Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. O grito de Patrulha.



Conversa ao pé do fogo.
O grito de Patrulha.

Prefácio: - No esporte, existem campeões e existem heróis. Campeões vencem porque são bons no que fazem e tiram proveito particular de suas vitórias. Heróis vencem quando menos se espera, superam seus próprios limites, e quando recebem os louros dividem suas vitórias com uma nação inteira... Augusto Branco.

              O escotismo é interessante. À medida que vamos conhecendo seu programa, sua metodologia, suas histórias e tradições, passamos a nos entregar plenamente a sua filosofia. Muitos não sabem explicar esta atração Badeniana. A cada reunião, a cada atividade, a cada acampamento nosso coração pulsa pensando que vai ser para sempre. O Fogo do Conselho? E a Canção da Despedida? E as amizades de Patrulha, de cursos de encontros escoteiros? Eita... Aguenta coração.

              Hoje me deu vontade de dar o Grito da Minha Patrulha. “Arranca uenka, lelenka”... Ilka, telita no globo... Orgulho de ser da Patrulha Lobo! Era assim mesmo? Acho que sim, nem lembro mais. Cada um que teve uma Patrulha sempre se orgulhou do seu grito. Já vi milhares. Não importa as frases, as tiradas, pois todos os gritos tem seu valor. Um Velho Chefe a quem chamavam de Velho Lobo me disse um dia que Gritos são tradições imutáveis. Eles existem para dar vida a Patrulha. É como se ela quisesse dizer: - Jovens, se unam como um todo em volta da fraternidade, pois aqui somos um só.

              E como é delicioso, agradável quando se vê uma Patrulha orgulhosa dando seu Grito de Patrulha. Cada tropa tem sua mística. Cada uma tem sua história para as patrulhas darem seus gritos. Tem aquelas que as patrulhas ficam em circulo fechado, bastão ao meio, todos ali segurando e o Monitor eleva acima o totem e todos eles dão o grito. Tem outras que se formam em linha e olhando a frente com o Monitor com bastão levantado dão seus gritos sorrindo deliciosamente. Não importa como. Aquele Velho Lobo também contou que pelo Grito conhecemos o Monitor e a tropa. Acredito ser verdade. Quantos artigos da Lei estão ali? Quem sabe a cortesia, a lealdade, a fraternidade, a honra o sorriso que vale mil palavras.

              Os Gritos mostram muito. A força simpática do Monitor mostra a alegria do mais antigo ao mais novo em participar. E quando terminam? Uma apoteose. Vejam o olhar! Vejam o orgulho de pertencer a Patrulha. Só quem esteve lá sabe como é. Não importa se o grito é longo, curto, se é em português, latim, francês, inglês, ou mesmo em linguagem galáctica ou em tupi-guarani. Não importa mesmo. Sabem o que é mais importante? Nunca aceite que troquem o grito. Ele é uma tradição e tradições se mantem firmes no coração de cada um.

               Alguém que assumiu a monitoria não gosta? O Chefe também? Mas meu amigo, quantos passaram pela Patrulha e hoje antigos escoteiros nunca esqueceram seus gritos? Quantos seguraram no bastão, gritaram alto para o mundo ouvir? Quantos nunca se esqueceram da vibração da Patrulha? O orgulho de pertencer a ela? Portanto grito não se muda nunca. É eterno. Para sempre. Forever!

             Em toda minha vida escoteira fui um eterno observador dos gritos de Patrulha. Lembro-me de um dado por uma Patrulha, em um Acampamento Regional de Patrulhas onde tive a honra de ser o Chefe do Sub Campo Sênior. Cento e trinta e seis patrulhas. Para mim na época uma apoteose. Uma delas de um Estado Brasileiro teve seu grito escrito escritos nos anais da história. O Grito demorava bem uns três ou quatro minutos. Quando as patrulhas terminavam os seus gritos corriam para se juntar a essa Patrulha e era um espetáculo fabuloso vendo todos juntos dando o grito dela.

             Gritos quando a Patrulha gosta não tem hora nem lugar. E nos acampamentos? Alvorada, lusco fusco da manhã, o orvalho caindo, um frio danado e lá estávamos nós. Bastão ao meio, totem levantado e gritava! Quem se importava com o sono? Com o frio? Se em uma excursão ou em uma atividade aventureira chegávamos ao ponto escolhido, com chuva ou sem chuva lá estava a Patrulha a mostrar que tinha orgulho, tinha união e seu grito nunca podia ser esquecido. Já dei com a Patrulha Lobo gritos em montes e vales, em altas montanhas, em diversos estados, dentro de vagões em viagens intermináveis.

            Quando cresci gostava de participar dos ajuris, dos ARPs, dos Acampamentos Distritais e Regionais tirando um tempo para ver e ouvir os Gritos de Patrulha. Dizem que hoje nestas atividades os gritos deixaram de existir. Dificilmente a Patrulha participa completa. Uma pena. Uma tradição que nunca deveria ser esquecida. Lembro que a Patrulha voltando de um acampamento, já noite de um domingo e passamos por um comício na praça da cidade, um candidato nos viu, desceu do palanque e pediu para darmos o grito de Patrulha. Atendemos sem reclamar ao Senhor Jânio Quadros!

             No escotismo temos os gritos de Tropa, do Grupo, do Distrito e o da União dos Escoteiros do Brasil. Todos são importantes, mas o Grito da Patrulha é único. Ele dá uma comichão no corpo, uma sensação deliciosa de pertencer aquela Patrulha. Lembro que quando alguém por um motivo qualquer fosse sair da tropa, dávamos o grito. O único onde não havia sorrisos só o Adeus da Despedida.

             Amo o escotismo, por todos meus setenta anos o Grito sempre me marcou. De escoteiro, de sênior, de pioneiro, e quando fiz o CAB e o Avançado de lobinho fiquei bambambã, só porque não tinha grito só grande uivo. Rs, rs.

