Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 5 de outubro de 2013

Sublimes emoções.



Conversa ao pé do fogo.
Sublimes emoções.

            Eu gosto de me emocionar. Acho que é por isto que sou Escoteiro. Dizem que os Escoteiros são “durões” sem sensibilidade, indiferentes, duros na sua maneira de agir. Não concordo, acho que eles são emotivos, gostam uns dos outros, gostam de um belo sorriso, de apertar a mão, de saudar de cantar e chorar na canção da despedida. Eu gosto de ver a alegria estampada seja no lobo, seja na escoteira ou na guia. Até mesmo gosto de um sorriso simples de um Chefe ou uma Chefe escoteira. Gosto de um escotismo sem imposições, sem burocracia, sem siglas, sem chefões, sem faça o que eu digo e não o que eu faço. Quem sabe fiz um escotismo assim. Alegre e solto, a explorar tudo em volta onde nasci e indo até mais além. Sem se preocupar com o “isto é proibido” é contra as normas, siga o Chefe. Um escotismo onde cantar é um prazer, onde ver o inicio e o final de pista não me obrigava a voltar ao ponto de reunião. Não é meu escotismo o que exigem os novos livros e normas de hoje.

          Mas porque digo isto? Porque estou com coração alegre. Porque sem saber vi um escotismo puro, nas suas palavras, nas suas ações, no seu modo de vida. Como? Podem me perguntar. Lá estava eu com minha maquininha querida, que jorra um ar gostoso nas minhas inalações diárias, TV ligada, pois são quase cinquenta minutos de inalação com a gostosa mascara no rosto, e sem perceber vejo que começa um filme. Aparece escrito na sinopse que é um filme de Escoteiros e produzido pela Disney em 1966. Porque não ver? Por quê? Por quê? Claro que sim, nós Escoteiros não podemos ficar a margem quando aparece escrito “Escoteiros”. Agarramo-nos a tudo que diz do nosso ideal. Inicio sem saber o que ia dar. Aos poucos me jogo na tela da minha TV. Aos poucos vou entendendo a história. Gosto dela. Passo a amar tudo que a história conta naquele filme.

          Não sai dali para nada. Depois que a história se explicou e depois que dez ou doze Escoteiros vencem o Exército americano, de uma maneira que só um Diretor de lá pode contar passei a me emocionar. Tudo diferente do que se faz hoje. Pudera, o filme começa em 1930 e vai terminar em 1950. Todo ele voltado para os Escoteiros de uma pequena cidade, cidade que apoia que colabora e que o escotismo é visto como um importante meio de formação de jovens. Crise financeira? Não há. Pais contra? Também não há. Outros chefes pisando no pé de alguém? Impossível. Isto não existe no filme. E o melhor meus amigos e amigas, não aparece por lá nenhum dirigente da Boy Scout. Nenhum dirigente dizendo como fazer, nenhum distrital para exigir isto e aquilo. (desculpem os amigos distritais). A cidade vivia em polvorosa com a meninada a fazer suas “lambanças” e todos queriam fazer alguma coisa sem saber o que fazer. O escotismo é sugerido. Dizem que já foi tentado, mas não tinha Chefe que topasse assumir. Alguém assume. Não conhece nada de escotismo. Putz! Estou contando a história?

         E o final? Deus do céu! Meus olhos encheram de lágrimas. Emocionante. Sozinho na sala chorava baixinho de alegria em ver toda a cidade aplaudir o Chefe escoteiro. Foram décadas dedicadas a sua Tropa Escoteira. Meninos crescendo outros jovens entrando. Na festa apoteótica do final todos os adultos da primeira tropa e das demais vieram prestigiar. O Governador do Estado também, pois foi um Escoteiro dele. Existe maior paga ou agradecimento do que isto? Ficção podem dizer. Pode ser, mas eu acredito que em alguma cidade do mundo possa ter havido uma tropa assim. Quando o filme terminou foi que vi que não havia mais nada na caixinha de plástico onde fica os fluídos que respiro com avidez. Bom isto. A maquinha funcionava sem reclamar. Meu coração batia de alegria. Eu gosto mesmo de ver uma amizade e um reconhecimento assim. Estranhei por não ver o sistema de patrulhas, mas e daí? Eu vi muito mais. Eu vi amor, eu vi alegria, eu vi reconhecimento eu vi amizade e fraternidade.

        O filme tem muito mais. Tem uma história de amor. Tem até um vilão que não foi tão vilão. Tem uma senhora rica que doa aos Escoteiros... Não vou contar. Se um dia puderem alugar ou copiar na internet eu sei que vão gostar. Ops! Claro irão gostar os puros de coração, os que acreditam os que veem no escotismo o amor entre todos. Os duros de coração não vão gostar. Vão ver erros, vão ver que não se faz escotismo assim. Hoje o mundo é outro. Eles sabem o que devemos fazer e nos levam pela mão como se fossemos meninos sem perguntar se é isto que queremos. Pena, seria tão bom um escotismo alegre e solto como o que vi neste filme. Como aquele escotismo que fiz há muitos e muitos anos. Tentarão os filósofos, os Chefões dizer que hoje isto não é possível. Tudo hoje não é possível. Hoje é tudo moderno. Mas se eu pudesse, se eu tivesse folego, se eu tivesse forças e fosse um jovem sonhador eu faria um escotismo assim. Ah! Se faria. Moderno? Moderno é saber amar, saber sonhar e por os sonhos na linha de frente para se tornarem realidade.

