Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Minha incrível e saudosa Cascavel da pele vermelha.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Minha incrível e saudosa Cascavel da pele vermelha.

        Não se enganem. Foi mesmo uma grande amiga. Não falo do ser humano, por favor! Falo de uma cascavel que morava nas Colinas do Pastor. Acho que foi em um inverno rigoroso que a conheci. Foi assim subitamente e não esperava. Andando na mata espessa fiquei preso com o pé direito entre dois galhos secos. Tentava sair e não conseguia. Não era longe do nosso campo de patrulha. Porque saí só? Quer saber mesmo? Fui procurar um lugar mais calmo para falar com o Miguel. Risos. Acho que vocês sabem quem é o Miguel e não dá para levar companhia. Estava eu lá olhando a folhagem de uma bela Aroeira Pimenteira, enorme, parecendo ter mais de duzentos anos de idade quando ouvi o chocalho. Nem deu tempo para fazer os “entretantos”. Sabia que o chocalhar de um chocalho é pernas para quem vos quero. Não deu outra dois passos e fiquei preso com o pé direito e o esquerdo ali se oferecendo para uma mordidinha que iria me fazer feliz para sempre lá no céu.

         Eu sabia que muitos falam mal das cobras. Dizem que são animais traiçoeiros e devemos ter o máximo de cuidado. Eu nunca tive medo delas. Sabia que só nos atacam quando se sentem ameaçadas ou algum infeliz pisa em cima delas. Até aquele dia tinha visto inúmeras Cascáveis. Nossa patrulha tinha um convenio com o Instituto Butantã em São Paulo. Eles nos mandavam as caixas de madeiras apropriadas e era só entregar ao Chefe da Estação da Vitória Minas e ele enviava. Em troca nos mandavam soro antiofídico que era doado para o hospital local. A Cascavel sempre foi a mais temida. Seu chocalho arrepiava os mais valentes dos Escoteiros e até o Zé Morto Vivo quase morreu quando foi picado e olhe, estava com um trinta e oito, um fuzil Mauser, duas facas e dois punhais. Não morreu, pois o humilde Zé Morto Vivo tinha uma reza “braba”. Portanto vamos dar um crédito as Cascavéis. Elas avisam e muito. Só um idiota e um imbecil não foge do seu chocalho.

       Falando em chocalho dizem que a gente pode saber quantos anos ela tem. Comentam a boca pequena que cada anel, ou melhor, cada guizo é formado quando ela troca de pele. A pele sai no sentido da cabeça para a cauda e ai, uma parte fica presa formando um dos anéis. Comentam também que a vida útil (ou inútil para quem já foi mordido e não foi desta para melhor) troca de pele três ou quatros vezes por ano. Portanto uma cobra com nove anéis no chocalho tem provavelmente entre dois e três anos. Mas vamos com a história da minha querida Cascavel da Pele Vermelha. Ela sim já me avisara que estava ali. Que eu me mandasse rápido pela trilha que tinha vindo. Mas o pé direito preso e ainda colocando as calças no lugar certo só me cabia rezar. Foi então que um Sapinho-cururu passou por mim e não viu a linda cascavel de bote armado. Bela refeição ela comeu.

         A cobra se esticou toda. O pobre do sapinho tentava mesmo vivo sair da barriga dela. Não conseguia. Fiquei com pena do sapinho. Tão miudinho e servindo de lauta refeição para Dona Cascavel. Consegui me desvencilhar e me mandei dali. Uma hora depois vi de novo a Cascavel da pele vermelha na porta do nosso campo de patrulha. Todos gritaram – Mata! Mata! E só vi o tripé de bastões balançar e servir aos valentes patrulheiros. Ela é claro deu no pé ou no rabo não sei. Passou meia hora e lá estava ela de novo a me olhar. Não olhava para nenhum dos big boys Scouts, só para mim. Caramba, pensei. Será que se apaixonou? Eu namorar uma Cascavel? Eis que neste interim vai a passos de tartaruga uma grande e deliciosa lesma. Pluf! Uma bocada e lá foi a lesminha para o fundo do poço da Cascavel.

           Estava agora entendendo a jogada da Dona Cascavel da pele vermelha. Ela sabia que ao meu lado um lauto almoço sempre aparecia. Fazer o que com sua escolha em me ter como Mestre Cuca Cobreiro? Melhor explicar a patrulha e deixá-la vaguear pelo campo. Ela não ia morder ninguém. Foi à conta. A Cascavel da pele vermelha virou o xodó da patrulha. Alguns até brincavam de pique esconde com ela. Boca Larga subiu em uma arvore e gritou – Você não me pega! Você não me pega! Coitado, só viu quando a Cascavel da pele vermelha começou a se enroscar no troco e ele pulou de uma altura de mais de dez metros. Nada demais. Apenas uma luxação que nós grandes socorristas que éramos o tratamos melhores que os médicos importados do estrangeiro.

          Durante os quatro dias de campo nossa amiga permaneceu lá. Quando fazíamos o sinal Escoteiro para ela, em troca balançava seu chocalho. No último dia vi que ela tinha engordado e já nem ligava mais para os girinos, sapinhos e outros bichos e insetos e só queria dormitar na minha barraca. Ficava lá horas e horas e até acostumei com ela à noite dormindo no pé da minha cama. Isto mesmo. Uma cama! Naquela época sempre fazíamos uma para nós. Época boa, bom recordar. Mas enfim, o último dia chegou. Formada a patrulha em frente onde estava arvorada a bandeira, chegou a hora do adeus. – Lobos! A Bandeira em saudação! No pé da arvore onde estava arvorada a bandeira a Cascavel da pele vermelha acompanhava a cerimonia. Tudo desmontado e já ensacado nas bicicletas era se despedir do local e se mandar. Seriam mais de vinte e cinco quilômetros a percorrer. Saindo às cinco da tarde no mais tardar às oito da noite estaríamos em casa.

           Olhei para trás e vi a Cascavel tentando nos acompanhar. Não deu. Pegamos uma descida que dava para fazer até cinquenta quilômetros por hora. Nem lembrava mais da Cascavel da pele vermelha e na segunda quando voltava da escola uma surpresa. No portão da minha casa lá estava a minha querida amiga a Cascavel da Pele vermelha. Como ela achou a minha casa não sei explicar. Expliquei a mamãe e ao papai como ela era. Minhas duas irmãs sorriram. Para dizer a verdade nunca dei alimentação para ela. Morou conosco por muitos anos. Seu Zé Carapinha nosso vizinho foi quem comentou que outra cascavel estava junto a ela. Partiram em um domingo de verão. Tempos depois passei a receber a visita dela e seus novos familiares. Uma dezena de cascáveis ali na porta de casa chocalhando como se estivessem nos cumprimentando. Fizeram isto por muitos anos até que nunca mais a vi. Por onde anda? Se estiver aqui no bairro é melhor esquecer. Todos tem medo dela. Se alguém a visse enquanto não a mandasse para a terra das Cobras Mortas não ficaria satisfeito.


