Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O mundo escoteiro enlouqueceu!


Crônica de um Velho Chefe Escoteiro.
O mundo escoteiro enlouqueceu!

                    Não sabia o que dizer. Era incrível a notícia. De novo não. Não podia ficar tendo pesadelos assim. Pelo amor de Deus! Já estou "Velho" demais para isto. A continuar deste jeito, terei que buscar meu velho bastão escoteiro no fundo do baú ir para minha varanda e ficar fazendo continência para os passantes. Que eles me julgassem loucos, pois se não era estava ficando. Estava uma maneira de ficar sem dormir por muitas noites. Deste jeito em vez de dormir com pesadelos assim o melhor ficar de sentinela na minha varanda velando os mosquitos infernais que ter estes pesadelos absurdos! – Mas estava lá, em letras garrafais nos principais jornais do país. As televis
ões não sessavam de propagar aos quatros ventos: - A Presidenta Dilma, demite toda cúpula da Petrobrás! Não sobrou ninguém. Ela quer um choque de gestão em tudo. Sem consultar ninguém convidou a cúpula da UEB para assumir! Pode! Meu Deus! Onde estamos?

                    Perguntada a Presidenta respondeu – Temos que mudar. Se for para melhor não sei. Mas os diretores e presidentes da UEB tem muita experiência. Já mudaram tudo lá na organização deles. Os relatórios dizem maravilhas do que fizeram. Estão crescendo igual caranguejo de praia suja. Nós precisamos de credibilidade e nada melhor que os Escoteiros. Agora precisamos de um choque de gestão aqui. Quem me aconselhou foi o Presidente Lula. Até o Ex Presidente Fernando Henrique foi a favor. O Aécio foi contra. Pediu para ser deportado para o Cazaquistão como prisioneiro politico. O Serra berrou alto que ele é quem deveria assumir. O Vaccari mesmo preso consultou a cúpula do PT se os novos dirigentes dariam alguns trocados a eles. Pobre Vaccari, não sabe onde meteu sua cumbuca! - Claro, sei que haverá uma grita geral disse ela. O Renan com uma inveja lascada por não ter tido esta ideia foi na impressa e abriu o jogo: Se não tiver alguém meu lá dentro da diretoria a barra vai pesar! Eduardo Cunha, sua excelência, Presidente da Câmara legislativo e o Sarney estão a ver se tem amigos Escoteiros. Dizem que encontram cinco e estão batendo palmas!

                   Na coluna do José Simão ele escreveu – Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O esculhambador-geral da Republica! Direto do planeta da piada pronta: Escoteiros vão ganhar a taça do marreco! Vem aí uma nova presidência para a Petrobras. Os Diretores que estão presos serão substituídos pelos Presidentes e diretores das regiões escoteiras! A dúvida é se o Juiz Moro vai montar uma nova operação lava Escoteiro. Sei não. Eles pregam ter uma só palavra e serem honestos. O tempo dirá. Haverá uma grande reunião dos maiores partidos do congresso para analisar se a escoteirada está pronta para assumir tanta responsabilidade. PSDB, Democratas, PT, PSB PTB PSOL e outros, chamaram a CUT e outros sindicados para opinar. João Pedro Stédile jurou que não iria aceitar. Prometeu colocar trinta mil sem terras na frente da sede nacional em Curitiba.

                    A repercussão era enorme. Eliane Cantanhede escreveu no Estadão dizendo que era o fim do mundo. Clovis Rossi disse – Danou-se! E Josias de Souza colocou uma tarja preta na sua coluna diária. A folha de São Paulo e o Globo montaram barraca em frente à sede da UEB em Curitiba. O DEN e o CAN se reuniam sem parar em portas fechadas. Ricardo Boechat jornalista da Bandnews e Rede Bandeirantes de Televisão e William Bonner apresentador do Jornal Nacional da Rede Globo, Celso Freitas da Record e Hermano Henning junto a Karym Bravo do SBT  davam manchetes de última hora sem parar. Em todas as regiões escoteiras os Diretores e presidentes Escoteiros das Regiões queriam participar. E-mails eram enviados a cada cinco minutos para a sede da UEB. Em Belo Horizonte um distrito montou logo um Ajuri distrital e desfilaram em carro aberto dos bombeiros pela Avenida Afonso Pena. Em Porto Alegre A Região sorriu de orelha a orelha. No Rio de Janeiro só um distrito concordou. Eles tinham histórias escoteiras para contar. Em São Paulo nunca se viu tantos distritais, presidentes, assessor, Diretor Técnico, em fila na porta da região. Ninguém queria perder a “boquinha”.

                  Em Curitiba um suspense: - Alguém da UEB saiu à porta da sede nacional. Silêncio completo, todos queriam ouvir: – Primeiro ato ele disse – Vamos mudar o uniforme dos funcionários da Petrobras. Será copia fiel da nossa vestimenta escoteira. Serão 3.000 tipos a escolher. Em alto mar, em terra, no pré-sal, nas refinarias, nos escritórios, e um especial para a refinaria de Pasadena no Estados Unidos. Gisele Bündchen será contratada como a nova modelo para apresentar as vestimentas dos petroleiros e das petroleiras. Estamos convocando o novo Presidente da WOSM que irá fazer centenas de pesquisas virtuais sobre petróleo e normas escoteiras. Segundo ato, continuou – Não queremos mais nenhum contato com os federais, com o Ministério Público e com o Juiz Moro e outros que só veem a Petrobras como um antro de ladroagem. Passado para nós não vale agora só o presente. Acreditem: - Nós vamos mudar a Petrobrás e o Brasil! E assim foram anunciando as mudanças. De norte a sul os chefes se dividiam. Em Brasília a escoteirada foi às ruas gritando “Viva Baden-Powell”, o petróleo é nosso! Um pandemônio. Os Grupos Escoteiros fizeram reuniões as pressas. Queriam saber quem era bom entendedor de gasolina e o escambal entre seus associados. Meu Deus!


