Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Quando termina a motivação o que fazer?



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Quando termina a motivação o que fazer?

Nota - Precisamos mudar, quando? Quando cada um que se julga importante no escotismo olhar sem próprio umbigo e disser: - Somos irmãos de sangue, tu e eu... Afinal pertencemos ou não a grande Fraternidade Badeniana?

                                  Chegando o final de ano. Mais uma leva de chefes entrando para a Legião dos Esquecidos. Quem são eles? São os que desistiram. Tiveram seus motivos. Sabemos que a UEB as Regiões e Distritos não se preocupam com eles. Nem uma cartinha nem um e-mail agradecendo. Os grupos prejudicados correm a procurar substitutos. Quantos já se foram? Mil? Dois mil? Não sei. Poucos irão saber, pois tais informações e senso nunca serão exibidos. Não precisamos estar presentes em cada Grupo Escoteiro para saber como se dá a evasão de adultos e jovens.

                                   Tivemos um crescimento do escotismo em nosso país, uma procura razoável de novos voluntários, principalmente os pais dos novos jovens recém-admitidos. A maioria chegou sorrindo querendo ajudar. Com o tempo o sorriso desapareceu e muitos preferiram deixar o sonho que um dia acreditaram ser para sempre. Hoje após ler um artigo de um que deixou as fileiras da Escoteiros do Brasil fiquei pensando quantos como ele também deixou o escotismo.   

                                 Em alguns Grupos Escoteiros a motivação com o tempo nem sempre acontece e não é fácil aconselhar a ficar quem está decepcionado. Quem não passou por isto? Tem hora que você desanima. Dá vontade de largar tudo e sair por ai. Outros ainda insistem, mas sabem que o caminho a seguir se perdeu. Se procurarmos um serviço de autoajuda para explicar esta evasão, se ouvirmos as belas frases de efeito nem sempre ajudam a voltar atrás.  

                                  Quando entramos no escotismo tudo são flores, sorrisos, promessas de uma nova vida uma filosofia que encanta. Alguns deixam as amizades que tinham em troca de novas que conquistaram. Nos primeiros meses, e até nos primeiros anos aqueles mais chegados que não foram catequisados espantam com tanto carisma, com tanta alegria e demonstração de afeto que ele alcançou um novo patamar, uma nova vida. Agora sou feliz ele pensa. Será mesmo?

                                 Dizem os poetas que o que mais sofremos no mundo não é a dificuldade, é o desânimo em superá-la. Não é a provação, é o desespero diante do sofrimento. Não seria o fracasso e sim a teimosia de não reconhecer os próprios erros. Eu já passei por isto. Inúmeras vezes. Os problemas são diversos. Familiar, profissional, falta de ética, de amor, tratamento diferenciado, de sinceridade dos que se dizem irmãos de uniforme e de sangue e tantos sorrindo para você e você querendo chorar. Sabe da vontade de encontrar um buraco e se enfiar nele. Claro tem os mais fortes. Eles não transmitem para ninguém seus desânimos. São fortes. Tem sempre uma explicação para tudo. Mas será que dizem a verdade?

                              Temos uma matemática Escoteira simples. Trinta e poucas reuniões por ano. Some as reuniões de sede, acampamentos e excursões. Será que chegaremos a aproximadamente quinhentas horas anuais? Vamos considerar pelo menos quatro atividades extra sede de mais ou menos 20 horas por dia, reuniões e atividades distritais, regionais e nacionais. Tudo isto tudo em mais ou menos nove meses, pois muitos têm férias em julho, dezembro e janeiro. Acredito que dedicamos cerca de vinte a trinta dias por ano ao escotismo. Sei de abnegados que dedicam muito mais.  

                             Mas porque então o desanimo? Motivos diversos. O principal deles é a decepção com o ser humano. Querer abancar o mundo e dizer que o líder é aquele que sabe liderar e ser liderado é fácil de dizer. Mas nem todos estão preparados para atuar em liderança principalmente com voluntários. Com o tempo nos sentimos ameaçados daqueles que dizem ser nosso amigo e irmão escoteiro.

                            Nestas horas é que todos nós sentimos a falta de um aperto de mão carinhoso sincero. De um abraço, um sorriso uma palavra de carinho. Afinal o Grupo Escoteiro não é considerado uma grande família? Tem aqueles que nos consideram importantes, mas tem aqueles que queremos distância. Eles nos veem como indesejáveis, subservientes, dispensáveis, e se pudesse diriam: - Vocês estão aqui para servir e mais nada! Lembrem-se da promessa! Para ser como eu tem que “ralar”. Eita desanimo. Dá vontade de sumir de mandar todo mundo às favas.

                           Ninguém sai ao primeiro embate. Insistem, querem ver se eles não estão errados. Afinal fizemos uma promessa e ela nos deu a primazia de sonhar cm um mundo melhor. Insistimos e tentamos dar a volta por cima. Nem todos conseguem. Quem sabe estão aí os motivos desta evasão de adultos e jovens. Quando se vão ninguém se lembra deles mais, parece que não fazem faltas ou estão mortos.

                                Dizem que o programa, os gastos extras, as taxas de cursos, a mensalidade dos filhos mesmo sendo um voluntário poderia explicar a saída. Sinceramente não acredito nisso. Claro que mesmo pagando para ajudar somos tratados como subservientes, como aprendiz, como se o Escotismo fosse um Grande Castelo de Sonhos a explorar. Os mais antigos se sentem importantes. Sempre Alerta Chefão! Alguns adoram isso.

                               Nos cursos alguns gostam de serem bajulados, reconhecidos como mestres, Grandes chefes, Velhos Lobos e se posam como se fossem nosso fundador Baden-Powell. Querem ser o professor ou o chefe que nunca foram. Dificilmente nas horas difíceis virão alguns deles para nos dizer: Aceite meu aperto de mão, meu abraço e saiba que você é muito importante para nós... Contamos com você!

                               Se isso fosse real, se não tivéssemos tantos egoístas e arrogantes para sujar o todo da associação, se o desanimo fosse substituído por um estímulo tão próprio do Movimento Escoteiro isto poderia ser evitado. Cada dia mais aumenta os que deixam nossas fileiras. As novas Associações estão aí para oferecer um cantinho, uma palavra de carinho e conquistam de maneira escoteira os que se foram.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Conversa ao pé do fogo. O dia do Ovo!



