Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Eles estão saindo do escotismo. Por quê?

Eles estão saindo do escotismo... Por quê?

Há tempos tenho visto que a Evasão no Escotismo se tornou uma epidemia sem controle. Poucos membros associados se preocuparam com esta saída e sabemos que pelo escotismo que os jovens estão recebendo não existem motivação para continuar. Nunca fui a favor do programa novo implantado. Tampouco fui a favor das exigências que fazem a cada dia ao voluntário. A falta de apoio direto, a falta de conselhos corretos para melhorar fez que no ano anterior quase 6.000 associados deixassem o escotismo. Sei que os motivos são muitos, mas a UEB não reconhece nenhum. Ela é capaz de introduzir em seu relatório que tudo vai bem obrigado. Estes artigos são um alerta. Sei que o mundo está girando e mudando de rumo, mas o dia que o escotismo deixar de lado o método e o programa de BP então chegaremos ao fim da encruzilhada. O escotismo não será mais o mesmo e agora sim, deveriam escolher outro nome, outra metodologia e um programa que procure dar o que os jovens desejam. Muito obrigado a todos que deram suas opiniões. Sempre Alerta
  
Chefe Osvaldo

 


Conversa ao pé do fogo.
Eles estão saindo do escotismo... Por quê? Parte I.

                          Porque estão saindo? Se isto acontece tem motivo. Mas quais? Até hoje ainda não temos uma politica de contenção para diminuir esta evasão. Nem mesmo sabemos quais os reais motivos. Temos sim bons chefes que com sua experiência apontam diversos fatores. Vejamos o que esta evasão produz de mal: - A qualidade não cresce a quantidade idem, o que pensava BP que precisaríamos segurar o jovem por pelo menos dez anos não acontece mais. A evasão é tão grande que mais parece um sistema rotativo de entra um sai outro. À medida que a juventude cresce, passa a integrar a sociedade como um todo. Se eles aqueles que passaram pelas fileiras Escoteiras e não tem boas lembranças, dificilmente serão os que irão fazer um proselitismo das vantagens educacionais do escotismo. Sabemos que não somos reconhecidos pelas autoridades em nosso país. Ainda não aprendemos a mostrar nossa força claro, se há temos. Poucos estão devidamente preparados para em poucas palavras, dizer o que somos e o que pretendemos.

                         Sem uma união em termo do tema, nada iremos conseguir mudar este caminho de perda tão nefasto. Sei que muitos poderiam dizer o porquê não crescemos, o porquê não existe mais aquela procura do passado e teremos outros que bem formados no escotismo terão exemplos pessoais para dar. Sem entrar aqui no mérito do conhecimento, ou da afirmação que está tudo bem, irei apresentar em quatro artigos sucessivos, minha opinião vivenciada no escotismo que conheci. Não pretendo entrar em desacordo com nenhum dos que discordam, mas lembro de que só iremos estancar esta sangria quando nos dispusermos a analisar, pesquisar, conversar e aceitar sugestões dos diversos núcleos Escoteiros do país. Isto englobaria todos, desde o mais humilde grupo até a Direção Nacional. Citaria de antemão quatro motivos do porque muitos estão abandonando as fileiras do escotismo:

-  Programa. Ele não atinge os objetivos para motivar os jovens.
- Apresentação pessoal. Tudo que foi apresentado até hoje não surte os resultados esperados.
- Formação qualificação do Chefe. Deixou-se muito dos objetivos de BP pensando que hoje a modernidade exige outro tipo de abordagem e apresentação.
-  Ouvir sempre o ponto de  vista do jovem. Dizem que sim, mas não está sendo feito.

               Abordarei proximamente em cada tema minha opinião sem fugir dos padrões existentes. Todos eles merecem sem sombra de dúvida uma discussão por todos os interessados. Quem sabe precedida de uma grande pesquisa nacional. Lembro que posso estar errado, mas nossos olhos precisam se voltar para estancar a saída em massa dos jovens e dos adultos do escotismo. Cada caso é um caso. Cada Grupo Escoteiro tem sua personalidade própria. Sem ter a opinião deles dificilmente acharemos o caminho para o sucesso. Inicio minhas ponderações com o programa feito para o jovem e não vou entrar no mérito de cada exposição.  Vou simplesmente exemplificar  uma bela charge que tem mais de cinquenta anos de idade. Ela diz tudo:

PORQUE ELE DEIXOU O ESCOTISMO?
Ele pensou que seria assim: Diferente de sua escola, diferente do que fazia com seus amigos do bairro, ele poderia ter aventuras que nunca teve, aprenderia no campo a vida de um explorador. Iria colocar uma mochila e sair por aí seguindo o vento. Iria acampar muitas vezes, iria dormir em barracas, ver a estrela no céu. Iria construir Ninhos de Águia, escada de cordas, iria subir e descer de uma árvore por nós incríveis que iria aprender. Atravessaria rios e vales em Falsa Baiana, em Comando Crow. Aprenderia a fazer pontes, jangadas, iria explorar cavernas, bosques, montanhas e tantos mais. Iria correr pelos campos, ver pássaros incríveis, seguir pistas na floresta, descobrir uma nascente, pescar um belo peixe, e com sua bandeirola iria enviar mensagens por enormes distâncias, o Morse à noite com sua lanterna iria brilhar, e os jogos especiais? Ele um índio ou um soldado? Que bela maquiagem faria. Os famosos boina verdes seria pé de chinelo perto dele. Iria se preparar para o negrume da noite, acender um fogo, pular uma fogueira e cantar! Representar com seus amigos, contar uma bela história. Iria aprender dezenas de nós, Escoteiros e marinheiros. Iria aprender a seguir o rumo, dominar uma bússola, ler mapas e partir para grandes atividades aventureiras. Teria seu cantil para beber água da fonte, teria sua faca mateira. Iria aprender a usar seu facão, seu canivete e quem sabe gritar alto: - Madeira!

PORQUE ELE DEIXOU O ESCOTISMO?
Não foi o que pensava. Tempo demais na bandeira, tempo demais do palavrório, Monitor mandão, sala com cadeiras e ficar sentado vendo chefes escrevendo, desenhando sinais de pista. Tudo igual ao que ele fazia todos os dias na escola. Um Monitor a sua frente ensinando sinais, nós, tempo demais. E os jogos? Sem graça, ele preferia um racha de futebol. Pelo menos se divertiria. Uma patrulha desanimada, poucos frequentando, a maioria faltando ou saindo. E ele se lembrou do seu Professor a exigir silencio e atenção. E as filas? Iguais as que fazia todos os dias esperando uma ordem de um adulto que não vinha. Lembrou-se das suas viagens pela internet, da sua casa, e pensou que tudo ali era igual. E os sorrisos e os abraços? Quase nenhum. Queria fazer a promessa, mas como demorou. A cada dia sentia falta dos seus amigos do bairro. Lá o programa era melhor...

                  Pois é, a charge diz tudo. Pode ser um dos principais motivos da saída do Escoteiro, do Chefe que não teve respaldo, do diretor que nunca foi elogiado. Não vou dizer do antigo programa de classes que foi suprimido e substituído. Ele poderia ter continuado com suaves modificações que o tempo se encarregaria de mostrar. Pelo menos era mais aventureiro. Mostrava como viver a vida de um mateiro, um explorador. O que aconteceu foi que bruscamente mudaram. Ninguém foi consultado. Quando foi feito pela primeira vez houve uma grita no antigo Orkut em um grupo, em que a insatisfação tomou conta. Em um mês mais de mil comentários. A maioria dizendo que era melhor sair. Mas não posso afirmar que só este seria o motivo principal da grande evasão. Tem outros. No proximo artigo irei comentar sobre a apresentação pessoal. Nem sei se ela poderia também ser descrita como causa provável.

                      Fiquem a vontade para comentar, copiar, compartilhar, discordar e sugerir. Não sou o dono da verdade, a única coisa que posso afirmar é que a evasão no passado não foi tanta assim. Era comum as patrulhas permanecerem juntas por anos e anos. Mas vamos descobrir juntos a verdade. Conto com você!

                       Ele entrou para o escotismo pensando que seria um aventureiro, um explorador, um herói que sempre sonhou. Assustou quando viu que não era. Tudo era igual a sua casa, a sua escola e ele tinha uma internet melhor que o que viu ali. Partiu para outra. Ali não era o seu lugar.




