Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

domingo, 16 de dezembro de 2018

Crônica de domingo. Escotismo vale a pena à dedicação?



Crônica de domingo.
Escotismo vale a pena à dedicação?

Prólogo: - No dia que entrei no movimento Escoteiro, não tinha ideia do nível de importância que ele conquistaria em minha vida. Sem saber, cruzei meu caminho com ele e, de repente tudo passou a fazer mais sentido. Foi então que me completei até o dia que descobri que meus caminhos poderiam ser outros.

                         Em uma roda de chefes em volta de uma fogueira, escutava uma discussão acalorada entre os mais afoitos escotistas que o mundo já conheceu. Pelo menos na palavra deles. Surpreso ouvi essa pérola: “No escotismo descobri que o mínimo já é o máximo”. E só de estar junto aos jovens e meus amigos escoteiros sinto que a vida flui e se torna mais fácil! Bom isso. Se entregar a uma causa tem enormes valores não só como princípios de ajuda ao próximo como se sentir importante dentro do conceito pedagógico na formação do caráter.

                         A principio o Movimento Escoteiro encanta, traz uma chama diferente, afugenta o medo da amizade insincera. Ao pisarmos o primeiro sinal de pista na trilha do descobrimento, sentimos um sopro de aventura desconhecida de uma vida nunca antes vivida. Meninos e Meninas cativam. Enchem-nos de graça e de valores cujos princípios morais, regras, conceitos bate fundo no intimo de qualquer voluntario que vê no escotismo algum diferente que antes não conhecia. Impossível não se entregar. Difícil não mudar o estilo de vida e que muitas vezes é motivo para discórdia familiar.

                          Tudo teve o antes e o depois. O antes uma vida cheia de rotina, seja profissional ou a dedicação aos mais próximos inclusive com os comprometidos com a família. As reuniões, os encontros de chefes, as Indabas, Os Acantonamento e acampamentos, os Conselhos, as Assembleias os cursos... Estes são demais. Saímos de lá cheio de vontade de praticar a metodologia escoteira para sempre. Alguns tem o privilegio de ter ao seu lado sua cara metade e seus filhos cuja entrada neste belo Movimento surgiu entre eles um compadrio muito mais abrangente do que a vida que antes levavam.

                          Ali surge um novo abraço, um novo aperto de mão, uma saudação gostosa de fazer. E chega o dia de tremer, não de medo, mas de orgulho por ser mais um pertencente a Grande Fraternidade Mundial. Dia da promessa, dia de sorrisos, de abraços e naquela cidade dos sonhos que nunca na vida real tinha concretizado tudo muda e para melhor. Será? O amor aos filhos se espalha aos outros filhos que não são seus. A entrega é total. Alguns pagam para manter toda essa felicidade nunca antes encontrada. Pagam para os filhos, para ele ou ela e até mesmo de meninos e meninas que antes nem conhecia. Coisas de voluntário!

                          Os amigos mais chegados espantam. Que houve? Quanta mudança? Antes o chopinho, a visita fraterna, o churrasco, as idas a praia ou ao sítio para comemorar anos de convivência. Agora nada. Muitos quando se aproximam é para o ouvir o mesmíssimo novo amor que o escotismo está proporcionando. Os familiares que convivem em outra rede social assustam com tamanha entrega. Nem pense em dar conselhos, vai ouvir o que não gostaria de ouvir.

                           E quando a esposa ou vice versa não participa? Aí começam as incertezas, as contrariedades, as reclamações e até mesmo a separação o que não é bom nem para um ou para o outro. Nossas lideranças seja no próprio grupo, no distrito ou nas Regiões, sem falar na Direção Nacional não tem pessoas preparadas para agir como aconselhador. Tudo tem seu tempo e sua hora e chega àquela velha frases que ninguém gostaria de ouvir: - Ou o escotismo ou eu!

                           Diferente daqueles que germinaram no escotismo desde seus tempos de criança. Já tem uma rotina de vida formada dentro dos princípios escoteiros que sempre viveu e reconhece como sua estrada do sucesso. Muitas vezes precisamos de anos e anos para estabelecer uma moral padrão de participação que não prejudica nem um nem outro. E quando achamos que nosso rebento não quer continuar e você acha que ele está sendo prejudicado? O que fazer? Entrar onde não é chamado para dar vasão ao seus pendores de sua criação? É duro de lascar não poder fazer nada sem prejudicar um ou outro.

                            É um tema ingrato. Para alguns um tema adorável que nunca interferiu em sua vida familiar. Para outros e posso garantir as centenas o abandono de uma causa que antes era tida como um caminho a seguir rumo ao sucesso e deixou de existir. Não há conselhos. Ninguém vai deixar a entrega só por alguns escritos ou orientações que não tem nada a ver com sua vida pessoal. Escotismo é assim, uma trilha ilhada de sinais de pista. Caminho a seguir, caminho a evitar, saltar o obstáculo e chegar incólume ao ponto de reunião!