        Gente! Já ia encerrar o artigo. Pensei que não precisa contar a sinopse do filme. Acreditei que quase todos já assistiram. Será? Se não assistiu, veja numa locadora, ou copie aqui na internet. Mas veja em tela maior. Pois a cidade onde passa a história merece ser vista em todo seu esplendor. “Fallow me, boys” em inglês, em português Siga-me rapazes! No Telecine Cult onde vi o nome era outro, “Nunca é tarde para amar”. Baseado no livro de MacKinlay Kantor tem Fred MacMurray como o Chefe Escoteiro, Vera Miles, Kurt Russel e muitos outros. É um dos poucos filmes em que Escoteiros são fundamentais para o filme e é o hino da Disney para os Escoteiros. O título da canção “siga-me meninos!” fez com que a Boys Scout of America pensasse em usar a música como seu hino.
- Lem Siddons faz parte de um grupo de viajantes que tem um sonho de se tornar advogado. Decidido a se acalmar, ele encontra um emprego como Stockboy na loja geral de uma cidade pequena. Tentando se encaixar, ele se torna voluntário para se tornar chefe de escoteiros da Tropa recém-formada por sugestão dele. Tornando-se cada vez mais envolvido com a tropa de escoteiros, ele descobre que seus planos para se tornar um advogado está sendo colocado em banho-maria, até que ele percebe que a sua vida foi tudo o que desejou. Ajudar os jovens da pequena cidade.


       Bem chega de falar do filme. Minha emoção do sábado existiu. Valeu. Espero que vocês também tenham emocionado muito nas reuniões de hoje.  Mas olhem se não assistiram não deixem de ver. Dizem que tudo que é muito comentado e elogiado quando conhecido é uma decepção. Espero que não. Bom filme!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O despertar do Chefe Teobaldo, um audacioso Diretor Técnico Escoteiro.



Crônicas Escoteiras
O despertar do Chefe Teobaldo, um audacioso Diretor Técnico Escoteiro.

                    Eles foram chegando e se assentando. Um a um. A sala da sede era pequena, mas ele sabia que eram tão poucos e que teria lugar parar todos. No semblante aquela empáfia de quem não estava gostando. Chefe Teobaldo sabia disto. Afinal eram anos de convivência. Já chegaram a ter maior número de adultos, mas hoje não passavam de seis. – Chefe, precisamos fazer uma reunião do Conselho de Chefes. – Para Que Chefe Teobaldo? Para que? Nunca precisamos disto! No passado ele fazia e depois desistiu. Ele tinha os quatro “chefes de ouro” como ele dizia. Não importava se chovia canivete e lá estavam eles. Claro, hoje pareciam sempre estar com pressa. A maioria deixava o uniforme na sede. O vestia lá. Outros traziam no carro. Chegavam em cima da hora e quando terminava a reunião diziam Sempre Alerta e sumiam!

                     Chefe Teobaldo já não era mais aquele homem que tinha prazer em ir para a sede nos dias de reunião. Ele sabia que de alguns anos para cá, nem tudo eram flores. O sucesso do passado estava desaparecendo. Com tristeza via os lobinhos diminuindo. Antes chegaram a ter duas alcateias. Uma masculina e uma feminina. Hoje era uma só. Menos de quinze lobos. Mas nem onze estavam presentes nos ultimos meses. E na tropa Escoteira? Que desastre. De duas tropas uma masculina e uma feminina agora eram um só e mista. Quando iniciava as reuniões e formavam as sessões ali estavam três patrulhas com menos de três ou quatro gatos pingados em cada patrulha. Como fazer reunião assim? Seniores? Menos de seis. Se não fossem os namoricos acho que não teriam nem isto. E os chefes? Entravam três ou quatro por ano e em pouco tempo davam uma desculpa e iam embora. Por quê? Qual o motivo? Ele sabia que eram conhecidos. O nome do grupo estava gravado em muitos estados brasileiros. Afinal eles tinham quatro jovens de famílias abastadas e que compareciam em todas as atividades nacionais e até internacionais. Distribuíam o lenço do grupo, distintivos, uma festa. Um pai de um deles inclusive dava uma boa soma mensal ao grupo. Mas era certo isto? E os demais escoteiros? Eles não podiam participar. Como pagar? Logo desistiam em pouco tempo saiam do Grupo.

                   Chefe Teobaldo sentou. Olhou para todos. Exceto dois novos chefes a maioria estava pedindo a Deus para terminar logo. O que houve com eles? Pensava. Porque esta debandada? Será que é culpa minha? Porque não havia mais procura como antigamente? Porque os adultos que vinham oferecer ajuda em pouco tempo se afastavam? Chefe Teobaldo sabia por quê. Não ligava, pois tinha os “chefes de ouro”. Mas estava certo? Eles nunca se encontravam. Até nas festividades de fim de ano era um sacrifício. Ele sabia. Precisavam mudar. Urgente! Deveriam voltar às reuniões de Patrulha. Os Conselhos de Tropa, Os Conselhos de Chefes. E a Corte de Honra? Onde foi parar? Meu Deus! Pensou. Estava tudo errado. Vamos fazer trinta e cinco anos e a cada ano mais e mais diminuímos.

                    Ele sabia que precisam de um “choque de gestão”. Não era assim que faziam as empresas que estava fracassando?  Ele hoje iria falar. Falar da amizade. Do amor. Da bondade. Iria falar que precisamos nos cumprimentar mais. Precisávamos entender o ponto de vista do outro. Precisávamos respeitar ideias, respeitar direitos e saber até onde ia nosso dever. Precisávamos sim de uma boa dose de democracia. E o mais importante. Fazer programas e saber cumpri-los. Ele já tinha tomado sua decisão. Reunião de Chefes uma vez por quinzena até acharem onde estava o erro e o consertar. Ele pessoalmente iria conversar com cada um dos que se foram e procurar entender o motivo dos seus afastamentos. A idade pesava e Chefe Teobaldo agora tinha maturidade e tinha encontrado mesmo que tardiamente a voz da razão. Iria exigir mais. Iria cobrar de cada um os programas. Não aqueles feitos as pressas, mas com o auxilio das patrulhas, dos assistentes. Iria exigir que eles se reunissem pelo menos uma vez por mês. Não iria deixar que isto fosse feito virtualmente. O grupo era uma família e devia se portar como tal. Deveriam entender o que era calor humano.

