Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Um novo blog

  
Amigos leitores


INTRODUÇÃO

É bom ter mais um blog na ativa. Bom porque mais informações e entretenimento são disponibilizados a todos os amigos e amigas que nos visitam.
Não só eu, mas muito de nós tem em seu coração a vivência Escoteira. É isso que nos faz uma nação de abnegados que não se descuidam um só instante de suas atividades escoteiras ou mesmo na ajuda ao próximo.
Os artigos e contos aqui publicados falam sobre isto. Em outros me meto em uma seara não muito simpática que é a de discordar de tantas e tantas “lambanças” (risos) que nossos dirigentes escoteiros fazem (em meu modo de pensar é claro).
Se pudesse estaria na lida como todos. Como é bom estar lá junto aos jovens, vendo seus olhares, seus sorrisos e suas indagações. Isto é que me fez estar até hoje vivendo a cada dia a cada minuto o escotismo. Nem tudo é como antes. Saúde e idade me impedem de estar lá com eles.
Mas aqui, não só na memória, escrevo e tento ao meu modo de pseudo escritor, deixar para os meus amigos leitores situações agradáveis, simpáticas, aventureiras que vivi no escotismo e que de algum modo pode ajudar nosso movimento a crescer e ser forte em qualidade e em quantidade. Assim é que vou vivendo o escotismo. 
Sejam bem vindos, e como digo sempre é para mim uma honra ter amigos que nunca vi e quem sabe nunca os verei, mas os tenho todos no meu coração.
Saboreiem cada artigo ou o condenem. Não importa. Só ter voces aqui me faz feliz, muito mesmo, obrigado!

COLOQUEM SUA MOCHILA, CANTEM UMA CANÇÃO E VAMOS TODOS JUNTOS A FAZER O ESCOTISMO QUE TANTOS SONHAMOS.


Osvaldo um escoteiro  


O "Velho" e saudoso bastão Escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
O "Velho" e saudoso bastão Escoteiro.

                      Tenho lido aqui comentários a respeito do bastão Escoteiro. Interessante. Já há tempos foi abolido. Quem comenta mais são os saudosistas. Eu entre eles. Agora que não existe mais ainda bem que sobrou o bastão da Patrulha, claro sem ele como usar totem? Tenho receio que também vão aboli-lo. Eles fazem tantas coisas que não duvido nada. Não digo que não usaria de novo. Mas porque não? Para dizer a verdade eu usaria sim. Mas concordo com o que dizem. Um trambolho para levar e trazer do acampamento e muitos que não estão acostumados irão esquecê-lo em qualquer encruzilhada de uma aventura, acampamento, ou seja, lá o que for. Sei que outros dizem ser ele um instrumento agressivo e militarizado. É possível, pois eu mesmo já quis dar umas bastonadas na cabeça de alguns dirigentes. Brincando, sou um Escoteiro de paz. Risos. Mas meus amigos, sempre disse que tudo é uma questão de costume. Hábito de comportamento. Eu quando jovem nunca fiquei sem o meu. Eu mesmo o fiz. Calmamente sem pressa. Escolhi de um pé de goiabeira e ele durou muitos anos. Mesmo passando para os seniores eu ainda o usava, apesar de que nesta sessão praticamente ninguém nunca o usou. A Patrulha sabia reconhecer um bom bastão escoteiro. Ele contava a história de seu dono. Seu tempo de atividade, seu crescimento técnico, suas etapas, seus acampamentos. Mil coisas. Lembro que até o meu Insígnia de Escoteiros todos os alunos ainda usavam o bastão.

                     Mas o bastão queira ou não tinha mil e uma utilidades. Abrir picadas em matas, se defender de animais peçonhentos, e olhe importantíssimo em trilhas desfeitas para fazer barulho e espantar alguma cobra no caminho. Elas correm com o barulho. Ele era imprescindível em jogos, serviam como escada para elevar um Escoteiro em uma árvore alta, na montagem de campo e claro nunca esquecer suas mil e uma utilidades nos casos de emergências: - Uma torção do pé, alguma dor na coxa e se necessário se transformar em uma maca rapidamente com duas camisas. Sabe o que fazia nos Grupos Escoteiros que dei minha colaboração? Todos quando chegavam ao campo faziam seu bastão Escoteiro e ficavam com ele durante toda a duração do acampamento. Fácil de fazer. Medidas? Altura até o ombro, uma circunferência do dedo indicador e polegar em forma de O, e pronto você tem seu bastão escoteiro. Escolher uma madeira boa nem sempre é possível. Mas você deve lembrar aos escoteiros que ele deve aguentar seu peso, e não deve ser pesado para que fique fácil seu manuseio. Dependendo do bambu ele pode ser usado sem sombra de dúvida. Claro que ao terminar o acampamento ele seria descartado.

                    Muitos não gostavam. Escolheram tanto e agora jogar fora? Não dava para pegar ônibus urbano, mochila, sacos de intendência e bastão. Mas sempre dávamos um jeito. Lembro-me que qualquer Escoteiro sabia como usar. Quando estavam em forma, em posição de alerta (sentido), descansar ou saudando a chefia e a bandeira e andar em marcha de estrada. Até hoje gosto de ver um Monitor ou sub. passando o bastão para o outro. Uma cerimonia linda e que todos orgulhavam. Não sem se ainda fazem assim. Mudou-se tanto! E quer saber? É incrivelmente ante escoteiro arrastar o bastão em marcha de estrada ou na sede.

                Mas convenhamos que hoje ele seja supérfluo. Quem o dispensou eu não sei, mas devem ter feito uma grande pesquisa nacional com os escoteiros para acabar com ele. Nossos dirigentes sempre fazem quando querem mudar. E penso que todos concordaram. Aos poucos vão retirando muitas coisas do nosso passado. Acredito que os jovens agora pensam de maneira diferente. Tenho que concordar. Para que bastão se a mão está ocupada com um celular ou um laptop? Nossos dirigentes devem saber o que fazem. Mas acreditem, quando vejo uma foto de outros países ou mesmo aqui do nosso, onde os meninos estão de bastão fico orgulhoso. Dei boas gargalhadas quando alguém me disse que BP colocou o bastão para lembrar o fuzil do exército, pois ele sempre viu todos como futuros soldadinhos. Risos. Dizem tanto sobre BP. Meu amigo BP! Falam tanto sobre ele que até esqueço se foi verdade mesmo que existiu. Com os novos Baden Powell que existem por aí a modernidade vai superar o passado sem sombra de dúvida. Acredito que estes em breve serão aclamados por todo o território nacional como os precursores de um escotismo moderno. Viva os novos Baden Powell da liderança nacional. Sem sombra de dúvidas eles são mais modernos mais atuais. Fazendo um escotismo forte e vigoroso. Orgulho da nova geração. E serão lembrados para sempre!


                Um dia vou por aí a vaguear e se achar um belo bastão e eu o trarei comigo. O meu não tenho mais. E este se achar vai ficar em lugar de honra em minha casa. Irei colocar nele tudo que fiz e que ganhei na minha vida Escoteira. Mas isto não deve interessar a ninguém. Não mesmo. Existem outras situações mais importantes para preocuparem. É melhor deixar com os antigos as recordações. São coisas de “Velhos” escoteiros rabugentos e suas manias. Risos.

sábado, 30 de agosto de 2014

Meu nome é Osvaldo... Um Escoteiro!


Meu nome é Osvaldo... Um Escoteiro!

