Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Crônicas de um Velho Escoteiro. As sete maravilhas do escotismo no mundo.




Crônicas de um Velho Escoteiro.
As sete maravilhas do escotismo no mundo.

Prólogo: O que sempre pensei ser as sete maravilhas Escoteiras do mundo. E também uma homenagem aos meus amigos gaúchos pelo prestígio e amizade. Obrigado!

“As sete maravilhas do mundo antigo são uma famosa lista de majestosas obras artísticas e arquitetônicas erguidas durante a Antiguidade Clássica, cuja origem atribui-se a um pequeno poema do poeta grego Antípatro de Sídon. Das sete maravilhas, a única que resiste até hoje praticamente intacta é a Pirâmide de Quéops, construída há quase cinco mil anos”.

                     Em meio a um enorme tapete de árvores, espremido em meio aos prédios, vinha eu absorto na Rua Gonçalo de Carvalho, na região central de Porto Alegre, e que tem a fama de ser “a mais bonita do mundo”. Eis que uma senhora de uns setenta anos, simpática, cabelos brancos prateados, com um sorriso daquele de conquistar corações me parou em frente ao numero 650 e perguntou de chofre:

- Chefe! Quais as sete maravilhas do Escotismo no mundo? Não esperava por aquela pergunta e nem conhecia a Senhora. Fiquei pensando como ela sabia que eu era Escoteiro. Ban Ban! Claro eu usava meu distintivo de flor de lis na lapela. – Senhora! Não seriam as sete maravilhas do mundo? – Não senhor Chefe Vado, eu disse em alto e bom som: - As sete maravilhas Escoteiras do Mundo! Parei com um sorriso sem graça. Além de saber que era Escoteiro também sabia meu nome. Minha cuca fervia e não sabia o que dizer. – Não pense muito Chefe, diga logo, não quero que poetize o que todos sabem o que é!

                     Que seja. Não pensei duas vezes e comecei a desfiar o que pensava serem as sete maravilhas Escoteiras no mundo. – Só sete senhora? São tantas! – Quero sete, quero responder aos meus netos que são lobinhos. O senhor sabe ou não sabe? – Vamos ver eu disse, e sem pestanejar comecei:

- Primeira - A Promessa Escoteira. – Por quê? Ela perguntou. Porque ela fica para sempre em nossa mente e em nosso coração. É o dia mais bonito de um Escoteiro!
- Segunda – O cerimonial de bandeira – Por quê? Porque ele é quase igual em todo mundo. Ele transmite para cada jovem o amor à pátria!
- Terceira - Acampar – Por quê? Não tem quem não diz que acampar é a melhor coisa do mundo?
- Quarta – Fogo de Conselho – Por quê? Senhora, quem participa de um Fogo de Conselho não esquece nunca mais!
- Quinta – O nascer e o por do sol em um acampamento – Por quê? É lindo. Nenhum Escoteiro pode ser chamado assim se ainda não viu o nascer e o por do sol no campo!
- Sexta - Fraternidade – Por quê? Porque somos o único movimento de jovens sem fronteiras que diz sermos irmãos em qualquer lugar do mundo!
- Sétima – Parei. Fiquei pensando – Chefe e a resposta? Senhora estou em duvida, tem tantas que não sei como fechar à última. Ela sorriu. Quem sabe poderia ser A Canção da Despedida? – A senhora já participou? Não mas meu filho que é Chefe Escoteiro diz que é a hora mais linda do mundo quando se canta a Canção da despedida!

                Olhei para ela espantado. Uma família Escoteira a me perguntar quais são as sete maravilhas escoteiras do mundo? Ela em um fechar de olhos desapareceu. Lá ao longe ela virava uma esquina de volta ao seu lar; Continuei a andar a procura do Shopping Total. Disseram-me que era em frente à Rua Mais Bonita do Mundo. Moço! Pode-me dizer onde fica... Ele me olhou e respondeu educadamente.  – Senhor Escoteiro, as ruas que circundam o Shopping Total são de fundamental importância para a capital gaúcha. Entre elas está esta que o senhor atravessa, a Gonçalo de Carvalho. Saiba que ela recebeu o título da “Rua Mais Bonita do Mundo”. O senhor está vendo, um verdadeiro “túnel verde” de inigualável beleza. Primeira Rua no Estado a receber esse título, a arborizada Gonçalo de Carvalho sagrou-se como o patrimônio histórico, paisagístico, cultural e ecológico de Porto Alegre em 2006!

                  Não tinha mais nada a dizer. Sorria comigo mesmo. Olhei para ele de novo, me piscou um olho e apontou em sua lapela uma flor de lis em ouro. Risos. Escoteiros não dão bobeira, disse para mim mesmo fazendo uma mesura como se estivesse com meu chapéu de três bicos. Agradeci e parti ao destino que havia escolhido. Escolhido? Acho que não, foi o porteiro do Hotel Deville Prime que quando perguntei me olhou e disse: - Escoteiro mineiro! Quer conhecer minha cidade? Vá a Rua Gonçalo de Carvalho e nunca mais esquecerá minha amada Porto Alegre! E não é que ele também estava com uma flor de lis de lapela?

domingo, 30 de junho de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Eu conto histórias, mas sou um escoteiro e você?




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Eu conto histórias, mas sou um escoteiro e você?

- Oxalá fosse assim. Histórias a gente conta vive e pensa estar sendo uma das personagens. Sei que cada uma delas foi criada pela vivencia e outras surgiram como frutos da imaginação. Ainda vivo o presente, a vida que levo os amigos que tenho vão dando pequenos frutos neste mundo que Deus criou. Aprendi na Escola da Vida a tentar o máximo ser fraterno amigo de todos e irmão dos escoteiros, seja qualquer raça cor, credo ou classe social. Fico triste quando magoo alguém. Sem copiar Chico Xavier ser magoado é uma coisa, mas magoar alguém é terrível. Tento sempre ficar entre o bem e longe do mal. Mas às vezes não dá. Sem querer magoamos a quem não merece e às vezes pela idade me sinto magoado.

- Vejo muito nas redes sociais uma implicância até certo ponto correta de alguns que mais afoitos tentam criar e postar suas ideias ou mesmo comentar sobre a postagem de alguém. Coitado se erra nas palavras, se seu português é falho, se ele não teve a sorte de ter uma boa escola e aprender o bê-á-bá. Nestas horas tem os professores, os bons de substantivos, adjetivos, verbos e advérbios. Nestas horas olho para mim e me vejo um “cara pálida” que se encaixa naqueles que vão aprendendo nesta escola da vida que chamam de redes sociais. Metido a escritor lá fui publicar meus mestrados, que dizem ser encargos e práticas referentes a essa dignidade do cargo. Que cargo? Escritor de contos escoteiros? Gente! Quantos erros de português cometi. Alguns mais chegados tentaram me alertar outros nem leram dizendo que não dava para entender. Eles tinham razão, mal cursei o segundo grau. Fiquei pela metade. Escorando na roda da minha carretinha empurrada com dificuldade na subida ou chuva, fui aprendendo e hoje mesmo falhando muito o acerto ortográfico do Word me ajuda “prá dedéu”!