                     Chefe Teobaldo olhou nos olhos de cada um. Eram seis. Não seria assim mais. Ele queria vinte. Vinte? Sim, ele queria vinte chefes. Um Grupo onde todos se respeitassem. Ele queria uma Alcatéia completa. Uma tropa completa. No mínimo dezoito seniores e guias e jurou a sí próprio que iria conseguir. Agora eles iriam fazer escotismo. Nada de namoricos. E quando recebesse convites para atividades nacionais ou regionais ou iriam todos ou não iria ninguém! Iria dizer aos diretores do distrito e região que só participariam de uma por ano. Eles que decidissem qual. Ele agora queria ver acantonamentos, acampamentos, excursões, atividades aventureiras. Iria exigir isto no programa. Que se dane os que não concordassem. Ele sabia que os “chefes de ouro” iriam ficar espantados. Achou até que alguns se demitiriam. Mas sua decisão estava tomada. Agora ele sabia que o Grupo Escoteiro se transformaria em uma grande família Escoteira, onde o respeito, a ordem, o aperto de mão sincero e principalmente a Lei e Promessa Escoteira seriam ponto de honra para todos.

                     Senhores! – Começou Chefe Teobaldo. Nossa reunião hoje terá duração de duas horas. Nem mais nem menos. Teremos a partir de agora duas reuniões por mês até entrarmos na curva da estrada que nos levará ao caminho para o sucesso. Espero contar com todos. Mas aqueles que acham que não irão mais participar, podem sair. Eu ficarei triste e de antemão agradeço pela linda e bela colaboração que deram até agora. Vou contar com aqueles que amam o grupo e querem fazer dele uma verdadeira “Família Escoteira”. E a reunião começou. Chefe Teobaldo era outro homem. Outro Chefe. Fiquei orgulhoso quando ouvi esta história. Hoje aqui vendo tantos desistindo acho que precisamos de mais Chefe Teobaldo na liderança de grupos escoteiros. Quem sabe assim iremos perder menos chefes e escoteiros? Quem sabe irão aparecer mais Chefe Teobaldo por ai?


Oi! Você! Isto, você mesmo! Você! Tem algum Chefe Teobaldo no seu Grupo?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A dor sofrida de Tonico Tonelada.



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
A dor sofrida de Tonico Tonelada.

                   Foi a pior reunião de Corte de Honra da sua vida. Lawrence pela primeira vez não sabia o que fazer. Tinha orgulho dos seus monitores e sempre achou que os treinou bem. Mostrou sempre o sentido da lealdade, da fraternidade e eles sempre levaram ao pé da letra seus ensinamentos. Era uma tropa exemplar. Nos acampamentos era difícil escolher a melhor patrulha, todas fora de série. Dona Lurdinha Diretora do Colégio Dom Pedro um dia disse a ele que se não fossem os Escoteiros ela nunca teria alcançado o padrão que o Colégio foi agraciado. Para melhorar a formação da tropa ele investiu muito em sí próprio. Cursos e mais cursos. Agora esperava a aprovação da Insígnia da Madeira mais uma etapa que lutou muito por ela, pois na Corte de Honra seus monitores cobraram.

                  - Chefe, disse o Monsanto, quer acabar com a tropa? O senhor sabe que admitir o Tonico Tonelada é acabar com tudo. Eu o conheço da escola, fico com pena, mas ele não tem amigos. Não pode correr, quase não consegue falar e andar. Quando tenta sorrir faz uma careta que dá medo. – Isto mesmo Chefe, disse o Logaritmo Monitor da Leão, se o senhor quiser tudo bem, ele pode ficar na minha patrulha, mas os demais patrulheiros não irão gostar. Garanto que muitos vão desistir. A patrulha não vai mais ganhar pontos em jogos, em acampamentos, em desafios e ninguém gosta de perder. Tonico Tonelada Chefe irá “enterrar” qualquer patrulha que entrar. – Chefe Lawrence não sabia o que dizer. Cada Monitor expos seu ponto der vista. Estava presente na Corte de Honra os sub. monitores. Disseram o mesmo. Ele tentou, não forçou, nunca fez isto. Para ele a Corte de Honra era sagrada. Sabia que quando começasse a ficar contra em tudo a democracia deixaria de existir na Tropa Escoteira.     

                   Dizem que os gordos não gostam. Odeiam ser gordos. Quantos e quantos meninos gordos estão aí querendo ser Escoteiros e tem vergonha de entrar? Sei que tem muitos que deram um passo e hoje participam ativamente. Ativamente? Bem esta é outra história. Seu nome era Laurindo Boaventura. Ninguém sabia seu nome, pois desde que conseguiu dar seus primeiros passos aos três anos puseram o apelido nele de Tonico Tonelada. Acho que foi o Chinfrim, seu tio. Um “bebum” para ninguém botar defeito. Bebia o dia inteiro. Que eu saiba nunca ficou sóbrio, mas coitado dele, morreu de cirrose com 28 anos. Tonico Tonelada nunca se preocupou com o apelido. Ele sabia que era gordo mesmo e até na escola seu pai fez uma cadeira especial para ele frequentar as aulas. Aos sete anos ele pesava mais de 130 quilos. Incrível como conseguia andar. Os pais de Tonico Tonelada tentaram tudo. Oito SPA, internações em clínicas especializadas, Conseguiu ficar um mês e meio no CCA (Comedores Compulsivos Anônimos), mas logo desistiu.

                      O Doutor Cazuza aconselhou – Olhem precisam procurar uma organização de jovens para motivá-lo. Sem isto ele não vive muito tempo. Tem de comer menos, se não perder pelo menos 40 quilos breve ele não anda mais. – Qual doutor? Perguntou dona Matilde sua mãe. – Não sei Jiu jitsu, Luta livre, boxe ou quem sabe o Sumô? – Assim o fizeram. Não ficou duas semanas em nenhum deles. Sem saber o que fazer uma vizinha disse – Porque não procura os Escoteiros? Sei que eles recebem bem todo mundo, quem sabe ele se anima e nas excursões e acampamentos ele emagrece. Meu sobrinho é um deles e diz que nos acampamento o Escoteiro cozinheiro é mestre de colocar açúcar na comida. Piada de mau gosto, mas mesmo assim eles levaram Tonico Tonelada ao Grupo.

