Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Vai um conselho?



Vai um conselho?

Ele se aproximou. Sorriu. Novo ainda. Olhou-me como a dizer posso? Sorri para ele e disse que sim. Sapecou-me uma pergunta a queima roupa:

- Chefe, o Canal do Youtube é uma boa ideia. Será universal ou só para a Escoteiros do Brasil?

Não titubeei. - Amigo acredito na quarta lei do escoteiro, o Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros! Meu coração é escoteiro, não importa qual associação.
- Ele parecia satisfeito com minha resposta. Mas me sapecou outra: - Chefe o Senhor parece ser mais vivido que eu. Pode dar-me um conselho? – Onde encontrarei as respostas para minhas duvidas?

– Olhei para ele espantado. Tinha que responder:
– Olhe meu amigo a vida é feita de muitos erros e alguns acertos. Para chegar à resposta certa, no resultado esperado, haverá muitas tentativas frustradas. Só há um único conselho que eu possa dar a você: Faça o que acredita que tem que ser feito, mesmo que contrarie os outros, mesmo que digam que está errado ou é impossível...

- E continuei:
- Siga o seu coração e durma certo de que se deu errado foi uma escolha sua. Nós não precisamos de ajuda para cometer enganos... Até porque só aprende quem arrisca, erra ou acerta. Se a decisão não foi fruto de uma certeza sua, você nem saberá o motivo da falha. Acredite tudo o que você precisa saber esta dentro de você! Vá em frente! -- Eu acredito que você pode.

- Falei muito falei de mais. Não era para ser assim, mas acredito que ele entendeu. Ele se despediu e fiquei pensando que Boi não é vaca, feijão não é arroz, e quem quiser que conte dois!

Uma ótima tarde a todos.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Lobinhos da Jangal, hoje tem reunião, alegria de montão.



Lobinhos da Jangal, hoje tem reunião, alegria de montão.

Arrumei minha mochila,
Arrumei meu uniforme
Acabou a dor de barriga
Está tudo nos conformes!
Pois hoje tem reunião,
Alegria de montão.

Mamãe já fez o almoço.
Calmamente sem alvoroço.
Vou sorrindo para a sede,
Vou abraçar meu chefe.
Há Alcatéia é incrível,
E direi melhor possivel.

Já sei a lei do Lobinho,
Não sou feijão com bolinho.
Eu digo sempre a verdade,
Sou bacana sem alarde.
Hoje vai ter uma trilha,
Vou seguir com a matilha.

Ouço sempre os velhos lobos,
Faço certo não sou bobo.
Tomei banho mais de cinco,
Pois o Lobinho está sempre limpo!
Sou Lobinho e amo a flor de lis
Gosto muito sou feliz!

Meu pai disse não seja louco,
O Lobinho pensa primeiro nos outros!
Sei hastear a bandeira,
Gosto dela bem faceira.
Sou Lobinho disciplinado
Não sou de grito, sou mais calado.

Amo muito a Akelá,
O Balu e a Kaa.
Não sou Lobinho balela,
Gosto também da Bagheera.
Papai e mamãe até mais,
O Lobinho nunca desiste... Jamais.

Vou feliz correndo prá sede,
Pois eu estou sempre alegre
Eu faço o que sempre quis
Sou Lobinho sou feliz!
E hoje tem reunião,
Alegria de montão!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O Cantil, a faca e o chapelão.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O Cantil, a faca e o chapelão.

                                      Dizem que o gato tem sete vidas e o antigo escoteiro duas. Será? E o novo escoteiro? Bem pensemos que o antigo viveu o passado e está vivendo o presente e o escoteiro novato não. Há um embate surdo entre o antigo escoteiro e novo escoteiro, digo jovens meninos não entram nessa discussão. Os meninos seguem o Chefe e costumam gostar do que fazem. Como não há meio de dizer qual o melhor se o escotismo do passado ou o escotismo de hoje cada um puxa a sardinha para seu lado.

                                      Comparar o passado com o presente, escoteiramente falando é perda de tempo. Cada lado defende o seu e muitos com bons argumentos. Não se convencem com seu adversário e ai vem à réplica a tréplica e o escambau. Se deixarem ficam se debatendo por décadas até chegarem à conclusão que envelheceram. Kkkkk. Cada lado apresenta seu raciocínio lógico e o lado contrário também. Não devemos esquecer que a finalidade do escotismo de Baden-Powell é uma só e visa principalmente o jovem através de um método revolucionário e atraente:
- Aceitação da Promessa e da Lei escoteira;
- Sistema de Patrulhas;
- Programas progressivos e atraentes;
- Aprender a fazer fazendo;
- Contato com a natureza.

                                         Poderíamos alavancar uma série de outras propostas de BP tão bem expostas no programa escoteiro, mas fiquemos com uma delas: - O Método Escoteiro é um sistema de progressão, a intenção é estimular que cada jovem desenvolva suas capacidades e seus interesses. Ele faz isso colocando desafios a serem superados, aventuras, incentivando a explorar, a descobrir, a experimentar, a inventar e a criar a capacidade de achar soluções; mas sempre respeitando-os individualmente, suas barreiras.