- E eis que vejo muitos chutando o pau da barraca daqueles que resolveram escrever e nem as palavras sabe como compor suas escritas literárias. Sei que muitos querem ajudar e nem sabe que isto para quem é corrigido é humilhante demais. Vou por o “cara” na escola da vida ou na escola dos meus filhos? Porque não entender e dizer a ele: - Vá em frente, gostei do que escreveu. Como dizia meu compadre padrinho de um filho meu lá da fazenda onde trabalhei: - Seu Osvardo, isto é mais maió de belo tamanhussa e biteleza! A vida é tão curta, passamos por ela tão rápido que nem sempre dá para voltar atrás. Poderia ter “estudado” mais e não o fiz. O que fazer? - Sentar na beira do caminho, descansar meu bastão no barranca da estrada, deixar minha mochila no capim e chorar o que não fiz? Outro dia vi um dos meus amigos virtuais educadamente corrigindo um pobre infeliz... Sem querer me pus no lugar do errático. Reclamei... E o meu amigo se foi magoado e nem me disse adeus. Acho que feri seus brios e olhe isto me doeu. Mas voltar atrás?

- Glosam muitos os inferiores da lei da escrita portuguesa. Não desmereço ninguém. Tive amigos que falavam tão mal o português que precisava viver mais junto a eles para entender. Mas o coração... Oh! “Mais maió de beleza”! Na minha Patrulha escoteira só o Rael era letrado. Não perdeu um ano sequer. Formou em Engenharia Mecânica. (ainda é vivo e professor). Fumanchu, Tãozinho, Chiquinho, Darcy e Malagueta só terminaram o primário. Eu erradamente me dediquei tanto ao escotismo que não fui tão bom aluno. Que adianta empurrar a carretinha, armar minha barraca, andar a pé pelas sendas escoteiras neste mundão de Deus e aprendendo com a natureza, esquecendo a tabuada e chegando a conclusão que minha matemática quântica de cipós e construções não vale coisa nenhuma hoje? Aos trancos e barrancos vou aprendendo.

- Olhe, eu tinha muitos assuntos para comentar. Alonguei-me demais com o grandioso idioma Português. Eu queria escrever sobre bondade, sobre fraternidade, sobre estes escoteiros que praguejam que são valentes e resolvem na base da justiça terrena seus devaneios com os adversários que se tornaram inimigos. Olhem meus amigos vou ser sincero, me assusto com muitos que se dizem escoteiros neste século XXI que tem tantos dissabores e perderam aquela qualidade de fraternidade e entender melhor o seu próximo. Essa cantilena de escotismo moderno deixo para os pedagogos de plantão. Dizem que breve teremos um Chefe para cada escoteiro na Escoteiros do Brasil. Dá para ver as fotos sem desmerecer, tem chefes demais no pedaço. Tem gente premiada tem gente promessada, tem gente letrada, tem gente recebendo o lenço, os tacos, tem gente recebendo comendas e medalhas cada um correndo atrás de um taco, do Tapir... (tem só o de prata? E o de ouro não vai ter?).

- Eles não estão errados. Pensando bem isto faz bem a formação da escoteirada. Mas falta pensar na “molecada” eles precisam aparecer, falar, dizer o que pensam ser fotografados, lutar pelo Cruzeiro, Pelo Lis de Ouro, Pelo da Pátria e pela Insígnia de BP. São tão poucos ou será que são muitos? Que as atividades sociais, a ajuda ao próximo, à limpeza da fauna e da flora, a educação e o respeito pela comunidade sejam uma meta escoteira, mas meus amigos tudo isso sem a atividade de campo, bons acampamentos, excursões, vida ao ar livre, dormir sob o sol e a chuva, uma boa Pioneiría no pedaço e deixar a moçada viver sem isto nada tem valor. Esqueçam um pouco seu crescimento dentro do escotismo como Chefe, pense no jovem, sua função é estar com eles, aprender com eles, vivenciar e parabenizar e elogiar.

- E vou terminando. Se eu ofendi alguém me penitencio. Ainda acredito num bom abraço, fraternal é claro, ainda acredito na lealdade, na sinceridade, na ética, no caráter e na tão discutida honra... (não posso mais dar minha vida pela minha honra?). Ainda acredito no amor ao próximo, no respeito e no escotismo como fonte de amor e fraternidade. Afinal não gostam de plagiar a velha serpente, a Kaa das Terras de Seeonee? “Somos irmãos de sangue, tu e eu, homens e serpentes”! Fica aqui meu fraterno abraço sem esquecer meu amigo o Lobo Gris, que na sua ingenuidade amigo de Mowgly repetindo aos habitantes da Jângal que ninguém ousará expulsá-lo, que dizia com lágrimas nos olhos: - Filhote de homem, senhor da Jângal, filho de Raksha, meu irmão de caverna, o teu caminho é o meu caminho, a tua caça é a minha caça e tua luta de morte é a minha luta de morte! E despediu de Mowgly dizendo: - “As estrelas desmaiam, disse com os olhos fixos para o céu... Onde me aninharei amanhã? Porque dora em diante os caminhos são novos”!

sábado, 29 de junho de 2019

Lendas escoteiras. A Árvore dos sonhos.




Lendas escoteiras.
A Árvore dos sonhos.


                       Ela sempre existiu na Rua da Felicidade no bairro dos Grandes Amores. Ficava bem em frente à igrejinha dos Noivos felizes. Era um belo Jequitibá, enorme, frondoso e interessante, embaixo de sua sombra sempre existiu uma camada de grama verde macia e que nunca crescia. Ideal para sentar e sonhar. A sua volta flores silvestres nasciam em qualquer época do ano. A que mais se sobressaia eram as bromélias. Sempre floridas e perfumadas, um perfume que embalava os sonhos dos amantes que ali passavam. Minha Avó disse que quando nasceu ela já estava lá. Se for verdade ela teria mais de cem anos. Eu a descobri por acaso. Um dia andando sem rumo topei com ela. Encantei-me. A sombra convidativa me fez sentar e logo estava encostado ao seu tronco macio. Fechei os olhos. Dormitava. Foi minha primeira vez. Voltei lá muitas outras vezes. Fiquei amigo do Jequitibá. Um dia assustei quando ouvi ela me contar seus sonhos e os desejos dos que a procuravam. A princípio me assustei depois embalado pela brisa suave que ela fazia questão de soprar de leve em meu rosto passei a absorver através da mente o que ela insistia em me contar.

                       Primeiro me contou a história de um Escoteirinho feliz. Ele um dia descobriu o Jequitibá. Como eu também se encantou. Voltava do seu primeiro dia de Escoteiro. Fechou os olhos, deitou na grama macia convidativa e sem perceber passou a narrar através da mente para a Árvore dos Sonhos um pouco de sua vida. Sempre quis participar. Seus pais contra. Fez tudo e nada. Era seu sonho ser Escoteiro. Não sabia a quem apelar. Um dia ouviu uma música, decorou e passou a cantar todas as tardes na varanda de sua casa. A música muita conhecida no velho oeste americano com o nome de “Suzana”. Assim ele cantava: - ¶Minha mãe vou lhe pedir, e não a quero aborrecer, para ser um homem forte, um Escoteiro eu quero ser! – Vou para o campo, aprender a trabalhar, não serei um peso morto e não darei o que falar! O meu Chefe, saberá me ensinar, andar pela floresta sem espinhos atrapalhar!¶ - E assim Tininho cantou por semanas e meses. Um dia seu pai se encheu e viu que precisa mudar. Viu que ele cantava plangente, queixoso e triste. Afinal era seu sonho de menino. O levou ao Grupo Escoteiro. A maior alegria de um menino sonhador aconteceu. Tininho voltou lá muitas vezes, muitas vezes contou seu sonho à árvore dos sonhos sempre com um grande sorriso nos lábios.

