Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A BORBOLETA DOURADA




A BORBOLETA DOURADA
(Bellah Leite Cordeiro)

          De tempos em tempos as borboletas se reuniam no bosque para conversarem, trocarem idéias e se conhecerem melhor. As borboletas novas se apresentavam à comunidade e as mais velhas as admiravam por sua beleza e as animavam para o trabalho junto às flores. Todas tinham a missão de espalhar o pólen e assim levar a beleza a toda parte: às matas, às florestas, aos bosques e aos jardins. Sentado à porta de sua casa, um velho gafanhoto observava a passagem das borboletas.

          Todas o cumprimentavam respeitosamente, pois o velho gafanhoto era tido e realmente era um grande sábio.

          Até que, se aproximou dele uma borboletinha bem jovem, inexperiente, e, diga-se de passagem, bastante sem graça...

          - Bom dia, senhor Gafanhoto! – disse ela timidamente.
          - Bom dia! – respondeu o gafanhoto – Vai à reunião das borboletas pela primeira vez?

          - É isso aí! – falou a borboleta insegura – E estou um pouco preocupada... Será que vão gostar de mim?

          Diga com franqueza: você não me acha meio feiosa, minha cor não ajuda e as minhas asas são grandes demais?

          - Não! – respondeu o velho gafanhoto - Cada um é como é! E a aparência das coisas não é muito importante.

          Cada um se faz bonito ou feio. – acrescentou o gafanhoto com bondade.
          Na reunião todas conversavam entre si alegremente. Riam e brincavam, mas nem olhavam para a borboleta dourada. Era como se ela não existisse. Foi à última a deixar a reunião, na esperança de que alguém ainda a visse e falasse com ela. Mas nada!

          Ninguém a enxergou ninguém reparou nela.

          Quando na volta para casa, passou novamente pela casa do velho e sábio gafanhoto e ele perguntou:

          - Olá borboletinha, não vem da reunião das borboletas? Então... Que tristeza é essa? Não te trataram bem?

          - Pra ser sincera, nem me viram... Ninguém me notou na reunião.
          - Ora borboleta, espera aí! Você não é feia como pensa! Falta-lhe um pouquinho de charme... Talvez... Mais isso não é difícil conseguir. Se quiser ouvir os meus conselhos...

         -Ah, senhor gafanhoto! Seria um favor! Eu sei, os seus conselhos são maravilhosos! O senhor já ajudou muita gente a ser feliz!

         - Em primeiro lugar, quero saber por que você não usa uma das armas mais poderosas que todos nós possuímos para ser felizes: O SORRISO!
         - O sorriso? – perguntou a borboleta espantada.

         - Sim, o sorriso ilumina o nosso rosto! Faz a alegria sair de dentro do coração da gente e se espalhar, deixando todos em volta de nós, muito alegres!

         - Mas como vou sorrir se eu não estou alegre?
         - Ora Borboletinha! Neste mundo não existe ninguém que não tenha um motivo para ficar alegre! É só procurar! Você não acha maravilhoso o fato de poder voar?

         - Ah! Isso eu acho mesmo! É legal demais voar por cima de tudo! Fazer piruetas, pousar em qualquer lugar, ir para qualquer parte... É claro! Voar é muito bom mesmo.
    
         - O seu trabalho não é espalhar o pólen das flores para multiplicá-las por toda parte?
         - É exatamente esse o meu trabalho!

         - Espalhar a beleza por onde passa será esse um trabalho qualquer? Não é maravilhoso fazer isso?

         - Pra falar com franqueza, não reparo. Faço o meu trabalho por obrigação!
         - Repare então criatura! – tornou a insistir o gafanhoto – Verá que beleza existe em volta de você! Experimente sorrir, seu sorriso será um grande aliado. Pois todo mundo gosta de um belo sorriso! Procure também, fazer as coisas por amor, e não por obrigação!

           A borboleta animada agradeceu os conselhos e voou confiante e esperançosa.

Feliz, ela vinha observando a beleza do pôr-do-sol e o vento a brincar com a folhagem das árvores.

         - Coisa linda! – pensou – Esse lugar onde moro é realmente uma beleza!
De repente notou que estava sorrindo e sentiu esse sorriso vir do fundo do seu coração.