        Muitos sabem pouco sobre mim. Afinal mesmo colocando minhas fotos e se assim o faço é para mostrar que devemos levar a sério nosso uniforme, pois ele significa muito para que saibam quem somos. Mesmo com meus contos quase não comento minha vida escoteira e o que sou. Alguns mais antigos conhecem este Chefe que não difere nada de milhares que existem no movimento Escoteiro. Desculpe, mas alguns estão dizendo que sou uma lenda viva, eu? Impossível. Lendas são narrativas “fantasiosas” transmitidas pela tradição oral através dos tempos. Não sou lenda. Nunca fui. Meu escotismo é jogado aberto e sem censuras, talvez seja este um motivo de me considerar uma oposição ao escotismo moderno. Para mim nem BP foi uma lenda. Ele existiu, foi real, fez o que ninguém fez pela juventude com um programa fácil de assimilar e que hoje estão tentando complicar.

      Estou com 73 anos, entrei em 1947 há quase 67 anos, portanto se eu não conhecesse o escotismo não deveria estar aqui. Mas olhe meu escotismo como dizem por aí foi aquele de “raiz”. Aquele que o jovem pensava e agia. Onde os chefes eram mais irmãos e menos pais. Onde os jovens sorriam quando fazíamos e não como hoje que muitos ainda querem fazer. Onde o respeito, a palavra, o exemplo e a sinceridade faziam parte de nossa formação. Acampei demais, atividades aventureiras sem fim. Não dei a volta ao mundo, mas conheci lugares lindos para ver e sentir que a vida vale a pena ser vivida. Não fiquei rico com o escotismo, até fiquei mais pobre e hoje no fim da vida luto com extrema dificuldade, mas sou feliz ao meu modo, muito feliz. Não sou doutor ou formado em Faculdade ou Universidade e meus conhecimentos foram adquiridos na Escola da Vida. Acreditava e acredito que o escotismo é para todos e não para uma classe privilegiada como o escotismo está caminhando hoje. Não adoto a postura que nossos dirigentes mantêm. Consideram-se sem perceber uma casta. Aquela que pertencem tem tudo e os que não pertencem não tem nada, há não ser ouvir e concordar com os poderosos.

      Eu também já fui desta casta. Fui Presidente de uma região escoteira que na época era chamado de Comissário Regional. Eu fui em MG e SP membro da equipe de formação antes chamada de equipe Nacional de Adestramento. Dirigi centenas de cursos. Aprendi mais que ensinei. De um simples Chefe de sessão eu vivi grandes momentos. Mas por favor, dizer que sou uma lenda viva? Nunca fui e nunca serei. Acho que foi o Paulo Coelho quem escreveu em seu livro o Alquimista que a lenda pessoal é aquilo que você sempre desejou fazer. Todas as pessoas, no começo da juventude, sabem qual a sua lenda pessoal. Nesta altura da minha vida vivo de sonhos e recordar o passado, entretanto à medida que o tempo vai passando, uma misteriosa força tenta provar que é impossível realizar o sonho da lenda Pessoal.

     Não gosto de cara feia e sei que não sou bonito. No passado assustava os jovens pela minha maneira de ser. Demorava em mostrar que o meu coração era aberto a todos e não havia nenhum sinal de caminho a evitar. Fiz milhares de amigos, tinha facilidade para arregimentar adultos a trabalharem pelo escotismo, mas sempre fui contra os chefões, os que se sentem acima do bem e do mal no escotismo e hoje estamos cheios deles. Aqueles que sem consulta se arrogam como dono da verdade. Sem ao menos pesquisar impõe normas e apetrechos que nada tem a ver com o escotismo alegre e solto que BP nos deixou. Se quiserem mesmo saber não faço registro na UEB há anos. Motivo? Evitar conchavos, evitar admoestações, evitar tomar atitudes que um Velho Escoteiro que se julga ético e cavalheiro possa tomar.

         Poderia ter fundado a minha própria organização escoteira, mas isto seria trair a minha consciência, pois entrei como lobo pertencendo a UEB e quero morrer sendo da UEB, mas sem ser um simples “pau mandado”, onde o mote é dizer que se não está satisfeito vá a assembleia, lá é o lugar certo para discordar. Ou então se não quer pertencer ou cumprir o sétimo artigo da lei, cala-te ou pegue seu chapéu e vá embora. Aceito as outras organizações escoteiras que existem no Brasil. Os considero irmãos de ideal.  É um direito de eles discordarem e viverem o ideal de BP como acreditam. Isto se chama democracia. Quero ter o direito de discordar, de sugerir (e isto sempre fiz) sem criar inimigos. Conheço inúmeros casos em regiões que muitos foram perseguidos por discordarem. Sei de um caso que no grupo onde um Chefe recebeu o comunicado pessoal de exclusão do movimento quando do cerimonial de bandeira. Um absurdo!

       Não acuso os dirigentes de hoje a não ser de nunca terem feito na liderança uma democracia participativa, uma democracia plena, aberta e transparente sem limites conforme o direito universal do homem. Para mim chega de ver a prepotência de alguns (não todos) onde os que estão fora se querem algum têm de ir atrás. Parece o Gansinho descrito do livro de BP O Caminho Para o Sucesso. Por favor, nunca me digam que posso sugerir e participar e nem tampouco que devemos aceitar em nome dos nossos jovens. Isto para mim é um insulto, pois sei muito bem como se rege e funcionam os Estatutos da UEB. Um estatuto que não foi discutido por todos os grupos Escoteiros. Impossível? Só para os que não querem pensar. Não tenho mesmo registro e nem Grupo Escoteiro. Este último é impossível, pois minha saúde não deixa. Enquanto pude tive o orgulho de participar de cinco grupos e no último provei que do zero aos 180 participantes era questão de tempo. Os lideres que sempre combati cavalheirescamente desde a década de 60 nada diferem dos de hoje. Ouve claro, exceções onde grandes homens escoteiros participaram da liderança nacional.

         Portanto meus amigos eu não sou um suprassumo na especialidade escoteira e nunca serei uma lenda imortal. Eu sou o Osvaldo um Escoteiro, o contador de causos e história, mas que conhece nosso movimento como ninguém. Até os últimos dias na terra irei lutar dentro dos meios que disponho (a facilidade da escrita) e tentar até meu último suspiro dizer que o escotismo é lindo, que o amor que ele poderia reger sobre a terra não tem tamanho para medir. Sempre direi a todos que um sorriso vale mais que mil palavras, dizer que ser amigo e irmão de todos são ponto de honra, e dizer ainda a todos sem exceção que abraçaram a causa, seja ela onde for merece que tiremos o chapéu (pobre chapéu que um dia nos representou tão bem) e digamos: A fraternidade é uma só, ser fraterno com alguns e outros não, não faz parte do que BP nos legou. Meu sonho é que seja feito uma nova mentalidade na arte de fazer o escotismo. Democracia, ética, respeito, fraternidade e respeitar a opinião de todos que dele participam! E olhe mesmo dizendo que se não tenho registro não tenho direitos, eu digo que sou Escoteiro e ninguém, ninguém mesmo vai dizer que não sou!


Sempre alerta! 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

AS MARAVILHOSAS HISTÓRIAS ESCOTEIRAS III.


AS MARAVILHOSAS HISTÓRIAS ESCOTEIRAS III.

