Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 30 de julho de 2019

Conversa ao pé do fogo. Reviver 112 anos Brownsea. – Uma aventura que marcou o escotismo para sempre.




Conversa ao pé do fogo.
Reviver 112 anos Brownsea.
– Uma aventura que marcou o escotismo para sempre.

Todos nós do escotismo conhecemos um pouco de nossa história e marco que foi o acampamento experimental na ilha de Brownsea. Estamos chegando há 110 anos e nossas lembranças nunca esquecem aqueles dias de gloria para o inicio da maior organização de jovens do mundo. Sempre podemos reviver os dias fantásticos o que se passou naquela pequena ilha. Queremos deixar-te aqui algumas pistas e informações para que, no teu grupo ou tropa, possas organizar um “Reviver Brownsea” sempre. Vamos a isso?

Os participantes
Alguns historiadores contabilizam um total de 22 rapazes, neste acampamento experimental. Para além dos famosos vinte, cinco em cada Patrulha, ainda Simon Rodney (12 anos), na Patrulha Lobo, e Donald Baden-Powell (sobrinho de B-P) que, por ter apenas 9 anos, ficou como Ordenança de Campo (uma espécie de auxiliar). A presença de Donald é confirmada e, dada a sua idade, pode ser “interpretado” por um Lobinho. Baden-Powell levou consigo um adjunto: Kenneth Maclaren, seu amigo de longa data da vida militar. Para melhor viver o imaginário neste “reviver”, cada uma das confirmadas 23 pessoas em campo (B-P, o adjunto, o sobrinho e os cinco rapazes por cada Patrulha) podem usar um cartão pendurado ao pescoço, com a sua identificação, para todos serem tratados pelo respectivo nome. Por ser um acampamento experimental, os rapazes vestiam-se de acordo com a moda da época.

A ida
A 29 de Julho, parte dos participantes (12 rapazes) embarcaram a bordo do Hyacinth, no porto de Poole, para fazerem a travessia de pouco mais de 3 Km até ao cais de Seymour, já na ilha, percorrendo ainda cerca de 800 metros até ao local do acampamento, ao sul da ilha. No dia seguinte, chegaram os restantes. Na noite do dia 30, ao redor da fogueira, B-P contou algumas das suas aventuras na África e na Índia e deu informações sobre o dia seguinte, terminando o dia com orações. Cada Patrulha ficou com uma tenda militar, em forma de campânula. B-P e os seus assistentes ficaram noutra tenda. Havia, ainda, uma tenda-cozinha e uma tenda aberta de um dos lados para se abrigarem em caso de tempestade.

As atividades
A 1 de Agosto, começaram as atividades programadas para o acampamento, distribuídas da seguinte forma:
1 de Agosto: Preliminares - formação das Patrulhas, distribuição de tarefas, instrução para os Guias de Patrulha, etc.
2 de Agosto: Campismo - engenho em campo, construção de cabanas e esteiras, nós, fogueiras, culinária, saúde e saneamento, orientação em território desconhecido e barcos.
3 de Agosto: Observação - observar e memorizar detalhes ao longe e ao perto, pontos de referência, seguir pistas, dedução a partir de pistas e sinais, e treino da visão.
4 de Agosto: Vida na floresta - e de animais e plantas, estrelas, espreitar animais, observação de detalhes de pessoas e leitura do seu carácter e condição.
5 de Agosto: Cavalheirismo - honra e código dos cavaleiros, altruísmo, coragem, caridade e poupança, lealdade para com o rei, patrões e oficiais, cavalheirismo para com senhoras, a boa ação diária e como fazê-la.
6 de Agosto: Salvamento de vidas - em incêndios, afogamento, gás, atropelamento por cavalos, em esgotos, pânico, acidentes na rua e primeiros socorros.
7 de Agosto: Patriotismo - geografia colonial, história e feitos que engrandeceram o império, a marinha e o exército, bandeiras, medalhas, deveres dos cidadãos e auxílio à polícia. 

8 de Agosto: Jogos - campeonato desportivo envolvendo todos os temas abordados durante o acampamento. Todos os dias havia inúmeros jogos: jogo do Kim, caça à baleia, seguir pistas, competição de nós, caça ao urso, tração da corda, observação de veados, etc. Os elementos de cada Patrulha distinguiam-se por um pedaço de lã colorida, presa no ombro: azul para os Lobos, verde para os Touros, amarelo para os Maçaricos e vermelho para os Corvos. Cada Guia de Patrulha tinha uma bandeirola com o desenho do respectivo animal. Cada noite, uma Patrulha ficava encarregue do “piquete noturno”. Levava rações de farinha, batatas, carne, chá, etc., e partia para um local indicado para bivacar, afastado do acampamento. Cada rapaz levava fósforos e o seu próprio tacho, cozinhando ali o seu próprio jantar. A seguir, eram colocadas sentinelas e montado o bivaque. B-P e os Guias das outras Patrulhas entretinham-se a observar o piquete até às 23h, hora a que os rapazes iam todos dormir, regressando ao acampamento no dia seguinte a tempo do pequeno-almoço. Eram feitos alguns ataques simulados para testar a capacidade de vigilância do piquete.

A instrução era dada sempre com pouca teoria e muitos exemplos ilustrativos, para não maçar os rapazes, seguida de jogos e competições sobre o assunto. Praticamente não se cantava mais nada no acampamento para além do “Inegoniama”. B-P distribuiu a cada rapaz uma insígnia em latão com a flor-de-lis. Alguns historiadores defendem que usou o mesmo esquema de classes que tivemos no CNE e que foi usado um pouco por todo o mundo.

Horário diário
A alvorada era às 6h00, ao toque de um chifre de Kudu que B-P tinha trazido de África, usado pelos Matabeles.

6h00 - Alvorada, arejar, leite e biscoitos
6h30 - Ginástica matinal
7h00 - Avisos das atividades do dia, com demonstrações
7h30 - Limpeza do campo
7h55 - Formatura, içar da bandeira e orações. Pequeno-almoço.
9h00 - Prática escutista
12h00 - Banho
12h30 - Almoço
13h00 - Descanso
14h30 - Prática escoteira
17h00 - Chá
18h00 - Jogos
19h15 - Passar uma toalha húmida pelo corpo e mudar de roupa
20h00 - Jantar
20h15 - Palestras ao redor da fogueira
21h15 - Orações
21h30 - Deitar e silêncio.

Reviver Brownsea. Um épico que ficou marcado para sempre na história escoteira.

Baden-Powell, um homem além do seu tempo. Reviver é não esquecer nunca mais!

domingo, 28 de julho de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. As velhas tralhas escoteiras que amei.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
As velhas tralhas escoteiras que amei.

Prólogo: - A modernidade chegou, se gasta os tubos para ter um material completo de Patrulha. Se o intendente não é dos bons em pouco tempo tudo está perdido, estragado, com ferrugem ou é deixado displicentemente em qualquer lugar onde foi usado. Mas temos que seguir a trilha do moderno, faz parte. Haja dinheiro para gastar!

- Houve um tempo e põe tempo nisso, eu participava de uma Patrulha de amigos e irmãos que hoje estão no céu. Da Patrulha Lobo era o terceiro escoteiro Escriba com muito orgulho. Foi uma época de liberdade, de escotismo alegre e solto, daqueles que ao passar um fim de semana na sede dava uma canseira e uma moedeira que o próprio Chefe Jessé sorria sabendo o que estávamos a pensar e desejar. Acampar, excursionar e aventurar por aí. Exigente dificilmente dizia não. Se uma Patrulha quisesse acampar ele anotava onde, quando e se tínhamos permissão do dono do lugar. Às vezes nos visitava na sua Philips negra e era uma graça o ver batendo pedal nas horríveis trilhas do lugar. No nosso saco de Patrulha feito com saco de estopa, do mais usado e que aguentava tranco, ganho no Armazém do Grilo do Senhor Pastor, cabia toda nossa tralha de sapa e de cozinha. Com um idêntico fazíamos o nosso colchão. Era só encher de folhas e capim seco. Se precisássemos de uma panela, de um caldeirão ou de uma frigideira era só ver se a mamãe de alguém tinha para doar. Tudo muito simples, poucas noites, uma caçarola e caldeirão bastavam. Sete itens para levar distribuídos entre os patrulheiros. Éramos preparados, podíamos dizer que todos tinham a marca do bom acampador e nem precisa de lista ou lembrar.

