Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sexta-feira, 8 de julho de 2016

E Mowgly foi aceito na Alcatéia de Seeonee.


Histórias de Seeonee.
E Mowgly foi aceito na Alcatéia de Seeonee.

- Shere Khan está com direito neste ponto disse Pai Lobo. O filhote de homem tem de ser apresentado à alcatéia para que os lobos decidam da sua sorte. Queres conservá-lo contigo? - Sim, respondeu de pronto à loba. Ele veio nuzinho, de noite, só e faminto. Não mostrou o menor medo. Olha! Lá está puxando um de nossos filhotes... E pensar que por um triz aquele carniceiro aleijado não o matou aqui em nossa presença, para depois, escapar-se do Waiganga, enquanto os camponeses estiverem caçando em nossas terras! Conservá-lo comigo? Pois decerto! - e, voltando-se para a criança nua: Dorme sossegada, pequena rã. Dorme Mowgli, pois assim te chamarei doravante, Mowgli, a Rã. Dorme que tempo há de vir em que caçaras Shere Khan, como te quis ele caçar ainda há pouco. - Mas que dirá a alcatéia? Indagou Pai Lobo, apreensivo.

A lei do Jângal permite que cada lobo deixe a alcatéia logo que case. Mas, assim que seus filhotes desmamem, os pais têm de leva-los ao Conselho, geralmente reunido uma vez por mês durante a lua cheia, para que os outros fiquem conhecendo e os possam identificar. Depois dessa apresentação os lobinhos, entram a viver livremente podendo andar por onde quiserem. E até que hajam caçado o primeiro gamo, nenhum lobo adulto tem o direito de mata a um deles, por qualquer motivo que seja a pena contra esse crime consiste na morte do criminoso. Assim é, e assim deve ser. Pai lobo esperou que seus filhotes desmamassem e, então, numa noite de assembleia, dirigiu-se com Mãe Loba, Mowgli e seus filhotes para o ponto marcado, a Roca do Conselho, um pedregoso alto de montanha, onde cem lobos poderiam ajuntar-se. Akela, o Lobo Solitário, que chefiava o bando graças a sua força e astúcia, já lá estava sentado na sua pedra, tendo pela frente, também sentados sobre as patas traseiras, quarenta ou mais lobos de todos os pelos e tamanhos, desde veteranos ruços, que podem sozinhos carregar um gamo nos dentes, até jovens de três anos que julgam poder fazer o mesmo.

O Solitário, os chefiava, ia fazer um ano. Por duas vezes caíra em armadilhas, quando mais jovem, e numa delas viu-se batido a ponto de ficar por terra, como morto. Em virtude disso tinha experiência da malícia dos homens, sua tática e jeitos. Houve pouca discussão na assembleia. Os filhotes que vieram para ser apresentados permaneciam no meio do bando, ao lado de seus pais. De vez em vez um veterano chegava-se até eles, examinava-os cuidadosamente e retirava-se. Ou então uma das mães empurrava o pequeno para o ponto onde pudesse ficar bem visível, de modo que não escapasse às vistas de toda a alcatéia. Do seu rochedo Akelá dizia: - Vós conheceis a lei. Olhai bem, portanto, ó lobos, para que mais tarde não haja enganos. E as mães, sempre ansiosas pela segurança dos filhos, repetiam: - Olhai bem, ó lobos. Olhai bem.

Por fim chegou à vez de Mãe Loba sentir-se aflita. Pai Lobo empurrava Mowgli, a Rã, para o centro da roda, onde o filhotinho de homem se sentou, sorridente, a brincar com uns pedregulhos ao luar. Sem erguer a cabeça de entre as patas, prossegui Akelá no aviso monótono do "Olhai bem, ó lobo", quando ressoou perto o rugido de Shere Khan: - Esse filhote de homem é meu! Entregai-me! Que tem o povo livre com um filhote de homem? Akelá sempre impassível, nem sequer pestanejou. Apenas ampliou o aviso: - Olhai bem, ó lobos. O povo livre nada tem a ver com as opiniões dos que não pertencem à sua grei. Olhai, olhai bem. Ouviu-se um coro de uivos profundos, do meio do qual se destacou, pela boca de um lobo de quatro anos, que achara justa a reclamação do tigre, esta pergunta: - Sim, que tem a ver o povo livre com um filhote de homem? A lei do Jângal manda que, em casos de dúvida de alguém ser admitido pela alcatéia, seja este direito defendido por dois membros do bando que não sejam seus pais.

- Quem se apresenta para defender este filhote? Gritou Akela. Quem, no povo livre, fala por ele? Não houve respostas, e Mãe loba preparou-se para luta de morte, caso o incidente tivesse desfecho contrário ao que seu coração pedia. A única voz, sem ser de lobo, permitida no conselho era a de Baloo, o sonolento urso pardo que ensinava aos lobinhos a lei do Jângal, o velho Baloo que podia andar por onde o aprouvesse porque só se alimentava de nozes, raízes e mel, além de que sabia pôr-se de pé sobre as patas traseiras e grunhir. - Quem fala pelo filhote de homem? Eu. Eu me declaro por ele. Não vejo mal nenhum em que viva entre nós. Embora não possua eloquência, estou dizendo a verdade. Deixai-o viver livre na alcatéia como irmão dos demais. Baloo lhe ensinará as leis da nossa vida. - Outra voz que se levante, disse Akela. Baloo já falou Baloo, o mestre dos lobinhos. Quem fala pelo filhote, além de Baloo? Uma sombra projetou-se no círculo formado pelos lobos, a sombra de Bagheera, a pantera negra, realmente cor de ébano, com vivos reflexos de luz na sua pelugem de seda.

