Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

domingo, 27 de janeiro de 2013

O caminho da felicidade.



Conversa ao pé do fogo.
O caminho da felicidade.

O céu estremece.
A terra balança.
E num sorriso de criança;
Ainda existe a esperança
de sermos felizes!


                       Terminou a reunião. Alguém vai procurar você. – Chefe, por favor, assine aqui. Assinou. Eram os seus proventos. Você está sendo regiamente pago. Um ótimo salário. Poucos te invejam, entretanto. Eles não sabem o valor do seu salário. Sua assinatura foi feita com as pupilas dos seus olhos. Não tem canetas, lápis, nada. Ali estavam espalhados pelo pátio, centenas de milhões de reais, melhor dizer, centenas de milhões de felicidade. Este é o nome dos seus proventos. Seu holerite tinha forma de estrela brilhante com poucas coisas escritas. Ali estava os olhinhos do Lobo Feliz, da Lobinha que pensava primeiro nos outros. Ah! Lá está também a face faceira do Escoteiro. Da Escoteira cortes. Sem falar no Sênior que aprendeu o que é honra. Da guia que se orgulha em ser leal. Chiii! Eram muitos os escritos nos seus proventos, no seu holerite.

                       Um dia convidaram você. Seja um voluntário escoteiro. Quanto pagam? Você perguntou. Muito! Vais ter o maior salário do mundo. Sem muito esforço pessoal. Apenas dedicar parte do seu tempo para complementar sua renda familiar. Coisa pouca. Coisa de milhões! Terás aborrecimento sim, terás tristezas também. Poderá até ficar doente pelas intempéries do tempo. Mas quando receber e ler o que ganhou no seu holerite Escoteiro irás ficar orgulhoso. Nenhum astro, nenhum cantor, nenhum alto membro da comunidade científica, nenhum político terão a oportunidade de receber o tanto do que irás receber. Eles nunca farão o que você faz. Eles nunca poderão julgar sua vitória para ter direito a este enorme salario. Eles não sabem o que é isto.

                    Vais ter sim que ser um deles para justificar sua paga. Serás claro um professor. Ensinar muito. Quem sabe um astro também, pois terás de jogar com eles em todos os momentos. Claro vais ser um religioso. Terás de entender a espiritualidade de cada um e ajudar na vida pessoal de todos. Terás que mostrar o valor de Deus, da natureza, das florestas, dos rios e oceanos. Irás com eles inventar coisas maravilhosas que poderão deixar para trás os maiores cientistas da humanidade. Irás cantar como nunca cantou em sua vida. Vais ter que saber politica para resolver os problemas que irão aparecer. E serão muitos. E claro, irás ser um Chefe, um líder, um sargento ou até um general, mas diferente. Usarás como arma o seu coração.

                      Irás viajar com eles por longas terras, irás fazer longas jornadas e sabe, vai se maravilhar quando os ver sorrir pela primeira vez. Ai começa o seus proventos. Vais lembrar-se de Bruno Raphael que dizia: - Da bravura dos grandes nasce à glória. Do sorriso das crianças a felicidade. Do olhar dos inocentes a certeza da esperança. De suas mãos a construção do futuro e assim você pode continuar a sonhar... Com os pés no chão. Lembre-se da lei do retorno, pois não haverá consideração com seus erros. Mas lembre-se que saber perdoar é importante para que outros perdoem você também. Irás tirar do próprio bolso para ajudar, suas horas de lazer e alegria serão outras. Muito mais difíceis, mas muito superior a tudo que fizeste. Não é só diversão. Agora tem um propósito.

                     A sua volta muitos o olharão com desconfiança até que irá chegar o dia do seu salario. A cada ano irás receber seu décimo terceiro salário. Isto quando um deles estampar em suas fardas as conquistas que você ajudou-os a receber. Dizem que a cada década você terá um prêmio extra. Os ver entrando na sociedade, homens feitos alegres, com altivez não exagerada, mas que olharão para você e o verão como um dos responsáveis pela formação de suas vidas. A cada aperto de mão, a cada Melhor Possível ou Sempre Alerta seus bolsos ficaram mais avolumados com os aumentos dos proventos que virão. A cada volta de um acantonamento ou acampamento verás pilhas de sorrisos financeiros aos seus pés.

                     Não será fácil seu trabalho. Irás enfrentar relâmpagos e tempestades. Pais insatisfeitos, amigos de farda com críticas, trabalho extra e adicional noturno acrescido de alta periculosidade pelas intempéries da vida, e até quem sabe com pagamentos atrasados. Foram sorrisos tardios. Mas no fim, seus proventos serão enormes. Horas sem dormir. Horas de correria. Atender a todos sem olhar a quem. E quando chegar ao final da jornada, na hora de receber, vais dizer – Valeu a pena. Valeu sim. Olhar a volta e ver sorrisos em profusão. Sorrisos de crianças. Os mais lindos sorrisos que existem na face da terra. E eles, os sorrisos serão sim, o maior valor dos seus proventos. Enormes, e a cada um mais você ficará mais rico. Uma grande soma no Banco da Felicidade. E pode sacar quando quiser. Com cheque ou não. Ele está lá armazenado. Um bilhão de felicidade.  Para você. Pois foi você quem o fez por merecer o sorriso de uma criança. E não foi ele, o seu chefão quem disse que a verdadeira felicidade é fazer a felicidade dos outros?       

Olhe para o sorriso singelo de uma criança, deite na grama e olhe para as estrelas e cante com os amigos. Depois disso, ainda há quem diga que o simples fato de viver e se fazer realmente existir, seja tão complicado?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Você já ouviu os sons da natureza?



Conversa ao pé do fogo.
Você já ouviu os sons da natureza?

A natureza é o único livro que oferece um conteúdo valioso em todas as suas folhas.

           Hoje não vou contar uma história. Não vou escrever um artigo. Vou apenas lembrar quando comecei a aprender e sonhar com os sons da natureza. Isto ainda existe? Ainda tem escoteiros sonhadores? Aqueles que olham o céu e pensam estar viajando pelas estrelas? Faz tempo. Muito tempo. A primeira vez estava com dezessete anos. Ia fazer dezoito. Tinha muitos problemas. Ainda não sabia do valor do silencio. Resolvi fazer meu primeiro acampamento sozinho. Sem ninguém. Precisava pensar. Porque não? Quem sabe iria descobrir em mim mesmo de onde vim e para onde vou! Mochila nas costas lá fui eu. Era um pico famoso em frente à cidade que morava. Fui lá muitas vezes com a Patrulha, com a tropa. Subida difícil. Umas cinco horas para atingir o cume.

          Foi uma experiência fantástica. Nunca tive medo no campo. Não sou corajoso, mas amava o campo. Afinal se você o ama não pode ter medo. Fui em um sábado à tarde para voltar no domingo. Era fantástica a vista noturna. As luzes piscando por toda a cidade. Pequenos faróis furando ruas e ruas e o rio serpenteando como uma enorme serpente querendo devorar a cidade. Acomodei-me sem barracas. Tinha uma grande cruz no alto, serviu como escora para minha mochila. Foi a primeira vez que senti e ouvi o vento. O vento soprava. Eu não o via, mas sentia. O som era como se eu o tivesse descoberto pela primeira vez. Dormi. Época que ainda dormia a noite inteira. Acordei no lusco fusco da manhã com o rosto molhado pelo orvalho. Ouvi os pássaros. Cantavam diferentes.  Ainda não os identificava, pois não estavam por perto.