Conversa ao pé do fogo.
O dia do Ovo!

Nota - Nada como uma tarde modorrenta e escrever sandices só para divertir. Bem tem gente que não gosta, paciência. Tem outros que nem leem. Tem outros que comentam e tem muitos que estão na praia, ou churrascando e esperando o sábado para escoteirar. Enfim, pelo dito e não dito aqui fica o dia do Chefe Chato de Galocha!

                         Hoje dia 12 de outubro, comemoram-se três datas, embora poucos se lembrem de todas elas: Nossa Senhora Aparecida, padroeira oficial do Brasil, o Dia das Crianças e o Descobrimento da América. Sempre uma romaria a Aparecida para suas homenagens. Mas uma delas o dia da criança é celebrada de norte a sul. Crianças! Sempre me lembro da frase de Janusz Corczak: - Vocês dizem: - Cansa-nos ter de privar com crianças. Têm razão. Vocês dizem ainda: - Cansa-nos, porque precisamos descer ao seu nível de compreensão. Descer, rebaixar-se, inclinar-se, ficar curvado. Estão equivocados. Não é isso o que nos cansa, e sim, o fato de termos de elevar-nos até alcançar o nível dos sentimentos das crianças. Elevar-nos, subir, ficar na ponta dos pés, estender a mão... Para não machucá-las...

                         Gosto de homenagens. Temos muitas. Adoro esse dia das crianças. Elas merecem. Feito minha homenagem me lembrei de um artigo que escrevi há tempos. Era sobre a criação do dia do Ovo! Tinha lido na Folha de São Paulo, que a Assembleia Legislativa de São Paulo irá discutir exaustivamente um projeto de um deputado que dará a São Paulo o dia estadual do Ovo! Maravilha! Não conheço as razões do deputado e nem o que consta no projeto. Sei que há séculos discutem quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha. Neste caso a galinha ficará sem seu dia. Coitada. Ou será que já existe o dia da Galinha?

                         Bem cada um faz o que acha certo. Afinal o ovo é ou não é importante? Eu adoro. É fácil e nós escoteiros adoramos. Já sabemos fazer ovos de todos os tipos. Alguns se aperfeiçoaram no Ovo no Espeto. Bacana! Uma técnica excelente. Só mesmo esta turma maravilhosa para fazer isto. Sei que eles fazem ovo cozido sem sal, com açúcar, com fumaça, com sujeira de fogão, omelete melada e preta, estalados sem estalo e cheio de cascas. Sei de muitas escoteiras que adoram quebrar o ovo com casca e tudo na frigideira. Dizem que fica delicioso.

          Interessante estas homenagens. No escotismo temos o dia do Escoteiro, o dia do Lobinho, o dia do Sênior (não sei a data) o dia do Pioneiro e o dia do Chefe. Deve ter também o dia do dirigente da Escoteiros do Brasil (eles são importantes demais) do Diretor nas regiões e distritos, do Formador, do POR, do Assessor pessoal, dos Estatutos e brevemente os dos Processos da EB contra aqueles que se insurgiram contra seu poder de fogo... Não sei se tem o dia dos gansos, têm? Se não tem logo um desses políticos tipo Tiririca irão fazer. Sei que muitas homenagens escoteiras não tem projetos. Pegaram carona em algum santo e como ele não reclamou o dia foi ficando, ficando e até hoje é celebrado. O Pobre do santo muitas vezes nem é lembrado. Coitado. Deve estar no céu rogando pragas aos escoteiros. Rarará!

                        Agora que foram eleitos novos deputados (será que ainda vai existir a tal Frente parlamentar Escoteira?) e aproveitando a deixa de vereadores que se uniram ao escotismo vou apresentar alguns projetos que julgo da mais alta importância.  Meu primeiro será o dia do Acampamento Escoteiro nos moldes de Gilwell. No projeto neste dia todos do escotismo serão obrigados a acampar sob pena de multas. Só assim os meninos irão conhecer um acampamento Escoteiro de verdade. Quem sabe também o dia do Acantonamento do lobinho já que hoje eles só vivem de atividades distritais e estaduais. As multas cobradas se reverterão à região e a UEB. Money no bolso sempre é bem vindo e os dirigentes adoram! Beleza isto!  

                     Será que existe o dia da Promessa Escoteira? Quem sabe o dia do Chefe chato de galocha como eu? Do caqui eu não sei, mas sei que breve alguém vai instituir o dia da Vestimenta. Desfile de norte a sul com os dezenove tipos. A turma adora ficar com a camisa solta mostrando a pança que tem. A EB ama tudo isso. Vende a mais que poder. Haja dinheiro! Estou até vendo nos estatutos: - Artigo primeiro, parágrafo um – fica obrigatória uma nova vestimenta todo ano e é proibido consultarem os associados. Revogam-se as disposições em contrário. Precisamos nos aliar mesmo a esta turma do CAN e da DEN. Afinal eles apresentam cada projeto de cair o queixo.

                  Já pensou? O dia do Fogo do Conselho, o dia da faca Escoteira? O dia do fogão de barro do escoteiro? O dia da canção Escoteira? O dia da amarra quadrada? O dia da amarra diagonal? O dia da costura de arremate? O dia do sinal de pista? Poxa! São tantos e tantos que teríamos datas e datas para comemorarmos. Melhor deixar o emprego e ficar comemorando gostosamente em um acampamento ou acantonamento Escoteiro. Ficaria feliz com o dia da “pendura Escoteira” onde ninguém pagaria nada a Escoteiros do Brasil. Devo não nego, não pago e que Deus me ajude! Adoro isto. Adoro quando me cobram a taxa de inscrição e eu grito da minha janela; - “Oi”! Voltem no dia de São Nunca dia trinta de fevereiro na parte da tarde! Kkkkk.

            Mas querem saber, é difícil guardar dias. São centenas, milhares e ainda bem que a internet e no Facebook sempre tem um para lembrar. Outro dia alguém se lembrou do dia do mosquito da malária. Mas ele tem dia? Teeeêm! Já vi aqui o dia do Porco, o dia da Manteiga (?), o dia dos pobres (este é o meu preferido) o dia dos ricos (este eu passo longe) e o dia dos velhos tolos. Boa, gostei! Aprovaram meu dia. Rarará! Mas voltemos à carga da brigada ligeira do escotismo. Precisamos de mais dias para comemorar. Pena que a tal Escoteiros do Brasil é adepta de registros no IMPI e quase não sobra dia para comemorar.