                            Assim a evasão de pessoas magnificas que poderiam trazer valores e contribuições enormes a associação vai perdendo na trilha de BP muitos que acreditaram na esperança de ajudar e viver feliz. Mas nem tudo é amargo. A receita fica com a Chefe de lobos que me disse: - Chefe... O que antes caos, hoje é tranquilidade. O que era medo, hoje é confiança. O que era vazio, hoje é completo. O que era tristeza, hoje é sorriso largo. O que era busca hoje é certeza. O que me faltava era o “mosquito” me morder para ser e morrer Escoteiro!                               

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Místicas e tradições do escotismo. Os símbolos de Gilwell Park.



Conversa ao pé do fogo.
Místicas e tradições do escotismo.
Os símbolos de Gilwell Park.


 Prologo: - O Parque de Gilwell e o Curso da Insígnia de Madeira trouxeram ao Escotismo uma série de símbolos que nos são, ainda hoje, bastante familiares: o lenço, a anilha, o colar de contas, o portão dos leopardos e o machado enterrado no tronco.

O lenço.
Francis Gidney, o “homem-rapaz” foi o primeiro Chefe de Campo de Gilwell Park. Gidney criou o chamado 1º Grupo de Gilwell e o respectivo lenço. Isto em 1921. Fazem parte deste grupo, por tradição todos os dirigentes, de todo o mundo, portadores da Insígnia de Madeira. Aos primeiros formandos dos cursos era entregue um lenço, de cor exterior cinzenta (cor da humildade) e interior rosa-vermelho, pertença do parque, passando a usar todos um lenço igual, independentemente da posição que ocupassem no escotismo. No final do curso, os lenços eram devolvidos ao parque. Posteriormente o cinzento exterior foi substituído por um tom bege-areia, não havendo registro de quando passou a ser usado esta cor.


Chegou a ser usado um lenço feito totalmente com o Tartan do clã Maclaren, em homenagem ao homem que doou o dinheiro necessário para a compra do parque, mas, devido ao custo excessivo do tecido, o Tartan passou a figurar apenas num retângulo no vértice do lenço. Inicialmente, o lenço do 1º Grupo era também usado pelo staff do parque, mas, a partir de 1924, passou a ser restrito aos portadores da Insígnia de Madeira. O Tartan é propriedade registada do clã Maclaren. O seu uso é permitido apenas no lenço de Gilwell e não pode ser usado para outro fim.

O colar
Originalmente, B-P tinha pensado em oferecer aos formandos do curso dois pendões para o chapéu, à semelhança do que os oficiais americanos usavam. Entretanto, enquanto vasculhava nas recordações que tinha trazido de África e da Índia, encontrou um colar com contas de madeira, tendo optado por estas. Ainda assim, as suas primeiras ideias para o uso das contas foram para o chapéu, a imitar os pendões, ou na casa de um dos botões do casaco.

Em breve, B-P decidiu alterar estas ideias, provavelmente pelo fato de que os portadores da Insígnia de Madeira só poderiam usar as contas quando estivessem com o chapéu (ao ar livre) ou de casaco. O uso das contas num colar, usando um atilho de couro, permitiria aos seus portadores usá-las em todas as circunstâncias. A ideia do atilho e do colar poderá ter tido origem noutra recordação que B-P trouxe de África.

 Durante o Cerco de Mafeking, numa das rondas que B-P fazia frequentemente pela cidade, um rapaz indígena interpelou-o, admirado por ele não andar a assobiar e sorrindo, como era costume. Numa breve troca de palavras, em que B-P se mostrou menos esperançado quanto ao futuro, dadas as condições adversas e dramáticas do cerco, o rapaz ofereceu-lhe um atilho de couro, que lhe tinha sido dado pela mãe à nascença, para dar sorte e afastar os maus espíritos. Nesse mesmo dia, a cidade recebeu a notícia de que o Coronel Plumer e as suas tropas iriam chegar a Mafeking nos próximos dias.

A Insígnia de Aquelá (Insígnia de Akelá dois dentes)

De 1922 a 1925, aos formandos do curso para Chefes de Alcateia que terminassem com sucesso, era oferecido um dente canino de lobo - A Insígnia de Aquelá -, em vez das contas de madeira. Os formadores destes cursos recebiam dois dentes. 

Em 1925, a mesma comissão que decidiu acabar com o uso do dente, instituiu o uso de uma pequena conta colorida, imediatamente acima do nó do colar, para identificar a secção a que respeitava o curso tirado: amarela para lobinhos, verde para escoteiros e vermelha para pioneiros. Em 1927, a mesma comissão decidiu-se por cancelar o uso da conta. O padre Jacques Sevin, fundador dos Scouts de France, foi um dos recebeu a Insígnia de Aquelá (dois dentes).

 Colares com mais de 4 contas. (ver colar de seis contas de BP.).
Quando os primeiros países estrangeiros começaram a ministrar os seus próprios cursos de Insígnia de Madeira, os diretores desses cursos eram nomeados representantes do Parque de Gilwell nos seus países, usando um colar com cinco contas, uma suposta tradição lançada por B-P. O próprio B-P usava um colar com seis contas. O outro colar de seis contas que surgiu foi oferecido por B-P a Sir Percy Everett, que o auxiliou desde os primeiros dias do escotismo e esteve diretamente ligado à formação de dirigentes. Em 1949, Everett entregou o seu colar de seis contas ao Chefe de Campo do Parque de Gilwell, John Thurman, para ser usado pela pessoa responsável pela formação de adultos na Inglaterra, tradição que se mantém ainda hoje.

