Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 19 de setembro de 2015

Mãe! Tô saindo! Hoje tem reunião! Alegria de montão!


Mãe! Tô saindo! Hoje tem reunião! Alegria de montão!

                 Mãe, pai está na hora, eu vou sair agora, não vou chegar atrasado, no meu escotismo amado. Sou danado no horário, não curto e não pago para ver, faço questão do horário Inglês. Chegar atrasado não é minha praia, pois sou responsável e não fujo da raia. Vamos lá, quero chegar, e a todos abraçar. Ao ver a porta da sede aberta, vou gritar meu Sempre Alerta. Vou sorrir para os azuis incríveis, a gritar seu melhor possível. Mãe, até mais, Pai confie em mim, Não sou o recruta Benjamim, sou mais, sou Escoteiro, sou muito bom e aventureiro e um dia vão se orgulhar de mim. Meu Chefe vai me ensinar e meu monitor também, aprenderei que a desonra, não faz parte do meu ser, pois tenho a honra escoteira que um me ensinaram a ter. 

                  Mãe, você que fica não chore, acredite minha mãe amada, eu aprenderei a ter palavra, e por isto vai se orgulhar de mim. Sei que não dão bola, das minhas notas na escola, mas acredite, não sou pior e entre os alunos eu sou melhor. Vou passar no fim do ano, serei doutor este é meu plano. Mãe até mais, acredite e jamais duvide, um dia quando crescer, quando vir um belo amanhecer, dirás para mim: Meu filho fez seu futuro, estou cheia de orgulho. E quando chegar a hora, de hastear a bandeira, terei orgulho de ser Escoteiro e também ser brasileiro. – Escoteiros! Lobos! Seniores e o pioneiros, firme e a bandeira em saudação! Que bonito minha mãe, que orgulho, que vontade de gritar: - Escotismo eu amo de montão, você irá morar para sempre no meu coração!

“E de longe se observa, uma turma muito unida, formada e bem curtida, fazendo a sua saudação”. Eles sabem que ali estão nesta bela reunião, seja de manhã ou de tarde, mesmo sem fazer alarde, ali estão jovens alegres, que vão viver cada momento, em aprender a ser alguém. São valentes lobos escoteiros, que acreditam no futuro, que sabem que o mundo inteiro, espera com galhardia, quando chegar o dia, sabendo que não haverá apuros, pois todos tem um belo futuro, de dizer para a nação: Aqui estamos nós, nossa mãe gentil, seremos o seu futuro o futuro do Brasil!    

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O sorriso é sempre uma luz em sua porta!


Hora de dormir, amanhã é outro dia.
O sorriso é sempre uma luz em sua porta!

                 Quem gosta de pessimismo, e se queixe de solidão, devia observar se alguém estima em repousar no espinheiro. Pense que se não houvesses nascido para melhorar o ambiente em que vives, estarias decerto em estrelas brilhantes. Com a lamentação é possível deprimir os que mais nos ajudam. Se pretendemos auxiliar a alguém, devemos começar mostrando alegria. A conversa triste com os tristes deixam os tristes muito mais tristes. Quem disser que Deus desanimou de amparar a Humanidade, medite na beleza do Sol, em cada alvorecer.

Se tiveres de chorar por algum motivo que consideres justo, chora trabalhando, para o bem, para que as lágrimas não se te façam inúteis. Nos dias de provação, efetivamente, não seriam razoáveis quaisquer espetáculos de bom humor, entretanto, o bom ânimo e a esperança são luzes e bênçãos em qualquer lugar. Guarda a lição do passado, mas não percas tempo lastimando aquilo que o tempo não pode restituir. Quando estiveres à beira do desalento pergunta a ti mesmo se estás num mundo em construção ou se estás numa colônia de férias.

Deus permitiu a existência das quedas d’água para aprendermos quanta força de trabalho e renovação podemos extrair de nossas próprias quedas. Não sofras pensando nos defeitos alheios; os outros são pessoas, quais nós mesmos, em preparação ou tratamento para a Vida Maior. Se procuras a paz, não critiques e sim ajude. Mostrar ao nosso próximo que sempre podemos construir algo de bom, sem suor e sofrimento.


Já dizia Chico Xavier que toda irritação é um estorvo no trabalho. Deixa um traço de alegria onde passes e a tua alegria será sempre acrescentada mais à frente. Quem furta a esperança, cria a doença. Boa noite, bons sonhos e tudo de bom!

domingo, 13 de setembro de 2015

No silencio da noite.


Hora de dormir, sonhar, acreditar em um novo mundo ao amanhecer!
No silencio da noite.

                   Eu gosto do silêncio. Amo ouvir os sons da natureza. Tive uma experiência incrível próximo a uma cachoeira enorme com seu ribombar parecendo trovão a desabar uma tempestade. É um som diferente, fiquei ali horas e horas ouvindo e pensando o significado daquelas quedas infernais e daquele som que parecia querer dizer que meu destino sou eu quem conduzo. Muitas vezes o silêncio nos traz lembranças doloridas e até mesmo as mais sofridas que ficaram escondidas e agora no silencio resolveram desabrochar. Mas nada que uma oração de fé não resolva. O que foi tão triste passa a ser uma forma de redenção a espera de um novo dia que vai acontecer. Dizem que nós escoteiros somos privilegiados. Dizem temos o que muitos não têm. Podemos sentir a natureza em todo seu esplendor, podemos sentir o silêncio da noite com um leve som do luar e podemos ver as estrelas brilhantes no céu de maneira diferente.