                                          Baden-Powell tinha em mente que esta metodologia seguiria por toda vida do Escoteiro. Afinal uma das principais características do Movimento Escoteiro é a Vida ao Ar Livre. O Acampamento é o auge da vida de um escoteiro. O contato com a natureza é imprescindível, já que se afastar da cidade e entrar em contato com as dadivas naturais traz saúde e felicidade. As excursões às atividades aventureiras torna o escoteiro mais forte e rijo. Com um sorriso no rosto enfrenta de peito aberto as intempéries.

                                         Sem mais delongas vemos que a maioria dos tópicos aqui descritos foram efetuados no passado e também no presente. Talvez a diferença exista em pequenas partes que para os antigos são ponto de honra. Sistema de Patrulha, treinamento de monitores, aprender fazendo, ouvir o ponto de vista do rapaz, criar raízes com a Patrulha e manter um laço com seu Grupo Escoteiro enquanto viver.

                                        Discutem-se muito sobre a Farda Escoteira. Podemos chama-la de traje, uniforme ou mesmo vestimenta. A dúvida é, criou-se ou não uma tradição para ser alterada? Para os antigos sempre ouve o consenso que o uniforme é ponto de honra na apresentação do escoteiro. Hoje em dia de acordo com muitos países que dão mais liberdade a vestimenta escoteira copiamos e isto desagrada muitos que acham um desleixo a maneira de vestir e se apresentar em publico.

                                        Já existe uma corrente, esta de novos escotistas que a vestimenta ou o uniforme não tem o valor que dão os antigos chefes. Pelo sim pelo não ainda fico com BP que dizia que a uniformização poderia até não ser prioritária, mas que ele nunca tinha visto um menino que não sonhasse em ter um. Dizer que o jovem escolhe o que quer vestir e como vestir pode até acontecer desde que não lhe seja oferecido uma Farda Escoteira. Qual menino que entra no escotismo e não sonha com sua farda, com sua faca, um cantil e um chapelão? Nove em cada dez garanto que a escolha é uma só. Afinal se ele entrou por aventura isso faz parte.

                                        Sem maiores delongas pode ser que não tenho “expertise” para tal. Pode ser. 70 anos me deu pouca experiência escoteira. Entretanto para mim o chapelão e o lenço são a maior marca do escotismo em todo o mundo. Posso dizer de cátedra, pois estive em lugares incrivelmente longínquos e ao adentrar em um arraial ou sítio todos diziam: - São os escoteiros do Brasil. Sonhos, meninos sonham, alguns são levados pela ideia do adulto que ainda não aprendeu a ouvir o ponto de vista do rapaz. Suas ideias são o caminho certo.

                                        Para mim não importa, vivi duas épocas. O antes cheio de traquinas de Baden-Powell e o hoje onde suas ideias são consideradas por muitos como ultrapassadas. Se ouvir o ponto de vista do rapaz for posto em prática, se der a ele possibilidade de conhecer o antes e o depois, se uma conversa individual trás experiência do seu ponto de vista posso assegurar que tanto no passado como no presente o escotismo pode ser desenvolvido a contendo.

                                        Portanto não importa o argumento se o ontem se perdeu no passado e o hoje é o que estamos vivendo. Cada um o antigo escoteiro e o novo escoteiro tem suas razões. Se gostam do que fazem se tem amor a sua promessa e a lei, se leva a sério o espírito escoteiro, merece nosso aplauso. Mas quer saber? Nunca fiquei sem meu chapelão minha faca e meu cantil. Novo ou velho deles não abro mão!

                                         E por favor, ao ler minhas ponderações, lembre-se não sou Baden-Powell, mas estou com sua maneira de pensar dos novos tempos: - O importante são os resultados. Se eles acontecerem dentro do espírito do método escoteiro valeu!               

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Basta ser escoteiro para ser feliz.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Basta ser escoteiro para ser feliz.

Prologo: - Gosto do que escreveu Martha Medeiros: - "Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar na pessoa, esgotar a dor. Permitir-se recordar, chorar, ter saudade”.

                                     A gente vai envelhecendo e vendo a vida passar como se não tivesse passado. Piso na relva, piso no chão de terra, piso no lodo e até na lama sempre a seguir, pois sei que nada pode me impedir. Ninguém é igual a ninguém. Uns desistem no meio do caminho outros nem esperam a curva surgir e se vão deixando para trás um rastro de boas intenções, ou melhor... De sonhos... Mas as lembranças ficarão no esquecimento? E ao apagar as luzes deste sonho dirão: - Valeu a pena?

                                    O escotismo tem disso, hora do tempo feliz, hora do tempo passado infeliz. Nem todos são capazes de se defender e para que se magoar ficando em um lugar onde não mais se sente bem? Outros dizem que amam que dariam tudo para continuar, mas saem ao primeiro sinal de dissabor, de cicatrizes que vão se avolumando. Às vezes me pergunto por que tanta sede de poder? Estarão esses falsos lideres fazendo o bem? A quem? Se em 1908 meninos sem chefes corriam pelas florestas de Londres e sorriam porque hoje com tantos chefes não é bem assim?