 A anilha (anel ou arganéu como é conhecido hoje).
No início da década de 1920, B-P terá sugerido ao staff do parque a criação de uma anilha especial para ser usada com o lenço de Gilwell. William Shankley, um australiano de 18 anos, membro do staff do parque, terá usado um atilho de couro (muito usados para fazer fogo por fricção, uma prática comum nos primeiros cursos) para produzir um Nó de Cabeça de Turco com duas voltas, que foi adotado como anilha oficial de Gilwell. O termo “woggle”, que não é usado fora do escotismo, pode ter sido ideia do próprio Shankley, mas Gidney tornou-o popular, ao publicar um artigo sobre o assunto na revista “The Scout”, em 1923. Em 1943, o Chefe de Campo, John Thurman, instituiu a atribuição da anilha aos dirigentes que completassem a primeira parte (formação básica) do curso, sendo o lenço e o colar de contas atribuídos no final da segunda parte do curso (formação avançada).

 O machado no tronco
Francis Gidney, o primeiro Chefe de Campo em Gilwell, procurava um símbolo especial para o parque, que marcasse uma grande diferença entre este e a sede nacional, apesar de ser, também, propriedade da associação. Gidney queria que o símbolo representasse bem as atividades ao ar livre e a técnica Escotista, que eram vividas em Gilwell, em contraste com o ambiente administrativo e comercial dos serviços centrais. Os cursos ministrados no parque eram muito práticos e o uso do machado era frequente, sendo dada muita importância a questões de segurança com estes e outras ferramentas. Sempre que não estavam a uso, os machados deviam ser cravados num tronco, para evitar acidentes, pelo que havia bastantes machados em troncos espalhados pelo parque. Foi neles que Gidney se inspirou ao criar o símbolo de Gilwell.

 Portão dos Leopardos
Construído por Don Potter, em 1928, é, ainda hoje, um elemento simbólico do Parque de Gilwell. O portão marca a entrada do Parque de Gilwell, embora não seja usado. O portão tem este nome por causa de dois pequenos leopardos, esculpidos em madeira, no topo de cada uma das cancelas. Um dos leopardos desapareceu, há muitos anos atrás, tendo sido substituído, mas voltou a desaparecer, tendo Potter feito outro, em 1997, quase aos cem anos de idade. Potter fez parte do staff de Gilwell durante vários anos, tendo-se especializado no trabalho com madeiras.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. “Sobras” de acampamento.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
“Sobras” de acampamento.

Prólogo: - “Sobras” de Acampamentos/acantonamentos, são objetos deixados pelos lobos e escoteiros (até mesmo seniores) na inspeção final de acampamento/acantonamento encontrados durante a inspeção final.

                   Alguns chefes praguejam, outros aproveitam para comentar onde está o erro e tem alguns que dão belas risadas. As sobras de acampamento e acantonamento existem mesmo em alcateias e tropas bem adestradas. Uns chamam de sobras, outros de bagaço e tem aqueles que explodem com os monitores e dizem: De onde veio este lixo?

                   As boas alcateias e boas tropas nas suas atividades sejam elas quais forem fazem inspeções diárias ou de surpresa. O material individual é bem periciado. Confere-se tudo. Desde o material de higiene individual aos talheres e roupas. Na maioria das vezes está tudo lá e o Chefe experiente pensa que desta vez as “sobras” serão de menor monta. Não é. Lá está a indefectível sobra quando se faz a inspeção final.

                   Assim como eu, os velhos chefes escoteiros e de lobos já devem ter visto coisas do arco da velha em uma inspeção de Gilwell. Coisas de estarrecer o Chefe de Campo de Gilwell Park. Tudo bem que os meninos e as meninas (estas são mais cuidadosas) estão aprendendo. Não é assim que se diz? “Aprender a fazer fazendo”. Mas isso acontecer em um curso de chefes, adultos experientes (assim pensamos) é madeira de dar em doido.

                   Já vi em final de Cursos quando da inspeção final, objetos que nunca pensei encontrar nas “sobras” de acampamento. Cigarros, caixa de fósforos, cuecas, garfo, caneca, meias e tanta parafernália que uma vez achei uma revista Playboy com várias folhas arrancadas. Pode isso? Olhe que naquela época se exigia muitos conhecimentos dos chefes alunos para participarem de um curso desta envergadura. Mas não vamos muito longe, na Barraca da chefia ao ajudar no desmonte, lá estava um garfo, uma caneca e uma carteira cheia de dinheiro. Nossa!

                   Agora nos acantonamentos e acampamentos, principalmente quando ainda são jovens pata tenras (noviços, iniciantes) a coisa se complica. A coisa? “Minino eu vi”! Ao final de acampamento/acantonamento, a inspeção por Matilha ou por Patrulha muitas vezes seria necessário levar um carrinho de mão para recolher as sobras. E achar os donos? Sempre sobrando alguma coisa e levando para a sede. Agora era esperar a mamãe reclamar com o Chefe.

