Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

PONTUALIDADE, UMA QUESTÃO DE HONRA




Pontualidade é a arte de não desperdiçar o tempo alheio.
Anônimo

A pontualidade é uma demonstração de respeito pelo outro e pela vida.

"A pontualidade é cortesia dos Reis e obrigação dos educados" 
Provérbio Inglês

PONTUALIDADE, UMA QUESTÃO DE HONRA PARA NÓS ESCOTEIROS

Eu não sei por que resolvi escrever sobre a pontualidade. Não é um assunto de adestramento, de técnica, de programas, mas acredito ser da formação escoteira e de formação moral. Não sei se será bem recebido pelos meus amigos leitores.

Vejamos bem, somos exemplos, somos vistos como perfeitos, muitas vezes pela comunidade, pelos pais, pelos membros juvenis e estamos a toda hora lançando a semente da responsabilidade, da amizade e confraternização. Na Lei Escoteira incentivamos as atividades religiosas, escolares e de cidadania. Portanto, somos responsáveis pela formação de nossos jovens nestes aspectos sem sombra de dúvida.

No entanto a falta de pontualidade é sempre um sinal de desrespeito pelo próximo e pela organização social e está presente em nosso meio.

Ela está presente nas rotinas, nas tarefas que desempenhamos, nos desafios e nos objetivos que nos propormos realizar. De todos os recursos a que temos acesso, o tempo é um dos mais relevantes pela sua natureza volátil e, para muitos de nós, perdermos horas à espera de outros, significa desperdiçar um precioso bem.

Também é importante que devemos perceber e assumir que a forma como lidamos com o relógio, diz muito sobre a nossa educação e temperamento. Numa sociedade tão exigente e complexa como a nossa, é uma questão de procurarmos definir prioridades, sabendo de antemão que nunca iremos ter tempo para fazermos tudo o que precisamos ou gostaríamos de fazer.


Ninguém gosta de ficar à espera. Se nos pusermos no lugar do outro poderemos vir a constatar que esta atitude não é um pormenor sem importância, mas constitui de fato uma falta de civismo e respeito.

Vejamos algumas situações no dia a dia das reuniões de seções ou acampamentos:

- O horário de inicio da reunião é 14h30min (hipotético) alguns pais trazem os filhos nos horários, outros não. Será que é devido às falhas anteriores por parte dos escotistas responsáveis?

- O tempo de duração da cerimônia de bandeira (hipotético) é de 10 minutos, mas foram gastos mais de 20 minutos. Nestes casos os programas feitos pelas seções não terão a continuidade esperada.

- A inspeção, ou o Grande Uivo era de 10 minutos, mas se gastou 15 ou mais.

- O jogo inicial era de 10 minutos, mas se gastou muito mais.

- O adestramento de base ou de patrulha/matilha era de 15 minutos, mas se gastou muito mais.

- Diversas outras atividades programadas tiveram que ser canceladas ou substituídas por falta de tempo, já que ele foi gasto em outras atividades.

- E finalmente, o encerramento atrasou e os pais que estavam à espera ficaram inconformados, pois muitos deles tinham outro compromisso.

Agora, vejam bem, foi feito um programa, distribuído tarefas junto aos assistentes, preparou-se material para isto e boa parte foi perdida. Esticar o horário, mudar à hora de encerramento? E os pais?

É importante esclarecer que temos praticamente uma atividade por semana, com tempo determinado e muitas vezes perdemos um programa por não sabermos como utilizá-lo.

- Eu pergunto como fica a motivação dos assistentes quando sua atividade é cancelada? – Como fica o programa de progressividade nas etapas e provas? – Não seria o caso de quem sabe, perdendo boa parte do programa, com conseqüente atraso no progresso do jovem este é induzido a sair do movimento? 

Eu posso dizer que vivi muito tal situação. Alem das atividades escoteiras nos grupos, também atividades distritais, regionais ou nacionais não começavam no horário. Os jogos e atividades programadas se extrapolaram. Chegamos a tal ponto, que diversos cursos de adestramento que dirigi, tinha alunos que chegavam atrasados. Mandá-los de volta, recusá-los? Como disse acima, é uma falta de respeito para com aqueles que chegaram no horário. Isto não pode fazer parte do dia a dia de nossas atividades escoteiras.

Nos adultos somos o exemplo. Temos que manter nossa fleuma de uma pontualidade “britânica” para mostrar que os outros podem contar conosco. Nos Grupos Escoteiros que participei, havia flexibilidade para um pequeno atraso, mas que não extrapolasse o essencial.

