Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Mensagens de Baden-Powell. Pensamentos de BP sobre a religião.



Mensagens de Baden-Powell.
Pensamentos de BP sobre a religião.

Prólogo: - Um dia me perguntaram qual a religião de BP. Vejamos: Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, era filho do Reverendo H.G Baden-Powell, Ministro da Igreja Anglicana. Portanto, ele era anglicano, aliás, como a maioria das famílias aristocratas da Inglaterra eram.

Orações.
- É hábito excelente pedirmos também pelos outros. Por exemplo, ao ver partir um comboio, peçamos a Deus por todos os que nele viajam. O rapaz deve aprender a rezar e não a recitar orações. Outra sugestão que lhe dou é que desenvolva o hábito de agradecer a Deus, ou rezar em ação de graças, em todo e qualquer momento por qualquer pontinha de felicidade que possa ter sentido, como, por exemplo, um dia agradável, um bom jogo, etc. (e não simplesmente por uma boa refeição).

- Deste modo, a oração e a comunhão com Deus tornam-se um hábito de vida em vez de uma formalidade reservada a ocasiões bem determinadas e feita com palavras caras de que o rapaz só compreende uma parte. Deixemos que as orações nasçam do coração, e não que sejam ditas de cor.

- Os princípios fundamentais em que pessoalmente prefiro basear as orações são os de estas serem curtas, exprimidas em linguagem simples, e tendo por base uma ou duas ideias: - agradecer a Deus pelas bênçãos ou alegrias recebidas; - pedir proteção moral, força ou conselhos para fazer algo por Deus, em contrapartida. Uma cerimônia religiosa própria de Escoteiros deve ter tanto efeito nos rapazes como qualquer cerimônia realizada na igreja, desde que, ao realizá-la nos lembremos de que os rapazes não são homens adultos, e avancemos ao ritmo dos mais novos e mais incultos de entre os presentes.

- Não confundamos tédio com reverência, nem nos convençamos de que gera religiosidade. Deve o Chefe ouvir quando sentir que os jovens estão em duvidas quanto às inclinações ou ao seu caráter. Pode em grande parte conhecê-los escutando. Em geral, quando o Chefe tem falta de ideias, não imponha aos Escoteiros atividades que, em sua opinião, estes devam apreciar; deve, antes, descobrir, ouvindo-os ou interrogando-os, que atividades mais os atraem, e verificar até que ponto as pode pôr em prática.

- se forem de molde a beneficiar o rapaz. Perguntai ao rapaz. Esta sempre foi à fórmula mais conhecida para lidar com qualquer vulgar dilema da vida quotidiana. Da mesma forma, quando estiverdes em dúvida quanto à melhor maneira de lidar com o rapaz e educá-lo, poupareis tempo, preocupações e trabalho de reflexão e de observação se, em vez de estudardes volumes de Psicologia, consultardes a maior autoridade na matéria - o próprio rapaz.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Crônicas de um Velho Escoteiro. Quando o futuro chegar. As fotos que um dia correram o mundo.



Crônicas de um Velho Escoteiro.
Quando o futuro chegar.
As fotos que um dia correram o mundo.

Prólogo: - “As fotos - Caro Osvaldo Ferraz... As fotos... ah! essas fotos que acompanham seus escritos... Ate o prazer de vê-las será tirado das próximas gerações escoteiras, pois as da geração atual não se prestam mais... quer pela roupa usada, quer pela ausência de relatos fotográficos como os do nosso tempo”... (de um leitor amigo).

                     È mesmo, as fotos são documentos importantes para mostrar as gerações futuras de onde viemos o que somos e para onde vamos. Elas significavam um retrato vivo de um escotismo autêntico, onde o jovem aprendia a fazer fazendo, acampava diferente dos dias de hoje e sua sede de aventuras não tinha impedimentos legais para que não se fizesse como devia ser. Elas tinham um “que” saudosista que marcava uma época onde todo o método Escoteiro exalava verdades no campo ou na sede. Era uma forma de estar presente em qualquer ato ou fato, onde se era reconhecido pelo chapéu, pelo lenço e pelo uniforme impecável na sua apresentação. Uma disciplina aceita e não imposta, uma aceitação sem obrigação. Onde a Lei e a Promessa ainda não tinha discussão se deveria ser alterada ou não.

                    Tivemos homens que se dedicaram a mostrar como se fazia escotismo através das fotos. Pierre Joubert. Ele um ilustrador Francês, divulgou o Escotismo na França e no mundo com seus desenhos, levando milhares de jovens durante várias gerações as aventuras vividas pelos Escoteiros. Dizem que suas pinturas eram iguais ou melhores que Norman Rockwell. Estes e outros famosos ilustradores fizeram uma geração aprender a fazer fazendo só olhando suas fotos e desenhos. Na série Signe de Piste Pierre se supera. Seus desenhos ricos em detalhes são acessórios importantes para os textos dos livros que ilustram. Vários desenhos no novo (antigo) Manual do Escotistas do Ramo Escoteiro lançado em parceria com a Oficina Scout foram inspirados nos desenhos de Joubert.

