Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 24 de abril de 2012

Projetos de Pioneiras



Terceiro fascículo

Projetos de Pioneiras

  - Você pode ver em ambos os casos que o crescimento nunca vai se igualar, mas a verdade é que a sua maneira, cada uma dessas patrulhas estão alcançando o objetivo. - Disse o Chefe. A diferença estava à vista. Logo ao chegar ao acampamento de fim de semana, uma Patrulha nova, recém-formada, tentava fazer o melhor possível para sua instalação do campo. Às outras três, bem mais experientes, estavam bem à frente, com quase todos os acessórios necessários prontos.
  Era um acampamento de dois dias. Chegaram sábado pela manhã, e iriam retornar no domingo à tarde. No entanto, a instalação padrão sempre foi exigida. O motivo era simples: - Precisavam aprender que o campo de Patrulha seria uma extensão de suas casas e o mínimo de conforto deveria ser conseguido. Não se pretendia formar técnicos em construções e projetos, mas cada um deveria ter a mínima noção de que sua parte era importante nesta montagem de campo. Era assim o Sistema de Patrulha e assim se trabalha em equipe.
  Nada ali era improvisado. Às patrulhas em reuniões anteriores, tinham decidido o que fazer e como fazer.  Muitos dos escoteiros já conheciam bem o “Projeto de Pioneiras”, que o chefe sempre falava. “Os projetos” tanto poderiam ser de uma pequena ou uma grande pioneiria. Devia ser levados em consideração a duração do acampamento, o material que estaria disponível no campo e o programa. Tudo era muito simples, dizia o Chefe:
  - Nada de burocracia.  A experiência com o tempo facilitava muito mais a montagem de campo já que os projetos em sua maioria estavam prontos no arquivo da Patrulha. A liberdade para criar e modificar era ampla e irrestrita. Havia o básico para um acampamento de uma noite ou de mais, dependo do planejamento anual.
  - É possível que você tenha razão, - falou o “Velho” - Hoje já não é possível encontrar facilidades de locais para acampamentos e principalmente em florestas com alguns tipos de madeira para corte. Mas vamos olhar para o outro lado da questão. Não pretendemos que o jovem se adestre para se preparar de uma eventual possibilidade de no futuro usar tais conhecimentos. (apesar de saber que é um excelente meio para descobrir seu potencial profissional!) A possibilidade de se perderem numa floresta é mínima.
  - A técnica de pioneirias tem a finalidade de preparar seu espírito para a vida de adulto - continuou -. Saber que às dificuldades serão vencidas, e que em qualquer ramo de atividade é necessário estar bem preparado e só assim poderá vencer na luta pela sobrevivência profissional. A inventividade faz parte do homem, mas a maturidade traz o sucesso.
  - Também não vejo tanta dificuldade em conseguir um local para pelo menos duas vezes ao ano, poder utilizar a técnica de pioneirias. Existem tantas fazendas e grandes sítios, onde algumas árvores são consideradas como “praga” que pôr mais que se corte mais ela se multiplica. Um exemplo é o “Assa peixe“, sem nenhuma utilidade e qualquer proprietário (desde que seja amigo dos escoteiros - emendou) ficaria satisfeito pela poda ou corte e não irá ser prejudicado e nem iríamos agredir o meio ambiente. Também se podem usar outros tipos de madeira, tipo eucaliptos, bambus etc. que são plantados com a finalidade de uso diversos, principalmente na construção civil. O que não se pode, é tentar formar e adestrar técnicas de campo, usando um fogareiro a gás, pois isto não traz nenhum beneficio a não ser a técnica de cozinha, e que claro também faz parte do adestramento.
  - Infelizmente, alguns de nossos Escotistas pôr não estarem devidamente preparados já que não vivenciaram tais técnicas, procuram de todas às formas motivos diversos para fazerem Camping e não acampamentos. - Posso afirmar que é possível manter um padrão técnico de pioneirias em qualquer parte do mundo. E afinal é o sonho de qualquer jovem saber que vai participar de um acampamento com padrões escoteiros, dormindo sob barracas, fazendo sua própria comida, construindo sua cama sua cadeira sua mesa e até sua torre de observação.  
  - O importante é o trabalho em equipe. A Patrulha é a base para que esta técnica seja primordial no seu crescimento. Os Escotistas não podem de maneira nenhuma tentar modificar as estruturas e métodos somente porque acham que não é possível ou pode ser substituído.
  - Vou ser sincero, o que cortamos de madeira em um acampamento, claro, desde que o Projeto foi bem feito é o mínimo e não prejudica de forma alguma o meio ambiente. Quando você corta uma arvore, em alguns casos elas produzem diversas mudas que pela simples razão da natureza se multiplicam. E se você ensina aos jovens como plantares mudas, você está retribuindo em dobro o que cortou. - Devemos também ensinar aos rapazes e moças que a proteção e o respeito à natureza faz parte da formação e do “Espirito Escoteiro”.
Tive que concordar com o “Velho”. Escotismo é campismo na sua forma primitiva. Mudar isto seria mudar o sistema e a sua maneira de ser. Nós e amarras são técnicas escoteiras com finalidades objetivas. Se for para fazer Camping, um ou dois nós bastam para armar a barraca.
  O “Velho” pigarreou algumas vezes, foi conversar com a Vovó e esqueceu que eu estava na sala. Nada mudou no país de “Abrantes”. Eu estava acostumado.
  Mas valeu mais uma noite e a conversa com o “Velho”.  Meu Adestramento estava sempre aprimorando, principalmente agora que bolei uma nova mesa de patrulha com apenas quatro pedaços de madeira de 2 metros!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Programando o programa



Segundo fascículo
Programando o programa
                                                                                                                                   
A Reunião de chefes da tropa Escoteira Masculina e Feminina já havia começado há algum tempo. Toda primeira quarta feira na segunda quinzena do mês. Era uma rotina. Algumas vezes “gostosa” outras vezes macete. Já tinha ouvido de alguém que, participar do movimento não era difícil, pois bastava dar de duas a quatro horas pôr semana do seu tempo. Ledo engano. Não seria possível a ninguém somente com este tempo fazer alguma coisa numa sessão escoteira. Hoje, já passados nove anos que participo, cheguei à conclusão que com menos de oito horas pôr semana é uma utopia a colaboração. É impossível. Isto sem contar as horas de acampamento e outras atividades extra sede.