                   Como aprendemos que entregar o local melhor que encontramos seria ponto de honra, a inspeção final não pode deixar de existir. Um raio de 300 metros em volta do local de acampamento deve ser inspecionado. É ali que se encontram coisas do arco da velha. Se houver caminhada até a sede ou até o transporte de volta, os novatos aproveitam para esvaziar a mochila e carregar menos peso. Mentira?

                   Bem pode ser para você. Para mim não e olhe para muitos chefes também. Conheci chefes adestrados e bons mateiros ao fazerem a inspeção final ficam de boca aberta. Cobertores, calças, camisas, estojo de higiene, sapatos, pratos, garfo colher canecas deixadas ao leu. Haja carro para levar tudo de volta.

                   Mas meus amigos chefes sabem que isso faz parte do adestramento e do aprender a fazer fazendo. Sabemos que a maioria dos chefes treina ou adestra seus monitores e a Akelá os seus primos. Algumas sessões fazem isso pelo menos uma vez por mês. Afinal manter seu material faz parte do nono artigo da lei. Não é fácil equipar o material da Patrulha, da chefia ou da alcateia. Perder materiais de sapa muitas vezes é desleixo e vai fazer enorme falta para a próxima atividade de campo. Bom quando se tem um intendente ou almoxarife bem adestrado. Merecem uma medalha de Parabéns!

                   O importante é treinar ou adestrar como se diz os chefes de antigamente. Todos podem errar uma duas ou três vezes, mais que isso alguma coisa está errada. É ruim quando a mãe nos cobra a falta de algum objeto do seu filho. Podem não acreditar, mas em um acampamento de distrito, quando todos já tinham ido embora encontrei uma mochila com todo seu material encostado em uma árvore de um Chefe que displicentemente pegou o ônibus e foi o mais alegre cantante na viagem!

sábado, 8 de dezembro de 2018

Hoje não tem reunião, “Tamo” de férias irmão!



Hoje não tem reunião,
“Tamo” de férias irmão!

Me diga Jocasta da Morcego,
Já não temos mais sossego?
Já acabou a reunião
E “tamo” de férias irmão?

Não posso escoteirar
E nem posso acampar?
Acredite até a Chefe Vera
Também saiu de férias.

Soube que o MacBoi,
O lobo que está dodói,
Aquele que sabia cantar,
Agora nem pode lobear.

Tom, Valdete e Maria Raia,
Foram todos para a praia.
E “nois” o que fazer?
Do Escoteiro esquecer?

“Minino” que maldade,
Agora é viver de saudade,
Já nem faço boa ação,
Na sede fecharam o portão.

Temos que entender Tião Assado,
Que os chefes estão cansados.
Chorar nem vem que não tem,
Reunião só no ano que vem!

Hoje não tem reunião,
“Tamo” de férias irmão!
E guando janeiro chegar,
Vou de novo escoteirar!

Desejo a todos que tiraram umas pequenas férias do escotismo que descansem bastante, e planejem com carinho as atividades Escoteiras do ano que vem. Nunca esqueçam que o escotismo não é tudo, a família em primeiro lugar e depois sim vem este voluntarismo fantástico. Bom descanso, vida longa, muitos sorrisos e divirtam-se!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. A origem da palavra “Escoteiro”.



Conversa ao pé do fogo.
A origem da palavra “Escoteiro”.

Prefácio: - Muitos acreditam que o termo “Escoteiro” foi usado pela primeira vez no Escotismo. Neste artigo deixamos ao imaginário de cada um sobre esta palavra tão sobejamente dita com orgulho por nós que praticamos o Escotismo. ESCOTEIRO e ESCOTISMO não são nomes próprios originários do Movimento Escoteiro, mas substantivos comuns que denominava exploradores e mateiros e a ciência do que praticavam.

                       O termo escoteiro de acordo com o dicionário é definido como: Escoteiro; adjetivo e substantivo masculino. Desimpedido, sem bagagem, sozinho; membro de associação de meninos (as) ou adolescentes organizada de acordo com o sistema de seu idealizador Baden Powell.

                      “A Adoção no Brasil do termo “escoteiro” deve-se ao Dr. Mário Sergio Cardim, principal fundador da Associação Brasileira de Escotismo (ABE), com sede em São Paulo e do Escotismo feminino no Brasil. Sua utilização nesse sentido não é conhecida em nosso país, quando o Dr. Mário Sérgio Cardim descobriu que o substantivo “escoteiro” representava não apenas o “só″, bem como “pioneiro” e “lépido”, conforme lições de Herculano, Camilo, Gaspar Nicolau, Blutteau, citada pelo filólogo Candido Figueiredo.

                      Depois de uma palestra na “Rotisserie Sportman”, com Olavo Bilac, Amadeu Amaral e Coelho Neto, decidiu-se o Dr. Cardim pelo termo “escoteiro”, mais parecido com “scout”, e já empregado em Portugal (escutas), pelo Hermano Neves na tradução do livro de Baden Powell “Scouting for Boys”.
Submeteu a confronto os vocábulos “pioneiro”, “adueiro”, “vanguardeiro”, “bandeirante” e “escuta” que eram então propostos.