                      Uma foto faz que as pessoas lembrem-se do seu passado e que fiquem conscientes de quem são. O conhecimento do real e a essência de identidade individual dependem da memória. A memória vincula o passado ao presente, ela ajuda a representar o que ocorreu no tempo, porque unindo o antes com o agora temos a capacidade de ver a transformação e de alguma maneira decifrar o que virá. A fotografia captura um instante, põe em evidência um momento, ou seja, o tempo que não pára de correr e de ter transformações. Ao olhar uma fotografia valorizamos o salto entre o momento em que o objeto foi clicado e o presente em que se contempla a imagem, porém a ocasião fotografada é capaz de conter o antes e depois.

                      São as fotos nosso marco da história. Seja ela o que for. Na fotografia encontramos a ausência, a lembrança, a separação dos que se amam, as pessoas que foram para outra vida, e as que desapareceram. As fotografias nos mostram a realidade do que foi e do que será. Mostre uma foto de Escoteiros de alguns anos passados e qualquer um irá identificar que aqueles eram meninos aventureiros, Escoteiros que sorriam no perigo, não tinham medo da noite e das florestas. Uma foto de um campo de patrulha, de uma jornada, da alegria em alcançar o pico da jornada, da velha carrocinha que tantas saudades nos deixaram, da ponte construída, do ninho de águia da escada de cordas e tantas outras construções que  ficaram na história.

                     Um Velho amigo me corrige a dizer que isto não acontece mais. O que foi não volta mais, o que será daqui para frente só as gerações futuras poderá dizer. Já não se vê fotos de patrulhas, a escalar montanhas, em suas barracas nos seus campos de patrulha, da cozinha fumacenta das artimanhas e engenhocas que tantas saudades nos trazem. Brincar em arvores com suas cordas solta no ar. Correr atrás das borboletas, colher flores silvestres para enfeitar a mesa rústica do jantar. Lavar sua própria roupa, dobrar nas técnicas aprendidas, vestir o uniforme com orgulho para se apresentar a quem nos quer ver. São as fotos os documentos do passado. São as fotos que dizem o que fomos e são elas que trazem recordações de cada um que tiveram o orgulho de estarem presentes nas grandes atividades Escoteiras.

                    Esperemos que as gerações futuras possam ver o escotismo de Baden-Powell como ele foi e como ainda deveria ser. Estamos esquecendo que os meninos daquela época eram sonhadores aventureiros e falamos para os de agora outra linguagem. Não deixamos que eles digam ou sonhem que são heróis, que gostariam de fazer uma grande aventura. Em nome de novos tempos vamos aos poucos fingindo ouvir a opinião deles. Os que falam o contrário são frases que não passam de uma metáfora. Hoje os que ainda ficam aceitam por pouco tempo e não tem mais os sonhos que os jovens meninos ingleses tinham quando colecionavam o “Aids to Scouting (Ajudas à Exploração Militar) ou mesmo o Scouting for Boys (Escotismo para rapazes). Quem sabe posso estar enganado. Quem sabe teremos um futuro maravilhoso e os meninos e meninas da geração futura iram sorrir com suas fotos, com suas lembranças e com o escotismo aventureiro que sempre sonharam.

                   E eu, um Velho Chefe Escoteiro saudosista vou tentando achar aqui e ali, as fotos que um dia vivi e sei que muitos viveram comigo. Elas fazem parte da minha, da sua e de toda histórias dos Velhos Escoteiros que como eu ainda tem sonhos. São elas as fotos que como comentou o meu amigo, ainda dão o prazer de vê-las.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Nomenclatura e símbolos do ramo Lobinho.



Conversa ao pé do fogo.
Nomenclatura e símbolos do ramo Lobinho.

Prólogo: Um artigo feito para leigos que ainda não conhecem a fundo o ramo lobinho. Os símbolos e nomenclaturas aqui descritos são bem conhecidos dos nossos chefes de lobos que estão na ativa. Se você que está lendo tem um filho na idade de sete a dez anos, procure uma alcatéia de lobos em um Grupo Escoteiro e vais ver em pouco tempo uma mudança enorme no seu caráter.

Nossos lobinhos e lobinhas convivem constantemente com uma série de nomes e símbolos originários da história do Povo Livre: Alcatéia, Matilha, Lobinhos e lobinhas, Gruta, Grande Uivo, Flor Vermelha, Roca do Conselho.

