Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Um Grupo Escoteiro padrão.

No caminho para o sucesso.
Um Grupo Escoteiro padrão.


                    Acabava de chegar àquela cidade e quando desci do taxi em frente ao hotel, surgiu não sei de onde um Chefe Escoteiro e foi logo pegando minhas malas, sorrindo, e dizendo: Deixe que eu levo. Fiquei assim sem jeito e ele completou: - Ainda não fiz minha boa ação hoje e além do mais sou o Gerente do Hotel. - Santa Cecília! Falar o que? Adentramos ao hotel e na recepção ele me deu as boas vindas e pediu desculpas, pois tinha de ir para a reunião do seu Grupo Escoteiro. Já ia dizer a ele que também era Escoteiro quando ele se dirigiu a outro Senhor, mais velho e grisalho, também impecavelmente de uniforme caqui com chapelão. Saíram sorridentes se cumprimentando e desapareceram na porta do hotel. Intrigado eu perguntei a recepcionista quem eram. Ela sorridente me disse que o Senhor Martinho era gerente do hotel e Chefe de tropa Escoteira. O outro o Senhor Nando, Juiz de Direito na cidade e membro da diretoria do Grupo Escoteiro. Mas eles vão sempre de uniforme para a sede? - Claro! Ela disse. Afinal aqui todos conhecem o escotismo pelo seu valor, pelo seu histórico e claro pelo seu uniforme e a comunidade tem grande respeito por eles.

                  - Santa Marcelina! Eu tinha de conhecer de perto e melhor tudo aquilo. Deixe que me apresente, sou Engenheiro de Máquinas, represento uma empresa que dá manutenção e estava ali na cidade a serviço. Nas horas vagas também era Chefe Escoteiro de uma tropa Sênior (Assistente) e o escotismo era um dos meus amores que junto a minha filha e esposa me completavam. Corri até o meu quarto e logo estava com o meu uniforme. Tinha de me apresentar. Caramba! Estava com o social somente. Não tinha levado o caqui. Desci e perguntei onde pegaria um taxi. – Tem um ali na porta, Senhor, ela respondeu sorrindo para mim, pois descobrira que eu também participava desta grande fraternidade. Entrei no taxi e pedi que me levasse ao Grupo Escoteiro da cidade. – Olhe Senhor, disse o taxista, é ali na esquina – Está vendo? Se quiser o levo, mas é só atravessar a rua. Veja quantos meninos e meninas estão chegando! E sorriu. Desci agradeci e logo estava na porta. Cheguei bem na hora do cerimonial. Viram-me, dois chefes vieram até a mim, apertaram minha mão esquerda efusivamente, me deram as boas vindas e me convidaram para participar na ferradura.

                   Não vou entrar em detalhes, pois a história é longa. Era um grupo modesto, duas alcateias, uma masculina e uma feminina. Duas tropas, uma masculina e outra feminina. Uma tropa Sênior mista. Três patrulhas. Fui até a sede conhecer. Perfeita. Não era própria, era em um Colégio do Estado. – Fui apresentado a Diretoria. Três deles e mais cinco pais presentes sendo que um deles era uma mãe e Diretora do Colégio. Todos de uniforme caqui. Quem me contou o histórico do grupo foi o Presidente. Olhe Chefe começamos com poucos. Nada de correria, nada de querer ser além do que pretendemos. O Chefe Martinho tinha sido Escoteiro quando jovem e assim também o Senhor Nando nosso Juiz de Direito que foi o idealizador do grupo. O Chefe Martinho ficou três meses só com oitos jovens. Eles hoje são os Monitores e subs. Ele fez antes um curso Escoteiro na capital. A fila de espera foi crescendo à medida que os jovens da cidade viram a movimentação dos jovens no grupo, pois eles sempre estão em atividade no campo.

                 Não tinha segredo. Tudo foi feito com alguns no começo e hoje todas as sessões estão completas. Temos uma lista de espera de mais de quarenta jovens. Já conversamos com a Região de fazer outro grupo aqui na cidade, mas ainda não levaram a ideia adiante. Fiquei ali olhando a movimentação da Alcateia e das tropas. Perfeitas. Uma amizade incrível entre os jovens. Patrulhas e Matilhas completas. Chefes fazendo um perfeito sistema de patrulhas. Todos vibrando. A Alcateia parecia estar o tempo todo vivendo a mística da Jângal. – Alguém chegou até a mim. – Sempre Alerta Chefe. A tropa Sênior e guias convidam o Senhor para participar do nosso Conselho de Tropa. - Santo Agostinho! Falar mais o que? Fiquei ali assistindo e participando naquele grupo modelo. Ao final da reunião o Chefe pediu desculpas, pois hoje fariam um Conselho de Chefes do Grupo para discutirem alguns pormenores, ver como estão sendo cumpridas a programação e ouvir o que os chefes têm a dizer do desenvolvimento de suas tropas. Caso eu quisesse, poderia assistir e claro, dar minhas opiniões. Eu também estava convidado para participar de um coquetel dançante na Casa da Akelá à noite. Sempre fazemos assim quinzenalmente em rodízio.

              - Santa Madalena! Fiquei sem palavras. Vi ali um grupo que poucos ainda preocuparam em ser. Faziam questão de tudo para que nada pudesse se perder naquela família Escoteira. Tinham oito anos de atividade. As patrulhas estavam juntas e dificilmente alguém saia e isto facilitava no desenvolvimento da equipe, cujos Monitores tinham um alto grau de conhecimento. No dia seguinte fui até a fábrica olhar as máquinas. Fiquei lá umas cinco horas. Quando terminei a manutenção fui convidado a conversar com os diretores. Cheguei quando estava terminando uma reunião com um jovem de uniforme, impecável, um porte executivo e ele agradecendo pela acolhida. Perguntei ao Diretor o que houve – Há tempos vem pedindo para ser recebido. Uma proposta para sermos sócios do grupo. Uma pequena quantia anual. Sabemos do valor do escotismo. Este jovem que é um profissional Escoteiro do Grupo nos mostrou onde poderíamos ganhar no futuro, com jovens aprendendo ética, honra liderança, respeito e disciplina. Ele tem feito este trabalho no comércio e muitas fábricas aqui da cidade. 


                Santa Bárbara! Era um sonho? Não era não. Era uma realidade. Inveja não é próprio de escoteiros. Mas vi que a perfeição existe. Podemos chamar de perfeito sem sombra de dúvida aquele Grupo Escoteiro Padrão. Que Santa Edwiges me proteja. Utopia? Uma fantasia? Ou será que visitei a cidade dos sonhos, ou melhor, Xangri-lá? Bem, acreditem se quiser. Mas este grupo escoteiro existe. Quem sabe é o seu? - Santo Antônio! São Judas Tadeu! 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Qual o valor de um Acampamento de Escoteiros?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Qual o valor de um Acampamento de Escoteiros?