Aos meus amigos e amigas leitores deste blog. Agora vocês terão oportunidade de ter em seus arquivos, um livro só de histórias Escoteiras. Três semanas separando, lendo, comparando e finalmente escolhi 31 espetaculares histórias Escoteiras para o meu novo livro de histórias. Ficou pronto hoje. Histórias escolhidas a dedo. Só as mais lidas mais curtidas e mais comentadas do Facebook e dos meus blogs. Não faltaram seis histórias inéditas ainda não publicadas. 89 páginas de puro deleite e viagens fantásticas no mundo maravilhoso dos Escoteiros. Primeiro tivemos as Maravilhosas Histórias Escoteiras I, depois as Maravilhosas Histórias Escoteiras II e esta última bateu todos os recordes de envio por e-mail. Esta terceira eu tenho certeza que vai agradar a todos participantes do Movimento Escoteiro. Do lobinho ao Chefe, da Escoteira a pioneira. Claro pode agradar também aos nossos dirigentes... Quem sabe?

Agora se você quiser ter o seu exemplar em PDF é só ir lá ao meu e-mail e pedir. Prometo enviar no mesmo dia. Opa! É gratuito. Você não paga nada, mas olhe não peça e não deixe seu e-mail aqui. Não dá para atender você assim. Vamos lá, aguardo seu pedido. Se não gostar reclame com Baden-Powell, ele é o culpado, pois juntamente com Deus me fez um Escoteiro!


elioso@terra.com.br repetindo elioso@terra.com.br

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

As exéquias do Bagre Limoeiro.


Saudades não tem idade.
As exéquias do Bagre Limoeiro.

        Sempre gostei de acampar sozinho. Estar lá em plena floresta ou um vale qualquer, sem barulho, sem conversas e claro sem desmerecer as inúmeras companhias de milhares de amigos em acampamentos por anos e anos, para mim sempre foi motivo de doce deleite. Quem já teve o privilegio de acampar sozinho deve saber como é. Ter a companhia dos pássaros, aprender com eles seu gorjear, ver suas moradas e sem barulho quando estão em bandos, seguir a pista de um quati, de um Tatu Canastra, fazer amizade com um Lobo Guará, e deitar próximo a uma cascata de um pequeno riacho para ouvir o som inigualável das águas borbulhantes, é simplesmente inesquecível. E a noite? Um espetáculo a parte. O som da floresta, dos habitantes noturnos com seu cantar alegre, quem sabe uma coruja Buraqueira de olhos grandes a olhar você como a dizer - O que vem fazer aqui no meu lar? E as estrelas. Ah! As estrelas. Ficar horas e horas vendo o movimento delas, ser surpreendido com um cometa azul que passa riscando os céus ou mesmo com o delicioso cair do orvalho, a molhar seu rosto de uma forma carinhosa e simpática.
  
      Desde Sênior que fazia isto. Hoje não mais. Minhas pernas resolveram aposentar e minhas forças costumam me dar um adeus sem horas para voltar. Mas fiz muitos. Pelo menos dois por ano lá ia eu para os meus “cantos” de laser. Acho que o último deve ter sido há uns vinte anos atrás. Eu tinha ou acho que ainda tenho quatro locais lindos. Os meus preferidos. Achava melhor que ir desbravar locais inóspitos a não ser em boa companhia de bons acampadores. A Represa do Gavião era ideal. Uma bela mata, um bom gramado, muitos pés de bambus e peixes e o melhor de difícil acesso. E como tinha peixes meu Deus! Bastava levar um quilo de sal, uma meia lata de óleo, açúcar, café, um ou dois Bombril, um facão, uma faca (a minha que tenho desde os doze anos), uma machadinha, uma manta uma muda de roupa e mais nada. Se fizesse frio nada que um Fogo Espelho não resolvesse. E se chovesse deixe a chuva cair que faz bem a saúde e a mente. O cheiro da terra molhada é de deixar qualquer um inebriado. Aonde ia a comida era farta. Goiabas, jabuticabas, mamões verdes ou maduros, maxixes, maracujás, pés de taioba, de mandioca, batata doce e peixe. Uma quantidade imensa. Precisava de mais?

       Precisava voltar a Represa do Gavião. Na ultima vez que lá estive, pesquei um enorme bagre cinzento. Grande mesmo. Demorou para tirar do anzol. Foi então que ele olhou para mim e como a dizer o que ninguém entenderia, me pediu com aqueles olhos chorosos a devolvê-lo as águas da represa. – Eu tenho mulher e filhos Escoteiro! Meu coração partiu de dó. Sem pestanejar o coloquei de novo na água escura da represa. Já tinha pego uma traíra que nada me pediu a não ser tentar dar uma mordida em minhas mãos. Ao colocar o bagre na água, ele sumiu no remanso escuro da noite. No dia seguinte à tarde fui pescar uns lambaris para a janta. Seria sopa de maxixe, mandioca e batata doce com pedaços suculentos de lambaris fritos. E não é que o danado do Bagre estava lá, a nadar e pular como a dizer: Obrigado, muito obrigado. Agora você é meu amigo. Estava com seis limões que tinha achado um pouco acima da represa próximo a cascata do Arco Iris e o apelidei de Bagre Limoeiro.

         No dia seguinte fui lá para cumprimentar o meu amigo Limoeiro. Ou melhor, o Bagre. Estava na beirada da represa, preso entre ramos e morto. Incrível! Ontem estava bem e hoje assim? O peguei e ele piscou os olhos pela última vez. Pensei que iria sentir falta dele quando ali voltasse. Resolvi enterrá-lo na beira da represa. Deixar para que outros peixes o comessem não seria certo. Um pequeno buraco, folhas diversas e o coloquei lá dizendo adeus. Fiquei triste e preocupado. Será que fui o culpado? Ele não tinha ficado tanto tempo fora da água. Mas fazer o que? À tardinha voltei ao meu local favorito de pesca e não é que lá estavam um enorme bagre e mais seis bagrinhos? Esposa e filhos do Bagre Limoeiro? Não sei, mas brincavam sem medo de mim na superfície da água.


         Eu sinto falta de muitas coisas que fiz no passado. Muitas mesmo. Falta dos bons acampamentos, dos bons desfiles, de minha corneta favorita, do meu bastão de guia, dos grandiosos Fogo de Conselho em varias partes do Brasil e algumas no exterior. Falta dos amigos que se foram, das caminhadas, das incríveis jornadas ciclísticas, dos deliciosos momentos de deleite quando ribombavam trovões e raios em um acampamento. Eram meus momentos favoritos. Adoro a chuva. Mas saudades mesmo eu sinto dos meus acampamentos a Escoteira (aquele que anda só). Dizem que saudades não tem idade e não são apenas lembranças. É como se estivéssemos lá fazendo tudo de novo. E eu com minhas saudades na minha cadeira favorita na varanda do meu lar, vendo o entardecer de um sol que já se foi só tenho a agradecer a Deus pelos momentos felizes que passei no Movimento Escoteiro. Belos momentos a sós junto à natureza. Acho que valeu e se valeu eim?

sábado, 23 de agosto de 2014

O Chefe Escoteiro de lua Verde.


Lendas escoteiras.
O Chefe Escoteiro de lua Verde.