- A Gruta - A gruta é o abrigo onde os lobos se reúnem para planejar suas caçadas. É a sala da Alcatéia decorada com os elementos significativos e aos quais os lobinhos e lobinhas atribuem valor.

- O Uniforme - O uniforme ou a vestimenta permite a exposição de símbolos e distintivos. Cor, bandeira e hino - O amarelo é a cor do Ramo Lobinho e a bandeira da Alcatéia é um retângulo de 98 cm x 68 cm de largura, na cor amarela com o desenho escolhido pela Seção. O hino dos lobinhos é “Irmão de lobo nasci, de um povo livre e valente...”, mas o Manual indica “A flor vermelha”.

- O Totem - O bastão-totem da Alcatéia traz a figura de um lobo na parte superior e representa o Povo Livre de Seonee. Ele contém fitas com os nomes dos lobinhos e lobinhas, nas quais são gravadas as suas conquistas. É uma espécie de talismã coletivo e está presente em todas as ocasiões importantes para a Alcatéia. Estrutura da Alcatéia - Os lobinhos são organizados em matilhas, cuja formação coloca à frente o líder (Primo ou Prima) eleito pelos demais. O Segundo ou a Segunda vai atrás da fila da Matilha para ajudar o Primo ou a Prima a orientar a Matilha e cuidar de seus elementos. Cores das Matilhas - Branca, Cinza, Preta, Vermelha, Marrom, Amarela e Castanha (cores de lobos).

- A mística no ramo Lobinho.
- Uniforme - A Alcatéia usa uniforme ou a vestimenta. O boné é opcional no traje, mas é importante para proteger a criança do sol e do sereno, além de receber o distintivo do Lobo (azul). Distintivos - São as marcas das aventuras pela Selva. Eles contam a história de cada um. - O distintivo deve ser encarado como uma conquista marcada pelo empenho pessoal. Não existe excesso de distintivos quando todos eles são merecidos. Incentive as crianças a se esforçarem para isso.

- Lei do Lobinho - Grandes conselhos em pequenas frases assertivas conduzem os lobinhos à vivência dos valores preconizados pelo Movimento Escoteiro, concretizados pelas situações e ações dos personagens da Jângal.

- Flor Vermelha - é a festa em torno do fogo, uma grande oportunidade para invocar a fraternidade escoteira e dar oportunidade aos lobinhos a expressarem-se teatralmente.

- Roca de Conselho - É a assembleia dos lobinhos como o era para o povo livre. É um exercício de democracia e da qual participam as crianças e os Velhos Lobos.

- Livro de Caça - Pode ser um álbum ou um caderno onde são registradas as aventuras dos lobinhos e as tradições da Alcatéia.

- Saudação – Assim como na Jângal as palavras “SOMOS DO MESMO SANGUE” permitia que todos se reconhecessem, em todo mundo os lobinhos se reconhecem por meio da saudação. E de seu lema “Melhor Possível”.

- As áreas de desenvolvimento – seus personagens símbolos são exemplos de vivência das propostas de desenvolvimento que fazemos às crianças e muitas passagens das histórias do Livro da Selva mostram isso.

- Concluindo: A ênfase do Ramo Lobinho é a socialização dos jovens. A melhor maneira de influenciar os lobinhos a respeito da importância da vida em coletividade, onde cada um apoia e é apoiado pelo outro é por meio de exemplos da Jângal, onde o discurso nunca é incoerente com a prática. O Fundo de Cena proporciona emoção, ação e poesia, o que diferencia uma Alcatéia de um grupo de garotos que estão meramente e por acaso, reunidos...

domingo, 16 de dezembro de 2018

Crônica de domingo. Escotismo vale a pena à dedicação?



Crônica de domingo.
Escotismo vale a pena à dedicação?

Prólogo: - No dia que entrei no movimento Escoteiro, não tinha ideia do nível de importância que ele conquistaria em minha vida. Sem saber, cruzei meu caminho com ele e, de repente tudo passou a fazer mais sentido. Foi então que me completei até o dia que descobri que meus caminhos poderiam ser outros.

                         Em uma roda de chefes em volta de uma fogueira, escutava uma discussão acalorada entre os mais afoitos escotistas que o mundo já conheceu. Pelo menos na palavra deles. Surpreso ouvi essa pérola: “No escotismo descobri que o mínimo já é o máximo”. E só de estar junto aos jovens e meus amigos escoteiros sinto que a vida flui e se torna mais fácil! Bom isso. Se entregar a uma causa tem enormes valores não só como princípios de ajuda ao próximo como se sentir importante dentro do conceito pedagógico na formação do caráter.

