Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 3 de junho de 2017

Apenas um sábado para meditar.


Apenas um sábado para meditar.

Tem dia que fico a pensar se ainda estou praticando uma boa ação fazendo escotismo conforme aprendi por muitos anos. “Até mesmo procuro ver se a palavra ‘Servir” está sendo usada sem cerimonias ou cobranças. Costumo dizer que acredito no escotismo que pratiquei na minha jornada de vida. Muitas vezes me acho arrogante e dono da verdade. Preciso mudar? Será que não tenho este direito vez ou outra? Onde está a verdade da prática na filosofia escoteira? Seria a minha ou a do outro que tem opinião adversa? Cobrar resultados somente seria uma forma de garantir que tenho razão?

Olho dentro dos meus olhos e vejo centenas de corações escoteiros pulsando e acreditando. Fecham-se em si mesmo e em seus sonhos de verem seus jovens chegarem à vida adulta aceitos na sociedade como alguém em que acreditar. Não importam com os mandantes que estão no Olimpo e cá em baixo em terra firme fazem o melhor que sabem fazer. Isto não é o certo? Porque criticar então os cabeças da organização? Se muitos pensam diferente e se foram, se outros tantos estão chegando e aceitando e se daqui a algum tempo desacreditarem no que achavam ser o melhor para a nação e entrarem na fila dos iludidos, eles estarão errados?

Errado quem sabe sou eu a pensar que sou o profeta, o iluminado, o vidente que sabe qual trilha seguir. Nós já ouvimos centenas de vezes que o “tempo coloca tudo no seu devido lugar”. Será isto mesmo? Meu tempo finda e na minha concepção de dono da verdade não vejo um final feliz mesmo que a pratica de muitos sejam um mar de felicidade. Esperar que tudo seja dentro dos parâmetros imaginados seria uma forma de esconder que possamos estar errados. Muitas vezes achamos que estamos sendo vitimas de uma injustiça. Recorremos à ideia que o destino será o nosso justiceiro provando que a trilha se perdeu dentro da floresta de Mowgly.


Penitencio-me. Meu passado só a mim pertence. Digo sem pensar que este escotismo de hoje não é o meu. Mas isto importa? Acreditem ou não importa para muitos que sonham em ver coisas maravilhosas em seu país. Acredito que o importante é levar a todos um mundo real, onde a luta é constante e faz parte do que fazemos seja ou não uma boa ação dentro do tempo medido em que praticamos o escotismo. Alguém plagiou uma frase dizendo: - Meu jovem amigo, faça escotismo puro e gostoso, por favor, não faça a guerra!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Sobre Monitores, especialidades programas e lobos.


Sobre Monitores, especialidades programas e lobos.
Por Chefe Walter Dohme.

Nota: O Chefe Walter Dohme já falecido, foi um marco no escotismo brasileiro, atuando na linha de frente em todas ás áreas onde foi convidado ou mesmo conforme programas que desenvolveu. DCIM teve em seu curriculum centenas de cursos. Fez milhares de amigos no escotismo e tinha um sorriso inigualável. Possuidor de muitas habilidades era escritor, ilustrador ecologista e um educador sem igual. Deixou uma lacuna enorme quando partiu. Insubstituível nunca foi esquecido e sempre lembrado. Passou-me este seu artigo que já publiquei e hoje dando uma busca no meu passado o encontre e resolvi publicar de novo.

Escoteiros. (Por Valter Dohme).

– O que os cursos de formação se prendem mais? Sistema de Patrulhas? Burocracias? Como é feito a palestra de Lei e Promessa? Outro dia me disseram que hoje as eleições para Monitores são feitas dentro de critérios. Que critérios são estes? Como é feito o desenvolvimento do programa para que o jovem atinja o Liz de Ouro?  E as especialidades? Elas são divididas por etapas ou logo após ter a promessa o jovem já pode receber dentro dos critérios exigidos?

Os cursos estão focando mais em Sistema de Patrulhas e Ciclo de Programa como ferramentas para desenvolver e provocar conhecimentos, habilidades e atitudes. O conceito é de que o conhecimento é passado, a habilidade deriva do conhecimento aplicado e a atitude surge daquele que realmente domina a habilidade e a emprega com naturalidade em sua vida (não daquele que aprendeu apenas para prestar uma prova). O objetivo do M.E. Hoje é alcançar em cada um e em todos a ATITUDE.

A Liz de Ouro, Escoteiro da Pátria e o Cruzeiro do Sul são basicamente para aqueles jovens mais ativos no movimento, que cumpriram todo o espectro de atividades que o seu ramo pode propiciar, & que buscaram várias especialidades de interesse pessoal e de serviço ao próximo (mostrando atitude, percebe?).

Os Primos e Segundos primos nos Lobinhos são indicados por critérios dos escotistas (creio...). Os Monitores são eleitos em Conselho de Patrulha ao término de cada Ciclo de Programa e nomeados pela Chefia. Monitores não devem ser reconduzidos por mais de dois ciclos (+/- um ano). Os Submonitores são indicados pelos Monitores e nomeados pela Chefia. Não conheço outros critérios para a seleção de monitores além do simples bom senso (e consenso...).

Especialidades são divididas em determinados conhecimentos (sempre um múltiplo de três) de tal forma que qualquer membro juvenil de Lobinho à Sênior possa realizar 1/3, 2/3 ou 3/3 das habilidades e portar um distintivo correspondente ao seu grau de habilidades naquele assunto.

Pioneiros não tiram especialidades, que eu saiba...


Simplesmente perfeito!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Mitos, lendas verdades e inverdades do Uniforme Escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
Mitos, lendas verdades e inverdades do Uniforme Escoteiro.

