Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 30 de julho de 2013

Você está satisfeito com nosso efetivo atual?



Causas e efeitos
Você está satisfeito com nosso efetivo atual?

O tema para mim sempre foi fascinante. Não para nossos dirigentes. Pode até ser que estou enganado. Não acredito que o tema mais importante para o Escotismo hoje seja a EVASÃO. Se nossos dirigentes estão preocupados se estão tentando saber as causas e os efeitos estão entre quatro paredes. Os grupos na sua maioria estão contentes com o que fazem. A preocupação com a evasão é mínima. Diversas vezes comentei aqui minha opinião. Mas hoje vou entrar a fundo. Talvez possa ferir susceptibilidades. Paciência. Tenho até a certeza que não atingirei o alvo pretendendo. Que assim seja. Não adianta mais malhar ferro frio.

Vejamos um histórico do passado com respeito à evasão. Até 1980 ela existia, mas não na proporcionalidade de hoje. Os grupos conseguiam manter a maioria dos jovens praticando o escotismo e mesmo que o crescimento não fosse satisfatório, era comum o lobinho passar para Escoteiro, idem Sênior e até Pioneiro se o grupo possuísse o Clã. Sempre se encontrava nos grupos vários escotistas nascidos e crescidos nas hostes escoteiras. Na comunidade em que existiam por não haver a facilidade hoje de locomoção os escoteiros eram bem conhecidos. Isto até ajudava em muito na admissão de novos membros.

Em 1984/85 deu-se o inicio do escotismo feminino. Iniciado com varias normas de conduta e não era totalmente liberado como hoje para sua organização. Isto trouxe novo ânimo aos Grupos, pois muitas jovens queriam participar e o bandeirantismo nem sempre estava acessível. Tropas e alcateias separadas é claro. Não tenho dados em mãos, mas acredito que no período 85/90 com raras exceções o escotismo se fortaleceu bastante. Foi então que começou a experiência nas alcateias e tropas mistas.  Conheço muitos casos que isto foi provocado pela falta de chefia. Os grupos sem base querendo crescer foram aceitando as inscrições e se viram forçados a entregar as tropas femininas aos chefes que já labutavam em tropas masculinas. Dai foi um pulo a unificação em patrulhas mistas. Mas isto foi bom, podem dizer principalmente os modernistas. Não concordo. Foi o principio do afastamento e saída de muitos jovens. Não só entre os elementos masculinos, mas em alguns casos até com o elemento feminino.

Por quê? Posso afirmar com convicção que o sistema de patrulhas, a maneira de desenvolver as tropas, o programa Escoteiro idealizado por Baden Powell (BP) não podia ser realizado em tropas mistas. Não são palavras minhas, mas a diferença é enorme. Alguns itens que aleatoriamente peguei na internet, mas que poderiam é claro ser interpretados de outra maneira:

- Meninos apresentam níveis mais elevados de testosterona, o que estimula neles um comportamento mais agressivo que o das meninas;
- Desde o início, meninas controlam suas emoções mais que meninos. Eles choram mais quando estão tristes, enquanto elas dão preferência a chupar o dedo; (risos).
- Durante as conversas, as filhas ficam mais tempo olhando para os pais (chefes) do que os meninos. Aos quatro meses, elas reconhecem mais rostos que eles;
- Meninas estão mais preparadas para construir relacionamentos e interpretar suas emoções;
- Meninos comunicam-se por palavras em 60% do tempo. Os 40% restantes são completados por barulhos feitos com a boca, reproduzindo ruídos de socos, carros, motos, aviões. Meninas praticamente só usam palavras e raramente imitam motores.
- E finalmente, nos bairros as turmas de amigos sempre fizeram e fazem programa separado um do outro. Meninas de um lado meninos de outro. Até nas casas onde se é possível existe o quarto do menino e o da menina.
 Como se vê, meninos e meninas são diferentes e apresentariam disparidades de comportamento ainda que criados na selva por gorilas, feito Tarzan. Até chegar a essa conclusão, a ciência consumiu décadas em debates, pois havia uma dúvida. Um segmento de estudiosos achava que as crianças não nasciam com diferenças cerebrais ou comportamentais perceptíveis. Na opinião deles, tal distinção se manifestaria apenas em decorrência das atitudes dos pais durante o processo de criação dos filhos. O debate não acabou, pois há grande divergência sobre o peso do DNA na determinação do "destino" comportamental da criança. Os estudos, no entanto, concordam em que a carga genética produz diferenças menores do que a carga cultural exercida pela criação.
 Por que os pais se preocupam tanto quando uma menina quer brincar com espada ou o menino quer pentear a boneca? Não reforce as diferenças. Meninos dão preferência a jogos competitivos e meninas a brincadeiras cooperativas. Este estudo finaliza - Não obrigue seu filho ou sua filha a brincar com crianças do sexo oposto. Nos primeiros anos de vida, tanto meninos quanto meninas preferem estar com crianças do mesmo sexo.
Sei que haverá centenas de escotistas e pedagogos a me contradizer. Ótimo. Não sou perfeito, só confirmo que o escotismo não cresce em quantidade e qualidade e que talvez, repito talvez este possa ser um dos motivos. Dizer que ele está crescendo é desmerecer a mentalidade de alguém que está vendo o dia a dia do escotismo nacional. Mas vamos continuar o nosso ponto de vista. Se for válido ou não fica a critério dos leitores escotistas. Você já viu uma charge onde se diz que o jovem entrou para o escotismo pensando encontrar atividades fortes, aventureiras e não encontrou nada disto? Seria possível realizar tais atividades com patrulhas mistas?
Dizer que em uma Patrulha os jovens aceitam de bom alvitre as meninas e os meninos seria dizer que eles não conhecem o programa Escoteiro na sua forma tradicional. E olhem, podem dizer: Em minha tropa isto não acontece! Bom, mas não acredito que a liberdade de uma Patrulha se faria com meninos e meninas juntos. Se digo isto tenho experiência própria. Já vi Patrulhas masculinas e femininas em tropas separadas fazendo um excelente escotismo e permanecendo por longos anos no Grupo Escoteiro. Claro, atividades em conjunto existiram. Mas devidamente programadas e aceitas pelos jovens.
Porque as atividades aventureiras, os acampamentos no molde de Gilwell rarearam? O menino tem um sonho. A menina tem outro? Não vejo como haver competitividade entre eles e olhem que esta é base do programa Escoteiro. Quando se tem tropas mistas e patrulhas mistas os jogos não podem ter o mesmo efeito para ambos. Como fazer um jogo de briga de galo (exemplo) entre meninas e meninos? Está fora de propósito nos objetivos a serem conseguidos. E finalmente as atividades aventureiras rarearam. Os grandes acampamentos de tropa estão desaparecendo. As atividades Intergrupos, distritais regionais e nacionais passaram a ter fator preponderante. O programa de tropa foi substituído por estas atividades e muitas delas surgidas sem programa preparatório. A maneira de programar foi totalmente alterada. Hoje qualquer um pode ver nas redes sociais, jovens e escotistas motivados ou motivando nas participações de atividades que surgem do nada e claro, devem alterar de forma surpreendente qualquer programa de tropa.