                  Não existe uma forma correta para definir o silêncio. Cada um no seu íntimo sabe como pode regozijar-se com seu silencio. Não sei como seria o silencio da criação. Um dia vivi plenamente o silencio do mundo. Foi o mundo que criei para mim. Passei então a valorizar mais o silêncio. Não importava a hora e o dia. Nunca ouve nos meus tempos um silêncio total. Era sempre acompanhado de um som muitas vezes inaudível, mas maravilhoso. O silencio da noite vem acompanhado dos insetos noturnos, dos pássaros que cantam canções inesquecíveis. O canto na floresta dos Grilos pode ser transformado em uma grande orquestra, os Pirilampos fazem seus folguedos brincando de brilhos noturnos encantando quem está a sua volta. Mas de uma coisa eu tenho certeza, precisa estar em paz com sua vida para ouvir os sons das estrelas.


Há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade. Aproveite o silêncio, ele faz bem, acompanhado da presença do Senhor. O silêncio nos dá a liberdade e a paz. Boa noite meus amigos, que o silêncio da noite lhe traga a felicidade e sorriso no alvorecer do novo dia.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Breve resumo da história do Escotismo no Brasil e no mundo.


Conversa ao pé do fogo.
Breve resumo da história do Escotismo no Brasil e no mundo.

O escotismo, fundado por Lord Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, em 1907, é um movimento mundial, educacional, voluntariado, apartidário, sem fins lucrativos. A sua proposta é o desenvolvimento do jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Promessa e na Lei escoteira, e através da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, fazer com que o jovem assuma seu próprio crescimento, tornar-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina. As modalidades do escotismo, no Brasil, são constituídas de três formas existentes que são a básica, a Modalidade do Mar, a Modalidade do Ar e uma quarta, que caiu em desuso a Modalidade Ferroviária. São adotadas pelos grupos escoteiros de forma a guiar as atividades dos grupos e formação dos seus membros, entretanto o grupo quanto assume uma modalidade não fica restrita a essa e nem é impedida de realizar as atividades típicas das demais modalidades.

A principal organização representativa internacional é a Organização Mundial do Movimento Escoteiro (OMME), WOSM em inglês. O Escotismo é o maior movimento organizado de educação não formal. Em setembro de 2005, as estatísticas apontam o Escotismo presente em 216 país e territórios, com um total de 28 milhões de filiados, havendo apenas seis países sem escotismo. Já passaram pelo Movimento Escoteiro mais de 300 milhões de jovens desde a sua criação na Inglaterra. Em 2015 foi realizado um Jamboree (encontro de escoteiros de todas as nações) no Japão com mais de 37.000 participantes.

A historia do Movimento Escoteiro.

História
Na Ilha de Brownsea, no Canal da ManchaInglaterra, Baden-Powell um General Inglês que já vinha pensando e escrevendo sobre escotismo para rapazes, uma forma de educar através da natureza, realizou um acampamento com vinte jovens, de 12 a 16 anos de idade, no qual ensinou técnicas como primeiro socorros, observação, segurança, orientação. Como símbolo do grupo, levavam aqueles jovens uma bandeira verde com uma flor-de-lis amarela no centro. Entusiasmado com os bons resultados deste acampamento, Baden-Powell começou a escrever o livro Escotismo para Rapazes, que foi publicado em 1908, inicialmente como seis fascículos, de janeiro a maio, vendido em bancas de jornal. Em maio do mesmo ano, foi editado como livro com ligeiras modificações. O pai do movimento escoteiro internacional, Frederick Russell Burnham é conhecido por ter ensinado woodcraft a Baden-Powell depois de servirem juntos na Campanha dos Matabeles em 1896, sendo esta uma das influências mais notáveis do fundador do escotismo. Burnham começou na atividade aos 14 anos e foi um perito rastreador de índios no Velho Oeste. A amizade entre os dois resultou anos depois na formulação didática do escotismo. 

Escotismo para Rapazes surge devido a outro livro de Baden-Powell que escreveu em 1899, Aids to Scouting, um guia para recrutas do exército, principalmente os ensinamentos que aprendeu do Burnham. O livro fez muito sucesso entre professores de educação física, e depois da insistência de vários líderes da juventude, Baden-Powell decidiu adaptar seu manual de escotismo especificamente para treinamento de meninos. A recepção das ideias de Baden-Powell foi tanta que, em poucas semanas, centenas de Patrulhas Escoteiras estavam formadas, praticando Escotismo. Rapidamente o movimento se espalhou por vários países do mundo, chegando à América do Sul em 1908, ao Chile.
"O Escotismo é uma escola de cidadania através da destreza e habilidade em assuntos mateiros."
A primeira notícia sobre o Escotismo publicada, no Brasil, foi do dia primeiro de 1909, no número 13 da revista Ilustração Brasileira, editada no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e com circulação nacional. A reportagem tinha o título: Scouts e a Arte de Escutar; ocupava três páginas e apresentava sete fotografias. A matéria fora preparada na Inglaterra pelo 1º Tenente da Marinha de Guerra do Brasil Eduardo Henrique Weaver, onde se encontrava a serviço. Teve, assim, a oportunidade de presenciar o nascimento do Movimento Escoteiro – Scouting for Boys, criado em1907 pelo General Inglês Baden-Powell. Na época, juntamente com o Tenente Weaver, encontrava-se na Inglaterra numeroso contingente de Oficiais e Praças da Marinha — preparava-se para guarnecer os novos navios da esquadra brasileira em construção. Um grupo de suboficiais entusiasmou-se com o revolucionário método de educação complementar. Entre eles estava o Suboficial Amélio Azevedo Marques que fez seu filho Aurélio ingressar em um dos Grupos Escoteiros locais. Assim, o jovem Aurélio Azevedo Marques foi o primeiro escoteiro brasileiro. Quando da vinda para o Brasil, os militares trouxeram consigo uniformes escoteiros ingleses, no valor de trinta libras esterlinas.