                        Convenhamos que eu não seja um estudioso das tradições do uniforme Escoteiro brasileiro. Sei apenas o que vi e vivi com ele desde que iniciei em 1947. Não vou dar testemunho como foi em todo Brasil, pois não tive informações e nem aprofundei estudos a respeito. Este é um artigo que não pretende de maneira nenhuma provocar uma discussão. Sei que nosso uniforme ainda levanta duvidas e muitos novos simplesmente já encontraram como se trajar e pouco conhecem o passado. Sempre comento sem ter a pretensão de ser profundo conhecedor, que quase todos os uniformes, trajes, farda e vestimenta nunca tiveram o aval ou mesmo a sugestão dos escoteiros brasileiros, pois sempre foram decididos pela liderança composta de poucos membros. Devo tirar o chapéu para os escoteiros do Mar e do Ar que sempre mantiveram suas tradições e são impecáveis na sua uniformidade.

                        Em meados de 1959 em um bate papo gostoso em volta de um foguito no Bosque do Jardim Zoológico em Belo Horizonte, o Chefe Doutor Francisco Floriano de Paula contou para nós lá pelos idos de 1959 que no inicio do movimento escoteiro no Brasil usávamos o mesmo uniforme usado na Inglaterra. Era uma espécie de cor cinza e com meiões pretos. Com o passar de tempo e com a União dos Estados em uma só associação, em Minas Gerais surgiu à calça azul curta, camisa caqui e muitos usavam uma espécie de casquete até que o Chapéu se tornou um marco escoteiro. Entre a década de 40 e 50 o caqui começou a se tornar tradição. Quando o Governo Mineiro deu seu aval ao escotismo para sua expansão se fez realizar cursos escoteiros na Policia Militar Mineira. Em várias cidades surgiram os primeiros grupos e nem sempre com o uniforme tradicional ficando a cargo dos dirigentes militares decidirem.

                      Se no sul e no norte do país não foi assim fica o dito pelo não dito. Nem vou lembrar o saudoso caqui esverdeado implantado na Região de São Paulo em tempos idos. Quando entrei para o movimento em 1947 os lobos usavam o azulão. Os Escoteiros o caqui curto, chapéu de abas largas e nunca se via adultos trajando calça comprida. Era como se diz uma tradição iniciada na Inglaterra de B.P. O caqui, era considerado o uniforme oficial dos Escoteiros da modalidade básica no Brasil. Na década de sessenta muitos chefes e seniores discutiam abertamente um novo uniforme com opção da calça comprida. Diziam que o caqui não era bem aceito nas atividades sociais e os mais novos não se sentiam bem com a calça curta. Foi uma época que a apresentação não só dos jovens, mas de toda a liderança escoteira estarem sempre conforme a tradição do momento. Caqui e calça curta com o chapelão. Lembro com saudades quando o Trio Iraquitan surgiu com seu LP com músicas escoteiras portando em sua foto o caqui curto e o chapéu.

                       Entretanto a pressão era enorme para que fosse discutido uma nova uniformização. Assim em 1975/76 formalizou-se o Uniforme Social depois chamado de traje Azul mescla. De novo poucos decidiram esta nova escolha. A UEB enviou a todos os Grupos Escoteiros um ofício via correio explicando como ele seria confeccionado, quais as ocasiões para o uso e juntou-se um desenho e pasmem-se: - um pedaço do pano tanto da camisa como da calça comprida. Havia a preocupação do visual idêntico em todo Brasil. Para maior formalidade foi dado à possibilidade do uso do paletó e gravata.  No POR se sacramentou as normas e uso. Todos ficaram sabendo que o dirigente de qualquer atividade determinaria qual uniforme deveria ser utilizado. O Social ou o caqui. Interessante que em alguns cursos aconsenlhavam-se a levar os dois para que pudessem assimilar o uso e a apresentação. Era uma época onde o garbo era questão de honra. Isto mesmo. Fazíamos questão de estar bem uniformizados.

             Alguns anos mais tarde o Social já chamado de Traje passou a ser usado em muitos estados brasileiros desta vez com apresentações não condizentes pois o social de tecido de tergal passou ao Jeans simples, com calças de cores diversas. Isto desvirtuou por completo a ideia do Social para uso em atividades sociais. Em 1984/85 foi formalizado a Coeducação no Brasil e um novo uniforme foi determinado para as jovens. Isto durou até a década de noventa onde a maioria por autorização da UEB passou a se vestir com o caqui desde que decidido pelo Grupo Escoteiro. Durante anos a banalização foi completa. Sempre mudando alterando muitas vezes sob pressão e outras por decisão de um líder nacional. Até mesmo o chapéu que antes era encontrado nas lojas escoteiras foi descartado. Alguns disseram que a Prada maior fabricante não se interessou mais. A procura de outra não ouve e o chapéu foi substituído pelo Boné. Cada Grupo Escolhia o seu.

               Hoje a cobertura passou a ser uma escolha do grupo e muitas vezes pessoal mesmo que o POR tenha determinação para isto. A loja escoteira vende com o afã de faturar diversos tipos de cobertura e uma feita de brim ou similar copiada de outros países é usada por muitos seniores e chefes. É comum ver o dirigente com este tipo de cobertura e seus jovens sem nenhum. A banalização chegou a tal ponto que muitos consideram o lenço como uma maneira de se dizer escoteiro. Daí ao seu uso em muitas atividades sem o uniforme e até mesmo em reuniões se tornou um lugar comum. Nas atividades nacionais e regionais, via-se o lenço usado em atividades onde os jovens se apresentavam de short ou em trajes sumários. Sempre podemos afirmar que a culpa desta Torre de Babel foram dos dirigentes da UEB.