          Cobras. E quem tem medo delas? Eu nunca tive. Sabia como evitar, como pegar, como correr mesmo com as calças na mão saindo em disparada do Miguel. Faz parte da vida de nós Escoteiros acampadores. De vez em quando sonho com ela, trocando a pele, engolindo um sapinho que gemia para sair de sua barriga. Sonho bobo não? É de vez em quando sinto saudade da minha amiga a Cascavel da pele vermelha. Que onde estiver que esteja feliz e que viva para sempre se é que não se reencarnou novamente. Risos!

Quem são eles?


Quem são eles?

Ei você, por favor, me diga, quem são eles?
Estes sorrisos cantorias são mesmo deles?
Aonde vão com essa tralha no costado,
Partem em bandos nem parecem assustados
Dizem que vão para os campos e montes,
Cheios de esperanças a beber água na fonte.

Sei que são meninos cheios de esperanças
A correr com bandeiras nas andanças,
No regato águas límpidas e formosas,
Contam casos contam prosas.
No lusco fusco do sol da tarde
Armam barracas sem fazer alarde.

Usam mochilas, distintivos e chapéu.
Usam lenço amarrados ao arganéu.
Na ravina eles gostam das flores
Orgulham da promessa, dos seus valores.
Armam barracas, arvoram bandeiras.
A moeda da boa ação está na algibeira.

Ei jovem, me diga quem são?
Vejo vocês fazendo boa ação,
Moço, sou menino, sou faceiro,
Olhe bem, sou Escoteiro
Amo a Deus, amo meus amigos
Amo a pátria e da lei os seus artigos.

Pensei que eram simples meninos
Enganei-me, eram divinos.
Batutas, energia que consomem
Sem duvida em breve serão homens.
Nunca seriam esquecidos forasteiros
Pois ali estavam verdadeiros Escoteiros.

Se um dia perguntarem Aonde vão
Diga com calma com amor no coração.
Eles? Meu amigo, são alegres faceiros
São meninos, eles são Escoteiros.
Vivem de sonhos correndo neste céu cor de anil,

São sinceros, são amigos, são Escoteiros do Brasil!   

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Vale a pena pensar? Ou é melhor aceitar e obedecer?


Conversa ao pé do fogo.
Vale a pena pensar? Ou é melhor aceitar e obedecer?

                   Sem nada o que fazer eu fiquei hoje pela manhã pensando. Porque nós do movimento escoteiro aceitamos tudo que nossos lideres ordenam? Porque não somos consultados? Porque não podemos votar e ser votado? Afinal eles foram eleitos por menos de  0,5% do nosso efetivo e dizem que esta é a norma atual. Batem no peito que é estatutário. Foi você quem propôs esta norma, este estatuto? Você sugeriu? Participou da discussão quando foi implantado? E ninguém discute? Ninguém comenta? Todos aceitam como se eles tivessem o poder de decisão que não é contestada? Quem sabe os politicamente corretos que dizem que somos um movimento obediente e disciplinado justifica nossa passividade em tudo que recebemos? Gosto de ver estes obedientes e disciplinados quando dizem:

                 - Vamos nos preocupar com os jovens. Estamos aqui para isto. Eles precisam de nós. Os dirigentes que fiquem em paz ou: - Se acha que devemos ter mudanças e não concorda com o que está aí vá à assembléia. E quem foi lá sabe que perdeu tempo. E quanto tempo. Eu que o diga. Mas vamos ver o que BP disse sobre isto. Será que ele era cordato como nós somos? Afinal foi ele quem nos deu este Escotismo maravilhoso que praticamos. Leiam e meditem em suas palavras:

“A maior ameaça a uma democracia é o homem que não quer pensar pôr si mesmo e não quer aprender a pensar logicamente em linha reta, tal como aprendeu a andar em linha reta”. A democracia pode salvar o mundo, porém jamais será salva enquanto os preguiçosos mentais não forem salvos de si mesmos. Eles não querem pensar, desejam apenas ir para frente, seguindo a ponta do nariz através da vida. E geralmente, estes, alguém os guia puxando-os pelo nariz!
- Saia da sua estreita rotina se quer alargar sua mente.

“Tem gente que é um gansinho no modo que vai atrás, Dos outros que vão à frente - nem sabe para onde vai... Nas pisadas do pai ganso, vai pisando o filho atrás! Ele nunca fará nada que não tenha feito o pai”.

"Não se contente com o que, mas consiga descobrir o porquê e como."
“O homem não é apenas um plano, e a vida uma espécie de barco que todo mundo tem que levar a bom termo.”
"Nunca um homem que nunca cometeu erros fez nada."

O Cuco-humano é geralmente uma espécie de gente superior que, numa questão, só vê o lado que lhe interessa e o de mais ninguém. É um homem interessado em si próprio, que quer apenas impor a sua vontade ao mundo; aproveita-se do trabalho de gente mais humilde ou então afasta os outros que possam estar a caminho de conquistar as coisas que ele deseja.
Você vai encontrar o Cuco-humano sob várias formas: fanáticos, políticos demagógicos, pedantes intelectuais, esnobes sociais e outros extremistas e até no escotismo (estamos cheios de cucos humanos).
Quanto a estes Cucos a dois perigos: - Um é que você pode ser iludido a seguir a sua liderança. - O outro é que você pode se tornar num Cuco.

REME SUA CANOA
Canção (Paródia)

Um homem não deve ser boi de rebanho que vai empurrado pra frente sem ver:
Se firma o caráter, faz sua tarefa. E rema a canoa para onde quiser.
Sem medo, ele olha os escolhos que enfrenta: Bebida, mulheres, o jogo e os espertos. Não vai encalhar, porque as rochas contorna.
Remando a canoa com os olhos abertos.

Côro – Portanto, ame o próximo com a si mesmo, Vá indo pra frente como o mundo faz Não fique sentado chorando assustado...
Conduz com o remo a canoa, rapaz!
Do livro, Escotismo para Rapazes de Baden Powell.


Cara inteligente este Baden-Powell.

domingo, 19 de outubro de 2014

Nossa! Você vai acampar?


Conversa a pé do fogo.
Nossa! Você vai acampar?

        Vou sim, desta vez vamos longe, mais de oito quilômetros a pé. – A pé? Mas como? Você não mora mais no interior, afinal nossa cidade é grande. Dei risadas. E daí? Está tudo preparado – Afinal fizemos duas excursões e um acampamento só de monitores no mês passado em um fim de semana para nos adestrar. Eles mesmos prepararam tudo que precisamos levar. E olhe tudo vai às costas, desta vez sem ônibus alugado e sem pais para ajudar no transporte. Pensei comigo – Seria isto possivel? Ele adivinhando o que eu pensada disse – Os monitores fizeram agora uma tal de ração A, B e C. A ração A é para uma atividade de um dia, a ração B para dois dias e a C para um acampamento de três dias ou mais. Assim fica mais fácil. Eles mesmos fizeram o cardápio, calcularam por pessoa e cada um dos participantes leva parte da ração. Tem aquelas que três levam arroz, tem aquela que um só leva. Eles acharam melhor um cardápio simples onde com uma panela, um caldeirão e uma frigideira eles fazem tudo. Achei interessante.

