Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Contos de Fogo de Conselho. A Jarreteira de Daniel San.



Contos de Fogo de Conselho.
A Jarreteira de Daniel San.

Nota - Recebo seus três contos, é claro que gostei, mais ainda da História da Jarreteira. Como sabe, iniciei minha vida Escoteira em Portugal, numa pequena Ilha do Arquipélago dos Açores; Ilha Terceira, 52 AEP. Para mim, e meus irmãos Escoteiros portugueses o recebimento da Jarreteira acontece numa cerimônia logo a seguir ao recebimento do Símbolo de Promessa. A partir de então temos a "obrigação" de sermos Cavaleiros da Paz, do Respeito e da Fraternidade Escoteira. Já vai longe meu 28 de abril de 1963, é bem verdade, porem esse dever jamais esquecerei. Henrique Luiz - Chefe Açor.

                           Todos estavam perplexos com as fitas verdes e amarelas penduradas no meião de Daniel San. Ele posudo chegou à sede se exibindo. Foi para o canto de Patrulha. – O que é isso Daniel San? Perguntou o Monitor. – Uma jarreteira Monitor, nunca ouviu falar? – Joel nem sabia o que era. Para não demonstrar ignorância não disse mais nada. Ele sabia que peças que não eram do uniforme não era permitido usar. – Falou com o Chefe? Ele perguntou. – Ainda não, mas ele vai ficar admirado da minha jarreteira. – E quem lhe disse que são peças Escoteiras? – Minha Avó disse que meu Avô foi Escoteiro em Portugal e usava. – Seu Avô? Ele era português? – Claro, meu Avô foi um Escoteiro e chefão em Funchal na Ilha da Madeira. Fez todas as provas e chegou a Liz de Prata. Olhe quando cresceu foi Escoteiro Chefe. Minha Avó sempre me conta como sua casa vivia cheia de Escoteiros! – Joel ouviu o apito do Chefe. Ele chamava os monitores. Passou o comando para Francis o Sub Monitor e saiu correndo. A patrulha ficou em silencio olhando a Jarreteira de Daniel San.

              - Estou vendo que o Daniel San colocou uma Jarreteira, - Perguntou o Chefe Jaguar. – É Chefe, ele chegou assim e disse que em Portugal todos os Escoteiros usam – Tudo bem, não diga nada a ele. Vou aproveitar para fazer uma palestra sobre as Jarreteiras. Assim todos aprendem e claro, irão saber que aqui no Brasil não usamos mais. – Joel ficou pensativo, ouviu o Chefe quanto à próxima atividade que fariam naquele dia, um jogo fora da sede e que todos deveriam ficar alertas para não acontecer nenhum acidente. O jogo foi legal. Deveriam descobrir um homem chamado Maneta que ninguém conhecia. Ele estava vestido comumente, sem nada especial, mas alguma coisa chamaria a atenção quando o vissem. Ao descobrir deveriam formar a patrulha em linha a sua frente e cantar o Rataplã. Se ele sorrisse e dissesse sempre alerta, era o procurado se não iriam dar com os burros nágua. As patrulhas se divertiram a beça em volta da sede. Muitas erraram feio, mas o Chefe instruiu a todos que a cortesia e a apresentação iria mostrar que o erro faz parte e o apresentado iria compreender bem.

                 - A Patrulha Castor ganhou o jogo. Eles viram o homem na esquina da Marechal Deodoro e foi Tonico quem reparou que seu cadarço tinha duas cores. O Chefe deu um tempo livre de dez minutos e formou todos em ferradura – Alguém já ouviu ou viu uma Jarreteira? – Todos nem sabiam o que era isto. – Reparem em Daniel San. Ele hoje veio com uma. Ela não é mais usada no Brasil e poucos países do mundo a usam. Portugal mantem a tradição. – Tradição Chefe? – Disse Bartolo Monitor da Castor. – Isto mesmo, ouve uma época que nós usamos, mas depois foi extinto o uso. Baden-Powell usou sempre em seu uniforme. Mas olhem, é melhor eu contar para vocês a história – Querem ouvir? – Todos olharam o meião de Daniel San e sorrindo disseram sim! Tudo bem, vamos lá, a Jarreteira é uma fita que serve para prender o meião à perna, desenhada com as cores dos ramos para membros juvenis e de acordo com as funções exercidas para os chefes do movimento Escoteiro. Existiu ou ainda existe uma Ordem Militar de Cavalaria, instituída por Eduardo II, rei da Inglaterra denominada Ordem da Jarreteira. É a mais nobre das oito ordens que possui o Império Britânico.

                  - Continuou o Chefe Jaguar – Ninguém sabe de concreto sobre a data da sua instituição. Vem do século XIV. Quanto ao ano a opinião dos historiadores heráldicos varia desde 1340 até 1351. Inicialmente ela só era usada pelo soberano e 25 cavaleiros. Até 1786 não sofreu nenhuma modificação. Só em 1805 se fez a segunda modificação. Finalmente em 1831 ordenou-se que o privilegio seria concedido aos descendentes diretos de Jorge II e Jorge I. Na época não se permitia mulheres na ordem. Existe uma lenda, segundo a qual por ocasião de um baile, caiu à liga da Condensa de Salisbury, dama da corte de Eduardo III e o rei abaixou-se rapidamente para apanhar e entregar à dama. Isto deu motivo de riso e graças por parte dos presentes e o rei exclamou: “Honny soit qui mal y pense”. (mal haja quem nisto põe malicia). Ouve outras lendas como aquela de Ricardo I que ao atacar Chipre invocou São Jorge que lhe deu grande ânimo e veio à ideia de atar as pernas dos cavaleiros com uma fita de couro que lhes lembrassem do feito. Eduardo II ao instituir a Ordem da Jarreteira designou a liga como seu emblema. O distintivo desta ordem é, com efeito, uma liga que, bordada a ouro e pedrarias (jarreteira) tem a legenda: - Honny soitqui mal y pense. Atada na perna esquerda junto ao joelho.

                A tropa pela primeira vez prestava a máxima atenção. Daniel San se sentia um cavaleiro britânico com suas jarreteiras. Continuou o Chefe Jaguar: - Os cavaleiros do rei usam no lado esquerdo do peito uma placa de prata ou estrela de oito pontas representando a Cruz de São Jorge. Usam também um colar de ouro, composto de 26 peças em forma de jarreteiras, esmaltadas de azul com a imagem de São Jorge abatendo o dragão. Finalmente usam uma cinta de azul escuro, atravessada sobre o ombro direito e debaixo da qual há uma joia de ouro em forma de jarreteira, rodeando a imagem de São Jorge com a divisa da Ordem. Assim esta insígnia foi concedida ao Escotismo, motivo de muitos Escoteiros ainda usarem um pedaço de tecido pendurado na parte exterior das meias do uniforme e presa pela liga. As histórias da Ordem da Jarreteira se confunde em muitas lendas que até hoje são lembradas e usadas por grandes personalidade britânicas. Lembro que em Portugal todos os Escoteiros usam as jarreteiras.

