Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O quarto artigo da lei segundo Baden-Powell.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O quarto artigo da lei segundo Baden-Powell.

“A maior ameaça a uma democracia é o homem que não quer pensar pôr si mesmo e não quer aprender a pensar logicamente em linha reta, tal como aprendeu a andar em linha reta. A democracia pode salvar o mundo, porém jamais será salva enquanto os preguiçosos mentais não forem salvos de si mesmos. Eles não querem pensar, desejam apenas ir para frente, seguindo a ponta do nariz através da vida. E geralmente, estes, alguém os guia puxando-os pelo nariz”! - Saia da sua estreita rotina se quer alargar sua mente. Lord Baden-Powell.

Prefácio: - A Lei escoteira é um código de conduta, assumido ao se realizar a Promessa escoteira, onde se retêm as principais características do movimento escoteiro, a honra, a palavra, dignidade, lealdade, prestabilidade, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, ânimo, bom-senso e respeito.

                                  Lord Robert Baden-Powell teve uma visão fantástica ao criar o movimento escoteiro. Ele acreditou em uma grande fraternidade mundial, através da conscientização da Lei Escoteira, principalmente levando em consideração o Quarto Artigo da Lei: O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros.

                                  A lei e a Promessa são os esteios de tudo que ele nos deu, mesmo considerando seu método incrivelmente fabuloso na formação da juventude que até hoje se mantem à frente de todas as demais associações para jovens em tudo o mundo. O Escotismo segundo sua Lei e Promessa é único em todos os países onde é praticado. Honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom senso e autoconfiança.

                                 Quando Baden-Powell idealizou a Lei Escoteira decidiu não estabelecer leis proibitivas, mas conceitos para formação de pessoas benévolas, para que, desta forma, o jovem escoteiro tivesse onde se espelhar e pudesse se orientar. Assim vemos que o Chefe escoteiro tem enormes responsabilidades na formação do jovem... Exemplo que todos irão seguir principalmente sob a égide da Lei e da Promessa Escoteira.

                                  Eis que venho sucessivamente deixando mensagens em negrito, sobre temas que acho importante para estabelecermos parâmetros com o escotismo do fundador e o chamado escotismo moderno. Nossos lideres hoje em dia tem se esquecido de suas responsabilidades principalmente no que diz Amigo de todos e irmão dos demais escoteiros. Quem diligenciou as respostas em todas minhas páginas e grupos sentiu o pensamento e ação de muitos que ali deixaram suas impressões.

                                  Fico feliz em ler que a maioria disse sim: - Você é amigo e irmão dos demais escoteiros independente da Associação no Brasil e no mundo? Bom saber que temos milhares com espírito escoteiro dizendo sem sombra de duvida que á amigo de todos. Outros pelo sim pelo não se desgastaram com seus pares, ou direções distritais regionais e ou nacional, dizendo que em termo. Mea-culpa... Escrevi pensando na liderança nacional que não reconhece as demais associações preferindo os caminhos dos tribunais sem dar liberdade ao direito de escolha.

                                  Se tivessem feito uma consulta ou pesquisa com os associados da EB (Escoteiros do Brasil) é possível que tais ações não tivessem sido aprovadas. Gastou-se uma quantia que poucos sabem quanto tentando manchar a honra de outros, acusando-os de se apropriar de bens e nomes escoteiros. Pergunto-me se Baden-Powell deu procuração a eles para tal ato. Em vez de unir, dando liberdade de ação e escolha, convidando para atividades conjuntas, preferiu o caminho da grosseria que nada produziu a não ser inimigos e com isto perder em todas as instâncias.

                                  Vejo com pesar que tais voluntários que se dizem escoteiros estão locados em todas nossas lides diretivas do Movimento Escoteiro. Muitos chefes e jovens abandonaram o movimento por se considerarem perseguidos, estigmatizados ou mesmo execrados por uma conduta de quem só se interessou em colaborar com os jovens. Parasitas que emporcalharam o outro irmão sem ao menos oferecer a mão e a amizade para ajudar. E nossa direção nada faz para mostrar que nossa fraternidade é cheia de amor e paz, e dando exemplos mostrando que somos irmãos.

                                 Não são todos. Uns poucos que se acham possuídos pelo conhecimento do que é bom para o Escotismo Nacional, evitando ouvir e consultar seus pares em todos os órgãos nacionais. Tomam atitudes inócuas sem mesmo ver se o que fizeram trouxe resultados satisfatórios a toda Associação Escoteira. Infelizmente esqueceram o quarto artigo aos que escolheram outra associação para pertencer.

                                Escotismo é amor é fraternidade. Os valentes que se julgam melhores que os demais não são dignos de serem chamados escoteiros. Ninguém em sã consciência pode dizer que não é amigo e irmão dos demais se não sabe dar um abraço, a mão escoteira e dando o exemplo aos seus jovens que têm neles a figura de alguém a seguir... Um excelente escoteiro, um bom cidadão.

                                Em todos os idiomas onde o escotismo é praticado o quarto artigo da Lei é enfático: O Escoteiro e amigo e irmão dos demais escoteiros não importando que país, classe ou credo que o outro possa ter (Tradução do que Baden-Powell escreveu).




segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Crônicas de um velho Chefe escoteiro. Profissionais escoteiros.



Crônicas de um velho Chefe escoteiro.
Profissionais escoteiros.