                         A principio o Movimento Escoteiro encanta, traz uma chama diferente, afugenta o medo da amizade insincera. Ao pisarmos o primeiro sinal de pista na trilha do descobrimento, sentimos um sopro de aventura desconhecida de uma vida nunca antes vivida. Meninos e Meninas cativam. Enchem-nos de graça e de valores cujos princípios morais, regras, conceitos bate fundo no intimo de qualquer voluntario que vê no escotismo algum diferente que antes não conhecia. Impossível não se entregar. Difícil não mudar o estilo de vida e que muitas vezes é motivo para discórdia familiar.

                          Tudo teve o antes e o depois. O antes uma vida cheia de rotina, seja profissional ou a dedicação aos mais próximos inclusive com os comprometidos com a família. As reuniões, os encontros de chefes, as Indabas, Os Acantonamento e acampamentos, os Conselhos, as Assembleias os cursos... Estes são demais. Saímos de lá cheio de vontade de praticar a metodologia escoteira para sempre. Alguns tem o privilegio de ter ao seu lado sua cara metade e seus filhos cuja entrada neste belo Movimento surgiu entre eles um compadrio muito mais abrangente do que a vida que antes levavam.

                          Ali surge um novo abraço, um novo aperto de mão, uma saudação gostosa de fazer. E chega o dia de tremer, não de medo, mas de orgulho por ser mais um pertencente a Grande Fraternidade Mundial. Dia da promessa, dia de sorrisos, de abraços e naquela cidade dos sonhos que nunca na vida real tinha concretizado tudo muda e para melhor. Será? O amor aos filhos se espalha aos outros filhos que não são seus. A entrega é total. Alguns pagam para manter toda essa felicidade nunca antes encontrada. Pagam para os filhos, para ele ou ela e até mesmo de meninos e meninas que antes nem conhecia. Coisas de voluntário!

                          Os amigos mais chegados espantam. Que houve? Quanta mudança? Antes o chopinho, a visita fraterna, o churrasco, as idas a praia ou ao sítio para comemorar anos de convivência. Agora nada. Muitos quando se aproximam é para o ouvir o mesmíssimo novo amor que o escotismo está proporcionando. Os familiares que convivem em outra rede social assustam com tamanha entrega. Nem pense em dar conselhos, vai ouvir o que não gostaria de ouvir.

                           E quando a esposa ou vice versa não participa? Aí começam as incertezas, as contrariedades, as reclamações e até mesmo a separação o que não é bom nem para um ou para o outro. Nossas lideranças seja no próprio grupo, no distrito ou nas Regiões, sem falar na Direção Nacional não tem pessoas preparadas para agir como aconselhador. Tudo tem seu tempo e sua hora e chega àquela velha frases que ninguém gostaria de ouvir: - Ou o escotismo ou eu!

                           Diferente daqueles que germinaram no escotismo desde seus tempos de criança. Já tem uma rotina de vida formada dentro dos princípios escoteiros que sempre viveu e reconhece como sua estrada do sucesso. Muitas vezes precisamos de anos e anos para estabelecer uma moral padrão de participação que não prejudica nem um nem outro. E quando achamos que nosso rebento não quer continuar e você acha que ele está sendo prejudicado? O que fazer? Entrar onde não é chamado para dar vasão ao seus pendores de sua criação? É duro de lascar não poder fazer nada sem prejudicar um ou outro.

                            É um tema ingrato. Para alguns um tema adorável que nunca interferiu em sua vida familiar. Para outros e posso garantir as centenas o abandono de uma causa que antes era tida como um caminho a seguir rumo ao sucesso e deixou de existir. Não há conselhos. Ninguém vai deixar a entrega só por alguns escritos ou orientações que não tem nada a ver com sua vida pessoal. Escotismo é assim, uma trilha ilhada de sinais de pista. Caminho a seguir, caminho a evitar, saltar o obstáculo e chegar incólume ao ponto de reunião!

                            Assim a evasão de pessoas magnificas que poderiam trazer valores e contribuições enormes a associação vai perdendo na trilha de BP muitos que acreditaram na esperança de ajudar e viver feliz. Mas nem tudo é amargo. A receita fica com a Chefe de lobos que me disse: - Chefe... O que antes caos, hoje é tranquilidade. O que era medo, hoje é confiança. O que era vazio, hoje é completo. O que era tristeza, hoje é sorriso largo. O que era busca hoje é certeza. O que me faltava era o “mosquito” me morder para ser e morrer Escoteiro!                               

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Místicas e tradições do escotismo. Os símbolos de Gilwell Park.



Conversa ao pé do fogo.
Místicas e tradições do escotismo.
Os símbolos de Gilwell Park.