Tenho certeza que a maioria de vocês que me lêem, aconteceu um pequeno ou um grande atraso na chegada de um acampamento, de uma excursão, de um bivaque ou mesmo acantonamento. Coloquem-se no lugar dos pais que estão à espera, sem nenhuma notícia. Acredito inclusive que a decepção pode em alguns casos ser superior a alegria e motivação do jovem no seu retorno. E na saída então, esperamos este, aquele e no final, saímos com total desrespeito com aqueles que chegaram no horário, prejudicando todo o programa que havia sido feito.

Conheci um executivo escoteiro profissional, que conseguiu ser recebido por um presidente de uma multinacional e cujo intuito era de conseguir meios e locais para alojar em sede própria um Grupo Escoteiro da comunidade. Ele se prontificou em receber e ouvir e até quem sabe ajudar.  Infelizmente ouve um atraso de 30 minutos e a reunião foi cancelada. Que belo exemplo ele deu. Acredito que daí para frente aquele Presidente olharia com desconfiança para o Movimento Escoteiro.

Temos diversas situações de escotistas que divergem de tal situação, chegando mesmo a pedir demissão pela falta dos responsáveis do Grupo Escoteiro em não tomar providencias. Como sempre, é mais uma cisão e mais outro grupo sendo organizado e quem sabe pode não haver frutos do que existe e no que está começando.

Não é preciso dizer, que muitos de vocês leitores não se coadunam com o que aqui escrevi. Conheço uma centena ou mais de Grupos Escoteiros responsáveis e acredito que todos lutam para que fatos como este não aconteçam.  Infelizmente, pela minha experiência pessoal passei e ainda passo por convites de escotistas que ainda não se espelham com os dizeres sagrados da pontualidade. (e francamente, detesto ficar esperando!)

Não é gostoso ficar sem ter o que fazer; o divertido é estar cheio de obrigações e não fazer nada!
Anônimo
Teoria é quando se sabe tudo e nada funciona.
Prática é quando tudo funciona e ninguém sabe o por que.
Neste recinto, conjugam-se teoria e prática: nada funciona e ninguém sabe porque.
(Escrito num cartaz de uma repartição pública de Brasília)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

OS PAIS E O GRUPO ESCOTEIRO



Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.

Os pais e o Grupo Escoteiro

Muitos escotistas comentam comigo sobre as dificuldades encontradas quando procuram os pais para colaborarem em diversas situações no Grupo Escoteiro. Claro, sabemos que vários grupos não têm este problema, portanto nos dirigimos àqueles que nos lêem e gostariam de algumas sugestões a respeito.
Alguns dos comentários recebidos:

 - Alguns jovens participam com idealismo, mas nunca vi seus pais e quando peço uma reunião com eles, poucos aparecem.

- Em época de eleição da diretoria é uma luta para que alguém se ofereça para ajudar, e isto nos poucos que comparecem.

- Para qualquer atividade que for necessário uma taxa, isto sem falar na mensalidade, a maioria (os pais) não colaboram e não ajudam em nada.

- Quando algum escotista pretende participar de alguma atividade ou cursos para aprimorarem seus conhecimentos, sempre arcam com todas as despesas de transporte e taxas, com isto muitos desistem de prosseguirem na trilha escoteira.

- Enfim, sem eles ficamos sem condições de manter o Grupo Escoteiro, e até o registro anual é prejudicado. Ou fica sem fazer ou se registra poucos membros do Grupo.

É, é uma situação constrangedora. Claro tudo isto não existiria se na entrada do jovem, algumas providencias fossem tomadas. Se o Grupo já está com vários destes problemas, (sugiro que leiam outros artigos tais como “onde está o erro” aqui neste blog) só existe uma solução e esta infelizmente tem de ser tomada para que possamos ter os pais de volta.

Vou dar um exemplo de vários grupos escoteiros que são exigentes na admissão do jovem. Vejam como tratam o assunto:

- Os pais devem vir acompanhados dos filhos interessados; (se não vierem não tem admissão)

- Não aceitar pais de jovens inscritos no grupo trazendo filhos de vizinhos ou parentes.

- É feito uma ficha de inscrição, onde consta que os pais também vão pertencer ao Grupo e é explicado a eles o que se espera após a aceitação do filho e o que o movimento escoteiro tem a oferecer a ele.

- Eles ficam automaticamente inscritos no primeiro Curso Informativo (pode ser feito pela própria chefia no grupo ou então ver no Distrito ou Região se existe algum a respeito) este curso não deve ser maior que 4 horas e menor que 2 horas.

- Enquanto estas formalidades não forem cumpridas, o jovem não participa diretamente. Ele pode ficar por um tempo observando a movimento das tropas sem interferir.