Prólogo: Profissional é um adjetivo que se relaciona com determinada profissão. É aquele que é remunerado regularmente pelo trabalho que executa ou atividade que exerce (em oposição ao amador). Também pode ser definido como aquele que tem conhecimentos da sua profissão, ou especialista.

                   Um Chefe meu amigo publicou em meu e-mail uma comunicação da Região Escoteira de São Paulo que procura um profissional escoteiro. Deram outro nome, mais pomposo, mais moderno. Teria como função desenvolver uma área especifica por determinado tempo dando apoio aos Grupos Escoteiros existentes e organizar outros tantos. Salário médio. Pelo valor vai interessar a quem esteja desempregado e precisa garantir o sustento da família.

                   Lembrei-me dos profissionais escoteiros que conheci no passado. O Chefe Hélio da UEB foi um deles. Abnegado, um primor na apresentação e na uniformização dava apoio a todas as regiões que o procurassem. DCIM era um profundo conhecedor do Escotismo. Houve outros, mas não como o Chefe Hélio. Adoto a politica de profissionais. Eles dão apoio, desenvolvem, recrutam interessados, fazem proselitismo enfim se encontrarem um bom assim contratem. Vale a pena.

                     Os países mais avançados que praticam o escotismo tem seus profissionais escoteiros. Colaboram no desenvolvido do escotismo, dão apoio aos Grupos e seus distritos, tudo dentro da camaradagem que se espera conforme o sexto artigo da lei. Nos Estados Unidos eles dão apoio nas atividades escoteiras, conduzem acampamentos (desde que contratados) excursões em locais inóspitos. Naquela época disseram-me que eram mais de 5.000 profissionais escoteiros, hoje não sei mais. Na Inglaterra Bear Grylls ficou famoso pelas suas apresentações em documentários na TV e como se tornou um profissional Escoteiro dando uma nova conotação de marketing Escoteiro do escotismo inglês.

                   Lá pelos idos de 1973 conheci um que pecava pela fidalguia e cavalheirismo. Era um profissional do CIE (Conselho Interamericano de Escotismo). Refiro-me ao Projeto 2.000. No inicio despertou duvidas e em alguns casos invejas por parte de alguns mais retrógrados que não aceitavam aquela “modernidade”. Fui informado pelo escoteiro Chefe de sua visita. Pedia para ouvi-lo e consultar a Executiva da Região. Devíamos analisar e estudar os resultados do Projeto 2.000 todo ele financiado pelo CIE durante certo tempo e depois auto financiado.

                  O profissional escoteiro foi durante todo o tempo gentil e ficou conosco vários dias explicando e dando sugestões relevantes para a implantação do projeto. A contratação do executivo não traria para nós despesas alguma. Comprei a ideia de aceitar a oferta. O Projeto 2.000 tinha essa denominação, pois pretendia alcançar em dois anos de atividade, a organização de pelo menos 15 Grupos Escoteiros e no final conseguir pelo menos 2.000 membros. Era um programa e tanto.

                  Tínhamos em mente muitos escotistas que poderiam usufruir dessa contratação. Mas depois de longas e delongas por parte de muitos, o projeto em Minas Gerais ficou no vazio. Nos finalmente a duvida em alcançar o objetivo proposto fez com que o projeto fosse arquivado. Até hoje não me esqueço deste projeto e fico pensando se ele não teria revolucionado o escotismo na época. Não sei se ele seria bem aceito hoje, talvez sim, pois a UEB determina, manda, realiza planos sem consultar a ninguém.

                  Naquela época tínhamos autonomia, e éramos consultados em tudo. Não se mudava nada sem ouvir os interessados. Se hoje nossa direção tem um esquema brilhante para a escolha de profissionais escoteiros desconheço. Se ainda existe o compadrio nestes casos não posso afirmar. De uma coisa eu sei. Para termos qualidade e quantidade precisamos de muitos bons profissionais escoteiros. Para mim eles são muito bem vindos.

                  O tempo dirá se a Região de São Paulo terá sucesso. Eu desejo que seu projeto de um profissional tenha êxito. Não é um projeto 2.000 onde se tem uma meta para alcançar o objetivo, mas tem sua validade. Se em outros países eles os profissionais são de extrema valia, a implantação em nosso país poderia dar um passo maior na qualidade e quantidade. Minha dúvida é, haverá espaço para consultas? Haverá espaço para diálogos?

                  A favor dos Profissionais, que a Escoteiros do Brasil repatrie o dinheiro gasto com processos para direcionar em boas contratações. Essa briga idiota não tem boas perspectivas e já está sendo olhada como um passo mal dado no caminho a evitar. O que se gastou até hoje quantos profissionais poderiam ter sido contratados? Vamos lá Região de São Paulo, dê seu exemplo e mostre do que é capaz!

sábado, 12 de janeiro de 2019

Conversa ao pé do fogo. Conversa ao pé do fogo... Suas origens e o escambal.



Conversa ao pé do fogo.
Conversa ao pé do fogo... Suas origens e o escambal.

Prologo: Muitas vezes esquecemo-nos das coisas mais simples no escotismo, deixando de lado o verdadeiro espírito escoteiro que marca definitivamente nosso interior, nosso eu. O escotismo tem nuances indescritíveis. A conversa ao pé do fogo é uma delas. Tente pelo menos uma vez...

