Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Era uma vez... Um comissário Viajante da UEB. (uma história baseada em fatos reais -)


Lendas Escoteiras.
Era uma vez... Um comissário Viajante da UEB.
(uma história baseada em fatos reais -)

              Corria o ano de 1956. Estava com dezesseis anos e respirava escotismo em todos meus poros. Estudava mas não era bom aluno. O escotismo era onde eu me sentia realizado. Naquele sábado de abril pela primeira vez tomei contato com um alto Dirigente da UEB. Foi surpresa, pois nunca tínhamos recebido visitas da alta cúpula a não ser amigos de Grupos Escoteiros de cidades mais próximas. Eramos duas patrulhas seniores, uma com sete e outra com seis patrulheiros. Quase todos advindos da Tropa escoteira com exceção de Venceslau que entrou como Sênior. Nossas reuniões eram mais bate papo, programas de acampamentos, atividades aventureiras e nosso Chefe Sênior quase não ia as sede. Vivíamos mais em atividades ao ar livre que na sede. Aquela máxima que dizia onde tem um Sênior tem uma Tropa valia ali. A bandeira tinha sido hasteada. Fazíamos questão. Zé Geraldo o monitor se incumbiu de tudo. Sentados embaixo de uma mangueira vimos quando ele chegou na charrete de Micoçar. Foi uma surpresa enorme. Alto bem grande barriga proeminente, cabelos negros escondidos no chapéu de abas largas, calças curtas e um andar elegante de gente de cidade grande.

              Estávamos sentados de qualquer maneira. Ainda não havia entre nós aquela exigência de circulo e ferradura só para a bandeira. Ele chegou pomposo. Tinha pelos meus cálculos uns 45 anos. Deu um sempre alerta que quase arrebentou os tímpanos de alguns seniores que estavam mais próximo. – Cadê o Chefe? – Não veio hoje – disse Manoel. - Por quê? – Pergunta idiota. Ninguem respondeu. – Alguém pode chamá-lo? – Não dá Chefe, ele trabalha na Vitória Minas e viajou até Baixo Guandu no expresso. Só volta segunda. - E o Chefe do Grupo? Na casa dele no Morro do Chapéu. – Alguém pode avisar que o Comissário da UEB está aqui? Ninguém falou nada. Não estavam gostando do tipo. Estava muito metido e arrogante com ar de dono da bola. Acostumados com um aperto de mão, apresentação, um sorriso e fraternidade ele não demonstrou isto. Nem seu nome disse. Mindinho se ofereceu para ir avisar o Chefe João Soldado. – Avisar não disse. Diga a ele que é um comissário da UEB, que ele venha logo! – Rimos baixinho. Se ele dissesse isto para o Chefe ficaria no mínimo dois dias no xadrez.

                  Vinte minutos depois Mindinho chegou. – O Chefe disse que se quiser vá a casa dele. Micoçar sabe onde é. Micoçar era um charreteiro de aluguel. Naquela época as charretes faziam a festa na rodoviária e na estação ferroviária. Micoçar era o xodó das moçoilas, pois sempre tinha uma rosa para as que viajassem com ele na chegada ou na partida. Ele saiu com Micoçar sem despedir-se de ninguém. Ficamos sabendo depois que o Chefe João Soldado ficou uma “arara” com ele. Soubemos que o Comissário fazia exigências, falava alto, dizia que era Comissário e a UEB dera a ele plenos poderes. – Lá pelas seis e meia da tarde o Chefe João Soldado chegou com ele à sede. Já estávamos saindo quando ele nos chamou. – Patrulhas o Comissário quer fazer uma reunião para vocês. Quer demostrar como é uma reunião escoteira. Queria os escoteiros, mas estes só voltam amanhã do acampamento. Combinei com ele de vocês estarem aqui por volta das nove amanhã, domingo!

                  A reunião seria realizada no Campinho de futebol onde nos reuníamos. Ninguem gostou da ideia, mas ordens são ordens. Eu pensei que naquele domingo iria perder meu filme da matiné no Cine Pio XII. Buffalo Bill contra o Sioux Hunkpapa e na sequência Nyoka, a Rainha da Selva. Portando o uniforme não pagávamos ingressos. Ordem dada ordem cumprida. A reunião que ele planejou era uma correria de louco. Tais como as de hoje, mas naquela época era visto como um besteirol danado de ruim para seniores. Para dizer a verdade eu estava gostando. Tinha outros que não. O tal comissário bufava e corria para lá e para cá. Como apitava. Uma enorme audiência se formou. Ele dava palestra, jogos, corria saltava e resolveu fazer um comando Crow. Não sabia que éramos peritos na corda. Na primeira fila rindo a valer estava Micoçar com seu bigodinho a lá Charles Chaplin. Naquela época não éramos amigos. Ficamos depois da saga do Comissário Viajante. Foi então que o Comissário formou um circulo e ensinou-nos uma canção que mais tarde adorei, mas naquela época! Vixe, que vergonha. Era a Piaba. Tinha de rebolar, dar uma umbigada e dançar requebrando. Canção para outros não para os machões seniores como nós.

                        Fui obrigado a cantar e dançar. “Sai, sai, sai oh piaba saia da lagoa”! Quando alguém dava uma umbigada à turma da arquibancada rolava de rir. Na minha vez Micoçar começou a gritar: - Vai Telírio! Vai Telírio! Mostre seu requebro! Bem aquilo foi demais. Chamar-me de Telírio era briga na certa. Hoje não, mas naquela época os homossexuais da cidade eram considerados a escória e falar seus nomes era palavrão. Telírio era o mais conhecido. Eu vermelho de vergonha tentei dançar. Difícil requebrar. A turma da arquibancada gritando: - Vai Telírio, requebra e mostre que você é o maior dançarino da cidade! Desisti. Muitos outros também. O povo morrendo de rir. O chefão gritando: - voltem todos. Não dispensei ninguém! O comissário raivoso gritava possesso: - Nem cantar sabem? Que raios de seniores são vocês? Mocinhas lavadeiras do Rio Doce? Todos foram embora. Micoçar a gritar no meu ouvido me chamando de Telírio. Puxei a faca e disse que era a vez dele dançar. Dance se não vai sentir o sangue correr. A turma do deixa disso chegou.