              A vestimenta foi implantada em nome de uma nova postura, uma nova maneira de garbo. Diziam que a intenção era de unificar o uniforme para todos os membros associados da UEB. Claro que os do Mar e do Ar não aceitaram e mantém suas tradições. Em vez de ter algum em que se basear como Marketing a vestimenta teve o privilégio de ter várias composições na sua forma e a escolha foi deixada para que os grupos escoteiros decidissem. O que nunca vimos em uma organização ou associação seja civil ou militar que preza sua apresentação foi autorizada no escotismo. O uso deixou a desejar como Marketing e pode-se ver que algumas tropas e alcateias destoam na apresentação onde cada membro usa como quer. Isto sem esquecer é claro a apresentação do seu líder que se apresenta de maneira inconveniente para servir de exemplo. Nota – Nem todos claro.


             Finalmente vemos que o Caqui e a Vestimenta estão lado a lado representando o escotismo básico brasileiro. Não discuto a validade da vestimenta desde que mostre realmente que somos um movimento onde o exemplo da apresentação do garbo da formação moral é levado a sério. Certo ou errado ainda teremos que esperar muito uma conjunção de fatores onde a escolha de uma vestimenta ou uniforme seja discutida e aprovada por todos associados. Decisões unilaterais, visando quem sabe o lucro nunca terá um final feliz. Posso estar enganado mas quem viver verá!

Não tenho a pretensão de fazer um histórico completo do uniforme escoteiro no Brasil. Não sou um estudioso no tema. O que escrevi faz parte da minha vivencia e de alguns fatos que fui testemunha ocular. Sempre defendi o caqui como o símbolo escoteiro em nosso Pais. A implantação da vestimenta benéfica ou não vai ter outro centenário para dizer se valeu a pena. Isto se outro dirigente não resolver mudar... De acordo com suas escolhas pessoais!

sábado, 27 de maio de 2017

De Volta para o Futuro II. (Back to the Future Part II) Uma divertida sátira Escoteira plagiando o filme.


Conversa ao pé do fogo.
De Volta para o Futuro II.
(Back to the Future Part II)
Uma divertida sátira Escoteira plagiando o filme.

Algum tempo atrás resolvi escrever esta história. Eram tantos a falar do escotismo moderno que pensei com meus botões: – Porque não me adiantar a eles e ver o escotismo daqui a duzentos anos? – Bem vindo ao escotismo moderno. O escotismo do futuro! Espero que gostem e amem o que os de hoje planejam para nós!

                             - Não teve jeito. Não queria conhecer o futuro, mas ao sentar na poltrona do DeLorean do Doutor Emmett Brown me deixei seduzir como se fosse Marty MacFly investigando sua vida futura. No meu caso não era a minha vida. Já tinha voltado ao passado em “De Volta para o Futuro I” em 1954. Mostrei para alguns como era o escotismo naquele tempo. Os modernistas de hoje não gostaram. Porque não ver o escotismo deles no futuro? Afinal os tais Uebeanos defendem tanto o moderno que deveria ver o que fizeram. Fui direto ao ano estelar de 2217. Duzentos anos depois. Meus caros, que susto! Fui parar logo em uma reunião de Corte de Honra! Sabem onde estava sendo realizada? Na casa do Chefe da tropa Mac Beth. Ele de roupão pressurizado e chinelo voador (quando andava plainava no ar), tomava um uísque contrabandeado do planeta Uebaibe e através de um sistema holográfico lia o noticioso esportivo de um jornal de outro planeta de nome Bidypower.

                           Através do seu superpotente Smartphone tinha na sua frente uma enorme tela panorâmica que com um simples gesto colocava do tamanho que quisesse e onde apareciam os Monitores e subs. Claro cada um em suas casas. Eles pediram para evitar a holografia, achavam que não se sentiam bem assim. Como só colocavam o lenço e se diziam uniformizados, muitos ficavam pelados no quarto. Eles discutiam o porquê as patrulhas estavam diminuindo a cada ano (Ora, ora, a evasão não tinha desaparecido?). - Chefe disse um Monitor, a Zeta Leonis está com dois somente. Eu e mais um. Outro logo emendou – Chefe a Epsilon Tauri tinha quatro e agora três.  E assim foi a Kapa Can a Alpha Den Capricomi. Todos reclamando que quase nenhum jovem queria participar mais das patrulhas. – Olha Chefe, falou o Monitor da Epsilon Tauri, o Senhor sabe desde que as meninas se sublevaram para ter suas próprias patrulhas (meu Deus! Que bom! – palmas para elas) os meninos estão desistindo.

                       Uma pequena pausa para um CanDen a bebida da época e o Monitor continuou: - Quando elas participavam eles adoravam e o senhor sabe, podiam namorar vontade. O Senhor é testemunha, pois fez cursos institucionais através da técnica do pensamento e sabe que fora do escotismo a Lei é severa com quem fosse encontrado beijando. Já nos acampamentos tudo isto era normal, pois nós praticávamos o escotismo como em 2017. Agora estão com aquela conversa que acampamentos holográficos perderam a motivação. O Senhor sabe que o acampamento na Galáxia de Andrômeda e o da Grande Nuvem de Magalhães foi um fracasso. Eles querem acampamentos reais. Nada de holografias.