         Conta-me mais. E como é levada a intendência e o material de patrulha? - Fácil ele disse. Também dividida por cada um da patrulha. Agora usamos um lampião a querosene. Ele vai vazio e dentro de um vidro bem fechado leva-se o líquido. As barracas são pequenas e simples de carregar com a mão ou prender na mochila. Assim gastamos o mínimo possivel. Hoje a taxa foi de dez reais. Isto paga o ônibus ida e volta. Ele vai nos levar até o entroncamento da estrada de São Mateus. Lá vamos andar uns cinco quilômetros e chegaremos ao sítio do Leopardo. Fomos lá antes eu e os monitores. O proprietário é gente boa. Disse que o local estava às ordens para quando quiséssemos acampar. – Mas será que a tropa aguenta? Claro que sim, fizemos duas excursões. Uma delas andamos sete quilômetros e a outra foi noturna. Mais nove quilômetros à noite. Claro lá pelas duas da madrugada em uma clareira jogamos as lonas e dormimos sob as estrelas. Cada um levou seu lanche. E sabe o melhor? Neste acampamento só eu levarei o celular para uma emergência. Será mesmo um acampamento mateiro.

          Achei interessante. E o programa do acampamento já fez? – Este vai ser um programa especial. Foram os monitores ouvindo suas patrulhas quem prepararam tudo. Vamos ter sim o normal de um acampamento de três dias. Levantar as seis, um pouco de física, café as oito e inspeção as nove. Lembre-se vamos acampar nos moldes de Giwell. Cada patrulha é autônoma. Terá seu campo de patrulha longe mais de 40 metros umas das outras. Desta vez até eu e o Chefe Leão vamos levar nossa matutagem e nosso material. Nada de comer nas patrulhas. Elas só irão ter nossa presença se formos convidados. – Pensei comigo, será que vai dar certo? Era uma tropa acostumada a acampar com pais levando tudo, e inclusive alguns lanches eles faziam. Pensei comigo que isto não estava certo e agora vi uma mudança enorme. – Ele continuou, olhe teremos um programa sem muitos horários. Muitos reclamaram da falta de tempo livre para eles fazerem suas construções no campo de patrulha. As patrulhas irão aprender a seguir pistas de animais, Irão tentar tirar uma foto de um animal ou pássaro e vence aquela que chegar mais perto. Eles terão tempo para pescar, pois no cardápio está incluída uma fritada de peixes frescos. Risos.

          - E se chover? Se chover estaremos prontos. Nada de serviço de meteorologia pelo rádio. Eles irão aprender previsão de tempo dentro da mata e bosques. Pelas formigas, pelos pássaros, e claro os vagalumes noturnos irão ensinar se vai fazer frio, se o orvalho vai ser forte, irão descobrir ninhos para ver de onde vem à chuva, Prestarão atenção ao vento, quantos nós ele anda, e já decoraram as quadrinhas de previsão de tempo – Se tens vento e depois água deixe andar que não faz mágoa, mas se tem água e depois vento põe-te em guarda e toma tento. Vermelho ao sol por, delicia do pastor, orvalho de madrugada faz cantar a passarada, são tantas! Mas se chover mesmo vamos aprender a fazer um pequeno celeiro só nosso para abrigar a todos durante o dia. – Já treinamos isto com bambus e folhas verdes. E lá tem muito pés de banana, sabendo cortar a folha sem prejudicar o telhado ficará nos trinques. Vocês tem coragem eim? – Não é coragem, isto para nós agora é escotismo mateiro. Afinal aprender um nó na sede sem usar no campo não tem valor.

            E olhe vamos conversar só com transmissões à distância. Semáforos de dia e a noite Morse. Teremos um grande jogo cujas instruções serão ditadas por sinais de fumaça! - Caramba! Estou gostando do seu acampamento. Não deixe de me contar tudo. Quero fazer o mesmo na minha tropa. - Claro que sim. Contarei tim tim por tim tim. Risos. E quer saber mais? Desta vez teremos uma conversa ao pé do fogo, próximo a minha barraca, comendo batatas doce, um bule de café na brasa, contar causos e histórias, cantar e espreguiçar gostosamente, deitar na relva para ver as estrelas e ver os cometas passarem. Aprendi a me orientar pelas estrelas. Ensinei aos monitores e eles irão aprender mais com suas patrulhas. E o fogo do conselho? Olhe vai ser típico dos velhos mateiros. Não teremos animador de fogo, cada um senta onde quiser. A patrulha de serviço irá acender e manter o fogo em todo seu tempo. Cada um apresenta o que quiser. As palmas serão criadas na hora. As canções surgirão espontaneamente. Ah! Esqueci-me de dizer, quatro Escoteiros estão treinando há meses como gaitistas. Vai ser um festival de gaitas. Risos.

           - E sabe? Eles agora querem ser chamados com nomes indígenas nos fogos de conselho. Disseram que todos devem ter um nome de guerra. Aqueles que quiserem ou que já tiverem oito especialidades e o cordão verde amarelo será batizado com nome indígena a sua escolha. Irão saltar um pequeno fogo três vezes e a cada salto toda a tropa grita seu novo nome de guerra. Bem isto foi eles que escolheram afinal todo o acampamento foi programado por eles! Programa? Nada escrito, você já viu como vai ser. Cada Monitor se encarregará de uma parte. Esqueci-me de dizer, vamos fazer uma ponte pênsil em um córrego próximo. Estamos programando um jogo nela de rachar! Risos. As bolas de pano já estão prontas para a lança. Mas não vou contar – Pensei comigo acho que vai ser um acampamento inesquecível. Eu sabia que nem tudo daria certo, mas quem não aprende a fazer fazendo não é Escoteiro não é verdade?


E quer saber meu amigo, Deus com a sua sabedoria, encantou as florestas com os pássaros para entoar em nossos ouvidos com suas melodias; vislumbrou as montanhas com rios e cachoeiras para encantar nossos olhos; acendeu o sol com a sua luz de energia para regenerar a vida; soprou a brisa para acalentar a luz do sol. E a natureza respondeu produzindo alimentos. Bonito isto não?

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

As aventuras de Ticha. Uma Lagartixa dengosa.


Lendas escoteiras.
As aventuras de Ticha. Uma Lagartixa dengosa.
(histórias para lobinhos).

               Eu tenho um especial carinho pelos lobinhos. Quando atuava na linha de frente adorava ficar olhando para eles, me fixava em um ou dois prestava atenção aos seus olhos, à boca, a expressão de felicidade e isto me fazia feliz. Quando um lobinho ou lobinha fica quieto ou quer sentar para descansar está doente. Eles não param. Vivazes, alegres e correndo sem parar. Infelizmente fiquei pouco tempo como Chefe deles. Menos de três anos. Tive muitos amigos e amigas chefes de lobinhos. Estes chefes tinham sua maneira, seu porte, seu sorriso diferente do chefes escoteiros. Ontem me dirigia ao Super Mercado a pedido da esposa para umas comprinhas e passei em frente ao Grupo Escoteiro Rui Barbosa. Não deu outra. Tive de parar. Eu tinha bons amigos ali e gostaria de revê-los e dar um abraço Escoteiro. A tropa Escoteira não estava e os sêniores também não. Mas lá estava a Kelánina com seus traquinas a correr pelo pátio. Desculpem o seu apelido, mas de tantos os lobos chamarem-na de Kelá o apelido pegou. Até eu só a chamava assim. Seu nome era Nina Matusalém Santos.