 Prologo: - O Parque de Gilwell e o Curso da Insígnia de Madeira trouxeram ao Escotismo uma série de símbolos que nos são, ainda hoje, bastante familiares: o lenço, a anilha, o colar de contas, o portão dos leopardos e o machado enterrado no tronco.

O lenço.
Francis Gidney, o “homem-rapaz” foi o primeiro Chefe de Campo de Gilwell Park. Gidney criou o chamado 1º Grupo de Gilwell e o respectivo lenço. Isto em 1921. Fazem parte deste grupo, por tradição todos os dirigentes, de todo o mundo, portadores da Insígnia de Madeira. Aos primeiros formandos dos cursos era entregue um lenço, de cor exterior cinzenta (cor da humildade) e interior rosa-vermelho, pertença do parque, passando a usar todos um lenço igual, independentemente da posição que ocupassem no escotismo. No final do curso, os lenços eram devolvidos ao parque. Posteriormente o cinzento exterior foi substituído por um tom bege-areia, não havendo registro de quando passou a ser usado esta cor.


Chegou a ser usado um lenço feito totalmente com o Tartan do clã Maclaren, em homenagem ao homem que doou o dinheiro necessário para a compra do parque, mas, devido ao custo excessivo do tecido, o Tartan passou a figurar apenas num retângulo no vértice do lenço. Inicialmente, o lenço do 1º Grupo era também usado pelo staff do parque, mas, a partir de 1924, passou a ser restrito aos portadores da Insígnia de Madeira. O Tartan é propriedade registada do clã Maclaren. O seu uso é permitido apenas no lenço de Gilwell e não pode ser usado para outro fim.

O colar
Originalmente, B-P tinha pensado em oferecer aos formandos do curso dois pendões para o chapéu, à semelhança do que os oficiais americanos usavam. Entretanto, enquanto vasculhava nas recordações que tinha trazido de África e da Índia, encontrou um colar com contas de madeira, tendo optado por estas. Ainda assim, as suas primeiras ideias para o uso das contas foram para o chapéu, a imitar os pendões, ou na casa de um dos botões do casaco.

Em breve, B-P decidiu alterar estas ideias, provavelmente pelo fato de que os portadores da Insígnia de Madeira só poderiam usar as contas quando estivessem com o chapéu (ao ar livre) ou de casaco. O uso das contas num colar, usando um atilho de couro, permitiria aos seus portadores usá-las em todas as circunstâncias. A ideia do atilho e do colar poderá ter tido origem noutra recordação que B-P trouxe de África.

 Durante o Cerco de Mafeking, numa das rondas que B-P fazia frequentemente pela cidade, um rapaz indígena interpelou-o, admirado por ele não andar a assobiar e sorrindo, como era costume. Numa breve troca de palavras, em que B-P se mostrou menos esperançado quanto ao futuro, dadas as condições adversas e dramáticas do cerco, o rapaz ofereceu-lhe um atilho de couro, que lhe tinha sido dado pela mãe à nascença, para dar sorte e afastar os maus espíritos. Nesse mesmo dia, a cidade recebeu a notícia de que o Coronel Plumer e as suas tropas iriam chegar a Mafeking nos próximos dias.

A Insígnia de Aquelá (Insígnia de Akelá dois dentes)

De 1922 a 1925, aos formandos do curso para Chefes de Alcateia que terminassem com sucesso, era oferecido um dente canino de lobo - A Insígnia de Aquelá -, em vez das contas de madeira. Os formadores destes cursos recebiam dois dentes. 

Em 1925, a mesma comissão que decidiu acabar com o uso do dente, instituiu o uso de uma pequena conta colorida, imediatamente acima do nó do colar, para identificar a secção a que respeitava o curso tirado: amarela para lobinhos, verde para escoteiros e vermelha para pioneiros. Em 1927, a mesma comissão decidiu-se por cancelar o uso da conta. O padre Jacques Sevin, fundador dos Scouts de France, foi um dos recebeu a Insígnia de Aquelá (dois dentes).

 Colares com mais de 4 contas. (ver colar de seis contas de BP.).
Quando os primeiros países estrangeiros começaram a ministrar os seus próprios cursos de Insígnia de Madeira, os diretores desses cursos eram nomeados representantes do Parque de Gilwell nos seus países, usando um colar com cinco contas, uma suposta tradição lançada por B-P. O próprio B-P usava um colar com seis contas. O outro colar de seis contas que surgiu foi oferecido por B-P a Sir Percy Everett, que o auxiliou desde os primeiros dias do escotismo e esteve diretamente ligado à formação de dirigentes. Em 1949, Everett entregou o seu colar de seis contas ao Chefe de Campo do Parque de Gilwell, John Thurman, para ser usado pela pessoa responsável pela formação de adultos na Inglaterra, tradição que se mantém ainda hoje.