          Que as patrulhas gritem. Alto e em bom som. Que mostrem a todos sua força, sua vontade seu orgulho em ser Escoteiro. Grito de Patrulha, quem já deu nunca mais vai esquecer!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. As esperanças não morrem jamais.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
As esperanças não morrem jamais.

Bình Lê Đình é meu amigo no Facebook. Assíduo nos meus contos sempre com uma palavra de carinho. Bình Lê Đình é natural de um país asiático. Não tenho certeza, mas acho que é o Vietnam. Tentei saber qual sua cidade, mas na sua página não constava. Bình Lê Đình é um escoteiro nato, orgulha de ser um Badeniano e tem princípios da melhor cidadania escoteira.

Porque escrevo tudo isso? Porque sou um velho orgulhoso do que sou e sempre mantive a fleuma que os meus chefes esperavam de mim ao vestir o uniforme. Sempre acreditei que devíamos ser um espelho para a juventude. Aprendi isso com meu Chefe e meu Balu. Não importava onde, mas sempre tínhamos de nos manter limpo, com boa apresentação. Desculpas não eram aceitas!

Pois bem, Bình Lê Đình vem publicando uma série de fotos de escoteiros e escoteiras a maioria asiáticos, mas também de outros países. Dá gosto ver as fotos. Garbo e apresentação com espírito escoteiro. Uniforme exemplar, transpirando orgulho e que deveria ser imitado.

Sou velho gagá para dizer isto. Muitos já se ajustaram com as mudanças. Os novos lideres impuseram suas escolhas sem consulta, e os novos acreditam que deva ser assim. Um Chefe dos novos comentou que não é o uniforme que faz o escoteiro. Deveriam acrescentar que é o escoteiro quem faz o uniforme. Estamos passando por uma fase de mudanças e os velhotes escoteiros como eu se sentem deslocados, fora de sintonia. Mas quem está certo?

Seria a tal liberdade de escolha? Novos tempos? Um lenço uma cueca ou uma calcinha e está devidamente apresentado como escoteiro? Desculpe a galhofa, mas se o lenço representa a nossa característica Badeniana para que as demais peças do uniforme? Vejo muitos com camisetas e lenço. Quantas mudanças, quantas voltas no mundo. Tem futuro? Não estarei aqui para contradizer.

Antes só podia colocar o lenço quem fizesse a promessa e estivesse devidamente uniformizado. E era cobrado com rigor. Hoje? Camisa fora da calça, meia de qualquer cor, chapéu a critério do Chefe, postura do lenço conforme escolha. Dizem que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Quem sabe daqui a alguns anos a população vai dizer: São escoteiros. E lá vão eles um punhado de lenço no pescoço e sandália de dedo vestidos a escolha do freguês. Vá saber!

Já vi até alguns com o uniforme que chamo de tradicional e que alguns não concordam o caqui e com a camisa fora da calça. Vale tudo. Já vi chapéu de boiadeiro, chapéu texano. Chapéu australiano e outro dia um com um lenço amarrado na cabeça à moda indiana. Vale tudo.

Sei que muitos tem explicações a dar. Cada um tentando dar seu testemunho da maneira de vestir a vestimenta. Podem estar certo na interpretação, mas me desculpem. A comunidade não pensa assim. Sou testemunho de muitos que assistindo desfiles ficaram abismados com a apresentação. Se isto está certo continuaremos a ser os eternos desconhecidos do Escotismo no Brasil.

Parabéns Bình Lê Đình. Você está dando uma aula de postura, de garbo, de apresentação de valores... Ops! Peço desculpas aqueles que adotaram a vestimenta. Aplaudo os que estão bem trajados, ou melhor, uniformizados, dando exemplo e fazendo um marketing a altura da nossa apresentação escoteira. Quem sabe um dia nossos dirigentes vão ver que a sociedade como um todo não vê com bons olhos esta apresentação que alguns defendem. Aguardemos o futuro. Quem sabe vão aprender a consultar e pedir sugestões?

Ah! Nova safra, novos chefes! Velhos uniformes, novas vestimentas e novas escolhas... Velhos como eu e novos como Bình Lê Đình e alguns poucos Velhos Lobos ainda não se esqueceram de que a apresentação é nossa maior marca, é nosso maior marketing. Hoje somos eternos desconhecidos pela sociedade brasileira e quem sabe uns dias aqueles que hoje acreditam na modernidade, nesta liberdade de escolha vistam algum apresentável se orgulhando do seu uniforme ou vestimenta.

Parabéns Bình Lê Đình. Bom ver você dando exemplo a esta juventude e chefes em todo o mundo principalmente no meu país o Brasil que tanto precisa aprender e acreditar que o escotismo é uma forma de apresentação individual.

“Escoteiros”! Lobos! Seniores! Pioneiros! Chefes! Se preparem a inspeção já vai começar!

domingo, 11 de novembro de 2018

Lendas e realidades Escoteiras. A bravura de um herói. A História de Caio Vianna Martins.



Lendas e realidades Escoteiras.
A bravura de um herói.
A História de Caio Vianna Martins.

Prefácio: - (Esta é uma historia contada aos pedaços da vida de Caio Vianna Martins). “Parte dela é fruto da imaginação do autor”. O desastre e outros detalhes são reais – em 1973 em um acampamento regional Escoteiro em Matozinhos foi entregue a seu irmão uma medalha de Valor Ouro post mortem a Caio Vianna Martins. (Eu estava lá!). 

                Apenas um menino, igual aos demais. Nasceu no dia 13 de julho de 1923 em Matozinhos MG; Seu professor no Grupo Escolar contou algumas passagens de sua vida. Ninguém imaginava que aquele menino um dia seria um exemplo para todos os escoteiros do mundo. Um verdadeiro herói. Dizem que os heróis não se fazem, já nascem assim. Professor Jamilson nunca observou Caio por este prisma. Hoje se sente orgulhoso de um dia tê-lo conhecido. Quando o viu pela primeira vez adentrando na sala de aula fez uma mesura para seu Mestre. Sabe Moço, dizia o professor. Eu Lecionava na Escola Visconde do Rio das Velhas e o conheci em 1929. Ele tinha seis anos na época e nunca ouviu falar dos escoteiros. Alguns anos mais tarde seus pais foram para Belo Horizonte e ele se matriculou na Escola Barão do Rio Branco.

