Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 31 de maio de 2016

uma carta


Minha amada e querida irmã,
Maria Clara.
Sempre Alerta!

              Aconteceu algum de extraordinário comigo com o Zé Carlos e Marcio. Ele foi o culpado de tudo. Entramos em um Grupo Escoteiro. Uma mudança na família da água para o vinho. Não sabe o que é? Minha amiga é um movimento fantástico que me deu uma vida nova, cheia de esperança para um futuro melhor. Nunca pensei que uma filosofia como a escoteira pudesse mudar minha maneira de ser e agir. Zé Carlos é outro homem precisa de ver. Márcio agora é responsável tornou-se um jovem mais calmo, metódico e maravilhosamente estudioso. Estou escrevendo para você, pois combinamos de passar as férias em sua fazenda e devido a novos planos vamos adiar. O nosso Grupo Escoteiro vai fazer um acampamento de férias e nós não queremos perder. Sei que irá entender nossa posição, mas se Deus quiser ano que vem estaremos juntos aí com você e Oscar. Uma irmã como você compreensiva como é não vai ficar triste com nossa falta.

              Olhe o escotismo tem muitas coisas maravilhosas. Pela primeira vez observamos um por do sol quando um pequeno levante de nuvens formava no céu um Arco Iris. A vida escoteira é no campo e vocês que moram assim sabem como é bom para os meninos, meninas e porque não dizer também para nós pais de escoteiros. Adoram aventuras, possuem uma fraternidade tão grande que até arrepio ao contar. Pela primeira vez senti o vento sem medo de um vendaval. Tive a oportunidade de sentir a brisa fria e gostosa do amanhecer. Era fantástico sentir o orvalho caindo e molhando a nossa barraca, passear pelos campos noturnos com a manta escoteira que compramos e saber que se fosse necessário o céu seria o nosso cobertor. Foi marcante ver o regato de águas puras e cristalinas correndo e levando uma folha perdida cujo destino fazia dela uma onda e ser levada para o mar. Minha irmã é bom demais ser Escoteiro. Passear nas campinas verdejante, ver os peixes saltitantes em um rio, que você aí na fazenda vê todos os dias, mas aqui na cidade grande é tão difícil de ver e participar.

                  Teve uma tarde que vi um beija flor bailando e dançando entre papagaios amarelos e pardais coloridos. Isto marcou muito e olhe até mesmo Zé Carlos passou a ser poeta. Escreveu um lindo poema: - Além do por do sol, além do arco íris, existe um sonho. Real. Simplesmente fantástico. Escoteiros e escoteiras lá estão vivendo uma vida de aventuras. Isto é só o começo, e ele terminava seu poema dizendo: - Existe uma montanha azul que é a casa das abelhas e pardais que cantam ao alvorecer e nas noites lindas de inverno. Ah minha irmã! Foi demais e está sendo todos os dias. Se você morasse na cidade eu diria para procurar um Grupo Escoteiro. Saiba que eles nos recebem de braços abertos com amor no coração. Eles são sonhadores e sabem que além do por do sol, além do arco íris é ali que eles encontraram a verdadeira morada da felicidade! Amei os escoteiros. Entreguei a eles meu coração. Fiz uma promessa e jurei ser escoteira para sempre. Porque não vem nos visitar qualquer dia destes? Vais ver Zé Carlos e o Marcio diferente do que eram antes. Agora são amigos, difícil dizer quem é o pai quem é o filho.

                  Até outro dia minha irmã. Você sabe que a amo muito e tenho você como eterna moradora do meu coração. Está lá junto a Zé Carlos Marcio e o escotismo. É não dá mais para ficar sem ele. Até mais mana. Um abraço apertado no Oscar. Sei que vai ficar feliz sabendo que a felicidade mora em minha casa e no coração de minha família. Dizem por aqui que nosso coração é Escoteiro.

Beijos e porque não dizer: Sempre Alerta!

                         

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Você é Escoteiro? - Não diga!


Você é Escoteiro? - Não diga!

        Ah! Meu amigo sou sim, com muito orgulho. Estou aprendendo a ser alguém, para que todos que me amam possam um dia orgulhar. Aprendo que o caráter é importante em cada um de nós. Que ser leal é ponto de honra, e minha palavra? Sim é sagrada. Estou aprendendo que a honra faz parte dos honestos. Que a ética é mais que tudo. Aprendo tantas coisas que cada dia que passa aumenta o meu orgulho de pertencer ao Movimento Escoteiro.

       Acredito que desconhece nosso movimento, mas são tantas coisas maravilhosas que acontecem comigo, que hoje sei que a felicidade pode ser alcançada e eu a alcancei. Sou um privilegiado por Deus em ser escoteiro. Tive a felicidade de ver um céu estrelado deitado na relva, em volta de uma fogueira cheia de amigos e amigas. Constelações, cometa deixando um véu de cores brilhantes no céu. Vi constelações, milhões de estrelas piscando e isto me faz sentir que o escoteiro é puro nos seus pensamentos, nas suas palavras e nas suas ações.

      Gostaria que um dia aceitasse meu convite e viesse comigo dormir sob as estrelas! Ver o sol nascer e se pôr no horizonte, com um rastro vermelho deixando uma marca profunda em nossos corações. Quem sabe um dia vai poder saborear o cheiro da terra molhada, do perfume das flores silvestres, do som maravilhoso da passarada, do piar da coruja em um carvalho qualquer. Ficar hipnotizado ao ver o lenho crepitando em uma bela fogueira em uma clareira de uma floresta, onde todos riem, cantam e as fagulhas incandescente subindo languidamente aos céus. A vista procura ver aonde vão até que desaparecem deixando uma saudade no ar.