- Depois de feito os quesitos acima, quando da Cerimônia de Bandeira, o jovem e os pais são apresentados a tropa/alcatéia, aí sim o jovem começa na sua patrulha ou matilha que vai recebê-lo do chefe da seção correspondente, onde então se fará alem do grito da patrulha ou similar na alcatéia, saudando o novo membro.

- Os pais são convidados a sede para que o chefe do grupo (diretor técnico, acho eu) mostre a eles o calendário anual das atividades e as reuniões dos pais alem do Conselho anual (congresso). Também deverão preencher uma pequena ficha, com nome, telefone e endereço e dizendo como podem colaborar no grupo, semanal ou mensal. Uma lista de funções deve ser apresentada pelo chefe. Do Grupo (diretor técnico acho eu), e a partir deste momento, o Chefe não deve deixar de fazer contato telefônico, pessoal ou mesmo lembrar a eles que precisam de sua presença conforme foi acertado anteriormente.

O mais importante é que a falta de duas ou três atividades marcadas nenhum deles comparecerem, e após contato telefônico e pessoal sem resultado, o jovem leva um aviso aos pais que ele só continua se eles vierem ao grupo para conversarem novamente.

Claro, vocês podem dizer que isto é muito radical, mas é bom lembrar que somos um movimento voluntário, sem fins lucrativos e nosso intuito é colaborar com os pais, a escola e a igreja. Sem a presença destes nada podemos fazer em benefício do jovem. Muitos escotistas ainda não chegaram à conclusão que é os pais é que precisam de nós e não o contrário. 

É importante que o Grupo Escoteiro mantenha algumas atividades para os pais em seu programa, a fim de motivá-los e sempre acontece que muitos deles passam a se interessar mais pelo movimento, oferecendo seu tempo para colaborar como escotistas. Existem exemplos que em pouco tempo, surge um grande número de chefes resolvendo de vez a falta de adultos tão reclamados por muitos.

Algumas atividades sugeridas:

Uma vez por ano, com ajuda de alguns pais, escolher um local onde todos possam passar um dia inteiro, em confraternização (se possível um sítio fora da cidade, que tenha instalações necessárias para os participantes). Nesta confraternização executar um programa nos moldes escoteiros, formando patrulhas junto com os filhos, competições entre elas, com grito próprio, cerimonial de bandeira e encerramento com a Cadeia da Fraternidade.

Nas atividades de Alcatéia, sempre ver com a chefia quantos pais serão necessários e convidar aqueles que se propuseram a isto.

Comissões internas para em conjunto com a Comissão Executiva (diretoria) desenvolver tarefas tais como: Arrecadação financeira compras para acampamentos – transporte para atividades de seções – instrutores de especialidades e outras de comum acordo com o Conselho de Chefes e Diretores do Grupo Escoteiro.

Finalmente, agindo conforme aqui sugerido, os resultados serão sempre alcançados, e os chefes poderem ter mais tempo com suas famílias, pois agora o trabalho é dividido por todos aqueles que são responsáveis também pelo Grupo Escoteiro.

Conheci diversos grupos, que a participação de pais é tão grande (seus efetivos superam 200 membros participantes), que quando realizam as atividades extra- sede com os pais, superam em mais de 400 participantes (vão avós, tios, tias, primos e amigos que eles também convidam).

É necessário que o Conselho de Chefes seja regularmente informado de tudo, para evitar atritos e sentirem responsáveis também pelos pais presentes.

Espero ter colaborado, mas se quiserem mesmo ter os resultados esperados, mãos a obra. Um poeta já dizia: Quem quer anda, quem não quer manda! E não deixe para amanhã o que pode fazer hoje1

Nós geralmente descobrimos o que fazer percebendo aquilo que não devemos fazer. E provavelmente aquele que nunca cometeu um erro nunca fez uma descoberta.
Samuel Smiles

domingo, 27 de novembro de 2011

A CARTA DO INDIO



A Carta do Índio

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz já mais de cento e cinqüenta anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:
"Como podeis comprar ou vender o céu, a tepidez do chão? A idéia não tem sentido para nós.
    Se não possuímos o frescor do ar ou o brilho da água, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques sombrios, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho.

        Os mortos do homem branco esquecem a terra de seu nascimento, quando vão pervagar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os gamos, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, a energia vital do pônei e do homem, tudo pertence a uma só família.
    Assim, quando o grande chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossas terras, ele está pedindo muito de nós. O grande Chefe manda dizer que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente por nós mesmos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Se for assim, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Mas tal compra não será fácil, já que esta terra é sagrada para nós.