             Caio na sua simplicidade nunca pensou em ser lenda, herói ou um Escoteiro padrão. Sua vida escoteira teve início em um sábado quando com um amigo foram assistir ao treino de um time futebol e viu pela primeira vez os escoteiros. Ficou fascinado e não deu sossego ao seu pai enquanto não o levasse para matricular. Era agora aluno do Colégio Afonso Arinos. Entrou para os Escoteiros e entregou-se de corpo e alma a sua nova filosofia. Não tenho certeza, mas acho que fez sua promessa em uma tarde de maio. Sua vida mudou. Tinha como seu exemplo os chefes Clairmon Orlando Gomes e o Chefe Rubens Amador.

                  Caio amava o escotismo e seus pais tinham orgulho dele. Conhecia Gerson Issa Satuf que era de outra Patrulha e de vista o lobinho Hélio Marcus de Oliveira Santos A história de Hélio com seus noves anos nunca foi contada. Sorria pouco e quase não falava. Era um Lobinho entusiasta conforme lembravam seus chefes de alcatéia. Foi em um acampamento em Contagem em um sitio de um amigo do Chefe Francisco Floriano de Paula (grande mestre Escoteiro e reitor do colégio onde estudava foi um marco no escotismo mineiro). Caio, Hélio e Gerson se cruzaram muitas vezes.  O acampamento marcou a vida de Caio Martins para sempre. A vida passava muito rápido e logo ficou sabendo da atividade em São Paulo. Convenceu seus pais a deixa-lo ir afinal era bom estudante e bom filho.

                  Caio já era o monitor da patrulha. Na época os monitores eram escolhidos olhando mais sua idade e desenvoltura. Baden-Powell em seu livro Escotismo para Rapazes dizia que os mais velhos são mais respeitados pelos mais novos. Foi uma festa quando partiram no trem noturno para São Paulo.  Eram seis lobinhos, doze escoteiros, três pioneiros o Chefe Clairmont e Rubens além de mais dois membros da Comissão Executiva. Uma delegação de 25 participantes. Embarcaram na Estação Ferroviária em Belo Horizonte. No vagão dos escoteiros era só cantoria e alegria. O condutor o Velho Gabriel com seus bigodes imensos sorria com aquela meninada divertida e alegre. Vinte e duas horas num trem sacolejante e fumacento Até São Paulo. Naquele vagão onde dormiam os escoteiros ninguém imaginava o que estava para acontecer. A História do herói começou a ser escrita.

               Ninguém até hoje explicou porque o Chefe da estação João Aires não parou o trem de carga que descia a Serra da Mantiqueira. No Noturno todos dormiam sorrindo em pensar o que fariam ao chegar ao seu destino. Nas páginas do livro da vida uma nova etapa tinha inicio marcado. Para Mario Montes o maquinista do cargueiro, mais de vinte anos fazendo o mesmo trajeto nem imaginava o que ia acontecer. Jonas o Coruja maquinista do Noturno nem percebeu o trem cargueiro em sentido contrário se aproximando a toda velocidade. Tarde demais! O desastre era eminente! Os freios rangeram, os apitos soaram, e a batida veio forte. Estrondos se fizeram ouvir. Vagões foram expulsos da linha e jogados em uma ribanceira. Duas e cinco da madrugada fatídica. Um engavetamento monstro se formou. 20 de dezembro de 1938 entrou para a história. O vagão onde eles estavam saltou do trilho e se espatifou em um barranco. Gritos, pedidos de socorro, tudo escuro e nada se via. O Chefe Clairmont e Rubens se puseram na ativa. Chefes são sempre assim. Poucos reconheceram o heroísmo de que eles eram possuídos. Só havia preocupação em ajudar os feridos.

                   Reuniram todos os membros do grupo e deram falta de Hélio Marcos e Gérson Satuf. Foram encontrados mortos embaixo dos escombros. Era uma carnificina. Os que ainda estavam de pé corriam para ajudar. Os pioneiros fizeram uma grande fogueira com os destroços dos vagões, pois a escuridão não ajudava. Caio cambaleante ajudava como podia. Ele havia recebido uma pancada na região lombar e não contou a ninguém. Clairmont e Rubens estavam esgotados. Só às sete da manhã os primeiros socorros vindo de Barbacena começaram a chegar. Viram Caio claudicando sentindo dores terríveis. Tentaram levá-lo na maca e ele não aceitou. – Tem feridos piores disse. A história é cheia de fatos heróicos. Foi assim com Caio Vianna Martins. Ao Chegar a Barbacena, uma golfada de sangue e com os lábios tremendo recusou novamente a maca dizendo as mais belas frases que o mundo conheceu: 

– “Há muitos feridos aí. Deixe-me que irei só. Ajudem os outros, eu sou um Escoteiro e o Escoteiro caminha com suas próprias pernas”! – Saiu caminhando e desfaleceu morrendo alguns dias depois em um hospital de Barbacena. Tudo seria esquecido se não fosse dois grandes homens públicos mineiros Alcides Lins e Otávio Negrão de Lima que presentes viram tudo e contaram para o Brasil e para o mundo o que disse o herói Escoteiro. O gesto de Caio Vianna Martins ficou gravado na história escoteira. Ele foi escolhido como o Escoteiro símbolo do Brasil. O Grupo de Caio hoje não existe mais no colégio Afonso Arinos. Ali somente uma placa de bronze foi colocada sobre os feitos de Caio Martins.

                      Em memória a Caio Vianna Martins, Gerson Issa Satuf e Hélio Marcos de Oliveira Santos, saudemos no panteão da glória e dos heróis nacionais com o nosso: SEMPRE ALERTA! E tiramos o chapéu com o Grito de guerra da União dos Escoteiros do Brasil – Anrê – Anrê – Anrê! – Pró Brasil? Maracatu! 