      Olhe, é fantástico ser do escoteiro. Um privilégio de poucos. Quando vejo a chuva caindo em uma floresta, fico maravilhado ao ouvir o som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Nós escoteiros temos uma ternura imensa com a natureza. Sabemos encontrar facilmente o Norte e o Sul, seguir a sotavento, sentir o vento no rosto, descobrir as flores desabrochando nas campinas verdejante. É incrivelmente agradável tirar o calçado e molhar os pés nas águas geladas de um belo riacho. Sentar e tirar uma soneca em uma frondosa árvore, poder olhar em volta e sentir o cheiro da relva cujo vento sopra com amor em nossa face. E que espetáculo chegar ao cume de uma montanha e ver o horizonte! Imperdível meu amigo!
     
       Sei que pode ser um de nós, e será uma honra vê-lo cantar conosco o Rataplã e se confraternizar com milhões de escoteiros espalhados no mundo. Venha, vou lhe dar a mão esquerda e repetir o que nos ensinou o nosso fundador: - Só os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda! Vais aprender conosco que o medo é próprio dos fracos e é preciso ter coragem e amor para conviver em uma vida saudável junto dos demais escoteiros no nosso fantástico acampamento. Não esqueça e guarde bem estas palavras: - Qualquer um pode entrar, mas ser escoteiro não é para qualquer um!


     Esperamos você de braços abertos. Será mais um dos irmãos de tantos milhões que temos espalhados pelo mundo. Vais conhecer a história do nosso fundador Baden-Powell, um homem além do seu tempo e um dos maiores pensadores e educadores da história. Lembre-se somos amigos de todos e irmãos dos demais escoteiros. Esperamos você. Coloque sua mochila, cante uma canção, e parta conosco nesta bela aventura!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Plagiando Drummond. A quadrilha que nunca foi patrulha.


Plagiando Drummond.
A quadrilha que nunca foi patrulha.

Maneco amava Sofia que amava demais a Leleco
Que tinha paixão por Maria, que amava Alfredo sem nada,
Que amava Zezé Pioneiro que não amava ninguém.
Maneco foi ser Escoteiro, Sofia já era uma Guia,
Leleco era réu na Comissão de Ética, Maria nem curso fez,
Alfredo agora doutor foi parar a UEB.

Maneco fez muitas jornadas, Sofia quase nenhuma,
Leleco contava estrelas, Maria apenas sorria.
Alfredo virou chefão, Zezé uma chefinha.
Maneco foi Lis de Ouro, Sofia nem um tesouro.
Leleco não era maneta, pediu carona no cometa.
Maria que nunca foi minha, agora é Chefe de Lobinha.
E Alfredo um grande chefão na UEB um figurão.

A história ficou sem nexo, não tenho por ela apreço.
Se Maneco foi para os Estados Unidos,
E Sofia para o convento, Leleco morreu de desastre,
Maria ficou para titia, Alfredo ainda vivia.
Fiquei sabendo que você, que ficou fora da historia,
Milita no escotismo e faz dele sua glória.

E quem quiser que conte outra,
Eu parto desta para melhor.
Sou um desastre em sonetos,
Cada um que escrevo é pior.

Partindo escoteirada, ficarei com minha amada.
Um dia quem sabe entorno, e por aqui eu retorno,
  Quem fica aceite um Adeus,

Quem sabe abraços meus...

terça-feira, 17 de maio de 2016

A boa ação escoteira. Por Lord Baden-Powell


A boa ação escoteira.
Por Lord Baden-Powell

O Centenário do Escotismo comemorou-se cem anos após o Acampamento Experimental de 1907, mas, quanto ao início das ideias de Baden-Powell para a juventude, que terão estado na origem do Escotismo, torna-se mais difícil uma localização no tempo. O Cerco de Mafeking fez de B-P um herói nacional, conhecido além-fronteiras e venerado no Império Britânico - tanto por adultos, como por jovens. Por essa altura, coexistiam na Inglaterra várias associações e clubes dedicadas à formação dos jovens, como a YMCA (Young Mens. Christian Association) e a Boys’ Brigade. Um desses clubes escreveu a B-P, que se encontrava a braços com a formação da Polícia Sul Africana, pedindo-lhe que enviasse uma mensagem para os seus rapazes. B-P respondeu a 21 de Julho de 1901, a partir de Zuurfontein, no Transvaal (África do Sul), com uma mensagem alusiva a um dos aspectos que mais contribuiu para imortalizar a imagem do escoteiro: a Boa Ação!

Meus caros rapazes,
O regulamento da vossa associação obriga-vos a manterem-se longe das bebidas, do tabaco, do jogo ilícito, do uso dos palavrões, etc. Não há nada melhor do que seguir essas regras e admiro-vos por as seguirem. Outros rapazes, que não têm a coragem de se juntar a vocês nem de se manterem fiéis a essas regras, provavelmente ganharão maus hábitos dos quais nunca se conseguirão libertar e, em muitos casos, as suas vidas tornar-se-ão histórias de miséria e fracasso: enquanto que vocês, saindo do vosso clube sóbrio e com a mente limpa, provavelmente sair-se-ão bem na vida, quando crescerem – se continuarem a aderir a essas regras.

Mas lembrem-se disto: Quando os soldados defendem um local, não ficam sentados, mas lançam contra-ataques para fazer debandar o inimigo. Por isso, não devem contentar-se em ficar sentados para se defenderem dos maus hábitos, mas devem também ser ativos para fazer o bem. Por “fazer o bem” quero dizer tornarem-se úteis e fazerem pequenos gestos de bondade a outras pessoas – sejam amigos ou desconhecidos. Não é algo difícil, e a melhor maneira de concretizá-lo é decidirem fazer pelo menos uma “boa ação” a alguém todos os dias, ganhando, assim, o hábito de fazerem sempre boas ações. Não importa o quão pequena possa ser a “boa ação” – nem que seja apenas ajudar uma senhora de idade a atravessar a rua, ou dizer uma palavra amiga em favor de alguém que foi difamado. O importante é fazer algo.