                     Três patrulhas. A quarta só no ano seguinte. Tropa nova, com menos de seis meses de atividade. O Chefe Galício era novo, menos de vinte e três anos. Resolveu um dia ser Escoteiro. Nunca foi. Achou nos guardados do seu pai um livro chamado Escotismo Para Rapazes de Baden Powell o fundador. Leu em uma noite. Gostou. Seu pai quase não falava. Vivia em uma cadeira de rodas. A mãe morrera há anos. Ele ó arrimo da família. Sempre pensou em ir embora de Lua Verde. Só conseguiu terminar o segundo grau. Cidade pequena, menos de dez mil habitantes. Sem perspectivas de crescimento profissional. Não podia deixar seu pai. Para sobreviverem ele montou uma quitanda. Pequena. Na frente de sua casa para não pagar aluguel. Algumas verduras, frutas, doces, e quando pode comprar uma geladeira, refrigerantes e algumas guloseimas geladas. Dava para seguir adiante a cada mês. O “fiado” era a parte mais difícil. Como negar ao Seu Romerildo? A Dona Eufrásia e a tantos outros? Eram como ele. Nem sabiam o que iam comer amanhã.

                    Depois que leu o livro o releu diversas vezes, pensou com seus botões. - Porque não ter uma tropa Escoteira? E assim fez. Mãos a obra. Convidar meninos foi fácil, a sede também não foi difícil. Ficaram num pequeno porão da Igreja Matriz. Mas Galício não entendia nada. Começou assim na raça, nem sabia que existia autorização, alguém responsável acima dele. Ele e os Raposas, os Tigres e os Leões eram os escoteiros mais felizes do mundo. Amigos, irmãos, juntos sempre. Quando os viam pela cidade a correr pelos campos, parecia um bando de meninos loucos a fazerem suas aventuras fantásticas. Galício adorava. Um dia recebeu uma carta. Era do Grande Chefe Escoteiro da Capital. O convidava para um curso. Todas as despesas pagas. Porque não ir? A quitanda deixou na mão de Quinzinho e Marquinho. Dois Monitores que sempre o ajudavam nos sábados quando a quitanda estava cheia.

                   Partiu de trem para a capital. Quinze horas de viagem. Na chegada se informou onde era o Zoológico. Pegou o bonde. Desceu no final e dai seguiu a pé. Eram mais seis quilômetros. Nada que assustasse Galício. Quando chegou viu muitos chefes. Bastante. Gostou do curso. Não gostou de alguns. Prepotentes, vaidosos, cheios de importância. Porque perguntava? Aprendeu muito. Resolveu que devia ter uma Alcatéia. Mas quem convidar? No trem quando retornava pensava a respeito. Uma jovem morena sentou ao seu lado. Galício teve duas namoradas. Pouco tempo com elas. Nunca pensou em casar. Novo. Agora com seu pai entrevado não tinha esse direito. Ela o olhou de cabeça baixa. Galício viu que chorava. – Por quê? Perguntou. Ela não respondeu. Acordou com ela dormindo em seu ombro. Reparou que era muito bonita, mas tinha o olhar envelhecido por uma vida de lutas.

                    Toda a viagem ela chorava. Galício insistiu. Ela nada dizia. Só disse que deveria ter morrido e Deus quis assim. Que seja. - Vai para onde? Sem destino respondia – Sem destino? Não tem amigos, parentes, nada? Não tenho. Quando chegou à estação de Lua Verde tinha resolvido. Desça comigo. Ficará uns dias em minha casa. Ela assustou – Descer? E sua família? Não se preocupe. Uns dias em Lua Verde você irá colocar a cabeça no lugar e saberá aonde ir e o que fazer. Ela desceu. A cidade inteira na janela vendo Galício e a bela morena. Quem era? Ele casou? Ele não disse nada. Sua vida continuou. Seu pai nem perguntou. Os escoteiros nada disseram. Sua vida mudou. Lena era uma mulher perfeita. Cuidava da casa. Fazia tudo. Seu pai tinha os olhos brilhando quando estava ao seu lado. A cidade inteira comentando. E a Tropa? Alguns pais querendo tirar os filhos. Os comentários não eram bons. Uma mulher da vida, só podia ser.

                   Galício resolveu casar com Lena. Ela disse não. Por quê? Você não tem ninguém. – Ela chorando disse que ia contar a verdade. Era mulher de vida na capital. Gostava de um soldado. Ele prometeu casar com ela. Morreu em tiroteio com bandidos. Chorou muito e o pior. Tinha AIDS. Sim, isto mesmo! Ainda em fase inicial.  Galício manteve seu pedido. Não importa. Quero você como minha mulher. Casaram-se na Igreja de São Judas Tadeu. Cerimônia simples. Ele uma vizinha e as três patrulhas escoteiras. Casou de uniforme. Ela feliz. Sorria. Viveram muitos anos. Lena se tornou Akelá. Os lobinhos adoravam sua Chefe. Galício e Lena nunca fizeram sexo. O amor dos dois eram diferentes. Lena morreu com quarenta e oito anos. Seu velório foi assistido por toda a cidade. Dizem que virou santa. Não sei. Mas seus lobinhos hoje homens feitos nunca esqueceram a Chefe que tiveram. Galício chorou por muitos anos. Morreu com sessenta e quatro anos.


                  Conheci ambos. Sempre quando vou a Lua Verde não deixo de fazer uma visita ao tumulo dos dois. Lado a lado. Escreveram uma lápide simples. Nem sei quem escreveu. – “Aqui jaz, dois amantes que nunca foram. Amaram o escotismo e com ele viverão para sempre no céu!”.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Adoro lavar panelas no acampamento. E quem não gosta? Rsrsrsrs.


Conversa ao pé do fogo.
Adoro lavar panelas no acampamento. E quem não gosta? Rsrsrsrs.

¶No acampamento, o nosso tormento,
é ter que usar PANELAS.
Pois o alimento requer cozimento,
e ao fogo vão as PANELAS¶.

         Dizem e eu assino embaixo que o escotismo é maravilhoso. Disse também nosso líder que escotismo se faz no campo e o acampamento é o melhor meio para ensinar honra ética e formar caráter. Perfeito. Tem aqueles que adoram um grande jogo, outros amam fazer uma bela pioneira. E aqueles que se sentem bem com uma lauta refeição no campo. São coisas que marcam principalmente o Fogo do Conselho. Mas meus amigos, e lavar panelas quem gosta? Dei uma olhada no filme da minha vida Escoteira. Consultei amigos daquela época, fiz uma pesquisa tipo as da UEB em Grupos Escoteiros e a conclusão? – Ninguém, mas ninguém mesmo gosta de lavar panelas. Soube de um Escoteiro novato que gostava e até hoje faz terapia de grupo com um Psiquiatra. Mas por que não gostam? Elas não são importantes? Porque os chefes são tão exigentes na limpeza das panelas? Afinal em cada casa os Escoteiros sabem que não fazem isto. A mamãe ou a empregada que se virem.

¶Lá o carvão e a fumaça,
põe tisna no caldeirão.
Dentro se é macarrão,
fica um grude que não sai não¶.

         Eu gostava de cantar o hino do Ajuri Nacional do Rio de Janeiro. Tinha uma estrofe que dizia – ¶ Se ele é gaúcho, você do Amazonas, debaixo das lonas são todos irmãos, qualquer cor ou classe, qualquer raça ou credo lavando as panelas são todos irmãos¶. Arre! É isto mesmo? Lavar panelas para sermos irmãos? Rsrsrs. Sei que cada um entendeu. Afinal pegar as sebentas e agachar em um riacho ou ficar curvados em um tanque, limpando, esfregando aquelas negras queimadas, nojentas, sebentas, pára muitos é um horror. Imagine os novatos pata tenra. Já vi alguns deles gritarem – Deixa que eu lavo! E dá aquele sorriso que todos nós conhecemos – Todos os outros da patrulha batem palmas. Coitado, nem sabia o que estava dizendo. Era terminar e o Monitor dizer – Limpas? Faz favor Escoteiro, toma vergonha na cara e lave direito! Depois quando o noviço Pata-tenra crescia na patrulha ele chegava à conclusão que já tinha direito de escolher e falar sim ou não, e o bom nisto tudo é que sempre havia um novato chegando. Panela nele!