 A anilha (anel ou arganéu como é conhecido hoje).
No início da década de 1920, B-P terá sugerido ao staff do parque a criação de uma anilha especial para ser usada com o lenço de Gilwell. William Shankley, um australiano de 18 anos, membro do staff do parque, terá usado um atilho de couro (muito usados para fazer fogo por fricção, uma prática comum nos primeiros cursos) para produzir um Nó de Cabeça de Turco com duas voltas, que foi adotado como anilha oficial de Gilwell. O termo “woggle”, que não é usado fora do escotismo, pode ter sido ideia do próprio Shankley, mas Gidney tornou-o popular, ao publicar um artigo sobre o assunto na revista “The Scout”, em 1923. Em 1943, o Chefe de Campo, John Thurman, instituiu a atribuição da anilha aos dirigentes que completassem a primeira parte (formação básica) do curso, sendo o lenço e o colar de contas atribuídos no final da segunda parte do curso (formação avançada).

 O machado no tronco
Francis Gidney, o primeiro Chefe de Campo em Gilwell, procurava um símbolo especial para o parque, que marcasse uma grande diferença entre este e a sede nacional, apesar de ser, também, propriedade da associação. Gidney queria que o símbolo representasse bem as atividades ao ar livre e a técnica Escotista, que eram vividas em Gilwell, em contraste com o ambiente administrativo e comercial dos serviços centrais. Os cursos ministrados no parque eram muito práticos e o uso do machado era frequente, sendo dada muita importância a questões de segurança com estes e outras ferramentas. Sempre que não estavam a uso, os machados deviam ser cravados num tronco, para evitar acidentes, pelo que havia bastantes machados em troncos espalhados pelo parque. Foi neles que Gidney se inspirou ao criar o símbolo de Gilwell.

 Portão dos Leopardos
Construído por Don Potter, em 1928, é, ainda hoje, um elemento simbólico do Parque de Gilwell. O portão marca a entrada do Parque de Gilwell, embora não seja usado. O portão tem este nome por causa de dois pequenos leopardos, esculpidos em madeira, no topo de cada uma das cancelas. Um dos leopardos desapareceu, há muitos anos atrás, tendo sido substituído, mas voltou a desaparecer, tendo Potter feito outro, em 1997, quase aos cem anos de idade. Potter fez parte do staff de Gilwell durante vários anos, tendo-se especializado no trabalho com madeiras.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. “Sobras” de acampamento.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
“Sobras” de acampamento.

Prólogo: - “Sobras” de Acampamentos/acantonamentos, são objetos deixados pelos lobos e escoteiros (até mesmo seniores) na inspeção final de acampamento/acantonamento encontrados durante a inspeção final.

                   Alguns chefes praguejam, outros aproveitam para comentar onde está o erro e tem alguns que dão belas risadas. As sobras de acampamento e acantonamento existem mesmo em alcateias e tropas bem adestradas. Uns chamam de sobras, outros de bagaço e tem aqueles que explodem com os monitores e dizem: De onde veio este lixo?

                   As boas alcateias e boas tropas nas suas atividades sejam elas quais forem fazem inspeções diárias ou de surpresa. O material individual é bem periciado. Confere-se tudo. Desde o material de higiene individual aos talheres e roupas. Na maioria das vezes está tudo lá e o Chefe experiente pensa que desta vez as “sobras” serão de menor monta. Não é. Lá está a indefectível sobra quando se faz a inspeção final.

                   Assim como eu, os velhos chefes escoteiros e de lobos já devem ter visto coisas do arco da velha em uma inspeção de Gilwell. Coisas de estarrecer o Chefe de Campo de Gilwell Park. Tudo bem que os meninos e as meninas (estas são mais cuidadosas) estão aprendendo. Não é assim que se diz? “Aprender a fazer fazendo”. Mas isso acontecer em um curso de chefes, adultos experientes (assim pensamos) é madeira de dar em doido.

                   Já vi em final de Cursos quando da inspeção final, objetos que nunca pensei encontrar nas “sobras” de acampamento. Cigarros, caixa de fósforos, cuecas, garfo, caneca, meias e tanta parafernália que uma vez achei uma revista Playboy com várias folhas arrancadas. Pode isso? Olhe que naquela época se exigia muitos conhecimentos dos chefes alunos para participarem de um curso desta envergadura. Mas não vamos muito longe, na Barraca da chefia ao ajudar no desmonte, lá estava um garfo, uma caneca e uma carteira cheia de dinheiro. Nossa!