                      Esse termo foi oficializado pela Associação Brasileira de Escoteiros, com sede em São Paulo, em seus estatutos impressos na casa Vaberden, em 1915, registrado na 1ª circunscrição de São Paulo, naquele ano, de acordo com a lei. Conforme o Relatório de 1914/16 da A.B.E., o Dr. Mário Sergio Cardim sustentou pelas colunas de “O Paiz” uma amistosa discussão com o Dr. Olympio de Araújo, membro da Academia Mineira de Letras, que defendia o termo “bandeirante”.

                     Afirma o referido relatório, na página 4: “Provamos então que “escoteiro” significa também corajoso, esperto, destro, etc.…, e que, “bandeirante” tinha o inconveniente de poder denunciar uma preocupação regionalista.” As organizações escoteiras que funcionaram no Brasil, antes da A.B.E., segundo nos consta, usavam ainda denominações em idioma estrangeiro, como é o caso do “Centro de Boys Scouts do Brasil” no R.J.

                     Também foi o Dr. Mário Sergio Cardim que utilizou pela primeira vez o termo “Sempre Alerta” para tradução de “Be Prepared”. Além do texto acima, também me socorro de um texto postado recentemente, por Fernando Robleño, que diz o seguinte.

                O vocábulo “escoteiro”, diferentemente do que se prega, não foi inventado pelas associações escoteiras. As primeiras aparições do termo “escoteiro” datam antes mesmo de Baden-Powell ou, no caso do Brasil, antes de Sergio Cardim (que, como todos sabemos, escolheu essa palavra, entre outras, para definir os praticantes do escotismo). Em 1879, por exemplo, a palavra “escoteiro” apareceu na obra “Cancioneiro Alegre”, de Camilo Castelo Branco. Pode ser visto, também, em “Lendas Indígenas”, de Gaspar Duarte, em 1858.

                        O vocábulo “escoteiro”, que até então era de uso comum, foi tomado de posse pelas associações escoteiras, todas elas. O termo só foi dicionarizado em 1780, e a inclusão do sinônimo “integrantes de um corpo ou unidade escoteira (sem fazer referência a uma associação) décadas mais tarde.”. Além disso, mais do que entender a origem do termo escoteiro, oportuno termos presente o significado do termo que lhe deu origem = SCOUT, que, traduzido do inglês literal, é o explorador, mateiro.

 BP define SCOUT como:
Um explorador ou esclarecedor militar, que, como sabem; é em geral, no exercito, um soldado escolhido por sua inteligência e coragem para ir adiante das tropas, descobrir onde se acha o inimigo e, informar ao combatente tudo o que puder averiguar a seu respeito. Mas, além desses exploradores que prestam serviços na guerra, há também os exploradores que servem na paz – homens que em tempos de paz executam tarefas que requerem a mesma dose de coragem e de engenhosidade. São os homens que vivem nas fronteiras do mundo civilizado.”

                     Scout é uma palavra familiar para as crianças da Inglaterra. Em 1900, ainda antes da libertação de Mafeking, apareceu uma série de histórias intituladas ‘The Boy Scout Scarlett’ e, a ‘New Buffalo Bill Library’ editada pela The Boy Scout na mesma ocasião.” Feitas estas considerações iniciais, está esclarecido que antes mesmo de BP, originariamente, o termo SCOUT era adotado para denominar o explorador, o mateiro e, SCOUTING, a ciência de explorar.

                    Que fique bem claro que os termos SCOUT (escoteiro) e SCOUTING (escotismo) não se originaram do Movimento Escoteiro criado por BP, mas ao contrário, BP utilizou estes termos porque pretendia que os jovens do Movimento Escoteiro fossem capacitados para se tornarem tão aptos quanto os SCOUT, através da prática do SCOUTING. Portanto, SCOUT e SCOUTING, e, ESCOTEIRO e ESCOTISMO não são nomes próprios originários do Movimento Escoteiro, mas substantivos comuns que denominava exploradores e mateiros e a ciência do que praticavam.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Ser escoteiro. Pelo Chefe Português Vitor Simão.



Conversa ao pé do fogo.
Ser escoteiro.
Pelo Chefe Português Vitor Simão.

                  Ser Escoteiro... É um conceito de difícil definição... Não há consensualidade nas respostas encontradas para este conceito... A minha opinião em relação a este conceito é muito vasta. Para mim ser escoteiro não é ir somente no dia da atividade e apresentar-se perante o grupo, pensando que assim se está a cumprir o dever de Escoteiro. Ser Escoteiro é pertencer a uma família, é todos os dias viver de acordo com esses ideais, é um modo de vida. Ser Escoteiro é no dia a dia envergarmos sem medo o nosso uniforme virtual, de modo a que todos os dias quando nos deitarmos possamos pensar que em mais um dia o Escoteiro que está dentro de nós cumpriu o seu dever.