¶Foi-se o alimento, chegou o momento,
de ter que lavar, PANELAS.
Negras, queimadas, nojentas, sebentas,
nas mãos, nos dão as PANELAS¶.

              Não esqueço o dia que o Pinta Silgo da Patrulha Coruja chegou correndo na casa do Jaci Cata Prego, Monitor da patrulha e disse para ele: - Monitor! Monitor! Acabou o suplicio. – Porque respondeu Jaci Cata Prego – Elas estão sendo aceitas. – Elas quem? As meninas Monitor, as meninas. Agora a função é delas, afinal sempre foi. Não é a mamãe, a titia a vovô quem lavam? Melhor que elas comecem agora desde cedo para aprender! Bem nem todas as patrulhas e patrulheiros são revoltados em lavar panelas. Eu mesmo em cursos Escoteiros sorria azedamente quando lavava panelas só para demonstrar meu espírito Escoteiro. Putz! Que idiotice! Mas pense bem, se você é menino e entrou em uma patrulha, viu que as panelas eram poucas logo pediu a sua mãe para doar uma. Qual ela vai escolher? Claro, as amassadas, as mais negras e as mais sebentas. Elas existem em sua casa? Em principio você nunca prestou atenção, mas cuidado quando pedir uma doação.

¶Chega à chefia no meio dia,
para inspecionar, PANELAS.
E os escoteiros respondem fagueiros,
não existem mais, PANELAS¶.

          Sei que existem exceções. Conheci um grupo que de tão podre de rico levava senhoras contratadas para lavar as panelas. Quem pode, pode quem não pode se sacode! E tem aqueles que lutaram para arrumar um dinheirinho e compraram aqueles famosos conjuntos de panelas. Uma cabia dentro da outra. Beleza. Mas no segundo acampamento não se encaixavam mais. Que houve? – Ficaram amaçadas, pretas, sebentas e puxa vida agora eram sucatas! Rsrsrs. Bem falando em exceções encontrei patrulhas excelentes, com panelas brilhando e fazia gosto fazer a inspeção na sua intendência. Eram poucas é verdade. Observando quase todos da mesma idade, com o mesmo conhecimento técnico Escoteiro, cada um mais experiente que o outro, enfim patrulha que sempre pensamos em ter em nossos grupos. Como ali só havia mateiros sabidos, ou todos lavavam juntos ou ninguém lavava nada. E sem essa do Monitor mandar e ficar numa boa.

¶Lá o carvão e a fumaça, põe. . .

           Estou sabendo que no escotismo moderno isto não vai mais existir. Agora é pedir uma “quentinha” e elas chegam rapidamente. Um bifinho, um arrozinho, um feijãozinho, um tomatinho e dois pedacinhos de batata frita e pronto. Dizem que será lei e que breve estará nas paginas do POR. Afinal se muitos sonham com as barracas existentes na nave Enterprise que os Escoteiros do futuro usam porque lavar panelas? Veja o que existe na nave NCC-1701-D a mais moderna: - Aperta-se um botão e lá esta ela a barraca armada. Dentro cama de casal, geladeira, TV por assinatura, Kit completo de chuveiros e banheiros. Telefone, interfone, vídeo game, Tablet e smart fone, o que mais você vai querer? Lavar panelas? Putz Chefe, nem morto, nem morto. Afinal agora temos uma vestimenta ultramoderna e o senhor quer nos levar aos tempos da caverna?

  ¶Lá o carvão e a fumaça,
põe tisna no caldeirão.
Dentro se é macarrão,

fica um grude que não sai não¶.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Escotismo, ainda é uma aventura?


Conversa a pé do fogo.
Escotismo, ainda é uma aventura?

                        Costumo andar por aí nos dias de semana. Nada a fazer e devagar faço minha jornada observando e pensando. Isto me faz bem. Sem perceber passei na frente da casa de um antigo Escoteiro. Não o conhecia profundamente e poucas vezes mantivemos contato pessoal. Eis que no passeio em frente a sua casa o vi rodeado de garotos sorridentes a conversarem com ele. Foi uma surpresa, pois tem tempos que não vejo algum assim. Para mim inusitado. Não eram escoteiros pelo que pude perceber. Eram jovens da vizinhança e parece que já o conheciam há muito tempo.

                       - Vocês não conhecem o Movimento Escoteiro? Só de vista? – Pois olhem estão perdendo boa parte da juventude longe dele. Lá vocês teriam outros amigos para ampliar o leque dos que já tem. Poderão tomar decisões importantes para o crescimento e para a formação alem de que terão seu próprio time a decidir o que fazer. – Não acreditam? Bem tem muitos que pensam assim até ir lá e participar. – Lá não terão a obrigação de fazer nada do que não queiram. As decisões são em grupos e democráticas. Irão fazer lindas atividades ao ar livre, lá no campo dormirão em barracas, poderão ver as estrelas, aprender a se guiar pôr elas. Vão aprender a cozinhar, a lavar a louça, suas próprias roupas. Irão jogar os melhores  jogos de suas vidas.

                      - Mas isto não é bom? Eu sei que tem muitos jovens que não pensam assim. Mas a maioria como vocês eu sei que gostam de tomar decisões, em pensar por sí próprio. Mas tem mais, se forem lá irão praticar transmissões a distancia pôr bandeirolas, pôr Morse através de lanternas à noite, irão usar cordas para atravessar rios, despenhadeiros. Farão escadas de diversos tipos e pontes de diversos tamanhos. Irão também aprender a usar o machado, a respeitar árvores, fazer fogueiras, transmitir mensagens pôr fumaça pré-definidas. Irão fazer jornadas, com seus amigos escoteiros, aprenderão a ler mapas, fazer croquis, e se orientar pelas estrelas.

                     - Estou brincando? – Não meus jovens, nada  disso. Eu mesmo fiz tudo que estou dizendo há muito tempo atrás e olhe fiz muito mais do que isto. Se não acreditam, porque não vão até lá e verifiquem com seus próprios olhos? Um deles riu e falou para o Chefe: - Olhe Chefe, sem ofensas, eu mesmo tentei. Não aconteceu nada disto que você está dizendo. Só ficamos na sede, correndo prá lá e prá cá. Uns jogos que não divertia. Um Monitor mandão. Nunca nos consultou para nada. Só sabia gritar firme descansar e cobrir. Uma vez fomos ao campo. Os chefes ficaram horas preparando cordas para atravessarmos de um lado a outro. Ficavam segurando a gente com medo de cairmos. Parecia que éramos de louça. Eles não confiavam na gente. Aventura? Não vi nada disto. O Chefe Escoteiro ficou calado. – Tentou retrucar e dizer que não era assim. Eles não tiveram sorte no grupo que procuraram. Mas sem graça sorriu e voltou para sua casa.

