Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Bem vindo ao Blog.

  



Bem vindo ao Blog Escotismo e suas historias.

Em 2009 entrei para o Facebook e algum tempo depois resolvi criar um Grupo cujo nome adotei como Escotismo e suas historias. Ele é dedicado exclusivamente ao que escrevo. Tem no momento mais de 17.000 membros participantes. Devido ao sucesso do grupo, criei então um blog Escotismo e Suas Histórias fac-símile do que tenho no Facebook. Comparativamente aos meus outros blogs escoteiros ele tem uma participação diária de admiradores do escotismo ou mesmo membros escoteiros em diversos países. Os artigos ou contos aqui postados muitos são fruto de minha imaginação e outros adotados em pesquisas tudo para colaborar na formação escoteira.

Artigos do nosso fundador estão em sua maioria postados neste blog. Agradeço a sua presença e caso queira comentar fique a vontade. Querendo entrar em contato estou à disposição no e-mail ferrazosvaldo@bol.com.br.


Muito obrigado pela presente e aceite o meu Sempre Alerta!  

Osvaldo um escoteiro  


Do livro “Rastros do fundador”.



Do livro “Rastros do fundador”.
- A educação individual implica uma total confiança entre o Chefe e o Escoteiro, baseada na relação entre irmão mais velho e irmão mais novo; empregando um tratamento diferente para cada caso, graças ao conhecimento pessoal do seu temperamento, idade e caráter. “Porque nos havemos de preocupar com a formação individual”? Perguntam. Porque é a única forma por que se pode educar. Podemos instruir qualquer número de rapazes, mil de cada vez, se tivermos voz forte e métodos atraentes para manter a disciplina. Mas isso não é educação. De nada vale pregar a Lei do Escoteiro ou proclamá-la em vozes de comando a uma multidão de rapazes: cada entendimento requer uma exposição dos seus artigos e ambição de pô-los em prática. E é nisto que a personalidade e a capacidade do Chefe intervêm.
Baden-Powell of Gilwell.

Crônicas escoteiras. Paranapiacaba, a vila dos sonhos Escoteiros.



Crônicas escoteiras.
Paranapiacaba, a vila dos sonhos Escoteiros.

                       À primeira vista fazer escotismo aventureiro ao ar livre em São Paulo quando cheguei nesta cidade que passei a amar por volta de 1977 era tarefa de gigantes. Fui descobrindo e vendo que quem quer anda e consegue, quem não quer senta e dança a roda das galochas. Não esqueço a primeira vez que fui a Paranapiacaba. Para ser sincero nem me lembro de quem foi à ideia. Adoro andar de trem e tendo oportunidade lá fomos nós, eu mais dois chefes e uma patrulha de monitores.

                      Uma hora e pouca de viagem. Naquela época tinha trem todos os dias. Hoje? Acabaram com tudo, dizem que foi para preservar a vila. Li uma vez na Folha - CANDIDATA A PATRIMÔNIO MUNDIAL, PARANAPIACABA TENTA RESISTIR AO ABANDONO. A foto de trens e vagões abandonados não ficará para a posteridade. Deu-me um nó na garganta. Quantas vezes eu fui lá? Tantas que nem me lembro. Fui com monitores, com a tropa masculina e feminina, fui com seniores e fui com as guias. Claro fui também com a lobada querida e por último fui sozinho, a “Escoteira”, pois queria descer a Serra do Mar e quer saber? Foi delicioso. Um dia quem sabe vou contar.

                     Paranapiacaba foi projetada no século dezenove para abrigar operários da Ferrovia da São Paulo Railway Company que ligava Santos a Jundiaí. Uma pequena Vila de casas de madeira, mas como é linda. Na passarela da estação para a Vila a vista é maravilhosa. Como está na Serra do Mar à origem do seu nome que significa “lugar de onde se vê o mar” veio a calhar.  A São Paulo Railway inaugurou sua linha férrea em 1º de janeiro de 1867. Ela, primeiramente, serviu como transporte de passageiros; também serviu como escoamento da produção de café da província paulista para o porto de Santos.

                    Em 1874, foi inaugurada a Estação do Alto da Serra, que, mais tarde, seria denominada Paranapiacaba. Em 1969 desci a serra por ferrovia até Santos. Descer a serra foi um espetáculo a parte. Nunca esqueci a viagem. Incrivelmente bela. A descida era de tirar o folego e as cascatas, cachoeiras, corredeiras, matas, pássaros e animais eram visto a cada curva parecendo nos dizer: Bem vindo Escoteiro!

                     Uma vez com Guias e Escoteiras acampamos próximo à descida no Alto da Serra por três dias. Um local lindo, maravilhoso aguada e lenha à vontade. Riachos, corredeiras cascatas e o som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Um jogo de aventuras foi demais. Ainda bem que a monitora possuía uma Silva e um Percurso de Gilwell perfeito.  Descobrimos uma pequena trilha que nos levou a locais lindos e nunca explorados. Durante dez anos fizemos da Serra de Paranapiacaba nosso local preferido para acampar. Tudo levado nas costas, bom demais!

Impossível descrever todos os acampamentos que fizemos lá. Os chefes, escoteiros, escoteiras guias e pioneiros que juntos vivemos dias maravilhosos e que estiverem lendo este artigo devem lembrar como tudo foi maravilhoso. Até os lobos viveram ali grandes aventuras como se tivessem entrado na Jângal de Mowgly. Como em todo local inexplorado a segurança vinha em primeiro lugar. Nunca foi um local para Pata Tenras.

                   Um dia Paranapiacaba saiu do nosso roteiro. Descoberta por marginais, rapazes e moças que iam lá para dar início ao seu vicio, falando palavrões, dando mau exemplo aos jovens fez com que deixássemos a beleza da vila, das matas e das cascatas para nunca mais voltar. Hoje o trem ainda vai lá, mas é um trem turístico somente aos sábados e domingos com horários determinados. Perdeu a graça. 

                   Dona Francisca uma moradora um dia escreveu: - Aqui a Vila é mágica. A Vila aparece e desaparece. Tem dia em que você vê o morro Tem horas que você não vê nada. Parece que o grande caldeirão que você põe para esquentar, e a fumaça vem para a vela apagar. Tem bruxa no pedaço com sua varinha de condão que põe fogo no fogão A fumaça aparece, e a Vila... Desaparece! Como em um passe de mágica. O morro a sorrir a fumaça há persistir O dia não passa, nem as horas. Só fica a fumaça na cidade mágica.

