Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Novos e velhos tempos. (Crônica dedicada aos Antigos Escoteiros).



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Novos e velhos tempos.
(Crônica dedicada aos Antigos Escoteiros).

Nota - É o regresso ao passado, o presente é o futuro. Máquina do tempo, o velho testamento em que não existia o veneno. Bons velhos tempos, continuo aqui o mesmo... Escoteirando como outrora no meu pensamento!

- “Vado Escoteiro, olhe o que eu ganhei! Um rolo de sisal, quase dois quilos”! – Olhei com curiosidade, nunca tinha visto um. Achei bonito, uma cordinha fina amarelada, logo me vi usando em uma quadrada ou diagonal. Seria um “tetéu” para uma costura de arremate, bem melhor do que o cipó Cacique e o treteiro. - Foi meu tio da capital quem me trouxe. - “Bom bonito e barato”! Disse ele. – É para a Patrulha? É sim Vado, foi presente, sem ônus. Foi o meu despertar para deixar de lado minha gostosa e saudosa amarra com cipó. A gente usava e guardava quando retornasse.

- O tempo foi passando, “Macaco Disse” para segui-lo com submissão. Usei o sisal pela primeira vez. Pata tenra no uso deixei enormes marcas nas mãos. Acochar era preciso. Doeu por uma semana. Depois aprendi a usar um pequeno pedaço de pau enrolando e acochando. Valeu, minhas mãos não tinham mais marcas. Vi um Monitor em Conselheiro Pena usando uma luva de couro. Experimentei. Valia a pena. Quanto custa a luva? O preço era alto demais para mim. Comecei a ver que a modernidade tem preço e nem sempre eu podia pagar.  

- Foi meu primeiro embate com o moderno e que o diga meu Lampião Vermelho a querosene. Um vidrinho bem acochado na tampa com o líquido, ele amarrado de lado na mochila ia para onde o quiséssemos levar. Dava para o gasto, lumiava em nossa volta, nunca sentimos falta da luz elétrica. Fumanchu o Cozinheiro muitas vezes quando faltava querosene ele tinha de reserva duas velas e com um pedaço da lasca de uma peroba era um pedestal perfeito para iluminar sua cozinha.

- Tínhamos a técnica para dar a iluminação necessária para as noites de acampamento. Altura exata do pavio, limpeza do vidro e outros. Todo Pata Tenra tinha que se adestrar a abrir o vidro, cortar o pavio e por a iluminação na ordem certa. E eis que apareceu o famoso “Liquinho”. Lampião a Gás, lampião de gás, quantas saudades você me trás! Mas as saudades maiores sempre foi do meu querido e batuta Lampião a querosene. A Gás perdia a graça nas noites de luar!

- “Seu” Dondinho um antigo sênior agora investido em sua oficina de tornearia, nos presenteou com um “forçado” nome que inventamos para furar buracos na terra fácil de transportar. Eis que vejo na oferta nas casas Abil um tal de Trado perfurador de terra de rosca! – Apenas sessenta mangos! Uma tralha difícil de levar sem a carretinha. Começavam a rarear nossos acampamentos a “Escoteira”. “A patrulha que anda só”! As invenções da modernidade diziam, seria para facilitar a locomoção menor do ser humano.

- O 6º Batalhão Militar a cada dois ou três anos nos presenteava com materiais descartados mas em sua maioria seminovo. Barracas, mochilas, trados, machadinhas, marmitas e outras bugigangas. As barracas sempre as mesmas. As de soldado de duas lonas. Cada um levava uma lona e no local escolhido para acampar a gente mesmo cortava as varas e os espeques e os cipós “dando sopa”. Ninguém se apertava. O tempo foi passando e eis que as saudosas “duas lonas” deixaram de existir.

- Agora tínhamos as Iglus, as bangalôs, as Canadenses, a Náutica, a Indy, a Modular Desmontável e tantas outras não mais de graça. Não eram de lonas e sim de um tecido de nylon que pegava fogo com facilidade. Quantas eu vi as labaredas fervendo no ar. Coisas da modernidade. Tem aquela que você leva na sacola, abre, tira uma bomba de ar simples e “pluf” a danada salta no ar e lá dentro só falta uma TV Oled 4K para esquecer o apito do Chefe e descansar.

- Pois é, tudo mudou. - E foi para melhor Chefe! Grita para mim uma escoteira de um grupo escoteiro amigo. Para que aprender a orientar pelas estrelas? Pelas constelações? Pelas árvores, pela maré, pelo bando de Biguás voando pelo céu? Para que o passo duplo, o passo escoteiro, o bastão? Para que medir altura, distancia, latitude e longitude se um Smart fone substitui sem se cansar? Mundo moderno, escotismo moderno. Saudades? Nem pensar Chefe, as saudades serão nossas pois lá no futuro quem sabe os smart fones serão substituídos por outros mais modernos! Quá! Até lá estarei no Grande Acampamento de Baden-Powell.

- Chefe! Grita o Monitor da Coruja no meu campo de Patrulha. – Almoço pronto, Temos a honra de convidá-lo a comer um peixada de lambaris com traíras, fritinhos na frigideira e acompanhado de mandioquinhas fritas ao leite de cabra! Olhei para ele assustado, estava dormindo e viajei no tempo. Ah! Velhos e longos tempos...

A saudade aperta…o futuro acorda, mas há coisas que a mágoa não afoga... Bons velhos tempos em que a vida era um rascunho onde anotava pedaços do meu destino. Éramos um só…todos juntos num só caminho…À descoberta da existência de um movimento. Era tudo verdadeiro e puro, na época a música voava como um sonho de um miúdo... Ninguém competia apenas aprendia e brilhava quando mostrava aquilo que fazia. A amizade do coração, sem exibição, sem cobiça. Cada um à sua justiça reinava…da amizade e da rua extraía a sabedoria que adquiria. De um abraço, uma palavra ou um sorriso de um amigo, era motivo de antalgia. Mas tudo muda, incluindo a vida, mas nada compra, pensamentos de bons velhos tempos.

sábado, 25 de agosto de 2018

Recordações de uma época. O Pistoleiro do Rio das Velhas.



Recordações de uma época.
O Pistoleiro do Rio das Velhas.

Nota – Reminiscências de minha passagem como Gerente de uma Fazenda no Norte de Minas na década de cinquenta onde escoteirei como nunca.

