Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Histórias que o mundo esqueceu. “A justiça a Deus pertence!”



Histórias que o mundo esqueceu.
“A justiça a Deus pertence!”

               Chefe Billy era assistente de tropa Escoteira. Novo ainda, vinte e três anos. Procurou o grupo há dois anos atrás dizendo estar interessado em participar, mas nunca fora Escoteiro. Passou por uma bateria de perguntas e preencheu todos os formulários que lhe deram. Quase desistiu. Sentiu que ali era ele quem precisava participar e não o contrário. Chefe Billy era caladão. Andava de cabeça baixa. Nunca fixava ninguém com os olhos. Sua família não era da cidade. Conseguiu um emprego na Usina Siderúrgica e trabalhava como Operador de Forno. Uma função não muito gratificante. Alugou um quartinho nos fundos da casa de um casal de velhos e assim era sua vida fora do grupo. Era bem quisto pelos jovens. Os chefes tinham um certo receio. Não o conheciam. Ele não se enturmava. Apesar do seu jeitão esquisito alguns tinham nele uma grande admiração e respeito. Pouco falava de si e nem todos os convites extra grupo ele aceitava. Fez dois cursos de formação. Estava dando duro para conseguir sua Insígnia de Madeira.

                  Naquele sábado lá estavam todas as sessões. Uma algazarra gostosa, alegria juvenil e infantil própria dos escoteiros antes do inicio das atividades. Foi dado o toque de chamada e todos acorreram para a grande ferradura. Iria ser dado o inicio do Cerimonial de Bandeira. Todos formados. Um carro da policia parou na porta da sede. Desceram dois policiais e um investigador. – Quem é o Billy? – Sou eu ele disse. – Você está preso. – Por quê? O Delegado vai dizer. E cale a boca. Aqui não é filme americano onde falamos de seus direitos. Puseram a algema nele e o arrastaram até o camburão. Estava de uniforme. Seu chapéu tão querido caiu ao chão. Foi Lany uma lobinha quem o pegou. O grupo todo estarrecido. Fazer o que? Continuar com a reunião era melhor. Foi um sábado dos piores dias de reunião naquele grupo escoteiro. Nenhum Chefe foi à delegacia saber ou se informar. Ninguém o procurou para saber o que lhe imputavam.

                  Os jornais do dia seguinte e as emissoras de programas sensacionalistas comentaram o que tinha acontecido. Billy tinha estuprado e esganado um menino de oito anos. O jovem foi encontrado morto em um terreno baldio. Duas testemunhas juraram tê-lo visto passando perto no dia. Nada mais que isto. O bairro inteiro ficou a porta da delegacia. Os pais do menino chorosos pediam vingança. Tentaram invadir, mas foram impedidos. Billy não recebeu visitas de nenhum membro do escotismo. Soube que abriram um processo e ele foi exonerado e expulso. “Culpado por suspeita”. Lany, Alfredinho e Tomé não acreditavam em nada daquilo. Lany era lobinha, Alfredinho e Tomé eram escoteiros que passaram para a tropa aquele ano. Tentaram visitá-lo, mas não conseguiram. Impossível menor entrar no presídio. Combinaram de enviar toda semana uma carta dizendo das saudades e que o amavam muito.

                 Billy teve um julgamento rápido. Condenado a vinte e oito anos de prisão sem direito a Sursis. Foi enviado para a Penitenciaria Estadual na própria cidade. Alguns prisioneiros sabendo do acontecido o seviciaram e quase morreu. A vingança não parou por aí. Pegaram de um prisioneiro que tinha o HIV um pouco de sangue em uma seringa velha e enferrujada e aplicaram em Billy. Ele nunca gritou e nem reclamou. Sabia que nada iria reverter às decisões que tomaram contra ele. Acreditava em Deus. Era espiritualista. Tinha um motivo para tudo aquilo. Ele sabia que foi ele mesmo quem escolheu aquele caminho. Só duas coisas o alegravam na prisão. Sua fé em Deus e as cartas de Lany, Alfredinho e Tomé. Quando as recebia chorava. Uma angustia o invadia. Tremia e rezava pedindo a Deus que lhe desse força. Neste interim ninguém do grupo falava mais nele. Era carta fora do baralho. Perderam muitas crianças por causa dele. Os pais tinham medo. Melhor colocar uma pedra no acontecido.

               Dois anos depois, prenderam um vaqueiro de nome Leôncio. Alguém o viu arrastando uma criança para um terreno baldio. Foi preso. Confessou ter feito isto com nove meninos inclusive riu quando disse que foi ele que matou o menino que disseram ser o Billy o culpado. Somente cinco meses depois Billy recebeu o alvará de soltura. Um advogado ofereceu em troca de trinta por cento entrar com um processo na justiça. Ele agradeceu. O dinheiro seria maldito. Não iria pagar sua passagem para ao céu. Já estava debilitado pelo HIV. Recebia os remédios do governo, mas não estavam ajudando muito. Ao sair foi abraçado por muitos amigos que fez ali na prisão. Alguns choravam. Recebeu seu uniforme Escoteiro que ele abraçou com carinho. Não havia mais motivo para ficar na cidade. Foi até a estação ferroviária. – Perguntou ao bilheteiro - Até aonde iria com uma passagem de cinquenta reais? O único dinheiro que devolveram para ele.

               O trem chegou à estação. Quando ia subir três jovens correram para abraçá-lo. Estavam de uniforme. Eram Lany, Alfredinho e Tomé, todos crescidos. Billy chorou. Pensou em não abraçá-los. Estava magro, debilitado, sua pele manchada em vários lugares do corpo. Eles não lhe deram chance. Abraços apertados. Lany o beijou no rosto varias vezes. Entregou para ele o seu chapéu Escoteiro que ela guardou todos estes anos com carinho. O apito do condutor avisando da partida. Os que chegavam e saiam estavam assustados com aquela cena. Um homem feio, doente, sendo abraçado e beijado por uma Escoteira e dois escoteiros e todos chorando. Nunca viram nada igual. Billy pegou o trem e na janela despediu deles. Disse que escreveria. Billy não escreveu. Morreu seis meses depois como indigente em um canto cheio de lixo debaixo de um viaduto em Vitória e interessante. Estava com seu uniforme Escoteiro e no colo o seu chapéu de três bicos. Isto foi o que me contaram.