“Há muitos feridos aí. Deixe-me que irei só. Ajudem os outros, Eu sou um Escoteiro e o Escoteiro caminha com suas próprias pernas”!


Estoicismo - (Noticia publicada em jornais de todo Brasil) - Passou provavelmente despercebida, nas notícias pormenorizadas sobre a última catástrofe da Central, a serena coragem daquele pequeno Escoteiro, uma criança de quinze anos, que estando gravemente ferida, os que o queriam levar em maca para o hospital, dizendo com um sorriso de homem forte: "Um Escoteiro caminha com suas próprias pernas". E caminhou. Mas foi para morrer, poucas horas depois, no leito em que o colocaram para uma tentativa de salvação. Este menino de quinze anos honrou o nome e deu um exemplo a todos os Escoteiros do País. E mostrou a muita gente grande que um Escoteiro sabe sorrir para morte que o acompanha de perto. Se um dia for erguido qualquer monumento ao "Escoteiro Desconhecido", a lembrança do estoicismo desta criança resumirá a bravura de uma geração de Escoteiros do Brasil.



quinta-feira, 8 de novembro de 2018

O tempo não para... Tonico foi para o SENAI. - Uma pequena história perdida no tempo...



O tempo não para...
Tonico foi para o SENAI.

- Uma pequena história perdida no tempo...

                         Tudo aconteceu em um Acampamento no Rio Corrente. Tardinha no campo. Cozinheiros a postos. Gostosos sinais de fumaça subiam aos céus nos fogões nos campos de Patrulha. Cheiro de comida saborosa sendo preparada. Quatro patrulhas acampadas a uma légua da nascente do Rio Corrente. Avistei ao longe alguém vindo pela trilha da Fazenda Três Rios. Era o Pai de Tonico Ponciano sub monitor da Onça Pintada.

                          – Chefe Posso falar com Tonico? Notei que ele explodia de contentamento. – “Chefe ele passou na prova do SENAI para Torneiro Mecânico”... Contou com uma alegria sem par. Tem de ir segunda para a capital! Precisa ir para casa hoje para fazer as malas!

                          – Tonico olhou para mim sem saber o que dizer. Seu pai sorria e ele com lágrimas nos olhos.

                          – Chefe chegou minha hora? Disse ele.

                          - Eu sempre dizia que a hora de todos um dia ia chegar. Ele sabia que precisava crescer. Ficou alguns minutos chorando no meu ombro. Olhei para ele, dei um forte abraço e disse: Tonico, quando a vida te trouxer mil razões para chorar, mostra que tens mil e uma razões para sorrir!

                          - Ele partiu na garupa da biscicleta de seu pai e chorando nem olhou para trás. No campo Patrulheiros sem saber o que dizer dando adeus!

                          - E você meu amigo quando chegar sua hora chore. Mas também sorria, pois tudo tem uma razão de ser...

                         E por vários anos nunca mais vi Tonico. Como dizia o Chefe Mano Velho: - Vado Escoteiro, o destino não importa, siga seu coração e construa seu próprio caminho.

VIDA LONGA TONICO... A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS. QUANDO VOCÊ DÁ UM PASSO A FRENTE, INEVITAVELMENTE ALGUMA COISA FICA PARA TRÁS...

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. A Tropa de Monitores.



Conversa ao pé do fogo.
A Tropa de Monitores.

       Prefácio: - Você está sentindo que nem tudo está dando certo na sua Tropa escoteira? Os jovens estão desanimados, alguns saindo, uma evasão que não dá para estancar? É hora de ação, de mudar, se você quer dar um jeito nisto e acredita em seus monitores, este artigo pode ajudar você. Mas se você é um craque, se sua Tropa é um sucesso este artigo não é para você.
                    Sabe àquela hora de dar uma arrumada nas idéias? Pois é, a gente vai para a sede, olha a tropa e por mais que se dedique parece que nada dá certo. Quando inicia a reunião, faltam um, dois ou mais escoteiros de cada Patrulha. Os monitores perdem o sorriso. A formatura é feita de maneira desleixada. A inspeção é de tirar o ânimo. Aí você pensa: - Onde está o erro? Sua mente volta para o início do ano quando houve uma ótima participação e agora tudo se perdeu. Por quê?

                   Sabemos que durante o ano alguns desistem. Mas isto é certo? Até mesmo escoteiros que você confiava se foram. Você sabe que alguma coisa precisa ser feita, mas o que fazer? Já tentou mudar, novos jogos, técnicas, fez cursos, leu e até agora nada. Até mesmo o curso Ponta de Flecha (?) não adiantou muito.

                     O que fazer então? Se você tem em seu curriculum vários cursos de formação escoteira, se conversou com outros escotistas e nada resolveu então a “coisa tá braba”! - Precisa urgente de uma reciclagem e ou então se for IM lembre-se da sua canção de Gilwell que aconselha uma volta a Gilwell. Mas Existe um curso assim? Se existe não sei, mas vamos conversar melhor. Se você é daqueles que não desiste nunca o melhor mesmo é fazer uma reciclagem. Olhe em sua volta e seus aconselhadores estão bem perto de você. Onde? Seus monitores meu amigo. Isto mesmo. Eles são a solução de tudo. Mas eles? Sim senhor! Afinal eles são os responsáveis para conduzir suas patrulhas. Eles devem saber o que está acontecendo talvez melhor que você.

                    Mãos a obra. Converse com seus assistentes. Diga a eles que vai precisar muito deles, pois durante certo tempo você vai viver mais com seus monitores. Explique por que. O programa não pode parar e os Subs monitores deverão substituí-los nos prováveis impedimentos que irão acontecer. Ideias feitas, programas na cachola parta com um sorriso para a próxima reunião de Tropa.