            Estava assim, distraída quando ouviu uma vozinha muito fraca a chamá-la:
         - Olá... Borboletinha! Você parece ser tão boa. Poderia ajudar-me? Estou coberta de areia e não consigo livrar-me dela. Você não dará um jeitinho?

           Era uma formiguinha já quase sem fôlego a se debater na areia.
         - Pois não! – Falou a borboletinha aflita descendo imediatamente para bem perto dela.
         – Estou aqui para ajudá-la!
         - Vi o seu sorriso tão bonito por isso me animei a pedir ajuda. Quem sorri como você, só pode ter um coração cheinho de coisas boas!

          Essas palavras da formiga foram as mais lindas ouvidas pela borboleta até aquele dia, e jamais se sentira tão feliz!
          Em sua grande alegria a borboleta teve um desejo enorme de cantar e dançar numa revoada de felicidade.

          Um besourinho ao passar ao seu lado voando também, falou:
        - Como você dança bem! E é linda sabia?
        - Obrigada! – respondeu a borboleta meio sem jeito, pois nunca havia sido elogiada antes – Suas asas também são muito bonitas sabe? Cada um é bonito ao seu jeito!

          E lá se foi o besourinho alegremente a dançar também, feliz com as palavras da borboleta.

          Daí por diante, começou a observar tudo: a relva, as árvores, o céu, as nuvens, a brisa, a chuva, as montanhas ao longe...

          Nada mais escapava de sua vista e tudo era importante pra ela.
          Encantada, olhava as flores, reparava na beleza de cada uma, conversava com elas e, sem querer, passou a fazer o seu trabalho de todos os dias com um amor enorme brotando em seu coração.

        - É incrível mesmo, a diferença de quando se faz tudo com amor!
          O tempo foi passando e a borboleta era cada vez mais feliz, pois por onde passava sentia como era querida. Todos a festejavam e a olhavam com grande simpatia. Todo mundo queria conversar, dançar e brincar com essa borboletinha tão gentil, sempre a sorrir para todos.

          A sua tarefa diária a borboleta passou a fazê-la muito melhor! É claro! Agora fazia com amor!Afinal, chegou o dia da nova reunião das borboletas.  
      
          Muito alegre ela recebeu a notícia. Na data marcada, saiu de casa mais cedo.                       Queria passar pela casa do gafanhoto antes da reunião, pois desejava agradecer-lhe pessoalmente os conselhos preciosos e quase mágicos. Como algumas poucas palavras boas podem ajudar tanto!

          A chegada da borboleta à reunião foi sensacional! Todas pararam para admirá-la.

         -Mas que borboleta linda!- diziam.
         - É dourada!... Venham ver!
         - Parece luminosa! Você é superlegal!
          Todas as rodearam alegremente, e perguntaram:
         - Você é uma das novas, não é? É a primeira vez que vem aqui?
         - Não! –respondeu ela - Já estive aqui na reunião passada, mas ninguém me notou!

         - Não é possível! Você é linda demais! É uma borboleta dourada! Sabe lá o que é ser uma borboleta dourada? Ninguém deixaria de vê-la!

         –Essa é uma história muito comprida... Qualquer dia eu conto a vocês. Agora quero me apresentar a todas as borboletas, quero conhecer todas as minhas irmãs, conversar com elas e se muito amiga da comunidade das borboletas. À tardinha, depois de sair da reunião, passou novamente pela casa do velho gafanhoto.          Desta vez queria fazer-lhe uma pergunta:

         - Senhor gafanhoto, diga-me uma coisa: eu mudei de cor?
         - Não borboletinha, a sua cor é a mesma...
         – Por que então me chamam de borboleta dourada?
         - Mas você é uma borboleta dourada! Sempre foi... Apenas a sua beleza estava escondida.

         - Agora você reflete o seu interior! E é dele que vem a verdadeira beleza: A que sai do coração e se reflete em todo o ser!

         - Por isso você está luminosa e linda!

         - Você agora, é a borboleta dourada mais linda que eu já vi em toda a minha vida!

O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

OS PAIS E O ESCOTISMO


Chefe Sauro Bartolomei – DCIM – 1977 – Um grande Escotista. Sua memória ficou marcada em muitos que o conheceram.