                   Acordei gritando e chamando por BP! Celia chegou correndo e me trouxe um copo d’água com açúcar. Melhor veneno mulher. Melhor veneno. Não posso ficar sonhando assim! Não dormi mais. Peguei meu Velho violão e fui cantar a canção da despedida na varanda de minha casa. Depois desta sabia que não iria aguentar outra. Melhor me despedir. A Bandeira nacional eu hasteei em meio pau em frente a minha residência. Fiquei no portão por minutos em posição de sentido e dando Sempre Alerta a todos vizinhos que passavam! 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Chefe, eu só quero viver o meu sonho Escoteiro!


Conversa ao pé do fogo.
Chefe, eu só quero viver o meu sonho Escoteiro!

             Ei Chefe! Posso lhe dizer uma coisa? Eu gosto muito de você, mas pode me fazer um favor? Devolva-me meu sonho Escoteiro. Eu sei que você luta por nós, que você trabalha por nós. Eu sei que você também sabe o que nós queremos. Como eu não sei Chefe, pois você nunca nos perguntou. Mas Chefe, eu não quero saber se tem Congresso, se tem Assembleia. Chefe! Fique você lá, mas me deixe fazer o que sempre sonhei. Não sonhei em discutir pontos de vista, se faço assim ou assado, se faço o certo ou errado, não sonhei em ser alguém da liderança, pois isto não é esperança de quem vai fazer o escotismo sonhado. Não sonhei em fazer cursos ou mesmo colocar uma medalha em mim. Se o senhor meu amado Chefe tiver nosso lenço ou outro qualquer para mim não importa querido Chefe. Eu sei que você gosta de cantar que um dia lá voltarei. Chefe sabe o que eu quero? Eu quero viver o que dizem, quero sentir o vento nos cabelos, quero sair por aí correndo pelas campinas, atrás das asas ligeiras das borboletas azuis.

               Eu quero Chefe viver aventuras incríveis. Eu quero dormir na barraca, meses e anos sem fim. Quero subir em árvores imensas, descer por um cordel encantado que só eu saberei fazer. Quero ter minha mochila, levar o que eu quiser, quero ter o meu cantil, minha faca Escoteira e meu cabo preso em mim. Saiba Chefe que meu sonho é ser um aventureiro, como aqueles famosos escoteiros, que dizem ser bons mateiros, explorando florestas, dormindo sob as estrelas, bebendo água da fonte, encontro nascentes nos enormes picos que escalarei. Vou fazer uma jangada, e o rio irei descer. Lá na curva do Boi Bravo, junto à patrulha querida a jornada vai continuar. São tantos sonhos meu Chefe, que eu não paro de pensar. Já pensou eu imitar o Tarzan? Pulando na corda querida nas matas que encontrarei.

            Chefe não me leve a mal, eu gosto da bandeira hasteada lá na sede aonde vou eu adoro vê-la subir aos céus. Mas ela é bem mais bonita se estiver arvorada naquela linda castanheira na beira de um riacho qualquer. Uma árvore com um galho, usando meu cabo solteiro, amarro como pioneiro uma lança vou jogar. E quando estiver no alto, uma volta eu darei. Então virarei um soldado para minha bandeira hastear. Não é tão lindo meu caro Chefe? O vento a soprar na campina, pássaros em bancos no céu. E olhar minha bandeira, vento forte vento amigo desbravando minha terra. Meu sonho meu caro Chefe, é sair com meus amigos, patrulheiros de ideal, pegar um quadrante na estrada, virar para qualquer azimute, escolher qualquer direção. Pode ser um sudoeste, seguir a trilha ligeira, descobrir novas estradas, descobrir um mundo novo. E se achar o local ideal ali nós vamos acampar. Chefe meu amigo, quero fazer meu almoço ou meu jantar, quero acender um foguito, e não ouvir seu apito, e na chama que usarei, minha refeição eu farei. Sei que ela meu caro Chefe, vai ser supimpa demais. E olhar meus companheiros olhando com avidez seus pratos cheios, comendo a comida que eu fiz.

               Por favor Chefe, vá fazer seus cursos, aprenda bastante técnica, pois dela é que precisamos. Esqueça aquela palestra, pense que é disto que eu gosto, nada moderno. Para que querido Chefe! Se na escola querida, em minha casa amada eu tenho tudo isto? Uma duas três quatro reuniões seguidas na sede. Ufa! Chefe! Eu já cansei. Que demora meu amigo Chefe, tanto tempo na bandeira, uns com sono quase caindo vendo o senhor falar. Sei que o senhor não tem culpa, aprendeu com outros assim, mas não é isto que eu quero. Eu quero meu amigo Chefe, gritar “madeira” e vê-la cair ao chão, como bons desbravadores que um doa eu quero ser um. Cortar em toras pequenas para fazer meu fogão. E no meu tempo livre, vou fazer um lindo pórtico, cheio de entretantos e lá de cima gritarei; - O mundo agora é meu! E sempre a correr bem ligeiro, sorrindo para a passarada que voam em volta de mim. Já pensou querido Chefe, uma boa trovoada? Aí vem a chuvarada! Que susto nós vamos levar, mas Escoteiro não se aperta, minha capa eu coloco e deixa a chuva cair. E quando a noite chegar, a patrulha já preparou um lindo jogo noturno. No meio do mato escuro, pintado de preto eu estou. Vou roubar vidas dos amigos que ali estão sorrindo vou ser um índio ou um soldado qualquer.

             E no dia de ir embora, vou despedir das estrelas, vou olhar para o céu e dizer: Hoje vou cantar, sorrir, vou ser ator e farei do meu Fogo de Conselho o melhor que já fiz. Pois é Chefe, nesta hora tão singela, vou chorar Chefe com a canção que vamos cantar. Uns dizem que não é mais que um até logo, outros dizem que tão logo em volta do fogo vamos de novo nos ver. Chefe, eu não quero saber se o Totonho foi eleito, se ele está satisfeito com o cargo que conquistou. Eu quero meu amado Chefe é fazer escotismo, um escotismo aventureiro, quero subir em cordas, fazer pontes enormes, atravessar o rio fazendo um comando Crow. Quero fazer um balso pelo seio, um nó de evasão dos bons e descer de um pulo a árvore que subi. E lá no alto meu Chefe, vou construir um estrado, pois vai ser o começo do ninho de águia que vou construir. Olhe meu Chefe amigo, nada farei sozinho. Nossa equipe é famosa. Tem um Monitor um sub um aguadeiro. Tenho um enfermeiro e um construtor, e não vai me faltar na hora, uma faca ou machadinha, um facão para eu usar. Pois ali está outro amigo da patrulha, meu amigo intendente que vai me ajudar.