    A límpida água que percorre os regatos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vos vendermos a terra, tereis de lembrar a nossos filhos que ela é sagrada, e que qualquer reflexo espectral sobre a superfície dos lagos evoca eventos e fases da vida do meu povo. O marulhar das águas é a voz dos nossos ancestrais.

    Os rios são nossos irmãos, eles nos saciam a sede. Levam as nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra a vós, deveis vos lembrar e ensinar a nossas crianças que os rios são nossos irmãos, vossos irmãos também, e deveis a partir de então dispensar aos rios a mesma espécie de afeição que dispensais a um irmão. 

    Nós mesmos sabemos que o homem branco não entende nosso modo de ser. Para ele um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si à sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seus irmãos, o céu como coisas a serrem comprados ou roubados, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. Isso eu não compreendo. Nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer aos olhos do homem vermelho.

    Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e como tal, nada possa compreender.

Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.

    O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem dos charcos à noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume dos pinhos.

    O ar é precioso para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O ar que vossos avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último suspiro.

    Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.

    Assim consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, farei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

    Sou um selvagem e não compreendo de outro modo. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecerem nas pradarias, deixados pelo homem branco que neles atira de um trem em movimento.

    Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo, que nós caçamos apenas para nos mantermos vivos.
    Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo isso pode cada vez mais afetar os homens. Tudo está encaminhado.

    Deveis ensinar a vossos filhos que o chão onde pisam simboliza a as cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, ensinai a eles que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai a eles o que ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe. Quando o homem cospe sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; O homem branco é que pertence a terra. Disso nós temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra. 

    O homem não tece a teia da vida: É antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.

    Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha e com quem conversa como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo, sejamos todos irmãos. 

    Nós o veremos. De uma coisa sabemos, é que talvez o homem branco venha há descobrir um dia: Nosso Deus é o mesmo deus.

    Podeis pensar hoje que somente vós o possuis como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.

    Esta terra é querida dele, e ofender a terra é insultar o seu criador. Os brancos também passarão talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos próprios excrementos.

    Mas no nosso parecer, brilhareis alto, iluminado pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes.

    Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. “O fim do viver e o início do sobreviver.”

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

MARKETING NO ESCOTISMO - UMA UTOPIA?



Utopia
O sonho inalcançável... um desejo que parece ser impossível conquistar
O utopismo é um conceito originado da palavra Utopia, o utopismo consiste na idéia de idealizar não apenas um lugar, mas uma vida, um futuro, ou qualquer outro tipo de coisa, numa visão fantasiosa e normalmente contrária ao mundo real. O Utopismo é um modo não só absurdamente otimista, mas também irreal de ver as coisas do jeito que gostaríamos que elas fossem.

Marketing escoteiro – uma utopia?

Muitas histórias que os escoteiros não contaram e que contadas poderiam ser uma utopia, ou seria um Marketing?

Os lobinhos maravilhosos

- Era um domingo e como sempre eu e minha noiva costumávamos passar as manhãs em um parque no centro da cidade. Ali observávamos os pássaros, a grama verde, as flores, e podíamos conversar trocar confidencias, enfim muitas coisas que um casal jovem como nós temos como interesse comum.

 Observamos a chegada de uma turminha alegre de jovens, garbosos em seus uniformes, cantando, brincando e junto alguns adultos, também sorridentes e amigos daqueles pequeninos maravilhosos. Passando algum tempo, uma parte deles, se dirigiu onde estávamos e elegantemente com um sorriso no rosto, o que devia ser o líder me convidou a participar de um jogo, onde eles teriam que levar um casal jovem, até toda a “Alcatéia”, e lá recitar os dois em voz alta, a Lei do Lobinho. Eles nos ensinariam a lei. Claro que aceitamos.

Quando lá chegamos outros casais alguns mais jovens e outros mais velhos, também recitavam temas diversos. Na nossa vez, falamos bem alto, para fazer com que a matilha (nos explicaram) tivesse um bom destaque na escolha – O lobinho ouve sempre os Velhos Lobos. O Lobinho pensa primeiro nos outros. O Lobinho abre os olhos e os ouvidos. O Lobinho é limpo e está sempre alegre. O Lobinho diz sempre a verdade. Foi uma alegria, logo estávamos enturmados e em pouco tempo nos convidaram a visitar a sede nos dando o endereço por escrito. Foi para nós eu e minha noiva, um dia maravilhoso.

Observamos que todas as pessoas presentes no parque, também se interessaram, e sorrindo participaram com aqueles jovens a alegria daquele momento que seria inesquecível.