- Lembro quando acampamos em Conselheiro Pena, um grupo novo, cheio da grana, Luiz Antônio filho do Doutor Mateus e prefeito, nos mostrou um conjunto de panelas que seu pai comprou. Lindo! Uma encaixada na outra, um jogo de tirar o cozinheiro da sua sina de panelas sujas, sebentas onde o Bombril ainda não existia e a areia era o capacho para limpar. Olhei para as panelas brilhantes de um alumínio reluzente e pensei: - Valeria a pena? Mas o preço oh! No segundo dia na inspeção perderam ponto, pois as panelas amassaram e o encaixe deixou de existir. O tempo passou, de um alumínio brilhante viraram sebentas também. Durante quatro anos na Patrulha só uma vez precisamos de um facão. O nosso já velho e alquebrado serviu para pagar um almoço lá prús lados de Bom Jesus, cansados de uma jornada e mortos de fome sem tutu, o dono do restaurante beira da estrada Rio Bahia topou a pé uma troca de um prato feito pelo facão. Seu Belarmino do Curtume Santa Rita nos presenteou com um novinho. Eita gente boa para doar...

- Mas a modernidade não parou por aí. Quando nos meus dezessete anos fui fazer um Curso de Adestramento Básico em 1959 conheci o Lampião a Gás vulgo Liquinho. Luz branca, clareia longe e tudo ao redor. Parecia uma lâmpada de 220 w. Perguntei ao JF (João Francisco) um dos membros da equipe se era caro. Ele com aquele estilo Bipidiano de Chefe novo rico gritou o preço de uma vez só: - Duzentos reais! (em dinheiro de hoje). E o gás? Se não tiver a venda na sua cidade é melhor usar lamparina! Continuamos por muitos e muitos anos com o velho e amado lampião a querosene e a lamparina sem capa de vidro. Fizemos com nossas próprias mãos uma carretinha. As rodas foram doadas pelo Zé Sinfrônio que nos ajudou a fazer o eixo e o mancal. Mais tarde vimos algumas com rodas de pneu de borracha, lindo demais. Sem tutu para  gastar, continuamos com a nossa com rodas de madeira ripada com latas de marmelada e goiabada bem desamassadas e pregadas no cume de cada roda.

- Todos nós tínhamos nosso Vulcabrás. Bom para andar e bom para durar. Zeca filho do dono da Padaria um dia perguntou ao Chefe Jessé se podia usar um quedes (Tênis) preto que comprou na capital. Todos da tropa olharam para ele espantados. Não conheciam o tal quedes. Usei Vulcabrás por muitos e muitos anos. Pedro Piaba um dia chegou com um Canivete Suíço. Gente quanta coisa o tal canivete tinha. Tirava rolha, tampinha, tinha serrotinho, cortador de unha, descascador de batatas e o escambal. Fiquei pensando na limpeza com talco Johnson todos os dias para inspeção. Na nossa tralha de corte tínhamos uma enxada pequena sem cabo e um enxadão (fazíamos os cabos quando no campo de Patrulha). Quase não usávamos a enxada e o enxadão. Ganhamos do Seu Norberto uma pequena lâmina com cabo que servia para furar qualquer buraco na terra e fácil de carregar. Naquela época ninguém conhecia o sisal, mas todos eram peritos em cipós, de qualquer qualidade.

- A cada dois ou cinco anos, o Sexto Batalhão da Policia Militar de Minas gerais sediado em nossa cidade desfazia de parte do seu material de sapa usado e doava a quem precisasse. Chefe João Soldado terceiro sargento sempre estava na fila dos pedintes e recebíamos barracas (duas lonas) mochilas de praça e oficiais, material de corte e sapa, até mesmo vasilhame principalmente as canecas e marmitas de campanha. Munir o maestro e intendente geral substituía nas patrulhas aquelas que estivessem mais estragadas. Dificilmente comprávamos alguma coisa. Nem mensalidade pagávamos. Cada Patrulha tinha sua Bandeira Nacional. A nossa puída e nem sei quando conseguiram uma nova para substituir. Quando saímos para acampar cada um ficava com uma banda da barraca (duas lonas) e no campo fazíamos os espeques e varões necessários para armar. Não tinha taxa de acampamento. Cada um levava de sua casa seu quinhão dependendo os dias acampados.  

- Hoje tudo mudou. A modernidade chegou. Tem mensalidade, taxa de acampamento, taxa de viagem e coisa e tal. Dizem que nem bússola se usa mais. (saudades da nossa Silva e da Prismática ganho do Professor Teobaldo do Colégio Santa Cecília). Dizem que um tal de Smart Fone faz tudo. Previsão de tempo (quatro quadrinhas de tempo resolvia tudo para nós), rumo, orientação para cozinhar, quem sabe faz também almoço e jantar? Será que ele serve para pescar? Espantar uma cascavel, caçar um tatu, pegar emprestado uns ovos de avestruz? Dedilhar um violão no fogo de conselho, servir de jangada para uma estupenda travessia num rio caudaloso? Não sei, dizem que os tempos são outros, deve ser, mas não é mais o meu tempo. Ele ficou no passado e o presente está tudo mudado. Fala-se cada coisa, até palavrões nas atividades escoteiras, não faltam meninos levar camisinha para o acampamento, o sexo não mais importa pois ficar é um verbo comum adotado pelos ideólogos da atualidade. Se não concorda te chamam de homofóbico. Aquela áurea de inocência daquele olhar venturoso, do respeito ao próximo, de dizer sim senhor, de amar o vento dos acampamentos, dos sonhos da descoberta e do amor à natureza, das noites dormidas sob as estrelas acabou. Acabou? Me garantem que não. Mas são poucos como eu sou. Saudosistas, execrados pelos modernos que dizem que o mundo mudou e os escoteiro tem a obrigação de acompanhar!

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Onde anda Adriana Birolli atriz e escoteira?




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Onde anda Adriana Birolli atriz e escoteira?

Prólogo: – Onde anda Adriana Birolli a famosa atriz e escoteira de tempos idos? Defenestrada pela Rede Globo e pela UEB? Não teve o mérito que merecia? Só porque matou uma galinha em um curso de sobrevivência na selva foi condenada ao ostracismo? Viraram as costas para ela? Atriz de sucesso em uma novela hoje ela é uma eterna desconhecida. Soube que faz novela na Record e daí? Quando deu suas primeiras entrevistas como escoteira e fotografada em seu grupo de origem foi aplaudida e saudada, e agora? Condenada ao ostracismo pelos antigos patrões e a UEB não dá um pio. Tudo começou quando ela fazendo sucesso em uma novela da Rede Globo contou em alguns programas de TV que fora escoteira por muitos anos e ainda participava nos seus tempos livres. Vários programas fizeram entrevistas com ela em atividades escoteiras pré-programas fazendo saudações e dizendo Sempre Alerta junto aos escoteiros todos se orgulhavam. Que orgulho em saber que alguém importante como ela participava do escotismo. Era o Marketing que faltava já que a EB não sabe como fazer isto.  

                  Tudo foi por água abaixo quando ela no programa do Jô Soares contou parte de sua infância e sob a influencia deste nefasto apresentador tentou explicar as provas de sobrevivência que participou no escotismo há tempos passado. Tentou descrever como teve que matar galinhas e coelhos e incentivada pelo Jô foi levada a explicar como “torturava” os animais e como os preparava para as refeições que fazia durante este curso. Coisas do Jô. Alguns bloguistas e outros comentaristas fizeram disto uma diversão e tanto, menosprezando o Escotismo, como se tais provas fossem uma conduta normal e treinada para matar. Em qualquer curso de Sobrevivência na Selva isto acontece para que os participantes possam sobreviver das dificuldades encontradas. Não foi o que muitos pensaram. A própria UEB pelo que eu saiba se eximiu de explicar ou mesmo defender Adriana Birolli.