Todos a conheciam e ninguém se atravessava em seu caminho. Bagheera era tão astuta como Tabaqui, tão intrépida como o búfalo e tão incansável como o elefante ferido. Tinha, entretanto a voz doce como mel que escorre dum galho e a pele mais macia do que o veludo. - Ó Akela e mais membros do povo livre! Direito não tenho de falar nesta assembleia, mas a lei do Jângal diz que, se há dúvida quanto a um novo filhote, pode a vida dele ser comprada por um certo preço. A lei, entretanto, não declara quem pode ou não pagar este preço. Estou certa? - Sim, sim! Gritaram os lobos mais moços, eternamente esfaimados. Ouça Bagheera. O filhote de homem pode ser comprado por um preço. É da lei. - Bem, disse a pantera. Já que me autorizais a falar, peço licença pra isso.

- Fala! Fala! Gritaram trinta vozes.
> - Matar um filhotinho de homem constitui pura vergonha, além de que ele pode ser útil a todos nós quando crescer. Em vista disso, me junto a Baloo e ofereço o touro gordo que acabo de matar a menos de milha daqui como preço de o receberdes na alcatéia, de acordo com a lei. Aceitais a minha proposta? Houve um clamor de dezenas de vozes que gritaram: - Não vemos mal nisso. De qualquer maneira ele morrerá na próxima estação das chuvas, ou será queimado pelo sol, que dano nos pode fazer vida desta rãzinha nua? Que fique na alcatéia. Onde está o touro gordo, Bagheera? Aceitamos tua proposta. Cessada a grita, ressoou a voz grave de Akela:

- Olhai bem, ó lobos.
Mowgli continuava profundamente absorvido pelos pedregulhos, sem dar nenhuma atenção aos que dele se achegavam para ver bem de perto. Por fim todos de dirigiram para onde estava o touro gordo, ficando ali apenas Akelá, Bagheera, Baloo e o casal de tutores do menino. Shere Khan urrava de despeito por ter perdido a presa cobiçada. Urra, Urra! Rosnou Bagheera, entre os dentes. Urra que tempo virá em que esta coisinha nua te fará urrar noutro tom, ou nada sei sobre homens. - Está tudo bem, disse Akelá. O homem e seus filhotes são espertos. Poderá este vir a ser de muita vantagem para nós um dia. - Certamente, porque não podemos, eu e tu, ter a pretensão de chefiar o bando toda a vida, juntou Bagheera. Akela calou-se. Estava a pensar no tempo em que os chefes de Alcatéias a sentir peso dos anos. A força dos músculos vai em declínio até que outro surge que o mata e fica o novo chefe, para decair também há seu tempo.

- Leva-o, disse Akela a Pai Lobo, e trata de educá-lo para que seja útil ao povo livre.

Eis como entrou Mowgli para a alcatéia: à custa dum gordo e por iniciativa das palavras de Baloo.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O fogo de Conselho.


Conversa ao pé do fogo.
O fogo de Conselho.

                     Todos vibram todos já participaram e todos guardam no coração para sempre. O Fogo de Conselho é único. Vale a pena participar de um e ver os sorrisos, os olhos as feições de cada participante não importa a idade vibrando com cada apresentação, cada canção cada aplauso daqueles que fazem todos se movimentarem para saudar os artistas e poetas que deixaram o palco da ribalta naquela clareira inesquecível. Cada Fogo do Conselho é único. Hoje contarei sobre o da Tropa. Só dela, perdidamente escondida numa floresta encantada. Patrulhas escoteirando em um local incrivelmente belo. Meninos escoteiros se deliciando com as atividades, com suas construções fantásticas, pioneiras, barracas, um fogão de barro aceso e a fumaça se espalhando pelo ar. Não existe felicidade como esta. - “Gente! A gororoba está pronta”! Sentados no chão ou em uma mesa rústica construída por eles, barulhos de colher e garfo a bater no prato e o sorriso brotando, pois a fome bate fundo e eles sabem que seu cozinheiro é dos bons.

                      O Fogo de Tropa é inesquecível. A Corte de Honra se esmerou em detalhar. Lá pelas tantas da noite, na porta da barraca do Chefe discutiram cada trecho, cada apresentação e o tempo de duração. A Patrulha de Serviço decidiu fazer um fogo diferente, uma abertura diferente, criado por eles ou quem sabe como a história do Escoteiro que um dia viajou no tempo só para participar. Falaram das reuniões indígenas, onde o Pagé sorrindo gritava assustando a todos: - Acenda-te fogo! E a chama brotava, subia pelo ar como a tentar se elevar até as nuvens e de lá chegar às estrelas. O dia chegou. As patrulhas prontas. Já se reuniram, já discutiram o que apresentar. Existe uma lei não escrita que no esquete todos participam. Na última noite um zum, zum corre pelas patrulhas. Muitas mantém segredo de sua apresentação outras querem a participação de todos. 

                       Fatos acontecidos no acampamento, fatos lembrados que nunca foram esquecidos, um Chefe que tropeçou e caiu, refeições de campo sem sal, com açúcar, queimados, pioneiras mal feitas que todos foram ao chão tudo é motivo para uma boa esquete. Alguns escoteiros tem seu instrumento musical. Um violão bem tocado e até mal tocado tem lugar garantido naquela noite inesquecível. Como disse o poeta: - Vai lá! Pega teu violão e mostra o teu sentimento. Expressa teus sorrisos na luz da lua, solta tuas angustias em um lá menor, e depois junta todos os teus acordes e brinca de poesia. Ah! Eis que chegou a hora. Todos vão cantando conversando e brincando até onde foi montado o fogo. Sempre em um local misterioso, quem sabe no seio da mata ou ao lado de uma cascata para sentir a vibração do cair das águas cristalinas criando um som fantástico naquela noite mágica.