O escoteiro é puro nos seus pensamentos nas suas palavras e nas suas ações
                                        
- Eu morava naquela cidade há muitos anos. Conhecia boa parte das pessoas no meu bairro, principalmente porque após me formar em odontologia, muitos deles eram meus clientes. Naquela manhã, estava eu atendendo um conhecido quando a secretária adentrou na sala e disse que um jovem escoteiro queria falar comigo e se possível naquele momento, pois ele teria que voltar para a casa indo à escola em seguida e não podia chegar atrasado. Era uma terça feira, e pedindo licença ao cliente, fui atender o jovem escoteiro.
Ele me cumprimentou (estava acompanhado de um adulto que deduzi ser seu pai) e explicou o motivo de sua rápida visita. Estava ele de uniforme, garboso sem excessos e notei que exibia um orgulho próprio de si próprio, sem impostar a voz e falando educadamente. Dizia-me que no dia anterior, ao sair da escola, procurou outro amigo para ir ao centro da cidade, já que seus pais tinham autorizado e lá ele viu atrás de um banco na praça, uma carteira. Verificando seu conteúdo, encontrou meu nome nos documentos e como bom escoteiro (ele dizia) fazia questão de entregar pessoalmente.

Fiquei surpreso, pois tinha deixado nela uma boa quantia em dinheiro e não acreditava que alguém me devolvesse. Por isto mesmo já tinha tomado todas as providencias legais para não haver futuros aborrecimentos. Verificando seu conteúdo, nada havia sido retirado e retirando uma nota de R$50,00 ofereci como agradecimento. Ele surpreso, me repreendeu educadamente, dizendo que ele era um escoteiro e sua obrigação era entregar. Sua boa ação estava naquele ato e se recebesse, não era boa ação. Perguntei para ele como era sua vida escoteira e ele me explicou a lei, a promessa e os objetivos do escotismo.

 Nunca na vida encontrei um jovem como ele. Educado, prestativo, leal e com um novo sentido de honra e caráter difícil de encontrar hoje. Deram-me bom dia, e alegres, pai e filho lá se foram, me deixando perplexo, sem saber o que falar. Mas agora sabia e muito bem, o valor daquele movimento e de maneira nenhuma deixaria de falar aos meus amigos sobre ele.

Os seniores e sua boa ação mensal
                                          
- Naquela quinta feira, eu estava nervoso (era responsável por um hospital de subúrbio, pequeno (e que fazia questão de manter em bom nível) devido a um numero maior de pacientes que adentraram pela manhã a procura de ajuda. Procurava colaborar sempre nestas horas, mas os demais médicos e enfermeiras, assim como outros colaboradores não procuravam manter à calma que tanto eram necessárias nestas horas.

E para surpresa minha, eis que seis jovens aparentando 15 a 17 anos adentraram em minha sala, sorrindo, bem uniformizados e educadamente me pediram um minuto do meu tempo. Claro que o daria, tinha eu sido escoteiro em minha juventude e guardava boas lembranças daquele tempo. Dizia um deles, auxiliado pelos demais, - Estavam à procura de uma boa ação coletiva, e esta seria realizada por um ano inteiro.

 Tinham a intenção de colaborar dentro do possível com os jovens internados, conversando, brincando, cantando e transmitindo otimismo a todos aqueles que sofriam e precisavam de ajuda. Claro que seria em horário e dia determinado e estariam dispostos a obedecer pontualmente todas as normas e regras impostas ou que já existiam para visitantes naquele hospital. Junto ao comercio local, tinham conseguido uma quantidade razoável de brinquedos, para diversas idades e pretendiam presentear aos que ali permaneciam internados.

Fiquei surpreso com tudo e voltando ao passado quando também era como eles, de pronto autorizei a atividade por eles solicitada. Pedi que alguém da patrulha passasse no dia posterior, onde iria entregar por escrito as normas do hospital e que na primeira vez, uma enfermeira capacitada ia acompanhá-los para evitar que alguém pudesse sofrer alguma conseqüência principalmente os jovens internados. Alguns meses depois, com alegria, ouvia os comentários dos funcionários e médicos, sobre a atividade dos seniores, uma das poucas coisas boas que nosso hospital agora se orgulhava em ter.

O banco de sangue e o grupo escoteiro
                                                     
- Minha esposa chegou a casa naquela noite, bastante atrasada e eufórica. Perguntei o que tinha acontecido e ela me contou entre surpresa e motivada o que aconteceu. Ela era a enfermeira chefe de um banco de sangue na cidade, que atravessava uma grande dificuldade devido o número de doadores estar escasseando a cada dia.