             Mas deixemos de nos divertir e vamos ser sérios. Tem hora que cansa ver que hoje é dia de tal homenageado e amanhã idem e assim por diante. Cada profissão tem seu dia, todo mundo tem seu dia. Portanto antes de morrer eu vou pedir e implorar a um vereador, ou deputado, que eu tenha meu dia. Não o meu aniversário. Um dia qualquer, o dia do Chefe Osvaldo, ou melhor, o dia do Osvaldo... Um Escoteiro. Vai ser maravilhoso. Bombástico! Epitético! Putz! Já pensou? Os dirigentes e alguns chefes dizendo? – Hoje é dia desta “besta”! Deus do céu! Se alguém reclamar fica determinado um processo daqueles que a Escoteiros do Brasil gosta. Kkkkk.

              Bem, melhor parar por aqui. Afinal vamos festejar o dia de Nossa Senhora Aparecida, das crianças e breve vou homenagear também o dia do Ovo. Pobre da galinha. Esqueceram-se dela. Mas a dúvida persiste. Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Fico pensando que mundo é o nosso. É como disse um candidato em nosso estado a Presidente ou Diretor da UEB, sei lá, em uma observação de uma postagem minha sobre o que esperamos dos eleitos ele disse – “Uns tem e não podem, outros podem, mas não tem, nos que temos e podemos, agradecemos a Baden-Powell”! Isto mesmo. Cada um tem aquilo que merece! E tenho dito. E viva o dia do OVO!  


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Histórias da Insígnia de Madeira.



Conversa ao pé do fogo.
Histórias da Insígnia de Madeira.

                       Conta-se que na manhã de oito de setembro de 1919, dezenove homens vestidos de calças curtas e meias até o joelho, mangas de camisas arregaçadas, formadas por patrulhas iniciavam um curso de Chefes de Escoteiros. Um novo adestramento realizado em Gilwell Park, em Eping Forest, nos arredores de Londres, Inglaterra. O campo foi projetado e orientado por Sir Robert Baden Powell (BP), um general de 61 anos reformado do Exercito Britânico e fundador do Movimento Mundial dos Escoteiros.

                       Quando terminou seu adestramento em conjunto, Baden Powell (BP) deu a cada homem um cordão de madeira simples, como se fosse um colar que ele havia encontrado em uma cabana abandonada de um Chefe Zulu. Isto aconteceu quando estava em campanha na África do Sul em 1888. Para os primeiros deste curso, foi um grande sucesso e se tornou tradição por muitos e muitos anos. As perolas de madeira eram reconhecidas para os que tiveram a oportunidade de passar por aquele adestramento.

                        Com o passar dos anos, as contas como eram agora chamadas, eram talhadas da mesma forma pra manter a tradição criada por Baden Powell. O curso passou a ser conhecido no mundo inteiro como o Curso de Insígnia de Madeira. É reconhecido não só na Inglaterra como também em todo o mundo como um curso de formação avançada para líderes do Escotismo. Na época do primeiro curso BP apresentou um Chifre de Kudu que ele tinha capturado durante a Guerra Matabele em 1896. Seu som profundo em expansão iria servir para convocar os membros dos cursos em assembleias, reuniões e atividades e foi utilizado lá por muitos e muitos anos.

                       Baden Powell (BP) usou esse mesmo chifre para abrir o terceiro Jamboree Mundial realizado no Arrowe Park, Birkenhead, Inglaterra em 1929. Esse chifre é usado até hoje por muitos cursos avançados no Movimento Escoteiro. A formação em um Curso da Insígnia de Madeira oferece uma oportunidade única para o aprendizado e para a liderança. Os participantes vivem e trabalham juntos em uma patrulha com outros escotistas. Assim aprendem sobre as habilidades de liderança a as técnicas de Socutcraft.

                      Nota – Scoutcraft é um termo usado para cobrir uma variedade de conhecimentos e habilidades requeridas por pessoas que buscam se aventurar na vida selvagem e a se sustentar de forma independente. O termo foi adotado por Scouting, organizações escoteiras para refletir as habilidades e conhecimentos que se fazem sentir de fazer parte do núcleo de vários programas. Isso ao lado do conhecimento da comunidade e espiritualidade. Ali se aprendem habilidades tais como acampar, cozinhar, primeiros socorros, sobrevivência na selva, orientação e pioneirismo.

                        A Insígnia de Madeira ainda é considerada por muitos como uma experiência de suas carreiras no Escotismo. Ela tem servido como fonte de treinamento e inspiração para milhares de Escotistas em todo o mundo. Por sua vez, os possuidores da Insígnia são os responsáveis para a formação de milhões de jovens espalhados por todo o mundo.

                       Finalmente eu lhe pergunto: - Ainda não tem a IM? (insígnia da madeira). Mãos a obra. Pense olhando para frente e diga para si mesmo – “Se tantos conseguiram, eu também vou conseguir”. E lembre-se se você foi um bom lobo, um bom touro, um bom maçarico então não se esqueça de voltar sempre a Gilwell!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Notas de Baden-Powell. Cumprir os deveres, apesar das dificuldades.



Notas de Baden-Powell.  
Cumprir os deveres, apesar das dificuldades.

- Tenho sido mestre de não realização, mas eu tenho sido “Jack” de muitos, e, assim gostava de toda a variedade das coisas boas que o mundo tem a oferecer. Alguma vez você já pensou nisso, que a duração da vida adulta de um homem de 70 anos tem 291.000 horas de vigília? A maioria dos homens dormem por oito horas, quando sete são suficientes. O homem que dorme durante sete horas ganha um adicional de três anos e mais, e assim pode acordar para a vida mais que os outros.

- Eu achei um bom plano de dar-se, na imaginação, três anos a mais para viver. Sentir que você tem que fazer as coisas dentro desse tempo, se eles estão fazendo grandes sonhos em realidade, ou ganhar felicidade. O tempo não deve ser desperdiçado. Os jovens, claro dizem que não querem ser guiados por números de volta aos antigos, mas ao mesmo tempo eu sei que no meu caso eu ganhei muito por estudar os personagens dos chefes com quem eu servi de vez em quando.