                        Chegou a hora. Um monitor mais antigo assume como animador. Ele sabe que outros irão fazer o mesmo no desenrolar daquele fogo imortal. As madeiras foram empilhadas na técnica conhecida. Achas de lenhas estão próximas para o fogo não apagar. Levaram muitas bananas verdes, batatas saltitantes, dois bules de café cujas brasas irão se deliciar ao esquentar o chá e o café para a escoteirada. Sentam-se em qualquer lugar, não existe norma, existe alegria e vontade de brincar cantar e participar em tudo se possivel. – O espírito da coruja mora neste acampamento! Velha canção que ninguém esquece. Um intendente distribui biscoitos. O monitor da Patrulha de serviço toma seu lugar, é o responsável para não deixar o fogo apagar.

                     Esta patrulha de Serviço é das boas. Deixou pronto troncos para todos se sentarem a vontade. Um Escoteiro se aproxima do fogo. Todos ficam em pé. Ele sabe que só tem um palito de fósforos. Não pode errar. Era uma das muitas místicas que a Tropa fazia questão em utilizar. Há um silencio no ar. Ele apalpa as folhas e galhos secos na entrada do forno da fogueira. Uma chama no ar! O fosforo brilha, as chamas começam a aparecer. A Tropa conhece perfeitamente os costumes, valores e tradições culturais dos povos que habitaram o país no passado. Conhecem a importância do fogo que sempre foi um símbolo da energia da vida. Sabem que ele há muito tempo foi importante para a sobrevivência durante todo o processo da evolução do homem.

                               Lembram-se dos costumes, valores e tradições culturais dos muitos povos que habitaram nosso país no passado. Ali a mística não pode faltar. Todos entendem da importância do Fogo, como símbolo das energias da vida, na luta pela sobrevivência durante todo o processo de evolução do homem. Dos quatro elementos da natureza a terra, o ar e a água o fogo sempre fascinou o homem. Temido e amado, salvando ou ameaçando vida. Ele foi o responsável para o inicio da civilização, o homem aprendeu seu valor como fonte de energia. Aprenderam que os nativos e selvagens da Ásia e Africa ou mesmo os peles-vermelhas da América sempre se reuniram em volta de um fogo, pois sua luz e calor espantavam as trevas o frio e os animais. Neste momento sublime todos cantavam, dançavam sobre a cabeça de um grande animal que mataram, e ali planejavam suas caçadas de sobrevivência.

                      O responsável pela abertura não esquece a mística e o simbolismo da abertura. Porte firme ele faz a evocação dos ventos:
 Que os ventos do oeste, suave e agradável,
- Que os ventos leste, criador de tempestades,
- Que os ventos sul, quente e formador de nuvens,
Tragam nesta noite a alegria neste Fogo de Conselho, a vontade de vencer e nunca nos deixe esquecer de que somos todos irmãos de sangue, eu e você... Você trouxe outro amigo, e agora somos três... Nós começamos o nosso grupo, nosso círculo de amigos... E como um circulo, não tem começo e nem fim! Um por todos? – todos por um!


                   E tudo caminha para uma noite inesquecível. Canções incríveis, violão com suas cordas mágicas cantam a Árvore da Montanha presente naquele lugar, meninos escoteiros se divertem nas imitações, sorrisos em profusões. Alguém pega uma batata quente e grita: - Queimei! Gargalhadas, brincadeiras, os pássaros noturnos não se assustam com aquela escoteirada alegre e sorridente. Um cometa passa rasante no céu estrelado. A noite vai chegando ao fim. As mãos são finalmente entrelaçadas, canta-se uma canção inesquecível. Todos sabem que não é mais que um até logo não é mais que um breve adeus. Muito breve estarão reunidos outra vez. Sonhos perdidos e reencontrados, lembranças que ficaram para sempre no coração de cada um. A cadeia da Fraternidade foi o epílogo da apresentação. Não há mais palmas não há mais fogo. Hora de recolher. O Silencio da noite cai sobre as barracas que com seus jovens meninos irão adormecer e sonhar esperando mais uma noite inesquecível em um acampamento neste chão do Brasil. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Homenagem a todos pioneiros e pioneiras do Brasil e do Mundo!


Homenagem a todos pioneiros e pioneiras do Brasil e do Mundo!

Pioneiro!
Sigo por uma trilha desconhecida,
Sinto impossibilidade de chegar ao destino.
Obstáculos acumulam-se, dificultando.
A travessia, cercada de abismo e espinhos.

Há rastros marcados na trilha.
Sulcos profundos, como, tivessem sido.
Trilhados propositadamente,
Para serem seguidos.

Caminhos são assim... Sulcados por sonhos,
Precedidos por realizações,
Antigos pioneiros abrem caminhos.

Sigo as pegadas, exemplos de alguém.
Corro o risco, persisto.
Se ele conseguiu, consigo também!
(Fadinha de luz).

        “Enquanto escrevo estas linhas, está acampado no meu Jardim um exemplo vivo do que eu espero que seja o resultado desse livro numa escala crescente”. De todo o coração espero que isso aconteça. Ele é um vigoroso “PIONEIRO’ cerca de 18 anos de idade, portanto um camarada que está se adestrando para ser um homem adulto”.

“Agora estou imaginando melhor a pessoa que está lendo este livro”. Ora, você não é a pessoa que eu queria que lesse o que escrevi! Você já tem interesse pelo seu futuro e só quer saber o “Caminho para o Sucesso”. Minhas idéias, portanto, irão se colocar sobre as outras que você tinha. Minhas idéias podem corrobar as suas ou talvez o desapontem. Em qualquer dos casos, espero que não se torne menos meu amigo.
Mas se já preparou para o futuro, não é a pessoa que realmente desejo como leitor deste livro! Desejo aquele que nunca pensou no futuro sozinho ou que nunca planejou o porvir. Deve haver uma enorme quantidade de rapazes em nossa Pátria que está sendo arrastado pelas más influências do seu ambiente porque nunca viu caminhos mais limpos. “Esses rapazes não sabem que com um pequeno esforço pessoal podem elevar-se sobre o que os cerca e remar na sua rota para o sucesso” Baden-Powell. Do seu livro “O Caminho para o Sucesso”.


