Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

segunda-feira, 12 de março de 2012

O SISTEMA DE PATRULHAS



O SISTEMA DE PATRULHAS
                                                                   
“Cada Tropa Escoteira é formada pôr duas ou mais Patrulhas de seis a oito rapazes. O principal objetivo do Sistema de Patrulhas é dar responsabilidade real a tantos rapazes quantos seja possível. Isto faz com que cada rapaz sinta que tem pessoalmente, alguma responsabilidade pelo bem de sua Patrulha. E leva cada Patrulha a ver sua responsabilidade definida para o bem da tropa. Através do Sistema de Patrulhas os escoteiros aprendem que tem uma considerável participação em tudo que a sua tropa faz”.
Baden Powell

- Se estou entendendo - falou um dos jovens chefes - O senhor esta afirmando que o sistema só funciona com liberdade - Deixar que eles façam desde que devidamente instruídos, preparados e adestrados. Mas e as outras atividades em conjunto?

- Nunca deixaram de existir! - “falou o ““ Velho” Escoteiro - Vocês devem medir a disponibilidade de tempo para que possam guiar a Tropa. - Repito - G U I A R! - Não dirigir. Para isto é necessário algumas reuniões nos dias de semana. Com o tempo os próprios monitores vão procurá-los em suas casas, desde que autorizados para isto e é claro que devem ser autorizados. A amizade que vai uni-los é a mais importante na Direção da Tropa.

- Deve haver diversas atividades em que todos estarão presentes. Seja na sede ou no campo. O que se está insistindo aqui é que os monitores é que dirigem, adestram, ensinam e acompanham o crescimento dos escoteiros da patrulha. Estes, democraticamente fazem do monitor o seu porta-voz. Foram eles que os escolheram e o elegeram.

- Este é o motivo da insistência de termos rapazes advindos do movimento liderando tropas Escoteiras. É claro que nem sempre isso é possível e assim o voluntário terá que ser bem adestrado e se possível fazer algum tipo de estágio em outras tropas que aplicam corretamente o Sistema de Patrulhas. Por experiência eu sei que um adulto que não passou pôr esta fase, nunca vai acreditar ou só acredita pela metade na responsabilidade da patrulha em dirigir a si mesma.

Ele vai fazer uma projeção totalmente errônea do Sistema de Patrulha, sempre baseada em sua experiência, que pode ser da sua vida passada ou da sua atividade profissional. Mas se bem orientado, bem adestrado, tenho a certeza que ele vai ser um excelente Escotista completou. - Tudo vai fluir facilmente se observarem os princípios do método escoteiro. Uma boa patrulha vai bem se a democracia é posta em pratica sempre.

Para isso a Patrulha deve ter livre arbítrio para participar, sugerir e votar. Algumas tropas tem um conselho de monitores cuja função é de assessorar assuntos ou temas que possam ser resolvidos sem a necessidade da Corte de Honra. Principalmente a discussão de programas de tropa ou mesmo de atividades extra sede. O “Velho“ não demonstrava sinais de cansaço e entre uma ou outra conversa e uma cachimbada, aumentava o volume de sua velha vitrola, cujo disco de um trio famoso em sua época, repicava velhas e saudosas canções escoteiras.

Lá fora, uma lua cheia e “rechonchuda” brilhava no céu, e pela janela, apesar das luzes acesas, invadia sem permissão parte da Sala Grande. O Sistema de Patrulhas em principio parecia ter sido absorvido pôr todos, mas à medida que discutíamos detalhes, mais e mais chegávamos à conclusão que pouco sabíamos. E era tão simples! - Chefe - monitor - escoteiro - escoteiro - monitor - chefe! - Simples mesmo.

- Vocês não devem esquecer - falou o "Velho" Escoteiro - O Sistema de Patrulhas é um trabalho em Equipe. Através dele vamos dar aos jovens noções de civilidade, harmonia, compreensão, democracia, honra, fraternidade e formação da personalidade sem impor determinações que não condizem com a formação do caráter. Trabalhamos com o todo, mas visando a unidade, lembrem-se que colaboramos e não substituímos os pais na formação do jovem na escola e a igreja e família. Não sei se me fiz entender bem! - completou o “Velho”.

- O Programa Escoteiro já é conhecido de vocês e basta aplicá-lo. O inicio é simples e para isto a tropa pode ajudar e bem. Em uma conversa ao pé do fogo, em um acampamento de monitores ou em uma reunião de tropa, tracem algumas metas e deixe que cada um use da palavra para alterar o que achar conveniente. Peçam aos monitores para irem anotando. Quinze a vinte minutos no máximo. Maior tempo é cansativo e não vai ser produtivo. Depois, nesta mesma reunião ou numa próxima, sugiram uma Reunião de Patrulha, para discutir novamente os tópicos e o seu desenvolvimento.

- Lembrem-se que ali devem ter dados concretos, pois eles é que vão dizer as metas a serem cumpridas, tanto no programa da tropa como no adestramento progressivo de cada um. É importante que cada jovem tenha uma copia da ficha modelo 120(não sei se existe outra) para anotar e acompanhar como está indo o seu adestramento progressivo e todas as vezes que for alterada o monitor apresenta ao chefe da Tropa para atualização de uma segunda via e devolvida. A “Corte de Honra“ define sempre as etapas onde se exige parte da Lei e Promessa.

- Claro que uma só reunião não será o bastante. Talvez mais. Cada tropa tem suas necessidades. Mas em três reuniões, seja de patrulha, Conselho de Monitores e Corte de Honra, acredito que terão um programa sadio e pronto para ser desenvolvido. Isto acaba com “detalhes” de programa semanal, mensal e trimestral. Falo assim, pois tenho visto dezenas de amadores falando sem nexo sobre o Sistema de Patrulhas e o pior, nunca passaram pôr isto. Falam na teoria e na prática não se vê os resultados.

- Lembre-se, o importante é deixar boa parte do programa na mão dos jovens. E vai funcionar. Disso tenho certeza. Compete a cada um acompanhar e se necessário alterar de comum acordo com os monitores e sempre levando em consideração a disponibilidade da chefia. A cada passo deve-se verificar o resultado. Este é que deve ser cobrado a todo instante. Afinal, qualquer programa pode sofrer uma correção de rumo e se for o caso, discuta novamente com eles. Se passarem um ano fazendo assim e conseguirem manter pelo menos 65% dos jovens na tropa com etapas sendo vencidas estão no caminho certo.