                       O Monitor da Épsilon Tauri comentou como foi boa a excursão feita pela nave Pioneer 2012 agora reformada na sede Nacional em Puritiba, até a magnetosfera de Galileu Gallilei. O ruim disseram foram os jogos de vídeo game espaciais na nave intergaláctica. Eu via aquilo embasbacado. Este era o futuro do escotismo? Um som de um apito em terceira dimensão se fez ouvir. Era o Diretor Técnico entrando na conversa. – Meus jovens a partir do mês que vem a sede Escoteira vai mudar. Compramos em Xangai um novo Site feito pelos chineses e montamos no espaço sideral um pequeno planeta que seria só do Grupo Escoteiro. Por decisão da diretoria o nome será “Projeto Avatar do escotismo espacial”. Seremos os primeiros a ter uma sede no espaço. Todos os sábados iremos abrir o sistema de Teletransporte do Computador CAN/DEN-88782343. Passagens podem ser adquiridas no ultrapassado SIGUE. Aceitam-se cartões e até mesmo bitcoin. Continuaremos com a sede aqui na terra e teremos atividades sempre por meio de holografias.

                      Ninguém disse nada. Lembraram quando eles puderam escolher livremente. Mais de duzentas patrulhas escolheram o Pico da Neblina no mesmo dia. A empresa Faxtorum quase explodiu. O Diretor Técnico completou: - Os pedidos para acampamentos sem holografia devem ser feitos no modelo Super Espaço ao Distrital Capitão Pikard. Ou ao seu Assistente o Chefe Doutor Spock. Se for difícil encontrá-los procurem o Capitão James T. Kirk que assumiu como Comissário Espacial internacional Escoteiro. O cara é bom e viaja para todo lado. No próximo sábado continuou o Diretor Técnico, irei participar de uma Reunião da OCBGDEF (os catorze bons gerais do escotismo do futuro) que agora estão liderando o movimento da UBEB (União Brasileira dos Escoteiros Brasileiros). Não tem mais outras organizações. Montaram um exército próprio de androides que usam a nova vestimenta só para “caçar” os tais escoteiros tradicionais.

                     Vocês sabem que eles estão na clandestinidade. Vários Robôs escoteiros estão à procura deles. Irão ser deportados para Hidra, uma Lua de Plutão situada no Cinturão de Kuiper. Jogaram lá uma bomba Genesis e a lua virou planeta. Só tem florestas. Os tradicionais adoram árvores e riachos de águas límpidas e céu estrelado. Dizem que são bons em pioneirias. Isto mostra como são atrasados. Estava estarrecido. Sai dali correndo. Pedi ao Doutor Emmett Brown que me levasse em seu DeLorean de volta ao passado. Então seria assim no futuro? Voltei pensando em Baden Powell. Esqueceram-se dele? Bem seu espírito deve estar vagando no Transvall junto aos seus oficiais de Mafeking. Ou eles acabam com a UBEB ou a UBEB acaba com eles! A era dos estafetas de Mafeking não existe mais.


                  Agradeci ao Doutor Brown pela carona. Pensei até em pedir a ele que me levasse ao passado como ele foi com o jovem Marty MacFly em 1954 e ao Velho Oeste. Mas fazer o que lá? Bem se fosse em 1954 seria “mais maiô de bão”, pois iria me encontrar lá. Eu adorava esta época que os Modernos não gostam. Mas em 1870 ainda não tinha escotismo. Eu não queria nunca me encontrar a mercê do famigerado bandido Biff Tannen e sua quadrilha. Ainda bem que não eram escoteiros. Melhor ficar por aqui. Que façam bom proveito do escotismo do futuro. Não estarei lá mesmo para ver e criticar. Risos. Que a UBEB seja muito feliz!

Você já pensou um dia fazer um passeio no futuro para ver o escotismo moderno? Como será daqui a duzentos anos? Afinal não dizem que temos de nos atualizar sempre? Pois é, fico pensando se os tais modernos da Corte Escoteira ainda irão existir com seus pragmáticos modelos que nunca dão certo. Bah! Não estarei lá para ver. Ainda prefiro o antigo ao moderno. Foi lá que fui feliz escoteirando!           

terça-feira, 23 de maio de 2017

O Pernilongo, a Muriçoca, o carrapato e outros bichos.


Conversa ao pé do fogo.
O Pernilongo, a Muriçoca, o carrapato e outros bichos.      .

           Isto é coisa do demônio, dizia a Chefe Mercedes. Chefe “gente boa” a Chefe Mercedes. Entrou com idade avançada e logo conseguiu sua Insígnia de Madeira. No entanto ela detestava estes insetos que ela chamava coisas do Demônio. No primeiro acampamento os pernilongos se deliciaram. Em outro uma “tropa de carrapatos fez dela seu ninho”! Risos. Eu dizia a ela que pernilongos muriçocas e maruins parecem ser da mesma família, mas não são. Risos. São escolados e cada um tem sua maneira própria de morder e chupar o sangue dos pobres dos escoteiros, escoteiras e lobinhos sem esquecer os pernudos chefes é claro. Coitada da Chefe Mercedes. Seu braço ficou todo mordido e suas pernas também, pois achou que podia usar calças curtas. Risos. Danado de insetos chupa sangue. Adoram o “sanguinho” escoteiros e escoteiras quando vão acampar. Dizem que os jovens ficam tão encantados com o campo que se esquecem de tudo e os pernilongos e carrapatos se deliciam.