                 Chefe Jaguar se calou e olhou para Daniel San. – Obrigado Daniel San por trazer uma jarreteira onde todos pudessem conhecer sua história. Infelizmente aqui no Brasil elas não são mais usadas e assim você deu um belo exemplo em mostrar que existem histórias, lendas e tradições que marcaram muito o movimento Escoteiro por muitos anos e vai ser lembrado por toda a vida. Guarde bem sua jarreteira no seu baú do tempo para quando crescer lembrar-se dela com saudades!

                 – Daniel San viu no Chefe Jaguar um cavaleiro Britânico no tempo de Eduardo II e sendo saudado por todos que pertenciam ainda a Ordem das Jarreteiras. Daniel San nunca mais usou em reuniões, mas sempre ao chegar em casa com seu uniforme, colocava sua jarreteira e ficava olhando e lembrando de um passado que hoje não existe mais!  

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. A experiência serve para que?



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A experiência serve para que?

Nota – Dizia um padeiro da minha terra que quem não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão. Muitos dirigentes escoteiros hoje em dia se meteram na padaria escoteira sem saber fazer a massa e estão metendo os pés pelas mãos.

                   Um famoso pedagogo e pensador respondeu assim: - Para muito pouco. Só que o pouco para qual ela se presta é muito importante. E completou: - “Experiência é aquela coisa maravilhosa que lhe possibilita reconhecer um erro quando você o comete de novo”. Como ele eu acredito em experiência. Acredito em erros e acertos. E completou dizendo, ou melhor, lembrando B-P que o erro seja o pai dos acertos. Experiência é como escrever um livro. Você vai juntando as palavras e quando vê está tudo completo.

                   Temos hoje dezenas de novos lideres fazendo experiências no escotismo. Mais de trinta anos e até hoje pouco resultado. Ou melhor, tem sim, aparecem mais e mais adultos para fazerem novas experiências. O escotismo é uma fonte enorme para muitos aventureiros que acreditam mesmo que tudo precisa mudar. Fecham-se em seus “ninhos” de poder e com um sorriso nos lábios vão apresentando suas novas ideias, que não são mais que copias de outros que assim também pensaram e escreveram.

                   Francamente, eu não bato palmas para estes que se intitulam lideres e lá vão a fazer das suas. As fontes do poder é um prato cheio para eles. Fazem de tudo para ter o poder, ser mais um da corte, quem sabe sorrir por saber que agora pertencem a casta dos Lordes Escoteiros. Adoram e depois começam a alardear suas ideias. Não são sugestões, pois eles já tem tudo definido. Como não existe uma punição para seus erros já que ninguém irá cobrar no futuro eles se sentem prestigiados. Falam bonito. Quem os houve ou lê fica admirado ou pasmo porque ainda não tinham pensado nisto.

                     O tempo de escotismo me faz pensar diferente e não me empolgo. Afinal já vi tantas coisas nesta minha vida que nada mais me surpreende. Mas caramba! E a experiência deles? Porque não exigimos certezas e não dúvidas, resultados e não só experiências? Tudo bem. B-P já dizia quem nunca errou nunca experimentou nada novo. Divirto-me quando leio Marisa Martins em seu blog – “Existem pessoas que tem o cérebro “menor” do que uma formiga, a boca maior do que um elefante, e ainda se acham os Reis da Selva”!

                     Joaquim aquele português bonachão dono da padaria da esquina nunca foi Escoteiro. – Chefe Osvaldo, eu digo sempre para o padeiro: Quem não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão. Estamos cheios de aprendizes de padeiro nas lideranças Escoteiras. Tratam seus associados como “vaquinhas de presépio. Não consultam, não fazem pesquisa, não são transparentes e nem reconhecem quando deu tudo errado. E mesmo assim lá estão eles com suas propostas incríveis para fazer do escotismo brasileiro um orgulho nacional”.

                    É triste quem se acha dono de tudo, dono das ideias. Esquecem que as pessoas têm sentimentos, constroem sonhos, criam laços e não sabem que um dia o que acreditaram não existe mais. O tempo passa, o Escotista desestimula, põe seu boné e lá vai ele para nunca mais voltar. Eles irão guardar os momentos mágicos que passaram com sua garotada. Nada, além disto, a não ser a decepção de pensar que poderia ter sido diferente. Vez ou outra encontra alguém, fala do passado e hoje no presente passa longe do que se acreditou ser uma filosofia de vida para sempre.    

                     Sou um Velho Chefe Escoteiro calejado já vi coisas do arco da velha. Dou-me ao luxo de desaprovar, censurar e condenar tais lideres que para mim não sabem “fazer a massa e querem fazer o pão”. Posso falar de cátedra. Já fui um dirigente regional, nos tempos da diligencia e participei diretamente de muitos Indabas para consultar ou ouvir as duvidas levantadas pelos participantes. Fizemos acampamentos regionais e cursos à maioria gratuitos. A luta era para conseguir doações e não para fazer caixa. Quantas correspondências enviamos? Quantos parabéns a você? Quantas cartinhas perguntando: - Porque saiu? Podemos ajudar? Estas mudanças, estes sorrisos de vencedores nas fotos quando eles se reúnem me dói fundo. Sei que não o futuro que sonhei dificilmente irá realizar.

                      Não sou um amador. Vivi o escotismo como muitos como eu desde menino. Lutamos para manter o simbolismo e a tradição. Hoje não, agora só doutor, pedagogos, copiadores do mau escotismo em alguns países aonde vão a buscar suas experiências para aplicar às cobaias de um escotismo que tenta se levantar e não consegue. Quando digo isto muitos se revoltam. Mas revoltar por quê? Quem nos reconhece como um movimento educacional na sociedade Brasileira? Quem nos dá o valor devido nas esferas governamentais e empresariais? Uns gatos pingados.

                          E lá estou eu neste dia ainda sombrio, retornando de minhas viagens de sonhos, imaginando o impossível que ainda tenho dois braços não tão fortes e duas pernas que ainda andam com dificuldade sem menosprezar Caio Martins. Mas a verdade é outra. São recordações que vagueiam a mente no passado e no presente. São boas lembranças que nos faziam felizes, momentos inolvidáveis e inesquecíveis. Se pudesse ter o dom de voltar atrás e decidir estes momentos que vivem na memória eu não mudaria uma vírgula que fosse. Mesmo que as reticências do presente assim o exigissem. Meu passado me ensinou sim, pois aprendi que “Quem não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão”.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Crônica de um Velho Chefe Escoteiro. Uma homenagem aos Antigos Escoteiros. Tempo “bão” tempos que não voltam mais.