O Encouraçado Minas Gerais, navio onde estava embarcada a maioria dos militares interessados em trazer para o Brasil o Movimento Escoteiro, chegou ao Rio de Janeiro em 17 de abril de 1910. No dia 14 de junho do mesmo ano, na casa número 13 da Rua do Chichorro no Catumbi, Rio de Janeiro, reuniram-se, formalmente, todos interessados pelo escotismo e embarcados nos navios que haviam chegado ao Brasil. Naquele local foi oficialmente fundado o Centro de Boys Scouts do Brasil. O evento foi informado aos jornais, os quais publicaram a carta recebida da Comissão Diretora.
A correspondência enviada começava nos seguintes termos: "À imprensa desta capital, brilhante e poderoso fator de progresso, campeã de todas as idéias nobres, vem o Centro de Boys Scouts do Brasil, solicitar o auxílio de sua boa vontade, o esteio de que necessita para que em todos os lares brasileiros penetre o conhecimento do quanto à Pátria pode ser útil à instrução dos Boys Scouts".

Espalhou-se pelo país, sendo adotado inclusive como proposta educativa governamental. Com o tempo, foi se modificando, em alguns aspectos se adaptando às mudanças da sociedade, por exemplo, passando a aceitar garotas em seus quadros e ampliando a faixa de atendimento para jovens na idade de sete aos 21 anos. No país, existem diversas associações Escoteiras. A principal com maior efetivo é a União dos Escoteiros do Brasil, UEB, fundada em 1924, como resultado da união de diversas associações escoteiras existentes na época (daí o nome "União dos Escoteiros") e filiada à Organização Mundial do Movimento Escoteiro. A União dos Escoteiros do Brasil adota uma organização vertical, definindo parâmetros de ação para as Unidades Locais (Grupos Escoteiros e Seções Autônomas) associadas, através de um programa único, visando maior coesão entre todos os membros.


Organização
Os jovens são divididos conforme a faixa etária em vários ramos ou secções. Cada ramo possui um programa de desenvolvimento e de atividades apropriados à idade e ao desenvolvimento mental, intelectual, espiritual, físico e social do jovem.
A Seção é a unidade do Movimento Escoteiro, que congrega membros do mesmo Ramo. O Ramo Lobinho congrega jovens de ambos os sexos. Na idade de 7 a 11 anos, suas atividades se baseiam na Mística da Jângal, mística esta encontrada no Livro da Selva escrito por Rudyar Kliping.
·      O Ramo Escoteiro: para rapazes e moças de 11 a 14 anos tem como Seção a Tropa de escoteiros ou Tropa de escoteiras ou Tropa escoteira mista. São os Escoteiros, divididos em Patrulhas (grupos de seis a oito Escoteiros). Trabalha-se a aventura, através da vida ao ar livre;
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·      Ramo Sênior: para rapazes e moças de 15 a 17 anos. Seção: Tropa de seniores, Tropa de guias ou Tropa sênior mista. São os Seniores e Guias Escoteiras, divididos em Patrulhas (grupos de quatro a seis Seniores e Guias). Trabalha-se com o desafio aos limites, tanto físico, quanto intelectual, social e espiritual;
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·      Ramo Pioneiro: para rapazes e moças de 18 a 21 anos. Seção: Clã Pioneiro. São os Pioneiros, que se organizam em Equipes de Interesse, com quantidade variável de jovens. Tem como objetivo trabalhar o serviço ao próximo, como forma de melhorar a sociedade em que vivemos.
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Os adultos participam de diversas formas. Podem ser Escotistas, que coordenam as atividades com os jovens; na U.E.B., Dirigentes Institucionais, que dirigem os Grupos Escoteiros e Regiões Escoteiras (estaduais); ou ainda Dirigentes de Formação, que se ocupam da orientação e formação de outros adultos.

Conceitos inerentes à Lei Escoteira

Honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom-senso, respeito pela propriedade e autoconfiança. Quando Baden-Powell idealizou a Lei Escoteira, decidiu não estabelecer leis proibitivas, mas conceitos para formação de pessoas benévolas, para que, desta forma, o jovem escoteiro tivesse onde se espelhar e pudesse se orientar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A história de Lady Olave Baden Powell.


A história de Lady Olave Baden Powell.

                    Olave St. Clair Soames, que mais tarde se tornaria Lady Olave Baden Powell nasceu em 22 de Fevereiro de 1889, na Inglaterra. Seu pai Harold Soames e sua mãe Katherine Hill tiveram mais dois filhos, um menino chamado Arthur e uma menina chamada Auriol. Quando nasceu Olave, puseram este nome porque esperavam um filho homem que se chamaria Olaf. Apesar de sua saúde precária nos primeiros anos, o contato permanente com a natureza e sua vida ordenada a transformou numa jovem sadia e alegre, forte e com uma incrível energia. Nunca foi para colégios ou centro superiores, mas foi educada por instrutores que eram parte da família.