                  Chefe Marcelio ouviu tudo o que os pais diziam. Eles contaram toda a vida de Tonico Tonelada, os médicos, os conselhos e agora sabiam que a vida dele estava por um fio. Tinha de emagrecer. – Senhor Natal, disse o Chefe Marcelio, sei que é uma situação difícil, mas veja nossa situação – Durante uma hora o Chefe Marcelio narrou como era às atividades escoteiras, as excursões, os acampamentos e no final perguntou – E então? Ele não vai aguentar? Quem sabe a emenda pode ficar pior que o soneto? Muitos irão sair porque sabem que ele vai ser sempre um perdedor. Chefe Marcelio não queria dizer isto e se arrependeu. Fez então uma promessa – Olhe, vou conversar com os chefes. Eles claro irão discutir com seus monitores e o que decidirem comunico ao senhor e a senhora.

                  Chefe Lawrence ouviu atentamente o Chefe Marcelio. Como era um bom homem não disse nem sim e nem não. Iria analisar e discutir com a tropa e os monitores. Assim foi feito. Agora que todos foram contra ele não sabia o que fazer. Na semana foi fazer uma entrega de sua loja na Rua do Ouvidor e ao descer da Van viu Tonico Tonelada atravessando a rua. Motoristas passando e xingando – Paspalho! Cuidado. Vai sujar meu carro de merda se eu passar em cima de você seu gordo dos invernos! Ficou com pena. Pensou consigo que ele devia ter seus direitos. Era um ser humano. Conversou com Toninha sua esposa. Ela aconselhou a ele estudar tudo sobre os gordos na internet e os que conseguiram vencer sua doença, pois ele sabia que era assim. Duas semanas, pelo menos uma hora por dia até que conseguiu o endereço de cinco deles. Foi até a casa de cada um.

                  Era o primeiro dia de reunião de Tonico Tonelada. A Tropa sabendo que ele queria entrar pediu para votarem. A votação foi de 15 a favor e 13 contra. Todos prometeram ajudar por seis meses e se ele não mostrasse resultados infelizmente seria dispensado. Para isto fizeram uma programação especial para ele não se sentir um pária. Dependia dele ser um Escoteiro ou não. Ele assinou um compromisso de honra. Fez a saudação escoteira e prometeu fazer tudo que os médicos aconselharam para perder peso. Quer ser Escoteiro? Se acha que quer tem de se esforçar. Disse Pintarroxa o Monitor da Falcão onde ele iria ficar.  Cada patrulha fazia questão de acompanhar. Na escola era olhado por seus amigos de classe e em casa recebia visitas uma vez por dia. Não foi fácil e ele sentia fome, sentia tremedeira e chorou muitas vezes. Mas no primeiro mês perdeu oito quilos. Em seis meses Tonico Tonelada passou dos seus 120 quilos para 85. Ainda era muito. Ele tinha de chegar nos 60 quilos. Difícil? Para Tonico Tonelada não. Quando ele conheceu os Escoteiros ele sabia que ali compromissos não eram para fugir. Escoteiros enfrentam desafios e não correm deles. Viu que tinham um código de honra e ele gostava disto. O Chefe Lawrence no primeiro dia disse a ele – Tonico é melhor ficar sabendo agora, qualquer um pode entrar como Escoteiro, mas ser Escoteiro não é para qualquer um!


                  A cidade aplaudiu, o colégio agradeceu e os Escoteiros do Brasil agora tinham em seu seio um verdadeiro jovem cujo Espírito Escoteiro era ponto de honra. Uma lei é para ser cumprida, uma promessa era para ser levada a sério. Tonico Tonelada conseguiu vencer. Ainda bem que os Escoteiros não fugiram na hora do apoio.  É meus jovens amigos, afinal não foi Baden-Powell quem disse que só os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda?  

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Montanha do Pássaro Azul.



Lendas Escoteiras.
A Montanha do Pássaro Azul.

Uma vez, em viagem por uma cidade do interior, me contaram uma historia simples, divertida que aconteceu na vida dos seniores do Grupo Escoteiro local. Disseram-me que o ocorrido foi motivo de piadas e algumas “chacotas” por parte de amigos que ficaram sabendo do fato. Como era inusitado todos estranharam pela maneira como aconteceu. Afirmaram-me ser um fato real. Como eram escoteiros os que me contavam, acreditei. Nunca duvido, pois sei que o Escoteiro tem uma só palavra e sua honra vale mais que sua própria vida.

Aconteceu com a Tropa Sênior. Na época eram duas patrulhas, foram quatro há alguns anos atrás. A evasão foi provocada porque O Chefe Sênior ficou doente, afastado por alguns meses e o assistente não soube conduzir com maestria a tropa. Alguns desistiram. Outros continuaram. Eram aqueles que diziam que com chefe ou sem chefe a tropa anda. E andou mesmo.

O Chefe Sênior logo voltou às lides e tudo continuou como antes de sua saída. A patrulha Yawara tinha cinco seniores e a Anajé seis. Há muitos anos a Tropa Sênior Tiriyó tinha como tradição, manter limpa uma pequena capela na Serra da Piteira, mais conhecida por eles como a Montanha do Pássaro Azul. Porque este nome eles não sabiam.  Num determinado dia do mês de agosto, aniversário da santa que dava nome a capela, uma multidão de devotos e romeiros e diversos padres subiam até lá e rezavam varias missas.

Muitos dos devotos cumpriam promessa e estas muitas vezes levavam a pequenos acidentes. A presença dos seniores era considerada uma dádiva pelos padres. Mais tarde uma equipe do Corpo de Bombeiros colocou no local uma equipe para ajudar. Aguardavam com saudade esta data. Para eles foi e sempre seria uma grande atividade. Na quinta antes da partida, estavam todos na sede, preparando o material necessário. Sairiam à noite de sexta e voltariam no domingo. Sem barracas, pois dormiriam na própria capela. Pouca intendência e pouco material de sapa. Usariam a ração B, dois cafés, dois almoços e uma janta. Tudo acondicionado nas mochilas de cada um.