              Ela me viu e deixou a Alcatéia com sua Assistente. Nina teria no máximo trinta e oito anos. Casada e dois filhos na tropa. Entrou por causa deles e ficou. O tal mosquitinho Escoteiro mordeu. Ficamos grandes amigos quando dirigi um Curso Avançado de Lobos. Ela aluna sempre me procurava para perguntar e perguntar. Grande perguntadora! Risos. – Chefe! Que prazer em ter o Senhor aqui! – Alegria minha Kelánina, afinal estava com saudades. – Sabe Chefe, voltamos de um acantonamento semana passada e olhe, até hoje não acredito em tudo que aconteceu. – Lá vinhas histórias. Adoro. Deixo tudo para ouvir uma boa história. – Conte disse eu! Esqueci completamente minha ida ao supermercado. – Pois não – Observe aquela lobinha morena de cabelos curtos bem baixinha. Ela se chama Katinha. Claro apelido. Um dia me procurou se podia trazer com ela a Ticha. Ticha? Disse eu. Kelá é minha amiguinha, uma lagartixa. – Olhe Katinha não dá. Ela vai prender sua atenção e você pouco vai absorver o que estaremos fazendo, isto sem contar que os outros também não iram participar como devem.

             -  Água mole em pedra dura que um sábado a deixei trazer. Porque não?  Afinal dizem que os melhores vendedores do mundo são as crianças. Garantiu-me que ela ficaria em uma pequena caixa de papelão. Para dizer a verdade não entendia nada de lagartixa, sabia sim que muitos jovens estavam mudando seus animais de estimação. Já conheci alguns com cobras, papagaios, canários, e outros bichos. Mas lagartixa não. Tudo correu bem nos quatro primeiros sábados. Um acantonamento estava marcado para o final de junho, feriado de Corpus Christi. Katinha chorou para levar sua Ticha. Tanto chorou que deixei. Antes de ir fiz uma pesquisa na internet sobre elas. Lá dizia que Lagartixas são animais surpreendentes. Embora muitas pessoas tenham a imediata intenção de matar uma lagartixa ou gritar de medo e/ou nojo, esses animais são importantes controladores de pragas, como insetos. E, além disso, são criados por gente do mundo todo como animais de estimação.

                        - Era um mundo a parte Chefe. Eu nunca poderia entender bem tudo sobre elas. E assim começou nosso acantonamento, ou melhor, nossa aventura lagartixeira. No primeiro dia Katinha só ficava de olho na sua Ticha que ela deixou em cima da mesa da varanda. À tarde Katinha me chamou – Kelánina foi a Ticha quem me contou. Está vindo aí e vai passar por aqui agora a tarde um exame de abelhas africanas. Ela disse que são milhares e milhares. Disse também para não deixar ninguém ficar do lado de fora da casa e trancar portas e janelas. – Pelo sim e pelo não, pois já pensou milhares de abelhas africanas picando os lobinhos? – Prendi todo mundo contra a vontade e vários fazendo lá dentro  maior zoeira. Não deu outra. Eram quatro da tarde e o céu ficou preto de abelhas. Meia hora depois elas haviam sumido com o vento sul. Fiquei cismada, lagartixa falando? Bem na minha pesquisa vi que elas e algumas espécies conseguem se comunicar vocalmente através de ruídos, coisa incomum para répteis. Além do mais é um dos únicos animais do planeta que conseguem aderir em quase qualquer superfície e até escalar o vidro. Mas falar?

                      No segundo dia de novo estava lá Katinha. – Kelánina, Ticha gostou muito da senhora e gostaria de apresentar O prefeito da cidade de City Lagarty. Ele pediu para conhecê-la. – Chefe, brincadeiras a parte, mas não sei onde estava com a cabeça. Aceitei o convite e fui com Ticha e Katinha até onde ela disse ser a cidade. Nossa! Fiquei abismada. Próximo a um lago em um barranco centenas de buracos tipo cavernas e de lá começaram a sair milhares de lagartixas. Um barulho diferente, mas educado sem correrias elas tomaram conta da areia que beirava o lago. Uma lagartixa gorda, enorme e quase achei que seria um lagarto se aproximou. Ficou nas duas patas trazeiras e fazendo trejeitos com a cabeça parecia sorrir para mim – Kelánina!  Apresento o prefeito da cidade, o Senhor Mestre Baba! Meu Deus! Não via ninguém falar, mas Katinha jurava que sim. Não sabia se estava assustada, se isto me deu uma enorme surpresa ou se eu estava sonhando. Voltamos caladas com Ticha nas costas de Katinha.

                - O pior Chefe foi no último dia. Depois do cerimonial de bandeira de despedida, Katinha me procurou ainda no circulo antes do Grande Uivo e me disse que Mestre Baba tinha solicitado educadamente que parte dos habitantes de City Lagarti pudessem participar também de uma cerimonia de bandeira. Eles gostaram muito da que a senhora fez conosco! E agora Chefe? Já viu um pedido assim? Fazer o que? Após o arriar da bandeira, dei para Katinha uma bandeira do grupo. Ela mesmo colocou no cabo (era arvorado) e fez um sinal de reunir. – Imagine Chefe centenas de lagartixas correndo e tomando posição em frente à bandeira. Para dizer a verdade ficaram uma ao lado da outra e se a gente pudesse ver por cima seria uma perfeita ferradura. Os lobinhos e as lobinhas estavam adorando tudo. Katinha fez um sinal elas levantaram a cabeça e ela hasteou e arriou a bandeira ao mesmo tempo. – Precisa ver Chefe. As lagartixas fizeram um ruído tremendo. Pulavam, subiam em cima da lobada, em cima de mim e no principio fiquei com medo. Depois entrei na farra lagartixeira!


                O Ônibus saiu devagar para não passar em cima das milhares de lagartixas que cismaram em ficar até nossa partida. Katinha sorria de orelha a orelha. – Sério olhei para Kelánina, mas ela parecia estar sendo sincera. Pelo sim e pelo não dei boa tarde um bom aperto de mão e fui me despedir do Chefe Brito que era o Diretor Técnico. Cheguei tarde em casa. Célia me olhou e rindo falou – Escoteirando? Sorri e repliquei – Não – Lagartixando! São histórias que me contam e eu repasso. Acreditem quem quiser. Mas eu sou um eterno sonhador, acredito em tudo. E não é que sonhei com Kelánina, Katinha, Ticha e Mestre Baba? Risos.        

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A incrível aventura do Chefe Gerônimo no Vale do Eco.


Lendas Escoteiras.
A incrível aventura do Chefe Gerônimo no Vale do Eco.