                         Sempre se interessou por música e tocava violão muito bem. Durante anos praticou rodeada de seu esposo e seus filhos, mas seu trabalho não lhe deu tempo para aperfeiçoar. Olave foi uma grande interessada em esportes, praticou tênis, remo, patinação, montava a cavalo, andava de bicicleta e quando estava cansada conduzia carruagem e automóvel. Quando jovem apesar de sua vida cheia de atividades, repleta de afazeres; sentia um grande vazio, queria ser útil e poder servir aos demais. Por ser muito jovem não a aceitaram na escola de enfermagem o que a fez desistir de seguir alguma carreira.
Olave achou que a vida da sociedade de sua época era bastante monótona e, por isso, resolveu dedicar-se aos meninos inválidos, que ela recolhia em Bornemouth, onde cuidava deles. Em 1912, embarcou com seu pai no navio "Arcadiam", rumo às Índias Ocidentais. Neste navio também viajava Lord Baden Powell, que mesmo com seus 55 anos, não impediu de descobrirem diversas afinidades, eram as mesmas ideias e aspirações. Quando deixaram a Jamaica, Olave e Robert estavam noivos e em Outubro de 1912 casaram-se. Foram passar sua Lua-de-Mel na África, iniciando uma vida comum, enriquecida por três filhos: Peter que nasceu em 1913, Heather em 1915 e Betty em 1917. Entre todas as tarefas de casa, educação dos filhos e ajuda pessoal ao marido, Lady transformou-se em sua secretária.
                      Neste ano, já havia Grupos Bandeirantes, na Inglaterra, e sua Presidente era Agnes Baden Powell, irmã de BP. O Movimento Bandeirante tinha uma grande necessidade de dirigentes e coordenadores, e por isso Lady Olave ingressou no Movimento, em 1914. Em 1916, devido aos seus grandes esforços, foi nomeada Comissária-Chefe. Nesta época a Inglaterra atravessava uma época difícil, pois a guerra impedia que fossem realizadas muitas atividades Bandeirantes, havia muita preocupação. Os poucos grupos ativos de Bandeirantes dedicavam-se aos primeiros socorros, emergências e serviços. Em 1918, foi nomeada Chefe-Bandeirante da Grã-Bretanha, neste mesmo ano foi impresso o primeiro exemplar Bandeirante, dirigido às meninas (Girl Guiding).
A carta de Olave Baden-Powell atravessa o Atlântico.
                         Logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, Olave Baden-Powell enviou uma carta ao Brasil, propondo a fundação do Movimento das Girl Guides no país. Sr. Barclay, amigo de Olave que viajava para o Rio de Janeiro a negócios, se responsabilizou pela correspondência, e a entregou nas mãos da família Lynch. No dia 30 de maio de 1919, a senhora Adéle Lynch promoveu uma reunião em sua casa com autoridades e senhoras interessadas no movimento das Girl Guides. Entre os convidados estava May Mackenzie, canadense residente no Brasil que já havia participado do movimento na Inglaterra, e Jerônyma Mesquita, cunhada do Sr. Lynch e conhecida por trabalhos educacionais e sociais.

                         O Movimento Bandeirante se apresentava como uma proposta de educação pioneira, por acreditar na importância da mulher em assumir um papel mais atuante nas mudanças da sociedade. Essa característica cativou as pessoas que estavam na casa da Sra. Lynch, como Jerônyma, que dedicou sua vida ao Bandeirantismo e foi homenageada com o título de Chefe Fundadora do Movimento Bandeirante brasileiro. Surgia ali a Associação das Girl Guides do Brasil (primeiro nome da Federação de Bandeirantes do Brasil). Em 13 de agosto de 1919, realizou-se a cerimônia de promessa das 11 primeiras bandeirantes brasileiras – data oficial de fundação do Movimento Bandeirante no Brasil.

Os primeiros passos do Movimento Bandeirante
                          Mulheres como Maria de Lourdes Lima Rocha foram importantes para que o Bandeirantismo se tornasse forte e se firmasse no Brasil. Conhecida por todos como Chefe Lourdes, Maria de Lourdes era professora e pedagoga, e fundou a Companhia do Sagrado Coração de Jesus, em Botafogo. A primeira sede exclusivamente do Movimento Bandeirante foi inaugurada em setembro de 1927, construída na Matriz do Sagrado Coração de Jesus, onde funcionava também a companhia. Neste mesmo ano é iniciada a publicação do jornal “Bandeirantes”, editado até a década de 1990.

                              O Movimento Bandeirante, no ano de 1928, rompe barreiras sociais e comportamentais para as mulheres da época, em especial para as que compunham a elite da sociedade brasileira, classe da qual todas as bandeirantes do período pertenciam. Foi realizado o primeiro acantonamento para chefes na cidade de Itaipava, no Rio de Janeiro, que levou as moças para longe de seus cotidianos domésticos. Além disso, o campo de atuação das bandeirantes se estendeu para escolas municipais, favelas e bairros proletários, um escândalo na década de 1920. O Brasil, em 1930, torna-se membro oficial da Associação Mundial de Bandeirantes (World Association of Girl Guides and Girl Scouts), criada em 1928 em Londres, na Inglaterra.

                             O Movimento Bandeirante foi se solidificando e se expandindo, e chegou a outros Estados do Brasil, assim como a outros grupos sociais. Em 1937, por exemplo, é organizado pela Chefe Lourdes uma companhia bandeirante no Instituto Benjamin Constant, primeira e única companhia bandeirante para meninas cegas. A década de 1940 é marcada pela integração e intercâmbio entre as Regiões (hoje chamadas Estados). As bandeirantes começam a viajar pelo Brasil e criar uma unidade nacional entre as meninas. Ao mesmo tempo, o Movimento Bandeirante se organizava. A ideia de criar uma sede-central era reflexo da necessidade de oferecer uma situação mais sólida à Federação de Bandeirantes do Brasil (FBB), e de permitir o crescimento do Movimento, que ainda encontrava dificuldades para que isso acontecesse.


A existência das Bandeirantes do Brasil devem-se à dedicação, persistência e amor ao bandeirantismo dos seus personagens. Uma história que começou em 1919, com a chegada da carta de Olave Baden-Powell, e é construída todos os dias pelas crianças, adolescentes, jovens. Esse é o verdadeiro espírito bandeirante.