                                    Pisei no molhado e escorreguei, levantei e somei, andei e multipliquei, voltei e diminuí, deu um sorriso e dividi... É assim a matemática, desde os tempos de Confúcio e Jesus Cristo. Nada mudou nas contas da tabuada que não existe mais. O Escotismo deve mudar? Sem sombra de duvida, mas desculpe dizer, estão os adultos querendo satisfazer a “molecada” sem perguntar a eles se estão de acordo? Vez ou outra penso que o escotismo é dos chefes e não da escoteirada!

                                    Mas e daí Chefe? Aonde quer chegar? Ufa! Não sei, a lugar nenhum, prefiro ficar aqui a voltar ao ponto de reunião. Andei muito para chegar onde estou. Lembro-me do quebra canela, do voador, da briga de galo, da Revista na tropa, do desafio do quebra coco, passar o anel, do cabo de guerra... Ah! E veio o Boto Velho para atrapalhar... Chefe melhorar, os jogos do Boto Velho ficarão para a história. Será? Revejo meus conceitos, hoje a uma procura de novos jogos e tem tantos antigos que são supimpas para aplicar!

                                   Nunca esqueço que já crescido li por cortesia em uma ata de Corte de honra: - Ficou acordado na Corte de Honra que os jogos nas reuniões serão uma escolha da Tropa”. O Chefe ficará encarregado somente dos chamados “Jogos surpresa”. Cada Patrulha fará mensalmente sugestões apresentadas pelos escoteiros. Os monitores transmitirão entre si e aos demais às sugestões apresentadas por toda a Tropa. Nenhum jogo terá a formalidade de obrigação e sim jogado espontaneamente, não só pelo caráter competitivo, mas também pela simplicidade de jogar e divertir!

                                    Como mudou! É mudou muito. Hoje há uma procura imensa de jogos, livros, apostilhas conceitos e mais conceitos sobre os entendidos em jogos e programas. Aquele espírito de sorrir de divertir é vendido pelo sorriso do Chefe: - Olá! Meus escoteiros e meus lobinhos adoram! Risos e risos. Será que não foi o Chefe que adorou? Mas a matemática não é mais a mesma, agora se ensina diferente e a tabuada deixou de existir.

                                   Mas voltando as raias da imaginação, tentando entender você que saiu do escotismo e agora tem uma explicação? O que posso dizer? Sinto muito? Sabe, eu gostaria de sentar com você na sombra de um abacateiro, falarmos de escotismo, dos amores, dos dissabores, da matemática moderna, dos pés de pato que se julgam donos do poder e querem ver você subjugado, querem ter em você um seguidor. É proibido pensar no Escotismo! Olhe, acho que lhe dou razão, nem todos tem a vontade de continuar brigando com o vento sabendo que a luta será inglória.

                                    Zé das Quantas, aquele Chefe simplório lá de Brejo Seco, nas suas veias de poeta comentou comigo: Chefe Vado, o que é meu de verdade, ninguém me tira. O que não é eu mesma me desfaço. Eita cabra danado. Que o diga o Escoteirinho de Brejo Seco, que nunca desiste e breve será um Escoteiro de Primeira Classe... Chefe! Existe ainda? Nos meus sonhos meu irmão escoteiro, existe, é aquela aventura feita de mãos dadas, com a Patrulha amada que me fez ser o que sou. Sem ser imitador dou um boi para não entrar na briga e uma boiada para não sair!

                                  Mas convenhamos, é uma luta inglória. Pisa na Fulô Chefe, não maltrata meus sonhos... E quem se importa? Eu me importo. Digo com muita certeza, meu sangue é escoteiro, não preciso de registro e nem de subserviência, faço questão de um abraço, de um aperto de mão e dizer, amigo agora somos irmãos e vamos seguir a trilha de BP hoje amanhã e Sempre. E quem aparecer... Hora, quem aparecer... A gente salta o obstáculo desce num evasão e parte para o cerimonial, pois é hora da bandeira moço, e que se dane os que me querem ver longe!

Sempre Alerta!

         

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Conversa ao pé do fogo. Mochila ame-a ou deixe-a.



Conversa ao pé do fogo.
Mochila ame-a ou deixe-a.

Prólogo: Pensei em escrever sobre a melhor mochila. Quem sabe a experiência de um Velho mateiro podia ajudar. Melhor não... Acho que cada um de nós tem de aprender usando e sentindo se ela é boa ou ruim. Para não ficar sem um continho, aqui vai um que escrevi há tempos... E põe tempo nisso!

                                    Já tive várias na vida. Tentei guardar a primeira, mas uma enchente me deixou órfão. Quase chorei. Na sede escoteira tinha um báu delas. Presentes do Batalhão Militar da cidade.  Com o tempo fui comprando outras. A pior de todas foi a com armação de metal. Uma jornada de vinte quilômetros acabou comigo. Jurei nunca mais usar. Aprendi desde pequeno que mochila não é armário ou guarda roupa. Aprendi usando. O Akelá disse – Não vou dar lista. Levem o que acharem necessário. - Penei. A mochila não deu. Levei mais um bornal e uma sacola. Fui alvo de gozação. Lobinho pata tenra só aprende assim. Mas aprendi. E como aprendi. Afinal subir montanhas, quilômetros e quilômetros em vales e gargantas, atravessar rios ou andar em lombos de burros foi lição para nunca mais esquecer.