         Demorou mais cinco anos para o próximo. Meu local preferido. Serra da Piedade. Uma viagem de trem, saltar com o trem em movimento em uma subida antes do túnel da Viúva. Fui lá antes várias vezes com amigos escoteiros. Mas precisava ficar só. Sem vozes, sem cantoria, sem gritos sem farfalhar sobre os galhos soltos por aí.  Quatro quilômetros de subida. Outra vista maravilhosa. Quatro cidades no horizonte. Aprendi ali a identificar os grilos, as cigarras, os pássaros noturnos e pela primeira vez vi de perto um lobo guará. Quieto. Olhando-me. Tirei uma linguiça da mochila. Joguei para ele. Comeu com gosto. Nas outras vezes que voltei foi meu companheiro em quase todas as horas que ali estive. Foi lá que passei a admirar o som da chuva. Não importa se torrencial ou não. Quem sabe ouvindo se perde o medo. Até os raios tinham os ruídos da noite assim como os trovões. Em cada época do ano, o vento soprava diferente.

         Fui em outros lugares. Fiz destas atividades a “Escoteira” (aquele que anda só) um programa anual. Nem sempre pude cumprir. Cada lugar que estava um problema diferente. Mas não passava mais de três ou quatro anos para retornar aos sons da natureza. Acampei sozinho em florestas virgens. Podia sentar em uma árvore centenária e ouvir o seu som quando ela rangia com seus galhos enormes e conversava com o vento. Ouvia os pássaros invisíveis nos seus galhos, via o brilho do sol tentando escalar sua sombra em aberturas pequenas nas suas folhas. Nas grandes florestas a chuva tem um som diferente. Os animais em festa, os insetos apressados, você sente no corpo um frescor diferente. Parece que a natureza quer falar com você. Já tinha feito vários destes acampamentos a Escoteira. Não tenho certeza, mas foi aqui em São Paulo, me parece que no Parque anhanguera. Não na área do público. Outra que só nós escoteiros podíamos entrar. Uma imensa mata de eucalipto já sendo engolida pela mata Atlântica. Como sempre só. Choveu. Barraca armada. Acordei ainda sem ter o sol despontando. O cheiro me bateu em cheio. O cheiro da terra. Um acampador, um mateiro e pela primeira vez sentia o verdadeiro cheiro da terra. Maravilhoso! Voltei lá muitas vezes.

          Nunca acampei sozinho em uma praia deserta. Que sons maravilhosos deve se ouvir pelas madrugadas. Quem sabe um Albatroz. O bater de asas de uma gaivota, um trinta-réis ou um atobás. Quem sabe os tesourões gritando no espaço a procura dos seus cardumes desaparecidos. E a onda batendo uma nas outras? E o som imperdível dela chegando e voltando com a mare alta? Já ouvi e vi tudo isto, mas não sozinho. No passado escalei montanhas. Senti lá no alto a paz que procurava. Amei as tempestades e as folhas assustadas que caiam como se fosse no outono. São coisas que deixei para trás. Hoje não posso mais. Mas como eu meus sonhos eu volto sempre a Giwell eu também viajo pelo meu passado com as lembranças dos sons da natureza que aprendi a amar e admirar.

          Não há como esquecer o som do regato, dos peixinhos que pulam a procura de um inseto, no coaxar de um sapinho, do lindo som de uma cachoeira gigante, do bater de asas de papagaios coloridos.  Os sons das abelhas e dos beija flores a procura do néctar nas flores, de olhar uma campina verdejante e ver o vento tocar as folhas do capim, das flores silvestres e elas como se fosse uma onda vão e vem no horizonte. São tantos os sons da natureza que é impossível dizer que Deus não está ali. Sons e sons. Da noite do dia. Do nascer e do por do sol. Sons da chuva, da terra molhada, do riacho manso que corre para o mar. Sons das ondas, das gaivotas, dos falcões, dos macacos guinchando nos galhos como se estivessem a rir de nós. Sons das estrelas, da lua, do sol. Sons imperdíveis da nevoa da madrugada. Quantas saudades daqueles dias que o som da natureza me invadia e tomava conta do meu ser. Um som como se estivesse ouvindo melodias nunca antes tocadas por nenhuma orquestra deste mundo. Sons da natureza!

Por entre junco e hera verdejante
Correm nascentes de água límpida,
Junta-se à sede da minha alma ímpia
Esta cascata pura e refrescante

Já são audíveis os sons da cachoeira
Num simulacro à magia da natureza
Insetos e pássaros voam na certeza
Que Deus existe e a fé é verdadeira··.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Primeira Classe, o sonho de Lord Jim.


Lendas escoteiras.
Primeira Classe, o sonho de Lord Jim.

              Lord Jim era um sonhador. Desde que entrou para os escoteiros ele sonhava. Sonhava com acampamentos, com excursões, com a Patrulha, com as viagens enfim, Lord Jim gostava mesmo de sonhar. Havia uma diferença em Lord Jim, ele sonhava com os pés no chão. Emocionou-se no dia de sua promessa. A tropa em posição de Alerta!  Mino o Monitor ao seu lado, o Chefe Maílson o olhando nos olhos e ele dizendo a Promessa Escoteira sem errar.  Lembrou ali na ferradura quando entrou na tropa. O abraço do Chefe, do Monitor e de todos os patrulheiros da Gavião. Era novo para ele estas provas de amizade. Nunca tinha visto. Diziam que os escoteiros são fraternos. No primeiro acampamento ele sentiu a verdadeira felicidade de viver como um herói das selvas. Aprendeu rápido. Até como cozinheiro ele uma vez ajudou.

                 Quando começou na Patrulha Gavião o batizaram como Lord Jim. Seu nome era Stefano. Gostou do apelido. Quando leu que Baden Powell também foi Lord seu orgulho mudou para melhor. Agora seu sonho era outro. A Segunda Classe. Não foi difícil. Em um ano e meio conseguiu. Melhor ainda a recebeu em uma noite de lua cheia, no Acampamento das Vertentes, ascendendo o fogo do conselho com um palito e pulando as chamas três vezes para receber seu nome de guerra. Apesar de que a tradição rezava ser um nome indígena ele pediu para continuar sendo Lord Jim. Seu Monitor o abraçou. Todos deram um enorme grito de guerra da tropa. – Viva Lord Jim! O Chefe Maílson entregou a Segunda Classe e ele se derreteu todo. Não perdia um acampamento, nenhuma excursão. Era um dos primeiros a chegar à sede para as reuniões. Não tinha sonhos de ser Monitor, seu sonho agora era ser um Primeira Classe. Os cordões claro estavam vivos nestes sonhos.

                 As provas foram feitas paulatinamente. Recebeu do seu Monitor como deveria ser e as datas. Ele mesmo procurou o Capitão Lamartine dos bombeiros para que aprendesse a prova das especialidades de Bombeiro e Socorrista. Acampador tirou facilmente. Em dois anos na tropa já tinha mais de trinta noites de acampamento. Comprou um caderno de duzentas folhas e ali anotava tudo. Datas, onde, quando, tempo e as partes importantes que lá aconteceram. Agora estava se preparando para a jornada. Era a apoteose. Todos que fizeram eram respeitados e até endeusados na tropa. Todos queriam ouvir os contos aventureiros da jornada. Aprendeu a ler mapas, tirava de letra os pontos cardeais, colaterais e sub. colaterais, sabia o que era azimute, graus, aprendeu com facilidade a fazer um esboço de Giwell e seu passo Escoteiro e passo duplo eram perfeitos. Nunca em tempo algum ele errou no seu passo duplo. A quilometragem não tinha erros.  