Lord Baden-Powell of Gilwell, cidadão do mundo!


Lord Baden-Powell of Gilwell, cidadão do mundo!

                      Baden-Powell foi sempre um apaixonado pela África. Não só adorava este continente, mas também as suas pessoas e a sua cultura. Desde cedo que estudava os seus dialetos, procurando conhecer os povos africanos, respeitando-os como aliados e adversários. BP seguiu de perto o povo Zulu que se impressionou com o jovem militar britânico, sobretudo pela sua coragem e destreza. Este povo atribuiu-lhe vários nomes com base em aspectos da sua personalidade.

 M’hlalapanzi – O homem que faz os seus planos com cuidado;
 Kantankye – O homem do chapéu grande;
 Impeesa – O lobo que nunca dorme;

 Baden-Powell de todos os nomes que os Zulus lhe deram aquele que sempre admirou foi o de Impeesa, por considerar o maior elogio que jamais recebera.
Impeesa é o apelido dado pelos nativos da África do Sul para Baden Powell e significa "O lobo que nunca dorme" e refere-se à grande capacidade que tinha em planejar e perseguir seus inimigos.

Vem o que Baden-Powell escreveu como ser feliz, embora rico ou pobre.

Uma viagem de canoa é semelhante à viagem da vida. Um Velho marujo deve passar adiante os segredos da pilotagem. O único sucesso verdadeiro é a felicidade.  Dois passos para a Felicidade: - Levar a vida como se fosse um jogo e dar a todos amor. Os burmeses são um exemplo de povo feliz. A felicidade não é um simples prazer, nem consequência da riqueza. É mais o resultado do trabalho ativo, do que o gozo passivo de um prazer. Seu sucesso depende do seu esforço individual na viagem da vida. E de evitar certas escolhos perigosos. A autoeducação, em continuação ao que você aprendeu na escola é necessária. Vá para a frente com confiança. Conduz com o Remo a sua canoa.
Lord Baden-Powell.




A origem do apelido Baden-Powell

                                  Todos conhecem o nome do nosso fundador: Robert Stephenson Smyth Baden-Powell. Entre os Escoteiros, é mais conhecido simples e carinhosamente por B-P. Estas iniciais do seu apelido parecem ter sido feitas à medida para o lema que adotou para o Escotismo: “Be Prepared”. Já quando criou e organizou a Polícia da África do Sul, em 1900, os seus homens adotaram o mesmo lema, coincidente com as iniciais do seu comandante. No entanto, Baden-Powell não nasceu com este apelido, mas apenas Powell. Ou seja, nasceu Robert Stephenson Smyth Powell, na família Powell.

                                  O pai de B-P, um professor universitário de renome, falecido em 1860, chamava-se Baden Powell, sendo Baden o nome próprio e Powell o apelido. Alguns anos depois do seu falecimento, a mãe de B-P meteu na cabeça a ideia de mudar o apelido da família para Baden Powell, para homenagear o seu falecido marido e perpetuar o seu nome. O advogado da família tratou da legalização do duplo apelido e, a 21 de Setembro de 1869, através de uma notificação pública, todos os membros da família tomaram o apelido Baden Powell. No entanto, este apelido trazia alguns embaraços ao irmão mais novo de B-P, Baden, que agora se chamava Baden Baden Powell.

                               O problema resolveu-se em pouco tempo, com a introdução de um hífen no meio do duplo apelido. A mãe de B-P demorou algum tempo para conseguir que os familiares e amigos se habituassem a usar o duplo apelido com hífen, mas a persistência valeu a pena, não escapando, contudo, a que a família se referisse a ela, na brincadeira, como a “senhora hífen”. Em breve, os colegas de escola do nosso fundador trataram de abreviar o seu apelido para B-P, assim como aconteceu com o resto do mundo.


Você sabia que Baden-Powell não nasceu Baden-Powell?  Seu nome inicial era Robert Stephenson Smyth Powell sem o Baden. Quer conhecer a história? Fique a vontade!




Memórias de Baden Powell

                    Depois de escrever o meu livro, Escotismo para Rapazes, eu naturalmente pensei que as organizações dos meninos iriam utilizá-lo pelo seu trabalho e haveria pouco para eu fazer sobre o assunto. Mas antes de muito tempo, na primavera de 1909, eu percebi que muito dessas organizações, centenas de garotos se formavam Tropas Escoteiras. Foi em 1909 que o rei Edward tinha tido sua conversa comigo sobre o movimento. Apesar de ter sido, em seguida, apenas na sua fase embrionária Sua Majestade viu tais promessas e possibilidades e por isto me incentivou a tentar fazer uma grande concentração.

                   Motivado eu fiz o que minha mente dizia. Um convite foi enviado a todos os escoteiros para em um determinado dia fazer um encontro no Palácio de Cristal, e isso resultou em um desfile com a presença de mais de 11.000 escoteiros. Foi o maior agrupamento de meninos, o que nunca tinha acontecido até agora e olhe que o movimento não tinha dois anos! Isso foi um pouco de uma bomba para mim. Vi que eu não podia continuar no exército e ficar com o escotismo. Devia deixar um ou o outro?

                  Mas do ponto de vista pessoal, eu tinha cinquenta e dois anos e era um tenente-general, e, portanto, no alto da escala profissional para a minha idade: ao mesmo tempo em que seria uma pena deixar esse novo crescimento vacilar e desaparecer, e ainda assim eu não conseguia ver ninguém que poderia ou iria levá-lo na mão naquele momento. Como eu já disse, o Rei havia me questionado sobre esse ponto e sabendo que ele tinha entendido completamente a ideia, deixei em suas mãos para dizer qual curso eu deveria tomar. Eventualmente, ele concordou que eu devia organizar os Escoteiros e isto foi o mais importante para mim. Então, pedi demissão do Exército.