Encontros religiosos, encontrões escoteiros, passeio em tal e tal lugar, atividades distritais, regionais e nacionais que tomam todo o tempo de uma sessão Escoteira. Claro, pode ser um chamativo. Mas seria para todos? Que o digam os jovens que estão saindo. Alguém já foi até eles perguntar e fazer uma pesquisa de campo bem feita? E esta disparidade do uniforme? Uns a favor do atual e novas mudanças e outros não? Por acaso a UEB sabe quantos grupos usam só o caqui e quantos só o cinza mescla em todo território nacional?

E o tal do traje? Apesar de que tem aí um novo, vejo que agora só o lenço identifica o membro do escotismo. Não sei se o sonho do jovem ou da jovem acabou. Aquele chapelão, o caqui conhecido de norte a sul do Brasil e tantas outras coisas que fizeram o sonho daqueles que permaneceram por longos e longos anos. Isto sem dizer da tal progressão do jovem em sua senda Escoteira. Estão confundindo muito a modernidade com o verdadeiro espírito que existia no escotismo. Mudaram tanto que esqueceram o método de BP, as tradições e estão colocando agora um novo escotismo. Este eu não conheço.


Infelizmente as causas e efeitos da evasão ainda não foram devidamente estudadas e analisadas. Para se ter voz e voto só pertencendo à elite dos dirigentes nacionais. Tudo bem. Enquanto isto a procura dos motivos reais da saída de milhares de jovens por ano das fileiras escoteiras ficam sem resposta. Ninguém foi perguntar a eles porque saíram. Não tenho o dom da infalibilidade. A perfeição ainda não consegui atingir. Mas não é da maneira que estão fazendo os nossos dirigentes que iremos atingir o ponto X da solução final. Iremos talvez crescer aqui e ali. Mas não será um crescimento real. Enquanto os jovens e adultos participantes do escotismo Brasileiro não permanecerem pelo menos por alguns anos nas fileiras escoteiras o hoje e o amanhã será conforme agora. Que o digam aos dirigentes nacionais.

domingo, 28 de julho de 2013

A carta prego em ação. O tesouro do condor – Um jogo inesquecível.


Crônicas escoteiras.
A carta prego em ação.
O tesouro do condor – Um jogo inesquecível.

                      Faltava pouco menos de meia hora para o encerramento da reunião de tropa. Estávamos em reunião de patrulha, a pedido do conselho de monitores, para discutirmos, sugerir e ver como deveria ser o Grande Jogo cujo programa anual marcava a sua execução para o próximo mês de outubro. Era uma tradição e nunca o deixamos de realizar. Olhos de Peixe havia sido transferido para nossa patrulha, a menos de cinco meses, ele tinha vindo de um grupo da capital do estado, mas se incorporara como se fosse o mais antigo. Enquanto discutíamos, ele deu uma sugestão que achamos excelente. Toda a patrulha votou a favor.

                     Na reunião do sábado seguinte, ficamos sabendo que a Corte de Honra havia aprovado e foi uma alegria geral. Nós tínhamos uma ideia do jogo, mas sabíamos que o Chefe Jessé iria melhorar, e claro, dar uma grande “pitada” de aventura. Uma semana antes da nossa atividade, recebemos duas cartas pregos, uma para ser aberta no dia do jogo, as 06 as da manhã do dia do jogo e a outra no campo, após o inicio do jogo, que seria sinalizado por grandes rolos de fumaça que avistaríamos de onde deveríamos estar localizados.

                      Sabíamos e era ponto de honra, só abrir as Cartas Pregos no dia e horário determinado. Isto não tinha discussão e nem era discutido! Recebemos também quatro bandeirolas amarelas, e a lista de materiais a ser levado: – lanche para um dia, cantil, um par de bandeirolas de semáforas, uma bússola silva, quatro bastão, uma machadinha, um facão com bainha, uma faca mateira. Não olvidar de levar três lenços sobressalentes (lenços do grupo), estojo de primeiros socorros, uma lona para chuva, meias reservas, reserva financeira para duas passagens de ônibus. Como cada um de nós tinha o seu bastão foi alertado para não nos esquecermos de levar.

                    Todos deveriam estar preparados para uma atividade movimentada e para isto levar um calçado adequado. Claro, não direi o que passei na semana anterior, na espera deste grande jogo, que seria o meu primeiro na patrulha. Dormia e acordava pensando no grande dia. Às seis horas da manhã em ponto, a patrulha já estava a postos, na praça próximo ao ponto de ônibus e abrimos a primeira carta prego.

                   Gostaria de esclarecer que a Patrulha Águia, era composta de sete escoteiros, eu (Zé bolinha), Pinga Fogo, Zé Colmeia o monitor, Fu Manchu, Olhos de Peixe, Picolé o sub e Pé de Bode (só apelidos para preservar os nomes). Todos primeiras e segundas classes, ou seja, uma patrulha bem “escolada”.
Dizia: (a Carta Prego)

1)     – Vocês devem tomar o ônibus de Carirí, que irá passar as 06h25min, descer no ponto final. Ali pegar a Rua das Flores, ir ao seu final. Lá encontrarão uma estrada carroçável, segui-la por 2 km (deve ser marcado com o passo duplo). Após orientar pela bússola e tomar o rumo ENE, mais ou menos 67,5 graus, percorrer mais 800 metros, atravessar um pequeno córrego com águas límpidas e boa para beber.
2)     Segui-lo no sentido nascente por 200 metros e montar o campo assim especificado: - em forma de pontos cardeais (um x) com mais ou menos 15 metros de uma ponta a outra e vice versa. Colocar em cada ponto um bastão com uma bandeirola amarela, (o bastão deverá ser fincado no máximo com um palmo de fundo). No meio do x, ficará o totem de patrulha, colocado na mesma maneira. Devem fazer um pequeno cercado de 2 x 2 metros usando madeira do campo e cipó. Mais tarde saberão para que.
3)     – Ao inicio do jogo, as demais quatro patrulhas também estarão como vocês, como o campo armado e idêntico em algum lugar próximo. Fora da vista.
4)     – Aguardem o inicio do jogo, que pode demorar de uma a duas horas. Fiquei em posição de alerta e mantenha um escoteiro de vigia.
5)      
Nada mais dizia. Sabíamos que as outras patrulhas estavam nesta hora fazendo o mesmo. Aguardamos uns bons setenta minutos e eis que vimos de um morro próximo, rolos de fumaça, com o sinais de “O jogo já começou – guerra”. Abrimos imediatamente a segunda carta prego e ela dizia:

1)     - Vocês devem colocar os lenços presos pelo cinto, (proibido amarrar) somente dois palmos para dentro da calça, e defenderem como puderem as quatro bandeirolas em volta (amarelas) e principalmente o totem que se for tomado vocês todos morrem perdendo o jogo.
2)     – Se defendam das outras patrulhas para não perderem o lenço, pois assim serão considerados mortos e devem receber ordens do “matador” que irá conduzi-lo para o campo de prisioneiros.
3)     – Cada patrulha tem um campo próprio e cercado que fica no centro próximo do bastão totem, para no caso de fazerem prisioneiros.
4)     – O objetivo do jogo é defender as bandeirolas e principalmente o totem e ao mesmo tempo ir aos demais campos de patrulha e fazerem o que eles vem fazer com vocês.
5)     – A patrulha que conseguir mais vidas (tirar os lenços), tomar as bandeirolas ou ter o maior numero de bastão totem, é a ganhadora.
6)     É proibido – Lutas, brigas, palavrões (olhem a lei escoteira) e discussões inúteis;
7)     É aceito – Qualquer tipo de truque, força (sem denegrir imagem), ou qualquer situação a ser criada para ganhar o jogo.
8)     O jogo terá a duração de seis (seis) horas, a contar do sinal de o Jogo já começou – guerra. O sinal de fumaça “O jogo já terminou – paz” determina a paralisação imediata do jogo.
9)     Lembrem-se, vocês devem proteger o seu campo e também atacar os demais. Como fazer e o que fazer fica para o conselho de patrulha resolver.
10)  Estaremos toda a chefia em local privilegiado, vendo vocês através de potentes binóculos. Onde veremos qual a patrulha mais esperta e a mais não tão honesta! (naquela época não havia telefone celular, se fosse hoje, seria proibido.).
11)  Boa sorte Patrulhas da Tropa Mafeking!
12)   
Começamos o jogo. Seu desenrolar foi o esperado. Muitas surpresas, muitas alegrias e até um pouco de confraternização.
COMPLEMENTO
Foi um jogo para nós escoteiros. O final deixo por conta de cada um pensar quem ganhou. Quando passei para os seniores fizemos novamente o mesmo jogo, desta vez em dois dias. Bem mais difícil.

Vejamos:
1)     – O jogo foi aplicado em dois dias. Cada patrulha ficou acampada junto a sua base, portanto o material a ser levado foi acrescentado de 3 refeições e barracas. Tudo isto levado por nós seniores em mochila e saco próprio.
2)     – Foi preparado um mapa do tesouro com sua localização e cada patrulha recebeu uma copia. O mapa foi picotado em tantas partes quanto forem os bastão com bandeirolas e colocado em sacola própria amarrado a estes.
3)     – Para se localizar o tesouro, é necessário pelo menos que 3 bandeirolas sejam tomadas. Assim pode-se ver onde está escondido. Só a chefia sabia onde estava. Estiveram lá antes do jogo.
4)     – No primeiro dia, a tomada de bandeirolas só foi até as 18 hs. A partir deste horário até 08 horas da manhã seguinte, o jogo foi interrompido. Tudo isto é claro com sinal de Morse e em alguns casos por semáforas ou fumaça. A chefia decidia.
5)     – O segundo dia foi reservado para a busca do tesouro. Só para as patrulhas que conseguiram o mapa ou parte deste. As que não conseguiram ficaram em seu campo até o final do jogo. Uma programação especial foi preparada com antecedência pela chefia. Eles, os chefes não gostavam de ociosidade no campo.
Prefiro não comentar quem foi campeão. Só posso afirmar que todos conseguiram parte do mapa. Foi uma surpresa o tesouro. Seis canivetes suíços e para o segundo lugar um belo corte de picanha e um lombo de porco para um churrasco. Os segundistas fizeram um belo e delicioso churrasco para todos o que atrasou em mais de 3 horas o retorno à sede, mas com grande confraternização.
Foi um Grande Jogo e alguns anos depois repetimos novamente.

Eu sou parte de uma equipe. Então, quando venço, não sou eu apenas quem vence. De certa forma termino o trabalho de um grupo enorme de pessoas!

sábado, 27 de julho de 2013

Gloria feita de sangue. A última Luta de Manuelito.



Atenção! Se você tem coração fraco, não leia esta história. Pode se emocionar demais. (um conto longo, mas quem não leu vale a pena para ver a luta por um sonho).

As mais lindas histórias escoteiras.
Gloria feita de sangue. A última Luta de Manuelito.

                      Não dá para esquecer, foi no último verão de sessenta e um. As chuvas de Santo Inácio que todos esperavam não aconteceram como o previsto e ali, a beira da Lagoa do Lagarto, o fogo de conselho já havia terminado. A escoteirada já se recolhera. Aqui e ali a fogueira ainda se esforçava para mandar aos céus uma ou outra fagulha brilhante. Todos já haviam se recolhido e eu resolvi ficar. Panchito me fazia companhia. Bom amigo. Conhecemos-nos em Aguascalientes no sul do México em cinquenta e oito. Ele já morava no Brasil há vinte anos, mas seus pais residiam nesta cidade e ele a cada cinco anos voltava para fazer uma visita. O motivo porque estava em Aguascalientes fica para outra história. Deitamos a beira da lagoa sobre uma lona leve e admirávamos o vai e vem dos cometas e satélites que giravam em torno da terra a grandes velocidades. Já sentia o orvalho da madrugada se aproximando quando vi que Panchito chorava baixinho. – O que foi? Perguntei. Olhe Chefe, sempre quando me lembro de Manuelito meu coração bate forte.

                      Deixei que ele se acalmasse e foi assim que ele me contou toda a história de Manuelito. – Era um jovem de seus doze anos. Magro, raquítico, tamanho normal para sua idade. Cabelos loiros, olhos negros fundos, nariz afilado estava na tropa havia oito meses. Falava pouco e ficamos amigos. Assim como ele eu também era da Corvo. O Gentil era o Monitor. Ótima pessoa. Tudo começou quando Gentil comentou que na Corte de Honra foi discutido a data do próximo Grande Desafio. Nos últimos três anos sempre foram realizados. Nunca fiquei sabendo como tudo começou. Toda a tropa só comentava a vinda de mais três tropas de cidades vizinhas. Ia ser um espetáculo a parte as disputas naquele ano. Seriam realizadas no Estádio do Azulão Futebol clube, pois no ano anterior houve grande aglomeração de pessoas no campinho de pelada em frente à sede prejudicando em parte a visão de todos. – Não estava entendendo, mas deixei que Panchito continuasse sua narrativa. – Chefe, precisava ver o olhar de Manuelito quando disse que o primeiro lugar ganharia uma Faca Suíça e um Cantil do Exército. Nunca o vi sorrir daquele jeito. – Fiquei com pena. Manuelito não tinha a mínima condição de chegar as finais.

                  - Sabe Chefe quando conto esta história para alguém, dão risadas. – Uma simples briga de galo? – Mas isto se faz em todas as tropas a século! Mas Chefe, conosco era diferente. Havia uma técnica própria. Cheguei a ver em um ano dois contendores ficarem uma hora e meia lutando. Vi tantas lutas que eu mesmo desisti, pois nunca cheguei além do nono lugar. Manuelito não. Perguntou-me a data, como ia ser a seleção e se todos podiam se inscrever. – Disse a ele tudo que perguntou e mais além, disse também que ele nunca tinha lutado. Pediu-me que mostrasse como se luta. Ficamos uma hora lutando. Ele mal se matinha em pé. Caía sempre. Desistir? Jamais. Manuelito sonhava com a Faca Suíça. Só falava nela. Queria ter uma e sabia que nunca poderia comprar. Uma semana antes da seleção, que seria feita com todas as patrulhas por duplas Manuelito disse que estava preparado.

