Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Meu amigo e minha amiga escoteira.


Meu amigo e minha amiga escoteira.

Quero agradecer a todos que aqui me prestigiam, seja curtindo, comentando ou compartilhando. Não posso esquecer também as centenas de e-mails recebidos quando um ou outro solicitaram meus livros e contos escoteiros sempre me dizendo uma palavra de carinho. Sem perceber vi que me tornei um Chefe turrão, pois dificilmente me coloco na posição de obediência às nuances da EB. EB... Nasci sob a égide da UEB. Agora é EB. Vá ver que tenho meus motivos e nisto não quero seguidores. Em contra partida me dedico aos poucos que ainda se animam a ler meus escritos. Vez ou outra uma palavra de carinho, de amizade e mesmo sendo poucos me sinto realizado e feliz. Ainda sou daqueles que acredita que o Escotismo é dos jovens e é para eles que volto todo meu esforço nos meus contos e histórias.

Tenho visto a presença de alguns jovens me seguindo. Maravilhoso. A eles faço questão de tirar meu chapéu, fazer uma mesura e dizer a eles: Anrê! Enquanto houver um jovem praticando os ensinamentos de B-P o escotismo não fenecerá. A eles dedico os sonhos de Seeonee, a aventura de Brownsea, o desejo de um Sênior ou uma Guia de se guiar nas trilhas de Baden-Powell. Sei que os Pioneiros e as Pioneiras do mundo continuarão seu Caminho para o Sucesso e a lutar pelo seu lema SERVIR. Mesmo que alguns queiram mudar os ensinamentos de B-P eu acredito que ele nunca vai acabar nunca vai desaparecer, pois os ventos que sopram a favor são para confirmar que tudo vai dar certo.

Aqui da minha morada vou ainda mantendo meus sonhos presos na filosofia que adotei e adoto até hoje. Meu tempo de peão Escoteiro de aventuras passou. Se posso ajudar com minhas lembranças eu me sinto realizado. Obrigado a todos vocês por me darem as forças que estão se esvaindo. A luta não para como dizia um celebre General Inglês na segunda grande guerra: - Soldados vamos fazer o possivel agora e o impossível daqui a pouco! Frase que sempre adotei. Afinal um dia aceitei o desafio e ele nunca acabou. Meu Anrê e Bravoo aos Escoteiros do Mundo!


Sempre Alerta!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A canção que ela fez para mim!


A canção que ela fez para mim!

                     Vida de Sênior é bão demais! Um sábado de reunião, ufa! O dia não era de brigadeiro. Desanimado e mesmo assim fui cumprir minha jornada escoteira. Reunião de sede não gostava. Amava o campo, as trilhas as florestas e os rios caudalosos. Ao chegar pensei que não era um bom dia para animar a patrulha. Na sede ninguém. Por quê? Sempre nos encontramos ali antes do inicio, falar dos outros, papear, “causos” não era uma rotina? Fui para o pátio da sede. Então eu a vi. Fiquei sem fala. Linda! Impossivelmente linda! Seria uma princesa? Desceu das nuvens direto na sede? Ou quem sabe um anjo que Deus mandou para dar novo ânimo aos seniores? Meu coração disparou. Minha mente deixava o corpo e se transportava para os mais lindos campos e montanhas a explorar. Fui à Cachoeira do Sonho, fui à Montanha Das Borboletas Douradas, fui até no despenhadeiro da Mil Mortes. Joguei-me lá de cima. Sabia que não ia morrer.

                 Foi então que percebi. Lá estavam os Seniores. Todos eles. Não faltou ninguém. Estavam em pé encostados à parede da biblioteca. Como eu não tiravam os olhos da linda moça dos cabelos loiros e cachos dourados. Cachos despencando como na Cascata do Sol Nascente. Olhos? Azuis! Incrivelmente azuis. Uni-me a eles. Não notaram a minha presença. Seus olhos esbugalhados assim como o meu só tinham uma direção. Cláudia Alvonaro. Seu corpo? Não posso dizer aqui. Afinal dizem que somos limpo de corpo e alma. Mas parecia ter sido esculpido por Michelangelo, ou melhor, Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni. Ah! Una Madonna Escoteira? Quem sabe ali estava sua obra prima da renascença sua bela escultura a Pietá. Não podia ser. Estávamos em 1958 e não 1498 quando ela foi esculpida.  

                   A paixão tomou conta de mim. De mim só não de todos os seniores. Doze rapazes perdidamente apaixonados pela bela Cláudia Alvonaro. Mas de onde ela veio? Do céu? Do firmamento? De uma estrela distante na Galáxia de Andrômeda? Da cidade não era. Conhecíamos todas as beldades. – Ela é de Vitória. Espírito Santo disse um Sênior. Meu Deus! Capixaba e linda assim? Bendita Vitória. Santino o Chefe Sênior adentrou ao pátio. Jovem ainda. Vinte e oito anos. Viu-nos e foi até nós cumprimentando. Ninguém olhou para ele. Inteligente como todo Chefe Sênior descobriu através de um “Kim” imaginário o motivo de nossa perplexidade e imutabilidade. – Ora, ora, parecem que nunca viram uma garota! Ele disse. Sem respostas. Continuávamos mudos. Olhos vidrados na bela Cláudia Alvonaro. A mais bela capixaba que o mundo conheceu. E nós os bravos seniores da tropa Anhanguera.

                     Ela estava linda. Uniforme azul, bonezinho de lobo. Saia curtinha (que pernas meu Deus!). Akelá? Não tinha mais de dezoito anos! Não seus bobos disse o Chefe Sênior. Ela é Assistente. Tem dezessete. Está fazendo uma visita. Vai embora hoje no trem noturno das oito. – Vou também! Falaram todos ao mesmo tempo. Chefe Santino riu sonoramente. Que vida. Descobre-se o amor de nossas vidas, a nossa alma gêmea e ela vai embora assim? E para piorar tudo ela começou a cantar. Os lobos sentados em círculo e ela cantando uma canção que não conhecia. Voz? Uma cantora nata! Ninguém na sede tirava os olhos dela. Maravilhosamente bela e uma voz harmoniosa, que podia seguramente ser a maior cantora de todos os tempos.