- Não titubeei nenhuma vez. Proposta feita, proposta aceita. Afinal vivia a vida bela de um escoteiro, me considerava um campista nota dez. Conhecia pássaros, conhecia animais, sabia a água boa e a má, era bamba em previsão do tempo, tinha conhecimentos de orientação, faca, machadinha, pioneirías, porque não aceitar? Amigos disseram que era loucura, outros disseram me invejar. Telefonei para a Célia que passava férias em Vitória ES com os filhos na casa da sogra: - Osvaldo, se você acha que vai ser bom para nós não tenho nada a contradizer!

Admirador nato dos filmes de western de Hollywood, o sonho de ser um vaqueiro, vaquejar, campear, viver ao ar livre seria um desafio que não poderia recusar. Meus antigos chefes de Usina Siderúrgica desaconselharam, disseram que ali eu teria mais futuro. Trabalhava de parede e meia onde lingotes de aço de toneladas e toneladas passavam para serem produzidos os futuros tubos sem costura da famosa Mannesmann Alemã. Um calor intenso, um ar impregnado de minério de ferro e meu sonho de outras terras onde iria respirar a vida na natureza ao lado de dois rios famosos, (rio das Velhas e São Francisco) lá vou eu de mala e cuia para minha nova experiência de vida.

Ainda existia o trem noturno de Belo Horizonte para Pirapora. No trem me sentia um desbravador, um novo pioneiro a desbravar as lindas terras montanhosas de Minas Gerais. Ninguém a me esperar, um Taxi me levou até parte da entrada da fazenda fechada a cadeado. Avisado o antigo Gerente veio me receber. Um sorriso debochado daquela figura sem eira nem beira sem um chapéu de boiadeiro, sem perneiras, sem capota sem bota sem nada.

Dez mil cabeças de gado! Vai ter gado assim na China! Sabe diferenciar uma vaca de um boi? Eu ria... Quem não sabe? E a coisa começou. Cinco largas onde se manejava o gado, aprender a arriar a montar, a campear parecia coisa de Pata Tenra. Uma hora duas e a pobre “nádegas” pedindo para parar e sentar em uma bacia de água com sal. Mas tudo se aprende, tudo passa tudo se vive e tudo se torna história.

Quantas? Dezenas, cada uma mais interessante. Não vou contar que insisti com o Mané Chefe de um piquete dos vaqueiros que cuidavam da bezerrada recém-parida. Cinco dias para conhecer a divisa das terras da fazenda a cavalo. Foi de doer. Uma das histórias que não esqueço aconteceu numa junta de gado para cumprir o calendário de vacinação contra aftosa. Sentado na cerca de madeira da curralama dois (eram seis) Olhava a vaqueirada manusear uma vacada nelore que eram nascidos por inseminação artificial.

Eis que notei na estrada de entrada, alguém a cavalo. Eram dois. Um moreno forte e outro nada mais nada menos que um vaqueiro da região no seu colete e na sua pose simples de matuto mineiro. O moreno fazia questão de se apresentar como um perfeito vaqueiro, treinado e desconfiado dos donos da Fazenda São Vicente do qual eu era o Gerente. – Parou na entrada do curral. Não desceu. Disse em voz baixa e arrastada: Quem é o gerente?

- Olhei para ele que cuspiu de lado e respondi: - Sou eu! – Se apresentou: - Maneco da Fazenda das Flores do outro lado do Rio das Velhas. Soube que algumas de nossas reses saltaram o rio e vieram para cá! – Olhei para Totonho e ele só disse não balançando a cabeça. – Amigo, aqui não tem gado seu! – Ele me olhou como se me fuzilasse com os olhos. Foi então que notei o Colt 45 amarrado na perna direita. Ele na melhor pose desapeou do cavalo, calmamente, devagar sem tirar os olhos de mim que coitado só tinha um canivete no bolso.

Sua pose me lembrou de Jack Palance no filme Shane. (Os Brutos também amam). Quando ele (Jack Wilson) apeia do seu cavalo, de olho em Shane e ambos só têm vista para um e outro sem interferir nas demais personagens do filme. Shane é para mim um misto de sonho escoteiro e sonho de explorador. O filme Inspirado no romance de Jack Schaefer, foi rodado nas montanhas do Wyoming, como uma alegoria entre o Bem e o Mal: o “mocinho” é louro e veste roupas claras; o bandido é moreno e se veste de preto. O ator Alan Ladd teve, aqui, o melhor papel de sua carreira.

- Posso dar uma olhada na vacada? – Senti um desafio em sua voz. Com a mão direita em cima do cabo da 45 ele subiu a cerca, olhou nada viu nem agradeceu e partiu. Mané Vaqueiro chegou correndo na sua égua Chouriço. O que Topeira queria? Topeira? O Vaqueiro cheio de balangandãs! Dizem que tem muitas mortes nas costas. Sempre é contratado para recuperar gado roubado! Sorri. Então aqui ainda impera o faroeste? Olhei para minhas vestes, não parecia um perigoso gerente de fazenda. Resolvi mudar a indumentária.

Em Pirapora procurei seu Laerte um Seleiro famoso. – Encomendei: - Um par de perneiras, colete, chapéu de couro preto, cinto com fivela grande, um par de botas cano longo. Se ele era considerado um pistoleiro, se ele se achava ser Jack Wilson, porque eu não poderia ser Shane? Mas diversamente dos filmes, minha vida na fazenda teve lindas aventuras, mas nunca precisei de uma arma para me defender... Salvo... Risos comprei um 32 gastei 50 balas e não acertei a latinha nem uma vez!

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A primeira Chefe (Akelá) de lobos. O início da formação dos Lobinhos.



A primeira Chefe (Akelá) de lobos.
O início da formação dos Lobinhos.

Na edição original do livro "Escotismo para Rapazes", Baden Powell não fixou um limite de idade mínima, nem máxima para o ingresso do menino no Movimento Escoteiro. Como consequência disso as tropas tinham meninos cujas idades variavam entre 9 a 18 anos.

As coisas, no entanto, não eram tão simples assim! Imediatamente levantaram-se agudas e persistentes vozes dos meninos que eram muito pequenos para serem escoteiros, irmãos menores, que não estavam na faixa etária da "diversão" organizada no princípio do século, queriam entrar na brincadeira e não podiam esperar mais.