Conversa ao pé do fogo.
Eles estão saindo do escotismo... Por quê? – Parte II

Apresentação pessoal. Garbo e boa ordem.

                  Levamos dezenas de anos para incutir na população brasileira o que somos e como somos. Muitas frases ficaram celebres e até hoje citadas por boa parte da população e até na imprensa. Vejamos algumas: Faça como o Escoteiro, ele têm uma só palavra. Os Escoteiros fazem diariamente uma boa ação, isto é uma norma de conduta para eles. Esteja todos os dias Sempre Alerta, não fique desprevenido. Faça como os Escoteiros, eles estão sempre alegres. Seja como um Escoteiro, educado cortês e amigo. Melhore sua aparência, faça como um garboso Escoteiro. Era comum ver os jovens em seus uniformes  a saírem para os campos, ou mesmo desfilando em uma solenidade qualquer na cidade. Onde passavam eram reconhecidos e aplaudidos. O Chapelão se tornou um símbolo logo desfeito por diversos motivos. No passado as dificuldades eram inúmeras para se adquirir uma peça Escoteira, mas sempre se via todos muito bem uniformizados. Os chefes eram exemplos. Fazia gosto ver o porte, o orgulho em estar com um uniforme Escoteiro. Na própria direção nacional os dirigentes eram perfeitos em seus uniformes. Quem já teve um LP do Trio Irakitan vai se orgulhar em vê-los de uniforme. Estão perfeitos nas suas calças curtas. Gostaria de ver um cantor ou cantores famosos de hoje interpretando músicas Escoteiras  e vestindo nosso uniforme ou vestimenta.

                  Aos poucos foram entrando outros que não se solidarizaram com a calça curta. Começaram a vestir a comprida. Olhar para eles era ver que destoava dos demais. Mesmo assim tínhamos no seio da comunidade um enorme apoio. Éramos reconhecidos pelas autoridades educacionais. Tivemos um ministro da república como Escoteiro Chefe, Dr. Guido Mondim. O falecido Ex-Presidente José de Alencar se orgulhava do que escotismo que participou. Uma época de grandes personalidades assumindo a liderança Escoteira e jactando-se de terem sido Escoteiros. Onde anda um Almirante Benjamin Sodré? Ou um Arthur Basbaum Proprietário das Lojas Americanas e Escoteiro Chefe? Ou mesmo o Doutor Francisco Floriano de Paula um líder nato, que fez para o escotismo o que muitos grandes homens podiam fazer. Poderia citar outros tantos e cada estado da federação deve ter um deles para lembrar. Foi uma época em que havia orgulho no ar nos corações Escoteiros. Nunca se colocaria um lenço sem estar com todas as demais peças do uniforme. Nunca se saia para qualquer atividade sem estar devidamente uniformizado. Não importava onde e como. Que fossem acampar excursionar, fazer atividades aventureiras longínquas, o uniforme vinha sempre em primeiro lugar.

                Poderíamos ficar de camiseta nos acampamentos nos tempos livres e sem o lenço, mas com as demais peças do uniforme. Aprendíamos a lavar e passar a moda Escoteira. Nada servia de desculpa na hora das inspeções de campo. Unhas, cabelo, sapato engraxado, tudo era olhado. Época que todos tinham nos bolsos lenços e um pente pequeno. Todos tinham um orgulho da sua vestimenta ou uniforme. Infelizmente ou felizmente a modernidade tão apregoada começou a ter seu lugar ao sol. Criou-se o traje que antes era chamado de uniforme social. Do social que deveria ter sido veio o desleixo por parte de alguns. Vestia-se as cores que cada um gostava. A cobertura era qualquer uma, uma verdadeira confusão de estar ou não portando um uniforme Escoteiro. Havia discussões e discussões de escotistas que devíamos mudar. Sempre os novos que entravam e desfiavam uma serie de motivos para isto. O mote era que devíamos ter uma só postura e sermos todos iguais.

                       Nunca se viu alterações nos Escoteiros do Mar e do Ar. Ali impera o garbo e a boa ordem e até hoje isto acontece. Alguns anos atrás nos foi apresentado à vestimenta. Muitos apostavam neste novo uniforme. Havia inclusive comentários que muitos jovens não se aproximavam do escotismo por achar o caqui démodé. A vestimenta serviria para dar uma nova apresentação condigna do Escoteiro e da Escoteira na comunidade. Se tudo tivesse sido feito as claras, com consultas e transparência, se tudo tivesse feito para uma perfeita uniformização poderia ter sido uma boa ideia. Mas fizeram tudo sem consultas, esconderam a sete chaves sua forma e confecção. Vários tipos foram criados. Até hoje não entendo por que disto. Se tem uma região fria e outra quente bastava mangas curtas e compridas, calças idem. Ainda me pergunto por que aquele desfile de modas para apresentar uma vestimenta com mais de desesseis modelos. Seria uma forma bombástica da implantação de uma nova era?

                      A UEB fez e faz de tudo para que esta vestimenta seja levada a sério. Vejam o que disse um formador, um Velho Lobo calejado por anos e anos de serviços a União dos Escoteiros do Brasil sobre a vestimenta: - Estão saindo adultos e crianças! Sabe qual e o nosso temor? Que parem de entrar... Se os pais olharem os Escoteiros com o vestuário novo, que como exemplo cito a Missa Escoteira no mês anterior, não irão permitir que os filhos participem. Vi ali uma bagunça generalizada. Cada um mais “esculachado” do que o outro. Vão assim acabar com a nossa imagem. Se os chefes não derem exemplo e não orientarem explicando a diferença fundamenta da ordem vai virar bagunça! Não são palavras minhas. Meus comentários já foram ditos em outros artigos aqui. A UEB não poderia ter sido mais explicita na sua norma de uso? Já que não levou em conta os demais associados na implantação poderia ser mais comedida nas escolhas pessoais. O que está feito não tem volta, mas ainda dá tempo para corrigir. Compete aos dirigentes fazerem isto. Suprimam esta quantidade de peças absurdas. Determinem como se deve se apresentar os associados com a vestimenta. Calça curta com meia curta de diversas cores não explicita o orgulho do uniforme Escoteiro e qual a cobertura a ser usada.

                      Levamos anos e anos para criar um hábito de comportamento com o caqui. Um uniforme que até hoje é reconhecido de norte a sul do Brasil. A maioria dos novos associados aderiram à vestimenta. Queira ou não ela já é o traje oficial da UEB. Mas do jeito que ela é apresentada eu tenho minhas dúvidas se em vez de arregimentar jovens e voluntários se não os está afugentando. Não tenho dados, mas foi a partir da implantação da vestimenta que houve uma debandada de muitos chefes antigos do movimento. Será que podemos nos orgulhar quando formos a uma atividade social para se apresentar a sociedade brasileira, como eles dirão com esta parafernália de escolhas pessoais? O que eles irão pensar de nós? Por outro lado eu fico em dúvida se ela aguenta uma forte atividade aventureira de jovens escoteiros em excursões e acampamentos. Lembremos que estamos perdendo para outros folguedos, outras organizações, outras formas de diversão de muitos jovens que abandonam as fileiras escoteiras. Um país com a nossa dimensão, com mais de duzentos mil habitantes não pode ficar quase em último lugar proporcionalmente em número de membros praticantes do escotismo nas Américas. Não se trata de uma competição e nem tampouco uma corrida de primeiro lugar. Afinal dos dez países que iniciaram o escotismo fora da Inglaterra em 1910, o Brasil está incluído. Temos que pensar na nossa autopreservação.

Esqueçamos o mote que o lugar apropriado para discordar e apresentar soluções são nas Assembleias. Esqueçamos o mote que sempre a culpa são dos chefes. O caminho percorrido até agora não foi dos melhores. Eu sempre gosto de repetir o que disse John Thurman no seu artigo os sete perigos. (escrito em 1955). Ele foi durante muito tempo Chefe de Campo de Gilwell Park: - Os únicos capazes e possíveis de pôr o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.

Amanhã mais um capítulo da série - Eles estão saindo do escotismo... Por quê? Até lá discutam, comentem compartilhem, todos precisam saber que nós os chefes também sabemos pensar e ter opiniões! – Até lá!


- O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso tanto para os dirigentes como para os rapazes e moças. Em alguns países, há o perigo de se pensar em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E vocês todos sabem que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho.







Conversa ao pé do fogo.
Eles estão saindo do escotismo... Por quê? – Parte III.