                     Não conheci Gerônimo muito bem. Uma ou duas vezes para ser mais preciso. Deixava a desejar como Chefe Escoteiro. Nas conversas com amigos ele estava sempre com uma carranca de assustar qualquer um. Na última vez que o vi acho que passava dos vinte e seis anos. Sabia que sua família lhe dava tudo e ele não dava nada em troca. Nunca foi bom nos estudos. Mas não era mau sujeito. Não fazia mal a ninguém. Ria mais que falava. Quando o vi pela primeira vez estava como Chefe de tropa Escoteira. Dizem que se queres conhecer uma boa tropa, veja como seu Chefe seus Monitores como fazem o sistema de patrulhas. Acho que o Chefe Gerônimo era perfeito. Melhor ainda a escoteirada gostava muito dele.

                      Gerônimo nunca foi bom aluno. Passou raspando e quase não chegou ao segundo grau. Entrou como Escoteiro já com treze anos. Bem mandado não sabia mandar. Na Patrulha todos gostavam dele. Como se diz – “Jerônimo é um bom companheiro”. Não gostou muito dos seniores. Lá achavam que ele era parecido com um “Nerd”. Quando surgiram as guias piorou tudo. Ele não se sentia bem com as piadas que faziam dele. Começou a faltar às reuniões até um dia que não voltou mais. Nunca o procuraram em sua casa a não ser Saulinho, um Escoteiro que foi seu amigo por toda a vida. O grupo passou por uma fase difícil. A liderança do Diretor Técnico não era das melhores. Muitos chefes voluntários que entravam ficavam pouco tempo. A tropa Escoteira ficou sem Chefe. O Diretor Técnico não conseguiu ninguém. Na Patrulha da Raposa alguém falou de Gerônimo. Os Monitores foram a casa dele. Fizeram o convite. Gerônimo sorriu como se estivesse recebendo um presente.

                     Durante um ano Gerônimo foi um bom Chefe de tropa. Conversava pouco, falava sempre com os Monitores. Para dar exemplo terminou o segundo grau. Seus pais ainda insistiam para ele tentar uma faculdade mesmo com vinte e seis anos.  Depois de um ano os escoteiros começaram a pensar que o Chefe Gerônimo não era o que pensavam. Nandi era o Monitor mais antigo. Mais sensato. Mais comedido. Foi à casa do Chefe Gerônimo bater um papo e quem sabe ver se ele poderia mudar no seu sistema na direção com a tropa. Gerônimo só ouviu. Nada falou. Nadi comentou na Corte de Honra sua conversa com o Chefe Gerônimo. Desde que foi a casa dele não voltou mais para a tropa. Os pais de Gerônimo foram procurar por ele no grupo. Havia sumido há três dias. A tropa ajudou nas buscas. A polícia achou que ele fez as malas e foi embora. Não deram muita “bola”. Afinal não era uma a criança.

                     Durante dois meses o procuraram em todos os lugares, a cidade era pequena, menos de sessenta mil habitantes. Chefe Gerônimo sumiu mesmo. Não deu mais notícia. Seus pais correram meio mundo procurando. Desistiram e voltaram a sua rotina. Dizem que o trabalho faz a gente esquecer os dissabores e as tristezas da vida. Os escoteiros ficaram sem Chefe. Ninguém para assumir. Os Monitores não deixaram a peteca cair. Eles mesmos programavam e até que estavam gostando das reuniões que as patrulhas davam. Um dia acharam que podiam acampar. Estavam proibidos de sair da sede. Tanto falaram que convenceram o Diretor técnico. Prometeram que iam ao Vale do Eco. Acamparam lá muitas vezes. Era um ótimo local. Boa aguada, riacho raso, sem cachoeiras, mata pequena, muito capim gordura e bambus à vontade.

                     Claro, havia um local perigoso. Os penhascos de Santa Maria. Mas era o melhor local para se divertir. Lá em cima avistavam todo o Vale do Eco. A garganta era profunda. Se alguém caísse era morte certa. Mas o eco era fantástico. Ribombavam em paredes lisas de pedras e um grito ficava minutos a minutos respondendo até que baixinho sumia. Uma festa. Fizeram mil promessas. O Diretor Técnico consultou alguns pais. Eram a favor. Eles confiavam nos filhos. Os preparativos foram grandes. Eram três patrulhas. A Patrulha Onça Pintada ficou de conseguir transporte da Prefeitura. O Doutor Leopoldo o prefeito fora Escoteiro. Nunca deixou de colaborar. A Patrulha Jaguatirica foi até o Super Mercado do seu Nonato. Seriam quatro dias. Levaram uma lista. O que ele desse estava bom demais. A Patrulha da Coruja foi até o empório do Senhor Leonel. Precisavam de mais alguns materiais de sapa e lonas para toldos.

                    Durante duas semanas prepararam tudo. Na quinta feira feriado, às seis da manhã estavam todos na sede. O caminhão da prefeitura já estava lá. Alguns pais foram se despedir. O Diretor Técnico não apareceu. Não havia nenhum adulto do grupo. Nandi o Monitor da Jaguatirica o mais velho dirigia tudo. Cantando e dando adeus partiram na maior alegria. Às onze da manhã chegaram próximo ao Vale do Eco. Iam acampar ali. Conheciam o terreno de cor e salteado. Fizeram um programa simples. Uma Patrulha ia tentar encontrar um lobo guará e chegar pelo menos a cinco metros dele tirando uma foto. Não era fácil. Era uma Alcatéia arisca que morava no estreito do nevoeiro no vale do eco.

                    Outra Patrulha programou fazer uma ponte pênsil, usando bambus e cipós. Levariam dois dias no mínimo. A terceira Patrulha programou construir um Ninho de Águia onde coubessem todos participantes. Mais dois dias. Prepararam três jogos noturnos, e uma noite só para desafios do Quebra Coco e a ultima o Fogo de Conselho. Tinham também vários jogos para o dia não ficar monótono. Muitos escoteiros iriam testar na cozinha a especialidade de cozinheiro, outros queriam de primeiros socorros e uma meia dúzia de acampador. O programa estava completo. Claro que sempre à tardinha todos iriam até a os Penhascos de Santa Maria. Perto. Menos de trinta minutos de subida. Mas a diversão era garantida. Cada um improvisava um grito. Outro em sequencia e parecia que centenas de vozes iguais repetiam lá no fundo da garganta.

                  Foi no segundo dia quando estavam descendo que avistaram uma fumaça bem no meio do Vale do Eco. Próximo à curva do Moinho de Vento. Estava escurecendo, mas sabiam que no dia seguinte os Monitores iriam até lá para saber quem estava acampando ali. A noite foi uma delicia. O jogo da caça a coruja deixou todos vibrando e a Patrulha da Onça Pintada campeã cantava a mais não poder. Sempre lá pelas dez da noite, acendiam um fogo e ficavam até onze ou meia noite conversando entre si. Um cafezinho ou um chocolate quente era mantido em um bule grande esquentado na brasa. Não faltava o Nonô da Patrulha Coruja com sua flauta mágica.