                   O céu que me condene! Que me mate! Que acabe comigo. Estava “deverasmente” apaixonado. Perdidamente apaixonado. E o pior aconteceu! Ela olhou para mim e deu um sorriso. Senti o corpo tremer. Tive que sentar. Que sorriso! Que voz! Que rosto! Que corpo! Não podia ser uma mulher Akelá. Era uma deusa trazida do Olimpo. E eis que como se fosse uma chicotada, como se tivesse caído uma pedra enorme em minha cabeça, um Chefe novo de uns vinte e cinco anos entrou acompanhado do Chefe do grupo.  – Vamos embora meu amor! O que? Meu amor? Então olhei melhor, ele estava com a aliança na esquerda e ela também. Marido e mulher.


                  Ela se foi. Deu um “xauzinho” e disse um Sempre Alerta que nunca mais, nunca mais mesmo e eu juro, irei esquecer. A mulher dos meus sonhos, a mulher que iria ser a minha vida, a minha alma gêmea se foi. Se houve reunião de seniores eu não sei. Acho que os outros também ficaram como eu no mundo da lua. Começamos mudos e terminamos calados. Chefe Santino sorria no alto dos seus vinte e oito anos. Um homem experimentado sabendo o que sentia aqueles garotos que estavam crescendo e aprendendo com a vida. Cláudia Alvonaro virou a esquina abraçado com seu amado. A tropa acompanhou com os olhos seu ultimo adeus. E eu? Fiquei meses sonhando e planejando ir acampar em Vitória. Mas será que ela iria deixar o marido e se casar comigo?

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O dia foi feito para sorrir!


Crônicas do Velho Chefe Escoteiro.
O dia foi feito para sorrir!

             Levantei sentindo uma vibração estranha no ar. Sei que é uma segunda feira, mas e daí? Amanhã não é feriado? Não é dia da Proclamação da República? Um dia me perguntei para que servem os feriados, para lembrar das datas importantes ou para dormir até mais tarde, aproveitar quando são prolongados e partir por aí para sentir outros ventos, outros pensamentos e descansar a mente que precisa de mudanças. Não adianta tentar dizer que estas datas são para homenagear alguém, fatos acontecidos, quem sabe lembrar que foi um levante politico-militar que em 15 de novembro de 1889 foi instaurado a forma republicana federativa presidencialista do Governo do Brasil. Dom Pedro II foi apeado do poder. Mas deixe prá la. Isto é passado e o Brasil hoje gosta de viver o presente.

            Mas vamos voltar ao dia de hoje. Sabe aqueles dias que a gente sente que não vai dar certo? Que algum vai acontecer? Quem não serão coisas boas somente? Pois é. Pensei assim e mudei minha maneira de ser. Precisava sorrir. Dizem que o sorriso enobrece a alta e faz o sangue jorrar melhor no coração. Se eu gosto de distribuir sorrisos por que não pensara que ser feliz não é viver apenas momentos de alegria. É ter coragem de enfrentar os momentos de tristeza e sabedoria para transformar os problemas em aprendizado. E assim foi dito, assim foi pensado e... Pois é. Não adianta dizer que a vida me ensinou que chorar alivia, mas sorrir torna tudo mais bonito. E eis que sendo um admirador do nosso fundador lembrei das palavras dele:

- Desejo ardentemente que tenhas uma vida longa e feliz como a minha. Poderás com isto conseguir conservar com saúde e alegria a fim de poderes auxiliar os outros. Vou dizer-te o meu segredo e tenho certeza que com o conhecimento dele serás como eu: tenho sempre me esforçado para cumprir a Promessa e a Lei Escoteira em todos os atos de minha vida. Se fizeres o possível para obteres sucesso na vida, assim procedendo, futuramente terás muita alegria, se viveres 80 anos. Baden-Powell.

           Bem não vou ficar aqui tricotando palavras que poucos vão entender. Eu mesmo nem sempre entendo o que eu digo. Mas estou aqui escrevendo e sorrindo. E quer saber? Chamei a Célia para sorrir comigo. Afinal melhor que rir, é rir com alguém ao seu lado. Sorriso dividido é sorriso dobrado. E para dobrar minha alegria cantei aquela velha canção que adorava ao alvorecer nos acampamentos:

- ♫ Põe tuas mágoas bem no fundo do bornal e sorri, sorri e sorri. O que importa é vencer o mal mantém sua alegria! Não importa você se zangar, pois o mal não vai acabar e então? Põe tuas magoas...

- Simplesmente viva a vida. Ela é boa demais para sorrir e amar!


Sempre Alerta♫

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Pitfundo, o Chefe que engoliu o apito.


A história que não foi contada.
Pitfundo, o Chefe que engoliu o apito.

                 Você o conheceu? – Claro que sim Chefe. Quando soube do que aconteceu eu rezei quarenta Ave Maria e trinta Pai Nosso! – Nossa! Vejo que gostava dele – Não é questão de gostar Chefe, mas Pitfundo era irritante. Apitava que nem um danado. Ele ria se inchava, se mostrava como o verdadeiro sargentão no apito. E olhe se alguém chegava atrasado, levava uma carraspatana e um apitaço no ouvido para não esquecer nunca mais! Como ele era magro gordo, alto ou baixo? Baixo Chefe, uma barriga maior que a sua. Andava com as mãos balançando. Gostava de fazer jogos de transportes em maca e ele se fingia de doente para ser carregado! Olhe Chefe, ele tinha mais de cento e vinte quilos!  Um dia ele se apaixonou pela Pamonia, o senhor lembra-se dela, todos a chamavam de Olivia Palito, a mulher do Popeye. Ela não tinha namorado, mas Pitfundo era chato demais com aquele apito alemão e ficava de olho nela. Ele comprou muitos apitos. Um francês, um inglês um americano e um italiano. Andava com todos no bornal para uma eventualidade.

                 Olivia Palito não deu bola. Nem ligou. Ela era a Diretora Secretária do grupo. Solteira, trabalhava na Biblioteca Municipal. Dizem que entrou no Grupo Escoteiro atrás de um marido, mas suas investidas davam em nada. Ela comprou uma vestimenta destas novas que os “Maiorais” inventaram. Comprou logo cinco tipos. Cada reunião vestia um. Ia às reuniões do distrito, região e não perdia uma boca livre na nacional. Era perita em Assembleias e o escambal. Gostava de ficar passeando nos salões e despistava sempre entrando nos WC dos homens! Risos – “Discurpe” gente me enganei, procurava os da madame foi engano! Pois é. Uma vez ficou atrás do Presidente do CAN por dias. Não deu sossego ao coitado. Coitado? Bem namorar Olivia Palito era melhor namorar o Quasímodo. Sabia que no Brasil não tiraria nenhuma lasquinha em chefes Escoteiros então foi parar no Jamboree do Japão. Agora sim pensou esta turma dos olhos costurados não me escapa!