Meu abraço e meu Servir aos Pioneiros, aqueles que viveram ou não o escotismo em todo seu esplendor. Parabéns pelo seu dia!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

100 ANOS DE MOWGLY NO BRASIL



100 ANOS DE MOWGLY NO BRASIL

– UMA HOMENAGEM AOS LOBOS DE SEEONEE.

“O abutre Chill conduz a noite incerta,
E que o morcego Mang ora liberta -
É esta a hora em que adormece o gado,
Pelo aprisco fechado.
É esta a hora do orgulho e da força
Unha ferina, aguda garra.
Ouve-se o grito: Boa caça aquele
Que a Lei da Jângal se agarra”.
Canto noturno da Jângal.
Uma homenagem aos 100 anos de Mowgly no Brasil.

100 ANOS DE LOBISMO NO BRASIL.
"- O extraordinário é demais... - O que é isso? - Uma canção sobre a boa vida." – o Tigre não vai parar enquanto não tiver esse garoto." - "Se acontecer alguma coisa com aquele garoto, nunca vou me perdoar." - ““. - Vamos, Mowgli. Vamos andando. - Mas estou ajudando o Balu a se preparar pra hibernar. - Ursos não hibernam na selva. - Hibernação total não, mas tira muitas sonecas." "Você esta sozinho aqui? O que está fazendo no meio da selva? Você não sabe o que você é?  Eu sei o que você é. Sei de onde você veio. Pobre filhotinho, Você ficará comigo. Não tenha medo. E confie em mim." "Se não aprender a correr com a matilha, vai acabar virando o jantar de alguém.”.
"Estou sentindo um cheiro estranho hoje. O homem está proibido."
"- A selva não é mais segura para você. - Mas este é meu lar. - Só o homem pode protegê-lo agora." "- Você é um filhote de homem que quer viver na selva. 
- Como sabe disso? - Garoto, eu tenho orelhas. Minhas orelhas têm orelhas. Só eu posso protegê-lo." (Frases do Filme - Mowgli - O Menino Lobo).
BEM VINDO AO NOSSO GRUPO, UMA HOMENAGEM AOS 100 ANOS DE MOWGLY NO Brasil!



Eu sei mais do que digo, penso mais do que falo, e percebo mais que imagino!
Os lobos vivem em sociedade e ao contrário do que se pensa, os lobos são um exemplo de inteligência, dignidade e respeito para com os seus iguais. Além disso, os lobos deram ao ser humano o seu melhor amigo, o cão. Sabia que os Lobos conversam entre si? Quando pensamos em comunicação, lembramo-nos da fala e da escrita. Mas esse é o jeito humano de trocar informações. Os lobos não falam nem escrevem, mas se comunicam de diversas maneiras tão eficazes quanto à fala. Eles usam a linguagem corporal, e uma enorme variedade de uivos e sons. Por exemplo, demonstram raiva ao deixar as orelhas apontadas para cima e mostram os dentes. Se estiverem com medo, as orelhas se voltam para trás e a cauda fica entre as pernas. Um lobo demonstra respeito ao manter a cabeça abaixo da cabeça de outro lobo, e quando deita de barriga para cima é sinal de submissão.
Nossa homenagem aos lobos principalmente aqueles que vivem na história de Mowgly onde aprendem uma mística tirada exclusivamente por B-P com anuência de Rudyar Kipling o autor do Livro da Selva.

PARABÉNS AOS LOBOS DE SEEONEE!


sábado, 25 de junho de 2016

Caminho a seguir ou caminho a evitar?


Caminho a seguir ou caminho a evitar?

Todas as manhãs em pergunto a Deus até onde poderei chegar. No fundo eu sei que até onde ele decidir a hora de parar. Meti-me em uma trilha deliciosa e que escolhi achando ser a melhor. Os anos vão passando, e vou ficando cada vez mais exigente comigo mesmo. É uma tragédia da vida quando descobrimos que ficamos velhos cedo demais. E sábios tarde demais! Risos. Passo o dia fazendo uma rotina que eu mesmo escolhi. Mas o melhor de tudo é escrever. Agora com dificuldade, um braço não quer colaborar. Exige só uma posição. Médico? O SUS não é tão fácil. Consegui uma consulta para fevereiro de 2017. Falta pouco. Claro se até lá eu conseguir continuar vivendo. Mesmo assim não desisto, sei que os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo que tenho pela escrita me faz enrugar a alma. Rataplã! Em frente marche!

Agora me meti a poeta e outros dizem que sou escritor. Logo eu. Poeta? Pequenos garranchos, cópias de grandes homens das escritas e lá vou eu fuçando na tecla uma palavra de amor, de sonhos, de amizade alegria e fraternidade. Isto ajuda? Tem gente que gosta? São poucos eu sei. Alguns dizem que foi bom, outros cultivam um curtir. E a vida vai seguindo. Já me disseram que não paramos de brincar porque envelhecemos, mas envelhecemos porque paramos de brincar. Afinal nunca gostei de levar a vida tão a sério. Mas nos finalmente em me pergunto: - Até onde poderei chegar? Estou ajudando? Não basta agradar se a consciência não mudou. Um filosofo escreveu que os velhos gostam de dar bons conselhos para se consolarem de já não estarem em estado de dar maus exemplos. Não sei se dou bons exemplos. Não sou a perfeição escoteira na terra. Aprendi a amar este movimento, dei minha vida por ele. Tentei compreender as ilusões de muitos que chegaram e não souberam dar um abraço e um aperto de mão. Vem depressa correndo Escoteiro ajudar o cozinheiro a fazer o jantar!