                   Nandi tinha combinado com os Monitores que logo após a inspeção, passariam ao cargo aos sub-monitores e eles iriam ver quem estava acampado ali. Sabiam que não eram outros escoteiros. Iriam camuflados. Não sabiam o que iam encontrar. Tinham experiência em camuflagem. Chegaram à garganta e foram bem devagar no riacho que estava bem seco. As chuvas do verão ainda não tinham chegado. Menos de meia hora avistaram uma cabana. Simples. Feita de sapé com madeira cortada nas imediações. Uma rede de cipó embalava um homem. Estaria morto? Parecia. Não se mexia. Melhor chegar para ver. Um susto! Impossível! Era o Chefe Gerônimo. Abatido, sem forças e barbudo. Parecia que não se alimentava há dias. Tentaram reanimá-lo. Difícil. A fraqueza era muita. Nonato voltou ao acampamento para buscar mais escoteiros. Fizeram uma maca.

                  Antes do meio dia chegaram. Algum cozinheiro já tinha preparado um caldo de feijão bem forte. Tiveram que colocar em sua boca. Deram um banho nele com uma toalha velha. Ficou na Barraca da Coruja. Eles tinham uma a mais. O programa da tropa mudou. Sempre uma Patrulha para ficar com o Chefe Gerônimo. Impossível buscar socorro na cidade. Ficava a mais de cem quilômetros. Melhor é tratar dele no acampamento e esperar o dia do retorno. No terceiro dia Chefe Gerônimo levantou. Olhou para todos. Viram que seus olhos encheram de lágrimas. Quis falar, mas não conseguiu. No quarto dia ele já andava bem, mas pouco falava. Pediu para participar do Fogo do Conselho. La pela tantas fez um sinal. Pediu para falar.

                    Meus amigos eu não sei o que me deu. Uma névoa tomou conta da minha mente. Peguei minha mochila, coloquei alguns víveres peguei uma carona em uma caminhonete do Lindomar e cheguei próximo daqui. Fui subindo córrego acima. Parei na curva do Pássaro Preto encontrei um descampado. Vocês me encontraram lá. Cinco dias depois meus víveres acabaram. Não sei como vivi esses dois meses que ali fiquei. Não me lembro de nada. Sabia que as noites alguém me alimentava. Quem nunca soube. Um dia resolvi voltar para casa. Estava com saudades dos meus pais. Não consegui. As pernas não obedeciam mais. Fiz a rede de cipós e ali passava as noites e os dias. Acordei aqui com vocês. Não sei o que houve o que fiz e quem me ajudou.


                  A tropa ficou calada. No ultimo dia voltaram à cidade. Os pais do Chefe Gerônimo fizeram uma festa para o retorno dele. Cinco meses depois ele voltou ao Grupo Escoteiro. Outro Chefe Gerônimo. Mais ativo, mais falante, mais inteligente. Retornou a tropa. Aceito por todos. Assumiu cinco anos depois como Diretor Técnico. O Grupo mudou muito. Vários chefes novos. Uma diretoria atuante. Chefe Gerônimo se formou em Letras. Professor na Escola Técnica Santo Agostinho. Logo foi eleito vereador. Nunca saiu do Grupo Escoteiro. Dizem que casou não sei. Mas sei que a tropa Escoteira até hoje, com os jovens daquela época já adultos sempre contam uns para os outros a grande aventura que tiveram no Vale do Eco. Se ele foi socorrido quando ficou lá meses ninguém nunca provou. Mas como histórias são histórias deixo para a imaginação dos amigos leitores. Bom campo no vale do Eco!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O assombroso Fantasma da sede do Grupo Escoteiro Tapajós.


Histórias escoteiras.
O assombroso Fantasma da sede do Grupo Escoteiro Tapajós.
(baseado em fatos reais)

           Esta historia aconteceu há muito tempo. Lá pelos idos de 1961. Recém-admitido como funcionário da Usiminas conheci mais dois amigos que eram escoteiros em sua cidade de Origem. Carlos e Odair. O primeiro foi Escoteiro da Pátria em Juiz de Fora do Grupo Escoteiro Aimorés do meu grande amigo e falecido Chefe Darcy Malta. O segundo Escoteiro em Muriaé. Tornamo-nos amigos inseparáveis. O escotismo fazia falta. Porque não organizar um grupo? – Surgiu de surpresa. Um amigo de nome Raimundo morava em Senador Melo Viana, na época um distrito de Coronel Fabriciano e acho que ainda é até hoje nos convidou para almoçar em sua casa. Para surpresa o Pároco da Matriz também estava presente. Durante o almoço surgiu à ideia de montar um grupo ali. O Pároco se dispôs a ver as necessidades e providenciar.

             Seis meses depois o Grupo Escoteiro ia de vento em popa. Infelizmente um contratempo aconteceu. O Chefe Odair veio a óbito. Morávamos todos em uma casinha espécie de república. Uma epopeia levar o falecido em sua cidade. Mas esta é outra historia. Perdemos alem de um grande amigo um excelente corneteiro. Ainda bem que o Grupo Escoteiro cresceu. Tínhamos mais de doze escotistas atuantes e a maiorias já DCBs.  Nossa sede era atrás do cemitério do distrito. Eram três barracões enormes, cujas janelas de fundo davam para toda a área do cemitério. Os três barrocões eram divididos entre as sessões. Um para os lobinhos, um para a tropa e outro para a diretoria e almoxarifado.

             Uma semana após o passamento do Odair o Zé Pontes da diretoria me procurou para avisar que reclamaram com ele da algazarra tremenda que faziam a noite e sempre após a meia noite na sede escoteira. Tocam corneta, bumbos, tambores e taróis Pensei comigo. Só quatro de nós tinham as chaves. Quem seria? – Melhor ir lá para ver. Ir sozinho? Sei que era um homem, durão, Chefe Escoteiro, mas nunca me dei bem com fantasmas. Ir lá à meia noite, atravessar uma lateral do cemitério, abrir a porta e entrar e esperar até meia noite para ver a banda tocar estava fora de cogitação. – Carlos vamos nós dois, falei. – Nem pensar, Chame o Zé Pontes, o Nonô ou então o Pároco. Ninguém quis ir. Cada um deu uma desculpa.

            A banda uma ou duas vezes por semana continuava tocando. Escoteiros e lobinhos evitando entrar na sede mesmo durante o dia. A “coisa” estava tomando proporções que poderia prejudicar mesmo a frequência dos meninos. Tinha que ir lá e desmascarar o tal fantasma. Quinta feira, armado de uma boa lanterna esperei dar onze e meia e lá fui. Confesso que tremia um pouco. Ao passar pelo cemitério criei na minha imaginação centenas de fantasmas a me observarem. Onze e cinquenta lá estava eu na porta do almoxarifado. Um silêncio de morte. Juntei todas as minhas formas e entrei. Um “besta” que sou, pois entrei e fechei a porta comigo dentro. Porque fiz isto? Não sei. Sentei em uma cadeira em volta de uma escrivania. O silencio era total. Já estava respirando melhor. Acho que não tinha nada. O povo inventa!