                  Faz anos que não volto lá. Poderia acrescentar outros lindos locais que acampávamos. O Sitio da Viúva, O Parque Anhanguera na área inexplorada e São Lourenço da Serra... Todos locais maravilhosos que tínhamos a porta aberta para acampar quando quiséssemos. Intercalávamos com acampamentos em outras cidades confraternizando com os Grupos locais. Lembro-me de Santa Barbara do Oeste e Pouso Alegre. Eita tempo bom. Se voltar na Terra quando partir quero continuar escoteiro... À moda de BP!

Nota - A Serra de Paranapiacaba - Dorme; repousa em teu sono, Da força pujante emblema, Que tens o oceano por trono E as nuvens por diadema! Imóvel, muda, imponente, Entestas com a excelsa frente Das águias o azul império; E em vastíssimo cenário. Da tormenta o quadro vário Contemplas do espaço etéreo. (somente a primeira estrofe). João Cardoso de Meneses e Sousa.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Conversa ao pé do fogo. Turnover, rotatividade, evasão e o escambal.



Conversa ao pé do fogo.
Turnover, rotatividade, evasão e o escambal.

Todos sabem o que significa, todos conhecem, alguns sentiram na pele outros se safaram por algum motivo. Não é fácil perder lobos ou escoteiros ou mesmo chefes amigos. Eles sempre têm um motivo para explicar e nem sempre condiz com a realidade. Se fizermos hoje uma pesquisa nos Grupos Escoteiros, cada um teria um motivo. Tem explicação? Claro, tem aqueles grupos mais estruturados, onde os chefes se preocupam e correm atrás para sanar esta perda tão nefasta.

Já ouvi tantas explicações que fico pensando porque a maioria dos chefes ainda continua lutando com a perda do efetivo. Sei de grupos com cem e até trezentos membros participantes que nunca se preocuparam. Não sei se eles têm um acompanhamento através de gráficos e pesquisa sobre o tema. Já ouvi de Grandes Chefes formadores ou mesmo de Velhos Lobos tantas explicações que ainda me bato do porque isso ainda não resolveu. E a UEB? O que ela diz?

Não sei, se ela se preocupa, pois nunca li nem ouvi falar. Sei que ela alardeia quando os associados crescem apesar de que nem sabemos do porque isso acontece. Quem sabe ela dirá que os cursos são pródigos, os formadores bem preparados e a literatura vasta para cobrir todas as deficiências. Ainda me pergunto por que ainda não fizeram uma grande pesquisa, orientação às bases e esquecer o velho mote que o Chefe não estava preparado? Sempre o Chefe!

Uma vez me disseram que a evasão estava um por um, ou seja, entra um sai outro. Eu fico no dois por um, entra dois sai um. Um membro importante na hierarquia escoteira comentou certa vez que ela a evasão não passa de cinco por cento do efetivo. Não sei de onde ele tirou esta afirmação. De uma coisa eu sei, se o jovem saiu é “porque não encontrou o que procurava”!  Não adianta somar dois mais dois ou cinco mais quatro, o resultado nunca vai bater! Saiu? Tem motivo e se tem cabe a nós encontrar e procurar melhorar onde está o erro.  

Eu tive enorme experiência neste tema; Sempre me preocupei com ele. Acredito até que tenha outros chefes que conhecem melhor que eu e isto seria bom se eles se voltassem a explicar aos que não sabem como fazer quais seriam as metas, ou os programas que eles fazem. Agora, ficar reclamando, dizendo que os jovens foram ingratos, deixando todos na mão e pegando o que sobrou jogando em outra Patrulha não vai resolver. Fazer um programa para 3 ou 4 patrulhas e elas estiverem incompletas dificilmente se alcançará a meta pretendida.

Patrulhas como diz aquele Velho Sábio são a alma do negócio. Sem elas a motivação será mínima. Não dá para trabalhar o motivar um ou dois somente. O tempo vai se encarregar para ele um dia sair. Isto acontece também com os voluntários, os chefes e nesse caso o motivo é obvio: - Acreditou que seria assim ou assado e não foi. E então? Os lideres daquela Unidade procuraram ver o erro ou só bateram palmas por ver que seu pupilo não era o que esperavam?

Sei que a participação em algumas alcateias ou tropas são boas. Em outras não. Os grupos onde existe a preocupação com a evasão tem maior sucesso e os outros que ficam a reclamar como se fosse sorte encontrar o escoteiro ideal não tem. Antigamente se batalhava para que a alcateia tivesse só 24 participantes e a tropa 32. BP chegou a dizer que ele se achava em condições de liderar uma tropa de até 26, mas que poderia haver outros chefes melhores que ele que pudessem chegar a 32 não mais. Eita cara humilde sô!

De uma coisa eu sei, Patrulha só com pata tenras ou uns gatos pingados dificilmente um programa poderá atingir o objetivo desejado. Catar um aqui, outro ali e ir completando e desfazendo para refazer mais a frente é perda de tempo. Nunca vai dar resultado. E aquele que "marketeou" convidando aqueles que não tivessem Patrulha para participar do Jamboree em Barretos que ele tinha vaga em suas patrulhas? Nossa! Que Patrulha eim? Nem vem que não tem dizer que seria só para o Jamboree. O ambiente esperado jamais será alcançado.

Eu teria mil e uma explicação sobre a evasão. Poderíamos em grupo discutir o tema por vários dias. Acredito que nada que me contassem seria novo. Macaco velho desculpem. Já vi tanto nessa minha vida que de uma coisa eu sei. Se saiu, se se mandou se aboletou de sua Patrulha e da sua responsabilidade na Chefia é porque não encontrou o que procurava. Como diz por aí: Não era a minha praia. Outro dia lembrei-me de um Chefe que me disse: Vado, se o cara diz que tem tempo não caia na onda. Os melhores chefes são aqueles que não tem tempo.

Chame seus jovens, deixe eles falarem. Cale-se! Na primeira vez em um conselho de Patrulha ou de tropa eles não saberão o que falar. Já fiquei uma vez quase uma hora e meia com eles mudos. Entraram mudos e saíram mudos. No sábado seguinte um vacilou, veio outro e ai a chuvarada caiu prá valer. É bom ouvir e péssimo dar desculpas. Que tal: Turma entendi, vamos fazer um novo programa? Quem ajuda? Eita ponha a Patrulha para trabalhar e diga, se sair à culpa não foi minha! Né ou não é?

Como estou meio por fora dos cursos, poderiam me informar se existe discussões sobre o tema Evasão e se todos opinaram ou só o Líder Formador sabia os motivos? Todos tem a palavra. De uma coisa eu sei e aprendi, um ano é muito pouco para dar a formação escoteira que se espera. Alardear cem mil se saiu vinte mil e entrou trinta mil não teremos os resultados esperados. Teremos?