Minha homenagem a ele publicando um artigo de sua autoria.

OS PAIS E O ESCOTISMO

O jovem ingressa no Escotismo através da admissão de seus pais, como sócios contribuintes e mantenedores do Grupo Escoteiro.

Não é apenas a criança ou o jovem que entram para o Grupo, como é crença geral. Assim, quando a família é aceita no Grupo, as crianças passam a aspirantes e seus pais membros da Assembléia.

Gozam de regalias, mas tem deveres e obrigações dentro do Grupo Escoteiro, que daí por diante, deverá contar com sua colaboração.

É necessário que os pais compreendam que o Movimento Escoteiro pode fazer muito pelos seus filhos. Não é apenas um “mundo de aventuras”...

É um trabalho de formação educativa que deverá ser desenvolvido entre pais e chefes.

Reconhecido seu valor educativo, temos que proporcionar meios para que ele exista e que possa ser aplicado em sua plenitude.

O Escotismo precisa de duas formas de cooperação: material e humana, pois é uma atividade independente, vivendo de seus próprios recursos. São os pais que mantém o Grupo.

Não basta o trabalho dos Chefes, acampamentos e excursões. Torna-se necessário o sentimento de Escotismo dentro do lar. Algo que não se deixe de lado quando se tira o uniforme.

Devem ser orientados pela Promessa e Lei Escoteira em todos os momentos de suas vidas.

O Grupo também precisa de material didático, de sede e de campismo, manutenção e substituição dos mesmos. Quanto melhor equipado for o Grupo, melhores serão as condições para realizar um bom trabalho, com maior segurança.  Sem essa assistência material, o Grupo não sobrevive.

É necessário uma sede. Grande ou pequena, própria ou emprestada, para abrigar nossos jovens e guardar o material. E, porque não uma sede própria? Construir sem o fantasma eterno da mudança, os Cantos de Patrulha, a Gruta dos Lobinhos, uma oficina para reparo de material, uma sala para Diretoria e Chefia uma cozinha.... Ela será para todos, mais do que uma construção de tijolos e madeira.

Será a imagem de um grande ideal, o entrosamento completo entre pais, filhos e Chefia.  Mas, se de um lado focalizamos o problema material de um Grupo, ainda existe outro importantíssimo: o da Chefia.

Os Chefes mais antigos vão se tornando cansados. Há um desgaste natural do Chefe ao lidar com as crianças e jovens por muito tempo. A aventura passa a ser rotina, o entusiasmo transforma-se em obrigação e a vivacidade em monotonia. A evasão tem início.

Os pais ficam descontentes, os Chefes sentem-se frustrados e os jovens insatisfeitos.

Como resolver esses problemas?

Novos Chefes são necessários, somando-se aos mais experientes e trazendo novamente a dinâmica do “sangue novo”.
Todos sabem como é difícil orientar diretamente o adolescente. Sua tendência natural é seguir a sua turma, suas idéias e ações. Hoje em dia isso pode se tornar um perigo!

A única forma de chegar até eles é conseguir orientar discretamente o meio em que freqüentam, sendo aceito por eles e a sua turma.

O Grupo precisa de Chefes e o pai de uma oportunidade para ficar realmente ao lado de seu filho, fazendo parte da turma.

Precisamos de pais que queiram ajudar a lidar com estes jovens ávidos de conhecimentos e aventuras, inquietos, turbulentos e que muito tem a receber.

Apenas colocar o filho no Escotismo não é suficiente. É muito passivo!

Amanhã, talvez arrepender-se-á de não ter dado um pouco mais de si, aos seus filhos e outros jovens que convivem com eles.

Basta que se decida e, compreendendo a situação, venha se colocar ao lado da Chefia e Diretoria, convicto que está fazendo algo para a juventude e seus próprios filhos, dedicando-se ao Movimento Escoteiro, colaborando para que os jovens de hoje, tenham um futuro melhor.

O Grupo Escoteiro que puder contar com a assistência material e humana dos pais, pode se sentir realizado.

Estará proporcionando compreensão, trabalho, dedicação, altruísmo e amor.

Seu filho, nesse ambiente, será feliz.