               Justiça? Só Deus sabe como fazer justiça. Para cada ato, para cada ação a uma reação. O passado não é perdoado facilmente. O perdão existe, mas cada um tem de fazer para merecer. “A justiça a Deus pertence!”.
                E lembrem-se, histórias são histórias, nada mais que histórias! 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Lendas Escoteiras. O Papagaio verde esmeralda do Capitão Lockhart.



Lendas Escoteiras.
O Papagaio verde esmeralda do Capitão Lockhart.

                 Calma. Nada a ver com o filme de Anthony Mann, Um Certo Capitão Lockhart. Mas Dona Etelvina assistiu ao filme e batizou seu filho como Capitão Lockhart. A princípio o tabelião se recusou, mas Dona Etelvina foi dura e enfática. Tem de ser este ou não será nenhum. Capitão Lockhart ficou conhecido na cidade de Pedra Roxa. A principio só curiosidade depois ninguém ligava mais. Na escola era bom aluno e todos os colegas gostavam dele por ser prestativo e educado. Capitão Lockhart tinha duas paixões. Papagaios (pipas) e escotismo. Quando fez sete anos lá estava ele se matriculando como lobinho. Não sabia que precisa de sua mãe para isto. Ela foi. Seu pai foi pracinha e morreu na Batalha de Monte Castelo quando ele ainda estava hibernando na barriga de sua mãe.

               Capitão Lockhart fazia papagaios como ninguém. Nos campeonatos anuais na cidade de Pedra Roxa quando não ganhava ficava em segundo. Cada ano mais ele se aprimorava. Sabia escolher o melhor bambu para as varetas, ele mesmo fazia a cola em sua casa usando limão galego, comprou uma tesoura sem ponta e usava sua régua e caneta da escola. Na Casa Ultimato, onde vendiam papeis de seda ela ficava horas escolhendo. Sempre tinha cinco ou seis carreteis de linha dez de reserva. Capitão Lockhart chegava da escola, fazia suas tarefas e a tarde ia até a colina do Morto Enterrado. Lá soltava seus papagaios analisando o peso, a força do vento, as linhadas, tudo para que não perdesse nada na hora de um bom campeonato.

             Capitão Lockhart era da Patrulha Corvo. Seu Monitor Nininho era meio mandão, mas todos gostavam dele. As quintas feiras a Patrulha se reunia na sede, onde eram passadas as provas para cada um. A Patrulha tinha dois primeiras classes, três segundas (inclusive Capitão Lockhart) e dois noviços. Ziri era um deles. Quiseram apelida-lo de Polegar, mas alguém achou melhor Ziri. Esqueceram que seria Siri e não Ziri. Mas apelido posto só sai morto. Aos sábados o Chefe Martinho não dava folga. Cobrava dos Monitores, cobrava dos subs, cobrava de todo mundo. Capitão Lockhart amava tudo aquilo. A tropa vivia acampando, fazendo excursões, e varias vezes ao ano ele o Chefe deixava as Patrulhas acamparem sozinhas, principalmente em acampamentos volantes bem planejados.

              Em novembro a prefeitura estava programado a primeira Olimpíada do Papagaio de Pedra Roxa. Capitão Lockhart soube que o premio seria de dois mil reais. Precisava ganhar este prêmio. Prometera dar o uniforme e o equipamento de campo ao Ziri, pois ele estava com cinco meses e ainda não conseguiu ter o suficiente para fazer e comprar. Promessa é promessa e o Capitão Lockhart não podia fraquejar. O dia chegou. Capitão Lockhart sabia das regras das Olimpíadas. Usar dois carreteis de linha dez com cento e cinquenta metros cada um, o papagaio tinha de puxar toda a linha, (os fiscais iriam olhar na manivela), ficar duas horas no ar e ganhava em primeiro lugar aquela com mais pingos de chuva no papel de seda. Tudo bem. Não era segredo para o Capitão Lockhart.

               O dia chegou. A cidade em peso lá. Mais de duzentos competidores. Capitão Lockhart fizera uma pipa de bom tamanho, mais ou menos oitenta por quarenta, passara quinze dias preparando as varetas, cortou o papel de seda harmoniosamente sem pontas e para montar seu papagaio ficou dois dias ali debruçado na sua mesinha que sua mãe lhe dera de presente. Às nove da manhã se encontrou com a Patrulha. Estavam todos uniformizados. Varias outras patrulhas, lobinhos, seniores e os pioneiros também lá estavam. O Chefe Martinho tinha orgulho do Capitão Lockhart. Adorava o menino. Ele era viúvo e namorava dona Etelvina a mãe do Capitão Lockhart. Nada contra. Eram um belo casal e juntos também foram assistir a vitória ou derrota do Capitão Lockhart.
   
              Não vou entrar em detalhes, mas foi uma disputa renhida. No final ficaram oito competidores. Passado às duas horas foi dado à ordem de descer os papagaios. Um por um foram chegado. O povo todo se amontoando para ver qual estava marcado com pingos de chuva. A do Capitão Lockhart tinha oito pingos. A do Murilo da Birosca do Pedro Mocho (bar) tinha oito também. E agora? Mais trinta minutos no ar. Então após veriam o provável vencedor. Não podia haver empates. Foi emocionante! Muito mesmo. Um frenesi no ar e em terra. Uma torcida vibrante. Os escoteiros pulando e gritando. Terminou o tempo. As pipas desceram. Capitão Lockhart ganhou com mais dois pingos. A do Murilo só um. Foi carregado entre a multidão.