- Levar em conta o ponto de vista do jovem. BP.

                   Um terceiro tema que poderia colocar no rol das possíveis causas da saída dos jovens e neste caso não engloba o adulto, é o tema mais conhecido desde que assumimos uma responsabilidade no movimento Escoteiro. O escotismo tem como meta a formação do jovem, e neste caso ele é o mais interessado em um programa agradável e que lhe prenda pelas suas habilidades em ser diferente de todos os que ele conhece. Eu não posso em sã consciência afirmar que isto não acontece, mas sei de muitos que levam a sério o programa e o método que nos foi deixado por Baden-Powell. - Se o nosso Movimento é uma fraternidade livremente aceita, e não tem caráter de obrigação, o adulto só atua com supervisão. Ele (o Escotismo) pretende fazer com que o jovem participe de uma sequência de atividades, adaptadas a sua idade, exercitada principalmente ao ar livre, ajudando uns aos outros, confiando-lhes responsabilidade e assim acreditando que seu caráter se afirme. Só assim é possível que ele se torne também capaz de cooperar e liderar! 

                     Já vimos que nos países avançados, existe a prática da demonstração e a da descoberta, às atividades ao ar livre e a aprendizagem em pequenos grupos de fazer para aprender. Estas são técnicas escoteiras que conhecemos de outra maneira. Quem sabe, talvez pela repetição pura e simples dessas técnicas, dos jogos e até a completa ausência do método nas atividades práticas da tropa, trouxe aos olhos do publico um desinteresse grande. Em alguns casos alguns educadores nos consideram um Movimento excessivamente infantil e nos domínios da educação somos vistos como atrasados e ineficazes. Seria isto verdade? Quando BP reuniu em 1907 na ilha de Brownsea na Inglaterra 20 jovens de diferentes meios socioeconômicos e educativos, ele trouxe uma enorme contribuição educacional que, na época estava estagnado. Assim o Escotismo veio dar uma visão mais abrangente às escolas e estas é que até hoje estão tirando partido das técnicas escoteiras de demonstração, observação e dedução, aplicando-as às suas classes. Às técnicas de aprender fazendo e tentar fazer sem saber, até descobrir o certo através do erro, sempre foram partes do método Escoteiro. Confiar no rapaz para que ele próprio seja responsável pela sua auto-educação e disciplina sempre fizeram parte do Escotismo.

                   Pensava BP que para termos o sucesso esperado, era só dar liberdade ao jovem para que ele próprio fosse o responsável pela sua auto-educação e disciplina. Dar liberdade ao espirito de competição e da aventura, através de jogos, acampamentos e excursões. Este seria o Programa Escoteiro e que hoje muitos ainda não entenderam bem o que isto queria dizer. O escotismo têm o melhor sistema de educação do mundo, afinal nós temos uma base excelente e sem similar para realizar isto: - A Patrulha! - Ali os jovens podem viver trabalhar e jogar em seu próprio grupo. Não vou me iludir e afirmar que o mundo evoluiu, a juventude já não é mais a mesma do passado. No entanto temos muitos falando pelos jovens, dizendo o que eles pensam, programando e alterando o melhor que existia para ele: O sonho aventureiro, a vida no campo e tantas mais que muitos hoje deixam no ostracismo. Ouvir o ponto de vista do rapaz se tornou obsoleto apesar de que muitos afirmam que fazem isto. Pensando que nos últimos tempos muitas mudanças foram feitas. Em termos gerais poucos jovens foram consultados.

                   Ultimamente tenho visto opiniões diversas sobre o método Escoteiro e o programa Escoteiro. Vários pedagogos, psicólogos e tantos ilustres professores vêm no escotismo uma fonte enorme de estudo. São capazes de analisar teoricamente tudo que o escotismo precisa, dão sugestões e até mesmo  fazem artigos mostrando o que precisamos para alcançar o interesse do jovem. Em palavras teóricas falam maravilhas de um novo método, calcado em posições positivas para melhorar nosso escotismo, baseados numa releitura compatível com o mundo de hoje. Muitas foram às mudanças. As defesas dos que fizeram isto foram prodigas em ter outros seguidores. Sempre em nome de uma nova tendência mundial ou mesmo calcada na nova ordem universal onde os jovens são descritos de maneiras incríveis e para isto tudo deve mudar. Os resultados não foram encorajadores. Ninguém se voltou para isto. Continuam afirmando que o mundo é outro os jovens são outros e a seara de uma nova era continuou. E os resultados? Lembro que falo em nome de mais de mil grupos no pais. Cada um com sua característica. O jovem do norte não é o mesmo do sul.

                   Eu ainda insisto muito que ou confiamos no rapaz para que ele próprio seja responsável pela sua auto-educação e disciplina, ou então devemos nos ater a fazer um novo escotismo que não àquele que BP nos deixou. O que acredito é que um programa sem a anuência dele não tem valor. Isto inclui uma ampla pesquisa e não aqueles grupos mais aquinhoados cuja chefia tem os melhores em seus quadros. Se ele prefere a tecnologia e metodologia que e jogado a cada minuto de sua vida e que aquele escotismo aventureiro não tem mais lugar na sua formação, eu prefiro ouvir de seus lábios. Afinal mudamos tanto sem ter nenhuma experiência para ver se os resultados foram bons. Se existem grupos bem formados. Se o novo método e programa está fazendo com que muitos desistam no meio do caminho temos errado em dar continuidade. Está na hora de repensar o programa e isto seria precedido de uma experiência em pequenas tropas e ver se o resultado da permanência do jovem melhorou.

                    Sempre afirmamos que o jovem quer isto ou aquilo. Pelo menos pelo que vejo não está satisfeito com o escotismo que recebe e por isto está desistindo. Simples não? - Se a UEB fizesse uma pesquisa séria sobre isto, quem sabe poderíamos ver muito onde estamos errando. Saber qual a porcentagem de permanência por idade, saber até onde anda o crescimento individual e coletivo. A preocupação do passado nos cursos de formação com respeito ao melhor que o escotismo tem como o Sistema de Patrulhas deve voltar de maneira especial. Não sei como anda o conhecimento, ou melhor, dizendo o grau de adestramento dos nossos chefes de sessão. Não sei se eles estão recebendo o melhor que o escotismo pode dar, olhando sempre as palavras do fundador. Sinceramente fico preocupado com esta obsessão de métodos que não alcançam a maioria dos membros voluntários. A preocupação hoje está voltada para chefes com maior grau de instrução. Como não sou um doutor quem sabe eu posso estar errado. Mas afirmo não estou errado em dizer que estamos falhando e insistindo no erro. 

                    Sei que muitos poderiam me citar a participação dos Jovens Lideres, um núcleo criado pela UEB cuja finalidade seria importante para dizer que estão a ouvir o ponto de vista do rapaz. Não desqualifico, mas eles são formados por jovens de 16 a 27 anos. Eu sem menosprezar a nenhum deles, nem sei se foram consultados nas alterações que a UEB implantou. Convenhamos que e melhor deixar a politica escoteira de lado e pensar se nossos jovens Escoteiros, Escoteiras, seniores guias e até os lobinhos estão participando das ideias, dos programas das atividades que são realizadas com eles. Penso que temos três pontos a serem seriamente observados - O Sistema de Patrulhas aplicado corretamente – Os diversos órgãos na tropa funcionando a contendo: Corte de Honra, Conselho de Tropa, Conselho de Patrulha. – Sempre ouvir o ponto de vista do jovem. Não afirmo que estes são os motivos da grande evasão. É mais um tema para meditar.

 Amanhã o último capítulo da série - Eles estão saindo do escotismo... Por quê? Até lá discutam, comentem compartilhem, todos precisam saber que nós os chefes também sabemos pensar e ter opiniões! – Até lá!

É possivel que estamos fazendo o escotismo com austeridade demasiada. Acho que tendemos a nos fazer demasiado respeitáveis e a nos converter em um movimento para apenas os rapazes bons, em vez de levar o Movimento para os rapazes que dele necessitam. O Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo.






Conversa ao pé do fogo.
Eles estão saindo do escotismo... Por quê? – Parte IV.

O adeus sem volta dos chefes e diretores voluntários do escotismo.