Sauro Bartolomei – DCIM – 1977
25º SP Grupo Escoteiro Nove de Julho

domingo, 18 de dezembro de 2011

A MARIA FUMAÇA E O VALE DO RIO DOCE, DOCES LEMBRANÇAS



A Maria fumaça e o Vale do Rio Doce, doces lembranças

Viajar de trem sempre foi uma das minhas escolhas pessoais, era como se o mundo mudasse de rumo e eu seguia em uma direção escolhida por ele. Hoje não posso mais fazer isso, mas um dia se puder, quero de novo embarcar para uma viagem que pode até ser sem volta. Não vai importar. Minha alegria irá superar tudo, pois estarei fazendo a viagem que sempre fiz e nunca esqueci.

É um privilégio uma viagem de trem. São tantas coisas que dificilmente poderíamos descrever todas. Quem viaja se diverte, sonha, vê um mundo diferente. A Maria Fumaça sempre foi um dos meus amores quando jovem. Margeando um rio, com seus apitos estridentes, uma parada em uma pequena estação, alguns saltam outros sobem. O cheiro do trem ninguém esquece. As fagulhas lançadas no ar, as paradas nas caixas d’água para matar a sede da locomotiva. E os guarda-pós? Usei muitos. Não sei por que, todos brancos.

     Muitas vezes alguns funcionários da ferrovia passam despercebidos. A gente na poltrona sonhando não sabe quantos estão trabalhando para que o trem siga seu destino. Ver a estratégia do manobreiro, simplicidade do guarda-chaves alterando o percurso do trem, da destreza do maquinista, do esforço do foguista alimentando a fornalha sempre faminta, do trabalho do pessoal da soca, a fazer os reparos necessários e o do fiscal de linha garantindo a segurança da viagem. É um espetáculo A parte.

A locomotiva devagar ou correndo, durante o dia apitando, um som maravilhoso que devia encantar o maquinista que gostava de puxar o cordão do apito. As paradas nas estações, a aglomeração dos que chegavam e os que partiam. Os meninos com suas “coisas” vendendo e gritando – Olha o sanduiche de galinha, olha a manga madura! Doce de leite e doce de abobora quem quer? O apito do chefe do trem, ele devagar saindo da estação, a meninada correndo.

À noite, as luzes dos carros de passageiros acesas, a segunda classe, a primeira classe. Um espetáculo ver o condutor do trem, com seus bigodes imensos, seu uniforme impecável, e seu boné bem colocado na cabeça, começando seu périplo em todos os vagões. Uma rotina de anos, seu inconfundível apito para anunciar a partida do trem, e agora ali depois de percorrer os vagões da frente pedia educadamente – Bilhetes! Bilhetes! E todos sorridentes, com ele a mão para ver como ele picotava e perfurava numa manobra de deixar todos os passageiros embasbacados.

Eu tinha conhecido todos os tipos de trem. Para mim as que mais gostava era da “Jibóia” enorme, gigante, com varias rodas. As “baldwins” me chamavam a atenção, por ser uma Maria fumaça pequenina. Tão pequena que sua chaminé abarcava todo seu todo.

Com era gostoso ficar ali na janela, vendo o trem cortando montanhas, apitando, soltando fumaça, mostrando que ali em seu caminho é ele quem manda. Quem teve o privilégio de viajar em uma Maria fumaça, de primeira ou segunda classe, não esquece nunca. Vai sempre margeando um rio, caudaloso ou não, ali vai ela, seguindo o seu curso natural. Seu destino uma próxima cidade, uma arraial, um sitio, um parada no meio do caminho.

O barulho e o cheiro do trem é uma experiência muito viva. Sinto saudades da Maria-fumaça. Da volta da ferradura. Do guarda-pó para nos proteger das fagulhas lançadas pela locomotiva enfurecida. Das paradas na caixa d’água para matar a sede insaciável da Maria-fumaça. Do som inconfundível do apito do condutor que anunciava a partida do trem e depois percorria os vagões de passageiros para perfurar e vender os bilhetes. Do malabarismo dos guarda-freios puxando a corda e pulando de um vagão para o outro com o trem em movimento
.
Uma vez amigo de um foguista, ele me convidou para uma viagem de uma estação a outra. Trecho pequeno, mas foi para mim uma tremenda felicidade. Ver o maquinista olhando a frente, seu apito inconfundível (ele olhava para mim e sorria). O esforço do meu amigo foguista alimentando a fornalha sempre faminta. Difícil imaginar quantos estavam envolvidos para que aquele trem percorresse seu caminho, sem perigos, e chamando a atenção de todos que moravam próximo a linha.