 É um percentual baixo para uma boa tropa, mas acredito que a media em nosso país não passa de 25%! - Tudo isto tem de vir acompanhado da parte mais importante que é a Lei e a Promessa. Façam seus escoteiros decorarem-na. Eles tem de saber na ponta da língua o que é e o que significa. A cada segundo não deixe de repetir para você e para eles uma Lei.

E para finalizar, toda experiência é valida se depois de anos verificarem que deu certo ou não. Muitos chefes não acreditam nisso, pois aprenderam infelizmente com outros que não tiveram esta experiência ou mesmo em muitos casos nem passaram em tropas bem formadas no sistema de Patrulha. Acredito que os resultados só serão visto a longo prazo.
 
Os raios do luar não respeitava a rua pôr onde passávamos. Deserta e calma, sentíamos o orvalho a cair e o aroma gostoso completava nossa caminhada no começo daquela manhã. Acredito ter valido a pena ir para casa aquela hora. Nós três, cada um contando cada um suas façanhas do passado, algumas vezes cantando as velhas canções escoteiras. Graças ao “Velho” sentíamos orgulho em participar do Movimento Escoteiro.

domingo, 11 de março de 2012

Lembranças do meu amigo, o "Velho" Escoteiro.



Lembranças do meu amigo, o "Velho" Escoteiro.

- Levar-se muito a sério enquanto jovem (e adulto também) é o primeiro passo para tornar-se um “PEDANTE”.
Um pouco de bom humor poderá tirá-lo deste perigo e também de muitas ocasiões desagradáveis.
- Aquele que se elogia é geralmente aquele que necessita de ajuda;
- Um cidadão equilibrado vale meia dúzia de extravagantes;
- Muitos querem seus direitos, antes de os terem merecido.
                                 Baden Powell (BP)

Divirto-me quando escrevo sobre o "Velho" Escoteiro. Acreditem, ele existiu. Não tanto assim como descrevo, mas eu o adorava. Um grande "Chefe". Hoje não está mais conosco. Lembro-me de um dia no Mineirão, CruzeiroxAtletico. Levei o "Velho". Só estando lá para ver tudo ao vivo e a cores.

"Se tens vento e depois água, deixa andar que não faz mágoa!” - Mas se tens água e depois vento, põe-te em guarda e toma tento! "Vermelho ao sol pôr, delicia do pastor”!”- “Orvalho de madrugada, faz cantar a passarada” - Nuvens baixas, cor de cobre, é temporal que se descobre “- São tantas lembranças na mente que só esquece quem não aprendeu”“. - dizia o "Velho".

                            Hei "Velho" - disse - Se esqueceu de que estamos em um estádio, em uma arquibancada assistindo a um jogo de futebol? - Aonde quer chegar? Viemos aqui para assistir uma partida de futebol e não para filosofar sobre o escotismo.
                            - O "Velho" não tinha hora nem lugar para resmungar ou relembrar. Desde que tínhamos chegado, fomos xingados, devido ao seu horroroso cachimbo e a fumaça que insistia em ir de narina a narina dos torcedores próximos a nós. O Estádio estava lotado. Era um jogo de final de campeonato, e eu torcedor fanático pôr um dos times não podia perder. O "Velho", que eu não sabia para qual time tinha preferência, se convidou a ir comigo. Quem sou eu para dizer não?

                            - Olhe só para a cara de cada um - continuava o "Velho" - Torcem sentados, numa boa, enquanto 22 jogadores e um juiz correm o tempo todo. E vem você me dizer que isso é esporte. Pode ser para quem está no campo, mas para nós escoteiros não. Ou participamos todos, ou melhor, não fazer nada. Veja bem, continuou, já pensou 1.000 bolas no campo e todo mundo que está aqui no campo chutando? E riu com gosto!

                            Não discuti com o "Velho". O jogo estava empatado em 1x1, e os nervos dos torcedores estavam à flor da pele e prontos para explodir. Em dado momento, devido a uma jogada perigosa, se fez enorme silencio no estádio, pois um jogador importante de um dos times tinha se machucado. Havia duvida se ele voltaria ou não.

                            Nesse momento, o "Velho" levantou e virando para os torcedores, ficou em posição de sentido e fez a saudação escoteira gritando a plenos pulmões: - SEMPRE ALERTA! - Foi à conta. O estádio veio abaixo. A gozação foi tremenda. Tivemos que procurar outro local para ficarmos mais a vontade.

                            Na volta fiquei pensando se nos meus 80 anos seriam como ele. Ao chegar a frente à casa do "Velho", e ele descer sem agradecer, voltei para a minha e no caminho não tive duvidas que queria ser como ele. Não importava as excentricidades que para mim eram virtudes. Se o Escotismo era o que ele gostava, porque não vivê-lo plenamente? Esqueci-me de completar - meu time perdeu de 5x1!

Esqueci de dizer. O "Velho" Escoteiro teimou e teimou e foi de uniforme com chapelão!

sábado, 10 de março de 2012

A lambança, o coveiro, o escoteiro medroso, O prefeito, o delegado e o Valente Comissário.



A lambança, o coveiro, o escoteiro medroso, O prefeito, o delegado e o Valente Comissário.

De novo? Claro, porque não? Alguns se divertem outros não. Sempre disse que quem não tem histórias para contar não sabe o que é viver. Lambanças do passado me fazem dar gargalhadas. Juro pela alma do fantasma que é verdade! Para ser sincero, repito que daria tudo para uma volta ao passado. Risos. Sempre que vem a lembrança fatos e lambanças, me lembro de alguns adágios conhecidos – Cão que ladra não morde. Quem faz muitas ameaças não costuma cumprir nenhuma. - Gato escaldado até a água fria tem medo. Aprendemos a recear tudo quanto nos lembre duma experiência penosa algo que alguma vez nos causou dano.