Crônica de um Velho Chefe Escoteiro.
Uma homenagem aos Antigos Escoteiros.
Tempo “bão” tempos que não voltam mais.

Nota: Resolvi fazer uma crônica. Uma pequena crônica como uma homenagem ao Antigos Escoteiros. Temos muitos deles aqui. Sempre lendo e comentando lembrando com saudades seus velhos tempos. Isto é uma forma de resistir à passagem do tempo. Como escreveu Mário Quintana, o tempo é um ponto de vista. Velho é quem é um dia mais Velho que a gente...

                    Ouve um tempo que foi há tanto tempo que nem sei se esse tempo ainda pode de novo voltar... Nem que seja em saudades, em pensamentos, em vontades daquela que faz a gente sonhar, tremer, tempo que a gente lembra e vive a se orgulhar. Tempo “bão” de bastão a caminhar, bandeirolas soltas no ar. Chapelão do sol do quente do poente de tudo que ele guardava a chuva, na caminhada, patrulha danada que saia por aí a acampar. Tempo de ver tanta gente, olhando a gente sorridente, a dizer baixinho com orgulho a que ao seu lado estava: - É escoteiro, valente caminheiro que vão mudar a nação. Traz no peito o orgulho de um brasileiro sonhador, que acredita no futuro um futuro promissor. Tempo, por favor, traga de novo ao vivo o tempo que eu vivo a sonhar...

                      Patrulha sedenta por descobrir, uma trilha verde jeitosa, de encontrar uma árvore frondosa e sem discutir ou falar, todos iam se sentar! Respirar a natureza em toda sua realeza olhar ao redor e pensar: - Terra bonita, terra do boi valente, da onça que aparece de repente, do Pica Pau espantado, olhando por todo lado, a patrulha que parou, parou na sombra da árvore, naquela tão bela tarde um suspiro para voltar a caminhar. Quem já viu uma patrulha, andando pela colina, correndo pelas campinas, nas costas mochilas encantadas e tudo ali eram levadas, para uma refeição, um bom café matreiro, coisa de bom Escoteiro? Tempo da descoberta, do rio para pular, da jangada tão perfeita que nas águas tão travessas era um vai e vem para atravessar.

                         Tempo do feijão na brasa, da carne no carretel, do sal do sarapatel, do olhar do cozinheiro, ao lado os escoteiros, esperando a boia terminar. Sons gostosos de quem ouviu o bater nos pratos como a dizer; - Turma amiga da onça é hora de encher a pança. É e cantar que hoje a boia é boa, tem arroz queimado, o feijão está bichado e a carne estragada. Sorrisos em profusão, mas tudo sendo consumido, na panela de feijão e o arroz cozido, faziam sorrir valentões. E a noite escurecendo, o tempo que foi passando, hora dos ventos noturnos, hora de limpar o coturno, hora de um belo jantar. Jantar feito na moita, bebendo uma bela sopa de tomate, ou de abacate você já viu? “Bão” demais meu amigo. Coisa de bons mateiros, bons valentes escoteiros na clareira da floresta, pois esta noite terá festa.

                           Apenas uma patrulha? Podem ser uma duas ou três não importa. O Chefe confiava, na turma acreditava que tudo ia nos conformes, nada daria errado. Monitor um companheiro, um bom líder Escoteiro, a contar causos sem fim. Sempre tinha o gaiteiro, nas estradas nos atoleiros ele tocava: - £ “Em uma montanha bem perto do céu, existe uma lagoa azul”. E a gente acompanhava todo mundo só cantava lembrando a família que muito longe ficou. Mamãe papai cofiava. Sabia que só valentes escoteiros de repente iria um dia ser homem honrado, com todo mundo apalavrado, orgulho de uma era, que nunca mais irá voltar. Hã chapéu que representava, por onde a gente passava, ali estão os escoteiros do Brasil.

                            Será que ainda verei mochileiros escoteiros, correndo por aí nas montanhas, acampando em vales enormes, dormindo sob o céu estrelado fazendo um escotismo gostoso, onde o Chefe confia e deixa acontecer? Será que verei no horizonte, bandeiras do Brasil tremulando, nas mãos de um Escoteiro de hoje, altaneiro viageiro, mostrando a sua raça, deixando a vida sem graça do moderno que nada tem? Ainda fico pensando onde anda os patrulheiros, que dão a vida pela patrulha, que seguram o seu bastão como se fosse sua alma seu coração? Quem sabe eles trarão as respostas, quando os chefes acreditarem que o escotismo deles e de mais ninguém. Quem sabe seguirão o líder, que um dia disse na Jângal: “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido...”.

                                  Se isto acontecer irei para a terra dos meus ancestrais sorrindo, já pensei em deixar de sonhar, mas isto não pode acontecer. Quero ainda ver os novos remanescentes, fazendo com que de repente, nem que seja de improviso, aquele belo escotismo, que um dia irão orgulhar. Sei que o chapéu é ultrapassado, que mesmo não sendo amado pode trazer o calor, de sentar em volta do fogo, uma chaleira fumacenta, um café brasileiro esquenta um papo aqui outro ali, menino vai ser bom demais. Sei que é difícil de ver, afinal sou Velho ultrapassado o meu escotismo sonhado já deixou de existir. Mas me provem que um dia de vestimenta e tudo, partirão sorrindo nas trilhas, sem ter a sua chefia para tudo atrapalhar. Mostrem que não há tempo, seja em qualquer momento existem bons escoteiros, com seu monitor gritante avante, patrulhas! Sigam-me, pois agora é nossa hora, partiremos sem demora ao nosso acampamento anual.

                         E façam como B-P: Arregace as mangas e tome iniciativa, olhe longe e depois olhe ainda mais longe... Bons caminhos escoteiros, valentes e bons brasileiros!

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Não destruam uma tradição.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Não destruam uma tradição.

Nota – Neste Sete de setembro me assustei ao ver escoteiros de uniforme caqui, usado displicentemente com a camisa solta em cima da bermuda ou da calça. Foi mesmo um “bruta susto”, pois isto não faz e nunca fez parte da tradição do uniforme caqui. Será que a Escoteiros do Brasil também autorizou tal ato?

                        Não... Não façam isso, por favor! Mais de cento e quinze anos de tradição e vocês desvirtuam uma cultura de hábito e transmissão de geração em geração? Se quiser vestir o saudoso uniforme Caqui, o façam com ufanismo como aqueles que assim o fizeram por toda vida escoteira. Tentem respeitar uma maneira de ser, de fazer de agir como escoteiro de tempos que muitos se orgulham até hoje.