Nota – Ele saiu do escotismo porque pensou que encontraria isso e encontrou aquilo! É  mesmo? Conheço essa frase desde que recebi uma encomenda da Wells Fargo escoltada por Tom Mix e o Zorro. Desculpem a brincadeira, mas o tema é sério. Se queres ter resultados na formação escoteira se preocupe com a Evasão, ou rotatividade ou Turnover. Não importa, importa que você conheça os motivos e trabalhe para saná-los. Boa atividade, bom campo e uma vida escoteira longa e feliz!     

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Os sonhos impossíveis do Velho Chefe Escoteiro.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Os sonhos impossíveis do Velho Chefe Escoteiro.

- Francamente eu não sei se foi Montgomery um General inglês, quem disse em uma das suas inúmeras e famosas batalhas: - “O possível faremos agora e o impossível daqui a pouco”! Monty seu apelido ficou famoso pelas suas frases: Esta ele perguntou a um soldado para levantar a moral de suas tropas: - "Qual é seu bem mais apreciado, soldado?", "Meu fuzil, senhor", respondeu o soldado. "Está enganado, é sua vida"!

- Portanto não posso duvidar que alguém em algum lugar já nasceu ou está para nascer para dar uma virada histórica no escotismo brasileiro. Quem sabe no mundo todo? Pensando bem alardeiam aos quatro ventos seja em qualquer nação que estamos crescendo. Crescendo? - Deixamos de lado nosso principal dogma, nossos mandamentos que BP escreveu e principalmente a mística ou até mesmo o mistério que cerca o escotismo. Quem sabe suas principais regras.

- Partimos para um modernismo desenfreado, realizado em poucas mãos, onde sábios e pensadores modernos mudam o sistema educacional, achando que devemos trilhar o caminho da certeza esquecendo aventura, a descoberta, o fazer fazendo atraindo o jovem pela beleza da simplicidade, incluindo aí a metodologia Badeniana diferente de sua escola, e seu aprendizado prático em seus lares. Deixamos de lado o mais chamativo e sensato meio que BP definiu em poucas palavras: - Acima das torres da matriz ainda existem estrelas no céu!

- Partimos para uma nova filosofia escrita a poucas mãos sem consulta, sem pesquisa, alterando tudo que demorou dezenas de anos para construir. Bom ou ruim a mística, a tradição, o incompreensível habitat de Mowgly, o cabalístico das cerimonias de um Volta a Gilwell. Nomes históricos foram substituídos por nomes moderno. O Comissário, o Chefe, o Distrital o Adestrador e tantos outros passaram a se denominar comumente parecido com outras organizações que nada tem de escotismo. Esquecemos nossas origens?

- Pedagogos, novos pensadores modernos estão a mudar a maneira com deve ser a nova educação escoteira dos jovens. Estamos sendo uma máquina humana servindo de cobaia para ver se vai ou não dar certo. A fleuma Escoteira de BP está sendo esquecida. Vivemos a era do Presidente, do Diretor, do Líder sem nome impingindo cursos que nada tem a ver com a natureza que acreditávamos ser a fina flor do escotismo Badeniano de Gilwell Park.

- Aquela tempera que existia, aquele comportamento cabalístico, característico e porque não dizer medieval, seria o modo o estilo que tanto atraia os jovens? Preocupo que possam substituir as bases fundamentais, tais como O Sistema de Patrulhas, as técnicas de campo, a vida ao ar livre, o aprender fazendo e finalmente a Lei e a Promessa. Não podemos esquecer-nos da retidão moral e da correção de princípios.

- A luta pelo poder, as decisões secretas, os conchavos nos transformou em políticos astutos tentando criar uma nova forma uma nova mentalidade, esquecendo ou desprezando os Velhos Lobos para sua nova hegemonia de comando. Criam falsamente um novo sol, um novo épico do Escotismo. BP emudeceu! Não se discute mais sobre ouvir os jovens, os chefes ou a todos que participam do escotismo. As finanças, o enriquecimento, substitui passo a passo o nosso lema Servir. Qual a direção escolhida? Sem metáforas, por favor!

- Ainda tenho um sonho. Sonho de um Velho Chefe Escoteiro que não ficou parado no tempo. Sonho que todos possam usufruir de direitos e deveres sem os obscuros transcendentes de uma metáfora qualquer. Votar e ser Votado? Ser ouvido consultado? Afinal não seria assim que os direitos são de todos? Se os Matabeles chamavam BP de “Impisa”, O lobo que nunca dorme, ou se os Ashanti o chamavam de “Kantakye” o homem do chapéu grande, ou até mesmo os Kaffir o chamarem de “M’hlalapanzi” “o que atira deitado e que planeja antes de agir” não seria um novo recomeço uma nova história sem esquecer o nosso passado?

- Que se faça ou reescreva o novo escotismo que muitos chamam de Tradicional, mas lembremos de que fazer o escotismo de Baden-Powell não significa ser tradicional. Ninguém esquece quando aprende e adquire um hábito de comportamento. Temos uma herança, um legado que não pode ser esquecido. Temos quer queira ou não voltar às origens sem esquecer o mundo em que vivemos. Acima das torres da Matriz ainda existem estrelas no céu.  

- Precisamos de uma nova história sem esquecer-se de contar a antiga história. Direito iguais, ordem e progresso sem sofisma. Um novo despertar para que todos dêem as mãos em busca de um escotismo melhor. Qualidade e não quantidade. Quem sabe um novo “Conselho” formado por Velhos Lobos de todos os estados. Um fórum com direito a tomada de decisões com voz e voto.

- Precisamos acabar com esta guerra surda de que só alguns tem direitos da filosofia de BP. Chega dessas discussões e conchavos muitas vezes discutidas em porões do submundo escoteiro que nunca poderiam existir. Precisamos de humildade, de fraternidade e nunca esquecer que somos amigos de todos e irmãos dos demais escoteiros. Precisamos dar as mãos, recebendo e dando colaboração. Manter viva a chama do lema Servir! Uma estrada de duas mãos!

Nota – De repente tudo vai ficando tão simples que assusta. A gente vai perdendo as necessidades vai reduzindo a bagagem. As opiniões dos outros são realmente dos outros, e mesmo que seja sobre nós, não tem importância. Vamos abrindo mão das certezas, pois já não temos certeza de nada e isso não faz a menor falta. Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado, e sim a vida que cada um resolveu experimentar. Por fim, entendemos que tudo o que importa é ter paz e sossego, é viver sem medo, é fazer o que me alegra, o que me faz bem, o que me faz feliz... É só!

terça-feira, 22 de maio de 2018

Quem bate? É o friiooo!



Quem bate? É o friiooo!

