Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

domingo, 21 de janeiro de 2018

Bem vindo ao Blog.

  



Bem vindo ao Blog Escotismo e suas historias.

Em 2009 entrei para o Facebook e algum tempo depois resolvi criar um Grupo cujo nome adotei como Escotismo e suas historias. Ele é dedicado exclusivamente ao que escrevo. Tem no momento mais de 17.000 membros participantes. Devido ao sucesso do grupo, criei então um blog Escotismo e Suas Histórias fac-símile do que tenho no Facebook. Comparativamente aos meus outros blogs escoteiros ele tem uma participação diária de admiradores do escotismo ou mesmo membros escoteiros em diversos países. Os artigos ou contos aqui postados muitos são fruto de minha imaginação e outros adotados em pesquisas tudo para colaborar na formação escoteira.

Artigos do nosso fundador estão em sua maioria postados neste blog. Agradeço a sua presença e caso queira comentar fique a vontade. Querendo entrar em contato estou à disposição no e-mail ferrazosvaldo@bol.com.br.


Muito obrigado pela presente e aceite o meu Sempre Alerta!  

Osvaldo um escoteiro  


Crônicas de um Chefe Escoteiro. Dicas de acampamento mateiro. Parte I.

Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Dicas de acampamento mateiro. Parte I.

                       Porque não escrever algumas dicas sobre como fazer um acampamento mateiro para ninguém jamais esquecer? Um acampamento que deixa marcas e que será lembrado para sempre? Sei que a maioria dos chefes de hoje tem conhecimento de sobra, mas os mais novos não. Acredito que o que vou escrever muitos chefes que fizeram cursos de formação de técnica escoteira sabem o que estou dizendo. Ou será que isto não existe mais? Sei que muitos chefes novos não são advindos de sessões escoteiras e com grandes conhecimentos mateiros. Antes de lerem, por favor, eliminem a palavra impossível quando forem acampar. Tudo é possivel basta querer e achar a solução perfeita. Se for para dizer que não dá, até logo... Chefe escoteiro que se preza não diz isto nunca!  

                      O bom acampamento mateiro não tem dono. Os assistentes, os monitores e até os patrulheiros fazem parte de tudo que acontecer de bom ou ruim. Agora, lembre-se você é o Chefe, se não se preparar ou como dizem os velhos lobos do mar, aviar-te em terra antes de começar a navegar nada dará certo. Converse, ouça, anote veja o que cada um tem para contribuir. Sem a participação dos assistentes e monitores e até mesmo a Corte de Honra como disse Murphy em sua lei abstrata – “Tudo o que puder dar errado dará”.

                       O ponto mais importante é que o acampamento é dos escoteiros e não seu. Se você é um amador, um estreante faça sua parte divertindo, mas quem precisa do acampamento são eles e não você. Desculpe dizer assim, mas os heróis são eles. Eles é que vão aprender fazendo, errando, tentando novamente até fazer o certo. Deixe eles se sentirem um aventureiro, um explorador sem ninguém para empurrá-los para isto. Aconselhe se necessário, converse com os monitores... Isto mesmo, os monitores, eles são sua sombra, seus olhos suas ideias. As patrulhas devem ter a liberdade necessária para andar com suas próprias pernas.

                       Fale o necessário, mas mantenha os olhos e os ouvidos abertos. Você é o responsável. Evite falar muito quem fala demais incomoda e não é compreendido. Se você já acampou antes com os monitores e subs e ensinou tudo que sabe e aprendeu com eles não existe motivo para você ficar preocupado. Seja exigente nas inspeções, na chamada geral ou na disciplina. As normas de segurança em acampamentos não serão citadas aqui. Penso que elas foram devidamente lidas e anotadas do POR e que cada Chefe sabe como agir.

Escolha do local.
             Eu tive a felicidade de fazer escotismo em cidades pequenas e nestas a facilidade é enorme. Mas fiz também em grandes cidades. Uma bicicleta, uma moto, um jipe dá para fazer uma exploração perfeita para a escolha de um bom local. Ônibus e trens ajudam muito. Fazer amizades é primordial, os proprietários e caseiros devem ser bem tratados e respeitados. As promessas feitas quanto a proteger o local devem ser cumpridas a risca. Desmanche as pioneiras. Empilhe o madeirame. Impressiona o sitiante e o proprietário. Tente achar um local ermo, sem casas ou estradas ou mesmo sinais de civilização. Isto é primordial para dar ao escoteiro o sonho da aventura. Uma boa aguada que não ofereça perigo para banhos, uma montanha ou uma várzea para exploração, arvoredos ou mata e se tiver bambus então o local é perfeito.

O programa.
            Não faça nenhum programa sem ouvir a tropa. Dê tempo para eles discutirem, e apresentar um rascunho do que querem. Esqueça aqueles programas onde o horário é primordial. Uma vez vi um programa de um acantonamento de lobos que tudo era marcado a hora os minutos e os segundos. Impossível de seguir. Formalize tudo com os monitores e assistentes. Se fosse eu nada da tecnologia que hoje é muito usada seria levada para o acampamento. Quem sabe só o Chefe com seu celular. Cuidado com muitos apitos. Conhecem a chamada por bandeirolas? Uma cor para os monitores, outra para a Patrulha e outra para o intendente. Precisa de mais? O mais interessante é que algumas patrulhas criaram o cargo de observador. Só para ver a chamada por elas, as bandeirolas.

                 O melhor programa são aqueles que eles podem ficar juntos, dividindo entre si as tarefas, fazendo um fogão suspenso, uma mesa, bancos fossas, artimanhas e engenhocas. Uma Pioneiría construída por eles é motivo de orgulho. Nada como um bom papo, canções, tudo espontâneo. Um grande jogo tem seu lugar, mas já vi uma patrulha partir para uma pescaria que ficou lembrada para sempre. Conversas ao pé do fogo a noite é bom demais. A alegria deles em receber o chefe? Ou a outra Patrulha? Sempre sinto saudades de um Monitor vir me convidar para uma refeição em sua Patrulha. Principalmente quando iria tirar uma prova da especialidade de cozinheiro. Tudo perde a graça quando o Chefe fica zanzando nos campos de patrulha. Não dá liberdade de aprender. Afinal o campo de patrulha é a casa deles e como tal deve ser respeitado e preservado.