E o escotismo floresceu!




Fraternidade Mundial.
Baden-Powell no encerramento 1º Jamboree Mundial, Olympia, Londres, Agosto 1920.

“Irmãos Escoteiros, peço-vos que façais uma escolha solene”. Existem diferenças de pensar e de sentir entre os povos do mundo, tal como existem diferenças físicas e de línguas. A guerra ensinou-nos que, se uma nação tentar impor a sua vontade particular às outras nações, uma cruel reação seguir-se-á inevitavelmente.

O Jamboree ensinou-nos que, se exercitarmos a tolerância mútua e o hábito de fazermos concessões recíprocas, então haverá compreensão e harmonia. Se for essa a vossa vontade, partamos daqui totalmente decididos a fomentar essa camaradagem entre nós e entre os nossos rapazes, através do espírito mundialmente espalhado da Fraternidade Escotista, para que possamos ajudar a desenvolver a paz e a felicidade no mundo e a boa vontade entre os homens.


Irmãos Escoteiros, respondei-me. “Unam-se a mim neste propósito.”

Qual a diferença entre escoteiros e bandeirantes?


Conversa ao pé do fogo.
Qual a diferença entre escoteiros e bandeirantes?

                   Desde 1909 até hoje essa pergunta ainda existe, com o passar do tempo essa pergunta teve diversas respostas. Muitos sempre tentavam comparar os dois movimentos em quantidade de membros, como em ocupação no espaço terrestre, e quem sabe interplanetário, mas extensa e complexa ficava a resposta para uma simples pergunta. Já podemos considerar essa pergunta uma questão para decidir uma prova de vestibular ou concurso, pois nem mesmo quem participa desses movimentos sabe responder essa resposta de maneira exata, precisa e matemática. Existem diversas formas de responder essa pergunta, muitas delas nem sempre agradam a todos, por isso a complexidade, pois como tentaremos responder aqui essa pergunta, acreditamos que ainda haverá muitas controvérsias.

                 Para começar a responder essa pergunta e tentar ser o mais completo e exato possível, iremos utilizar, aqui, algumas versões que foram coletadas, mas para ficar claro principalmente aos leigos no assunto, vamos primeiro explicar do que se tratam em geral esses movimentos que além de toda a diferença que existe entre eles, ninguém negará que esses dois movimentos são irmãos de mesmo pai e de mesma mãe. Antes de 1909 o Movimento Bandeirante não existia, aliás, esse movimento só começará a existir em 1919, e somente no Brasil. Mas existia somente o Movimento Escoteiro que é oficialmente iniciado em 1907, lá em Londres, feito somente para meninos, aprenderem brincando e explorando o mundo a se tornarem homens de bem.

                   Então em 1909, essa brincadeira conquistou algumas meninas, que seriam as primeiras “scout girls”, mas num mundo masculino. Eis que o Movimento Escoteiro ganhou uma tia, titia Agnes, irmã do Fundador do Movimento Escoteiro Mundial Robert Baden Powell, que logo depois daria uma mãe ao movimento, sua esposa Lady Olave Baden Powell. A partir daí temos dois movimentos irmãos de mesmo pai e mesma mãe, Movimento dos Escoteiros (WOSM) e Movimento das Escoteiras e Guias (WAGGGS). Até aqui acredito que a resposta está simples e tranquila, porem o movimento desses movimentos começou a complicar. E como estamos no Brasil, e a nossa pergunta ainda não consta onde Movimento Bandeirante entra nessa história, vamos pular para 1919 onde enfim o Movimento Bandeirante aparece e começa a complicar essa resposta. 

                   Em 1919 o Movimento das Escoteiras e Guias chega ao Brasil através, como consta nos registro, das mulheres da elite carioca (e juramos isso não é coisa de novela), que simplesmente implantaram o movimento feminino aqui no Brasil, fazendo uma pequena alteração como uma tradução e homenagem, para o nome Bandeirante.
Ótimo então ficava simples, se um garoto pedisse ao seu pai, que gostaria de ser escoteiro, bastaria levá-lo a um grupo escoteiro, onde diversos meninos iriam brincar e aprender sob os princípios do escotismo a se tornar homens de bem de uma maneira bem masculina. E se fosse uma menina bastava levá-la a um núcleo bandeirante, onde várias meninas aprenderiam e brincariam também sobre os princípios do escotismo, ou como seriam chamadas de bandeirantismo, a se tornarem mulheres de respeito.

                  Não seria nada de mais se em 1919, ser menina e participar de um movimento feminino não fosse visto como algo um tanto revolucionário demais, e olha que não era, pois as meninas aprendiam muito bem a cuidar da casa, a cozinha, a ser prendada, a ser uma ótima esposa, mas sem querer elas aprendiam um pouco mais é claro, mas essa versão talvez seja somente uma hipótese, afinal como o passar do tempo esses movimentos foram vistos também como algo careta e sinônimo de pessoas bobas que usam uniformes e meião. Mas confessamos que mesmo amando nossos uniformes por causa de tudo que eles significam para nós, sabemos que é meio ridículo passear por aí impecavelmente uniformizados, e quanto mais impecáveis estavam os nossos uniformes mais orgulho temos deles, cada distintivo, cada broche, o meião, o cinto, um chapéu, nosso lenço, às vezes rimos daqueles que não entendem. 