                      No sábado no cerimonial de bandeira, o Chefe Martinho fez uma entrega de um certificado de mérito ao Capitão Lockhart não só por ter representado o grupo nas olimpíadas, como também pelo seu belo gesto em dar ao Escoteiro Ziri um uniforme completo, um cantil, uma faca Escoteira, uma bússola e um cabo trançado de dez metros. A tropa saiu de forma. Os sêniores também. Os lobinhos se juntaram a algazarra. Abraçavam e beijavam o Capitão Lockhart. Uma apoteose que nunca tinham visto nada igual. Soube que meses depois o Chefe Martinho casou com dona Etelvina. Dizem que viveram felizes para sempre e isto não sei, mas soube por fontes fidedignas que o Capitão Lockhart foi reconhecido como o maior soltador de papagaios do Brasil e esteve em diversos campeonatos no “estrangeiro”. Que ele seja feliz com sua gostosa habilidade. E quem quiser que conte dois! Risos.   

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Lendas Escoteiras. Lepitop, o Gato Escoteiro.



Lendas Escoteiras.
Lepitop, o Gato Escoteiro.
        
                Ninguém sabia sua origem e de onde ele tinha vindo. Nem tampouco onde morava. Há anos todas as reuniões lá estava o Lepitop. Quem lhe deu este nome também não tinham a menor ideia. A única certeza era que impreterivelmente quando o primeiro Escoteiro ou o primeiro lobinho chegasse à sede lá estava Lepitop. Interessante era que se algum Chefe fosse fazer algum serviço na sede e não houvesse Escoteiro presente, Lepitop não aparecia. Porque não gostava de adultos não sei explicar. Lepitop tinha um amor todo especial por Narinha da Matilha Rosa e Jarilson da Patrulha Raposa. Talvez porque eles descobriram que ele adorava arroz misturado com carne moída. Mas foi Narinha quem primeiro observou que ele só comia em prato de louça. Luxo?

              O Gato Lepitop tinha pelos longos com manchas brancas e incríveis olhos azuis. Um só. O outro era coberto por uma mancha branca. Muitos visitantes que iam ao grupo eram surpreendidos pelo Gato Lepitop. Sua fama percorreu toda cidade de Luar Azul. Quando a reunião começava com a chamada geral para o cerimonial de bandeira Lepitot também se formava sempre ao lado do responsável pela cerimonia. Agora ninguém ria, mas quando a bandeira subia farfalhando com o vento, ele ficava olhando e não tirava os olhos enquanto ela não alcançasse o topo. Depois corria para junto da Patrulha Raposa e durante o grito ele ficava no meio de todos, e claro, sempre no final ouviam seu “miau”. Por favor, não riam. É pura verdade. Eu vi com meus olhos que a terra a de comer.

             Lepitop não perdia nada. Da Patrulha corria para a Alcatéia para ver se conseguia alcançar o grande uivo. Quando a Akelá abaixava os braços ele ao seu lado abaixava também. Quando os lobinhos pulando e gritando o melhor, lá ia Lepitop pulando também. Sempre com seu “miau” no final. Em toda a reunião Lepitop corria de sessão em sessão. Quando a reunião terminava, Narinha e Jarilson corriam até a sede e lá colocavam sua comida. O arroz com carne moída. Lepitop ronronava, passava de leve o rabinho na perna de ambos e comia com gosto. Uma vez resolveram descobrir onde ele morava. Claro que perguntaram por toda a vizinha, mas ninguém soube informar. Narinha e Jarilson sempre se preocuparam com suas refeições aos sábados e durante a semana? Não acreditavam que ele aguentasse tanto tempo sem comer.

           O Gato Lepitop começou a ficar famoso. O Comissário do Distrito soube e foi lá visitar. O Diretor Regional também. Da UEB não veio ninguém. Quem sabe muito longe para viajar até Luar Azul.  Até o Redator Chefe do Jornal Capacete de Ouro foi lá no grupo entrevistar Lepitop. Disseram a ele que o gato falava. Risos. Um dia o pior aconteceu. O Gato Lepitop não apareceu na reunião. Os lobinhos e escoteiros sempre de olho no portão. As reuniões foram péssimas. Sem o Gato Lepitop tudo parecia ir por água abaixo. Esperaram a semana seguinte e nada. Só viam-se olhos marejados de lágrimas. Desde os lobinhos até os escoteiros e seniores. Claros os chefes e os pioneiros ao seu modo sentiam-se angustiados.

           Todo o Grupo Escoteiro fez um mutirão de buscas. As famílias dos escoteiros ajudavam. Toda a cidade foi vasculhada e a todos foi perguntado se conheciam o Gato Lepitop. Três semanas e nada. Impossível dar reunião. Ninguém queria fazer nada. Só choro e choro. Narinha coitada não parava de chorar. Nem na escola estava indo mais. Jarilson sempre com os olhos marejados de lágrimas. O Conselho de Chefes e a Diretoria do Grupo Escoteiro se reunirão muitas vezes em busca de uma solução. – A melhor seria dar férias a todos. Pelo menos um mês. Quem sabe poderiam voltar com novo ânimo? Foi um dia triste. A boca pequena todos sabiam o que ia acontecer.

          O Diretor Técnico tocou sua trombeta com o sinal de reunir. Antigamente era uma algazarra. Todos vinham correndo, sorrindo e era uma beleza ver os gritos de Patrulha e as apresentações. Fazia dó agora. Um silêncio mortal. Só olhos encharcados de lágrimas. Soluços em profusão. Um gato, apenas um gato para fazer tudo aquilo? Mas não era só um gato, era o Gato Lepitop. Aquele que era amado por todos. Meu Deus! Impossível! O Chefe começou a falar das férias e eis que aparece na porta do pátio nada mais nada menos que o Gato Lepitop. Ele na frente todo garboso, atrás dele uma linda gata amarela de pelos longos e mais atrás três gatinhos cinza e outros amarelos. Em fila indiana. Como se estivessem marchando! Um espetáculo que quem viu jamais iria esquecer.