                   Não conseguiu nada. Com muito custo começou um affair com um Chefe japonês. Gordo, enorme, pesava cento e oitenta quilos. Ela em principio assustou, mas soube que ele era cheio da grana. “Lutador de Sumô” e Samurai disseram para ela. Não conhecia o esporte, mas viu que ele era podre de rico. A levou para sua mansão. Chegando lá chamou seu interprete: - Senhô diz que senhora será a sétima esposa. Todo domingo será sua vez! Sumiru Ka Kombi avisa que vai ser a sétima gueixa. Vai se chamar Cotira na Nuka. Deve obedecer as ordens de Sumira ká Nota a primeira esposa. Olivia Palito tremeu. Que roubada me meti? Pensou. A noite fugiu a pé do castelo de Sumiru Ká Kombi. No Jamboree desistiu de namorar japoneses. Ficou impressionada com os Escoteirinhos japoneses. Uns tiquititos de nada e falavam japonês de cor e salteado, já pensou? Voltou para sua terra pensando em namorar Ptifundo. Só sobrou o apitador chefe das multidões.

                  Ele o coitado solteiro desistiu de Olivia. Que ela fosse a Chefe que quisesse ser, mas não seria mais sua esposa. Foi então que conheceu Praquitinha. Amor à primeira vista. Pegou seu bornal, encheu de apitos e foi até a janela da casa dela altas madrugadas. Apitava por dois minutos cada um dos seus apitos. Quando o silvo agudo do apito de marinheiro começou levou um tiro de espingarda chumbinho no traseiro. Era o pai dela de saco cheio com tantos apitos. Gritou e rolou pelo chão berrando que estava morrendo. No hospital disseram que foi só oito balinhas cheias de querosene e sal. A escoteirada de sua tropa pagou pelo que não fez. Polenta, Nariz Longo, Zebedeu e Joelho Seco os monitores se revoltaram. As patrulhas se reuniram. Procuram o Diretor Técnico Cobra D’água que nada resolveu. Procuraram o distrital Sapo do Brejo e nada também. Na região nem recebidos foram.

                  Reuniram a tropa. Discutiram por oito horas seguidas. Todos eram unânimes que se o Chefe Pitfundo quisesse apitar que fosse apitar no raio que o parta. Muitos Escoteiros estavam ficando surdos de tanta apitaria! O Presidente da Nacional Doutor Aquiquemmandasoueu, mandou um recado: - Vocês pagaram a mensalidade anual da UEB? Não? O Chefe Pitfundo pagou. Portanto ele é bem vindo. Se quiserem pagar posso pensar em resolver o caso do Chefe o Chefe Apitador. Duros não sabiam o que fazer. Bem ninguém resolveu o problema dos Escoteiros. Pitfundo parece que soube do motim da tropa. Agora é que não daria mais sossego. No lugar de jogos cinco minutos de apito inglês. Técnica seria substituída pelo apito francês e assim por diante. Viajante um Escoteiro da Patrulha Trombeta apresentou um plano. A tropa aprovou. Fizeram uma vaquinha e compraram uns vinte super bonder. Encheram sem o Chefe ver os miolos dos apitos.


                 Naquela reunião logo que chegou meteu a boca no apito americano. Ele gostava. Gostava de ser chamado Boy Scout gud Morney. No primeiro apito nada, sem som. No segundo perdeu o fôlego, no terceiro puxou o ar ao contrário. O apito foi sugado pela sua boca e desceu como um bólido pela goela até o esôfago. Ele berrou sem voz. Começou a dançar em volta de si próprio. Começou a fazer xixi na calça. Pulava feito Macaco Prego. A diretoria veio correndo. Chamaram o Samu que ao socorrê-lo sentiu que ele lançava violentamente para fora de si o canhão que vomitava fogo. O apito foi parar longe. A Tropa Escoteira deitada no chão rolava de rir e dava gargalhada atrás de gargalhada. Olhe, não sei se ele continuou na tropa, mas nunca mais apitou em sua vida. Olivia casou com Jujú Marreco e tiveram vinte filhos. Dezoito deles são lobinhos, escoteiros e seniores. Que eu saiba o apito foi proibido naquele grupo escoteiro. Bem feito pensei, que sirva de exemplo para os chefes apitadores! Kkkkkkkk kkkkkk.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Apenas um comentário...


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Apenas um comentário...

O que é farda: Tipo de roupa que, possuindo determinado padrão, é utilizada por militares, estudantes etc.: Sinônimos de farda: Traje, uniforme, beca e fardamento. Vestimenta: - É usada como sinónimo de vestuário, trajes ou roupa.

                   Meus amigos e amigas do Movimento Escoteiro. Os que me acompanham devem ter notado que as fotos que ilustram minhas publicações em sua maioria são de jovens sorrindo, fazendo escotismo e se possivel praticando o escotismo de campo. Costumo dar preferencia a boa uniformização de alguns países principalmente Portugal e a França pela apresentação que fazem do uniforme. No Brasil faço questão das fotos com uniforme caqui e quase nunca a Vestimenta. Por quê? Como sabem sou um Velho Escoteiro que preza muito o garbo e boa ordem. Um “çabio” da EB resolveu adotar como norma e liberou para quem quisesse usar a vestimenta com a camisa para fora, sem o meião tradicional e calçado de qualquer cor. Este Velho Chefe acha isto fora de propósito. Os comentários que tenho ouvido e visto não são benéficos a esta maneira de se vestir escoteiramente.

                Desde os primórdios do escotismo no Brasil, nosso maior Marketing sempre foi o nosso uniforme e a boa ação. Mesmo com um efetivo bem menor, éramos conhecidos de norte a sul, e frequentemente as empresas ou novos produtos lançados davam preferencia ao escotismo de uma maneira geral. O Sempre Alerta, o Rataplã, a calça curta, a boa ação e as atividades de campo eram sinônimos de escoteiros do Brasil. Aparecíamos no rádio, na TV (no seu inicio) nos jornais e éramos constantemente contatados para palestras em escolas, universidades, grupos empresariais entre outros. Ainda não havia a preocupação de ter um caixa sadio e nem esta falta de espirito Escoteiro onde quem não tem registro não existe para a EB. A UEB na época não tinha ainda sede própria, poucos profissionais, mas muito mais atuantes, pois de Norte a sul alguns deles se sobressaíram ajudando e colaborando na formação de chefes e Grupos Escoteiros. Eu sou testemunha da história de alguns deles.