                 Assim como apareceu na mídia, logo desapareceu. Nem na rede Globo com seu puritanismo satânico ela participa mais. Poucos falam sobre ela. Por causa de umas palavras que na época ela achava válido e levada pelos seus chefes, condenaram-na a fogueira do ostracismo. Um escotismo como o nosso que não tem representatividade e tão em falta de cidadãos probos, exemplos a seguir, ela não mais servia aos propósitos do escotismo Brasileiro. Era culpada? Era jovem e conduzida a curso fez o que muitos fizeram pode agora ser condenada? Quem saiu em defesa explicando que isto aconteceu em uma época onde se fazia o escotismo aventureiro? – “Atirem, por favor, a primeira pedra”. Escolham-me como alvo. Quantas vezes como menino escoteiro, eu me embrenhava na selva da minha cidade, com minha Patrulha, levando somente sal e óleo para ficar dois ou quatros dias acampados e tínhamos que nos virar para nos alimentarmos? Errado? Era uma época diferente, isto para nós era ponto de honra e fazíamos com orgulho. Sobrevivência na Selva era uma expressão que se dava aos valorosos soldados de fronteira ou mesmo aqueles que pertenciam a algum batalhão especializado nestas artes.

               Nós os escoteiros do passado seguíamos o mesmo caminho. Se alimentar de animais ou grandes pássaros não tinha segredos era o que tínhamos na época. Com o passar do tempo ainda continuava nos cursos de Sobrevivência na Selva com participantes diversos o ensino e a prática de se alimentar com o que se encontrava a mão. Hoje isto não existe mais, sabemos até que ponto o respeito à natureza faz parte da formação escoteira. No artigo do Site da ANDA que nunca ouvi falar eles os articulistas se divertem com a “Matança” da escoteira Adriana Birolli. Chegaram ao ponto de afirmar que ainda continuamos com este rito que não mais existe e nunca foi parte da formação escoteira. Uma pena que tais fatos sejam mostrados de forma incoerente ao povo brasileiro. Se servir de condenação, minha Avó minha mãe e até a Célia no passado “mataram” muitas galinhas e até mesmo um porquinho de antemão.

               Adriana Birolli não dá mais entrevistas falando de escotismo. Acho que se ressente por nenhum dirigente escoteiro tê-la defendido. Assim como apareceu se orgulhando de ser escoteira desapareceu no tempo. Acredito que se sentiu usada e não teve uma mão escoteira para defendê-la. Interessante que uma vez uma dupla de dirigentes da UEB foi entrevistada por Jô Soares. Quase dormi de tédio. Nunca vi tamanha monotonia. Não temos marketing. Ninguém para dizer na grande Mídia que o escotismo é uma das maiores organizações de jovens visando seu aperfeiçoamento individual dentro de uma metodologia única feita por Baden-Powell. No meio educacional somos considerados como ineficazes e atrasados.

“E se você quiser condenar quem já fez isto, eu me apresento assim como quase todas as mães e avós dos meus amigos leitores”. Sem esquecer que até na década de setenta oitenta isto ainda era comum. Duvida? Pergunte a sua mãe e sua avó se elas ainda estiverem vivas. Hoje é bem mais moderno. Não matamos nada, temos quem mata para nós e vender seu produto isento de maldades e atrocidades que acometem os bons samaritanos de hoje.

Pois é, hoje a Escoteiros do Brasil age como se fossemos amadores (e somos mesmos). Quando precisamos e temos alguém para defender e dar uma amostra que temos bom escotismo ela prefere bater palmas para um cantor brasileiro como se ele fosse nos dar um maior marketing escoteiro. E às vezes me pergunto onde está ele dizendo maravilhas do nosso amado Movimento Escoteiro? Sei que colocaram nele uma vestimenta (será que pagou por ela) e publicaram sua foto nos sites oficiais da EB. Pelo que vejo já está caindo no ostracismo. Assim como ele chegou já está desaparecendo. Mas não é sobre ele que quero falar, minha pergunta é uma só: - Onde anda Adriana Birolli? Ainda continua amando o escotismo? Bem cada um sabe onde aperta seu sapato. Pobre da nossa liderança. Pobre escotismo que não sabe se valorizar! 

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Conversa ao pé do fogo. O lenço Escoteiro.




Conversa ao pé do fogo.
O lenço Escoteiro.

Prólogo: - Papeando um tema que muitas vezes esquecemo-nos de papear. O nosso lenço? Quem é? O que significa? De onde veio? Cada um tem um caso para contar. Eu conto o meu. Abraços fraternos meus amigos.

                      O Lenço Escoteiro é umas das peças mais importantes do Uniforme Escoteiro. Ele representa o grupo e seu compromisso com o escotismo. O lenço escoteiro é um pedaço de tecido de forma triangular, parte fundamental do uniforme de todas as organizações escoteiras ao redor do mundo. A peça foi adotada pelo fundador do movimento escoteiro Robert Baden-Powell por ter dimensões muito próximas as de ataduras triangulares muito usadas em primeiros socorros.

                       No Brasil o lenço escoteiro deve ter catetos medindo de 60 a 75 cm, sendo os grupos escoteiros responsáveis por suas cores e emblema. O Lenço de Gilwell é um dos mais antigos lenços escoteiros do mundo, adquirido ao se completar as etapas da insígnia de madeira.

                      Se reparares, não são só os escoteiros que usam lenço. Em muitos países os vaqueiros em seus trajes nas fazendas, campeando ou cavalgando têm um lenço (normalmente com adorno, enfeites) Eles se sentem elegantes e gostam de chamar a atenção. (No sul do país é comum e cada um tem suas história) E se pensarmos em figuras que nos são familiares: Além dos cowboys; o 7º Regimento da cavalaria (e o resto do exército americano); os camponeses dos retratos e quadros; os carteiros de certas cidades e infelizmente ou felizmente os guerrilheiros.

                        Em comum temos duas coisas: profissões ao ar livre e em ambientes de poeira e sol (ou cavaleiros). O lenço protege o pescoço do sol, do frio,  dá para limpar o suor e serve para tapar a boca por causa do pó. Não sei se o exército colonial britânico o usava, mas sei que a South-África Mounted Police o tinha no seu uniforme. Ora esta polícia, copiada dos "Mounties" canadianos, foi criada por BP. De raiz, tendo este criado o seu regulamento, implantação, estrutura, uniforme, etc. Desta experiência tirou muitas coisas para o uniforme escoteiro: o chapéu, o lenço e a flor-de-lis são talvez os mais conhecidos.

                  Mas isto de usar lenços ao pescoço é muito mais antigo. Ora se vê nos livros do Asterix os legionários em uniforme de gala. Aliás, do tipo de pano que se usava, do seu uso (prático ou decorativo) e das várias formas de prendê-lo nasceram variantes, como o cachecol, o xaile, o laço, o papilon (gravata borboleta) e as rendas e... A gravata! Podemos completar que a origem do lenço escoteiro esta na participação de Robert Baden-Powell na Segunda Guerra Matabele, em 1896, onde trabalhou com Frederick Russell Burnham, o batedor (scout) americano a trabalhar para o exército inglês. Burnham usava no seu uniforme um lenço triangular ao pescoço que servia para prevenir queimaduras solares, o qual Baden-Powell adaptou, sugerindo também que o lenço triangular aberto deveria ter o tamanho ideal para servir para primeiros socorros.