Os "pequenos" foram tão persistentes, intrometendo-se nas reuniões de Tropa e iniciaram alguns ensaios por volta de 1909. Os primeiros esforços de trabalhar com meninos menores não obtiveram sucesso. Alguns escoteiros sentiram em receber estas crianças como "Junior Scouts", mas os resultados foram desastrosos. A tropa desestruturou-se, os mais velhos não desejavam misturar-se com os pequenos e estes não conseguiram acompanhar as vigorosas atividades feitas pelos escoteiros.

Tomar providências para que o que mais tarde foi chamado "Junior Scouts" (Escoteiros Junior), foi uma tarefa muito árdua para Baden Powell, pois embora ele estivesse receptivo à ideia, teve que tomar precauções para evitar a impressão que seu Movimento estava criando um jardim de infância para escoteiros.

Baden Powell não teve tempo suficiente para escrever o Manual do Lobinho durante a Primeira Guerra Mundial, porém, anunciou que o faria pouco tempo depois.

Com a erupção da guerra, as mulheres tomaram os lugares antes ocupados pelos jovens, que haviam respondido aos apelos do exército. Assim, foi permitido o ingresso de senhoras e senhoritas no Movimento, estas estavam encantadas com a ideia de que pudessem adestrar os pequenos. Suas idéias foram de grande valia na elucidação de problemas especiais que surgiam no adestramento dos pequenos. E nesta leva feminina que surge o braço direito do Fundador, no ramo lobinho: a Srta. Vera Barclay.

O seu encontro com o Fundador deu-se no dia 16 de junho de 1916 em uma conferência em Londres, onde Chefes de Lobinhos reuniram-se para reivindicar o esperado Manual do Lobinho, que contivesse um esquema específico para o ramo.
Vera Barclay não compareceu a conferência movida pelos seus objetivos uma vez que lobinhos não lhe interessavam, sua fixação eram os escoteiros. Porém, havia recebido um convite especial de B.P. que queria conversar com ela.

O objetivo de B.P. era contratá-la para juntar-se a equipe do Headquarters e trabalhar no projeto dos lobinhos. A ideia não a entusiasmou muito uma vez que lobinhos não era o seu trabalho, e fechar-se em um escritório em Londres não estavam em seus planos.

Em sua atuação com escoteiros nas áreas carentes de Londres recebeu de companheiros mais formais a crítica de que os rapazes não atendiam perfeitamente a todos os aspectos da Lei Escoteira. Deu, então, uma resposta que se tornou famosa: "O que interessa é, que pelo escotismo, os rapazes se tornem melhores!".

No entanto, em virtude de um joelho machucado, estava afastada de suas funções de enfermeira no "Netley Red Cross Hospital" e além do mais, como admitiu posteriormente, era um grande serviço para o escotismo isolar os meninos pequenos e seus persistentes chefes dentro de suas próprias competências.

Não demorou muito, porém, e os lobinhos conquistaram completamente a sua simpatia, instalando-se definitivamente dentro de seu coração, de forma que a fizesse fazer de tudo para que eles fossem aceitos na fraternidade escoteira, pleiteando junto ao Headquarters tudo o que eles queriam.

Ela dedicou-se com entusiasmo na organização do Manual do Lobinho, intercalando ao famoso manuscrito de B.P. recortes, seus desenhos feitos a pena e bilhetes que encontrava jogados sobre sua mesa, contendo novas idéias de B.P. muitas vezes anotadas em papéis de suas lâminas de barbear. O Manual ficou também enriquecido com suas próprias opiniões acerca das insígnias e especialidades que constituiriam a parte II do Manual.

O Manual do Lobinho está impregnado de suas influências, feitas com entusiasmo e imaginação e, principalmente de um grande conhecimento da natureza de meninos pequenos. Ela via claramente a necessidade de conservar a essência, tanto quanto o método de treinamento, o tão distinto quanto possível daqueles do escoteiro.

Esta posição futuramente influiu fortemente para a sua indicação como Comissária do Quartel General para Lobinhos, posto que ela manteve até 1927. Porém, o que veio responder a procura de Baden Powell por algo atraente, especial, capaz de sustentar a fantasia e contribuir com a formação da criança foi o Livro da Jângal, cuja adoção revolucionou completamente o esquema.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Conversa ao pé do fogo. Inspeção de chefes por monitores existem?



Conversa ao pé do fogo.
Inspeção de chefes por monitores existem?

Nota - Já pensou algum dia em ser inspecionado pelos seus Escoteiros? E pelos seus lobinhos? Impossível? Sei não. Eu já fui e adorei. Ver o rosto e a seriedade deles quando fazem isto vale muito para quem ama o escotismo como eu!

                    - Quando comento com chefes eles dão boas risadas – Pergunto sempre porque estão rindo. A resposta vem na hora: - Meu Chefe se eu fizesse isto meus jovens iriam acabar comigo! – - Eu nunca deixaria. – Eu disse. – Não tenho nenhum preconceito meu caro Chefe. Afinal quando fiz inspeção os tratei com a maior cortesia e respeito. Sei que vai haver reciprocidades. – Ele de novo: - Nunca fiz chefão e olhe não sei se terei coragem em fazer. Pensei comigo que ele não confiava em seus monitores e não era leal quando realizava uma inspeção.

                    – Já pensou um Chefe em um acampamento, ficar em frente a sua barraca esperando monitores que virão fazer a inspeção? Sorri baixinho. Para dizer a verdade nem sabia se ele fazia mesmo a Inspeção de Giwell em seus acampamentos. Expliquei para ele que a inspeção de Giwell são inspeções com características daquelas utilizada em Gilwell Park. Todos nós fazemos as inspeções nestes moldes. Minha mente voltou no tempo. Quantas vezes eu convidei monitores para fazer a inspeção em minha barraca e na minha tralha?

                     Lembro-me de certa vez tendo conversado com um formador famoso, DCIM sobre este tema e ele coçou a cabeça. – É Chefe, não sei se seria capaz. Até hoje não experimentei. - Você também? Eu pensei. Afinal devemos ou não confiar em nossos monitores? Qual o melhor exemplo para eles virem em meu campo e ver como está minha barraca, como está meu material individual, se dobrei bem as mantas, se minha roupa está bem dobrada? E porque não eles aprenderem que meu campo de chefia é a natureza e o que não for dali está fora de lugar? Lembro que foi divertido nas primeiras vezes. Eles me olhavam espantados. Eu claro estava em posição de alerta e quando chegaram fiquei em posição de sentido, dava meu sempre alerta e apresentava meu campo. Inventei um nome para meu campo na hora.

