Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Místicas pioneiras.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Místicas pioneiras.

Prefácio: - AS LENDAS DA TÁVOLA REDONDA. – “Qualquer um que extrair... Esta espada desta pedra... Será o Rei da Inglaterra... Por direito de nascimento”!

Pioneiro é um substantivo masculino proveniente do termo em francês pionnier e significa alguém que é o primeiro a abrir caminho através de uma região mal conhecida. Também pode ser um termo que designa um precursor, um desbravador ou descobridor. Também pode ser aquele que prepara os resultados futuros ou explorador de sertões. Por exemplo, nos Estados Unidos, os colonizadores do norte do continente americano eram conhecidos como pioneiros.

VIRTUDES PIONEIRAS.
Os Pioneiros procuram cultuar as virtudes preconizadas na lenda inglesa dos Cavaleiros da Távola Redonda, ou seja:
- VERDADE - - LEALDADE - - ALTRUÍSMO - FRATERNIDADE - PERFEIÇÃO

“agora estou imaginando melhor a pessoa que está lendo este livro. Ora, você não é a pessoa que eu queria que lesse o que escrevi. Você já tem interesse pelo seu futuro e só quer saber o “Caminho para o Sucesso”. Minhas idéias, portanto, irão se colocar sobre as outras que você tinha. Minhas idéias podem corrobar as suas ou talvez o desapontem. Em qualquer dos casos, espero que não se torne menos meu amigo. Mas se já preparou para o futuro, não é a pessoa que realmente desejo como leitor deste livro. Desejo aquele que nunca pensou no futuro sozinho ou que nunca planejou o porvir. Deve  haver uma enorme quantidade de rapazes em nossa Pátria que está sendo arrastado pelas más influências do seu ambiente porque nunca viu caminhos mais limpos. Esses rapazes não sabem que com um pequeno esforço pessoal podem elevar-se sobre o que os cerca e remar na sua rota para o sucesso“.

“Enquanto escrevo estas linhas, está acampado no meu Jardim um exemplo vivo do que eu espero que seja o resultado desse livro numa escala crescente”. De todo o coração espero que isso aconteça. Ele é um vigoroso “Pioneiro’ cerca de 20 anos de idade, portanto um camarada que está se adestrando para ser um homem adulto”. B-P.
(B-P no livro Caminho para o Sucesso).

... Vejamos um pouco mais sobre a mística pioneira. Atendendo à necessidade do Homem de transformar a vida em símbolos, é preciso que as atividades do Ramo se façam envolvidas por uma mística. Como o Homem faz sua história construindo um elo entre fatos passados, os presentes e os futuros, nada mais simples do que buscar, em algum momento da nossa história, situações que se assemelhem com a que vivemos atualmente no Clã para constituírem a Mística do Ramo Pioneiro.

Foi marcante para a humanidade a época dos Cavaleiros, caracterizada pela busca do conhecimento, de novos limites, até mesmo territoriais, e quando os valores morais e religiosos eram muito fortes para a conduta dos homens. E, dessa época, lenda ou não, o que mais tem sido lembrado, histórica e literariamente, é a corte do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Como em todos os fatos passados, não se pode distinguir mais o que foi real do que é fruto da imaginação literária, mas o que importa são os valores transmitidos e que podem servir de estímulo às nossas ações atuais. É o passado possibilitando a concretização do presente.

Falar ou escrever com propriedade e fidedignidade sobre o Rei Arthur é uma tarefa muito difícil, porque simplesmente não existe nada historicamente confiável. Aliás, “Arthur” é um herói que nem consta das linhas do tempo nos sites de história ortodoxa. Para suprir esse vazio, abundam as tradições dos antigos trovadores e novelistas que iam de burgo em burgo cantando as proezas heroicas de um grande guerreiro que unificou as tribos bretãs e expulsou os invasores normandos e saxões provenientes do continente europeu no século V de nossa era cristã.

Na Idade Média, época em que todas as mesas eram compridas, a távola do rei Artur surpreendia as pessoas: "Por ser redonda, ela não tinha nem cabeceira alta, nem cabeceira baixa; por isso, todos sentavam em volta dela como iguais". A Távola Redonda foi um presente do mago Merlin ao rei Artur. Ao seu redor, sentaram-se doze cavaleiros que tinham um ponto em comum: juraram ser honrados em toda e qualquer situação e dedicar-se incansavelmente à busca do Graal, uma taça misteriosa que havia contido o sangue de Cristo. 

Nesses Contos e lendas, dois cavaleiros se destacam: Percival, o Galês, enamorado de Brancaflor, e Lancelot do Lago, talvez o único que nunca traiu a mulher de seus sonhos, mesmo condenado a um amor impossível: ele amava Guinevere, a mulher do rei Artur. Ser membro da ordem da cavalaria era o ideal de todos os jovens da nobreza. Obter essa honra significava viver entre amores e guerras e estar sempre pronto a vencer os desafios com entusiasmo e bravura.

No presente, na vida do pioneiro, também vamos perceber a busca que esse jovem faz para encontrar o conhecimento. Ele como um antigo cavaleiro se aventura por novos caminhos, norteado por um código (Lei Escoteira e Virtudes Pioneiras) e com um lema a seguir: Servir. Diante da semelhança, nada mais natural que se adote como Mística do Ramo Pioneiro a época e os costumes dos Cavaleiros da Távola Redonda.

Tal fato não significa teatralizar os momentos místicos e importantes da vida do pioneiro e, sim, resgatar dos Cavaleiros os costumes e símbolos que são comuns a ambos.

Lembremos que místico é o que contém o caráter de alegoria (falando-se de coisas religiosas); misterioso; relativo à vida espiritual; relativo à devoção religiosa; devoto; aquele que professa o misticismo; aquele que é muito devoto; aquele que escreve acerca do misticismo. No caso do movimento Escoteiro a mística nos guarda lembranças e sentimos orgulho em pertencer a um movimento onde ela tem muito valor. - "Sou forma de vida misteriosamente mística, guiada pelo vento, entre o céu e a terra”.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O Chefe Escoteiro – por Lord Baden-Powell Of Gilwell. O menino. (parte II).