                                    Você pode dar uma relação de itens para eles levarem. Não vai adiantar. Mamãe, titia ou Vovó sempre tem mais um. Nunca ri de Escoteiros noviços ao chegarem à sede parecendo uma árvore de natal. Mas que dava vontade de rir dava. Ele chegava vermelho. Sonhando com o acampamento. Eu só dizia – Vai precisar mesmo de tudo isto? Ele orgulhoso respondia - Claro Chefe. Afinal não foi o senhor quem disse que quem vai para o mar avie-te em terra? Tá bom. Aprender a fazer fazendo. Um quilômetro e o pobre bufando. Dois quilômetros ele desmaia na sombra de uma árvore. – Aprendeu? Claro que sim. Sem ajuda. Nunca deixei ajudar. Levou tem de carregar. Faz parte do crescimento.  

                                   Eu aprendi assim. Cortava isto, cortava aquilo e não fazia falta. Não faz mesmo. Nunca levei saco de dormir, ou melhor, em inglês “sleep”. Um trambolho. É isto mesmo? Não importa. Carregar um nas costas? Nem pensar. Se quero conforto fico em casa. Sempre tive dois sacos de linhagens. Era só encher com folhas secas ou capim e meu colchão estava pronto. Uma cueca, um par de meias, uma camiseta, um short, minha manta e os dois sacos de linhagens. Claro higiene e um bom livro. Mais? Não precisava. Se sujava eu lavava. Tinha técnica até para passar com dois arcos de madeira. Tive uma mochila que adorava. Simples, verde, gostosa. Nas costas não machucava. Nas laterais colocava meu facão, uma chaleira e um caldeirão. Não precisava de mais. Viajei mundo. Subi montanhas serras e escalei picos sem fim.

                                Mas dei boas risadas com as mochilas dos outros. Eu sempre fui um gozador às escondidas. Nos acampamentos nacionais, regionais e internacionais era que eu dava gargalhadas mil. Meu Deus! Cada tipo de fazer inveja. Eles chegavam posudos. Como se fossem os melhores do mundo. Mochilas enormes. Cheias de barangandãs. – Por que esta rindo? Perguntavam. – Por nada, desculpe. Mas lá no fundo eu sabia que ele era um eterno pata-tenra. Sabe o que é Pata-tenra? Nas alcateias é o recém-nascido. O novato, tanta coisa para aprender! Quando você vê um conhece logo. Você sabe. Só de olhar o Chefe ou o Escoteiro você sabe se ele é amador ou não. E a Patrulha então? Só o Monitor formar e lá está. Grande ou pequena Patrulha. Não tem erro. Adorava ver um Chefe tentando me explicar sua mochila machucando na subida da serra. - Aprendeu papudo? Claro que sim. Ele aprendeu. Achou que sabia tudo e não sabia nada. Não se aprende a fazer fazendo?

                                Quando Sênior era bom andar com meus companheiros. Ninguém reclamava. Todos sabiam o que fazer. Mochilas bem postas, somente o necessário. Hora de falar, hora de cantar e hora de prosseguir o caminho das nuvens. Andei por alguns lugares com chefes mateiros. Aprendi muito com eles. Muitas vezes não levava barracas. Prá que? Em meia hora sabíamos fazer uma cabana para dois ou três. Chuva? Uma capa plástica simples e mais nada. E ela nunca durava para sempre. Mas voltemos às mochilas. Cada um sabe o que quer. Cada um compra a quem mais lhe chamou a atenção. Mas cuidado. Muito cuidado! Nem tudo que reluz é ouro. Olhe para ela. Pense se vai sentir-se confortável subindo uma montanha por dois dias, sol a pino, nenhuma sombra. Como ela está nas costas? Dói? Então não compre. Veja aquela mais simples, mais leve. Você não vai mudar de residência ou cidade. Vai acampar ou excursionar e voltar para casa.

                                Ainda sinto saudades. Muitas. Em ver todos chegando à sede. Dia do grande acampamento. Pais e mães brigando para ver seus lindos filhinhos colocarem a mochila e dar adeusinho. Os mateiros rindo e pensando na bela atividade pela frente. Os pata tenra vermelhos maldizendo as vovós e as mamães que lhe entupiram de material. Mas não adianta. Só se aprende fazendo. Feliz Baden Powell que nos ensinou e muitas vezes esquecemos. Bom acampamento!

domingo, 20 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O começo do fim.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O começo do fim.

Prologo: Ei moço, você mesmo, aquele que tem a resposta que procuro. Onde anda o meu escotismo? Podes me dizer? Ainda existe um tal de CAN e DEN na Escoteiros do Brasil?

                                      Hoje é domingo. Dia santo para alguns e dia de descanso para outros. Hora de colocar a mente no ar, respirar ar puro e se estiver acampado se preparando para desmontar acampamento quando a tarde chegar. Eu, um velhote de sonhos utópicos estou a imaginar uma seara escoteira nos moldes dos escoteiros de Xangri-lá. Dizem que lá tem alegria, respeito, amor, fraternidade e muito mais. Lá a Lei e a Promessa são levadas a sério. Mas e daí vão me perguntar...