              Chefe chega de reunião de sede. É lá no campo que eu vou e olhe, eu vou para ficar. Deixe-me seguir o vento, nos meus bons acampamentos, excursões e viajar. Eu quero sair por ai, sem saber aonde ir. Quero descobrir novos rumos, quero subir montanhas, quero seguir os vales, andar a cavalo e correr. Quero pegar uns peixinhos, que depois de bem fritinhos, eu vou comer. Confie em mim eu já sou um menino homem, não é assim que devo crescer? Quero fazer o que sonho, correr aqui e ali, construir coisas incríveis, e no alto da montanha enviar para o senhor meu abraço cordial usando a minha bandeira e na fumaça aduaneira minhas palavras vou levar. E se necessário à noite o Morse que vou usar, vai cruzar todos os montes, e lá ao longe além do horizonte o senhor vai descobrir. Cansado meu caro Chefe, a gente então vai dormir. Pode ir Chefe para seu seminário escoteiro, traga prá nós Escoteiros, uma nova maneira de sonhar. Sonhos que só se realizam se pisarmos no chão e acreditar.


             Aventuras chefes, grandes aventuras. Vamos sair por aí, sem fila de algibeira, vivendo uma vida mateira nas grandes distancias a percorrer. Vamos dormir nas barracas, vamos seguir trilhas, vamos pular o rio, e lá no alto da montanha, eu vou sorrir bem contente, ao ver ao longe tantas coisas bonitas que fiz. E então meu amigo Chefe eu direi: - Eu sou Escoteiro agora, do jeito que eu pensei. Eu ando, eu pulo eu corro bem ligeiro. Agora sou bom mateiro, nada vai me impedir. Portanto Chefe acredite em mim, este é meu escotismo e o senhor sabe que pode confiar em mim!       

sábado, 2 de maio de 2015

Que alegria! Seja bem vindo a sede Regional!



Crônicas de um Velho Escoteiro.
Que alegria! Seja bem vindo a sede Regional!

                 Foi assim? Perguntei se foi assim que você foi recebido quando visitou sua região Escoteira? Ou sua sede distrital? Ou a sede nacional? Os funcionários olharam para você e deram aquele sorriso? Logo te deram uma cadeira para sentar e um deles começou a perguntar como vai seu grupo, se está tudo bem, e que eles estão honrados com sua visita? Ofereceram um cafezinho? Disseram o que podiam fazer para ajudar? Afinal acredito que esta deve ser a postura dos funcionários de uma região não acham? Não dizem que os Grupos são a Célula Mater do escotismo? Não dizem que sem eles as regiões e distritos não existiriam? Eu não digo tanto. Nunca fui recebido assim. Sempre um ou outro levantavam um olho e abaixavam logo. Como se estivessem atarefados. Igual ao Coelho Maluco daquele filme. Se estivessem no telefone então... Ai é que a coisa “degringolava”. Como sabia como era eu gostava de dar risadas. E eles me olhavam como se eu fosse também maluco!

               E os diretores? O Chefão? Ficaram surpresos em te receber? Ou perguntaram por que não avisou que ia? Quem sabe se soubessem poderiam programar um jantar no restaurante da esquina onde os escoteiros eram muito bem vindos? Afinal ele foi eleito por vocês não? Ou será que foi balela e os votos foram uma questão de pró-forma? Não? Acho que não. Afinal eles e você sabem que temos um quarto artigo e que irão dar seu exemplo, pois são pessoas que além de superiores (?) são amigos de verdade. De norte a sul temos muitas regiões. Algumas mais abastadas e outras menos. Algumas com dois ou mais funcionários outras só com um. Mas em todas elas acho que existe o respeito quando você adentra e eles sabem que você é um Escoteiro, pois não disse bem alto: Sempre Alerta? Se não foi assim tem algum errado.

               Olhe, nem vou falar na sede nacional. Nunca fui lá. Já vi em fotos. Parece linda. E por lá estarem os maiorais do escotismo do país o tratamento deve ser soberbo. Soube que por telefone que informam tudo que perguntar. Resolvem todos os seus problemas. Acredito se der a sorte de encontrar lá um do quatorze formidáveis diretores do CAN então? E os presidentes do DEN? Minha nossa! Conhecer este pessoal vale por mil acampamentos no Pico da Felicidade. Eu mesmo se pudesse pegaria um avião e ia lá. Iria sentir honrado em conhecer algum deles, pois a maioria não se mistura a não ser em seu habitat natural onde vivem. Mas não vamos desfazer deles. Tenho certeza que na sede regional qualquer um que chegar lá terá um tratamento VIP. Não importa se você é o Zé das Quantas da cidade de Sapo Morto ou se você é recém-chegado do exterior onde era um CEO ou um BOSS famoso do escotismo em seu país.

                Claro, sei que tem uns que só sabem reclamar. Afinal estes funcionários ganham pouco e não diferem dos “chorões” que só reclamam dos salários, do horário e da falta de crescimento profissional. Nós sabemos que eles sacrificam tempo para ajudar você em seu grupo. E vamos entender que um diretor ou presidente não tem salário. Estão ali sacrificando seu lazer, sua família, enfim foram eleitos contra a vontade deles. Se pudessem passariam o cargo para frente na próxima eleição. Mas vamos ser sincero. Somos um movimento fraterno. Não sei se nestes órgãos somos reconhecidos como ponta de lança do escotismo. Mas olhe acredite em mim, eles estão lá para isto. E você sabe, não é você quem precisa do escotismo é o escotismo que precisa de você. E eles são o escotismo hoje. Portanto são eles que precisam de você. Não se engane. Se não é bem tratado abra a boca no mundo no próximo Conselho ou Assembleia. Afinal você também não tem salário e costuma gastar mais que eles não?