                     Eles sabiam que deviam ver meu material de higiene, se minhas pioneiras eram boas e firmes, e se minha barraca foi esticada novamente pela manhã. Se o chão em redor estava limpo, se tinha fossas de líquido e detrito e WC bem tapadas como se aprende no manual da higiene de campo.  Se as amarras e costuras estavam perfeitas. Se o vasilhame foi limpo conforme se espera de um Escoteiro. Se o material de sapa estava limpo e oleado. Foi divertido. Sempre de olho em mim, rodaram o campo viram tudo e no cerimonial um deles comentou: - Chefe seu campo está um brinco!

                        Olhe, dizem que não, mas eu também gosto de inspecionar os lobinhos. Sempre em matilhas. – Soube de um grupo que tem uma inspeção na sede todas as reuniões. Cada Patrulha é responsável durante uma semana por ela. Durante a semana as patrulhas limpam, varrem tiram a poeira de tudo, e é responsável pelo cerimonial da bandeira naquele dia. São chamadas patrulhas de serviço. Dizem que lá eles conseguiram excelentes resultados.

                     – Eu sempre gostei de uma boa inspeção não importa onde. Agora já vi chefes fazendo inspeções que não condiz com a Lei Escoteira. Não precisavam disto nas inspeções de Giwell, mas se divertiam. Achavam que isto os levava a serem respeitados e admirados. Nunca aceite isto, Chefes sujando o campo de patrulha só para dizer que não são tão bons! – Pense bem, isto é papel de um Chefe? Ele gosta disto? Gosta de ser desleal? O que ele espera com seu ato? Acho que a inspeção deve ser delicada e não ofender e nem ferir ninguém.

                 Acredito que o Chefe tem de ser honesto com sua tropa. Respeito para ser respeitado. Isto deve ser considerado como questão de honra. Se isso acontece porque não ser inspecionado pelos monitores? Quando a noite ficávamos horas trocando ideias nas Conversas ao pé do fogo este tema vinha em primeiro lugar. Gosto de trocar ideias e bater papo, e nas Conversas ao Pé do fogo, sem programa era sempre um lugar especial para contarmos “causos“ Histórias, quem sabe treinar uma palma escoteira, cantar uma nova canção e saborear as antigas.

                 Sempre gostei de boas inspeções na tropa. Respeitando é claro a individualidade de cada um. Comentando em separado com o Monitor como melhorar. Quando você faz uma inspeção de Giwell você sabe como está sua patrulha, se ela está crescendo e pode fazer um comparativo na formação de um Escoteiro e sua equipe.

                  Nos acampamentos antes das inspeções, impreterivelmente no horário (britânico) os chefes devem estar preparados para ter a mesma norma e não criar uma durante a inspeção. Sempre é bom encontrar patrulhas que nos dão boas surpresas tornando a inspeção agradável sem ter motivos para reclamações e revolta. Quem sabe muitas vezes erramos ao fazer exigências e não preparamos os monitores adequadamente? Nunca se abre mão de horários, uniformes dentro dos padrões do campo. Uniformes completos sim senhor!

                 Quando somos amigos de nossos monitores sabemos como eles são. A assimilação entre a hierarquia Chefe/Monitor deve ser honesta e franca. Lembro e até hoje dou risadas em um acampamento na Serra do Cipó quando fui inspecionado. Um Monitor fez questão de puxar minha camisa para dizer: - Está frouxa Chefe! Acho que ele tinha razão, mas depois comentei com ele que nunca fazemos isto em público e sim em particular. Se ela estava fora de lugar porque não conversar em particular? 

                  Devemos sempre ser exigente, pois caso contrário sempre haverá desculpas por não ter feito isso e aquilo. Se temos um uniforme devemos estar com ele em marchas de estrada, em acantonamentos, em atividades aventureiras e ou reunião de sede. Claro que durante as atividades de campo mais difíceis, aceita-se a camiseta. Mas sempre pensando que ali estão escoteiros e não jovens de uma agremiação qualquer. Dá gosto de ver jovens bem uniformizados. Seja em qualquer situação. Afinal temos tão pouco tempo para fazermos escotismo em um dia só na semana e vamos ficar apresentados de qualquer jeito?

                   Inspeções... São ótimas para aprendermos a ser Escoteiros. Uma vez um Chefe em um curso me disse: - Olhe não é só porque você vai para o campo que vai virar bicho. Lembre-se que ali você não é bicho, é um ser humano e está fazendo ali a extensão do seu lar. Procure se apresentar como tal! E é verdade. Aprendi que devemos sempre portar como Escoteiros seja no uniforme, ou não. Afinal somos Escoteiros e cumprimos com nossas normas ou escolhemos as normas que devemos cumprir?


domingo, 19 de agosto de 2018

O acampamento. Comentários de Lord Baden-Powell. Baseado no livro “Rastro do fundador”.



O acampamento.
Comentários de Lord Baden-Powell.
Baseado no livro “Rastro do fundador”.

Nota - Quando cheguei à arena, em Budapeste, no meio duma intensa chuvarada, fui mais uma vez aclamado como “Baden Meister” (campeão). Expliquei então aos rapazes que tinha trazido à chuva comigo de propósito, para melhor poder julgar as suas qualidades, uma vez que esperava que eles não fossem Escoteiros só de bom tempo. AMBIÇÃO A ambição de fazer o bem é a única que vale.

 O acampamento é a grande atração que chama o rapaz para o Escotismo e oferece o melhor ensejo para ensiná-lo a confiar em si próprio e a desenvolver o espírito de iniciativa, além de lhe dar saúde e robustez. Um acampamento é um lugar espaçoso, mas não há nele lugar para um indivíduo só: aquele que não quer desempenhar a parte que lhe cabe-nos muitos trabalhos que sempre há para fazer. Não há lugar para o fingido nem para o resmungão. O Pata-Tenra queixa-se da “dura vida do acampamento”, mas o Escoteiro que conhece as regras do jogo bem sabe que a vida em campo está longe de ser dura.

O objetivo de um acampamento é (a) ir ao encontro do desejo que o rapaz tem de gozar a vida ao ar livre dos Escoteiros, e (b) pô-lo completamente nas mãos do seu Chefe durante um período definido, para formação individual do caráter e do espírito de iniciativa, e desenvolvimento físico e moral.