O Chefe Escoteiro – por Lord Baden-Powell Of Gilwell.
O menino. (parte II).

Prefácio: - Segunda e última parte do artigo de Baden-Powell publicado aqui no domingo onde ele comenta sobre o menino escoteiro e a responsabilidade dos chefes.

Lembre-se que o menino, ao entrar, quer começar a espiar imediatamente; assim não entorpecer seu entusiasmo por muito explicação preliminar em primeiro lugar. Conhecer seus desejos por jogos e práticas de escotismo, e incutir detalhes elementares pouco ao pouco depois, como você vai.

“Apesar dos professores e pais, os meninos permanecem leais ao seu próprio mundo". Eles obedecem a seu próprio código, embora seja um código bem diferente daquele que é ensinado a eles em casa e na sala de aula. Eles de bom grado sofrem martírio nas mãos de adultos incompreensíveis, em vez de ser falso para o seu próprio código.

“O código do professor, por exemplo, é a favor do silêncio e da segurança e decoro". O código dos meninos é diametralmente oposto. É a favor de ruído e risco e excitação.

“Diversão, luta e alimentação"! Estes são os três elementos indispensáveis do mundo do menino. Estes são básicos. Eles são o que os meninos são sinceros sobre; e eles não estão associados com professores nem livros escolares. “De acordo com a opinião pública em Boydom, sentar-se durante quatro horas por dia em uma escrivaninha dentro de casa é um desperdício de tempo e luz do dia". Alguém já conheceu um garoto - um menino normal e saudável, que implorou ao pai que lhe comprasse uma mesa? Ou alguém já conheceu um menino que estava correndo ao ar livre?

Vá e pleiteie com a mãe dele para poder sentar-se no desenho sala? "Certamente não". Um menino não é um animal de mesa. Ele não é um animal sentado. Nem ele é um pacifista nem um crente em segurança primeiro, nem um verme-livro, nem um filósofo. Lembre-se que o menino, ao entrar, quer começar a espiar imediatamente; assim não entorpecer seu entusiasmo por muita explicação preliminar em primeiro lugar. Conhecer seus desejos por jogos e práticas de escotismo, e incutir detalhes elementares pouco depois, como você vai.

“Ele é um menino - Deus o abençoe até a borda de diversão e luta e fome e audácia atrevida e barulho e observação e excitação". Se ele é não, ele é anormal. “Deixe a batalha continuar entre o código dos professores e o código de os meninos". Os meninos vão ganhar no futuro como fizeram no passado. Um pouco vai se render e ganhar as bolsas, mas a grande maioria vai persistir em rebelião e crescer para serem os homens mais capazes e mais nobres da nação.

“Não é verdade, por uma questão de história, que Edison, o inventor de mil patentes, foi enviado para casa por seu professor da escola com uma nota dizendo que ele era "muito estúpido para ser ensinado"? “Não é verdade que tanto Newton quanto Darwin, fundadores da ciência método, ambos foram considerados como blockheads por seus professores da escola"?

“Não existem centenas de tais casos, nos quais o duffer do A sala de aula tornou-se útil e eminente mais tarde na vida? E isso não prova que nossos métodos atuais falham em desenvolver as aptidões dos meninos? “Não é possível tratar meninos como meninos? Não podemos adaptar a gramática e história e geografia e aritmética para as exigências do menino de mundo? Não podemos interpretar nossa sabedoria adulta na linguagem da infância?

“Afinal, o menino não está certo em manter seu próprio código de justiça e conquista e aventura"? “Ele não está colocando ação antes de aprender, como deveria fazer"? Ele não é realmente um trabalhador pouco surpreendente, fazendo as coisas por conta própria, por falta de inteligente Liderança?

“Não seria muito mais direto ao ponto se os professores fossem, por um tempo, para se tornarem os alunos e para estudar a maravilhosa vida de menino que eles são no presente tentando em vão refrear e reprimir"? "Por que empurrar contra o fluxo, quando o fluxo, afinal, está sendo executado a direção certa"?

“Não é hora de adaptarmos nossos métodos fúteis e trazê-los para harmonia com os fatos"? Por que deveríamos persistir em dizer tristemente, "garotos serão meninos”, em vez de regozijar-se com a energia e coragem maravilhosas e iniciativa de infância? E qual tarefa pode ser mais nobre e mais agradável para um verdadeiro professor do que para guiar as forças selvagens da natureza menino alegremente ao longo em caminhos de serviço social?

Como Chefe Escoteiro, você vai encontrar desapontamentos e contratempos. Seja paciente. Mais pessoas arruínam seu trabalho e suas carreiras por falta de paciência. Você terá que suportar pacientemente com críticas irritantes e laços burocráticos, mas sua recompensa virá. A satisfação vem com o dever cumprido e ter desenvolvido nos meninos uma vida diferente. É uma recompensa que não pode ser estabelecida por escrito. O fato de ter trabalhado para evitar erros da nossa juventude, dá ao homem o conforto que ele fez algum por seu país, e isto por mais humilde que seja sua posição.

domingo, 21 de outubro de 2018

O Chefe Escoteiro – por Lord Baden-Powell Of Gilwell. O menino. (parte I)



O Chefe Escoteiro – por Lord Baden-Powell Of Gilwell.
O menino. (parte I)

Prefacio: - Um interessante artigo escrito por Baden-Powell que devido ao tamanho desdobrei em duas partes para que cada um interessado possa digerir melhor. Amanhã publico a parte II.