                        Assustei neste desfile de Sete de Setembro quando vi alguns de uniforme caqui, a quem tenho a honra de chamar de irmãos Caqueanos com a camisa solta conforme os moldes da nova vestimenta. Não eram muitos, mas davam uma conotação de falta de garbo e apresentação. Se querem assim não vou discutir. Emigrem para os que adotaram a nova postura da Escoteiros do Brasil. Se acham que fica bem a camisa solta em cima da bermuda ou da calça mudem para a Vestimenta.

                        No final da vida é triste ver este boicote à tradição, está indiferença com um costume e prática de muitos e muitos anos. Me orgulho dos Escoteiros do Ar e do Mar que ainda respeitam a tradição, seu porte e garbo é invejável e não mudaram apesar da insistência da EB para que eles passem a adotar a Vestimenta. Para mim a apresentação escoteira é feita com garbo e orgulho do uniforme. Ele não é uma peça qualquer faz parte do nosso orgulho e nosso respeito. Pelo menos tenho visto um aumento de Grupos Escoteiros que resolveram voltar às origens, afinal o caqui custa à metade da Vestimenta e dura três vezes mais. Veja o que nosso Chefe Baden-Powell disse a respeito dessa tradição:

                        “O uniforme indica que pertenceis a uma grande fraternidade espalhada pelo mundo inteiro. Faz-se ideia elevada de um rapaz que usa este uniforme, sabe-se que não é um rapaz qualquer, mas limpo, inteligente, ativo, em quem se pode confiar que cumprirá da melhor vontade as ordens recebidas e será prestável aos outros. Posso dizer que eu próprio ando sempre de calções, de verão e de inverno, e nunca apanho constipações. A ser essa a razão, também se podia apanhar um resfriamento por andar com a cara e as mãos a descoberto”.

                         Já tenho dito muitas vezes: “Não me importo absolutamente nada que um Escoteiro traga ou não traga uniforme, contanto que ponha o coração naquilo que faz e cumpra a Lei do Escoteiro”. Mas a verdade é que quase não há Escoteiro que não ande de uniforme se tem possibilidade de comprá-lo. É o brio que o leva a isso. O aprumo no uso do uniforme e a correção nos pormenores pode parecer coisa sem importância, mas tem o seu valor na formação do sentimento da dignidade e contribui muitíssimo para a reputação do Escotismo entre os estranhos, que julgam pelo que veem.

                      Para o rapaz, o uniforme é uma grande atração, e quando se trata de um traje como o que usam os sertanejos, isso o leva na sua imaginação a sentir-se diretamente ligado com esses pioneiros que são os seus heróis. O uniforme também contribui para a fraternidade uma vez que ao ser adotado universalmente ele encobre todas as diferenças de nacionalidade e de classe.

                     Para mais, o uniforme do Escoteiro é simples e higiénico. Um uniforme semelhante oculta todas as diferenças e contribui para a igualdade num país. Mas, o que é mais importante, encobre as diferenças de nacionalidade e de raça e faz com que todos sintam que são membros, uns dos outros, de uma única fraternidade mundial.

                     Portanto meu caro Chefe meu caro escoteiro se orgulhe desse uniforme caqui, é uma tradição que trouxe orgulho a todos os que usaram em muitas ocasiões importantes durante esses 115 anos. Não deixe para trás uma tradição, use seu caqui com orgulho e boa apresentação. Camisa solta? Não faz parte.

                     Para você que desfilou garbosamente nesse Sete de Setembro e se orgulha do seu uniforme ou vestimenta meus parabéns. Aceite meu Sempre Alerta meu aperto de mão e juntamente com meu fraterno abraço! 

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Sete de Setembro “Independência ou morte”!



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Sete de Setembro “Independência ou morte”!

Nota - Em 7 de setembro de 1822, foi proclamada, oficialmente, a independência do Brasil, em São Paulo. Quando regressou ao Rio de Janeiro, Dom Pedro foi aclamado imperador e coroado com o título de Dom Pedro I, em dezembro de 1822. Data cívica comemorada pelos escoteiros em todo o Brasil.

                    - Qual jovem não sonhou um dia em desfilar na avenida, uniformizado, marchando garboso, seguindo uma bela banda dos escoteiros, o povo aplaudindo, os pais gritando: - Ali está! É meu filho! Isto arrepia qualquer um que teve a oportunidade de estar em um belo desfile. É nesta hora que dizemos: Orgulho de ser escoteiro.

                      Desfilei muito nos sete de setembro em minha vida escoteira. Os preparativos, o desfile, depois a comemoração na sede onde se hasteava a bandeira e os comes e bebes trazido pelos pais. Sempre foi um dia de festa de alegria de mostrar ao povo que os escoteiros existiam e estavam ali presentes e sempre alerta para o orgulho do Brasil.

                      Nesta hora sei que a maioria já está voltando do desfile e em muitas cidades do Brasil eles se abrilhantaram para mostrar seu amor à pátria. Orgulho de todo menino, a gente sente no corpo um tremor em saber que tantos olhos nos veem como um soldado mirim do Brasil. Não importa aqueles que não nos consideram soldados. Não importa. Nossas raízes para defender a pátria nunca será esquecida.

                      Na minha cidade o povo corria em peso para ver os desfilantes. O Tiro de Guerra, o Batalhão da Policia Militar, Grupos Escolares, Colégios e claro os Escoteiros. Palmas e palmas. No palanque o Chefe do Grupo orgulhoso seu chapelão de abas largas e com suas estrelas de atividade brilhando. Quando saiamos da rua transversal, sempre na Frente o Pavilhão Nacional em seguida a banda, depois os lobos, os Escoteiros, os seniores e pais cada um se empertigava para mostrar seu orgulho em estar ali.

                     O trecho do desfile não era mais que oitocentos metros. A apoteose era em frente ao Palanque das autoridades onde sempre fazíamos evoluções, malabarismo e nosso caminhão com a carroceria aberta estava lá à barraca armada, uma mesa e um fogão suspenso que na hora exata quando passava pelo palanque o café está sendo coado. Já tinha um Escoteiro preparado com uma bandeja, xicaras e ia servir o café para o Prefeito, O doutor Juiz, O padre, o delegado e o comandante militar e o Capitão do Exercito.

                   Nosso desfile não parava por aí. Algumas ruas antes de voltar para a sede e o povo na porta na janela aplaudindo. Era rotina passar por várias ruas na volta para a sede. As famílias saiam de suas casas e vinham aplaudir. Ao chegar à sede, mesas cheias de salgados e você podia escolher: – Coxinha de galinha, bolinhos de carne, empadinhas da dona Armênia, croquete, bolinhos de bacalhau, pastel de carne, de queijo, pasteis de mandioca, e você ainda tinha suco de uva, de limão de groselha, de laranja todos naturais para sua escolha pessoal.  