         Lepitop tinha casado. Estava em lua de mel. Sua esposa Natibook tinha dado a luz três lindos gatinhos. Asustek, Epad e Android todos foram muito bem cuidados por Lepitop. Gritos de urras, milhões de sorrisos, canções, pulos saltitantes eram como se a luz tivesse voltado ao Grupo Escoteiro de Luar Azul. A notícia correu e toda a cidade foi até lá para ver. Foguetes foram lançados no ar. Abraços se deram aos montes. E assim, a paz voltou a reinar no Grupo Escoteiro de Luar Azul. Tudo por causa de um gatinho, um não agora eram quatro! E assim termina a história. Dizem que boi não é vaca e feijão não é arroz e então meus amigos, quem quiser que conte dois!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Namoro no escotismo.



Conversa ao pé do fogo.
Namoro no escotismo.

                        Um tema polemico. Para mim é claro. Não sou psicólogo e nem um professor no assunto. Criei quatro filhos com liberdade, mas com respeito. Hoje não é ontem e o amanhã desconheço. Algum tempo atrás entrei nesta seara, mas apareceram tantos sábios a me contradizer que coloquei um pé atrás e desisti do tema. O modernismo hoje é defendido com unhas e dentes. Sempre pensei que o escotismo era para formar, ensinar, adestrar e preparar o jovem e a jovem dentro dos princípios que nos legou Baden Powell. Não vejo com bons olhos o que anda acontecendo por aí. Para dizer a verdade tem muitos que nos sites de relacionamentos postam mensagens que não me agradam. Não posso concordar que isto leva a ser o tão falado Espírito Escoteiro. E o palavreado então? Outro dia um se dirigiu a mim (não foi o primeiro) como se eu fosse da idade dele. Lembrei educadamente que seria bom ele chamar os mais velhos de Chefe ou de Senhor, isto é próprio dos escoteiros disse. Sabe o que ele disse? Que não sou melhor que ninguém, que eu podia ir a m.! Claro que ele tinha o uniforme e à promessa, mas não tinha nada de Escoteiro. Isto é culpa de quem? Do seu Chefe? Dos seus pais? Ou será que ele está certo e o errado sou eu? Quando vejo grupos (nem todos) comentando atividades nacionais, lá estão jovens seniores, guias, pioneiros, pioneiras e escotistas falando de uma maneira que para mim é grego fico pasmado. Não precisam repetir que eu estou fazendo horas extras e deveria bater o cartão e ir embora.

                     Não entraria de novo no tema se não fosse quatro jovens que me mandaram mensagens nas últimas semanas. Pouco? Claro que sim. Não representam de nenhuma maneira o universo dos mais de vinte mil membros registrados (acima de quinze anos). E também não serve como amostragem para dizer que é geral. Nada disto, mas um dia isto vai prejudicar em muito o nome do escotismo em nosso pais. Centenas de tropas mistas, sem ter uma Chefe feminina ou então sem ter um Chefe masculino. Deram-me exemplo da escola. Lá tem professores masculinos e femininos. Bah! Não me convenceram. Contaram-me as jovens coisas incríveis que andam acontecendo no grupo deles. Isto é escotismo? Discordei e discordo de uma Patrulha mista. Não tem como dar certo. Patrulhas ter de ser do mesmo sexo. Concordo plenamente com atividades conjuntas. Nada mais que isto. Mas deixo claro que tem outros com mais qualidades que eu. Podem fazer o que eu não faria. Podem dar o exemplo que quiserem, mas o método nunca será alcançado desta maneira. E quando falam em chefes? Expulsam a torto e direito. Suspendem, e eu pergunto, culpa do jovem? Não servia para ser Escoteiro? Ou será que o Chefe não está devidamente preparado para atuar junto a uma sessão que não é fácil de conduzir? Onde foi parar a Corte de Honra? O Conselho de Chefes? E os pais? Foram informados? Na entrada pedem tudo e depois esquecem que eles existem?

               Muitos jovens são enfáticos em perguntar sobre o namoro no escotismo. Namoro? Pensei que o escotismo tinha outras finalidades. Uns dizem que os chefes implicam, outros acham que nas reuniões e atividades extra-sede é para fazer escotismo e não namorar. Mas é claro, por acaso perguntaram aos pais se estão de acordo com o namoro dos seus filhos na tropa? Discutiram com eles os prós e os contras? Ou será que o Chefe Escoteiro tem todas as qualidades para assumir esta responsabilidade que deveria caber aos pais? Quando começamos com o movimento feminino havia tropas separadas lideradas por chefes femininas. Tive a honra de dirigir o primeiro CAB Escoteiro com as chefes femininas. Mas me garantem que os tempos são outros. Falar o que? São tantos a me desfazerem que fico pensando se eles tem experiência suficiente e se os resultados foram bons.

               Poderia afirmar que mesmo aceitando uma tropa mista ela não poderia existir com um Chefe só. Como sou um pai a antiga não aceitaria minha filha ou meu filho em uma tropa assim. Mas cada um é cada um e sabe onde o calo aperta. Para mim seria obrigatório ter representantes de ambos os sexos. Explicar o porquê seria me alongar. Escotismo tem métodos próprios e mesmo tentando adaptar-se aos novos tempos, acredito que a honra, a ética, o respeito e a responsabilidade não podem desaparecer. Liberdade sim, mas abuso não. Chega de ver meninos e meninas, jovens de todas as idades mal uniformizados, camisas soltas, lenços pendurados, sem meia, de chinelos, e indo para estas atividades nacionais ou regionais sempre pensando em rever os amores que lá fizeram.