             Com o passar do tempo outra hipótese seria que por serem movimentos irmãos, mas talvez também por isso um tanto concorrente e competitivo pela atenção, os movimentos começaram a se misturar, então meninas poderiam ser escoteiras e meninos poderiam ser bandeirantes. Hoje isso já é visto como algo comum, mas existem histórias de que as meninas no movimento escoteiras mesmo aceitas, só poderiam participar realizando tarefas consideradas exclusivamente “de mulher”, mas no movimento bandeirante por ser feminino, não existia tarefa só “de mulher” então os meninos aprendiam logo a dividir todas as tarefas, mas se sentiam umas menininhas e muitas vezes tinha vergonha de dizer que eram bandeirantes.

                Desta maneira o Movimento Escoteiro por toda sua origem e formação masculina ainda tem uma forte presença de aspectos masculinos em suas atividades, e aparência, o que atraí muito meninos e meninas que tem como interesse, atividades mais bruscas, mais agressivas, mais robustas, mais físicas, coisa de pai pra filho. E o Movimento Bandeirante por outro lado pela origem feminina, atraí mais meninos e meninas que gostam de atividades mais delicadas, mais detalhadas, mais floreadas, ou coisa de mãe pra filha. Mas aqui entra outro fato que pode confundir os interessados em ingressar em qualquer um dos movimentos, vale também considerar a característica do grupo escoteiro ou do núcleo bandeirante, pois pode haver núcleos bandeirantes que tem uma forte característica do movimento Escoteiro, como o contrário onde um grupo escoteiro com muitas características do movimento bandeirante. Afinal assim como conhecemos muitos escoteiros que se tornaram bandeirantes, como deve haver também muito bandeirante que se tornou escoteiro. 

                Aí surge uma pergunta por que ambos os movimentos que são tão parecidos não se tornam um só? Diríamos que isso é somente uma questão burocrática de briga de irmãos, que se divertem em sempre discordar que são parecidos.
Mas vamos à parte física das diferenças:

Escoteiro
Bandeirante
- símbolo flor de lis (três pétalas)
- símbolo trevo de três folhas
- associado ao WOSM (Mundial)
- associada à WAGGGS (Mundial)
- União dos Escoteiros do Brasil
- Federação de Bandeirantes do Brasil
- uniforme da cor do tipo de escotismo e/ou faixa etária
- uniforme azul marinho, e azul marinho e branco.
- lenço colorido conforme o grupo escoteiro
- 6 cores de lenço conforme faixa etária
- nomenclatura: lobinho, escoteiro, pioneiro, sênior, chefe.
- nomenclatura: abelha ou zangão, fada ou mago, B1, B2, guia, guia-auxiliar, coordenador (a).
- lei: o escoteiro é...
- lei: ser bandeirante é... (antes era: a bandeirante é...).

                  Está mais tranquila agora acha que está com sua pergunta respondida? Pois não fique não, pois a intenção aqui não é essa, e como dissemos antes esse blog é bandeirante e tem a missão de dizer que ser bandeirante é muito melhor que ser escoteiro, e ainda que for bandeirante do Núcleo Piratininga é muito melhor que ser bandeirante de qualquer outro núcleo, mas como “Ser Bandeirante é valorizar a estima e a amizade”, temos que falar muito bem de nosso irmão escoteiros e bandeirantes, mas como também “Ser Bandeirante é ser leal e respeitar a verdade”, confessamos sim que estamos puxando algumas sardinhas a mais para o nosso lado. 
Artigo retirado da Internet.




quinta-feira, 11 de junho de 2015

Dick Barzon o Escoteiro do Rio chegou na cidade.


Conversa ao pé do fogo.
Dick Barzon o Escoteiro do Rio chegou na cidade.

                            O tempo passa célere e quase não vemos as mudanças que nos transformam e se não segurarmos com mãos fortes nosso passado acredito que a vida não teria o valor que devemos dar a ela.  Alguém um dia me disse que o passado de cada um tem seu valor próprio. Os jovens que estão vivendo hoje se lembrarão também dos seus velhos tempos. Velhos tempos! Não foi o título de um filme? Novos e velhos tempos! – “Como era belo viver, enlaçado por um anel... Nas costas uma mochila, ao longe uma bandeira, embrenhar em matas na trilha que foi desfeita”... Ah! Escotismo. Quantas coisas vivemos num mundo mágico a sombra de um arco íris cercados de borboletas coloridas e lindos beija flores parados no ar, como se fossem se elevar em poucos instantes ao céu.

                          Meu primeiro amor. Treze anos e já amava alguém. Levantei cedo. Só um milagre para isto. Acontece que o milagre estava acontecendo. Era terça feira. E as terças e quintas eram meus dias de encantamento. Benditas férias escolares, sem elas não poderia vê-la. Terça e quinta eram sagradas. Dias que eu poderia sonhar e suspirar. Maria das Dores! Quantas vezes sonhei com ela? Nos meus treze anos me apaixonei profundamente. Soube muito tempo depois que a chamavam de Dorita. Tomei um café correndo com minha mãe dizendo que comesse um biscoito. Lá fui eu feito um maluco pelas ruas da cidade onde junto à nova praça de esporte eu iria vê-la. Parei sentado em minha bicicleta esperei ela chegar à janela. Quanta ansiedade. Seu rosto apareceu belo como se fosse a Virgem das Rochas impossíveis, ou melhor, a Madonna dos Rochedos onde Leonardo da Vinci fez a sua mais pelas telas que um dia pintou e ficou na história.