Quando um homem está a morrer, não está com tanto medo de morrer como de sentir que podia ter feito melhor uso do seu tempo enquanto viveu. O homem que fez “boas ações” toda a sua vida não tem nada a temer quando estiver a morrer.  Se esse homem sentir que fez algo de bom aos seus semelhantes sentir-se-á ainda mais feliz do que aquele que apenas se manteve afastado dos maus hábitos. Por isso, sugiro a cada um de vós, que leem esta carta, que devem, não só afastar-se da bebida e dos maus caminhos que lhe estão associados, mas também tentar. Fazer boas ações às pessoas à vossa volta”. Podem começar já hoje e, se quiserem escrever e contar-me sobre a vossa primeira “boa ação”, terei todo o gosto em conhecê-la.”.

sábado, 14 de maio de 2016

Hoje sim tem reunião.


Hoje sim tem reunião.

Turma! Hoje tem reunião, alegria de montão!
Chame a lobada os Sêniores e escoteiros
Pé na taboa sejam bem ligeiros.
Tem jogos, canções e fraternidade,
São amigos e tem plena liberdade.

Tem bandeira tem oração,
Irão cantar bela canção!
Vamos lobada brincar,
E os demais a escoteirar!

Feliz os aventureiros,
Jovens e leais escoteiros.
Grupo firme bela união,
A bandeira em saudação!

Isto mesmo, hoje é dia de festa,
Vamos explorar a floresta,
Pois hoje tem reunião,

Beleza, alegria de montão!

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Na beira do caminho tinha uma flor, tinha uma flor na beira do caminho.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Na beira do caminho tinha uma flor, tinha uma flor na beira do caminho.

                             Era um sol do meio dia. Quente, fervendo o sangue do Escoteiro caminhante. Mal dava para olhar a frente de tão quente... O chapéu de abas largas tentava segurar os raios amarelos do sol poente. A camisa ensopada. Ele pensou em tirar o lenço e a camisa. Ficar com a camiseta que estava por baixo. Mas esqueceu desta vontade. Aprendeu a andar uniformizado onde fosse. Não importa se tinha alguém a vê-lo ou não. Há horas esperava encontrar uma arvore frondosa, a beira do caminho. Nada. A estrada era de terra e quase não cabiam dois veículos passando um pelo outro. Ele sabia que ainda tinha chão para percorrer. Não fora com sua patrulha pela manhã. Prova de matemática. Um mais dois cinco mais oito e ele aprendeu a tabuada assim nas jornadas da vida. Agora não. Não calculava a soma divisão ou a multiplicação. Precisava parar para descansar, mas e a árvore frondosa que não aparecia?

                            Tirou seu cantil e bebeu dois goles. Não mais. Ele não sabia quanto tempo de caminhada ainda tinha para encontrar um riacho. Ali era impossível. Tudo estava seco, nem o verde do campo se via. O chão do caminho era terra pura e vermelha. Se chovesse valha-me Deus o barro que formaria. Um, dois, quatro seis quilômetros de pé no chão. Sua mochila pesava. Ele estava acostumado. Bastava encontrar uma árvore frondosa, apenas um cochilo e ele andaria outros seis se necessário. E os pássaros? Ele não via nenhum. Naquele sol escaldante nem pássaro se arriscaria a voar pelos céus. Ele passou por ela. Na beira do caminho. Nem reparou. O sol não deixava. O chapéu quebrando a testa para esconder o calor e a claridade escondia as belezas que não existiam na beira do caminho.

                           Andou alguns passos e parou. Sua mente tinha gravado a flor na beira do caminho. Pensou o que seria e a mente o obrigou a lembrar. Voltou-se calmamente e a viu... Linda, vermelha, quase do tamanho de uma rosa. Mas não era uma rosa. Somente ela com sua planta a segurar como se fosse cair com o peso. Não havia vento, ela não se mexia. Mas era linda. A mais linda flor que ele tinha visto. Deu meia volta até a flor na beira do caminho. Quem pensaria que na beira do caminho tinha uma flor? Verdade, mas na beira do caminho tinha uma flor. Ficou de frente a ela. Viu que ela sorria e não se importava com os raios de sol que não penetravam nas suas pétalas. Tirou sua mochila e se agachou em frente a ela. Um perfume suave percorreu suas narinas. Gostoso, delicioso. Agradável de cheirar. Era um balsamo para manter o corpo firme. Aquela sublime fragrância jogava todo seu perfume no Escoteiro que caminhava no sol do caminho.

                       Ficou ali estático por minutos que se transformaram em horas. Ela a flor na beira do caminho o hipnotizava. Ele precisava prosseguir precisava chegar ao acampamento antes do anoitecer. Seus amigos da patrulha o esperavam. Então o sol se escondeu. Uma nuvem branca com pássaros esvoaçantes chegou. Um vento sul começou a soprar. A flor balançou na sua planta, mas não caiu. O Escoteiro procurou um galho e o fincou junto à flor. Do seu cantil molhou a linda flor da beira do caminho. Precisava seguir adiante. O tempo não espera, e ele olhou a flor pela ultima vez. Grande, Vermelha, quase do tamanho de uma rosa. O Escoteiro partiu olhando para trás. Uma enorme tristeza o invadiu. A flor da beira do caminho balançou de um lado a outro. Como se estivesse agradecendo o que o Escoteiro fez por ela.

                         Era só uma flor, uma flor vermelha linda a beira do caminho. E ele viu que na beira do caminho tinha uma flor, tinha uma flor na beira do caminho, tinha uma flor, no meio do caminho tinha uma flor...

(Baseado no poema de Drummond – No meio do caminho tinha uma pedra.).

domingo, 8 de maio de 2016

Minha homenagem a todas as mães Escoteiras do mundo!