              Se aceitar o que está acontecendo em muitos grupos nosso destino pode trazer consequências que um dia poderemos nos arrepender. (Aqui abro uns parênteses para dizer que a grande maioria não procede assim). Ainda bem. Costumo dizer que para um bom entendedor meia palavra basta. Se acharem que estou errado paciência. Mas disciplina sem amizade, sem fraternidade e respeito não é disciplina e, por favor, não confundir nunca com libertinagem. Parabéns aos que estão dentro da linha do bom escotismo e pensando no crescimento dos jovens com o respeito que ele merece, mas visando única e exclusivamente sua formação moral. É isto que precisamos para um país sério que todos sonhamos. E por favor, conversem com os pais. Esta é uma educação que parte deles resolverem e autorizar. Amém! 

domingo, 21 de outubro de 2012

O sequestro da Lobinha Aninha Pata Tenra.



Lendas escoteiras.
O sequestro da Lobinha Aninha Pata Tenra.

                  Falar de Aninha era sempre motivo de diversão. Oito anos, um ano e meio na Alcatéia, com seu apelido de Pata Tenra era uma menina alegre espevitada, brincalhona e sempre animada. Em qualquer roda de lobinhos escoteiros ou chefes ela adorava conversar com todos, sempre com um sorriso nos lábios e como gostava de contar piadas. Seu repertório era formidável. Quase nunca repetia uma piada. Onde ela conseguia decorar tantas ninguém sabia. Diziam e sua mãe confirmava que ela mesma escrevia. Ficava em seu quarto até altas horas da noite escrevendo uma para o dia seguinte. Na escola uma rodinha formava em volta dela no recreio. Só para ouvir suas piadas e dar gargalhadas. No Grupo Escoteiro todos faziam o mesmo. Quando ela faltava às reuniões e todos sabiam que era por motivo de força maior o comentário era o mesmo – Aninha não veio? Uma falta grande ela fazia.

                  Sua matilha tinha verdadeira veneração por ela. Os amarelos sabiam que ela animava todas as atividades. Disse para todos que já tinha lido de cabo a rabo o Livro da Jângal. Contava histórias da Alcatéia de Sheone e sempre com uma pitada divertida. Sua mãe e seu pai sempre a alertaram para ser mais comedida principalmente com estranhos. E um dia o pior aconteceu. Aninha Pata Tenra saiu cedo de casa naquele domingo dizendo aos pais que ia ao catecismo. A igreja era perto. Sempre deixaram. Saiu as nove e as doze não tinha voltado. Sua mãe ficou preocupada. Quando deu uma hora foi atrás de Aninha. Na igreja disseram que ela tinha saído às dez e meia. Onde ela teria ido? Da igreja foi à casa de uma das melhores amiga dela. Nada. Nanda disse que não tinha visto ela no domingo. De casa em casa e ninguém sabia noticias de Aninha Pata Tenra. A cidade era pequena. Todos conheciam Aninha.

                  O delegado colocou todos os soldados a vasculharem a cidade atrás dela. Centenas de habitantes percorriam aqui e ali e até fora da cidade a sua procura. À tarde chegando e o desespero tomava conta da mãe e de muitas amigas dela na Alcatéia. A noite chegou. Um choro geral. Onde foi parar Aninha? Nunca souberam de algum “tarado” na cidade e Aninha magrinha, sem nenhuma beleza que pudesse chamar atenção poderia ter sido sequestrada? Dinheiro? Sua família não tinha. Eram humildes e lutavam pela comida do dia a dia. Alguém disse que um automóvel azul cruzou a cidade naquela manhã. – Para onde foi? Perguntou o delegado. Para a fazenda do Chico Espinhaço. Lá foi o delegado com mais de trinta automóveis atrás o seguindo.

                   Na fazenda viram o carro azul. O delegado entrou na sede e chamou o Chico. Ele saiu à porta com um estranho. O delegado o inquiriu sobre Aninha. – Nunca ouvi falar ele disse. A turba que estava próxima correu e o pegou de jeito. Se o delegado não desse uns tiros para cima eles o teriam linchado. Dois soldados o levaram para Passo Alto uma cidade próxima. Ele não poderia ficar em Rio da Prata. A cadeia não oferecia condições. Reviraram a fazenda do Chico Espinhaço. Ele ficou revoltado. Mais ainda porque gostava muito de Aninha. Afinal era diretor no Grupo Escoteiro e nunca tentaria fazer mal a ela.

                 Pela manhã ninguém tinha dormido. A procura não terminou e nem parou. A cidade em peso nas ruas. Uma revolta grande. Mandinho era Monitor dos Gaviões. Chamou a Patrulha para procurar. Um cachorro latia sem parar próximo ao Riacho do Lambari. Correram até lá e viram Aninha em cima de uma mangueira enorme. Ela chorava. Tiritava de frio. Ajudaram-na a descer. – O que ouve? Perguntou Mandinho. Ela chorando disse que foi pegar umas flores silvestres fora da cidade e deu de cara com uma onça pintada. Correu e subiu na árvore. A onça ficou quase a noite toda olhando para ela e deitada no tronco da árvore. Não dormiu. Quando o dia amanheceu viu que a onça tinha partido. Não sabia descer. Ficou com medo de cair e quando resolveu pular mesmo se machucando viu o cão latindo e voces apareceram.

                 A cidade inteira vibrou quando viu Aninha viva. O padre rezava missa por ela e quando soube agradeceu a Deus. Seus pais choravam de alegria. No sábado na reunião do Grupo Escoteiro todos queriam ouvir a sua história. Aninha como sempre animada e esperta contava aumentando tudo. Já não era uma onça, mas duas com seis filhotinhos! Dizem que “quem conta um conto aumento um ponto”. Serviu de lição para Aninha e para todos os lobinhos e escoteiros. Nunca sair sozinho. Sempre em duplas ou mais gente, e dizer sempre aonde vão. Aninha aprendeu. Nunca mais andava sozinha. O sequestro ficou na memória da cidade. Seus habitantes contavam tanto que os viajantes acreditavam. E o Senhor que foi preso esqueceram-se dele. Ficou no xilindró por quatro meses. Coitado. Dizem que chorava a mais não poder. Brasil, oh meu Brasil brasileiro. Mas quem sabe serviu também de lição para o delegado? Risos!

sábado, 20 de outubro de 2012

As coisas belas da vida. Quebra Coco. O último desafio!