                  O tempo encarregou-se das mudanças que estamos vivendo hoje. Não temos marketing, vez ou outra pejorativamente somos comentados na TV no rádio e na imprensa escrita. O escotismo tornou-se um eterno desconhecido, salvo algumas cidades do interior nem vistos somos mais. Vamos de carro e de carro voltamos. Muitos vestem seu uniforme ou vestimenta na sede. Vergonha dele ou vergonha de ser escoteiro? A EB de hoje se preocupa mais em aumentar seu caixa do que abri-lo para ajudar os Grupos Escoteiros mais necessitados. Um trabalho de confiança, de colaboração nunca é feito gratuitamente. Fazem questão de mostrar quando alguma atividade nacional dá prejuízo e choram com isto. Quando dá lucro ninguém fica sabendo.

                 Neste mar de mudanças, de alterações do método, dos valores do passado e da preocupação em zelar pela continuidade dos dirigentes, pela empáfia de alguns ou mesmo pela truculência ou prepotência por estarem revestidos em um cargo nacional, dificilmente os associados da EB podem participar diretamente na eleição dos diretores ou mesmo sugerir o melhor caminho a seguir. Vemos uma democracia participativa onde poucos podem opinar ou votar. A cada dia somos surpreendidos por uma mudança, uma exigência e alguns mais próximos dos grupos fazem questão de dar seu credito aos de cima, ameaçando aos mais humildes com dizeres nem sempre educados. Não são muitos, graças a Deus.

                  No meio do alvoroço das mudanças criaram a vestimenta. Um “çabio” dirigente sem consulta a turba escoteira das unidades locais, riscou no ar um desenho de 19 tipos, sendo que um deles permite o uso da camisa solta, da meia de qualquer cor e da apresentação. Qualquer um pode ver que ter dezenove tipos é fora de propósito e por outro lado uma forma de engordar o caixa da EB. Afinal a EB é detentora de tudo que se diz Escoteiro, a única que pode vender produtos escoteiros e ninguém pode em sã consciência discordar que ela age como um “Truste” transformado em Associação. Sei que foram benevolentes em dar aos grupos o direito de escolha o que vestir. Uniforme ou vestimenta. Em contra partida exigiram no início o uso da vestimenta por parte de todos aqueles que tinham um cargo na EB. À medida que novos grupos iam surgindo à vestimenta é quase imposta aos novos grupos. Passaram anos e estamos hoje com alguns de uniforme e a maioria com a vestimenta. Se ela desbota, se ela é de péssima confecção, se ela não aguenta as atividades de campo dos escoteiros, poucos reclamaram. Alguns pagam com prazer trocando a cada seis meses a vestimenta. Bom ser rico.

                   Sei que muitos terão mil e uma explicações para tal ação. Não entro no mérito. Não adoto o modernismo feito de maneira tão simplória, cuja apresentação para mim demostra falta de garbo e se apresenta aos olhos do publico de maneira adversa ao que criamos entre a população brasileira no passado. Escolhas são escolhas. Parabenizo aqueles que se apresentam com a vestimenta mostrando orgulho do que usam a estes terei sempre uma nota de parabéns. Não importa se a norma existe. Quem as fez deve ser alguém que não conheceu o significado de garbo, de orgulho Escoteiro que tanto presamos no passado.


                  A história é uma só. Não vou contá-la novamente. De uma coisa eu sei, o escotismo brasileiro está sendo aos poucos achincalhada por alguns dirigentes que ainda não se tocaram das nossas tradições e do nosso orgulho do escotismo que fizemos. Não temos marketing. Dizer que basta o espírito Escoteiro e que o uniforme é apenas uma peça complementar não vai explicar o esquecimento da sociedade brasileira para com o escotismo. Quem sabe um dia teremos uma liderança nacional que vai se preocupar com nosso futuro e pensar mais nos associados e não no caixa e com isto poderemos ver frutos que hoje não vemos.

sábado, 5 de novembro de 2016

HOJE TEM REUNIÃO, ALEGRIA DE MONTÃO.


HOJE TEM REUNIÃO, ALEGRIA DE MONTÃO.

Chefe levanta da cama, é hora de aprender e ensinar.
Pois hoje tem reunião, sua vez de escoteirar!
Chame seu filho maneiro, pois ele é bom Escoteiro.
E não esqueça Maninha, pois ela também é Lobinha.

Se tiver sol ou depois vento, põe-te em guarda e toma tento,
Mas se tem vento e depois água, deixe andar que não faz mágoa!
Afinal se vermelho o sol se por, é delicia do pastor,
E claro, orvalho de madrugada, faz cantar a passarada!

Vista sua vestimenta ou uniforme é hora de ficar nos conformes.
Mostre que você tem honra, não seja mais um pamonha!
Agora parta ligeiro, vá pru Grupo de Escoteiros.
Se aprume, não seja um fardo, mostre a todos que você tem garbo.

Leve consigo um sorriso, ele é o nosso oitavo artigo,
E quando lá chegar, não se esqueça de abraçar.
E na hora da Bandeira, uma saudação de primeira,
Diga depois ao amigo, hoje? Dever cumprido!

Feliz aquele que vai infeliz aquele que fica,
Venha conosco acampar, aceite minha boa dica.
Deixe bater seu coração, pois hoje tem reunião.
E no céu cor de anil, aplausos aos escoteiros do Brasil! 



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Programas de reuniões de Tropa.


Conversa ao pé do fogo.
Programas de reuniões de Tropa.

                        Vez ou outra chefes me mandam e-mail perguntando sobre Programas de Reuniões. Quando comento o que eu acho alguns dizem sim, tudo bem e mudam de assunto. Acredito que fazem de uma maneira e esperavam que eu confirmasse o que fazem o que não aconteceu. Um bom programa de reunião vem de diversas situações que a tropa a patrulha e os monitores participam ativamente e foi dado a eles oportunidade para comentar e sugerir. No entanto muitos acham que devia haver um manual com programas para o ano todo. Deveria mesmo? Já vi diversos formadores emitirem suas opiniões e muitas delas muito válidas. Afirmo, no entanto que cada Tropa tem um espirito Escoteiro diferente. Afirmo que sem a colaboração da Tropa e principalmente dos monitores muitos programas deixam de ter a importância que deviam ter para adestrar e manter o jovem na Tropa.