Bom dia meus amigos e minhas amigas.
Minha homenagem a todas as mães Escoteiras do mundo!

Queria escolher um símbolo de mãe escoteira para homenagear todas as mães deste pais e de muitos outros que se orgulham em ser um Badeniano. Ano passado escolhi Olave St. Clair Soames mais conhecida como Olave Baden-Powell para receber a homenagem em nome de todas as mães Escoteiras e também aquelas simpatizantes do nosso movimento. Porque não Maria Pérola Sodré? Para mim e para muitos que a conheceram uma das maiores escotistas do Brasil. Filha de Benjamim Sodré e de Alzira de Castro Sodré nasceu em novembro de 1922 no Rio de Janeiro. Desde que nasceu vivenciou o Escotismo e o Bandeirantismo onde fez sua promessa em 03 de novembro de 1933. Foi Fada, Bandeirante, Guia e passou a atuar como Chefe Bandeirante em 22 março de 1942.

Em junho de 1951 ingressou na UEB como Chefe de lobinhos. Fez o CAB de lobinhos, a parte II da IM Lobinho. Sua parte III da IM foi conduzida por João Ribeiro dos Santos um grande Chefe que além de diversas literaturas Escoteiras também Foi Escoteiro Chefe da União dos Escoteiros do Brasil. Fez diversos outros cursos importantes e em 1962 foi nomeada por Gilwell Park como Akelá Líder para o Brasil. Foi Comissária Nacional dos escoteiros do Mar onde atuou intensamente organizando o II, III e IV Ajuri Nacional dos Escoteiros do Mar, além de diversos fóruns de jovens. Fez o curso de Arrais, de Patrão e Técnico de Mar. Maria Pérola DCIM foi distinguida com o título de Adestradora Emérita da UEB. Dirigiu centenas de cursos em diversos estados brasileiros e no exterior. Nunca cobrou um centavo e fazia questão de pagar com seus próprios proventos a viagem de ida e volta. Sua vida sempre foi pautada pelo lema das Bandeirantes – Semper Parata (sempre pronta para cumprir os seus deveres com Deus, com a Pátria e com o próximo).
Em 1976 um forte terremoto em Nicarágua, sua primeira atitude foi doar sangue para ser enviado aos feridos. Dias depois embarcou como voluntária para Manágua onde se juntou aos escoteiros nicaraguenses num árduo trabalho de apoio as vítimas.

Excelente professora de Matemática era frequentemente procurada por pais que estavam precisando de aulas de reforço para seus filhos. Quando perguntada o valor do seu trabalho dizia: “Cobro aquilo que você puder dar, mas, em vez de me pagar, dê a quantia a alguém que esteja precisando mais que você”. Em 1983, recebeu do Conselho Regional dos Escoteiros do Mar a tarefa de ser seu representante junto à Ilha da Boa Viagem que, em 1937, a pedido do então Comandante Benjamin Sodré, havia sido cedida pelo Ministro da Marinha aos Escoteiros para ali serem administrados cursos para a formação de chefes escoteiros. Maria Pérola ocupou essa função até bem recentemente. Em algumas oportunidades em que os ânimos se exaltavam numa reunião (sim, isso também acontece no Escotismo), era Maria Pérola que, naturalmente, assumia o comando para restaurar a ordem e a tranquilidade. Certa feita, numa reunião de Assembleia Nacional, as coisas estavam quase chegando às vias de fato quando ela se levantou e começou a cantar “Prometo neste dia, cumprir a Lei..”; em segundos, todos a acompanhavam e tudo voltou ao normal.

Foi agraciada com o Tapir de Prata, Medalha Velho lobo, e foi homenageada pelos relevantes serviços prestados as vitimas do incêndio do circo em Niterói em 1962. Recebeu ainda a Comenda do Mérito Arariboia pela prefeitura de Niterói. A Medalha Fitz Weber pelo Rotary Club. Um fato curioso é que Maria Pérola recebeu o Tapir de Prata em duas oportunidades, em 1979 e em 1991. Descuido da UEB? Não! Merecimento! - Se o pai, Benjamin Sodré, era o Escoteiro Número 1 do Brasil, o Número 2 não pode ser de mais ninguém! Graças a Deus tive a honra de tê-la como Diretora do meu Curso Básico ramo Lobinho e do IM do mesmo ramo. Muitas vezes também fui honrado em recebê-la na minha humilde casinha em Belo Horizonte.

Através desta grande Escotista homenageio todas as mães que se dedicam de uma forma ou de outro ao Movimento Escoteiro Mundial. Sabemos que mãe é sinônimo do verbo amar: - Eu te amo, nós te amamos hoje e sempre! Sabemos que uma flor é bela, uma paisagem pode ser bela, mas a imagem de uma mãe transcende tudo aquilo que os olhos entendem por beleza. Seria bom se o dia das mães fosse comemorado todos os dias. Afinal elas merecem. Não são as coisas bonitas que marcam nossas vidas, mas sim as pessoas que têm o dom de jamais serem esquecidas! Meu lugar favorito é dentro do seu abraço.


Feliz dia das Mães, para todas um forte aperto de mão um abraço e que o mundo sorria aos seus pés!

sábado, 7 de maio de 2016

Mãe hoje tem reunião.


Mãe! Tô saindo! Hoje tem reunião! Alegria de montão!

Mãe, pai, está na hora, eu vou sair agora.
Não vou chegar atrasado ao meu escotismo amado.
Sou Escoteiro fiel, cumpridor do meu horário.

Todos sabem que na minha vez eu cumpro o horário inglês.
Atrasar não é minha praia, eu nunca fujo da raia!
E sorrindo quando chegar vou a todos abraçar!