- Sei não... Alguns dizem que amam outros que detestam. Já gostei do frio e hoje não mais. Tudo que tenho de “bode na sala” aparece quando o frio chega e a maioria dos meus “pobrema” dão as caras. Agora além das outras fui premiado com uma tal de labirintite. Chegou sem avisar e me derrubou. Tem dois meses que sou premiado com ela e vômitos. Puxa que danação, prá não dizer que é bão demais. Lá fui eu uma, duas, três e outras vezes correndo no Pronto Socorro atrás dos “homes” do Jaleco Branco. Era injeção no traseiro, soro na veia e o escambal.

- Faz parte da nossa vida, não está escrito lá que “seja feita a Tua vontade, aqui na terra como no céu”? Não reclamo. Afinal a vida continua e ele decide quando parar. “Quando o frio chega, é batata”! Lá vem ela me abraçar. Tudo vai resolver, já tenho marcado para final de setembro uma consulta com o especialista. Falta pouco tempo. Vamos aguardar afinal “tô nu SUS” e não posso reclamar. Nessas horas de frio me ponho a lembrar de quando escoteirava por aí no meio do gelo, das geadas tilintando de frio em volta das fogueiras para esquentar.

- Esta aconteceu há tempos. E põe tempo nisso. Tonico chegou correndo na Oficina de meu pai. – Vado chegou uma Patrulha de escoteiros do Norte. Dizem que vão para o Ajuri Nacional no Rio de Janeiro.  Estão na Praça Serra Lima. – Dei tchau pru papai e lá fomos até a praça na minha bicicleta pneu balão Philips. Eram quatro. Uniformizados com suas reluzentes bicicletas cheias de balangandãs. Sempre Alerta, aperto de mão e “zaz” para a sede. Em menos de uma hora a escoteirada e a lobada estava lá. – Viemos da Bahia e vamos prú Rio para o Ajuri Nacional! Putz, que inveja.

- Iam embora no dia seguinte. Cada um dos mais de cem meninos que estavam em volta deles ofereceram alojamento, com cama, roupa lavada e comida no bucho. Eu levei um, se não me engando de nome Joaquim. De que não sei. Alto magro, uns dezesseis ou dezessete anos. Almoçou, jantou e a noite fomos paquerar as meninas na pracinha Serra Lima. Claro vesti meu uniforme e a praça encheu. Os causos conto depois. Fomos dormir lá pelas tantas. Ele disse que preferia dormir na rede. Rede? Invejei! Nunca tinha dormido. – No dia seguinte foram embora acompanhados de dezenas de nós até a ponte de São Raimundo.

- Resolvi comprar uma rede. Trabalhei dobrado com minha caixa de engraxate. Três meses. Custava sessenta paus a vista. (não havia fiado nem prestação). Comprei. Linda, meio verde musgo com beirolas brancas. Junho, o frio chegou. Fomos acampar no pé do Pico Ibituruna, um pico de frente para nossa cidade. Orgulhosamente levei a dita cuja e a turma me olhando. Chico disse: - Tem certeza? E o frio? – Faço fogueira eu disse. – Donato riu: - Aposto que lá pelas uma ou duas vai prá barraca!

- Meia noite e eu inquieto na rede. Não havia posição para dormir. Marinheiro de primeira viagem. Mesmo enrolado na manta o frio gelava o fogo ajudava só de um lado. Acendi outra fogueira. Uma de cada lado. Embaixo nas costas e trazeiro só gelo. Caramba! Porque fui inventar? Pensei em ir prá barraca. Mas o orgulho do desafio era maior que eu. Lá pelas três e meia uma garoa! Chuva intermitente. Eu na rede joguei uma lona... Nada, não resolveu.  

- Rael levantou e disse: Vado, venha não vou contar para ninguém. Minha capa preta, na frente um fogo espelho que ele fez. Quentinho. Dormi. Rede? Ficou para minhas manas quando quisessem descansar usando o pé de Manga e Abacate do quintal da nossa casa. Anos depois quando descemos o São Francisco a bordo do Benjamim Guimarães, o Capitão ofereceu rede prá nós. Eu necas de catibiriba. Dormi enroscado na minha manta na proa da barca e os outros na rede. Se não conseguiram não me disseram.

- Olhe, já dormi em cada lugar de fazer medo, em cima de uma árvore correndo de uma jaguatirica. Na subida da Serra da Piedade cheia de pedras, no Pico da Bandeira por duas vezes, no Cipó, no Itacolomi e no Itatiaia. Centenas de vezes olhando as estrelas, debaixo de chuva, de vento que nem dá para contar. Mas dormir na rede nunca mais. Minhas costas só reclamavam. Bom mesmo era enroscar em minha capa, sentar com as pernas cruzadas em volta de um fogo e cochilar. Bom demais. Ainda tenho duas redes que nem colocar na varanda coloco. Rede? Desculpe os aficionados, mas eu nunca mais!

Nota – Nesses dias frientos a barra para os velhos escoteiros como eu pesa. E como pesa. Chegou de presente uma labirintite acompanhada de vômitos como se fosse um prêmio que fui sorteado. Algumas vezes fico de molho, o mundo rodando e quem sou eu para corujar minha máquina que me leva junto a amigos. Hoje acordei sem poder levantar, reclamei comigo e disse: - Vado vá lá, conte uma história para alegrar e depois volte prá cama! É prá já! E aqui tô eu!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Matar ou morrer! Já leu? Não? Veja uma pequena parte da historia: - O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA ILHA DO GAVIÃO NEGRO.



Matar ou morrer!
Já leu? Não? Veja uma pequena parte da historia:
 - O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA ILHA DO GAVIÃO NEGRO.

            Dezoito horas e quinze minutos. Sinaleiro ouviu um trovão no céu. O foguete do Chefe Nemo parecia um tiro de canhão. Os patrulheiros da Falcão tremeram. Dominó olhou para Sinaleiro de olhos arregalados. – Calma Dominó é só um jogo. Lembre-se você é um falcão e um falcão não tem medo! Olhou para os outros dizendo: – Logo que entrarmos na mata vamos nos separar. Não ficar longe mas nunca juntos. – Fechem os olhos por dois minutos e vão se adaptar logo a escuridão.  

              Continuou: - É um jogo e temos de matar para não morrer.  – Sinaleiro riu baixinho. Sabia que seria uma barra chegar ao Forte. Quase três quilômetros. Todos monitores receberam o mapa da selva. Andaram menos de cem metros e a trilha sumiu no meio da mata. Amarrou a bússola em seu pescoço. A senha era o grito do Sabiá Laranjeira. A selva estava muda. Nenhum som.