As coisas belas da vida.
Quebra Coco. O último desafio!

                 Acho que o tempo apagou estas lembranças incríveis. Quase não vejo ninguém comentando. Claro, são os novos tempos. Novas músicas. Novas canções e que se anima a cantar as antigas? Elas devem ter ficado lá ao longe em um passado distante. Nem todos irão lembrar-se como foi e acho que poucos participaram do Quebra Coco na sua simplicidade de um bom desafio. E meu Deus! Como era gostoso cantar e ver os desafiantes, com suas cabeças pensantes, a meditar o que iam dizer. Eu mesmo posso dizer que tentei quando cresci manter a chama do Quebra Coco como o conheci. Acho que não fui feliz. Os jovens não se interessavam mais. Tudo foi mudando, novas ideias novos Fogos de Conselho. Quem diria que naquela época teríamos um animador de fogo? Nunca! Animador? Nem pensar.

               Para dizer a verdade acho que foi quando fiz um ano de lobo foi que ouvi pela primeira vez o Quebra Coco. Estávamos acampados na Vertente do Vale Feliz. Lobos acampando? Risos. Claro, era comum. E porque não? Era mais divertido. Lembro-me do Miúdo (era nosso Balu, nunca fiquei sabendo seu nome real) e do Munir Boca Grande (nossa Bagheera) a fazer os almoços e jantas e que manjar! Eles eram bons e todos nós em volta ajudando, buscando água, lenha, cantando e contando “pataquadas”. Bons tempos. Já tinha participado de dois Fogos de Conselho. Não sabia como era o Quebra Coco. Foi o Akelá Laudelino Pé de Chumbo quem explicou. Tratava-se de um desafio entre escoteiros. A tropa antes de encerrar o Fogo de Conselho faziam o desafio. No começo todos participavam, mas depois de algum tempo ficavam dois ou três. Os demais não eram bons repentistas.  

              Na tropa era minha diversão favorita nos Fogos de Conselho. Desenvolvi uma facilidade grande em criar versos. Nada dos conhecidos. Isto era para Patas Tenras. Poucos tinham a “audácia” de me desafiar. Já começava cantando assim – “Meus amigos, escutem bem, hoje estou um pouco rouco, mas é bom ficar sabendo, sou o campeão do Quebra Coco” e daí em diante não parava mais. Mas tudo mudou pois quebraram meu orgulho de cantador. Fomos acampar em Serra Vermelha com uma Tropa da cidade de Rio Grande e foi um desastre. Todos da tropa perguntavam se nós tínhamos bons “cantadores” do Quebra Coco. Apontavam-me e eu ficava todo orgulhoso. Não falaram nada do Mandinho. Um Escoteiro magrelo, desengonçado e achei até que ele era gago. Quando chegou a hora e ele em pé aceitou meu desafio, sorri de leve. “Este estava no papo”.

               Deus do céu! Onze horas, meia noite e o danado lá aceitando todos meus versos e devolvendo em dobro! O Chefe disse que quem quisesse podia ir para as barracas, mas ninguém arredou o pé. Minha cabeça fervilhava, a busca de versos era medonha. Mais de quatro horas e o danado do Mandinho ali com um sorriso simples, sem afetação me colocando no chinelo! – Entreguei os pontos. Fui lá do outro lado à fogueira cumprimentá-lo. Parabéns Mandinho. Perdi mas estou orgulhoso de você! Quase desisti para sempre do Quebra Coco. Mas uma coisa sempre tive em mente, ganhar é bom, mas saber perder é uma arte. Isto sempre nosso Chefe Jessé dizia.

               Os tempos foram mudando. Participei de muitos Fogos de Conselho. O Quebra Coco se tornou saudades de um tempo que já se foi. Outras canções trazidas pelos novos chefes, e ele, o meu amado Quebra Coco ficou na história de um livro que não foi escrito. Quebra Coco, Quebra Coco, na ladeira do Piá, Escoteiro Quebra Coco e depois vai trabalhar! Até hoje eu canto com boas lembranças. Se que a origem é nordestina. Deve ter começado com os repentes esses maravilhosos cantadores que encantam até hoje os que apreciam a música nordestina.

             Parei de escrever. Fui para minha varandinha querida. Meu recanto. Onde penso e faço minhas histórias. Sentei na minha cadeira rústica e olhei pela fresta do portão e vi a meninada jogando bola. Uma rua íngreme. Poucos carros. Cada um se diverte como gosta. Cantava baixinho o Quebra Coco. Saudades vem e vão e eu "Velho" Escoteiro vou lembrando como posso dos meus tempos de criança. Quebra Coco, O meu Chapéu tem Três Bicos, A Árvore da Montanha e tantas outras. Onde está meu violão? Acho que as cordas arrebentaram. Preciso comprar novas e ficar na minha varandinha a cantar. Fazer a melodia brotar de novo pelo som do meu violão. Quebra Coco, Quebra Coco, na ladeira do Piá...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Por que as pessoas sofrem?



Uma parábola interessante.
Por que as pessoas sofrem?

     — Vó, por que as pessoas sofrem?

     — Como é, minha neta?
     — Por que as pessoas grandes vivem bravas, irritadas, sempre preocupadas com alguma coisa?
     — Bem, minha filha, muitas vezes porque elas foram ensinadas a viver assim.
     —Vó...
     —Oi...
     — Como é que as pessoas podem ser ensinadas a viver mal? Não consigo entender. Na minha escola a professora só me ensina coisas boas.
     — É que elas não percebem que foram convencidas a ser infelizes, e não conseguem mudar o que as torna assim. Você não está entendendo, não é, meu amor?
     —Não, Vovó.