               Andar com as próprias pernas é um lema mais que correto dito por Caio Vianna Martins. Se o acampamento marcou significa quer o jovem deu valor ao seu aprendizado. Se acontecer o contrário é mais um a engrossar a legião dos que não voltam mais. Sabemos que os jovens escoteiros ficam semanas a meditar sobre o acampamento, como vai ser o que vão fazer. Não tire este sonho deles. Patrulhas que têm liberdade de ação fazem do conselho de Patrulha uma obrigação para decidir tem maior desenvoltura no seu crescimento. O que desanima em qualquer tropa e ver a patrulha reduzida a três ou quatro e o Chefe desmanchar outra para completar.

                E você? Quantas noites de acampamento? Acampamento meu amigo, aquele mateiro, só a tropa ou só a sua Patrulha. Pois é, se pudesse voltar no tempo iria aumentar as minhas noites. Foram só setecentas e oitenta e poucas. Devia ter chegado às mil noites!

                 Volto ao tema se acharem que vale a pena. Um bom domingo para todos.


- Nota - “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido”. Escoteiros que não acampam nunca sentiram o gostinho de viver aprendendo, fazendo, errando, repetindo até que conseguem acertar! Isto sim, é que é bom demais!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Onde anda Adriana Birolli atriz e escoteira?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Onde anda Adriana Birolli atriz e escoteira?

                  Há algum tempo, a atriz da Rede Globo Adriana Birolli contou em alguns programas que fora escoteira por muitos anos e ainda participava nos seus tempos livres. Vários programas fizeram entrevistas com ela e quando aparecia fazendo a saudações e dizendo Sempre Alerta junto aos escoteiros todos se orgulhavam. Que orgulho em saber que alguém importante participava do escotismo. Era o Marketing que faltava já que a EB não sabe ou não quer fazer isto.

                  Tudo foi por água abaixo quando ela no programa do Jô Soares contou parte de sua infância e sob a influencia deste apresentador tentou explicar as provas de sobrevivência que participou no escotismo há tempos passado. Tentou descrever como teve que matar galinhas e coelhos e incentivada pelo Jô foi levada a explicar como “torturava” os animais e como os preparava para as refeições que fazia durante este curso. Coisas do Jô.

                  Alguns bloquistas e outros comentaristas fizeram disto uma diversão e tanto, menosprezando o Escotismo, como se isto fosse uma conduta treinada para matar. Em qualquer curso de Sobrevivência na Selva isto acontece e muito mais para que os que participam possam sobreviver das dificuldades encontradas. Não foi o que muitos pensaram. A própria UEB pelo que eu saiba se eximiu de explicar ou mesmo defender se assim fosse necessária a Adriana Birolli.

                 Assim como apareceu na mídia, logo desapareceu. Nem na rede Globo com seu puritanismo satânico ela participa mais. Poucos falam sobre ela. Por causa de umas palavras que na época ela achava válido e levada pelos seus chefes, condenaram-na a fogueira do ostracismo. Um escotismo como o nosso que não tem representatividade e tão em falta de cidadãos probos, exemplos a seguir, ela não mais servia aos propósitos do escotismo Brasileiro. Era culpada? Era jovem e conduzida a curso fez o que muitos fizeram pode agora ser condenada? Quem saiu em defesa explicando que isto aconteceu em uma época onde se fazia o escotismo aventureiro? – “Atirem, por favor, a primeira pedra”.

               Quantas vezes como menino escoteiro, eu me embrenhava na selva da minha cidade, com minha Patrulha, levando somente sal e óleo para ficar dois ou quatros dias acampados e tínhamos que nos virar para nos alimentarmos? Errado? Era uma época diferente, isto para nós era ponto de honra e fazíamos com orgulho. Sobrevivência na Selva era uma expressão que se dava aos valorosos soldados de fronteira ou mesmo aqueles que pertenciam a algum batalhão especializado nestas artes.

               Nós os escoteiros da época seguíamos o mesmo caminho. Se alimentar de animais ou grandes pássaros não tinha segredos era o que tínhamos na época. Com o passar do tempo ainda continuava nos cursos de Sobrevivência na Selva com participantes diversos o ensino e a prática de se alimentar com o que se encontrava a mão. Hoje isto não existe mais, sabemos até que ponto o respeito à natureza faz parte da formação escoteira.

               No artigo do Site da ANDA que nunca ouvi falar eles os articulistas se divertem com a “Matança” da escoteira Adriana Birolli. Chega ao ponto de afirmar que ainda continuamos com este rito que não mais existe e nunca foi parte da formação escoteira. Uma pena que tais fatos sejam mostrados de forma incoerente ao povo brasileiro. Se servir de condenação, minha Avó minha mãe e até a Célia no passado “mataram” muitas galinhas e até mesmo um porquinho de antemão.

               Adriana Birolli não dá mais entrevistas falando de escotismo. Acho que se ressente por nenhum dirigente escoteiro tê-la defendido. Assim como apareceu se orgulhando de ser escoteira desapareceu no tempo. Acredito que se sentiu usada e não teve uma mão escoteira para defendê-la. Interessante que em julho de 1910 uma dupla de dirigentes da UEB foi entrevistada por Jô Soares. Quase dormi de tédio. Nunca vi tamanha monotonia. Não temos marketing. Ninguém para dizer na grande Mídia que o escotismo é uma das maiores organizações de jovens visando seu aperfeiçoamento individual dentro de uma metodologia única feita por Baden-Powell. No meio educacional somos considerados como ineficazes e atrasados.

“E se você quiser condenar quem já fez isto, eu me apresento minha mãe e minha Avó também e a Célia idem. Sem esquecer que até na década de setenta oitenta isto ainda era comum. Duvida? Pergunte a sua mãe e sua avó se elas ainda estiverem vivas. Hoje é bem mais moderno. Não matamos nada, temos quem mata para nós e vender seu produto isento de maldades e atrocidades que acometem os bons samaritanos de hoje.

E afinal onde anda Adriana Birolli? Ainda continua amando o escotismo? Sei que apareceu um artista que não conhecia, vestimentado pelos dirigentes (se ele foi escoteiro acho que se esqueceram de perguntar se ele não preferiria o Uniforme caqui) e apresentado como um grande nome para participar de uma assembleia nacional. Os resultados não fiquei sabendo. Sem comentários. Cada um sabe onde aperta seu sapato. Pobre escotismo que não sabe valorizar!  