O diretor já havia tentando fazer uma campanha de marketing na cidade, e mesmo com a imprensa falada e escrita pouco tinha conseguido. Hoje para minha surpresa adentrou um senhor com uniforme escoteiro, sorridente e perguntando se tínhamos condições de atender 50 adultos que estavam lá fora, prontos a fazer uma doação de sangue e se todos eles seriam atendidos ainda naquela tarde, pois muitos estavam em horário de trabalho e outros tinham comercio próprio.

Claro que sim disse e ao mesmo tempo chamei outras enfermeiras e funcionários para tomar todas as providencias necessárias. Eis que fui conhecer o grupo, pais e chefes escoteiros, alegres, conversando educadamente entre si, sem algazarra, sorrindo para mim e alguns contando o porquê estavam ali. Fiquei sabendo que no mês anterior, durante um Conselho (Congresso) do Grupo, um pai que era médico, perguntou se só os jovens faziam boas ações e porque os pais e os chefes não faziam o mesmo.

Foi uma surpresa geral, pois ninguém esperava que o assunto daqueles fosse ali comentado. Mas a discussão foi frutífera e ali mesmo, com a sugestão do pai/médico, a boa ação fora marcada com dia e hora. Seria ponto de honra para o Grupo a participação de todos. Não haveria uma comunicação previa ao banco de sangue, pois não queriam uma publicidade anterior pelo fato da preocupação de haver muitas faltas e o número presente seria quem sabe irrisório. Mas isto não aconteceu. A participação foi geral. Eu mesmo informei ao diretor, que comunicou a imprensa e o fato foi muito comentado na semana de como os escoteiros adultos fazem suas boas ações junto à comunidade. 
                                           
Áreas de interesse – A escolha de um clã

- O Clã pioneiro estava em reunião e naquela noite conversavam entre si o que poderiam fazer naquele trimestre como forma de áreas de interesse que poderiam redundar não só no conhecimento geral, mas como também uma ajuda a comunidade em forma de boa ação coletiva. Todos opinavam de maneira franca, pois era um clã antigo, com um casal de mestres pioneiros e dois pais que ali iniciavam sua seara naquele ramo.

Eram mais de 14 pioneiros, entre moças e rapazes, a maioria advindo dos seniores e que queriam continuar sua vida escoteira não atuando como escotistas, mas se prontificando a ajudar no que fosse possível. Um assunto posto logo chamou a atenção, não só pela dificuldade em aprender como de que maneira poderiam ajudar. Um pioneiro e uma pioneira, estudantes de medicina, tinham focado o tema da Hanseníase. Eis o que explicaram: - é uma doença humana, transmissível e curável, que ataca os nervos periféricos e a pele.

A doença já foi conhecida de forma errada e com trágicas conseqüências pelo nome da letra. Mudou de nome, pois a lepra significa em grego e na antiguidade, as doenças escamosas, e à medida que suas causas foram descobertas, essas passaram a ter denominação apropriada. O assunto foi muito discutido e comentado. Ao final uma equipe ficou encarregada de ver onde tem uma colônia de hansenianos e de que forma os pioneiros poderiam ajudar.

Mais tarde todos ficaram sabendo que a maioria das colônias foram extintas no mundo e no Brasil. O estigma da palavra leprosário afastava mais e mais o hanseniano da sociedade. Hoje, A colaboração governamental se faz através de hospitais próprios, e ajuda para que a família substitua estas colônias e o tratamento possa ser feito dentro da maior realidade possível.

Dois meses após, os pioneiros começaram o trabalho junto a hansenianos da comunidade, pois receberam treinamento próprio e endereços e assim, nos finais de semana por muitos bairros daquela cidade, viu-se jovens uniformizados, trabalhando e educando uma sociedade local que desconhecia completamente a palavra hanseniana.

A doação inesperada

- Por intermédio de uma amiga, fiquei sabendo que dirigentes da Região Escoteira local, receberam a visita de um Advogado muito conhecido, e que a principio desconheciam o assunto que o mesmo trazia a uma reunião marcada com antecedência. Para surpresa de todos, um conhecido empresário, conhecido pela magnificência e trabalho comunitário, fizera questão de doar uma bela quantia ao movimento escoteiro, pois quando jovem fora escoteiro e trazia dentro de si as raízes de uma época áurea, que o marcou durante toda a vida futura.

 Ele, o empresário achava estranho nunca ter sido procurado, pois o contrário não aconteceu devido ele não ter conhecimento de como estava o movimento e quem o dirigia. Sua colaboração através de doação, também colocaria esta região escoteira no seu testamento com anuência de suas família e quando ele como dizia folgadamente, passasse desta para a melhor. Ele somente exigia que houvesse relatórios mensais, enviado a sua empresa, para que fosse analisado onde estaria sendo empregado sua colaboração financeira.