Depois, passaram-se os anos e a Maria Fumaças foram trocadas por locomotivas a Diesel. Mesmo assim, minhas viagens nunca deixaram de acontecer. Lembro que com minha família, sempre íamos para passar uns dias em Vitoria, e o trem percorrendo aqueles trechos maravilhosos, as paradas nas estações, a meninada de novo gritando e vendendo frutas, salgados, uma festa. 
O condutor sorrindo a dizer bem alto “Próxima estação, Aimorés!”. É uma saudade imensa. Foi uma época maravilhosa. O Rio Doce caudaloso, águas límpidas (hoje não é mais) Era também um espetáculo a parte a passagem de trem por outro em alta velocidade.

Hoje não tenho mais esta oportunidade de viagem. Anunciam aos quatro ventos um tal de trem bala. Acho que não vou viajar nele. Não vai me deixar ver o rio, as paisagens, a meninada com aquela algazarra na estação. Não será o trem dos meus sonhos. O que foi ficou no passado. Difícil enfrentar a modernidade. Não sei se gosto dela.

Meus filhos e meus netos não terão oportunidade de viver o que vivi. Não tem mais Maria fumaça. Não tem mais meninos vendendo frutas e salgados. Acho que nem o condutor do trem com seu uniforme impecável e perfurar os bilhetes com maestria não mais existem. É melhor ficar só com as lembranças. Estas sim mostraram uma outro época e a de agora não é para mim. Quem sabe serão para os meus filhos e netos.

"Lá vai o trem com o menino
Lá vai à vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
P’ro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo ar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar, no ar.”
 (O trenzinho caipira: Heitor Villa Lobos)

sábado, 17 de dezembro de 2011

NUNCA TÃO POUCOS FIZERAM TANTO POR TANTOS



"NUNCA TÃO POUCOS FIZERAM TANTO POR TANTOS"
(palavras de Winston Churchill, no final da Batalha da Normandia, com a libertação da Europa das forças alemãs)
Nosso país passa por um momento difícil. Para alguns momentos de transição, para outros caminhamos para o caos. A corrupção grassa nos meios políticos e em muitas organizações brasileiras. Enquanto milhares de brasileiros levantam cedo e com seu suor ganham o pão de cada dia, ficamos cada vez mais abismados com o que vemos nos noticiosos nacionais.
Ficamos em duvida quando nos lembramos de frases que nos marcaram no passado e que ainda resiste em nosso pensamento:
- A honestidade fingida é desonestidade dobrada;
- Alcançar o sucesso pelos próprios méritos. Vitoriosos os que assim procedem;
- Para o homem honesto uma boa reputação é a melhor herança;
- O trabalho afasta três grandes males: O ódio, o vício e a necessidade;
- Um homem honesto não sente prazer no exercício do poder sobre seus iguais;
- Devemos julgar um homem mais por suas perguntas que pelas suas respostas;
- Se queres ser feliz por um dia vingue-se; por toda a vida, perdoe;
- Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio.
Aristóteles já dizia a muitos e muitos anos atrás – “Nosso caráter é o resultado da nossa conduta”.
Porque escrevi isso? “Talvez por querer mudar um pais dos seus erros que tão poucos estão cometendo em nome de tão muitos”.
Mas por outro lado, temos “tão poucos fazendo tanto por tantos”. Sim o MOVIMENTO ESCOTEIRO. Uma força na comunidade. Apenas algumas algumas horas em um fim de semana. Pouco, muito pouco. Mas como produzem. Como marcam! É um passo gigantesco para mostrar uma juventude forte, sadia, cheia de valores e que nos orgulhamos nesta pequena gota de orvalho de um amanhecer glorioso.
Se pudéssemos crescer, abancar um grande número de rapazes e moças poderíamos mudar uma nação. Uma nação forte cheia de honra, de ética onde teríamos a altivez em saber que produzimos muito “por tantos”.
Mesmo assim somos felizes, muito. Nós escoteiros nos orgulhamos pelo que fazemos. Poderia ser mais, muito mais, mas pelo menos fazemos.
Parabéns a você, escoteiro, escoteira, ou Escotista. Parabéns mesmo. A nação silenciosa sabe o valor do seu trabalho. Sua recompensa? Um sorriso. Vale muito. Mais de um milhão de tudo que possa existir!
Um dezembro, um final de ano, inicio de outro. Quem sabe poderemos fazer mais? E assim dizer com orgulho:
"Nunca tão poucos fizeram tanto por tantos"