Gostavam da viagem. Encontravam-se na praça da estação, e pegavam o trem noturno das 19:30 horas. Uma delicia de passeio. Claro que de segunda classe. Poltronas de madeira, mas se divertiam muito. Passavam pela primeira cidade e após hora e meia ficavam na escada do trem para descer. O trem não parava. Uns 400 metros antes do túnel o trem diminuía a marcha, pois não podia passar por ele a mais de 20 ou 30 quilômetros por hora. Aproveitavam o embalo e desciam do trem em movimento. Eram peritos nisto. E como gostavam.

O maquinista velho conhecido sabia e colaborava. Não podia haver erro. Após o túnel era descida e a locomotiva chegava a alcançar 60 por hora. Ali, próximo ao túnel começava a subida. Primeiro atravessavam uma pequena mata de não mais que um quilometro e após esta uma subida muito íngreme que levava ao topo onde devagar iriam chegar à capela. Era mais uns cinco ou seis quilômetros.

Gostavam desde caminho por ser mais aventureiro e pela viagem de trem. Muito capim “gordura” e em lá no alto só samambaias. Os devotos e os padres iam de ônibus ou condução própria pela estrada e em determinado local ficavam estacionados. A subida a pé, não era mais que dois quilômetros. Após percorrem um bom trecho, o chefe deu ordens de parada e descansar por vinte minutos. Foi aí que aconteceu. Como não estava presente um dos participantes me contou. Era o meu narrador quem falava.

Ao sentar para descansar, um sênior colocou sua mochila em posição para servir de travesseiro, mas ela sumiu no meio do capim “gordura”, e isto o assustou. Não só ele como todos quando foi dado o alarme. Com facões começaram a capinar e descobriram um grande buraco que por ser noite não se tinha a ideia da distancia do fundo. Improvisou-se com um pequeno lampião a gás, amarrado a um sisal, e ele foi iluminando tudo. Era de estarrecer. Mais de 50 metros até o fundo. Claro, havia sempre uma pequena saliência a cada dez metros. Viram a mochila presa na segunda saliência.

Improvisaram com uma corda a descida de um sênior. Mas esta não dava para ir até a segunda saliência. O jeito foi descer mais dois seniores e amarraram na ponta da corda um sisal para puxar depois. Chegaram até a mochila e ficaram boquiabertos. Varias entradas de minas, pequenas cavernas, com trilhos e carroças de madeira, mas em estado de deterioração avançada. Avisaram o chefe. Todos quiseram descer. Ele preparou um sisal duplo, passado em volta de uma pequena arvore para puxar a corda quando retornarem. Todos desceram. Levaram um rolo de sisal para eventualidades.

Iniciaram a exploração da mina. O sisal serviria para mostrar o caminho de volta. Não iriam muito longe. Pequenas estalactites já estavam sendo formadas. Nada descobriram e o chefe explicou que por ser uma região aurífera no passado, devia ter sido explorada ainda na época dos escravos, abandonada por que não existia mais ouro. Eis que um sênior viu uma pequena pepita encravada na lateral do túnel. Escavaram com o facão e descobriram mais cinco. Alegria geral. Os seniores estavam ficando ricos. Mais oito pepitas e nada mais encontraram. Voltaram. O chefe guardou as pepitas. Iria avaliar com alguém que conhecesse ouro. Estava determinado que uma parte fosse usada para a reforma da sede e um material novo de intendência para as patrulhas. Seniores e Escoteiras.

Saíram do buraco e foram para o seu destino. Tudo transcorreu normalmente. Fizeram uma grande limpeza na capela. Deu trabalho. A água era retirada de uma pequena mina 500 metros abaixo. Melhoraram também a mina de água. Estava entupida de mato. No domingo começaram a chegar os romeiros. Cantando, alegres e os padres os avistaram. Comprimentos e agradecimentos. O dia seguiu tranquilo. À tardinha, quando não havia mais ninguém começaram a descida. Voltaram pelo caminho que levava a estrada. Mais curto. Lá pegaram um ônibus de carreira.

Na viagem do retorno sonhavam como era ser ricos, passeios, roupas novas e dar uma vida melhor aos pais. O sonho não demorou muito. A chegada à cidade foi rápida. No dia seguinte dois seniores e o chefe foram até um ourives. Ele riu e disse que as pepitas não tinha valor. Por que, perguntaram. São chamadas de “ouro de tolos”, colocadas em paredes de minas por exploradores profissionais, que nada descobrindo deixam suas pistas para os inexperientes.


É a reforma da sede ficou para outra ocasião. Mas valeu para aqueles seniores aquela e muitas outras atividades que marcaram a vida de todos.

domingo, 22 de setembro de 2013

Qual disciplina deseja quem reclama da indisciplina?



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Qual disciplina deseja quem reclama da indisciplina?

Um tema que está tornando-se moda em educação é a indisciplina. Ao afirmarmos isso, não desejamos dizer que não ocorra no escotismo e que os protestos dos chefes e pais não tenham sido sem razão. A questão da indisciplina é sempre assunto que preocupa e, nos dias de hoje, ainda mais, pois assume a perfídia em situações inesperadas ou avança para registros policiais quando não evolui para a violência.

Há alguns anos atrás recebi a visita do "Chefe" Escoteiro Marcelo. – Chefe dizia ele, tomei algumas decisões na tropa e não sei se agi corretamente. Tenho um Monitor de Patrulha que tem trazido alguns transtornos. Já conversamos em particular, fui a sua casa varias vezes e até mesmo seus pais reclamam da sua maneira de agir. Vi depois de algumas conversas que ele sempre foi perdoado em todos os erros que cometeu. Sempre foi compreendido e nunca repreendido como devia. Resolvi agir de forma diferente.