Bem chega de lenga-lenga e vamos às lambanças. Simples, nem tão cheia de vida, mas porque não escrever sobre elas? Vamos lá:

Primeira – 1969. Uma carta do Escoteiro Chefe. Um Grupo Escoteiro no interior fazendo lambanças. Pedia para que tomasse providencias. Só marchavam. Centenas deles. Meninas juntas. (era proibido, só bandeirante). Mandei um telegrama. Chego domingo pela manhã. Se possível um encontro pessoal para troca de ideias. Iria dar um chega prá lá no Chefe. Se necessário fechar o grupo.  Peguei um ônibus, cheguei às onze horas da manhã. Na rodoviária dois soldados e um tenente me e esperando. – "Chefe" Escoteiro, estão todos praça.

“Diabos” Praça? Lá fui eu com eles. Na praça uma apoteose. Milhares de pessoas. Fui conduzido ao palanque. Presentes o prefeito, o delegado, o presidente da câmara, o padre, o juiz, o promotor, o Capitão da policia militar, e outros que esqueço agora. Cumprimentos, abraços. Discurso. Só o prefeito falou quase uma hora. Deram-me a palavra, não sabia o que dizer. Começou o desfile. Mais de mil escoteiros. Meninas, meninos, adultos uma coisa incrível!

O orador apresentava no microfone – Fanfarra Escoteira se apresentando. Enorme mais de oitenta participantes. Que fanfarra meu Deus! Ficou de frente ao palanque. Agora o pelotão um – os corvos! E passava o pelotão marchado. Agora os Touros! E Assim foi, nove pelotões. Todos com nomes de patrulha! E como marchavam bem. Acho que cada pelotão tinha pelo menos cento e vinte escoteiros.

Terminou o desfile. Levaram-me para almoçar no Clube mais chique da cidade. Mais discursos. À tarde desisti. Vi que não conseguiria falar com o "Chefe" do Grupo. Pensei outra ocasião. Ele não sabe o que o espera. Peguei um taxi para a rodoviária. Perguntei ao taxista: o que o Chefe dos escoteiros faz? – Ele? É Juiz de menor, e dono da maior fábrica da cidade. Irmão do Prefeito, sobrinho do juiz de direito, cunhado do Promotor de Justiça e sua mulher é delegada federal. O juiz é sobrinho da mulher dele. O presidente da câmara é seu filho. O capitão da policia é seu primo. Esqueci, o padre é irmão da mulher dele! “Puts grila!” pensei. Melhor ir para casa e esquecer tudo isso! Que o Escoteiro Chefe se vire.  Risos.

Segunda – 1952, 12 anos. Uma especialidade de acampador. O Monitor me disse que precisava passar na prova de coragem. Claro que topei. Era o mais corajoso da Patrulha. Prova? Ficar de onze da noite até seis da manhã no meio do cemitério da cidade sentado em um banquinho de madeira. Para provar, fazer oito mini-pioneirias. Moleza! Um tamborete, um pedaço de bambu. Saltei o muro (cinco me levaram até lá). Escolhi o local e fiquei perto da lápide da minha bisavó. Ela me protegeria. Escuro feito breu. Um vento frio começou a soprar. Estávamos próximo do Rio Doce.

Meia noite e meia. Olhava toda hora para os lados. Estava tremendo. Não conseguia fazer as pioneiras. O bambu que levei ainda estava intacto. A faca é claro na mão para me defender. A menos de vinte metros uma chama azul saiu de um jazigo. Outra logo em seguida de um sepultura tenebrosa. E mais outra de uma tumba cinzenta. (fogo-fátuo, ou melhor, chamado de fogo tolo. Avistado em pântanos brejos e cemitérios arenosos. Uma inflamação espontânea do gás (metano) ou da decomposição de seres vivos).

Aguentei o que pude. Eram duas da manhã. O fogo virou de outras cores. Tremia. O xixi escorria. – O que faz aí? Uma voz trovejante. Gelei. Olhei para trás, um homem de capa preta, enorme, sem dentes, um chapéu preto. Não aguentei mais. O capeta em pessoa! Sai em desabalada carreira e gritando, saltei o muro e fui correndo para casa. Um banho para tirar a sujeira (me borrei todo).

No outro dia a Patrulha perguntou e ai? Como foi? Moleza. Até tirei um cochilo! Eles riram a valer. O Monitor disse – Olhe não foi o que o Zé Pé na Cova o coveiro disse. (o tal da capa preta). Disse que você se borrou todo e saiu gritando! E todos riram por muitos e muitos anos. Falar o que? Voces que me leem estão rindo? Pensam que é fácil? Então vão lá. A meia noite. Depois podem rir a vontade! Risos. (consegui a especialidade, acharam que eu merecia). 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Qualidade ou quantidade? Eis a questão!



Qualidade ou quantidade? Eis a questão!

Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.

Sempre sou surpreendido aqui e ali, por ver notícias ou mesmo alguns escotistas que iniciando uma sessão Escoteira ou mesmo um Grupo Escoteiro tem a única preocupação da quantidade. Vejo também até distritos, regiões que em menos de um ano duplicou seu efetivo de forma assustadora. Isso é bom? Não é o que digo sempre, aumentar nosso efetivo nacional?

O tema que pretendo lançar aqui é o inicio de um Grupo Escoteiro ou de uma sessão com grande numero de pessoas. Tenho como exemplo uma construção de qualquer coisa. Um prédio, uma casa, um veículo etc. Tudo demanda tempo. Se quiseres fazer bem feito faça por etapas. Nada a ver com a linha de montagem que Henry Ford desenvolveu em 1863 para produção em série. Sua linha de montagem ficou famosa e até hoje é copiada por todos.

Estamos lidando com seres humanos. Formação de personalidades, diretrizes de conduta, normas de comportamento e tantas outras noções de civilidade que fazem parte do método Escoteiro. Em todos os cursos que participei assim me foi ensinado. Começar com poucos. Se hoje falam diferente não sei. Assim como aprendi, também executei com êxito. Em nenhum caso tentei fazer escotismo em massa para satisfazer egos de amigos ou políticos que assim o desejavam.

Os exemplos não partem somente dos novos grupos cujos dirigentes ainda estão em fase de aprendizado. Partem também de regiões e distritos que de forma ambígua não dão o suporte necessário. Se formos ver em escala por todo o território nacional estamos assistindo a esta corrida que pode até dar certo, mas vai levar o dobro de tempo se ao contrário a maneira correta fosse realizada.