Todo o Escoteiro sabe que quando levanta o acampamento só há duas coisas que deve deixar atrás de si: 1. Nada; 2. Os seus agradecimentos - a Deus pelos bons momentos que viveu, e ao proprietário do terreno por tê-lo deixado fazer uso dele. Se o acampamento for utilizado como um mero pretexto para a inação e o amolecimento, quase que mais vale não acampar. Só quando estamos acampados é que podemos verdadeiramente aprender a estudar a Natureza como deve ser, pois é ali que nos encontramos frente a frente com a Natureza em todas as horas do dia ou da noite.

O acampamento ideal, para mim, é aquele em que todos andam alegres e ocupados, em que as Patrulhas se mantêm intactas em todas as circunstâncias, e todos os Guias de Patrulha e todos os Escoteiros sentem verdadeiro orgulho no seu acampamento e nas suas construções. Sempre que acampares ou partires em expedição, lembra-te que muito se espera dos Escoteiros. Precisamos manter o bom nome do Movimento.

O acampamento, essencial para os Escoteiros, não o é para os Lobinhos, e com estes é de longe melhor nem sequer tentar acampar, a menos que se possa contar com todos os meios e se tenha a experiência necessária. Um bom acampamento pode ter efeitos benéficos e duradouros sobre os Lobinhos. Um acampamento mau será uma vergonha permanente para o Chefe, a Alcateia, e provavelmente para todo o Movimento. Mais vale educar os rapazes por métodos talvez menos atraentes e mais lentos do que de correr este risco.

O acampamento é a melhor oportunidade para estudar os Lobinhos, pois em poucos dias aprendereis mais a seu respeito do que em muitos meses de reuniões normais, e podereis exercer sobre eles, no domínio do caráter, do asseio e da saúde, uma influência tal que crie neles hábitos duradouros. Na vida de acampamento aprendemos a passar sem uma porção de coisas que achamos necessárias quando vivemos em casas, e descobrimos que conseguimos fazer sozinhos muitas coisa que pensávamos não ser capazes de fazer.

É difícil haver um único artigo da Lei do Escoteiro que não seja cumprido melhor, depois de teres acampado e de o teres posto em prática no acampamento. Não deixemos que os nossos acampamentos se convertam nos piqueniques aborrecidos e indolentes que seriam se organizados ao estilo militar. O que nós queremos é a arte da exploração e da vida na natureza, e é isso que os rapazes mais desejam. Que o tenham, e em força. Enquanto os Grupos e as Patrulhas não estiverem acostumados a acampar, ainda não começaram a ser Escoteiros.

O acampamento é o jardim celestial do rapaz, e a oportunidade do Chefe. E, além disso, é Escotismo. Há um aspecto que eu gostaria de insistir junto de todos aqueles que assumem a responsabilidade de um acampamento; esse aspecto tem a ver com a minha velha divisa “vistas largas”, e consiste em compreender que, por muito elevado que seja o grau de perfeição a que possa ser levado, o campismo não é o fim último do Escotismo. É apenas uma das etapas - embora a mais cheia de potencialidades - em direção ao nosso objetivo de formar cidadãos felizes, saudáveis e úteis.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Crônica de um Velho Chefe Escoteiro. O caminho a seguir.



Crônica de um Velho Chefe Escoteiro.
O caminho a seguir.

Nota – Crônica escrita para os meus amigos do Grupo Escotismo e Suas Histórias no meu Whatsapp depois de uma ferrenha e gostosa demanda sobre as modificações que passa o Escotismo de Baden-Powell. Fui até presenteado por uma foto no grupo do qual agradeço de coração.  

Eu tenho um espelho no meu banheiro. Tudo bem eu sei que você também tem um. Ótimo. Mas o meu é danado, sempre me cobrando, e dizendo que sou feio. Feio demais. Já não ligo para ele, deixo falar até cansar. Quando saio do banheiro boto a língua de fora e digo sorrindo: Xô! Ele gente fina sorri também e faz o mesmo para mim. Ele tem uma vantagem me serve de consolo para quando me sinto pelas beiradas da vida a reclamar. Se ele tivesse braços me daria um tapinha nas costas e diria: - Vado, a vida é assim mesmo, se tudo fossem estrelas e flores o mundo não seria aqui, seria ao lado de Deus.

Hoje ao entrar para fazer o etc. (todos sabem o que é) ele começou a implicar. – Tomou papudo! Eu disse para você que nem todo mundo pensa da mesma forma. Olhei para ele e pensei onde queria chegar. – Não sabe papudo? Você acha que só seu tempo foi o melhor. Esquece-se dos que estão hoje fazendo escotismo diferente do que você fez. – E dai? Perguntei ao Espelho, espelho meu. – E dai Vado é que te deram um baile no seu Grupo de Whatsapp! – Baile? Que baile? Perguntei. – Não se faça de sonso, até ela a garota do sorriso lindo dançou nos seus pensamentos mostrando que tudo tem de evoluir e mudar!

- Ora, pois, pois... Fiquei calado. Olhei para o Espelho, Espelho meu. Meu? Ainda não dei uma martelada nele porque me acompanha há anos. – Mas saiba que disse o que pensava, não fugi da raia! Ele gargalhou feito um idiota. Fui para a sala e comecei a pensar no dia de ontem. Muitos convencidos que dialogar é melhor que calar e exigir a fila de suas próprias ideias. Verdade? – Voltei ao banheiro e de supetão eu disse: Mas tive muitos seguidores! Ele riu como se fosse uma lagartixa no telhado a procura de inseto qualquer.

Voltei para sala novamente. Será que o Espelho, espelho meu teria razão? Mudar meus sonhos? Mudar meu estilo de vida? Mudar o que fiz por setenta anos só porque um “pisquila” pata tenra e recém-nascido acredita que devemos mudar? Mas e se ele estiver certo? Vai doer aceitar suas ideias que para mim eram estapafúrdias? Pensei, pensei, olhei para o Espelho, espelho meu e disse: - Amigo, é duro levar uma varada de marmelo no lombo, para mim é como se fosse apanhar quando querem mudar meu modo de pensar. Afinal foi uma vida espelho, espelho meu!

Sentei novamente na sala. Tem hora que sinto uma falta incrível de alguém para desabafar. Eu não sou intransigente. Mas quando a discussão fica no ponto X, eu penso: - Vale a pena continuar? Eita vida matuta de mineirada que dizem dá um boi para uma discussão e uma boiada para não sair. Tenho boi para isso? Acho que não. Volto para o Facebook. Alguém diz que vai sair do escotismo. Sair? De novo? Tantos saindo e antes diziam que nunca iriam deixar esse belo movimento?  