                 Uma vez eu escrevi um artigo cujo título foi A Legião dos Esquecidos. Comentava da saída de voluntários do movimento Escoteiro que nunca mais foram procurados pelos nossos dirigentes. O que fizeram ou os sacrifícios que muitas vezes lutaram para preservar o bom nome do escotismo e ao mesmo tempo sua luta para a formação da juventude, não passava de obrigação por parte deles. Foram esquecidos. Nem uma carta, um e-mail nada que pudessem saber que alguém se lembrou deles. Nossos dirigentes não se importam com quem foi embora. Quem sabe não se importam nem com quem está na linha de frente. Pergunta-se porque saíram? Porque deixaram o escotismo? Se eles um dia adotaram o escotismo como filosofia de vida e seu amor ao escotismo hoje nem lembrados são. A participação do adulto no movimento Escoteiro não é fácil. O sacrifício e enorme. Luta-se pela sobrevivência, luta-se para ser reconhecido e se não fosse o sorriso da criança nada mais teria valor. Muitos ainda insistem, mas a falta de apoio não só dos órgãos Escoteiros como da comunidade é fato comum. Os grupos bem estruturados não se ressentem disto, os pais são trabalhados para participar e sabem de suas responsabilidades. Eles dão sustento à continuidade em todas as áreas do Grupo Escoteiro. Ainda bem que tem chefes bem formados na escola Escoteira. Assim fica mais fácil.

                 Existe uma gama de chefes que mesmo continuando na ativa se ressentem do tratamento recebido pelas autoridades Escoteiras, e até mesmo de membros do próprio grupo. Nem sempre recebem sorrisos e elogios. Se não fizerem um pedido burocrático para um diploma de mérito ou uma condecoração, ou outra forma de agradecimento eles nunca serão lembrados. O papel em primeiro lugar. Um telefone? Um e-mail? – Olá Chefe, obrigado por estar conosco. Isto não existe. Os que estão chegando ainda estão com aquela motivação própria dos que chegam para ajudar, para somar esforços. A partir do momento que aprendem como funciona a engrenagem da associação, começa a vontade de por o boné e sair por ai cantando a canção da despedida. Eles aprenderam que a Lei e a Promessa diz muito, mas poucos da liderança a cumpriam. Sabiam que não estavam atrás de medalhas, de elogios, mas o tratamento sempre deixa a desejar. Outros acreditam que a disciplina é esta e não questionam. Alguns se escondem nos seus puros pensamentos que ajudar a juventude vale qualquer esforço e acreditam mesmo  que fatos no dia a dia de sua jornada Escoteira demonstrem o contrário.

                  Faltam-me dados completos para afirmar os motivos que levaram chefes voluntários a abandonar o Movimento Escoteiro. O que escrevo muitas vezes me foi passado por chefes que me escrevem que me telefonam ou mesmo quando posto um artigo e lá esta entre comentários os ressentimentos de muitos. Estão errados? Os mais comedidos ou os mais esclarecidos sempre defendem o indefensável. Eles ainda acreditam que precisamos andar com nossas próprias pernas e vencer as adversidade. Concordo em parte. Mas para que temos uma liderança? Para que eles estão lá a dirigir ao seu modo o escotismo que acreditam? Valorizam por acaso os voluntários? Colaboram com eles? O que vejo é receber e nada em troca. O voluntário é cobrado de varias formas, inventam normas para ele, fazem dele um mortal qualquer que na legislação de nosso pais tudo tem de ser provado. Provar que é leal? Que tem palavra? Isto então pode ser obtido em um cartório local? O papel com firma reconhecida prova tudo da sua lealdade ao escotismo?

                    Não falo dos grupos bem estruturados. Eles tiveram a sorte de ter lideres bem formados, conhecedores, com um passado Escoteiro e sabedores como agir. Mas eles são poucos,  e muitas vezes fechados dentro de sí mesmo. Seus exemplos não são fáceis de seguir. Os grupos menores ou os mal estruturados vão tentando sobreviver e seus chefes lutam com tremenda dificuldade. Não é fácil começar um Grupo Escoteiro. A sede própria é um sonho para poucos. Um cantinho hoje pode ser o despejo de amanhã. Como o movimento peca por não ter credibilidade e ao mesmo tempo por falta de apoio, o diretor hoje pode retirar a sede Escoteira que foi cedida pelo diretor de ontem. Nem o papel assinado tem valor. Vereadores mudam seu teor. Prefeitos não ligam. O escotismo não é reconhecido pelas autoridades. O Chefe se vê perdido. Busca uma ajuda que não tem. E ele então pergunta: - Onde estão nossos lideres?

               Sabemos que não há respaldo por parte das autoridades politicas e empresariais. Como a nossa estrutura não é pequena, manter tudo isto custa dinheiro, tempo e isto poucos Grupos Escoteiros conseguem. Na maioria nem mesmo o apoio dos pais eles conseguem. Temos como norma sermos apolíticos. Isto é bom. Mas ao mesmo tempo não temos o apoio que precisaríamos para dar aos chefes voluntários condições de conduzir suas sessões ou mesmo o grupo como um todo. Não temos representatividade no seio da comunidade. Muitos dos nossos chefes voluntários se mantem com sua própria condição financeira. O curso muitas vezes distante tem taxas que nem todos podem pagar. Pais, mães e outros que se aventuraram na senda Escoteira sabem que em primeiro lugar vem sua família e depois o escotismo. Mas a verdade mesmo é que a maioria paga do próprio bolso sua manutenção no escotismo e muitas vezes dos seus jovens.

                 Muitos reclamam por falta de apoio dos distritos, regiões ou mesmo pela direção nacional. A estrutura Escoteira está alicerçada em cima de um Estatuto, que não da o poder democrático a todos. “Lembro-me de uma parábola de Cristo onde ele dizia que muitos serão chamados, mas poucos os escolhidos”. O poder está em mãos de poucos.  Sabemos da prepotência de muitos, o sonho de ser alguém, a dominação por uma disciplina quase imposta sem nenhuma chance de dar ao Chefe voluntário, o que qualquer organização ou associação prezaria: - A Democracia. A defesa desta maneira autoritária é uma arte que muitos que estão na liderança defendem. Esquecem que somos um movimento de amadores e querem de um dia para noite nos transformemos em profissionais. Temos salário? Que disciplina é esta que não dá a todos a oportunidade de discordar, de sugerir e votar?

                       Se esta for uma razão da evasão de muitos chefes e diretores voluntários é preciso mudar. Não podemos ter uma direção que não pensa em ajudar e colaborar com seus voluntários. Se decretos e normas resolvessem o Brasil seria um paraíso. Que procurem de uma maneira valorizar o trabalho dos voluntários em suas unidades Escoteiras. Se não existem profissionais pagos para tentar resolver os problemas deles, que pelo menos escrevam, sugiram, mas lembrando sempre que cada caso é um caso e o Acre é diferente do Rio Grande do Sul. Os cursos devem se voltar mais para estes fatos e não os burocráticos cursos de hoje que acham no Chefe um representante profissional em muitas áreas que eles não dominam e nem devem dominar. Esta debandada deve se melhor estudada. Sei que não podemos confiar nas autoridades. O quase fracasso do Escotismo nas Escolas foi um exemplo que muitos já sabiam que ia acontecer. Esta frente Parlamentar até hoje foi um blefe. Precisamos mostrar nosso reconhecimento ao novato voluntário e claro o antigo também. Precisamos ouvir e dar uma resposta que o satisfaça.

                    Um Chefe meu amigo e que está lá no céu sempre me dizia: Chefe Osvaldo é o escotismo quem precisa de você e não o contrário. Mas e então? Porque tantos lutam por uma causa  tão valida, e nunca são reconhecidos por parte de nossas autoridades Escoteiras? Para tudo é preciso ser subserviente, implorar e aceitar o que não acham válido. Todo caminho para o sucesso tem um começo. Os primeiros passos não podem acontecer com um só. Ou todos partem para uma solução ou então  mais cedo ou mais tarde irão pertencer a Legião dos Esquecidos. E chega de explicações que não deram certo. A evasão é uma realidade, explicar o inexplicável não trará o retorno dos que se foram.
 Não esqueçam comentem, compartilhem, precisamos de união, novas ideias, envolver o maior número de chefes voluntários nesta discussão. Sabemos que uma andorinha só não faz verão!