              Não tenho o dom natural em dizer que o programa que fiz deu resultados satisfatórios e que ele é melhor do que os outros. Consegui manter uma Tropa com 28 escoteiros e quase todos atingiram dois ou três anos de atividade. Sei que muitas outras tropas conseguiram diferente do que fiz. Discutir em conselho de chefes é o melhor caminho. Abaixo alguns exemplos de que a maioria dos escotistas da tropa hoje em dia faz para montar seus programas:

- Na semana ou no mês, com auxilio de assistentes ou em casa de um deles, prepararam o programa, item por item, costumam fazer programas para um trimestre ou mais. Não sei como eles sabem do sucesso do programa e se isto é feito com os jovens em patrulha ou toda a Tropa. Também não sei como sabem do crescimento dos jovens para cobrar dos monitores o que a patrulha tem feito em cada reunião. Nestes programas alguns são sucintos determinando as funções, jogos, palestras e se elas tem tempo livre para comentarem entre si se estão gostando ou não. Têm também aqueles que fazem o programa em sua casa e mandam via e-mail aos seus assistentes determinado a responsabilidade de cada um.  Outros no dia da reunião quase na hora de ir para o Grupo, ele corre para rabiscar um programa, somente para ter em mãos um lembrete e não esquecer o desenrolar da reunião, pois o contrário ele iria se perder e não seria nada bom;

- Existem muitos que nem programa fazem. Estes acreditam um bom Escotista não precisa de programas. Ele é daqueles que vestem o uniforme na sede, chegam correndo respirando o ar como se tivessem trabalhado duro até esse momento. Aprendeu a improvisar sem ver se está dando certo, se os jovens gostam e se voltam na reunião seguinte. Tem aqueles que preferem deixar a escoteirada se divertir com um “racha” de bola, ou jogos já batidos, mas que fazem sucesso sempre que colocados em ação. Se no sábado seguinte alguns faltam ele muitas sempre se entristece ou então ameaça uma expulsão. Claro são minorias. A grande maioria realiza bons programas dentro do que foi proposto no sistema de patrulhas.

                  Para que possamos saber se o programa vai agradar não podemos esquecer que somos coadjuvantes. Se a tropa vive e aplica o sistema de patrulha não tem erro. Nas reuniões de tropa é importante o tempo livre para que as patrulhas conversem se adestrem e troquem ideias para a reunião seguinte. É importantíssimo deixar a patrulha conversar. Chefe não interrompe enquanto o tempo livre existir. Corrigir se preciso é com o monitor educadamente dando explicações e ouvir quais os itens que gostariam de ter nos programas de tropa. Algumas tropas costumam ter reuniões de patrulha na semana, em casa de um deles ou se possivel na sede. Vejamos como poderia se fazer um bom programa:

- Conselho de Patrulha - Reunião programada pelo monitor, semanalmente, antes ou depois da reunião, onde se discutirá além de outros assuntos, as sugestões de programas para a chefia, visando o adestramento progressivo, jogos e sugerindo outras atividades que porventura podem dar mais conhecimentos a patrulha.

Corte de Honra - Realizada uma vez por mês, sob a supervisão de um dos monitores eleito para presidente (vide informações sobre Corte de Honra a parte) e dentre diversos assuntos apresentados às sugestões dos programas de reuniões sempre faz parte. Cada monitor apresenta seu relatório devidamente anotado pelo escriba da patrulha. Nestes casos o Chefe de posse do relatório da patrulha se reunirá com seus assistentes e acatando a maioria das sugestões irão preparar os programas do mês. Isto deve ser levada a sério. Se verificarem que as suas sugestões não foram posta em práticas muitas vezes ele desistem e não dão mais ideias seja em patrulha ou Corte de honra. Cabe a chefia, tornar possível a realização do programa, ver necessidades de jogos, distribuir horários, e caso aparecer algum item discordante não deixar de comentar com a patrulha que sugeriu.

                  Sei que feito pela primeira gera dúvidas, muitos não saberão o que fazer e falhas vão acontecer. É bom lembrar que eles nunca fizeram e precisam aprender a pescar. Tomemos como exemplo que estes jovens em suas turmas no bairro e sem a supervisão de adultos têm seus próprios programas e nunca reclamam. Ouvir o que eles tem a dizer é primordial. Li não sei onde que a aplicação destes programas mostrou que as tropas que fazem seu próprio programa e em alguns casos atividades ao ar livre sem a supervisão de adultos, mantém em suas fileiras por mais tempo seus membros com pouca evasão e com resultados surpreendentes. Muitos deles costuma voltar já adulto para colaborar com o grupo, claro eles sabem que receberam o melhor do escotismo.

                 Costumo afirmar que o escotismo é para os jovens. Os adultos são meros colaboradores e responsáveis pelo desenvolvimento. Não cabe a eles fazer e nem tomarem a frente de tudo. Conheço tropas que em muitos casos os monitores são partes importantes nos programas não só na sua confecção como atuantes nos jogos e outros. A Patrulha de monitores é a fonte do sucesso.

Em breve a continuação destas sugestões aos meus amigos chefes de Tropa.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!


Lendas Escoteiras.
Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!

               A vista era maravilhosa, debaixo daquele enorme castanheiro em um banco simples de madeira feito por ele mesmo estava sentado Lord Baden-Powell. Gostava de todas as tardes ficar ali, olhando seu planeta azul que se destacava no infinito entre milhares de estrelas brilhantes. Suas lembranças ainda estavam vivas. Morava em uma Colônia que tão singelamente batizaram de “Fraternidade”. Era uso fruto dos Escoteiros que um dia partiram para as estrelas. Lord Baden-Powell fazia questão de receber todos com um sorriso com um aperto de mão um abraço forte dos que chegavam da terra. Sorrindo dizia que armassem a barraca no campo mais verde, nas campinas mais florida onde o jorro de uma nascente ou cascata acontecia, e árvores frutíferas que proliferavam. Absorto em seus pensamentos Lord Baden-Powell não viu chegar seu amigo Kenneth Maclaren. Amigos de longa data desde a Guerra do Transvaal e do primeiro acampamento em Brownsea. Eram grandes amigos e sempre se reuniam ali.

                Recebi seu recado General – Disse Kenneth. Lord Baden-Powell sorriu. Sabia que ele teve muitas propostas de outras colônias no céu, mas recusou todas. Era um amigo de verdade. – Sabe Kenneth, preciso de um favor seu – As suas ordens meu General! – Baden-Powell riu e prosseguiu. Tem vários anos que não vou a terra e não sei como vai o escotismo por lá. Você sabe que breve irei para uma colônia de mais luz e nem sei se posso ajudar os Escoteiros terrenos. Se você tiver condições tire uma semana e faça um périplo na terra observando. Tente ver como está o método o aprender fazendo e se o sistema de patrulha está perfeito. Veja também se eles mantem muitas das tradições que deixamos. – Seu pedido é uma ordem general. Irei nesta semana mesmo. Kenneth se despediu não sem antes deixar lembranças a Lady Olave St. Clari Soames, a esposa de BP. Logo que ele partiu Lord Baden-Powell avistou uma tropa de chefes em curso comandada por seu outro grande amigo Chefe John Thurman. Ele sabia que John um antigo diretor de Gilwell Park era mestre em cursos deste tipo. Mesmo com alguns problemas sua colônia tinha muita gente boa.  