                Desculpem. Não estou falando de quanto custa fazer um acampamento Escoteiro. Aqui a ideia seria analisar o valor de um bom acampamento Escoteiro para a formação do jovem. Lembro que no passado isto era uma preocupação enorme. Fazer bons acampamentos para que trouxessem frutos no futuro. Já Dizia Baden Powell que – “O acampamento é de longe a melhor escola para dar às crianças as qualidades de caráter." Nada substitui no movimento Escoteiro bons acampamentos. Eu achava interessante sempre quando colaborava em cursos no passado, tirar um pequeno tempo da programação para fazer debates do tema. Achava eu naquela época que nunca poderíamos atingir nossos objetivos sem saber como fazer bons acampamentos. Os resultados de tais debates eram maravilhosos. Eu ficava maravilhado com os alunos-chefes com todas as sugestões que apresentavam.

                O acampamento para o jovem não tem valor nominal. Seu valor é incalculável.  Ele vale pela formação do jovem para a vida, para a afirmação do seu caráter, para imbuir em sua mente o trabalho em equipe. É impossível deixar de citar nosso fundador sobre o tema - "Os homens se tornam cavalheiros pelo contato com a natureza." - "Os escoteiros aprendem a se fortalecer ao ar livre. Como exploradores, realizam os seus próprios fardos e 'Remam sua própria canoa.". Nada de maneira alguma pode substituir o bom e velho acampamento Escoteiro. Principalmente nos moldes de Giwell. Acho que existem muitas tropa fazendo ainda tais acampamentos. Uma vez há muitos anos atrás, sem toda esta modernidade de hoje, começaram a surgir os Acampamentos de Férias. Na minha cidade a ideia de um surgiu por um executivo – Curumim Catu campo de férias. Fizemos lá um belo acampamento regional. Vários outros estados compareceram. Época do Bambu. Época de cada tropa ter sua intendência, época de cada Patrulha ter o seu campo. Época onde os desafios seniores eram mesmo desafios. Ninguém ia para estes acampamentos sem pelo menos ter boa parte de sua patrulha presente.

               Eles hoje se sofisticaram. A modernidade chegou! Ah! Esta modernidade infernal. Ali o companheirismo de uma Patrulha é feita na hora. Ninguém conhece ninguém a não ser quando ali estão. O jovem é massacrado por uma serie de atividades, “preparadas” por adultos e ele entra com sua vontade de jogar e brincar. Não existe a criatividade. Ele é simplesmente um robô que está ali para fazer o que os outros decidiram por ele. Alguma diferença das Atividades Nacionais que surgem aos montes por aí? Claro, eles adoram me dizem. Adoram sim. Não são mais criativos, não sabem mais opinar, seguem a corrente e esta lhe mostra a vida de alguém que não tem vontade própria. Ele simplesmente arma sua barraca, espera ver a programação, escolher aonde vai “brincar” ou “jogar” e seguir a onda até ela acabar. Refeições? Uma fila indica onde comer. Vai sentir saudades? Vai sim. Eu conheci um Chefe que um dia me disse que se você desse para um jovem uma vara de pescar lambaris e dissesse a ele para pescar um dourado ele iria acreditar.

              Vejo por aí falarem de programas nestas atividades que fico pensando. Será que vai ter frutos? São tantas coisas que um Chefe desconhecido programou, pois ele acredita que isto fará os jovens adorarem que fico pensando onde está o valor disto tudo? Outro dia alguém me disse – Chefe estou inscrita em uma atividade regional e lá vai ter uma festa “Rave”. (Rave é um tipo de festa que acontece em sítios (longe dos centros urbanos) ou galpões, com música eletrônica. É um evento de longa duração, normalmente acima de 12 horas, onde DJs e artistas plásticos, visuais e performáticos apresentam seus trabalhos, interagindo, dessa forma, com o público). Claro, acho que não será tanto assim e afinal será frequentado por escoteiros. Mas isto é um acampamento ou uma atividade escoteira?

              Meus amigos, o bom e velho acampamento nunca será substituído por estes tipos de atividades. Ali são atividades mateiras, grandes jogos e já pensou em estar em um? Onde você junto a sua Patrulha finca a bandeirola e dizem – Aqui vai ser nosso campo! Onde era mato e se transforma em sua casa! Barracas, sua nova morada, um fogão suspenso coberto, mesas, bancos e quem sabe boas cadeiras mateiras, fossas, quem sabe um lindo pórtico e as atividades? Tomar um banho no regato, aguardar o toque do intendente e correr para receber os víveres do jantar, ficar ali a olhar o cozinheiro, com a barriga doendo de fome, a ver a fumaça subindo e quando chegar a hora, uma boa oração e comer um almoço ou jantar que nunca irão esquecer? São tantas coisas que tornam um acampamento de Giwell único. – Grandes jogos pelos campos com sua Patrulha e pode até ter a noite um belo jogo de Guerra, ou uma bela competição de sinalização a de Morse. Já pensou? Ali na montanha só você e sua Patrulha com lanternas, transmitindo Morse ou outro tipo de sinal? E no último dia um belo de um Fogo de Conselho? Lá em uma clareira da mata, olhos miúdos sonhadores a rir e brincar com seus amigos?

              O valor de um Acampamento Escoteiro está aí. Nada substitui isto. Quando a gente chega à idade adulta, aprendeu tantas coisas que tem aqueles que me perguntam: Vais morar no mato? Vai se perder na floresta? Eles não entendem nada. Não sabem que o objetivo foi fazer com que eu pudesse tomar minha decisões sem erros, escolhesse a vida que fosse levar sem reclamar, aprendesse a ser honesto, a ver a lei Escoteira com clareza, a respeitar o próximo, a saber, dar valor as pequenas coisas, a ter certeza da beleza criada por Deus na natureza. E afinal o que dizer do Caráter? Da Honra? Da ética? Do respeito? Isto tem preço?

              Não seria bom que em todos os programas de tropa tivessem pelo menos três acampamentos por ano? Pelo menos quatro excursões? Pelo menos uma atividade aventureira a pé ou de bicicleta? Caro isto? Não. Não é. Um bom Chefe Escoteiro irá fazer tudo sem gastar muito. Se tiver uma boa diretoria, se a tropa tiver uma boa comissão de pais, os acampamentos terão taxas irrisórias. Mas enfim sempre tem aqueles que são mais ricos e podem pagar taxas enormes e ir para estes acampamentos caça-níqueis que muitos estados estão fazendo cujo objetivo é arrecadar fundos, divertir sem o aprender a fazer fazendo.

             E lembrem-se, o acampamento Escoteiro é outra vida. Diferente. Esquecer a rotina da cidade. Deixar para trás a internet, o celular, tudo que pode lembrar-se de algum que não vai interferir com a vida mateira que está por vir.