          Acampei muito em minha vida. Sem falsa modéstia quase 800 noites de acampamento. Nunca gostei muito destes “bichos”. Insetos chupa sangue não é o meu forte. Mas fazer o que? Ainda bem que só fui chupado por um morcego em uma gruta próximo a Maquiné. Bebeu pouco sangue, menos de um litro! Eu sei que hoje a modernidade trouxe o repelente, e até um aparelhinho a pilha que emite um som e a pernilongada se manda. Ainda não vi. Na minha época não tinha nada disto. Dava cinco e meia da tarde e a gente via a direção do vento para fazermos um fogo cheio de folhas verdes ou quem sabe estrume de gado. Cuspindo fumaça e tossindo feio um peão danado ficávamos sempre a favor do vento para que a fumaça mandasse a mosquitada para o “raio que o parta”!

                 Uma vez descobri que existe diferença do pernilongo da cidade e o do acampamento. O do acampamento ataca morde e você sente logo. Nós os antigos os chamamos de maruins. Com um raminho na mão a gente os espanta, mas tem de ficar abanando sem parar. Os da cidade não. São covardões. Vivem escondidos em baixo da cama ou de um móvel qualquer.  Primeiro zumbem no seu ouvido e somem. Você acorda com uma coceira danada. Pronto, ele já encheu a pança do seu sangue e vai se refastelar na parece do quarto sala ou cozinha.

           Lembro-me de um acampamento sênior nas barrancas do Rio das Velhas, bem perto da Barra do Guaçuí onde se podia avistar o São Francisco. Lugar maravilhoso. Cheio de peixes e lindos pássaros migratórios a fazerem acrobacias fantásticas no rio e nas lagoas próximas.  Era uma fazenda enorme e tinha uma bela floresta nas suas margens. O local era de tirar o folego. Lindo mesmo. Perfeito para um grande acampamento.  O capataz da fazenda nos preveniu. Olhe Chefe, lá a noite é um inferno. De cinco e meia as sete ninguém aguenta, as muriçocas são sedentas de sangue. Rimos dele. Não sabia que éramos da tropa dos valentes e intrépidos seniores Escoteiros aqueles que cantam dizendo serem os tais etc. Primeiro dia, barraca, algumas pioneirias, uma mesa e deixamos do lado centenas de boas folhas verdes. Que venham estes malditos demônios, dissemos. Vão enfrentar uma tropa que não tem medo de nada! Quem vier morre!

           Seis horas o inferno desceu do céu e ficou entre nós. Não era um nem dois eram milhões deles. Você olhava e via aquela nuvem cinzenta e preta e não havia onde correr. Mas nós corremos. Primeiro pulamos no rio e não dava para cobrir o corpo todo, então corremos até a sede da fazenda, mais de quatro quilômetros. O capataz riu a valer. Voltamos ao campo lá pelas nove da noite. A paz desceu a terra! Mas desistimos de dormir ali. Procuramos uma área próxima à fazenda e lá ficamos. Mas querem saber de uma coisa? Pernilongo e muriçocas avisam quando vão atacar e quando não avisam pelo menos a gente só coça. Risos. Mas e o danado do carrapato? Este sim é o satã em pessoa. Não grita, não canta, não fala e procura o pior lugar no seu corpo para se esconder. Fica lá dias e dias sem dar bandeira. O danado sabe como chupar o sangue. A principio uma coceira gostosa. Até o dia que descobre o bicho gordo, cheio de sangue como a dizer a você – Seu Escoteiro idiota chupei seu sangue e você nem viu! Agora posso morrer feliz! Risos. E morre mesmo. Você tira o bicho gorducho, mete unha com unha o sangue espirra e o danado morreu. Você é sênior, não perdoa, mata!

             Para dizer a verdade nunca levei repelente. Achava que isto era coisa de civilização. Se os heróis da floresta, os índios os bravos sertanejos ou os mateiros não usavam eu também não o faria. E cá pra nós isto é coisa de escoteiros aventureiros? Quem ainda não enfrentou saudáveis pernilongos, alegres muriçocas, carrapatinhos gentis, e aranhas negras e lindas nas suas teias nas florestas à noite no rosto, dançando ou rindo de você? Se não aconteceu você não passa de um “Pata-tenra” noviço. Afinal não dizemos para nossos escoteiros que eles não andam voam? Que Escoteiro não ri, dá gargalhadas? Que Escoteiro não chora, dá pernadas na dificuldade? Que Escoteiro não tem medo e luta até a morte? Que Escoteiro não corre dos insetos ou animais peçonhentos, enfrenta-os com seus caratês e golpes mortais?  

              Não sei não. Pobre dos escoteiros se forem seguir estas máximas. Ele sabe que seus super heróis não são assim. Sabe que ele é humano como os outros. Eu prefiro dizer calmamente que ele não se preocupe com as dificuldades, elas passam e reafirmo a eles – Meu jovem ou minha jovem, isto são coisas da floresta. Esqueça as dificuldades e enfrente. Um dia vai descobrir que tem a pele curtida e vai gritar bem alto: - Que venham os malditos carrapatos e pernilongos filhos de Satã!


              Mas voltando a Chefe Mercedes hoje ela mora no céu. Contou para uma amiga que lá não tem destas coisas. Eu gostava de ver a noite chegar e ela dando tapas nas pernas no rosto nos braços e pescoço. Chegava em casa toda marcada. A gente oferecia um raminho e ela dizia que aquilo não era coisa de escoteiro. Então tá! Fico pensando o que são “coisas” de escoteiros. E viva os pernilongos! Viva as muriçocas! Bem vindos os carrapatinhos espertos! No fundo no fundo sou Escoteiro e adoro-os!  Bichinhos do Senhor. E quem vive sem eles?