               Levantei, acendi a lanterna e passeei com o facho de luz por toda a sala. Maldita sala! Uma corneta estava suspensa no ar. Outra tocou a toda no meu ouvido. Um berro da corneta e um meu. Larguei a lanterna e corri para a porta. Um custo para abrir. Bombo, tambor e corneta tocavam no meu ouvido. Gritava e berrava como um louco. A porta abriu. Sai correndo em desabalada carreira. As calças toda molhada. Senti algum mais que não vou dizer aqui. Fui direto ao Pároco. Ele dormia. O acordei. – O Senhor vai comigo – Chefe Osvaldo é impressão sua. – Vamos lá, não é o homem de Deus? – Lá fomos eu e ele. Vi que ele sorria, queria mostrar uma força que não tinha. Entramos, silencio. Ele me olhou – Tá vendo? Não tem nada. Uma corneta berrou alto no seu ouvido. – Ele gritou – Louvado meu Senhor Jesus Cristo. Me socorre.  Nem me olhou sumiu na porta na minha frente.

                No dia seguinte ele e mais diversos coroinhas e todas as Filhas de Maria, sem contar os Vicentinos lá estavam na sede para exorcizar ou sei lá o que ele fazia. Rezaram, cantaram e foram embora. Acho que deu certo. Os barulhos sumiram. Joguei a calça que usei naquele dia fora. Não dava nem para lavar. Até hoje não sei se foi o espírito do Odair. Ele nunca me disse nada. Uma semana depois fui pegar um guarda chuva em cima do guarda roupa na república que morávamos. Chovia a cântaros. Trovejava. Relâmpagos no céu. Carlos trabalhando de zero hora. (turnos alternados). Estava sozinho em casa. Subi em uma cadeira. Meu Deus! A dentadura do Odair aberta como se estivesse rindo para mim! (ele tinha dentadura). Cai da cadeira estatelado no chão. De novo correndo até o bar do Zaqueu. Melhor ficar ali até as madrugadas tomando umas e outra. Voltar para a casa? Vai ser difícil.

Final: - Um ano depois a convite montamos uma Tropa Escoteira na Paróquia de Coronel Fabriciano a convite do padre local. Hoje Bispo. Don Lara. Grade Chefe! – Sai da Usiminas, passei anos sem voltar lá. Hoje o Tapajós existe em Coronel Fabriciano. Um grande grupo. Orgulho da cidade.

Afinal são histórias. Acreditem se quiserem. Ainda guardo lembranças do Carlos do Odair e de tantos outros. Valeu uma época. Valeu uma vida!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Meu Amigo, você é Escoteiro? Com muito orgulho meu caro, Escotismo está no meu coração.


Meu Amigo, você é Escoteiro?
Com muito orgulho meu caro, Escotismo está no meu coração.
    
         Você não sabia? Ah! Meu amigo eu sou sim e com muito orgulho. Se tiver um tempinho deixe que lhe diga o que aprendi e o que ainda irei aprender. Quando menino eu aprendi que a palavra homem tem um significado especial. Aprendi que devia ser alguém para que todos que me amam pudessem um dia se orgulhar de mim. Aprendi que o caráter é importante em cada um de nós. E aprendi muito mais, a ser leal alegre e saber sorrir nas dificuldades. Aprendi que ser fraterno é ponto de honra, e minha palavra? Sim ela é sagrada. Estou aprendendo que a honra faz parte dos honestos. Que a ética é para homens honrados. Aprendi tantas coisas que cada dia que passa mais eu me orgulho de ser um Escoteiro. E olhe eu serei para sempre!

       Preste atenção meu amigo e veja como são tantas coisas maravilhosas que acontecem comigo e se hoje eu sei que a felicidade pode ser alcançada, acredite, eu a alcancei. Sou um privilegiado por Deus em ser um deles. Olhe pode ser que você também já viu, mas quem pode sucumbir a um céu estrelado? Deitar na relva e em volta de uma fogueira junto a amigos e amigas? E olhe como é lindo ver as constelações, sentir a grandeza da via láctea. Acredite, eu já vi centenas de cometas brilhantes no céu a correr em uma velocidade incrível! E as estrelas faiscantes a brilharem no espaço? São coisas que um Escoteiro não esquece. E quando vejo isto mais e mais eu tenho a certeza que ser um Escoteiro é fantástico e isto me transforma. Aprendemos que devemos ser puro nos pensamentos, nas palavras e nas  ações, pois assim estamos mais perto de Deus.

      Eu gostaria de lhe convidar que um dia você pudesse junto comigo dormir sob as estrelas! Irás sentir a brisa da madrugada irás ver o vento balançando as árvores prá lá... E para cá... Ver o sol nascer e se pôr ainda vermelho no horizonte deixando além de um rastro vermelho também uma marca profunda em nós. Quem sabe um dia você vai poder saborear o cheiro da terra molhada em uma orla de uma linda floresta verdejante? Sentir o perfume das flores silvestres, o som maravilhoso da passarada voando pelos céus? Ou do piar da coruja em um carvalho qualquer próximo a uma linda cachoeira e claro ouvir por muito tempo o ribombar das suas quedas d’águas. Meu amigo, é gostoso demais ver o lenho crepitando em uma bela fogueira onde todos brincam, riem, cantam e vão vendo as fagulhas subirem aos céus, languidas e serenas até que a aragem leva-as para longe.

      Olhe você nem pode imaginar como é lindo ser escoteiro. Acho que é um privilégio de poucos. Mas uma alegria de muitos que têm a audácia de estar lá conosco. E quando vejo a chuva caindo em uma floresta, em uma campina ou em uma colina ou uma montanha distante, o som me envaidece. É um som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Acredite nós temos uma ternura imensa com a natureza. É ela quem nos aproxima mais e mais do criador. Muitas vezes não precisamos de bússola, nós sabemos encontrar facilmente o Norte e o Sul só de olhar para as folhas das árvores, ou então um ninho de pássaros. Como é gostoso seguir a sotavento, sentir o vento no rosto, descobrir as flores silvestres desabrochando nas campinas, nos vales e nas serras distantes. E quer saber? É gostoso demais tirar o calçado e molhar os pés nas águas geladas de um belo riacho. Nós podemos sentar embaixo de uma árvore frondosa e tirar uma deliciosa soneca. Você precisa ver e experimentar quando o cheiro da relva vem até nós, olhar a campina fazendo ondas ao vento e a sentir soprar em nossa direção. E olhe, é maravilhoso quando chegamos ao cume de uma montanha e olhar o horizonte! É um espetáculo imperdível meu amigo!

      Mas olhe  quem não for um Escoteiro acredito que nunca terá a oportunidade de ter o que temos. Aqui aprendemos que o medo é próprio dos fracos e é preciso ter coragem e amor para conviver uma vida saudável junto aos demais Escoteiros. Isto meu amigo nós chamamos companheirismo e fraternidade. Se um dia você quiser, eu te darei a mão e se esforçar como tantos que se esforçam, eu terei o maior prazer em levar você a um Grupo Escoteiro. Mas se isto acontecer é preciso que saiba que qualquer um pode entrar, mas é importante saber que ser escoteiro não é para qualquer um!