             BOM CAMPO E BOAS ATIVIDADES É MEU DESEJO!      

domingo, 23 de junho de 2013

A pimenta, o cachorro, o jacaré e o escambal.



Conversa ao pé do fogo.
A pimenta, o cachorro, o jacaré e o escambal.
(baseado em fatos reais)

          - Foi confirmado. Virão quatro tropas escoteiras do Distrito. Cada uma com quatro patrulhas. Virão também varias patrulhas seniores. Os lobinhos ficarão no campinho do Seu Altino. O galpão vazio foi cedido sem ônus. Nosso problema são as patrulhas. Acredito que com os seniores seremos mais de trinta patrulhas. Precisamos de um bom local para receber todos. Serão cinco dias. Pensei em vários. Defini quatro locais. Conto com vocês de visitá-los e ver se podem receber tanta gente. Conversem com o proprietário. Eles sempre ajudam. O Chefe Jessé não disse mais nada. Entendemos. Afinal seriamos anfitriões e tínhamos que caprichar. Tiramos a sorte e lá fomos nós para a Serra do Marimbondo. Um ótimo local. Acampei lá muitas vezes. Mata, bambus, nascente, riacho com quedas d’água, e um descampado arborizado. Perfeito.

             Após o almoço colocamos o pé na estrada. De bicicleta. Apenas oito quilômetros. O plano era ver e fazer um pequeno esboço de Gilwell do local. No domingo poderíamos retornar antes do meio dia e almoçar em casa. Na Fazenda do Seu Inácio ele como sempre um grande amigo dos escoteiros. Querem almoçar? – Agradecemos. Saímos almoçados. Ele ofereceu um franguinho para nós fazermos no almoço. Agradecemos. Cada um levou um pouco de macarrão, uma batata, sal, e duas linguiças. À noite a sopa seria um maná dos Deuses. A fama do Fumanchu nosso cozinheiro era conhecida por muitos. Interessante, no passado todas as patrulhas tinham seus cargos e sabíamos os que se sobressaiam nele. Era ponto de honra. Ser cozinheiro era uma honra. Conheci muitos que se orgulhavam. Chegamos barraca pronta, lusco fusco da noite e Fumanchu fazia a sopa deliciosa de macarrão. Fomos tomar um banho e no retorno levamos lenha para uma fogueira a noite.

              Fumanchu estava cabreiro. Olhava-nos de modo estranho. – Não sei se vão comer – disse. – Por quê? Romildo o Monitor inqueriu. – Fiz uma besteira. Vi um pé de pimenta malagueta coloquei uma, experimentei nada, coloquei outra e outra. Tá duro comer. Arde feito o “capeta”. – Capeta não arde Fumanchu, eu disse. Olhei a sopa. Uma fumacinha saia de dentro do caldeirão. Experimentei. Ardeu e como ardeu! – coloca água quem sabe vai dar – disse Rael. Colocou. Nada. Coloca uma colher de açúcar! Disse Zezito. Nada. Uma fome do inferno. Nunca tive tanta fome. Com a concha coloquei um pouco no meu prato. Tentei comer. Virou uma meleca. Agua, açúcar e nada adiantou. Sem nada para comer. Só um pacote de bolacha do Tiãozinho. Dormimos com a barriga reclamando. Cedo todos acordaram. Um café foi feito sem nada. Alguém deu a ideia de ir buscar o frango do Seu Inácio. Ofereci para pegar uns peixes. Era bom nisto. Rael sumiu na curva da estrada em busca do frango salvador. Eu cortei um bambu fino, pois o bambuzinho chinês para pesca não tinha ali.

               Não demorou Rael chegou com o frango. Fumanchu já tinha esquentado água para o frango amolecer e tirar as penas. Preparou umas brasas e transpassado por um pedaço de madeira verde, o frango rodava em cima para ficar no ponto. No remanso da curva do riacho sentei. Joguei a vara. Não demorou nada. Um puxão. Era um belo piau. Segurei com força. A linha era fina. Não podia perder. A vara quebrou no meio e o piau saiu com ela riacho acima. Mergulhe atrás. Um lindo jacaré correu em cima da vara. Engoliu o peixe quando pulou e levou meu anzol. Voltei triste para o campo. Mais tristes fiquei. Fumanchu cochilou, o vira latas do Seu Inácio sumiu com o franguinho. Putz! Meio dia sem comer nada. Desmontamos a barraca. Na fazenda do Seu Inácio ele viu que nós estávamos querendo alguma coisa. Contamos. Ele riu a vontade. Chamou Dona Cidinha sua esposa. Ela riu – Serve um feijão com farinha? Tenho ovos e carne de porco da lata. Tem também torresmo. Precisavam ver o sorriso de todos. Fumanchu mais ainda.


                 Chegamos em casa às seis da tarde. Sem planta, sem esboço de Gilwell. O Chefe escolheu o Vale das Flores. O acampamento distrital foi um sucesso. Seu Inácio ficou triste. – Gente! Se fosse lá nas minhas terras eu tinha separado um boizinho para vocês! – Época boa. Tudo se conseguia com facilidade. Dois dias sem comer. Valeu. Dizem que é com fome que se aprende. Quem disse isto é um idiota. Fome? Naquele domingo quase segurei o Jacaré pelo rabo. Um ensopado de jacaré? Só quem viu sabe como é o jacaré. E chega de lembranças.

sábado, 22 de junho de 2013

Quando termina a motivação o que fazer?


Hoje li aqui que um companheiro que não tive a honra de conhecer pessoalmente está saído do movimento Escoteiro. Não deu suas razões. Pode ser que sejam legitimas e devemos aplaudir. Mas temos muitos que nos deixam por sentirem-se desprestigiados. Por não serem valorizados. Tantos os motivos que não vou alongar.
Ao amigo virtual que nos deixa dedico este artigo. A ele desejo tudo de bom que mesmo não participando que a felicidade seja sua companheira sempre.
Meu abraço fraterno.

Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Quando termina a motivação o que fazer?

                    É difícil aconselhar. Quem não passou por isto? Tem hora que você desanima. Dá vontade de largar tudo e sair por ai. Outros ainda insistem, mas sabem que o caminho que estão seguindo não leva ao sucesso. Se procurarmos um serviço de autoajuda teremos vários. As belas frases de efeito pululam por todos os lados. Todas com belas palavras, mas que não nos fazem sentir revigorados como antes. O escotismo é interessante. No início tudo são flores, sorrisos, promessas, alguns até deixam as amizades que tinham em troca de novas que conquistaram. Nos primeiros meses, e até nos primeiros anos aqueles mais chegados que não foram catequisados espantam com tanto carisma, com tanta alegria e demonstração de que ele alcançou um novo patamar, uma nova vida. Agora sou feliz ele pensa. Será mesmo?