               O dia da jornada chegou. Ele e Levegildo que ele mesmo convidou partiram rumo ao Vale do Roncador. Não conhecia, nunca tinha ido lá. O Chefe e o Assistente distrital Escoteiro tinham conversado antes. Um ônibus o levou até a estradinha do Sitio do Marcondes. Sua mochila estava perfeita. Nada de mais nada de menos. O farnel o de sempre. Um macarrão, uma batata, um arroz, sal, alho e um vidrinho de gordura. Sabão e mais nada. Não estava pesada. Queria levar a velha Silva de guerra, mas os seniores estavam com ela. Sobrou uma Prismática. Tudo bem. Ele a dominava com perfeição. Na porteira abriram o mapa. Na mosca. Era ali mesmo. Ele contava os passos e Levegildo anotava o que via por ali. Dois pintassilgos, um Anu do Brejo, beija flores voando longe, dois macaquinhos pregos no pé de Jaca.

                Às seis e meia da tarde chegaram ao sitio do Marcondes. Não havia duvida. Duvida ouve na senhora que os recebeu. Parecia que não sabia o que eles queriam, mas disse que eles poderiam usar o riacho e acampar a vontade. Uma sopa deliciosa, lavar vasilhame, limpar bem a barraca para evitar animais peçonhentos, e após uma vista no relatório e uma oração foram dormir. Levantaram cedo. Um café, biscoitos nova arrumação e pé na taboa. Agradeceram à senhora e partiram. Sabiam que deviam atravessar a Mata do Canarinho, mas disseram que não eram mais de quatro quilômetros dentro dela.  Engano. Meio dia, uma hora e não saiam de dentro da mata. Voltaram. Foram até o sitio. Perguntaram. O mapa não ajudava. A senhora disse que eles erraram, se voltassem pela serra eles veriam o caminho.

              Duas da tarde. Combinaram de chegar à sede às cinco da tarde. Isto se o ônibus não atrasasse. Agora sim o caminho estava correto. O mapa voltou a funcionar. Só às sete da noite chegaram ao ponto de ônibus. Demorou. Chegaram à sede as onze da noite. O Chefe Maílson preocupado. O Assistente distrital não quis esperar. Foi embora. Disse que não daria a prova. Se não tem responsabilidade com horários não merecem a Primeira Classe, disse. Dito e feito. Foram reprovados. Lord Jim não chorou e nem desistiu. Ele tinha têmpera de escoteiro. Seis meses depois repetiu a jornada. Desta vez conseguiu fazer tudo no horário. Lord Jim fez do seu sonho realidade. Pediu ao Chefe Maílson para que o distintivo fosse entregue também no Fogo de Conselho. Claro que sim o Chefe disse.

             Noite escura, trovões, o fogo aceso. O Chefe queria voltar para o campo. Começou a cair uma chuva torrencial. Lord Jim chorou. Preciso receber agora Chefe! Não posso esperar outro acampamento. Terei feito quinze anos e serei Sênior! A chuva caia aos borbotões. A tropa ficou de pé. Em posição de sentido. Trovões ribombavam pelo ar. Lord Jim ali em pé em frente ao Chefe. Era mesmo um vendaval dos bons. O vento soprava forte. Mino o Monitor colocou a mão no seu ombro. - Você está pronto Lord Jim? Sim ele disse. O Chefe entregou o distintivo de Primeira Classe. Refez a promessa. Deu um enorme sorriso. Um raio assustador atravessou os céus. A luz que ele produziu mostraram um rosto de um Escoteiro orgulhoso e valente. Agora era um Primeira Classe! Agora tinha muitas histórias para contar! Com ribombos e assombros da chuva que caia intermitente, a tropa ainda em posição de sentido cantou o Rataplã. Todo o hino. A selva recebia com orgulho aquela chuva intermitente e o cantarolar dos escoteiros! Ah! Sonhos! Como é bom sonhar e os ver realizados. Viva Lord Jim. O Escoteiro Primeira Classe!  

domingo, 20 de janeiro de 2013

Condecorações & Recompensas.



Conversa ao pé do fogo.
Condecorações & Recompensas.

             Um tema que por diversas vezes abordei em meus blogs. Espinhoso. Muitos desistiram em algum dia receber pelo menos uma medalha que tem direito. Isto acontece por diversos motivos. Pode ser que ele por ser o líder do seu grupo e como não sabe como agir em causa própria e como o distrito não toma nenhuma atitude, ele vê o tempo passar e nada recebe. Sete anos, quinze, vinte e por aí vai. Fica triste e pensando, ora, ora, vou a uma assembleia e lá estão vários sendo condecorados. Principalmente os dirigentes distritais e regionais. Melhor dizer por aí que não tenho interesse. Estou no escotismo porque gosto dele e não ando atrás de medalhas. Certo isto? De quem é a culpa? Afinal hoje a UEB tem um sistema que acho perfeito no cadastro de todos os seus associados. Ter uma listagem dos escotistas e até escoteiros de quem fez sete anos ou mais é tão fácil como mandar um e-mail. Mas porque não se toma uma providencia?

            Interessante. Eu claro tenho conhecimento de como devemos agir no Grupo Escoteiro, mas tem muitos que não. Se isto hoje é ensinado nos cursos de formação não sei. Se sim acho que falta ainda detalhes mais profundos da ficha técnica. Realmente fazer a pergunta quem é mais importante um dirigente ou um humilde Chefe Escoteiro se ele quer receber seria um paradoxo. Lembro-me de uma passagem em nosso evangelho - “A César o que é de César é começo de uma frase atribuída a Jesus nos evangelhos sinóticos, onde se lê «Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Como? Afinal para que foram criadas a condecorações? Não seria uma forma de motivar e premiar o Escotista? Afinal ele está lá todos os sábados tentando ao seu modo colaborar na formação dos jovens, sacrifica seu tempo, família, amigos e vê outros que só porque são da liderança receberem e ele nada?

           Tente explicar para ele que existe norma, existe um processo, é necessário ter diversas assinaturas confirmando seu merecimento e ele vai pensar o que? Que seus anos de escotismo, seu trabalho tem o valor de um papel com firma reconhecida? Difícil pensar assim. Enquanto isto vamos perdendo em um “turnover” enorme, escotistas que poderiam estar participando e não sendo substituídos por novos. Estes é claro quando estiverem como ele também farão o mesmo. Agora se me perguntarem como resolver eu digo – Compete aos órgãos superiores preencher um simples questionário, via internet para os órgãos responsáveis e sem burocracia fazer a entrega daquele que conquistou o direito e o merecimento em receber. Um direito dele. Um direito que não deve ser postergado.

              Há tempos um dirigente me disse que é muito fácil fazer um processo. Fácil? Tem os caminhos certos para percorrer? E porque a maioria dos escotistas em nosso país com sete, quinze ou mais anos até hoje não foram agraciados? Interessante que estes dirigentes tem várias condecorações. Eu mesmo quando assumi uma região e depois uma Equipe de Adestramento Regional recebi várias. Claro eu tinha amizades na cúpula e um pequeno toque lá estava eu recebendo uma. Depois que deixei de pertencer à liderança regional e fiquei somente no Grupo Escoteiro nunca mais. Já não era merecedor. Ou seja, meu trabalho antes era mais importante que aquele junto aos jovens.

              Tem hora que desanimo em ver dirigentes recebendo as mais altas condecorações e outros que fizeram um trabalho muito mais dignificante em seu Grupo Escoteiro sem nada receber. Dizer que seria fácil mudar este estado de coisas seria quem sabe uma verdade que ninguém quer ouvir. Mas garanto se estas condecorações fossem entregues a quem de direito, sem burocracia, pois não é verdade que temos uma só palavra? Precisamos provar? Se alguém por um motivo ou outro não for merecedor mais a maioria o for acho que é meio caminho andado. Não conheço nenhum Escotista de sessão, com mais de quinze ou vinte anos de movimento com uma alta condecoração Escoteira. Mas conheço dirigentes com muito menos portando orgulhosamente.