                                 Tem origem? Fogo de Conselho eu sei que tem, mas Conversa ao pé do fogo? Se tiver não sei. Quem sabe recordando as noites nas tabas indígenas, onde os guerreiros se encontravam em volta do fogo para contar as aventuras do dia, onde suas mulheres e filhos assistiam a tudo com um ar de espanto. Podem dizer que nada diferente do fogo de conselho. Pode ser.

                               Ali quem sabe tudo é espontâneo, despretensioso, ingênuo, puro conversas simples e verdadeiras, recordações de tempos memoriais. Tem alguns que são simplórios outros mais organizados, mas nada que possa fugir de um papo ameno, sem programas sem hora de começar e terminar. Não tem animador, não tem diretor é tudo no improviso.

                               Alguns dão mais valor a uma boa Conversa ao Pé do Fogo que um jogo noturno. Ele pode ser feito no campo da chefia, ou no campo de uma Patrulha, dependendo da escolha da Corte de Honra. Não pode faltar um bule de café na brasa, quem sabe um pratinho de biscoito e para os mais afortunados uma banana assada... E deixa rolar...

                                Repetimos, não pode ser obrigatório, só vai se quiser. Tem Chefe que faz questão de rolar madeira para sentar, tem outros que constroem bancos para ficar mais confortável. Alguns fazem questão de ser em frente a uma barraca. O fogo não é alto, é branco, achas mais grossa para evitar estar levantando para avivar o fogo. Conversas entre os escoteiros, entre os chefes, cantorias, causos, tudo ali é sorriso aberto, abraços sinceros escoteiramente formais.

Prelúdios de Conversa ao pé do fogo.
1)     - Sentado na porta da barraca do Monitor da Touro, deglutia uma peixada na brasa. Havia até limões galegos para servir os gulosos. Fora convidado para o jantar, mas a hora se estendeu até meia noite. Um bule de café ferventava junto à fogueira. As demais patrulhas foram chegando uma a uma. Foi uma das melhores Conversa ao Pé do Fogo que participei. Até eu mesmo esqueci-me da hora. As canções, os contos curtos, as piadas e os cometas que infestavam o céu deixaram para trás a escuridão da floresta. Abri exceção: - Alvorada as oito! Todos foram dormir, eu sorria na trilha que me levava ao campo da chefia. Dormi feito um anjo e acordei pensando que era Baden-Powell.

2)     Tem brasa no braseiro neste fogo de conselho... Tem sono escoteiro, tem fagulha piscando no ar... Tem coruja cantante, lua errante que nem um queijo, estrelas no céu a brilhar... Tem mata, tem nascente, tem brisa solta no ar. Amanhã sol poente, tem jogo e inspeção... Tem bandeira a arvorar... Tem barraca, tem pata tenra a chorar com saudades da mamãe... Tem Chefe para ajudar, tem outros para ensinar e tem aquela Chefe para rezar... Não é mais que um até logo, vou dormir e você? Até amanhã...


3)     Uma noite qualquer, quem sabe em um Inverno bem gelado? Olhar perdido no universo, uma clareira na floresta encantada, amigos em volta, um violão cantante, um olhar distante e a gente medida: - Como é bom ter amigos, perto ou longe eles sempre estão com você, pois muitas vezes os amigos são a família que nos permitiram escolher. Um calorzinho gostoso, um café amargo, um chimarrão cheiroso corre de mão em mão; Crepita a fogueira, entre nuvens e estrelas, pululam vagalumes no céu. Saudade dela danada, vontade de dizer bem alto: - Amor me traz um mate, senta aqui do meu ladinho, põe mais lenha na fogueira, esquenta “nois” um pedacinho, e enquanto a chaleira não chia, deixe-me provar os seus beijinhos! E a gente vai vendo a noite passar olha a dança dos pirilampos em volta das chamas, vendo seus medos virarem fumaça. Bom demais ser Escoteiro!

                         Até mais, você é meu convidado para a próxima conversa ao Pé do Fogo, vamos cantar, relembrar velhos tempos, falar de amores, de aventuras de ladeiras quebradas, ou quem sabe falar de Escotismo? Até mais.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Lendas escoteiras. O inesquecível Chefe Gafanhoto. (baseada em fatos reais)



Lendas escoteiras.
O inesquecível Chefe Gafanhoto.
(baseada em fatos reais)

Prólogo: - Bom lembrar. Um acampamento que fez história. Coisas boas misturadas com fraternidade não se esquecem. Viagem comigo nesta bela aventura do passado, misto de sonhos e realidade.  

               Gente boa. Educado. Sabia ouvir, sabia cantar, era um grande mateiro, sempre sorrindo e com uma tropa Escoteira maravilhosa. Tinha um sonho. Um sonho maluco – Chefe Osvaldo, se Deus quiser um dia eu vou me alistar na Legião Estrangeira. – Você sabe o que é isto? Perguntei. - Claro, sei que quando se alista são cinco anos sem poder sair. Bem cada um com seus sonhos.  Eu o conheci em um curso Escoteiro. Foram oitos dias na mesma Patrulha. Chefe gafanhoto praticamente liderou a patrulha. Surpresa foi quando me disse que morava em Barra das Vertentes. Menos de cento e cinquenta quilômetros de onde eu morava. Tinha sido promovido a Chefe da Tropa há poucos meses. O CAB me deu um novo caminho a seguir.