                  Dizem os poetas que o que mais sofremos no mundo não é a dificuldade, é o desânimo em superá-la. Não é a provação, é o desespero diante do sofrimento. Não seria o fracasso e sim a teimosia de não reconhecer os próprios erros.  Mas o maior poeta já tinha dito que tudo isto são palavras e palavras nada mais são que palavras. Eu já passei por isto. Inúmeras vezes. Os problemas são diversos. Familiar, profissional, falta de ética, de amor, tratamento diferenciado, de sinceridade dos que se dizem irmãos de uniforme e de sangue e tantos sorrindo para você e você querendo chorar. Sabe da vontade de encontrar um buraco e se enfiar nele. Claro tem os mais fortes. Eles não transmitem para ninguém seus desânimos. São fortes. Tem sempre uma explicação para tudo. Mas será que dizem a verdade?

                 Se notarmos bem a matemática Escoteira ela é simples. Trinta e poucas reuniões por ano. Somando as reuniões de sede, acampamentos e excursões que sabe podemos chegar a aproximadamente quinhentas horas anuais. Claro, prevendo quatro atividades (e aí considerei às de vinte horas do dia) e considerando também nove meses de atividade, pois muitos têm férias em julho, dezembro e janeiro. Se estiver certo dedicamos cerca de vinte dias por ano ao escotismo. Claro que tem aqueles mais abnegados com o dobro de horas trabalhadas. Para uns uma eternidade para outros muito pouco. Mas porque então o desanimo? Olhem, existem vários motivos, mas para mim o principal deles é a decepção com o ser humano. Querer abancar o mundo e dizer que o líder é aquele que sabe liderar e ser liderar é fácil. Mas nem todos pensam assim. Tem os déspotas, que com o tempo a gente se sente ameaçado por uma força opressora mesmo vindo de alguém que se diz amigo de todos e irmãos dos demais.

                Nestas horas é que todos nós sentimos falta de um aperto de mão carinhoso sincero. Que falta que faz um abraço, um sorriso uma palavra de carinho principalmente daqueles que convivemos em ambiente que achamos familiar no grupo Escoteiro. Tem aqueles que nos olham como se fossemos parte do todo, indispensáveis em todos os sentidos, mas não é assim a maioria. Estes nos veem como indesejáveis, subservientes, dispensáveis, e se pudesse diriam: - Vocês estão aqui para servir e mais nada! Lembrem-se da promessa! Para ser como eu tem que “ralar”. E então vem aquele desanimo aquela vontade de sumir de mandar todo mundo às favas. Nem sempre fazemos na hora. A promessa que fizemos é um nó que nos atou nos sonhos escoteiros. Insistimos e alguns dão a volta por cima, mas outros, estes não conseguem. Quem sabe está aí um dos motivos da grande perda que temos de adultos que estão nos ajudando como voluntários, mas foram considerados eternos desconhecidos.

                   Não é o programa somente que nos afeta. Não são quem sabe nossa finanças que apertam a cada atividade, a cada taxa cobrada seja em cursos e tem alguns que pagam mensalidades. Pode! Está ali ajudando e paga para ajudar. Não sei e até posso estar enganado, mas se todos que labutam nas lides escoteiras, do mais alto escalão a aquele que está dando tudo de si pudessem mudar tentar um pouco ser mais irmão, não pensar em si próprio e dizer ao seu amigo ou não:

- Que alegria em te ver novamente!
- Aceite um forte aperto de mão sincero!
- Posso te dar um abraço?
- Quero que saiba que você é muito importante para nós, não nos deixe nunca, pois sem você iremos perder muito na expansão do nosso Movimento Escoteiro.

                     E aí quem sabe, seu desânimo seria guardado lá bem no fundo do bornal, pois você passou a acreditar que agora estava vivendo entre irmãos escoteiros. E você iria acreditar que não haveria mais os superiores, não haveria mais aquele sorriso de desdém, não haveria mais a conversa de esquina, a conversa de comadre. Ninguém iria desmerecer seu trabalho. Mas olhe, de vez em quando é bom dar um passo a frente. Faça um pouco a sua parte. Como dizia o nosso fundador e repetido por muitos, a felicidade só é completa quando você também conseguir fazer a felicidade dos outros!

¶Põe tuas mágoas bem no fundo do bornal e sorri, sorri e sorri,
O que importa é vencer o mal, mantem sua alegria,
Não importa você se zangar, pois o mal há de acabar e então!

Põe tuas mágoas bem no fundo do bornal e sorri, sorri e sorri.¶.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

“Boas ações dignificam o caráter!”



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
“Boas ações dignificam o caráter!”

               Paulo Coelho acertou em cheio ao definir a ajuda ao próximo como ajudar a si mesmo. Diz ele – “Cuidado com as palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com as suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com os seus atos: eles moldam seu caráter. Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino”. Acredito que tudo começa pela boa ação. Um poeta dizia que as causas não determinam o caráter da pessoa, mas apenas a manifestação desse caráter, ou seja, as ações. É isso mesmo. Tudo na vida se diz que é um hábito de comportamento. Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião nos mostra que devemos ajudar e ser bons para os outros. Baden Powell foi firme ao dizer que o dever de um Escoteiro é ser útil e ajudar o próximo. Simples assim. Acredito que ele se baseou na figura de São Jorge e dos Cavaleiros Medievais. Eles diziam que era preferível morrer honesto do que viver envergonhado e que o cavalheirismo requer que o jovem seja treinado para que possa realizar serviços complexos ou simples com alegria e bondade, e para ao bem do próximo. (vide café mateiro – blog).

                Desde os primórdios que o escotismo foi implantado no Brasil que a boa ação é sinal de escoteiros estão em atividades. Especificar o que as escrituras dizem sobre isto é alongar muito. Mas até hoje a ajuda ao próximo é considerada como condição importante para qualquer cidadão honesto. O Escoteiro aprende desde o primeiro dia que a sua boa ação diária irá fazer parte por toda a sua vida. Afinal um dos artigos da nossa Lei diz que o Escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica todos os dias uma boa ação. A boa ação acho eu ainda é um marketing que nos marca na comunidade. A história da velhinha atravessando a rua ajudada por escoteiros tem e terá suas versões ampliadas ainda por muito tempo. Eu não duvido e tenho certeza que os escoteiros de todo o mundo inclusive em nosso país fazem da boa ação uma obrigação se não diária quem sabe semanal. Acredito também que a maioria das tropas devem ter bons programas para incentivar este habito tão salutar.