                           O Comissário saiu com Micoçar e foi direto a casa do Chefe João Soldado. Esqueci-me de dizer ele era Terceiro Sargento da Policia Militar. Soube que ele de novo ameaçou fechar o grupo. Tanto falou que o Chefe João Soldado o pegou pela camisa e o arrastou a charrete de Micoçar dizendo: - Suma! Se aparecer na minha frente de novo quebro seus dentes e o coloco uma semana no xilindró. Micoçar se trazer ele aqui outra vez ajeito seu canto no xadrez! Dia seguinte quando o Chefe João Soldado nos contou toda a conversa eu quase morri de tanto rir. - Ora, ora, ele na minha cara disse que não tínhamos seniores. Tínhamos sim um bando de moleques indisciplinados (até certo ponto com razão). Exigiu que fizéssemos um Conselho de Tropa e destituísse ambos os Monitores. Disse que enquanto não fizermos tudo isto o grupo nunca seria registrado. Interessante é que nunca fomos registrados. Nosso grupo tinha mais de trinta anos de atividade e nunca fizemos registro. “Belle Époque”, outros tempos. Uma Segunda Classe suada. Primeira Classe? Não era para qualquer um.


                  E sabem o melhor? Eu e Micoçar anos depois nos tornamos grandes amigos. O tal Comissário alugou sua charrete por dois dias e não pagou. Foi embora e deu o cano. As patrulhas fizeram uma “vaquinha” e pagaram em suaves prestações. Sua charrete me levou a belos lugares por vales e rios desconhecidos. Charretes! Também foram engolidas pela modernidade; assim como o escotismo pelos novos tempos!

domingo, 24 de abril de 2016

O dia do Escoteiro. Um dia para lembrar...


O dia do Escoteiro.
Um dia para lembrar...

                  Dizem que são outros tempos, outras eras, alguns dizem que era no tempo das diligencias. Será? Como Lobinho nunca me disseram que o dia 23 de abril era o dia do Escoteiro. Acredito que o Akelá e o Balu não sabiam. Quando passei para Escoteiro lá por volta do final do ano de 1951, estava com onze anos e tinha um enorme orgulho de vestir meu uniforme Escoteiro. Lutei para conseguir. Presente mesmo só o chapéu que uma tia comprou em BH e me deu. Engraxei muito sapato para comprar o pano e minha mãe fez a calça e a camisa. Meu cinto comprei de Manuel Reco Reco, só me lembro do apelido. Ele desistiu. Filho do dono das casas Abil entrou, ficou quatro meses nem fez a promessa e se mandou. Paguei tostão por tostão. O meião foi fácil, na Livraria do Seu Toninho tinha material esportivo. Tinha um sapato Velho e resolvi comprar um “Vulcabrás”. “Deus meu” durou uma eternidade. O lenço e o anel o grupo deu.

                 Sei que devem estar perguntando – E daí? Bem era uma época que fazíamos questão de atravessar a cidade de norte a sul de leste a oeste com o uniforme. Na sede eu ia na minha bicicleta Philips, pneu balão, faixa branca que meu pai me presenteou. Vendeu uma sela (era seleiro) para um fazendeiro e sem dinheiro deu a bicicleta como caução e nunca mais apareceu. Era um orgulho sábado pela manhã lavar, passar cera, escovar e deixá-la brilhando. Viajei com ela milhares de quilômetros por muitos e muitos anos. Foi então que um dia o Chefe Jessé no cerimonial de bandeira disse que o dia 23 de abril dia de São Jorge era o dia dos escoteiros. Uma surpresa. Não sabia. Ninguém na patrulha e na Tropa sabia. Ele retirou do bolso uma comunicação da UEB dizendo para comemorarmos. Quem era essa tal de UEB eu desconhecia. Não tínhamos registro e nem nos preocupávamos com isto.

                     Um Conselho de Patrulha foi formado. Votamos para andar o dia inteiro com o uniforme marqueteando com vizinhos e indo a escola com ele. Foi uma festa. A meninada do Colégio Dom Bosco quando me viu (era o único Escoteiro do Colégio) foi àquela algazarra. O Padre Pedro me olhou de soslaio. Perguntou-me porque não estava com o uniforme do colégio. Expliquei. Levou-me até a secretaria para explicar ao Padre Jonas. Ele sorriu. – Pode deixar! Eu também fui por algum tempo Escoteiro na Holanda! Sorri, fiquei durinho e disse “Sempre Alerta Chefe” – Padre Pedro me corrigiu – Chefe não, Diretor! Não importava. Na sala os colegas davam risadas. Padre Jonas fez questão de ir comigo de sala em sala explicando o dia e porque estava de uniforme. Contou sobre os escoteiros holandeses, o que significava e quem foi o fundador. Eramos conhecidos na cidade, afinal o grupo foi fundado em 1942. Mas pouca gente sabia da lei da promessa e o que era o escotismo.

                     A maioria sabia dos nossos acampamentos afinal, além de atravessarmos a cidade por anos a fio indo acampar, havia a nossa carrocinha daquelas que zumbia e apitava nos eixos das rodas só para chamar atenção quando íamos acampar. Para mim foi um marco em minha vida escoteira. Valeu por tudo principalmente em saber que o Padre Jonas foi Escoteiro. O Chefe João Soldado nosso Chefe geral fez questão de convidá-lo para a diretoria. Aceitou mas não ficou muito tempo. Foi transferido para outro Colégio Marista em outra cidade. A data serviu para que todos os anos fizéssemos alguma atividade. Foi Tomaz quem sugeriu que neste dia as tardes déssemos flores as senhoras que passassem pela Praça Serra Lima. Difícil era arrumar as flores. Nunca mais esqueci este dia. Ficou gravado para sempre. Quando Chefe fazia questão de ouvir os escoteiros e os lobinhos para sugerirem uma solenidade qualquer. Usar só o lenço nem pensar. Todos faziam questão de calça curta acima do joelho, lenço bem passado, chapéu ou boné e estar presente na escola do seu coração.