“A maior ameaça a uma democracia é o homem que não quer pensar pôr si mesmo e não quer aprender a pensar logicamente em linha reta, tal como aprendeu a andar em linha reta”. A democracia pode salvar o mundo, porém jamais será salva enquanto os preguiçosos mentais não forem salvos de si mesmos. Eles não querem pensar, desejam apenas ir para frente, seguindo a ponta do nariz através da vida. E geralmente, estes, alguém os guia puxando-os pelo nariz! - Saia da sua estreita rotina se quer alargar sua mente. Baden-Powell.








Conversa ao pé do fogo.
Eles estão saindo do escotismo... Por quê?

Considerações finais.
                     Quatro artigos, quatro temas tentando analisar o porquê eles estão saindo do escotismo. Foram quase 6.000 em um ano. Alguns dizem 5.720 e outros 5.000. Não importa é um número expressivo. Comparativamente tivemos anos com melhores números de associados. Alguns quase suplantaram o ano de 2014. Pode ser que alguns dos que saíram ainda estejam fazendo escotismo. Desistiram do registro ou desistiram da UEB? Claro que ela não reconhece sua culpa. Sabe que muitos perceberam este êxodo, mas não dá o braço a torcer. Para ela tudo continua um mar de rosas. Ela é  Incapaz de vir a público para reconhecer que suas mudanças não deram resultados. Sabíamos da evasão a tempos, um entra outro sai. Agora no entando a debandada foi demais. Ela foi prepotente em colocar no seu relatório que estão crescendo. Francamente eu não entendi o porquê. Falta-lhe humildade para reconhecer seus erros? Melhor deixar para os politicamente corretos explicarem o inexplicável? A CULPA SÃO DOS CHEFES! NÃO ESTÁ SATISFEITO? VÃO RECLAMAR NA ASSEMBLÉIA. SE ACHAM QUE PODEM MUDAR CANDIDATEM-SE E ALTERE O QUE PRECISA SER ALTERADO! Como diz um comediante: È bonito isto! Ou melhor... Faça-me de bobo que eu gosto!

                   Eu acredito que muitas das causas não foram só dela. Talvez pela falta de apoio, pela falta de bons cursos, pela falta de transparência a UEB deveria assumir suas culpa. Muitos jovens deixam o escotismo porque os chefes não estão preparados para aplicar um programa que os agradem. Até acredito que os cursos de hoje deixam muito a desejar. Aplicam um didatismo que não condiz com o sentido da aventura, do sistema de patrulhas, da descoberta do fazer fazendo. Eu ainda insisto que sem ouvir o jovem esta debandada irá continuar. São poucos os que fazem isto. Em nome dos jovens eles tem a solução na mão. Alguns dizem que tem um programa espetacular, mas eu pergunto, os jovens foram consultados? Eles colaboraram na confecção deste programa? Cada um deve se lembrar de quando da primeira mudança do programa de jovens que a UEB fez. Em pouco tempo teve de mudar. Em ambos os casos não houve experiências nas tropas para verificar se o programa era bom ou se deviam mudar. Simplesmente disseram: - Agora é este.

                   Vemos uma parafernália do marketing da UEB em suas ações. Marketing inacessível para muitos mortais cuja luta pela vida é desigual. Os cursos, as atividades regionais e nacionais e até internacionais não alcançam o Escoteiro mais humilde. Porque continuar em uma associação que os programas que ele gostaria de participar não pode? O jovem não é tolo. Ele e ela sabem perfeitamente se ali é seu lugar. Existem grupos e grupos, uns mais outros menos. Mas a grande maioria que a UEB usufruiu dos números anuais para alardear o crescimento veio destes mais pobres. Aqueles que lutam por um lugar ao sol. Para eles não interessa se serão Grupo Padrão Ouro, ou Prata, ou Bronze. Querem sim fazer escotismo, mas não sabem como fazer. Enquanto no sudeste e no sul se esbanja Grupos Escoteiros bem formados cheios de pompa o mesmo não acontece em estados longínquos. 

                     A gama enorme de novos chefes voluntários fez deles (nem todos) muitos sonhadores em fazer o escotismo que não tiveram a oportunidade de fazer na infância. Esqueceram que eles são espectadores e seus jovens e que precisam do escotismo. Eles ainda não sabem que o jovem tem de andar com suas próprias pernas e que fazer fazendo até aprender o certo faz parte do caminho para o sucesso. Quantos já leram os livros bases do fundador: O Escotismo para Rapazes, O Caminho para o Sucesso e o Guia do Chefe Escoteiro? Estas literaturas estão aí para dar um caminho, diferente daquele que a UEB acredita. Já me disseram que o Para ser Escoteiro do Floriano hoje é procurado por muitos chefes. Poderia acrescentar o Guia do Escoteiro do Velho Lobo, O Almirante Benjamim Sodré. Não digo que tudo deve ser alterado. Uma adaptação do passado com o presente seria a melhor solução. Simplesmente dizer que hoje o jovem quer outro tipo de atividade, que a parafernália eletrônica mudou muito sua maneira de pensar é querer enganar a sí próprio. O jovem ainda tem o sonho aventureiro. Esqueceram-se de dar a ele e muitos nem sabem que isto existe.

                     Por favor, não culpem os chefes. Eles até podem ter sua parcela de culpa, mas a responsabilidade é única e exclusiva dos dirigentes. Foram eles que produziram os belos programas que não deram certo. Foram eles que fizeram do Chefe Voluntário um homem servil, subserviente, sem poderes para decidir os rumos a tomar. Em tempo algum se preocuparam em ter profissionais mesmo que em número reduzido, para viajar pelo seu estado ou pelo Brasil para ajudar a quem precisa.  Ainda persiste o sonho de ser alguém de ser um líder dirigente e formador. Cada estado tem os seus e outros na fila de espera. As fotos deles viajam pelas redes sociais.  Esperava-se que a direção seria um órgão diretivo para colaborar e participar de todas as formas necessárias e não se fechar em uma redoma de vidro se preocupando em ter as finanças em dia. Seria bom uma virada de mesa e ter mais um pouco de uma dose de boa vontade com os mais humildes que tanto precisam. Vamos distribuir sim as responsabilidades, mas as maiores são exclusivas da UEB.  

                    Uma dose de humildade não faz mal a ninguém. Reconhecer os erros sempre foram fatos históricos de grandes homens. Que eles procurem falar melhor para o povo Escoteiro e não para os pedagogos e psicólogos que tem na mão a salvação do escotismo e não enxergam que nada está dando certo. Que eles procurem encher seus bornais com as burras de dinheiro de suas suntuosas atividades nacionais e regionais, mas que este seja dirigido para os que precisam, para que os cursos sejam gratuitos. Que muitos possam receber um telegrama como eu recebi em 1963: Informamos que separamos uma verba para que seu grupo envie até dois chefes para um CAB (Curso de Adestramento Básico) na Capital do Estado. Serão cinco dias e todas as despesas pagas, inclusive transporte ida e volta. A Região de Minas Gerais agradece a participação de todos. Utopia? Precisamos ser realista. Não temos respaldo, não temos um programa que motive os jovens. Não temos apoio dos educadores nacionais e nem com as autoridades constituídas. Esta Frente Parlamentar poderia ser um caminho, mas ela precisa andar e provar que tem validade. (nem sei se nela tem alguém incriminado na Lava Jato) A UEB precisa fazer o necessário para um Marketing bem feito em todo o pais do que é e a validade do escotismo na formação de jovens. Aí sim, poderíamos precisar da colaboração de boas Agencias de Publicidade assessoradas por escotistas conhecedores do assunto.

                          Precisamos mostrar que não somos vendedores de biscoitos ou aqueles que ficam no poste esperando a velhinha atravessar a rua. Quem dera se tivéssemos influentes conferencistas, palestristas para propagandear o escotismo nas escolas, empresas e em toda a sociedade brasileira. Este sim deveria ser o programa para o futuro e não aqueles que nunca irão atingir a meta que esperamos para o escotismo nacional.  Precisamos deixar de lado esta mania de grandeza, os sabe tudo da vida deveriam se espelhar em Mahatma Gandhi ou um Martin Luther King Jr, que pela paz, pelo amor ao próximo conseguiram mudar as ideologias do Grande Irmão e venceram sem usar a força. Fico por aqui. É hora de mudar de rumo e voltar a minha velha seara de contador de histórias. Histórias da carochinha, histórias de Sherazade, histórias épicas, histórias de Escoteiros e as mais Lindas Lendas que encantam a juventude Escoteira no Brasil. É hora de entreter a escoteirada. Eu gosto deles e de vê-los com seus olhinhos a olhar o contador de história como se fosse uma das personagens que ali aparecem. Entretanto ainda acredito. Mesmo sabendo que é um sonho porque não sonhar?