Nota – Onde anda Adriana Birolli a famosa atriz e escoteira de tempos idos? Defenestrada pela Rede Globo e pela UEB? Não teve o mérito que merecia? Só porque matou uma galinha em um curso de sobrevivência foi condenada ao ostracismo? Viraram as costas para ela? Pois é, quando deu suas primeiras entrevistas como escoteira e fotografada em seu grupo de origem foi aplaudida e saudada, e agora? Sem comentários. O artigo que escrevi diz o que penso. Quem sabe estou errado? Se estiver atirem por favor a primeira pedra!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Crônicas de um fictício fato que não aconteceu. Eu fui e já voltei!


Crônicas de um fictício fato que não aconteceu.
Eu fui e já voltei!

             A vista era maravilhosa, se eu conseguisse aquele emprego seria o fato mais importante da minha vida. Quando vi o anuncio fiquei maravilhado. Na internet estava lá: - “Precisa-se de supervisor das nuvens das estrelas e do firmamento”. Experiência em sonhos utópicos, em místicas escoteiras e que tenha mais de setenta anos de escotismo feito como Baden-Powell ensinou, Empregaço! Enviar curriculum para São Pedro que mora lá no céu. Resolvi procurá-lo pessoalmente. Afinal ele deve conhecer os escoteiros do universo e quem sabe eu estava na lista.

            A trilha era perfeita. Grama esmeralda, verde garrafa que dava gosto pisar. Eu estava com meu querido uniforme escoteiro. A minha frente descortinava toda a galáxia e os cosmos que tantos já descreveram ser a obra mais importante de Deus. Maravilhado com tudo aquilo me lembrei de Carl Sagan: - Olhem de novo para o infinito... É ali a nossa casa. Ela somos todos nós. Lembrei-me do Chefe Volante que sempre dizia: - Somos todos poeira das estrelas. E continuou: - Se não existe vida fora da Terra, então o universo é um grande desperdício de espaço.

            Deslumbrado com tamanha beleza, vi e nem sei como explicar toda Via Láctea. A grande Nuvem de Magalhães a mais de 150.000 anos luz de distancia e logo ao seu lado Andrômeda. Não existe fronteira onde o espaço começa. Cientistas querem ao seu modo explicar a teoria do Big Bang para demonstrar como o universo foi originado há cerca de 13,8 bilhões de anos. Mas eis que chega um anjo uniformizado de lobinho, me saúda e faz um convite: - Chefe, vai começar a maior Assembleia Escoteira no espaço intergaláctico. Mandaram-me o convidar.   

            Nossa, até aqui no espaço sideral vem um para me convidar? Perguntei: - Qual o tema principal? Calou-se, nada disse. Com destino as Grandes nuvens de Magalhaes um cometa parou ao sinal do Anjo Escoteiro. Alojamo-nos em sua cauda e partimos a uma velocidade impossível de prever. Alguns segundos depois chegamos ao nosso destino. Reconheci a Estrela de Antares, uma supergigante vermelha na Constelação de Scorpius. Bem próximo uma velha conhecida onde irei morar quando partir da terra. Capella, a mais brilhante do universo.

            Estavam todos em silêncio, em volta de uma fogueira feito de poeira de estrelas anãs quando cheguei. Sentei na ponta da ferradura e o brilho ofuscante deu para ver quem estava lá. BP não estava. Vi cochilando W. Bois Maclarem que doou Gilwell Park para ser um centro de adestramento mundial. Ele foi o primeiro a receber a comenda “Lobo de Prata”. Vi também Francis Gidney o primeiro Chefe de campo, o Padre Jacques Sevin e fumando seu cachimbo lá estava John Thurman, outro Chefe de Gilwell.

           Eram tantos que recordar da fisionomia de cada um seria demais para mim. Sentei calado e calado fiquei. Foi então que vi no centro da ferradura em volta do fogo, uma turma da liderança da UEB. Eles tinham morrido? Acho que não. Deviam estar dormindo como eu e foram convidados a participar. Bem, seria ótima hora para discutirmos pontos de vista e quem sabe eles iriam compreender que consultando as bases, ouvindo os grupos, pesquisando poderiam fazer um escotismo à altura do que precisávamos. Seria franco: Chega de ser dono da verdade e ficar inventando chamando de modernidade.

         Mas eis que um Chefe paspalhão que nunca vi, resolveu discutir sobre as próximas eleições no Brasil. Tema por demais cacete e ali não era o lugar. Metia o pau no Lula, amava o Bolsonaro, chingava o Alkmin, dizia que a Marina e o Ciro já eram. Deu vontade de perguntar: - Você conhece a vida deste pamonha fardado? Não demorou e ele disse que era fã do Gilmar. O homem que solta todo mundo! Achei melhor ir embora. Eu não votaria em ninguém que já passou pela presidência ou o Congresso nacional. Se eles não mudaram porque acreditar agora e votar?

         Levantei, três pafuncios escoteiros se aproximaram. – Chefe a UEB quer seus distintivos medalhas e o lenço de volta. O Senhor não tem registro não tem o direito de usar. Pode tirar e me entregar. – Caramba! Que cara de pau. “Nem morta Nem morta” gritei. Vi que falava fino demais. Não sou disso. Engrossei a voz, tirei meu chicote que ganhei de Indiana Jones quando acampamos juntos no monte Everest. Peguei meu bastão de Jacarandá que fiz acampado no Pico da Neblina, ponteira de aço, duas polegadas e um metro e setenta. Estava armado e bem armado. Gosto de paz, de amor, mas sem imposições. O que é meu é meu e ninguém vai tirar!

         Em pose de Kung Fu, me preparei. Saltei de banda, levei um catiripapo na orelha. Outro na “cacunda” e outro no pescoço. A coisa tava ficando “braba”. Olhei a turminha de dirigentes que sorria sorrateiramente. Danados. Um velho simpático e gostosão como eu apanhar? Afinal eram apenas quinze. Dava para o gasto. Veio uma barbudo, camisa fora da calça, pança enorme, calça amarrada com timbiras pois o danado nem cinto tinha. Dei nele uma bastãozada e o caldo engrossou.