Na porta da sede aberta, vou gritar o Sempre Alerta!
No meu nome de batismo, sabem que adoro o escotismo.
Melhor possivel lobada. Vou servir a Pátria amada.
Mãe e pai confiem em mim, Não sou o recruta Benjamim.

Sou valente sou Escoteiro, bom de campo e aventureiro.
Meu Chefe vai me ensinar e meu monitor a cantar.
Aprenderei que a minha honra, é maior que a desonra!

Sorria minha mãe amada, aprendi a ter palavra.
E na patrulha que amo, mostrarei que não há engano,
O escotismo é minha religião, alegria de montão.

 Sou batuta e no futuro, serei doutor com orgulho.
No cerimonial de bandeira, irei fazê-la subir altaneira.
Grupo firme em ação, a bandeira em saudação!

E aí escoteirada alegria de montão, pois hoje tem reunião!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Olá! Bom dia ou boa tarde ou quem sabe boa noite?


Olá! Bom dia ou boa tarde ou quem sabe boa noite?

                Antes de começar meu blábláblá quero que saiba que minha vida a cada dia tem mudado para melhor. Nunca me senti tão bem, pois meu sorriso apesar da falta de dentes aumentou. Ficando banguelo com as graças de Deus, mas o dentista disse que vai arrumar. Haja Money para pagar. Quem eu tive a hora de apertar a mão pessoalmente dizia que eu não abria a boca para sorrir. Kkkkkk! – Verdade. Mas importa que de uns anos para cá minha vida mudou e para melhor. Estou sorrindo mais. Ops! Não fiquei rico ainda e nem sei se ficarei. Muitos me perguntam por que não edito minhas histórias. Bem aposentado não tem estas mordomias. Não tenho amigo dono de editora ou amiga do dono da editora. Os dirigentes da UEB me querem longe. Eles estão certos. Sou uma espécie de Velho chato e oposição ao que eles fazem. Sei que não tenho como atrair simpatizantes, pois nossa disciplina é tão perfeita que quase todos aceitam sem discutir. Sempre vejo nos dirigentes uma maneira de por em fila seus seguidores com uma vara de marmelo para lembrar aos demais não saírem da fila. Muitos deles acreditam que eles são perfeitos e não podem errar. Paciência. Eles nunca vão publicar minhas histórias.

                      Mas continuando minha linha de pensamento, não desisto. Escrevo e como escrevo. Costumo acordar de madrugada, escuro ainda com uma história na cabeça. Escrevo, acho-a fenomenal, publico aqui no Facebook e nos meus blogs, mas não eram tão boas assim. Meus leitores gostam mesmo é de temas de adestramento, de acampamento, de atividades aventureiras e não existe quem não é atraído por um artigo de místicas ou tradições. Ainda bem que temos uma gama enorme de chefes que sentem falta disto tudo. Sem criticar os cursos hoje em dia deixam a desejar. Já pensou publicar no Facebook ou em um site que vai ser realizado tal curso? Na minha época isto não existia. (lá vem o Velho Escoteiro com suas bazófias. risos). Mas é verdade. Lembro que quando viam o nome do diretor do curso choviam inscrições. Eu mesmo que não fui lá estas coisas como diretor, dirigi vários cursos avançados da IM tive que fazer um segundo. Em um deles tivemos 150 inscritos. É mentira Terta? Como dizia o Chico Anísio. Mas foi uma época boa. Valeu enquanto durou.

                   Sabe de uma coisa? Meu corpo treme, fico apoplético, a cabeça dói quando vejo um curso com todo mundo sentadinho em cadeiras e o Sabichão com aquela pose de chefão parecendo o grilo falante de uma das minhas historias, falando, falando, falando e falando. Deus do Céu! Vamos ensinar, vamos aprender, vamos discutir quem sabe sentado em uma sombra, falar por dez minutos e deixar a turma discutir, chegar no “papo reto” e depois jogar. Ah! Jogar! Se a vida é um jogo eu gosto de jogar. Não sou muito cristão, pois se o padre ou o pastor fala, fala e eu não posso falar não me sinto bem. Quem sabe é por isto que a maioria dos lideres escoteiros me querem longe deles. Risos. Ora bolas, dá sono não dá? Como prestar atenção em um palestrita que fica falando por meia hora, uma hora? Ufa! Que sono dá. E dormir em quartos com camas? Deus do céu de novo. Barracas minhas gente. Somos um movimento em ação a cada instante. Quem fica parado ou sentado é poste depois da batida do carro.

                      Como segurar o menino se ficamos com pose de chefão? Queremos ser super heróis? Mocinho de filme onde ele sempre vence? O menino ou a menina é quem sonha ser herói. Eles querem correr, brincar, aprender fazendo, quer sentir o ar da natureza, o vento no rosto, quer subir montanhas, quer acampar, construir suas pioneirías, quer aprender a viajar com a mente e com o corpo em atividades aventureiras. Pisar na água fria de um riacho. Subir em árvores, descer em cordas que ele mesmo fez o nó. Agora fazer para ele? Para que? Deixe-o andar com suas próprias pernas. Ops! Chega! Estou me enveredando por caminhos tortuosos que muitos ainda não tiveram a ideia de seguir. Adoro um começo de pista, um salte o obstáculo, uma água boa para beber. Não gosto do voltem todos ao ponto de reunião ou o fim de pista. Meu caminho não tem fim. Tenho escotismo nas veias, ninguém tira isto de mim. Desistir, falar em cansaço, dizer que a mente não é mais a mesma não faz parte do meu habitat. Quero isto para você também.