Outro dia conversei com escotistas bem formados, alguns Insígnias de Madeira, que organizando um grupo novo, fizeram inscrições em massa e o mesmo com a promessa. Ora, se isso acontece com quem deveria saber como agir certo, quiçá com aqueles que não foram orientados para isso. O futuro para muitos que começaram assim não será promissor. Acredito mesmo que alguns já estão sofrendo a perda de jovens porque não começaram da maneira correta.

E qual é a maneira correta? Começar com poucos. Na Alcatéia pelo menos oito jovens que poderão ou não ser os futuros primos e segundos. Na tropa a insistência é maior. Também o número máximo de oito jovens que serão os futuros monitores e subs. Estes serão bem formados (adestrados) para quando as patrulhas forem formadas poderão estar devidamente preparados para levar sua patrulha ao caminho do sucesso esperado.

Seniores, guias, pioneiros e pioneiras? Eu não começaria tão cedo. Se você tem jovens nesta idade advindos da própria tropa, a possibilidade de sucesso é grande. Isto não acontece com a formação usando somente novos sem o suporte de antigos. Portanto só iniciaria quando tivessem elementos em condições de começar advindos da própria tropa. Agora eu pergunto. Porque a pressa? Porque querer em pouco tempo ter todas as sessões? Alguns me dizem que não podem deixar que aqueles que querem fazer escotismo não podem ficar de fora.

Bem, quando temos uma quantidade boa de adultos, e principalmente escotistas bem formados até que se pode pensar no assunto. Eu não o faria, mas admito que tenha outros mais preparados do que eu e podem levar a bom termo a nova tropa ou grupo. Sei que poderão dar vários exemplos bem sucedidos. Concordo, mas ao contrário poderia eu mesmo dar outros tantos ou talvez muito mais de exemplos que não deram certo.

Claro que é lindo e espetacular além extremamente agradável ver cinquenta, cem ou mais jovens, como digo brincado – “Durinhos” fazendo uma promessa em massa satisfazendo o ego da população, dos políticos e dos pais que agora irão acreditar que os seus filhos, a comunidade irão receber os benefícios que tantos esperavam. Mas a decepção poderá vir muito rápido. Acredito no crescimento paulatino e na minha modesta opinião é uma forma correta e não uma forma impensada da massa sobrepondo o indivíduo.

Por outro lado, nosso método tão bem idealizado por Baden Powell (BP), nos mostra a força do sistema com uma promessa com poucos. Orgulho de quem a fez, sabendo de sua importância e não em ser mais um junto a tantos outros que levantaram a mão e repetiram uma promessa que pode não ter marcado na memoria a sua importância.

Se isso fosse feito, garanto (experiência pessoal) que a fila de espera teria uma enorme importância. Todos saberiam que a entrada em um Grupo Escoteiro não é tão simples, e quando houver uma chamada o interessado irá dar grande valor a sua entrada no Grupo Escoteiro. Infelizmente vejo hoje, membros adultos escoteiros postando aqui e em outros sites, que as inscrições estão abertas. Abertas? Tem época para isso? Ou é um engodo para tentar arregimentar jovens que por um motivo ou outro são convidados para substituir os que se foram ou uma forma de querer voltar a ser grande. Não é uma maneira feliz de arregimentar.

Uma vez, em um passado remoto, em uma cidade do interior, um religioso me procurou interessado em ter uma tropa Escoteira em sua paróquia. Na época colaborava com um grupo Escoteiro em um bairro próximo. Pedi que escolhesse oito jovens. Seriam os futuros monitores. No entanto o religioso se entusiasmou. Quando lá cheguei no horário determinado, vi em um pátio coberto mais de quinhentos jovens. Quase cai de costas! Mas essa é outra historia. Megalomania de um que não satisfez em começar por baixo.

Sei que tem grupos escoteiros que deram certo. Ótimo. Mas acredito que é minoria. Sei também que muitos hoje lutam com sacrificios enormes da evasão dos jovens, falta de adultos responsáveis, desentendimentos entre chefia, um líder que assumiu e não passa o bastão a outro. Outros que na posição de líder sabe liderar, mas nunca aceitou ser liderado. Isto é uma reação em cadeia. Os exemplos estão aí para quem quiser analisar nos últimos cem anos.

Talvez esse seja um dos nossos motivos do crescimento pífio que sempre tivemos. Não sei. “Doutores” assim como eu terão sempre diversas explicações. Acompanho o escotismo com visão de adulto deste 1961. (entre com sete anos em 1947). Fui aprendendo a cada ano e vendo o porquê não temos um comparativo com outras nações com escotismo grande e forte em qualidade e quantidade.

Infelizmente eu sei que também não vou mudar nada. Não tenho autoridade para isso. Falei por falar. Sugeri por sugerir. O amanhã terá a mesma brisa, o vento irá soprar de novo e ele pode ser um vento sul ou um vento vindo do norte. As flores irão desabrochar. Os pássaros irão cantar nas serras distantes. O sol vai nascer e se por. As estrelas brilhantes no céu sempre serão acompanhadas de uma lua fulgurante.

Não sei quem disse que palavra são apenas palavras! Que elas tem apenas e tão somente o valor que cada um lhes quiser dar. As pessoas definem-se pelas suas reais atitudes e não pelas suas possíveis intenções. Não sei quanto tempo ainda irei aqui dizer o que penso. Não importa. Se amanhã tiver de prestar contas dos meus atos irei prestar com alegria por ter dito o que pensava. O que fiz no passado deu certo. Graças a Deus! O que sempre acreditei como deveria ser tenho orgulho de tê-lo feito.

“Se ficarmos só nas intenções, não vamos a lugar nenhum!” Ou como se costuma dizer: - Palavras leva-as o vento. Mas há palavras ditas que marcam uma vida! Portanto, COMECE COM POUCOS!

Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Estes Escoteiros e estes Lobinhos são o “Cara”



Estes Escoteiros e estes Lobinhos são o “Cara”

(O presidente americano Obama, usou esta expressão para definir o presidente brasileiro – significa o homem certo, aquele que é líder, motivado etc.).

Quem não tem em sua tropa ou alcatéia, aquele jovem ou aquela jovem que mostram serem os melhores?  Os mais interessados? Os mais dedicados? Todos têm alguém assim. São os primeiros a chegar à sede e os últimos a sair.