        Pensei em chamar o Tinhoso, o Bathomet, o Belzebu, o Cramunhão para me ajudar. Afinal cooperei com eles na formação do Grupo do Vale Sinistro. Eles me deviam essa. Pensei melhor. Não dá. Eles depois iriam querer me ver no inferno e lá não vou nem morto! Kkkkkk. Gritava berrava, o bastão gingava no ar. Gritei tanto que até estranhei pois minha voz quase não sai e tusso demais. Alguém me beliscou, me beijou de leve na testa, abri os olhos. Era a Célia sempre a me salvar destes pesadelos terríveis. Eita UEB que não me deixa em paz!

         Levantei, liguei o computador, pus o Google no ar. Entrei no Facebook. Porque não escrever o que passei? Pois é, sei que lá no céu, nunca terei medo da vida, quem sabe nem o medo de vivê-la. Não há céu sem tempestades nem caminhos sem espinho. Gosto de olhar o céu no meio da escuridão. E por encanto vejo estrelas, um brilho mais que outro. Um brilho que encanta, um brilho que fascina, um brilho chamado estrela. Existe tanta beleza, um brilho hipnotizante, um brilho inspirador.


Nota - Apenas um continho para divertir. Não gostou? Pena fiz com muito carinho. Sempre escrevo este tipo de história só para me encantar com os dirigentes escoteiros. Mas olhe pelo sim pelo não ou talvez quem sabe, eu gosto de você, somos irmãos mesmo que não tenhamos a mesma maneira de pensar. Não se sinta mal com minha história. É uma ficção se não gostar me avise. Ligarei par BP lá no céu que me leve de vez! Risos.

sábado, 13 de janeiro de 2018

O papel do Chefe Escoteiro. Por Lord Baden-Powell.


O papel do Chefe Escoteiro.
Por Lord Baden-Powell.

                          Quando vejo um Grupo desfilar bem, mas não ser capaz de seguir uma pista ou de cozinhar as suas próprias refeições, vejo logo que o Chefe não é um bom Chefe Escoteiro. O Chefe indiferente ou com falta de imaginação acaba sempre por cair nas formaturas, paradas e desfiles como único recurso.

                        A atitude do Chefe é da maior importância, já que os rapazes moldam os seus caracteres em grande parte a partir do dele; o Chefe tem, pois, a obrigação de ter uma visão do seu cargo mais ampla do que se baseada em critérios meramente pessoais, e de estar disposto a sacrificar os seus próprios sentimentos para o bem do conjunto. É isto a verdadeira disciplina.

                      O segredo do sistema Montessori é que o professor apenas organiza o trabalho, sugere a ambição, e a criança dispõe de inteira liberdade na realização do objetivo visado. Liberdade sem objetivo organizado seria o caos. É sem dúvida por isto que o Escotismo tem sido definido como a continuação do sistema Montessori com rapazes.

                   O papel do Chefe de Escoteiros é orientar para o bem o entusiasmo do rapaz. Só pode esperar ter verdadeiro êxito como Chefe de Escoteiros aquele que souber ser o seu “irmão mais velho”. O “comandante” não vale nada, e o “mestre-escola” está condenado ao fracasso. Por “irmão mais velho” entendo alguém que sabe viver com os seus rapazes como camarada, participar nos seus jogos e rir com eles, e conquistar-lhes assim a confiança; alguém que consegue assim colocar-se na posição - indispensável para quem pretende ensinar - de guia, daquele que através do seu próprio exemplo os conduz pelo bom caminho, em vez de ser uma simples tabuleta de sinalização, com frequência demasiado acima das suas cabeças, e que se limita a apontar uma direção.

                 Mas que as minhas palavras não sejam mal interpretadas: não se suponha que eu quero que o Chefe seja um «mole e um sentimental»; bem ao contrário, a camaradagem exige firmeza e retidão, para que o seu valor seja duradouro. Não quero que os Chefes de tropas se sintam de modo algum manietados por tradições, regulamentos e programas.

                 A sua experiência e imaginação pessoais, o seu ardor juvenil e a sua compreensão das almas infantis serão os seus melhores guias. A Chefe de Guias bem sucedida nunca empurra - toma à dianteira.

Para ser um Chefe Escoteiro eficaz, um homem tem de ser apenas um homem-rapaz, isto é:
1) precisa de estar animado do espírito do rapaz, e de ser capaz de se colocar ao nível dos rapazes, em primeiro lugar;
2) precisa de compreender as necessidades, modos de ver e aspirações das diferentes idades da vida do rapaz;
3) precisa de tratar mais com o rapaz individualmente do que com a massa;
4) precisa depois de promover o espírito de corpo entre os seus rapazes, para alcançar os melhores resultados.

                    O Chefe Escoteiro precisa de não ser nem mestre-escola, nem oficial comandante, nem cura, nem instrutor. Precisa de se colocar no lugar de irmão mais velho, isto é, ver as coisas do ponto de vista do rapaz e orientá-lo, guiá-lo e entusiasmá-lo na direção correta. Como o verdadeiro irmão mais velho, precisa de compreender as tradições da família e procurar que estas se mantenham, ainda que seja necessária grande firmeza.

                        O Chefe Escoteiro que é o herói dos seus rapazes possui uma poderosa alavanca para o desenvolvimento destes, mas ao mesmo tempo assume uma grande responsabilidade. A tarefa do Chefe Escoteiro é como o golfe, ou a ceifa, ou a pesca à mosca. Quem se apressa não chega ao fim, pelo menos não chega com o resultado que se obtém com um andamento alegre e calmo.

                      Os princípios do Escotismo estão todos certos. O êxito da sua aplicação depende do Chefe e do modo como ele os aplica. É claro que o Chefe Escoteiro se encontra em desvantagem se comparado com o oficial que tem o seu manual de instruções, ou como o mestre-escola que possui o seu livro de texto para seguir.

                           O Chefe Escoteiro não dispõe de nenhum auxiliar externo; tem de extrair o que pode do “Escotismo para Rapazes” e do “Auxiliar do Chefe Escoteiro”, mas na realidade é na sua própria imaginação que ele tem de confiar, combinada com o seu conhecimento do rapaz. Ele tem, no entanto, um auxiliar valiosíssimo, que é o desejo que o rapaz tem de ser Escoteiro.