  Acredito, no entanto que alguém com mais experiência possa fazer com menor tempo o que eu não consigo. Se não vejamos: Um dia na semana, mínimo de 4 horas na reunião de sede com a tropa. Domingo sempre tem alguém na minha casa ou eu vou à casa de alguém para “fazer” escotismo. Terça vou as sede, pois sou instrutor de especialidades, ou conversar com monitores. Uma quinta pôr mês é a reunião de chefes. Terça folgo para na sexta voltar e tentar colaborar na parte burocrática da tropa, e é claro, participar da “choupada” dos chefes no fim de semana.

  Isto sem contar as reuniões de chefes do Grupo, reunião do Distrito ou atividades de pais e correlatas. Ufa, difícil para eu manter um ritmo, sem esquecer cursos, atividades regionais e nacionais. O chefe da 1ª tropa estava comentando a ultima Reunião de Monitores, quando estes deram diversas sugestões para as reuniões do trimestre. Um assistente achou as ideias muito infantis. Eu ouvia e quase não falava, pois a semana tinha sido difícil no meu emprego e cansado só esperava o termino para ir embora descansar.

  Meus olhos insistiam em fechar e eu lutava para mantê-los abertos. Outro assistente insistia que nossa programação não estava atingindo o objetivo. Tínhamos que programar a curto, médio e longo prazo. Cada programa teria que atingir a cada jovem da tropa e o seu desenvolvimento teria que ser criativo, pois caso contrário, alguns poderiam se adestrar rapidamente e outros não acompanhariam.

  -Vejam bem dizia o assistente - No ultimo Processo de Lis de Ouro, tivemos dificuldades. Varias especialidades foram rejeitadas devidas não satisfazerem o tempo determinado entre uma e outra conforme o POR. Os assistentes regionais e nacionais parecem não fazer outra coisa senão procurar erros finalizou. Começou a discussão de novo, pensei. Meu cochilo prolongava noite adentro e torcia pelo fim da reunião. Minha mente brigava entre dormir e programar o programa. E ainda me diziam que bastava duas horas pôr semana!

  Um burburinho tomou conta da sala. Eis que adentrou nada mais nada menos que o “Velho” com sua pose favorita de deixar que os outros o admirem sem falar nada. Na boca o inseparável cachimbo. Nos olhos, um sorriso infantil. Na testa, mechas do cabelo branco cismavam em embaralhar a visão. Acordei de pronto. Milagre pensei. O “Velho” aqui? Pelo que sabia, havia mais de dois anos que não comparecia em reuniões noturnas.

  Educadamente pediu se podia sentar e ouvir. - Claro, disseram todos se levantando. A sala começou a ter mais penetras e a modorrenta reunião se transformou em segundos. Ninguém falava, e olhando para o “Velho” esperavam dele o sinal para continuar a reunião. O “Velho" soltava baforadas em seu cachimbo e como sempre empesteava a sala de fumaça do odor achocolatado.

  O Chefe da Tropa meio sem jeito pediu licença e continuou a reunião explicando para o “Velho” onde estavam. Ele balançou a cabeça e continuou calado. Alguns assistentes querendo mostrar o que aprenderam (eram jovens e iniciantes) começaram a falar e discutir acaloradamente. Era o que o “Velho” queria, pensei. Não passara 5 minutos e contei mais de 10 pessoas na sala. Só mesmo o “Velho” para isto.

  Na tropa tínhamos reuniões em que não eram permitidos outros participantes, mas em algumas, não fazíamos questão da presença, só que a opinião serviria apenas como sugestão. - Vamos fazer o seguinte, - propôs um deles. Faremos o esboço de todas as reuniões do trimestre, cada assistente terá cinco fichas de escoteiros em mãos, e vendo o que cada um precisa montamos o adestramento progressivo! Falou orgulhoso.

  O "Velho" nem piscou. Fechou os olhos e fingindo dormitar, deixou o cachimbo pendurado na boca e respirava lentamente. Foi uma discussão de primeira. Todos davam opinião, falavam ao mesmo tempo e a discussão acalorada a principio foi esmorecendo, esmorecendo, pois o “Velho” não participava e o interesse caia. Só mesmos eles para acharem isto. Eu sabia perfeitamente que ele participava e gravava cada palavra do que acontecia.

  Lá pelas tantas, cansados, foram feitos três programas. E era para fazer 12. O “Velho” tremeu na cadeira. Ninguém prestou atenção.

  - E a tropa não vai ser ouvida? - disse ele. Foi uma bomba na sala. Ninguém entendeu. - Ouvir como? - disse o Chefe da Tropa. - Como? Repetiu o “velho”.  - Opinando é claro.  São eles os interessados. - Mas “Velho” os monitores já deram sua opinião. - Falou o assistente. - Que opinião deram que não ouvi! - Disse o “Velho”. Ficaram meio sem jeitos e calados. Se me permitem, gostaria de dar uma pequena sugestão - disse o “Velho”. Lá vem “bomba” pensei eu.

  - Programa é importante. Não se faz nada sem ele. - Disse o “Velho”. Mas é preciso atingir o objetivo a que se propõe. Esta historia de curto, médio e longo prazo é muito bonito, mas de difícil execução. Claro, pode e deve ser feito. A Patrulha é responsável para isto. Vocês só devem acompanhá-los. Quando se quer fazer tudo para todos com voluntários é impossível. Se vocês fossem profissionais escoteiros e estivessem à disposição do movimento todo o tempo, ainda vá lá, apesar de que o Escotismo não quer e nem precisa disso.  E olhem que não foi isso que BP pensou ao organizar as bases do Movimento Escoteiro.

  - Profissionalismo só em casos específicos e nunca para a chefia. Esta em principio deve ser espontânea e objetiva, praticada pôr rapazes advindos do movimento ou mesmo pais atuando inicialmente como assistentes. Os rapazes sabem bem disto, pois foram beneficiados ou com bons programas ou com programas ruins dependendo a tropa que pertenceram. Dois assistentes torceram a cara. Eram pais e tinham pouco tempo de movimento.

  - Mas disse o “Velho”, os novos são bem-vindos, desde que desejem aprender e colaborar até terem sido bem adestrados. O “Velho” era didático e eu não sabia deste “seu” outro lado. Ninguém retrucava. Ali estavam dois insígnias da Madeira e os demais tinham Cursos Básicos além de cursos alternativos.