                     - Chefe, Manuelito estudou tudo. Desenhou. Treinou horas e horas em sua casa a ficar parado ou pulando em um só pé. Suas mãos as costas pareciam aço. Não se soltavam. Sabia fazer com perfeição uma Asa Direita ou esquerda (cotovelos em forma de V). O Joelho do Papagaio aprendeu rápido. Mas era magro, respirava com dificuldade e mesmo assim se mostrou um valente. O primeiro, segundo e terceiro lugar já tinham dono. Neco, Lastimer e Juventino eram os melhores. O quarto lugar foi disputado com galhardia. Manuelito a muito custo conseguiu o quarto lugar. O Chefe Wantuil não acreditava no que via. Ele ficou preocupado. O corpo de Manuelito não foi feito para aquele tipo de luta. Tentou falar com seus pais que sempre arredios não iam à sede. Desistiu e deixou que Manuelito participasse. Arrependeu-se muito depois. O grande dia chegou. Centenas de pessoas já estavam alojadas nas arquibancadas. Poderia jurar que ali no inicio do Grande Desafio tinha mais de três mil pessoas. Os parentes e vizinhos das outras três cidades compareceram em peso.

                       Chico Nonato o comissário distrital abriu a competição. Chamou um a um os dezesseis finalistas gritando alto seus nomes e conquistas escoteiras. Quatro por tropa. Formaram em linha. Todos parrudos, fortões e Manuelito se destacava pela sua magreza. Nas arquibancadas gritavam – Tira o magrelo! Tira o minhoca! Esta pestinha vai morrer! Ele de cabeça baixa não se incomodava. Sonhava com a Faca Suíça. Ele sabia que não poderia ficar lutando por muito tempo. Sabia o que tinha internamente e se ele brotasse em seu estomago iria ser levado à boca e aí não ia ser fácil. Seria desqualificado na hora. Isto não poderia acontecer! – Não foi difícil para Manuelito chegar as quartas de finais. Aprendeu e treinou dias e dias a rodopiar com seu Joelho do Papagaio e deixava que os outros pulassem sobre ele. A Joelhada era fatal. Ninguém acreditava no que via. Ficaram quatro competidores finais. Ele ia lutar com um dos campeões do passado. Matusalém era famoso. Quando ele olhou para Manuelito sorriu. – Este está no papo. - Não quer desistir formiga? Perguntou. Uma hora de luta. Sempre Manuelito se esquivando. Manuelito o sentiu no estomago. Deus! Deus meu! Não deixe que suba! Ajude-me. Eu preciso desta Faca Suíça! E meu sonho meu Deus!

                       Ganhou para espanto de todos. Sentiu que suas pernas e suas entranhas não aguentariam a final. Botelho Papa Léguas era o finalista da Tropa de Jaguatiruna. As apostas perdiam a graça. Ninguém apostava em Manuelito. Eram trinta por um contra ele. Mesmo vencendo ninguém acreditava. Agora estava em dez por um. Um silêncio enorme e a luta de morte começou. Ambos se estudando. Botelho Papas Léguas não subestimou Manuelito. Se ele chegou até ali é porque era bom. Viu uma brecha, viu os olhos de Manuelito piscando e se fechando. Deu oito saldo longos e pegou Manuelito de jeito com a asa direita. Manuelito conseguiu se esquivar, mas a esquerda roçou com força seu olho direito. Uma dor incrível! Manuelito quase perdeu o equilíbrio. Não iria aguentar outra. O sangue agora estava enchendo sua boca. A hemorragia que seu pai sempre falava estava chegando. Sabia que uma ou duas veias tinham partido. Se não parasse iria morrer.


                        Não podia, não podia parar! Meu Deus me ajude! Dê-me mais uns minutos, daria minha vida para ter esta Faca Escoteira!  Botelho Papa Léguas não sentiu piedade. Ele também queria ser o campeão do torneio. Nunca tinha ganhado. Entrara para o escotismo pelo premio e claro pela fama. Afinal perder para aquele escoteirinho de nada? Raquítico, pequeno, e agora chorando? Sim Manuelito tinha os olhos cheios d’água. A asa esquerda o pegou de jeito entre os olhos. O sangue quente na boca. Firmou os lábios. Tentou engolir. Não deu. Não iria soltar o sangue na grama verde. Seria desqualificado! Pulou uma duas vezes. Fez um sinal para Botelho Papa Léguas como a dizer – Venha moleza! Botelho Papa Léguas não se fez de rogado. Pulando com uma rapidez incrível preparou sua asa direita para liquidar logo esta contenda. Infelizmente ele sabia que Manuelito ia se estatelar no chão. Podia machucar, mas e daí? Quem entra na água é para se molhar. Mas não podia ter pena nem dó e nem piedade. Como dizia sua Avó, jogo é jogado e lambari é pescado.

                        Manuelito viu num relance o que Botelho Papa Léguas ia fazer. Sabia que não podia desviar muito. Se pulasse o sangue ia jorrar de sua boca. Ele sentia mais e mais a pressão do sangue subindo goela acima. Uma dor incrível no cérebro, o corpo tremendo. Esperou. Faca Suíça! Não vou perder você. Deus vai me dar forças! Manuelito esperou até que Botelho Papa Léguas se virasse e novamente usasse a lateral esquerda para lhe bater a toda no seu ombro com a Asa Direita. Quando sentiu o hálito quente da respiração de Botelho Papa Léguas, Manuelito abaixou e levantou de uma vez. Pegou Botelho Papa Léguas desprevenido. Ninguém esperava que ele usasse este truque. Velho conhecido de todos. O vai e vem do corpo subindo e descendo. Botelho Papa Léguas perdeu o equilíbrio. Nas arquibancadas um murmúrio alto. Todos ficaram em pé. Não acreditavam no que viam. Todos só viram Botelho Papa Léguas se esparramar pelo chão. Os apostadores não acreditavam na cena estática que se apresentava. Eram dez por um. Impossível diziam.

                  Manuelito se equilibrou ainda na perna direita por alguns segundos. Suas mãos se soltaram e foram forçadas no ventre como a querer interromper o sangue que agora saia aos borbotões dos seus lábios. Não dava para segurar mais. Rodopiou em si mesmo e caiu esparramado no chão gemendo alto e querendo sorrir. Afinal ele ganhou a luta. A Faca Suíça era sua! O sangue vermelho se misturou ao verde da grama. Um colorido sem graça. Vários chefes acorreram. Viram Manuelito com enorme hemorragia interna. Desmaiado. A morte parecia que ia chegar. Um carro apareceu no campo. Ele foi transportado para o hospital da cidade. Uma semana depois souberam que ainda estava na UTI. Perdera muito sangue. Precisava ir para a Capital. Seus pais choravam, mas não condenaram o filho. Se ele morrer foi porque sabia que seu sonho seria maior que a morte!

                   Seis meses depois em uma tarde de agosto bolorenta, um sol preguiçoso no céu Manuelito apareceu na sede em uma cadeira de rodas uniformizado. A tropa parou espantada. Ele sorria, um sorriso tênue como se o sol ali como ele estivesse esperando para levá-lo. Seu pai estava junto. Disse que ele insistiu em vir. Queria receber a Faca Suíça dos seus sonhos. O Chefe Wantuil foi até sua casa e voltou com ela. Todo o grupo se formou. Honra ao mérito ao escoteirinho herói. Como bons escoteiros todos prestaram continência em posição de sentido a Manuelito. Pediu que eu entregasse a ele a faca e colocasse no seu cinto do lado direito. Uma honra para mim Chefe! Um Anrê foi dado. Uma explosão de alegria em todos os presentes. Um exemplo para ser lembrado por toda a vida.