O PRIMEIRO PASSO para o sucesso em treinar seu menino escoteiro é saber algo sobre meninos em geral e depois sobre esse menino em particular. O Dr. Saleeby, em um discurso para a Ethical Society em Londres, disse:
- O primeiro requisito para um professor bem sucedido é o conhecimento da natureza do menino. O menino ou menina não é uma pequena edição de um homem ou mulher, nem um pedaço de papel em branco em que o professor deve escrever, mas cada criança tem o seu curiosidade peculiar, sua inexperiência, um quadro misterioso normal de mente que precisa ser taticamente ajudada, encorajada e moldada ou modificada ou mesmo suprimida.

É bom lembrar, tanto quanto possível, quais eram suas idéias quando fostes um menino. Você mesmo, e então você pode entender melhor seus sentimentos e desejos. As seguintes qualidades do menino devem ser levadas em consideração:

Humor. - Deve ser lembrado que um menino é naturalmente cheio de humor; pode ser no lado superficial, mas ele sempre pode apreciar uma piada e ver o lado engraçado das coisas. E isso de uma vez dá ao trabalhador com meninos um lado agradável e brilhante para o seu trabalho e permite que ele se torne o animador companheiro, em vez do capataz, se ele só se junta à diversão dele.

Coragem. - O menino mediano geralmente consegue arrancar também. Ele não é por natureza um resmungão, embora mais tarde ele possa se tornar um, quando seu auto-respeito morreu fora dele e quando ele esteve muito no companhia de "garras".

Confiança. - Um menino geralmente é extremamente confiante em seus próprios poderes. Portanto, ele não gosta de ser tratado como uma criança e ser instruído a fazer coisas ou como fazê-las. Ele preferia tentar por si mesmo, mesmo embora isso possa levá-lo a erros, mas é só cometer erros que um menino ganha experiência e faz seu personagem.

Nitidez. Um menino é geralmente tão afiado quanto uma agulha. É fácil treinar ele em questões relativas à observação e percebendo as coisas e deduzindo o seu significado.

Amor de Excitação. - O menino da cidade é geralmente mais instável do que o seu
irmãos do campo pelas excitações da cidade, se eles são “uma passagem bombeiro, ou uma boa luta entre dois de seus vizinhos”. “Ele não pode ficar em um emprego por mais de um mês ou dois, porque ele quer mudar”.

Responsividade. - Quando um garoto encontra alguém que se interessa por ele responde e segue onde ele é conduzido, e é aqui que adoração de herói vem como uma grande força para ajudar o chefe dos escoteiros.

Fidelidade. - Esta é uma característica do personagem de um menino que deve inspirar sem limites esperança. Os meninos geralmente são amigos leais entre si e, portanto, são amigáveis vem quase naturalmente para um menino. É o único dever que ele entende. Ele pode parecer egoísta exteriormente, mas, como regra geral, ele é muito dispostos sob a superfície para ser útil para os outros, e é aí que o nosso treinamento de escoteiros encontra um bom solo para trabalhar. Se alguém considera e estuda estes diferentes atributos no menino, em uma posição muito melhor para adaptar o treinamento para atender às suas diferentes propensões. Esse estudo é o primeiro passo para o sucesso do treinamento.

Eu tive o prazer, durante uma semana, de encontrar três meninos em diferentes centros que foram apontados para mim como tendo sido incorrigíveis jovens blackguards e hooligans até que eles ficaram sob a influência do Escotismo. Seus respectivos Chefes Escoteiros tinham, em cada caso, encontrado os bons pontos que subjazem os maus neles, e tendo agarrado sobre estes tinha colocado os meninos para trabalhos que se adequavam ao seu peculiar temperamentos; e há agora estes três, rapazes grandiosos, cada um deles eles fazendo um trabalho esplêndido, totalmente transformado em caráter de seus velhos eu. Valeu a pena ter organizado as tropas apenas para que tivessem esses sucessos únicos.

O Sr. Casson, escrevendo na revista Teachers ’World, descreve esse trabalho complicado da natureza o menino: - “A julgar pela minha própria experiência, eu diria que os meninos têm um mundo seus próprios, um mundo que eles fazem para si mesmos; e nem o professor nem as lições são admitidas neste mundo”. O mundo de um menino tem seus próprios eventos e padrões e código e fofoca e opinião pública.

... Continua na Parte II.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Conversa ao Pé do fogo. Pioneiros.


Conversa ao Pé do fogo.
Pioneiros.

Prefacio: - Artigo um pouco longo. Mas não dá para escrever sobre pioneirismo telegraficamente. Pouco tenho escrito sobre pioneiros. Apesar de ter sido um, eram outros tempos. Gostávamos de aventuras e ainda não era autorizado à participação feminina. Sei que hoje mudou muito. Quem sabe minhas escritas não coadunam com o pioneirismo moderno. Para os que desconhecem a pratica do Clã Pioneiro dedico estas explanações. Aos pioneiros desejo sucesso.

O Clã Pioneiro é voltado aos jovens de 18 a 21 anos incompletos, de ambos os sexos. O programa educativo dessa faixa etária visa aumentar a integração do jovem ao mundo, voltando-se ao serviço à comunidade e ao exercício da cidadania com base nos valores da Promessa e da Lei Escoteira. O lema do pioneiro é SERVIR. A unidade onde ficam os pioneiros e pioneiras é chamado de Clã Pioneiro. A Comissão Administrativa do Clã ou o Conselho do Clã é a autoridade para tratar de todos os assuntos internos de administração, finanças, disciplina e programação.

No Clã Pioneiro os jovens já se tornaram efetivamente adultos na sociedade e estão concluindo a formação dos seus valores e princípios. Por isso, os pioneiros possuem um elevado grau de liberdade, trazendo consigo responsabilidade para, inclusive, programar suas próprias atividades, dentro e fora do Escotismo. Dessa forma, os jovens dessa faixa etária, ao invés de possuírem um Chefe, são orientados por um Mestre Pioneiro e/ou uma Mestra Pioneira. Essas pessoas têm por objetivo instruir os jovens nos bons caminhos e só têm poder de deliberação em casos excepcionais.