  O “Velho” continuou. - “É difícil quando a tropa já segue uma rotina não opinativa adaptar uma participação ativa”. Mas é preciso insistir até que eles aprendam. Tudo fica mais fácil quando ensinamos a eles pescar, em vez de pescar nós mesmos achando que estamos ensinando. Não compliquem o programa. Não somos profissionais e mesmo se fossemos não é isso que pretendemos. Basta o “feijão com arroz” e chegaremos lá.

  - A experiência tem demonstrado que rapazes que participaram do escotismo fazendo seus próprios programas são os que mais permanecem no movimento. Uma reunião de patrulha, uma de monitores, 15 a 20 minutos para cada uma e garanto um ou dois programas bons! - para eles é claro. Aos chefes, bastam acertar horários, alguns itens surpresas e adaptar a rolagem da programação. 

  - Vocês já chegaram à conclusão que estão tendo muito tempo de suas vidas particulares tomada com reuniões e mais reuniões. São válidas, mas desde que moderadas. Afinal somos um movimento de fim de semana e não semanal. Deixem que seus escoteiros e monitores programem para eles mesmos e aguardem o resultado. Deem a eles o que eles querem. Aos poucos e com tempo, suas tropas terão padrões nunca antes alcançados e principalmente a evasão vai diminuir consideravelmente.

  - Quanto ao Adestramento Progressivo, é papel do monitor! - É ele quem vai ver as necessidades de cada um. A Tropa tem além dele, o Sub. e tenho certeza, outros escoteiros que possuem adestramento para colaborar. Vocês chefes, devem estar sempre ao par, para evitar atrasos no adestramento ou mesmo se algum outro jovem não conseguir acompanhar. Esta é a principal função. Manter a rotina saindo da rotina! - Motivando os monitores através de Eficiência Especiais a cada adestramento alcançado pôr algum Escoteiro e que orgulhosamente usarão no bastão totem.

  - O Conselho de Patrulha tem uma excelente base para fazer isso. - Esqueçam que vocês são adultos! - se coloquem no lugar deles, afinal fora do Escotismo, eles estão sempre criando e fazendo seus programas com os amigos do bairro. Reuniões de patrulha são excelentes meios para adestramento.

  - Agora, cabe a vocês o desenvolvimento, acompanhamento e até o adestramento dos monitores. Tenho certeza que a tropa de vocês é de ótima qualidade. Mas o importante em tudo e gosto de repetir sempre, é o resultado final! - Tudo que vocês estão fazendo tem um objetivo: - A formação dos jovens. Assim o resultado pode ser avaliado se deu ou não certo. - Gostei muito da reunião de vocês! - Se todas as tropas tivessem chefes preocupados com o método Escoteiro como vocês estão nosso Movimento teria outra qualidade.

E olhem bem - continuou o “velho”, se encontrarem o Chefe do Grupo, digam para ele que estive aqui e mando um forte abraço e para vocês, “Sempre Alerta!“- Rodopiou na cadeira e saiu sem maiores explicações. A Sala ficou muda como muda estava. Eu não me surpreendi. Já conhecia o “Velho" de longa data. Suas opiniões bateram fundo em todos. Alegrou-me bastante, pois meu sono acabou e acreditei que dali para frente, as reuniões de chefia em dias de semana seriam moderadas. Obrigado “velho” você ajudou bastante aos escoteiros, mas não sabe a ajuda que me prestou.

Padrões de Acampamento




O PRIMEIRO FASCICULO PUBLICADO. SERÃO 20. ESPERO QUE GOSTEM
Padrões de Acampamento

 “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido...”.
                                                    KIPLING

Já era noite alta e da fogueira restavam apenas algumas brasas, que aqui e ali iam adormecendo. Algumas fagulhas ainda se arriscavam a subir aos ‘céus’, mas lânguidas e serenas perdiam sua força e desapareciam na escuridão. Alguns metros além, podíamos ouvir o piar da coruja no grande carvalho frondoso e que a noite dava arrepios com sua figura fantasmagórica. Bem próximo à lagoa de águas azuis naquela hora da noite, era apenas sombras cinzentas e não permitia ver os sapos e rãs que coaxavam seus cantos noturnos...

Até a melodia doce e suave da bica de água límpidas, trinavam sons repicantes e intermitentes na audição de um velho mateiro. Em volta daquele calor que aumentava a sensação da amizade existente, eu, o “Velho” e dois chefes escoteiros e duas chefes femininas, uma delas casada com um dos chefes, ainda respirávamos o sabor do ar fresco, vindo da pequena floresta a sudoeste do acampamento.

  O “Fogo do Conselho” terminara há algum tempo e a alegria, as canções, o folclore das tropas masculinas e femininas, ainda permaneciam como “fantasmas” amigos que prometiam manter aceso pôr toda a eternidade o espírito que reinou naquela “festa” de moças e rapazes, no seu mais puro e inocente lirismo. Uma tradição de anos e anos naquela terra sagrada de “São Lourenço”. No semblante do "Velho" se estampava toda a alegria de estar ali presente. O aroma adocicado do seu cachimbo era um perfume doce e suave que se espalhava e misturava com a pequena brisa que soprava vinda de todos os cantos dos pontos cardeais conhecidos.

  A presença do "Velho" deu nova conotação ao acampamento. Três monitores e duas monitoras foram a sua casa fazer o convite. A principio se mostrou surpreso, reservado e se fez de rogado.  Não quis aceitar. Ao saber que era um convite dos jovens aceitou de pronto. Ao saber que seria nas Terras de São Lourenço se animou mais ainda. E animou mais ainda quando viu que teria a possibilidade de ver como acampam as meninas. Disse, entretanto que não iria como turista. – “Quero ver os monitores fazerem o programa junto a suas patrulhas”. Os jovens arregalaram os olhos de espanto e em silêncio sorriram compreensivos. Eles já conheciam ao "Velho".

  Foram vários dias brilhantes de preparativos. Através da Vovó, soube dos arranjos do "Velho", escolhendo e montando sua mochila que ainda remontava a década de 40. Levou o que sempre levava aos acampamentos, mas que eram motivo de especulação pôr parte de todos que o conheciam. Ate o famoso sabonete do banho das “três e meia“ da manhã e que ficou famoso pôr onde acampou e até hoje ninguém sabe o que é ele levou.