É, Espelho, espelho meu, desculpe não sou aquele que diz ser o melhor, mas escotismo para mim é o que meu amigo BP me ensinou e disse quando estava para nascer em Barra do Cuieté Minas naquela quinta feira de sol poente: Vado estou indo para o céu, agora é sua vez de ser escoteiro e seguir o que eu criei para você e todos que quiserem no mundo!

Nota – Eu nasci em Barra do Cuieté MG, às duas da manhã do dia 09 de janeiro de 1941 e BP faleceu no dia 8 de janeiro à tarde em PAXTU que fica há mais de seis mil km de distancia. E dai? Olho para o meu espelho e ele rindo diz: Bestalhão, acredita mesmo nisso?  



terça-feira, 14 de agosto de 2018

Conversa ao pé do fogo. Espírito Escoteiro.



Conversa ao pé do fogo.
Espírito Escoteiro.

Nota - Estejamos Sempre Alerta, para vivermos felizes e morremos felizes. Sempre fieis a Promessa Escoteira. Até mesmo depois que deixarmos de ser jovens. E ele esplendidamente termina: - E que Deus ajude a todos a cumpri-la. Lord Baden-Powell. 

            Sempre me perguntam se eu conheço alguém que tem o verdadeiro Espírito Escoteiro. Aquele que tem uma luz ou uma aureola brilhante, um coração voltado para ajudar ao próximo, que tem a lei e a promessa no coração. Alguém que pensa primeiro nos outros e depois em sí próprio. Sei que cada um tem sua maneira de analisar e pensar quais os valores deveriam ter os que são possuídos do Espírito Escoteiro. Não importa o sexo, o ramo, a modalidade se é menino ou Chefe. Para mim Espírito Escoteiro é para todas as idades que um dia fizeram sua promessa que têm na mente, no coração o respeito, a ajuda ao próximo e fiel a sua Lei Escoteira. Seja Chefe ou Escoteiro eles devem ser exemplos na comunidade, respeitado pelo caráter e ética. Se alguém não leva a sério a Lei e Promessa não pode ser chamado escoteiro.

             Mas quais seriam os verdadeiros sentimentos de alguém que tem Espírito Escoteiro? Disseram-me que aquele ama a natureza, gosta do ressonar da selva, adora o perfume das flores, o cheiro da terra. Não precisa ser poeta, mas poderia declamar seus sentimentos. Sentimentos de ver amar e sentir a beleza do vale, os pássaros fazendo acrobacia no ar. Parar para admirar uma árvore florida, sorrir ao ver os beija flores parados no ar bebendo seu néctar da vida. Ainda podemos dizer que o jovem ou o Chefe que ama o vento, sorri ao ver a relva balançar como se fosse uma grande onda do mar.

             Mas seria estas as escolhas para sabermos que alguém tem o Espirito Escoteiro? Sentimentos nobres, amantes da natureza? Será que podemos pensar que alguém que tem Espirito Escoteiro é um poeta? Não seria melhor tentar ver se ele sabe sorrir nas dificuldades, é prestativo, respeita para ser respeitado, sabe onde é o seu lugar e prima na educação e cortesia? Seria aquele que cumprimenta efusivamente sem afetação, tem sempre um sorriso cativante? Será que isto não seria exigir a perfeição? Pode ser que sim ou não. Mas a gente fica orgulhoso quando alguém que se diz escoteiro dá sua palavra e sabemos que podemos acreditar.

                 Um dia me disseram que quem tem o verdadeiro Espirito Escoteiro já nasce assim. Engano. Tudo que temos é um hábito de comportamento de aprendizagem, de conhecimento e exemplos que seguimos um dia. Acredito mesmo que qualquer um pode ter o Espírito Escoteiro. Afinal somos nós os responsáveis pela formação pela maneira de ensinar e você, só você que é o único responsável para fazer deste rapaz e desta moça pessoas de bem, afirmo sem nenhuma dúvida que você tem o Espírito Escoteiro.

sábado, 11 de agosto de 2018

Beleza pura, hoje tem reunião, alegria de montão!



Beleza pura, hoje tem reunião, alegria de montão!

Vamos lá meninada, vão chamar a escoteirada,
Pois hoje tem reunião, alegria de montão!
Na sede um bom passatempo, melhor no acampamento.
O sol que brilha, persegue você na trilha.
Aproveite este momento, no gostoso acampamento.

Se subir na aroeira, tome banho de cachoeira.
E a noite na escuridão, pegue estrelas com a mão.
Diga ao bom cozinheiro, amigo leal e mateiro,
Tico, este é seu nome, diga que está com fome!
Não esqueça a magia de sua bela ideologia.

Portanto Escoteiro amado, não se faça de rogado.
Conte aos lobos uma história, ela fica na memória.
Deixe as guias seniores afins, subir a serra sem fim.
E quando chegar a hora, no campo aonde mora,
Na ferradura então, faça sua saudação.

Pé na taboa aventureiro, você é um bom Escoteiro.
Não fique de boca aberta, melhor possivel e sempre alerta!
Fique calmo e não se mexe, seja um excelente Chefe.
Não esqueça vou logo dizendo, aprender é fazer fazendo.
Uniforme ou vestimenta, a cabeça não esquenta.

Então vamos lá escoteira, saudar nossa pátria amada.
Pois hoje tem reunião, alegria de montão! 

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Conversa ao pé do fogo. A Tropa de Monitores.



Conversa ao pé do fogo.
A Tropa de Monitores.

Nota - Você está sentindo que nem tudo vai dando certo na sua Tropa escoteira? Os jovens estão desanimados, alguns saindo, uma evasão que não dá para estancar? É hora de ação, de mudar, se você quer dar um jeito nisto e acredita em seus monitores, este artigo pode ajudar você. Olhe só para chefes que não sabem onde estão pisando. Se você é um craque, se sua Tropa é um sucesso este artigo não é para você.
                     Sabe quando chega a hora de dar uma arrumada nas ideias? Pois é, a gente vai para a sede, olha a tropa e por mais que se dedique parece que nada dá certo. Quando inicia a reunião, faltam um, dois ou mais escoteiros de cada Patrulha. Os monitores perdem o sorriso. A formatura é feita de maneira desleixada. Se você é daqueles que costuma fazer uma inspeção depois da bandeira à apresentação tira todo seu ânimo. Você fica pensando onde está o erro. O que está acontecendo. Quando a tropa iniciou as atividades no inicio do ano, até que houve uma boa participação inicial. Sabemos que durante o ano muitos desistem. Mas isto é certo? Até mesmo escoteiros que você confiava se foram. Você sabe que alguma coisa precisa ser feita, mas o que fazer? Já tentou mudar, novos jogos, técnicas, fez cursos, leu e até agora nada. Até mesmo o Ponta de Flecha não adiantou muito.