                   Agora nos acantonamentos e acampamentos, principalmente quando ainda são jovens pata tenras (noviços, iniciantes) a coisa se complica. A coisa? “Minino eu vi”! Ao final de acampamento/acantonamento, a inspeção por Matilha ou por Patrulha muitas vezes seria necessário levar um carrinho de mão para recolher as sobras. E achar os donos? Sempre sobrando alguma coisa e levando para a sede. Agora era esperar a mamãe reclamar com o Chefe.

                   Como aprendemos que entregar o local melhor que encontramos seria ponto de honra, a inspeção final não pode deixar de existir. Um raio de 300 metros em volta do local de acampamento deve ser inspecionado. É ali que se encontram coisas do arco da velha. Se houver caminhada até a sede ou até o transporte de volta, os novatos aproveitam para esvaziar a mochila e carregar menos peso. Mentira?

                   Bem pode ser para você. Para mim não e olhe para muitos chefes também. Conheci chefes adestrados e bons mateiros ao fazerem a inspeção final ficam de boca aberta. Cobertores, calças, camisas, estojo de higiene, sapatos, pratos, garfo colher canecas deixadas ao leu. Haja carro para levar tudo de volta.

                   Mas meus amigos chefes sabem que isso faz parte do adestramento e do aprender a fazer fazendo. Sabemos que a maioria dos chefes treina ou adestra seus monitores e a Akelá os seus primos. Algumas sessões fazem isso pelo menos uma vez por mês. Afinal manter seu material faz parte do nono artigo da lei. Não é fácil equipar o material da Patrulha, da chefia ou da alcateia. Perder materiais de sapa muitas vezes é desleixo e vai fazer enorme falta para a próxima atividade de campo. Bom quando se tem um intendente ou almoxarife bem adestrado. Merecem uma medalha de Parabéns!

                   O importante é treinar ou adestrar como se diz os chefes de antigamente. Todos podem errar uma duas ou três vezes, mais que isso alguma coisa está errada. É ruim quando a mãe nos cobra a falta de algum objeto do seu filho. Podem não acreditar, mas em um acampamento de distrito, quando todos já tinham ido embora encontrei uma mochila com todo seu material encostado em uma árvore de um Chefe que displicentemente pegou o ônibus e foi o mais alegre cantante na viagem!

sábado, 8 de dezembro de 2018

Hoje não tem reunião, “Tamo” de férias irmão!



Hoje não tem reunião,
“Tamo” de férias irmão!

Me diga Jocasta da Morcego,
Já não temos mais sossego?
Já acabou a reunião
E “tamo” de férias irmão?

Não posso escoteirar
E nem posso acampar?
Acredite até a Chefe Vera
Também saiu de férias.

Soube que o MacBoi,
O lobo que está dodói,
Aquele que sabia cantar,
Agora nem pode lobear.

Tom, Valdete e Maria Raia,
Foram todos para a praia.
E “nois” o que fazer?
Do Escoteiro esquecer?

“Minino” que maldade,
Agora é viver de saudade,
Já nem faço boa ação,
Na sede fecharam o portão.

Temos que entender Tião Assado,
Que os chefes estão cansados.
Chorar nem vem que não tem,
Reunião só no ano que vem!

Hoje não tem reunião,
“Tamo” de férias irmão!
E guando janeiro chegar,
Vou de novo escoteirar!

Desejo a todos que tiraram umas pequenas férias do escotismo que descansem bastante, e planejem com carinho as atividades Escoteiras do ano que vem. Nunca esqueçam que o escotismo não é tudo, a família em primeiro lugar e depois sim vem este voluntarismo fantástico. Bom descanso, vida longa, muitos sorrisos e divirtam-se!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. A origem da palavra “Escoteiro”.



Conversa ao pé do fogo.
A origem da palavra “Escoteiro”.

Prefácio: - Muitos acreditam que o termo “Escoteiro” foi usado pela primeira vez no Escotismo. Neste artigo deixamos ao imaginário de cada um sobre esta palavra tão sobejamente dita com orgulho por nós que praticamos o Escotismo. ESCOTEIRO e ESCOTISMO não são nomes próprios originários do Movimento Escoteiro, mas substantivos comuns que denominava exploradores e mateiros e a ciência do que praticavam.

                       O termo escoteiro de acordo com o dicionário é definido como: Escoteiro; adjetivo e substantivo masculino. Desimpedido, sem bagagem, sozinho; membro de associação de meninos (as) ou adolescentes organizada de acordo com o sistema de seu idealizador Baden Powell.

                      “A Adoção no Brasil do termo “escoteiro” deve-se ao Dr. Mário Sergio Cardim, principal fundador da Associação Brasileira de Escotismo (ABE), com sede em São Paulo e do Escotismo feminino no Brasil. Sua utilização nesse sentido não é conhecida em nosso país, quando o Dr. Mário Sérgio Cardim descobriu que o substantivo “escoteiro” representava não apenas o “só″, bem como “pioneiro” e “lépido”, conforme lições de Herculano, Camilo, Gaspar Nicolau, Blutteau, citada pelo filólogo Candido Figueiredo.