                       - O cumprimentei, dei meu Sempre Alerta e ele sorrindo sem vontade retribuiu. Vi que ele colocou para os meninos de uma maneira fácil e correta do que é o escotismo. Qualquer jovem compraria esta ideia. Posso apostar. Mas e depois? Será que iriam ter isto no grupo procurado? Pensei com meus botões - Como seria bom se estivéssemos ainda fazendo um escotismo de aventuras, de descobertas. Poderíamos ajudar a esta juventude ou parte dela, que sem rumo segue por aí perseguindo o vento sem saber o que vai encontrar. Se os pais soubessem do valor do escotismo para ajudá-los na formação iriam ver de forma diferente o que veem hoje.   


                     Mas enfim, não adianta termos a isca. Precisamos aprender a usá-la para que dê resultados. Muitos estão preparados outros não. Escotismo é movimento e o movimento está fazendo o que melhor sabe fazer, motivar a moçada para estarem sempre esperando ansiosos a reunião no sábado seguinte. Mas será que é isto mesmo que está acontecendo em alguns Grupos Escoteiros?

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Canção da Despedida.


Conversa ao pé do fogo.
A Canção da Despedida.

               Diga-me quem não a conhece? Quem nunca se emocionou a ponto de chorar quando a cantou pela primeira vez? Impossível dizer que existe alguém assim. Não importa a idade, a cor, a crença, a religião. A Canção da Despedida marca. Ela entra na gente e nos faz tremer de emoção. Ela é incrível quando cantada em volta do fogo, olhos dormentes a entorpecer o corpo, mãos firmes entrelaçadas, um circulo perdido em sonhos de nunca mais perder as esperanças. Ah! Quantas esperanças de nos tornar a ver. Nesta hora não dá para olhar o amigo do lado. Os olhos estão marejados de lágrimas. Seria tristeza? Seria alegria? Difícil explicar. “Os antigos conhecidos deveriam ser esquecidos e nunca lembrados”? Diz sua letra original. Nunca poderiam dizer. “Pelos velhos tempos, nunca vamos esquecer um dos outros. Iremos correr as colinas, colher as margaridas, mas já vamos a tantos lugares e estamos cansados, vamos ainda recordar os velhos tempos”? É... A letra original é bem diferente da nossa.

               Bendito Robert Burns que escreveu a letra. Das terras da Escócia alcançou o mundo e Guy Lombardo criou a musica. Deus do céu! O mundo mudou depois desta linda canção. Tornou-se tradição nas comemorações de ano novo em centenas de países. Seu nome em Inglês é Auld Lang Syne. Dizem que significa Velho longo, uma vez que, ou outros dizem que seria muito tempo atrás, dias de muito tempo, pelos velhos tempos ou quem sabe para os bons e velhos tempos. De uma coisa eu sei, ela sempre que nos vem à mente nos emociona mesmo nos longínquos tempos. Quando surgiu no passado já significava que era importante lembrar amizades de hoje e de ontem. Nós mantemos a tradição de cantar sempre nos Fogos de Conselho, em nossos encontros Escoteiros, em atividades mil. Ela virou uma tradição também em outras partes do mundo. Pelos velhos e bons tempos que vivemos neste mundo! E melhor ainda, pois nunca iremos perder a esperança de nos ver novamente!

           Cada um de nós tem uma história para contar. Uma história que esta canção faz parte da vida, da história Escoteira e que quem sabe de tão linda poderia ser escrita no livro da vida de cada um Badeniano. Poderia dizer que a vida escoteira se tornaria sem sentido sem ela. Esquecer que não é mais que um até logo? É um breve adeus meu amigo, você sabe haverá outros dias e junto ao fogo vamos de novo nos ver e nos encontrar. A Canção da Despedida marca. Ela entra em nós como se fosse um novo mundo para vivermos. Temos mil canções, mas esta é especial. Nunca descobri quem foi que fez a letra para os Escoteiros e esteja onde estiver ele estava iluminado pela maravilhosa letra que escreveu. “Com as mãos entrelaçadas, ao redor do calor, formemos esta noite um circulo de amor” Maravilhoso! Espetacular! Incrível a emoção quando se canta apertando as mãos dos companheiros que estão junto a nós e olhando o crepitar da fogueira, das fagulhas se perdendo no céu.

            Ah! Meus fogos de Conselho. Lembranças que não se apagam. A gente ali, com muitos amigos em volta, o fogo crepitando, quem sabe alguma tocha vermelha iluminando ao redor. A escoteirada gargalhando, apresentações lindas, Do Rei da Macedônia, do Professor Pardal e do Serafim – Aquele que fica assim! Demais, demais mesmo. As palmas se desdobrando, são tantas. Adorava a do peixinho, do trem, do sapo falante da batida no corpo, da mexicana, e claro da nossa mais famosa palma Escoteira. A noite alta, o fogo terminando, a gente olha para o céu estrelado e pensa que não tem mais nada tão lindo para viver. É uma hora de plena felicidade. Todos esperam ansiosa a última apresentação. De todos. Agora é hora de entrelaçar as mãos. Sentir o calor do seu amigo ou da amiga, ver seu sorriso, olhar nos seus olhos e ver a esperança nascendo, pois ele assim como os outros sabem que a Canção da Despedida marca, hora de chorar? Para alguns não dá para evitar. Melhor é deixar as lágrimas rolarem pela face, e dizer – É de alegrias seu moço!

               A Canção da Despedida seja aonde for é um espetáculo a parte. Cantar e deixar-se levar pela brisa, pelo vento, é um encantamento. Agora é deixar as lágrimas rolarem, elas fazem parte de você agora e você sabe isto acontece com todos. A cada estrofe olhamos para o céu estrelado e pensamos quão pequenos somos neste imenso universo. Mas ali, com as mãos entrelaçadas e junto aos amigos Escoteiros temos uma força enorme. Elevamos nosso pensamento ao criador para agradecer o que estamos recebendo. Uma força incomum nos move como a dizer que nunca haverá um adeus, sabemos que sempre haverá a realização de um sonho, um sonho Escoteiro, um sonho que fica marcado para sempre em nossos corações. E finalmente já com a mente posta um no outro, onde podemos dizer que somos irmãos para sempre, e finalmente agradecer a ele, pois nos trouxe a alegria de viver e conhecer que a felicidade está ali, junto a nós, entrando devagar em nossos corações.


Pois o Senhor que nos protege
E nos vai abençoar
Um dia certamente
Vai de novo nos juntar.

sábado, 16 de agosto de 2014

Para onde vai o Escotismo?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Para onde vai o Escotismo?

                 Tenho pensado bastante sobre isto. Até tenho evitado escrever aqui e em meus blogs como escrevia no passado dizendo o que pensava das mudanças e alterações que os dirigentes estão fazendo. Todos são unânimes em dizer que temos que crescer e para isto precisamos mudar. Mudar a forma de ser, o uniforme, a apresentação e muito mais. Tenho visto no site da UEB grandes ideias dos dirigentes. Os cursos estão aí para todos conhecerem melhor nosso movimento. Cada um deles de tirar o chapéu. Já existe membros da corte dizendo que até 2.023 chegaremos a um milhão de escoteiros. Será? Não sou um estudioso no tema. Sei de alguns países que chegaram e passaram de um milhão de membros. Cada um deles com seu estilo e outros com a mão do governo fazendo um escotismo quase obrigatório.