O ideal do programa educativo do Movimento Escoteiro é que o jovem que ingresse no Escotismo, independentemente da idade, permaneça até o final de sua vida pioneira, para que vivencie o máximo que o Movimento tem a oferecer. O Livro do fundador Caminho para o Sucesso é base do que B-P pensava sobre o movimento Pioneiro.

A PROMESSA E A LEI PARA OS PIONEIROS E PIONEIRAS SÃO AS MESMAS DOS ESCOTEIROS.

O LEMA DO PIONEIRO É SERVIR!
A ORIGEM DO LEMA.
O Lema Pioneiro "SERVIR" foi adotado por B.P. com base no escudo de armas do Príncipe de Gales, título que até hoje é utilizado pelo futuro herdeiro da Coroa Britânica.

Se observarmos atentamente o escudo, nos depararemos com um detalhe curioso: a inscrição que se encontra no liste diz "ICH DIEN", que não é um termo da língua inglesa, mas do alemão antigo. Esse escudo pertencia ao rei João de Luxemburgo, filho do Imperador Henrique VII, da Prússia (atual Alemanha). O rei João foi morto na batalha de Crecy quando combatia a Inglaterra, que estava sob o comando do filho do Rei da Inglaterra, chamado de Príncipe Negro. Terminado a batalha de Crecy, os estandartes ingleses anunciavam a vitória do Príncipe Negro, que cavalgando pela arena, encontrou o corpo do Rei morto. Sendo informado dos pormenores da morte do Rei, ficou impressionado com a nobreza e dedicação de João, pelo que decidiu levar seu escudo daquele lugar.

Tempos depois, o escudo do Príncipe de Gales estava formado por uma coroa adornada por três plumas de avestruz, em posição assemelhada de uma flor de lis, tendo na parte inferior um listel com os dizeres "ICH DIEN", "EU SIRVO", em língua alemã. B.P. considerou que a herança que guarda a palavra "SERVIR" é digna de ser portada por todos aqueles que, em suas ações e palavras, demonstram, com orgulho e honra o espírito de ser um Verdadeiro Pioneiro.

COMO SURGIU O CLÃ
A 1ª guerra mundial, de 1914, impediu que muitos jovens prosseguissem em seus grupos e ao seu término eles começaram a retornar, porém sem idade para serem escoteiros. Assim, em setembro de 1918, foi escrito um folheto intitulado "Regulamento dos Rovers" (Pioneiros), dentro do Movimento Escoteiro. Em 1920 foram publicados, em duas partes, "Notas sobre o Adestramento dos Rovers". O passo seguinte, importante para o desenvolvimento do Pioneirismo, foi à publicação por Baden Powell de seu livro "Caminho para o Sucesso", com o objetivo de estimular, inspirar e aconselhar livro totalmente voltado para o desenvolvimento do Ramo Pioneiro. No Brasil, o Ramo Pioneiro começou a ser organizado na década de 20 pela Federação Brasileira de Escoteiros do Mar que mantinha um "círculo de pioneiros - CIP", onde reunia os pioneiros de diversos grupos, ao redor da Mesa Pioneira com as virtudes.

O primeiro Clã Pioneiro do Brasil foi o Clã Tiradentes do 10º Grupo Escoteiro do Mar Décimo/RJ, que hoje se encontra como responsável pela Mesa Pioneira histórica do CIP.

SÍMBOLOS DO RAMO PIONEIRO 
A Flor-de-lis:  símbolo  do  Movimento  Escoteiro,  variando  de  associação   para associação, provem de antigos mapas que a utilizam na rosa dos ventos para indicar o Norte. Segundo Baden Powell, representa "o bom caminho que todo escoteiro há de seguir".

 A FORQUILHA: a forquilha encerra em seu simbolismo o firme propósito do Pioneiro investido em continuar enriquecendo o processo de sua vida por pensamentos e ações melhores. A forquilha varia de tamanho, de acordo com a estatura do pioneiro, devendo o seu comprimento ser igual à medida do chão à axila do seu portador. A forquilha é feita de um galho de árvore e se constitui de quatro partes:

A MESA PIONEIRA: A mesa pioneira usada nas reuniões tem um tampo circular, dividido em setores, cada um representando uma virtude que deve ser exercitada e vivida pelo (a) Pioneiro (a). Essa mesa é uma reminiscência da "Távola Redonda" criada pelo Rei Arthur. Seus cavaleiros se colocavam em volta de uma "Távola" (mesa) redonda, circular, como prova de igualdade, sem preferências.

 VIRTUDES PIONEIRAS.
1- Verdade - O escoteiro tem uma só palavra e sua honra vale mais que sua própria vida.
2- Lealdade - O Escoteiro é leal.
3- Altruísmo - O Escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica diariamente uma boa ação.
4- Fraternidade - O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais Escoteiros. O Escoteiro é cortês.
5- Perfeição - O Escoteiro é obediente e disciplinado. 
6- Bondade - O Escoteiro é bom para os animais e as plantas.
7- Consciência - O Escoteiro é econômico e respeita o bem alheio
8- Felicidade - O Escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades.
9- Eficiência
10- Pureza - Escoteiro é limpo de corpo e alma.
  
A CAVERNA PIONEIRA.
É uma sala junto à sede do Grupo Escoteiro, usada para as atividades internas do Clã e dos pioneiros, como: reuniões, debates, jogos, etc.. A decoração, manutenção e limpeza da caverna deve ser de responsabilidade do Clã. Os elementos para a decoração devem ser buscados na Mística e nas tradições do Clã.
A CARTA PIONEIRA:
É o regimento interno do Clã e deve representar a opinião de todos os Pioneiros (as), contendo os princípios nos quais os Pioneiros vão basear sua conduta e as disposições consideradas necessárias para que possam reger o Clã. A Carta não pode entrar em desacordo com o P O R nem com os estatutos da UEB ou com o regulamento do GE.

As CERIMÔNIAS:
As cerimônias no ME têm profundo valor psicológico. Devem ser curtas, simples e sinceras para marcar o indivíduo para o resto de sua vida. Devem ser evitados os excessos e simbologias ou tradições inadequadas e, às vezes, até contrárias ao espírito escoteiro.