                  Manuelito ainda viveu mais um ano. Morreu com treze anos. Só então ficamos sabendo que ele era tuberculoso. Sua família também. Uma época em que a medicina não tinha cura nestes casos.  Seu pai sabia, mas como tantos outros escondiam, pois ele tinha exemplos de pessoas portadoras de tuberculose que foram defenestrados pela sociedade. Eram párias abandonados à própria sorte.  Uma semana antes de morrer, Manuelito me pediu que quando fosse para o Campo Santo, que a Faca Suíça estivesse no cinto, pois queria estar uniformizado. Chefe, meu Deus! Quanta tristeza. Centenas de escoteiros e de gente da cidade ali em volta da sua ultima morada chorando. Eu Chefe, era o que mais chorava. Não sabia como enfrentar tudo daí para frente. Ate hoje ainda vou lá visitá-lo. Falo com ele sempre. Sei que ele não está ali, mas isto alivia minha dor e me conforta.


                 Panchito se levantou. Chorava copiosamente. Desculpe Chefe. Desculpe. Melhor é ir para minha barraca. E lá foi ele me deixando ali a beira daquela lagoa cinzenta, ao lado de uma fogueira apagada, só cinzas e um orvalho caindo e molhando minhas faces. Vi que as minhas lágrimas também se misturavam ao doce orvalho do amanhecer. Uma bruma escura pairava sobre a lagoa. Nunca fora assim, sua cor sempre era branca. Pensei em ir dormir e ir para minha barraca. Não fui. Sentei a moda índia e fiquei ali até o amanhecer de olhar fixo no horizonte, acima da Lagoa do Lagarto. Não houve sol aquele dia. Uma chuva leve e intermitente começou a cair. Um peixinho pulou sobre as águas cinzentas da lagoa. Minha mente voltava ao passado. Manuelito, um sonho realizado. Uma morte honrosa. Um menino que foi homem para aceitar o seu maior desafio. Uma luta sem gloria. Ou melhor, Gloria feita de Sangue! 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Os pais e o Grupo Escoteiro


Conversa ao pé do fogo.
Os pais e o Grupo Escoteiro

                Muitos escotistas comentam comigo sobre as dificuldades encontradas quando procuram os pais para colaborarem em diversas situações no Grupo Escoteiro. Claro, sabemos que vários grupos não têm este problema, portanto nos dirigimos àqueles que nos lêem e gostariam de algumas sugestões a respeito.
Alguns dos comentários recebidos:

               Alguns jovens participam com idealismo, mas nunca vi seus pais e quando peço uma reunião com eles, poucos aparecem. - Em época de eleição da diretoria é uma luta para que alguém se ofereça para ajudar, e isto nos poucos que comparecem. - Para qualquer atividade que for necessário uma taxa, isto sem falar na mensalidade, a maioria (os pais) não colaboram e não ajudam em nada. Quando algum Escotista pretende participar de alguma atividade ou cursos para aprimorarem seus conhecimentos, sempre arcam com todas as despesas de transporte e taxas, com isto muitos desistem de prosseguirem na trilha escoteira. - Enfim, sem eles ficamos sem condições de manter o Grupo Escoteiro, e até o registro anual é prejudicado. Ou fica sem fazer ou se registra poucos membros do Grupo.

              É, é uma situação constrangedora. Claro tudo isto não existiria se na entrada do jovem, algumas providencias fossem tomadas. Se o Grupo já está com vários destes problemas, só existe uma solução e esta infelizmente tem de ser tomada para que possamos ter os pais de volta. Vou dar um exemplo de vários grupos escoteiros que são exigentes na admissão do jovem. Vejam como tratam o assunto:

               - Os pais devem vir acompanhados dos filhos interessados; (se não vierem não tem admissão) - Não aceitar pais de jovens inscritos no grupo trazendo filhos de vizinhos ou parentes.  - É feito uma ficha de inscrição, onde consta que os pais também vão pertencer ao Grupo e é explicado a eles o que se espera após a aceitação do filho e o que o movimento escoteiro tem a oferecer a ele.

                - Eles ficam automaticamente inscritos no primeiro Curso Informativo (pode ser feito pela própria chefia no grupo ou então ver no Distrito ou Região se existe algum a respeito) este curso não deve ser maior que 4 horas e menor que 2 horas. - Enquanto estas formalidades não forem cumpridas, o jovem não participa diretamente. Ele pode ficar por um tempo observando a movimento das tropas sem interferir. - Depois de feito os quesitos acima, quando da Cerimônia de Bandeira, o jovem e os pais são apresentados à tropa/alcateia, aí sim o jovem começa na sua patrulha ou matilha que vai recebê-lo do chefe da seção correspondente, onde então se fará alem do grito da patrulha ou similar na alcatéia, saudando o novo membro.

               - Os pais são convidados à sede para que o Diretor Técnico mostre a eles o calendário anual das atividades e as reuniões dos pais e Assembleias do Grupo. Também deverão preencher uma pequena ficha, com nome, telefone e endereço e dizendo como podem colaborar no grupo, semanal ou mensal. Uma lista de funções deve ser apresentada pelo Chefe, ou melhor, o Diretor técnico. A partir deste momento, o Chefe não deve deixar de fazer contato telefônico, pessoal ou mesmo lembrar a eles que precisam de sua presença conforme foi acertado anteriormente.

                 O mais importante é que a falta de duas ou três atividades marcadas nenhum deles comparecerem, e após contato telefônico e pessoal sem resultado, o jovem leva um aviso aos pais que ele só continua se eles vierem ao grupo para conversarem novamente. Claro, vocês podem dizer que isto é muito radical, mas é bom lembrar que somos um movimento voluntário, sem fins lucrativos e nosso intuito é colaborar com os pais, a escola e a igreja. Sem a presença destes nada podemos fazer em benefício do jovem. Muitos escotistas ainda não chegaram à conclusão que é os pais é que precisam de nós e não o contrário. 

                   É importante que o Grupo Escoteiro mantenha algumas atividades para os pais em seu programa, a fim de motivá-los e sempre acontece que muitos deles passam a se interessar mais pelo movimento, oferecendo seu tempo para colaborar como escotistas. Existem exemplos que em pouco tempo, surge um grande número de chefes resolvendo de vez a falta de adultos tão reclamados por muitos.

Algumas atividades sugeridas:

                 Uma vez por ano, com ajuda de alguns pais, escolher um local onde todos possam passar um dia inteiro, em confraternização (se possível um sítio fora da cidade, que tenha instalações necessárias para os participantes). Nesta confraternização executar um programa nos moldes escoteiros, formando patrulhas junto com os filhos, competições entre elas, com grito próprio, cerimonial de bandeira e encerramento com fogo de conselho (lampião) e a Cadeia da Fraternidade.

                Nas atividades de Alcatéia, sempre ver com a chefia quantos pais serão necessários e convidar aqueles que se propuseram a isto. Comissões internas para em conjunto com a Comissão Executiva (diretoria) desenvolver tarefas tais como: Arrecadação financeira compras para acampamentos – transporte para atividades de seções – instrutores de especialidades e outras de comum acordo com o Conselho de Chefes e Diretores do Grupo Escoteiro.

                  Alguns grupos costumam se organizar quinzenalmente, com revezamento uma noite de confraternização na casa de um pai previamente sorteado. Cada família deve levar salgados e doces. Outras bebidas. Já conheci casos onde os casais aproveitavam em Karaokê, baile informal etc. Sem caráter de obrigação é uma forma de arregimentar os pais em um ambiente escoteiro onde se conversa temas de interesse de todos.