                   Na semana seguinte seu amigo Kenneth o procurou. – Já de volta? Disse BP. Já General. E olhe não trago boas notícias. BP não disse nada. Amigo vamos conversar em nosso ponto de reunião. Você sabe que eu amo sentar embaixo daquele castanheiro. – Eu sei General o senhor fez questão de fazer uma réplica de um que existia em Mafeking. Lembro que o senhor adorava ficar lá sentado pensando sobre a guerra. Pois é, mas me conte. - Para dizer a verdade General não tenho muito para contar. Desde a última vez que estive na terra que o escotismo não é mais o mesmo. Estão fazendo grandes modificações. Existe uma liberdade tal que mais parece uma indisciplina assistida. Países que se dizem modernos abrem mão em varias questões que em sua época não iriam acontecer. Uma liderança mundial chamada de WOSM ou OMME tem aprontado poucas e boas.

                  BP. Já sabia deste pormenor. Não havia como mudar. – B-P balançou a cabeça convidando-o a continuar. Olhe General rodei vários países, mas demorei mais no Brasil. Sei que o senhor nunca esteve lá e fez muito bem. Eu até que gostei de muitos chefes que estão atuando, são voluntários de valor e tentam ao seu modo educar a mocidade. Pena que lutam só. As autoridades brasileiras desconhecem o movimento. Dizem que eles só sabem vender biscoitos e ajudam a atravessar idosos nos sinais de trânsito. Muitas cidades aproveitam deles para plantar árvores, limpar praças, ajudar nas calamidades e carregar viveres para os necessitados. Eu sei que a ajuda ao próximo é bem vinda. Mas acampamentos? Técnicas Escoteiras? Quase nada. Eles dão enorme valor aos encontros nacionais e internacionais.

              – Me diga falou BP sabe se o escoteirinho de Brejo Seco conseguiu ir em um Jamboree? Nem pensar General. A taxa que cobram é só para ricos. Me contaram-me que os lideres gostam de cobrar. Afinal eles tem agora uma organização que dizem ser perfeita. Adoram taxar tudo que fazem e até cobram também do que os outros fazem. Tem uma loja que só eles podem vender seus produtos e os preços são acessíveis. Os mais pobres e humildes não tem vez. A palavra de ordem é: - Escotismo é para ricos! - BP pensou: - Coitado do escoteirinho de Brejo Seco. – Olhe General, a direção escoteira brasileira se apropriou de muitos termos e programas que o senhor fez. Registrou tudo como se fossem os donos. Surgiram outras associações e são tratadas a ferro e fogo. Todas levadas às raias dos tribunais de justiça. Esqueceram do sexto artigo e estão esquecendo da fraternidade. Do nosso uniforme que usamos lá na terra muito foi alterado.

                 Fazem questão de praticar um escotismo moderno, estão tentando apagar o passado, as tradições e só se preocupam com o presente. Os novos a gente sabe, passa a ser um hábito de comportamento e formação. Criaram novo uniforme e quer saber general? São mais de dezoito tipos a escolher. Disseram que um antigo poderia ser usado mas não vendem as peças em sua loja. Quer saber general? É comum colocar o lenço amarrado nas pontas e se dizer Escoteiro. Tem muita coisa general. Muita mesmo. Eles agem sem consultar ninguém. Não há transparência do que fazem. Pesquisas? Nunca existiram. Felizmente boa parte dos chefes são pais novos e desconhecem as tradições.

                  Lord Baden-Powell olhou para o seu planeta azul. Rezou muito. Pediu ao senhor que suas idéias não fossem desvirtuadas, que o amor e a fraternidade através do escotismo seja em forma de uma grande fraternidade mundial. Lady Olave chegava com John Thurman. Este sorriu e disse – Eu já sabia General. Em 1954 antes de vir para cá, deixei para eles uma mensagem onde escrevi com todos os meus conhecimentos adquiridos. O chamei de os Sete Perigos. Disse tudo que poderia acontecer. Falei sobre administração, sobre centralização, Seriedade demasiada, falei sobre exclusividade transparência e austeridade. Disse o que o senhor pensava sobre o escotismo entre os pobres. Falei da sua simplicidade e do prazer do rapazes que faziam um escotismo simples. E terminei dizendo que os únicos capazes de por o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Finalizei dizendo que se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.


                 Lord Baden-Powell perguntou ao seu amigo Kenneth: Sabe me dizer se o Vado Escoteiro já chegou? – Não General, ele ainda vai ficar na terra por mais alguns anos. Ele anda meio “pitimbado” mas escreve sobre escotismo e muitos não gostam do que diz. Os chefões e dirigentes nem dão bola ao que ele comenta. BP não disse mais nada. Era hora do grande cerimonial de Bandeira que todas as tardes acontecia em sua colônia. Pelo menos ali a disciplina, a fraternidade e o respeito era comemorado em todos os dias da semana. – Parou cumprimentou a todos na enorme ferradura e ao comando de arriar a bandeira fez sua saudação Escoteira com orgulho.  Ele sabia que nunca deu procuração a ninguém para falar em seu nome. Afinal o escotismo não tinha dono, ele era dos que quisessem seguir sua cartilha. Olhou de novo o planeta azul ajoelhou e pediu ao Senhor que fizesse da Terra um mundo feliz para todos os Escoteiros! 

sábado, 29 de outubro de 2016

Hoje tem reunião, alegria de montão.


Hoje tem reunião, alegria de montão.

Hoje tem reunião e tem piadas Escoteiras para você contar e rir com seus amigos:

Primeira: Chefe Laércio foi visitar a família do Lobinho Nonato. Ficou impressionado em vê-lo tão sossegado e quieto. Diferente quando na Alcatéia e na matilha. – Nonato, ele perguntou: - Você em casa é sempre assim? – Claro que não Chefe, é que a mamãe me da dez pratas toda vez que eu ficar quieto quando recebemos visitas e lá na sede vocês não me dão nada!