                              E a gente saia da sede com os olhos brilhando e sonhando. Sonhando com um novo Sete de Setembro. Quanto tempo, quantos Sete de Setembro eu vivi. E fico triste em saber que em algumas capitais não se marcha mais. A maioria anda em passo comum alguns conversando e lá vão desordenados pela avenida sem saber aonde vão. Porque esta mania de achar que marchar não é escoteiro? Ainda bem que são poucos. Muitos Grupos ainda tem no sangue a marcha infante de um escoteiro orgulhoso do seu País.

                              - Três âncoras deixou Deus ao homem: O amor à Pátria, o amor à liberdade, o amor à verdade. Cara nos é a Pátria, a liberdade, mais cara; mas a verdade, mais cara de tudo. Damos a vida pela Pátria. Deixamos a Pátria pela liberdade. Mas à Pátria e à liberdade renunciamos pela verdade. Porque este é o mais santo de todos os amores. Os outros são da terra e do tempo. Este vem do céu e vai à eternidade... Rui Barbosa.

VIVA O SETE DE SETEMBRO, A INDEPENDÊNCIA DO NOSSO BRASIL!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Aprender a fazer fazendo.



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Aprender a fazer fazendo.

Nota - Nosso Movimento tem características próprias. Colocar jovens em forma, marchar, perfilar, saudar, gritar e cantar qualquer um com boa postura e voz de comando consegue. Mas esse não é o chefe que esperamos ter. O chefe que precisamos é aquele calmo, que fala pouco, que confia é um irmão mais velho, um aconselhador, tutor, não o dono de tudo. E ainda tem aqueles que dizem – Esta é minha tropa, esta é minha patrulha, este é meu monitor, esta é minha escoteira. È o dono de tudo? Experimente. Dê um prazo para você e para eles. Com o tempo irá se surpreender. Se mostrar aos monitores onde devem chegar, eles chegarão lá sem sombra de duvida. Confiar faz parte do método. Quem ensina e adestra é o monitor. Você é o monitor dos seus monitores.


           O método escoteiro é único e foi copiado por muitos, principalmente organizações educacionais e até setores de áreas comerciais e industriais. BP foi realmente benfazejo em suas ideias. Ele sempre enfatizou que nós chefes escoteiros, devemos fazer de tudo para que os monitores conduzam a própria patrulha sua moda. Quando um escotista está sempre olhando se preocupando, não deixando que eles façam sempre para aprender, é um erro e foge completamente do mais puro e mais correto método do Aprender a Fazer Fazendo. Aprender a fazer fazendo. Tão simples e muitas vezes esquecido. Hoje as escolas, organizações e até universidades estão fazendo isso e estão tirando proveito, mais que nós escotistas cujo fundador foi o idealizador do método. E ainda tem alguns educadores que nos chamam de um movimento atrasado e ineficaz. Afinal existe maneira melhor para aprender? Errar quantas vezes for até fazer o certo?

         Existem diversas maneiras para fazermos isto. Primeiro, dando a eles toda a liberdade para programar o programa, ficando a cargo da chefia somente elementos surpresas e condições físicas e ambientais. Outro dia, comentava com um jovem sênior, sobre o programa da tropa, e ele me dizia que a chefia fazia tudo. Perguntei se ele não opinava e me disse que não, pois assim havia surpresa no programa. Finalizei perguntando se no ano anterior quantos entraram e quantos tinham saído? Sua resposta – Somos somente quatro. Os demais saíram e ninguém entrou. Aí veio a realidade. Ali nunca foi dada aos seniores a liberdade de aprender a fazer fazendo. Tanto fizeram para eles que resolveram sair.

        Uma guia me respondeu que nunca pensaram em fazer nada. O chefe fazia tudo, assim ficava mais fácil. Elas não tinham de se esforçar, havia sempre um ar de mistério e todos gostavam. Perguntei como sempre, - Quantos vocês eram no ano passado? O mesmo número de hoje, somos seis, claro, saíram quatro e entraram quatro. Não perdemos nada! Como não existem bons programas que despertaram seus interesses e os mantenham na ativa, ficam sempre comentando, programando, e contando os dias de alguma atividade regional ou nacional.

       Não tiveram outra em suas tropas que marcaram e pedem bis. Ali nessas atividades eles se realizam, não pelo programa em si, mais pela amizade e fraternidade. Ali nada farão a não ser divertir. Tudo já está pronto, até as refeições. A Direção programou tudo. Desde a chegada ao término. Tudo feito de antemão. Eles serão um Bon vivant. Ou seja, “Comemos e bebemos, a Deus agradecemos”.

        Gosto de mostrar as vantagens de deixar os jovens fazer. Seja no seu crescimento individual, evolução técnica, e lembrava que todos, escoteiros e escoteiras tinham e tem em seus bairros amigos de infância, que se encontravam, faziam seu próprio programa e ficavam anos e anos juntos. Nenhum deles jamais reclamou do programa que planejaram ou fizeram. Em recente artigo comentei sobre o programa da tropa. A patrulha tem condições para fazê-lo. Muito mesmo. Claro, não todo ele, mas boa parte sim. E alguns até me disseram que o programa seria ruim, e eles poderiam não gostar. Mas você já tentou? Pelo menos tentou? Agora não é somente em uma ou duas reuniões que você vai conseguir motivá-los. Isso é como se fosse uma pescaria. Tem de escolher a isca, a vara e o local onde vai pescar.

       Pela experiência de observador vi que os jovens que fazem seu próprio programa, ficam mais tempo no escotismo. Facilitam sobremaneira o desenvolvimento de uma atividade, onde a técnica e o conhecimento adquirido é desenvolvido de maneira impar. Se você usa bem a Corte de Honra, se sua tropa faz semanalmente um Conselho de Patrulha e se você tem sua patrulha de monitores bem formada, é sucesso na certa.  É comum encontrarmos escotistas construindo pioneirias e os jovens formados em circulo olhando ou dando ferramenta ou madeirame. Ele esqueceu que já é formado na escola da vida e não é essa a maneira certa de praticar o sistema de patrulhas. Ficar mostrando que sabe fazer ou é um mestre mateiro, não é o caminho. Inclusive um me disse que assim é melhor, pois os escoteiros podem ver como fazer e aprender no futuro. Ele não pegou nada do aprender a fazer fazendo.

      Por experiência própria, as tropas que atuam dentro do método, tem melhor desenvolvimento e se orgulham do que fizeram. Observe a alegria de uma patrulha que fez uma mesa mesmo que torta e quase caindo e outra olhando o chefe fazer. A arte de aprender fazendo também se aplica ao programa da tropa. Muitos chefes alegam que eles não entendem, não sabem como fazer, e acha que tudo vai dar errado com muitos meninos saindo por esse motivo. Temos que acreditar. É nossa obrigação. Já vi excelentes tropas, que se formam maravilhosamente, perfilam feito soldadinhos, cantam como passarinhos, jogam de maneira espetacular as atividades próprias, enfim quem não conhece o método escoteiro diria que é uma tropa modelo. Por outro lado já vi tropas usando o método correto, aprendendo a fazer fazendo que se saíram muito bem em tudo àquilo que é exigido deles. Agora com mais sabor, eles fizeram.