Nos acampamentos, excursões, em qualquer atividade lá estão eles/as sempre com todo o equipamento, uma boa mochila, bem uniformizados e sempre sorrindo. Não reclamam, são sempre bons estudantes, bons filhos enfim chegamos até a pensar que ele ou ela já nasceram com Espírito Escoteiro. Eles são nosso orgulho e sempre os exemplos em qualquer situação. Pedimos a Deus que toda a tropa ou alcatéia fosse assim. Mas sabemos que não.

Porque os demais não são do mesmo jeito? Afinal o programa dado é o mesmo para todos, e se uns poucos se destacam porque não os demais? Já ouvi alguém dizendo que os “outros” não nasceram para ser escoteiros. Verdade? Existe isso mesmo? Então teríamos que fazer uma seleção quando o jovem nos procurasse?

Infelizmente para muitos a realidade é outra. Eu mesmo acredito que todos podem ser escoteiros. Não importa o QI, o grau de instrução ou seu meio social. Escotismo foi feito por BP com simplicidade. Sem complicação. Se bem aplicado, todos serão ótimos escoteiros ou escoteiras. É claro que depende do treinamento dos chefes. Seja na Alcateia ou na tropa. Se eles são “bons” se eles sim forem os “caras’ não tem erro”.

É preciso respeitar o jovem. Não me entendam mal. Se ele vai à sede, vê os mesmos programas, descobre que as promessas que lhe fizeram de acampamentos, excursões, travessias de rios, florestas, sinais de pista, barracas, grandes construções, e fazer sua própria comida e ao contrário não encontram nada disso, ele vai embora. Podem dizer o que quiserem. Que ele não nasceu para ser escoteiro. Como se todo jovem pudesse fazer sua escolha ao nascer.

Portanto, se sua tropa ou a Alcateia tem poucos “cara” não sei não. Caia na real. Faça cursos, leia muito, procure outras tropas para discutir e aprender. Cuidado com ficar só reclamando: - O João não veio? O Pedro não veio? Problema deles, se faltarem mais uma digam que está cortado da patrulha. Risos. Depois tira daqui e dali. Reformem as patrulhas. Eram quatro? Eles estão indo embora? Façamos três. Se aparecerem novos nós faremos nova Patrulha.  Não é assim? Acho que não teremos nunca uma Patrulha estável agindo desta maneira. Sempre se mexe para um jogo, para um evento ou para uma atividade ao ar livre.

Meu conselho é um só. Sei que não vão seguir, mas converse, converse muito com seus monitores, converse também em particular com os desanimados. Vá a casa deles. Ouça. Não retruque. Não dê explicações ou faça promessas incabíveis. Tudo que aconteceu até agora foi culpa ou sua ou dos chefes. Depois façam um plano junto com os monitores que ainda estão com você. Na Alcateia um pouco diferente, mas os primos podem ajudar e muito.

Sei que é difícil aceitar criticas. Dizer que não vai dar. Ele não nasceu para ser escoteiro ou escoteira. Como disse um dia o nosso querido Chico Xavier, ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas pode a partir de agora começar de novo e acertar. Não culpe os meninos e meninas. Culpe você. Não fique triste. Sei que faz tudo que podia. Sei de seu sacrifício, das horas e dos gastos que fez. Mas não atingiu o objetivo.

Quando você for amigo dos monitores e subs, quando tiver reuniões com eles para seu adestramento ou formação, quando você ouvir suas opiniões, você verá que a procura de novos virá naturalmente. Isto é claro quando as opiniões deles forem válidas. Quando sentirem que o programa agora pertence a eles. Difícil? Para mim não e para você eu sei que também não.

Dê a eles mais campismo. Mas atividades aventureiras. Leve uma barraca, deixe os monitores ensinarem a suas patrulhas, faça um jogo de armar barraca de olhos vendados. Os Sinais de Pistas estão ultrapassados? Pois programe uma patrulha para fazer uma pista por mais de 1000 metros e que as outras sigam. Leve corda deixe por conta dos monitores fazer um comando crawl. Deixe-os aprender até a exaustão descer de arvores com cordas usando o volta do salteador.

Mas deixe-os fazer. Não faça nada. Saia de perto, por favor! Ó programa é deles e não seu. Se fizerem errados é isso mesmo. Nosso método. Aprender a fazer fazendo. Pode dar um “pitaco” ou outro e no final, diga: parabéns patrulhas, muito bom. Será bem melhor na próxima!

Torno a afirmar e podem perguntar aos grupos que assim agem que a procura é sempre maior do que a saída. Nada em tempo algum vai substituir a vida ao ar livre, as atividades aventureiras, os acampamentos e o sonho que o jovem tem de também ser um herói. Pensem bem, se vocês estão sofrendo com a perda de jovens, se a procura é menor que a saída, se ha desinteresse, se somente um ou dois “caras” estão motivados, então é hora de mudar e logo.

Tenho certeza que vocês podem ter e vão ter muitos “caras” em suas seções. Basta querer e ter força de vontade. Desejo de coração o que dizia BP, o sucesso sempre! 

É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.

quarta-feira, 7 de março de 2012

ATIVIDADES AVENTUREIRAS



ATIVIDADES AVENTUREIRAS

O Chefe formou a tropa pôr patrulha. Estavam desalinhados, conversando entre si e não prestavam nenhuma atenção ao dirigente. As instruções eram dadas a todos indiscriminadamente.  A maioria não ligava a mínima ao que ele falava. Os monitores a frente ouviam sem interesse. O local apesar de não ser o ideal, oferecia condições para uma boa atividade ao ar livre.

Estava eu junto ao “Velho” Escoteiro que embasbacado não sabia se daria uma “lição” naquele Escotista ou permaneceria calado como eu estava. Foi uma coincidência. Fui levar o “Velho” Escoteiro até um parque fora da cidade, pois ele adorava brincar com os netos em plena natureza. Apesar deles não participarem do movimento ele não deixava de aproveitar para brincar adestrando. Tão logo tínhamos descido do veículo, deparamos com aquela cena que tinha tudo para mostrar ao publico ali presente, um autentico “sargentão“ e seus soldadinhos (só que indisciplinados). Totalmente fora do que pretendia o Movimento Escoteiro.