               Chefe! Que tal acamparmos juntos? Minha tropa e a sua. – Grande ideia Chefe Gafanhoto. Quando? Vamos aproveitar janeiro do próximo ano. Falta menos de seis meses. Ficamos combinados. O local ainda iriamos decidir. Em fins de outubro recebi uma carta dele. – Chefe, o Senhor Molixto, pai de um Escoteiro tem uma fazenda próxima a Três Estrelas. Metade do caminho para mim e você. Acho que uns noventa quilômetros de sua cidade. Você passa Três Estrelas e marca mais cinco quilômetros. Vais ver uma bifurcação. Alí será o ponto de encontro. Até a fazenda são mais oito km. Fui ate lá e vi o local. Maravilhoso. Boa aguada e lenha à vontade. Bambus e local de banho perfeito. Ele irá nos ceder dois carros de bois para transporte do material do entroncamento até o local. Garantiu também que será por conta dele a carne de porco, de boi, gordura, arroz, feijão, batata e verduras e frutas. Ele tem isto na fazenda!

                  Beleza! Mandei outra carta confirmando o horário de encontro. A tropa vibrou quando contei do acampamento. Consegui na prefeitura um caminhão lonado, Chefe João Soldado conseguiu o que precisávamos de alimentos no Armazém do seu Amadeus. Iriamos com quatro patrulhas. Fizemos dois Conselhos de Tropa e duas Cortes de Honra. Metade do programa nosso e a outra do Chefe Gafanhoto. Seriam seis dias acampados. Partimos em uma manhã chuvosa. O caminhão estava lonado. Rio Bahia, estrada de terra ainda sem asfalto. Noventa quilômetros. Chegamos às nove e meia da manhã. Corre daqui, corre dali, tralha nas costas, chuvinha intermitente e pegamos a bifurcação. Vimos à tropa do chefe Gafanhoto do outro lado de um pontilhão de madeira. O córrego cheio. Imenso. Passava por cima da ponte. Não dava para atravessar. Um barulhão tremendo das corredeiras.

                  A Patrulha Raposa montou um posto de transmissão de semáforas. Entendemo-nos. Armamos barraca debaixo de chuva e combinamos esperar a enchente diminuir. As patrulhas improvisaram um toldo e um fogão tropeiro. Saiu uma sopa com pão fresco. À noite as patrulhas resolveram conversar por Morse. A turma do Chefe Gafanhoto era boa na sinalização. Dormimos cedo. De manhã sem chuva, mas cinzento o céu. A enchente diminuiu. Rogério Monitor me procurou. Chefe, as barracas estão cheias de escorpiões. Ensinei o que deveria ser feito para empacotar o material de campo e individual. Graças a Deus ninguém foi mordido. Resolvemos atravessar sem a ponte, pois se não iriamos perder alguns dias o que não estava no plano. Cada Patrulha fez uma pequena jangada. Uma festa. A outra tropa gritando e ajudando. Às onze da manhã estávamos do outro lado.

                   Abraços, saudações, apertos de mão, sorrisos Sempre Alerta e partimos. Os carros de boi lotados. Rodas rangendo e cantando como sempre. Adorava isso. Chefe Gafanhoto brincando com todos, animando, todos rindo. Seis quilômetros tirados de letra. Uma hora da tarde chegamos. Seu Molixto gente boa. Comemos goiabas e bananas. Ele tinha uma carne de porco frita n brasa. Beliscamos mas iriamos fazer o almoço. Fomos para o campo. Lindo local. A cascata era linda. Tem nome? Perguntei. Não. Eu te batizo como Cascata da Fraternidade. E assim foi dito, e assim foi feito e assim lavrado em ata. Seis dias maravilhosos. Parecia que os sessenta jovens ali presentes se conheciam a longo tempo. Mais que irmãos. Seu Molixto um gentleman. Dois meninos filhos de um meeiro (mora nas terras da fazenda, planta e dá uma parte para o dono) se encantaram. Chefe Gafanhoto os colocou cada um em uma Patrulha.

                      Tiana filho do Seu Molixto uma bela morena dos seus dezessete anos não tirava os olhos de mim. Fiquei triste quando partimos e ela chorou. Lagrimas e lagrimas em seus olhos. No acampamento teve de tudo. Bois que invadiram o campo à noite acordando todo mundo. Ricardinho pegou uma traíra de quatro quilos. Só vendo para acreditar. A luta do bastão no remanso da Cascata da Fraternidade valeu por um acampamento. A jornada na Caverna do Vento outro. Começava em um lado da montanha e saia do outro lado. Mais de dois quilômetros na escuridão. E os pistoleiros? Sempre escorados no tronco da macaxeira a nos espiar. Seu Molixto dizia que eram de paz. Norbertinho em um jogo noturno caiu de uma arvore. Quebrou a perna. Foi levado a cidade e voltou para o acampamento enfaixado. Ele mesmo fez uma espécie de muleta e não chorou. Aproveitou tudo do acampamento.