                 Finalmente, agindo conforme aqui sugerido, os resultados serão sempre alcançados, e os chefes poderem ter mais tempo com suas famílias, pois agora o trabalho é dividido por todos aqueles que são responsáveis também pelo Grupo Escoteiro. Conheci diversos grupos, que a participação de pais é tão grande (seus efetivos superam 200 membros participantes), que quando realizam as atividades extra sede com os pais, superam em mais de 400 participantes (vão avós, tios, tias, primos e amigos que eles também convidam).


                  É necessário que o Conselho de Chefes seja regularmente informado de tudo, para evitar atritos e sentirem responsáveis também pelos pais presentes. Espero ter colaborado, mas se quiserem mesmo ter os resultados esperados, mãos a obra. Um poeta já dizia: Quem quer anda, quem não quer manda! E não deixe para amanhã o que pode fazer hoje!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Do destino ninguém foge.



Conversa ao pé do fogo.
Do destino ninguém foge.

Certa vez, há muito tempo atrás, fui convidado por um Grupo Escoteiro de uma pequena cidade do interior, para proferir uma palestra sobre os Valores do Escotismo na sociedade. Era um Grupo simples, com um efetivo excelente e uma alegria e amizade que não se encontra facilmente aonde eu vou. Moças e rapazes sorridentes, me olhando respeitosos e dentro de seus olhos sentia o verdadeiro “Espírito Escoteiro” tão procurado por todos nós.

Durante a palestra, em um salão paroquial repleto, composto por muitos pais, amigos simpatizantes e até alguns membros da sociedade política da cidade, observei um chefe, que permaneceu encostado em uma parede, me olhando com olhos ávidos, prestando uma atenção canina, que fez com que me perdesse algumas vezes na continuidade da palestra. Este chefe, aparentando uns 50 anos, tinha um aspecto não muito simpático, apesar de estar muito bem uniformizado, com o caqui tradicional (um pouco velho, mas limpo e bem passado) um chapéu de abas largas bem posto, meiões dentro dos padrões e o lenço impecavelmente bem dobrado. Seu semblante deixava a desejar. Sua boca parecia inchada e uma grande mancha no rosto não dava um ar atraente a sua pessoa.

Cabelos negros, lisos e compridos, contidos por um “rabo de cavalo” simples, dava uma conotação estranha e extravagante. Tinha uma maneira de andar meio bizarra com os braços abertos, ombros curvados, mas seu sorriso era contagiante. Após a palestra, fui dar uma volta no pátio onde se realizava as reuniões, e vi ali um bom escotismo sendo praticado por uma alcatéia mista, duas tropas uma masculina e uma feminina e uma tropa sênior composta de uma só patrulha.

O chefe em questão estava em pé, observando o andamento das reuniões, sempre curvado, e esperando que alguém o chamasse. Estranhei que ele não participasse diretamente de alguma sessão. O Chefe do Grupo que me acompanhava vendo minha curiosidade explicou:- Apareceu aqui há uns quatro anos. Fica sempre afastado, pois sabe que sua fisionomia assusta os jovens e também os adultos. Com o tempo estamos nos acostumado a ele. Remo era o seu nome, o sobrenome ninguém sabia. O uniforme foi doado por um chefe que mudou desta cidade e acho que a doação foi como o descobrimento de uma grande pessoa. Sua alegria, mesmo com um sorriso torto, contagiava.

Sempre tivemos receio de convidá-lo para uma das sessões. Não fizemos sua promessa, achamos que não deveríamos. Os pais não o viam com bons olhos. Muitos ainda o julgavam pela fisionomia. Até eu acreditei que fosse analfabeto e você sabe a dúvida em colocar alguém assim em uma sessão é preocupante.  Ele é um dos primeiros a chegar à sede, faz a limpeza com esmero, fica a porta esperando que alguns de nós peçamos alguma coisa e é de uma vassalagem preocupante. No inicio das reuniões sempre está pronto a colaborar com a chefia, buscando materiais, e limpando o pátio quando alguém joga algum ao chão ou mesmo depois das reuniões.

Muitas vezes quando venho à noite à sede, o encontro sentado no meio fio, como, a saber, que eu viria. Entra comigo e enquanto faço minhas obrigações ou mesmo aguardo outros para alguma reunião, ele está a ver figuras sem parar na pequena biblioteca escoteira que temos aqui no grupo. Claro que sempre dou um livro para ele levar para casa, sempre com muitas gravuras. Ele sorri e me agradece muito. Enfim, nos acostumamos com ele, como se acostuma com um... Ele ia dizer cão amigo, mas preferiu se calar. Acho que não era sua intenção desmerecê-lo.

O pouco que sabemos é que trabalha no moinho do português (muito conhecido na cidade) e mora em um pequeno quarto alugado num bairro afastado. Achei interessante o fato. Para mim inusitado. Os anos se passaram e de novo voltei ao Grupo citado e agora não me lembro bem o motivo. Foi num verão atraente, mas cujo calor ameaçava passar dos 40º. Cheguei pela manhã, viajando boa parte da noite em um ônibus de carreira. Após os comprimentos de praxe, conversava com um ou outro escotista e foi então que dei falta do Chefe Remo. Seu lugar de sempre onde ficava encostado a parede estava vazio. Vi com espanto lagrimas nos olhos do chefe do grupo e a tristeza nos demais quando perguntei a respeito.

- Ele desapareceu um dia da sede e não voltou mais. Sentimos uma grande falta. Não tínhamos mais aquele que limpava que ficava a nossa disposição como um serviçal sem salário, nunca reclamava, estava sempre pronto a ajudar e então chegamos à conclusão que não demos o valor necessário ao um grande homem, a um grande Escotista que foi sem nunca ter sido. Todos, sem exceções sempre esperavam chegar à sede e encontrá-lo ali, subserviente, pronto a ajudar e nunca esperando nada em troca.  Até mesmo os jovens perguntavam por ele. Antes do seu desaparecimento ele já participava de pequenas atividades, mais como colaborador e assim a admiração pela sua fidalguia estava crescendo no coração de todos.

Esperamos duas semanas e fomos ao moinho onde ele trabalhava. Ficamos sabendo que ele desapareceu também de lá. Seu Manuel dono do moinho foi com a policia ao quarto dele e nada encontrou. Convidou-nos a ir até lá para vermos como era. Meu amigo foi uma punhalada no coração, pois o quarto dele era uma linda sede escoteira, com um quadro enorme de BP. Quadro de nós, de sinais, bandeirolas de semáforas penduradas na parede, uma colcha bordada com flor de Liz jazia em sua cama e uma linda Bíblia aberta na pagina onde se lia o salmo jazia acima de uma pequena cômoda. Ficamos chocados com tudo. Nunca esperávamos isto.