                             O espírito do rapaz está sempre presente, e vem ao nosso encontro a três quartos do caminho; não o esmaguemos, saibamos desenvolvê-lo e dar-lhe os 25% que faltam para refazer Espírito Escoteiro na sua plenitude - e aí temos!
Do Livro Rastros do Fundador de Baden-Powell of Gilwell.


Nota: - Serás mais feliz se procurares deixar o mundo um pouco melhor com a tua passagem por ele. Um passo a dar nesta direção, como pai, consiste em fazeres do teu filho um homem melhor do que você. O velho Sócrates dizia a verdade ao afirmar: “Homem algum pode ter propósito mais nobre do que aquele que se preocupa com a educação correta não só dos seus, mas também dos filhos dos outros homens”. 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O repouso do Guerreiro. Quênia – Nyeri.


O repouso do Guerreiro.
Quênia – Nyeri.

Setenta e sete anos que Baden-Powell foi para sua estrela ele é considerado por mais de quinhentos milhões de jovens que passaram pelas sendas do escotismo, como o Escoteiro Chefe Mundial!

- Brownsea.
- “Mas as memórias mais vividas de todas eram os fogos de conselho, antes das orações e do apagar das luzes. Ao redor do fogo à noite o Chefe nos contava algumas histórias assustadoras, conduzia ele mesmo o canto Eengonyama e com seu jeito inimitável atraia a atenção de todos”. “Eu ainda posso vê-lo como ele ficava diante da luz, alerta, cheio de alegria e de vida, um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocaiar um animal selvagem, contando uma história curta, dançando e cantando ao redor do fogo, mostrando uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo a todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção”.

Seus comentários:
- Nos momentos difíceis, um sorriso nas dificuldades. Sedes constantes: - Muitos fracassam pôr falta de vontade, paciência e perseverança. Não me distingui em nada, mas provei muitas coisas que me permitiram gostar das alegrias que o mundo oferece. - A vida seria aborrecida se fosse toda de rosas; o sal tomado sozinho é amargo, mas saboreado com a comida dá-lhe bom paladar. As dificuldades são o sal da vida. Tenho aconselhado muitas vezes aos meus jovens amigos que, quando confrontados com um adversário, façam como se estivessem a “jogar polo”: não tentem ir de encontro a ele de cabeça descoberta, procurem antes cavalgar lado a lado e, aos poucos, empurrá-lo para fora do vosso caminho.

- Quando tiveres que fazer um trabalho difícil, pede a Deus que te ajude a fazê-lo, e Ele dar-te-á forças. Mas continuas a ser tu quem tem que o fazer. Não vale a pena ficarmos desanimados por causa de decepções ou de contratempos momentâneos; é inevitável que surjam de tempos a tempos. Eles são o sal que dá labor ao nosso progresso; elevemo-nos acima deles e ponhamos os olhos na grande importância daquilo que temos entre mãos.

A última mensagem de Baden-Powell.
- Caros Escoteiros: - Se vocês já assistiram à peça, lembrar-se-ão que o chefe dos piratas estava sempre fazendo o seu discurso de despedida, temendo que, ao chegar a hora de morrer, não tivesse tempo, talvez, de pronunciá-lo. Passa-se o mesmo comigo, e assim, embora não esteja morrendo neste momento, isto irá acontecer qualquer dia destes, e desejo mandar a vocês uma última palavra de adeus. Lembrem-se: esta é a última coisa que vocês ouvirão de mim, portanto, meditem sobre ela.

      Tenho levado uma vida cheia de felicidades, e desejo que cada um de vocês tenha também uma vida igualmente feliz. Creio que Deus nos colocou neste delicioso mundo para sermos felizes e saborearmos a vida.   A felicidade não vem da riqueza, nem do sucesso profissional, nem do comodismo da vida regalada e da satisfação dos próprios apetites. Um passo para a felicidade é, quando jovem, tornar-se forte e saudável, para poder ser útil e gozar a vida quando adulto.

      O estudo da natureza mostrará a vocês quão cheio de coisas belas e maravilhosas Deus fez o mundo para o nosso deleite. Fiquem contentes com o que possuem e tirem disso o melhor proveito. Vejam o lado bom das coisas em vez do lado pior. Mas, o melhor meio para alcançar a felicidade é proporcionando aos outros a felicidade. Procurem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram, e, quando chegar a hora de morrer, poderão morrer felizes sentindo que pelo menos não desperdiçaram o tempo e que procuraram fazer o melhor possível. Deste modo estejam "bem preparados" para viver felizes e para morrer felizes.

   Mantenham-se sempre fiéis à sua Promessa Escoteira, mesmo quando já tenham deixado de ser rapazes, e Deus ajude a todos a procederem assim.
    Do amigo; Baden-Powell of Gilwell.

Sua última morada.
“Há uma velha lenda africana sobre o majestoso elefante. Quando ele se dá conta que a morte está próxima, ele vai para o fundo da mais escura floresta. Lá ele morre escondido do mundo.”. Dizem que seguindo esta lenda Baden-Powell escolheu a África para sua ultima morada. Ele e sua esposa e Chefe Bandeirante Olave Baden-Powell recolheram-se em 1938 para a cidade de Nyeri no Quênia, para uns poucos anos de 'paz e descanso longe das exigências de Londres’. Sua casa, especialmente construída para eles nos terrenos do Outspan Hotel, foi denominada Paxtu, lembrando a sua casa londrina, Pax Hill. Paxtu também é uma palavra Swahili que significa “completa”.

- Na madrugada do dia oito de janeiro de 1941 B-P morreu em Paxtu na idade de 83 anos. Ele foi enterrado nas encostas do sopé do Monte Quênia, no terreno da Igreja Anglicana de São Pedro. As cinzas de sua mulher foram postas lá depois. Sua lápide mostra o sinal escoteiro "voltei ao ponto de reunião".
Sempre Alerta nobre Guerreiro!


Nota - Já depois de ter completado 80 anos, e numa altura que as forças começavam a escassear, BP e sua esposa partem para o Quênia onde fixam residência. Baden-Powell morre na madrugada do dia 8 de janeiro de 1941. Todavia BP não partiu sem antes nos deixar uma última mensagem, na qual apelava pelo cumprimento da Promessa Escoteira e para que os escoteiros tentassem ao máximo ajudar a comunidade a que pertencessem! 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Minha terceira carta para Baden-Powell



Osasco, 05 de janeiro de 2017.