                    Comece normalmente. Deixe seus assistentes escoteirar. Mãos à obra. É hora de ouvir os monitores. Ouvir meu amigo e não falar! - Vá para um local calmo, sem barulho e comece assim – Amigos, vocês estão vendo que a tropa não anda bem. Muitos saindo. Outros desistindo. Crescimento nas etapas mínimo. Quero ouvir vocês para saber qual o melhor caminho para resolvermos a questão.

                   Eles irão olhar espantados para você. Sorria, não fale nada, só ouça. Não espere muitas respostas na primeira vez. Se não estão acostumados com uma dinâmica na tropa ou com os monitores a maioria irá ficar calada e outros dizer que ainda não pensaram bem. Na segunda e na terceira vez você vai ver a mudança. Prepare-se pode até ouvir o que não quer ouvir. Mas faz parte e, por favor, aceite!

                 Quando achar a hora certa pergunte a eles o que fazer. Anote tudo mesmo sendo coisas impossíveis de realizar. Conquistado a confiança comece com uma boa atividade. – Turma! Que tal uma excursão no próximo domingo só nossa? Vamos sair cedo, e voltamos à noitinha. Podemos quem sabe treinar um pouco de pista mateira ou fazer um fogão tropeiro, uma carne assada, um café que tal?

                 Anime, não fale com cara de tristeza, um sorriso conquista multidões. No caminho esqueça a fila, todos juntos cantando contando causos. Mostre agora que você é amigo e não um chefão. Na atividade deixe-os fazer tudo, se programaram. Esqueça os palpites, hora de fazer fazendo. Quer fazer? Invente algum para você mesmo e deixe-os criar e realizar o programa que fizeram. Um tapinha no ombro um parabéns, você está indo muito bem, canções, brincadeiras... É importante que você só oriente. Deixe-os aprender fazendo meu amigo!

                   A tarde chega, estão cansados, um cochilo. Um cochilo? Porque não? Meia hora faz muito bem para a saúde. Depois uma conversa ao pé do fogo. Trocar ideias, ouvir sugestões quem sabe um joguinho calmo. Hora do retorno hora da limpeza do campo. Viu que tudo foi improvisado. Qual o intuito? Se conhecerem melhor. Sempre achamos que conhecemos a todos e muita vez passam despercebidas outras tantas que desconhecemos. Ao chegar à sede tire meia hora para analisar com eles a atividade. Valeu? Que tal um acampamento?

                  É hora de sugerir a Patrulha de monitores. Você o Monitor um deles sub Monitor. Quem sabe um nome, um grito um lema. Vez ou outra pergunte se em algumas atividades os sub monitores deveriam participar. Bem você deu o inicio. A arrancada foi feita. É hora de partir para um bom programa de treinamento dos monitores. Mas não esqueça, ele é continuo. Nunca para. Se possível faça tudo para não prejudicar o andamento da tropa. Aos poucos procure ver se os monitores estão mais motivados, se conversam mais com seus patrulheiros, e se as reuniões de Patrulha acontecem normalmente com a participação de todos nas ideias e sugestões.

                   Durante uma vez por mês, faça uma atividade só com eles. Pode ser de poucas horas ou de um dia e não esqueça se quer conhecer a cada um para ser seu amigo e irmão mais velho, o acampamento é o lugar certo. Discuta com eles um acampamento para fazer história. Quem sabe um feriado, uma jornada, uma grande atividade aventureira. Só com eles. Não faltaram oportunidade com a tropa escoteira.

                        Lembre-se eles irão dar as melhores idéias para os programas de reuniões. Afinal eles sabem o que querem. Se conseguem ficar com a turma do bairro por anos fazendo seus programas porque agora não podem colaborar? Dê os retoques necessários, quem sabe atividades surpresas que eles gostam, mas sem imiscuir em suas ideias. Eles entraram no escotismo pensando em atividades aventureiras. Serviços comunitários, participação em atividades religiosas uma vez por ano. Repetir sempre? Veja a foto da atividade que fez há dois anos, quando foram fazer uma atividade comunitária. Quantos escoteiros ainda estão naquela foto hoje?

                       Meu amigo, a tropa quer ir para o campo. Querem atividades aventureiras. Os jovens adoram ter um facão na mão. Querem comer arroz queimado, querem fazer o que muitos contam que fizeram. Sentar em volta do fogo, cantar, sorrir e contar seus causos. Assim dê a eles o que eles querem. Não invente! Portanto conte sempre com eles para sugerirem e faça da sua Patrulha de monitores seus novos colaboradores.

              O importante para estancar o desanimo é fazer e não imaginar. Não prometa nada. Você já prometeu tanto e ação é melhor que promessas. Confie nos seus monitores. Deixe-os agir, comentar e sugerir. Faça as correções necessárias. mas sempre ouvindo o lado deles. Desejo a você sucesso na sua lide escoteira!

domingo, 4 de novembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Os tempos são outros.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Os tempos são outros.

Prefácio: - Domingo, levantei com o novo horário de verão. Velhos Escoteiros não tem hora para dormir ou acordar. Na minha varanda me pus a meditar... Será que o Escotismo de hoje caminha para o Sucesso como pensou Baden-Powell? Quem viver verá!

                   - Chefe! Disse-me uma Chefe de Lobinhos. Os tempos são outros. Tudo nesse mundo tem que evoluir! É mesmo? Os meus ficaram no tempo que não volta mais. Mesmo sendo ainda teimoso determinado vou aos poucos moldando meu estilo e aceitando o que nunca aceitaria quando jovem escoteiro. Ops! Com ressalvas, por favor! Aceitando as mudanças sem concordar com elas. São tempos novos Chefe! Repete ela. A época do Brucutu já passou! Deixe as diligencias nos museus onde o escotismo do passado foi enterrado! Errado seria eu não aceitar.