No último acampamento chamei a Patrulha e disse – Todos vocês foram devidamente preparados. Cada Patrulha é livre para tomar decisões que interessam a todos. Nos últimos acampamentos vocês não se saíram bem e espero que neste possam pelo menos conseguir o totem de eficiência de campo. Conto com vocês. No entanto a noite uma chuvinha fria pegou todos de surpresa. Chamei os monitores e disse que ficariam suspensas as atividades da noite e que eles fizessem uma conversa ao pé do fogo em seus toldos com suas respectivas mesas onde estariam abrigados da chuva.

Todos fizeram isso, vi inclusive de longe muitas patrulhas se preparando para a noite e inclusive colocando a lenha em local próprio para o dia seguinte. Na Patrulha do Marcinho não. Lá eram risadas, piadas e vi que a Patrulha não podia continuar assim. No dia seguinte com o toque da alvorada com meu berrante, a fumaça correu nos campos de patrulhas menos na do Marcinho. Dito e feito. Hora da inspeção todos formados. A do Marcinho não. Não conseguiram acender o fogo e não tiveram café e nem leite quente. Desculpa? Lenha molhada. Era norma não deixarem lanchar sem a bebida quente. Ficaram sem o café da manhã e o almoço deles só saiu às três da tarde. Não participaram do programa de jogos na Lagoa do Jacaré.

A Corte de Honra resolveu puni-los. Marcinho reclamou. Se o tirassem do cargo ele sairia dos escoteiros. Uma ameaça ou uma chantagem? – Não tinha certeza. Nunca aceite este tipo de coisa. Disse que iria pensar na punição e daria uma resposta na próxima reunião. Chamei a Patrulha e expliquei que a corte ia suspender o Marcinho. Todos sorriram. Sinal que não gostavam dele. Coloquei o tema em discussão entre eles. Resolveram fazer nova eleição. Foi escolhido o menor Escoteiro da tropa. O Pedrinho. Pequeno, raquítico. Fala mansa. Engano. Pedrinho colocou Marcinho na linha. Em pouco tempo a Patrulha se transformou.

Chefe Marcelo disse-me também que no sábado anterior mandou dois jovens que chegaram a sede uniformizados e ainda não tinham feito promessa. A norma na tropa era de vestir o uniforme só no dia que fizessem sua promessa. Isto sempre foi feito e o garbo e a boa ordem sempre foi orgulho da tropa. Mandei os dois de volta. Um deles perguntou se tirassem o uniforme podiam voltar. Não. Não podem. Só na próxima.

O "Chefe" Escoteiro Marcelo ficou ali me contando diversas outras situações. Fiquei pensando dos meus dias de "Chefe" Escoteiro e os meninos de outrora. Uma disciplina diferente. Nunca tive esse problema. Hoje isso não acontece. Vejo jovens que pecam pela indisciplina e alguns acham que ela inexiste. Poucos sentem que o castigo ou a penitencia não deve ser utilizada por nós. Castigo e penitencia no bom sentido. Nada de violência. Alguns dizem que deveríamos ter um conceito mais amável, como por exemplo, utilizar a relação de afeto e respeito, uma ação onde haja reciprocidade aceitando que alguns erros são próprios da juventude.

São conceitos que hoje me sinto em dificuldade, ou melhor, sem sintonia para agir como agia no passado. No entanto acredito que devemos a todo custo manter a disciplina nas sessões, baseadas no respeito mútuo. Quando me dizem que ordem unida não faz parte mais do escotismo fico pensando o porquê alguns insistem em misturar ordem unida com militarismo. Os jovens na tropa ou na Alcateia têm de ter respeito nas formaturas. Tem de saber se formar e o melhor é ensinar as bases primordiais em uma apresentação que pode até parecer militar, mas na minha modesta opinião faz parte inicial da disciplina que se pretende dar a uma sessão Escoteira.

Quando os chefes de uma sessão sentam-se com seus jovens e desconstroem e sabem reconstruir com uma boa discussão e fazendo ver a plenitude do significado e dos tipos de disciplina, não apenas a reunião corre mais facilmente e a aprendizagem se concretiza de maneira mais saborosa como escoteiros/lobinhos e os chefes descobrem que, reconhecendo a disciplina como ferramenta essencial às relações interpessoais, aprendem autonomia, exercitam a firmeza e conseguem, com mais dignidade, construir o caráter.


A simples ação de um Escoteiro ao pegar um papel de bala jogado no pátio ou na rua, já demonstra que no Grupo Escoteiro de origem se pratica uma disciplina Escoteira que merece o meu e todo nosso aplauso. Continuarei o tema em um próximo artigo. 

sábado, 21 de setembro de 2013

Você sabia? (Aconteceu com os Escoteiros ingleses).



Conversa ao pé do fogo.
Você sabia?
 (Aconteceu com os Escoteiros ingleses).

Você sabia que a primeira apresentação pública de David Bowie aconteceu nos Escoteiros? Ou que HERG E 's Tintin lendário personagem é baseado em um Escoteiro? 

·        Primeira performance musical pública de David Bowie estava em um acampamento escoteiro na Ilha de Wight, em 1958. David acompanhou o seu amigo George Underwood no ukulele, enquanto George jogado washboard baixo e cantava?

·        Durante a Segunda Guerra Mundial, mais de 50.000 escoteiros foram treinados para realizar tarefas do Serviço Nacional de Guerra, incluindo atuando como mensageiros da polícia, bombeiros e maqueiros?

·        31 milhões de pessoas são ativas no Escotismo em todo o mundo - que é igual à população do Peru?

·        Grupos Escoteiros em Merseyside mantem o atual recorde mundial para a cadeia de aperto de mão mais longo?
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·        O livro de Baden-Powell Scouting for Boys já vendeu 150 milhões de cópias desde 1908, tornando-se o quarto livro best-seller de todos os tempos, depois da Bíblia, o Alcorão e Pequeno Livro Vermelho de Mao?