Prezado e querido amigo Baden-Powell.
Uma ótima tarde para você aí no céu.

                    Se não me engano, esta é terceira carta que escrevo a este mestre que tenho muito carinho. Sei que as respostas só as conhecerei quando estivermos juntos em sua estrela aí no céu. Afinal sei que a vida é uma sucessão de fatos onde aprendemos na Escola da Vida como caminhar e aprender com os próprios erros. Se não me engano o Senhor disse isso em um dos seus comentários no livro Rastros do Fundador. Olhe eu não li, mas copiei um PDF em inglês e estou traduzindo pelo Google já que de inglês eu não falo “bulhufas”.

                 Sabe meu amigo Mestre, não tenho nada novo para contar. Afinal seus amigos mais elevados espiritualmente que eu já devem ter contado tudo que vem acontecendo aqui na terra. Ando “tropeçando” contando os dias que irei partir para minha caminhada nas estrelas. Já não posso mais fazer minhas jornadas, minhas aventuras em cima do meu cavalo de aço (bicicleta) correndo por trilhas ou estradas de terra aventurando no desconhecido. Já não posso mais viver longas noites nos picos distantes, nos vales profundos, nas travessias de rios caudalosos, e ficar horas vendo a partida do sol e a chegada das estrelas brilhantes nas belas noites de acampamento. Tudo ficou para trás. Agora só lembranças.

                 Sei meu Mestre que ainda tem muitos escoteiros sonhadores como eu, que dão tudo para uma aventura como as que eu fazia antigamente. Mas Mestre hoje não dá mais, a idade chega e a gente vai ficando cansado vivendo encostado para não cair. Infelizmente Mestre tem ainda aqueles que chegam para escoteirar e se decepcionam com os homens que lá estão a dirigir. Tem de tudo, tem Chefe dono da verdade, tem Chefe que só quer poder, tem Chefe ocupado e tem o Chefe que só pensa “naquilo”. Ops Mestre, quando digo naquilo é seu sonho para ser um Grande Chefe, melhor que o senhor, que inventa faz e acontece querendo provar no imaginário que um dia sonhou e todos sabem que não vai dar certo.

                Ando escrevendo muito ao seu respeito. Sou diferente de muitos Escoteiros hoje considerados Vovô Escoteiro, que sabem sim discordar, dizem do seu tempo, mas onde estão ensinando? A quem? Um cursinho? Mestre, até que eu gostaria de ajudar assim como eles, mas tenho outro tipo de luta, aquela de tentar acordar os que foram subjugados por uma ideia que não é a sua. Eles mestre são guiados pela ponta do nariz e nada vem adiante e tem muitos que parecem o seu gansinho quando disse: “Tem gente que é um gansinho no modo que vai atrás, dos outros que vão à frente – nem sabe para onde vai”... Nas pisadas do pai ganso, vai pisando o filho atrás! Ele nunca fará nada que não tenha feito o pai!

              Vez ou outra Mestre tento escrever o seu modo de pensar. Opa! Ainda não cheguei lá, quem sabe estou vendo pela metade, e sua pura verdade é contada de outra maneira, mas Mestre, nunca digo asneiras só aquilo que li e aprendi com meus 77 anos de vida. Tem hora que dá vontade de parar, de escrever de mostrar o verdadeiro escotismo que acredito. Mas quem se importa Mestre? Sua filosofia pelo menos foi implantada no cérebro da maioria, mas os nossos lideres atuais aproveitaram para uma lavagem cerebral, onde o cérebro obedece, onde aproveitam para implantar mudanças de pensamento e atitude. Uma reeducação visando mudar as crenças filosóficas do escotismo que eles acreditam.

                Sei que falar assim é enfiar a mão no vespeiro e os defensores se multiplicarão para dizer que sou atrasado, um velhote senil que não vê a modernidade, um dinossauro do tempo que devia pegar a diligência do além e partir para nunca mais voltar. É Mestre, eu não devia me meter com o excelente escotismo praticando hoje. Sabe Mestre não estou “galhofando”, nada disso. Muitos comentam que fazem o escotismo moderno, mas sem esquecer as raízes. Mestre infelizmente os novos lideres não ouvem ninguém. Eles tem agora a percepção de como fazer escotismo baseado nos estudos dos grandes filósofos mundiais da atualidade, e dos novos pensadores e pedagogos que estão surgindo aos montes no escotismo. Acham que o método seu deve ser guardado no fundo do bornal.

                Olhe meu querido Mestre, não vou ficar aqui choramingando, reclamando como uma mala velha que se abriu no meio da estrada da vida e tudo que construiu o vento levou. Até mesmo nem sei por que ainda continuo batendo na mesma tecla, mostrando em contos, em história, em artigos tolos, enganosos para alguns, colocando letras e sinônimos, sem esquecer-se dos antônimos, formando palavras de escotismo do campo, de amizade, de patrulhas formosas, saudosas do escotismo que acreditava fazer.

                Eu meu caro Mestre não guardo rancor. Tento passar a todos que se colocam como irmão escoteiro, atrás destas paginas brancas do computador, que o escotismo é de todos, não tem dono. Basta seguir a trilha que o Mestre nos Deixou. Tento não ser egoísta, individualista e meu exemplo é de respeito, de ouvir opiniões de ser amigo, de não ficar questionando a maneira correta do escotismo que fiz e se ele foi o que sempre acreditei que deveria ser.

              Meu fraterno Abraço Mestre. Não vai demorar muito para abraçá-lo pessoalmente... Se me for possível. Acredito que é um espírito superior e que sua morada fica bem perto onde está o Criador. Quero ouvir suas histórias de Mafeking, de suas aventuras na Africa dos seus sonhos e no que acreditava ser melhor para o mundo de hoje. Lembranças a Senhora Olave, aos queridos amigos que fizeram o belo escotismo ao seu lado, aos Chefes de Campo de Gilwell Park que um dia irei conhecer. Até mais e meu Sempre Alerta para Servir!