                              No lançamento do livro “Escotismo para Rapazes”, Baden-Powell propôs que cada grupo/patrulha tivesse a sua cor de lenço e que este deveria ser sempre mantido limpo e aprumado, pois nele estava depositada a honra do grupo/patrulha. Hoje em dia, o uso das cores dos lenços é diferente entre associações e países, mas a honra que lhe devemos será sempre igual. Usado geralmente em cerimônias, o lenço é enrolado, colocado ao redor do pescoço e então preso com um anel. Cada organização escoteira tem liberdade para definir as cores e o emblema de seu lenço. É uma tradição em acampamentos e eventos ao redor do mundo trocar lenços com outros escoteiros, sendo que alguns chegam a formar verdadeiras coleções.

Durante muitos anos, os lenços dos escoteiros eram quadrados, dobrados em triângulo e depois enrolados. Na lista de material individual pedido aos rapazes de Brownsea, constava um lenço, preferencialmente de cor verde escuro. Nas pontas, é tradição dar-se um nó simples para lembrar a Boa Ação diária.

O termo em inglês para o nosso lenço é “neckerchief” ou “scarf”. Só por volta de 1923 é que se tornou hábito usar uma anilha nos lenços, pois, até aí, era simplesmente usado um nó tipo gravata. Os escoteiros americanos só começaram a usar o lenço no uniforme a partir de 1920.

No Brasil, cada grupo tem um lenço próprio e todos os elementos das várias secções usam lenço igual.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Lembranças de Baden-Powell. Os Escoteiros de Mafeking! O começo do Escotismo.




Lembranças de Baden-Powell.
Os Escoteiros de Mafeking!
O começo do Escotismo.

Prólogo: - Conforme publicação da OMME o escotismo mundial conta com mais de 40 milhões de membros no mundo. Desse número, cerca de sete milhões são adultos voluntários que apoiam as atividades locais. Calcula-se que mais de meio bilhão passaram pelas fileiras escoteiras. Em toda a terra os escoteiros abraçam o mesmo conjunto de valores ilustrados na Promessa e Lei Escoteira. Cada um dos milhares grupos escoteiros locais segue um sistema similar de educação não formal, adequado para os aspectos únicos da sua comunidade.

- Os rapazes foram agrupados num corpo especial sob o comando de um deles, o cabo Goodyear, e cumpriram seus deveres satisfatoriamente, com grande coragem, mesmo sob o fogo inimigo. Seu trabalho consciencioso abriu meus olhos para o fato de que, dando-se responsabilidade a meninos e confiando-se neles é possível contar com eles como se fossem homens. Essa foi uma importante lição para mim.

- Em 1904, como resultado desses indícios, fiz um plano para formação de rapazes, que seguia de perto o programa dos exploradores militares. Em 1905 fui convidado por Sir William Smith para inspecionar a Brigada de Meninos em Glascow, no seu vigésimo primeiro aniversário de fundação. - Quando vi aquela esplêndida reunião de seis mil rapazes e me contaram a enorme penetração da organização, meus olhos se abriram para ainda outra característica dos rapazes. Em outras palavras, que se seu interesse for captado eles virão aos milhares, entusiástica e voluntariamente, receber formação. Percebi também que centenas de adultos estavam prontos a sacrificar tempo e energia para auxiliar e formar esses rapazes. Era um fato que nenhuma teoria poderia prever.

- Quando Sir William me disse que tinha nem mais nem menos do que cinquenta e quatro mil rapazes na Brigada, felicitei-o pelo magnífico resultado de seu trabalho; mas pensando bem, não pude me furtar à tentação de lhe dizer que, considerando-se o número de rapazes existentes na Inglaterra, em vinte anos deveria haver dez vezes mais nas fileiras, se o programa fosse variado e atraente. - Perguntou-me ele como seria possível tornar o programa mais atraente, e contei-lhe então a popularidade do programa escoteiro entre a rapaziada da Cavalaria, e que alguma coisa semelhante poderia ter igualmente atrativo para esses meninos mais moços, enquanto a finalidade do movimento poderia muito bem ser deslocada da guerra para a paz.

- O desenvolvimento do caráter, da saúde e da energia eram à base do seu programa e essas qualidades são tão necessárias ao soldado, quanto ao cidadão. Concordou Sir William cordialmente com a minha ideia, e sugeriu que eu escrevesse um livro para rapazes semelhante ao “Auxílio ao Escotismo” (Aids to Scouting). De forma que, nas poucas horas vagas que me deixava meu cargo de Inspetor Geral de Cavalaria, comecei a formular minha ideia, pois ali estava um trabalho a minha espera, no qual aquela absurda e detestável notoriedade que eu adquirira em Mafeking poderia dar algum fruto. - Por esse tempo, a sorte, ou o destino se preferem — levaram-me até a casa de Sir Arthur Pearson, e lá tive a oportunidade de descobrir sua modesta bondade e simpatia pela infância e juventude, às quais se juntavam um ardente patriotismo. Era justo o homem de que eu precisava e confiei-lhe minhas ideias sobre a formação dos rapazes. Ele encorajou-me muito e ofereceu-me a ajuda de seus auxiliares. Entre esses encontrei Sir Percy Everett, que desde então vem sendo meu braço direito.

- Antes de publicar o livro projetado resolvi organizar um acampamento onde pudesse constatar a validade das ideias. - A Sra. Van Realte colocou à minha disposição sua Ilha de Brownsea, na Baia de Poole, pois eu estava à cata de um lugar isolado para realizar a atividade longe do público e de jornalistas. Contava assim realizar a experiência sem interrupções. - Reuni rapazes de todas as classes e origens. Minhas previsões se realizaram e achei que podia, então, publicar o “Escotismo para Rapazes”.

Robert Baden-Powell, em "Lições da Escola da Vida”.




domingo, 7 de julho de 2019

Conversa ao pé do fogo. Um curso Escoteiro.




Conversa ao pé do fogo.
Um curso Escoteiro.

Prólogo: - Os cursos escoteiros estão atingindo seus objetivos? Porque alguns voluntários que participaram de um curso não praticam em suas sessões as verdadeiras qualidades do método de Baden-Powell? Existe uma escala de valores seja técnica ou funcional para demonstrar que os resultados estão sendo alcançados? Temos discutido se o curriculum de um curso atingiu o objetivo proposto? Apenas para pensar.

                       Conheci o Chefe Molusco em um curso que fiz quando as diligências ainda reinavam sobre a terra. Muitos dos alunos riram dele, do seu estilo, do seu sorriso e de seu nome para muitos especial. Foram oito dias acampados em uma floresta perto de uma aldeia indígena onde fizemos muitas amizades. Antes da Cadeia da Fraternidade no encerramento ele bondosamente olhou a cada um de nós e disse: - Chefes lembro ao final do curso que não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la. O entusiasmo é a maior força da alma. Conserva-o e nunca te faltará poder para conseguir o que desejas.

                      - Danado de Chefe! Nunca mais o esqueci. Mas porque estas lembranças? Acho que é pelas fotos que vejo de alguns cursos modernos de hoje. Eu não entendo muito de cursos modernos. Vejo tantos sentadinhos nas cadeiras e um líder formador falando que penso se isto é realmente um curso escoteiro. Até posso estar enganado, mas são tantos chefes que ainda não sabem como formar os jovens em sua sessão que só posso pensar que não aprenderam a técnica e a metodologia escoteira a ser aplicada. 

                       - Sei que a metodologia moderna de ensino ao aplicar conhecimentos no mundo de hoje é totalmente diferente do passado onde o bê-á-bá e a Cartilha ou tabuada da matemática era uma constante. A gente sabia que oito vezes nove é setenta e dois. Hoje? Se não tiver a mão uma calculadora ou um smart fone não teremos a resposta. Mas o moderno de hoje não pode ser discutido. O mundo mudou. As florestas estão sendo dizimadas, as águas se tornaram verdadeiros esgotos a céu aberto. Até mesmo um bom local de acampamento em certas cidades é impossível.