      Esqueçam o “Não vai dar – É impossível – Eles não sabe escolher e programar” isso não é verdade. Claro não é de um dia para outro que o chefe terá os resultados esperados. Aprender a pescar demora. Talvez o chefe que ainda não conseguiu não deu a isca certa.


sábado, 1 de setembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. “Sempre Alerta”



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
“Sempre Alerta”

Nota – Significado. No livro Scouting for Boys, Baden-Powell explica o significado do lema: O lema escoteiro é "BE PREPARED" (esteja preparado) ,significando que você deve estar constantemente em um estado de atenção mental e corporal para cumprir o seu DEVER.  Esteja preparado mentalmente através de uma disciplina que lhe permita ser obediente a cada ordem, e também pensando de antemão nas situações e acidentes que podem ocorrer de forma, a saber, e desejar atuar de maneira correta no momento correto. Esteja preparado corporalmente, tornando-se forte, ativo e capaz de atuar de maneira correta no momento correto.

                     Sem desmerecer o Melhor Possível do Lobinho e o Servir do Pioneiro, eu amo demais meu lema Sempre Alerta. Quando passei para a Tropa Escoteira já sabia de cor e salteado o que significava o lema Sempre Alerta. A tradução do Be Prepared inglês de Baden-Powell é perfeita. Estar alerta sempre é um pensamento que nos acompanha por toda a vida.

                     Acho que meus irmãos de ideal de outras nações se sentem como eu. Fico pensando no Escoteiro Alemão dizendo Allzeit Bereit, ou no Armênio dizendo Misht Badrat. Tive a honra de apertar a mão de um Escoteiro Espanhol que me saudou dizendo Siempre Listo. Já vi um Escoteiro Francês dizendo Sois Prêt. E quantos neste sábado irão se reunir e gritar para uns e outros Sempre Alerta? O Inglês é claro na sua fleuma dirá: - Be Prepared, o Japonês Sonae-yo, o sueco Var Redo e o polonês Czuwaj.

                    É supimpa chegar à Sede, como quem não quer nada e gritar: Sempre Alerta Patrulha, Sempre Alerta Tropa, e ficar atrás do portão esperando o Chefe entrar e dizer para ele primeiro; - Sempre Alerta Chefe! Bom demais. Um gostinho de orgulho em dizer que estamos mentalmente Alerta e obediente a cada ordem. Estamos preparados para situações que podem ocorrer para poder atuar no momento correto. Estamos Sempre Alerta corporalmente, nos tornando forte, ativo e capaz de estar prevenido em toda e qualquer ocasião.

                  A você meu amigo escoteiro, meu amigo sênior, meu amigo Chefe com orgulho me sinto a sua frente lhe dando meu Sempre Alerta e lhe desejando uma ótima e feliz reunião. E a você Lobo meu Melhor Possível afinal já fomos e ainda somos irmãos de sangue e o seremos para sempre!

Servir Pioneiro! Sempre Alerta Escoteiro! Melhor possível lobinho!
Uma estupenda reunião para todos vocês!


quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Novos e velhos tempos. (Crônica dedicada aos Antigos Escoteiros).



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Novos e velhos tempos.
(Crônica dedicada aos Antigos Escoteiros).

Nota - É o regresso ao passado, o presente é o futuro. Máquina do tempo, o velho testamento em que não existia o veneno. Bons velhos tempos, continuo aqui o mesmo... Escoteirando como outrora no meu pensamento!

- “Vado Escoteiro, olhe o que eu ganhei! Um rolo de sisal, quase dois quilos”! – Olhei com curiosidade, nunca tinha visto um. Achei bonito, uma cordinha fina amarelada, logo me vi usando em uma quadrada ou diagonal. Seria um “tetéu” para uma costura de arremate, bem melhor do que o cipó Cacique e o treteiro. - Foi meu tio da capital quem me trouxe. - “Bom bonito e barato”! Disse ele. – É para a Patrulha? É sim Vado, foi presente, sem ônus. Foi o meu despertar para deixar de lado minha gostosa e saudosa amarra com cipó. A gente usava e guardava quando retornasse.

- O tempo foi passando, “Macaco Disse” para segui-lo com submissão. Usei o sisal pela primeira vez. Pata tenra no uso deixei enormes marcas nas mãos. Acochar era preciso. Doeu por uma semana. Depois aprendi a usar um pequeno pedaço de pau enrolando e acochando. Valeu, minhas mãos não tinham mais marcas. Vi um Monitor em Conselheiro Pena usando uma luva de couro. Experimentei. Valia a pena. Quanto custa a luva? O preço era alto demais para mim. Comecei a ver que a modernidade tem preço e nem sempre eu podia pagar.  

- Foi meu primeiro embate com o moderno e que o diga meu Lampião Vermelho a querosene. Um vidrinho bem acochado na tampa com o líquido, ele amarrado de lado na mochila ia para onde o quiséssemos levar. Dava para o gasto, lumiava em nossa volta, nunca sentimos falta da luz elétrica. Fumanchu o Cozinheiro muitas vezes quando faltava querosene ele tinha de reserva duas velas e com um pedaço da lasca de uma peroba era um pedestal perfeito para iluminar sua cozinha.

- Tínhamos a técnica para dar a iluminação necessária para as noites de acampamento. Altura exata do pavio, limpeza do vidro e outros. Todo Pata Tenra tinha que se adestrar a abrir o vidro, cortar o pavio e por a iluminação na ordem certa. E eis que apareceu o famoso “Liquinho”. Lampião a Gás, lampião de gás, quantas saudades você me trás! Mas as saudades maiores sempre foi do meu querido e batuta Lampião a querosene. A Gás perdia a graça nas noites de luar!

- “Seu” Dondinho um antigo sênior agora investido em sua oficina de tornearia, nos presenteou com um “forçado” nome que inventamos para furar buracos na terra fácil de transportar. Eis que vejo na oferta nas casas Abil um tal de Trado perfurador de terra de rosca! – Apenas sessenta mangos! Uma tralha difícil de levar sem a carretinha. Começavam a rarear nossos acampamentos a “Escoteira”. “A patrulha que anda só”! As invenções da modernidade diziam, seria para facilitar a locomoção menor do ser humano.