          Corredor tinha orgulho de sua patrulha. Treinaram semanas o grito do bugio com perfeição. Camuflados Corredor e os patrulheiros não sentiam medo. Era uma Patrulha unida. Anos juntos fazendo escotismo. Tinham histórias para contar. Ninguém disse nada quando entraram na mata e a escuridão os pegou em cheio. Quase não viam nada. Montanha parecia dominar a escuridão. Olhos abertos para não ser morto desprevenido. Sabia que mataria mais de dez. Jurou que seria o campeão.

            Eram peritos em andar em matas. Inclusive à noite. Ficaram cinco dias treinando como rastejar em florestas. Sabiam que poderiam perder, mas seriam páreo duro. Deram uma parada. Corredor só ouvia a sua respiração. E a mata? Ela não respondia? Porque este silêncio? Aqui não têm animais e pássaros noturnos?

              Professor olhou com carinho para Pequeno Polegar. Ele fingia que não tinha medo, mas Professor sabia que ele tremia. Fique ao meu lado disse! Noviço, entrou há quatro meses. Parecia um lobinho apesar dos seus onze anos. Fora Lobinho Cruzeiro do Sul e chorou muito quando passou para a tropa. Mas quem não chorou? Professor conseguiu que sua tia fizesse oito toucas ninjas negra. Ficaram ótimas. Dava para impressionar principalmente à noite.

               Fez o possível para treinar os patrulheiros da Lobo Cinzento na mata do Onça. Esqueceu-se de treinar uma senha, mas sabia que sempre estariam por perto se fizesse algum sinal. Sinal no escuro? Faltava pouco para começar a matança. Matança? Isto não o preocupava. Interessante é que sentiu que a floresta se calava. Nenhum sinal mortal parecia viver dentro dela.

            Dentuço sussurrou para Centeralfo. – Estamos nos distanciando! Não podemos nos dispensar e sumir na escuridão da selva. – Têm razão Dentuço, chegue perto de cada um e diga para ficarmos próximos. Os patrulheiros da Patrulha Quati eram na maioria fortes, altura normal, mas bem maiores que os outros Escoteiros das demais patrulhas. Centeralfo não sabia se seria uma vantagem ou desvantagem. Todos se achavam vencedores do jogo.

             Eram vitoriosos nos jogos de Scalp. Ganhavam com facilidade o troféu eficiência. Centeralfo era um grande mateiro. Conseguiu tocar um quati e um tatu sem perceberem sua presença. Assustava com a floresta calada. Por quê? Olhou para cima, para os lados, com dizem os lobinhos abriu os olhos e os ouvidos e nada. O único som que ouviu foi de um estalo de um galho que alguém da patrulha pisou.

               Chefe Nemo, Chefe Euclides, Goiabada e Calango os seniores estavam calados próximo ao Forte. Sentados um ao lado do outro na Pedra Grande onde montaram seu staff. Todos de olhos na floresta. – Diabos pensava Chefe Euclides, que coisa esquisita! A mata não fala? Era mesmo de assustar. Não havia lampiões acesos. Nem tochas. Essas só às cinco da manhã onde todos se encontrariam. O relógio marcava uma meia. Chefe Nemo não gostava do que estava acontecendo.

               - Jogo é jogado e lambari é pescado pensava. Sentia algum fantasmagórico no jogo. Almas do outro mundo dizem não gostar de ser incomodadas. A ilha era uma delas? Não preparação não viram nada. Três meses dentro da selva. Os pássaros cantavam, os bichos corriam prá lá e prá cá. Ouviram um estalo. Outro e parou. Goiabada o Sênior levantou e pegou um bastão. Não tinha medo de alma do outro mundo. Que venham os demônios, estou preparado. Gostava de um jogo Quebra-pau. Calango outro sênior olhou para cima e assustou. Um enorme Gavião Negro voava nos céus. Era um vulto fantasmagórico e não esperado.

              Trinta Escoteiros avançavam cautelosamente na floresta escura. Ninguém via ninguém. Cada Patrulha escolheu um canto da ilha. Três da manhã. Eles sabiam que breve iriam se encontrar. Que Deus tivesse piedade de quem corresse, seria presa fácil ao ficar longe dos seus amigos. Nenhum som. Só se ouvia a própria respiração. Era uma aventura inesquecível. Pensavam que seria a única. Rezas e orações pipocavam nas mentes dos escoteiros. Nervos a flor da pele. Professor suava, não tremia, mas estava em uma situação anormal que nunca aconteceu com ele.

             Sinaleiro de olhos arregalados buscava na floresta algum sinal. Os patrulheiros sumiram de sua vista. Corredor pela primeira vez na vida teve medo. Isto é anormal pensou. Onde estão todos para lutarem? Que espera infernal. Centeralfo parou. Sua respiração ofegante. Medo? Impossível, Centeralfo não sabia o que significava a palavra medo. Sentiu um barulho esquisito, era um galho de árvore a toda velocidade em direção ao seu rosto. Não deu para desviar.

             Sinaleiro via a sua frente uma figura espectral pulando freneticamente como se fosse um zumbi do outro mundo. Tremeu! Meu Deus! Não gritou, pois Sinaleiro era um Escoteiro de verdade. Um barulho monstro como se o inferno estivesse chegando a terra caiu sobre a floresta. Mil latas explodindo no chão. Uma torrente de água jorrando do céu sem parar, Cafuné foi jogado ao ar preso por um cipó dois metros acima do chão de cabeça para baixo gritando feito um louco e pedindo socorro. Ninguém se entendia, os planos foram por agua abaixo, 30 meninos Escoteiros se encontraram naquela escuridão alguns gritando outros chorando e muitos sendo mortos sem dó e sem piedade...

- Epa! Essa é só uma parte do meu livro: - O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA ILHA DO GAVIÃO NEGRO! Quer ler todas a história? Peça no meu e-mail e recebe em PDF de graça. ferrazosvaldo@bol.com.br. Não peça por aqui. Não vai dar para atender. Só no meu e-mail. E melhor vai junto outras quatro para você viajar no fantástico mundo dos escoteiros. Aguardo seu e-mail.