                      - Vez ou outra leio aqui e ali, que estão a alugar locais para acampamentos a preços módicos onde servem quentinhas ou podem montar um restaurante a lá carte ou ao gosto do Chefe ou dirigente escoteiro. Saudades do Chefe Molusco que um dia me disse: - Chefe Vado, estou pensando em montar cursos escoteiros fora da metodologia Uebeana moderna. Será que terei inscrições? – Sorri para ele. Meu caro Chefe Molusco quer saber? Acho que vai ter sim muitos alunos inscritos e quando disser que não tem taxas pode se preparar para uma corrida enorme de dezenas de chefes aos seus cursos.              

 

                               - Verdade, acho que o Chefe Molusco pensou que um curso escoteiro tem de ser de acordo com o método escoteiro. Afinal se a base da nossa formação é o aprender fazendo, porque ficar em uma sala de aula sentadinhos? Porque ver Slides, recursos de audiovisuais ou outras tecnologias que é um procedimento geral, mas que no escotismo não coaduna com nossa maneira de agir e formar? Para que usar computadores, flanelógrafo, CDs, murais, quadros de giz ou eletrônico ou mesmo o famoso PowerPoint que fez sucesso na Lava Jato?


                            - Pode ser que eu e o Chefe Molusco sejamos atrasados, mas participar de um curso, aprendendo escotismo, como fazer, como aplicar em plena natureza, no sistema de patrulhas, acampado, dando o grito e discutindo entre patrulhas uma dinâmica do acerto e da contradição deveria ser uma máxima. Áudio visual? Ali estão as florestas, as nascentes, o sol a lua as estrelas no firmamento o mar e a natureza. Aprender fazendo? Claro, deveria ser o objetivo de qualquer curso. Muitos dos novos chefes ainda não temos a prática do sistema de patrulhas, outros não conhecem a técnica e estão em suas sessões ensinando a formação dos seus jovens como se fosse os formadores com quem aprendeu. Os resultados são pífios. São monitores despreparados sem autonomia e programas que não atingem o objetivo da formação que aprendemos. Existem exceções e muitas.

                            - Sei que tem cursos que isto não é possível. Mas por favor, sem essa de um só ser o sabichão, não discutir em grupo, não ouvir opiniões e nem mostrar que sua experiência não vai além do aprendizado junto aos demais. Gritar Lobo, lobo, lobo, ou apitar três vezes chamando a todos qualquer um faz. Passar a vista em uma unidade didática e achar que esta preparado para uma boa palestra não é o caminho. Mas mostrar que a formação escoteira deve ser nos moldes de aprender fazendo, corrigindo individualmente seus próprios valores, dando oportunidade para que cada um seja responsável pela sua educação com supervisão somente, esta deveria ser a meta de todo curso escoteiro.

                             Sempre achei impossível a um formador que não tivesse a experiência de vida escoteira dar uma sessão sem conhecimento de causa. Brinco em alguns dos meus artigos que se você não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão! Muitas vezes não dominamos determinados temas e se tivermos um com este conhecimento é mais que válido convidá-lo. Não sei por que quando publico ou mesmo coloco a disposição apostilas, condensados ou temas relacionados à técnica escoteira existe uma enorme procura. Será que não estão recebendo isto nos cursos realizados? Bem não sei realmente o que se passa. Pelos comentários só posso pensar que o Sistema de Patrulha, o aprender fazendo, a mística da Jângal e outros fatores importantes na formação dos jovens em suas sessões estão deixando a desejar.

                             Mas pensando bem, porque não convidar o Chefe Molusco e outros velhos adestradores e voltar às origens do sonho escoteiro e darmos cursos a moda escoteira antiga? Você faria a inscrição? Fica a pergunta no ar...

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Crônicas de um Velho Escoteiro. As sete maravilhas do escotismo no mundo.




Crônicas de um Velho Escoteiro.
As sete maravilhas do escotismo no mundo.

Prólogo: O que sempre pensei ser as sete maravilhas Escoteiras do mundo. E também uma homenagem aos meus amigos gaúchos pelo prestígio e amizade. Obrigado!

“As sete maravilhas do mundo antigo são uma famosa lista de majestosas obras artísticas e arquitetônicas erguidas durante a Antiguidade Clássica, cuja origem atribui-se a um pequeno poema do poeta grego Antípatro de Sídon. Das sete maravilhas, a única que resiste até hoje praticamente intacta é a Pirâmide de Quéops, construída há quase cinco mil anos”.

                     Em meio a um enorme tapete de árvores, espremido em meio aos prédios, vinha eu absorto na Rua Gonçalo de Carvalho, na região central de Porto Alegre, e que tem a fama de ser “a mais bonita do mundo”. Eis que uma senhora de uns setenta anos, simpática, cabelos brancos prateados, com um sorriso daquele de conquistar corações me parou em frente ao numero 650 e perguntou de chofre:

- Chefe! Quais as sete maravilhas do Escotismo no mundo? Não esperava por aquela pergunta e nem conhecia a Senhora. Fiquei pensando como ela sabia que eu era Escoteiro. Ban Ban! Claro eu usava meu distintivo de flor de lis na lapela. – Senhora! Não seriam as sete maravilhas do mundo? – Não senhor Chefe Vado, eu disse em alto e bom som: - As sete maravilhas Escoteiras do Mundo! Parei com um sorriso sem graça. Além de saber que era Escoteiro também sabia meu nome. Minha cuca fervia e não sabia o que dizer. – Não pense muito Chefe, diga logo, não quero que poetize o que todos sabem o que é!

                     Que seja. Não pensei duas vezes e comecei a desfiar o que pensava serem as sete maravilhas Escoteiras no mundo. – Só sete senhora? São tantas! – Quero sete, quero responder aos meus netos que são lobinhos. O senhor sabe ou não sabe? – Vamos ver eu disse, e sem pestanejar comecei:

- Primeira - A Promessa Escoteira. – Por quê? Ela perguntou. Porque ela fica para sempre em nossa mente e em nosso coração. É o dia mais bonito de um Escoteiro!
- Segunda – O cerimonial de bandeira – Por quê? Porque ele é quase igual em todo mundo. Ele transmite para cada jovem o amor à pátria!
- Terceira - Acampar – Por quê? Não tem quem não diz que acampar é a melhor coisa do mundo?
- Quarta – Fogo de Conselho – Por quê? Senhora, quem participa de um Fogo de Conselho não esquece nunca mais!
- Quinta – O nascer e o por do sol em um acampamento – Por quê? É lindo. Nenhum Escoteiro pode ser chamado assim se ainda não viu o nascer e o por do sol no campo!
- Sexta - Fraternidade – Por quê? Porque somos o único movimento de jovens sem fronteiras que diz sermos irmãos em qualquer lugar do mundo!
- Sétima – Parei. Fiquei pensando – Chefe e a resposta? Senhora estou em duvida, tem tantas que não sei como fechar à última. Ela sorriu. Quem sabe poderia ser A Canção da Despedida? – A senhora já participou? Não mas meu filho que é Chefe Escoteiro diz que é a hora mais linda do mundo quando se canta a Canção da despedida!

                Olhei para ela espantado. Uma família Escoteira a me perguntar quais são as sete maravilhas escoteiras do mundo? Ela em um fechar de olhos desapareceu. Lá ao longe ela virava uma esquina de volta ao seu lar; Continuei a andar a procura do Shopping Total. Disseram-me que era em frente à Rua Mais Bonita do Mundo. Moço! Pode-me dizer onde fica... Ele me olhou e respondeu educadamente.  – Senhor Escoteiro, as ruas que circundam o Shopping Total são de fundamental importância para a capital gaúcha. Entre elas está esta que o senhor atravessa, a Gonçalo de Carvalho. Saiba que ela recebeu o título da “Rua Mais Bonita do Mundo”. O senhor está vendo, um verdadeiro “túnel verde” de inigualável beleza. Primeira Rua no Estado a receber esse título, a arborizada Gonçalo de Carvalho sagrou-se como o patrimônio histórico, paisagístico, cultural e ecológico de Porto Alegre em 2006!