  Quatro dias de acampamento. Talvez uma de minhas maiores emoções e cuja recordação ficou gravado para sempre em minha mente. Aconteceu de tudo e o "Velho" sentiu-se orgulhoso em ver que os “Padrões de acampamento” ainda eram mantidos naquele Grupo Escoteiro. No primeiro dia, o corre-corre da saída, um ou dois atrasados (o “Velho” não aceitava isto) a alegria das canções entre os escoteiros e escoteiras tudo isto fez o "Velho" entrar naquele jogo divertido. Não havia alegria maior que vê-lo cantando as velhas canções e principalmente aquela do “Velho Olmeiro”, recordações saudosas de um acampamento no Canadá.

  A chegada, a orientação aos monitores, à escolha do campo pelos próprios, tudo isto era ponto de honra para o "Velho". O acampamento é dos jovens e nós adultos somos intrusos. É bom saberem disto, dizia para os Escotistas. Aqui e ali ele observava a movimentação e principalmente o material de “Sapa”, todos eles oleados e afiados. O uso pelos jovens o envaideceu mais ainda.

  Quando dois escoteiros passaram próximo ao campo da chefia, ele largou a construção da sua famosa “Poltrona de Astronauta” (conhecida pôr todos que acamparam com ele) e ficou observando como carregavam o facão e o machado do lenhador. - Muito bom, muito bem, resmungava baixinho. Notou que os Escotistas e também as Escotistas estavam bem adestrados. No campo da chefia, sabiam dar um “volta do salteador” um nó de frade ou arnês bem apertado com destreza. Uma amarra paralela ou diagonal tinha o acabamento de um velho mateiro. A Amarra para tripé simples não deixava a desejar. Até mesmo, a costura de arremate na tampa da mesa central mereceu um elogio do "Velho", o que deixou a todos embevecidos.

  A chefia respeitava o campo de patrulha não invadindo desnecessariamente. A instrução era feita aos monitores e sempre se usava a “trombeta” e ela não era usada indevidamente. (O “Velho” reclamava quando chamavam mais de 6 a 8 vezes pôr dia)            - Isso - dizia, é para “pata-tenras”. Quem fala muito e dá muitas instruções, perde o tempo dele e dos jovens. Fazer fazendo, esta é a maneira certa!

  Elogiou quando os jovens saiam do campo de patrulhas, sempre em duplas e nunca só. O que mais gostou foi da independência das patrulhas e que quando convidados a participarem das refeições nos campos, os Escotistas só aceitavam quando estavam “tirando” alguma prova. E olhe que se pudessem, delegavam poderes a algum escoteiro 1a classe.
 
  Na primeira noite, após um jogo noturno “bem bolado”, tiveram tempo para fazer um chá quente e a “Corte de Honra” foi realizada sem avançar no horário. Notou que o mínimo de 8 horas para o recolher e a alvorada eram ali respeitados.       - A “Corte de Honra” estava muito tensa, - falou o "Velho" durante a realização da “Conversa ao pé do fogo”, realizada somente com os Escotistas. Deixem os monitores mais a vontade. O padrão de eficiência a ser exigido na primeira inspeção e avisado anteriormente aos monitores podem e devem ser aumentados. É necessário que eles saibam que a higiene, a limpeza e a apresentação não tem lugar e hora. O bom escoteiro é aquele que sabe se manter digno em qualquer situação e nos estamos aqui para adestrá-los, terminou. Os chefes não retrucaram. Aceitavam o "Velho" como ele era.

  No segundo dia, fez questão de orientar os Escotistas antes da inspeção da manhã, impreterivelmente às 9 horas. Comentou sobre as funções de cada um, o que devia ser exigido e olhado e não ver somente o lado negativo. A Patrulha deve ser elogiada pôr tudo aquilo que merecer, mesmo que não consiga a classificação estipulada em "Corte de Honra". Comentários de erros e defeitos podem ser falados, mas sem exageros. Nunca tomar atitudes individuais ou coletivas que podem dar a interpretação de humilhação. Falou também da contagem de pontos, começando com a nota mais alta e diminuindo se fosse o caso.

  E assim o "Velho" foi participando, orientando, falando e agindo. Não parava. Sempre com um sisal, um cipó e sempre fazendo suas pioneirias, mantinham aqueles olhos miúdos e azuis a perscrutarem o horizonte em busca de alguma coisa o que me fazia pensar no tempo em que ele acampava.

  Um fato desconcertante aconteceu no terceiro dia. Após o almoço e uma inspeção surpresa, quando da chamada geral uma patrulha não se apresentou (era rotina apresentarem-se completos). Faltava um escoteiro. Procura daqui, procura dali e nada. Foi dado o “Alerta Geral”. As buscas foram intensas. Um raio de mais de 5 km foram abrangidos.

Quase 16:30 hs e nada. O "Velho" continuava a fazer uma e outra pioneiria, sem demonstrar o menor interesse nas buscas e no motivo desta. Não dava a mínima pelo que estava acontecendo. Deslanchando seu corpo magro num bater de ossos, sentou em sua “poltrona do astronauta”, e tomando um cafezinho quente (detestava chá) feito na hora pôr ele mesmo sem usar o coador (testando a clara de um ovo), já se preparava para encher o fornilho do seu “cachimbo”, quando gritei com ele com os nervos a flor da pele:

  - “Diabos”!  Todo mundo ajuda e você fica ai parado como se nada estivesse acontecendo? Deus do céu! - Onde esta sua responsabilidade? - Explodi. Ele riscou o fósforo, me olhou, deu sua primeira baforada e na maior calma do mundo olhou uma barraca ao longe da patrulha Touro e falou -: A primeira coisa a fazer depois do almoço é procurar dentro das barracas, quem sabe ele não esta dormindo? - Tremendo, lá fui eu e encontrei o “danado” roncando. Cessou as buscas. A calma voltou ao campo.