Chefe Osvaldo Ferraz, vulgo Vado... Um Escoteiro!

nota: - Ações falam mais alto que palavras e um sorriso denuncia: - Gosto de você. Você me faz feliz. Estou satisfeito pôr vê-lo. Um sorriso insincero? - Não, este não engana ninguém. Todos nós somos capazes de conhecer quando ele é forçado! Do livro Caminho para o Sucesso de Baden-Powell. Minha terceira carta a Baden-Powell. Tirada da minha imaginação. Uma maneira de dizer o porquê ele foi tão importante em minha vida. Bem vindos!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O Contador de Histórias. 2017 deixarão saudades?


O Contador de Histórias.
2017 deixarão saudades?

               Hoje amanheci com a mente voltada no tempo e pensando se consegui neste ano ser um contador de historias... Disseram-me que para ser um tem que ter graciosidade, sofisticação, delicadeza, elegância e suavidade... Uma voz de anjo me sussurrou que para contar histórias eu devia primeiro aprender a ser um maravilhoso mágico encantador para chamar a atenção dos que gostam de ouvir histórias. Excepcional fantástico e surpreendente eu não sou. Tentei cativar e não sei se consegui. Como não sou sedutor, bonito e nem envolvente tive sim leitores amigos que um dia disseram que se emocionaram com minhas histórias... Será?

              Já contei histórias demais. De sonhos, de querer, de envolver e extasiar alguns que acabaram de nascer... Para minhas histórias! Contei uma que eu era um mágico e tinha o dom de semear a felicidade. Onde tocava minhas mãos faziam tornar realidade o sonho de cada um. Tentei com um navegante flutuar nas ondar do mar só para sentir as ondas da embarcação no meio do oceano. Alguns eu fiz sorrir, outros chorar... Fiz valer muitos sorrisos e até mesmo saudades de quem se foi para nunca mais voltar.

              Os poetas contadores de histórias dizem que tudo tem seu preço. Partimos em busca de sonhos tentando fazer deles uma vida real. Perguntei a uma Donzela amante de um príncipe quanto custa para ser feliz... Ela apenas sorriu sem ao menos me dar uma resposta. Volto meu pensamento para o que sou. Sempre a saga escoteira que me fez ser um pobre contador de histórias. Já contei quantas para você? – Eles os Badenianos do universo que Contam Histórias sabem deitar na relva, olhar o céu azul e a noite salpicada de estrelas. Eles dizem aleluia em um Fogo de Conselho. Contam suas paixões suas alegrias e suas vozes acompanham as chamas do fogo que folgadamente tentam chegar ao céu!

              Muitos companheiros uma noite em volta do fogo me disseram que adoram um Contador de Histórias. Dizem que ele é indispensável na vida do escoteiro nas noites de luar. Eu gosto de contar histórias, ver a fogueira alta e a história surgindo vendo os gestos da moçada com os olhos fixos tentando viver os personagens que vão aparecendo como se fossem vagalumes piscando seu colorido no escondido da floresta. Um poeta me contou que você é o piloto e a voz da história. É quem cria e conta mesmo para os que não estão presentes, pois os outros para eles irão contar.

              Shakespeare contou que sua consciência tem milhares de vozes. Cada uma delas traz milhares de histórias e sorri completando: Em cada história eu sou o vilão condenado! Eu humildemente renego para dizer que os poços da fantasia acabam sempre por secar o contador de Histórias, afinal cansado de escrever tentou escapar como podia e o resto... Ficou para o amanhã! Chefe! E o final?

             Pois é... Contar histórias? Não fiquei rico com elas. Nem um livro consegui fazer. Se vão ficar na saudade não sei. Não gostaria se ser lembrado como um Contador de Histórias que nem soube contar sua vida em pedaços. Ah! Meu caro Caio Fernando Abreu aprovo tudo que disse e peço mais: - São tudo histórias, menino escoteiro. A história que está sendo contada, cada um a transforma em outra, na história que quiser. Escolha, entre todas elas, aquela que seu coração mais gostar, e persiga-a até o fim do mundo. Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate. Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena. O resto é engano, meu jovem escoteiro, é perdição.

                       E o Chefe Zé das Quantas e o Escoteirinho de Brejo Seco lá na mata verdejante do interior, olha para o céu e emenda: - Chefe Contador de Histórias, tudo entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra. Minha história acabou um rato passou quem o pegar poderá sua pele aproveitar. E assim terminou a história...

Nota -  Eu gostaria mesmo de ser um Contador de Histórias para sair por aí semeando a felicidade. Eu sei que é um sonho louco e impossível. Muitas vezes nem mesmo sei se as minhas palavras atingem aqueles poucos pobres loucos que se arriscam a ler o que escrevi. E eu idiota confesso não desisto. Nunca desisti. Contra ou a favor procuro sempre ser um Contador de Histórias. Que bom seria se em todas as dificuldades eu fosse um mágico Contador de Histórias dizendo sempre: – “Viva a vida meu amigo, sorria”! E então as tristezas seriam guardadas para sempre na caverna da vida e assim todos nós viveríamos felizes para sempre!
Chefe Osvaldo


segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Histórias escoteiras. O assombroso Fantasma da sede do Grupo Escoteiro Tapajós. (baseado em um fato real)


Histórias escoteiras.
O assombroso Fantasma da sede do Grupo Escoteiro Tapajós.
(baseado em um fato real)

                    Podem crer, foram dois dias depois do natal que tudo aconteceu. Conheci um Chefe na Usiminas onde estava começando na usina e resolvemos montar um Grupo Escoteiro. Escolhemos Melo Viana um distrito de Coronel Fabriciano em Minas Gerais e para lá nos mudamos de mala e cuia deixando os belos alojamentos da Usina cheios de belas pulgas e percevejos. Eu um Chefe Escoteiro de Governador Valadares e o Carlos de Juiz de Fora entendido em lobos tínhamos tudo para criar do nada um sonho que todo Chefe tem um dia e poucos conseguem realizar.

                    Ficamos alguns meses em uma pensão e depois alugamos uma casa pequena onde mais um Chefe apareceu. Odair, Assistente de Tropa advindo de Muriaé. A prefeitura de Cel. Fabriciano nos cedeu uma antiga Escola com três salas que dava perfeitamente para cada sessão e ainda sobrava. Foi assim que surgiu o Grupo Escoteiro Tapajós que existe até hoje. Tivemos no Distrito de Melo Viana um apoio fantástico a contar do padre da igreja local. Em pouco tempo já tínhamos 12 chefes sendo cinco com o CAB Escoteiro e Lobinho.