UM EXPLENDIDO SÁBADO A TODOS

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A SUA SEÇÃO CANTA BASTANTE?



  Elmer Souza Pessoa
  "Viver como Escoteiro é crescer como indivíduo!".


Reflexões de um Velho Lobo

49  -  A  SUA SEÇÃO CANTA BASTANTE?

Você tem o hábito de cantar com a sua seção? Todas as reuniões de sede costumam iniciar com uma canção, após a inspeção, hasteamento e oração? Pode ser um Hino, uma canção escoteira ou até uma canção popular... Sente dificuldade, inibição ou é apenas a falta de hábito...

Talvez o chefe tenha esquecido a razão das canções nas reuniões e atividades escoteiras... O tempo é curto e ele tem muitas coisas para pensar e fazer... Às vezes até nos esquecemos que o chefe é um ser humano como qualquer outro, que tem emprego, família e há casos que ainda estão fazendo faculdade e, para a alegria de seus jovens, é chefe da sua Tropa de Escoteiros!

Então, vamos procurar lembrar a todos os chefes o papel da canção na seção e, mais amplamente, no Escotismo!

A canção é um importante recurso de formação! Por isso vamos dar algumas “dicas” de como usar esses recursos, com naturalidade.

Usamos a canção no início da atividade para miscigenar o ambiente inicial. Conforme o horário da reunião, alguns vem de casa ainda meio sonolentos, outros muito ativos, ansiosos com a reunião, outros temerosos em fazer determinada atividade. Alguns com o estômago cheio da refeição e mais lentos por esse motivo, outro talvez nervoso com o boletim recebido e a possibilidade de enfrentar o pai em uma proibição e outras tantas situações emocionais diferentes que podem gerar um comportamento desigual e que pode oscilar da hiperatividade até uma apatia para com a reunião. 

O efeito da canção é quase milagroso! Quando bem aplicada, levanta a moral daqueles que precisam e refreia o entusiasmo daqueles excessos de molecagem, equilibrando o entusiasmo com o desânimo, nivelando por igual o comportamento e preparando a seção para a programação do dia.

E por que acontece isso?  Todos cantando a mesma música, no mesmo ritmo, na mesma altura e tom de voz, fazendo os mesmos gestos, a canção tem o poder de, praticamente, igualar a todos, tendendo a torná-los uma só mente em toda a seção.  
Todos sabem que a canção pode alegrar um ambiente, torná-lo feliz e descontraído, bastando ser uma música alegre, fácil de cantar e até com movimentos. Pode baixar o ânimo, criar desânimo e tristeza, se for uma música sentimental e melancólica. Pode gerar motivação, prontidão e até disposição para um confronto se for um hino patriótico. 

Fazer crescer o espírito natalino, compaixão, solidariedade, fraternidade, como acontece quando ouvimos as músicas de Natal! Criar um momento de reflexão e religiosidade em um culto ecumênico ou um ato inter-religioso, ou mesmo indo ao outro extremo, tocando músicas sinistras e próprias para as festas de Halloween irão produzir o medo, suspense e terror...

É só saber usá-las! Existem aos milhares em nossos cancioneiros escoteiros e também nos populares. A canção corretamente escolhida, e aplicada no momento certo, é capaz de mudar totalmente o ambiente, tornando a seção atenta e receptiva! Esse recurso pode ser usado em qualquer momento da atividade, ou quando perceber que existe o perigo de se instalar o desânimo.