Nota - Ainda não leu? São cinco livros com histórias narradas de forma simples e direta, mas com uma pitada de aventura que não pode faltar aos escoteiros e chefes. Todas em PDF e gratuito. Histórias eletrizantes onde você vai vibrar com cada uma delas. Contada de maneira simples, e com aquela pitada de quero mais. Peça no meu e-mail e terei prazer em enviar para você! Em PDF. Peça na minha caixa postal ferrazosvaldo@bol.com.br e terei prazer em saber que vai ler. Se vai gostar não sei!

quinta-feira, 29 de março de 2018

Minhas publicações



Olá,
Estou colocando a disposição dos meus amigos escoteiros ou não, quase tudo que escrevi até hoje sobre escotismo. São contos, histórias, artigos, técnicas escoteiras, simbolismo, místicas, temas sobre Baden-Powell e também os meus sonetos de boa noite.  Muitas das publicações não são de minha autoria. Compactei os contos para facilitar a leitura e ter sempre a mão quando quiser ler. Tudo em PDF e sem ônus. Não existe nenhum livro ainda publicado. O sonho persiste. Ficar guardado sem oferecer aos amigos seria um contrassenso do meu lema Servir! Se estiver interessado peça primeiro a Lista dos Blocos pelo meu Imbox ou pelo e-mail para conhecer os títulos oferecidos. Os Blocos são numerados de 01 a 27. Ao receber e fazer o pedido se atenha as instruções na Lista. Fora dela não poderei enviar o pedido. Acredito que todos sabem da minha saúde que me impossibilita ficar além do tempo na internet. Lembre-se é um prazer atender você. Fraternos abraços e Sempre Alerta!
Chefe Osvaldo

Nota – Os que quiserem compartilhar em outros grupos ou páginas fiquem a vontade. Quem sabe tem outros que irão se interessar. Obrigado.

domingo, 18 de março de 2018



Prezados amigos leitores.

Por algum tempo estarei desativando dois blogs que publico minhas postagens de contos e artigos escoteiros. Este é um deles. Devido a problemas de saúde está difícil manter minhas postagens neles. Ainda continuo na luta escrevendo e publicando em dois outros blogs que ficarão na ativa nas publicações diárias.

No blog do Chefe Osvaldo (vado1941.blogspot.com) o mais antigo dos meus blogs estarão os artigos escoteiros e alguns contos interessantes.

No blog as Maravilhosas Histórias Escoteiras – (Historiasescoteiras.blogspot.com/) você poderá ler todas as minhas histórias já publicadas e a publicar.

Se você é um aficionado em conhecer o escotismo na visão de Um Velho Chefe Escoteiro sua participação e leitura será uma honra nos meus dois blogs.

Minhas sinceras desculpas por deixar inativo blogs cuja participação dos leitores eram frequentes.

Fraternos abraços e meu Sempre Alerta!
Chefe Osvaldo Ferraz.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Conversa ao pé do fogo. O que sabemos sobre a EVASÃO escoteira?



Conversa ao pé do fogo.
O que sabemos sobre a EVASÃO escoteira?

                  Todos nós temos um motivo para ter entrado no Movimento Escoteiro. São muitos. Mas acredito que a maioria sonhava um dia colocar em ação seu espírito aventureiro, explorador, acampar em lugares distantes, se embrenhar em uma floresta ou poder um dia ver o nascer ou o por do sol do alto de uma montanha. Uma fantasia que muitos querem realizar.

                   Outros dizem que não é bem assim. Principalmente os adultos. Teriam eles um motivo especial? Dizem alguns que acreditavam um dia poder ajudar na formação da juventude e o escotismo daria esta possibilidade. Outros foram levados pelos filhos. Fico na duvida se foi isso mesmo que o fez entrar nas hostes escoteiras. Queira ou não a filosofia e o método de Baden-Powell tem um enorme charme que atrai aos que buscam algum diferente e no escotismo se completam.

                   O jovem ou a jovem busca seu espírito aventureiro, companheirismo, fazer diferente e descobrir se o que falam do escotismo é verdadeiro. Enquanto participantes alardeiam seu amor pelos acampamentos, suas histórias de aventuras, a fogueira nas noites enluaradas e aquele velho sonho de se tornar um herói. Alguns esquecem a tecnologia moderna dos celulares das telas de cinema ou computador. Momentaneamente deixa seus amigos do bairro e parte para mais esta aventura, uma escolha que um convite o fez pensar diferente.

                   No início a perseverança é companheira. Acreditam que participam de um movimento tão sonhado, persiste sua tenacidade sua garra e a dedicação o mantem ativo por meses, quem sabe anos. Alguns tiveram a sorte de começar sua lide escoteira em um Grupo bem formado, onde se sentiu parte da Grande Família Escoteira. Outros não tiveram essa sorte.

                  É nesta hora que começa a evasão. Os dirigentes, os amigos, a forma de escoteirar não era como pensou. Alguns procuram outra escola escoteira. Outros criam sua própria escola acreditando que agora poderão realizar seus sonhos aventureiros no que acreditam ser tradicional. Se Baden-Powell acreditava que se precisava de pelo menos dez anos para transmitir ao jovem a formação escoteira, hoje isto não acontece mais.

                  Alguns céticos não acreditam que a evasão escoteira é maior do que dizem. Outros sentem na pele que ele próprio se tornou a “evasão”. Há uma performance em dizer que nosso efetivo cresceu. Alguns ressentidos tentam explicar para poucos sua saída. Eles infelizmente não mais serão lembrados. Tornaram-se ausentes. Dizem que chegamos aos cem mil registrados na EB. Nunca ficamos sabemos qual foi o “Turnover” (rotatividade de membros) do ano que passou. Parece um “tabu” e o porquê ficou no passado.

                   Não entendo porque um tema como este não é discutido, pesquisado ou mesmo estudado para ver até onde pode ser estancada esta perversa evasão. Muitos chefes tem sua própria opinião. Escrevem ou comentam sobre o tema sob sua ótica e seu conhecimento. No entanto entra ano sai ano tudo continua como antes. A lógica do porque tem muitos caminhos muitas filigranas. Quando se pergunta sobre os resultados eles não estão à mostra. A sociedade e os meios educacionais de uma maneira geral desconhece o Movimento Escoteiro.

                   Se pensarmos bem ainda estamos na idade da pedra no tratamento com nosso próximo, no respeito, na cidadania e na ética esperada entre irmãos escoteiros. Nossa fraternidade às vezes desencanta o espirito da irmandade que não parece real. Assim o voluntário se sente abandonado em suas tarefas e nem mesmo os cursos satisfazem ou explicam esta maneira de agir.   

                   A “casta” na Unidade Local não tem prestígio, nunca é consultada e ali é o nascedouro de muitas divergências, cujos lideres que poderiam solucionar usam seu poder de chefia e dentro das normas disciplinares tomam medidas que nem sempre são as melhores. Quando se espera um “Salomão” o que vemos é o contrário, quem sabe antipatias já existentes e assim vemos o aumento da evasão. A democracia entre os membros não é abrangente. Uma cortina de fumaça se esconde entre normas e tropeços que nada produzem para evitar evasões.