 Tudo isto aconteceu devido a um numero elevado de profissionais escoteiros, que estavam fazendo um excelente trabalho na comunidade e o havia visitado no mês anterior. Também ele fizera sua parte, comunicado a outros amigos e indicando a cada um como provável doador ao movimento escoteiro. O marketing era uma marca toda especial feita pela região escoteira e os resultados começaram a aparecer.

Dias antes durante a comemoração de uma data especial, tinham eles conseguido que a direção nacional fosse entrevistada em um programa de alcance nacional e o entrevistador que era um antigo escoteiro e grande admirador disse que nada colaborou antes por não ter sido procurado. Agora ali, junto às autoridades escoteiras nacionais ele via que um grande salto foi dado para o crescimento do escotismo em nosso país. Com a conseqüente diminuição da evasão e a aplicação correta do método escoteiro, houve uma melhoria significativa na formação de adultos que conseqüentemente era transmitida aos jovens.

Nota-se que um grande número de profissionais escoteiros trabalhavam a todo vapor, nas diversas regiões escoteiras, distritos e até em grupos escoteiros. A quantidade e qualidade deram um salto enorme para que o escotismo fosse reconhecido. Esta amiga inclusive me contou um fato acontecido em sua empresa, que na busca de um profissional executivo, o diretor deu preferência a um antigo escoteiro que  recebeu em sua juventude os maiores distintivos especiais tais como o Liz de Ouro e Escoteiro da Pátria.

Ele, sabendo que na história de outro pais dava-se grande valor aos ex-escoteiros, tomou conhecimento que em determinada época, para ser aceito como candidato a astronauta da NASA, era preciso ter sido escoteiro e recebido “o eagle scout” o maior distintivo entregue aos jovens americanos.

Sonhar não é bom?

"A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

APRENDER A FAZER FAZENDO



APRENDER A FAZER FAZENDO

Não confunda jamais conhecimento com sabedoria. Um o ajuda a ganhar a vida; o outro a construir uma vida.
Sandra Carey

           Uma das máximas do escotismo, tão importante e que BP sempre enfatizou, diz que nós chefes escoteiros, devemos fazer o tudo para que nossos monitores conduzam a própria patrulha. Quando um escotista está sempre olhando se preocupando, não deixando que eles façam sempre para aprender, é um erro e foge completamente do mais puro e mais correto ensinamento que temos.
         Aprender a fazer fazendo. Hoje as escolas, organizações e até universidades usam esse método e estão tirando proveito, mais que nós escotistas cujo fundador foi o idealizador do método. E ainda tem alguns educadores que nos chamam de um movimento atrasado e ineficaz. Afinal existe maneira melhor para aprender? Errar quantas vezes for até fazer o certo?

         Existem diversas maneiras para fazermos isto. Primeiro, dando a eles toda a liberdade para programar o programa, ficando a cargo da chefia somente elementos surpresas e condições físicas e ambientais. Outro dia, comentava com um jovem sênior, sobre o programa da tropa, e ele me dizia que a chefia fazia tudo. Perguntei se ele não opinava e me disse que não, pois assim havia surpresa no programa. Finalizei perguntando se no ano anterior quantos entraram e quantos tinham saído? Sua resposta – Somos somente quatro. Os demais saíram e ninguém entrou. Aí veio a realidade. Ali nunca foi dado aos seniores a liberdade de aprender a fazer fazendo. Tanto fizeram para eles que resolveram sair.

        Uma guia me respondeu que nunca pensaram em fazer nada. O chefe fazia tudo, assim ficava mais fácil. Elas não tinham de se esforçar, havia sempre um ar de mistério e todos gostavam. Perguntei como sempre, - Quantos vocês eram no ano passado? O mesmo número de hoje, somos seis, claro, saíram quatro e entraram quatro. Não perdemos nada!

       Como não existem bons programas que despertem seus interesses e os mantenham na ativa, ficam sempre comentando, programando, e contando os dias de alguma atividade regional ou nacional. Não tiveram outra em suas tropas que marcaram e pedem bis. Ali nessas atividades eles se realizam, não pelo programa em si, mais pela amizade e fraternidade. Ali nada farão a não ser divertir. Tudo já está pronto, até as refeições. A Direção programou tudo. Desde a chegada ao término. Tudo feito de antemão. Eles serão um Bon vivant. Ou seja, “Comemos e bebemos, a Deus agradecemos”.

        Sempre em toda minha vida escoteira, tentei mostrar as vantagens de deixar os jovens fazer. Seja seu crescimento individual, sua evolução técnica, e lembrava que todos, escoteiros e escoteiras tinham e tem em seus bairros ou ruas amigos de infância, que se encontravam sempre, faziam seu próprio programa e ficavam eternamente juntos. Nenhum deles jamais reclamou do programa que planejaram ou fizeram.