                Seja pessoalmente, seja por telefone você é membro do escotismo, e você paga uma taxa anual. Seja o mais simples lobinho ao mais alto dirigente todos tem os mesmos direitos. Não são vendedores de lojas que estão sempre com um sorriso, mas são escoteiros! Devem dar a você um tratamento formal e alegre e sejam eles funcionários ou diretores. Afinal não dizem que o exemplo vem de cima? Se não conhece ninguém e tiver a felicidade de participar de um curso escoteiro, não vá pensando que o dirigente ou o formador líder é alguém do outro mundo. Ele é como você. Tem pernas, braços, cabeça, alma e coração. Estão ali para ajudar você e nunca para ser endeusado. Espere que ele lhe dê as mãos, as boas vindas. É obrigação deles. Sem essa de que ele poderia estar com a família, pois ele gosta do que faz. Adora isso. E olhe tem muitos que darão tudo para estar ali no lugar dele e a fila é grande. Você sabe disto. Portanto levante a cabeça, não seja orgulhoso, não diga nada, deixe que eles digam e se aproximem de você. Isto é escotismo. Uma mão lava a outra e duas lavam o tacho, não é assim que dizem?


                Escotismo. Uma escola de cidadania, de respeito de amor e fraternidade. Todos deveriam pensar assim. E acredito que pensam. Nenhuma associação é de ninguém ela pertence a todos que participam. Ser cortês, amigo, leal e receber bem com um sorriso nos lábios mostra que pertencemos a uma fraternidade universal. Aqueles que pensam o contrário, que se acham acima de todos não merecem ser chamados Escoteiros. Mesmo que uma sede regional ou nacional tem funcionários que não são do movimento, eles devem estar preparados para receber bem. É como um funcionário público, seu salário quem paga somos nós. Nada de abaixar a cabeça, nada de pensar que está em frente a uma divindade Escoteira. Ele é da mesma associação, tem todos os direitos e deveres que nós temos. E se um dia entrar em um escritório regional ou nacional, faça valer seus direitos. Até outro dia!    

terça-feira, 28 de abril de 2015

As melhores sopas do mundo.



Conversa ao pé do fogo.
As melhores sopas do mundo.

                      Quais são? Não vale quem disser que é a da mamãe. Ou da esposa. Ou da sogra, ou do restaurante tal. Estas estão fora da competição. Sabe quais as melhores? Aquelas que você deglutiu em um acampamento Escoteiro perdido por ai. Acredito que foram tantas que você assim como eu tivemos o privilegio de comer ou tomar com vontade (dependendo da sopa). Quem não se lembra? - Olhos vidrados na sopa, esperando, prato na mão, a fumaça saindo, a saliva estalando e esperando a colher do cozinheiro que nunca vem. Uma fome imensa! Ficar ali olhando o fogo e a sopa que não termina. Ver a sopa fervilhando e o cozinheiro dizendo – Ainda não está no ponto! Ali quem manda é ele! Mandão! É o dono, ainda olha prá gente com jeito de gozação. E tremer de raiva quando ele vai com uma colher, tira uma pitada e diz – Acho que está boa de sal!

                   Sopas. A especialidade de um bom cozinheiro e até daqueles que se arriscam e vão para a cozinha fazer. Digo cozinha no campo de Patrulha. Não em casa, quentinho, fogão a gás, TV ligada, internet tudo a mão e a turma na sala esperando a chamada com uma cervejinha na mão ou um vinho quente. Nada disto. As melhores sopas do mundo estão lá no acampamento. Quem as fez ou saboreou sabe disto. Quantos tipos de sopas? As com açúcar, pois trocaram o sal. As sem sal, pois acharam que colocaram. As sem caldo, pois deixaram secar demais, as queimadas, pois desde o inicio sapecaram gravetos até que o macarrão tostou. Não esquecer as das folhas soltas, matinhos caídos tudo vale. Esqueceram-se de colocar a água e virou um grude enorme, isto são especialidades de todos os cozinheiros Escoteiros ou escoteiras. O que? Sopa com folhas que caem das arvores misturadas com ciscos do vento? Gostosíssimas! Risos.

                      Sempre gostei de sopas. No passado nossa ração “A” para dois dias acampados dizia – Arroz, feijão, batata e macarrão. De vez em quando na ração se colocava uma linguicinha, desde que alguma família de um escoteiro da Patrulha tivesse matado algum capado (porco). Ai quem sabe era festa. Tinha torresmo, carne frita, e podia-se dar ao luxo de levar também um bom pedaço de chouriço. Bem acho que tem muitos que não sabem o que é isto. Mas voltemos às sopas. A mais importante era a de macarrão com batata (uma linguicinha picada nela só para dar o gosto). Era bom, muito bom. Sem sal? Gostosas. Como diz a amiga a pedrenta? Sensacional. (vento e areia, panela sem tampa).

                    As sopas sempre foram o hit dos manjares escoteiros. Todos achavam que eram fáceis e rápidas para fazer. Um fogão tropeiro, um bom caldeirão, umas achas de toras em volta para sentar e esperar a noite que chegava de mansinho. Os olhos vidrados na sopa. Todos esperando. O cozinheiro era um ditador. Mandão supremo. Um Hitler Escoteiro. A gente morrendo de fome e ele não ligava ou não tinha fome sei lá. Quantas sopas nas noites escuras, a chuva caindo, trovões, raios, e a gente ali em volta do fogão. Podia chover canivete. Um bom toldo, lenha no lenheiro protegida. Que chovesse a cântaros. Não se arredava o pé. A sopa quente o fria sempre saia.