·        Rolling Stones roqueiro Keith Richards agradece aos escoteiros com carinho a sua carreira musical. "Eu tenho que ser líder da patrulha dentro de seis semanas” - Eu só tiro para o topo. Uma vez eu tive um monte de caras juntos, não importa se era os escoteiros ou uma banda, eu podia ver meu caminho claro para puxar todos os seus vários talentos juntos?

·        Nos últimos cem anos, mais de meio bilhão de homens e mulheres fizeram a Promessa Escoteira?

·        Em janeiro de 2012, o Escoteiro Bryony Balen tornou o mais jovem britânico de sempre a esquiar até o Polo Sul?

·        Há um cartaz Escotismo em ambos os EastEnders e cafés de rua da coroação?

·        Para marcar o centenário do Escotismo em 2007, os escoteiros plantaram meio milhão de árvores em todo o Reino Unido?

·        Que existem apenas cinco países do mundo que não têm o Escotismo - China, Cuba, Laos, Coréia do Norte e Andorra?

·        Os escoteiros foram os originais dos Jogos Olímpicos Makers. Durante os Jogos Olímpicos de 1948 "austeridade" em Londres, Scouts foram descritos como 'The Oil dentro das rodas dos Jogos Olímpicos de Organização' - executar tarefas como servir chá, correndo mensagens e carregando cartazes na cerimônia de abertura?

·        Gilwell Park, UKHQ dos escoteiros é o lar de parte da ponte velha Londres projetado no 19º século por John Rennie. O resto é no Arizona?

·        Liam Payne do mundo, dominando boyband One Direction é um ex-escoteiro, como é 'Reem' tornozelo relógio vestindo TOWIE estrela Joey Essex?

·        A cada dia 100 mil pessoas no Reino Unido participam de atividades do Escotismo - mais do que a capacidade do estádio de Wembley?

·        O primeiro Jamboree Escoteiro Mundial, em 1920, teve a participação de 8.000 escoteiros de 34 países, bem como um jacaré de Florida, um crocodilo bebê de Jamaica, a leoa filhote da Rodésia (Zimbabwe), os macacos da África do Sul, um filhote de elefante e um camelo?

·        A cantora e DJ Jarvis Cocker doou o disco de platina para o maior álbum do Pulp nunca, Different Class, ao seu antigo Grupo Escoteiro em Sheffield?

·        Em 2012, o Escotismo foi votado como aquele que mais pratica caridade e o mais inspirador e prático do Reino Unido?

·        O atual e mais jovem Chefe Escoteiro, Bear Grylls, foi uma das pessoas mais jovens de subir varias vezes até o cume do Monte Everest, na tenra idade de 23 anos?

·        Robert Baden-Powell, o fundador do Movimento Escotismo, foi votado no Reino Unido como a 13 ª pessoa mais influente do século vinte?

·        Em 2009, um grupo de escoteiros (com idade entre 8 a 10), fazendo lobby contra o "imposto da chuva" foram impedidos de entrar Parlamento por ser muito jovem?

·        John Lennon e Paul McCartney foram Cubs (castores) juntos?

Quando Escoteira voluntária A duquesa de Cambridge foi fotografada usando um par de Le Chameau Vierzonard galochas e as vendas das botas dispararam mais de 30%?
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Scouts estão na notícia o tempo todo! A cada mês, mais de 70 menções positivas são feitas no rádio, TV e nos jornais? (no Reino Unido)

·        O conhecido Polar e explorador Ernest Shackleton levou dois Scouts com ele em sua última expedição à Antártida no RSS Descoberta.

·        Durante a Semana Escoteira da Comunidade, 16 mil escoteiros e voluntários em todo o Reino Unido recolheram 800 toneladas de lixo, o que equivale a 65 completos autocarros de dois andares?

·        Centenas de Escoteiros do Mar ajudaram a evacuar Dunquerque durante a Segunda Guerra Mundial?

·        Na última década, 43 mil meninas e mulheres jovens se juntaram aos Escoteiros e Cubs? (castores). Isso é o mesmo que a população de Folkestone.
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·        Os Escoteiros e Líderes (chefes) contribuem com o equivalente de 37 milhões de horas de trabalho voluntário a cada ano - no valor de cerca de £ 380.000.000?


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A lenda dos milagres de Aimée uma escoteira da patrulha Leão.



Lendas escoteiras.
A lenda dos milagres de Aimée uma escoteira da patrulha Leão.

       Não conheci a escoteira Aimée. Se não tivesse participado do desfile do Sete de Setembro naquele ano a história dela nunca seria conhecida por grande parte do movimento escoteiro. Sei que muitos sabiam, mas tudo era contado à boca pequena sem chances de até mesmo o Arcebispo Joshua pensar que um dia ela poderia ser canonizada. Ele ficou impressionado com o relato do vigário Honório. - Verdade mesmo Honório? – Eminência, são mais de vinte meninos e meninas que assistiram tudo no acampamento que fizeram Na Lagoa do Adeus. Ela pegava peixes com a mão, curou doentes, acendeu um fogo sem fósforos ou isqueiro em segundos. E não foram só estes foram vários! – E adultos tinha algum? Perguntou o Arcebispo. – Não eminência, só uma vez Dona Filó e o Chefe Gafanhoto assistiram um milagre dela. Foi o mais simples. - Eles viram-na se elevar no ar e beijar um periquito no ninho de uma árvore há mais de oito metros de altura!

      Sei que o Vigário Honório ficou mais de cinco horas a narrar para sua Eminência o Arcebispo Joshua tudo o que viu e tudo que lhe contaram. Saiu do Palácio Episcopal mais de meia noite. Deixou o Arcebispo com a pulga atrás da orelha. Ele já tinha lido e conversado com muitos sobre o tema mediunidade. Quem sabe esta escoteira não era assim? Mas se elevar no ar? Isto não é mediunidade. Mais parecia que era sensitiva. Ver os mortos, visualizar o futuro e ter visões extraordinárias. Agora se elevar no ar? Isto não saia da mente do Arcebispo. No dia seguinte ligou para o vigário. Pediu a ele se podia trazer a escoteira até o palácio. Ele queria conhecê-la. Dona Fabíola mãe de Aimée não se opôs. Partiram em uma manhã de sábado. Daria prazo para ela participar da reunião escoteira da tarde, pois isto era condição sine qua non para ela ir. O Arcebispo ficou maravilhado e abobalhado. Ela na sua presença conversa como gente grande. Inteligentíssima. Conversou com ele em inglês, francês e italiano e ate abusou do latim. 