                       Obrigado a todos vocês que me deram a honra de curtir, de comentar, de compartilhar, de alertar aos amigos dos temas que eu escrevi. Honrado em saber que tenho tantos amigos e amigas.

Lembrando o saudoso Dr. Spock, VIDA LONGA E PROSPERA A TODOS VOCÊS!

 
Nos momentos difíceis, um sorriso nos 99% das dificuldades. Sedes constantes: - Muitos fracassam pôr falta de vontade, paciência e perseverança. Não me distingui em nada, mas provei muitas coisas que me permitiram gostar das alegrias que o mundo oferece. Nunca pensaram que a vida de um homem adulto de 70 anos é feita de 291 mil horas de vigília? A maioria das pessoas dorme 8 horas quanto bastam 7 horas. Quem dorme 7 horas, ganha na vida três anos! Baden-Powell.


FIM

domingo, 10 de janeiro de 2016

Os doces da minha infância.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Os doces da minha infância.

                         Verdade seja dita, hoje meu paladar já não é o mesmo de outrora. Quem sabe minhas lembranças voltam no tempo para lembrar como era gostoso meu apetite, meu aroma paladar, e os doces? Putz! Sempre adorei doces e olhe não importam quais eram. Minha mãe era batuta para fazer uma cocada, um pudim, uma brevidade, nossa! Nunca esqueci o dia que ela fez pastel de banana da terra com muito chocolate. Demais! Quando criança nosso paladar só de lembrar fico com a boca cheia d’água, vontade de comer e ficar olhando para ver se tem o “quero mais” o que sobrou no prato e ninguém quis. Tenho lembranças dos deliciosos doces que comi, mas nunca foi um doceiro. Um dia em um acampamento achei vários pés de mamão carregados. Pensei comigo, vou construir um ralador e ralar dois para fazer doce. Esqueci que nosso açúcar era somente para o café da manhã. Nosso cozinheiro de olhos arregalados me via ralando o mamão e pensando: - E o doce? De onde ele vai tirar? Ainda bem que o Senhor Teobaldo tinha um sítio próximo. Corri lá e ele me deu uma rapadura. Beleza. Terminei o doce de mamão com rapadura derretida. A turminha em volta. Comeram a mais não poder. Claro doce é doce, come muito e é dor de barriga na certa.

                       Nas nossas andanças no cavalo de aço (bicicleta) não esqueço quando fomos próximo a Guanhães. Não era na cidade o nosso destino. Uma fazenda do Pai do Ildeu e foi ele quem disse que haveria uma grande festa na noite de São João. Não era perto, mais de quinze léguas (mais ou menos 90 km.) e saímos cedinho. Erramos o caminho. Duas horas da tarde sol a pino e vimos uma vendinha na beira da estrada. Paramos para perguntar. Gente! Havia em cima de um prato um pedaço lindo de um pudim de coco. Minha boca encheu d’água. – Quanto? Ele me disse um real (dinheiro de hoje). Eu tinha. Paguei com gosto. Olhei para o pudim, olhei para Romildo, o Ze, o Chico, o Fumanchu e o Israel. Todos eles me olhando. Era o último pedaço do pudim, não havia outros. Não havia saída. Peguei minha faca escoteira e dividi em seis pedaços. Uma miséria cada pedaço. Mal deu para tirar o gosto. Todos sorriam e eu fiquei a ver navios, pois meu pedaço caiu no chão e se encheu de pó vermelho da estrada.

                        A gente adorava doces. Qualquer aniversário corríamos para lá. Comíamos a mais não fartar. Época boa, ninguém tirava para levar para casa. Hoje é tudo moderno, ninguém sai sem um saquinho para como se diz? Minha avó não pode vir, posso levar? Dizem que agora é moda mandar fazer um saquinho ou uma tapoers (Tupperware) com o marketing da festa ou de quem a ofereceu. Mundo moderno é outra coisa. Lembro que um dia minha mãe fez um Rocambole de Doce de Leite com Chocolate. Lindo de morrer! Cortou uma fatia e meu deu. Putz! Bão demais! – Tem mais mãe? Não, vou levar no aniversário do Totonho da Maria! Ela disse – Danado de Totonho. Mamãe saiu e fui até a cozinha. Olhei o Rocambole. Peguei a faca. Minha consciência doeu. Roubar? E se minha mãe descobrisse? Ela naquela época nem sabia do ECA. (estatutos da Criança e do Adolescente) Hoje em dia dizem que bater em criança é crime. A vara de marmelo atrás da porta que o diga. E o seu chinelo? Chinela na bunda doía demais. Não resisti, peguei um pedação e fui para debaixo do pé de manga. Comia gostoso. Ouvi um pigarro. Olhei, era minha mãe. Quem caça acha. Levei umas três ou quatro varadas e duas chineladas. Mereci afinal que o ECA se exploda. Minha mãe era única, batia sem doer.

                    Fumanchu era nosso cozinheiro. Cabra macho na cozinha. Aonde chegávamos ele inventava uma. Era doce de Mamão, de Banana, de Goiaba e a gente se fartava. Época boa, Chefe só ia visitar à tardinha e voltava. Escotismo feito por meninos metido a homens. Mas nossos Chefe não era metido a menino. Hoje a Celia minha esposa e ótima quituteira faz doce que eu humildemente dou sugestão. Ela me olha com carinho e diz: - Amanhã vou fazer. Mas meu apetite não é mais o mesmo. Ainda lembro-me do passado, apesar de que os titulares da linha de frente do escotismo detestam a palavra passado. Eles adoram a modernidade. Mas acampar no córrego dos pintos, no Morro do Marreco ou mesmo na Mata do Tenente sempre passávamos por grandes fazendas. Cada proprietário gostava de um bom papo. E lá vinha um doce de abobora, goiabada molinha feito na hora e o doce de leite? Senhoras fazendeiras quituteiras de mão cheia.


                    Hoje? Os tempos são outros. Será que na loja escoteira tem doces? E o SIGUE ensina a fazer doces? Vai acampar meu jovem? Sem um responsável não vai. E ele tem de estar munido de autorização do pai ou da mãe com firma reconhecida. Não esqueça, tem de ter CPF e Identidade funcional. Claro sem autorização do distrital ou regional não vai a lugar nenhum. Tem de ter autorização, aonde vai como vai hora de saída e hora de chegada. Tudo com firma reconhecida. Conhece o POR? Já leu a parte de segurança em acampamentos? Não leu? Esqueça, fique na sede dê um joguinho e deixa a turma reclamar, pois docinho se houver só no fim de ano quando todos se reúnem e cada um traz sua parte para dividir. Vamos encerrando, que o seu dia seja gostoso e delicioso com um belo chocolate, ou algodão doce, iluminado com a luz do sol, colorido como o arco-íris, alegre como as flores de campo e amável para todos seus irmãos escoteiros. Adoro doces!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Afinal somos um movimento de fraternidade?


Afinal somos um movimento de fraternidade?

                  Eu sou de outra época. Época de tirar o chapéu e dizer: - Bom dia! Época de dar a vez aos mais humildes, de dar as mãos aos mais fracos. Fui um Lobinho como todos foram, quem sabe um “tiquitito” diferente. Uma matilha que se respeitava que conversava apesar da tenra idade. Depois fui morar em uma patrulha. Passei a ser um lobo. Não mais um Lobinho agora um patrulheiro. Comecei a ver o escotismo diferente quando encontrei perdido em uma gaveta da sede um livro do Velho Lobo. “O Guia do Escoteiro”. Encantei-me. Passei dois dias lendo e relendo. Tornou-se minha bíblia escoteira. Nem sabia que existia UEB, Insígnia de Madeira e quando soube que foi um velhinho chamado Baden-Powell quem nos deu esta vida de aventuras, vibrei! – Passou a ser meu ídolo. Meus pais me davam liberdade. Eu corria pela cidade, pelos campos, pelos rios e montanhas. Minha lei era a do Escoteiro e toda semana a patrulha se reunia em casa de alguém para muitos assuntos. Um deles era a lei. Valia a pena seguir? Não era fácil, ter palavra, ter honra e ser fraterno não era para qualquer um. Comecei a pensar na fraternidade mais profundamente.