                  Depois de toda esta lenga, lenga, estou aqui martelando meu próximo livro. O CONTADOR DE HISTÓRIAS. Mais de uma centena delas. Afinal tenho mais de 2.000 escritas. Bah! Não é um livro no sentido de edição, mas sim em PDF. Pobre é assim. Oferece o que tem e melhor ainda de graça. Um amigo me disse um dia que de graça até barraco de favela pegando fogo! Kkkkkk. Aguardem. Em breve vou anunciar a todos que se interessarem a me escreverem. Olhe, aprenda se quiser com o que vou dizer. Nunca deixe seu e-mail onde é postado o oferecimento. Quem oferece recebe centenas de pedidos e acha você um “folgado” querendo que copiem seu e-mail e envie a você. Ele quer que você faça o pedido em sua caixa postal e precisa atender a diversos outros que pediram. Não concorda comigo? Calma, é só um lembrete. Risos.

                 Chega por hoje. Mais tarde um artigo e a noite um conto. Feliz se você os ler e alegre mais ainda se comentar ou compartilhar. Quanto mais significa que gostaram.

Sempre alerta meu querido amigo. Que seu dia seja de paz e amor e um dos melhores de sua vida!

sábado, 30 de abril de 2016

O Poder do voto.


Conversa ao pé do fogo.
O Poder do voto.

                 Nesta hora difícil com que passa o país li uma crônica na Folha de São Paulo do Médico Dráuzio Varella, onde comenta a onda de vergonha que acometeu há muitos brasileiros, na votação do impeachment na Câmara da Presidenta Dilma Rousseff. Ela como todos nós não desconhecemos o lamentável nível da maioria dos nossos deputados, vendo em conjunto muitos despejando cretinices no microfone, assistindo a um espetáculo deprimente protagonizado por exibicionistas espertalhões travestidos em patriotas tementes a Deus. Votavam como se estivessem em um programa de auditório, preocupados em impressionar suas paróquias e vender a imagem de mães e pais amantíssimos. Ali vociferavam impolutos vendendo uma imagem que não é real. É o que temos ele disse o que fazer com Câmara e Senado funcionado com este tipo de pessoas que mais parece um show de horrores.

                      O que adianta homens enfatuados com gravatas de mau gosto, cabelos pintados de acaju e asa de graúna, com a prosperidade a transbordar lhes por cima do cinto, que receberam de 90 milhões de eleitores por alguns que os escolheram para representá-los. Dráuzio sempre um homem probo não se esqueceu de contar um fato que viu de um vídeo caseiro, uma moça de uns quarenta anos, em pé, de camiseta branca, ao fundo uma casinha humilde, atrás dela uma prateleira alta com frascos de plásticos espremidos uns contra os outros e um fio de eletricidade pendente de uma viga do teto. Com os olhos negros cheios de expressão, o sotaque e a energia de mulher nordestina gravou as seguintes palavras, articuladas com espontaneidade, como se estivesse conversando com o espectador:

- “O problema não tá no ladrão corrupto que foi Collor, não, nem na farsa que foi Lula”. O problema tá em nós como povo, porque a gente pertence a um país em que a esperteza é a moeda que é sempre valorizada. É um país onde a gente se sente o máximo porque consegue puxar a TV a cabo do vizinho. A gente frauda a declaração do Imposto de Renda para poder pagar menos imposto. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo na rua e depois reclamam do governo porque não limpa os esgotos. Saqueia as cargas dos veículos acidentados. O camarada bebe e depois vai dirigir. Pega um atestado sem tá doente só pra poder faltar no trabalho. Viaja a serviço de uma empresa, o que é que ele faz? Se o almoço foi dez reais, ele pega a nota fiscal de 20. Entra no ônibus, se senta, se tem uma pessoa idosa, se faz que tá dormindo. E querem que o político seja honesto.

O brasileiro tá reclamando de quê? Com a matéria prima desse país? A gente tem muita coisa boa, mas falta muito pra gente ser o homem e a mulher que nosso país precisa. Porque eu fico muito triste, quando uma pessoa... Ainda que Dilma renunciasse, hoje, o próximo seria... A suceder ela, teria que continuar trabalhando com essa mesma matéria-prima defeituosa, que somos nós mesmos, como povo. E não poderá fazer nada, porque, enquanto alguém não sinalizar o caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá, não.

Nós é que temos que mudar. O novo governante com os mesmos brasileiros não pode fazer nada não. Antes da gente chegar e culpar alguém, botar a boca no trombone, a gente tem que fazer uma autorreflexão: Fique na frente do espelho, você vai ver quem é o culpado. “Eu espero que nessa próxima eleição, dessa vez, o Brasil tenha noção do que realmente significa o poder de voto”.


A mensagem não traz o nome nem diz quem é essa brasileira. E você meu amigo o que me diz?

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Era uma vez... Um comissário Viajante da UEB. (uma história baseada em fatos reais -)


Lendas Escoteiras.
Era uma vez... Um comissário Viajante da UEB.
(uma história baseada em fatos reais -)

              Corria o ano de 1956. Estava com dezesseis anos e respirava escotismo em todos meus poros. Estudava mas não era bom aluno. O escotismo era onde eu me sentia realizado. Naquele sábado de abril pela primeira vez tomei contato com um alto Dirigente da UEB. Foi surpresa, pois nunca tínhamos recebido visitas da alta cúpula a não ser amigos de Grupos Escoteiros de cidades mais próximas. Eramos duas patrulhas seniores, uma com sete e outra com seis patrulheiros. Quase todos advindos da Tropa escoteira com exceção de Venceslau que entrou como Sênior. Nossas reuniões eram mais bate papo, programas de acampamentos, atividades aventureiras e nosso Chefe Sênior quase não ia as sede. Vivíamos mais em atividades ao ar livre que na sede. Aquela máxima que dizia onde tem um Sênior tem uma Tropa valia ali. A bandeira tinha sido hasteada. Fazíamos questão. Zé Geraldo o monitor se incumbiu de tudo. Sentados embaixo de uma mangueira vimos quando ele chegou na charrete de Micoçar. Foi uma surpresa enorme. Alto bem grande barriga proeminente, cabelos negros escondidos no chapéu de abas largas, calças curtas e um andar elegante de gente de cidade grande.