A VIGÍLIA.
Embora seja uma atividade do Programa Pioneiro, a vigília pode ser considerada um marco simbólico do Ramo Pioneiro, pois é a partir dela que o jovem define seus valores, sua conduta e sente-se capaz de assumir um compromisso para seu futuro. A vigília é um processo de auto avaliação, na qual o (a) pioneiro (a), através de uma reflexão individual, mas orientada, faz uma avaliação de seu passado, de sua vida presente e o nível de engajamento no Clã, no ME e na sociedade, como cidadão que é. Após fazer esse exame de consciência e procurar definir-se, o jovem faz uma projeção do que pretende que seja o seu futuro e que compromissos buscará assumir diante de si mesmo, de sua família e do Clã.

A CORUJA:
Por ver no escuro e ser considerada séria e dada à meditação, a coruja é símbolo da sabedoria que atravessa a escuridão da ignorância, por isso sua ligação com a vigília pioneira. Os demais símbolos são: uniforme ou vestimenta, lenço escoteiro, aperto de mão, saudação, cadeia da fraternidade, fogo de conselho e grito do Clã (ou a canção criada pelo Clã).

Aguardem para breve outros artigos interessantes sobre o Pioneirismo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Você sabe viver com a natureza?



Conversa ao pé do fogo.
Você sabe viver com a natureza?

Prefácio: - A natureza tem e nos dá coisas incríveis, quando achamos que já vimos tudo, somos surpreendidos. Ela não tem pressa de nos mostrar as grandiosidades que tem.
                      
                           Ainda me pergunto se ainda existem os Escoteiros sonhadores, aqueles que amam estar junto ou ver a natureza em seu esplendor ao vivo e a cores. Será possível que com esta modernidade ainda temos Escoteiros assim? Escoteiros e Escoteiras que amam a natureza, que a respeitam que procuram lugares maravilhosos para conhecer excursionar e acampar? Lugares onde podemos ficar horas observando as paisagens, o verde da floresta, respirando fundo para sentir o cheiro da terra. Piscar levemente quando estiverem em uma campina verdejante, cheia de flores silvestres, borboletas de todas as cores e tamanhos esvoaçando. Isto dá um frenesi na pele, sem perceber vem um sorriso, um encantamento e uma vontade de numa mais sair dali.

                           Dizem que assim fazem os escoteiros poetas, os que tiveram grandes amores, os amantes e pensadores, prosear e contar suas histórias para quem quiser ouvir. Era uma vez... Quantas vezes ele começa assim? - Em um vale perdido na montanha da lua, eu vi um bosque que nasceu em gargantas enormes, despenhadeiros que nos fazia tremer, picos distantes para sentir e ver a interminável obra de Deus...
                          
                           Será que ainda encontramos chefes e Escoteiros caçadores de aventuras? Aqueles que fazem as fotos mais lindas encontram paisagens fantásticas, curtem as cores do arco íris, adoram a vida selvagem e lutam para estar em uma natureza intacta em uma floresta perdida neste mundo de Deus? Acredito que sim. Acho que ainda tem aqueles escoteiros que não desistem do sonho da aventura. Que procuram ver uma aurora no inverno ou um lindo por do sol no verão. E tem aqueles que gostam de sentir o vento no rosto, a brisa da madrugada, o cantar da passarada, um frio de pétalas do orvalho caindo e sorrir ao ver o alvorecer.

                           Quantos tiveram a felicidade em estar em uma colina, ver uma águia no céu com seus olhos negros perscrutando o espaço em busca do seu alimento. Quem sabe sentir que pode tocar no animalzinho da floresta. E sentir através da audição o bater das asas de um beija flor ao levantar voo tão próximo que você nunca mais vai esquecer aquele momento único. Tão lindo que você pode pensar que pode voar com ele também.  

                          Fico pensando se a modernidade tirou os sonhos de outrora, de ver sem ser visto no campo, de olhar o crepitar de uma fogueira sorrir ao ver a beleza das fagulhas subindo aos céus, lentamente levada pela brisa e fechar os olhos tentando acompanha-las. Olhar na chama do fogo, o sorriso da Escoteira, o cantar do Escoteiro, vendo nos seus olhos o sonho de se imaginar como um grande acampador. Quem sabe enquanto eles cantam, naquela noite faceira, estrelas piscando ao longe, uma lua que ainda não veio um cometa que passou um sorriso de madrugada, um alegre despertar e ver de novo o nascer sol, vermelho como se foi no “antante” e na volta do “seguinte” para trazer alegria.  

               Eu posso ate pensar que existe algum escoteiro que viu um grande e belo arco íris, na garganta montanhosa... Viu a jaguatirica de longe parada olhando para onde ir... Quem sabe viu um bando de andorinhas entre nuvens esvoaçantes, fazendo um balé no céu? Meu caro escoteiro um dia você experimentou imitar um pássaro qualquer? Como se estivesse na montanha do Eco ouvir a sua resposta? Ver um canário amarelo com a sua cara metade no seu ninho assustado, protegendo sua pole sem saber o seu fim? Melhor é colocar no lago gelado, os pés do andar de cansado, tentar compreender na pedra, um sapinho que toma sol, ver com carinho gostoso uma cachoeira caindo, peixes que estão subindo a procura do seu habitat.

                   Meu amigo Escoteiro, eu posso lhe garantir, não existe nada mais belo. Sem vozes humanas, sem barulho, sem telefone, sem televisão e só você a sentir a natureza assumindo e encobrindo você da cabeça aos pés. É nesta hora que se adquire a percepção da visão, do olfato, do tato e do paladar e a audição é perfeita. Ninguém mais para dizer sim ou não. À noite, sem falar, sem se mexer a ver o balet dos vagalumes, os grilos saltitantes no meio deles, as formigas serviçais, um tatu que é iluminado nos seus olhos pela chama da fogueira. É incrivelmente belo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Quando termina a motivação o que fazer?