                                     Daí meus caros escoteiros que rebusquei no tempo passado algum que pudesse me alegrar. Vida boa é de menino, de lobinho ou de escoteiro para escoteirar. Reclamar do Monitor? Eu não o meu foi supimpa. Reclamar dos meus chefes? Nem pensar. Ali não havia dissabores, contrariedades, desejos ocultos de poder. Nunca liguei para ser o melhor, minha luta era comigo mesmo. Afinal o escotismo morava nas minhas andanças do meu corpo da mente ao coração.

                                    E o tempo foi passando, fui crescendo e sentindo na pele a sede do poder. Tem poder prá todo lado. Poder de ver os humildes meninos lobos e ou escoteiros para obedecer a uma ordem dada. Poder de alcançar o topo na linhagem da casta existente em um Grupo escoteiro. Poder para comandar uma legião de adultos que estão havidos em aprender. É uma luta invisível, muitas vezes na sombra, outras criando rixas como se fossem suas e mostrando sua verdadeira face para atingir o poder.

                                   Nada de novo no front escoteiro, algumas vezes ser um distrital é um sonho quem sabe para chegar à regional. Uma loucura a procura dos tacos. Só se dão por satisfeitos quando atingem o topo da pirâmide do adestramento nacional. Ops! Adestramento? Desculpe, vislumbrei o passado hoje se diz formação, mas estão a formar o que? Sei que tem gente querendo mudar. Já notaram os novos assistentes distritais? Os regionais? Os nacionais? Um bom numero deles dando ordens nas suas andanças de programas e dizendo: Hoje tudo vai mudar, nada será o mesmo...

                                  Juro pela Alma sagrada de Baden-Powell, que nunca vi isso no passado. O sonho de ser alguém, de ver centenas ou milhares gritando Anrê, ou Bravôo para a nova figura imponente que se prende no presente para mandar... Sempre com um estudado sorriso, um ar de vitória, uma vontade de ser BP coisa que nunca irá alcançar. Pequenos aprendizes ou profissionais dos políticos que muitos de nós detestam. Mas me perguntem por que esse cacarejo de velho Chefe escoteiro?

                                 Volto-me para Xangri-lá. Chutaram-me de lá uma vez. Tentando ver coisas boas e evitar as dores, fui viajar nos Desbravadores... Ali pelo menos tem amor no coração, à religião está em primeiro lugar. Arroz e feijão? Não tem macarrão? Era assim moço nosso cardápio nos acampamentos de então. Volto atrás na penumbra do tempo e vejo a realidade: CAN X DEN os doutores da lei se digladiando pelo poder. Sabia meu caro amigo? É nossa liderança. Dão trancos solavancos, querem o poder a qualquer custo, ali não tem amigos?

                                 E lá estão eles, reuniões secretas nos porões do poder. Suspensão, tome rapsódias ou réquiem tocadas nas jornadas das Comissões de Ética. Trocam de cargos, põe alguns na geladeira... Moço três meses suspenso, fica sem função. E pimba, entra até nossa cantilena constitucional. Um Juiz civil dita o que fazer na rede do poder. Cacilda! Os que ditam normas e fazem comissões para defender nossa honra, lutando como arruaceiros para arrebanhar o poder?

                                Ainda bem que sou escoteiro do mundo. Sou um afiliado da UEB, aquela antiga, que fazia amigos e eram sem forçar irmãos escoteiros. Fiz uma promessa e não prometi ter um registro para que me respeitassem como tal. Ninguém me tira do anonimato para ser um Zé Ninguém a ser enxovalhado só porque não concorda com essa cantilena de lideres que não são nada, não exemplificam para que vieram e nem sabe para onde vão. E então para não me delongar muito eu me pergunto: Para onde caminha a Escoteiros do Brasil?

Nota: - leia Ricardo Machado em sua página. Leia também Café Mateiro. Eles entendem deste pessoal que querem estar no poder... Ou melhor do poder do nada de gente que não valorizou um sorriso de um lobinho e falsamente deram a mão esquerda dizendo que seriam transparente ao assumirem o poder.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Conversa ao pé do fogo. “A lona da COPA que não houve”


Conversa ao pé do fogo.
“A lona da COPA que não houve”

Prefácio: - Fiz esse artigo três meses antes do inicio da Copa do Mundo no Brasil. Encontrei-o folheando meus guardados. Simplifiquei e aqui está espero que gostem.

          - Quando do inicio da Copa no Brasil, me disseram que a FIFA convidou os escoteiros para serem voluntários a tirar a lona do campo quando terminassem as solenidades de abertura. A região de São Paulo aceitou convite. Obrigatório o uso do uniforme caqui. Seriam mais ou menos 250 jovens. A discussão dos manda chuvas foi supimpa. Entre os finalmentes vexame: - Votou-se para ficar na barraca e deixar a FIFA na mão. Foi uma bela demonstração dos escoteiros do Brasil para o mundo que não houve. Foi cancelada. Uma pena. São os ossos do oficio. 

