falando e gritando palavrões, dando mau exemplo aos jovens fez com que deixássemos a beleza da vila, das matas e das cascatas sem fim para nunca mais voltar. Hoje o trem ainda vai lá, mas é um trem turístico somente aos sábados e domingos com horários determinados. Perdeu a graça. 

                   Dona Francisca uma moradora um dia escreveu: - Aqui a Vila é mágica. A Vila aparece e desaparece. Tem dia em que você vê o morro Tem horas que você não vê nada. Parece que o grande caldeirão que você põe para esquentar, e a fumaça vem para a vela apagar. Tem bruxa no pedaço com sua varinha de condão que põe fogo no fogão A fumaça aparece, e a Vila... Desaparece! Como em um passe de mágica. O morro a sorrir a fumaça há persistir O dia não passa, nem as horas. Só fica a fumaça na cidade mágica.

A Serra de Paranapiacaba

Dorme; repousa em teu sono,
Da força pujante emblema,
Que tens o oceano por trono
E as nuvens por diadema!
Imóvel, muda, imponente,
Entestas com a excelsa frente
Das águias o azul império;
E em vastíssimo cenário
Da tormenta o quadro vário
Contemplas do espaço etéreo.
(somente a primeira estrofe)

João Cardoso de Meneses e Sousa


Um adendo:

                Para descer a serra do mar é usado locomotivo Hitachi com cremalheiras, devido ao declive acentuado na ferrovia, impossibilitando o uso de locomotivas normais, pois elas não suportariam a carga, perderiam o atrito e fatalmente deslizariam serra abaixo com um desnível de 800m. São usados comboios com duas Hitachi na tração, na decida elas escoram o peso de no máximo 500 t, na subida elas empurram os vagões. Com intervalos calculados entre os comboios, a descida e a subida é simultânea. Em breve novas locomotivas elétricas mais potentes e com cremalheiras estarão trabalhando neste ramal, fabricadas pela Stadler Rail na Suíça, elas poderão levar 750 t por viagem.