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Quando termina a motivação o que fazer?

Nota - Precisamos mudar, quando? Quando cada um que se julga importante no escotismo olhar sem próprio umbigo e disser: - Somos irmãos de sangue, tu e eu... Afinal pertencemos ou não a grande Fraternidade Badeniana?

                                  Chegando o final de ano. Mais uma leva de chefes entrando para a Legião dos Esquecidos. Quem são eles? São os que desistiram. Tiveram seus motivos. Sabemos que a UEB as Regiões e Distritos não se preocupam com eles. Nem uma cartinha nem um e-mail agradecendo. Os grupos prejudicados correm a procurar substitutos. Quantos já se foram? Mil? Dois mil? Não sei. Poucos irão saber, pois tais informações e senso nunca serão exibidos. Não precisamos estar presentes em cada Grupo Escoteiro para saber como se dá a evasão de adultos e jovens.

                                   Tivemos um crescimento do escotismo em nosso país, uma procura razoável de novos voluntários, principalmente os pais dos novos jovens recém-admitidos. A maioria chegou sorrindo querendo ajudar. Com o tempo o sorriso desapareceu e muitos preferiram deixar o sonho que um dia acreditaram ser para sempre. Hoje após ler um artigo de um que deixou as fileiras da Escoteiros do Brasil fiquei pensando quantos como ele também deixou o escotismo.   

                                 Em alguns Grupos Escoteiros a motivação com o tempo nem sempre acontece e não é fácil aconselhar a ficar quem está decepcionado. Quem não passou por isto? Tem hora que você desanima. Dá vontade de largar tudo e sair por ai. Outros ainda insistem, mas sabem que o caminho a seguir se perdeu. Se procurarmos um serviço de autoajuda para explicar esta evasão, se ouvirmos as belas frases de efeito nem sempre ajudam a voltar atrás.  

                                  Quando entramos no escotismo tudo são flores, sorrisos, promessas de uma nova vida uma filosofia que encanta. Alguns deixam as amizades que tinham em troca de novas que conquistaram. Nos primeiros meses, e até nos primeiros anos aqueles mais chegados que não foram catequisados espantam com tanto carisma, com tanta alegria e demonstração de afeto que ele alcançou um novo patamar, uma nova vida. Agora sou feliz ele pensa. Será mesmo?

                                 Dizem os poetas que o que mais sofremos no mundo não é a dificuldade, é o desânimo em superá-la. Não é a provação, é o desespero diante do sofrimento. Não seria o fracasso e sim a teimosia de não reconhecer os próprios erros. Eu já passei por isto. Inúmeras vezes. Os problemas são diversos. Familiar, profissional, falta de ética, de amor, tratamento diferenciado, de sinceridade dos que se dizem irmãos de uniforme e de sangue e tantos sorrindo para você e você querendo chorar. Sabe da vontade de encontrar um buraco e se enfiar nele. Claro tem os mais fortes. Eles não transmitem para ninguém seus desânimos. São fortes. Tem sempre uma explicação para tudo. Mas será que dizem a verdade?

                              Temos uma matemática Escoteira simples. Trinta e poucas reuniões por ano. Some as reuniões de sede, acampamentos e excursões. Será que chegaremos a aproximadamente quinhentas horas anuais? Vamos considerar pelo menos quatro atividades extra sede de mais ou menos 20 horas por dia, reuniões e atividades distritais, regionais e nacionais. Tudo isto tudo em mais ou menos nove meses, pois muitos têm férias em julho, dezembro e janeiro. Acredito que dedicamos cerca de vinte a trinta dias por ano ao escotismo. Sei de abnegados que dedicam muito mais.  

                             Mas porque então o desanimo? Motivos diversos. O principal deles é a decepção com o ser humano. Querer abancar o mundo e dizer que o líder é aquele que sabe liderar e ser liderado é fácil de dizer. Mas nem todos estão preparados para atuar em liderança principalmente com voluntários. Com o tempo nos sentimos ameaçados daqueles que dizem ser nosso amigo e irmão escoteiro.

                            Nestas horas é que todos nós sentimos a falta de um aperto de mão carinhoso sincero. De um abraço, um sorriso uma palavra de carinho. Afinal o Grupo Escoteiro não é considerado uma grande família? Tem aqueles que nos consideram importantes, mas tem aqueles que queremos distância. Eles nos veem como indesejáveis, subservientes, dispensáveis, e se pudesse diriam: - Vocês estão aqui para servir e mais nada! Lembrem-se da promessa! Para ser como eu tem que “ralar”. Eita desanimo. Dá vontade de sumir de mandar todo mundo às favas.

                           Ninguém sai ao primeiro embate. Insistem, querem ver se eles não estão errados. Afinal fizemos uma promessa e ela nos deu a primazia de sonhar cm um mundo melhor. Insistimos e tentamos dar a volta por cima. Nem todos conseguem. Quem sabe estão aí os motivos desta evasão de adultos e jovens. Quando se vão ninguém se lembra deles mais, parece que não fazem faltas ou estão mortos.

                                Dizem que o programa, os gastos extras, as taxas de cursos, a mensalidade dos filhos mesmo sendo um voluntário poderia explicar a saída. Sinceramente não acredito nisso. Claro que mesmo pagando para ajudar somos tratados como subservientes, como aprendiz, como se o Escotismo fosse um Grande Castelo de Sonhos a explorar. Os mais antigos se sentem importantes. Sempre Alerta Chefão! Alguns adoram isso.

                               Nos cursos alguns gostam de serem bajulados, reconhecidos como mestres, Grandes chefes, Velhos Lobos e se posam como se fossem nosso fundador Baden-Powell. Querem ser o professor ou o chefe que nunca foram. Dificilmente nas horas difíceis virão alguns deles para nos dizer: Aceite meu aperto de mão, meu abraço e saiba que você é muito importante para nós... Contamos com você!