                  Lembro quando Escoteiro nossa MOEDA DA BOA AÇÂO era sagrada. Bolso esquerdo sem fazer. Bolso direito feita. E o NÓ NO LENÇO? Pontinha com nó sem fazer, pontinha sem nó feita. Mas não era só isto. Tínhamos uma bandeirola que ficava abaixo do totem. Se chamava “BOA AÇÃO“. Quando a Patrulha ainda não tinha feito sua boa ação coletiva, a bandeirola era amarrada ao bastão de cabeça para baixo. Para cima sinal que tínhamos feito. Nas inspeções diárias no inicio da reunião era escolhido um Escoteiro aleatoriamente para contar sua boa ação do dia. Aplausos silenciosos para as boas ações “mixurucas”. No nosso programa anual da tropa constava sempre uma boa ação dela. Discutíamos em Patrulha o que fazer. A Corte de Honra definia o que. Ir a uma casa de menores abandonados, limpar a área, brincar com as crianças fazendo jogos que conhecíamos (separávamos também em Patrulha os meninos) e tinha outra coisas que adorávamos. Ver nosso parque da cidade em perfeito estado. Sim, tínhamos adotado um parque. Ali tinha nossa placa. Parque Tropa Escoteira Cruzeiro do Sul.  Foi uma época que nunca esqueci. Lembro do “Troféu Boa ação!”. Uma bandeirola de couro verde escrito a fogo – Primeiro Lugar em boas ações. Que orgulho colocá-la no bastão da patrulha.

                 Sei que eram outros tempos e agora nesta época vertiginosa da modernidade, onde a juventude talvez nem pense nestas coisas, quem sabe poderá surgir alguma boa ação virtual. Não sei. Não sou bom nisto. Não sei como fazer boa ação teclando aqui. Mas deve ter chefes ou dirigentes que podem sem sombra de dúvida colocar nas etapas escoteiras a BOA AÇÃO VIRTUAL. Eles não inventam tantas coisas? Vivendo e aprendendo. Claro que acredito e sem sombra de duvida na formação e no aprendizado Escoteiro que é feito lá na tropa, e também acredito que deve ser uma obrigação nossa fazer com que os escoteiros, escoteiras, seniores e guia sejam iniciados neste arte tão salutar. Só assim isto poderá vir a ser um hábito de comportamento, tão útil para formar homens e mulheres no que esperamos deles. Honra, caráter, ética e ajuda ao próximo. Afinal ajudar os outros faz parte da lei, faz parte da nossa formação escoteira e isto é insubstituível. Já diziam os poetas que “Aquilo que você faz, fala mais alto do que aquilo que você diz”. O que você plantar hoje certamente colherá amanhã. Já um disse um sábio: “Plante uma ação e você colherá um hábito. Cultive o hábito e você desenvolverá um caráter!”. E não esqueça, qualquer mudança nos seus escoteiros depende de você. Se der o exemplo então você vai fazer a diferença. Ficar naquela máxima de façam o que eu digo e não façam o que eu faço não é próprio e digno de um Chefe Escoteiro.


                     Boas ações. Sim, não duvidem. Sem elas não existe escotismo. Afinal não são elas que todos dizem que dignificam o caráter? 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Pikitito, um Grilo feliz da lagoa dos Mares.



Lendas escoteiras.
Pikitito, um Grilo feliz da lagoa dos Mares.

                      Joyce sentiu quando o grilo pousou em seu ombro. Lobinha amiga dos animais plantas e insetos ela olhou de lado e sorriu. Já tinha visto muitos grilos. Gostava de ver os saltos que eles davam. Como inseto ela achava que eles eram um dos maiores existentes no Brasil. Ela sabia que nem todos possuíam asas, mas tinham os melhores órgãos auditivos para perceber os sons produzidos pelas suas próprias asas. – O que vocês vieram fazer aqui? Perguntou o Grito. Joyce riu. Um grilo falante? - Você fala? Disse ela. – O grilo olhou para ela indignado – Claro, ou você acha que eu estou latindo? – Não precisa ser mal educado seu grilo – Me chame de Pikitito. Este é meu nome que meus pais me deram quando nasci. – Mas me diga o que ele e o outro estão medindo com uma trena? – Vamos fazer aqui um grande acampamento de Escoteiros. Serão mais de mil, ela disse – Nem pensar! Não podem. Neste capinzal está nossa cidade, ou melhor, nossa capital. Grilolândia está aqui a mais de mil anos. Não podem destruir nossa cidade.

                       - Veja você continuou o grilo, ou melhor, Pikitito. – Aqui neste pastinho temos nosso alimento. Se vier a noite aqui vai nos encontrar almoçando e jantando. Aqui temos plantas, cereais, fungos, tecidos de lã e restos de outros insetos. – Se acamparem aqui irão destruir nossa cidade – Olhe seu Pikitito não estou duvidando, mas meu tio é um cara chato. Chato mesmo. Quando põe na cabeça um plano difícil desfazer dele. Sabe como ela se chama? João Cabeçudo. – Você diga a ele que se não desistir vamos chamar os grilos de todo o mundo. Serão milhões, pois cada grilo femea não sei se sabe coloca mais de 100 ovos por mês. – Quer conhecer nossa cidade? Quero sim disse Joyce. O grilo disse, põe o dedo nas minhas asas e repita comigo – Pic, pok, kilo, vou para a cidade dos grilos! Mas fale o mais alto que puder. Joyce não se vez de rogada. – Depois de gritar as palavras mágicas ela ficou pequenina do tamanho do grilo, ou melhor, Pikitito.

                          A cidade era linda. Praças, chafariz, prédios enormes, escolas, universidades tinha tudo da cidade dos homens. – Nem tudo disse Pikitito. Aqui temos a paz e vocês não tem. Não precisamos de policia, nem de exércitos. Somos todos irmãos. Não é assim que dizem vocês Escoteiros? – Joyce estava entusiasmada com tudo que via. Foi apresentada ao Mestre Catuaba, que fazia às vezes de prefeito e juiz. Ao Doutor Magnésio que curava todas as dores dos grilos. E a maior surpresa. Visitou o Grupo Escoteiro Grilo Feliz. Tudo que nós fazíamos eles faziam também. Só que melhor. Uma disciplina incrível. As patrulhas completas, os uniformes bem postados, fomos até próximo da Lagoa dos Mares onde estava acampando duas tropas uma masculina e uma feminina. Próximo em uma fazenda lobinhos grilos se divertiam felizes.

                            - Me leve de volta, pediu. Meu tio tem de entender. Ok! Repita de novo - Pic, pok, poney vou para a cidade dos homens! Joyce voltou ao tamanho normal. Falou com seu tio que deu risadas – Joyce, lugar de sonhar é na cama. Aqui não. Cidade dos grilos? Só você para contar esta piada. – Tio, se não desistir do Ajuri Escoteiro aqui eles irão chamar todos os grilos do Brasil e comerão tudo que encontrem pela frente. Irão destruir todo o acampamento – João Cabeçudo morria de rir. Sua sobrinha tinha uma mente fértil. – Joyce pegou na mão dele. Tio me faça um favor. Só um e não falo mais nada – Diga comigo junto – Pic, pok, Kilo!  - está bem ele disse. E gritou alto o que ela pedia. Sentiu uma pressão no corpo. Estava diminuindo. Vários grilos o carregaram até uma pedra enorme que havia no meio do lago. Milhares de grilos estava lá. Quando o levaram ele levou o maior susto. Viu embaixo uma grande cidade onde iriam acampar.