              Estávamos sentados de qualquer maneira. Ainda não havia entre nós aquela exigência de circulo e ferradura só para a bandeira. Ele chegou pomposo. Tinha pelos meus cálculos uns 45 anos. Deu um sempre alerta que quase arrebentou os tímpanos de alguns seniores que estavam mais próximo. – Cadê o Chefe? – Não veio hoje – disse Manoel. - Por quê? – Pergunta idiota. Ninguem respondeu. – Alguém pode chamá-lo? – Não dá Chefe, ele trabalha na Vitória Minas e viajou até Baixo Guandu no expresso. Só volta segunda. - E o Chefe do Grupo? Na casa dele no Morro do Chapéu. – Alguém pode avisar que o Comissário da UEB está aqui? Ninguém falou nada. Não estavam gostando do tipo. Estava muito metido e arrogante com ar de dono da bola. Acostumados com um aperto de mão, apresentação, um sorriso e fraternidade ele não demonstrou isto. Nem seu nome disse. Mindinho se ofereceu para ir avisar o Chefe João Soldado. – Avisar não disse. Diga a ele que é um comissário da UEB, que ele venha logo! – Rimos baixinho. Se ele dissesse isto para o Chefe ficaria no mínimo dois dias no xadrez.

                  Vinte minutos depois Mindinho chegou. – O Chefe disse que se quiser vá a casa dele. Micoçar sabe onde é. Micoçar era um charreteiro de aluguel. Naquela época as charretes faziam a festa na rodoviária e na estação ferroviária. Micoçar era o xodó das moçoilas, pois sempre tinha uma rosa para as que viajassem com ele na chegada ou na partida. Ele saiu com Micoçar sem despedir-se de ninguém. Ficamos sabendo depois que o Chefe João Soldado ficou uma “arara” com ele. Soubemos que o Comissário fazia exigências, falava alto, dizia que era Comissário e a UEB dera a ele plenos poderes. – Lá pelas seis e meia da tarde o Chefe João Soldado chegou com ele à sede. Já estávamos saindo quando ele nos chamou. – Patrulhas o Comissário quer fazer uma reunião para vocês. Quer demostrar como é uma reunião escoteira. Queria os escoteiros, mas estes só voltam amanhã do acampamento. Combinei com ele de vocês estarem aqui por volta das nove amanhã, domingo!

                  A reunião seria realizada no Campinho de futebol onde nos reuníamos. Ninguem gostou da ideia, mas ordens são ordens. Eu pensei que naquele domingo iria perder meu filme da matiné no Cine Pio XII. Buffalo Bill contra o Sioux Hunkpapa e na sequência Nyoka, a Rainha da Selva. Portando o uniforme não pagávamos ingressos. Ordem dada ordem cumprida. A reunião que ele planejou era uma correria de louco. Tais como as de hoje, mas naquela época era visto como um besteirol danado de ruim para seniores. Para dizer a verdade eu estava gostando. Tinha outros que não. O tal comissário bufava e corria para lá e para cá. Como apitava. Uma enorme audiência se formou. Ele dava palestra, jogos, corria saltava e resolveu fazer um comando Crow. Não sabia que éramos peritos na corda. Na primeira fila rindo a valer estava Micoçar com seu bigodinho a lá Charles Chaplin. Naquela época não éramos amigos. Ficamos depois da saga do Comissário Viajante. Foi então que o Comissário formou um circulo e ensinou-nos uma canção que mais tarde adorei, mas naquela época! Vixe, que vergonha. Era a Piaba. Tinha de rebolar, dar uma umbigada e dançar requebrando. Canção para outros não para os machões seniores como nós.

                        Fui obrigado a cantar e dançar. “Sai, sai, sai oh piaba saia da lagoa”! Quando alguém dava uma umbigada à turma da arquibancada rolava de rir. Na minha vez Micoçar começou a gritar: - Vai Telírio! Vai Telírio! Mostre seu requebro! Bem aquilo foi demais. Chamar-me de Telírio era briga na certa. Hoje não, mas naquela época os homossexuais da cidade eram considerados a escória e falar seus nomes era palavrão. Telírio era o mais conhecido. Eu vermelho de vergonha tentei dançar. Difícil requebrar. A turma da arquibancada gritando: - Vai Telírio, requebra e mostre que você é o maior dançarino da cidade! Desisti. Muitos outros também. O povo morrendo de rir. O chefão gritando: - voltem todos. Não dispensei ninguém! O comissário raivoso gritava possesso: - Nem cantar sabem? Que raios de seniores são vocês? Mocinhas lavadeiras do Rio Doce? Todos foram embora. Micoçar a gritar no meu ouvido me chamando de Telírio. Puxei a faca e disse que era a vez dele dançar. Dance se não vai sentir o sangue correr. A turma do deixa disso chegou.

                           O Comissário saiu com Micoçar e foi direto a casa do Chefe João Soldado. Esqueci-me de dizer ele era Terceiro Sargento da Policia Militar. Soube que ele de novo ameaçou fechar o grupo. Tanto falou que o Chefe João Soldado o pegou pela camisa e o arrastou a charrete de Micoçar dizendo: - Suma! Se aparecer na minha frente de novo quebro seus dentes e o coloco uma semana no xilindró. Micoçar se trazer ele aqui outra vez ajeito seu canto no xadrez! Dia seguinte quando o Chefe João Soldado nos contou toda a conversa eu quase morri de tanto rir. - Ora, ora, ele na minha cara disse que não tínhamos seniores. Tínhamos sim um bando de moleques indisciplinados (até certo ponto com razão). Exigiu que fizéssemos um Conselho de Tropa e destituísse ambos os Monitores. Disse que enquanto não fizermos tudo isto o grupo nunca seria registrado. Interessante é que nunca fomos registrados. Nosso grupo tinha mais de trinta anos de atividade e nunca fizemos registro. “Belle Époque”, outros tempos. Uma Segunda Classe suada. Primeira Classe? Não era para qualquer um.