Lord Wolseley, por exemplo, disse: "Use seu bom senso em vez de instruções do livro”. Sir Baker Russell deu responsabilidade e confiança os seus oficiais. Também dotado de intuição rápida ele tomou decisões rápidas e, se certo ou errado, levou-os através de um estrondo para o sucesso, enquanto Sir Henry Smyth, exatamente o oposto, teve o cuidado meticuloso para pensar as coisas na linha certa, mesmo para usar as palavras exatas, então ele nunca cometeu um erro.

Cecil Rhodes, por outro lado, tinha uma visão muito ampla, mas era capaz de ignorar detalhes. Lord Roberts foi um dos que usou essa poderosa alavanca, o toque humano, e Senhor Plumer já jogou o jogo para seu lado, sem respeito a qualquer pensamento pessoal. Sir Sangue Bindon, com toda sua experiência, estava sempre pronto a aprender. Sir Frederick Carrington resfolegou em uma risada contagiante para quebrar todas as dificuldades quando surgiram.

Tal estudo de personagens que vivem me ajudou e vai ser de auxílio para aqueles que gostam de realizá-lo. Muitas vezes me pediram os meus jovens amigos, quando confrontado com um adversário, para "jogar polo" com ele, ou seja, não ir com ele careca, mas a andar lado a lado com ele e, gradualmente, bordá-lo fora de sua faixa. Nunca perdi a paciência com ele. Se você está com a razão, não há necessidade, se você está no errado, você não pode dar ao luxo.

Em uma situação difícil um guia que nunca falha é de se perguntar: "O que Cristo fez?" Em seguida, fazê-lo, tanto quanto você puder. Possivelmente, a melhor sugestão de forma condensada, de como viver, foi dado pelo meu velho diretor, Haig Brown, em 1904, quando escreveu a sua receita para a velhice: - Uma dieta moderada e livre, liberdade de cuidar de sua base financeira, o trabalho abundante e pouco lazer, Um amor do dever mais que um prazer, uma mente equilibrada e contente e caridade com todos os homens, alguns pensamentos muito sagrados para exibição em plena luz do dia comum, um lar cheio de paz, uma esposa amorosa, crianças, que são a coroa da vida; Estes alongam os anos do homem além do período estreito do salmista.

Olhando para trás, por cima do meu próprio "espaço estreito", dois pontos brilhantes entre os muitos que, instintivamente, uma vez vêm à mente são:

- Em número de vida eu e todo tempo que vivi entre bons companheiros na estepe ensolarada na campanha Matabele, e na vida de número dois, chego um pouco de lado e me vejo arrastando para baixo até que seus dois braços pode chegar à volta do meu pescoço, quando com um beijo macio e úmido ela sussurra: "Só mais uma história de boa noite, papai”.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

DIA DO LOBINHO, QUEM JÁ FUI NUNCA MAIS ESQUECERÁ!





DIA DO LOBINHO, QUEM JÁ FUI NUNCA MAIS ESQUECERÁ!

Quem já foi lobinho, daqueles saltitantes, gritantes, fazendo travessuras, e que ama sua Akelá, pensa dia e noite no Balu e na Bagheera, e sonha com a alcateia a gritar Lobo! Lobo! Lobo! Sabe como é maravilhoso ser um lobinho ou uma Lobinha. Com a mente voltada para uma reunião, uma próxima excursão, o próximo acantonamento para não esquecem jamais. Hoje se comemora o dia dos lobinhos em todo o Brasil. Quem sabe em todo o mundo. São Francisco de Assis reconhecido pelo apreço a natureza e conhecido com o santo patrono dos animais e meio ambiente é o patrono dos lobinhos.

Que todos os lobos ao fazerem seus próximos Grandes Uivos lembrem-se que ser lobinho é demais é grandioso e que nunca esqueçam que a lei e a Promessa do lobinho é para sempre.

PARABÉNS A TODOS OS LOBOS, PARA VOCES UM GRANDE ABRAÇO E UM APERTO DE MÃO DEIXANDO VIBRAR NO AR O MELHOR POSSÍVEL!

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Ainda existem sonhos escoteiros? O belo que a natureza tem.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Ainda existem sonhos escoteiros?
O belo que a natureza tem.

Nota... Mas eu gostaria mesmo é que sua semana fosse tão maravilhosa quando fosse acampar. Quanto verdes irias ver, o desabrochar de uma rosa, que exala seu perfume, como de costume quando o sol começa a esquentar, ou como seu singelo beijo que me deixa lá nas nuvens, lugar onde o cheiro do seu perfume costuma a me levar!

                        Estão a me dizer que os sonhos dos jovens de hoje são outros. Repetem a todo o momento que o mundo da simplicidade, da natureza, da fonte de água limpa e do canto dos pássaros que um dia foi um pedaço do céu e a voz de Deus para os escoteiros, são poucos que conseguem ouvir. Um dia você acorda e vê que não é mais o menino de outrora que a vida mudou e sua escolhas são outras. Esqueceu seu estilo de apreciar gostar e amar a natureza vivendo cada momento, cada pensamento, tudo que recebemos de Deus e da natureza a vida. Agora você vê que o aprendizado o estilo e o hábito nos faz amar e sentir a natureza em todo seu esplendor acabou.

                       Um poeta dizia que é acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar. Já nos perguntamos qual o propósito dos pássaros cantarem, pois o canto é o seu prazer uma vez que foram criados para cantar? Devemos voltar à mente humana sem se inquietar com a extensão dos segredos dos céus? A diversidade do fenômeno da natureza é tão vasta e os tesouros escondidos em nossa mente não são mais aqueles que um dia procuramos sem encontrar? É, e quando chega à primavera podemos ver o espetáculo do desabrochar das flores, o vento que sopra mais formoso e os habitantes da floresta sentem na pele o florescer para a vida.

                         Quantos de nós chefes motivamos nossos jovens para ver a beleza e o encantamento da natureza? Será que ainda vivemos para dar aos jovens sonhos de uma vida em pleno campo, deixar que eles viagem pelas estrelas, pelo firmamento e sentir o perfume da floresta em flor? Será que podemos mostrar a eles o cheiro da terra, o silencio e o ronronar da mata? Quantos de nós ensinamos aos nossos jovens a dormir sob o manto da noite, a ouvir o vento e tentar entender porque ele viaja nos trazendo a brisa, deixar que ele nos leve para longe. Quantos que um dia dormiram sob as estrelas, uma barraca que fica armada no firmamento. E ao acordar com o lusco fusco da manhã, rosto molhado do orvalho do amanhecer, pássaros cantando voando em bandos para mais um dia de esplendor.