                     Mas é tão difícil assim? Não seria eu um velho soldado escoteiro rabugento, cheio de manias querendo que tudo fosse como eu conheci e aprendi? Ah o lenço! O lenço era e foi para nós um símbolo do maior respeito. Promessa feita, o Chefe do Grupo (hoje mudaram para Diretor Técnico e dizem já mudaram de novo para não sei o que) orgulhosamente o colocava e dizia: Escoteiro, com este lenço você agora representa o Grupo Escoteiro em todo lugar aonde for. Honre seu lenço. Você só o recebia quando da promessa e só o colocava bem uniformizado. Lenço sem uniforme? Nem pensar. Hoje? Fizeram dela a sombra do meu passado. Usam-no de qualquer jeito. Arre! Tremo só de ver e pensar!

                    Promessa? Coração batendo, esperando chegar o grande dia. Um dia só meu, minha promessa o Chefe dizia: - Escoteiro será para sempre! Está preparado? Vibrar em frente à bandeira do Brasil, com o Monitor me apoiando com a mão no ombro e o Chefe me encarando: - Conheces a lei? Estás disposto a cumpri-la? E a gente com voz tremida dizia a lei de cor e salteado. E quando chegava a hora, tremendo de emoção fazendo à saudação a gente dizia sem repetir: - Prometo pela minha honra! Fazer o melhor possível, para... Não a gente prometia. E o Chefe completava: Escoteiro a promessa é para toda vida!

                    Hoje? Muitos renovando a promessa. Por quê? Renovar? Um simbolismo de dizer sempre alerta que ainda somos escoteiros? Mas eu o velho Chefe me calo. Se acham certo renovar bato palmas, mas eu, eu não. A minha foi para sempre!

                   Uniforme? Orgulho demais. Chapéu de abas retas, calça curta sim senhor, calça comprida nem pensar. Camisa bem passada e dentro da calça (Arre! Arrepio-me quando vejo o que acontece hoje). Uniforme é para usar e não ficar guardado. Em todas as horas, nas serras distantes, nas trilhas nas planícies, nas reuniões a gente sempre com ele. Se precisasse sabíamos lavar, passar ao sol. Camisetas? Alguns com elas por baixo e mais nada. O lenço de bolso o pente (obrigatório) unhas aparadas, sapatos engraxados, meiões nos padrões.

                 Não havia invenções. O lenço, o cinto, o sapato, o chapéu era colocado de olho no espelho. Hoje? Inventaram tanto para delicia dos novos dirigentes, os inventores, os novos Baden-Powell. Dizem que agora estão na moda mundial de alguns países que dizem ser do primeiro mundo. Tenho que respeitar, mas só fico pensando... E a camisa fora da calça? Coisa de primeiro mundo? Aceitar?

                  Respeito, quanto respeito. Até para o Monitor dizíamos sim senhor! Apresentar com estilo, nome, graduação era para nós uma honra. – “Terceiro escoteiro escriba da Patrulha Lobo se apresentando Chefe”! E lá vai a saudação, o aperto de mão sem esquecer um abraço e um sempre alerta dito gostosamente como a dizer: Eu estou bem preparado e tu? Hoje? Formações sem muita postura, Monitor dormitando escorado no bastão. Correto? Deve ser... Tudo agora é moderno.

                  Correção e guarda do material era questão de honra. Fui há tempos visitar um acampamento e vi coisas do arco da velha. No final da atividade no meio da ferradura havia diversos garfos, colheres, pratos, copos e até algumas peças de roupas para ver se tinham dono. Será que caíram do céu? Ora eles não foram parar ali por magia. Não houve inspeção? Que tipo de acampamento foi esse? Uniforme? Alguns sujos, mal cuidados, e o Chefe: - Ora meu caro Chefe Osvaldo, eles estão voltando de um acampamento, devemos considerar... Vá dizer isso para o meu Chefe Jessé ou João Soldado meu amigo.

                   Melhor parar por aqui. Não dá para engolir esses novos tempos. Novos? Se isto for garbo e boa apresentação eu tiro meu chapéu para o Escoteirinho de Brejo Seco. Humilde, com um sorriso nos lábios, uniforme bem postado velho sim senhor, mas limpo bem passado e bem postado. Afinal ele tinha um Chefe que o ensinou a ter garbo e boa ordem. Um dia me disseram para ficar calado, isto é o que os manda chuvas de hoje querem. E o que eles dizem e fazem é o exemplo para todo mundo. Eles? Aprenderam em que escola? Na minha não foi e garanto que na de Gilwell também não.

                   Não estou na ativa, mal consigo caminhar alguns passos, mas sou da velha guarda e não me calo, não mais fico “abestado” a aceitar com ressalvas. Na minha consciência meu velho e gostoso escotismo não vai mudar. Lenço? Promessa? Lei? Respeito? Uniforme? Para mim é como se fosse no passado, é ponto de honra. Mas você meu caro amigo tem todo direito de colocar o chapéu que quiser usar o lenço conforme acredita ser correto e escorar no pobre do bastão quando quiser. Não é o meu caso. Ah! Velhos e gostosos tempos de uniforme bem postado bandeiras ao vento para o acampamento nas terras do meu Brasil!


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Conversa ao Pé do fogo. A Promessa...



Conversa ao Pé do fogo.
A Promessa...

Prefácio: - “Prometo, pela minha honra, fazer o melhor possível para: - Cumprir o meu dever para com Deus e a Minha Pátria. Ajudar o Próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer a Lei do Escoteiro”!

              Lá estava ele, o Chefe Nolasco naquele curso Escoteiro que nunca esqueci a dizer o que entendia como promessa escoteira. Copiei. Anotei. Não tirei uma vírgula sequer. Ele disse:

                     Caros chefes, a promessa é uma força, uma direção que você dá ao seu esforço. E o esforço lhe conduzirá de esforço em esforço, através da vida até a meta que você se propôs.

A promessa é uma força.
                Quando você a tiver apresentada, você não será melhor, mas mais forte. E se em algum dia lhe acontecer de não saber bem se uma coisa pode ou não ser feita, você se lembrará de que, em uma noite, perante um fogo tranquilo, na hora nas quais as luzes se atenuam e os barulhos diminuem, no meio de companheiros que tinham o seu mesmo ideal, você prometeu de servir a Deus, e então não mais hesitará. Saberá se aquela coisa poderá ou não ser feita.