     — Você lembra-se da estorinha do Patinho Feio?
     — Lembro.
     — Então... O Patinho se considerava feio porque era diferente. Isso o deixava muito infeliz e perturbado. Tão infeliz, que um dia resolveu ir embora e viver sozinho. Só que o lago que ele procurou para nadar havia congelado e estava muito frio. Quando ele olhou para o seu reflexo no lago, percebeu que ele era, na verdade, um maravilhoso cisne. E, assim, se juntou aos seus iguais e viveu feliz para sempre.

     — O que isso tem a ver com a tristeza das pessoas?
     — Bem, quando nascemos, somos separados de nossa Natureza-cisne. Ficamos, como patinhos, tentando aceitar o que os outros dizem que está certo. Então, passamos muito tempo tentando virar patos.

     — É por isso que as pessoas grandes estão sempre irritadas?
     — É por isso! Viu como você é esperta?
     — Então, é só a gente perceber que é cisne que tudo dará certo?
     — Na verdade, minha filha, encontrar o nosso verdadeiro espelho não é tão fácil assim. Você lembra o que o cisnezinho precisava fazer para poder se enxergar?
     —O que?

     — Ele primeiro precisou parar de tentar ser um pato. Isso significa parar de tentar ser quem a gente não é. Depois, ele aceitou ficar um tempo sozinho para se encontrar.
     — Por isso ele passou muito frio, não é, vovó?
     — Passou frio, fome e ficou sozinho no inverno.
     — É por isso que o papai anda tão sozinho e bravo?
     — Não entendi minha filha?

     — Meu pai está sempre bravo, sempre quieto com a música e a televisão dele. Outro dia ele estava chorando no banheiro...
     — Vó, o papai é um cisne que pensa que é um pato?
     — Todos nós somos querida. Em parte.
     — Ele vai descobrir quem ele é de verdade?

     — Vai, minha filha, vai. Mas, quando estamos no inverno, não podemos desistir, nem esperar que o espelho venha até nós. Temos que exercer a humildade e procurar ajuda até encontrarmos.
     — E aí viramos cisnes?
     — Nós já somos cisnes. Apenas temos que deixar que o cisne venha para fora e tenha espaço para viver e para se manifestar.
     — Aonde você vai?
     — Vou contar para o papai o cisne bonito que ele é!

     A boa vovó apenas sorriu!

(encontrado na internet sem identificação)

Monitores, quem vive sem eles?



Conversa ao pé do fogo.
Monitores, quem vive sem eles?

Um condensado do livro de Roland E. Phillipps do seu livro o Sistema de Patrulhas. No seu livro comentou: - "O monitor não deve ser, nem ama seca, nem tenente berrão, nem domador de feras, mas apenas um irmão mais velho que se segue porque se ama". 
   
Principais características que um Monitor de patrulha deve ter:

Líder - um exemplo a seguir;
Companheiro - um amigo dá ajuda e conselhos, compreensivo;
Comunicativo - diz as suas ideias;
Leal - de confiança, preocupa-se muito com o que faz;
Democrático - respeita todas as opiniões da mesma maneira;
Humilde - não mostra a toda à gente as capacidades que tem e dá valor às dos outros;
Trabalhador - aplica-se nas suas tarefas;
Responsável - faz sempre as suas tarefas; 
Assíduo e pontual - chega há horas e não falta;
Participativo - ajuda em tudo o que é preciso, está sempre pronto.
  
As funções do Monitor: 

- Prepara as reuniões de patrulha;
- Diz aos dirigentes a opinião da patrulha; 
- Diz à patrulha a opinião dos dirigentes;
- Ajuda e ensina os elementos nas provas de etapa de progresso pessoal;
- Ajuda a resolver problemas na patrulha;
- Escreve os problemas e coisas que a patrulha precise, e leva para a Corte de Honra.
- Na Corte de Honra representa e transmite a opinião da patrulha;
- Leva o totem da patrulha;
- Fala em nome da patrulha sempre que necessário;
- Alimenta o "bom" espírito de patrulha.

As funções do Submonitor: 
- Ajuda o monitor nas tarefas de organização da patrulha;
- Substitui o monitor quando ele falta;
- Participa na Corte de Honra a convite.
- Ajuda e ensina os elementos nas provas de etapa de progresso pessoal.

 A eleição do Monitor e Submonitor: 
Eleição - conselho de patrulha sob orientação da Chefia de Tropa.
Demissão – Corte de Honra com amplo direito de defesa. 

A eleição do Submonitor: 
Eleição - escolhido pelo monitor e aprovado pela patrulha 
Demissão – Corte de Honra com amplo direito de defesa. 

É importante não esquecer que todos os cargos são muito importantes para a Patrulha estar bem. Não há nenhum melhor do que o outro. 

Na Patrulha o monitor deve preocupar-se em dar-se bem: 
- Com os elementos da patrulha; 
- Com os dirigentes e com os pais; 
  
Com os elementos da patrulha o Monitor pode: 
- Combinar lanches em casa dos patrulheiros (as);
- Conhecer as casas e as famílias;
- Ter momentos divertidos: ir ao cinema, lanchar, etc.;
- Escrever informações sobre cada um.

Com os dirigentes o monitor pode:
- Combinar encontrar-se com o dirigente para desabafar / pedir ajuda;
- Falar sobre todas as coisas, mesmo as que não concorda; 
- Organizar atividades com a Patrulha para conhecer a família;
- Combinar com os patrulheiros (as) para conhecer a família de propósito.

 O Monitor não é, nem deve ser: 
- O sabichão, saber tudo ou ter a mania que sabe;
- O mandão, mandar em todos ou ser mandado;
- O mauzão, zangar-se quando as coisas estão mal; 
- O patrão, delegar tarefas e não fazer nada; 
- A carne para canhão, assumir sozinho as responsabilidades de uma situação de patrulha; 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O Chefe Escoteiro de lua Verde.