                    Dizem que fazer “escotismo” hoje no método Bipidiano não é mais possível. As diversas normas criadas, as qualidades desejadas afastam aqueles que gostariam de fazer um escotismo aventureiro. Os cursos não traduzem as atividades aventureiras esperadas e muitas vezes é um amontado de diretrizes educacionais que nada tem a ver com o método de Baden-Powell. O ponto de vista do jovem perdeu-se no emaranhado de normas e diretrizes feitas por adultos.

                   A cada ano não se vê uma preocupação com a evasão escoteira. Tudo mudou dizem os lideres para melhor. Entretanto os resultados repito, não são os melhores. Mesmo com normas disciplinares o poder ainda é realizado por poucos. Se perguntarmos aos que estão saindo cada um tem uma história para contar. Quem sabe os sonhos burlescos de muitos que estão ao nosso lado dizem que o escotismo não foi o que pensaram.

                  Um simples artigo, nada que possa dizer do resultado final. Sei que sem números reais, sem um estudo sério e uma pesquisa em todas as Unidades Locais não vamos acabar com este mal que assola o escotismo Brasileiro. Meu fraterno abraço aqueles que se tornaram uma página da história!

Nota - Há tempos fiz uma serie de artigos sobre o motivo do porque muitos estão deixando o Movimento Escoteiro. A UEB até hoje não tem uma politica participativa e democrática. Não tem pesquisas abrangentes sobre o tema e pelo que eu saiba não comenta sobre a evasão. Os mais próximos a ela sempre tem a mesma resposta. Quando publiquei a série “Eles estão saindo do Escotismo” pela primeira vez foi um dos mais comentados e lidos em sua época. A Escoteiros do Brasil tem sempre “politicamente corretos” na linha de frente para defender, explicando o inexplicável. Uma pena!

segunda-feira, 12 de março de 2018

A história da onça e dos chefes escoteiros



Boa tarde amigos e irmãos escoteiros.
A história da onça e de dois chefes escoteiros.

Eram dois chefes escoteiros Insígnias, dirigentes nacionais, que em uma bela tarde de sábado seguiam para visitar um acampamento. Dia lindo sol de brigadeiro conversavam pouco aproveitando a beleza e o encanto do caminho e das lindas cachoeiras. Estavam inebriados com o chilrear dos pássaros esvoaçantes no céu. Em uma curva da trilha deram de cara com uma enorme onça pintada parada, pronta para bote. Afinal ela estava esfomeada, pois havia dias que não comia.

O Chefe mais esperto se salvou escalando uma árvore e lá ficou olhando o que acontecia. O outro gordinho e sem agilidade sabendo que não ia conseguir se defender da onça e nem escalar uma árvore se jogou ao chão e fingiu-se de morto. A onça se aproximou dele e começou a cheirar sua orelha, mas convencida que o Chefe gordinho estava morto, foi embora.

O Chefe Escoteiro mais esperto desceu da árvore e perguntou: - Chefe! O que a onça estava cochichando em seu ouvido? – Ora meu amigo, ela só me disse para pensar duas vezes antes de sair por aí a acampar com alguém que abandona seus amigos escoteiros na hora do perigo!

Moral da história: - É nesta hora que podemos saber quem são nossos verdadeiros amigos e irmãos escoteiros. E você, faria o que?

terça-feira, 6 de março de 2018

Crônicas de um Chefe Escoteiro. O poder do amor.



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O poder do amor.

            Quem lê ou ouve alguém falar da Filosofia Escoteira, fica estupefato. É linda demais. Juventude unida por um só ideal. Voluntários que fazem de tudo para que esta estupenda ideia de um General Inglês possa dar frutos criando homens e mulheres dentro de um paradigma de amor ao próximo, lealdade, caráter honra e porque não uma ética escoteira em que todos possam viver fraternalmente.

             Muitos vieram dos velhos tempos outros dos novos tempos. Acredito que ambos conhecem a fraternidade, a cortesia e o respeito daqueles que se prontificaram a colaborar. Sem soldo, muitas vezes sem um muito obrigado. Brinco educadamente que o escotismo não tem dono, não pode ter. Ele é universal e o Fundador dizia que seus frutos seriam para manter a paz entre os homens para um mundo melhor.

             Mas eis que apareceram normas, regulamentos, regimentos, leis, roteiros de ação, estatutos, código de conduta e tantas outras para dizer o que cada um pode ou não pode fazer. Não existe mais o salomônico Chefe para mostrar o caminho e sorrindo dizer o que se pode fazer. Antes um escotismo alegre, solto, livre como o vento a correr pelos montes, pelas trilhas desconhecidas procurando um lugar para acampar. Hoje? Tudo mudou. Primeiro as normas, pedido escrito se pode ou não fazer. E claro ter a autorização do Chefe do Poder.

              Se isto fosse feito de uma maneira fraterna, educada, sem o cunho de imposição poderia ainda haver aquele sonho dos meninos correndo pelas matas das cidades sem um adulto ao seu lado para dizer o que fazer. Mas não, sem perceber apareceram os “donos do poder”. E então o escotismo mudou. Alguns chegaram com um sorriso outros arrogantes, ríspidos a dizerem o que é certo e errado, mostrando o artigo, a norma e a lei escrita por eles mesmos pensando que assim seria o certo para dizer onde pisar e escoteirar.

              Não critico normas, leis e o escambal. Precisamos delas na sistemática moderna escoteira onde se perdeu a liberdade de ir e vir e que tinha sim um sabor todo especial. A liberdade da responsabilidade já não é mais a mesma. O confiar na palavra escoteira deixou de existir. Agora se agarra ao artigo tal, a lei tal, a norma diretiva que um bando de lideres acreditou que seria o melhor a fazer.

              Onde foi parar a mística? Aquele sorriso ao correr pelos campos para descobrir o imponderável? Onde foi parar o sonho da descoberta, a mangueira alta sombreada a beira de uma cascata de águas cristalinas para que se possa sorver seu néctar e a sede matar? Tudo agora é norma, é lei, ande reto e não pare a não ser quando eu mandar. Olhe você só vai se cumpriu seu dever se pagou a soma que lhe quiseram cobrar. E dizem que ele o General se vivo fosse faria assim também.

               Mas ainda vejo sorrisos, sonhos, vontade de acertar e caminhar como Caio Martins sempre caminhou. “Com as próprias pernas”. São meninos, meninas que se formam como um punhado de sonhadores a fazer um escotismo que acreditam poder realizar. Ainda temos chefes que fecham os olhos para os adoradores do poder e se metem a sair por aí com um bornal, cheios de fantasia, imaginação, encantamento a procura de um escotismo encantado. Não foi assim que ensinou o General?