              É por isso que ninguém deve esquecer, acima de tudo, que ser Escoteiro é um modo de vida! - Algumas pessoas nunca entenderão o que é ser-se escoteiro. É conhecimento geral que um escoteiro não pode mentir que é bem-comportado e que ajuda as velhinhas a atravessarem a rua. Quando passam na rua, cantam muito e alto e ocupam o ônibus ou o metrô com as suas mochilas e tralhas. Ajudam a limpar praças, estradas e picadas onde passam e os católicos sempre animam as missas – por vezes chegam a levar o próprio padre para os acampamentos e arraiais que ficam para lá do sol posto e que têm missa uma vez por ano.

                   Quando me perguntam – quer por curiosidade, quer por malícia – o que é que eu faço nas ‘atividades’ que tenho ao sábado, custa-me um pouco a explicar. Afinal, porque vou revelar o mundo do escotismo a quem parece não querer compreender? Acabo sempre por levantar o véu em algumas questões - as atividades aos sábados são momentos de desenvolvimento pessoal, social, religioso e físico através de atividades direcionado ao grupo etário em que se está inserido. Quando se é lobinho, as atividades são simples e visam aumentar a independência das crianças. Quando se é escoteiro, as atividades ainda são muito físicas, mas há um lado de descoberta, de criatividade e desenvolvimento do raciocínio; procura-se desenvolver a responsabilidade e o trabalho de equipe.

                  Quando se é sênior está-se a viver uma fase de conflitos e de mudança em todos os níveis, procurando-se, através do escotismo, ajudar a superar as dificuldades, a aceitar as perdas e a viver alegremente as vitórias. É uma altura de reflexão, de descoberta, de imposição de limites às ações e de responsabilização dos atos e escolhas. Quando se é pioneiro é ser um jovem adulto. Existem outras 'pedras' importantes na vida e os escoteiros começam a perder terreno no calendário. Mas se é pioneiro, nunca se poderá deixar de ser escoteiro, pois se torna auto-suficiente, responsável, livre, disciplinado, generoso, trabalhador... É ser alguém que tira alegria do serviço. É dar-se profundamente ao movimento!

                    Começa-se a dar aquilo que durante anos se recebeu. Na Oração do Escoteiro. Há um verso que diz “Senhor Jesus ensinai-me a trabalhar sem procurar descanso, a viver sem esperar outra recompensa, senão saber que faço a vossa vontade Santa vontade”. Eu suponho que é isso que é ser-se chefe. Ainda não o sei, mas talvez um dia conseguirei sabê-lo, se aprender a gerir o meu tempo e a minha vida. Há uma altura da nossa vida em que parece termos tempo para fazer tudo, mas em que não temos idade para fazer quase nada. Se já no fim da adolescência e inicio da idade adulta não temos tempo para fazer nada, não deixa de ser verdade que continuamos a ter vontade de fazer tudo!

                 Mas o tempo escasseia… Outros montes – mais próximos – precisam de ser escalados, e como o ser humano ainda não inventou uma maneira de fazer duas coisas ao mesmo tempo, os escoteiros são postos de lado. São parte de nós mesmos e tal como a família, esperamos que compreendam a razão pela qual os pomos de parte – porque os amamos. Mas – e há quase sempre um ‘mas’ – chegámos aos pioneiros, e nos pioneiros se não somos nós que fazemos e queremos e conquistamos, certamente não são os chefes que o fazem. Afinal de contas, o Clã são os pioneiros que o fazem e sem pioneiros, há só uma distante memória do que é ser-se escoteiro.

                  O problema que divide o coração de todos que amam o escotismo é – o escotismo não é ir-se aos escoteiros, é um modo de viver a vida. É intrínseco a cada célula, é uma força que nos impele a caminhar e a rodear os obstáculos que não podem ser movidos. É uma bússola que está sempre certa, o rumo que sobre a montanha, e não aquele que a desce; é o curso de água que serpenteia por entre as rochas e que só encontra o caminho para o mar porque se junta a outros cursos. É parte de quem somos. Nós somos o escotismo vivo e podemos viver sem ir às reuniões, e aos acampamentos. No entanto, o escotismo-instituição não vive sem membros que vão às reuniões e aos acampamentos. Precisa de ser regada todos os dias e a água de que precisa somos tão-somente todos nós.

                 Digo que é possível ser-se escoteiro sem se ir às reuniões e atividades – porque o é. Mas nada, nada, se compara a uma jornada com chuva, ou à construção de uma mesa rústica; partilhar um almoço com a matilha patrulha ou equipe, cantar e tocar viola a volta de uma fogueira, beber leite quente, aquecido em panelas de alumínio que já foram esfregadas por quase duas gerações de escoteiros; fazer serviço de campo, vender jornais à chuva, para arrecadar dinheiro para a atividade de Verão; e tantas outras coisas que tornam o escotismo no que ele é – um movimento de crescimento, conhecimento, partilha e amor. Nada disto significa nada se cada um de nós não dar o seu quê, não fizer a sua quota-parte, se quando chega a sua vez, abandona o movimento que o viu crescer e o ensinou. Sim, é possível ser-se escoteiro sem se ir aos escoteiros, mas não se é um verdadeiro escoteiro se não se faz tempo para ajudar a manter e construir o seu movimento. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O valor do elogio e o abraço.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O valor do elogio e o abraço.