                   Sei que cada um de vocês aqui se pudessem escrever mais deste artigo teriam casos e “causos” para contar e lembrar. E quem não tem? Darcy o piolho, não era o cozinheiro. Resolveu quebrar o galho. Fumanchú faltou. Dois pedaços de linguiça no almoço. Acabou. No jantar seria só sopa pura. Pegamos uns lambaris para fritar. Mas na sopa fiados de linguiça. De onde vieram? Sopa gostosa e danada de boa. Anos depois ele contou. Fumou escondido. Estomago não aguentou. Panela sem tampa. Agora Sênior o jogamos nas águas do riacho com roupa e tudo e um frio de lascar. Mereceu o nojento!

                     Mas a minha melhor foi quando fomos ao Pico da Bandeira. Metidos a conhecer o caminho. Perguntamos em Caparaó. Subida calma, iniciada às duas da tarde. Seis da tarde, oito da noite, nove, dez, meia noite. Perdidos! Paramos ali no mato. Muito colonião e samambaias enormes. Uma pequena picada e um fogão tropeiro. Agua dos cantis. Uma pequena sopa. Meu Deus! Duas da manhã, que sopa de macarrão linda! Que gostosura! Que manjar dos deuses! Um olhando para o outro, uma fome miserável e ai... Um raio no céu, trovões, o local não dava para armar as barracas de duas lonas. Jogamos por cima. Choveu a cântaros. Sentados juntos lado a lado dormimos. A sopa? Virou agua de chuva. De manhã um céu azul, um sol lindo. Caminho encontrado e a sopa? Gostosa demais com agua e tudo.


                       Sopas. Cada uma tem uma história. São tantas que me dá vontade de tomar uma sopa de cebola pura. Ou de maxixe ou de mamão, ou de mandioca não importa. Que seja a de macarrão com batata a mais conhecida pelos meninos cozinheiros. Quem sabe salpicar um pouco de linguicinhas? Adoro-as. Trazem-me tantas lembranças! Os tempos se foram. Hoje só a sopa de casa. Dos acampamentos só as saudades. Meus amigos que ainda acampam, aproveitem. Façam sopa. Verão que cada sopa tem uma história e a história ficará marcada na mente para sempre. E quando a idade chegar e lembrar sentirá o gosto a salpicar a língua, a vontade de voltar lá no passado, saborear a sopa quente, sopa fria, sem sal ou com açúcar, com matinho ou areia não importa. Belas sopas que se foram, mas ficaram as lembranças e delas eu não esqueço nunca!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Hora de dormir, amanhã é outro dia... Quando o tempo passar...



Hora de dormir, amanhã é outro dia...
Quando o tempo passar...

                  Nossa vida é uma sucessão de fatos que nos vão transformando à medida que os anos passam. Acredito que isto faz parte de todos nós, pois temos vários objetivos aqui neste mundo. Quem sabe adquirir conhecimentos de bondade, ajudando e ser ajudado, amando e ser amado para levarmos a vida eterna. São escolhas nossas e para isto Deus nos deu o livro arbítrio para decidir o certo e o errado. Quem sabe devemos aprimorar nosso amor ao próximo e saber que sem a caridade não há salvação. Não é fácil esta jornada. As pedras no caminho não nos deixam caminhar em linha reta. São as voltas que a vida nos obriga a dar. As escolhas nem sempre são perfeitas. Mas temos que pensar que é desta maneira que vamos crescendo espiritualmente. Nosso amigo lá do céu um dia nos contou que na vida tudo passa, e que a sempre um recomeço. Compete a cada um de nós acreditarmos. Difícil, difícil mesmo dizer que não temos mais ódio no coração. Que o amor substituiu o grande jogo da vida. Mas desistir de amar? Nunca!

                   Se vocês procurarem bem ao redor as noites sempre são preenchidas com o que fazemos durante o dia. E são as noites onde as reminiscências de poesias e poemas fazem e vão fazer sempre companhia até as últimas badaladas da meia noite. Queira ou não carregamos muito orgulho e dele é difícil afastarmos. Todos nós somos escoteiros de coração. Não existe um momento, um segundo que o escotismo não faça parte de nós. A filosofia que ele nos mostra é inteiramente absorvida pelo nosso ser. Erramos muito em deixar que outros fizessem os caminhos em trilhas que não iam levar a lugar nenhum. Varias vezes tropeçamos em nós mesmos por duvidar das forças que podem estar a nosso favor ou contra. Uma égide de amigos podem ter escolhidos outra moeda para sua boa ação e vão ser felizes para sempre.

                   Olhando nossos passos e voltando a mente ao passado nos esbarramos com nossas lembranças. Boas ou ruins estão sempre presente conosco. Ainda bem que todos nós as temos. Eu hoje não tenho uma linda história para contar em volta de uma fogueira. Fica para amanhã. Muitos amigos nossos já se foram com o luar e com as estrelas que um dia nos iremos seguir.  Ainda penso na hora que vou dormir se as histórias que um dia escrevi pode servir para serem lembradas e se ter uma noção de quão belo é nosso movimento escoteiro. Quem sabe para onde eu vou posso colaborar com ideias de escotismo puro, saudoso e aventureiro. Cheio de sonhos realizados ou mesmo de lembranças que foram escritas no túnel do tempo. E quando as últimas badaladas deste dia que termina, não sei se elas formam um amontoado de sonhos reais ou imaginários do passado.


Boa noite amigos e amigas. Um sono gostoso e um lindo despertar...

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Desculpem, hoje não tenho uma história Escoteira para contar.



Hora de dormir, amanhã é outro dia.
Desculpem, hoje não tenho uma história Escoteira para contar.

               Não tenho mesmo. Estou ainda emocionado com “Philadelphia” - (1993).  Quantas vezes? Perdi a conta. Lindo demais. Tom Hanks, Denzel Washington e Jason Robards dão um show de interpretações. Todos vocês já viram este filme. Eu muito emotivo toda vez que passa na TV lá estou eu vendo cena por cena. Quantas vezes? Dezenas! Cada uma mais comovente, cada uma mais fantástica que a outra. Se Andrew Beckett (Hanks) é demitido de um importante escritório de Advocacia só porque tinha AIDS (ainda na fase da descoberta) Joe Miller (Denzel) o defende numa interpretação magistral. Mesmo sendo o homem mau, Charles Wheeler (Jason) passeia em todo filme mostrando o grande ator que é. Contar o filme é reviver tudo que sinto ao vê-lo e acredito que vou vê-los novamente por muitas e muitas vezes. Ver Hanks vinte quilos mais magro, e sua silhueta de Aidético decaindo dia a dia, nos faz chorar. Quando o filme foi lançado a AIDS ainda era meio obscura nos meios homossexuais. Interessante é o apoio incondicional da família de Andy (Hanks).