               Garanto e ponho a mão em cima, que, os escotistas ficariam bem mais motivados, outros se sacrificariam mais para também ter este direito e com isto o movimento Escoteiro só teria a ganhar. Não falo somente em uma de bons serviços. Nada disto. Todas. A assistente de lobinhos que deixa seu lar para ficar em atividade em um grupo sacrifica um tempo que não tem para mim tem o mesmo valor que um dirigente dos órgãos superiores. Não basta um certificado, não basta um sorriso, todos nós gostamos de um elogio e se ele vier em forma de premiação que “existe” na UEB melhor. Afinal não foi este o objetivo para que foram criadas? Só digo que mais da metade dos grupos escoteiros no Brasil não tem estrutura necessária para tomar providencias em premiar seus escotistas. Temos de mudar o sistema. Os grupos dificilmente serão mudados. Temos que ver que o valor, o merecimento não é de meia dúzia e sim de todos.

               Que não me venham dar explicações de processos de como fazer etc. Conheço todo o caminho para eles. Lembrem-se já estive na posição de decidir e olhe, decidia de olhos fechados. Precisamos premiar a quem de direito. Precisamos agradecer a ele pelo trabalho que está dando ao escotismo. Não sei não, mas acho o Chefe Escoteiro mais merecedor que muitos dirigentes. Quem sabe um dia esta burocracia acaba?    

sábado, 19 de janeiro de 2013

Aleluia! Os candidatos escoteiros estão chegando!



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Aleluia! Os candidatos escoteiros estão chegando!

                   Faz tempo. Quanto tempo? Uma eternidade. Em São Paulo duas chapas irão disputar a direção regional no próximo ano. (já estou sendo informado que tem mais duas) Estão fazendo seu marketing prometendo mudanças. Não conheço pessoalmente nenhum deles. Alguns só aqui do facebook. Amigos virtuais fazem comentários e todos são unânimes em dizer que seus candidatos são os melhores. Isto é bom. No escotismo em muitas regiões as lideranças transformaram suas diretorias em feudos. Algumas em capitanias hereditárias. Eles quando cansavam indicavam quem devia assumir. Uma eleição de carta marcada. Isto aconteceu e acontece também na direção nacional em todos os níveis. Soube que estão mudando também. Infelizmente nós escotistas nunca nos preocupamos com isto. Em nome de uma fraternidade leal e obediente nem dávamos conta que nossos direitos estavam e ainda estão sendo usurpados.

                    Aqui em São Paulo onde moro desde o final da década de setenta, eu conheço bem tudo que se plantou na direção e os mandos e desmandos. (fui testemunha ocular). Na primeira vez que montamos uma chapa perdemos por seis votos. Eram duas. Isto nunca aconteceu. Fato inédito. Os continuístas continuaram por muitos e muitos anos no poder. Sempre chapa única. Quem iria se arriscar? A tal disciplina e lealdade dizia que devemos obedecer aos senhores feudais. Disseram-me que na maioria das regiões ainda é assim. Não sei. Bem parece que estão soprando novos tempos. Várias regiões estou sabendo que estão no mesmo caminho.

                    Sempre lutei pela democracia Escoteira. Ainda sou contra o que diz o Regimento Interno que determina quem pode ou não votar. Se em uma região todos os membros adultos não podem votar e o que dizer na nacional? Não vou aprofundar aqui minhas ideias e maneira de pensar. Dezenas de artigos sobre isto já publiquei em meus blogs. Já tenho visto aqui e ali vários escotistas se manifestando. No passado quem se manifestava era defenestrado. Não se enganem. A pressão silenciosa ainda existe. Muitos ainda têm medo de se manifestar. Aqui mesmo no meu grupo e em minha página já vi muitos se afastarem porque disseram a eles que sou subversivo. Eles têm medo de se contaminarem. Risos. Logo eu. Um velhinho inofensivo! Mas isto agora é passado. Novas águas da primavera estão chegando.

                     Se isto for um exemplo, se em pouco tempo em todas as regiões pipocarem novas chapas, se sangue novo vier a dirigir o escotismo regional, quem sabe os Estatutos e o Regimento Interno em todos os níveis podem um dia ser mudados. Para melhor. Ouvindo todos, nos mais longínquos rincões do país. Aí sim, iremos partir para uma nova era no escotismo. Enquanto isto vamos ver como irão proceder os novos eleitos. Um amigo virtual me mandou um artigo interessante. Já o publiquei e acho que será um ponto de partida para ver se as mudanças serão para melhor, vocês já devem ter lido, mas vale a pena lembrar uma parte:

                  Lembra-nos ele que o escotista, o adulto, quer atuar onde a meritocracia funcione; quer ser ouvido, quer estar onde possa apertar a mão de um comissário distrital; ter uma conversa ao pé do fogo com algum dirigente regional e/ou nacional, receber uma carta lhe congratulando. A associação, ao contrário, se distancia cada vez mais do seu maior patrimônio, daquele que defende o nome da causa escoteira esteja lá onde estiver: o adulto, o “chefe”.

                  Aí eu pergunto: Irão mudar? Ou irão nomear assistentes para isto? Lembrem-se ninguém quer falar com o vice. Lembrei-me do Senhor Presidente Lula. “Ele o americano é o sub do sub, não manda nada”. Todos querem o presidente. Mãos a obra e pé na estrada. Que o eleito vá atrás deles. Lá no interior. Aperte a mão de cada um. Ouça o que ele tem dizer. Anote. Não fique nas promessas. Se for difícil conhecer todos, faça indabas. Dezenas delas. Mas se achar que agora pertencem à corte, que conseguiram mudar de “casta” que agora são importantes demais para isto como muitos que fizeram assim, então as esperanças de mudanças se foram ao sabor do vento. Apenas uma fantasia que se rasgou quando terminou o carnaval. Se for um grande passo para o futuro, agora não passou de um pequeno passo para o passado. Tudo não passou de promessa que nunca iriam ser cumpridas. Mas esperanças nunca morrem.

                Não importa quem vença. Quem conseguir a simpatia da maioria dos votantes eu na minha mais humilde opinião, desejarei de coração que consigam atravessar as dificuldades e encontrem a trilha que os levará ao caminho para o sucesso! E quem sabe vem aí uma nova luz para iluminar mais este grande e maravilhoso movimento Escoteiro?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Aqui se faz aqui se paga.



Lendas Escoteiras.
Aqui se faz aqui se paga.

                Narville ouvia calado. Ele sempre foi assim. Preferia ouvir a discutir, pois achava que seu silêncio lhe daria sempre paz de espírito. Seu pai um simplório carroceiro um dia lhe disse – Narville, a maior parte dos problemas do homem decorre de sua incapacidade de ficar calado. Ele olhava nos olhos do Chefe Wantuil do Grupo Escoteiro Águia de Haia. Um nome que todos sabiam o significado. Mas o Chefe Wantuil com toda sua arrogância não sabia. A princípio Narville achou que ele lhe daria um sorriso e dizer – Bem vindo, precisamos de voluntários, mas não. Tentou encobrir sua presunção de dono da verdade e só saiu um monte de asneiras. Finalmente completou – Narville, você é um simples vigia das Casas Noêmia, trabalha a noite, acho que nem estudo tem. Como posso aceitá-lo no Grupo Escoteiro? O que você pode trazer de benéfico aos jovens classe média que temos aqui? Se observar bem todos os chefes tem curso superior ou então estão terminando. Melhor procurar outro Grupo Escoteiro. Aqui não tenho lugar para você!