                       Foi em uma tarde quente de agosto que a Árvore dos sonhos recebeu Nalvinha. Ela deitada na sombra gramada sonhava. Nalvinha sonhava em ser Escoteira. Com quinze anos procurou o grupo Escoteiro próximo a sua casa. Foi aceita e entrou na Patrulha Flor de Lis. Nalvinha vibrava com tudo. Ia para a casa, para a escola e sempre sua mente voltada para os escoteiros. Nalvinha não se achava bonita. Nunca achou, mas Totonho se apaixonou por ela. Ela não pensava em amores, pois o escotismo era sua vida. O pior aconteceu em um acampamento. Ela procurava lenha seca próximo ao seu campo de Patrulha. Totonho a segurou pelo ombro e a jogou ao chão. Nalvinha assustada gritou com ele e ele não parava, queria beijá-la a todo custo. Balbuciava que ela era sua vida, que a amava que viver sem ela era melhor morrer. O Chefe Lourenço ouviu seus gritos. O caso foi levado a Corte de Honra. A decisão foi unânime. Totonho seria expulso tão logo voltassem do acampamento. Nalvinha perdoou Totonho. Pediu ao Chefe que não o mandasse embora. Foi perdoado com uma suspensão de dois meses. – O tempo passou. Hoje Nalvinha é casada com Totonho. Vivem felizes ainda no escotismo. Walace e Rosália são seus filhos. Nalvinha sorria de olhos fechados. Ela era a mais feliz do mundo. Um grande amor, dois lindos filhos e o Escotismo que vivia em seu coração.

                      Era bom deitar sobre a relva verde da Árvore dos sonhos. Quanta coisa ela me contou. Ah! Joel Simon. Um dia passou por ali viu a árvore e resolveu tirou uma soneca. Joel Simon era Chefe. Oito anos de atividade e recebeu sua Insígnia de Madeira. Joel Simon reviveu tudo que aconteceu com ele como chefe. Uma tela enorme surgiu em sua mente. Ali sua vida passava rapidamente. Quando resolveu entrar foi por causa de Carlinho, seu filho de sete anos. Queria ser lobinho. Porque não? Lá foi com ele. Nunca viu tanta alegria em uma criança. Resolveu entrar, pois tudo o atraía ali. Marly foi contra. Sua esposa estava ficando amarga. Ele tentava manter seu casamento, mas estava difícil. Insistia para Marly ir com ele. Um dia ele se acidentou em um acampamento. Acidente simples. Tentava descer por uma corda no alto de uma árvore. Perdeu o equilíbrio e caiu. Fraturou um braço e uma perna. Os escoteiros valentes o levaram até a estrada. Chamaram a ambulância. Marly quando soube ficou possessa. – Queria por que queria vê-lo fora do Grupo Escoteiro. Um dia ela resolveu se divorciar. Ele fez tudo para que não acontecesse. Não houve jeito. Ela foi embora. Não foi com ninguém. Voltou para a casa de seus pais. Deixou Carlinho com ele. Hoje ela voltou se arrependeu. Ele a abraçou e a beijou apaixonadamente. Ela pediu para ir ao Grupo Escoteiro com ele. Gostou. Disse que ia ser Chefe. Ah! Joel Simon, o Chefe Escoteiro mais feliz do mundo!

                   Mas nem todos os sonhos são felizes. Noêmia era professora do Grupo Escolar Padre Eustáquio. Um dia viu uma Alcatéia de lobinhos passando em frente à escola. Era sábado. Ela fora lá porque precisava colocar em dia as provas que os alunos fizeram na semana. Noêmia tinha vinte e cinco anos e solteira. Não era bonita. Nunca foi. Ao nascer tiveram que operar sua boca. Um rasgo enorme. Uma parte dos lábios finos e outro grosso demais. Seus alunos olhavam para ela com medo. Fazia tudo para conquistá-los. Mas era difícil. Pensou em procurar o grupo. Não sabia o que a esperava. Um Chefe prepotente, rancoroso, a recebeu mal. Ela não sabia o que fazer. Ele dizendo a ela que não precisavam de ninguém. Que ela primeiro devia operar os lábios. Nenhum Escoteiro ou lobinho iria gostar dela. Que ela se tocasse. Noêmia saiu dali chorando. Ao atravessar a rua um ônibus a atropelou. Ficou tetraplégica. Sua mãe a levava sempre a Arvore dos sonhos. O Jequitibá chorava com ela. A embalou muitas vezes tentando com seu néctar retirado de sua folhas verdes como a servir de bálsamo para sua tristeza.

                     Ah! Eu gostava muito de ficar ali debaixo do Jequitibá frondoso. Tornamo-nos grandes amigos. Um dia vi dois homens da prefeitura dizendo que tinham de serrá-la. Impossível! Não podiam. Alegaram que ela ia cair. Cupins em seu tronco o demonstravam. Chorei muito. Ela não chorou. Disse-me que já era hora de partir. Ela estava cansada, precisava de uma nova morada para descansar dos trezentos anos que viveu na terra. Pediu-me para tirar uma muda. Tão logo ela se fosse que eu devia plantar um filho seu ali. Uma tarde vi que meu amado Jequitibá partira para outra vida. Plantei a muda. Um ano ele já dava sombra. Aos seis anos era um belo Jequitibá frondoso. Nunca esqueci o velho jequitibá. Quantos sonhos ele me contou. Durante anos ia lá sempre. Deitava na sombra gostosa e na grama verdinha macia. Meu Deus! O novo Jequitibá passou a dividir comigo os sonhos de quem o procuravam! Sou um homem de sorte. Valha-me Deus! Quantos amigos eu fiz, como é bom viver uma vida de felicidade e ser amigo de uma Árvore dos sonhos me faz feliz e renascer todos os dias!

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Conversa ao pé do fogo. O Pernilongo, a Muriçoca, o carrapato e outros bichos.




Conversa ao pé do fogo.
O Pernilongo, a Muriçoca, o carrapato e outros bichos.

Prólogo: - Falando em muriçoca, pernilongo, maruim, carrapatos e etc. sempre é bom lembrar que Escoteiro não anda voa! Escoteiro não ri, dá gargalhadas! Escoteiro não chora, dá pernadas na dificuldade! Escoteiro não tem medo, luta até a morte! Escoteiro não corre dos insetos ou animais peçonhentos, enfrenta-os com seus caratês e golpes mortais. Eu eim? 

           Isto é coisa do demônio, dizia a Chefe Mercedes. Chefe “gente boa” a Chefe Mercedes. Entrou com idade avançada e logo conseguiu sua Insígnia de Madeira. Nos acampamentos detestava os insetos que ela chamava coisas do Demônio. No primeiro acampamento os pernilongos se deliciaram. Ela jura que ouviu eles dizendo: - “tem carne nova no pedaço”! - Em outro uma “tropa de carrapatos fez dela seu ninho"! Risos. Eu dizia que para tudo tem jeito, mas ela não acreditava. Vado Escoteiro eles são escolados e cada um tem sua maneira própria de morder e chupar o sangue dos pobres dos escoteiros e dos pobres chefes. Coitada da Chefe Mercedes seu braço ficou todo mordido e suas pernas também, pois adorava uma calça curta. Risos. Eu sabia que eles são danados. Chupam o sangue e adoram sangue novo no pedaço. Dizem que os jovens ficam tão encantados com o campo que se esquecem de tudo e os pernilongos e carrapatos se deliciam.