- O 6º Batalhão Militar a cada dois ou três anos nos presenteava com materiais descartados mas em sua maioria seminovo. Barracas, mochilas, trados, machadinhas, marmitas e outras bugigangas. As barracas sempre as mesmas. As de soldado de duas lonas. Cada um levava uma lona e no local escolhido para acampar a gente mesmo cortava as varas e os espeques e os cipós “dando sopa”. Ninguém se apertava. O tempo foi passando e eis que as saudosas “duas lonas” deixaram de existir.

- Agora tínhamos as Iglus, as bangalôs, as Canadenses, a Náutica, a Indy, a Modular Desmontável e tantas outras não mais de graça. Não eram de lonas e sim de um tecido de nylon que pegava fogo com facilidade. Quantas eu vi as labaredas fervendo no ar. Coisas da modernidade. Tem aquela que você leva na sacola, abre, tira uma bomba de ar simples e “pluf” a danada salta no ar e lá dentro só falta uma TV Oled 4K para esquecer o apito do Chefe e descansar.

- Pois é, tudo mudou. - E foi para melhor Chefe! Grita para mim uma escoteira de um grupo escoteiro amigo. Para que aprender a orientar pelas estrelas? Pelas constelações? Pelas árvores, pela maré, pelo bando de Biguás voando pelo céu? Para que o passo duplo, o passo escoteiro, o bastão? Para que medir altura, distancia, latitude e longitude se um Smart fone substitui sem se cansar? Mundo moderno, escotismo moderno. Saudades? Nem pensar Chefe, as saudades serão nossas pois lá no futuro quem sabe os smart fones serão substituídos por outros mais modernos! Quá! Até lá estarei no Grande Acampamento de Baden-Powell.

- Chefe! Grita o Monitor da Coruja no meu campo de Patrulha. – Almoço pronto, Temos a honra de convidá-lo a comer um peixada de lambaris com traíras, fritinhos na frigideira e acompanhado de mandioquinhas fritas ao leite de cabra! Olhei para ele assustado, estava dormindo e viajei no tempo. Ah! Velhos e longos tempos...

A saudade aperta…o futuro acorda, mas há coisas que a mágoa não afoga... Bons velhos tempos em que a vida era um rascunho onde anotava pedaços do meu destino. Éramos um só…todos juntos num só caminho…À descoberta da existência de um movimento. Era tudo verdadeiro e puro, na época a música voava como um sonho de um miúdo... Ninguém competia apenas aprendia e brilhava quando mostrava aquilo que fazia. A amizade do coração, sem exibição, sem cobiça. Cada um à sua justiça reinava…da amizade e da rua extraía a sabedoria que adquiria. De um abraço, uma palavra ou um sorriso de um amigo, era motivo de antalgia. Mas tudo muda, incluindo a vida, mas nada compra, pensamentos de bons velhos tempos.

sábado, 25 de agosto de 2018

Recordações de uma época. O Pistoleiro do Rio das Velhas.



Recordações de uma época.
O Pistoleiro do Rio das Velhas.

Nota – Reminiscências de minha passagem como Gerente de uma Fazenda no Norte de Minas na década de cinquenta onde escoteirei como nunca.

- Não titubeei nenhuma vez. Proposta feita, proposta aceita. Afinal vivia a vida bela de um escoteiro, me considerava um campista nota dez. Conhecia pássaros, conhecia animais, sabia a água boa e a má, era bamba em previsão do tempo, tinha conhecimentos de orientação, faca, machadinha, pioneirías, porque não aceitar? Amigos disseram que era loucura, outros disseram me invejar. Telefonei para a Célia que passava férias em Vitória ES com os filhos na casa da sogra: - Osvaldo, se você acha que vai ser bom para nós não tenho nada a contradizer!

Admirador nato dos filmes de western de Hollywood, o sonho de ser um vaqueiro, vaquejar, campear, viver ao ar livre seria um desafio que não poderia recusar. Meus antigos chefes de Usina Siderúrgica desaconselharam, disseram que ali eu teria mais futuro. Trabalhava de parede e meia onde lingotes de aço de toneladas e toneladas passavam para serem produzidos os futuros tubos sem costura da famosa Mannesmann Alemã. Um calor intenso, um ar impregnado de minério de ferro e meu sonho de outras terras onde iria respirar a vida na natureza ao lado de dois rios famosos, (rio das Velhas e São Francisco) lá vou eu de mala e cuia para minha nova experiência de vida.

Ainda existia o trem noturno de Belo Horizonte para Pirapora. No trem me sentia um desbravador, um novo pioneiro a desbravar as lindas terras montanhosas de Minas Gerais. Ninguém a me esperar, um Taxi me levou até parte da entrada da fazenda fechada a cadeado. Avisado o antigo Gerente veio me receber. Um sorriso debochado daquela figura sem eira nem beira sem um chapéu de boiadeiro, sem perneiras, sem capota sem bota sem nada.

Dez mil cabeças de gado! Vai ter gado assim na China! Sabe diferenciar uma vaca de um boi? Eu ria... Quem não sabe? E a coisa começou. Cinco largas onde se manejava o gado, aprender a arriar a montar, a campear parecia coisa de Pata Tenra. Uma hora duas e a pobre “nádegas” pedindo para parar e sentar em uma bacia de água com sal. Mas tudo se aprende, tudo passa tudo se vive e tudo se torna história.

Quantas? Dezenas, cada uma mais interessante. Não vou contar que insisti com o Mané Chefe de um piquete dos vaqueiros que cuidavam da bezerrada recém-parida. Cinco dias para conhecer a divisa das terras da fazenda a cavalo. Foi de doer. Uma das histórias que não esqueço aconteceu numa junta de gado para cumprir o calendário de vacinação contra aftosa. Sentado na cerca de madeira da curralama dois (eram seis) Olhava a vaqueirada manusear uma vacada nelore que eram nascidos por inseminação artificial.

Eis que notei na estrada de entrada, alguém a cavalo. Eram dois. Um moreno forte e outro nada mais nada menos que um vaqueiro da região no seu colete e na sua pose simples de matuto mineiro. O moreno fazia questão de se apresentar como um perfeito vaqueiro, treinado e desconfiado dos donos da Fazenda São Vicente do qual eu era o Gerente. – Parou na entrada do curral. Não desceu. Disse em voz baixa e arrastada: Quem é o gerente?

- Olhei para ele que cuspiu de lado e respondi: - Sou eu! – Se apresentou: - Maneco da Fazenda das Flores do outro lado do Rio das Velhas. Soube que algumas de nossas reses saltaram o rio e vieram para cá! – Olhei para Totonho e ele só disse não balançando a cabeça. – Amigo, aqui não tem gado seu! – Ele me olhou como se me fuzilasse com os olhos. Foi então que notei o Colt 45 amarrado na perna direita. Ele na melhor pose desapeou do cavalo, calmamente, devagar sem tirar os olhos de mim que coitado só tinha um canivete no bolso.