  Durante o jantar feito naquele dia pelo "Velho" e que pôr sinal estava excelente (a chefia tinha campo próprio e ali desenvolvia todas as suas necessidades), perguntei ao “velho” como sabia e porque não tinha falado nada. - “Eu? respondeu, - eu não sabia de nada”. Só que é muito comum após o almoço, um ou outro jovem mais novo na tropa tirar uma “soneca” e que pode causar um reboliço destes. - E porque não falou, - perguntei novamente. - “A arte no escotismo “é aprender a fazer fazendo”“. Nas buscas o aprendizado foi melhor que o jogo programado. E cá pra nós, que foi divertido foi e com que realismo! - É o "Velho". Só ele mesmo.

  No Fogo do Conselho, cantamos com o ele canções nunca ouvidas. Das montanhas geladas dos Alpes Suíços, as velhas canções dos caçadores de pele dos grandes lagos do Canadá. Cantamos também canções inglesas e escocesas, sem faltar as tradicionais do nosso querido país. O Quebra Coco teve que ser interrompido lá pelas tantas. Ele gostou também do desarme do campo. Rápido e simples. Participou da inspeção final e verificou que o campo foi deixado quase como encontrado. Ficou satisfeito e até elogiou as chefias -: Parabéns, vocês conseguiram treinar e adestrar bem toda a tropa. Isto é o que importante. Como diz o antigo ditado, - Se vai para o mar, avie-te em terra.

Valeu mesmo o acampamento com o "Velho". Nunca mais irei esquecer.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

SENIORISMO, UM DESAFIO!



SENIORISMO, UM DESAFIO!

A brisa da noite era gostosa e convidava a ficar ali apreciando o silencio. O céu estava cheio de estrelas e podíamos ver os satélites que iam e vinham na imensidão do universo. Aquele fevereiro prometia. Não houve chuvas e o Acampamento Sênior tinha tudo para dar certo, pois se o tempo ficasse firme o programa estava fadado ao sucesso!

Estávamos acampados em um parque do Estado, na área mais distante, onde o público não tinha acesso e a floresta de eucaliptos totalmente agreste se misturava a outras vegetações mostrando que quando a natureza não é interrompida ela se faz. Corria o ano de 1963.

Dentro da floresta havia uma antiga estrada de ferro e sabíamos que ligava duas usinas de produção de cimento, hoje desativadas e abandonadas. Três vagões estavam e guias na hora. Empurrar um vagão na subida e marcar o tempo na descida. Diversão das boas. Eles e elas se divertiam à beça e a anarquia organizada era o sabor de aventura e de sucesso na atividade.

No dia anterior, uma atividade aventureira, programada com antecedência, mas em local desconhecido foi realizada. Receberam mapas, croquis, e até breve. Vamos ver qual a primeira Patrulha chegaria a Lagoa do Marfim. Iniciamos com o nascer do sol e terminaria com o pôr do sol. Neste período, Só nós os chefes ficamos no acampamento. Nada para fazer porque não “pioneirar?” (fazer pioneirias). Chegaram no horário programado. Cansados, banhos na lagoa, jantar.

A noite um fogo sem muita pretensão. Todos estavam cansados e ainda teríamos mais três dias de campo. Após uma atividade noturna, alguns se recolheram e outros ficaram ali conversando em volta de uma pequena fogueira e muitos assuntos foram comentados. Sorrisos não faltaram até que o último Sênior e a última guia resolveram ir dormir.

Fiquei eu duas chefes femininas e mais dois chefes masculinos. Calados, deitados em cima de uma lona, em volta do fogo, olhando o céu, as estrelas, os satélites. A imensidão do universo era um espetáculo à parte. Até um ou outro cometa foi visto varando o espaço onde a vista podia alcançar. Ali estava visível em toda sua nitidez, o “escorpião”, as “três Marias” o “Cruzeiro do Sul” e tantas outras constelações nossas conhecidas. Um dos chefes comentou sobre a beleza do universo e o total desconhecimento da nossa civilização em saber a mínima parte do que ele é e até onde podemos ir e entender. Já estávamos filosofando. A grandeza de tudo aquilo era esplendida, mas totalmente incompreensível.

Eu, inerte e olhando também para o alto, deixava meu pensamento ficar a vontade, sem forçá-lo a uma busca do desconhecido. Uma coruja piou num carvalho próximo. Atraiu nossa atenção. Voltamos à realidade. Era um acampamento Sênior com uma Patrulha de Guias. Não podíamos nunca se esquecer de tudo que estávamos vendo e que Deus está presente ali em toda a sua plenitude. Só não vê quem não quer. Não era o meu primeiro acampamento. Ouve outros. Meu aprendizado estava seguindo o curso normal.

Após algum tempo, em que não se pode medir, voltamos à realidade e as conversas avançaram até altas horas da noite. Comentávamos as dificuldades em manter na ativa aqueles jovens, cujo programa era difícil de manter. Nosso Conselho de Tropa funcionava muito bem. Quase todos vieram da Tropa Escoteira com exceção de três. Eram três patrulhas com cinco seniores em cada uma e uma de guia com seis jovens. No ano anterior eram só três.
  
Todos os dirigentes das duas tropas eram jovens, na faixa dos seus 24 a 28 anos, inclusive eu. Tínhamos facilidades em estar junto a eles em atividades paralelas principalmente com suas famílias onde sempre fomos bem recebidos. Sentíamos dificuldade em manter um padrão de programas aceito e feito pôr eles. Divertiam-se muito nas atividades e adoravam os acampamentos e excursões programadas. No entanto as reuniões de sede não eram bem sucedidas.

No segundo dia do acampamento pela manhã, tivemos uma bela surpresa. Chegaram três ônibus cheios de jovens, uniformizados e a principio achamos ser algum grupo aproveitando o feriado prolongado. A surpresa foi maior, pois não eram do Movimento Escoteiro e sim Desbravadores. Cerca de 150 jovens, na faixa etária de 9 a 18 anos. Moças e rapazes. Junto, uns 20 adultos, mães, pais e chefes.

Estranharam a nossa presença, mas logo nos entrosamos quanto à divisão do local. Os seniores estavam mais afastados, dentro da própria mata e a chefia um pouco fora da área mais aberta. Mais próxima aos seniores. Havia sem problemas local para todos. Mas como seus sistemas diferiam do nosso uma área aberta próximo ao campo da chefia seria essencial. Os mais velhos montaram barracas grandes e uma cozinha que deduzimos ser para todos. As atividades mostravam que o Sistema de Patrulhas era totalmente desconhecido.