                        Quem teve o privilégio de ver a nevoa crescendo em cima das águas calmas de um riacho, lindas cascatas de águas cristalinas e fria brotando da terra? E quem aprendeu a não se assustar sem sentir ameaçado com um lobo guará que aparece sua frente quem sabe querendo dizer: - Somos irmãos tu e eu! Não importa o tempo, se soubermos amar a natureza amamos a liberdade, a tempestade o frio e o calor. Mesmo com seus perigos a selva nos ensina e nos mostra o som da chuva, o clarão dos raios que pipocam no céu. O medo do trovão acaba o vento acalma, os grilos repicam canções de ninar. O pisca-pisca dos vagalumes é uma doce visão para nunca mais esquecer. O cantar da cigarra, o ribombar surdo, ressoando fortemente na queda de águas cristalinas de uma cachoeira encantada. Viajar, pés no chão a caminhar olhando cada passo que nos leva para as criações do Criador. Um animal que passa, um beija flor que para no tempo a ver onde pode ter o seu caule da vida.

                       Nada se perde tudo se transforma quando se ama a natureza. As delicias de uma sombra embaixo de uma árvore centenária, ouvir o ranger dos seus galhos ao ver e sentir o vento passar. Procurar através de suas folhas uma nesga do sol ou pássaro cantante invisível que canta tão belamente. É lindo sentir a harmonia, a estética da mata que foi feita para nosso deleite de sombras e cantos invisíveis só para os que não querem acreditar. Bom demais ver os insetos apressados, um frescor diferente do aroma das flores silvestres tudo é lindo tudo parece dizer que a natureza quer falar com você. E o cheiro da terra? Impossível descrever. Coisas de velhos mateiros que aprenderam a viver com a natureza no respeito que é devido de um Escoteiro.

                     Acampe, em montanhas, em vales, em serras ou várzeas onde os animais pastam, onde a busca da sobrevivência faz parte da vida daqueles que são os donos da natureza. Acampar em uma praia deserta é extraordinário. Sons maravilhosos do mar ao subir ou descer da maré uma obra tão bem feita que sabemos que ali mora o Redentor. O bater de asas de um albatroz, de uma gaivota a se exibir no ar, de um trinta-réis ou de um Atobás. Se tiver sortes quem sabe aparece uns tesourões gritando no espaço a procura de um cardume que lhe dará o alimento do dia. Ah! Sonhar com a natureza, viver com a natureza, sentir todo seu esplendor entrando em seus poros e fazendo sentir o espetáculo que um dia Deus nos deu e nada cobrou. É como as tempestades que deixam cair às folhas verdes assustadas ainda no outono que um dia brotaram no desabrochar dos lindos campos, suas essências... Deixadas como folhas em vendavais. Voando, vagando, sem destino; por entre pensamentos, como mãos que tocam almas, fazendo das harpas sons siderais.

                      Não há como esquecer o som do regato, dos peixinhos que pulam a procura de um inseto, no coaxar de um sapinho, do lindo som de uma cachoeira fantástica, do bater de asas de papagaios coloridos.  Os sons das abelhas e dos beija flores a procura do néctar nas flores, de olhar uma campina verdejante e ver o vento tocar as folhas do capim, das flores silvestres e elas como se fosse uma onda verde vão e vem no horizonte. São tantos os sons da natureza que é impossível dizer que Deus não está ali. Sons e sons. Da noite do dia. Do nascer e do por do sol. Sons da chuva, da terra molhada, do riacho manso que corre para o mar. Sons das ondas, das gaivotas, dos falcões, dos macacos guinchando nos galhos como se estivessem a rir de nós.

                     Sons das estrelas, da lua, do sol. Sons imperdíveis da nevoa da madrugada. Quantas saudades daqueles dias que o som da natureza me invadia e tomava conta do meu ser. Um som como se estivesse ouvindo melodias nunca antes tocadas por nenhuma orquestra deste mundo. Sons da natureza!

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Nunca um adeus e sim um até logo. A Canção da Despedida.



Nunca um adeus e sim um até logo.
A Canção da Despedida.

                          Velhos e longos tempos! Era assim chamada e é assim conhecida a Canção da despedida. Em Inglês Auld Lang Syne. Posso estar enganado, mas não existe ninguém que tenha passado pela trilha de Baden-Powell que não tenha cantado e se emocionado com esta linda canção. Ela conta muitas histórias no mundo escoteiro. Histórias que ficaram para trás, e outras que irão acontecer novamente. A lenda é real. Dizem que na virada do ano a humanidade festeja a ida de um e a chegada de outro. Países do mundo inteiro celebram cantando Auld Lang Syne. Orquestras tocam esta melodia de diversas formas, pessoas irão se abraçar alguns terão lágrimas nos olhos a lembrar do ano que se foi. Pessoas se abraçam, desejam dias melhores que poderão acontecer. Dizem que podem ser ruins para alguns e bons para outros. Eu costumo sentar em minha varanda nas tardes mais saudosas e ouvir meu LP de Guy Lombardo a tocar Auld Lang Syne. Nada mais nada menos que a nossa querida canção da despedida. Sem esquecer o nosso querido Trio Irakitan com magnifica interpretação.

                         Conta-se a lenda ou quem sabe a verdadeira historia desta melodia tão popular conhecida no Velho mundo que a letra original é de um poema escocês escrito por Robert Burns em 1788. Dizem que significa “Velho e longo tempo” alguns chamam de “Muito tempo atrás” e tem aqueles que dizem se chamar “Como nos velhos tempos”. Não importa o nome original, para nós escoteiros ela é a Canção da Despedida. A nossa eterna Cadeia da Fraternidade. Não sei quem adaptou nova letra a esta melodia tão maravilhosa que nos marca em todas as ocasiões quando cantamos. Sei que ela ressoa na memória e bate fundo no peito e no coração Escoteiro. É bela demais. Ela nos dá a certeza que nunca vamos nos separar que bem cedo junto ao fogo vamos nos reunir outra vez. Não temos a tradição de cantá-la na virada do ano. No Brasil poucos estados em festas da virada cantam. Temos sim a tradição de cantar no final do Fogo de Conselho, nos encontros escoteiros, em festividades e fins de acampamento.