                  Não tinha mais nada a dizer. Sorria comigo mesmo. Olhei para ele de novo, me piscou um olho e apontou em sua lapela uma flor de lis em ouro. Risos. Escoteiros não dão bobeira, disse para mim mesmo fazendo uma mesura como se estivesse com meu chapéu de três bicos. Agradeci e parti ao destino que havia escolhido. Escolhido? Acho que não, foi o porteiro do Hotel Deville Prime que quando perguntei me olhou e disse: - Escoteiro mineiro! Quer conhecer minha cidade? Vá a Rua Gonçalo de Carvalho e nunca mais esquecerá minha amada Porto Alegre! E não é que ele também estava com uma flor de lis de lapela?

domingo, 30 de junho de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Eu conto histórias, mas sou um escoteiro e você?




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Eu conto histórias, mas sou um escoteiro e você?

- Oxalá fosse assim. Histórias a gente conta vive e pensa estar sendo uma das personagens. Sei que cada uma delas foi criada pela vivencia e outras surgiram como frutos da imaginação. Ainda vivo o presente, a vida que levo os amigos que tenho vão dando pequenos frutos neste mundo que Deus criou. Aprendi na Escola da Vida a tentar o máximo ser fraterno amigo de todos e irmão dos escoteiros, seja qualquer raça cor, credo ou classe social. Fico triste quando magoo alguém. Sem copiar Chico Xavier ser magoado é uma coisa, mas magoar alguém é terrível. Tento sempre ficar entre o bem e longe do mal. Mas às vezes não dá. Sem querer magoamos a quem não merece e às vezes pela idade me sinto magoado.

- Vejo muito nas redes sociais uma implicância até certo ponto correta de alguns que mais afoitos tentam criar e postar suas ideias ou mesmo comentar sobre a postagem de alguém. Coitado se erra nas palavras, se seu português é falho, se ele não teve a sorte de ter uma boa escola e aprender o bê-á-bá. Nestas horas tem os professores, os bons de substantivos, adjetivos, verbos e advérbios. Nestas horas olho para mim e me vejo um “cara pálida” que se encaixa naqueles que vão aprendendo nesta escola da vida que chamam de redes sociais. Metido a escritor lá fui publicar meus mestrados, que dizem ser encargos e práticas referentes a essa dignidade do cargo. Que cargo? Escritor de contos escoteiros? Gente! Quantos erros de português cometi. Alguns mais chegados tentaram me alertar outros nem leram dizendo que não dava para entender. Eles tinham razão, mal cursei o segundo grau. Fiquei pela metade. Escorando na roda da minha carretinha empurrada com dificuldade na subida ou chuva, fui aprendendo e hoje mesmo falhando muito o acerto ortográfico do Word me ajuda “prá dedéu”!

- E eis que vejo muitos chutando o pau da barraca daqueles que resolveram escrever e nem as palavras sabe como compor suas escritas literárias. Sei que muitos querem ajudar e nem sabe que isto para quem é corrigido é humilhante demais. Vou por o “cara” na escola da vida ou na escola dos meus filhos? Porque não entender e dizer a ele: - Vá em frente, gostei do que escreveu. Como dizia meu compadre padrinho de um filho meu lá da fazenda onde trabalhei: - Seu Osvardo, isto é mais maió de belo tamanhussa e biteleza! A vida é tão curta, passamos por ela tão rápido que nem sempre dá para voltar atrás. Poderia ter “estudado” mais e não o fiz. O que fazer? - Sentar na beira do caminho, descansar meu bastão no barranca da estrada, deixar minha mochila no capim e chorar o que não fiz? Outro dia vi um dos meus amigos virtuais educadamente corrigindo um pobre infeliz... Sem querer me pus no lugar do errático. Reclamei... E o meu amigo se foi magoado e nem me disse adeus. Acho que feri seus brios e olhe isto me doeu. Mas voltar atrás?

- Glosam muitos os inferiores da lei da escrita portuguesa. Não desmereço ninguém. Tive amigos que falavam tão mal o português que precisava viver mais junto a eles para entender. Mas o coração... Oh! “Mais maió de beleza”! Na minha Patrulha escoteira só o Rael era letrado. Não perdeu um ano sequer. Formou em Engenharia Mecânica. (ainda é vivo e professor). Fumanchu, Tãozinho, Chiquinho, Darcy e Malagueta só terminaram o primário. Eu erradamente me dediquei tanto ao escotismo que não fui tão bom aluno. Que adianta empurrar a carretinha, armar minha barraca, andar a pé pelas sendas escoteiras neste mundão de Deus e aprendendo com a natureza, esquecendo a tabuada e chegando a conclusão que minha matemática quântica de cipós e construções não vale coisa nenhuma hoje? Aos trancos e barrancos vou aprendendo.

- Olhe, eu tinha muitos assuntos para comentar. Alonguei-me demais com o grandioso idioma Português. Eu queria escrever sobre bondade, sobre fraternidade, sobre estes escoteiros que praguejam que são valentes e resolvem na base da justiça terrena seus devaneios com os adversários que se tornaram inimigos. Olhem meus amigos vou ser sincero, me assusto com muitos que se dizem escoteiros neste século XXI que tem tantos dissabores e perderam aquela qualidade de fraternidade e entender melhor o seu próximo. Essa cantilena de escotismo moderno deixo para os pedagogos de plantão. Dizem que breve teremos um Chefe para cada escoteiro na Escoteiros do Brasil. Dá para ver as fotos sem desmerecer, tem chefes demais no pedaço. Tem gente premiada tem gente promessada, tem gente letrada, tem gente recebendo o lenço, os tacos, tem gente recebendo comendas e medalhas cada um correndo atrás de um taco, do Tapir... (tem só o de prata? E o de ouro não vai ter?).

- Eles não estão errados. Pensando bem isto faz bem a formação da escoteirada. Mas falta pensar na “molecada” eles precisam aparecer, falar, dizer o que pensam ser fotografados, lutar pelo Cruzeiro, Pelo Lis de Ouro, Pelo da Pátria e pela Insígnia de BP. São tão poucos ou será que são muitos? Que as atividades sociais, a ajuda ao próximo, à limpeza da fauna e da flora, a educação e o respeito pela comunidade sejam uma meta escoteira, mas meus amigos tudo isso sem a atividade de campo, bons acampamentos, excursões, vida ao ar livre, dormir sob o sol e a chuva, uma boa Pioneiría no pedaço e deixar a moçada viver sem isto nada tem valor. Esqueçam um pouco seu crescimento dentro do escotismo como Chefe, pense no jovem, sua função é estar com eles, aprender com eles, vivenciar e parabenizar e elogiar.

- E vou terminando. Se eu ofendi alguém me penitencio. Ainda acredito num bom abraço, fraternal é claro, ainda acredito na lealdade, na sinceridade, na ética, no caráter e na tão discutida honra... (não posso mais dar minha vida pela minha honra?). Ainda acredito no amor ao próximo, no respeito e no escotismo como fonte de amor e fraternidade. Afinal não gostam de plagiar a velha serpente, a Kaa das Terras de Seeonee? “Somos irmãos de sangue, tu e eu, homens e serpentes”! Fica aqui meu fraterno abraço sem esquecer meu amigo o Lobo Gris, que na sua ingenuidade amigo de Mowgly repetindo aos habitantes da Jângal que ninguém ousará expulsá-lo, que dizia com lágrimas nos olhos: - Filhote de homem, senhor da Jângal, filho de Raksha, meu irmão de caverna, o teu caminho é o meu caminho, a tua caça é a minha caça e tua luta de morte é a minha luta de morte! E despediu de Mowgly dizendo: - “As estrelas desmaiam, disse com os olhos fixos para o céu... Onde me aninharei amanhã? Porque dora em diante os caminhos são novos”!

sábado, 29 de junho de 2019

Lendas escoteiras. A Árvore dos sonhos.




Lendas escoteiras.
A Árvore dos sonhos.