                   Desculpem o relato, mas deitado em meu berço esplêndido, cansado de tanto dormir e tentar me recuperar lembrei-me de todos estes fatos. Não podia deixar de escrever e postar aos meus amigos. Outros tempos, outras eras, mas sem diligência, por favor. Ainda tínhamos charretes e bicicletas para nos transportar. Volto a minha insignificância de Chefe Dodói. Dói aqui dói ali dói acolá. Vamos ver se esta semana volto a escoteirar aqui com meus amigos, o único lugar que ainda posso lembrar, contar e pensar que escotismo é bom demais. Meu abraço fraterno a todos vocês. Boa noite!

Chefe Osvaldo. 

sábado, 16 de abril de 2016

Hoje tem reunião, alegria de montão!


Hoje tem reunião, alegria de montão!

Badenianos, Sempre Alerta, façam a jogada certa,
Hoje tem reunião, alegria de montão.
Se prepare vai cantando, pois a hora tá chegando.
Tem lobos da Alcatéia, tem a Chefe Dulcineia,
Tem a Tropa do Alfredo, do querido Chefe Pedro.

Quem fica parado é poste, no dia de pentecoste.
Vá prá sede bem ligeiro, ande meu caro Escoteiro.
Você não pode faltar, a turma vai acampar.
Prepare sua teoria, daquela pioneiria.
Aprendeu a ser mateiro, agora vai ser cozinheiro.

Lobata use seu giz, desenhando o lobo Gris.
Seniores e guias bau, bau, caíram do comando Crow!
Eu soube que o Pioneiro, agora é enfermeiro.
A pioneira calada, agora virou sua amada.
Portanto não percam tempo, não haverá contratempo.

No céu vermelho ao sol por é delicia do pastor.
No orvalho da madrugada quem canta é a passarada.
Mas cuidado se ver nuvens cor de cobre,
Se prepare é temporal que se descobre.
Leve a capa e a lanterna, não vá quebrar sua perna.

E quando a hora chegar procure o seu lugar.
Aproveite enquanto dura, lá na grande ferradura,
Fique durinho pomposo, seja Escoteiro brioso.
Quando a bandeira subir, não deixe ela cair.
Pois hoje tem reunião, Alegria de Montão!

ESCOTISMO É VIDA, AMOR, FILOSOFIA E MUITO MAIS!






quarta-feira, 13 de abril de 2016

Histórias de Baden-Powell. As Jarreteiras.


Histórias de Baden-Powell.
As Jarreteiras.

Houve uma época que os escoteiros usavam uma fitinha amarela, verde ou vermelha na perna em cima do meião que foi introduzida por Baden-Powell e que hoje não existem mais. Vejamos o que seria e o que significava:

- Jarreteira:
É uma espécie de fita geralmente elástica e de fecho, que serve para fixar a meia na perna, por baixo ou por cima do joelho. Existe uma Ordem Militar de Cavalaria instituída por Eduardo III, rei de Inglaterra, chamada Ordem da Jarreteira, por a insígnia que se juntou à ordem de S. Jorge foi uma liga. É a mais nobre das oito ordens que possui o Império Britânico (a Jarreteira, o Cardo S. Patrício, o Banho, a Estrela da Índia, S. Miguel, S. Jorge, Império da Índia e Real Ordem Vitória).

Nada se sabe de concreto sobre a data da sua instituição. Vem do séc. XIV. Quanto ao ano, a opinião dos historiadores heráldicos varia desde 1340 até 1351, embora de uma maneira geral seja adotada a data de 1350. Inicialmente a lista das atribuições constava do soberano e de 25 cavaleiros, não tendo sofrido modificação nenhuma até 1786, quando se declararam elegíveis os filhos de Jorge III e os sucessores destes, mesmo que o capítulo estivesse completo.

Em 1805 fez-se uma segunda modificação, declarando elegíveis os descendentes diretos de Jorge II, da mesma maneira que os anteriores, exceto o príncipe de Gales, que em virtude desta modificação se declara «parte integrante daquela instituição». Finalmente em 1831 ordenou-se que o privilégio concedido aos descendentes diretos de-Jorge II fosse extensivo aos descendentes diretos de Jorge I.

Muito embora se ignore a forma como nela eram admitidas as mulheres, a descrição que acompanha os registos dos séc. XIV e XV não permite duvidar que elas eram recebidas na Ordem com regularidade. À rainha consorte, às viúvas e filhas dos cavaleiros e a algumas damas de elevada posição davam-lhes o nome de «Dames de la Fraternité de Saint George».

A respeito da origem ou da ocasião da instituição da Ordem da Jarreteira, a obscuridade não é menor que quanto à data. Existe uma lenda, segundo a qual, por ocasião de um baile, caiu à liga à Condessa de Salisbury, dama da corte de Eduardo III, e o rei baixou-se rapidamente para a apanhar e entregá-la à dama, e tendo isto dado motivo a riso e graças por parte dos presentes, o rei exclamou: «Honny soit qui mal y pense;» (trad.: Mal haja quem nisto põe malícia).

Esta lenda é refutada como outras.
Uma diz que Ricardo I, ao atacar Chipre e S. João d'Acre, invocou S. Jorge, que lhe deu grande ânimo, e veio-lhe a ideia de atar às pernas dos cavaleiros uma fita de couro que lhes lembrasse do feito em que estavam empenhados. Este feito de um dos seus antecessores teve presente Eduardo III ao instituir a Ordem, designando a liga como seu emblema. O distintivo desta Ordem é, com efeito, uma liga que, bordada a ouro e pedrarias (Jarreteira), têm a legenda «Honny soít qui mal y pense». É atada na perna esquerda, junto ao joelho.

Os cavaleiros usam no lado esquerdo do peito uma placa de prata ou estrela de oito pontas, representando a Cruz de S. Jorge. Usam ainda um colar de oiro/composto de 26 peças em forma de jarreteiras, esmaltadas de azul e com a imagem de S. Jorge abatendo o dragão. Finalmente usam uma cinta de azul escuro, atravessada sobre o ombro direito, e debaixo da qual há uma joia de ouro em forma de jarreteira, rodeando a imagem de S. Jorge com a divisa da Ordem.


Como sabe, esta insígnia foi concedida ao Escotismo; motivo por que todos os Escoteiros usavam um pedaço de tecido pendurado da parte exterior das meias da farda, presa pela liga. Em Portugal os escoteiros ainda usam até hoje. No Brasil as Jarreteiras foram suprimidas pela Direção Nacional assim como o Penacho e aos poucos o chapéu de abas largas, a Flor de Lis que agora tem outro estilo, as provas de classe, as... Ufa! Lá se vai aos poucos nossa tradição e nossa história.

sábado, 9 de abril de 2016

Uma ponte longe demais...