                       Olhou-me com um sorriso simples, jogou seus cabelos loiros de um lado a outro me deu uma piscada de olhos e um adeusinho. Isto me encantava. Era lindo. Minha namorada eterna que iria morar no meu coração para sempre. Fechou a janela e se foi. Era assim nosso amor. Eu não importava. Agora era esperar a quinta feira onde eu poderia vê-la novamente. Quantas saudades iria sentir por esperar uma eternidade de um dia depois do outro. Mas o destino da gente não dá para descrever. A vida de um menino é cheia de nuances e eis que meu Monitor chegou a toda velocidade em sua bicicleta verde. Vermelho com a corrida, Chapéu e uniforme gritou alto – Tem Escoteiro novo na cidade! O Escoteiro do Rio chegou! Está na sede! Vamos La! Esqueci meu amor. Um Escoteiro novo na cidade? Isto era demais. Dorita ficou esquecida na minha mente. Ela iria esperar que meu escotismo fosse guardado em outras plagas. Desculpe meu amor.

           Pelas barbas do profeta. Uma oportunidade única para ver o verdadeiro Escoteiro do Rio de Janeiro. Sempre foi assim. Era chegar um deles de qualquer cidade e a escoteirada ficava em polvorosa. Dorita, minha linda Dorita me perdoe. Juro que irei ver você outro dia. Peguei minha bicicleta pneu balão verde e lá fomos nós em desabalada carreira para a sede. A escoteirada e a lobada já estava lá. Mais de cinquenta meninos ansiosos pelo novo badeniano. Todos nós vibrávamos quando aparecia um Escoteiro ou Chefe de outra cidade. Ninguém ficaria de fora sem olhar e conversar com ele. No centro da roda ele chamava atenção. Uniforme diferente. Calça azul, camisa de mescla azul clara, meiões pretos e uma boina preta tipo Montgomery. E na boina tinha um lindo distintivo de metal em forma de asas com uma flor de lis.

         Cheguei e entrei na roda. - Sempre Alerta disse! Ele sorriu para mim. Sentei e ele continuou conversando com todos. Dizia que morava próxima a praia do Arpoador (não fazia a mínima ideia). Era Escoteiro do Ar. Já tinha viajado em diversos tipos de avião. Seu pai era Piloto da Panair do Brasil. Contou que fazia mil coisas como Escoteiro do Ar. Seu pai tinha um teco-teco e ele por diversas vezes dirigiu o monstro. Acamparam em Paquetá, em Niterói, na região dos lagos, já fora na Alemanha, nos Estados Unidos. Lindo! Supimpa, este sim era o Escoteiro do mundo. Um autentico acampador! Ficamos ali por horas. Todos ouvindo o Escoteiro do Rio contando suas aventuras.

         Lá pelas duas da tarde o convidei para ir almoçar comigo em minha casa. Fiquei esperando sua resposta quando a maioria também convidou. Ele agradeceu, pois estava na casa da avó e se não fosse lá almoçar teria que ouvir poucas e boas. O escoltei até a Rua Peçanha perto da Padaria do Tunico Boca Grande. Ele no portão deu um sempre alerta e entrou. Durante a semana ficávamos o dia inteiro com o Escoteiro do Rio. Passeamos com ele em vários lugares e depois de consultar o Papaleguas nosso Monitor o convidei a ir a uma excursão noturna no Pico do Papagaio no próximo sábado. Estava no programa e ninguém iria faltar. Iriamos logo após a reunião terminar e voltaríamos no dia seguinte à tarde. Ele aceitou só não tinha mochila. Sem problemas. Tínhamos guardado na sede várias ganhas da polícia militar. As demais patrulhas sabendo que ele iria resolveram ir também.

        Sábado, sete da noite. Lá íamos nós em fila indiana as quatro patrulhas e o Guia Cocada seguia em frente. Eu ia ao lado do Escoteiro do Rio. Orgulhoso. Iria contar para muitos que ele ficou do meu lado e subiu a serra comigo. O Pico do Papagaio era próximo a nossa cidade. O duro era a subida. Treze quilômetros que matava qualquer um. Eu já tinha ido lá varias vezes e jurava sempre quando ia que seria a última vez. Eram onze e meia da noite. E não foi que aconteceu uma surpresa. O Escoteiro do rio começou a chorar. Paramos. Quem sabe um espinho? – Eu quero mamãe! Eu quero mamãe! – Deus do céu! O que era aquilo? Só então ele nos contou que tinha dez anos e ia passar para a tropa no fim do ano. Era lobinho e seu pai comprou tudo que ele precisava para ser Escoteiro!

         Foi demais para mim e todos da Patrulha. Rimos a mais não poder. Achávamos que junto a nós estava um Super Escoteiro, e não passava de um lobinho crescido e que nunca fez atividade em Patrulha. Estava morrendo de medo e de cansado. Distribuímos sua mochila entre nós, e voltamos à cidade. As demais patrulhas continuaram. Eram uma da manhã quando o deixamos na porta da avó dele. Os olhos cheios de lágrimas. Chorava de fazer dó.


         Bem, lá se foi o nosso herói. Mas sabíamos que ele iria crescer. Aprender e ser um bom mateiro, mas que servisse de lição para não ser gabola, mentir dizendo o que não era. Nunca mais ouvi falar no Escoteiro do Rio. Para dizer a verdade nem o nome dele ficamos sabendo. Só no dia que partiu contou que se chamava Dick Barzon. Quem sabe ele está aqui a ler esta história e vai lembrar? Alô Escoteiro do Rio, (hoje beirando os setenta anos) Sempre Alerta para você! Apesar dos pesares você significou muito para nós. Sempre Alerta! E meu namoro com Dorita continuou por mais alguns anos. Ela lá naquela janela encantada a piscar para mim e eu encostado no muro a sonhar, quer melhor que isto? Risos.