                Seis meses se passaram e por uma fatalidade o Chefe Odair de Muriaé faleceu. Uma epopeia levar o falecido até Muriaé para ser sepultado. Ficamos tristes por perder um ótimo e fiel amigo. Nossa sede dava fundos para o Cemitério do Distrito de Melo Viana. Os três barracões eram divididos entre as sessões. Um para os lobinhos, um para a tropa e outro para a diretoria e almoxarifado.

                Duas semanas do passamento do Odair o Zé Pontes da diretoria me procurou para avisar que os vizinhos reclamavam de uma algazarra que acontecia em uma das salas da sede após a meia noite dos sábados. Chefe tocam corneta, bumbos, tambores e tarois. Pensei comigo. Só quatro de nós tinham as chaves. Quem seria? – Melhor ir lá para ver. Ir sozinho? Sei que era um escoteiro durão, mas nunca me dei bem com fantasma. Para ir lá tinha de contornar todo o cemitério cujas catacumbas e os túmulos de terra ficavam bem a mostra depois da cerca de arame farpado. Entrar na sede a meia noite? E se fosse verdade? Nem pensar. Vamos em dois. Dos chefes ninguém topou. O Carlos disse: Vado morro de medo de fantasmas!

                  Passou um mês. A Banda continuava tocando a meia noite nos sábados. Escoteiros e lobinhos evitando entrar na sede mesmo durante o dia. Os “Fantasmas da sede” estavam tomando proporções tal que vimos o números de jovens diminuírem. Precisamos desmascarar os tais fantasma. Segunda armado de um bastão com ponteira de aço e duas lanternas esperei dar onze quarenta e cinco da noite e tremendo fui para lá. Deus! Como tremia. O medo era borrar as calças. Ao passar pelo cemitério parecia que estava vendo em cada tumulo uma caveira se levantando. Fechava os olhos abria e elas desapareciam. O que o medo pode fazer não?

                   Onze e cinquenta e cinco. Um silêncio de morte. Juntei todas as minhas forças meti a chave na fechadura e entrei. E o pior me senti uma “besta quadrada”, pois me tranquei por dentro. Porque fiz isto? Não sei. Sentei em uma cadeira em volta de uma escrivania. O silencio era total. Já estava respirando melhor. Acho que não tinha nada. O povo inventa! Sorri pensando como o povo pode inventar! Deus! Foi então que vi uma corneta levantada no ar! Ninguém segurava! Um clarim esguichou no meu ouvido! Dei um berro que acordaria toda vizinhança. Larguei a lanterna e corri para a porta. Não abria. Onde estava a chave? Perdi. Um Bombo um tambor e duas cornetas tocavam sem parar fazendo uma barulheira infernal.

                   Eu gritava e berrava como um louco. Consegui abrir a porta. Sai correndo em desabalada carreira. As calças toda molhada e borrada. Fui direto ao Pároco. Ele dormia. O acordei. – O Senhor vai comigo – Chefe Osvaldo é impressão sua. – Vamos lá, não é o homem de Deus? – Precisa benzer a sede. Lá fomos eu e ele. Vi que ele sorria, queria mostrar uma força que não tinha. Entramos, silencio. Ele me olhou – Tá vendo? Não tem nada. Uma corneta berrou alto no seu ouvido. – Ele gritou – Louvado seja meu Senhor Jesus Cristo. Me socorre!  Nem me olhou sumiu na porta na minha frente.

                No sábado seguinte ele oito vicentinos, cinco filhas de Maria (o que elas iriam fazer lá?) foram a meia noite na sede dizendo que iriam exorcizar. Rezaram, cantaram e foram embora. Acho que deu certo. Os barulhos sumiram. Joguei fora a calça que usei naquele dia. Não dava nem para lavar. Até hoje não sei se foi o espírito do Odair. Ele nunca me disse nada. Uma semana depois fui pegar um guarda chuva em cima do guarda roupa na casa que morávamos. Chovia a cântaros. Trovejava. Relâmpagos no céu. Chefe Carlos trabalhando de zero hora. (turnos alternados). Estava sozinho em casa. Subi em uma cadeira. Meu Deus! A dentadura do Odair aberta como se estivesse rindo para mim! (ele tinha dentadura). Cai da cadeira estatelado no chão.

               Sai correndo e só parei no bar do Zaqueu. Melhor ficar ali até as madrugadas tomando umas e outra. Voltar para a casa? Vai ser difícil. Nunca mais ninguém reclamou da barulheira da banda. Tudo voltou ao normal. Os meninos que saíram voltaram. O tempo passou. A Usina me mandou embora. Ainda bem que a pedido do Padre Lara hoje Bispo montamos uma tropa na Igreja em Cel. Fabriciano. Saudades de Dom Lara, grande Chefe, sempre apoiando e sei que apoia até hoje.

               Um dia desses pensei em visitar o Tapajós em Fabriciano. Afinal saí de lá em 1965. Tempo demais. Não esqueço a canção do Grupo que eu e o Carlos fizemos: ¶ Eu sou um grande escoteiro, ouçam bem a minha voz... Vivo alerta o dia inteiro! Pois pertenço ao Tapajós! – £ Sinais de pista, eu dou escola, sou um artista em dar nós, sou sinaleiro a toda hora! Pois pertenço ao Tapajós! - Saudades muitas saudades...

Afinal são histórias. Acreditem se quiserem. Ainda guardo lembranças do Carlos do Odair de Don Lara, do Pontes, do Nogueira e de tantos outros. Valeu uma época. Valeu uma vida!


Nota - Todos nós temos uma história de fantasma para contar. Eu tenho muitas todas tirada da minha imaginação. Mas esta tem tudo para ser real. E foi mesmo. Não acreditam? Pena, o Carlos morreu. O padre também. Zé Pontes se estiver vivo tem mais de cem anos. Sobrou quem? Eu, pois o Padre Lara nunca soube de nada. Mas olhem não fico triste por não acreditarem. Pena que não guardei minhas calças borradas para provar! Kkkkkk.