Com sua pose de líder, um grande bigode para impressionar, lá estava o dito, a preparar uma atividade, mais apropriada para lobinhos. Nada a ver com os jovens que ali foram à procura de atividades aventureiras que nunca tinham feito. Claro eles acreditavam encontrar no Escotismo. Deu um fora de forma na melhor pose e respirou fundo satisfeito. Achou que tinha impressionado a todos que o observavam. Além de péssimo chefe também era um péssimo ator. O Sistema de Patrulhas desaparecera ou nunca tinha acontecido naquela tropa.

Felizmente, o “Velho” Escoteiro não interveio. Me chamou e fomos em frente, evitando ver e sentir a decepção dos jovens que viria com o final da atividade. Durante o tempo que ali permanecemos o “Velho” nada falou ou comentou. Não precisava. A realidade não deixava dúvidas. Sempre tropeçávamos com uma ou outra patrulha, desconexa, sem liderança, a fazer coisas que não estava previsto, ou mesmo fugindo da atividade em busca de uma sombra ou dos “brinquedos” que ali existiam. No retorno, lá estavam eles, formados sempre pôr patrulhas, uniforme em frangalhos, desanimados, pensando que não era aquilo que queriam. Tudo pôr culpa de um adulto mal formado, que recebeu uma responsabilidade sem estar devidamente preparado ou adestrado.

Alguns dias haviam se passado e numa noite de reunião da tropa, passei pôr uma pequena saleta onde o Chefe e mais dois assistentes do Grupo Escoteiro que eu fazia parte estavam em reunião com os monitores a discutirem uma atividade aventureira. A preparação era feita pelos jovens. Os chefes apenas completavam aqui e ali parte do programa, pois na mente daqueles monitores, tudo era muito fácil para se conseguir e quem sabe poderiam ter alguma surpresa no final, motivo pela qual os chefes davam opinião.

Pude observar que se tratava de um Bivaque, onde se pretendia percorrer vinte km a pé, de um sábado a um domingo, dormindo ao ar livre e montando abrigos naturais. O local desconhecido pelos rapazes, não o era pelo chefe da Tropa. Tudo estava sendo planejado a fim de evitar acidentes de percurso. Toda a área do bivaque seria visitada pôr um assistente à noite. (na atividade não participaria chefes ou assistentes).

O domingo findava. À tarde fria, com o tempo nublado, convidava a ir até a casa do “Velho“ Escoteiro. Era uma rotina. Eu gostava de ouvir e aprender quando ele se dispunha a falar. Pulei os seis degraus de dois em dois. A porta semicerrada deixava passar o lusco fusco da lâmpada da Sala Grande e o “Velho” Escoteiro lá estava como a adivinhar minha chegada, mantendo sua pose principal, ou seja, não dando à mínima. Eu sabia que no fundo ele aguardava minha presença com ansiedade, pois não havia outras visitas como outrora e eu era um grande ouvinte.
    
- O mundo evoluiu e mudou. Era o “Velho” Escoteiro falando de supetão. Sentei sem saber onde ele queria chegar. - Mas Atividades Aventureiras feitas ao ar livre nunca mudarão. Agora estava entendendo. Apesar de já passado semanas, ele não tinha se esquecido do meu comentário e esperou uma ocasião propícia.

- Continuou o “Velho” Escoteiro - Você pode criar outra organização tão boa como o Escotismo, com outro programa e método. Acredito que o nosso Movimento não é o único perfeito para a formação do caráter. Conheci excelentes resultados em organizações similares e sem menosprezar funcionam bem. - Nosso Movimento, porém tem um programa definido e seus métodos são simples para atrair o jovem espontaneamente. No momento que tentamos adaptar situações diferentes do que pensou o nosso fundador, garanto que vamos fracassar.

 Veja você o que está se passando ao nosso redor. Muitas mudanças e todos acreditando que vão acertar. O jovem queira sim ou não é um idealista arraigado ao passado sem o saber. Se pudéssemos conhecer o futuro, seja em qualquer época, iríamos ver que a natureza se sobrepõe a tudo. - Aquela velha foto onde mostram que ele entrou para o Escotismo pensando em encontrar aventuras, vida ao ar livre, atividades em equipe, natação, subir em arvores, armar barraca, manusear cordas, machadinhas, facões, aprender transmissões rudimentares a distancias, poder fazer seu próprio destino junto aos seus amigos sem adultos pôr perto, tudo isto e muito mais vai continuar prevalecendo pôr um bom tempo.

- Não é atoa que hoje uma atividade rentável é explorar acampamentos próprios para a juventude. Fiquei sabendo que na maioria, praticam algumas atividades aventureiras, com monitores (adultos) nem sempre preparados, e que dois meses antes das ferias estão completamente lotados e quem quiser participar de ultima hora tem que enfrentar lista de espera. (e com preços bem salgados) - Paga-se para fazer o mínimo do que o Escotismo faz sem nada cobrar. - Tire isto dele e não terá uma participação espontânea.

Eu ouvia com atenção as palavras do “velho“ Escoteiro. Estava sentindo que as mudanças até então não alcançavam objetividade. Daquela movimentação de outrora, o numero diminuiu em relação ao aumento populacional e os jovens tinham mais uma participação de sede e poucos saiam para alguma atividade com a tropa ou mesmo com a própria ou da patrulha.

Todos agora se escondem em seus grupos que se transformaram em autênticos mosteiros, sem que o público tome conhecimento de sua existência. Nunca temos tempo para acompanhar os jovens em todas as atividades que planejam. E é claro, se ficarmos acompanhando não tem graça e vai de encontro à formação deles. Em grandes cidades muitos cuidados são necessários, mas não são impossíveis para que eles façam suas atividades aventureiras sozinhos. Um treinamento adequado, dentro do perímetro da sede, bom adestramento, um pouco mais longe depois, e pronto, tenho certeza que não irão decepcionar.

- Em primeiro plano, temos que ver o valor da atividade o objetivo e a aceitação pelo jovem. Se ele absorveu ou não.  Falou o “velho“. É claro que a preparação é deles. Convenhamos que se não exista uma boa Corte de Honra, reuniões de Patrulha e claro, patrulhas bem formadas e motivadas, nunca haverá planejamento para uma boa Atividade Aventureira.