Um dia me disseram que quem tem medo de pernilongos, muriçocas, carrapatos, aranhas negras e lindos morcegos negros não são Escoteiros. Sei não. Se for verdade acho que não sou, pois detesto estes insetos. Mas se Deus os criou deve ter um motivo e só pode ser pagar nossos pecados aqui na terra. Risos. 

sábado, 20 de maio de 2017

Meus irmãos escoteiros do Brasil.


Meus irmãos escoteiros do Brasil.

Muitos de vocês Escoteiros, Seniores Pioneiros e Lobos estarão hoje juntos aos seus amigos de matilha ou de patrulha para mais uma reunião escoteira. Os chefes e dirigentes voluntários na função de servir estarão cumprindo seus deveres conforme seu trabalho voluntário na formação de seus jovens. Nossa filosofia nos faz acreditarmos que podemos fazer o melhor. Estamos dando aos jovens a coragem de aprender fazendo, corrigindo seus próprios erros e vivenciando fraternidade e honra. Não há dúvida que chegaremos ao ponto de um dia nos orgulharmos do que somos e do que podemos fazer.

O Brasil passa por uma fase que nunca acreditamos acontecer. Não sabemos mais em quem acreditar. No entanto se ficarmos só criticando não iremos ter o Brasil que sonhamos. Se pensarmos que poderemos forjar homens e mulheres com honra caráter e ética através da formação escoteira estaremos pelo menos dando um passo no que acreditamos ser nossa meta para ajudar a construir um país melhor.

Parece que uma grande tempestade se abateu nos céus do Brasil. Isto um dia aconteceu em nossos acampamentos ou acantonamentos e como bons escoteiros driblamos a dificuldade com um sorriso e esperança. Sabemos que a escolha agora é dificílima. Todos os lideres que acreditávamos foram uma grande decepção. Não existe uma certeza de quem ainda tenha um pequeno resquício de dignidade. O calmo, o estadista, o raivoso, o valente e o bonzinho mostraram não ser dignos de confiança. Ainda existe esperança. O tempo irá nos mostrar um caminho e se pensarmos no trabalho que estamos realizando teremos aquele gostinho do sucesso que só o escotismo pode dar.

Que a reunião de hoje ou do nosso amanhã seja aquela que possamos fazer o nosso futuro através de uma juventude que acredita que tem uma Lei, que fez uma promessa e que sabe o valor de uma boa ação e da formação de um escoteiro para o sucesso de nossa nação. Sempre Alerta e acreditem... O escotismo ainda é uma esperança.

Chefe Osvaldo.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Divertindo e aprendendo. Gritos e Aplausos para o Fogo de Conselho.


Divertindo e aprendendo.
Gritos e Aplausos para o Fogo de Conselho.

Quem inventou o aplauso?
Ninguém sabe ao certo. De acordo com uma das teorias mais bizarras, ele teria surgido entre os homens das cavernas como forma de comemorar caçadas bem-sucedidas. A princípio, nossos antepassados celebrariam o banquete dando cabeçadas uns nos outros, até que, finalmente, algum sujeito cansado dos galos na cabeça sugeriu a troca da dolorosa celebração. A versão mais plausível, contudo, aponta que o surgimento do aplauso, ocorrido há cerca de três mil anos, teria conotação religiosa: seria o instrumento usado por membros de tribos pagãs para chamar a atenção dos deuses nos rituais. Mais tarde, na Grécia antiga, a plateia de espetáculos teatrais passou a usar as palmas para invocar os espíritos protetores das artes. Já no Império Romano, o gesto começou a ser utilizado também como sinal de aprovação a autoridades que faziam aparições públicas.

Pensemos agora que estamos no século XXI. Os escoteiros não ficam sem eles. Nos fogos de conselhos as enquetes são as preferidas de todos. Patrulhas se preparam se enfeitam, e sempre tem aquela que mais se sobressai, tem mais tempo de escotismo e dominam com facilidade a arte da interpretação. Mas em qualquer Fogo de Conselho não pode faltar os aplausos e os gritos. São eles que dominam as apresentações, pois ali não se usa as palmas comuns. Existem centenas delas. Têm Grupos Escoteiros, tropas e alcateias que os escoteiros e lobos fazem questão de criar a sua. É comum conhecer a Alcatéia, Tropa ou grupo só pelos aplausos. Mas vamos a eles. Desculpem se já conhecem todos, a intenção é ajudar aos novos ao mesmo tempo incentivar para que cada sessão crie o seu, e que também nos fogos de conselho tenham a mão todos que puderem dar para aplaudir aos que merecem ou não serem aplaudidos.

A Pólvora Negra: 
Cada escoteiro finge ter em suas mãos um mosquete. Calmamente, seguindo silenciosamente os movimentos do Animador, deitam a pólvora com cuidado para dentro do cano, calcam-na várias vezes, erguem o mosquete ao ombro, apontam para o céu e aguardam a ordem do animador. Este diz: "Prontos? Fogo!" e todos gritam "BANG!", ao mesmo tempo em que fingem o impacto do disparo da arma no ombro.

Foguetão: 
Começa a contagem decrescente de 6 para 1, e a cada número vai-se dobrando cada vez mais os joelhos até ficar na posição de cócoras. No fim da contagem, saltam para o ar gritando "VROUMM!...”.

Arco e Flecha: 
Os escoteiros seguem silenciosamente os movimentos do Animador, tirando calmamente uma seta da aljava atrás das costas, colocam-na na corda do arco, esticam-no e disparam a seta dizendo "PFFFTT".

O Ornitólogo: 
Este aplauso começa com o animador (ou outro escoteiro qualquer que queira iniciar o Grito) a gritar "Olha ó passarinho!". Todos os escoteiros colocam as mãos debaixo dos sovacos e agitam os braços como as asas de uma ave, enquanto imitam o som de uma ave à sua escolha (águia, Peru, galinha, pardal, canário, cuco, rola, pato, etc.) três vezes seguida.