                                 Mestre Catuaba e Doutor Magnésio presidiam um júri e ao lado vinte grilos que seriam os jurados. Mestre Catuaba explicou a ele que seria julgado e se culpado e devorado pelos grilos. João Cabeçudo não acreditava no que via. Começou a gritar – A grilaiada ria de morrer. Lá grandão era valente aqui um chorão. – Leve-o Joyce, disse Doutor Magnésio. Ele aprendeu a lição. Pic, pok, poney e eles voltaram. João Cabeçudo quando viu que voltaram pulou de alegria. Chamou seu amigo Chefe e disse que deveriam escolher outro lugar – Mas não tem terreno limpo como aqui – João Cabeçudo riu e disse – Não se preocupe. Fiz novos amigos. Eles me prometeram me ajudar para limpar a área escolhida.

                                Todos os sábados Pikitito o Grilo Feliz visita Joyce na reunião da Alcateia. Os lobos aprenderam a gostar dele. Foi uma amizade que durou muitos anos. João Cabeçudo aprendeu uma lição. Respeitar os direitos dos outros mesmo que estes outros sejam insetos. E assim termina a história.

NO FINAL

Entrou por uma porta
Saiu pela outra
Quem quiser que conte outra
Entrou por uma porta
Saiu pela outra
Mande El rei, meu senhor
Que me conte outra.
Entrou pelo pé de um pinto
Saiu pelo pé de um pato
Mande El rei, meu senhor
Que conte quatro.
Minha história acabou
Um rato passou
Quem o pegar
Poderá sua pele aproveitar.
E assim terminou a história...

Silvia Bortolin Borges

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Parábola da Televisão, Internet, Celular e o Acampamento. A lição de Olhos Azuis Profundos!



Parábola da Televisão, Internet, Celular e o Acampamento.
A lição de Olhos Azuis Profundos!

                    Olhos Azuis Profundos chegou a sua casa aborrecida. Todos os dias a rotina era a mesma. Escola, amigas, casa, TV, internet e seu inseparável celular que lhe fazia companhia vinte e quatro horas por dia. Queria mudar. Fazer outra coisa. Mas fazer o que? Entrou e quando chegou à porta do seu quarto ouviu alguém conversando. Quem era? Ninguém podia entrar ali. Seus pais, seu irmão sabia que ela não aceitava intrusões em seu quarto. Queria privacidade.

                   Abriu a porta devagar. Viu a Internet falando. Junto a Televisão e uma Barraca imaginária. Depois soube que era o símbolo do acampamento. Dizia a Internet: - Ainda bem que Olhos azuis Profundos têm a mim. Dou diversão a ela o tempo todo. Comigo ela viaja pelo mundo, conversa com os amigos, faz trabalhos escolares e me lendo pode até sonhar! Todos riram da Internet. Deixa disso metida, disse a Televisão. - Olhem quem dá ela as novelas? Quem a deixa ver em uma tela grande seus filmes preferidos? Quem lhe dá opção de deitada ou descansando em uma poltrona ao simples toque de um controle escolher os melhores canais do mundo? E olhe, se ela dormir, ou cochilar eu não paro de funcionar. Fico colocando em sua mente tudo que passa em mim. – Uma revolta se apossou do celular que estava em sua mão.

                - Ele gritou e esbravejou. – Metida e metido! Podem cair fora! Eu sou o preferido dela. Afinal ando em sua bolsa, em sua mão, ela faz de mim o que quiser. Conversa com amigas, lê suas mensagens, passeia no Facebook e no Orkut comigo e quando quer acha em mim todos os canais que você Televisão soberbamente se jacta de ter! Eu sou o único. O seu preferido. Quando não me tem a mão ela chora. Reclama. Por isto tenho que estar sempre presente.

                O acampamento estava calado. Era humilde. Nunca se revoltou. Agora mais triste se sentia, pois só falavam em novos tempos. Sabia que Olhos Azuis Profundos não era Escoteira. Pensou em nada dizer. Mas ele sabia de sua importância. Pediu se podia falar. A Internet, a Televisão e o Celular riram bastante. O que uma barraquinha “mixuruca” tem a dizer? O acampamento era educado. Não gostava de jactar-se. Nunca fez isso. Sabia de sua importância para quem o conhecia.

                  - Eu meus amigos, poderia oferecer a ela o perfume das flores silvestres. Poderia mostrar a ela a mais bela e misteriosa flor da floresta, o desabrochar de Orquídea branca lá em cima da montanha no carvalho centenário. Ela iria ver os olhos brilhantes como os dela na Coruja buraqueira da noite escura.  Poderia mostrar a ela a beleza do Balé dos Beija Flores na primavera. Ensinar a ela a seguir as estrelas brilhantes no firmamento. Quem sabe um passeio de sonhos na Via Láctea? Iria ensinar a ela a reconhecer as estrelas, que sabe a Alfa-Centauro? Já pensou ela ver a chuva caindo na mata? Leve, calma como se fosse uma linda sinfonia imperdível aos ouvidos de um mateiro. E a noite iria cantar com ela em volta do fogo junto a tantas amigas que lá estarão.

                  - E continuou – Ela iria sorrir com o nascer do sol, e maravilhar-se com o por do sol, iria jogar, passear, fazer jornadas, ter uma fome tal que comeria um elefante o que não faz agora. Iria tenho certeza maravilhar-se na piracema, a ver os peixes saltitantes na cascata da nevoa branca, tentando alcançar o inatingível.  Ela meus amigos iria sentir orgulho de si mesma. Não seria mais dependente, pois ali iria aprender junto à natureza uma vida de aventuras. Ela iria colocar uma mochila e partir para um mundo de sonhos, onde nada estava previsto. A descoberta seria dela. Ela iria aprender a fazer fazendo e depois meus amigos quando retornasse, ela saberia que o escotismo e eu poderemos lhe oferecer muito mais.

                     - O Acampamento com tristeza disse para terminar – Nossa jovem meus amigos em breve terá as pernas e os braços atrofiados. Ela não anda mais. Agora viajam com vocês vendo outros fazerem e ela nada fazer. Sua mente irá desaparecer na loucura do tempo. Nunca irá ver Deus em plena natureza, na cascata do riacho, nas campinas verdejantes, na noite e no amanhecer de um novo dia. Eu fico triste por ela. Triste porque só ela pode dizer sim ou não e vocês e eu somos meros coadjuvantes! E sabem? Fico triste por vocês, pois se a luz faltar e a bateria acabar vocês desaparecem como o vento na tempestade. Eu? Nunca vou desparecer, com chuva ou não, tendo eletricidade ou não. Eu sou a mão de Deus aqui na terra!