Segunda: De manhã, a mãe foi bater na porta do quarto do filho: - Filho acorda! – Ele respondeu ainda deitado na cama. - Hoje não vou à reunião dos escoteiros! E não vou por três motivos: estou morto de sono, detesto aquele Grupo e não aguento mais os chefes! E para encerrar mãe, nem uma medalha ainda me deram! - Mas você tem que ir, filho! E por três motivos: você tem um dever a cumprir, já tem 45 anos e é o Diretor Técnico!

Terceira: Alguns minutos depois da Akelá Marilda gritar lobo, lobo, lobo ela tropeça e leva o maior tombo. Afobada levanta-se rapidamente, ajeita a saia que foi até a cabeça e com um sorriso sem graça brinca: - Lobos, vocês viram a minha ligeireza? Paulinho um Lobinho gozador brinca: vimos sim Akelá. Só que a gente conhecia por outro nome!

Quarta: Lourenço um lobinho sapeca chega correndo em casa e diz pra sua mãe: — Mãe, eu joguei uma bomba na mesa do Diretor Técnico do Grupo. - A mãe gritou com ele... — Você está louco? Volta e pede desculpa para o seu Diretor Técnico.  — Mas mãe, que Diretor Técnico? Ele sumiu!


E chega por hoje, vamos lobear, vamos escoteirar, será que se pode dizer seniorar e Pioneirar? Sei lá, mas a todos desejo uma feliz e uma supimpa reunião! 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Anotações de Lord Baden-Powell.


Anotações de Lord Baden-Powell.

A EDUCAÇÃO.
Uma das mais importantes possibilidades que se encontram diante de nós é a Educação. Temos, por outros caminhos, chegado às mesmas conclusões que chegaram autoridades educacionais com suas experiências. Resumidamente, o segredo da educação eficiente é QUE CADA ALUNO APRENDA POR ELE MESMO, EM VEZ DE UM INSTRUTOR CONDUZINDO-O AO CONHECIMENTO ATRAVÉS DE UM SISTEMA ESTEREOTIPADO.

O método consiste em levar o jovem a perseguir o OBJETIVO de seu treinamento, e não entediá-lo com os passos preliminares de início. As autoridades educacionais já nos reconhecem como cooperadores na mesma esfera de ação, o objetivo de ambos é produzir cidadãos saudáveis e prósperos. Elas se ocupam do desenvolvimento intelectual, nós caminhamos um pouco mais para o desenvolvimento do “caráter” que, afinal de contas, é o atributo mais importante para prevenir as doenças sociais da inatividade e do egoísmo, e dá melhores oportunidades de uma carreira de sucesso em qualquer direção da vida.

Estamos desenvolvendo esforços para ajudar as autoridades educacionais em todos os aspectos que podemos. Elas estão trabalhando inteiramente de acordo conosco em vários centros importantes.

JOGO
O jogo é o primeiro grande educador - isto é tão verdade para os animais como para os homens. Ensinamos aos Lobinhos, nos jogos, pequenas coisas que os tornarão capazes, a seu tempo, de fazer outras maiores a sério. Para o rapaz, o jogo é a coisa mais importante da vida. Um dos objetivos do Escotismo é proporcionar jogos e atividades de patrulha que possam favorecer a saúde e a robustez do rapaz e ajudem a desenvolver o seu caráter.

O futebol, o basebol, o basquetebol, as gincanas, a natação e os jogos escoteiros são, a meu ver, a melhor forma de educação física, porque a maioria deles contribui também para a educação moral, e a maior parte deles nada custa nem exige campos bem tratados, aparelhagem, etc.

É importante organizar, tanto quanto possível, os jogos e competições de tal modo que todos os Escoteiros participem, visto que não pretendemos ter apenas um ou dois jogadores brilhantes entre uma massa de inaptos. Todos devem exercitar-se e todos devem ser razoáveis jogadores.

Baden-Powell Janeiro de 1912.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A Faca do Escoteiro.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
A Faca do Escoteiro.

                  Outro dia alguns amigos comentaram sobre o uso da faca escoteira. Não sei se existe ainda a prova exigida para seu uso. Antigamente se usava do lado direito preso ao cinto. Eu usei muito. Orgulhava da minha, uma brasileirinha da mundial. Era um orgulho em estar com uma e me sentia bem, pois achava que completava a indumentária. Na Tropa ninguém usava sem ser segunda classe e ter passado nas provas exigidas. Sabíamos que era para uso em atividades mateiras, cortes simples de cordas, quem sabe descascar uma laranja, mas neste caso melhor o canivete Escoteiro.

                   Quando fui Chefe de Tropa e  depois Chefe Sênior era exigente quanto a isso. Sempre fui a favor do uso desde que o jovem esteja preparado se esforçou para ter este direito. Porque não usar? Existe por parte de muitos a ilusão de que é uma arma. Pode influenciar no futuro. O público não vê com bons olhos. Será? Durante anos e anos eu usei, autorizei jovens a usarem nos acampamentos, ah! Nos acampamentos. Eles andavam aqui e ali soberbos com suas facas mateiras. E olhem, nunca soube de nenhum deles até hoje, já homens feitos com a ilusão de andar armado. E o público? Muitos deste “público” me perguntam onde andam os escoteiros e sua faquinha?

                É gostoso no campo portar uma faca. Dá-nos uma sensação de segurança. Eu tinha uma mundial simples. Já vi relatos de cada uma de tirar o sono. Dizem que são lindas. Nunca vi principalmente as importadas, mas quem era eu para ter uma delas? A minha eu tratava-a com carinho. A capa de couro, ou melhor, a bainha sempre engraxada, por dentro talco de bebê para proteger a lamina e não deixar enferrujar. Usou? Primeiro limpar antes de colocar na capa. Sabíamos que faca não é para cortar madeira quiçá poderiam servir para cortar uns gravetos para o fogo. Saber entregar e carregar assim como o machado simples ou do lenhador, ou mesmo o facão mateiro era uma arte. E cerimonia de entregar a ferramenta a outro Escoteiro era um espetáculo a parte para ser visto. Saber afiar era outra. Quando jovem tivemos um campeonato de lançamento de facas. Tínhamos facas especiais para isto. As nossas não. Não foram feitas para impacto.