                           Aprendemos a entrelaçar as mãos, apertar fortemente, cantar se emocionar e muitas vezes chorar. Quem não chora? Dizem que tem escoteiros durões, mas eu não acredito. No fundo do coração bate forte uma saudade uma vontade de dizer “Eu te amo” gritar naquela noite sem lua ou com lua, que o escotismo mora no meu coração para sempre. Nem sempre estamos em uma clareira da floresta, mas na nossa frente tem uma fogueira. Chamas com fagulhas subindo aos céus. Olhares de amigos que já existiam e outros que fizemos rodam o circulo do amor. Sempre nos lembraremos dela em um acampamento em uma atividade escoteira ou até mesmo um acantonamento onde os lobos sempre a cantam pela primeira vez. Dizem que as que marcam mais é no encerramento do Fogo de Conselho. Eu cantei em lugares incríveis. Cantei em florestas virgens, em picos formosos. Cantei a noite, olhando estrelas, cantei durante o dia vendo o sol ou a chuva.

                   Para mim é a mais sublime das canções Escoteiras. Nunca esqueci a primeira vez. Meu primeiro acampamento. Saudades demais. Penúltimo dia, última noite. Um fogo de conselho só da tropa. Fico arrepiado só em lembrar. Foi demais, cantei outras canções, brinquei, fingi ser um padre, aprendi palmas escoteiras, em silencio, no peito, tambor, mexicana, um dedinho, a mão toda caramba! Mas acreditem terminou. Olhamos para o Chefe. Pediu para entrelaçarmos as mãos. Não conhecia a letra, fui ouvindo e aprendendo. Comecei a entender o que ela dizia. A emoção era demais. Tocou-me fundo o coração. Lágrimas começaram a correr pelo meu rosto. Terminou a canção. Fogueira ainda crepitando, estrelas brilhavam maravilhosamente no céu. Vento frio, brisa no rosto, cheiro da terra, do capim meloso, grilos saltitando, vagalumes mostrando seus brilhos. Silencio enorme. Um olhando para o outro. Tentando disfarçar as lágrimas. Trombeta tocando. Final. Reunir, Boa noite escoteiros! É ninguém esquece. Não dá para esquecer.

                      É uma letra conhecida. Não dá para perder as esperanças, pois vamos nos tornar a ver. Neste fogo ou em outras eras nossas mãos de novo iremos entrelaçar. Não é mais que um até logo, não mais que um breve adeus. Foi bom, muito bom te conhecer. Eu sei que o Senhor que nos protege e está sempre a nos abençoar, um dia certamente vai de novo nos juntar. Letra supimpa, linda, maravilhosa, tentei descobrir quem a escreveu, não consegui. Sei que deve ter sido um iluminado quem escreveu a letra como um anjo Escoteiro. De vez em quando penso se ela dói se machuca, se a saudade marca ou se toca silenciosamente em nosso coração. É uma situação inusitada. Se contarmos para amigos eles vão rir de nós. Vão achar que somos tolos, nostálgicos. Eles não sabem o que significa para nós. É linda demais. Sempre lágrimas a cair sobre a terra, nosso chão abençoado quando cantamos.

                     Não sei se conhecem a letra original. Aquela escrita por Robert Burns. É linda, mas não se compara com a nossa. Sei que é uma canção imortal. Hoje, amanhã, no futuro milhões e milhões de pessoas pelo mundo estarão cantando e desejando que não seja mais que um até logo, não seja mais que um breve adeus. Até meus últimos dias na face da terra eu vou cantar Auld Lang Syne e quem sabe chorando. Pensando em minha vida, nos velhos tempos que nunca serão esquecidos. Pelos velhos tempos, ainda tomaremos um cafezinho no fogo de conselho, sei que percorremos colinas, montanhas vales coloridos, mas esta canção nunca será esquecida!

Aos meus amigos, deixo a letra original escrita por Robert Burns de Auld Lang Syne. A nossa não preciso escrever. É conhecida pelos milhões e milhões que um dia foram ou são escoteiros em todos os quadrantes do mundo.

- Os antigos conhecidos deveriam ser esquecido e nunca lembrados?
Os antigos conhecidos deveriam ser esquecidos e os velhos tempos?
- Pelos velhos tempos, minha querida, pelos velhos tempos;
Ainda tomaremos uma xicara de bondade, pelos velhos tempos.
- E certamente, você pagará pela sua e eu pela minha,
Ainda tomaremos uma xicara de bondade, pelos velhos tempos...
- Nós dois já corremos pelas colinas, e colhemos margaridas,
Mas já vagamos cansados por muitos lugares, desde os velhos tempos...
- Nós dois remamos na corrente, do sol da manhã até a noite,
Mas os mares entre nós já bravejaram muito, desde os velhos tempos.
- Pelos velhos tempos, minha querida pelos velhos tempos,
Ainda tomaremos uma xícara de bondade, pelos velhos tempos...

Não devemos perder a esperança de um dia nos tornar a ver. Sabemos que a partida não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus. Seja aqui neste mundo ou em alguma estrela no céu nos encontraremos para dizer que o Senhor que nos protege, nos vai abençoar e um dia certamente, vai de novo nos juntar!

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Contos de Fogo de Conselho. A Jarreteira de Daniel San.



Contos de Fogo de Conselho.
A Jarreteira de Daniel San.

Nota - Recebo seus três contos, é claro que gostei, mais ainda da História da Jarreteira. Como sabe, iniciei minha vida Escoteira em Portugal, numa pequena Ilha do Arquipélago dos Açores; Ilha Terceira, 52 AEP. Para mim, e meus irmãos Escoteiros portugueses o recebimento da Jarreteira acontece numa cerimônia logo a seguir ao recebimento do Símbolo de Promessa. A partir de então temos a "obrigação" de sermos Cavaleiros da Paz, do Respeito e da Fraternidade Escoteira. Já vai longe meu 28 de abril de 1963, é bem verdade, porem esse dever jamais esquecerei. Henrique Luiz - Chefe Açor.