 Seu quarto era muito limpo e bem arrumado. Não havia cartas, papeis nada que pudesse identificar de onde era e para onde foi. O tempo passou não mais que cinco meses e ficamos sabendo que ele tinha sido atropelado em uma cidade próxima, e imprensado a um poste tinha morrido na hora. Mesmo com sua identidade não sabiam de onde era e de onde vinha. O enterraram como indigente. Ele estava com o cinto escoteiro e um dos investigadores resolveu fazer uma consulta à direção escoteira do estado. Em vão. Ele não tinha registro lá. Alguém sugeriu consultar o Grupo Escoteiro mais próximo. Conversa daqui e dalí se passaram vários meses. Um pai soube e comentou do desaparecimento do Chefe Remo. Ele o conhecia e recordava como todos ficaram preocupados. Ao confirmar a identidade, não havia mais dúvida.

Foi um choque para todos nós. Não sei por que, se foi uma boa idéia, mas reunimos todo o grupo e um dia de domingo à tarde fomos até a cidade onde havia sido sepultado. Em volta de sua campa simples, fizemos uma oração, cantamos a cadeia da fraternidade, todos chorando, engasgados dizendo com dificuldade que não era mais que um até logo, não era mais que um breve adeus, pois bem cedo junto ao fogo, tornaríamos a nos ver. Ali, com os olhos marejados de lágrimas, vimos um beija flor azulado, sozinho, batendo asas em volta do seu tumulo, e enquanto permanecemos ele também ficou, sem pousar, sem cansar. Não digo que seria um sinal, nada disto, eu mesmo não acredito. Sou meio céptico com essas coisas. Um fato não pode ser esquecido, o chefe Remo merecia ter tido muito mais de nós. Pelo menos sua promessa.

Voltamos tristes, silenciosos. Não havia canções, só as lembranças pululavam na face e no íntimo de cada um. Agora sabíamos que tínhamos conhecido um grande escoteiro, um grande chefe, mas só demos o valor quando ele se foi. Não houve promessa, não houve medalhas, não houve certificados de gratidão. Nem um simples agradecimento verbal. Só mesmo a lembrança ficou. Saudosa, dolorida e que nunca mais vai ser esquecida em nosso grupo escoteiro.

Fiquei pensando que nem sempre a escrita, a formação intelectual e docente deve ser avaliada para a escolha de um líder. Como diz o Grande Arquiteto do Universo, a muitas moradas na casa de meu pai.  Ele se sentia satisfeito com o que fazia e ali era o seu lugar. Confirmar tais indivíduos que se multiplicam por todas as plagas, dando seus valores merecidos, faz parte de nossa aceitação em chamá-los de escotistas, de chefes. Voltei para casa meditando. Era um Escotista cumpridor de seus deveres. Não almejava nada. Fazia seu trabalho sem recompensas. Era o lixeiro, o carregador, o apanhador de sonhos. Vi então que a Lei do Escoteiro também é a lei do Chefe Escoteiro.


Nunca mais voltei lá. Não porque não quis, não houve oportunidade. Mas o chefe Remo ficou marcado para sempre em minha memória.

terça-feira, 23 de julho de 2013

A canção que ela fez para mim!



Lendas de um Chefe Escoteiro.
A canção que ela fez para mim!

                     Naquele sábado fui para a reunião meio desanimado. Não sei por quê. Muitas reuniões parados na sede, nenhuma excursão, jornada ou até um acampamento de fim de semana. Para ser franco eu também não mexi uma palha para animar a patrulha. Na sede ninguém. Por quê? Sempre nos encontramos ali antes do inicio, falar dos outros, papear, “causos” não era uma rotina? Fui para o pátio da sede. Então eu a vi. Fiquei sem fala. Linda! Impossivelmente linda! Uma princesa seria? Desceu das nuvens direto na sede? Ou quem sabe um anjo que Deus mandou para dar novo ânimo aos seniores? Olhe meu coração disparou. Minha mente deixava o corpo e se transportava para os mais lindos locais que já tinha ido. Fui à Cachoeira do Sonho, fui à Montanha Das Borboletas Douradas, fui até no despenhadeiro da Mil Mortes. Joguei-me lá de cima. Sabia que não ia morrer.

                 Foi então que percebi. Lá estavam os Seniores. Todos eles. Não faltou ninguém. Em pé encostados na parede da sede, e como eu não tiravam os olhos da linda moça dos cabelos dourados. Cachos despencando como na Cascata do Sol Nascente. Olhos? Azuis! Incrivelmente azuis. Uni-me a eles. Não notaram a minha presença. Seus olhos esbugalhados assim como o meu só tinham uma direção. Cláudia Alvonaro. Seu corpo? Não posso dizer aqui. Mas parecia ter sido esculpido por Michelangelo, ou melhor, Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni. Ah! Una Madonna Escoteira? Quem sabe ali estava sua obra prima da renascença sua bela escultura a Pietá. Não podia ser. Estávamos em 1958 e não 1498 quando ela foi esculpida.  

                   A paixão tomou conta de mim. De mim só não de todos os seniores. Doze rapazes perdidamente apaixonados pela bela Cláudia Alvonaro. Mas de onde ela veio? Da cidade não era. Conhecíamos todas as beldades. – Ela é de Vitória. Espírito Santo disse Patachuco um Sênior. Meu Deus! Capixaba e linda assim? Bendita Vitória. Santino o Chefe Sênior adentrou ao pátio. Jovem ainda. Vinte e oito anos. Viu-nos e foi até nós cumprimentando. Ninguém olhou para ele. Inteligente como todo Chefe Sênior descobriu através de um “Kim” imaginário o motivo de nossa perplexidade e imutabilidade. – Ora, ora, parecem que nunca viram uma garota! Ele disse. Sem respostas. Continuávamos mudos. Olhos vidrados na bela Cláudia Alvonaro. A mais bela capixaba que o mundo conheceu. E nós os bravos seniores da tropa Anhanguera.

                     Ela estava linda. Uniforme azul, bonezinho de lobo. Saia curtinha (que pernas meu Deus!). Akelá? Não tinha mais de dezoito anos! Não seus bobos disse o Chefe Sênior. Ela é Assistente. Tem dezessete. Está fazendo uma visita. Vai embora hoje no trem noturno das oito. – Vou também, adeus Chefe! Falaram todos ao mesmo tempo. Chefe Santino riu sonoramente. Que vida. Descobre-se o amor de nossas vidas, a nossa alma gêmea e ela vai embora assim? E para piorar tudo ela começou a cantar. Os lobos sentados em círculo e ela cantando uma canção que não conhecia. Voz? Uma cantora nata! Ninguém na sede tirava os olhos dela. Maravilhosamente bela e uma voz de harmoniosa, que podia seguramente ser a maior cantora de todos os tempos.

                   O céu que me condene! Que me mate! Que acabe comigo. Estava “deverasmente” apaixonado. Perdidamente apaixonado. E o pior aconteceu! Ela olhou para mim e deu um sorriso. Senti o corpo tremer. Tive que sentar. Que sorriso! Que voz! Que rosto! Que corpo! Não podia ser uma mulher Akelá. Era uma deusa trazida do Olimpo. E eis que como se fosse uma chicotada, como se tivesse caído uma pedra enorme em minha cabeça, um Chefe novo de uns vinte e cinco anos entrou acompanhado do Chefe do grupo.  – Vamos embora meu amor! O que? Meu amor? Então olhei melhor, ele estava com a aliança na esquerda e ela também. Marido e mulher.