Riso Enlatado: 
O animador mostra uma lata com tampa. De cada vez que ele abrir a tampa todos riem a bandeiras despregadas. Assim que ele fechar a tampa todos se calam. O animador pode repetir isto algumas vezes, tentando enganar o público com movimentos falsos. Podem-se estabelecer níveis de gargalhadas.

O trem:
O animador começa batendo no peito devagar. Todos acompanham fazendo o mesmo. Aos poucos vai aumentando, aumentando até que o som de um trem em movimento aparece e todos gritam: Anrê!

Bravôo:
O animador grita para todos bem alto: Ah Ah! Todos repetem o mesmo. O animador sem parar grita novamente Hu Hu! E todos repetem. E por último grita Hô Hô! E encerra com todos gritando alto: Bravôo!

A cobra:
Todos em pé, um atrás do outro, o animador à frente levando a fila em volta do fogo fazendo zig zag e todos imitando e sibilando baixinho (shhhihhs) e aumentando até que todos param e gritam: Caça livre lobos de Seeonee!

Um dedinho:
Começa com o animador gritando: merece um dedinho? E todos batem o dedinho de uma mão à outra. Ele logo diz: Quem sabe dois dedinhos? E ele vai aumento para três para quatro até que no final ele grita: A mão toda! E uma salva de palma ecoa para saudar a apresentação.

Grito da Selva (para Lobinhos):
Chefe – RIP - Todos - Rip Rip Rip.
Alá ip? - Á Lup
Alá Áki - Bain kain
Há há
Chefe - Lombo de Balu
Todos - Aúúú
Chefe - Pele de Chery-Khan
Todos - Âne...
Chefe - Bigodes de Bagueera
Todos - Ih...
Chefe - dentes de Aquelá
Todos - Ah...
Chefe - RIP... E no final todos gritam Lobo!


Espero que o próximo fogo de conselho seja aquele que sempre foi: - Amigo, alegre, espetacular e todos no final de mãos entrelaçadas cantando: - Bem cedo junto ao fogo tornaremos a nos ver!

A vida é uma arte, o mundo é um palco Nós os artistas Deus o arquiteto do palco, e criador dos artistas. Mas quem escreve e vive a história somos nós, portanto é hora de cantar, divertir interpretar, aplaudir em um gostoso e maravilhoso Fogo do Conselho!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Recordar é viver...


Recordar é viver...

Eu fico me perguntando,
Será que até quando,
Ainda vou escoteirar...
As forças não voltam ao passado,
Pois só vivo acamado
E nem posso acampar.

E que tremenda saudade,
Pois já cheguei na idade,
De viver batendo na pança,
Nas minhas doces lembranças
De voltar a escoteirar.

Já me disseram sorrindo,
Chefe, já vai partindo,
Sua hora já chegou...
Nem tudo é doce de coco,
Não faça ouvidos moucos
O seu tempo acabou.

E eu sem fazer alarde,
Nem sei se isto é verdade...
Dou um bom salto no tempo,
Pego carona no vento
Um sorriso de contratempo,
E saio para escoteirar!

Ainda posso ser feliz,
Ainda posso me ver
Bem na ponta do nariz.
Na gota eu visto meu uniforme,
Saio por aí nos conformes
Pois isto eu sei fazer.

E você meu amigo tão longe,
Seja Escoteiro e não um monge,
Não perca a sua esperança,
Saia de sua vida tão mansa
E vá por aí a escoteirar!


Ch. Osvaldo.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A Canção da Despedida.


A Canção da Despedida.

               Diga-me quem não a conhece? Quem nunca se emocionou a ponto de chorar quando a cantou pela primeira vez? Impossível dizer que existe alguém assim. Não importa a idade, a cor, a crença, a religião. A Canção da Despedida marca. Ela entra na gente e nos faz tremer de emoção. Ela é incrível quando cantada em volta do fogo, olhos dormentes a entorpecer o corpo, mãos firmes entrelaçadas, um circulo perdido em sonhos de nunca mais perder as esperanças. Ah! Quantas esperanças de nos tornar a ver. Nesta hora não dá para olhar o amigo do lado. Os olhos estão marejados de lágrimas. Seria tristeza? Seria alegria? Difícil explicar. “Os antigos conhecidos deveriam ser esquecidos e nunca lembrados”? Diz sua letra original. Nunca poderiam dizer. “Pelos velhos tempos, nunca vamos esquecer um dos outros. Iremos correr as colinas, colher as margaridas, mas já vamos a tantos lugares e estamos cansados, vamos ainda recordar os velhos tempos”? É... A letra original é bem diferente da nossa.

               Bendito Robert Burns foi quem fez a letra. Das terras da Escócia alcançou o mundo e Guy Lombardo criou a musica. Deus do céu! O mundo mudou depois desta linda canção. Tornou-se tradição nas comemorações de ano novo em centenas de países. Seu nome em Inglês é Auld Lang Syne. Dizem que significa Velho longo, uma vez que, ou outros dizem que seria muito tempo atrás, dias de muito tempo, pelos velhos tempos ou quem sabe para os bons e velhos tempos. De uma coisa eu sei, ela sempre que nos vem à mente nos emociona mesmo nos longínquos tempos. Quando surgiu no passado já significava que era importante lembrar amizades de hoje e de ontem. Nós mantemos a tradição de cantar sempre nos Fogos de Conselho, em nossos encontros Escoteiros, em atividades mil. Ela virou uma tradição também em outras partes do mundo. Pelos velhos e bons tempos que vivemos neste mundo! E melhor ainda, pois nunca iremos perder a esperança de nos ver novamente!