Uma ponte longe demais...

                 Era uma vez... Uma ponte, simples de madeira com dois vãos, pequena, mas que acalentava os caminheiros que por ali passavam. Dizem que era longe demais, que não ligava a lugar nenhum. Pode até ser. Não era uma ponte qualquer, pois para mim ela tinha vida, ela tinha alma. Cansado de uma longa jornada eu sentei naquela ponte muitas vezes. Gostava de ficar ali, olhando um rio que passava sobre meus pés. Meus olhos acostumaram com aquelas ondas que brincavam de zig zag nas corredeiras que iam para o mar. Nem via o tempo passar, hipnotizado não queria voltar ao meu percurso. A ponte agora me dava vida, queria que eu e ela fossemos um só. Os incrédulos diziam que ela não ia dar a lugar nenhum. Eu sorria quando diziam isto. Uma doce mentira de caminheiros que não viram o brilho daquela ponte. Ela me levava ao Campo da Felicidade.

                  Quando surgia a primavera eu corria para chamar meus amigos Escoteiros e eles sorriam como eu quando dizia que íamos acampar no Campo da Felicidade. Todos sabiam que íamos atravessar a ponte, que todos diziam ser longe demais... E diziam que ela não levava a lugar nenhum... Era longe sim, a ponte era longe demais e isto nos fazia voltar sempre... Ver a ponte de madeira rústica, olhar o rio com suas águas brilhantes a correrem para o mar... Na várzea das Borboletas azuis, em uma pequena trilha cheia de flores silvestres, avistávamos a ponte. A ponte que diziam ser longe demais... A ponte que não levava a lugar nenhum... Mas nos levava ao Campo da Felicidade.

                    Um dia, um dia, ah que nunca mais esquecerei, um dia que ficou marcado em meu coração para sempre, a ponte não estava lá... A ponte que nos levava ao Campo da Felicidade tinha partido... A ponte longe demais agora não mais existia. A ponte que não levava a lugar nenhum agora era uma réstia de uma lembrança de um passado que se foi... Ficamos ali, cabisbaixos, deixando o sol nos queimar, nossas mochilas às costas pesando e nossa preocupação era uma só. A ponte longe demais partiu sem dizer adeus... Não era um empecilho para atravessar o rio, o rio que serpenteava suas águas e corria para o mar. A ponte que diziam não ligar a lugar nenhum agora era uma sombra, um arremedo de sonhos, uma alegoria de um carnaval que passou.


                  Nunca mais voltamos ao Campo da Felicidade. Ele e ela, a ponte longe demais se completavam. Um não tinha serventia sem o outro. Algumas vezes volto meu pensamento no tempo que já se foi. Lembro daquela ponte, uma ponte longe demais... Uma ponte que não ligava a lugar nenhum, mas sem ela nunca mais poderíamos voltar ao campo da Felicidade. Não choro lágrimas doídas, não verto águas que os olhos deixam cair... Meu coração bate forte quando em minha mente eu vejo a ponte, a ponte longe demais... A ponte que diziam não levar a lugar nenhum. Vejo-me sentado, olhando o rio que serpentava naqueles campos que seguia seu rumo para o mar. Sei que não terei mais aquela visão que me marcou profundamente. Mas enquanto ela existiu me trouxe a beleza da vida, o sonho da natureza, me ligou de um ponto ao outro mesmo dizendo que ela era longe demais... Que não ligava a lugar nenhum!

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Místicas e tradições do Escotismo. História da canção "Ging Gang Goolie"


Místicas e tradições do Escotismo.
História da canção "Ging Gang Goolie"

(Ging Gang Goolie é uma canção tradicional dos escoteiros.)

Ging Gang Goolie é uma canção conhecida e cantada em todo o mundo, que foi inventada por Baden-Powell por ocasião do primeiro Jamboree Mundial. Ela foi inventada para que todos pudessem cantá-la, daí não ser escrita em nenhuma língua, o que a torna bastante divertida. - A história por trás desta canção foi criada mais tarde...

Numa escura e longínqua selva Africana existe uma lenda que conta a história do "Fantasma do Grande Elefante Cinzento". Todos os anos após a época das grandes chuvas, o fantasma do elefante surgia da bruma pela madrugada e vagueava pela selva. Quando chegava a uma aldeia parava, levantava a tromba e cheirava... "func"! Depois decidia se atravessava a aldeia ou se a contornava. E, se ele atravessasse a aldeia, significava que o ano ia ser mau, haveria fome, doenças e as colheitas seriam péssimas devido à seca, pestes ou quaisquer outras desgraças; mas se pelo contrário ele contorna-se a aldeia, significava que o ano seria próspero.

A aldeia de Wat-Cha tinha sido atravessada pelo fantasma durante três anos consecutivos e as coisas começavam a ficar realmente más para os habitantes. O chefe da aldeia, Ging-Gang, e o feiticeiro, Sheyla, estavam bastante preocupados, uma vez que o dia do elefante estava de novo a aproximar-se. Juntos decidiram que era preciso fazer alguma coisa para que o fantasma não voltasse a atravessar a aldeia. Os guerreiros da aldeia, que eram homens grandes como hipopótamos rechonchudos, usavam um escudo e uma lança e decidiram que se iriam colocar no caminho do elefante para o assustarem, fazendo barulho com as suas lanças e escudos. Por sua vez, os discípulos de Sheyla iriam fazer magia para afastar o elefante agitando os seus bastões mágicos. Estes bastões tinham pendurados diversos enfeites e ao abaná-los faziam barulho... shalliwalli, shalliwalli, shalliwalli!

Finalmente o dia da visita do elefante cinzento chegou! Muito cedo, os habitantes levantaram-se e reuniram-se à porta da aldeia. De um lado estava Ging-Gang e os seus guerreiros, do outro estava Sheyla e os seus discípulos. Enquanto esperavam a chegada do fantasma, os guerreiros começaram a cantar baixinho os feitos heróicos do seu chefe... Ging gang goolie, goolie, goolie, goolie, watcha, Ging gang, goo, Ging Gang goo... Os discípulos de Sheyla não quiseram ficar para trás e começaram também a cantar... Heyla, Heyla Sheyla, Heyla sheyla Heyla ho, Heyla, Heyla sheyla, Heyla sheyla Heyla ho... E ao mesmo tempo abanavam os seus bastões... Shalliwalli, shalliwalli, shalliwalli.