                      Depois de uma palestra na “Rotisserie Sportman”, com Olavo Bilac, Amadeu Amaral e Coelho Neto, decidiu-se o Dr. Cardim pelo termo “escoteiro”, mais parecido com “scout”, e já empregado em Portugal (escutas), pelo Hermano Neves na tradução do livro de Baden Powell “Scouting for Boys”.
Submeteu a confronto os vocábulos “pioneiro”, “adueiro”, “vanguardeiro”, “bandeirante” e “escuta” que eram então propostos.

                      Esse termo foi oficializado pela Associação Brasileira de Escoteiros, com sede em São Paulo, em seus estatutos impressos na casa Vaberden, em 1915, registrado na 1ª circunscrição de São Paulo, naquele ano, de acordo com a lei. Conforme o Relatório de 1914/16 da A.B.E., o Dr. Mário Sergio Cardim sustentou pelas colunas de “O Paiz” uma amistosa discussão com o Dr. Olympio de Araújo, membro da Academia Mineira de Letras, que defendia o termo “bandeirante”.

                     Afirma o referido relatório, na página 4: “Provamos então que “escoteiro” significa também corajoso, esperto, destro, etc.…, e que, “bandeirante” tinha o inconveniente de poder denunciar uma preocupação regionalista.” As organizações escoteiras que funcionaram no Brasil, antes da A.B.E., segundo nos consta, usavam ainda denominações em idioma estrangeiro, como é o caso do “Centro de Boys Scouts do Brasil” no R.J.

                     Também foi o Dr. Mário Sergio Cardim que utilizou pela primeira vez o termo “Sempre Alerta” para tradução de “Be Prepared”. Além do texto acima, também me socorro de um texto postado recentemente, por Fernando Robleño, que diz o seguinte.

                O vocábulo “escoteiro”, diferentemente do que se prega, não foi inventado pelas associações escoteiras. As primeiras aparições do termo “escoteiro” datam antes mesmo de Baden-Powell ou, no caso do Brasil, antes de Sergio Cardim (que, como todos sabemos, escolheu essa palavra, entre outras, para definir os praticantes do escotismo). Em 1879, por exemplo, a palavra “escoteiro” apareceu na obra “Cancioneiro Alegre”, de Camilo Castelo Branco. Pode ser visto, também, em “Lendas Indígenas”, de Gaspar Duarte, em 1858.

                        O vocábulo “escoteiro”, que até então era de uso comum, foi tomado de posse pelas associações escoteiras, todas elas. O termo só foi dicionarizado em 1780, e a inclusão do sinônimo “integrantes de um corpo ou unidade escoteira (sem fazer referência a uma associação) décadas mais tarde.”. Além disso, mais do que entender a origem do termo escoteiro, oportuno termos presente o significado do termo que lhe deu origem = SCOUT, que, traduzido do inglês literal, é o explorador, mateiro.

 BP define SCOUT como:
Um explorador ou esclarecedor militar, que, como sabem; é em geral, no exercito, um soldado escolhido por sua inteligência e coragem para ir adiante das tropas, descobrir onde se acha o inimigo e, informar ao combatente tudo o que puder averiguar a seu respeito. Mas, além desses exploradores que prestam serviços na guerra, há também os exploradores que servem na paz – homens que em tempos de paz executam tarefas que requerem a mesma dose de coragem e de engenhosidade. São os homens que vivem nas fronteiras do mundo civilizado.”

                     Scout é uma palavra familiar para as crianças da Inglaterra. Em 1900, ainda antes da libertação de Mafeking, apareceu uma série de histórias intituladas ‘The Boy Scout Scarlett’ e, a ‘New Buffalo Bill Library’ editada pela The Boy Scout na mesma ocasião.” Feitas estas considerações iniciais, está esclarecido que antes mesmo de BP, originariamente, o termo SCOUT era adotado para denominar o explorador, o mateiro e, SCOUTING, a ciência de explorar.

                    Que fique bem claro que os termos SCOUT (escoteiro) e SCOUTING (escotismo) não se originaram do Movimento Escoteiro criado por BP, mas ao contrário, BP utilizou estes termos porque pretendia que os jovens do Movimento Escoteiro fossem capacitados para se tornarem tão aptos quanto os SCOUT, através da prática do SCOUTING. Portanto, SCOUT e SCOUTING, e, ESCOTEIRO e ESCOTISMO não são nomes próprios originários do Movimento Escoteiro, mas substantivos comuns que denominava exploradores e mateiros e a ciência do que praticavam.