                               Se isso fosse real, se não tivéssemos tantos egoístas e arrogantes para sujar o todo da associação, se o desanimo fosse substituído por um estímulo tão próprio do Movimento Escoteiro isto poderia ser evitado. Cada dia mais aumenta os que deixam nossas fileiras. As novas Associações estão aí para oferecer um cantinho, uma palavra de carinho e conquistam de maneira escoteira os que se foram.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Conversa ao pé do fogo. O dia do Ovo!



Conversa ao pé do fogo.
O dia do Ovo!

Nota - Nada como uma tarde modorrenta e escrever sandices só para divertir. Bem tem gente que não gosta, paciência. Tem outros que nem leem. Tem outros que comentam e tem muitos que estão na praia, ou churrascando e esperando o sábado para escoteirar. Enfim, pelo dito e não dito aqui fica o dia do Chefe Chato de Galocha!

                         Hoje dia 12 de outubro, comemoram-se três datas, embora poucos se lembrem de todas elas: Nossa Senhora Aparecida, padroeira oficial do Brasil, o Dia das Crianças e o Descobrimento da América. Sempre uma romaria a Aparecida para suas homenagens. Mas uma delas o dia da criança é celebrada de norte a sul. Crianças! Sempre me lembro da frase de Janusz Corczak: - Vocês dizem: - Cansa-nos ter de privar com crianças. Têm razão. Vocês dizem ainda: - Cansa-nos, porque precisamos descer ao seu nível de compreensão. Descer, rebaixar-se, inclinar-se, ficar curvado. Estão equivocados. Não é isso o que nos cansa, e sim, o fato de termos de elevar-nos até alcançar o nível dos sentimentos das crianças. Elevar-nos, subir, ficar na ponta dos pés, estender a mão... Para não machucá-las...

                         Gosto de homenagens. Temos muitas. Adoro esse dia das crianças. Elas merecem. Feito minha homenagem me lembrei de um artigo que escrevi há tempos. Era sobre a criação do dia do Ovo! Tinha lido na Folha de São Paulo, que a Assembleia Legislativa de São Paulo irá discutir exaustivamente um projeto de um deputado que dará a São Paulo o dia estadual do Ovo! Maravilha! Não conheço as razões do deputado e nem o que consta no projeto. Sei que há séculos discutem quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha. Neste caso a galinha ficará sem seu dia. Coitada. Ou será que já existe o dia da Galinha?

                         Bem cada um faz o que acha certo. Afinal o ovo é ou não é importante? Eu adoro. É fácil e nós escoteiros adoramos. Já sabemos fazer ovos de todos os tipos. Alguns se aperfeiçoaram no Ovo no Espeto. Bacana! Uma técnica excelente. Só mesmo esta turma maravilhosa para fazer isto. Sei que eles fazem ovo cozido sem sal, com açúcar, com fumaça, com sujeira de fogão, omelete melada e preta, estalados sem estalo e cheio de cascas. Sei de muitas escoteiras que adoram quebrar o ovo com casca e tudo na frigideira. Dizem que fica delicioso.

          Interessante estas homenagens. No escotismo temos o dia do Escoteiro, o dia do Lobinho, o dia do Sênior (não sei a data) o dia do Pioneiro e o dia do Chefe. Deve ter também o dia do dirigente da Escoteiros do Brasil (eles são importantes demais) do Diretor nas regiões e distritos, do Formador, do POR, do Assessor pessoal, dos Estatutos e brevemente os dos Processos da EB contra aqueles que se insurgiram contra seu poder de fogo... Não sei se tem o dia dos gansos, têm? Se não tem logo um desses políticos tipo Tiririca irão fazer. Sei que muitas homenagens escoteiras não tem projetos. Pegaram carona em algum santo e como ele não reclamou o dia foi ficando, ficando e até hoje é celebrado. O Pobre do santo muitas vezes nem é lembrado. Coitado. Deve estar no céu rogando pragas aos escoteiros. Rarará!

                        Agora que foram eleitos novos deputados (será que ainda vai existir a tal Frente parlamentar Escoteira?) e aproveitando a deixa de vereadores que se uniram ao escotismo vou apresentar alguns projetos que julgo da mais alta importância.  Meu primeiro será o dia do Acampamento Escoteiro nos moldes de Gilwell. No projeto neste dia todos do escotismo serão obrigados a acampar sob pena de multas. Só assim os meninos irão conhecer um acampamento Escoteiro de verdade. Quem sabe também o dia do Acantonamento do lobinho já que hoje eles só vivem de atividades distritais e estaduais. As multas cobradas se reverterão à região e a UEB. Money no bolso sempre é bem vindo e os dirigentes adoram! Beleza isto!  

                     Será que existe o dia da Promessa Escoteira? Quem sabe o dia do Chefe chato de galocha como eu? Do caqui eu não sei, mas sei que breve alguém vai instituir o dia da Vestimenta. Desfile de norte a sul com os dezenove tipos. A turma adora ficar com a camisa solta mostrando a pança que tem. A EB ama tudo isso. Vende a mais que poder. Haja dinheiro! Estou até vendo nos estatutos: - Artigo primeiro, parágrafo um – fica obrigatória uma nova vestimenta todo ano e é proibido consultarem os associados. Revogam-se as disposições em contrário. Precisamos nos aliar mesmo a esta turma do CAN e da DEN. Afinal eles apresentam cada projeto de cair o queixo.

                  Já pensou? O dia do Fogo do Conselho, o dia da faca Escoteira? O dia do fogão de barro do escoteiro? O dia da canção Escoteira? O dia da amarra quadrada? O dia da amarra diagonal? O dia da costura de arremate? O dia do sinal de pista? Poxa! São tantos e tantos que teríamos datas e datas para comemorarmos. Melhor deixar o emprego e ficar comemorando gostosamente em um acampamento ou acantonamento Escoteiro. Ficaria feliz com o dia da “pendura Escoteira” onde ninguém pagaria nada a Escoteiros do Brasil. Devo não nego, não pago e que Deus me ajude! Adoro isto. Adoro quando me cobram a taxa de inscrição e eu grito da minha janela; - “Oi”! Voltem no dia de São Nunca dia trinta de fevereiro na parte da tarde! Kkkkk.