                Falar mais o que? Discutir com o Chefe Wantuil? Falar umas poucas e boas para ele? Ele já tinha lido que a maior parte dos problemas do homem decorre de sua incapacidade de ficar calado. Não foi Abraham Lincoln quem disse que melhor permanecer calado e que suspeitem tua insensatez, que falar e eliminar toda a dúvida disso? Narville era realmente na sua aparência um pobre coitado. Vestia mal. Ganhava pouco. Aprendera tanto com seu pai, um simples carroceiro, mas que para ele era um sábio. – Não diga a coisas com pressa Narville, mais vale um silencio certo que uma palavra errada. É mais fácil a gente se arrepender de uma palavra que de um silêncio. Ele sabia disso. Tinha visto agora nas palavras do Chefe Wantuil. Palavra errada, na hora errada pode se transformar em ferida naquele que disse e naquele que ouviu.

                  Desde pequeno que Narville sonhava em ser Escoteiro. Nunca pode entrar. Primeiro porque precisava trabalhar. Seu pai o deixara órfão aos dezesseis anos e antes tinha que ajudar sua mãe nas trouxas de roupa que lavava para algumas famílias da cidade. Depois para completar o dinheiro que precisavam para sobreviver ele trabalhava. Sempre fora bom aluno e estudava a noite. Dona Noêmia das Lojas do mesmo nome lhe dera um emprego. Salário pequeno. Passava sempre em frente ao Grupo Escoteiro e sonhava que um dia seria um. Mas onde estava o seu tempo? Não tinha. Sabia que eles iam acampar excursionar, entravam em matas fechadas, atravessavam rios e ele sonhava. Quantas vezes olhava no espelho e se via com aquele uniforme caqui, aquele lenço verde e amarelo e aquele chapelão.  Foi crescendo com seu sonho. Um dia Conseguiu o emprego de vigia noturno. Agora tinha as tardes de sábado, mas seu sonho foi destruído pelo Chefe Wantuil.

                  Não ficou com raiva. Ele era uma alma boa. Não tinha e nunca teve raiva de ninguém. Achava que cada um tinha suas razões. Narville tinha um segredo. Só dele, de sua mãe e dona Noêmia. Ela o vira uma vez estudando após o horário e sentiu que ele precisava de sua ajuda. – Narville, eu vou pagar a faculdade para você. Se um dia se formar vais trabalhar para mim aqui? – Falar o que para dona Noêmia? Um ano, dois cinco anos. Formou-se em direito. Uma luta para passar no exame da ordem, mas conseguiu. Ninguém sabia do seu intento. Sua mãe e dona Noêmia estavam presente na sua colação de grau. Logo foi transferido para o departamento Jurídico. Colocou seu único terno cinza e entrou na sala humildemente. Foi bem recebido. Em trinta dias conquistou amigos. Já era outro homem.

                O nome do Chefe Wantuil surgiu em destaque nos jornais. Foi acusado de roubo na firma que trabalhava. O juiz decretou prisão preventiva por trinta dias. Seu arroubo de arrogância afugentou os dois únicos advogados da cidade. Não tinha ninguém para defendê-lo. Narville achou que era hora de retribuir. Foi à prisão. Viu os olhos de Chefe Wantuil em lagrimas. Quem poderia imaginar aquela cena? Narville era bom advogado. Com a ajuda de um amigo detetive logo descobriu quem era o culpado. Chefe Wantuil no julgamento foi declarado inocente. Seu nome ficou marcado no grupo. Não o queriam mais. Nem deixaram entrar na sede para se explicar. Sempre tem aqueles que aproveitam dos que um dia estiveram no poder e humilharam todos. Não é assim que dizem que quem aqui faz aqui se paga?

              Chefe Wantuil ficou marcado para sempre. Narville não pode fazer nada. Seu sonho de ser Escoteiro foi adiado, mas dois anos depois organizou um novo grupo. Pequeno, sem grandiosidade. Trabalhar com poucos. Convidou o Chefe Wantuil. Este com lágrimas nos olhos aceitou. Tornaram-se amigos, foi seu padrinho de casamento. Mudou muito. Aquela arrogância ficou no passado. Ele aprendeu que nunca mais iria cair na tentação do discurso banal, da explicação simplória. Agora era outro, sua fala era como se estivesse dizendo – Calma! Agora eu tenho calma para dizer, calma para ouvir!        

Jogo de Bases.



Conversa ao pé do fogo.
Jogo de Bases.

                  Sugestões para um jogo de base Escoteiro para tropas que ainda não conhecem ou gostariam de repetir de maneira diferente. Os Jogos de Bases são realizados regularmente por muitas tropas escoteiras. Divertido e alegre ele forma os jovens nas técnicas escoteiras ou mesmo nos conhecimentos escoteiros. - As bases são lideradas por um adulto conhecedor do tema a ser aplicado. O tempo deteminado deve ser seguido criteriosamente.

- Escolhem-se quatro pontos no páteo ou local onde será realizado. Se possível uma Patrulha não deve ver o que a outra está fazendo. - Muitas vezes o jogo de base é feito com contagem de pontos, visando dar maior motivação a cada patrulha. Ex. cada base antes do inicio da atividade a patrulha já tem 10 pontos. À medida que vai desenvolviendo sua tarefa, o responsável da base, pode manter ou tirar pontos. A patrulha não é informada na hora. Isto será feito no termino da atividade em reunião ou no cerimonial.

- Antes do inicio, deve ser verificado se todo o material está disponível. O tempo fica a critério com a programação da tropa no dia.  Aconselho que não seja menor que 10 minutos por base.
Obs. Ao inicio do jogo, os monitores serão informados onde estão às bases e cada um recebe orientação onde irá iniciar sua patrulha. Exemplo – PT Lobo, base 1 (depois irá para base 2, PT Onça, base 2 depois irão para base 3 e assim sucessivamente as demais).

- Ao chegar à base, a patrulha dará seu grito e se apresentará ao chefe da base dizendo: – Sempre Alerta chefe! Patrulha X pronta para a atividade!  - Isto se fará em todas as bases. Mostra a educação e o respeito da patrulha e indica que ela está presente e aceita o desafio.
O chefe explica e começa a atividade marcando o tempo. Finalizado o tempo encerra a atividade. A Patrulha permanece na base até o apito previamente combinado para trocar de bases.

BASE 1 - Cada patrulha de olhos vendados irá fazer 4 nós e uma amarra. Não é coletivo e sim individual. Todos os membros farão a mesma coisa. Ao termino cantar a primeira parte do hino Alerta.

BASE 2 – Cada um será interrogado quais as leis escoteiras que sabe de cor. Maior ponto para a patrulha que souber mais. Terminado, cada patrulha irá fazer uma piramede, usando os membros da patrulha.

BASE 3 – Jogos do Kim. Jogo um – Dois bastões ou duas cadeiras, distante uma da outra um metro. Numa distancia de 15/20 metros, cada Escoteiro de olhos vendados irá passar entre o vão das cadeiras ou bastão. Nota. Antes ele deve ser girado em redor de si mesmo e colocado de frente ao vão. Jogo dois – cada Escoteiro irá encontrar um determinado objeto num raio de 10 metros. Este objeto será visto antes de vendar os olhos e poderá ser deslocado durante a procura por um ou dois metros do seu ponto inicial.

BASE 4 – Cada patrulha deve cantar uma canção escoteira. Melhor ponto para quem cantar dentro do tom e saber a canção completa. Todos serão observados. Após cada patrulha irá demonstrar os diversos tipos de formaturas usadas nas reuniões de tropa.

                 Lembro que as bases podem ser alteradas na sua forma ou no seu todo. Fica a critério da programação da chefia da tropa.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O último voo do Falcão Peregrino.



Lendas Escoteiras.
O último voo do Falcão Peregrino.