               Poxa! Estou contando o filme para vocês? Fazer o que! Não tem jeito mesmo. O contraste entre o Andy contente e saudável do início e o homem abatido do final é chocante, e Hanks colabora muito para isto com seu semblante triste e abatido (destaque também para a excelente maquiagem feita no ator). Além disso, desde a primeira cena, quando se enfrentam num tribunal, Hanks e Washington conseguem criar uma empatia vital para o sucesso da narrativa. Joe (Washington) demonstra isto muito bem, defendendo com veemência seu cliente, primeiro por causa da lei, depois porque muda sua postura diante do homossexualismo, chegando a freqüentar uma festa gay com o agora amigo Andy nos fazendo passear pelo local com seus travellings ou com um pequeno plano-seqüência que nos leva do banheiro masculino até o meio do tribunal. Finalmente, vale destacar os belos planos aéreos da cidade, outro plano-seqüência que nos leva pelos convidados na festa de Andrew e os constantes closes que destacam as feridas na cabeça do protagonista. Enquanto acompanharmos os argumentos apresentados no julgamento, a mensagem principal de “Filadélfia” é plantada em nossas mentes.

              A cena onde Andy pede para Miguel (Bandeiras) parar de medicá-lo, claramente desistindo do tratamento e preferindo seguir o seu destino, mas não sem antes organizar uma festa, que serve como uma espécie de despedida das pessoas que ama. Mas, quando a festa acaba, Andy sente que o fim se aproxima. – Algo que Joe percebe nitidamente – e desiste de ensaiar suas falas para o dia seguinte no tribunal, se entregando à música, numa cena tocante, aonde Andy (Hanks) com muita emoção vai narrando a ópera com sentimento, deixando Joe perplexo por testemunhar um homem que estava se despedindo da vida naquele momento. Se eu gostava de pequenas áreas, La Mamma Morta, trecho da ópera Andrea Chénier, cantada por Maria Callas, comentada por Andrew Beckett, é uma cena sublime e que tem grande responsabilidade pelos inúmeros prêmios de melhor ator que Tom Hanks recebeu. Quem ainda tem preconceito, e assiste ao filme, ao ver o comovente momento em que Washington demonstra muito bem esta sensação, refletindo o instante em que Joe finalmente se deu conta que de fato Andrew estava morrendo.

              Reparem na iluminação da cena, ela muda durante a performance apaixonada de Andrew, refletida nos tons avermelhados da fotografia de Fujimoto, assim como as sombras que envolvem Joe simbolizam o vazio de seu coração naquele instante. Após este momento intenso, Joe chega em casa e abraça a filha carinhosamente, dizendo que a ama, enquanto a ópera continua presente em sua memória, como bem reflete a trilha sonora. Ele sequer consegue dormir. Finalmente, Joe estava completamente transformado, como fica evidente no hospital, quando demonstra muito carinho pelos familiares de Andrew, incluindo Miguel. No dia seguinte ao turbilhão de emoções, Andy aparece totalmente debilitado no julgamento, tossindo, falando baixo e bastante magro. E enquanto a advogada faz uma série de questionamentos, ele começa a passar mal, algo ilustrado no plano levemente inclinado e na voz distorcida da advogada, caindo no chão e sendo levado ao hospital.

                 Paro por aqui. Andy morreu. A festa na sua casa, a trilha sonora, a alegria forçada da família a relembrar o filho e o irmão querido que partiu é como se uma cortina se fecha para nunca mais se abrir.
- Por favor! – Explique-me como se eu tivesse seis anos!
- "-O que são mil advogados acorrentados no fundo do oceano? - Um bom começo!”.

Philadelphia (1993) – um filme incrível e inesquecível.


Boa noite meus amigos, desculpem não postar uma história, uma lenda ou qualquer outro fato. Amanhã volto de novo com contos que podem ou não deixar saudades. Durmam com Deus! 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Conversa ao pé do fogo. O lobinho o Lobo e o Cordeiro.



Conversa ao pé do fogo.
O lobinho o Lobo e o Cordeiro.
(baseado na fábula de Jean de Lá Fontaine O lobo e o cordeiro).

                   Um acantonamento. Raulzinho sorria. Era o seu primeiro. Estava amando tudo que acontecia. Uma casinha, dois quartos, uma pequena cozinha, e lá fora seis barracas armadas. Ele ajudou – Se não chover, vocês poderão dormir nelas! Disse a Akelá. Raulzinho não cabia em si de contente. Fizeram pela manhã vários jogos. Ele no cerimonial foi escolhido para a Bandeira Nacional. Que orgulho ele sentia. Quando cantaram - ¶ “Mowgly está caçando, Mowgly está caçando, matou o Shery Kaan” Raulzinho vibrou. Ele adorava esta canção. Se um dia encontrasse o tigre mau ele iria ver quem era Raulzinho, ele pensou. Todos foram tomar banho em um riacho próximo. Foi então que Raulzinho viu um cordeiro bebendo água num riacho. O terreno era inclinado e por isso havia uma correnteza forte. Quando ele olhou para o lado viu também um lobo chegando para beber água.

                  Ele ouviu o lobo dizer: - Como é que você tem a coragem de sujar a água que eu bebo? Disse o lobo, que estava alguns dias sem comer e procurava algum animal apetitoso para matar a fome. - Senhor - respondeu o cordeiro - não precisa ficar com raiva porque eu não estou sujando nada. Bebo aqui, uns vinte passos mais abaixo, é impossível acontecer o que o senhor está falando. Raulzinho que era um lobinho não gostou do lobo. E ele continuou: - Você agita a água - continuou o lobo ameaçador - e sei que você andou falando mal de mim no ano passado. - Não pode - respondeu o cordeiro - no ano passado eu ainda não tinha nascido. O lobo pensou um pouco e disse: - Se não foi você foi seu irmão, o que dá no mesmo. - Eu não tenho irmão - disse o cordeiro - sou filho único.