          Acampei muito em minha vida. Sem falsa modéstia mais de 700 noites de acampamento. Nunca gostei muito destes “bichos”. Insetos chupa sangue não é o meu forte. Mas fazer o que? Dizem que tem Chefe que gosta. Cacilda! - Nunca esqueci um morcego próximo à gruta de Maquiné que se deliciou com meu sangue. Pudera, eu estava morto de cansado e dormi feito uma pedra. Bebeu pouco menos de um litro! Eu sei que hoje a modernidade trouxe o repelente, na minha época não tinha. Dava cinco e meia da tarde e era ver onde soprava o vento para fazer um foguinho com folhas verdes, estrumes de boi e cavalo. Um bom fogo cheio de folhas verdes, e ficávamos livres deles por algum tempo. Enfrentar a fumaceira nos olhos e chorar era melhor que ser mordido. Uma vez descobri que o pernilongo do acampamento e o da cidade são diferentes. O do acampamento atacam, mordem e você sente logo. Dizem que os piores são os maruins. Com um raminho na mão a gente os espanta, mas tem de ficar abanando sem parar. Os da cidade são covardões vivem escondidos em baixo da cama ou de um móvel qualquer.  Primeiro zumbem no seu ouvido e somem. Você acorda com uma coceira danada. Você sabe, ele encheu a pança do seu sangue e vai se refastelar na parece do quarto sem se incomodar com você.

           Lembro-me de um acampamento com a tropa sênior próximo ao Rio São Francisco em uma mata beirando o Rio das Velhas. Lugar maravilhoso. Lago piscoso e lindos pássaros migratórios a fazerem acrobacias fantásticas no rio e nas lagoas próximas.  Era uma fazenda enorme e com uma bela floresta nas suas margens. Perfeito para um grande acampamento.  O capataz da fazenda nos preveniu. Olhe Chefe, lá a noite é um inferno. Das cinco e meia as sete ninguém aguenta, as muriçocas são sedentas de sangue. Rimos dele. Não sabia que éramos uma tropa dos valentes e intrépidos seniores aqueles que cantam dizendo que matam e arrebentam. Primeiro dia, barraca, algumas pioneirias, uma mesa e deixamos do lado centenas de boas folhas verdes. Que venham estes malditos demônios, dissemos. Vão enfrentar uma tropa que não tem medo de nada! Quem vier morre!

           Seis horas o inferno desceu do céu e ficou entre nós. Não era um, não eram dois e sim milhões deles. Você olhava e via aquela nuvem cinzenta e preta e não havia onde correr. Mas corremos. Primeiro pulamos no rio e não dava para cobrir o corpo todo, então corremos até a sede da fazenda, mais de quatro quilômetros. O capataz riu a valer. Voltamos ao campo lá pelas nove da noite. A paz desceu a terra! Mas desistimos de dormir ali. Procuramos uma área próxima à fazenda e lá ficamos. Mas querem saber de uma coisa? Pernilongo e muriçocas avisam quando vão atacar e quando não avisam pelo menos a gente só coça. Risos. Mas e o danado do carrapato? Este sim é o satã em pessoa. Não grita, não canta, não fala e procura o pior lugar no seu corpo para se esconder. Fica lá dias e dias sem dar bandeira. O danado sabe como chupar o sangue. A principio uma coceira gostosa. Você coça e para. Até o dia que descobre o bicho gordo, cheio de sangue como a dizer a você – Seu Escoteiro idiota chupei seu sangue e você nem viu! Agora posso morrer feliz! Risos. E morre mesmo. Você tira o bicho gorducho, mete unha com unha o sangue espirra e o danado morreu. Você é sênior, não perdoa, mata!

             Para dizer a verdade nunca levei repelente. Achava que se os heróis da floresta, os índios os bravos sertanejos e os mateiros não usavam eu também não o faria. Mas dizem e não sei quem disse que isto não é coisa de escoteiros. Quem ainda não enfrentou saudáveis pernilongos, alegres muriçocas, carrapatinhos gentis, e aranhas negras e lindas nas suas teias nas florestas à noite no rosto, dançando ou rindo de você? Se isto não aconteceu desculpe. Você ainda não foi batizado de herói da floresta. Meus amigos, quantas coisas contamos para nossos escoteiros para reafirmar aquilo que ele é. – Escoteiro não anda voa! Escoteiro não ri, dá gargalhadas! Escoteiro não chora, dá pernadas na dificuldade! Escoteiro não tem medo, luta até a morte! Escoteiro não corre dos insetos ou animais peçonhentos, enfrenta-os com seus caratês e golpes mortais. Eu eim? Sei não. Coitado do Escoteiro quando dizem isto para ele. Ele vai ficar assustado. Sabe que nem seus super heróis são assim. Sabe que ele é humano como os outros. Eu prefiro dizer calmamente que ele não se preocupe com as dificuldades, elas passam. Costumo dizer que se tem amor no coração, sabe ser fraterno, se você sabe sorrir com o zumbido da noite, sabe apreciar o orvalho de madrugada, você é um Escoteiro. E quem venham os malditos carrapatos e pernilongos filhos de Satã!

- Quanto a Chefe Mercedes hoje mora no céu. Nunca desistiu e a gente se divertia a noite com ela de tantos tapas que dava na perna, nos braços e no pescoço. A gente oferecia um raminho e ela dizia que aquilo não era coisa de escoteiro. Então tá! E viva os pernilongos! Viva as muriçocas! Bem vindos os carrapatinhos espertos! No fundo no fundo sou Escoteiro e adoro-os!  Bichinhos do Senhor. E quem vive sem eles? Um dia me disseram que quem tem medo de pernilongos, muriçocas, carrapatos, aranhas negras e lindos morcegos negros não é Escoteiro. Sei não. Se for verdade acho que não sou, pois detesto estes insetos. Mas se Deus os criou deve ter um motivo e só pode ser pagar nossos pecados aqui na terra. E viva os insetos da floresta, sem eles a vida lá não tem sentido!

terça-feira, 25 de junho de 2019

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Qual o valor de um Acampamento de Escoteiros?




Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Qual o valor de um Acampamento de Escoteiros?

                Desculpem. Não estou falando de quanto custa fazer um acampamento Escoteiro. Aqui a ideia seria analisar o valor de um bom acampamento Escoteiro para a formação do jovem. Lembro que no passado isto era uma preocupação enorme. Fazer bons acampamentos para que trouxessem frutos no futuro. Já Dizia Baden Powell que – “O acampamento é de longe a melhor escola para dar às crianças as qualidades de caráter." Nada substitui no movimento Escoteiro bons acampamentos. Eu achava interessante sempre quando colaborava em cursos no passado tirar um pequeno tempo da programação para fazer debates do tema. Achava eu naquela época que nunca poderíamos atingir nossos objetivos sem saber como fazer bons acampamentos. Os resultados de tais debates eram maravilhosos. Eu ficava maravilhado com os alunos-chefes com todas as sugestões que apresentavam.