Afinal o que é uma Lona?
         - A maior que vi foi do Circo Garcia. A minha de duas lonas era um tiquitito de nada. Dizem que tem outras enormes de circos “estrangeiros”, mas só vi de longe. Eu gostava da lona do circo. Ficava de longe com mais dois Escoteiros estudando como passar por baixo dela e assistir o espetáculo da noite de graça. Não podíamos pagar e o jeito era se virar. Não dizem que o mundo gira e o Escoteiro se vira? Eu sabia que fazer aquilo era contra os princípios Escoteiros, mas adorava o circo e eu precisava entrar. Palhaços, trapézios, equilibristas eram os meus preferidos. Não me culpem. Afinal meu rico dinheirinho era para comprar bugigangas escoteiras. Um dia quando da montagem do Circo Garcia, qual não foi à surpresa de chamarem a “molecada” para ajudar a desenrolar a lona e montar. Quem fizesse isso teria entrada de graça. Um sorriso enorme. Agora sim, não precisávamos mais passar por baixo da lona.

           - No dia do espetáculo a entrada cheia de gente, em cima de um caminhão os palhaços riam a valer e a mulher prego se mexendo toda. Puxa! Vai ser magra assim no inferno! Valeu o espetáculo – Respeitável publico! Aplausos para os maravilhosos artistas do Circo Garcia, o melhor do mundo! O dono do circo tinha um vozeirão danado. A banda deles tocava maravilhosamente. Na apresentação um tarol repicou como se fosse a nossa banda, mas coitado do Tarolista. Não se comparava ao Chico Zoiudo, ele sim o maior Escoteiro Tarolista do mundo.

         Minha lona do circo ficou no passado. Tempos bons. Era enfiar embaixo da lona e sempre um “paspalho” a me esperar. Segurava-me pela gola da camisa e a outra mão na minha orelha. Doía pacas, mas fazer o que? Não dizem que precisamos aprender a fazer fazendo? Mesmo com a dor lá estava eu de volta. De novo minha orelha pagando o pato por tudo. Até que escolhia o lugar certo. Proximo aos leões. Quase morri com um bafo de um, mas consegui.

         Quanta diferença das lonas de outrora para as lonas de hoje. Serão preciso duzentos e cinquenta parrudos escoteiros, ou melhor, quinhentos braços para arrastar uma lona. Será que aguentariam? Dizem que ela iria cobrir todo o campo. Vi no Google que o campo de jogo deve ser retangular, com a linha lateral (ou o comprimento do campo) sempre maior. Ela tem que ter, no mínimo, 90 metros e, no máximo, 120 metros. Já a linha de fundo (ou a largura do campo) é de no mínimo 45 metros (e de no máximo 90 metros). Em partidas internacionais, são recomendadas outras medidas: 100 metros, no mínimo, e 110, no máximo, para a lateral. Para a linha de fundo, 64 metros, no mínimo, e 75, no máximo. Putz! E a lona qual o tipo dela? Dizem que a de plástico é mais leve. Outros dizem que as melhores são as dos caminhoneiros. Alguém procurou saber qual lona os Hercules Escoteiros iram puxar?

       Fico aqui pensando o trabalhão para dobrar esta lona. Dizem que o tempo será milimétrico e se der errado uma vaia pode acontecer. Afinal estariam no campo do “Curintians” e a turma é braba. E o treino? Quantos dias? Dizem que a escoteirada aprende rápido. Claro eles serão mandados, pois ali nunca terão direito a voz e voto. Estão acostumados, pois nunca são consultados. A escoteirada será só masculina. As meninas não teriam vez. Será que a chefaiada nos treinos iriam apitar feito uns condenados? Chefes gostam de apitar. Rarará! Enfim, a conversa dos prós e contra venceu os contra. O maior Marketing Escoteiro da história ficou para o dia de São Nunca. Sinceramente nunca vi aberturas de grandes espetáculos alguém ficar famoso ou ser reconhecido porque correu metade de um campo arrastando uma lona. Quem sabe com a escoteirada seria diferente com o dono do Circo Garcia e seu megafone enorme gritando a plenos pulmões:

RESPEITÁVEL PÚBLICO! COM VOCÊS OS VALENTES ESCOTEIROS DO BRASIL E SUA LONA VARONIL! 

              E tome aplausos (ou vaia?) – Enquanto esperariam o jogo acabar fora do estádio para colocar a lona de novo, (não sei se seria assim) os bravos Caqueanos contariam estórias, causos, outros levaram seus celulares e ficariam ali vendo o que acontece lá dentro. Bem pode ser que um dos Xangri-las da FIFA como dizem meus amigos revoltosos os levariam para o teto do estádio. Ver lá de cima é melhor. Engana-me que eu gosto! Enquanto isto lá dentro do Estádio o time do Brasil penou e dançou. Sete a um no lombo sem choro e nem vela. Marketing gente é isto. O bom de tudo é que seriam todos de caqui... Adoro! Sou caqueano de coração. Vestimenta? Custa uma nota e eu sempre fui duro nas paradas financeiras. Tremo só em pensar em estar lá sujando meu caqui de linho feito na medida. Por preocupação levo o chifre do Kudu para não apitar. Rarará!