                  E sabem o melhor? Eu e Micoçar anos depois nos tornamos grandes amigos. O tal Comissário alugou sua charrete por dois dias e não pagou. Foi embora e deu o cano. As patrulhas fizeram uma “vaquinha” e pagaram em suaves prestações. Sua charrete me levou a belos lugares por vales e rios desconhecidos. Charretes! Também foram engolidas pela modernidade; assim como o escotismo pelos novos tempos!

domingo, 24 de abril de 2016

O dia do Escoteiro. Um dia para lembrar...


O dia do Escoteiro.
Um dia para lembrar...

                  Dizem que são outros tempos, outras eras, alguns dizem que era no tempo das diligencias. Será? Como Lobinho nunca me disseram que o dia 23 de abril era o dia do Escoteiro. Acredito que o Akelá e o Balu não sabiam. Quando passei para Escoteiro lá por volta do final do ano de 1951, estava com onze anos e tinha um enorme orgulho de vestir meu uniforme Escoteiro. Lutei para conseguir. Presente mesmo só o chapéu que uma tia comprou em BH e me deu. Engraxei muito sapato para comprar o pano e minha mãe fez a calça e a camisa. Meu cinto comprei de Manuel Reco Reco, só me lembro do apelido. Ele desistiu. Filho do dono das casas Abil entrou, ficou quatro meses nem fez a promessa e se mandou. Paguei tostão por tostão. O meião foi fácil, na Livraria do Seu Toninho tinha material esportivo. Tinha um sapato Velho e resolvi comprar um “Vulcabrás”. “Deus meu” durou uma eternidade. O lenço e o anel o grupo deu.

                 Sei que devem estar perguntando – E daí? Bem era uma época que fazíamos questão de atravessar a cidade de norte a sul de leste a oeste com o uniforme. Na sede eu ia na minha bicicleta Philips, pneu balão, faixa branca que meu pai me presenteou. Vendeu uma sela (era seleiro) para um fazendeiro e sem dinheiro deu a bicicleta como caução e nunca mais apareceu. Era um orgulho sábado pela manhã lavar, passar cera, escovar e deixá-la brilhando. Viajei com ela milhares de quilômetros por muitos e muitos anos. Foi então que um dia o Chefe Jessé no cerimonial de bandeira disse que o dia 23 de abril dia de São Jorge era o dia dos escoteiros. Uma surpresa. Não sabia. Ninguém na patrulha e na Tropa sabia. Ele retirou do bolso uma comunicação da UEB dizendo para comemorarmos. Quem era essa tal de UEB eu desconhecia. Não tínhamos registro e nem nos preocupávamos com isto.

                     Um Conselho de Patrulha foi formado. Votamos para andar o dia inteiro com o uniforme marqueteando com vizinhos e indo a escola com ele. Foi uma festa. A meninada do Colégio Dom Bosco quando me viu (era o único Escoteiro do Colégio) foi àquela algazarra. O Padre Pedro me olhou de soslaio. Perguntou-me porque não estava com o uniforme do colégio. Expliquei. Levou-me até a secretaria para explicar ao Padre Jonas. Ele sorriu. – Pode deixar! Eu também fui por algum tempo Escoteiro na Holanda! Sorri, fiquei durinho e disse “Sempre Alerta Chefe” – Padre Pedro me corrigiu – Chefe não, Diretor! Não importava. Na sala os colegas davam risadas. Padre Jonas fez questão de ir comigo de sala em sala explicando o dia e porque estava de uniforme. Contou sobre os escoteiros holandeses, o que significava e quem foi o fundador. Eramos conhecidos na cidade, afinal o grupo foi fundado em 1942. Mas pouca gente sabia da lei da promessa e o que era o escotismo.

                     A maioria sabia dos nossos acampamentos afinal, além de atravessarmos a cidade por anos a fio indo acampar, havia a nossa carrocinha daquelas que zumbia e apitava nos eixos das rodas só para chamar atenção quando íamos acampar. Para mim foi um marco em minha vida escoteira. Valeu por tudo principalmente em saber que o Padre Jonas foi Escoteiro. O Chefe João Soldado nosso Chefe geral fez questão de convidá-lo para a diretoria. Aceitou mas não ficou muito tempo. Foi transferido para outro Colégio Marista em outra cidade. A data serviu para que todos os anos fizéssemos alguma atividade. Foi Tomaz quem sugeriu que neste dia as tardes déssemos flores as senhoras que passassem pela Praça Serra Lima. Difícil era arrumar as flores. Nunca mais esqueci este dia. Ficou gravado para sempre. Quando Chefe fazia questão de ouvir os escoteiros e os lobinhos para sugerirem uma solenidade qualquer. Usar só o lenço nem pensar. Todos faziam questão de calça curta acima do joelho, lenço bem passado, chapéu ou boné e estar presente na escola do seu coração.

                   Desculpem o relato, mas deitado em meu berço esplêndido, cansado de tanto dormir e tentar me recuperar lembrei-me de todos estes fatos. Não podia deixar de escrever e postar aos meus amigos. Outros tempos, outras eras, mas sem diligência, por favor. Ainda tínhamos charretes e bicicletas para nos transportar. Volto a minha insignificância de Chefe Dodói. Dói aqui dói ali dói acolá. Vamos ver se esta semana volto a escoteirar aqui com meus amigos, o único lugar que ainda posso lembrar, contar e pensar que escotismo é bom demais. Meu abraço fraterno a todos vocês. Boa noite!

Chefe Osvaldo.