Sua pose me lembrou de Jack Palance no filme Shane. (Os Brutos também amam). Quando ele (Jack Wilson) apeia do seu cavalo, de olho em Shane e ambos só têm vista para um e outro sem interferir nas demais personagens do filme. Shane é para mim um misto de sonho escoteiro e sonho de explorador. O filme Inspirado no romance de Jack Schaefer, foi rodado nas montanhas do Wyoming, como uma alegoria entre o Bem e o Mal: o “mocinho” é louro e veste roupas claras; o bandido é moreno e se veste de preto. O ator Alan Ladd teve, aqui, o melhor papel de sua carreira.

- Posso dar uma olhada na vacada? – Senti um desafio em sua voz. Com a mão direita em cima do cabo da 45 ele subiu a cerca, olhou nada viu nem agradeceu e partiu. Mané Vaqueiro chegou correndo na sua égua Chouriço. O que Topeira queria? Topeira? O Vaqueiro cheio de balangandãs! Dizem que tem muitas mortes nas costas. Sempre é contratado para recuperar gado roubado! Sorri. Então aqui ainda impera o faroeste? Olhei para minhas vestes, não parecia um perigoso gerente de fazenda. Resolvi mudar a indumentária.

Em Pirapora procurei seu Laerte um Seleiro famoso. – Encomendei: - Um par de perneiras, colete, chapéu de couro preto, cinto com fivela grande, um par de botas cano longo. Se ele era considerado um pistoleiro, se ele se achava ser Jack Wilson, porque eu não poderia ser Shane? Mas diversamente dos filmes, minha vida na fazenda teve lindas aventuras, mas nunca precisei de uma arma para me defender... Salvo... Risos comprei um 32 gastei 50 balas e não acertei a latinha nem uma vez!

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A primeira Chefe (Akelá) de lobos. O início da formação dos Lobinhos.



A primeira Chefe (Akelá) de lobos.
O início da formação dos Lobinhos.

Na edição original do livro "Escotismo para Rapazes", Baden Powell não fixou um limite de idade mínima, nem máxima para o ingresso do menino no Movimento Escoteiro. Como consequência disso as tropas tinham meninos cujas idades variavam entre 9 a 18 anos.

As coisas, no entanto, não eram tão simples assim! Imediatamente levantaram-se agudas e persistentes vozes dos meninos que eram muito pequenos para serem escoteiros, irmãos menores, que não estavam na faixa etária da "diversão" organizada no princípio do século, queriam entrar na brincadeira e não podiam esperar mais.

Os "pequenos" foram tão persistentes, intrometendo-se nas reuniões de Tropa e iniciaram alguns ensaios por volta de 1909. Os primeiros esforços de trabalhar com meninos menores não obtiveram sucesso. Alguns escoteiros sentiram em receber estas crianças como "Junior Scouts", mas os resultados foram desastrosos. A tropa desestruturou-se, os mais velhos não desejavam misturar-se com os pequenos e estes não conseguiram acompanhar as vigorosas atividades feitas pelos escoteiros.

Tomar providências para que o que mais tarde foi chamado "Junior Scouts" (Escoteiros Junior), foi uma tarefa muito árdua para Baden Powell, pois embora ele estivesse receptivo à ideia, teve que tomar precauções para evitar a impressão que seu Movimento estava criando um jardim de infância para escoteiros.

Baden Powell não teve tempo suficiente para escrever o Manual do Lobinho durante a Primeira Guerra Mundial, porém, anunciou que o faria pouco tempo depois.

Com a erupção da guerra, as mulheres tomaram os lugares antes ocupados pelos jovens, que haviam respondido aos apelos do exército. Assim, foi permitido o ingresso de senhoras e senhoritas no Movimento, estas estavam encantadas com a ideia de que pudessem adestrar os pequenos. Suas idéias foram de grande valia na elucidação de problemas especiais que surgiam no adestramento dos pequenos. E nesta leva feminina que surge o braço direito do Fundador, no ramo lobinho: a Srta. Vera Barclay.

O seu encontro com o Fundador deu-se no dia 16 de junho de 1916 em uma conferência em Londres, onde Chefes de Lobinhos reuniram-se para reivindicar o esperado Manual do Lobinho, que contivesse um esquema específico para o ramo.
Vera Barclay não compareceu a conferência movida pelos seus objetivos uma vez que lobinhos não lhe interessavam, sua fixação eram os escoteiros. Porém, havia recebido um convite especial de B.P. que queria conversar com ela.

O objetivo de B.P. era contratá-la para juntar-se a equipe do Headquarters e trabalhar no projeto dos lobinhos. A ideia não a entusiasmou muito uma vez que lobinhos não era o seu trabalho, e fechar-se em um escritório em Londres não estavam em seus planos.

Em sua atuação com escoteiros nas áreas carentes de Londres recebeu de companheiros mais formais a crítica de que os rapazes não atendiam perfeitamente a todos os aspectos da Lei Escoteira. Deu, então, uma resposta que se tornou famosa: "O que interessa é, que pelo escotismo, os rapazes se tornem melhores!".

No entanto, em virtude de um joelho machucado, estava afastada de suas funções de enfermeira no "Netley Red Cross Hospital" e além do mais, como admitiu posteriormente, era um grande serviço para o escotismo isolar os meninos pequenos e seus persistentes chefes dentro de suas próprias competências.

Não demorou muito, porém, e os lobinhos conquistaram completamente a sua simpatia, instalando-se definitivamente dentro de seu coração, de forma que a fizesse fazer de tudo para que eles fossem aceitos na fraternidade escoteira, pleiteando junto ao Headquarters tudo o que eles queriam.

Ela dedicou-se com entusiasmo na organização do Manual do Lobinho, intercalando ao famoso manuscrito de B.P. recortes, seus desenhos feitos a pena e bilhetes que encontrava jogados sobre sua mesa, contendo novas idéias de B.P. muitas vezes anotadas em papéis de suas lâminas de barbear. O Manual ficou também enriquecido com suas próprias opiniões acerca das insígnias e especialidades que constituiriam a parte II do Manual.

O Manual do Lobinho está impregnado de suas influências, feitas com entusiasmo e imaginação e, principalmente de um grande conhecimento da natureza de meninos pequenos. Ela via claramente a necessidade de conservar a essência, tanto quanto o método de treinamento, o tão distinto quanto possível daqueles do escoteiro.

Esta posição futuramente influiu fortemente para a sua indicação como Comissária do Quartel General para Lobinhos, posto que ela manteve até 1927. Porém, o que veio responder a procura de Baden Powell por algo atraente, especial, capaz de sustentar a fantasia e contribuir com a formação da criança foi o Livro da Jângal, cuja adoção revolucionou completamente o esquema.