Prefácio: - Você já elogiou alguém essa semana? Deu um abraço? Hoje? Ninguém mereceu um elogio e um abraço seu? Quem sabe você é daqueles que espera que alguém faça isso para você. Mas não espere muito seja você o primeiro a fazer.

                              O elogio e o abraço são muito importantes, um ótimo recurso para incentivar os lobos, escoteiros chefes dirigentes e pais para melhorar o seu comportamento, o desempenho nas suas atividades escoteiras ou até mesmo para sentir o sabor do seu sorriso. Sei que muitos primos, monitores, chefes e dirigentes não costumam elogiar onde atuam, e até mesmo seus familiares.

                               Muitos não reconhecem o esforço e dedicação da pessoa, e as suas tentativas ou realizações não são valorizadas. Ao invés de elogiar, cobram e exigem coisas que a pessoa ainda não está preparada, não sabe, não tentou ou não teve tempo para fazer, podendo gerar nela desmotivação e sensação de fracasso, de que “nunca é o suficiente”, levando-a a pensar que não vale a pena continuar tentando, que é melhor “chutar o balde” e desistir.

                              Elogiar e abraçar faz um bem danado e que tem o poder de transformar o dia de uma pessoa. Mas quando a gente fala uma coisa da boca pra fora, a energia empregada (que na verdade nem é muita, nesse caso) não cumpre o seu papel transformador do outro. Se a gente soubesse do poder das nossas palavras, certamente pouparia a falta de sinceridade emanada por alguns e isso evitaria, ao máximo, espalhar negatividade.

                             Penso que, muito além do abraço e do elogio tanto o físico quando as qualidades intelectuais/emocionais de alguém, a gente precisa aprender a falar mais para o outro sobre o significado dele nas nossas vidas. Não importa a idade, seja lobinho escoteiro ou Chefe. Algumas pessoas atuantes no escotismo tem mais facilidade do que as outras para falar sobre o que sentem, mas é possível começar com alguém com quem se tem confiança e liberdade, para que nos sintamos mais confortáveis e para que a conversa não tenha um clima pesado, de obrigação.

                             Já vi os efeitos de um elogio e do abraço. Sinceros é claro. Valem mais que valores ou presentes dados em sinal de agradecimento. Um exemplo: No Grupo Escoteiro temos amigos de todas as idades com os quais convivemos por muito tempo, nutrimos sentimentos lindos, mas para os quais raramente falamos ou agimos sobre esse assunto. E se a gente não fala, não abraça a pessoa não sabe, não é mesmo? Pois bem. Basta que a pessoa vá embora ou morra pra que chovam elogios e muitos se ressentem por não ter abraçado.

                              No Facebook isto é comum. Enquanto viva a pessoa quase não recebe elogios. Muitas vezes nem lembrado é. Se adoece se morre todo mundo posta foto, todo mundo elogia, diz que a pessoa foi especial, importante e tudo mais. Mas a pessoa que morreu não vai saber disso, pois não vai acessar o Facebook pra ler as homenagens. Então, por que a gente não elogia sempre que possível? Por que não abrimos o coração para as pessoas que a gente gosta e dizemos pra elas o quão importantes são pra gente?

                             O escotismo é um manancial onde todos podem beber na fonte da boa fraternidade. Respeito, igualdade, sinceridade. Isto faz com que os participantes acreditem que faz parte de uma grande família uma grande fraternidade. Falando assim parece difícil, estranho, mas basta começar e a ideia germina e se espalha.

                             Uma das coisas que aprendi nessa minha jornada de vida e no escotismo é que o melhor momento é sempre o AGORA, afinal, é só o agora que a gente tem pra fazer ou falar o que quer que a gente deseje. Então, abra o coração. Se você não se sentir à vontade falando pessoalmente, mande uma mensagem, um cartão, carta, flores… Nossas palavras – escritas ou faladas – são nossos maiores “superpoderes”.

                             E não pensem que um certificado, um diploma de mérito e outros não ajudam no reconhecimento, no elogio que o recebedor espera. Mas que seja espontâneo sem o caráter burocrático que vem acontecendo nas comendas e condecorações. Carinho, respeito amizade, um bom aperto de mão e até mesmo um abraço tem valores incomensuráveis na vida de um amigo de alguém que está do nosso lado. Tente sentir do que um abraço é capaz. Quando bem apertado ele apara tristezas, combate incertezas, sustenta lagrimas, põe a nostalgia de lado. E olhe é até capaz de diminuir o medo.

                              Respeito estima gentileza, afeição e cortesia são sinônimos de boa convivência, de irmandade o que sempre nos recorda a nossa Lei Escoteira cujo sexto artigo diz com firmeza: “O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros”. Abuse do abraço, elogie sempre e em pouco tempo irás sentir a mudança em todos que estão ao seu redor.

domingo, 18 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. A Escola da Vida!