                O acampamento para o jovem não tem valor nominal. Seu valor é incalculável.  Ele vale pela formação do jovem para a vida, para a afirmação do seu caráter, para imbuir em sua mente o trabalho em equipe. É impossível deixar de citar nosso fundador sobre o tema - "Os homens se tornam cavalheiros pelo contato com a natureza." - "Os escoteiros aprendem a se fortalecer ao ar livre. Como exploradores, realizam os seus próprios fardos e 'Remam sua própria canoa.". Nada de maneira alguma pode substituir o bom e velho acampamento Escoteiro. Principalmente nos moldes de Giwell. Acho que existem muitas tropas fazendo ainda tais acampamentos. Uma vez há muitos anos atrás, sem toda esta modernidade de hoje, começaram a surgir os Acampamentos de Férias. Na minha cidade a ideia de um surgiu por um executivo – Curumim Catu campo de férias. Fizemos lá um belo acampamento regional. Vários outros estados compareceram. Época do Bambu. Época de cada tropa ter sua intendência, época de cada Patrulha ter o seu campo. Época onde os desafios seniores eram mesmo desafios. Ninguém ia para estes acampamentos sem pelo menos ter boa parte de sua patrulha presente.

               Eles hoje se sofisticaram. A modernidade chegou! Ah! Esta modernidade infernal. Alí o companheirismo de uma Patrulha é feita na hora. Ninguém conhece ninguém a não ser quando ali estão. O jovem é massacrado por uma serie de atividades, “preparadas” por adultos e ele entra com sua vontade de jogar e brincar. Não existe a criatividade. Ele é simplesmente um robô que está ali para fazer o que os outros decidiram por ele. Alguma diferença das Atividades Nacionais que surgem aos montes por aí? Claro, eles adoram me dizem. Adoram sim. Não são mais criativos, não sabem mais opinar, seguem a corrente e esta lhe mostra a vida de alguém que não tem vontade própria. Ele simplesmente arma sua barraca, espera ver a programação, escolher aonde vai “brincar” ou “jogar” e seguir a onda até ela acabar. Refeições? Uma fila indica onde comer. Vai sentir saudades? Vai sim. Eu conheci um Chefe que um dia me disse que se você desse para um jovem uma vara de pescar lambaris e dissesse a ele para pescar um dourado ele iria acreditar.

              Vejo por aí falarem de programas nestas atividades que fico pensando. Será que vai ter frutos? São tantas coisas que um Chefe desconhecido programou, pois ele acredita que isto fará os jovens adorarem que fico pensando onde está o valor disto tudo? Outro dia alguém me disse – Chefe estou inscrita em uma atividade regional e lá vai ter uma festa “Rave”. (Rave é um tipo de festa que acontece em sítios (longe dos centros urbanos) ou galpões, com música eletrônica. É um evento de longa duração, normalmente acima de 12 horas, onde DJs e artistas plásticos, visuais e performáticos apresentam seus trabalhos, interagindo, dessa forma, com o público). Claro, acho que não será tanto assim e afinal será frequentado por escoteiros. Mas isto é um acampamento ou uma atividade escoteira?

              Meus amigos, o bom e velho acampamento nunca será substituído por estes tipos de atividades. Alí são atividades mateiras, grandes jogos e já pensou em estar em um? Onde você “junto a sua Patrulha” fincam a bandeirola e dizem – Aqui vai ser nosso campo! Onde era mato e se transforma em sua casa. Barracas, sua nova morada, um fogão suspenso coberto, mesas, bancos e quem sabe boas cadeiras mateiras, fossas, quem sabe um lindo pórtico e as atividades? Tomar um banho no regato, aguardar o toque do intendente e correr para receber os víveres do jantar, ficar ali a olhar o cozinheiro, com a barriga doendo de fome, a ver a fumaça subindo e quando chegar a hora, uma boa oração e saborear uma boa refeição que nunca irão esquecer. São tantas coisas que tornam um acampamento de Giwell único. – Grandes jogos pelos campos com sua Patrulha e pode até ter a noite um belo jogo de Guerra, ou uma bela competição de sinalização em Morse por lanternas. Já pensou? Alí na montanha só você e sua Patrulha transmitindo Morse ou outro tipo de sinal? E no último dia um belo de um Fogo de Conselho? Lá em uma clareira da mata, olhos miúdos sonhadores a rir e brincar com seus amigos?

              O valor de um Acampamento Escoteiro está aí. Nada substitui isto. Quando a gente chega à idade adulta, aprendeu tantas coisas que tem aqueles que me perguntam: Vais morar no mato? Vai se perder na floresta? Eles não entendem nada. Não sabem que o objetivo foi fazer com que eu pudesse tomar minhas decisões sem erros, escolhesse a vida que fosse levar sem reclamar, aprendesse a ser honesto, a ver a lei Escoteira com clareza, a respeitar o próximo, a saber, dar valor as pequenas coisas, a ter certeza da beleza criada por Deus na natureza. E afinal o que dizer do Caráter? Da Honra? Da ética? Do respeito? Isto tem preço?

              Não seria bom que em todos os programas de tropa tivessem pelo menos três acampamentos por ano? Pelo menos quatro excursões? Pelo menos uma atividade aventureira a pé ou de bicicleta? Caro isto? Não. Não é. Um bom Chefe Escoteiro irá fazer tudo sem gastar muito. Se tiver uma boa diretoria, se a tropa tiver uma boa comissão de pais, os acampamentos terão taxas irrisórias. Mas enfim sempre tem aqueles que são mais ricos e podem pagar taxas enormes e ir para estes acampamentos caça-níqueis que muitos estados estão fazendo cujo objetivo é arrecadar fundos, divertir sem o aprender a fazer fazendo.

             E lembrem-se, o acampamento Escoteiro é outra vida. Diferente. Esquecer a rotina da cidade. Deixar para trás a internet, o celular, tudo que pode lembrar-se de algum que não vai interferir com a vida mateira que está por vir.

             BOM CAMPO E BOAS ATIVIDADES É MEU DESEJO!      

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Conversa ao pé do fogo. A origem do chapéu Escoteiro.




Conversa ao pé do fogo.
A origem do chapéu Escoteiro.

Prólogo: - Muitos artigos sobre o tema já foram postados. Abrindo o meu baú do tempo vi este breviário e achei interessante postar. Para quem já conhecia desculpe. Para quem não conhecia saiba que o Chapéu Escoteiro já foi uma unanimidade na identificação do escoteiro no mundo.

                      Em nosso país o Chapéu de Abas Largas, vulgo chapelão escoteiro era inconfundível para identificar um escoteiro. Era uma das peças do uniforme que mais caracterizaram o escoteiro. Todos conheciam o famoso chapéu de feltro de abas largas e cor marrom da Prada. Soube que os chapéus da marca Stetson inglês ainda correm mundo no uso pelos escoteiros. Pelo que vejo aos poucos ele volta à moda, mas sem o caráter de obrigação. Soube que nas lojas escoteiras já são ofertados. Não sei se os preços são acessíveis. Sua história e como ele passou a fazer parte do escotismo mundial poucos conhecem. Inicialmente o chapelão foi conhecido como chapéu "Stetson" em alusão a empresa americana que o fabricava, a John B. Stetson Company. Originalmente o chapéu foi desenvolvido para ser utilizado pelos vaqueiros das pradarias da América do Norte por ser de material leve, o feltro e ter um desenho que protegia completamente o rosto dos vaqueiros devido as suas abas largas.