A promessa é uma força.
              Nem sempre você estará tão bem disposto quanto hoje. Você nem sempre terá esta alegria transbordante e esta calma serenidade, porque na vida há tempestade, grande cansaço, desprazeres dos jovens e tristezas provenientes dos adultos, improvisadas incertezas. Então, talvez, uma triste manhã de um triste dia você se dirá: “Mas porque tudo isso?”.

              E, você se lembrará de que, em uma noite, perante um fogo tranquilo, na hora nas quais as luzes se atenuam e os barulhos diminuem, no meio de companheiros que tinham o seu mesmo ideal, você prometeu de servir a Deus e a Pátria. Não mais dirá “Mas porque tudo isso?”, mas visto que você só tem uma palavra, porque a sua alma é simples e reta, porque você não pode servir a dois senhores, nem obedecer a duas leis que se opõem você se manterá fiel a sua Promessa, servirá a Deus, ajudará ao próximo e obedecerá a Lei.

A promessa é uma força.
            Outros a mencionaram antes de você. Mas é sempre a mesma coisa, a mesma disciplina a qual você se impõe voluntariamente, a mesma obediência, e o mesmo serviço que se escolhe livremente. Livremente você chegou até nós. Assim como livremente caminhou nas nossas fileiras. Conhece os escoteiros assim como lhes conhece a deles a Lei, o ideal: você então sabe que deve ser um jovem simples e forte, ativo e alegre. Você sabe que deverá ser um homem simples e forte, ativo e sereno.

Você sabe tudo quanto acima e deseja que assim seja. Então, perante este fogo tranquilo venha pronunciar a sua Promessa:

- “Prometo, pela minha honra, fazer o melhor possivel para: - Cumprir o meu dever para com Deus e a Minha Pátria. Ajudar o Próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer a Lei do Escoteiro”!

terça-feira, 30 de outubro de 2018

AIDS PARA SCOUTMASTERSHIP Um guia para os scoutmaster (Chefes de Escoteiros)



AIDS PARA SCOUTMASTERSHIP
Um guia para os scoutmaster (Chefes de Escoteiros)

Prefácio: - Sobre a Teoria do Treinamento de Escoteiros, originalmente publicado em 1920; Esta edição eletrônica é cortesia do Canadian Sea Scouts Homeport http://www.seascouts.ca/. Embora tenha sido tomado cuidado para transcrever fielmente o original, edições impressas autorizadas permanecem autorizadas por SENHOR BADEN-POWELL DE GILWELL.

O DIREITO DO SCOUTMASTER.
O sucesso em treinar o garoto depende em grande parte do próprio escotismo e do exemplo pessoal. É fácil tornar-se o herói assim como o irmão mais velho do menino. Estamos aptos, à medida que crescemos, a esquecer de que loja de heróis adoração está no menino.

O chefe dos escoteiros que é um herói para seus meninos detém uma alavanca poderosa para seu desenvolvimento, mas ao mesmo tempo traz uma grande responsabilidade ele mesmo. Eles são rápidos o suficiente para ver a menor característica ele, seja uma virtude ou um vício. Seus maneirismos se tornam deles, quantidade de cortesia que ele mostra suas irritações, sua felicidade ensolarada, ou seu olhar impaciente, sua autodisciplina ou sua falta moral ocasional não são apenas notados, mas adotados por seus seguidores.

Assim sendo, para levá-los a realizar a Lei Escoteira e tudo o que é subjacente o próprio chefe dos escoteiros deve cumprir escrupulosamente suas profissões em cada detalhe de sua vida. Com apenas uma palavra de instrução seus meninos vão Siga-o.

O trabalho do chefe dos escoteiros é como golfe, caça ou pesca com mosca. Se vocês "Pressione" você não chega lá, pelo menos não com algo como você faça por um balanço leve sem esforço. Mas você tem que balançar. Não é use parado. É uma coisa ou outra, progredir ou relaxar. Deixei-nos progredimos e com um sorriso.

FIDELIDADE AO MOVIMENTO.
Deve o chefe dos escoteiros lembrar que, além de seu dever para com seus filhos, ele tem o dever também do Movimento como um todo. Nosso objetivo em fazer meninos em bons cidadãos é em parte para o benefício do país, que pode ter uma viril raça fiel de cidadãos cuja amizade e sentido de “jogar o jogo” mantê-lo unido internamente e em paz com seus vizinhos no exterior.

Encarregado do dever de ensinar abnegação e disciplina por sua própria prática, os Chefes Escoteiros devem necessariamente estar acima de pequenos sentimentos, e deve ser grande o suficiente para sujeitar o seu próprio pessoal visões à política mais alta do todo. Deles é ensinar seus meninos para "jogar o jogo", cada um em seu lugar como tijolos em uma parede, fazendo o eles mesmos. Cada um tem sua esfera de trabalho, e quanto melhor ele dedicar-se a isso, melhor seus escoteiros responderão ao seu treinamento. Então é somente olhando para os objetivos mais elevados do Movimento, ou para os efeitos de medidas para que ele permaneça pelo menos dez anos no escotismo e só assim é que se pode ver detalhes de hoje em sua proporção adequada.

Onde um homem não pode conscientemente tomar a linha requerida, ou que o curso mais viril vai colocá-lo diretamente ao seu Comissário ou à Sede, e se não pudermos encontrar seus pontos de vista, então deixá-lo realizar o seu próprio trabalho. Ele entra nisso em primeiro lugar de olhos abertos, e dificilmente é justo se depois, porque ele acha que os detalhes não combinam com ele, ele reclamar que é culpa Executivo.


Felizmente, em nosso Movimento, pela descentralização (?) e dando um livre arbítrio para as autoridades locais, evitamos grande parte da burocracia que foi a causa de irritação e reclamação em tantas outras organizações. Nós também somos afortunados em ter um corpo de Chefes Escoteiros que alargaram em sua visão e em sua lealdade ao Movimento como um todo.


Continua...

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Místicas pioneiras.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Místicas pioneiras.