Alguns ficavam com os menores e outros com os maiores, andavam para ali para lá, cantavam hinos faziam um ou outro jogo e na maioria das vezes ficavam sem fazer nada. Aos poucos começaram a observar os seniores. Os padrões, o método e querendo aprender foram se aproximando e as amizades foram feitas com facilidades. No terceiro e penúltimo dia, os seniores já estavam formando patrulhas entre eles, dando atividades técnicas enfim, nosso programa foi totalmente alterado e aceito pela chefia, pois era um novo desafio. Não se discutia religião. Ali a fraternidade falava mais alto.

Até o fogo de Conselho que era considerado uma tradição foi alterado. Fizemos em conjunto com os Desbravadores. Eu que não gosto muito de tais tipos de Fogo de Conselho, me diverti a beça. Para eles foi o máximo. No último dia participaram conosco na Cadeia da Fraternidade. Uma grande emoção para os participantes. Pelas lágrimas de ambos os lados, sentia-se a confraternização de dois movimentos que parecia um só. Não sei o resultado para eles, mas para nós foi uma injeção de ânimo que perdurou pôr muitos meses. Durante certo tempo recebemos as visitas deles assim como as patrulhas também os visitaram.

Acho que valeu. Não sei se isto é um desafio Sênior. Hoje tem muitos. Mas quando volto naquele acampamento, fico pensando se aqueles seniores e guias que ali estavam lembram-se dele até hoje. Acho que sim. São fatos assim que marcam e que não esquecemos nunca. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Olá Moço, desculpe, mas não posso aceitar!



Olá Moço, desculpe, mas não posso aceitar!

Obrigado pelo convite. Sei que ele é sincero. Sabe, eu tenho pensado sobre isso. Já tive outros que disseram que eu devia participar. Mas confesso que estou em dúvida. Por quê? Olhe um dia no passado eu tinha um caderno, meu pai comprou para mim. Um lindo caderno. Mas a capa! Oh! Moço. A capa era linda. Muitos escoteiros em uma montanha, bem perto do céu, com uma linda bandeira do Brasil desfraldada. Era incrível Moço! A “coisa” mais linda que tinha visto.

Pensei logo em ser um deles. Já pensou? Um dia eu lá com aquele lindo uniforme, com aquele chapéu “bacana”, correndo pelas campinas com a minha querida bandeira do Brasil desfraldada ao vento? Pois é Moço. Eu queria mesmo ser um deles. Pensava e sonhava com grandes aventuras, sabe Moço. Dormir numa barraca? Era meu sonho Moço. Lá na floresta bem longe da civilização. Olhe Moço, queria ouvir o cantar da passarada e tomar um banho gelado na cascata. Acredite Moço, queria ver os peixes, ouvir a voz do vento, sentir o cheiro da terra que aqui na cidade não tem. 

Então Moço, eu ia sorrir, gritar e cantar com minha Patrulha, e sabe mais? Eu ia usar a minha machadinha que iria comprar, queria mesmo construir belas construções que vocês dizem ser pioneirias. Queria com meus amigos fazer um jogo cheio de aventuras, quem sabe a busca do Tesouro? Assisti a tantos filmes que pensava que seria maravilhoso encontrar enterrado na encosta do morro do Papagaio um tesouro que foi escondido a muitos e muitos anos na gruta do Pirata.

Pois é Moço, um amigo me contou que a noite eles acendem uma fogueira, que cantam que riem que olham para o céu e sabem de cor todas as constelações. Quando ele dizia isso eu vibrava. Mas Moço, não foi isso que encontrei. Não foi mesmo. Meu pai me levou um dia a um Grupo Escoteiro. Moço, Moço, foi triste. Nem apresentado aos outros eu fui. Jogaram-me em uma Patrulha. Não fui bem recebido. Mas Moço foi triste mesmo. Só o "Chefe" Escoteiro falava. Ninguém dizia nada. O tempo todo o "Chefe" Escoteiro dizendo, faça isso faça aquilo.

Aí Moço eu fiquei mais triste ainda. Levavam-me para a cidade desfilar, plantar árvores, ir em atividades que não me agradavam. O pior Moço é que o uniforme que sonhei ficou na terra do nunca. Deram-me um lenço Moço. Um lenço. E o chapéu? Aquela calça caqui e a camisa?  E o cinto de couro? Não Moço não era mesmo o que sonhei. Tudo bem Moço. Podíamos sim fazer isso se tivesse as outras coisas que sonhei um dia encontrar ali. Olhe Moço, eu queria mesmo aprender sinais de pista, sinais de longas distancias, queria aprender dezenas de nós. Queria mesmo aprender a usar o facão, a armar sozinho a barraca, mas veja o Monitor não deixava. Era ele quem fazia tudo quando o "Chefe" Escoteiro não estava junto.

Então Moço resolvi não ficar mais lá. Moço, foi difícil tomar esta decisão. Fiquei somente seis meses e olhe que muitos que entraram comigo e depois de mim também saíram. Neste tempo Moço só tive um acampamento. E o pior Moço. Perto de muitas casas. Foi ruim mesmo. Não fizemos nada. Alguns pais faziam tudo. Bem gostei do tal jogo da lama, mas sempre o mesmo moço. Sabe moço, se o "Chefe" Escoteiro tivesse me perguntado eu diria para ele o que eu queria encontrar quando entrei na Patrulha. Diria para ele o que sonhava. Em ir a um acampamento de verdade. Mas ele Moço nunca me perguntou. Era ele quem decidia tudo. Triste, muito triste Moço.

Obrigado mesmo Moço. Sei que seu convite é sincero. Mas agradeço. Não dá mesmo Moço. Até meus amigos de turma do bairro dão risadas quando falamos em ser escoteiros. Eles dizem que seus programas são melhores e quem sabe são mesmo Moço? Olhe, estamos juntos com a turma há muitos anos. Só o Neném que foi embora da cidade não está lá mais. E sabe Moço? Lá não tem chefes!

Quem sabe Moço quando crescer eu mesmo vou ser um "Chefe" Escoteiro? Aí Moço eu vou deixar que os meninos que ali entrarem encontrem seus sonhos que fizeram quando resolveram participar. Moço, eu vou deixar eles decidirem quase tudo. Vou mostrar a eles a capa do meu caderno que guardo até hoje e dizer: Podem sorrir turma, agora é para valer! Segurem nossa bandeira, desfraldem-na contra o vento, pois vamos para o nosso acampamento e lá vamos viver mil aventuras!