                O horizonte desaparecia no infinito. Quem o visse ali com as asas entreabertas naqueles penhascos longínquos do Pico das Mil Vidas nunca imaginaria que um Falcão estava vivendo seu últimos dias de grandes jornadas. Sua vida estava se esvaindo. No seu pensamento lembrou-se de um poema que seus ancestrais lhe ensinaram – “Combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé. Não espero o prêmio da vitória, pois mesmo tendo levado uma vida correta nunca me senti um vencedor”. Ele sabia que seu fim se aproximava. Estava ali há vários dias. As forças já não existiam mais. Diziam que ele era a ave mais rápida do mundo. Suas asas pontiagudas e finas o ajudavam na caça em espaços abertos. Quanto tempo se passou quando lá pelos lados do Vale dos Sonhos coloridos, ele e Abbat voavam pelos céus, quem sabe para se mostrarem belos, majestosos e admirados pelas outras aves que nunca poderiam fazer o que eles faziam.

                Abbat, onde andará ela? Ainda no ninho do Sol Nascente? Mas suas duas proles não estavam crescidos e tinham ido procurar viver suas vidas em outras plagas? Abbat, sua eterna companheira. Lembrava que todas as manhãs ele via a gazela acordar, ele sabia que ela precisava correr lépida para sobreviver às sanhas dos leões. Não importa se você é leão, gazela ou um falcão. Quando o sol nascer era hora dos voos em busca do vento, olhar o firmamento e pensar que precisava se alimentar para sobreviver. Viu do outro lado do Vale da Felicidade um Jaguar. Enorme. Parecia um gato manchado de preto e amarelo. Estava firme com seu olhar tentando saber como chegar até ele. Tudo mudou. De caçador agora era a caça.

                Sabia que mais cedo ou mais tarde o Jaguar das Terras Altas chegaria onde ele estava. Sabia também que não podia voar, não podia reagir, a morte seria o fim da vida? Sua mente voava pelos campos floridos. Nunca esqueceu Abaat. Quantas vezes voou para levar a sua companheira e sua prole a refeição do dia? Lembrou-se dos mundos coloridos que conheceu. Voou para todos os lugares e conhecia o caminho do sol, das estrelas, era um falcão valente e que agora estava no fim da vida. Olhou para baixo e viu no Vale da Esperança vários meninos e meninas rindo e brincando. Já os tinha visto antes. Todos iguais com uma espécie de coroa preta na cabeça que chamavam de chapéu e um lindo lenço amarrado no pescoço.

                Olhou novamente. O Jaguar havia desaparecido. Ele sabia seu destino. Ele sabia que o Jaguar o encontraria. Pensou em seu Deus. Ele também acreditava num ser supremo. Deus! Ó Deus! Onde estás que não responde? Em que mundo em que estrela tu te escondes? Ele pensava e ria. Ele morreria com honra. A morte estava enganada. Eu vou viver depois dela! Olhou para o vale novamente. Montaram barracas, corriam satisfeitos, saltitantes, cantantes como o regato que com suas águas mansas corria lentamente pelo Vale da Esperança. Olhou sua plumagem. Considerava-se belo. Suas patas amarelas se tornaram lendas para quem as enfrentou. Seus olhos negros com anel amarelo eram enormes. Podiam ver o infinito. Amava suas asas, enormes. Com elas correu mundo.

                Sentiu um toque em suas asas. Assustou-se. Tão rápido o Jaguar o encontrou? Fechou os olhos. Não podia reagir. Não tinha forças. O Valente Falcão Peregrino agora era uma sombra do passado. Morrerei com honra pensou. Sentiu o toque novamente. Olhou. Não era o Jaguar. Era uma menina. Linda de olhos azuis. Com seu lencinho no pescoço ela sorria. Ele queria falar, sabia que não seria entendido. Mesmo assim ele crocitava, piava e a menina entendeu! Tirou do seu bornal um farnel que seria seu lanche do dia e deu para ele. Ele precisava. Estava fraco. Cinco dias sem comer e beber água. Comeu tudo! Sentiu suas forças voltarem. Agora estaria pronto para enfrentar o Jaguar. Um apito ecoou ao longe. A menina de olhos azuis se levantou e disse – Adeus meu amigo Falcão! Ele não entendeu.

              Deu três passos para frente e alçou voo.  Iria fazer o ultimo voo do Falcão no espaço para ela. Para a menina. Queria que ela soubesse do seu agradecimento. Ela lhe devolveu a vida. Alçou voo rumo ao infinito e voltou célere. Fez uma virada lateral como fazia no passado. Viu que ela batia palmas. Partiu rumo ao Vale do Sol Nascente. Um voo que nunca na vida ele tinha feito com aquela velocidade. A menina sorria lhe acenou com os bracinhos como a dizer adeus. Ele partiu. Sabia aonde ia. Seguiria o sol no seu caminho para o oeste. Precisava encontrar Abbat. Viu o Jaguar próximo da escarpa onde estava olhando para ele. Sorriu. Não foi desta vez meu amigo. Quem olhasse para o céu, veria um Grande Falcão Peregrino com suas asas enormes, voando junto ao sol e que aos poucos desaparecia no horizonte.

              Não sei se ele encontrou Abbat. Deve ter encontrado. Ele sabia que sua linhagem não iria desaparecer no tempo. Suas duas proles velejavam pelos céus a mostrar sua raça, a mostrar sua força e coragem. Em sua mente eu sei que ele dizia para si próprio: - “Às vezes eu falo com a vida, às vezes é ela quem diz – Qual a paz que eu não quero conservar para tentar ser feliz”? 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Pais escoteiros para que servem?



Conversa ao pé do fogo.
Pais escoteiros para que servem?

             Antes de me dar uma má resposta leia o artigo. Não se discute a importância dos pais. Acontece que nem todos conseguiram arregimentar para suas fileiras um bom número deles. Vejo grupos escoteiros tendo grandes dificuldades em crescerem em ter uma diretoria boa, em conseguir equipes para colaborar nos acampamentos, nos acantonamentos e até em algumas atividades que alguns grupos organizam visando arrecadação de fundos. Os pais queiram ou não são uma fonte inesgotável para o crescimento e formação do grupo Escoteiro. Conheço grupos que eles querem se aproximar, mas tem receio de melindrar o Chefe que de uma maneira ou outra sem perceber se coloca na posição de insubstituível e de dono das “ações” do grupo. Ou seja, ele acha que não precisa. Costuma dizer que tem tudo sobre controle. Ele não tem culpa. Enquanto tiver forças vai fazendo o que aprendeu e na sua concepção “seu grupo” anda com suas próprias pernas.

                Hoje em dia a maioria dos grupos escoteiros se recente em não possuir em suas fileiras escotistas advindos do próprio grupo. Difícil manter os jovens por muito tempo e quando crescem tem sempre uma admiração por onde viveram, mas agora tem outros afazeres, e quase todos dizem não ter tempo. Lembrei-me de um curso que um dirigente disse – Cuidado com os que têm tempo, eles poderão lhe trazer aborrecimentos, mas acredite nos sem tempo. Eles sim são os que irão trazer benefícios ao Grupo Escoteiro. O número de escotistas advindo dos pais sobrepõe aos que cresceram dentro do grupo. Claro, não estamos afirmando que o escotismo é uma escola de chefes, nada disto. Mas francamente muitos deles poderiam ajudar e não o fazem.

               Eu sempre digo por experiência própria que o primeiro dia é o mais importante para arregimentar os pais. Nunca abri mão da presença deles. E quando digo deles, sãos os dois. Pai e mãe. Claro temos situações que isto pode não acontecer e vamos levar em consideração. Nunca facilitei a entrada do jovem. Facilitei sim a entrada dos pais. Nunca aceitei um não como resposta. Tempo ninguém tem. Alguns de vocês chefes que estão atuando têm tem tempo sobrando? Isto eles devem saber. Vocês estão ali para colaborar com os filhos deles e isto deve ficar bem claro para eles. Sempre digo que é o escotismo que precisa de nós e não o contrário. Iremos encontrar diversas situações e desculpas dos pais para não colaborar. E infelizmente tem aqueles que sem querer substituem em tudo que os pais poderiam colaborar.