                       Ela sempre existiu na Rua da Felicidade no bairro dos Grandes Amores. Ficava bem em frente à igrejinha dos Noivos felizes. Era um belo Jequitibá, enorme, frondoso e interessante, embaixo de sua sombra sempre existiu uma camada de grama verde macia e que nunca crescia. Ideal para sentar e sonhar. A sua volta flores silvestres nasciam em qualquer época do ano. A que mais se sobressaia eram as bromélias. Sempre floridas e perfumadas, um perfume que embalava os sonhos dos amantes que ali passavam. Minha Avó disse que quando nasceu ela já estava lá. Se for verdade ela teria mais de cem anos. Eu a descobri por acaso. Um dia andando sem rumo topei com ela. Encantei-me. A sombra convidativa me fez sentar e logo estava encostado ao seu tronco macio. Fechei os olhos. Dormitava. Foi minha primeira vez. Voltei lá muitas outras vezes. Fiquei amigo do Jequitibá. Um dia assustei quando ouvi ela me contar seus sonhos e os desejos dos que a procuravam. A princípio me assustei depois embalado pela brisa suave que ela fazia questão de soprar de leve em meu rosto passei a absorver através da mente o que ela insistia em me contar.

                       Primeiro me contou a história de um Escoteirinho feliz. Ele um dia descobriu o Jequitibá. Como eu também se encantou. Voltava do seu primeiro dia de Escoteiro. Fechou os olhos, deitou na grama macia convidativa e sem perceber passou a narrar através da mente para a Árvore dos Sonhos um pouco de sua vida. Sempre quis participar. Seus pais contra. Fez tudo e nada. Era seu sonho ser Escoteiro. Não sabia a quem apelar. Um dia ouviu uma música, decorou e passou a cantar todas as tardes na varanda de sua casa. A música muita conhecida no velho oeste americano com o nome de “Suzana”. Assim ele cantava: - ¶Minha mãe vou lhe pedir, e não a quero aborrecer, para ser um homem forte, um Escoteiro eu quero ser! – Vou para o campo, aprender a trabalhar, não serei um peso morto e não darei o que falar! O meu Chefe, saberá me ensinar, andar pela floresta sem espinhos atrapalhar!¶ - E assim Tininho cantou por semanas e meses. Um dia seu pai se encheu e viu que precisa mudar. Viu que ele cantava plangente, queixoso e triste. Afinal era seu sonho de menino. O levou ao Grupo Escoteiro. A maior alegria de um menino sonhador aconteceu. Tininho voltou lá muitas vezes, muitas vezes contou seu sonho à árvore dos sonhos sempre com um grande sorriso nos lábios.

                       Foi em uma tarde quente de agosto que a Árvore dos sonhos recebeu Nalvinha. Ela deitada na sombra gramada sonhava. Nalvinha sonhava em ser Escoteira. Com quinze anos procurou o grupo Escoteiro próximo a sua casa. Foi aceita e entrou na Patrulha Flor de Lis. Nalvinha vibrava com tudo. Ia para a casa, para a escola e sempre sua mente voltada para os escoteiros. Nalvinha não se achava bonita. Nunca achou, mas Totonho se apaixonou por ela. Ela não pensava em amores, pois o escotismo era sua vida. O pior aconteceu em um acampamento. Ela procurava lenha seca próximo ao seu campo de Patrulha. Totonho a segurou pelo ombro e a jogou ao chão. Nalvinha assustada gritou com ele e ele não parava, queria beijá-la a todo custo. Balbuciava que ela era sua vida, que a amava que viver sem ela era melhor morrer. O Chefe Lourenço ouviu seus gritos. O caso foi levado a Corte de Honra. A decisão foi unânime. Totonho seria expulso tão logo voltassem do acampamento. Nalvinha perdoou Totonho. Pediu ao Chefe que não o mandasse embora. Foi perdoado com uma suspensão de dois meses. – O tempo passou. Hoje Nalvinha é casada com Totonho. Vivem felizes ainda no escotismo. Walace e Rosália são seus filhos. Nalvinha sorria de olhos fechados. Ela era a mais feliz do mundo. Um grande amor, dois lindos filhos e o Escotismo que vivia em seu coração.

                      Era bom deitar sobre a relva verde da Árvore dos sonhos. Quanta coisa ela me contou. Ah! Joel Simon. Um dia passou por ali viu a árvore e resolveu tirou uma soneca. Joel Simon era Chefe. Oito anos de atividade e recebeu sua Insígnia de Madeira. Joel Simon reviveu tudo que aconteceu com ele como chefe. Uma tela enorme surgiu em sua mente. Ali sua vida passava rapidamente. Quando resolveu entrar foi por causa de Carlinho, seu filho de sete anos. Queria ser lobinho. Porque não? Lá foi com ele. Nunca viu tanta alegria em uma criança. Resolveu entrar, pois tudo o atraía ali. Marly foi contra. Sua esposa estava ficando amarga. Ele tentava manter seu casamento, mas estava difícil. Insistia para Marly ir com ele. Um dia ele se acidentou em um acampamento. Acidente simples. Tentava descer por uma corda no alto de uma árvore. Perdeu o equilíbrio e caiu. Fraturou um braço e uma perna. Os escoteiros valentes o levaram até a estrada. Chamaram a ambulância. Marly quando soube ficou possessa. – Queria por que queria vê-lo fora do Grupo Escoteiro. Um dia ela resolveu se divorciar. Ele fez tudo para que não acontecesse. Não houve jeito. Ela foi embora. Não foi com ninguém. Voltou para a casa de seus pais. Deixou Carlinho com ele. Hoje ela voltou se arrependeu. Ele a abraçou e a beijou apaixonadamente. Ela pediu para ir ao Grupo Escoteiro com ele. Gostou. Disse que ia ser Chefe. Ah! Joel Simon, o Chefe Escoteiro mais feliz do mundo!

                   Mas nem todos os sonhos são felizes. Noêmia era professora do Grupo Escolar Padre Eustáquio. Um dia viu uma Alcatéia de lobinhos passando em frente à escola. Era sábado. Ela fora lá porque precisava colocar em dia as provas que os alunos fizeram na semana. Noêmia tinha vinte e cinco anos e solteira. Não era bonita. Nunca foi. Ao nascer tiveram que operar sua boca. Um rasgo enorme. Uma parte dos lábios finos e outro grosso demais. Seus alunos olhavam para ela com medo. Fazia tudo para conquistá-los. Mas era difícil. Pensou em procurar o grupo. Não sabia o que a esperava. Um Chefe prepotente, rancoroso, a recebeu mal. Ela não sabia o que fazer. Ele dizendo a ela que não precisavam de ninguém. Que ela primeiro devia operar os lábios. Nenhum Escoteiro ou lobinho iria gostar dela. Que ela se tocasse. Noêmia saiu dali chorando. Ao atravessar a rua um ônibus a atropelou. Ficou tetraplégica. Sua mãe a levava sempre a Arvore dos sonhos. O Jequitibá chorava com ela. A embalou muitas vezes tentando com seu néctar retirado de sua folhas verdes como a servir de bálsamo para sua tristeza.

                     Ah! Eu gostava muito de ficar ali debaixo do Jequitibá frondoso. Tornamo-nos grandes amigos. Um dia vi dois homens da prefeitura dizendo que tinham de serrá-la. Impossível! Não podiam. Alegaram que ela ia cair. Cupins em seu tronco o demonstravam. Chorei muito. Ela não chorou. Disse-me que já era hora de partir. Ela estava cansada, precisava de uma nova morada para descansar dos trezentos anos que viveu na terra. Pediu-me para tirar uma muda. Tão logo ela se fosse que eu devia plantar um filho seu ali. Uma tarde vi que meu amado Jequitibá partira para outra vida. Plantei a muda. Um ano ele já dava sombra. Aos seis anos era um belo Jequitibá frondoso. Nunca esqueci o velho jequitibá. Quantos sonhos ele me contou. Durante anos ia lá sempre. Deitava na sombra gostosa e na grama verdinha macia. Meu Deus! O novo Jequitibá passou a dividir comigo os sonhos de quem o procuravam! Sou um homem de sorte. Valha-me Deus! Quantos amigos eu fiz, como é bom viver uma vida de felicidade e ser amigo de uma Árvore dos sonhos me faz feliz e renascer todos os dias!