Lendas escoteiras.
O Chefe Escoteiro de lua Verde.

                     Três patrulhas. A quarta só no ano seguinte. Tropa nova, com menos de seis meses de atividade. O Chefe Galício era novo, menos de vinte e três anos. Resolveu um dia ser Escoteiro. Nunca foi. Achou nos guardados do seu pai um livro chamado Escotismo Para Rapazes de Baden Powell o fundador. Leu em uma noite. Gostou. Seu pai quase não falava. Vivia em uma cadeira de rodas. A mãe morrera há anos. Ele ó arrimo da família. Sempre pensou em ir embora de Lua Verde. Só conseguiu terminar o segundo grau. Cidade pequena, menos de dez mil habitantes. Sem perspectivas de crescimento profissional. Não podia deixar seu pai. Para sobreviverem ele montou uma quitanda. Pequena. Na frente de sua casa para não pagar aluguel. Algumas verduras, frutas, doces, e quando pode comprar uma geladeira, refrigerantes e algumas guloseimas geladas. Dava para seguir adiante a cada mês. O “fiado” era a parte mais difícil. Como negar ao Seu Romerildo? A Dona Eufrásia e a tantos outros? Eram como ele. Nem sabiam o que iam comer amanhã.

                    Depois que leu o livro o releu diversas vezes, pensou com seus botões. - Porque não ter uma tropa Escoteira? E assim fez. Mãos a obra. Convidar meninos foi fácil, a sede também não foi difícil. Ficaram num pequeno porão da Igreja Matriz. Mas Galício não entendia nada. Começou assim na raça, nem sabia que existia autorização, alguém responsável acima dele. Ele e os Raposas, os Tigres e os Leões eram os escoteiros mais felizes do mundo. Amigos, irmãos, juntos sempre. Quando os viam pela cidade a correr pelos campos, parecia um bando de meninos loucos a fazerem suas aventuras fantásticas. Galício adorava. Um dia recebeu uma carta. Era do Grande Chefe Escoteiro da Capital. O convidava para um curso. Todas as despesas pagas. Porque não ir? A quitanda deixou na mão de Quinzinho e Marquinho. Dois Monitores que sempre o ajudavam nos sábados quando a quitanda estava cheia.

                   Partiu de trem para a capital. Quinze horas de viagem. Na chegada se informou onde era o Zoológico. Pegou o bonde. Desceu no final e dai seguiu a pé. Eram mais seis quilômetros. Nada que assustasse Galício. Quando chegou viu muitos chefes. Bastante. Gostou do curso. Não gostou de alguns. Prepotentes, vaidosos, cheios de importância. Porque perguntava? Aprendeu muito. Resolveu que devia ter uma Alcatéia. Mas quem convidar? No trem quando retornava pensava a respeito. Uma jovem morena sentou ao seu lado. Galício teve duas namoradas. Pouco tempo com elas. Nunca pensou em casar. Novo. Agora com seu pai entrevado não tinha esse direito. Ela o olhou de cabeça baixa. Galício viu que chorava. – Por quê? Perguntou. Ela não respondeu. Acordou com ela dormindo em seu ombro. Reparou que era muito bonita, mas tinha o olhar envelhecido por uma vida de lutas.

                    Toda a viagem ela chorava. Galício insistiu. Ela nada dizia. Só disse que deveria ter morrido e Deus quis assim. Que seja. - Vai para onde? Sem destino respondia – Sem destino? Não tem amigos, parentes, nada? Não tenho. Quando chegou à estação de Lua Verde tinha resolvido. Desça comigo. Ficará uns dias em minha casa. Ela assustou – Descer? E sua família? Não se preocupe. Uns dias em Lua Verde você irá colocar a cabeça no lugar e saberá aonde ir e o que fazer. Ela desceu. A cidade inteira na janela vendo Galício e a bela morena. Quem era? Ele casou? Ele não disse nada. Sua vida continuou. Seu pai nem perguntou. Os escoteiros nada disseram. Sua vida mudou. Lena era uma mulher perfeita. Cuidava da casa. Fazia tudo. Seu pai tinha os olhos brilhando quando estava ao seu lado. A cidade inteira comentando. E a Tropa? Alguns pais querendo tirar os filhos. Os comentários não eram bons. Uma mulher da vida, só podia ser.

                   Galício resolveu casar com Lena. Ela disse não. Por quê? Você não tem ninguém. – Ela chorando disse que ia contar a verdade. Era mulher de vida na capital. Gostava de um soldado. Ele prometeu casar com ela. Morreu em tiroteio com bandidos. Chorou muito e o pior. Tinha AIDS. Sim, isto mesmo! Ainda em fase inicial.  Galício manteve seu pedido. Não importa. Quero você como minha mulher. Casaram-se na Igreja de São Judas Tadeu. Cerimônia simples. Ele uma vizinha e as três patrulhas escoteiras. Casou de uniforme. Ela feliz. Sorria. Viveram muitos anos. Lena se tornou Akelá. Os lobinhos adoravam sua Chefe. Galício e Lena nunca fizeram sexo. O amor dos dois eram diferentes. Lena morreu com quarenta e oito anos. Seu velório foi assistido por toda a cidade. Dizem que virou santa. Não sei. Mas seus lobinhos hoje homens feitos nunca esqueceram a Chefe que tiveram. Galício chorou por muitos anos. Morreu com sessenta e quatro anos.

                  Conheci ambos. Sempre quando vou a Lua Verde não deixo de fazer uma visita ao tumulo dos dois. Lado a lado. Escreveram uma lápide simples. Nem sei quem escreveu. – “Aqui jaz, dois amantes que nunca foram. Amaram o escotismo e com ele viverão para sempre no céu!”.