                    Raulzinho ficou com raiva do lobo. Viu que ele mentia e fazia tudo para amedrontar o cordeiro. – O lobo continuou: - Alguém que você conhece algum outro cordeiro, um pastor ou um dos cães que cuidam do rebanho, e é preciso que eu me vingue. Então ali, dentro do riacho, no fundo da floresta, o lobo saltou sobre o cordeiro, a agarrou-o com os dentes e o levou para comer num lugar mais sossegado. Raulzinho correu atrás, não ia deixar. Mas a Akelá viu e disse a ele: - Deixa prá lá Raulzinho infelizmente a razão do mais forte pode não ser a melhor, mas não há como impedir. Não foi o que disse o contador de histórias? Foi então que Raulzinho se lembrou da história. Sua mãe contava sempre para ele, e ele disse que se um dia visse um lobo fazendo isto, ele iria brigar, não iria aceitar.

                   A Akelá riu - Eu sei Raulzinho. Todos nós não gostamos de dizer que o mais forte tem razão. Eu também não gosto. Mas é uma história somente. Você só se lembrou dela. Lembre-se no riacho não havia nenhum lobo e nenhum cordeiro. A gente sempre imagina e faz viver uma história que nunca esquecemos. Lembre-se sempre que a "A força é um interesse e a justiça; a lei do mais forte.". Acredite na justiça mesmo que ela veja você de olhos vendados. A vida nos ensina muitas coisas. Muitas vezes em uma espécie não são os mais fortes e nem os mais inteligentes que sobrevivem e sim aqueles que têm a melhor capacidade de pensar e saber como resolver.


                    Foi uma lição que Raulzinho aprendeu para o resto de sua vida. Um homem de bem não precisa ser o mais forte, precisa sim de acreditar que pode vencer sem usar a violência. 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Mil beijos para você...



Crônicas de um Velho Escoteiro.
Mil beijos para você...

Ouvia gabar os beijos. Dizer deles tão bem.
Que me nasceram desejos. De provar alguns também.

Essa fruta não é rara. Mas nem toda tem valor. 
A melhor é muito cara. E a barata é sem sabor. "
Júlio Diniz.

         O Beijo. Isto mesmo, hoje resolvi mudar meus contos e falar sobre o Beijo. Dizem maravilhas sobre ele e sem perceber me tornei um expert beijoqueiro. (onde será que ele anda?). Calma, muita calma, não sou um especialista. Francamente sou ruim de beijo. Pelo menos acredito nisto pois tenho uma dificuldade enorme de beijar. No entanto se vou falar sobre o beijo, preciso aprender e definir em tese o que ele é. Comentam que é uma demonstração de afeto entre pessoas e que existem diversos tipos de beijos. O beijo na orelha por exemplo é mais dado entre casais, mas existe o beijo no nariz, no olho, no queijo e muitos outros luares. Arre! Dizem os enamorados que se estamos apaixonados o beijo é um termômetro de uma relação. Já comentamos do beijo na orelha e no pescoço. Dizem ser as preliminares de uma entrega maior, não entendo muito disto. Risos. O beijo no nariz é conhecido como o beijo dos esquimós, isto porque consiste em esfregar os narizes um no outro. Se o nariz estiver gripado valha-me Deus!

                O beijo no olho ou nos olhos, significa ternura, carinho, dedicação, amor. Geralmente é um beijo que os pais costumam dar em seus filhos a noite quando já estão na cama e pedem o beijo de boa noite. Este eu conheço bem. Tem o beijo no ombro, significa que o parceiro está sempre pensando no outro, lembrando e com desejo de estar sempre perto. Risos, nunca ouvi falar. Já o beijo no queixo significa desejo pela mulher amada. Necessidade de estar junto necessidade de compartilhar todos os momentos. Agora dizem que o maior dos beijos é aquele na boca. Um grande gesto de demonstração de carinho, amor e paixão. Então aquele mais intenso e apaixonado é demais. O encontro da saliva, da lingua, de passear na boca do companheiro dizem que é o máximo. Putz grila! Se é banguelo não vale. Risos. E acreditem, dizem que o beijo na boca traz muitos benefícios para a saude. Estimulam o cérebro a liberar endorfina, uma substância responsável pela sensação de prazer e bem-estar.

                 Aqui em nosso país hoje em dia é comum beijar. Se beija na rua, na esquina, no ponto de ônibus, dentro do ônibus, no cinema ou melhor, se beija em todo lugar. No passado se beijava diferente. Sempre no escurinho. Beijar em público? Nem pensar. Quando a gente via alguém dando um selinho no rosto era uma surpresa geral. – Você viu? Tico beijou Teca no rosto! Teca que se cuidasse ou ficaria falada para sempre. No passado se beijava nos lábios, um roçar somente. Alguns mais “indecentes” forçavam os lábios com lábios. O beijo de Scarlet O’Hara em Rett Butler no filme o Vento Levou deixou casais apaixonados a sonhar com um beijo assim. E o beijo no filme Ghost – Do outro lado da Vida? Sam Wheat e Molly Jensem deram um beijo tão lindo que o espírito de Sam não queria ir para outro plano e ficar ali beijando sua amada para sempre.

                  Muitos beijos ficaram na história. Prefiro contar os mais simples, aqueles que eu dei quando era menino. Beijos que deixaram saudades. Já noivo da Célia, cortejando-a na sala de sua casa, sua mãe ali em frente nada poderia acontecer. Um dia ela saiu para experimentar um vestido na vizinha. Me olhou com olhos de onça e não disse nada. Olhou para a Celia e o mesmo olhar. Quando ela saiu sorrateiramente dei nela um beijinho, um simples beijinho que foi o primeiro em minha vida e da dela. Que delicia! Fui para casa sonhando apaixonado. Como somos mestres em copiar o que se passa do outro lado do oceano, logo surgiu o beijo de lingua. Era cuspe para todo lado. Risos. Pelo menos já se sabe que o beijo assim movimenta vinte e nove músculos, queima doze calorias por beijo, mantém o rosto mais jovem e dizem que o trabalho muscular da lingua dá firmeza a pele.