                Se o pai ou a mãe de forma alguma não pode ajudar, não pode tirar um dia por mês para auxiliar o grupo me diga, vale a pena ter um jovem em suas fileiras? O que ele vai pensar dos outros pais ajudando e o dele não? E você? Acha que pode dar a ele uma boa formação Escoteira se os pais não se interessam? Não sejamos extremistas. Existem sempre uma saída. Uma vez organizei uma comissão de pais, não mais que cinco só para visitar aqueles que não participavam. Trocamos ideias, alguns deles fizeram treinamento e participaram em cursos. Telefonavam, iam a suas casas, convidavam para atividades sociais e olhe dificilmente os pais deixavam de colaborar. Afinal recebiam a visita de alguém como eles. Sem uniforme. E isto amedronta queira ou não. O importante é mostrar a importância do método Escoteiro para os pais na formação do filho ou da filha. Se ele sabe o valor do escotismo e que isto vai trazer dividendos na formação do jovem, não acho que deixará de colaborar.

                Na maioria das vezes o interesse é do jovem. Quando o contrário acontece o mesmo jovem não dá muito valor. Os pais também em sua maioria aproxima do grupo levado pelo filho. Lembro-me de uma canção que dizia – “Minha mãe vou lhe pedir, e não quero aborrecer, para ser um homem forte um Escoteiro eu quero ser”. Ele aprendia e cantava atrás dos seus pais dia e noite. Vencia pelo cansaço. Agora era hora da comissão de pais agir. O Chefe não deve ser o sabe tudo, o linha de frente. Eles sempre serão dependentes. Se os pais estão motivados, se eles participam se existem atividades para eles tais como Acampamento de Pais, jogos, excursões sem o caráter de obrigação a motivação é certa. (Conheci um Grupo Escoteiro que eles quando se reunião tinham patrulhas com grito e tudo, claro uma ou duas vezes ao ano). Ser pai em um grupo não é fácil se não tem motivação. Ao contrário é muito mais fácil o Escotista se motivar. O uniforme, uma promessa, liderar os jovens já é meio caminho andado.

               É Inconcebível chefes atuando como pais, chefes pagando para os filhos que não são seus, e os pais aceitando tudo confortavelmente. Nem tanto mar nem tanto terra. Não somos um “negócio” uma empresa, onde tudo é preto no branco. Nada disto. Mas devemos nos ater que nossa função é fazer escotismo com os jovens. Para controlar as finanças, para ter uma área administrativa funcionando, é tarefa de pais. É gostoso quando chega o dia da Assembleia e ver que ali estão quase todos. Mas é decepcionante quando se vê quem só tem uns “gatos pingados”. Sei o valor do Chefe-faz-tudo. Sei que eles estão por aí aos montes fazendo escotismo. Mas não é o caminho certo. Falo com experiência. Sei que eles os pais motivados também são uma fonte inesgotável para suprir a falta de chefes. Experimentem. Deixem-nos andar com suas próprias pernas, mas deixe que eles participem da vida do grupo sem ser um eterno observador. De longe!

Iremos entrar em detalhes em outra ocasião. 

domingo, 13 de janeiro de 2013

A Lobinha Laninha e o mistério dos sinos da Igreja Matriz.



Lendas Escoteiras.
A Lobinha Laninha e o mistério dos sinos da Igreja Matriz.

                       Não sei se vão acreditar. Dizem que eu invento muito. Mas juro de pé junto que estive lá. Acreditem se quiserem. Há muitos anos eu conheci uma cidade no interior do sertão de Pernambuco. Nem sei como fui ali parar. Não foi pela minha empresa, acho que foi um golpe do destino, pois deveria ter ido a Sertânia e fui parar em Terra Santa. Pequena, menos de vinte mil almas. Nem hotel tinha. Fiquei na Pensão das Esmeraldas de Dona Eufrásia. Para dizer a verdade a melhor cozinha que tinha conhecido. Almoço ou jantar era um manjar dos deuses. Acho que foi por causa dela e de Laninha que fiquei por cinco dias em uma cidade onde não tinha cinema, TV e as luzes da cidade eram desligadas a onze da noite. Na primeira noite alguns hóspedes conversavam sobre a lenda dos Sinos. Inteirei-me de tudo. Todas as noites de lua cheia os sinos da Matriz tocavam um melodia desconhecida. Muitos estavam ali como turistas. A fama dos sinos ganhou mundo. No dia seguinte seria lua cheia e eles e outros milhares iriam chegar para ouvir e ver os sinos tocarem.

                  Não sou cético e nem tampouco um fanático por lendas. Dona Eufrásia me contou que desde a morte da Lobinha Laninha no ano passado o sino tocava a meia noite nas noites de lua cheia. – Lobinha? Perguntei. – Sim ela respondeu. Aqui tínhamos um Grupo Escoteiro. Melchior um rapaz dos seus vinte e oito anos um dia chegou à cidade e comprou a Farmácia do Beraldo. Junto estava a filha de três anos. Sozinho sem a esposa. Dizia ser viúvo. Durante mais de quatro anos se tornou uma figura conhecida e bem quista por todos. Sempre contava “causos” de quando foi Escoteiro. Melanino o Prefeito o incentivou a organizar um. A Prefeitura daria uma verba. Melchior animou-se. Pediu o padre que convidasse pais interessados a colaborarem. No dia marcado mais de oitenta pais. A maioria mães. O primeiro passo foi dado. Quatro meses depois os primeiros escoteiros e os primeiros lobinhos.

                  Era um sucesso o Grupo Escoteiro da Cidade. Por votação ele se chamava Grupo Escoteiro Coronel Torres Belarmino em homenagem ao fundador da cidade. Melchior era o Chefe do Grupo. A diretoria ativa. Mariazinha uma professora assumiu como akelá e com mais duas assistentes tinha uma alcatéia linda e os lobinhos amavam sua Chefe. Claro que Laninha foi uma das primeiras inscritas. Durante dois anos o Grupo Escoteiro fez história. Chegou a ter em suas fileiras quinhentos participantes. Um dia alguém veio correndo dizer que Laninha caíra da torre da igreja. Contava antes de morrer que queria ver o sino tocar. Ele estava estragado e há mais de dois anos não tocava. Segurou na corda perdeu o equilíbrio e caiu de uma altura de trinta e seis metros. No seu funeral a cidade em peso presente. Um Sênior tocou no seu clarim o toque de silêncio. Todos choravam. Mais ainda a Akelá Mariazinha. Ela estava inconformada.  Laninha era uma menina muito amada por todos.

                  O Grupo Escoteiro Coronel Torres Belarmino sofreu um choque com o acontecido. Muitos saindo. Chefes desistindo. Em uma noite de lua cheia para espanto da população o sino começou a bater e a tocar. Era uma musica suave, mas ninguém sabia o que era. Resolvi ficar ver e ouvir o tal sino. Pedi autorização ao Padre para subir até a torre e ver como um sino tocaria sozinho. Onze horas da noite eu fui subindo devagar as escadas até o topo. Cheguei e sentei em um banquinho. Acendi meu legítimo cachimbo Irlandês e deglutindo aquele “blend” infernal esperei. Onze e cinquenta e cinco vi um vulto. Primeiro uma nuvem branca e nela um vulto. Uma menina vestida com seu uniforme de lobinha. Linda. Sorria. Nem olhou para mim. Não me deu uma palavra. Levantou os dois bracinhos e como se fosse uma grande Maestra o sino começou a tocar. Prestei atenção na música. Reconheci logo. Era a sonata de Schubert, (Franz Peter Schubert) “Sinfonia Incompleta”. Maravilhoso! Estava embasbacado.