       Em artigo aqui comentei e repisei sobre o programa da tropa. A patrulha tem condições para fazê-lo. Muito mesmo. Claro, não todo ele, mas boa parte sim. E alguns até me disseram que o programa seria ruim, e eles poderiam não gostar. Mas você já tentou? Pelo menos tentou? Agora não é somente em uma ou duas reuniões que você vai conseguir motivá-los. Isso é como se fosse uma pescaria. Tem de escolher a isca, a vara e o local onde vai pescar.

       Pela minha experiência em tropas, sempre vi que os jovens que fazem seu próprio programa, ficam mais tempo no escotismo. Facilitam sobremaneira o desenvolvimento de uma atividade, onde a técnica e o conhecimento adquirido é desenvolvido de maneira impar. Se você usa bem a Corte de Honra, se sua tropa faz semanalmente um Conselho de Patrulha e se você tem sua patrulha de monitores bem formada, você sabe como é. Sucesso na certa.  

       É comum encontrarmos escotistas construindo pioneirias e os jovens formados em circulo olhando ou dando ferramenta ou madeirame. Ele esqueceu que já é formado na escola da vida e quem precisa disso são os escoteiros e as escoteiras. Sua época já passou. Ele agora é um chefe, sua função é outra. Não ficar mostrando que sabe fazer ou é um mestre mateiro. Inclusive um me disse que assim é melhor, pois os escoteiros podem ver como fazer e aprender no futuro. Não pegou nada.

      Por experiência própria, as tropas que atuam dentro do método, tem melhor desenvolvimento e se orgulham do que fizeram. Observe a alegria de uma patrulha que fez uma mesa mesmo que torta e quase caindo e outra olhando o chefe fazer. A arte de aprender fazendo também se aplica ao programa da tropa. Muitos chefes alegam que eles não entendem, não sabem como fazer, e acha que tudo vai dar errado com muitos meninos saindo por esse motivo.

     Temos que acreditar. É nossa obrigação. Conheço excelentes tropas, que se formam maravilhosamente, perfilam feito soldadinhos, cantam como passarinhos, jogam de maneira espetacular as atividades próprias, enfim quem não conhece o método escoteiro diria que é uma tropa modelo. Por outro lado já vi tropas usando o método correto, aprendendo a fazer fazendo que se saíram muito bem em tudo àquilo que é exigido deles. Agora com mais sabor, eles fizeram.

      Esqueçam o “Não vai dar – É impossível – Eles não sabe escolher e programar” isso não é verdade. Claro não é de um dia para outro que o chefe terá os resultados esperados. Aprender a pescar demora. Talvez o chefe que ainda não conseguiu não deu a isca certa.

      É preciso lembrar que nosso movimento tem características próprias. Colocar jovens em forma, marchar, perfilar, saudar, gritar e cantar conforme já disse, qualquer um com boa postura e voz de comando consegue. Mas esse não é o chefe que esperamos ter. O chefe que precisamos é aquele calmo, que fala pouco, que confia é um irmão mais velho, um aconselhador, tutor, não o dono de tudo. E ainda tem aqueles que dizem – Esta é minha tropa, esta é minha patrulha, este é meu monitor, esta é minha escoteira. Caramba comprou tudo?  

      Experimente. Dê um prazo para você e para eles. Com o tempo irá se surpreender. Se mostrar aos monitores onde devem chegar, eles chegarão lá sem sombra de duvida. Confiar faz parte do método. Quem ensina e adestra é o monitor. Você sim é o monitor dos seus monitores.

       Se isso acontecer, irá ver maravilhas no crescimento de sua tropa. Tenho certeza que a evasão irá diminuir muito. Os amigos que não participam iram interessar e em pouco tempo as vagas serão preenchidas e a fila de espera irá crescer. Lembre-se, entra ano e sai ano, o melhor programa é feito pelos jovens, em seus bairros, na sua comunidade junto com seus amigos. Se for um programa ruim ou não eles gostam e estão lá sempre participando. Acredito que você não viu nenhum adulto lá com eles fazendo o programa e eles assistindo. Tenho certeza que não.

      Quando a tropa caminha com suas próprias pernas, quem ganha são os jovens e você. Eles porque estão aprendendo o que o escotismo se propôs, você porque vai ter mais tempo para eles e para sua família. Experimente não custa nada tentar. E vai se surpreender com os resultados.

"A felicidade não está no fim da jornada, e sim em cada curva
“do caminho que percorremos para encontrá-la.”
Anônimo