                  Valha-me Deus! É beijo que não acaba mais. Vou esperar outra geração quando voltar aqui na terra e quem sabe beijar como eles estarão beijando. Podemos imaginar? Não quero nem pensar como será. Fico vermelho imaginando. Como dizem que o Escoteiro é puro nos seus pensamentos palavras e ações, prefiro voltar no tempo e dar um simples selinho, daqueles que um dia me faziam sonhar que era o homem mais feliz do mundo!

O beijo do matuto mineiro.
Se arguém tá duente, quando você beija ele,
Ele cumeça a miorá, e ocê miora junto tamém...
Muita gente importante e letrada,
Já tentô dá um jeito de sabê.
Pruquê qui é qui um beijo tem tanta tiquilonogia,
Mas ninguém inda discubriu...
Mas, iêu sei! Foi um ispirto bão de Deus qui mi contô...
Iêu vô cuntá procêis um qui foi quel mi falô:

Meu fio, um beijo é bão pur causa do coração...

domingo, 12 de abril de 2015

Apenas um poema Escoteiro. “Escoteiro Sonhador”



Apenas um poema Escoteiro.
“Escoteiro Sonhador”

È bom demais acampar, Colocar a mochila as costas,
De sentir o seu calor, ir por estradas sem fim.
Parar para descansar, olhando as flores silvestres,
Sentir o sol  a queimar e seguir no horizonte,
A procura das montanhas de marfim.

Ao lado de tantos amigos, colocar o pé na estrada.
Sentir a poeira no rosto, cantar uma canção bem bolada,
A patrulha marchando em fila, sentindo no rosto o suor,
E esperar o "Chefe", Que vai dar a bela ordem:
- Parando escoteirada! É hora de descansar.

É bom demais chegar lá. Onde vai ser o nosso lar,
E ali nós vamos viver, amando a nossa patrulha.
Vivendo com aquela turma, correria nas barracas,
Construir um pórtico um fogão, todo ele feito de barro,
Na mesa a quadrada e uma costura que vamos nos orgulhar.

E depois um banho gostoso e frio em um riacho qualquer.
Deitar na relva ver o céu, acordar de madrugada,
Ouvindo o cantar da passarada vendo o orvalho cair.
È gostoso na barraca, descansando de uma luta,
De um dia de labuta  agora vamos dormir. E quando a hora chegar
Vamos sonhar com tudo isto, passear na nuvem branca,
Quando a Patrulha se levanta, em busca do amanhecer.

É gostoso sentir a fumaça, do fogão à lenha queimando,
Do alegre cozinheiro, com os seus olhos vermelhos,
Como se fosse chorar, e sorrindo ele sabe,
Que não é só amizade é pertencer à equipe,
De meninos de estipe, fraternos e aventureiros.

E como é gostoso olhar as mãos, com muitos calos marcados,
Pois o facão e o machado, o sisal e o cipó,
Não perdoam a ninguém. Disso sabemos todos,
Ali são bons mateiros, gente boa e escoteiros,
Se no jogo cair ao chão, na grama do acampamento.
Dar risadas com amigos, pois ali é união,
Que seja um jogo qualquer. Ali somos fraternos,
Seja hoje ou eterno, esperando o doce amanhã.

E quando a noite chegar, na porta de uma barraca,
Fazer um pequeno fogo, sentir uma alegria, de ver,
A Patrulha aproximando, um café quente e fervendo,
Conversas jogadas fora, sentir saudades da escola,
Da namorada amada, da mãe que não há momento,
Alcançar o seu intento, beijar seu rosto e sorrir.

É gostoso é bom demais, sentir o cheiro do mato,
Ouvir o som do regato, o cantar de um sabiá,
Um vagalume perdido, o uivo de um lobo guará,
Lá ao longe bem distante, nas montanhas verdejantes,
Onde ele uiva errante, onde é o seu habitat.
Gente que coisa boa, beber água da nascente,
Tão fresca e tão brilhante, de olhos fechados sorrindo,
Sentir o orvalho caindo, no rosto daquela manhã.
Do som da passarinhada ao anunciar nos gritantes,
Até o grilo falante, que canta ao alvorecer.

Como é linda a alvorada, ver a bandeira arvorada,
Em um galho firme qualquer ao fazer à saudação,
Sentir-se um patriota, saber que a maciota.
Não faz parte do saber. Ver a Bandeira tão verde,
O vento soprando forte, representando a nação.
Dizem que somos meninos, que adoramos o escotismo,
Que amamos as flores silvestres, olhar olho no olho.
A formiga que não para, A coruja que não ri,
O tatu que se esconde no seu buraco infernal.

E lembrando-se da verdade que sem fazer alarde,
Seja na sede ou acampando, seu saber estás buscando,
Para ser alguém amanhã. Bom demais ser Escoteiro,
Correr em busca do tudo, sentir no corpo o orgulho,
De cumprir a promessa a lei. Está é nossa missão.
E você lembre-se de sua promessa, e do que prometeu,
Que seria homem honrado, do escotismo apaixonado,
A correr montes e vales, em busca das aventuras,
Que só podemos encontrar, no nosso escotismo amado.

Adeus, você que fica não chore, com nossa brusca partida,
Mas se um dia quiser, encontre-nos em qualquer montanha.
Vá com sorriso nos lábios, coloque sua mochila,
Aprume a sua bandeira, Cante uma bela canção,
Um lindo sorriso no rosto, E venha nos encontrar.

Pois aqui na ventania, esperando com alegria,
Olhando sempre o horizonte, esperamos por você,
A surgir atrás dos montes e dizer com muito orgulho:
Meu irmão acredite, eu aprendi ser um mateiro,
Agora eu tenho orgulho, eu também sou Escoteiro.

Chefe Osvaldo