Prefácio: - AS LENDAS DA TÁVOLA REDONDA. – “Qualquer um que extrair... Esta espada desta pedra... Será o Rei da Inglaterra... Por direito de nascimento”!

Pioneiro é um substantivo masculino proveniente do termo em francês pionnier e significa alguém que é o primeiro a abrir caminho através de uma região mal conhecida. Também pode ser um termo que designa um precursor, um desbravador ou descobridor. Também pode ser aquele que prepara os resultados futuros ou explorador de sertões. Por exemplo, nos Estados Unidos, os colonizadores do norte do continente americano eram conhecidos como pioneiros.

VIRTUDES PIONEIRAS.
Os Pioneiros procuram cultuar as virtudes preconizadas na lenda inglesa dos Cavaleiros da Távola Redonda, ou seja:
- VERDADE - - LEALDADE - - ALTRUÍSMO - FRATERNIDADE - PERFEIÇÃO

“agora estou imaginando melhor a pessoa que está lendo este livro. Ora, você não é a pessoa que eu queria que lesse o que escrevi. Você já tem interesse pelo seu futuro e só quer saber o “Caminho para o Sucesso”. Minhas idéias, portanto, irão se colocar sobre as outras que você tinha. Minhas idéias podem corrobar as suas ou talvez o desapontem. Em qualquer dos casos, espero que não se torne menos meu amigo. Mas se já preparou para o futuro, não é a pessoa que realmente desejo como leitor deste livro. Desejo aquele que nunca pensou no futuro sozinho ou que nunca planejou o porvir. Deve  haver uma enorme quantidade de rapazes em nossa Pátria que está sendo arrastado pelas más influências do seu ambiente porque nunca viu caminhos mais limpos. Esses rapazes não sabem que com um pequeno esforço pessoal podem elevar-se sobre o que os cerca e remar na sua rota para o sucesso“.

“Enquanto escrevo estas linhas, está acampado no meu Jardim um exemplo vivo do que eu espero que seja o resultado desse livro numa escala crescente”. De todo o coração espero que isso aconteça. Ele é um vigoroso “Pioneiro’ cerca de 20 anos de idade, portanto um camarada que está se adestrando para ser um homem adulto”. B-P.
(B-P no livro Caminho para o Sucesso).

... Vejamos um pouco mais sobre a mística pioneira. Atendendo à necessidade do Homem de transformar a vida em símbolos, é preciso que as atividades do Ramo se façam envolvidas por uma mística. Como o Homem faz sua história construindo um elo entre fatos passados, os presentes e os futuros, nada mais simples do que buscar, em algum momento da nossa história, situações que se assemelhem com a que vivemos atualmente no Clã para constituírem a Mística do Ramo Pioneiro.

Foi marcante para a humanidade a época dos Cavaleiros, caracterizada pela busca do conhecimento, de novos limites, até mesmo territoriais, e quando os valores morais e religiosos eram muito fortes para a conduta dos homens. E, dessa época, lenda ou não, o que mais tem sido lembrado, histórica e literariamente, é a corte do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Como em todos os fatos passados, não se pode distinguir mais o que foi real do que é fruto da imaginação literária, mas o que importa são os valores transmitidos e que podem servir de estímulo às nossas ações atuais. É o passado possibilitando a concretização do presente.

Falar ou escrever com propriedade e fidedignidade sobre o Rei Arthur é uma tarefa muito difícil, porque simplesmente não existe nada historicamente confiável. Aliás, “Arthur” é um herói que nem consta das linhas do tempo nos sites de história ortodoxa. Para suprir esse vazio, abundam as tradições dos antigos trovadores e novelistas que iam de burgo em burgo cantando as proezas heroicas de um grande guerreiro que unificou as tribos bretãs e expulsou os invasores normandos e saxões provenientes do continente europeu no século V de nossa era cristã.

Na Idade Média, época em que todas as mesas eram compridas, a távola do rei Artur surpreendia as pessoas: "Por ser redonda, ela não tinha nem cabeceira alta, nem cabeceira baixa; por isso, todos sentavam em volta dela como iguais". A Távola Redonda foi um presente do mago Merlin ao rei Artur. Ao seu redor, sentaram-se doze cavaleiros que tinham um ponto em comum: juraram ser honrados em toda e qualquer situação e dedicar-se incansavelmente à busca do Graal, uma taça misteriosa que havia contido o sangue de Cristo. 

Nesses Contos e lendas, dois cavaleiros se destacam: Percival, o Galês, enamorado de Brancaflor, e Lancelot do Lago, talvez o único que nunca traiu a mulher de seus sonhos, mesmo condenado a um amor impossível: ele amava Guinevere, a mulher do rei Artur. Ser membro da ordem da cavalaria era o ideal de todos os jovens da nobreza. Obter essa honra significava viver entre amores e guerras e estar sempre pronto a vencer os desafios com entusiasmo e bravura.

No presente, na vida do pioneiro, também vamos perceber a busca que esse jovem faz para encontrar o conhecimento. Ele como um antigo cavaleiro se aventura por novos caminhos, norteado por um código (Lei Escoteira e Virtudes Pioneiras) e com um lema a seguir: Servir. Diante da semelhança, nada mais natural que se adote como Mística do Ramo Pioneiro a época e os costumes dos Cavaleiros da Távola Redonda.

Tal fato não significa teatralizar os momentos místicos e importantes da vida do pioneiro e, sim, resgatar dos Cavaleiros os costumes e símbolos que são comuns a ambos.

Lembremos que místico é o que contém o caráter de alegoria (falando-se de coisas religiosas); misterioso; relativo à vida espiritual; relativo à devoção religiosa; devoto; aquele que professa o misticismo; aquele que é muito devoto; aquele que escreve acerca do misticismo. No caso do movimento Escoteiro a mística nos guarda lembranças e sentimos orgulho em pertencer a um movimento onde ela tem muito valor. - "Sou forma de vida misteriosamente mística, guiada pelo vento, entre o céu e a terra”.