                  Ela se foi. Deu um “xauzinho” e disse um Sempre Alerta que nunca mais, nunca mais mesmo e eu juro, irei esquecer. A mulher dos meus sonhos, a mulher que iria ser a minha vida, a minha alma gêmea se foi. Se houve reunião de seniores eu não sei. Acho que os outros também ficaram como eu no mundo da lua. Começamos mudos e terminamos calados. Chefe Santino sorria no alto dos seus vinte e oito anos. Um homem experimentado sabendo o que sentia aqueles garotos que estavam crescendo e aprendendo com a vida. Cláudia Alvonaro virou a esquina abraçado com seu amado. A tropa acompanhou com os olhos seu ultimo adeus. E eu? Fiquei meses sonhando, pensando até que um dia!...

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O despertar do Chefe Teobaldo, um audacioso Diretor Técnico Escoteiro.


Crônicas Escoteiras
O despertar do Chefe Teobaldo, um audacioso Diretor Técnico Escoteiro.

                    Eles foram chegando e se assentando. Um a um. A sala da sede era pequena, mas ele sabia que eram tão poucos e que teria lugar parar todos. No semblante aquela empáfia de quem não estava gostando. Chefe Teobaldo sabia disto. Afinal eram anos de convivência. Já chegaram a ter maior número de adultos, mas hoje não passavam de seis. – Chefe, precisamos fazer uma reunião do Conselho de Chefes. – Para Que Chefe Teobaldo? Para que? Nunca precisamos disto! No passado ele fazia e depois desistiu. Ele tinha os quatro “chefes de ouro” como ele dizia. Não importava se chovia canivete e lá estavam eles. Claro, hoje pareciam sempre estar com pressa. A maioria deixava o uniforme na sede. O vestia lá. Outros traziam no carro. Chegavam em cima da hora e quando terminava a reunião diziam Sempre Alerta e sumiam!

                     Chefe Teobaldo já não era mais aquele homem que tinha prazer em ir para a sede nos dias de reunião. Ele sabia que de alguns anos para cá, nem tudo eram flores. O sucesso do passado estava desaparecendo. Com tristeza via os lobinhos diminuindo. Antes chegaram a ter duas alcateias. Uma masculina e uma feminina. Hoje era uma só. Menos de quinze lobos. Mas nem onze estavam presentes nos ultimos meses. E na tropa Escoteira? Que desastre. De duas tropas uma masculina e uma feminina agora eram um só e mista. Quando iniciava as reuniões e formavam as sessões ali estavam três patrulhas com menos de três ou quatro gatos pingados em cada patrulha. Como fazer reunião assim? Seniores? Menos de seis. Se não fossem os namoricos acho que não teriam nem isto. E os chefes? Entravam três ou quatro por ano e em pouco tempo davam uma desculpa e iam embora. Por quê? Qual o motivo? Ele sabia que eram conhecidos. O nome do grupo estava gravado em muitos estados brasileiros. Afinal eles tinham quatro jovens de famílias abastadas e que compareciam em todas as atividades nacionais e até internacionais. Distribuíam o lenço do grupo, distintivos, uma festa. Um pai de um deles inclusive dava uma boa soma mensal ao grupo. Mas era certo isto? E os demais escoteiros? Eles não podiam participar. Como pagar? Logo desistiam em pouco tempo saiam do Grupo.

                   Chefe Teobaldo sentou. Olhou para todos. Exceto dois novos chefes a maioria estava pedindo a Deus para terminar logo. O que houve com eles? Pensava. Porque esta debandada? Será que é culpa minha? Porque não havia mais procura como antigamente? Porque os adultos que vinham oferecer ajuda em pouco tempo se afastavam? Chefe Teobaldo sabia por quê. Não ligava, pois tinha os “chefes de ouro”. Mas estava certo? Eles nunca se encontravam. Até nas festividades de fim de ano era um sacrifício. Ele sabia. Precisavam mudar. Urgente! Deveriam voltar às reuniões de Patrulha. Os Conselhos de Tropa, Os Conselhos de Chefes. E a Corte de Honra? Onde foi parar? Meu Deus! Pensou. Estava tudo errado. Vamos fazer trinta e cinco anos e a cada ano mais e mais diminuímos.

                    Ele sabia que precisam de um “choque de gestão”. Não era assim que faziam as empresas que estava fracassando?  Ele hoje iria falar. Falar da amizade. Do amor. Da bondade. Iria falar que precisamos nos cumprimentar mais. Precisávamos entender o ponto de vista do outro. Precisávamos respeitar ideias, respeitar direitos e saber até onde ia nosso dever. Precisávamos sim de uma boa dose de democracia. E o mais importante. Fazer programas e saber cumpri-los. Ele já tinha tomado sua decisão. Reunião de Chefes uma vez por quinzena até acharem onde estava o erro e o consertar. Ele pessoalmente iria conversar com cada um dos que se foram e procurar entender o motivo dos seus afastamentos. A idade pesava e Chefe Teobaldo agora tinha maturidade e tinha encontrado mesmo que tardiamente a voz da razão. Iria exigir mais. Iria cobrar de cada um os programas. Não aqueles feitos as pressas, mas com o auxilio das patrulhas, dos assistentes. Iria exigir que eles se reunissem pelo menos uma vez por mês. Não iria deixar que isto fosse feito virtualmente. O grupo era uma família e devia se portar como tal. Deveriam entender o que era calor humano.

                     Chefe Teobaldo olhou nos olhos de cada um. Eram seis. Não seria assim mais. Ele queria vinte. Vinte? Sim, ele queria vinte chefes. Um Grupo onde todos se respeitassem. Ele queria uma Alcatéia completa. Uma tropa completa. No mínimo dezoito seniores e guias e jurou a sí próprio que iria conseguir. Agora eles iriam fazer escotismo. Nada de namoricos. E quando recebesse convites para atividades nacionais ou regionais ou iriam todos ou não iria ninguém! Iria dizer aos diretores do distrito e região que só participariam de uma por ano. Eles que decidissem qual. Ele agora queria ver acantonamentos, acampamentos, excursões, atividades aventureiras. Iria exigir isto no programa. Que se dane os que não concordassem. Ele sabia que os “chefes de ouro” iriam ficar espantados. Achou até que alguns se demitiriam. Mas sua decisão estava tomada. Agora ele sabia que o Grupo Escoteiro se transformaria em uma grande família Escoteira, onde o respeito, a ordem, o aperto de mão sincero e principalmente a Lei e Promessa Escoteira seriam ponto de honra para todos.

                     Senhores! – Começou Chefe Teobaldo. Nossa reunião hoje terá duração de duas horas. Nem mais nem menos. Teremos a partir de agora duas reuniões por mês até entrarmos na curva da estrada que nos levará ao Caminho para o Sucesso. Espero contar com todos. Mas aqueles que acham que não vai dar para participar podem sair. Eu ficarei triste e de antemão agradeço pela linda e bela colaboração que deram até agora. Vou contar com aqueles que amam o grupo e querem fazer dele uma verdadeira “Família Escoteira”. E a reunião começou. Chefe Teobaldo era outro homem. Outro Chefe. Fiquei orgulhoso quando ouvi esta história. Hoje aqui vendo tantos desistindo acho que precisamos de mais Chefe Teobaldo na liderança de grupos escoteiros. Quem sabe assim iremos perder menos chefes e escoteiros? Quem sabe irão aparecer mais Chefe Teobaldo por ai?


Oi! Você! Isto, você mesmo! Você! Tem algum Chefe Teobaldo no seu Grupo?