Conversa ao pé do fogo.
A Escola da Vida!

"Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta." Chico Xavier.

                       Não sei se existe idade para que possamos aprender nesta formidável escola do mundo em que vivemos. Uma grande poetiza dizia que todos nós estamos matriculados na escola da vida e desde que nascemos nesta escola o mestre é o tempo. A cada dia vamos aprendendo. Não importa a idade, pois o aprendizado não para. Dia e noite. É bom aprender com o silêncio, com os falantes, com os intolerantes e os gentís.

                      Costumo dizer que agradeço a todos pelo que aprendi e ainda aprendo. Não levo em consideração se são rudes, se são estranhos. A eles sou eternamente grato. De vez em quando penso nas palavras de Baden Powell quando disse que é uma pena que um homem tenha que viver sessenta anos para adquirir alguma experiência de vida e a leve para o túmulo, cabendo aos que o seguem começar tudo de novo, cometendo os mesmos erros e enfrentando os mesmos problemas.

                     Leonardo da Vinci comentou que a experiência é uma escola onde são caras as lições, mas em nenhuma outra os tolos podem aprender. Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende. São duas coisas distintas – O saber dado pelos mestres nas escolas e a vida como ela é, sendo olhada, guardada em nossa mente e nos fazendo crescer no dia a dia.

                     Um famoso pensador comentou que, no dia em que guiarmos nossas ações, juízos, estudos e decisões por valores que visam ao sublime em vez da mesquinhez, quando agirmos inspirados mais nos critérios de justiça, da generosidade, da prudência, da temperança do que do interesse do egoísmo, no dia em que agirmos meditando sempre na beleza da doçura, na importância da humildade, no valor da coragem e no lugar da compaixão, nesse dia nosso planeta atingirá aquele estágio supremo que toda evolução técnica teve por meta.

                    O escotismo nos deu escolhas. Não importa se entramos nele como jovens ou adultos. Ele o escotismo nos da escolhas simples, honestas baseadas em uma lei e uma promessa. Aprendemos muito a cada dia, a cada hora, a cada minuto. Aos poucos vamos fazendo um arquivo em nossa memória impossível de descrever ou escrever. É este arquivo é quem nos ensina como compreender, ser calmo, ponderado, e assim aceitarmos mais alegremente a vida como ela é, sem reclamar e aceitando o que nos foi dado como meta.

                   Às vezes penso que muitos jovens ou mesmos outros que ainda não estiveram em todas as salas da escola da vida não seguem o exemplo daqueles que já passaram por diversas etapas, carregam vasta experiência que poderia ser útil na sua luta pela vida. Eles se sentem seguros, acreditam andar com firmeza e afirmam que o que fazem é o certo. Mas isto não é bom? Será? Um dia não poderão pensar que o caminho escolhido poderia ter sido outro? Fica a dúvida, pois para que serve o livre arbítrio?

                  Hoje posso afirmar que tive a oportunidade de participar ativamente deste movimento que só me deu alegrias. Os percalços que encontrei foram também aprendizado, afinal nem tudo são flores. Sempre as pegadas desaparecem no caminho. Cabe a todos nós procurar ou fazermos novos caminhos que nos levem ao sucesso. A Escola da Vida e Deus me deu o que preciso para continuar a jornada. Mente clara, pensante, ativa procurando nos seus recônditos uma maneira de ajudar e colaborar.

                 Aprendem todos que vivenciam a metodologia escoteira. Nosso Mestre nos mostrou o valor da natureza em nosso crescimento. Dizia ele que quando um filhote de lobo ouve as palavras “estudo da natureza”, seu primeiro pensamento é sobre coleções da escola de folha secas, mas estudo da natureza real significa muito mais do que isso, o que significa saber sobre tudo o que não é feito pelo homem, mas criado por Deus.  È ela a natureza uma das grandes matérias da Escola da Vida.

                 Todos nós queiramos ou não passamos pela escola da vida. Alguns passam de ano mais rápido outros ficam no caminho até achar uma nova pista para prosseguir. Lemos no tempo, no vento, no céu, nas estrelas as páginas dos livros que muitos desconhecem. São livros não escritos cheios de matérias do dia a dia. São as alegrias, as dificuldades, os sacrifícios que nos dão a certeza de um dia receber o diploma tão esperado.

                 Conseguimos no aprendizado a receber muitos diplomas. Cada um deles uma etapa de vida. A Escola da Vida não para. Há muito que aprender. Ela nos dá a única riqueza que vamos levar a cada viagem que um dia iremos realizar. E a cada estação, a cada apito do trem descendo ou subindo iremos encontrar mais e mais escolas. São milhares. Nunca irão cessar. Queira ou não vamos trocando ideias com os que passaram por esta escola antes da maturidade. Mas acredito que tem de ser assim. E como dizia Saramago: - “Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo”!

               Na escola da vida, o que nos move são as perguntas e não as respostas. É preciso saber perguntar para encontrar a resposta que nos levará onde queremos chegar. BP um sábio mestre escreveu que o homem que é cego para as belezas da Natureza, perdeu metade do prazer da vida, e Charles Chaplin completa: A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.