              Entristece-me a discussão de normas, regulamentos e o escambal. – Chefe, esta difícil... Não dá para continuar... Não dá? Se todos que são achincalhados e humilhados na sua sina escoteira pensar assim, quando iremos vencer esta batalha para dar aos jovens pelo menos uma parte deles que ainda acreditam na graça, no encanto na grandiosidade de um escotismo que julgam perfeito para fazer? Belo é o escotismo de quem acredita de quem luta e não desiste quando na curva encontram espinhos sem olhar direito e ver rosas formosas mostrando o caminho da felicidade.

             Sei que os donos do poder dificilmente vão mudar. Eles não tem histórias e querem fazer histórias. Qual delas? A do escotismo puro, com cheiro de mato, com trilhas pisadas sem saber aonde vai dar? Pode ser. Mas isto só irá acontecer se ombrear ideias, valores éticos sem dissabores que muitos querem criar. Mas olhe, por favor, não me venha dizer que as normas vieram para ficar! Eu não preciso delas, nunca precisei. Elas sempre existiram na minha maneira escoteira de viver!

Nota – E o velho Chefe sorrindo completou: - Vocês não podem mudar certas circunstâncias ou situações, mas podem adaptar-se a elas sempre, escolhendo a forma do mal menor. Pode não ser o ideal, mas será o melhor. Aproveitem as oportunidades que lhes derem, mesmos que sejam aparentemente pequenas. As grandes árvores vêm de pequeninas sementes. Abraços fraternos.

sábado, 3 de março de 2018

Em volta da fogueira. "Digam aos rapazes da cidade que por cima dos telhados do cinema, existem estrelas no céu." BP.



Em volta da fogueira.
"Digam aos rapazes da cidade que por cima dos telhados do cinema, existem estrelas no céu." BP.

                   Um dia me perguntaram o que o escotismo tem que as outras associações de jovens não têm. – Simples meu amigo, respondi: - Mística simbolismo e tradição. É isso mesmo? Comentam que os jovens de hoje tem outras preocupações, são mais pragmáticos, querem respostas e não são muitos afoitos a contar estrelas no céu. Costumo dizer que o escotismo não é para qualquer um, é para os jovens que ainda tem espírito de aventura e querem descobrir o que tem além do telhado do cinema: - As estrelas que estão no céu!

                  Se você não sonha, se não tem aquela vontade de ser um herói, não quer desbravar lugares nunca explorados, não tem o espirito aventureiro de sozinho ou em grupo marchar nas trilhas que ainda existem nas florestas, nas montanhas, na descoberta de uma cascata, de um Pinheiro enorme e saber que ele tem mais de cem anos, então acredito que o escotismo não é para você. E preciso que seu sangue tenha o vermelho para dizer: - Somos irmãos... Tu e eu!

                 Veja o Pata Tenra na sua alcateia. Sonha com a promessa, mas fica boquiaberto com o Grande Uivo. Grande Uivo? É... Veja seu olhar, seus olhos piscantes, a vontade de estar ali, mas sabe que tem de crescer e aprender para ter este direito. Tente entender seu olhar quando parte para o acantonamento. Sua mãe preocupada e ele sorrindo. E quando ver os marrecos no lago, o beija flor no jardim, o vento forte a soprar não tem nada no mundo que possa substituir o seu sorriso de quem já se sente um Mowgly na Floresta.

                Em uma Patrulha, menino ou ela menina, sonhando em vestir um uniforme, em jurar a bandeira, sente o orgulho de pertencer àquela união que nunca será esquecida. Armar uma barraca, passar uma noite no campo, seguir a trilha para ver o sol se pôr são fatos marcantes que nunca vai esquecer. E quando chegar lá nos seniores, alguém dizer: - Moçada! A bandeira em saudação! Que orgulho, ver o farfalhar da bandeira no vento, no alto daquela montanha sendo por todos saudada...

               Procure meu amigo alguém ou alguma organização que possa ter um passado como o escotismo. Se tem alguém com uma recordação de Brownsea, de “Gilwell Park”, com um aperto de mão, com uma saudação, com um chapelão e um lenço todos cheios de tradições e místicas. Tente entender o aprender fazendo, a fraternidade e o melhor uma Lei e uma Promessa não obrigatória, que se diz: - Fazer o melhor possível para cumprir!

               Mas agora pule para o voluntário. Tão afoito de ajudar esquece-se dos seus amigos, de sua família, de seus parentes para esta estar lá, junto à juventude, acreditando que pode ajudar... Ele também tem seu “pedaço” de mística, um anel trançado, um lenço costurado com um pano dos Mac Laren. O famoso lenço de Gilwell ficou na história. O Tartan da família Maclarem será para sempre lembrado. E não ficou por aí, tem o cordão de couro, copiado de um presente de um antigo Chefe Zulu. “Diz à lenda que seu portador atrai boa sorte”.

                As contas do Colar de Dinizulu um Chefe guerreiro será um marco lembrado por toda a vida escoteira. Mística, simbolismo e tradições. Um marco do Escotismo que poucos ou poucas outras associações de jovens podem ter. Tivemos a sorte de que um homem simples que criou um movimento sem igual. Simples sim, nunca pensou em ser o melhor. Um homem que nos primórdios do escotismo nunca foi um diretor de curso e nem dirigiu nenhum deles em Gilwell Park. Não tinha sonhos de formador e sim de educador.

                Hoje muitos dizem que o escotismo mudou. Engano, o escotismo nunca vai mudar. Sua características seu simbolismo suas místicas e tradições se manterão para sempre. Tudo isso se perpetuará por todas as gerações escoteiras. Nossas tradições nunca serão apagadas, a principal dela é Baden-Powell, um homem com uma visão muito além do seu tempo e que nunca será esquecido.

"Digam aos rapazes da cidade que por cima dos telhados do cinema, existem estrelas no céu." BP. Ah! Escotismo. Que marca que vira um vício gostoso de se fazer, que fazem homens mulheres e jovens dançar as mais fantásticas danças da Jângal ou das noites enluaradas em volta da fogueira com as mãos entrelaçadas acreditando em um mundo melhor. Um movimento sem igual, com uma fraternidade onde se passaram mais de quinhentos milhões de jovens e adultos pelas suas trilhas.

Nota – Só o escotismo pode criar a maior fraternidade de jovens no mundo. – Pensem como BP. Porque foi ele quem disse que “Deus nos colocou nesta vida para sermos felizes. – Não se contente com o que, mas consiga descobrir o porquê e como”! – Faça escotismo, ame seu próximo e acredite se um dia passou pelas sendas do escotismo ele vai existir para sempre dentro de você!