                     O que fazer então? Se você já fez muitos cursos de formação, conversou com outros escotistas e as ideias a cada dia vão diminuindo a coisa tá braba! Precisa urgente de uma reciclagem e ou então se for IM fazer como a canção de Gilwell que aconselha um curso de novo para reforçar. Se nada disto adiantou e você é daqueles que não desiste nunca o melhor mesmo é conversar. E olhe que seus bons fluidos e aconselhadores estão bem perto de você. Você me pergunta onde? – Seus monitores! Isto mesmo. Eles são a solução de tudo. Mas eles? Olhe meu amigo se isto acontece você está agindo como se eles não fossem os responsáveis para conduzir suas patrulhas, aí está o seu primeiro erro. Conduzir não é dirigir ou mandar.

                    Faça um plano simples. Se tiver assistentes converse com eles. Eles não são um poste para esperar você mandar. Diga que vai precisar muito deles, pois durante certo tempo você vai viver mais com seus monitores. O programa não pode parar e os subs. deverão substituí-los nos prováveis impedimentos que irão acontecer. Ideias feitas, programas na cachola parta com um sorriso para a próxima reunião de Tropa. Comece normalmente. Deixe seus assistentes escoteirar. Você ponha mãos à obra. Após o cerimonial chame os monitores, hora de ouvir. Vá para um local calmo, sem barulho e comece assim – Amigos, vocês estão vendo que a tropa não anda bem. Muitos saindo. Outros desistindo. Crescimento nas etapas mínimo. Quero ouvir vocês e qual seria o melhor caminho para resolvermos a questão.

                  Claro, eles olharão espantados para você principalmente se não tem o costume de conversar com eles. Mas não fale nada só ouça. No inicio eles olharão entre si e pouco dirão. Aos poucos vão se soltar e você pode até ouvir o que não quer. Mas faz parte. Após um tempo razoável pergunte a eles o que fazer para melhorar. Se eles não estiverem acostumados e pouco consultados, se prepare, pois no início nem saberão o que dizer. Melhor mesmo é conquistar a confiança deles. - Que tal uma excursão no próximo domingo só nossa? Vamos sair cedo, e voltamos à noitinha. Podemos quem sabe treinar um pouco de pista ou fazer um fogão tropeiro, seja sincero, diga que não sabe fazer. Diga que nunca fez e vai ser a primeira vez. Cante com eles na jornada e esqueça a fila, ela desmancha tudo que pensamos em união da turma. Convide um deles para ir à frente e outro atrás, vá trocando quando necessário. Deixe-os fazer um café, assar umas batatas, quem sabe uma macarronada. Entendeu? Não faça nada! Se você tentar fazer tudo vai voltar como antes. É importante que você só oriente e vá corrigindo onde estiver errado.

                   À tarde quem sabe brincar um pouco? Fazer jogos com três ou quatro não é fácil. Porque não procurar uma sombra, sentar a vontade e contar “causos”? Quem sabe eles não irão se abrir mais com você? Hora do retorno hora da limpeza do campo. Viu que tudo foi improvisado. Qual o intuito? Se conhecerem melhor. Lembre-se BP dizia que um dia no campo vale mais do que seis meses de reunião para conhecer um escoteiro. Mas na volta não esqueça. Ao chegar à sede, pelo menos meia hora para analisar o que aconteceu se foi válido e se daqui para frente pode surgir à nova Patrulha DE MONITORES, Você o Monitor um deles sub (escolhido pelos demais) e quem sabe a participação dos subs monitores vez ou outra?

                     Bem você deu o inicio. A arrancada foi feita. É hora de partir para um bom programa de treinamento dos monitores. Mas não esqueça, ele é continuo. Nunca para. Lembre-se que o treinamento constante não deve prejudicar as reuniões de tropa, pois elas irão servir de base se eles, os monitores estão mais motivados, se conversam mais com seus patrulheiros, e se as reuniões de Patrulha acontecem normalmente com a participação de todos nas ideias e sugestões. Durante pelo menos uma vez por mês, faça uma atividade só com eles. Pode ser de poucas horas ou de um dia e claro um acampamento deve ser marcado em breve. Discutir com eles como será este acampamento nos moldes de Gilwell. O que é isto? Fácil. Patrulhas autônomas. Escolhem seu campo, constroem tudo que precisam para desenvolver suas atividades. Terão tempo para as barracas, para o fogão seja suspenso ou não, para as fossas, para a mesa, para os bancos, para o toldo e uma infinidade de pioneiras que eles mesmos aos poucos irão desenvolver.

                        Todas idéias são validas para eles se entrosarem. O importante é estancar o desanimo mostrar que tem um novo caminho a seguir. Todos estão sentindo uma breve mudança. Para melhor? Só a participação e o sorriso poderão dizer sim ou não. Dê a sugestão de reuniões de Patrulha fora do dia de reunião em casa de um deles. Tema livre ou sugerido por todos. Quinzenal ou mensal se revezando. Quando você souber o que eles querem e você der a eles atividades ao ar livre, grandes jogos, acampamentos mateiros e um programa cheio de atividades tais como bivaques, acampamentos volantes, leitura de mapas, croquis, passo Escoteiro, passo duplo, uso de ferramentas no campo enfim, uma infinidade de programas exclusivamente para eles com sugestões suas é claro, vais ver sentir que tudo está mudado e a uma nova tropa em ação.

                      Portanto mãos a obra. Comece, esqueça o impossível ou o difícil. Lembre-se você criou a patrulha de Monitores. Ela deve ter um lema, um nome um grito e com o tempo quem sabe seu próprio material. Veja como motivar a cada um em ser Monitor, sub, aguadeiro, cozinheiro, escriba, almoxarife, intendente, mas lembre-se o mais importante é eles confiarem em você.



segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Lembrando Baden-Powell. O dia do chefe Escoteiro.



Lembrando Baden-Powell.