                      Durante a guerra Anglo/Böer, regimentos de várias colônias foram mobilizados para defender os interesses do império britânico na África do Sul. O Canadá, que já empregava o chapelão no seu exército, enviou seus soldados para a guerra. A exceção do primeiro contingente que utilizou capacetes, o chapéu "Stetson" foi empregado em todas as unidades canadenses enviadas à África do Sul. Baden-Powell ao observar a artilharia de campo canadense em Mafeking, ficou bastante impressionado com seus chapéus. Como B-P era encarregado de criar a polícia sul-africana, encomendou à empresa americana 10 mil chapéus para equipar aquela polícia. O agrado de Baden-Powell pelo chapelão foi tamanho que anos mais tarde ele o adotou no Movimento Escoteiro. A fama que o chapelão alcançou depois da guerra foi tão grande que vários exércitos passaram a utilizá-lo. O chapelão ainda é muito utilizado hoje em dia por forças policiais no mundo inteiro e na famosa Polícia Montada Canadense, mas é no escotismo que ele continua sendo marca até hoje como imagem e característica.

                  O chapelão escoteiro tem uma maneira muito própria de ser usado. Ao contrário do chapéu a cowboy, o chapéu escoteiro se usa com a correia justa e presa atrás da nuca. Nessa correia é feito um nó de pescador ou de cabeça de cotovia, que fica em cima da aba do chapéu, à frente. Esta correia é ajustável, bastando deslizar os dois nós simples que compõem o nó de pescador, afastando-os ou aproximando-os. Uma insígnia metálica de escotismo, mundial ou não, deve ser usada do lado esquerdo do chapéu, afixada no fecho da correia que rodeia a copa. O chapelão escoteiro tem quatro amolgaduras bem definidas, como usava Baden-Powell, uma à frente, outra atrás e uma de cada lado. Outras origens são contadas de maneiras quase idênticas. Ele em sua época logo após aparecer os primeiros Escoteiros na Inglaterra era também conhecido como “Chapéu Scout” – Aliás, "Chapéu de Baden-Powell" – ou ainda em linguagem mais corrente "Chapéu de Quatro pontas" ou ainda... "quatro dobras".

                  Tem como origem e confecção bem conhecida dos ex-Cowboys, hoje os “cattlemen” (homens do gado), sobre o nome de “Moutain Peak” pela sua semelhança com as montanhas daquele estado americano... Foi escolhido pelo General Robert Baden-Powell para cobrir as cabeças dos garotos reunidos no “Mafeking Cadete Corps” e depois atribuídos aos “South African Constabulary”, criado igualmente por Baden-Powell e escolhidos por “Southern District Scouts” em 1907.

                        Conta-se que o General Baden-Powell por ter sido tornado “Chefe Scout”, (Escoteiro Chefe Mundial) fez dele uma parte importante no uniforme escoteiro. A forma deste chapéu assemelha-se ao do contingente da New Zelândia, os futuros kiwis da Grande Guerra e do contingente canadiano de muito célebre “North-West Mounted Police” (Policia Montada do Canadá) futura R.C. M\P ou Polícia Montada Real do Canadá. Estas três sábias considerações não impedirão ninguém a reconhecer este elegante CHAPÉU como: O Chapéu Scout para todo o sempre ligado a um MOVIMENTO DE JUVENTUDE MUNDIAL nascido da imaginação de um general um pouco que seja observador e malicioso.

                       O Chapéu Scout cai em desuso em 1940 na França com a regulamentação do Escotismo Francês e que neste momento, predomina a boina. Tinha por assim dizer, desaparecido nos anos de 1970 os raros grupos que o usam ainda, como o de Riamont, deviam adquiri-los na Bélgica. Os Scout’s d’Europe não o tinham e pouco usavam. Em Portugal faz parte do uniforme. Era pelo desenvolvimento dos Scouts Unitários de França (e a vontade dos rapazes...) que ele ressurge a partir de 1945 em muitos países. As Guias de França usam um chapéu sem dobras, azul marinho.

                      No Brasil ele foi sobejamente usado por muitos anos e por um preço acessível fabricando pela Prada. Infelizmente esta fabrica pelo volume pequeno de vendas deixou de fabricá-lo. Assim devido a dificuldades de aquisição e também desinteresse das lojas Escoteiras em não o ter em estoque, foi aos poucos substituído pelo Boné o que na visão deste Velho Escoteiro não tem muito de Escoteiro. Risos.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Lendas Escoteiras. Finalmente Polaco Escoteiro entrou na Tropa Sênior!




Lendas Escoteiras.
Finalmente Polaco Escoteiro entrou na Tropa Sênior!

Prólogo: O dia do Sênior passou. Teria eu de escrever sobre esses bravos escoteiros? Fui um deles por quase quatro anos, rodei Brasil. Rodei em lugares nunca antes imaginados. Com esse conto homenageio a todos os seniores do Brasil. Nada demais apenas uma passagem de Escoteiro para Sênior. Uma rota Sênior? Um juramento? Uma mística que poucos conheciam? São meus convidados para conhecer a historia.

                           Polaco estava fazendo a Rota Sênior. Sabia que não tinha saída, ele teria de deixar sua Patrulha Gaivota que tanto amava. Afinal quando a Akelá disse a ele que teria de fazer a Trilha Escoteira ele também chorou. Deixar os lobos? Deixar a terra onde a Alcatéia de Seeonee se reunia? Não diziam que os lobos pertenciam à casta dos Povos livres? Mas não lhe deram opção. Chegou na Patrulha Gaivota chorando. Os patrulheiros lhe deram um abraço e uma nova vida começou. Amou aquela patrulha. Daria a vida por ela se necessário. Dois anos depois com a saída de Turuna o Monitor ele foi eleito no lugar dele. Fizeram aventuras incríveis. Acampamentos fantásticos, excursões nunca esquecida. Tentou chegar a Lis de Ouro e não conseguiu. Mas não se arrependeu. Tinha mais de cem noites de acampamento sem considerar as aventuras Escoteiras com seus cavalos de aço nas estradas adjacentes da cidade.

                            Fazia a Rota Sênior por fazer. Não se ambientava com os seniores e as guias. Elas então? Ele não era namorador. Achava que as meninas atrapalhavam e nos seniores elas e eles estavam juntos na mesma patrulha. O grande dia chegou. Foi uma passagem simples, seca, sem amor, sem nada para marcar o dia. Entrou na nova patrulha Antares e ficou ali pensando se devia continuar no escotismo. Houve sim uma despedida da Tropa, abraços alguns deixaram lágrimas rolar e as dele foi em maior quantidade. Uma festinha foi organizada, ele não sabia, mas a Antares liderou. Comes e bebes para escoteiros não colocar defeito. Uma reunião, duas, nada de novo no front. Muita conversa e pouca ação. Duas semanas depois recebeu um e-mail do Chefe Tornado. – Gostaria de trocar umas ideias com você! Dizia. Posso ir na sua casa? Ou se achar melhor pode ser na minha? Estranhou. Um Chefe agindo assim?

                            No caminho da casa do Chefe Tornado ele ficou pensando o que seria. Claro que sabiam da sua apatia pela patrulha pela tropa. Para ele um faz de conta com muita discussão no Conselho de Tropa que roubava muito o tempo que teriam para uma atividade de sede. Tocou a campainha e o Chefe Tornado o recebeu com um enorme sorriso. Entre! Obrigado por ter vindo! A esposa dona Lorraine um amor de pessoa. Conversaram por mais de uma hora. Ele falou mais que o Chefe. Contou como era a Tropa, seus acampamentos, suas pioneirías, seus jogos noturnos e grandes jogos escoteiros. Chefe, eu não vejo isto nos seniores. Chefe Tornado sorria e não disse nada. Em dado momento Polaco parou. Chefe! – Porque me chamou aqui? Chefe Tornado sorriu de novo e explicou o motivo – Polaco, conversei com os monitores, o assunto foi levado ao Conselho de Tropa. Eles acharam que você estava pronto!