              Disseram-me que para fabricar uma boa faca consiste em modelar a lâmina, através do processo de forja ou de desbaste, aplicar um tratamento químico conhecido como têmpera que confere a dureza ao fio da lâmina. Costumava proteger o cabo com um protetor plástico que esticava quando colocado e depois se firmava. Lembro-me do meu Chefe e eu mesmo dizendo aos escoteiros e seniores sobre a faca. Explicava sobre a lâmina, sobre o cabo ou empunhadura, a ponta ou ponteira, o fio ou gume, o desbaste, onde era o dorso, o ricasso, a guarda, o pomo e o cordão. Para ser sincero eu mesmo não dava muita importância às estas nomenclaturas. Para mim o mais importante sempre foi o saber conservar, limpar, usar e manusear. Feito isto que os escoteiros usassem suas facas. Acho e poderia dizer com certeza que sempre foi e pode ser uma forma de motivar os jovens na senda Escoteira. E tenho certeza qualquer um sonham em poder ter uma faca e coloca-la na cintura.

                  Até mesmo nas reuniões de sede, nas atividades ao ar livre e principalmente nos acampamentos aprovo o uso desde é claro que o portador esteja bem ciente e preparado. Se ele é um bom Escoteiro, se foi adestrado suficientemente tenho certeza que ele sentirá orgulho no uso da faca. Irá olhar para os outros e dizer – Façam como eu. E um dia também usarão a sua. Mas olhe, respeito os chefes que são contra. Não vou dizer a eles que nunca usaram e, portanto não sabem a importância de uma faca presa no cinto do lado direito de um Escoteiro ou Escoteira, bem uniformizado (a). A faca e o cabo de dois a cinco metros não pode faltar no uniforme. Bem enrolado a moda Escoteira. O que? Isto é passado? Amado passado! Porque não voltas novamente? – Ainda lembro na sede ou no campo das inspeções rotineiras – Escoteiro? Sim Chefe! – Me mostre sua faca! – Eu a pegava pelo cabo, entregava conforme padrões de segurança e deixava o Chefe ver o talco protetor, pegava com carinho no dorso e dava para ele o cabo. Ensinou-me assim. Segurança! E ali ficava a sorrir de orgulho!


                  Minha faca Escoteira está guardada até hoje. Não a uso mais a não ser se for a um acampamento ou uma excursão. Acampamento eu? Claro meu amigo, em sonhos! Mas gostaria de ver os escoteiros e as escoteiras como outrora. Respeitosos! Disciplinados! Vigilantes! Sempre Alertas! Boas ações feitas! Sorriso no rosto! Uniforme impecável! Treinados e prontos a demonstrarem suas aptidões e suas faquinhas do lado. Sei que existem muitos por aí neste mundo de Deus que ainda usam. Mas as facas, humm! As facas estão sumindo. E atrás delas muitos jovens cujos sonhos de serem heróis se perderam na modernidade. Minha faca Escoteira. Hoje não sei se é um acessório proibido. Ontem liberado. Hoje? Nem pensar. Precaução? Bem cada um sabe onde o calo aperta, mas se pudesse ser um Chefe Escoteiro elas voltariam. Sem sombra de dúvida! Meus amigos e amigas, que saudade da faca Escoteira!

domingo, 23 de outubro de 2016

Nó górdio.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.

Nó górdio.

            Sempre fui um apaixonado de técnicas escoteiras. Nada eu deixava passar sem aprender. Lembro que treinei tanto Morse em uma cigarra que um
Chefe de Estação conhecido do meu pai disse que eu quando crescesse seria um ótimo telegrafista. Não fui graças a deus. Risos. O Morse foi meu caminho por anos. A patrulha tinha nos dedos a maneira correta de conversar por Morse. Um segredo que ninguem nunca contou. Não deu muito certo o Morse por sinais de fumaça. Demorava demais. Semaforas eu gostava também, mas nem tanto como o Morse. Dificilmente saimos para acampar sem um bom par de bandeirolas de semaforas e uma boa lanterna. Naquela época as lanternas não duravam como hoje. Era comum quando acampavamos em patrulha cada uma tinha em seu campo um portico para transmitir o Morse e a semáforas em cima dele. Era obrigatório sempre ter dois membros nas transmissões. Um para transmitir e outro para orientar o transmissor.

           Mas um dia a patrulha ficou “encucada” quando soube que existia um nó que ninguem nunca desatou. Chamava-se Nó Górdio. Qualquer um da patrulha fazia tranquilamente com os olhos fechados ou com as mãos as costas pelo menos dezoito nós escoteiros e mais quinze de marinheiros. Nonõ da Patrulha Morcego tinha um irmão marinheiro. Era ele visitar a familia e lá estavam todos da patrulha encostados nele para aprender nós que ainda não sabiamos. Foi ele quem contou sobre o tal nó Górdio. Era uma lenda que envolveu o Rei da Frigia e Alexandre, o Grande. Ficou famoso como metáfora de um problema insolúvel (desatando um nó impossível). Bem a historia é longa e não vou contar todos os detalhes, mas só para saber tudo começou com o aviso de um Oráculo que um sucessor do rei da Frigia iria chegar. Chamava-se Górdio. O moço chegou e foi coroado Rei. Chegou em uma carroça, pois era pessoa humilde e amarrou a carroça em uma coluna com um nó que ninguem conseguiria desfazer.

       Dizem que Górdio reinou por muito tempo e deixou como herdeiro seu filho Midas que expandiu o império, mas ao falecer não deixou herdeiros. O Oráculo ouvido novamente declarou que quem desatasse o nó seria o rei. Quinhentos anos se passaram e ninguem conseguiu. Muitos anos depois Alexandre o Grande ouviu esta lenda ao passar pela Frígia. Foi até o templo de Zeus e viu o nó Górdio. Não conseguiu desfazê-lo. Pegou a espada e cortou o nó. Lenda ou não o fato é que Alexandre se tornou o Rei de toda a Ásia Menor. O marinheiro riu depois de contar e completou – E daí também que deriva a expressão “cortar o nó górdio” o que significa resolver um problema complexo de maneira eficaz. Achamos a história interessante, mas e como fazer o tal nó? O marinheiro não sabia. Muitos anos depois me mostraram a foto do nó. É este perguntei? Quem me mostrou riu e disse não ter certeza.

        Sei não, mas nunca fui tão severo como São Tomé que dizem dizia só vendo para crer. Mas uma coisa eu tenho certeza naquela época se aceitava todo tipo de desafio. Muitos demoraram anos para desvendar, mas outros as patrulhas buscavam “céus e terras” e nunca desistiam. Nós e amarras, costuras de arremate, armadilhas de todos os tipos, conseguir tirar uma pena de um gavião vivo, transportar por corda um doente na maca por cima de um riacho, transmitir Morse e Semaforas deitado, de costas, e até pendurado por uma corda de cabeça para baixo eram desafios normais. Mas quer saber? Até hoje não desvendei como fazer e desmanchar o manhoso Nó Górdio das longiquas terras da Frigia.