De repente surgiu da névoa o fantasma do grande elefante cinzento que ouvindo os cantos levantou a tromba e respondeu oompa, oompa, oompa... À medida que o elefante se aproximava, os guerreiros começaram a cantar mais alto e a fazer barulho com as suas lanças a bater nos escudos... Ging gang goolie, goolie, goolie, goolie, watcha, Ging gang, goo, Ging Gang goo... Os discípulos de Sheyla levantaram-se e começaram a sua magia... Heyla, Heyla sheyla, Heyla sheyla Heyla ho, Heyla, Heyla sheyla, Heyla sheyla Heyla ho... E ao mesmo tempo abanavam os seus bastões... Shalliwalli, shalliwalli, shalliwalli. Impressionado com tanto barulho o elefante começou a dar à volta a aldeia continuando a berrar... Oompa, oompa, oompa...

Houve grande alegria entre os habitantes e todos juntos começaram a cantar... Ging gang, goolie...

- Para cantares esta música no teu grupo, seção, patrulha basta que o dividas em dois grupos: um deles corresponde aos guerreiros de Ging Gang e o outro aos discípulos de Sheyla. Estes devem cantar a sua parte, respectivamente, de forma alternada quando surgir o elefante; o qual é interpretado pelos chefes, que cantam continuamente oompa, oompa, oompa... Enquanto se dirigem aos guerreiros e aos discípulos. Posteriormente, o elefante deve desafiar os grupos cantando mais alto, os quais não se devem deixar vencer, começando, também, a cantar cada vez mais alto!


(Autoria do texto: Dorothy Untershutz, dirigente na cidade de Edmonton, Alberta, no Canadá. Publicado na revista "Leader" com o título "The Great Grey Ghost Elephant", edição de Junho/Julho 1991, página 7). 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Um pouco de nostalgia faz bem.


Um pouco de nostalgia faz bem.

                         Logo eu? Porque não? Ninguém é perfeito e eu então? Também sou humano, como todos. Sinto alegrias, saudades, lembranças que machucam dor e por mais que queira dominar meus pensamentos nem sempre eu consigo. Quantas vezes sozinho em minha varanda, olhando para a rua, fico tristonho nem vejo os vizinhos me cumprimentando e sinto que meus olhos se enchem de lágrimas. Desculpem, não sou machão. Sou um chorão sim mesmo com meus 75 anos choro por dentro e por fora.  Eu sei que sou feliz, muito. Agradeço a Deus por isto. Não esqueço a frase que a felicidade tem nome: - Deus, família e amigos. Mas eis que hoje me senti triste. Tentei me alegrar e não consegui. Pensei com meus botões: - Chefe (gosto de me chamar de Chefe, desculpem) como falar em ser feliz, em felicidade, em driblar as dificuldades, saltar o obstáculo se agora está triste e acabrunhado? Olhei para o vento que batia nas minhas costas vindo pela escada que leva ao porão.  Ele me deu um pouco de alivio e tentei sorrir. Não consegui. Uma enorme tristeza invadia meu ser.

                         Pela manhã tentei escrever. É minha rotina. Quando estou no meu computador me sinto feliz, mas hoje não. Não escrevi nada. Foi então que me lembrei do Chico. Chico? Sim o Chico Xavier. Gosto dele, dos seus escritos, copio muito o que ele escreve. Não tive a honra de conhecê-lo pessoalmente, mas tenho enorme admiração por sua pessoa, ou melhor, pelo seu espirito. Lembro que um dia ele contou um dos seus casos divertidos, mas que mostrava que também era humano. Caso este que deve ser bastante conhecido por muitos de vocês que aqui estão lendo. Dizia o Chico: - Foi em 1959, eu me dirigia de Uberaba, para onde eu me transferira recentemente, para Belo Horizonte, junto da qual está Pedro Leopoldo, a terra onde nasci na presente reencarnação. Então, o avião decolou de Uberaba e fez uma breve parada na cidade de Araxá. Depois, o avião decolou de novo. Depois de uns dez minutos, o avião começou a se inclinar para um lado, para outro. Às vezes fazia assim uma pirueta, e o pessoal começou a gritar e a pedir a Deus, pedir socorro. E eu ali acompanhando.

                    Veio o comandante do avião e disse que não nos impressionássemos que era um fenômeno chamado "vento de cauda", e que apenas chegaríamos um pouco mais depressa. Mas algumas pessoas disseram: - "Mais depressa no outro mundo!". Eu então comecei também a me impressionar, porque eu não sei qual é o nome técnico da evolução que o aparelho fazia; uma pessoa entendida em aeronáutica saberá descrever o caso, dizendo os nomes em que um avião roda de cabeça para baixo E nós íamos e muita gente começou a vomitar e a gritar, apertar o cinto, alguns amigos começaram a orar, senhoras começaram a rezar o terço. Eu com muito respeito, mas quando vi aquela atmosfera, eu comecei a gritar também. Eu falei assim: bem, todo mundo está gritando, eu também vou gritar porque isto é a hora da morte. Então comecei a gritar: "Valei-me, meu Deus!" Comecei a pedir socorro, a misericórdia de Deus, mas com fé, com escândalo, não é? Mas com fé.

                 Então nisso, peço até permissão para dizer, que alguém disse assim a um sacerdote católico que estava não muito longe de mim: "O Chico Xavier está ali, ele é médium e é espírita." E esse sacerdote, com muita bondade, disse: "Não, mas eu sei que o Chico tem pedido orações em muitos documentos e o Chico está orando conosco no terço." Eu disse: "Graças a Deus, padre, eu também estou orando." Mas comecei a gritar: "Valei-me, meu Deus!". Então, aí chega o Espírito de Emmanuel. (Parece que é uma coisa de anedota, uma coisa de fantástico, mas é a verdade) entrou no avião. Passou no meio do pessoal que não o via e ele me disse assim: - "Por que é você está gritando? Eu escutei o seu pedido. O que é que há?" Porque aquilo já tinha mais ou menos 20 minutos, não é? Eu falei assim: "Bem, o senhor não acha que estamos em perigo de vida?" Ele falou: "E o que é que há com isso? Não tem muita gente em perigo de vida? Vocês não são privilegiados, não é?" Eu falei: "Está bem, se estamos em perigo de vida, eu vou gritar." E continuei gritando: "Valei-me, socorro, meu Deus!" E o povo todo gritando socorro.