                           Chefe! Pronto de que? – Olhe Polaco, você é bem considerado por todos os seniores e guias. Quando souberam da sua rota queriam fazer uma surpresa. E olhe que dificilmente isto acontece com os novos que chegam, mas você não, você estava preparado para assumir o seniorismo com todo amor e alegria. Assim você foi convidado para fazer a Passagem dos Cavaleiros! – Polaco ficou surpreso. Calma meu amigo disse o Chefe Tornado. É um ritual próprio onde só os seniores mais valorosos podem participar. Não posso lhe contar, pois se não o que você vai viver não teria valor. Eu lhe pergunto: - Você aceita participar do Ritual do Santo Graal? – Olhe Chefe, não sei o que é isto, mas se é um convite do senhor aceito! – Ficamos combinados, sábado iremos na Van do Chefe Norton até o Morro do Quilombo. Lá iremos direto a Gruta do Fantasma. Será lá sua passagem. Prepare-se!

                           Polaco passou uma semana cheio de emoção. Ninguém no sábado demonstrou surpresa. Antes de entrar na Van o monitor lhe entregou uma bata negra e ele a vestiu. A viagem foi tranquila com a cantoria de sempre dos seniores. A Van ficou estacionada em um sítio próximo. Às sete da noite iniciou-se a subida. Quase duas horas de caminhada. Ele não conhecia a Gruta do Fantasma. Um frenesi lhe corria e pipocava pelo corpo. Tudo foi preparado dentro da gruta. Quatro archotes foram acesos e as lanternas apagadas. No centro foi colocado uma mesinha de camping. Em cima dela uma Bandeira da Tropa, uma do Brasil, um cálice que diziam ser sagrado e uma pequena espada de metal. Polaco lembrou-se das lendas Arturianas e dos Cavaleiros da Távola Redonda. – Jamilson o Monitor gritou alto para ele: - Você está preparado Polaco, aceita participar do Ritual do Santo Graal? Não tinha saída. Aceitou sim. Algum em seu corpo vibrava. Uma sensação que nunca tinha sentido antes. Todos colocaram o Capuz Negro e em círculo Jamilson disse ao Chefe: - Ele está pronto Chefe! – Podemos fazer o juramento sagrado da patrulha: - Todos de mãos abertas, esticadas para frente aguardaram Polaco ficar no centro do círculo.

                            - O Chefe Tornado falava alto com ele. Sério e compenetrado pediu que repetisse o juramento: - “Que todos saibam, hoje e sempre, que prometo por tudo que é sagrado, amar, aceitar e respeitar os meus amigos da patrulha, honrar sua historia, morrer se preciso para que seu nome seja conhecido pela coragem e abnegação. Farei prevalecer à verdade, hoje e sempre! Podem saber que seremos fortes como os touros que habitam o lago azul da vida. Que os ventos do Norte, que os ventos do Sul, que os Ventos do Leste e que os ventos do Oeste tragam a chama da liberdade, da honra e da palavra ao nosso coração.”. A emoção tomou conta de Polaco. Logo o Chefe Tornado pediu para ele se ajoelhar. Colocou a espada na cabeça e nos ombros ritmicamente e completou dizendo: Você Polaco agora pertence não só a patrulha Antares como a Tropa Sênior Estrela Negra. Honre seu nome por toda a vida! “Vamos beber na fonte dos deuses o sonho que nunca vai terminar, vamos juntos jurar fidelidade e amor entre nós, nada e nem nunca irão separar”! – Com o cálice, bebemos essa água sagrada, colhida na fonte dos amigos inseparáveis!

                           Polaco estava emocionado demais. Nunca pensou que ser Sênior seria assim. Marion a Sub Monitora lhe mostrou um manuscrito da Tropa Sênior escrito em latim em letras grandes que ele não entendia sob a pele de um carneiro. – Vou traduzir para você disse Marion: – “Lá, onde o vento sopra forte, onde a Estrela Negra mora, encontrarão a felicidade nos seus desejos”. A cerimonia terminou com uma farta distribuição de comes e bebes. Todos levaram sua parte e a parte de Polaco. Ele sabia que de agora em diante seria Sênior para sempre. Sorria, cantava com todos. Até o Chefe Tornado sorria e lhe ofereceu um cálice de vinho piscando um dos olhos: - só este meu amigo Sênior. Seja bem vindo, saiba que todos nós estamos orgulhosos de você!


terça-feira, 18 de junho de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Apenas uma reunião de Gilwell.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Apenas uma reunião de Gilwell.

Prólogo: - Os chefes Insígnia de Madeira fazem parte do 1º Grupo de Gilwell. Todos eles conhecem a historia e sabem o que é e como se procede em uma reunião do 1º Grupo de Gilwell. Dizem que tudo que se faz ali é altamente secreto, eu no alto da minha boca larga conto tudo sem dizer nada! Risos. Apenas uma historieta pequena, pois hoje estou sem nada para fazer.

                    Não eram tantos, mas era um número considerável para aquela reunião de Gilwell em uma floresta perto da cidade. Um bom bocado nunca tinha participado e esperavam ansiosos pelo seu inicio. Sempre tiveram o sonho de estar lá, junto com irmãos escoteiros que tiveram de se esforçar para pertencer com orgulho do 1º Grupo de Gilwell. Muitos comentavam que o que ali se passava era confidencial, outros não escondiam que era uma reunião de amigos, uma historia uma lenda, e confraternizar com a Canção de Gilwell lembrando o título de sua matilha ou patrulha e cantar como se ainda estivessem em cursos passados.

                   A espera do inicio fazia com que muitos olhassem no relógio, conversassem entre si, para que a impaciência não tomasse conta do sonho de ser mais um do 1º Grupo de Gilwell. Finalmente foram chamados ao salão. Em circulo olhavam uns para os outros, os mais novos e mais antigos o que se deduzia que ali a fraternidade reinava de maneira concreta e real. Ninguem esperava, mas adentrou a sala um Antigo Escoteiro, fisionomia carcomida pelo tempo, com um toque, toque de sua bengala, foi até onde estava o dirigente da reunião e educadamente pediu a palavra. Todos o fitaram e esperavam ansiosos no que ele ia dizer.

- Assim ele começou: - Caros amigos e irmãos de Gilwell, estamos aqui reunidos alguns pela primeira vez, pensando como seria e como deve nosso encontro e nos transformar na Grama Verde de Gilwell onde histórias ficaram marcadas para sempre em volta do fogo na clareira. Muitos de vocês já ouviram falar do primeiro encontro onde Baden-Powell dirigiu uma breve palavra a todos. Não vou repetir suas palavras e sim acrescentar outras que vale a pena ter a atenção de todos. – Vocês sabem essa nossa vida é tão curta... O tempo em que ficamos neste mundo é tão breve... E esquecemos que existem tantas coisas boas, úteis, concretas e que, principalmente, estão ao nosso alcance e as deixamos de lado. Não lhe damos a atenção necessária. Talvez por não acreditarmos que os momentos e os detalhes são únicos. Ou talvez por esquecermos que as oportunidades podem ser descartadas, mas dificilmente repetidas.