                      A falsa baiana em cima do remanso a mais de quinze metros de altura deu o que falar. A ponte pênsil que a Patrulha do Morcego fez durou dois dias com um belo tombo do Japirim. O ninho de águia da Patrulha Coruja dizem está lá até hoje.  Risos. A “desandeira” que deu em todos por comerem muita goiaba deu para rir a beça. Sempre um correndo para o WC que logo encheu! Final de campo. Meninos da fazenda chorando. Seu Molixto emocionado fez o juramento e recebeu os dois lenços um de cada grupo. Os dois pistoleiros vieram nos cumprimentar. Tiana me procurou dizendo que me amava e nunca mais ia me esquecer. Nunca mais a vi.  Retorno triste, Chefe Gafanhoto tentando animar. Partida chorosa, nosso caminhão lotado. Dando adeus. Edinho com sua bandeirola de semáfora dizendo e repetindo um até logo até o caminhão virar a curva da estrada. Meninos se acenando dizendo adeus. Promessas de um novo reencontro. Amizades que se formaram e duraram por uma eternidade. Janeiro de mil novecentos e cinquenta e nove que entrou para a história.

                      Cinco anos depois recebi uma carta do Chefe Gafanhoto – Chefe Osvaldo, estou partindo para a França. Vou me alistar na Legião Estrangeira. Nunca mais o vi. Acho que seu sonho de ser um legionário foi realizado. Ainda deve estar escoteirando nas montanhas ao norte da Argélia. Sonhos são sonhos. Cada um faz o seu. Belo acampamento. Grande amigo o Chefe Gafanhoto. Nunca mais o vi e nunca mais o esqueci. Acampamento que ficou marcado para sempre em meu coração.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Historias de Baden-Powell. A Campanha Ashanti e outros fatos.



Historias de Baden-Powell.
A Campanha Ashanti e outros fatos.

Prólogo: - "Escoteiros aprendem a se fortalecer ao ar livre. Como exploradores, realizam os seus próprios trabalhos e 'Remam sua própria canoa." Um pouco das histórias de Lord Baden-Powell.

Baden-Powell trouxe para casa na sua velha Inglaterra e posteriormente usadas no escotismo, muitas idéias obtidas da campanha contra os Ashanti. Hoje conhecida por Gana, na África Ocidental. Muitas delas ainda estão atualmente em uso no Escotismo. A Costa do Ouro, atual Gana, foi uma colônia do Império Britânico. B-P foi enviado para lá em 1895 para estabelecer uma força nativa que se opusesse às poderosas tribo Ashanti. Os Ashanti eram bem conhecidos pelos seus ferozes guerreiros, com o mote:

Se eu avanço eu morro
Se eu recuo eu morro
Melhor avançar e morrer.

As forças de Baden-Powell foram compostas por centenas de guerreiros das tribos Krobos, Elima, Mumford e Adansi. Eles tinham que explorar uma nova rota através da selva, em território inimigo, e construir uma nova estrada pela qual a força britânica principal pudesse seguir para atacar a Kumasi, a capital Ashanti.

Os Ashanti usavam tambores para sinalizar através das longas distâncias. E a intricada linguagem dos tambores podia ser ouvida todas as noites ecoando através da floresta.

Pioneirías na Selva.
Construir uma estrada através da selva significa limpar a mata espessa, abrir caminho através dos pântanos, e construir pontes sobre rios e correntezas. B-P assegurou-se que o seu exército fosse treinado em conhecimentos da arte de lenhador, pioneirías e nós. Eles construíram mais de 200 pontes de madeiras com mastros de madeira amarrados com cipós.

Patrulhas Escoteiras.
Dos povos de Gana Baden-Powell aprendeu a frase 'devagarinho, devagarinho é que se pega o macaquinho' - e ele aprendeu que ele poderia obter um melhor resultado de suas forças dividindo-as em pequenos grupos, ou patrulhas, e dando a responsabilidade para o capitão de cada grupo.

O Bastão Escoteiro
O bastão escoteiro foi copiado de um usado na campanha Ashanti, para testar a profundidade dos pântanos, para tatear o caminho à noite enquanto observava secretamente as posições inimigas, e também para erguer linhas telegráficas através da selva. "Foi no território Ashanti, na costa ocidental da África onde minha tarefa particular foi organizar um Corpo de escoteiros e pioneiros nativos”.

"Nós estávamos trabalhando dois ou três dias à frente das principal força das tropas europeias na floresta virgem e densa, sem estradas ou caminho de qualquer tipo para nos conduzir”.
"Para evitar o inimigo muito de nosso avanço teve que ser feito à noite, o que significava dificuldades a cada passo entre os troncos caídos, atoleiros, juncais e matos, etc.
"Sem um bastão não se poderia ir muito longe."
- B-P

O Aperto de Mão Esquerda.
Há duas histórias sobre a origem do aperto de mão esquerda no Escotismo. A primeira é simplesmente que a esquerda é mais perto do coração. Todavia há uma história muito mais interessante que coloca este cumprimento como originário de tradições da tribo Descrição: http://www.oocities.org/geuirapuru/sementes/lefthands.gifAshanti.

Quando B-P entrou em Kumasi, a capital dos Ashanti, ele foi cumprimentado pelo Chefe guerreiro que apertou a sua mão esquerda. Ele contou a B-P que "os mais bravos entre os bravos se cumprimentam com a mão esquerda". Assim começou esta tradição que é seguida por milhões de escoteiros em todo o mundo.
A explicação para o cumprimento com a mão esquerda é que um guerreiro usa esta mão para carregar o escudo, enquanto na direita carrega a lança. Assim para mostrar confiança em alguém ele tem que deixar de lado o escudo e cumprimentar usando a mão esquerda.
Sempre Alerta!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Curiosidades: O Navio que trouxe o Escotismo para o Brasil. Postado no 25 de janeiro de 2012 por gelages01sc.