        Se estiver animado e resolver mesmo, você será muito bem vindo. Todos nós o recebemos de braços abertos e olhe, entrando você será mais um irmão de tantos milhões espalhados pelo mundo. E vais aprender um dia que o Escotismo foi feito de coração pelo fundador Baden Powell. De tudo que nos deu e nos ensinou escreveu um dia que em nosso movimento só os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda. Já pensou? Viver em uma fraternidade sem fronteiras? Acampar em longínquos lugares nunca antes imaginados? E o melhor poder apertar a mão esquerda de todos nossos irmãos Escoteiros em centenas de países onde o escotismo existe? Portanto meu amigo é bom que saiba que nós escoteiros somos amigos de todos e irmão dos demais escoteiros. Não esqueça você sempre será bem vindo, eu mesmo farei questão de apresentar você a todos da fraternidade de apertar sua mão, dar o meu abraço e dizer sorriso: - Sempre Alerta!


Quer ser um de nós? Então vamos lá, coloque sua mochila, aprume sua bandeira. Cante comigo o Rataplã, não sem antes fazer sua promessa e depois? Depois vista seu uniforme. Não se esqueça do chapéu de três bicos, ajeite seu bornal e lá dentro um farnel, pois agora vais partir para um mundo de sonhos. Agora é hora de um belo sorriso, pois vamos partir para onde o vento nos levar. Portando meu amigo agora você vai entrar neste maravilhoso mundo dos escoteiros e se prepare, pois vai participar da maior aventura de sua vida!

domingo, 5 de outubro de 2014

Finalmente, a democracia chegou ao Escotismo. E acredite se quiser!


Conversa ao pé do fogo.
Finalmente, a democracia chegou ao Escotismo.
E acredite se quiser!

                    Não acreditava no que ouvia. É verdade? Perguntei a um Chefe no telefone. É sim Chefe Osvaldo. Estamos vivendo uma nova fase. A Direção Nacional não é mais a mesma. Estão mudando tudo. Agora tudo as claras e voto no voto. Deve ser porque a eleição no país foi perfeita. Eu soube que ela vai fazer uma consulta com todos os associados para termos um só uniforme, coisa que ela não fez antes. A uma tendência para permanecer o caqui com o chapelão. Mas todos poderão opinar e votar – Pensei comigo, deve estar havendo algum engano. Melhor é ver isto com os pés no chão em um grupo Escoteiro. E lá fui eu. Vesti meu caqui de guerra, coloquei meu lenço de IM que recebi em 1966. Tirei meu chapéu de três bicos da armação, minhas meias estão bem passadas e nos “trinques”. Chequei meu cinto se estava engraxado, verifiquei a fivela se estava brilhando. Tirei da gaveta meu sapato preto que brilhava e coloquei o pé na estrada. No primeiro Grupo Escoteiro havia uma euforia no ar. – O que estava havendo? – Chefe Osvaldo! Bem vindo. Recebemos hoje a noticia que a taxa anual da UEB foi diminuída em setenta por cento! Me belisquei-me. Ele continuou: - Sabe Chefe mudaram os Estatutos. Agora todos nós podemos dar sugestões, foi criado o Grande Conselho onde todos nós temos voz e voto.

Aquele Grupo Escoteiro devia estar nas nuvens. Isto não podia estar acontecendo. Melhor era eu procurar outro. Ao chegar os chefes estavam reunidos. Faziam um programa para que todos participassem dos cursos da região. – Não estou entendendo perguntei – Porque vocês estão tão entusiasmados a irem aos cursos agora? Porque não foram antes? – Chefe não sabia? As taxas caíram. Agora é uma taxa simbólica. Se o chefe mora muito longe e não tem condições de pagar a região cobre todas as despesas. Inclusive de transporte. E o melhor os cursos agora são feitos a moda escoteira. Sistema de patrulhas no campo e fazendo sua própria refeição. Dizem que é outro tipo de curso, aqueles que ficávamos em uma cadeira cochilando enquanto o formador falava não existem mais. Belisquei-me de novo. Estava no Brasil? E porque os jovens Lis de Ouro e Escoteiro da Pátria estão cantando? Chefe, o senhor está defasado. Todos os Lis e Escoteiro da Pátria agora são inscritos automaticamente nos Jamborees mundiais com todas as despesas pagas! Meu Deus! Eu ainda estava no Brasil? Corri para um terceiro grupo Escoteiro. Eram duvidas cruéis demais para ser verdade.

Olá Chefe Osvaldo já recebeu o convite? Que convite? Uai não sabe? A UEB está convidando a todos os IMs que não estão mais na ativa para um grande mutirão nacional. Será feito por regiões culminando com um nacional. – É mesmo? Perguntei. - Sim Chefe. Além do convite pra retornarem, eles vão discutir com todos como ser mais transparente, como se mostrar ser ético. Será uma volta às origens no programa sem esquecer o atual. Eles agora estão preocupados com a saída do jovem e a falta de motivação de outros. Todos adultos irão receber mensalmente E-mail deles. Pedem que conversemos com os jovens. Que pesquisemos. Querem diminuir a evasão e o melhor dizem por aí que a primeira e segunda estrela irão voltar, que a segunda e primeira classe também e os seniores irão ser consultados se querem a volta das eficiências.

Embasbacado com tudo eu perguntei: - Onde eles arrumaram os meios financeiros para tudo isto? – pesquisas Chefe, pesquisas. Descobriram nas empresas que muitos CEOS, Diretores, Gerentes foram Escoteiros e contrataram muitos executivos para visitá-los. Todas as regiões têm agora suas ONGs e isto tem trazido enormes dividendos. Estava boquiaberto. Falar o que? E o melhor Chefe Osvaldo, agora nós estamos vivendo a mesma bandeira. A UEB reconheceu as outras associações como irmãs e cancelou todos os processos que haviam feito contra elas. Voltou à figura do Escoteiro Chefe, dos Comissários Nacionais, dos Comissários Regionais e dos Chefes de Grupo. E olhe todos eleitos pelos associados. Putz! Não seria um retrocesso? Não Chefe, não é não. Isto fazia parte de nossa tradição. Afinal não somos nenhuma organização com organograma criado há pouco tempo. Não somos sindicato ou organizações congêneres. Temos anos e anos de vivência e isto faz parte do que fomos e devemos ser.


Voltei para minha casa correndo. Levei um tombo. Cai debaixo de um ônibus. As rodas passaram em cima de mim. Gritei feito um louco. Célia veio correndo e me puxou pelo braço. Acordei na minha cama suando. Deus do céu! Era sonho? Eu sabia. Estava muito bom para ser verdade. A vida é assim, tem sonhos que mudam o mundo e tem sonhos que muda você. Eu nunca seria mudado. Quem sabe um dia isto será verdade? Quá! Como diz o mineiro. Sonhar é bom e não custa nada. Mas na duvida quem sabe isto pode acontecer? Seria mesmo bom demais para ser verdade. Mas a verdade existe? Bem, quem viver verá!