               E ele com rosto sério me disse: "Você não acha melhor calar, parar com isso? Dar testemunho da sua fé, da sua confiança na imortalidade?" Eu disse: "Mas é a morte e nós estamos apavorados diante da morte." Ele falou assim: "Está bem, então você acha que vai morrer." Eu falei: "O senhor não acha que estamos em perigo de vida?" Ele disse: "Estão." Eu disse: "Está bem, eu estou com muito medo, estou apavorado como todo mundo, eu estou partilhando, eu também sou uma pessoa humana, eu estou com medo também dessa hora e de morrer nesse desastre." Ele disse: "Está bem, então morra com educação, cala a boca e morra com educação para não afligir a cabeça dos outros com os seus gritos; morra com fé em Deus!" Eu disse então: "Eu queria só saber como é que a gente pode morrer com educação!". Risos.


                 Quando me lembro dele contando isto à mente me aclara, o sol parece estar nascendo em alguma montanha onde acampei. Uma brisa sopra lá fora. Uma menininha passou correndo me dando adeus.  Já não tem mais sombra, a noite se foi. Levanto da minha cadeira e vou para meu cantinho onde está o computador. Dou um sorriso gostoso, Celia vem por trás de mim e me dá um abraço carinhoso. Começo a escrever... “Um pouco de nostalgia faz bem”!

terça-feira, 29 de março de 2016

Meu melhor curso escoteiro foi com meus monitores. (Lembranças inesquecíveis).


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Meu melhor curso escoteiro foi com meus monitores.
(Lembranças inesquecíveis).

                  Ei Chefe, não é uma pegada de um Quati? – olhei com calma, nunca tinha visto uma, mas se o Escoteiro dissera eu acreditava. Paramos, analisamos o peso a altura, as passadas e assim fomos aprendendo a seguir pistas de animais. Eu e meus amigos monitores e Submonitores. Junto a eles eu estava na melhor escola escoteira que tinha conhecido. – Chefe? É um ninho do Inhambu? Dizem que ele não se preocupa muito e junta umas folhas próximo a uma árvore disse Niltinho um Monitor da Gavião. Nunca fui expert em ninhos só sabia que Gill um sub Monitor um dia me contou que o ninho do João de Barro dava uma mão de obra danada para o casal. Barro húmido, esterco e palha. Fazem centenas de viagens para terminar. Mais ou menos com 30 cm de diâmetro. O casal de João de Barro amassa as bolas de barro com os pés. Tem área para colocar os ovos, tem porta de entrada sempre em direção contrária a da chuva e de difícil acesso para predadores. Nunca usam a casinha mais de uma vez. Após o crescimento dos filhotes eles voam para outras plagas. Os monitores me olharam espantados. Ficamos ali naquela floresta conversando sobre pássaros por muito tempo.

                 Ei Chefe, sabe o Zózimo? Olhei para Bob Low um Monitor da Quati. O que tem ele Bob? Na eleição passada ele foi eleito Monitor e não queria – Por quê? Perguntei. Ele disse que ser Intendente/almoxarife era melhor. – Não acreditei e insisti – Como? Ele acha que o intendente é a alma de uma patrulha. Um bom acampamento depende dele, se faltar material ele é culpado. Se sumir ele é culpado. Se alguém precisa tem de falar com ele. E ele se preocupa muito com a guarda e a limpeza do material. Os escoteiros pata tenras são mestres. Vão cortar um bambu e o facão hó! E olhe Chefe ele me disse que na sua barraca de intendência tem de tudo. A alimentação fica fora das formigas e animais do campo. Lazinho o Cozinheiro o adora. Sabe que ele é chato, pois quer as panelas nos trinques. Nada de carvão! E eu sei que nem precisa falar com ele o que levar no acampamento. Ele sabe o que levar para um acampamento longo e um curto. Pois é Chefe, se não fosse ele nosso material já teria sumido e estragado.

                O que eu mais gostava deles era à noitinha em uma gostosa conversa ao pé do fogo. Cada um se abria, contava histórias, falava dos seus amigos, das namoradas com olhares piscantes, dos seus pais, da escola e dos seus sonhos. Chefe fiquei sabendo que o Lindolfo da Pantera jurou que ia ser médico. Disse Matusalém da Anta. Era o nosso enfermeiro e aproveitava também para ser o bombeiro e lenhador. Era outro que Lazinho o cozinheiro adorava. Nunca faltava lenha seca e agua à vontade. Seu lenheiro era perfeito. Podia chover canivete. Ele era um bamba e sabia escolher a melhor lenha, aquela que durava mais. Cozinheiro que se preza não fica sem um bom bombeiro e lenhador. Quem sopra muito é cozinheiro novato usando graveto fino e palha de capim seco. Observem que ele está sempre com os olhos cheios de lágrimas. Risos. Quer saber? Eu nem sabia disto. Eles é que me ensinavam. Uma patrulha que alguém preferia ser o intendente? - Foi Joel quem contou sobre Lazinho o cozinheiro. Ele Chefe é demais. Sabia surpreender a patrulha com suas iguarias. – Chefe ele encheu as “paciências” de sua mãe. Aprendeu tudo. Era um mestre cuca como ele gostava de ser chamado dos melhores. Chegou a fazer um forno de barro e fez um bolo fantástico!

                      Uma vez resolvemos fazer uma mesa com toldo e bancos reclináveis. Queríamos bater todos os recordes de tempo na construção. Claro eu sempre deixei que eles começassem que discutissem entre eles como iam fazer projetos e coisa e tal. E corta daqui, e corta dali o madeirame estava pronto. Ajudei pouco. Sabia bem as amarras. Sabia do acabamento, pois era uma exigência entre os Escoteiros. Ajudei somente na costura de arremate no tampo da mesa redonda. Nem peguei no cipó (adorávamos o cipó e nada do sisal) e um Monitor logo disse – Chefe, não é assim. O acabamento é de terceira qualidade. Faça no final do arremate um perfeito volta de fiel duplo. A tampa sempre vai ficar firme! Eu nos meus tantos anos sorria. Contradizer? Nunca. Eles eram meus mestres meus formadores.