                           Todos estavam perplexos com as fitas verdes e amarelas penduradas no meião de Daniel San. Ele posudo chegou à sede se exibindo. Foi para o canto de Patrulha. – O que é isso Daniel San? Perguntou o Monitor. – Uma jarreteira Monitor, nunca ouviu falar? – Joel nem sabia o que era. Para não demonstrar ignorância não disse mais nada. Ele sabia que peças que não eram do uniforme não era permitido usar. – Falou com o Chefe? Ele perguntou. – Ainda não, mas ele vai ficar admirado da minha jarreteira. – E quem lhe disse que são peças Escoteiras? – Minha Avó disse que meu Avô foi Escoteiro em Portugal e usava. – Seu Avô? Ele era português? – Claro, meu Avô foi um Escoteiro e chefão em Funchal na Ilha da Madeira. Fez todas as provas e chegou a Liz de Prata. Olhe quando cresceu foi Escoteiro Chefe. Minha Avó sempre me conta como sua casa vivia cheia de Escoteiros! – Joel ouviu o apito do Chefe. Ele chamava os monitores. Passou o comando para Francis o Sub Monitor e saiu correndo. A patrulha ficou em silencio olhando a Jarreteira de Daniel San.

              - Estou vendo que o Daniel San colocou uma Jarreteira, - Perguntou o Chefe Jaguar. – É Chefe, ele chegou assim e disse que em Portugal todos os Escoteiros usam – Tudo bem, não diga nada a ele. Vou aproveitar para fazer uma palestra sobre as Jarreteiras. Assim todos aprendem e claro, irão saber que aqui no Brasil não usamos mais. – Joel ficou pensativo, ouviu o Chefe quanto à próxima atividade que fariam naquele dia, um jogo fora da sede e que todos deveriam ficar alertas para não acontecer nenhum acidente. O jogo foi legal. Deveriam descobrir um homem chamado Maneta que ninguém conhecia. Ele estava vestido comumente, sem nada especial, mas alguma coisa chamaria a atenção quando o vissem. Ao descobrir deveriam formar a patrulha em linha a sua frente e cantar o Rataplã. Se ele sorrisse e dissesse sempre alerta, era o procurado se não iriam dar com os burros nágua. As patrulhas se divertiram a beça em volta da sede. Muitas erraram feio, mas o Chefe instruiu a todos que a cortesia e a apresentação iria mostrar que o erro faz parte e o apresentado iria compreender bem.

                 - A Patrulha Castor ganhou o jogo. Eles viram o homem na esquina da Marechal Deodoro e foi Tonico quem reparou que seu cadarço tinha duas cores. O Chefe deu um tempo livre de dez minutos e formou todos em ferradura – Alguém já ouviu ou viu uma Jarreteira? – Todos nem sabiam o que era isto. – Reparem em Daniel San. Ele hoje veio com uma. Ela não é mais usada no Brasil e poucos países do mundo a usam. Portugal mantem a tradição. – Tradição Chefe? – Disse Bartolo Monitor da Castor. – Isto mesmo, ouve uma época que nós usamos, mas depois foi extinto o uso. Baden-Powell usou sempre em seu uniforme. Mas olhem, é melhor eu contar para vocês a história – Querem ouvir? – Todos olharam o meião de Daniel San e sorrindo disseram sim! Tudo bem, vamos lá, a Jarreteira é uma fita que serve para prender o meião à perna, desenhada com as cores dos ramos para membros juvenis e de acordo com as funções exercidas para os chefes do movimento Escoteiro. Existiu ou ainda existe uma Ordem Militar de Cavalaria, instituída por Eduardo II, rei da Inglaterra denominada Ordem da Jarreteira. É a mais nobre das oito ordens que possui o Império Britânico.

                  - Continuou o Chefe Jaguar – Ninguém sabe de concreto sobre a data da sua instituição. Vem do século XIV. Quanto ao ano a opinião dos historiadores heráldicos varia desde 1340 até 1351. Inicialmente ela só era usada pelo soberano e 25 cavaleiros. Até 1786 não sofreu nenhuma modificação. Só em 1805 se fez a segunda modificação. Finalmente em 1831 ordenou-se que o privilegio seria concedido aos descendentes diretos de Jorge II e Jorge I. Na época não se permitia mulheres na ordem. Existe uma lenda, segundo a qual por ocasião de um baile, caiu à liga da Condensa de Salisbury, dama da corte de Eduardo III e o rei abaixou-se rapidamente para apanhar e entregar à dama. Isto deu motivo de riso e graças por parte dos presentes e o rei exclamou: “Honny soit qui mal y pense”. (mal haja quem nisto põe malicia). Ouve outras lendas como aquela de Ricardo I que ao atacar Chipre invocou São Jorge que lhe deu grande ânimo e veio à ideia de atar as pernas dos cavaleiros com uma fita de couro que lhes lembrassem do feito. Eduardo II ao instituir a Ordem da Jarreteira designou a liga como seu emblema. O distintivo desta ordem é, com efeito, uma liga que, bordada a ouro e pedrarias (jarreteira) tem a legenda: - Honny soitqui mal y pense. Atada na perna esquerda junto ao joelho.

                A tropa pela primeira vez prestava a máxima atenção. Daniel San se sentia um cavaleiro britânico com suas jarreteiras. Continuou o Chefe Jaguar: - Os cavaleiros do rei usam no lado esquerdo do peito uma placa de prata ou estrela de oito pontas representando a Cruz de São Jorge. Usam também um colar de ouro, composto de 26 peças em forma de jarreteiras, esmaltadas de azul com a imagem de São Jorge abatendo o dragão. Finalmente usam uma cinta de azul escuro, atravessada sobre o ombro direito e debaixo da qual há uma joia de ouro em forma de jarreteira, rodeando a imagem de São Jorge com a divisa da Ordem. Assim esta insígnia foi concedida ao Escotismo, motivo de muitos Escoteiros ainda usarem um pedaço de tecido pendurado na parte exterior das meias do uniforme e presa pela liga. As histórias da Ordem da Jarreteira se confunde em muitas lendas que até hoje são lembradas e usadas por grandes personalidade britânicas. Lembro que em Portugal todos os Escoteiros usam as jarreteiras.