               Depois do enterro da lona e do futebol do Brasil, não tivemos o marketing de ser vistos por mais de 160 países. Dizem que seriam mais de dois bilhões de espectadores. A escoteirada de caqui iria brilhar na telinha. Já pensou? Todos que eram escoteiros pedindo para ser Caqueanos também? Final da história que não houve. O mundo todo gostou tanto do caqui dos Escoteiros brasileiros que soube que a meninada de BP fez um levante para que seja o uniforme oficial da União Galáctica dos Escoteiros do universo. Se for assim eu aplaudo os carregadores de lona! Rarará!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O quarto artigo da lei segundo Baden-Powell.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O quarto artigo da lei segundo Baden-Powell.

A maior ameaça a uma democracia é o homem que não quer pensar pôr si mesmo e não quer aprender a pensar logicamente em linha reta, tal como aprendeu a andar em linha reta. A democracia pode salvar o mundo, porém jamais será salva enquanto os preguiçosos mentais não forem salvos de si mesmos. Eles não querem pensar, desejam apenas ir para frente, seguindo a ponta do nariz através da vida. E geralmente, estes, alguém os guia puxando-os pelo nariz”! - Saia da sua estreita rotina se quer alargar sua mente. Lord Baden-Powell.

Prefácio: - Lei escoteira é um código de conduta, assumido ao se realizar a Promessa escoteira, onde se retêm as principais características do movimento escoteiro, a honra, a palavra, dignidade, lealdade, prestabilidade, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, ânimo, bom-senso e respeito.

                                  Lord Robert Baden-Powell teve uma visão fantástica ao criar o movimento escoteiro. Ele acreditou em uma grande fraternidade mundial, através da conscientização da Lei Escoteira, principalmente levando em consideração o Quarto Artigo da Lei: O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros.

                                  A lei e a Promessa são os esteios de tudo que ele nos deu, mesmo considerando seu método incrivelmente fabuloso na formação da juventude que até hoje se mantem à frente de todas as demais associações para jovens em tudo o mundo. O Escotismo segundo sua Lei e Promessa é único em todos os países onde é praticado. Honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom senso e autoconfiança.

                                 Quando Baden-Powell idealizou a Lei Escoteira decidiu não estabelecer leis proibitivas, mas conceitos para formação de pessoas benévolas, para que, desta forma, o jovem escoteiro tivesse onde se espelhar e pudesse se orientar. Assim vemos que o Chefe escoteiro tem enormes responsabilidades na formação do jovem... Exemplo que todos irão seguir principalmente sob a égide da Lei e da Promessa Escoteira.

                                  Eis que venho sucessivamente deixando mensagens em negrito, sobre temas que acho importante para estabelecermos parâmetros com o escotismo do fundador e o chamado escotismo moderno. Nossos lideres hoje em dia tem se esquecido de suas responsabilidades principalmente no que diz Amigo de todos e irmão dos demais escoteiros. Quem diligenciou as respostas em todas minhas páginas e grupos sentiu o pensamento e ação de muitos que ali deixaram suas impressões.

                                  Fico feliz em ler que a maioria disse sim: - Você é amigo e irmão dos demais escoteiros independente da Associação no Brasil e no mundo? Bom saber que temos milhares com espírito escoteiro dizendo sem sombra de duvida que á amigo de todos. Outros pelo sim pelo não se desgastaram com seus pares, ou direções distritais regionais e ou nacional, dizendo que em termo. Mea-culpa... Escrevi pensando na liderança nacional que não reconhece as demais associações preferindo os caminhos dos tribunais sem dar liberdade ao direito de escolha.

                                  Se tivessem feito uma consulta ou pesquisa com os associados da EB (Escoteiros do Brasil) é possível que tais ações não tivessem sido aprovadas. Gastou-se uma quantia que poucos sabem quanto tentando manchar a honra de outros, acusando-os de se apropriar de bens e nomes escoteiros. Pergunto-me se Baden-Powell deu procuração a eles para tal ato. Em vez de unir, dando liberdade de ação e escolha, convidando para atividades conjuntas, preferiu o caminho da grosseria que nada produziu a não ser inimigos e com isto perder em todas as instâncias.

                                  Vejo com pesar que tais voluntários que se dizem escoteiros estão locados em todas nossas lides diretivas do Movimento Escoteiro. Muitos chefes e jovens abandonaram o movimento por se considerarem perseguidos, estigmatizados ou mesmo execrados por uma conduta de quem só se interessou em colaborar com os jovens. Parasitas que emporcalharam o outro irmão sem ao menos oferecer a mão e a amizade para ajudar. E nossa direção nada faz para mostrar que nossa fraternidade é cheia de amor e paz, e dando exemplos mostrando que somos irmãos.

                                 Não são todos. Uns poucos que se acham possuídos pelo conhecimento do que é bom para o Escotismo Nacional, evitando ouvir e consultar seus pares em todos os órgãos nacionais. Tomam atitudes inócuas sem mesmo ver se o que fizeram trouxe resultados satisfatórios a toda Associação Escoteira. Infelizmente esqueceram o quarto artigo aos que escolheram outra associação para pertencer.

                                Escotismo é amor é fraternidade. Os valentes que se julgam melhores que os demais não são dignos de serem chamados escoteiros. Ninguém em sã consciência pode dizer que não é amigo e irmão dos demais se não sabe dar um abraço, a mão escoteira e dando o exemplo aos seus jovens que têm neles a figura de alguém a seguir... Um excelente escoteiro, um bom cidadão.