                 - Chefe! Que tal fazermos um programa diferente nas férias de julho? Humm! A última surpresa deles nós caímos numa gelada. Um frio de rachar. Bob Low riu, pois nunca esqueceu o frio que passamos. Chefe está na hora de aprendermos a fazer fogo. Fogueirinha de fogão e Fogo do Conselho todo mundo sabe. Lembra-se do acampamento nas Montanhas geladas do Rio Pequeno? Morremos de frio porque éramos uns pata tenras. – Concordei com ele. – Pois é Chefe, poderíamos treinar muito como evitar isto, eu li muito sobre fogo Espelho. Garantem se bem feito no frio pode se dormir de short sem camisa! Sabendo a técnica e ter cuidado para medir a distancia e não colocar fogo na barraca! E eles riram a valer.

                 Eu posso dizer que meus melhores cursos foram com meus amigos monitores. Aprendi muito com eles. Trocamos tantas ideias e aprendemos tanto uns com os outros que fiquei perito em pioneirías. Amigos são assim. Sempre fazer e insistir a acertar quantas vezes for preciso. Lembro que um deles resolveu surpreender em um fogo de conselho. Uma bola de papel bem encharcada de querosene, um galho em forma de F encurvado e pequeno para correr preso em um cipó liso segurando a bola de fogo que na imaginação dele iria surpreender todo mundo. Ele todo posudo, em frente ao fogo, todos nós sentados em volta gritou: - “Que os ventos do norte! Que os ventos do sul” Quem os ventos do este e do oeste nos traga hoje o espirito da paz e que BP nos guie pelas sendas da vida e que Deus nos proteja! Ascenda-te fogo! E a bola de fogo que foi acesa por outro encarapitado em uma árvore desceu a toda velocidade até onde esta o fogo e logo as chamas subiram aos céus!


         Quem sabe se não fosse por eles eu não saberia do valor de uma patrulha, de um patrulheiro intendente, de um bombeiro lenhador, de um cozinheiro, do sanitarista, do aguadeiro, do construtor de pioneirias e de tantos outros. Foram eles que me ensinaram e com eles fazendo e ouvindo eu aprendi. Lembro-me de uma noite de fogo de conselho onde resolvemos trazer o espirito da floresta na forma da Lei Escoteira. Foi lindo. Fico pensando se todos são como eu. Aprender com eles, sentar a moda índia em um fogo estrela, comer uma batata quente, beber um café do bule quente na brasa, deixar que eles cantem que eles riem de suas piadas, que eles inventem aplausos, canções e que a noite para eles seja uma criança. Deixar que eles mesmos possam contar estrelas, descobrir novos caminhos e assim quem sabe, eu no alto da minha enorme idade e sabedoria irei aprender com eles na tenra idade de um escotismo que resolvi adotar. Aprender com monitores! Uma técnica que poucos até hoje conseguiram enxergar! 

domingo, 27 de março de 2016

A fantástica “Banda” do Maestro Munir.


Conversa ao pé do fogo.
A fantástica “Banda” do Maestro Munir.

               Quando Escoteiro eu tinha um sonho. Ou melhor, dois, acampar no Pico da Bandeira e participar da Banda do Munir. Com treze anos um caminhão da prefeitura nos levou até Caratinga. Lá pegamos a Maria Fumaça para Caparaó (Águas que rolam nas pedras). Minha alegria não tinha limites. Afinal estive no Pico da Bandeira. Uma linda história para contar, mas fica para outra vez. Agora precisava entrar na Banda. Osso duro. Munir era magro e alto. Usava o chapéu Escoteiro virado, mas muitas vezes preferia uma boina preta tipo Montgomery. Eu nem sabia quem era esse tal Montgomery. Usava o uniforme caqui curto e uma bota cano longo. Sujeito estranho o Munir. Chamá-lo de Munir era briga na certa. Senhor Maestro Munir! Ele encarava você nos olhos, uns dois minutos, você não sabia onde esconder.

             A Banda treinava todas as quintas feiras entre sete e dez da noite atrás do cemitério do Azarão. Um campinho de futebol, próximo à cidade, mas cujo barulho não incomodava os vizinhos. Só os coitados dos “defuntos”. A Banda não era grande, se não me falha a memória tinha quatro tambores, dois tambores-mor (daqueles enormes quase um metro de altura) cinco tarois, oito caixas claras, quatro bombos, seis cornetas e dois clarins. Clarins? O meu sonho. Um dia iria tocar um. Mas precisava ter curriculum na banda para pelo menos encostar um dedo nele. Munir era severo. Ria pouco. Um olhar dele gelava todo mundo. A Banda dos Escoteiros era famosa. Nas festividades todos aguardavam ansiosos a Banda. Passava em frente ao palanque das autoridades onde fazia evoluções e depois ia em algumas ruas para saudar os moradores que saiam para aplaudir a Banda dos Escoteiros.

            Munir tinha pose dos oficiais ingleses. Aquele estilo militar que só eles tem. Com sua varinha, seu chapéu virado, sua bota cano alto a marchar à frente da Banda fazia gestos como se estivesse regendo uma grande orquestra. Alí ele era o Rei. Era exigente o Munir. Marchar bem, com honra, respeito, garbo e boa ordem. Bastava um para destoar e ficar fora da banda por meses. Sua palavra era a lei. Ninguém desfazia. Eu ia sempre aos treinos da Banda. Ficava ali abobalhado olhando cada um com seu instrumento. Sempre trinta minutos de ordem unida. Munir não gritava. Seus gestos eram graciosos. Sabia com perfeição fazer os sinais manuais de formaturas. Apito? Detestava. Na frente da banda um sinal seu e ela parava de tocar. Outro alguém gritava: Em frente marche! Todos juntos. Se alguém errasse valha-me Deus! Eu olhava tudo, caixas, tarol, tambores, bombos, cornetas, mas meu xodó era o clarim. Jasiel e Marquinhos eram os donos dos dois. Sentiam-se importantes demais para olhar para mim. Eram seniores corneteiros. Uma dádiva de poucos.  