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Conversa ao pé do fogo. O Pernilongo, a Muriçoca, o carrapato e outros bichos.




Conversa ao pé do fogo.
O Pernilongo, a Muriçoca, o carrapato e outros bichos.

Prólogo: - Falando em muriçoca, pernilongo, maruim, carrapatos e etc. sempre é bom lembrar que Escoteiro não anda voa! Escoteiro não ri, dá gargalhadas! Escoteiro não chora, dá pernadas na dificuldade! Escoteiro não tem medo, luta até a morte! Escoteiro não corre dos insetos ou animais peçonhentos, enfrenta-os com seus caratês e golpes mortais. Eu eim? 

           Isto é coisa do demônio, dizia a Chefe Mercedes. Chefe “gente boa” a Chefe Mercedes. Entrou com idade avançada e logo conseguiu sua Insígnia de Madeira. Nos acampamentos detestava os insetos que ela chamava coisas do Demônio. No primeiro acampamento os pernilongos se deliciaram. Ela jura que ouviu eles dizendo: - “tem carne nova no pedaço”! - Em outro uma “tropa de carrapatos fez dela seu ninho"! Risos. Eu dizia que para tudo tem jeito, mas ela não acreditava. Vado Escoteiro eles são escolados e cada um tem sua maneira própria de morder e chupar o sangue dos pobres dos escoteiros e dos pobres chefes. Coitada da Chefe Mercedes seu braço ficou todo mordido e suas pernas também, pois adorava uma calça curta. Risos. Eu sabia que eles são danados. Chupam o sangue e adoram sangue novo no pedaço. Dizem que os jovens ficam tão encantados com o campo que se esquecem de tudo e os pernilongos e carrapatos se deliciam.

          Acampei muito em minha vida. Sem falsa modéstia mais de 700 noites de acampamento. Nunca gostei muito destes “bichos”. Insetos chupa sangue não é o meu forte. Mas fazer o que? Dizem que tem Chefe que gosta. Cacilda! - Nunca esqueci um morcego próximo à gruta de Maquiné que se deliciou com meu sangue. Pudera, eu estava morto de cansado e dormi feito uma pedra. Bebeu pouco menos de um litro! Eu sei que hoje a modernidade trouxe o repelente, na minha época não tinha. Dava cinco e meia da tarde e era ver onde soprava o vento para fazer um foguinho com folhas verdes, estrumes de boi e cavalo. Um bom fogo cheio de folhas verdes, e ficávamos livres deles por algum tempo. Enfrentar a fumaceira nos olhos e chorar era melhor que ser mordido. Uma vez descobri que o pernilongo do acampamento e o da cidade são diferentes. O do acampamento atacam, mordem e você sente logo. Dizem que os piores são os maruins. Com um raminho na mão a gente os espanta, mas tem de ficar abanando sem parar. Os da cidade são covardões vivem escondidos em baixo da cama ou de um móvel qualquer.  Primeiro zumbem no seu ouvido e somem. Você acorda com uma coceira danada. Você sabe, ele encheu a pança do seu sangue e vai se refastelar na parece do quarto sem se incomodar com você.

           Lembro-me de um acampamento com a tropa sênior próximo ao Rio São Francisco em uma mata beirando o Rio das Velhas. Lugar maravilhoso. Lago piscoso e lindos pássaros migratórios a fazerem acrobacias fantásticas no rio e nas lagoas próximas.  Era uma fazenda enorme e com uma bela floresta nas suas margens. Perfeito para um grande acampamento.  O capataz da fazenda nos preveniu. Olhe Chefe, lá a noite é um inferno. Das cinco e meia as sete ninguém aguenta, as muriçocas são sedentas de sangue. Rimos dele. Não sabia que éramos uma tropa dos valentes e intrépidos seniores aqueles que cantam dizendo que matam e arrebentam. Primeiro dia, barraca, algumas pioneirias, uma mesa e deixamos do lado centenas de boas folhas verdes. Que venham estes malditos demônios, dissemos. Vão enfrentar uma tropa que não tem medo de nada! Quem vier morre!

           Seis horas o inferno desceu do céu e ficou entre nós. Não era um, não eram dois e sim milhões deles. Você olhava e via aquela nuvem cinzenta e preta e não havia onde correr. Mas corremos. Primeiro pulamos no rio e não dava para cobrir o corpo todo, então corremos até a sede da fazenda, mais de quatro quilômetros. O capataz riu a valer. Voltamos ao campo lá pelas nove da noite. A paz desceu a terra! Mas desistimos de dormir ali. Procuramos uma área próxima à fazenda e lá ficamos. Mas querem saber de uma coisa? Pernilongo e muriçocas avisam quando vão atacar e quando não avisam pelo menos a gente só coça. Risos. Mas e o danado do carrapato? Este sim é o satã em pessoa. Não grita, não canta, não fala e procura o pior lugar no seu corpo para se esconder. Fica lá dias e dias sem dar bandeira. O danado sabe como chupar o sangue. A principio uma coceira gostosa. Você coça e para. Até o dia que descobre o bicho gordo, cheio de sangue como a dizer a você – Seu Escoteiro idiota chupei seu sangue e você nem viu! Agora posso morrer feliz! Risos. E morre mesmo. Você tira o bicho gorducho, mete unha com unha o sangue espirra e o danado morreu. Você é sênior, não perdoa, mata!

             Para dizer a verdade nunca levei repelente. Achava que se os heróis da floresta, os índios os bravos sertanejos e os mateiros não usavam eu também não o faria. Mas dizem e não sei quem disse que isto não é coisa de escoteiros. Quem ainda não enfrentou saudáveis pernilongos, alegres muriçocas, carrapatinhos gentis, e aranhas negras e lindas nas suas teias nas florestas à noite no rosto, dançando ou rindo de você? Se isto não aconteceu desculpe. Você ainda não foi batizado de herói da floresta. Meus amigos, quantas coisas contamos para nossos escoteiros para reafirmar aquilo que ele é. – Escoteiro não anda voa! Escoteiro não ri, dá gargalhadas! Escoteiro não chora, dá pernadas na dificuldade! Escoteiro não tem medo, luta até a morte! Escoteiro não corre dos insetos ou animais peçonhentos, enfrenta-os com seus caratês e golpes mortais. Eu eim? Sei não. Coitado do Escoteiro quando dizem isto para ele. Ele vai ficar assustado. Sabe que nem seus super heróis são assim. Sabe que ele é humano como os outros. Eu prefiro dizer calmamente que ele não se preocupe com as dificuldades, elas passam. Costumo dizer que se tem amor no coração, sabe ser fraterno, se você sabe sorrir com o zumbido da noite, sabe apreciar o orvalho de madrugada, você é um Escoteiro. E quem venham os malditos carrapatos e pernilongos filhos de Satã!

- Quanto a Chefe Mercedes hoje mora no céu. Nunca desistiu e a gente se divertia a noite com ela de tantos tapas que dava na perna, nos braços e no pescoço. A gente oferecia um raminho e ela dizia que aquilo não era coisa de escoteiro. Então tá! E viva os pernilongos! Viva as muriçocas! Bem vindos os carrapatinhos espertos! No fundo no fundo sou Escoteiro e adoro-os!  Bichinhos do Senhor. E quem vive sem eles? Um dia me disseram que quem tem medo de pernilongos, muriçocas, carrapatos, aranhas negras e lindos morcegos negros não é Escoteiro. Sei não. Se for verdade acho que não sou, pois detesto estes insetos. Mas se Deus os criou deve ter um motivo e só pode ser pagar nossos pecados aqui na terra. E viva os insetos da floresta, sem eles a vida lá não tem sentido!