- Deu uma parada, respirou fundo e continuou: - Estamos sempre nos queixando pelas grandes obras que não podemos realizar e deixamos de lado aquelas pequenas que nos são possíveis. Vivemos desejando asas, enquanto nossos pés nos convidam a pisar firme no chão. Acreditamos que a nossa felicidade está naquilo que desejamos e deixamos de amar o que possuímos. Nossa vida é breve e temos muita coisa útil a realizar. De modo algum se justifica nossa busca por satisfações efêmeras, enquanto nossa realização está justamente naquilo que já é nosso.

- John Thurman Chefe de campo de Gilwell Park escreveu sobre Gilwell: - “Talvez pareça um contratempo dizer que o espírito de um homem permaneça depois que ele tenha desaparecido”. Porem no caso de B-P e a forma que ele influiu em Gilwell, constituem-se em uma grande verdade. É o espírito da tolerância, da alegria e camaradagem, de reflexão de preparação e generosidade, que se esboçou em seu livro Escotismo para Rapazes e que através dos anos tem se espalhado de Gilwell para o mundo... Portanto o lugar trata de manter vivo o espírito do melhor ensinamento de B-P. que se manterá vivo não por sentimentalismo, mas sim porque uma mensagem eterna, e todo mundo atual precisa da medicina que ele nos forneceu de forma tão generosa. 

- E terminou dizendo: - Devemos nos lembrar de que passaremos por este caminho, este mundo, uma só vez. Precisamos, portanto, aproveitar estas oportunidades única e breve, precisamos reconhecer que somos chefes e se estamos aqui foi porque Deus nos deu esta missão. Que o espírito de BP esteja neste encontro, que Gilwell signifique para todos mais que apenas um lenço e um certificado... Sempre Alerta!

                    Deu um sorriso, e saiu da mesma maneira que entrou desaparecendo na penumbra da floresta onde se realizava a reunião!

“É mais verde a grama lá em Gilwell
Onde o ar do Escotismo eu respirei
E sonhando assim vejo B-P
Que sempre viverá ali”.

domingo, 16 de junho de 2019

ARTIGO A REFLETIR: Como o Escotismo (do B.S.A.) foi salvo em 1979. Publicado em Ações, Lições e Visão de B-P, O Fundador.



ARTIGO A REFLETIR:
Como o Escotismo (do B.S.A.) foi salvo em 1979.
Publicado em Ações, Lições e Visão de B-P, O Fundador.

Prólogo: Este artigo está sendo amplamente divulgado em várias páginas do Facebook. Sem entrar no mérito da questão, os escoteiros tradicionais dele dão ênfase pelo seu aspecto principal, a mudança do escotismo de Baden-Powell para uma nova metodologia subtendida como um novo marco escoteiro na Boy Scout of America. A Escoteiros do Brasil está no caminho certo? Leiam o artigo e podem opinar.

(A Boy Scouts of America é uma das maiores organizações dos Estados Unidos, com mais de 4,5 milhões de membros. Desde a sua fundação em 1910 como parte do Movimento internacional dos Escoteiros, mais de 110 milhões de americanos foram ou são membros da BSA.).

- O autor deste artigo é Enoc Heise, um escoteiro da BSA, escritor, empresário e entusiasta do estilo de vida ao ar livre do norte do Texas, que se propôs a missão de ajudar o mundo a redescobrir o escotismo em sua princípios eternos, seus valores e suas aventuras. Há um período na história dos Boy Scouts of America que muitas pessoas não gostam de falar. Alguns de vocês podem ter ouvido essa história antes; Alguns de vocês podem ter vivido esse período. Eu acho que é de vital importância para todos os Scouters conhecê-la, por causa do que ela nos ensina sobre Escotismo e seu lugar no mundo moderno. No final dos anos 1960, o jovem membro da BSA começou a declinar. Ninguém tinha certeza do por que. Alguns suspeitavam que o mundo moderno estava começando a superar a estrutura tradicional do Escotismo.

Todos concordaram que agora precisávamos de uma boa organização juvenil ...; Mas talvez as coisas do passado não atraíssem mais os garotos. Assim, no espírito da época, começamos a trabalhar no desenvolvimento de um "Programa para a Melhoria do Escotismo". Este ia ser um programa moderno que se ajustasse às necessidades do menino moderno. Voltamos à prancheta e redesenhamos o avanço, a liderança e todo o programa de escotismo. Finalmente, eu estava pronto para lançar o programa.
E em 1972, a distribuição da oitava edição do Scout Manual do B.S.A. (Um novo manual). Nesse trabalho (eu tenho uma cópia dele na minha mesa), as fileiras de Adelanto foram redesenhadas e mudadas para Agradecimentos por Habilidade e Progresso, removendo a ênfase das habilidades tradicionais do Escotismo. Na verdade, você pode até ir até o "Reconhecimento da Águia pelo Progresso" (o que já foi uma Águia-escoteira) sem ter acampado!

Junto com esse dramático reinício do programa, houve um enorme impulso organizacional para recrutar novos membros. Isso foi chamado de "Boypower '76" e começou alguns anos antes. O objetivo era ter um em cada três garotos (dos E.U.A.) como membro dos escoteiros de 1976. Toneladas de esforço e milhões de dólares foram investidos neste programa. Tudo foi preparado para um crescimento significativo. Todos esperavam ansiosos que os números de membros disparassem. Tivemos um novo programa moderno e uma nova iniciativa Tudo o que precisávamos! Ficamos arrasados ​​com os resultados. Em vez de crescimento rápido, muitos escoteiros deixaram o programa ... Quero dizer muitos! Entre 1972 e 1978, B.S.A. perdeu mais de um terço de seus membros. A organização sofreu muito. Nós estávamos cheios de escândalos de cima para baixo na cadeia.

Uma enorme quantidade de "unidades de papel" fraudulentas foi criada para aumentar falsamente os números. Em vez de um sucesso aclamado, foi um enorme fracasso! Começava a parecer o Escotismo que sabíamos que estava morto. No entanto, este não foi o caso. Com uma mão ainda ao leme, tiramos uma incrível correção que salvou o Escotismo de milhões de garotos. Essa mão no leme foi personificada em um homem - que era um veterano Scouter chamado William Hillcourt. Ele havia escrito vários manuais para escoteiros e para Scouters no passado. Por décadas, ele também foi autor da muito popular e longa série da revista Boys'Life. Ele era amigo pessoal de Baden-Powell e dedicara sua vida ao Escotismo. Não tenho certeza se foi B.S.A. quem se aproximou dele ou o contrário; mas sei que ele saiu da aposentadoria aos 79 anos de idade e ofereceu um ano de sua vida sem remuneração para escrever um novo Manual do Escoteiro.

Em 1979, a nona edição do Scout Manual foi publicada. (Outro novo manual). Neste trabalho (também eu tenho uma cópia em minha mesa), Hillcourt trouxe de volta todas as habilidades tradicionais de Scouting que tinham sido tomadas pelo programa moderno: camping, caminhadas, pioneiro, etc., e, novamente, o Plano foi aplicado de Avanço. A ênfase foi novamente colocada no Sistema de Patrulha.

E o espírito de aventura e emoção que fez os meninos amarem ler as outras obras de Hillcourt, foi infundido em todo o livro. Para surpresa de todos, a perda de filiação foi interrompida. Esse retorno dramático ao Escotismo Tradicional estabilizou a enorme perda de membros que sofreram por mais de uma década. Não é exagero dizer que William Hillcourt salvou os Escoteiros da América em 1979 e transformou o Escotismo Tradicional em realidade para milhões de pessoas.

Com a palavra a Escoteiros do Brasil e seus adeptos.