                     Olhos Azuis Profundos suspirou fundo. Nunca imaginou que aquela barraca era tão sábia. Quem era ela? Escoteiros? Já tinha ouvido falar. Tomou uma decisão. Procurou na Internet endereços de um Grupo Escoteiro. A Internet riu com orgulho. Ligou a TV e viu um belo acampamento passando em um canal. A TV deu gargalhada. Chamou pelo Celular uma amiga que conhecia outra que era Escoteira. O Celular explodiu em felicidade.


                     Olhou para o Acampamento e disse meu amigo, você me convenceu. Vamos acampar? E lá foi ela com o acampamento, sua nova mochila e deixando para trás a Internet, A Televisão e o Celular. Eles tentaram reclamar, mas Olhos Azuis Profundos disse – Não vou levar vocês. A natureza não pode se misturar a modernidade. Verei Deus ao meu lado e poderei sonhar com uma viagem nas estrelas brilhantes e quem sabe, pegar uma carona em um cometa azul? Mas eu volto, sempre pensando no meu amado e adorado acampamento. Adeus, ou melhor, até logo meus amigos eletrônicos, que surgiram com a natureza, pois foi ela quem fez vocês!

domingo, 16 de junho de 2013

O lindo Balão Azul do Escoteiro Zezé dos Pinhais.


Lendas Escoteiras
O lindo Balão Azul do Escoteiro Zezé dos Pinhais.

Levei o dia todo, a minha tarde inteira,
Não joguei futebol e até nem quis brincar
De soldado e ladrão...
Ajoelhado na sala, a minha brincadeira,
Foi cortar os papeis de cores, e os juntar.
Fazendo o meu balão...
J.G. Araújo Jorge.

             Eu estava ali com todo aquele populacho. Espremia-me para ficar a frente. Meus olhos brilhavam e meus lábios sorriam levemente mostrando o êxtase que sentia, me arrebatava como se fosse ele levado pelo ar. Quantas vezes sonhei em voar pelos céus em um balão. Meu arroubo de criança só via o encanto. Meu entusiasmo cobria o perigo e a alegria de estar ali não me deixava triste em desobedecer meu pai e minha mãe. Eu tinha duas forças que me faziam sentir bem. Balões no céu e ser Escoteiro. Todas as vezes que Seu Nonô Baloeiro soltava seu enorme balão eu corria para lá. Meu pai descobriu algumas vezes. Meu pai! Nunca me encostou um dedo. Chegava a casa e ele pacientemente dizia –Zezé balão mata. Muitos morreram assim queimados. Uma dor horrível. Quando não morrem ficam marcados para sempre!

            Mas eu, nos meus treze anos sabia que o perigo era grande. Mas fazer o que? Eu amava os balões. Quando ele se elevava ao céu, quando os foguetes estouravam, quando se lia a placa que os baloeiros colocavam, eu pulava de contente. Minha alegria era contagiante. Se pudesse eu ficava ali por toda a noite a ver os balões subirem aos céus. Um espetáculo que a criança que era se arrebatava e nos meus sonhos eu estava lá, junto ao lindo balão colorido que subia sôfrego aos céus até que um vento sul ou vento norte o levasse para longe. Muitas vezes sugeri em Reunião de Patrulha que fizéssemos um dia uma competição de patrulhas para ver quem soltava o mais lindo balão. Nunca aprovaram. O Chefe Valdez muito educado dizia – Balão só trás a infelicidade. Alegrias de uns tristeza de outros.

           Nas reuniões de Tropa, nas excursões, nos acampamentos eu vibrava como se estivesse soltando balões. Para dizer a verdade eu não sabia daquela minha sina. Nos meus sonhos de adultos eu estaria lá com seu Nonô Baloeiro, a fazer e a soltar os balões. Invejava toda sua equipe. Trabalhadores, sem nada a receber. Tentava explicar isto ao Chefe Valdez mas ele sorria de leve e dizia – Zezé, eles sabem trabalhar em equipe mas muitos deles gastam o que não tem para que o balão suba aos céus. Eles deixam suas famílias, sacrificam o pequeno salário que recebem e nem pensam o que suas escolhas podem fazer aos outros. Fecham os olhos para as desgraças, as desventuras e a infelicidade dos queimados, a miséria por ter perdido seu ganha pão, sua casa.

           Zezé dos Pinhais sentia pena mas ele não sabia quem um dia disse para ele – O que os olhos não veem o coração não sente. Verdade ou não os balões e o escotismo eram os sonhos de Zezé. O acampamento anual se aproximava. Iam acampar no Rancho da Lagoa Dourada. Ele nunca tinha ido lá. Mas não importava. Fosse onde fosse Zezé vibrava. Amava sua Patrulha Morcego. Sentia uma enorme alegria em estar junto aos seus amigos da patrulha. Vibrava com os jogos, já estava ficando bom em pioneiras e quando do fogo de conselho Zezé olhava para o céu estrelado e pensava – Não poderia ter um enorme balão passando?

           Zezé não contou a ninguém. Em casa escondido construiu um lindo balão azul. Ele sonhava em fazer um. Sonhava em ver o balão coriscando nos céus em uma linda noite de inverno. Não haveria foguetes. Ele não podia comprar. Sabia que todos seus amigos na patrulha nunca iriam “vaquear” para comprar. Custou para comprar o papel, construiu devagar à cangalha e depois a tocha. Levaria para o acampamento escondido. Não mostraria para ninguém. Ele sabia que na segunda noite haveria um jogo noturno. Iria fingir ter dor de cabeça e zarparia para uma área descampada e então soltaria seu balão. Sabia como fazer. Seus olhos cintilavam quando pensava no seu plano.

            O grande dia chegou. A sede escoteira lotada de gente. Pais e mães preocupados pedindo aos chefes para tomarem conta. Dois ônibus e uma longa viagem. Chegaram à tarde. Um lanche já havia sido preparado. A patrulha sabia como fazer. Barracas armadas rapidamente. Cozinha, mesas, toldos e em pouco tempo o campo de patrulha já podia dar todo o conforto de uma casa na selva. Houve até momentos que Zezé se esqueceu do seu balão. Mas ele não saia de sua cabeça. Dito e feito. No segundo dia o grande jogo. Zezé falou ao Monitor que falou ao Chefe. - Está dispensado, disse o Monitor. Logo que o Jogo começou “Guerra” Zezé saiu de mansinho nos fundos de seu campo de patrulha. Nas mãos o bornal com seu lindo balão azul. Sonhava! Sorria! Cantava canções de louvores. Avistou um belo campo e um rio que corria com suas águas tranquilas em direção ao mar.