- Agora, uma tropa que se apresenta bem na frente do Chefe e na falta dele deixa a desejar não está sendo preparada no espirito da Lei Escoteira. Esta é condição primordial em qualquer atividade. - Acredito que confiando teremos o retorno. E olhe bem, a melhor propaganda do Escotismo são Escoteiros bem uniformizados, fazendo atividades e vistos pelo público. - Você pode unir o útil ao agradável e manter viva a chama das Atividades Aventureiras. Elas são primordiais para ajudar na motivação, adestramento progressivo e criar lideranças.

O tempo estava fechado. Chovia a cântaros lá fora. Aguardei até poder retornar a minha residência. Gostaria de ter participado de uma boa Atividade Aventureira. Vou propor ao Conselho de Chefes uma atividade assim só com adultos. Vai ser diferente, mas acredito que servirá para abrir o caminho que os jovens estão esperando.

Será que nós chefes escoteiros somos avestruzes?



Será que nós chefes escoteiros somos avestruzes?
Nem sei por que estou dizendo isso. Quem sabe é minha seara. Eu me pergunto: – Será que quando vemos um problema enfiamos a cabeça em um buraco para fugir dele? Mas é verdade mesmo? Claro que não, mas é tão simples dizer: - Eu trabalho com os jovens, são eles a minha alegria em participar. Não me meto com os dirigentes! E a estrutura? E o Apoio? E o suporte? Que os outros se preocupem e eu não?
Agora e quem falou que eles (os avestruzes, não confundam com chefes escoteiros) fazem isso? Olha só, essa história de que os avestruzes enfiam a cabeça no buraco quando estão em uma situação de perigo, não passa de lenda. Isso não é verdade.
Na verdade, eles encostam o pescoço e a cabeça no chão, mas não chegam a metê-la em buracos como ouvimos falando por aí. Se fizessem isso, morreriam sufocadas. Suas pernas são suficientemente grandes e fortes para se defenderem de quem as ataca ou para fugirem correndo (e por sinal eles podem correr muito). Eles, na verdade, encostam a cabeça no chão para perceber a vibração do solo e a aproximação de eventuais predadores, nessa posição, o animal escuta melhor a aproximação de algum inimigo. Ao mesmo tempo, arruma uma boa camuflagem, pois deixa à mostra apenas a parte do corpo coberta de penas, o que, de longe, pode parecer um arbusto e consegue se misturar com a vegetação e afastar qualquer perigo de ataque.
Essa história começou por causa de uma ilusão de óptica. Os avestruzes são aves muito grandes e tem a cabeça muito pequena, quando eles encostam a cabeça no solo para sentir as vibrações, dependendo a distancia que se observe ou que fotografe, dá impressão que estão realmente com a cabeça enterrada!
E nem sei por que estou publicando isso. Acho o escotismo maravilhoso e meu estímulo é ver tantos lutando como eu lutei. Gostaria de deixar os outros em paz e seguir meu caminho. Mas que caminho? Não gostaria nunca de ser um AVESTRUS!
Risos, apenas uma brincadeira. Não me levem a sério

terça-feira, 6 de março de 2012

Impisa – “O lobo que nunca dorme!”.



Impisa – “O lobo que nunca dorme!”.
Claro que Gegê não era um intrépido. Nem tão pouco valente. Mas tinha lido tantas historias de Baden Powell (BP) que ele pensou que poderia ser um assim. Bem era outra época, não havia uma tribo dos Ashantís para lutar, e Mafeking hoje era uma cidade pacificada. Pena que ele não pudesse voltar no tempo na guerra do Transwall. Se pudesse! Mas quem sabe ele conseguiria algumas aventuras na sua cidade?

Gegê tinha treze anos. Um menino cheio de ideais. Um Escoteiro sonhador. Em sua Patrulha todos achavam graça dele. Seu Monitor sabia que sua mente fervilhava. Ele não sonhava como Dibs, o menino em busca de sí mesmo ou como nas Aventuras de Tom Sawyer “O que um menino faz num sonho não faz também quando acordado?”. Dizem que todo menino normal (parodiando Mark Twain) tem hora que surge um desejo furioso de ir a algum lugar e descobrir um tesouro enterrado. Gegê era assim. Um sonhador!

Gegê não saia à noite. Sempre ia para a varanda de sua casa e ali devorava os livros de Baden Powell (BP). Fechava os olhos e pensava que podia ser um dos dezoito escolhidos por ele para o primeiro acampamento em Brownsea. Sentado na cadeira de balanço de sua vó, Gegê lia e aos poucos seus olhos se fechavam. Algum estranho aconteceu. Gegê se viu em Brownsea, olhou no relógio e viu que era vinte e nove de julho a data do inicio do acampamento.

Ele não estava acreditando. A ilha era comum, parecia muito com a ilha da Carlinga de sua cidade. Viu os meninos chegando. Contou um por um, não eram mais dezoito. Ele contou vinte! O tempo estava afirme. Alguém recebia os meninos e pelas fotos ele reconheceu Sir Percy Everett um amigo de BP.  Ele sabia que a ilha era pequena, menos de três quilômetros por um e meio. Claro tinha muitos bosques, dois lagos e que BP dizia ser um bom terreno Escoteiro.]

Gegê não estava acreditando. Ninguém o via. Mesmo chegando perto era por eles ignorado. Sabia que cada menino participante levou todo o material pedido e que sabiam de cor e salteado os nós direito, escota e volta do fiel. Gegê se lembrava do que tinha lido, pois o convite que ele enviou foi aceitos com entusiasmo. Os pais se orgulhavam dos filhos participarem com um herói de Mafeking como era conhecido na Inglaterra. Lá estava também seu amigo de armas, o Major Keneth McLaren que ficou como seu assistente.

Nossa! Que vontade de ser visto por eles, de participar de uma das patrulhas. Não importava qual. Poderia ser os Corvos, os Lobos, os Maçaricos ou os touros. Viu que os monitores já tinham sido escolhidos e eram responsáveis por tudo que faziam no campo. Sabiam que BP solicitou que a eficiência e a coragem fosse ponto de honra. Ele sabia que os meninos não usavam uniformes. Viu que cada um recebeu as fitas de Patrulhas com suas cores que ficaram para sempre como símbolo daquelas patrulhas.