Curiosidades: O Navio que trouxe o Escotismo para o Brasil.

O Encouraçado Minas Geraes. (escrevia-se Geraes na época).
A História do Escotismo no Brasil começa com a famosa “Esquadra Branca”, que o Brasil encomendara à Inglaterra em 1906. O contrato inicial foi assinado com Armstrong Whitworth (Elswick) e previa a construção de três encouraçados. O primeiro a ficar pronto foi o Minas Gerais. O encouraçado São Paulo, de configuração semelhante, seria finalizado pouco depois. A terceira embarcação, o encouraçado Rio de Janeiro, ainda maior que os outros, não chegaria a ser entregue, acabou por ser vendido à Turquia, e, posteriormente, foi desapropriado pela Inglaterra, que o engajou à Royal Navy durante a Primeira Guerra Mundial com o nome de “HMS Agincourt”.

O Minas Gerais teve a quilha batida em 17.04.1907 e foi lançado em 10.09.1908.  A construção  findou-se em 06.01.1910. 

Quando entrou em serviço constituía, juntamente com o seu irmão gêmeo “São Paulo”, um dos navios mais poderosos do mundo: montava doze canhões de 12 polegadas em seis torres, bem como artilharia secundária composta por vinte e dois canhões de 4.7 polegadas, além de oito outras peças de 3 libras.

Tornou-se motivo de orgulho nacional, tanto que a valsa “Oh! Minas Gerais”, com a melodia italiana Vieni sul mar, foi composta em sua homenagem, e não ao Estado da Federação brasileira.

O novo navio exigia grande equipagem, principalmente de foguistas, de maneira que para suprir a carência de pessoal foram contratados até mesmo marinheiros estrangeiros (ingleses, portugueses, gregos, americanos e barbadenses).

Na época, encontrava-se na Inglaterra numeroso contingente de Oficiais e Praças da Marinha que preparava-se para guarnecer os novos navios da esquadra brasileira em construção. Um grupo de suboficiais entusiasmou-se com o revolucionário método de educação complementar. Entre eles estava o Suboficial Amélio Azevedo Marques que fez seu filho Aurélio ingressar em um dos Grupos Escoteiros locais. Assim, o jovem Aurélio Azevedo Marques foi o primeiro escoteiro brasileiro. Quando da vinda para o Brasil, os militares trouxeram consigo uniformes escoteiros ingleses, no valor de trinta libras esterlinas.

O Encouraçado Minas Geraes, navio onde estava embarcada a maioria dos militares interessados em trazer para o Brasil o Movimento Escoteiro, chegou ao Rio de Janeiro em 17 de Abril de 1910. No dia 14 de Junho do mesmo ano, na casa número 13 da Rua do Chichorro no Catumbi, Rio de Janeiro, reuniram-se, formalmente, todos os interessados pelo escotismo e embarcados nos navios que haviam chegado ao Brasil. Naquele local foi oficialmente fundado o Centro de Boys Scouts do Brasil.

A placa na fachada da casa diz: “Há 90 anos foi lançada neste local a semente do escotismo no país com a fundação do “Centro de Boys Scouts do Brasil” por suboficiais da Marinha de Guerra”. Homenagem: União dos Escoteiros do Brasil – Centro Cultural do Movimento Escoteiro Região do Rio de Janeiro – Rua do Chichorro, 13 – 14/06/2000

Esse é o verdadeiro marco inicial da história do escotismo no Brasil. A partir de 1914, surgiram em outras cidades vários núcleos, dos quais o mais importante foi a ABE – Associação Brasileira de Escoteiros em São Paulo, fundada com o apoio de respeitados Diretores de estabelecimentos de ensino, Secretários de Justiça e de Segurança Pública do Estado e pessoas que foram fundamentais para a consolidação do escotismo no Brasil, como Mário Cardim, que concretizou a ideia de criar a ABE e tomou a frente para a preparação das pessoas, regulamentos e estatutos.

O jornalista Júlio de Mesquita, Diretor do “Estado de São Paulo” e o Ascanio Cerqueira, receberam da inesquecível dama da sociedade bandeirante Jerônima Mesquita, diretamente de Paris, o material didático do procedimento formal da organização, passando o grupo e alguns idealistas, a formatar nosso escotismo, para a formação de sua personalidade jurídica.

A ABE espalhou o Movimento Escoteiro por todo o país e em 1915 já contava com representações na maioria dos Estados Brasileiros e neste mesmo ano, uma proposta para reconhecer o Escotismo como de Utilidade Pública resultou no Decreto do Poder Legislativo n.º 3297, sancionado pelo Presidente Wenceslau Braz e em 11 de junho de 1917 sancionou o DL, o qual em seu artigo 1.º estabelecia: “São considerados de utilidade pública, para todos os efeitos, as associações brasileiras de escoteiros com sede no país.” – a mãe-pátria brasileira acabava de gerar um de seus mais importantes filhos, o ESCOTISMO. 

A História do Escotismo no Brasil, porém, só veio a ganhar amplitude nacional em 1924, quando da fundação no Rio de Janeiro da UEB – União dos Escoteiros do Brasil, semente-mor unificadora do processo de aglutinação dos diversos grupos e núcleos escoteiros dispersos nas terras brasileiras, movimento consolidado por volta de 1950, quando a formação social foi fracionada por regiões e Estados, cada uma delas abrangendo um Estado ou Território Nacional. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Zé das Quantas um herói escoteiro.