Um outro poeta disse que com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos setenta anos de vida, aprender a ficar calado. Cacilda! Nunca consegui me calar. Queria em cinco minutos extravasar meus conhecimentos e passar para os outros. Será que o escotismo que fiz foi o melhor? Não. Não foi. Cada um escolheu seu melhor caminho. Visto da juventude, a vida é um longo futuro; a partir da velhice, parece um curto passado. Quando partimos num navio, as coisas na praia vão diminuindo e ficando mais difíceis de distinguir; o mesmo ocorre com todos os fatos e atividades de nosso passado. Eu deixei muita coisa para trás. Deixei muitas saudades e amizades. Deixei tempos de aventuras, de estradas de mochilão e chapelão. Outro filosofo disse que o que a mocidade deseja, a velhice o tem em abundância. Verdade? Alguém me perguntou? – Brilha a fogueira ao pé do acampamento, para alegria não há melhor momento!

Escrevendo e escrevendo. Ombro dolorido, mas se parar meu caminho das estrelas irá aparecer. Hoje escrevi tanto que até me cansei. Talvez eu esteja envelhecendo rápido demais. Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena. Minha soberba me condena. Meu passado não. Não aceitarei senões, não aceitarei conselhos de anões que no escotismo se fazem de doutores. Se eu estiver sendo útil me sentirei feliz. Sinceramente? Quando já não mais me indignar, terei começado a envelhecer. Fim chega por hoje. A tarde se aproxima a reunião ainda não terminou. Enquanto escrevo aqui estas saudosas linhas, uma patrulha correu mais para alcançar a vitória. E a lobada, na selva abençoada gritou avante VELHO LOBO! Sou eu? Risos. Senhor minha promessa, protegerás!

Uma linda tarde para você.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Um sonho para ser feliz!


Lendas Escoteiras.
Um sonho para ser feliz!

                   Olhei pela janela e um pé de vento passou por mim. Era um sinal para pegar uma carona. Já tinha colocado meu uniforme, meu chapéu de abas largas meu lenço e meu cantil. Até cantava a canção que dizia que meu chapéu tem três pontas. Soube que um Chefe cantava dizendo que tinha três bicos. Não importa. Corri até o quarto amochilei a supimpa às costas peguei meu bastão encantado e parti. O pé de vento ia longe. Pedi carona a uma poeira que passava e ela sorriu dizendo: - Suba, aqui tem um lugar para você. A noite toda sonhei com o Vale da Felicidade. Queria entrar e Pintas Silgo diziam que só uniformizado. Procurei a Borboleta dourada e ela sorriu. – Procure na terra dos anciãos para uma autorização. Não perguntei onde, eu sabia que a vida é o nosso bem mais precioso, é tão forte e é capaz de mudar o mundo. Eu queria ser feliz, mas não era? Eu sabia que os momentos em nossas vidas são mágicos e cabe a cada um de nós, deixa-los mais marcantes.

                  Na esquina da esperança encontrei o pé de vento. Ele não se fez de rogado. Suba se acredita que isto o fará feliz e que irá fazer alguém feliz a carona é sua. Escoteiro, ele disse: - Todos nós estamos à busca do mesmo sonho. Muito amor, amizade, paz, esperança, afeto tudo porque pensamos que assim seremos felizes. Embarcamos no vento sul e partimos para Sudoeste. Era lá que iria encontrar os anciãos para me autorizar a entrar no Vale da Felicidade. Eu acredita que curtir o que de melhor a vida oferece seria como viver o ultimo dia de nossa vida. Eu sabia que a vida é curta e seu caminho é longo. Já me contaram que às vezes precisamos aprender a sorrir, chorar, amar, sofrer e a renascer. Só assim poderíamos chegar em nossos sonhos. Não foi um poeta quem disse que o ontem passou e o amanhã talvez nunca chegue?

                Ao passar em uma constelação brilhante e cheia de luzes coloridas o pé de vento naquele espaço infinito gritou para mim: - Pegue três estrelas, coloque no bolso da vida. Se a lua passar não deixe que ela se vá. Use seu cabo trançado e a leve com você. Lá na esquina do espaço sideral salte e siga no rumo da constelação zodiacal. Vais encontrar os anciãos que poderão lhe dar permissão ou não. Fui em frente. Estava equipado. No bolso três estrelas, na mochila guardei a lua. Se encontrasse o sol ele iria me acompanhar, pois sempre foi meu amigo nas andanças e caminhadas que fiz por aí. Se precisasse de barraca o céu estaria à disposição. Se a chuva viesse eu seria Escoteiro para dizer: Bem vinda, as plantas agradecem. Como se fosse uma nau sem rumo o pé de vento me soltou e rodopiei no ar caindo sem perceber em um novo universo cheio de brilho e faíscas que me lembravam as noites de inverno à beira de uma fogueira em um acampamento qualquer.

                Avistei ao longe a Montanha dos Sete Desejos. Linda, maravilhosamente atraente para qualquer Escoteiro sonhador. Passou por mim uma nuvem branca em forma de amor. Saltei e ela me conduziu ao destino que tinha escolhido. Era lindo demais. Não podia ser uma miragem ou uma visão incompleta do que pensava ser a felicidade. Como se materializasse em minha frente, uma senhora de idade indefinida, trazida quem sabe pelo vento, de extraordinária beleza, cabeços prateados em coque, sorriso maravilhoso, um lenço azul brilhante preso por um anel dourado e com o colar da Insígnia me olhava docemente. Em sua volta milhares de borboletas coloridas voavam como se fossem guardiãs e ela com uma voz meiga, simples, sem afetação me olhou e disse:

- Quer entrar no vale? Tem maturidade suficiente para dizer – Eu errei? Tem ousadia escoteira para dizer – Me perdoe? Tem sensibilidade para expressar a todos dizendo: - Eu preciso de você? Seria capaz de dizer com simplicidade ao seu irmão Escoteiro: Eu te amo? E por acaso quando errar o caminho saberá começar tudo de novo? Se for assim sei que é um Escoteiro merecedor, apaixonado pela vida e assim vai descobrir que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas saberá usar as lagrimas para irrigar a tolerância. Usará as perdas para refinar a paciência. Irá corrigir suas falhas para esculpir a serenidade e quem sabe vai usar a dor para lapidar o prazer. Se fizer assim se usar os obstáculos para abrir às janelas da inteligência as portas do Vale da Felicidade estarão abertas para você!