                        Aqui não conheço os planos para este milhão. Só sei que a UEB ainda mantem com mão de ferro suas ideias, elas não transparentes, não existe consulta e quando decidem determinam suas ideias que são aceitas quase que normalmente. Veja o caso da vestimenta. Três anos discutindo estudando e planejando. Todos aguardando para saber o que seria. Poucos sabiam e poucos foram informados. E eles continuaram vendendo o traje para os jovens e adultos sabendo que ele seria extinto. Agora um plano feito a poucas mãos. Os associados levados de roldão. Ninguém sabe de nada a não que consultem os dirigentes ou seu site ou alguém ligado à direção contar para eles. Claro, eu sei que nunca consultaram e quando dizem que consultam só pode ser meia dúzia de grupos dos mais próximos.

                    Hoje temos uma vestimenta com vários tipos para que cada um faça sua escolha. Pensei em outras organizações sem considerar as militares onde seria possivel escolher o que quer vestir. Se existe desconheço. Para todos a UEB sempre tem uma explicação e dizendo por que. O caqui dizem continua. Porque ninguém da alta direção o veste? Porque para sair do Brasil só vale a vestimenta? Porque nos escritos e no site da UEB não aparece o caqui? E porque nossos dirigentes dos estados não usam o caqui? Porque aconselharam todos da cúpula que usassem o novo para dar exemplo. Se eles acharam melhor a vestimenta parabéns! Interessante que publico uma foto de uma tropa escoteira com todos bem uniformizados de caqui e as curtidas passam de 100 com muitos comentários nas minhas duas paginas e dois grupos. E olhe só escrevi que  o verdadeiro uniforme no meu modo de pensar era este.  

                Se vocês tiverem um tempinho para ler os últimos artigos do blog Café Mateiro terão uma surpresa. Uma direção que resolve sem consulta, que indica apadrinhados para seus diversos cargos, que se mantém no poder sem dividir, que não tem um canal aberto com todos. Sei que a UEB fez uma página aqui. Mas não sei se ela não vai ajudar a mostrar os descontentes. Muitos se calam, pois sabem que podem ter represálias. Quem duvida disto? Eles sabem o que acontece se aparecem. Agora leio esta história da Carochinha que poderemos ter até 2023 um milhão de Escoteiros. Pensando baixo teríamos que arregimentar um pouco mais de 100.000 Escoteiros por ano. Um sonho que nunca será realizado. Com um bom trabalho quem sabe lá pelos anos de 2.099 conseguiremos?

Enfim, as mudanças que fizerem já foram efetivadas e outras estão vindo por aí. Como somos um movimento obediente e disciplinado, pois sempre nos cobram a lealdade, pois discordar é considerado anti Escoteiro, não vejo como seria feito uma mudança geral nisto tudo. Afinal a UEB tem os politicamente corretos espalhados por todo Brasil. Em vez de ficar defendendo porque todos não pedem uma nova forma de consultas? Pedir que sejam mais transparentes. Parecem com o papai e a mamãe com os brinquedos que o Papai Noel no natal trouxe para as crianças. Muitos eles escolheram achando que os filhos queriam. É desculpem, mas ainda somos levados pela mão em um movimento que tem tudo para ser uma grande ajuda na formação de caráter e ética, e olhe estamos precisando disto em nosso país.

                Assunto polêmico? Sei não. Dizer que os estatutos dão liberdade para que cada um se manifeste é uma utopia. São poucos que chegam ao topo e a maioria precisou de bons amigos para indicar. Não quero unanimidade, para mim ela é “burra” em uma democracia. Agora cada um deve pensar se o caminho é este. Se ficar por mais vinte anos no escotismo então diga se tudo que planejaram aconteceu, se foi verdade, se os tais milhões apareceram. Só para São Tomé - Quem viver verá! 


                E NÃO DEIXEM DE LER OS ARTIGOS DO BLOG CAFÉ MATEIRO. Lá todos poderão entender bem como funciona a engrenagem da Direção Nacional. E depois tem aquele que vem dizer: - Não concorda? Va a Assembleia e mostre como deve ser! Só rindo. Ir a Assembleia? Experimente e depois me diga como foi.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O último apague as luzes...


Crônicas de Um comissário de Distrito.
O último apague as luzes...

Conto escrito pelo Chefe Kleber Sidvzinski

                         - Pois é Chefe Adriano, não vejo outra saída – disse o Comissário Distrital, tirando os olhos do relatório e fitando aquela figura cabisbaixa na cadeira a sua frente – sei o que representa este grupo na sua vida e a importância que ele tinha na sociedade, mas já tentamos de tudo, palestras informativas, atividades de divulgação com outros grupos, trouxemos cursos preliminares para vocês, tentamos conversar com as lideranças locais, mas infelizmente não tem como fazer escotismo com as moscas. São mais de dois anos nesta situação. Chefe Adriano tomou o relatório das mãos do Chefe Leandro, mais que um Comissário Distrital, um amigo e confidente. Olhou para o papel, mas não conseguia fixar em nada. Onde foi que errara? Como ele, com toda sua experiência, com toda sua paixão pelo escotismo tinha deixado que isso acontecesse? Um grupo com 27 anos de existência, com um lindo histórico de formação de jovens, conhecido em toda a região...

                         Um filme se passava pela sua cabeça, lembrou-se das primeiras reuniões para a fundação do grupo, a escolha do nome, as cores do lenço, o desenho do símbolo do grupo. Parecia que tinha sido ontem. Lembrava claramente das sugestões para o nome, eram tantos, mas nenhum agradara tanto como o nome da rocha que dera nome a cidade – Pedra Azul. E o lenço? Foram quatro modelos, todos costurados a mão pelas esposas dos membros fundadores, havia sido uma difícil escolha, mas o escolhido era lindo, para eles o mais belo até então. Lembrava claramente do dia da inauguração, as primeiras promessas, a música alegre da banda municipal, os belos discursos...

- Hoje Pedra Azul escreve mais um importante capítulo de sua história – assim começara o discurso de Pedro Saviola, prefeito na época, hoje já falecido. O brilho nos olhos dos primeiros escoteiros promessados, as primeiras patrulhas. Fora uma época de ouro, os melhores de sua vida. Sua alegria só não tinha sido maior do que a promessa de seus dois filhos, Martina e Luccas. Quantos momentos de alegria intensa não vivenciaram junto com sua família? Acampamentos, jornadas, excursões, enfim, um mundo mágico, onde não existia monotonia, não existia tristeza. Os melhores momentos da sua vida ele viveu dentro daquele grupo, construíra fortes amizades, adquirira respeito, conhecimento.

Correu os olhos nas prateleiras daquela pequena sala. Olhou os troféus das conquistas das patrulhas. Eram dezenas, conseguia se lembrar de quase todos, afinal quase sempre esteve presente em todos os eventos do grupo, fosse das seções, fosse do grupo. Era um chefe extremamente ativo, participante, gostava de estar junto com a galera, vibrava com eles a cada conquista.

Primeiro foram os Chefes Jonas e sua esposa Eulália, ele um excelente assistente de tropa escoteira ela a primeira Akelá do grupo, cozinhava como poucas. A desculpa havia sido por problemas profissionais, muito serviço, pouco tempo para se dedicar, mas todos sabiam que depois que uma nova diretoria nomeou outra para o cargo de Akelá ela ficara muito desmotivada. Aos pouco foi deixando as obrigações, começaram a faltar, isso também foi desmotivando Carlinhos, o filho, e acabaram saindo todos.