            Mas querem saber, é difícil guardar dias. São centenas, milhares e ainda bem que a internet e no Facebook sempre tem um para lembrar. Outro dia alguém se lembrou do dia do mosquito da malária. Mas ele tem dia? Teeeêm! Já vi aqui o dia do Porco, o dia da Manteiga (?), o dia dos pobres (este é o meu preferido) o dia dos ricos (este eu passo longe) e o dia dos velhos tolos. Boa, gostei! Aprovaram meu dia. Rarará! Mas voltemos à carga da brigada ligeira do escotismo. Precisamos de mais dias para comemorar. Pena que a tal Escoteiros do Brasil é adepta de registros no IMPI e quase não sobra dia para comemorar.

             Mas deixemos de nos divertir e vamos ser sérios. Tem hora que cansa ver que hoje é dia de tal homenageado e amanhã idem e assim por diante. Cada profissão tem seu dia, todo mundo tem seu dia. Portanto antes de morrer eu vou pedir e implorar a um vereador, ou deputado, que eu tenha meu dia. Não o meu aniversário. Um dia qualquer, o dia do Chefe Osvaldo, ou melhor, o dia do Osvaldo... Um Escoteiro. Vai ser maravilhoso. Bombástico! Epitético! Putz! Já pensou? Os dirigentes e alguns chefes dizendo? – Hoje é dia desta “besta”! Deus do céu! Se alguém reclamar fica determinado um processo daqueles que a Escoteiros do Brasil gosta. Kkkkk.

              Bem, melhor parar por aqui. Afinal vamos festejar o dia de Nossa Senhora Aparecida, das crianças e breve vou homenagear também o dia do Ovo. Pobre da galinha. Esqueceram-se dela. Mas a dúvida persiste. Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Fico pensando que mundo é o nosso. É como disse um candidato em nosso estado a Presidente ou Diretor da UEB, sei lá, em uma observação de uma postagem minha sobre o que esperamos dos eleitos ele disse – “Uns tem e não podem, outros podem, mas não tem, nos que temos e podemos, agradecemos a Baden-Powell”! Isto mesmo. Cada um tem aquilo que merece! E tenho dito. E viva o dia do OVO!  


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Histórias da Insígnia de Madeira.



Conversa ao pé do fogo.
Histórias da Insígnia de Madeira.

                       Conta-se que na manhã de oito de setembro de 1919, dezenove homens vestidos de calças curtas e meias até o joelho, mangas de camisas arregaçadas, formadas por patrulhas iniciavam um curso de Chefes de Escoteiros. Um novo adestramento realizado em Gilwell Park, em Eping Forest, nos arredores de Londres, Inglaterra. O campo foi projetado e orientado por Sir Robert Baden Powell (BP), um general de 61 anos reformado do Exercito Britânico e fundador do Movimento Mundial dos Escoteiros.

                       Quando terminou seu adestramento em conjunto, Baden Powell (BP) deu a cada homem um cordão de madeira simples, como se fosse um colar que ele havia encontrado em uma cabana abandonada de um Chefe Zulu. Isto aconteceu quando estava em campanha na África do Sul em 1888. Para os primeiros deste curso, foi um grande sucesso e se tornou tradição por muitos e muitos anos. As perolas de madeira eram reconhecidas para os que tiveram a oportunidade de passar por aquele adestramento.

                        Com o passar dos anos, as contas como eram agora chamadas, eram talhadas da mesma forma pra manter a tradição criada por Baden Powell. O curso passou a ser conhecido no mundo inteiro como o Curso de Insígnia de Madeira. É reconhecido não só na Inglaterra como também em todo o mundo como um curso de formação avançada para líderes do Escotismo. Na época do primeiro curso BP apresentou um Chifre de Kudu que ele tinha capturado durante a Guerra Matabele em 1896. Seu som profundo em expansão iria servir para convocar os membros dos cursos em assembleias, reuniões e atividades e foi utilizado lá por muitos e muitos anos.

                       Baden Powell (BP) usou esse mesmo chifre para abrir o terceiro Jamboree Mundial realizado no Arrowe Park, Birkenhead, Inglaterra em 1929. Esse chifre é usado até hoje por muitos cursos avançados no Movimento Escoteiro. A formação em um Curso da Insígnia de Madeira oferece uma oportunidade única para o aprendizado e para a liderança. Os participantes vivem e trabalham juntos em uma patrulha com outros escotistas. Assim aprendem sobre as habilidades de liderança a as técnicas de Socutcraft.

                      Nota – Scoutcraft é um termo usado para cobrir uma variedade de conhecimentos e habilidades requeridas por pessoas que buscam se aventurar na vida selvagem e a se sustentar de forma independente. O termo foi adotado por Scouting, organizações escoteiras para refletir as habilidades e conhecimentos que se fazem sentir de fazer parte do núcleo de vários programas. Isso ao lado do conhecimento da comunidade e espiritualidade. Ali se aprendem habilidades tais como acampar, cozinhar, primeiros socorros, sobrevivência na selva, orientação e pioneirismo.

                        A Insígnia de Madeira ainda é considerada por muitos como uma experiência de suas carreiras no Escotismo. Ela tem servido como fonte de treinamento e inspiração para milhares de Escotistas em todo o mundo. Por sua vez, os possuidores da Insígnia são os responsáveis para a formação de milhões de jovens espalhados por todo o mundo.

                       Finalmente eu lhe pergunto: - Ainda não tem a IM? (insígnia da madeira). Mãos a obra. Pense olhando para frente e diga para si mesmo – “Se tantos conseguiram, eu também vou conseguir”. E lembre-se se você foi um bom lobo, um bom touro, um bom maçarico então não se esqueça de voltar sempre a Gilwell!