                     Foi então que descobri que tudo fora um sonho. Acordava com o sol a pino em minha barraca no meu acampamento imortal. Lá fora meus amigos fraternos trabalhavam para limpar o campo, fazer o café, e espreguiçando ouvi o Lobo Guará ao longe uivando como a dizer: - Escoteiro parte do dia já se passou, mas ainda há muito dia pela frente. Levante, avante, faça sua boa ação! Se ainda não fez, faça se ainda não foi, vá! Não deixe para logo ou para amanhã o que você acha que precisa ser feito, procurado, encontrado. Este é o momento para viver, para ser feliz, não depois, logo ou amanhã, pois agora você pode, mas o depois ninguém pode garantir como será. Então agarre o momento, as oportunidades, crie o que não existe e seja feliz!

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Givaldo.


Givaldo.

- Escoteiro, porque este olhar?
Ele não me respondeu. Não disse nada e seguiu para sua patrulha.
Fiquei preocupado. Eu sei que erros podem ser perdoados. Atitudes repensadas. Mas algumas palavras nunca serão esquecidas. Analisei-me, procurei ver porque ele agiu assim. Eu era um Chefe, me considerava um amigo, sempre procurei não decepcionar alguém que seria capaz de fazer tudo por mim.

A verdade é que palavras bonitas se tornam descartáveis perto de atitudes estupidas. – O que tinha dito para ele ficar assim? - Seria por adiar a excursão? Por cancelar o que ele sonhava? Primeiro o encanto. Depois o desencanto. Por fim, cada um pro seu canto. Isto não, eu não podia aceitar.

Ao encerrar as atividades o procurei. Afinal quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa. Ele confiou em mim e isto era importante demais. Três palavras difíceis de dizer: inconstitucionalissimamente, paralelepípedo e desculpa.

- Conversamos, ouvi mais do que falei. Ele se levantou e me abraçou. – Desculpa Chefe! Isto derruba qualquer coração. Às vezes o apoio e o conforto que você precisa vêm de onde menos espera. Fui para casa com um sorriso de vitória. Ficamos amigos por muito tempo. Algumas pessoas foram feitas para ficarem em nossa vida, outras para ficar na nossa memória.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Ser poeta!


Ser poeta!

A bela “Ragazza Escoteira” me perguntou:
- Chefe, como faço para ser poeta?
– Eu sem saber o que dizer ousei lembrar outro poeta:
- Queria ser poeta, mais poeta não posso ser, por que poeta só pensa muito e eu só penso em escrever! Ah! Eu queria ser poeta, transformar sonhos de despedidas em uma doce saudade... E quem sabe tê-los entre as mãos e vivê-los de verdade... Quem sabe chorar, sorrir, sem medo de viver, aprender a amar a vida e de joelhos, sorrir ao me olhar no espelho.

Eu queria mesmo ser poeta, agradecer a Deus em cada anoitecer, cantar e amar cada minuto vivido, e ao acordar lembrar-me dos meus desejos adormecidos, sabendo que foi bom enquanto durou. Eu queria ser poeta, amar e ser amado intensamente... Ter o passado e o futuro presente, fazer da minha vida uma sublime oração...

- Ela me olhou sorrindo.
- tudo isto Chefe?

- É linda escoteira, ser poeta é desafiar a própria mente, é sentir o mundo em redor, é ouvir a voz silenciosa do que o rodeia, é criar das coisas da vida frases de belas cores! É saber escrever textos de diferentes sensações, é ver no sol que nasce a lua que irá chegar... É saber mudar as desgraças fazendo surgir às alegrias, e do frio criar o calor! Quem sabe fazer dos sonhos realidades, deixar o sofrimento e a dor de lado. É olhar para uma simples flor à noite e conseguir ver sua cor...

- Tudo isto Chefe?
- Sorri para ela e continuei: - É sentir no peito a natureza, no coração o vislumbrar da sua beleza, ouvir os rios, sentir a brisa e ouvir a melodia da vida.

- Assim bela “Ragazza” se em tudo conseguir ver a beleza, e em tudo ouvir uma canção, então será poeta e o que escrever com firmeza sai de dentro do coração!  

segunda-feira, 13 de junho de 2016

As canções que um dia cantei para mim.


Conversa ao pé do fogo.
As canções que um dia cantei para mim.

¶ Põe tua mágoa bem no fundo do bornal e sorri, sorri, sorri!
O que importa é vencer o mal mantem sua alegria,
Não importa você se zangar, pois o mal há de acabar, e então?¶

                      Eu sempre gostei de cantar canções e hinos escoteiros. Já vi tropas, alcateias cantarem divinamente. Tive a sorte de ver sêniores em marcha de estrada sorrindo de peito aberto e cantando a plenos pulmões, mostrando seu orgulho escoteiro. Quantas e quantas canções ouvi nas centenas noites de Fogo de Conselho que participei, ou em volta de uma pequena fogueira acesa em uma trilha qualquer onde alguns gravetos ou pequenas achas alimentava o corpo e a mente da Patrulha. Cantei em montanhas e picos distantes, Vales, colinas verdejantes, embaixo de árvore frondosas, colinas enormes onde armei minha barraca. Emocionei-me muitas vezes a cantar as canções de Giwell com os irmãos Insígnias. Amo muito “Em meus sonhos volto sempre a Gilwell”. Todas as canções que cantei e ouvi cantar não tenho como dizer qual a mais linda, a mais simples, a mais complicada. Quantas e quantas vezes, cansado, voltando de um acampamento e empurrando a carrocinha as canções surgiam naturalmente em minha mente. “Viemos do norte, do sul e do leste”... É e terminar dizendo – “Lavando as panelas são todos irmãos”.