Gegê estava embasbacado. Era tudo real. Viu o treinamento de Técnicas de Acampamento, observação, artes mateiras e como ele era desenvolvido. Assistiu BP contar para eles como era um bom rastreador. No Fogo de Conselho ele mostrou como seguir pistas a noite. No dia seguinte (cada Patrulha tinha uma barraca) BP adestrou os monitores e assim o acampamento seguia seu rumo. Gegê lembrava que ele mais tarde comentou que dar responsabilidade ao Monitor, foi o segredo do sucesso da atividade.

Gegê olhava e aprendia. Construção de abrigos, fazer colchões, acender fogo, cozinha mateira e se divertiu com os jogos que eles fizeram. Eu queria tanto estar com eles dizia.  O que ele mais gostou foi jogo "Caça ao Urso" - Um dos rapazes maiores é o urso e tem três bases nas quais ele pode se refugiar e estar a salvo. Ele leva um pequeno balão de borracha cheio de ar nas costas. Os outros rapazes estão armados com bastões de palha amarrados por um cabo (ou jornal enrolado) e com os bastões procuram fazer estourar o balão, enquanto o urso está fora da base. O urso tem um bastão semelhante com o qual procura tirar os chapéus dos caçadores. Se isto acontecer o caçador está morto, mas o balão do urso tem de ser arrebentado para que ele seja considerado morto.

Gegê estava vibrando com tudo aquilo. O bivaque feito só pela Patrulha foi sensacional. Mas as Atividades Práticas da Natureza foram fora de série. Relatórios de observação da natureza - “Envie suas Patrulhas para descobrirem por observação e relatarem depois, coisas como esses: Como o coelho silvestre cava sua toca? Quando um grupo de coelhos é assustado, um coelho corre apenas porque os outros correm ou olha ao redor para ver qual é o perigo, antes de também correr? Um pica-pau tira a casca para apanhar os insetos no tronco da árvore, ou apanha-os pelo buraco, ou como é que os acompanha? etc.”.

Gegê viu que Baden Powell era um esplêndido contador de estórias. Tinha um espantoso estoque de anedotas sobre os heróis de todos os tempos. Para seu próprio uso, ele havia criado um código de ética, baseado nos códigos dos Cavaleiros do Rei Arthur e nas suas próprias reflexões. Agora ele pode procurar instilar nos rapazes os mesmos ideais, contando-lhes as façanhas dos heróis admirados pelos jovens e imprimindo em suas mentes a ideia de “Boa Ação Diária”.

 Gegê procurou um lugar junto a todos e assistiu o melhor debate que BP que teve nesta ocasião com os rapazes. Foi ali que viu cristalizar o seu pensamento e a formular um código aceitável para os rapazes: A Lei e a Promessa Escoteira. Ele experimentou jogos que lhe pareciam capazes de por em relevo e dar expressão prática aos traços de caráter que ele desejava que os rapazes possuíssem. Ele pôs à prova a lealdade e a esportividade deles em jogos de equipe com regras estritas. Pôs à prova a coragem deles com alguns golpes e chaves simples de jiu-jitsu, e a disciplina e obediência num jogo em botes - a caça à baleia.

Gegê queria intervir queria participar, mas não podia. Alguém o balançava e ele assustado e tremendo acordou com sua mãe o chamando para dormir. Gegê queria chorar. Perdera a melhor oportunidade de sua vida, pois queria muito ver os olhares de todos quando o acampamento terminasse. Mas Gegê sabia que ele agora era esperar outro sonho. Poucos muito poucos poderiam dizer que viram boa parte do primeiro acampamento dos escoteiros no mundo. Mesmo em sonhos.

 Gegê viu. Contar para quem? O sonho de Gegê morreria com ele, Ninguém acreditaria. Mas isto importava? Para Gegê não. O que os outros pensassem dele não tinha nenhuma importância. Sabia que muitos gostariam de estar em seu lugar, e só ele teve esta oportunidade. Nunca deixaria de ser o Escoteiro sonhador. Sonhar é viver novamente e acreditar que o mundo pode se modificar. Os sonhos de Gegê pelo menos na sua inocência poderiam mudar o mundo!

Sonhe Gegê, Sonhe!   

Pequenas passagens da vida de Baden Powell


Pequenas passagens da vida de Baden Powell
Esta era um época formativa para B-P. Ele ainda não ele tinha a esta época da vida, dirigido missões como chefe do reconhecimento no território inimigo na Rodésia, mas também porque muitas das suas ideias mais recentes do escotismo se arraigaram aqui. Foi nesta guerra que ele começou uma amizade com o “Escoteiro” americano de nome Frederick Russell Burnham, que o introduziu ao ponto de ebulição a maneira do Oeste americano e do woodcraft (escotismo).
Foi assim que ele usou seu chapéu Stetson pela primeira vez. Mais tarde B-P participou na campanha contra a tribo dos Ashantís. Os nativos temiam-no tanto que lhe davam o nome de "Impisa", o "lobo-que-nunca-dorme", devido à sua coragem, à sua perícia como explorador e à sua impressionante habilidade em seguir pistas.
Um dia em meados de junho de 1907, Robert Baden-Powell enviou cartas a diversas famílias, pais de meninos de 11 e 12 anos de idade, velhos amigos do Exército, pais de membros da Companhia de Brigada de Rapazes (movimento juvenil já existente á época), jovens de escolas secundárias do Governo, empregados em fazendas ou filhos de operários convidando-os para uma atividade que se tornaria o primeiro Acampamento Escoteiro realizado.
 Nessas cartas, ele dizia: "Me proponho realizar um acampamento com 18 garotos para aprender exploração, durante uma semana, nas férias de agosto". O local escolhido para o primeiro acampamento foi à ilha de Brownsea, na Inglaterra. Alguns meses depois, em janeiro de 1808,Robert Baden-Powell publicou os fascículos do "Escotismo para Rapazes", vendido em tiragens quinzenais, e que se revelou um sucesso, com os jovens se organizando em patrulhas para realizar as atividades sugeridas.
Em maio daquele ano Robert Baden-Powell lançou uma edição completa, na forma de livro. Foram os próprios jovens que começaram o Movimento Escoteiro, reunindo-se em Patrulhas, e só depois surgiram as Tropas, os Grupos escoteiros e as Associações.