Conversa ao pé do fogo.
Zé das Quantas um herói escoteiro.

Prefácio: - Zé das Quantas é um Chefe escoteiro. Daqueles que lutam de sol a sol para ganhar uns trocados para sua família e os escoteiros. Zé das Quantas é o Chefe do Escoteirinho de Brejo Seco. A sua maneira ambos são felizes. Para mim eles representam o verdadeiro espírito escoteiro de Baden-Powell.

                    O escotismo difere de tudo que se conhece em termos de estrutura, normas e regulamentos de outras organizações ou associações. A burocracia é grande demais. São normas, estatutos, POR, determinações e etecetera e coisa e tal. Como ele tem uma filosofia jeitosa, catita e formosa atrai um séquito de admiradores que tudo fazem para servir a associação. Não existe discordâncias e as poucas que existem são logo cortadas pela raiz. Sem dó sem piedade!

                          Nossa liderança hierárquica desde o topo até o mais novo lobo aprende desde cedo que servir faz parte do crescimento individual. Belo isso e não se pode negar. Elogios aos chefes quase não existem, há não ser um ou outro que faz por amizade. Sei que quando tudo vai mal dizem que a culpa é dos chefes. Todos sabem que são eles os heróis para manter a associação, por os jovens na trilha com suas bandeiras cantando pelos quatro cantos do pais. Seria possível ter escotismo sem os chefes? Os arautos e distintos dirigentes dirão que não. Mas se perguntar ao Zé das Quantas ele dirá sem sobra de duvida que sim.

                          Nada se compara a Inglaterra pós-vitoriana de 1908 quando BP sentiu a necessidade de buscar ajuda para que os jovens não se perdessem nas práticas copiadas do “Scout for Boys”. Pergunte ao Zé das Quantas, ele dirá que nem sabe o que é isso. Ele ainda faz escotismo do cipó, da carretinha, do arroz com macarrão, do pé na estrada em busca de um lugar para acampar. Os Escoteirinhos de Brejo Seco adoram. Zé sabe que sua vida é dura, tira seus sustento do seu trabalho e sem ele não teria arroz com feijão. Adora falar aos seus escoteiros sobre a Lei sobre a lealdade, sobre a honra e o caráter.

                      Zé dá belos sorrisos quando as tardes em sua casinha de taipa a escoteirada chega para contar “causos” falar de jogos, de aventuras de andanças por estradas e trilhas desconhecidas. O Escoteirinho de Brejo Seco é o primeiro a chegar. Ele já viu chefes capitalistas, endinheirado e nunca se sentiu preterido. Nunca foi a uma atividade regional ou nacional. Só conhece Brejo Seco e ama seus escoteirinhos.  

                         O Chefe Zé das Quantas acredita em anjos. É um rezador sempre pedindo ao senhor em primeiro lugar pela sua família e em segundo para seus meninos. Mas no fundo ele sabe que este anjo não vai aparecer. Ele sabe que tem de trabalhar sozinho. Seus meninos e meninas mesmo poucos e pobres precisam dele. Ele sabe que os pais não se preocupam. Ele não pode simplesmente abandonar tudo. Dizer: - Melhor fechar o Grupo Escoteiro. A luta é difícil. Ele sabe que não fará isto. Entristece por falta de um certificado, um distintivo, um registro, mas está sempre alegre quando aos sábados muitos estão a sua espera faça sol ou não.

                             Zé das Quantas é um daqueles heróis escoteiros desconhecidos que sabe que o vento nem sempre sopra a favor. Ele ama o que faz. Nunca critica seus superiores. Sempre com um sorriso quando lê sobre as reuniões, Indabas, Jamborees e assembleias e sabe que dificilmente estará presente. Para isso precisa ter muitos tostões coisa que ele não tem. Não tem ideia de como “tirar” uma Insígnia e nem tem ideia de Gilwell Park. Sabe que nunca será registrado, nem vai receber medalhas e certificados. Ele é um eterno desconhecido. Tentou uma vez fazer um curso. A taxa salgada. A meninada trabalhou duro, fizeram uma vaquinha, mas na última hora desistiu. "Mainha" sua esposa encantada adoeceu. Quem sabe um dia? Suspirou sem se sentir culpado.

                             Zé das Quantas sabia dos sonhos do Escoteirinho de Brejo Seco. Queria ir num Jamboree, qualquer um – Chefe vai ser bom demais. Dizer o Que para o Escoteirinho? Olhou para seu uniforme, já desbotado, doado por alguém que cresceu e não está lá mais. Cara mirrada, escola idolatrada, dizendo sempre que ia ser doutor. Zé das quantas nunca se importou com elogios, condecoração, pois na sua mente seus únicos sonhos era vivenciar com amor a sua família e seus escoteiros. Nunca sonhou em ter uma Bom Serviços, Gratidão e até mesmo um tal de Tapir. Diziam que isto é só para quem prestou enormes serviços ao escotismo. Afinal ele um esfarrapado pelintra sem eira nem beira não podia sonhar com essas coisas.