Obrigado mesmo Moço. Desejo tudo de bom para o senhor. Quero acreditar que outros meninos vão aceitar seu convite, mas eu Moço, não posso. Infelizmente são diferentes dos meus sonhos e olhe moço, não fique triste, seja feliz e aceite o meu Sempre Alerta, de um menino triste que foi Escoteiro por seis meses e não encontrou a felicidade dos seus sonhos! Adeus, adeus Moço!

terça-feira, 17 de abril de 2012

O politicamente correto


O caráter é como uma árvore e a reputação como sua sombra. A sombra é o que nós pensamos dela; a árvore é a coisa real."
(Abraham Lincoln)

O politicamente correto

O politicamente correto (ou correção política) se refere a uma suposta política que consiste em tornar a linguagem neutra em termos de discriminação e evitar que possa ser ofensiva para certas pessoas ou grupos sociais, como a linguagem e o imaginário racista ou sexista. O politicamente incorreto, por outro lado, são uma forma de expressão que procura externalizar os preconceitos sociais sem receios de nenhuma ordem. 

 Estou boquiaberto! Um "Velho" Escoteiro, com 65 anos de escotismo, 71 de idade que não tinha ainda estudado e visto o que significava o Politicamente Correto. Mas como? Pergunto-me. Nunca tinha visto nada igual até hoje. Será que não é coisa da UEB? Risos. Brincadeira.  Bem ainda dá tempo de aprender. Todos sabem que sou uma oposição sadia da UEB. Sempre lutei para que ela fosse forte, grande e atuasse como nós esperamos no aumento quantitativo e qualitativo dos jovens em nossa nação. Claro, interpretações a parte e direito de expressar, nada posso fazer se não usar minhas armas. A ESCRITA. As outras, lutando em campo aberto eu o fiz por longos anos. Agora não dá mais.

Depois de tanta celeuma me pergunto de algumas fotos divertidas de jovens com uniforme “diferente” postadas no face, será que os politicamente corretos já leram a literatura da composição da UEB? Sabem como funciona sua estrutura? O que faz a Assembleia Nacional? Elege quem? O que é o CAN? E como é eleito o DEN? Sabem o nome do Presidente e vice do DEN, conhecem pelo menos dois delegados nacionais em sua região? Será que já leram e compreenderam os Estatutos da UEB conhecem bem o Regimento Interno?

Tem uma boa noção do POR e tomaram conhecimento das novas Normas Disciplinares com informações e determinações sobre como deve agir as Comissões de Ética recém-aprimorada? Nisso a UEB é “batuta” Taxativa! Errou paga! Risos (só faltou dizer como a pessoa seria... melhor esquecer). Sei que centenas que vão ler este artigo sabem tudo isso. Dirijo-me aqueles que são politicamente corretos e discordam de todos e ficam de olhos fechados para o que acontece em sua volta.
    
Pergunto-me se sabem a quem a UEB é afiliada mundialmente, se existem outras organizações mundiais? Conhecem as outras organizações escoteiras que existem no Brasil e no Mundo? Como funcionam? Mas deixo de lado esta complexidade. Vou mais fundo. Será que já analisaram as causas da evasão no movimento Escoteiro? Que a cada um que entra sai outro? Culpa de quem? Outro dia li que em cada adulto que sai saem cinco jovens com ele e o mesmo acontece na entrada. Não seria uma evasão prejudicial? Já viram isso em seus grupos?

Pergunto-me se nas matilhas os lobinhos e lobinhas (mais de oitenta por cento) permanecem por mais de dois anos na alcatéia? E as patrulhas? Bem adestradas? Pelo menos setenta por cento com mais de três anos continuam na tropa? Monitores bem formados? Capaz de liderar como ser liderado? Será que cada um deles na Patrulha tem pelo menos dez noites de campo por ano? Será que pelo menos trinta por cento da tropa atingem o grau Liz de Ouro? E as patrulhas seniores/guias tem o mesmo número da tropa ou estão naquela de uma ou duas? E o Escoteiro da Pátria, pelo menos vinte por cento deles alcançam?

Pergunto-me se os jovens sugerem seus programas anuais? Se a democracia no grupo existe com um Bom entrosamento Conselho de Chefes/Diretoria? Do Grupo Escoteiro para outro assunto. Pergunto-me. Será que agora estão satisfeitos com tudo que vem das autoridades escoteiras? Ela é infalível? Um deles me disse que o local para discutir é a Assembleia Regional e Nacional. Pergunto-me, sabem como chegar lá? Para ter voz e voto? Conhece quantos que são delegados nacionais? E do seu estado? É fácil ser eleito? Pergunto-me se eles não gostariam de ser consultados sobre algum tema importante que são impostos sem consulta?

Sobre a Assembleia, pergunto? – Já estiveram lá? Teve oportunidade de discordar e apresentar novas sugestões e essa ser aprovada? O tempo das discussões é suficiente para artigos importantes? Agora mesmo irão apresentar o tal novo uniforme ou traje. Como vai ser? Quem foi o autor da ideia? Um só? Mais de um? Mas somos 67.000 será que os jovens não interessam em opinar? Afinal eles é quem irão usar tal traje.

Poderia perguntar mais, se estão questionando, se estão ao par como são eleitos e escolhidos os dirigentes nacionais? Pergunto-me se aqueles que dizem que o importante é o jovem já viram e conhecem os resultados do seu grupo na comunidade em que residem? Homens e mulheres de caráter em número razoável para dizer a todos que o escotismo é uma forma de formação de caráter e estão a batalhar junto às autoridades em beneficio do escotismo local?

Claro que muitos dirão que sim e vou acreditar. Tem mesmo boa parte dos nossos escotistas que lutam por um escotismo melhor. Mas saibam que até 1978/80, nosso efetivo era de mais de 45.000 membros. Trinta anos depois temos 67.000 e isto com a entrada do movimento feminino que deveria ter dado um substancial aumento (alguns discordam deste numero). Ninguém até hoje analisou do porque nestes trinta anos não crescemos. Por quê? O programa não era bom? Mas foram os notáveis que mudaram.