Depois foi a vez dos Chefes Tino e sua esposa Vanessa, ambos da tropa sênior, eram os chefes da seção, animados, criativos, carismáticos. Mas depois da participação em um curso no campo escola regional de onde haviam chegado cheios de ideias, querendo fazer mudanças, questionando velhos dogmas e encontraram forte resistência por parte da diretoria, chegando a entrar em atritos várias vezes, também se desmotivaram até sair, o filho Cássio saiu alguns meses depois.

E assim foi um após outro, os membros fundadores do grupo foram saindo, pelos motivos mais diversos, brigas, sede de poder, falta de capacidade, falta de carisma, falta de comprometimento, enfim, os problemas e desculpas eram vários. E os que chegavam, mesmo se maravilhando com o escotismo, pouco tempo depois por um motivo ou outro acabavam saindo. Lembrava-se de quase todos, tentara de todas as formas evitar as perdas, sabia que a cada saída de um adulto a perda de jovens era certa e a reposição do adulto capacitado, motivado, envolvido era muito difícil.

Correu os dedos pelo seu colar da insígnia da madeira, cujo merecimento foi demorado e muito festejado pela sua tropa escoteira, pelo seu grupo, era a primeira e única do grupo e uma das poucas de toda a região. Infelizmente nem com os conhecimentos adquiridos com ela haviam sido suficientes para tentar reverter àquela situação. Levantou-se da cadeira lentamente, não conseguia olhar nos olhos do Chefe Leandro.

Olhou a coleção de lenços que enfeitava uma parede inteira daquela sala, tantas emoções, tantos momentos vividos, cada lenço tinha uma história. Aquela parede representava muito bem tudo que tinha vivido nestes anos todos de movimento. - Sabe que eu tentei de tudo, faz três anos que tenho registrado uma diretoria “fantasma” somente para manter os cinco escoteiros do grupo... Porque estes tipos de coisas acontecem? O que vou dizer para estes cinco jovens? - Disse sem se voltar para o Chefe Leandro, como se estivesse envergonhado com aquele momento. Seus olhos estavam mareados. Sentia-se um incapaz, um derrotado.

- Bem a ideia de você levá-los ao grupo de Cerro Verde é boa, e ainda de quebra você mesmo irá dar uma mão ao grupo também. Para eles será um grande reforço e para vocês uma forma de continuar no movimento. Quem sabe não conseguem voltar depois? Realmente. Havia ainda uma luz no fim do túnel, quem sabe depois de certo tempo não voltasse o interesse dos moradores da cidade? Quem sabe seus antigos escoteiros depois de terem a vida encaminhada não voltariam dispostos a ajudá-lo a reerguer o grupo? Pensar nesta possibilidade lhe deu certo alento.


Virou-se lentamente, pegou o velho e surrado chapelão escoteiro que estava sobre a mesa, colocou-o meio desajeitado sobre a cabeça, dobrou cuidadosamente o relatório que estava sobre a mesa, colocou no bolso do seu impecável uniforme, exatamente no bolso onde estava pregado o distintivo de sua promessa. Fitou firmemente o Ch. Leandro, um meio sorriso surgiu em sua boca. - Eu sou escoteiro e não desisto jamais... O escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades. Este guerreiro irá apenas adormecer, mas voltará, criará mais forças, buscará mais informações, reforços, mas voltará. A bela história deste bravo guerreiro não irá acabar em minhas mãos... Palavra de escoteiro.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Vocês conhecem a guerra no Brasil?


As crônicas de um aposentado.
Vocês conhecem a guerra no Brasil?

             Não gosto de misturar alhos com bugalhos. Considero-me um expert em escotismo. Conheço profundamente. Arrosto mesmo que sou bom nisto, sei fazer já fiz e os resultados foram bons. Escotismo para mim não tem segredos. Mas estive pensando se não devia escrever outros temas do nosso dia a dia. Alternar escotismo e as coisas da vida. Claro que no livro arbítrio todos têm direitos a pensar e acreditar em suas convicções e de maneira nenhuma quero mudar uma concepção de ideologia ou pensamento. Vamos lá. Alguns estão postando nas redes sociais sua discordância ou revolta do que se passa em Gaza, na Palestina por forças armadas de Israel. O numero de mortos a cada dia aumenta. Muitas crianças e ficamos a pensar até onde vamos. Não dou razão a ninguém. A guerra, dizem que só os mortos conhecem seu fim. Mas vocês sabiam que temos uma guerra surda e muda em nosso país? Uma guerra que a cada dia tira a vida de um jovem ou adulto, que não respeita a cor, o credo ou a classe social?

               Os acidentes em moto estão ceifando a vida de muitos. Quem se sente dolorido por ter perdido um ente querido sabe como é. Não adianta falar que respeito às leis de trânsito resolvem. Eu mesmo fico boquiaberto quando estou dirigindo nas ruas de São Paulo. Tenho um filho que usa uma moto para trabalhar. Rezo por ele todos os dias. Ele tem esposa e dois filhos. E quantos a cada dia morrem deixando para trás seus filhos e esposa? Você sabia que só em São Paulo Morrem cinco por dia? Mais que o dobro é internado em hospitais? Muitos destes voltaram para casa em uma cadeira de rodas. Li que as mortes em todo Brasil superam as 40 por dia. 40? Isto mesmo. Faça o calculo 120 por mês, 1.440 por ano. E os feridos quantos são? Isto não é uma guerra? É, temos mesmo uma guerra no Brasil. Sei que muitos desfraldaram uma bandeira para evitar esta guerra. Ela machuca, ela dói quem perde um ente querido sabe como é.

                As guerras existem deste o começo do mundo. Nós humanos sempre queremos defender nossas ideologias, nossas crenças, nossas raízes e é um orgulho em dizer que se for preciso darei minha vida pelo meu país. Mas aqui temos uma guerra e pouco se comenta. As leis são criadas, mas que se preocupa? Lei? Ora a lei! Se ela é boa para mim ótimo. Se não que ela se dane. Culpar o motorista? O motoqueiro? Culpar as leis? Porque não acabar com esta guerra? Qual a solução? Não perguntem para mim, perguntem para quem morreu quem bateu, quem está chorando a morte de um que se foi ou então para as autoridades e aqueles que estão a pedir votos prometendo tudo. Afinal guerra é guerra, e vence sempre o mais forte. O automóvel. Ele seria o culpado? Procurar culpas não sei se adianta, pois prantear um ente querido que nunca mais vai voltar não é fácil. É como um punhal encravado no coração para sempre em uma mãe, em um pai e em irmãos que o amavam.


                    Vamos lutar para que acabe as guerras no mundo. Não só a da Palestina. Existem muitas outras que devemos levantar nossas bandeiras. O Cristo veio ao mundo para muitas coisas, a principal é que ele sempre dizia - Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Não é só palavras para tentar amenizar a dor de uma perda. Atos e fatos e ambos os lados deveriam parar por um minuto nas estradas, nas ruas e pensar – O que posso fazer para ajudar? Sei que isto é impossível. Voltemos nosso pensamento para o Brasil. Morrem jovens, morrem adultos, morrem velhos, São mais de 1.400 mortes de motoqueiros por ano. O mesmo número ou mais que serão condenados a viver em uma cadeira de rodas pelo resto da vida. Quem sabe o dobro daqueles que terão sequelas pelo resto da vida. As doenças que matam existem em todo o mundo, mas aqui fora as doenças temos uma guerra. Tem muitos perdendo a vida por nada. Não adianta esconder, aqui também tem uma guerra que mata sem dó e sem piedade. Mas afinal, quem liga? Quem se preocupa? O que estes candidatos hoje dizem? Tem solução?