          Só faltava ao treino da Banda quando ia acampar. Este era sagrado. Uma excursão, bivaque, acampamento sempre estiveram em primeiro lugar. Um dia achei em um pé de Manga, um galho que se cortado iria ficar igual a um clarim. Preparei meu instrumento medieval com carinho. Ficava em casa horas com ele na mão. Levava a boca, fingia que tocava, balizava e sorria. Sonhava em tocar a Alvorada, o Silêncio, o reunir, debandar e tantos outros toques. Decorei todos. A Patrulha me absorvia. Eu amava minha patrulha Lobo. Entre ela e a Banda só tinha uma escolha. A patrulha. Um dia tomei coragem. Cheguei em frente do Munir. Conferi meu uniforme, tinha que estar no ponto como se fosse uma inspeção. Munir era exigente. Posição de Sentido, meia saudação – Sempre Alerta Senhor Maestro Munir, gostaria de participar da Banda! – Tinha treinado em casa em frente ao espelho como falar com ele. Se errasse ele nem na minha cara ia olhar mais.

          Tomei um susto. Ele olhou para mim. Nem piscou. Cara fechada. Ficou também em posição de sentido. Bateu um calcanhar sobre o outro. Plok! Sinal Escoteiro estilo militar. - Quinta! As sete em ponto! Se chegar atrasado não venha nunca mais! – Sai gritando de alegria. Contava para todo mundo. A Patrulha me parabenizou. E agora como você vai fazer? – Fácil disse. Os treinos são as quintas e dificilmente saímos em atividade neste dia. Nos desfiles vão todos. Portanto dá para conciliar. – Não dá não disse o Romildo Monitor. Quinta agora não vamos acampar em Bom Jesus? É feriado lá e aqui. Minha nossa! Eu pensei e agora. – Bom Jesus ficava a vinte e cinco quilômetros de distancia. Sabia que íamos de bicicleta. Não podia perder meu primeiro dia na Banda e nem no acampamento. Tinha uma menina em Bom Jesus que me olhava e ria. Quem sabe estava ficando apaixonado?

           Dito e feito. Na quinta às quatro da tarde voltei sozinho a minha cidade no meu cavalo de aço. Correndo como um louco estrada a fora. Cheguei no campinho as sete em ponto. Suando, cansado, mas com um sorriso no rosto. Posição de sentido e lá estava eu me apresentando ao senhor Maestro Munir. No primeiro dia só treino de ordem unida. Ele só me deu um tambor pequeno oito treinos depois. Terminando voltei correndo para Bom Jesus. Só três anos após comecei na corneta e o clarim. A embocadura demorei seis meses para adquirir. Meu sonho na Banda aconteceu. Toquei clarim por muito tempo. Quando servi o exército era com muito orgulho o corneteiro do dia. Nunca faltei a um treino, desfile e nem tampouco nas minhas atividades ao ar livre. Encontrei Munir muitos anos depois em Colatina. Ele bem velho. Eu com meus trinta e cinco anos. Olhou-me com aquela cara feia, ficou em pé, em posição de sentido. “Ploc” ouvi seu calçado bater. Sempre Alerta! Ele disse. Eu fiz o mesmo. Maestro Munir! Que prazer! Já com aquela idade ainda tinha medo do Senhor Maestro Munir. Ele riu. Nunca o tinha visto dar um sorriso. Abraçou-me. – Sabe Osvaldo, eu sempre gostei de você. Nunca o esqueci. Aquele abraço foi demais. Uma alegria pois nunca o vi dar um abraço em ninguém. 


             Os tempos são outros. As bandas não são como antigamente. Não existem mais os Maestros como o Munir. Sei de muitos grupos escoteiros que venderam ou doaram sua banda. Imposição dos dirigentes? Que pena. Dá para conciliar. Da para treinar sem incomodar. Até hoje olho com saudades os desfiles. Quando vejo uma banda fico “arretado” e “arrepiado”, adoro isto. Na minha juventude a Banda símbolo era a dos Fuzileiros Navais. Tive o prazer de vê-la tocar muitas vezes. Mas os tempos foram passando, as bandas ficaram no esquecimento. As histórias de uma banda nos Grupos Escoteiros hoje quase não são contadas. Se eu pudesse, se meu corpo ajudasse eu teria um grupo. Um Grupo Escoteiro fantástico. Meninos vibrantes. Acampamentos mil. E mais o que? Claro, uma banda. Ia com certeza achar um Maestro Munir por aí. Que vida louca seria. Mas sonhos são sonhos. Com a minha idade não dá mais para que meus sonhos se tornem novamente realidade. 

terça-feira, 22 de março de 2016

Mowgly o menino da selva.

Mowgly o menino da selva.

Não importa quantos obstáculos você encontrar no caminho, lembre-se que tem amigos para lhe ajudar. Anime-se, Mowgli!



 Mowgly o menino da selva.

Dance como se ninguém estivesse olhando: Este conselho funciona, metaforicamente, para deixar a sua personalidade brilhando o tempo todo, mas também funciona literalmente. Às vezes, você só precisa parar o que está fazendo e começar a dançar (cocos e outros acessórios são opcionais).


  
Mowgly o menino da selva.

Lembre-se: “Necessário, somente o necessário”:
Esta música da floresta está cheia de frases sábias sobre a vida. Dê valor ao que lhe cerca, inclusive a coisas pequenas, como abelhas zumbindo entre as árvores, enquanto produzem mel para você. E mais uma coisinha: “somente o necessário, por isso é que essa vida eu vivo em paz”.



Mowgly o menino da selva.

Sempre olhe nos olhos: Na vida real, é sinal de respeito. Em Mowgli – O Menino Lobo é necessário para ser hipnotizado por uma serpente.




  
Mowgly o menino da selva.

Você pode contar com os seus amigos: Os amigos ajudarão você a passar pela vida (principalmente se estiver na selva). Eles lhe ensinarão muitas coisas, como essa: “não pique a pera no pé, pois pera picada no pé nunca presta, pois é”.





Mowgly o menino da selva.


Por fim, uma lição muito especial, oferecida pelo Mowgli: Não use sua cabeça para abrir um coco. Dói bem mais do que você pode imaginar. Não tenha dúvida.