                A menina sorria. Que sorriso maravilhoso! Tentei falar com ela. Nada. Ela estava como se vivesse o momento para aquela musica e eu francamente não entedia o seu amor por ela. Alí, no sertão de Pernambuco quem poderia gostar de Schubert? Cinco minutos depois a musica terminou. Agora era outra. A musica eu também conhecia. Agora tocava bem baixinho nada mais nada menos que a “Canção da Promessa”. Fechei os olhos e vi a força daquela orquestra sinfônica. Ela regia como se tivesse feito aquilo a vida inteira. Meu Deus! Qual o mistério? Nunca soube. Tentei conversar com o Padre. Ele nada. Tentei falar com o Chefe Melchior. Ele não acreditou em mim. Na cidade ninguém acreditou no que eu dizia.

             Dona Eufrásia sorriu. – Olhe, vou lhe contar. Ninguém sabe e alguns não querem saber. Não querem acabar com este encantamento. A cidade todos os meses depende dos turistas que chegam. Chefe Melchior era violinista da Orquestra Sinfônica de Pernambuco. Quando sua esposa morreu vitima de Poliomielite ele desesperado veio parar aqui. De farmácia não entende patavina. Nunca mais pegou em um violino. Sua filha o admirava quando ele tocava. Quem sabe ela agora procura nos céus uma maneira de ouvir o pai? Coisas misteriosas e uma charada impossível de ser desvendadas. Enigmas que ninguém quer saber. Preferem o impossível.  Não sou bom nisto. Alí em Terra Santa eu tinha certeza que ninguém entenderia. Dona Eufrásia me olhou com um olhar “treteiro”. Meu amigo há mais mistérios entre o céu e a terra, do que toda a nossa vã filosofia. Puxa! Dona Eufrásia uma velhinha dos seus setenta anos, cabelos brancos também versada em William Shakespeare?   

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Memórias de Risadinha. Ele é um bom companheiro, ele é um bom Escoteiro!



Lendas Escoteiras.
Memórias de Risadinha. Ele é um bom companheiro, ele é um bom Escoteiro!
              
                      Risadinha. Nunca na minha vida conheci um Escoteiro como ele. Quando o conheci ele tinha entrado direto para a tropa com onze anos. Olhar o rosto, a maneira como andava já bastava para dar boas risadas. E o melhor, ele nunca se incomodou com isto. A principio o Chefe Laercio da tropa não entendeu bem aquele menino desengonçado, risonho e que parecia não levar nada a sério. Basta dizer que na primeira reunião que ele foi apresentado a tropa ele olhou a todos, e perguntou: - Tropa, porque a roda do trem é de ferro e não de borracha? – A Tropa não entendeu nada. Seria uma nova maneira de apresentar? Mas não, risadinha logo emendou – Porque se fosse de borracha apagaria a linha! E Deitou no chão morrendo de rir. Era assim o Risadinha. Muitos riam mais do estilo dele que das piadas.

                      Claro que não era e nunca foi um mau Escoteiro. Em pouco tempo já tinha seu cordão verde e amarelo e só não conseguiu o Lis de Ouro porque o Assistente Escoteiro do Distrito vetou. Um dia em uma reunião distrital de escoteiros ele adentrou o círculo e com seu estilo característico gritou alto! – Turma! O que a caixa de leite falou para o saquinho? – Todos calados. Vem prá Caixa você também. E deitava, e rolava de rir. O Assistente, jovem ainda e que não tinha senso de humor não gostou daquilo. Não aprovou seu processo enquanto ele não mudasse. Mudar como? Era sua maneira, seu estilo. A tropa adorava, os seniores eram os que mais davam gargalhadas.

                      De vez em quando Risadinha extrapolava. No desfile do Sete de Setembro estava programado um alto em frente ao palanque para uma saudação as autoridades. Assim foi feito. O Chefe Laércio gritou! Alto! Esquerda volver! Nesta hora Risadinha deu dois passos a frente e gritou: Doutor Prefeito! Doutor Prefeito! O Prefeito que não era Doutor falou – O que foi meu jovem? Porque a mulher não pode ser eletricista? – Por quê? Perguntou o prefeito. - Porque ela demora nova meses para dar a luz! E deitou no chão de rir. O palanque inteiro ria a valer. Foi um sucesso, mas o Comissário do Distrito Malquiedes achou um absurdo. Mandou um ofício para o Grupo Escoteiro pedindo sua saída. Claro que não foi atendido e isto não foi bom para o Grupo Escoteiro. Risadinha não parava. – Mamãe, Mamãe! Na escola me chamaram de mentiroso! Cale-se moleque, você ainda nem foi à escola! E Risadinha não parava. Era na sua Patrulha, era na tropa, era em casa era na escola.

                    Ficou conhecido. A cidade em peso adorava Risadinha. Quando ele passava sempre tinha alguém que gritava: - Risadinha! Uma piada. Ele nunca negou. Seu estoque era infinito – O condenado a morte esperava a hora da execução, quando chegou o padre: - Meu filho vim trazer a palavra de Deus para você. – Perda de tempo seu padre. Daqui a pouco vou falar com Ele pessoalmente. Algum recado? E lá estava ele deitado no chão rindo. Tudo piorou no Grupo Escoteiro quando O Chefe Laercio foi transferido pela sua empresa para outra cidade. Não tinha assistentes e o Diretor Técnico com muito custo convenceu um antigo Escoteiro a voltar. Minomatas era um sujeito triste. Revoltado com a vida. Aceitou mas logo viu que ali não era para ele. Ao ser apresentado Risadinha deu um passo à frente. A tropa já sabia. Piada na certa. – Chefão! O garoto que mora em meu bairro apanhou da vizinha. A mãe furiosa foi tomar satisfação. Porque bateu no meu filho? – Ele foi mal educado. Me chamou de gorda. - E a senhora acha que vai emagrecer batendo nele? Foi à conta. Chefe Minomatas pediu sua saída.

                     Risadinha viu que a tropa ia ser prejudicada. Resolveu sair. Um inferno isto sim ele provocou para o Grupo Escoteiro. Os meninos iam à reunião sentavam em um canto e não obedeciam a chamada. Um verdadeiro Motim. Depois os sêniores aderiram e finalmente os lobinhos. O que fazer? Reunião e reuniões aconteceram. Nada. Veio o Distrital e sua corte. Nada. O assunto foi levado a regional. Nada. A nacional riu de tudo e também não fez nada. Risadinha foi convidado a voltar. Chefe Minomatas saiu do grupo. Um Pioneiro de nome Polenta assumiu. Garotão. Alegre, divertido. A tropa adorou. – Chefe, o louco estava com um balde de água e uma vara de pescar, o psiquiatra perguntou a ele – O que você está pescando? Idiotas, respondeu. Quantos você já pegou? Três, é claro com o Senhor!

                    O tempo passou. Soube que Risadinha conseguiu seu Escoteiro da Pátria. Sei também que cresceu e ficou famoso. O chamavam o maior piadista de todos os tempos. Começou no SBT, depois foi para a Record e hoje tem um programa só dele na Rede Globo. – Mamãe, Mamãe, me leva no circo? – Se querem ver você que venham aqui em casa! Risadinha. O mais divertido Escoteiro que conheci. A vida dizia ele é para ser vivida com alegria. Para que chorar? Adianta? Acho que ele tinha razão. Não foi Baden Powell quem disse que o Escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades?

- O Menino vem correndo e diz à mãe: - Mãe, você é uma mentirosa! - Mais por que você diz isso meu filho? - Você disse que meu irmãozinho era um anjo! Eu joguei ele pela janela e ele não voou…