            Zezé tirou o balão. Desdobrou. Pegou a cangalha e a tocha. Quando ia acender a tocha para que o gás espalhasse pelo balão ele ouviu um choro de criança. Não viu ninguém. Onde seria? Largou seu balão e foi até a barranca do rio. Sentado em um tronco uma menina de cinco anos chorava em prantos. Ela estava toda queimada. Zezé sentiu o cheiro de carne viva queimando. Zezé não sabia o que fazer – Venha comigo, vou levar você até o acampamento. O Chefe vai lhe ajudar – Ela não respondia, mostrava sua casa toda queimada. Zezé viu saindo da casa um Velho e uma velhinha também queimados. Saíram gritando. Uma dor terrível. – Meu Deus! Pensou Zezé. O que foi? O que foi? – Corra menino ele o Velho dizia. Corra! É um balão nos céus. Matou minha família. Destruiu minha casa, queimou minha plantação de milho!

            Zezé acordou dentro da barraca. Ainda bem que foi um sonho. Sonho terrível. Eu poderia destruir uma família com meu balão? No ultimo dia Seu Pataxó, um índio que morava próximo ao rio contou a história do Velho Manequinho, Dona Valquíria e sua filha Martinha a quem chamavam de Por do Sol e que morreram no ano passado. Um balão caiu na plantação de milho, que atingiu sua casinha de sapé e não deu tempo para fugir. Morreram todos. Os olhos de Zezé se encheram de lágrimas. Poderia ter sido o meu balão pensou. Eu poderia ter matado todos eles! Juro meu Deus! Nunca mais mas nunca mais mesmo vou tocar em um balão. Direi a todos meus amigos o mal que ele faz!


           Assim como Zezé tem muitos jovens que sonham com balões. Que está historia sirva de lição. Não é uma lenda. Todos os anos centenas de casos como este acontecem. Morrem adultos e crianças, perdem-se plantações que foram plantadas com o suor de quem precisa viver.

"Balão no céu, perigo na terra". Todo mundo já deve ter ouvido essa frase em algum lugar, mas as pessoas não costumam dar muita atenção a ela. Os incêndios causados por balões, podem ser bastante graves e podem destruir as casas, indústrias, plantações e até mesmo causar mortes. Seja um bom Escoteiro. Nunca solte balões!

sábado, 15 de junho de 2013

Você já passou por isto?



Crônicas de um Chefe escoteiro.
Você já passou por isto?

Novo emprego.

                  Seu Chefe no seu trabalho resolve apresentar você a todos. - Este é fulano. Um dos mais antigos, este é ciclano, entende de tudo, na dúvida pergunte a ele. E este é o Escoteiro. Trabalha bem, mas só fala em escotismo. Não gosta de outros assuntos. O Palmeirense tenta falar de futebol e ele fala em acampamentos. O Corintiano tenta falar do clássico de domingo e ele? Da excursão com seus lobinhos. Na mesa da hora do almoço fica anotando. O que é perguntam? Esboço da reunião de sábado. Preciso de um jogo novo! E por aí vai. E o pior ou quem sabe o melhor já levou mais de cinco daqui ao seu grupo. Se deixar ele monta aqui um Conselho de Chefes, mas olhe é bom sujeito. Trabalha bem e só falta para ir a Jamborees, Ajuris, Aventuras escoteiras, mas paga direitinho nas folgas. Enfim, eu mesmo já pensei em entrar no Grupo Escoteiro dele!

Reunião de pais no colégio.

               Só ele fala. A professora começa e ele pede a palavra. A diretora assiste a reunião e até gosta dele, mas o pai acha que tudo ele conhece. Um dos pais fala baixinho para uma mãe que está ao seu lado. – Quem é ele? – Chefe nos Escoteiros. Tem muitos anos que está lá. Dizem que os chefes dos escoteiros entendem tudo. Conhecem os jovens, sabem o que eles querem. – Mas aqui ninguém fala? – Claro que sim. Mas se prepare. Você fala e ele rebate. Numa boa, é educado. Mas como fala meu Deus! Eu já aprendi. É melhor ficar na minha!

Um domingo no ônibus.

             Você vai visitar um amigo, um parente, pega o ônibus ou o metrô e pensando na vida entra dois e param junto a você. Você não quer entrar na conversa, é educado. Mas não dá para evitar. – Eu disse a você, fala um – Eu sei que disse fala o outro – Valeu a pena o curso, você devia ter ido – Não deu mesmo. A família tinha um aniversário. Se faltasse já viu né? Precisava ver a equipe do curso. Nunca vi gente assim. Boa demais. – Conhecia alguns deles? - Não. Já vi um em uma assembleia, mas os outros não. – Todos tinham mais de três tacos? Só dois. Tinha um com quatro tacos. Menino! O cara era bom mesmo! Mas não vou desfazer dos outros. Um deles super técnico. Ensinou-nos técnicas que se hoje precisasse me virava bem em qualquer mata.
            Os dois descem na sua frente. Você fica ali matutando. Que diabo era aquilo? Curso? Que curso doido! Tacos? Vai ver eram jogadores de beisebol! Mas jogar com três ou quatro tacos? É cada doido que aparece que a gente fica doido também!

Sentado na praça do bairro.

              Gosto de ir à praça. Achar um bom lugar para sentar e pensar na vida. Alguns da minha idade vão jogar baralho, damas e eu não. Estava ali há meia hora. Atrás de mim sentou um menino. Onze ou doze anos. Falava baixinho. Não deu para evitar e ouvir – Prometo pela minha honra possível melhor, - não, não é assim. Acho que é prometo pela minha honra fazer o melhor possível – Não sabia o que ele estava fazendo. Continuou o menino – Vou ser leal, sincero, vou ter uma palavra, eu juro! - Caramba! O que ele estava a fazer? Um juramento secreto? Ele continuou - Serei puro nos meus pensamentos, nas minhas palavras e nas minhas ações! Não aguentei mais, me virei e perguntei – Menino desculpe, não pude evitar em ouvir, você está treinando alguma peça teatral? – Não Senhor, sou um Escoteiro, estou aprendendo. Sábado farei minha promessa. Terei orgulho dela e quero falar para todos ouvirem!
              Sem palavras. Dizer o que? Acho que este escotismo é diferente. Acho que vale a pena conhecer melhor!


              Tenho muitas outras. Ficam para outro dia. Mas você sabe como é. Escoteiros é um “bicho” diferente. Não sabem falar outra coisa. O bichinho quando morde fica ali, não sai. Dizem até que isto não é bom. Parece coisa de alienado. Mas quem está lá não pensa assim. E viva os escoteiros! Deixem-nos! Adoram o que fazem e eu? Risos. Nem precisa falar precisa?