                            Zé das Quantas tinha medo. Medo que se um dia fosse morar na casa do Senhor não haveria substituto. Nas reuniões, nas estradas, nas trilhas ou em marcha sempre conversava com seus escoteirinhos sobre isso. Dizia que onde tem um escoteiro tem uma tropa, onde tem bons monitores tem uma penca de chefia. Caminhem com suas próprias pernas! Repetia o bordão de Caio Vianna Martins o herói da tropa. Um dia fez um pé de meia e partiu para um curso escoteiro. Engraxou seu sapato da missa, mandou colocar uma meia sola. Ajeitou sua meia puída, meteu no seu chapéu um pouco de goma e lá foi ele no trem das onze da noite para a capital.

                            Chegou humilde, dizendo “tarde” “Alerta” e só uns poucos responderam. Adorou o curso, aprendeu sobre um tal de POR de Estatutos, aprendeu sobre a tal ECA (lembrou-se das risadas de seus escoteirinhos quando contou) viu que havia lei e norma para tudo inclusive para criança. Interessantes que não comentaram sobre patrulhas, Monitor, encargos e tantos mais que ele queria saber. Até pensou que um dia iria receber a visita do Doutor Comissário. Nunca apareceu.

                           Até hoje aos sábados e domingos, Brejo Seco vibra com a passagem dos seus escoteirinhos, marchando animados, com suas mochilas feitas de pedaços de lona que ganharam de Seu Postácio dono do Chevrolet Boca de Sapo de 1950 que fazia transporte mesmo fiado para qualquer morador. A verdade é que assim vivem muitos escoteiros em muitas cidades deste enorme país. Sem registro, sem sede, poucos badulaques na sua intendência, mas sempre com sua bandeira puída, com um belo sorriso e aprendendo com seu Chefe a arte de ser um homem honesto e bom.

                           Se você meu amigo é um Zé das Quantas, Chefe dos Escoteirinhos de Brejo Seco, aceite meu abraço. Meu orgulho em ver quem faz escotismo independente de ter lideres que não valorizam quem faz o melhor escotismo no Brasil!

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Pequenos contos de fim de ano em volta do fogo. O ano assim como chegou ele se foi...



Pequenos contos de fim de ano em volta do fogo.
O ano assim como chegou ele se foi...

                    Não era uma praça, não era uma selva, era um descampado fora da cidade onde aqueles chefes irmãos se reuniam após a noite de natal em volta de um fogo, para cantar, relembrar, louvar as aventuras, as vicissitudes e tantas coisas mais. 2018 se foi, agora era a hora de 2019. Dava prazer em ver através da chama vermelha os sorrisos, os sonhos a mostra, cantados em versos e a alegria reinante por vários anos de eterna amizade.

                    Ele chegou calmo como aconteceu nos anos anteriores. Um sorriso simples pediu licença e sentou junto a eles em volta da fogueira. - Chefe desculpe... Não sei se tenho direito a palavra, mas a peço educadamente. Sei que devemos ser exemplos, mostrar força, agir como educador. Mas Chefe, minha força de um Escoteiro saudável não é mais aquela do passado. Aquele “Eu vou fazer” eu “vou enfrentar” são sombras de uma lembrança que vão ficando para trás. A memória vez ou outra parece estar brincando de esconde-esconde. Eu tento a minha maneira de Lobinho o que aprendi sorrindo e me esquecendo de chorar.

                    Afinal Chefe não dizem que tentar levar a vida a sério não tem a menor graça? Meu eterno monitor Sênior vivia a dizer para mim: Meu irmão escoteiro valorize cada momento enquanto estiver vivo como se fosse o mais especial da sua vida. Afasta o que te machuca. Reaproxima o que te faz bem. Saudades dele também Chefe. Foi um Monitor e amigo que nunca mais esqueci.

                   Vou fazer agora o que nunca fui bom em fazer. Repousar e deixar a vida passar. Terei outro substituto. Preciso de férias do abecedário. Está difícil continuar. A mente não é mais aquela que dava um salto e do nada aparecia uma trilha para descobrir um bom lugar para acampar. Dizem para mim Chefe que eu tenho ainda muita estrada para percorrer. Sinceramente não sei...

                   Como dizia Zé do Monte um amigo Pioneiro, alma mole, vida dura... Tanto bate até que cura. Sabe Chefe, peço desculpas pela intromissão. Assim como cheguei estou saindo. Não me leve a mal, são reclamações entre Velhos escoteiros. Afinal a vida nos ensina tanto, não é Chefe? Sei que vai me dizer com a bondade de sempre que nunca perca a esperança. Aceito Chefe. A gente não sabe o que o amanhã vai nos trazer.

                   Levantou-se do banco de madeira, esfregou as mãos no calor do fogo, olhou sorrindo para mim e disse: Sempre Alerta Chefe. Obrigado por tudo. Vou dormir e tenho certeza que amanhã é outro dia. Tenho certeza que alguém mais novo virá me substituir em 2019. Dizem que será o ano da redenção! - Como foi o que o poeta disse Chefe? – “Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, eu ainda plantaria a minha macieira”.

                   Saiu cantando a “Bela Polenta” rumo desconhecido, passos calmos e sensatos, pegou a estradinha do ano que passou e sem olhar para trás e dizer adeus sumiu na curva do caminho de final do ano. Ainda dava para ouvir baixinho sua canção. Os chefes ali sentados sorriram e quem sabe com uma pitada de inveja, também cantaram a Bela Polenta em homenagem aquele ano tão cheio de graça esperando que o que vai chegar seja o que todos os Antigos Escoteiros do mundo sonham e esperam!