As canções mais fáceis de cantar, principalmente quando recebemos a visita de outro Grupo Escoteiro, é a “canção com guia” a qual um chefe puxa a letra e os outros repetem. Não há erro e dispensa a necessidade de todos conhecerem a letra e a música. É só seguir o guia...

Não se deve levar em conta o fato que as músicas são cantadas diferentes por outros Grupos. É bastante comum um Grupo cantar uma canção conhecida, com letra e até a música diferente da cantada pelo outro Grupo. No Escotismo existe muita paródia, isto é, em uma música popular bastante conhecida é colocada uma letra escoteira. Isto fere os direitos autorais, mas citando o autor original, é relevada porque não tem objetivos comerciais.

Um bom Grupo Escoteiro não pode dispensar este recurso e, principalmente, privar seus jovens de um divertimento sadio e ao alcance de todos. Quem nunca participou de um Festival de Canções Escoteiras? É o lugar adequado para ser apresentados novos cantores escoteiros, novas canções com músicas inéditas, novos arranjos musicais e uma juventude alegre e descontraída.

Se você ainda não tem o habito de cantar, comece o mais rápido possível e verá como sua seção se tornará mais alegre e susceptível a sua direção. E isto acontecerá em pouco tempo, pois você terá jovens mais felizes e contentes...

É por aí o “caminho das pedras”! É só percorrê-lo.

Elmer S. Pessoa -  DCIM - novembro 2011.
55º MORVAN – Santos/SP

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

MORTE NO GRUPO ESCOTEIRO - Chefe Elmer




Elmer S.Pessoa

13 – Reflexões de um Velho Lobo

                  MORTE  NO  GRUPO  ESCOTEIRO

Certa vez, um Grupo Escoteiro estava em uma situação muito difícil.

As reuniões não iam bem, os Escotistas desmotivados, as atividades externas não aconteciam há bastante tempo...   Alguns já falavam até em fechar o Grupo...

Faltavam recursos humanos e financeiros.

Era preciso fazer algo para reverter o caos, mais ninguém queria assumir nada.

Havia algumas idéias, mas sempre para outros fazerem e, o pior, é que ninguém tinha tempo...

Pelo contrário, o pessoal apenas reclamava que as coisas andavam ruins no Grupo e que não havia perspectivas de progresso.

Eles achavam que alguém devia tomar a iniciativa de reverter àquela situação.

Um dia, quando os Escotistas e Dirigentes chegaram para a reunião do Grupo, encontraram na porta da sede, um cartaz enorme no qual estava escrito: “– Faleceu ontem a pessoa que impedia o seu crescimento e também o crescimento do Grupo Escoteiro. Você está convidado para o velório, na sala principal da sede”.

No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois, ficaram curiosos para saber quem estava bloqueando o progresso do Grupo Escoteiro e até o dele próprio.

A agitação no velório tornou-se tão grande que foi preciso formar uma fila para ver o corpo.

Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava e alguns chegaram até a comentar já com um pouco raiva:

“- Quem será que estava atrapalhando o meu progresso? Ainda bem que este infeliz morreu!”

Um a um, os membros do Grupo, agitados, aproximavam-se do caixão, olhavam  e engoliam a seco. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e saiam cabisbaixos.

Certamente vocês já adivinharam: o caixão estava vazio e no visor da tampa, havia por baixo, um espelho comum.

Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: você mesmo!

É muito fácil culpar os outros pelos problemas, mas você já parou para pensar se você mesmo poderia ter feito algo para mudar a situação? Será que realmente você fez o seu melhor possível ou apenas dava idéias para os outros fazerem?

Você é o único responsável por sua vida e pode fazer a diferença na comunidade em que vive, capacitando-se para exercer sua função com eficiência, empenhando-se no seu próprio desenvolvimento  e, como conseqüência,  no crescimento do Grupo Escoteiro.

Não nos propusermos a deixar o mundo melhor do que o encontramos?

Não temos o compromisso de deixarmos cidadãos melhores para habitar esse mundo melhor?

Portanto, vamos todos ressuscitar e reviver nossos ideais!

Vamos fazer a diferença! 

Elmer S. Pessoa – DCIM
55º Morvan – Santos/SP – 1970
(conto adaptado de autor desconhecido)