                 Chefe Jaguar se calou e olhou para Daniel San. – Obrigado Daniel San por trazer uma jarreteira onde todos pudessem conhecer sua história. Infelizmente aqui no Brasil elas não são mais usadas e assim você deu um belo exemplo em mostrar que existem histórias, lendas e tradições que marcaram muito o movimento Escoteiro por muitos anos e vai ser lembrado por toda a vida. Guarde bem sua jarreteira no seu baú do tempo para quando crescer lembrar-se dela com saudades!

                 – Daniel San viu no Chefe Jaguar um cavaleiro Britânico no tempo de Eduardo II e sendo saudado por todos que pertenciam ainda a Ordem das Jarreteiras. Daniel San nunca mais usou em reuniões, mas sempre ao chegar em casa com seu uniforme, colocava sua jarreteira e ficava olhando e lembrando de um passado que hoje não existe mais!  

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. A experiência serve para que?



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A experiência serve para que?

Nota – Dizia um padeiro da minha terra que quem não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão. Muitos dirigentes escoteiros hoje em dia se meteram na padaria escoteira sem saber fazer a massa e estão metendo os pés pelas mãos.

                   Um famoso pedagogo e pensador respondeu assim: - Para muito pouco. Só que o pouco para qual ela se presta é muito importante. E completou: - “Experiência é aquela coisa maravilhosa que lhe possibilita reconhecer um erro quando você o comete de novo”. Como ele eu acredito em experiência. Acredito em erros e acertos. E completou dizendo, ou melhor, lembrando B-P que o erro seja o pai dos acertos. Experiência é como escrever um livro. Você vai juntando as palavras e quando vê está tudo completo.

                   Temos hoje dezenas de novos lideres fazendo experiências no escotismo. Mais de trinta anos e até hoje pouco resultado. Ou melhor, tem sim, aparecem mais e mais adultos para fazerem novas experiências. O escotismo é uma fonte enorme para muitos aventureiros que acreditam mesmo que tudo precisa mudar. Fecham-se em seus “ninhos” de poder e com um sorriso nos lábios vão apresentando suas novas ideias, que não são mais que copias de outros que assim também pensaram e escreveram.

                   Francamente, eu não bato palmas para estes que se intitulam lideres e lá vão a fazer das suas. As fontes do poder é um prato cheio para eles. Fazem de tudo para ter o poder, ser mais um da corte, quem sabe sorrir por saber que agora pertencem a casta dos Lordes Escoteiros. Adoram e depois começam a alardear suas ideias. Não são sugestões, pois eles já tem tudo definido. Como não existe uma punição para seus erros já que ninguém irá cobrar no futuro eles se sentem prestigiados. Falam bonito. Quem os houve ou lê fica admirado ou pasmo porque ainda não tinham pensado nisto.

                     O tempo de escotismo me faz pensar diferente e não me empolgo. Afinal já vi tantas coisas nesta minha vida que nada mais me surpreende. Mas caramba! E a experiência deles? Porque não exigimos certezas e não dúvidas, resultados e não só experiências? Tudo bem. B-P já dizia quem nunca errou nunca experimentou nada novo. Divirto-me quando leio Marisa Martins em seu blog – “Existem pessoas que tem o cérebro “menor” do que uma formiga, a boca maior do que um elefante, e ainda se acham os Reis da Selva”!

                     Joaquim aquele português bonachão dono da padaria da esquina nunca foi Escoteiro. – Chefe Osvaldo, eu digo sempre para o padeiro: Quem não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão. Estamos cheios de aprendizes de padeiro nas lideranças Escoteiras. Tratam seus associados como “vaquinhas de presépio. Não consultam, não fazem pesquisa, não são transparentes e nem reconhecem quando deu tudo errado. E mesmo assim lá estão eles com suas propostas incríveis para fazer do escotismo brasileiro um orgulho nacional”.

                    É triste quem se acha dono de tudo, dono das ideias. Esquecem que as pessoas têm sentimentos, constroem sonhos, criam laços e não sabem que um dia o que acreditaram não existe mais. O tempo passa, o Escotista desestimula, põe seu boné e lá vai ele para nunca mais voltar. Eles irão guardar os momentos mágicos que passaram com sua garotada. Nada, além disto, a não ser a decepção de pensar que poderia ter sido diferente. Vez ou outra encontra alguém, fala do passado e hoje no presente passa longe do que se acreditou ser uma filosofia de vida para sempre.    

                     Sou um Velho Chefe Escoteiro calejado já vi coisas do arco da velha. Dou-me ao luxo de desaprovar, censurar e condenar tais lideres que para mim não sabem “fazer a massa e querem fazer o pão”. Posso falar de cátedra. Já fui um dirigente regional, nos tempos da diligencia e participei diretamente de muitos Indabas para consultar ou ouvir as duvidas levantadas pelos participantes. Fizemos acampamentos regionais e cursos à maioria gratuitos. A luta era para conseguir doações e não para fazer caixa. Quantas correspondências enviamos? Quantos parabéns a você? Quantas cartinhas perguntando: - Porque saiu? Podemos ajudar? Estas mudanças, estes sorrisos de vencedores nas fotos quando eles se reúnem me dói fundo. Sei que não o futuro que sonhei dificilmente irá realizar.

                      Não sou um amador. Vivi o escotismo como muitos como eu desde menino. Lutamos para manter o simbolismo e a tradição. Hoje não, agora só doutor, pedagogos, copiadores do mau escotismo em alguns países aonde vão a buscar suas experiências para aplicar às cobaias de um escotismo que tenta se levantar e não consegue. Quando digo isto muitos se revoltam. Mas revoltar por quê? Quem nos reconhece como um movimento educacional na sociedade Brasileira? Quem nos dá o valor devido nas esferas governamentais e empresariais? Uns gatos pingados.

                          E lá estou eu neste dia ainda sombrio, retornando de minhas viagens de sonhos, imaginando o impossível que ainda tenho dois braços não tão fortes e duas pernas que ainda andam com dificuldade sem menosprezar Caio Martins. Mas a verdade é outra. São recordações que vagueiam a mente no passado e no presente. São boas lembranças que nos faziam felizes, momentos inolvidáveis e inesquecíveis. Se pudesse ter o dom de voltar atrás e decidir estes momentos que vivem na memória eu não mudaria uma vírgula que fosse. Mesmo que as reticências do presente assim o exigissem. Meu passado me ensinou sim, pois aprendi que “Quem não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão”.