“Um sorriso é a chave secreta que abre muitos corações. Nenhum homem pode ser chamado de educado, se ele não tem uma vontade, um desejo e uma habilidade treinada para fazer a sua parte no trabalho do mundo”. (B-P).

No dia do Chefe Escoteiro, força sem limites do Movimento Escoteiro, parabenizamos a todos pelo esforço pessoal em prol da juventude do mundo. Sem eles nada seria possível. O que disse BP sobre o Chefe Escoteiro:

1)     - O Chefe Escoteiro – Por Lord Baden-Powell.
A idéia do Escotismo quando surgiu parecia caminhar bem. Sabia-se que o menino estava preocupado, mas ansioso por fazer tudo àquilo que acreditava. Embora ele tivesse uma ideia de como realizá-lo, havia a pergunta mais importante da necessidade de obter a liderança adulta para organizar a sua administração na prática. De uma forma muito considerável essa questão foi resolvida pelos próprios meninos. Eles tiveram o bom senso de reconhecer que os oficiais crescidos eram necessários, e procuraram os seus lideres em seus respectivos bairros até que encontrassem aqueles dispostos a se tornar seus chefes.

Pessoalmente, eu tinha visto um trabalho dedicado e esplêndido dos voluntários e dos funcionários da Boys 'Brigade, e então eu percebi que havia em nossa população um número considerável de homens patriotas que estariam dispostos a fazer o sacrifício de tempo para ajudar.  Mas eu nunca previ a resposta surpreendente que foi dado por tais homens à chamada do Movimento Escoteiro.

Para eles, é devido o crescimento notável e os resultados alcançados até o momento. Eu tinha estipulado que a posição dos Chefes Escoteiros não seria nem a de um professor, nem de um oficial comandante, mas sim a de um irmão mais velho entre os seus meninos. O importante era juntar as suas atividades e compartilhar seu entusiasmo, e, assim, estar na posição de conhecê-los individualmente, capaz de inspirar os seus esforços e para sugerir novas diversões quando seu dedo sobre o pulso lhe disse que a atração de qualquer mania atual fosse se desatualizando.

O termo Chefe Escoteiro não era novo. Era um título antigo Inglês usado por Cromwell, que tinha "Chefes Escoteiros" em seu exército, e seu ramo de Inteligência estava sob a direção de um "Chefe Escoteiro-Geral”.

2 - Baden-Powell – Cidadão do mundo.
               O segredo de meu sucesso na vida sempre foi à influência de minha mãe. A maneira pela qual aquela extraordinária mulher conseguiu educar-nos, sem que nenhum de nós tenha sido um fracasso; e a maneira pela qual não sucumbiu à ansiedade e às tensões de toda ordem escapa a minha compreensão.
Não somente, apesar de ser viúva e pobre, conseguiu alimentar-nos, vestir-nos e educar-nos, Foi sua influência que me guiou pela vida afora muito mais do que quaisquer preceitos ou qualquer disciplina aprendida na escola. B.P

                Apesar de não ter tido a orientação de um pai, sendo o sétimo filho homem, gozava de bom treino durante as férias, em companhia de meus irmãos mais velhos. Todos eles tinham bem desenvolvido o instinto esportivo e eram bons camaradas entre si, nadadores de primeira classe, jogadores de futebol, remadores, etc. Todos sabiam imaginar e executar o que fosse preciso para substituir o que não podiam comprar, chegando mesmo a construir um barco. Fazíamos nossas próprias cabanas, nossas redes de pesca ou de caça de lebres e pássaros, e assim pegávamos e assávamos nossa comida para satisfação nossa em geral e de nossos estômagos em particular. Tudo isso era mito bom para mim. Foram um aprendizado de valor inesgotável pela minha vida afora, aprimorando a formação de nosso caráter.

               E ainda: No meu tempo de menino, em Charterhouse, logo fora dos muros, havia o “Bosque”, longo terreno arborizado, no flanco de uma colina, estendendo-se por mais de uma milha ao redor dos campos de recreio. Era aí que costumava passar longas horas imaginando ser caçador e escoteiro. Arrastava-me cuidadosamente pelo chão, procurando rastros e tentando me aproximar de esquilos, coelhos, ratos e passarinhos, a fim de observá-los. Fazia armadilhas e quando conseguia pegar um coelho o uma lebre (o que não se dava frequentemente), aprendia penosamente, por experiência própria, a tirar-lhe a pele, limpá-lo e assá-lo. Assim, sem o saber, fui adquirindo um tipo de educação que mais tarde seria de grande valor para mim.

             Esses conhecimentos iniciaram em mim o hábito de reparar em pequenos detalhes ou “sinais” e de tirar conclusões, em outras palavras o hábito inestimável da Observação e da Dedução. B.P.

                 Indiscutivelmente, Baden-Powell desempenhou um papel singular, não apenas como Fundador do Movimento, mas também como seu líder e inspirador. A isto se pode acrescentar o seu profundo entendimento dos problemas, necessidades, e aspirações do jovem e de sua capacidade para tornar os sonhos em realidade. A promessa e a lei escoteira, conforme o texto original de B.P, escrito em 1907-1908, no livro Escotismo para Rapazes, representa todo um corpo de valores morais, éticos e nacionais, que eram esperados de um cidadão participativo e útil a sua sociedade, na época em que foram escritos tais princípios.


Nota – Porque 6 de agosto é o dia do escoteiro? Foi neste dia em 1920, ao final do I Jamboree Mundial, em OlympiaBaden-Powell foi aclamado, por uma manifestação espontânea de milhares de jovens de dezenas de países, como Chefe Escoteiro do Mundo. Ele aceitou um título que nenhum Rei ou Governo podia conferir, e de todas as honras que lhe eram destinadas, este era para ele o mais apreciado.

Na ocasião, disse: “Que esta seja a vontade de vocês. Antes de partir estamos dispostos a desenvolver entre nós mesmos e nossos jovens esta amizade, através do espírito mundial da Fraternidade Escoteira, a fim de que possamos ajudar a levar a paz, o bom humor no mundo, e a boa vontade entre os homens”.

A Região Interamericana, muitos anos depois, em uma reunião de Escoteiros-Chefes do Cone Sul, por uma proposta do Paraguai, acordou em promover o dia 6 de agosto como o Dia Interamericano do Escotista, precisamente em comemoração a data em que o Fundador Robert Baden-Powell foi proclamado Chefe Escoteiro Mundial.