Minha luta vai continuar. Não concordo com nosso sistema. Ele não nos dá o direito de escolha. Agora mesmo em uma lista que participo, onde tem bons escotistas opinando, são todos de opinião que precisamos mudar, mas ninguém sabe como. É como os deputados e senadores que quando aparece projetos ou leis que podem interferir em suas “lambanças” engavetam. Sabiam que no Congresso Nacional menos de 0,5% do nosso efetivo votam e decidem? Isto não existe em nenhuma democracia plena.

Mas que venham os politicamente corretos. Só espero que daqui a vinte, trinta cinquenta anos eles estejam ainda no escotismo. Para verem se acertaram ou se erraram. Baden Powell (BP) sempre disse – IMPORTANTES SÃO OS RESULTADOS. Que eles sejam bons, pois até agora produzimos muito pouco em termos de quantidade e qualidade.

Tenho ouvido e conversado com muitos escotistas de norte a sul do Brasil. Um deles me disse que um colégio eleitoral (no caso nossas assembleias) é sistema típico de ditaduras. De regimes de exceção. Continua ele – O atual sistema de escolha dentro da UEB beneficia somente, e tão somente os grupos que se revezam há décadas no poder em todas as esferas. Continua ele – Articulações politicas e de interesse são fatos. Por óbvio que é mais fácil garantir votos com meia dúzia de associados ”delegados” votando do que deixar na mão de todos os adultos envolvidos no Movimento Escoteiro.

 Acha ele que os pais dos jovens servem para bancar seus filhos no ME, mas não para decidir o destino dele. Outro amigo diz – Falar de propostas no Congresso é uma bobagem. As que são aprovadas ao nível regional são levadas a nacional e pronto. Não tem ali como fazer propostas ou se dar voz a ninguém. Exceto para fazer alguma pergunta a um palestrante sobre alguma novidade e que em geral, são respondidas com uma tremenda má vontade, em especial se a pergunta questiona a validade do que sendo feito.

Continua ele (é um participante ativo nestes congressos) – Poderia mencionar as tais “reuniões” e “almoços” reservado à cúpula. Ali é que são costuradas as politicas os conchavos. Lembra ele o que aconteceu Brasília no último Congresso. Uma comissão de notáveis com portas fechadas para ver se conseguiam apoio para candidatos ao CAN entre outros temas importantes. Rindo ele disse que as assembleias servem sim, para rever amigos, turismo, pois a realidade é bem diferente do que se espera de uma verdadeira estrutura democrática. Termina dizendo – Não se pode fugir das influências. O poder está na mão de meia dúzia.
"Bom caráter é para ser mais enaltecido do que talento extraordinário. A maioria dos talentos é de uma certa forma um dom. Bom caráter, em contraste, não nos é dado. Temos que construi-lo peça por peça... por pensamentos, escolhas, coragem, e determinação." 
 (John Luther).

Escotismo e assistencialismo



Escotismo e assistencialismo

O assistencialismo é a ação de pessoas, organizações governamentais e entidades sociais junto às camadas sociais mais desfavorecidas, marginalizadas e carentes, caracterizada pela ajuda momentânea, filantrópica, pontual (doações de alimentos e medicamentos, por exemplo). Tal prática, desprovida de teoria, não é capaz de transformar a realidade social das comunidades mais pobres, pois atende apenas às necessidades individuais e a ajuda é feita por meio de doações. A falta de mudanças estruturais significativas não tira os necessitados da condição de carentes, pois não há elaboração projetos e políticas assistenciais. Um dos problemas suscitados pelo assistencialismo é a conservação da situação de carência das camadas marginalizadas por finalidades político-econômicas, visto que, por ser uma prática de doação, é um ótimo meio de construção de uma imagem favorável dos doadores em relação a certos públicos (principalmente os mais desinformados). (definição de Fabio Procópio, retirado em seu blog na internet).

O escotismo procura atual individualmente na formação do jovem, deixando que ele próprio tome a iniciativa, com a colaboração de um adulto dentro dos padrões que nos deixou Baden Powell (BP). A formação simples, vivenciadas em atividades mateiras, pretende colaborar com a família, a escola e a sua religião. O método é simples, com atividades ao ar livre, deixando que o jovem aprenda a fazer fazendo. Seus objetivos são a formação de homens e mulheres dentro da sociedade, visando uma integração sadia, formada de caráter, ética e ajuda ao próximo.

Não pretendo polemizar sobre uniforme, quem pode e quem não pode. Dou o assunto como encerrado. Para mim a maneira de fazer fazendo é simples, pois atuei muito em comunidades carentes com resultados excelentes. Filho de sapateiro sei muito bem o que é sonhar com um uniforme, participar desta grande fraternidade. Quando jovem toda a tropa era composta de jovens carentes, mas fizemos um belo escotismo. Sempre considerei que os menos aquinhoados também tem seus sonhos e nós devemos fazer tudo para dar a eles a oportunidade que tivemos
.
No entanto hoje muitos se justificam com um uniforme simples, considerando que isto vai dar oportunidade a todos que adentram as hostes escoteiras, principalmente os que não tem condição financeira para se manterem. É uma polêmica que não quero participar mais e que aceito que os voluntários que assim pensam continuem a trabalhar conforme reza sua consciência. Infelizmente, o tal traje está sendo muito bem aproveitado por aqueles em melhores condições financeiras, e não pelos mais pobres, haja visto que em Jamborees ou encontros nacionais ou regionais, lá estão rapazes e moças alegres, sorridentes com seus trajes coloridos e dispenderam uma boa quantia para estarem ali. (Nada contra, apoio total).

Certo ou errado, acredito que sem as bases sólidas que o escotismo oferece, vivenciando uma alcatéia dentro da mística da Jângal, com número razoável de chefes atuantes sem pensar em quantidade e com patrulhas bem formadas, bons monitores, e muitas atividades ao ar livre, permanência por pelo menos mais de dois anos como membro Escoteiro, sabendo que os pais entendem e aprovam sua participação, este é o escotismo que acredito e assim sendo o uniforme é um mal menor.

Que cada um defina o que considera importante na formação escoteira, e neste caso o uniforme ou traje deixa de ter para mim a importância na condução de um grupo Escoteiro. Como dizia Baden Powell (BP), O RESULTADO É QUE É IMPORTANTE!