                     Aprendi algumas canções cantadas por este Brasil afora que milhares de chefes fizeram. Poucas eu guardei na mente. Eu mesmo fiz algumas e hoje esqueci. Das tradicionais eu tenho as minhas preferidas. Guin gan guli, o Cucu a lembrar da Noruega, Terra do Belo Olmeiro pensando nos grandiosos lagos do Canadá sem esquecer a Arvore da Montanha. Um clássico que ninguém esquece. Com sono cantávamos baixinho o Kumbayah. Eu tenho certo carinho pela Canção da Promessa. Guingaguli é demais e o espírito de BP? Linda. Melhor ainda o Adeus Montes e Vales, Avançam as Patrulhas, Stoldola (esta eu cantei uma vez fora do Brasil, marcou muito). A Canção do Clã é inesquecível. São tantas e tantas e olhe, tive a honra de conhecer chefes de outros países com canções divinas. Vi violeiros, gaiteiros, trompetistas, um Sênior que tocava maravilhosamente um saxofone, mas sabe, sempre chorei com algumas canções. Não dá para segurar. Falo da Canção da Despedida. Uma vez acampava em um país sul americano e me aparece uma Akelá tocando violino. Tocou de tal maneira que todos de mãos entrelaçadas ficaram calados, mudos só ouvindo. Lágrimas caindo. Lindo demais.

                   Tive a honra de ver muitas alcateias e tropas cantarem divinamente. Ali estava presente o espírito de BP quando ele lembrava-se dos seus tempos na África e nas noites estreladas em volta de uma fogueira. Ali nunca faltou uma bela canção. É maravilhoso ver meninos cantando e vivendo o que cantam. Um violão, uma guitarra, uma harmônica, um saxofone ou mesmo uma flauta simples engradece qualquer canção escoteira. Quando a gente canta a canção entra em nossos corações, bate fundo lá dentro e vai para o cérebro ficar guardada em um chips escolhido para armazenar canções Escoteiras. Eu já disse, mas não deixo de repetir, nada é tão maravilhoso que um céu estrelado, uma clareira em uma floresta perdida, achas de lenha queimando, o calor adotando todos a sua volta e as fagulhas se espalhando no céu. Então alguém por um simples gesto canta uma canção. Demais! Nenhum espetáculo se sobrepõe aquele momento. É sublime e olhamos em volta com os olhos vermelhos de emoção a ver nossos amigos escoteiros sentindo o mesmo que nós.       

                   Comprei uma vez um violão e aprendi duas posições. Isto mesmo só duas e dava para acompanhar. Era delicioso sair do campo da chefia, ir a um campo de patrulha ao entardecer na luz brilhante de um lampião a gás ou a querosene; sentar em qualquer lugar, enquanto o cozinheiro com os olhos enfumaçados sorria a ver sua sopa fervendo, e ver a patrulha a cantar belas canções escoteiras. As outras que ouviam devagar iam se aproximando, sentando em volta e cantando também! Maravilhoso! Ali a gente sentia um calafrio, saber que somos todos irmãos, dizer que o escotismo marca que ele é incomparável. E quando se canta a Canção da Promessa às lembranças correm pelas matas, montanhas em busca de um acampamento que marcou. Minha Tia Dazinha quando tinha doze anos me deu uma gaita de fole. Em casa me proibiram de treinar. Diziam que o barulho era horrendo e ninguém queria sofrer. Risos. Eu saia para a beira do rio e ficava lá horas e horas treinando. Coitado dos peixinhos que pulavam na água para ver o tocador de gaitas que nunca tocou nada! Risos. Não fui o melhor, mas já abusei da gaita em acampamentos até no exterior. Aguas passadas. Isto não existe mais.


¶Boa noite Touros, boa noite Maçaricos, Boa noite Corvos e Boa noite Lobos, pois agora eu vou dormir – Bem alegre vamos indo, vamos indo vamos indo, bem alegre vamos indo para o mar azul¶. - ¶Vem depressa correndo Escoteiro, ajudar o cozinheiro a fazer o jantar!¶

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Nossa! Vocês vão acampar?


Conversa a pé do fogo.
Nossa! Vocês vão acampar?

                           Vamos sim, desta vez vamos longe, mais de oito quilômetros a pé. – A pé? Mas como? Você não mora mais no interior, afinal nossa cidade é grande. Dei risadas. E daí? Está tudo preparado – Afinal fizemos duas excursões e um acampamento só de monitores no mês passado em um fim de semana para nos adestrar. Eles mesmos prepararam tudo que precisamos levar. E olhe tudo vai nas costas, desta vez sem ônibus alugado e sem pais para ajudar no transporte. Pensei comigo – Seria isto possivel? Ele adivinhando o que eu pensada disse – Os monitores fizeram agora uma tal de ração A, B e C. A ração A é para uma atividade de um dia, a ração B para dois dias e a C para um acampamento de três dias ou mais. Assim fica mais fácil. Eles mesmos fizeram o cardápio, calcularam por pessoa e cada um dos participantes leva parte da ração. Tem aquelas que três levam arroz, tem aquela que um só leva. Eles acharam melhor um cardápio simples onde com uma panela, um caldeirão e uma frigideira eles fazem tudo. Achei interessante.