      Mas vamos voltar ao início se não vocês não vão conhecer Aimée e sua história. Monossílabo era sênior da Antares, uma patrulha sênior. Cansado de uma manhã do desfile sentei no banco da praça e ele sentou ao meu lado. – Sabe Chefe, se Aimée a escoteira tivesse vindo este desfile seria inesquecível. – Fiquei encucado. – Quem é a escoteira Aimée? – Chefe! O senhor ainda não ouviu falar dela? – Claro que não Monossílabo, se não eu não teria perguntado. – Bem Chefe, ela está conosco há dois anos. Quando chegou à sede ninguém deu nada por ela. Mas no primeiro dia de reunião Loquinho o Monitor da Águia ficou boquiaberto com ela. Em uma base de nós, com os olhos fechados ele fez mais de vinte nós escoteiros e de marinheiro. Ninguém acreditava no que via. Precisava ver no acampamento. Cortava um galho em segundos. Parecia que o facão era mágico.

     Monossílabo ficou me contando por horas. A princípio não acreditei nele. Havia muito floreio em tudo. Mas me lembrei de um fato ocorrido há alguns anos e só não lembrava se ela havia participado. Ela e sua mãe chegaram correndo a delegacia, mais de duas da manhã dizendo que um acidente grave aconteceu na estrada 45. Na curva da onça um ônibus despencou por sobre a ponte. Mais de vinte mortos. Pinduca o Sargento da guarda não acreditou. Foi preciso chamar o prefeito que relutante em acordar acompanhou todos até a ponte fatídica. Gemidos, gritos de socorro e o trabalho de ajuda começou. Um menino de três anos ensanguentado foi colocado por sobre uma manta e o enfermeiro disse que estava morto. Não estava, pois Aimée deu a mão a ele e ele se levantou. Dizem que lá ela deu vida a mais oito pessoas. As demais não, pois conforme disse era desígnio de Deus. Teria que ser assim.

      Aimée não era linda, nada disto. Tinha o rosto fino, nariz comprido, uma boca pequena e cabelos crespos que ela insistia em não pentear. Ficava diferente e ela gostava. Falava fanhoso no início e não se sabe como um dia falou com uma rainha. Na patrulha era bem quista e ninguém via nela alguém diferente. Nas atividades que o Chefe Gafanhoto e a Chefe Malena faziam na maioria das vezes a patrulha dela não se evidenciava. Só uns meses atrás que tudo mudou. Ela parava durante alguma corrida dizendo estar vendo pessoas mortas. Garantiu ao Chefe Gafanhoto durante uma cerimonia de bandeira que o Chefe Tonon estava presente. Chefe Tonon foi o fundador do grupo a mais de setenta anos. Morrera há quinze anos. Aimée começou a ser procurada por doentes, cadeirantes e a cidade começou a ter turistas de todos os lugares por causa dela. Quando ia para o Grupo Escoteiro a sede ficava superlotada de pessoas querendo falar com ela ou ser abençoadas.

      O vigário Honório correu a falar com o Arcebispo. Esqueceu-se de Don Antonio um Velho morador da cidade e Presidente do Centro Espirita Boa Vontade. Ele ria quieto em seu canto. Sabia que Aimée era um espírito superior e que os terrenos nunca podia imaginar quem ela fora no passado. Ele sabia que ela iria desencarnar aos quinze anos. Morte natural. Falar isto para o padre? Nem pensar. Comentou superficialmente com o Chefe Gafanhoto. Um bom Chefe. Era evangélico e ficou incrédulo com tudo aquilo, mas o que vira em Aimée até que poderia ser verdade. Cinco meses depois chegou à cidade monsenhor Giuseph a mando da cúria papal. Era para averiguar e comprovar os milagres de Aimée. Não ficou dois dias. Quando conheceu Aimée ela disse para ele – Senhor Monsenhor, daqui a dois anos o Papa Lozano III vai falecer e o senhor será eleito o novo papa!

      Ninguém soube do fato e eu mesmo não sabia como Monossílabo sabia. Bem o final da história é que a Cúria Romana até hoje discute se Aimée era possuidora de receber o título de santa. Mesmo após sua morte ocorrida na aventura Sênior distrital que a tropa participou na Serra dos Órgãos eles continuaram investigando. Ainda investigam. Quem sabe teremos a primeira santa escoteira? Vai ser o máximo. O escotismo terá dado um enorme salto para o sucesso de marketing. Procurei saber como foi à morte de Aimée. Sua Patrulha jura de pé junto que ela se despediu de um por um e disse para não se preocuparem. Sua mãe já sabia que era hora dela ir. Ninguém acreditou quando uma forte luz a levou. Seu corpo sumiu e até hoje não foi encontrado. A policia fez de tudo para ver se não havia outra história, mas teve que se contentar com a fantástica explicação dos seniores que estavam com ela. O delegado já saiba de seus poderes sobrenaturais e deu o caso como encerrado.


       Monossílabo me jurou que nas noites de acampamento, quando os seniores se reúnem em volta de um fogo para jogar conversa fora ela aparece e fica com eles por horas contando como são os escoteiros que moram no céu. Don Antonio o espírita tem boas relações com dona Fabiola mãe de Aimée. Conversam muito. A cidade não sabe o que conversam. Se Aimée é mesmo um espírito cheio de luz eu não sei. Se isto é coisa do diabo eu também não sei. Dizem que Deus sabe o que faz e como eu acredito nele a história de Aimée para mim é verdadeira. Afinal temos ou não uma só palavra?