                                Em todos os idiomas onde o escotismo é praticado o quarto artigo da Lei é enfático: O Escoteiro e amigo e irmão dos demais escoteiros não importando que país, classe ou credo que o outro possa ter (Tradução do que Baden-Powell escreveu).




segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Crônicas de um velho Chefe escoteiro. Profissionais escoteiros.



Crônicas de um velho Chefe escoteiro.
Profissionais escoteiros.

Prólogo: Profissional é um adjetivo que se relaciona com determinada profissão. É aquele que é remunerado regularmente pelo trabalho que executa ou atividade que exerce (em oposição ao amador). Também pode ser definido como aquele que tem conhecimentos da sua profissão, ou especialista.

                   Um Chefe meu amigo publicou em meu e-mail uma comunicação da Região Escoteira de São Paulo que procura um profissional escoteiro. Deram outro nome, mais pomposo, mais moderno. Teria como função desenvolver uma área especifica por determinado tempo dando apoio aos Grupos Escoteiros existentes e organizar outros tantos. Salário médio. Pelo valor vai interessar a quem esteja desempregado e precisa garantir o sustento da família.

                   Lembrei-me dos profissionais escoteiros que conheci no passado. O Chefe Hélio da UEB foi um deles. Abnegado, um primor na apresentação e na uniformização dava apoio a todas as regiões que o procurassem. DCIM era um profundo conhecedor do Escotismo. Houve outros, mas não como o Chefe Hélio. Adoto a politica de profissionais. Eles dão apoio, desenvolvem, recrutam interessados, fazem proselitismo enfim se encontrarem um bom assim contratem. Vale a pena.

                     Os países mais avançados que praticam o escotismo tem seus profissionais escoteiros. Colaboram no desenvolvido do escotismo, dão apoio aos Grupos e seus distritos, tudo dentro da camaradagem que se espera conforme o sexto artigo da lei. Nos Estados Unidos eles dão apoio nas atividades escoteiras, conduzem acampamentos (desde que contratados) excursões em locais inóspitos. Naquela época disseram-me que eram mais de 5.000 profissionais escoteiros, hoje não sei mais. Na Inglaterra Bear Grylls ficou famoso pelas suas apresentações em documentários na TV e como se tornou um profissional Escoteiro dando uma nova conotação de marketing Escoteiro do escotismo inglês.

                   Lá pelos idos de 1973 conheci um que pecava pela fidalguia e cavalheirismo. Era um profissional do CIE (Conselho Interamericano de Escotismo). Refiro-me ao Projeto 2.000. No inicio despertou duvidas e em alguns casos invejas por parte de alguns mais retrógrados que não aceitavam aquela “modernidade”. Fui informado pelo escoteiro Chefe de sua visita. Pedia para ouvi-lo e consultar a Executiva da Região. Devíamos analisar e estudar os resultados do Projeto 2.000 todo ele financiado pelo CIE durante certo tempo e depois auto financiado.

                  O profissional escoteiro foi durante todo o tempo gentil e ficou conosco vários dias explicando e dando sugestões relevantes para a implantação do projeto. A contratação do executivo não traria para nós despesas alguma. Comprei a ideia de aceitar a oferta. O Projeto 2.000 tinha essa denominação, pois pretendia alcançar em dois anos de atividade, a organização de pelo menos 15 Grupos Escoteiros e no final conseguir pelo menos 2.000 membros. Era um programa e tanto.

                  Tínhamos em mente muitos escotistas que poderiam usufruir dessa contratação. Mas depois de longas e delongas por parte de muitos, o projeto em Minas Gerais ficou no vazio. Nos finalmente a duvida em alcançar o objetivo proposto fez com que o projeto fosse arquivado. Até hoje não me esqueço deste projeto e fico pensando se ele não teria revolucionado o escotismo na época. Não sei se ele seria bem aceito hoje, talvez sim, pois a UEB determina, manda, realiza planos sem consultar a ninguém.

                  Naquela época tínhamos autonomia, e éramos consultados em tudo. Não se mudava nada sem ouvir os interessados. Se hoje nossa direção tem um esquema brilhante para a escolha de profissionais escoteiros desconheço. Se ainda existe o compadrio nestes casos não posso afirmar. De uma coisa eu sei. Para termos qualidade e quantidade precisamos de muitos bons profissionais escoteiros. Para mim eles são muito bem vindos.

                  O tempo dirá se a Região de São Paulo terá sucesso. Eu desejo que seu projeto de um profissional tenha êxito. Não é um projeto 2.000 onde se tem uma meta para alcançar o objetivo, mas tem sua validade. Se em outros países eles os profissionais são de extrema valia, a implantação em nosso país poderia dar um passo maior na qualidade e quantidade. Minha dúvida é, haverá espaço para consultas? Haverá espaço para diálogos?

                  A favor dos Profissionais, que a Escoteiros do Brasil repatrie o dinheiro gasto com processos para direcionar em boas contratações. Essa briga idiota não tem boas perspectivas e já está sendo olhada como um passo mal dado no caminho a evitar. O que se gastou até hoje quantos profissionais poderiam ter sido contratados? Vamos lá Região de São Paulo, dê seu exemplo e mostre do que é capaz!