                      Conta-me mais. E como é levada a intendência e o material de patrulha? - Fácil ele disse. Também dividida por cada um da patrulha. Agora usamos um lampião a querosene. Ele vai vazio e dentro de um vidro bem fechado leva-se o líquido. As barracas são pequenas e simples de carregar com a mão ou prender na mochila. Assim gastamos o mínimo possivel. Hoje a taxa foi de dez reais. Isto paga o ônibus ida e volta. Ele vai nos levar até o entroncamento da estrada de São Mateus. Lá vamos andar uns cinco quilômetros e chegaremos ao sítio do Leopardo. Fomos lá antes eu e os monitores. O proprietário é gente boa. Disse que o local estava às ordens para quando quiséssemos acampar. – Mas será que a tropa aguenta? Claro que sim, fizemos duas excursões. Uma delas andamos sete quilômetros e a outra foi noturna. Mais nove quilômetros à noite. Claro lá pelas duas da madrugada em uma clareira jogamos as lonas e dormimos sob as estrelas. Cada um levou seu lanche. E sabe o melhor? Neste acampamento só eu levarei o celular para uma emergência. Será mesmo um acampamento mateiro.

                       Achei interessante. E o programa do acampamento já fez? – Este vai ser um programa especial. Foram os monitores ouvindo suas patrulhas quem prepararam tudo. Vamos ter sim o normal de um acampamento de três dias. Levantar as seis, um pouco de física, café as oito e inspeção as nove. Lembre-se vamos acampar nos moldes de Giwell. Cada patrulha é autônoma. Terá seu campo de patrulha distante uma das outras por um mínimo de 40 metros. Desta vez até eu e o Chefe Leão vamos levar nossa matutagem e nosso material. Nada de comer nas patrulhas. Elas só irão ter nossa presença se formos convidados. – Pensei comigo, será que vai dar certo? Era uma tropa acostumada a acampar com pais levando tudo, e inclusive alguns lanches eles faziam. Se eles não faziam o certo agora vi uma mudança enorme. – Ele continuou, olhe teremos um programa sem muitos horários. Muitos reclamaram da falta de tempo livre para eles fazerem suas construções no campo de patrulha. Decidimos que eu e o Chefe Leão só vamos lá se convidados. As patrulhas irão aprender a seguir pistas de animais, Irão tentar tirar uma foto de um animal ou pássaro e vence aquela que chegar mais perto. Eles terão tempo para pescar, pois no cardápio está incluída uma fritada de peixes frescos. Risos.

          - E se chover? Se chover estaremos prontos. Nada de serviço de meteorologia pelo rádio. Eles irão aprender previsão de tempo dentro da mata e bosques. Pelas formigas, pelos pássaros, e claro os vagalumes noturnos irão ensinar se vai fazer frio, se o orvalho vai ser forte, irão descobrir ninhos para ver de onde vem à chuva, Prestarão atenção ao vento, quantos nós ele anda, e já decoraram as quadrinhas de previsão de tempo – Se tens vento e depois água deixe andar que não faz mágoa, mas se tem água e depois vento põe-te em guarda e toma tento. Vermelho ao sol por, delicia do pastor, orvalho de madrugada faz cantar a passarada, são tantas! Mas se chover mesmo vamos aprender a fazer um pequeno celeiro só nosso para abrigar a todos durante o dia. – Já treinamos isto com bambus e folhas verdes. E lá tem muito pés de banana, sabendo cortar a folha sem prejudicar o telhado ficará nos trinques. Vocês tem coragem eim? – Não é coragem, isto para nós agora é escotismo mateiro. Afinal aprender um nó na sede sem usar no campo não tem valor.

            E olhe vamos conversar só com transmissões à distância. Semáforos de dia e a noite Morse. Teremos um grande jogo cujas instruções serão ditadas por sinais de fumaça! - Caramba! Estou gostando do seu acampamento. Não deixe de me contar tudo. Quero fazer o mesmo na minha tropa. - Claro que sim. Contarei tim tim por tim tim. Risos. E quer saber mais? Desta vez teremos uma conversa ao pé do fogo, próximo a minha barraca, comendo batatas doce, um bule de café na brasa, contar causos e histórias, cantar e espreguiçar gostosamente, deitar na relva para ver as estrelas e ver os cometas passarem. Aprendi a me orientar pelas estrelas. Ensinei aos monitores e eles irão aprender mais com suas patrulhas. E o fogo do conselho? Olhe vai ser típico dos velhos mateiros. Não teremos animador de fogo, cada um senta onde quiser. A patrulha de serviço irá acender e manter o fogo em todo seu tempo. Cada um apresenta o que quiser. As palmas serão criadas na hora. As canções surgirão espontaneamente. Ah! Esqueci-me de dizer, quatro Escoteiros estão treinando há meses como gaitistas. Vai ser um festival de gaitas. Risos.


           - E sabe? Eles agora querem ser chamados com nomes indígenas nos fogos de conselho. Disseram que todos devem ter um nome de guerra. Aqueles que quiserem ou que já tiverem oito especialidades e o cordão verde amarelo será batizado com nome indígena a sua escolha. Irão saltar um pequeno fogo três vezes e a cada salto toda a tropa grita seu novo nome de guerra. Bem isto foi eles que escolheram afinal todo o acampamento foi programado por eles! Programa? Nada escrito, você já viu como vai ser. Cada Monitor se encarregará de uma parte. Esqueci-me de dizer, vamos fazer uma ponte pênsil em um córrego próximo. Estamos programando um jogo nela de rachar! Risos. As bolas de pano já estão prontas para a lança. Mas não vou contar – Pensei comigo acho que vai ser um acampamento inesquecível. Eu sabia que nem tudo daria certo, mas quem não aprende a fazer fazendo não é Escoteiro não é verdade?