                   O tempo passou. Meu passado me lembrava de quantas mãos apertei. De quantos levei para alojar em minha casa. De quantos conheci neste mundão de Deus. Eu tinha um defeito. Grave. Desde menino meu rosto sempre fechado. Sorria por dentro, mas ninguém entendia. Paciência. Passei a usar o abraço mais vezes, o aperto de mão e o meu querido Sempre Alerta. Este tal de SAPS nunca me passou pela cabeça. Fui Chefe, fui dirigente de curso. Até erraram em me entregar a tal quatro contas. Não sei se merecia. A usei até o dia que cheguei à conclusão que devia devolver e devolvi. Por quê? Uma luta de poder. Cada um querendo ser melhor que o outro. Não era o escotismo que acreditava. Resolvi comprar uma foice e entrar nesta briga. Tentei eleger uma diretoria, mas eu não estava incluído. Perdemos e fomos educadamente perseguidos pelos vitoriosos. Não desisti do escotismo. Não me querem lá? Então eu estou acolá. Voltei as minhas lides entre os jovens. Ali sim era meu lugar. Sorrisos da juventude muda completamente nossa maneira de viver.

                   Foram cinco Grupos Escoteiros, foram cinco alegrias em conviver com jovens que até hoje moram em meu coração. Houve sim uma época que me deram um cargo. Cargo? Isto mesmo. Disseram que seria Comissário Regional. Gostava do nome, mas o achava pomposo demais. Hoje não existe mais agora é Presidente! Importante isto não? Usei meu cargo a exaustão para fazer fraternidade, para motivar, para ouvir e falar menos. Tirei dos meus parcos soldos uma parte para viajar. Cidades em Minas foram engolidas por mim. Outro dia alguém perguntou o que fiz e quanto éramos. Bem não era minha preocupação. Precisava motivar chamar todos os escoteiros mineiros para dar as mãos. A sede regional uma saleta pequena, taxas? Putz sempre duro. Ainda bem que o governo nos deu carta livre nos correios. Olhe que eu e meus amigos trabalhamos incansavelmente. Mais de trinta cidades de ônibus, trem o escambal. Cursos, indabas, Ajuris, Encontros regionais. Hoje quando olho as fotos só vejo sorrisos. Não me lembro de nenhum sem o espirito de B-P.

                         O tempo passou. Em outro estado me entreguei aos cursos. Muitos. Quem sabe mais de cento e cinquenta. Conheci cidades, viajei aqui e ali. Uma luta se travava entre os mais antigos. Achavam que eu era um desconhecido. Um interventor. Eles sim eram que deviam estar no meu lugar. Deixei o tempo me fazer de pião nas ideias badenianas. Afinal tinha que me afastar. Não por eles, mas minha empresa me deu um chute. Tinha de recomeçar. Veio à velhice, a falta de “Tchan”, pernas recusando a andar. A mente firme e me toquei a escrever. Meu escotismo era outro e foi então que passei a ver o tal escotismo moderno. Seria nossa redenção? Fiquei em dúvida. Caneta na mão, teclado à frente e pensei... Porque não? Uma grande e gigantesca parte de pessoas querendo aprender. Outra pequena parte arrogante, tratando aos demais como reis, como ditadores, como os donos da verdade. Não estava havendo respeito, cada um tentava desconstruir as ideias dos outros.

                       Eu sabia o que significava fraternidade, mas e daí? Li que era um termo oriundo do latim “frater”, que significa “irmão”. Dizia que ela designava a boa relação entre os homens, desenvolvendo sentimentos de afeto próprios dos irmãos de sangue. Pensei comigo e a Kaa não disse isto? Não viemos de Baden-Powell? Portanto somos irmãos de sangue, tu e eu! – Se a fraternidade deveria ser o laço de união entre os homens, fundado no respeito pela dignidade da pessoa humana então o escotismo tinha de ser um baluarte para mostrar que suas ideias cobria tudo isto. Não foi B-P quem um dia escreveu que devíamos espalhar nossas ideias pelas nações e nos tornarmos amigos e irmãos? Era uma luta difícil. Esqueceram-se dos mais humildes. Lembrei-me da nossa oração antes das refeições nos acampamentos: Uns tem e não podem, outros podem, mas não tem. Nós que temos e podemos agradecemos ao senhor. É uma luta difícil. Ainda temos muitos que não se olharam para seus corações para saberem que estão magoando, estão desconstruindo, estão prejudicando. Estão fazendo um outro escotismo. Quem sabe é isto mesmo que querem fazer?

                     Eu sei que a maioria de nós que participamos deste movimento fantástico sabe que o escotismo é também um movimento que sempre promoveu a fraternidade. Afinal nosso método nos leva a isto. Através da prática da boa ação, do trabalho em equipe, do respeito ao ser humano, do amor aos animais e à natureza, os jovens participantes tornam-se exemplo de liderança, responsabilidade, altruísmo e fraternidade. Ainda não entendo estes prepotentes que se julgam dono da verdade. Não sei se eles reconhecem a beleza do escotismo. Esquecem que suas palavras ferinas ditas ou escritas ofendem seu irmão de ideal. Quantos se foram por se sentirem ofendidos, quantos se foram por não serem reconhecidos, e quantos ainda irão ao ver que ali não é mais o seu lugar. Disseram-me que como conceito filosófico a fraternidade está ligada aos ideais promovidos pela Revolução Francesa. Ela se firmava na busca de liberdade, igualdade e fraternidade.


                  Se não é isto que estamos encontrando precisamos lutar. Nossas armas? O amor e compreensão. Nosso abraço e nosso sorriso. Precisamos mostrar a todos que somos todos iguais e ninguém é mais que o outro. Precisamos vencer esta empatia de alguns, de outros que se firmaram na liderança e se acham donos das ideias. Precisamos mostrar que temos que ser uma fraternidade democrática e que podemos sim salvar o mundo de si mesmo desta luta desigual. Precisamos mostrar que assim como o sol nasceu para todos, o escotismo também foi uma ideia de Baden-Powell para todos os jovens do mundo. Quem pode fazer isto não são somente nossos lideres. Todos que um dia prometeram na Bandeira também podem. Nossos lideres são nossos irmãos e eles devem se compenetrar de suas responsabilidades, pois não estão dirigindo batalhões de soldados para a guerra. São meninos, são homens e mulheres que querem sim aprender a amar, a confraternizar e dizer aos quatro cantos do mundo: - SOMOS TODOS IRMÃOS!                               

domingo, 3 de janeiro de 2016

De Volta para o Futuro II. (Back to the Future Part II)


Conversa ao pé do fogo.
De Volta para o Futuro II.
(Back to the Future Part II)
Uma divertida sátira Escoteira plagiando o filme.

Algum tempo atrás resolvi escrever esta história. Eram tantos a falar do escotismo moderno que pensei com meus botões: – Porque não me adiantar a eles e ver o escotismo daqui a duzentos anos? – Bem vindo ao escotismo moderno. O escotismo do futuro!

                              Não teve jeito. Não queria conhecer o futuro, mas ao sentar na poltrona do DeLorean do Doutor Emmett Brown me deixei seduzir como se fosse Marty MacFly investigando sua vida futura. No meu caso não era a minha vida. Já tinha voltado ao passado em De Volta para o Futuro I em 1950. Mostrei para alguns como era o escotismo naquele tempo. Os modernistas de hoje não gostaram.  Agora pensei em ver como era o nosso escotismo no futuro, afinal os tais da UEB defendem tanto o moderno! Fui direto ao ano estelar de 2. 115. 2.115? Isto mesmo, duzentos anos depois. Meus caros, que susto! Fui parar logo em uma reunião de Corte de Honra! Sabem onde estava sendo realizada? Na casa do Chefe da tropa. Ele de roupão pressurizado e chinelo voador (quando andava plainava no ar), tomava um uísque contrabandeado do planeta Uebaibe e através de um sistema holográfico lia o noticioso esportivo de um jornal de outro planeta de nome Bidypower, através do seu superpotente Smartphone e na sua frente uma enorme tela panorâmica que ele com um simples gesto colocava do tamanho que quisesse e onde apareciam os Monitores e subs. Claro cada um em suas casas. Eles pediram para evitar a holografia, achavam que não se sentiam bem assim. Como só colocavam o lenço e se diziam uniformizados, muitos ficavam pelados no quarto. Discutiram o porquê as patrulhas estavam diminuindo a cada ano (Ora, ora, ainda? Pensei que agora tava tudo resolvido e combinado e isto não ia acontecer mais).

                  Chefe a Zeta Leonis está com dois somente. Eu e mais um. Outro logo emendou – Chefe a Epsilon Tauri tinha quatro e agora três.  E assim foi a Kapa Can a Alpha Den Capricomi. Todos reclamando que quase nenhum jovem queria participar mais das patrulhas. – Olha Chefe, falou o Monitor da Epsilon Tauri, o Senhor sabe desde que as meninas se sublevaram para ter suas próprias patrulhas (meu Deus! Que bom! – palmas para elas) os meninos estão desistindo. Quando elas participavam eles adoravam e o senhor sabe, podiam namorar vontade. O Senhor é testemunha, pois fez cursos institucionais e sabe que fora do escotismo a Lei é severa com quem fosse encontrado beijando. Já nos acampamentos tudo isto era normal, pois nós praticávamos o escotismo moderno. Agora estão com aquela conversa que acampamentos holográficos perderam a motivação. Sei que escolhemos bem, tentamos tudo na Galáxia de Andrômeda. E o da Grande Nuvem de Magalhães foi um fracasso. Eles querem acampamentos reais. Nada de holografias. O Monitor da Epsilon Tauri disse que eles adoraram a excursão na viagem feita pela nave Pioneer 2012 agora reformada na sede Nacional em Curitiba, até a magnetosfera de Galileu Gallilei. Cansaram é claro, pois os jogos de vídeo game espaciais na nave intergaláctica não eram lá estas coisas.

                    Estava embasbacado. Este era o futuro do escotismo? E olhe que sem esperar o Diretor Técnico entrou na conversa. Avisou que a partir do mês que vem a sede Escoteira estava de mudança. Compraram em Xangai um novo Site feito pelos chineses e montaram no espaço sideral um pequeno planeta que seria só do Grupo Escoteiro. Claro deram o nome de Avatar dos Anéis Azuis de Saturno o nome do grupo. O primeiro Grupo Escoteiro a montar no espaço uma sede Escoteira. Todos agora podem ir lá pelo sistema de Teletransporte do Computador CAN/DEN-88782343. É só ficar sócio através do ultrapassado SIGUE. Qualquer cartão de crédito espacial resolve. Eles aceitam. Só não dividem e nem aceitam boletos de escoteiros. Porque não sei. Assim vocês podem quando quiserem ir ao grupo, mas as atividades ainda serão feitas aqui na terra por meio de holografias. Voces escolhem onde. Mas devem programar. Tivemos casos de mais de duzentas patrulhas escolherem o Pico da Neblina no mesmo dia. A empresa Faxtorum quase explodiu. Não deixem de enviar pedidos de autorizações em modelo Super Espaço ao Distrital Capitão Pikard. Ou ao seu Assistente o Chefe Doutor Spock. Se for difícil encontrá-los procurem o Capitão James T. Kirk que assumiu como Comissário Espacial internacional Escoteiro. O cara é bom e viaja para todo lado.

                    No próximo sábado continuou o Diretor Técnico, estarei ausente. Vou assistir a uma Reunião da OCBGDEF (os catorze bons gerais do escotismo do futuro) que agora estão liderando o movimento da UBEB (União Brasileira dos Escoteiros Brasileiros). Não tem mais outras organizações. Montaram um exército próprio de androides que usam a nova vestimenta só para “caçar” os tais escoteiros tradicionais. Voces sabem que eles estão na clandestinidade. Vários Robôs escoteiros estão à procura deles. Irão ser deportados para Hidra, uma Lua de Plutão situada no Cinturão de Kuiper. Jogaram lá uma bomba Genesis e a lua virou planeta. Só tem florestas. Os tradicionais adoram árvores e riachos de águas límpidas e céu estrelado. Dizem que são bons em pioneirias. Que atraso de vida meu Deus! E deu boas risadas. Estava estarrecido. Sai dali correndo. Pedi ao Doutor Emmett Brown que me levasse em seu DeLorean de volta ao passado. Não me sentia bem. Isto não pode acontecer ou será que vai acontecer? Melhor parar por aqui. Estou pensando em Baden Powell. Esqueceram-se dele? Onde está pode ver o futuro? Se pode deve estar chamando todos seus oficiais de Mafeking. Uma nova guerra do Transvaal deverá ser iniciada. Ou eles acabam com a UBEB ou a UBEB acaba com eles! Mas eles tinham experiências. Os jovens do passado e agora os do futuro dariam um ótimo apoio como estafetas. Estafetas? No escotismo moderno?

                  Agradeci ao Doutor Brown pela carona. Pensei até em pedir a ele que me levasse ao passado como ele foi com o jovem Marty MacFly em 1954 e ao Velho Oeste. Mas fazer o que lá? Bem se fosse em 1954 seria mais maiô de bão, pois iria me encontrar lá. Eu adorava esta época que os Modernos não gostam. Mas em 1870 ainda não tinha escotismo. Eu não queria nunca me encontrar a mercê do famigerado bandido Biff Tannen e sua quadrilha. Ainda bem que não eram escoteiros. Melhor ficar por aqui. Que façam bom proveito do escotismo do futuro. Não estarei lá mesmo para criticar. Risos. Que a UBEB seja muito feliz!


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Boa Noite


Hora de dormir... Fechar os olhos e lembrar-se dos tempos de Mowgly na Jângal.

- As estrelas desmaiam, concluiu o lobo Gris, de olhos erguidos para o céu. Onde me aninharei doravante? Por agora os caminhos são novos... Ah! Frases de Kipling no seu fantástico livro da Selva. Tem hora que me transporto naqueles sonhos de um Mowgly, de um Lobo Gris, de um Baloo, de uma Baguera. Akelá se foi, com ela a saudade ficou. Um ano se foi, outro vai chegando, ainda penso como Mowgly - Se me deito, não consigo descanso. Corri a corrida da primavera e não sosseguei. Banho-me e não me refresco. O caçar enfada-me. A flor vermelha está a ferver em meu sangue. Meus ossos viraram água. Não sei o que... Sabe sim homenzinho. Todos sabemos disto. É a lei. - Quando nos encontramos nas Tocas Frias, eu já o sabia acrescentou Kaa. Homem vai para homens, embora a Jângal não o expulse. - A Jângal não me expulsa, então? Sussurrou Mowgly. - - Os irmãos Gris e os outros três uivaram furiosamente: - Enquanto vivermos ninguém, ninguém ousará...

 - Para que falar? Observou Baloo. Akelá disse que Mowgly levaria Mowgly para a alcatéia dos homens outra vez. Também eu o disse, mas quem ouve Baloo? Bagheera, onde está Bagheera? Esta noite se foi? Eu a ouço falando ao vento na montanha e gritando para mim: - Boas caçadas em teu novo caminho, senhor da Jângal! Lembra-te sempre que Bagheera te ama. Tu a ouviste murmurou Baloo. Nada mais há a dizer. Vai agora, mas antes vem a mim. Vem a mim, ó sábia rãzinha! - É difícil arrancar a pele, murmurou Kaa, enquanto Mowgly rompia em soluços com a cabeça junto ao coração do urso cego, que tentava lamber-lhe os pés. Não é o fim, é um começo, saio de 2015 e entro em 2016 renovado. Renovado? Será mesmo: - “Somos todos, eu e você, irmãos de sangue pele lisa”. A grande serpente da Floresta já velha e pesada sorria.

Vou dormir e não esquecer jamais que eu tinha um amigo que me defendeu e estava ao meu lado todas as horas - “Filhote de homem, senhor da Jângal, filho de Raksha, meu irmão de caverna – O teu caminho é o meu caminho. A tua caça é a minha caça e tua luta de morte é a minha luta de morte”. Quantos lobos Gris eu tive um dia ao meu lado?
Que venha 2016, o Velho Escoteiro vai sempre se lembrar do passado, mas pensando no futuro: - - “Boa caçada grande povo da Jângal”!

“O abutre Chill conduz a noite incerta, e que o morcego Mang ora liberta -”.
É esta a hora em que adormece o gado, pelo aprisco fechado.
É esta a hora do orgulho e da força unha ferina aguda garra.
Ouve-se o grito: Boa caça aquele que a Lei da Jângal se agarra”.


Feliz 2016 lobos de Seeonee. Boa noite!