           Cada um de nós tem uma história para contar. Uma história que esta canção faz parte da vida, da história Escoteira e que quem sabe de tão linda poderia ser escrita no livro da vida de cada um Badeniano. Poderia dizer que a vida escoteira se tornaria sem sentido sem ela. Esquecer que não é mais que um até logo? É um breve adeus meu amigo, você sabe haverá outros dias e junto ao fogo vamos de novo nos ver e nos encontrar. A Canção da Despedida marca. Ela entra em nós como se fosse um novo mundo para vivermos. Temos mil canções, mas esta é especial. Nunca descobri quem foi que fez a letra para os Escoteiros e esteja onde estiver ele estava iluminado pela maravilhosa letra que escreveu. “Com as mãos entrelaçadas, ao redor do calor, formemos esta noite um circulo de amor” Maravilhoso! Espetacular! Incrível a emoção quando se canta apertando as mãos dos companheiros que estão junto a nós e olhando o crepitar da fogueira, das fagulhas se perdendo no céu.

            Ah! Meus fogos de Conselho. Lembranças que não se apagam. A gente ali, com muitos amigos em volta, o fogo crepitando, quem sabe alguma tocha vermelha iluminando ao redor. A escoteirada gargalhando, apresentações lindas, Do Rei da Macedônia, do Professor Pardal e do Serafim – Aquele que fica assim! Demais, demais mesmo. As palmas se desdobrando, são tantas. Adorava a do peixinho, do trem, do sapo falante da batida no corpo, da mexicana, e claro da nossa mais famosa palma Escoteira. A noite alta, o fogo terminando, a gente olha para o céu estrelado e pensa que não tem mais nada tão lindo para viver. É uma hora de plena felicidade. Todos esperam ansiosa a última apresentação. De todos. Agora é hora de entrelaçar as mãos. Sentir o calor do seu amigo ou da amiga, ver seu sorriso, olhar nos seus olhos e ver a esperança nascendo, pois ele assim como os outros sabem que a Canção da Despedida marca, hora de chorar? Para alguns não dá para evitar. Melhor é deixar as lágrimas rolarem pela face, e dizer – É de alegrias seu moço!

               A Canção da Despedida seja aonde for é um espetáculo a parte. Cantar e deixar-se levar pela brisa, pelo vento, é um encantamento. Agora é deixar as lágrimas rolarem, elas fazem parte de você agora e você sabe isto acontece com todos. A cada estrofe olhamos para o céu estrelado e pensamos quão pequenos somos neste imenso universo. Mas ali, com as mãos entrelaçadas e junto aos amigos Escoteiros temos uma força enorme. Elevamos nosso pensamento ao criador para agradecer o que estamos recebendo. Uma força incomum nos move como a dizer que nunca haverá um adeus, sabemos que sempre haverá a realização de um sonho, um sonho Escoteiro, um sonho que fica marcado para sempre em nossos corações. E finalmente já com a mente posta um no outro, onde podemos dizer que somos irmãos para sempre, e finalmente agradecer a ele, pois nos trouxe a alegria de viver e conhecer que a felicidade está ali, junto a nós, entrando devagar em nossos corações.


Pois o Senhor que nos protege
E nos vai abençoar
Um dia certamente
Vai de novo nos juntar.


“Porque perder as esperanças, de nos tornar a ver”! – Corre mundo a Canção da Despedida entre os escoteiros. Talvez seja a canção que mais marcou, marca e irá marcar a quem um dia foi escoteiro. Não tem um que não se lembra da primeira vez, da segunda da terceira... Em volta de uma fogueira com as chamas crepitando e com um céu estrelado, dá uma vontade de chorar, de rir, de sonhar que ser escoteiro é bom demais!

sábado, 13 de maio de 2017

Hoje tem reunião, Alegria de montão!


Hoje tem hoje tem, hoje tem sim senhor!
Hoje tem reunião, Alegria de montão!

Zé das Quantas fez as contas,
Era hora de escoteirar!
Ludovico tomou banho,
Era hora de se limpar.
Toninha que nunca mente,
Logo escovou o seu dente.

A rua ficou colorida,
E a escoteirada querida,
Pra sede marchou a cantar.
Era dia de sorrir,
Era dia de jogar...

Tarzan não era de blefe,
Sempre foi um bom Chefe.
Ivete não deixa pra lá,
Era uma grande Akela.
João, Marineide não mente,
Todos bons assistentes.

Do Beco do Zé be Deu,
Ricardo o lindo apareceu.
Maria e seu cunhado,
Marchavam de braços dado.
Era gente de uniforme,
De vestimenta nos conformes.

Na sede os lobos e seus sorrisos
Gritavam o Melhor Possível.
Era hora da bandeira,
Não havia pasmaceira.
Pantaleão e o Chefe leal
Chamou a todos pro cerimonial.

O vento bateu na bandeira,
Valeu o sorriso da escoteira.
A oração foi bonita demais,
Palavra do lobo Zás Trás.
Agora é hora do jogo
Pantaleão nisso era fogo.

E tudo correu nos conformes
Tom Mix sujou seu uniforme.
No final da festa mateira
Direito de uso e fruto,
A escoteirada certeira,
Deu o seu Grito do Grupo.

E assim terminou o fado,
Da reunião daquele sábado!
Era canto era sorriso
Era como se fosse o paraíso.
E cada um bateu suas asas,
Todos foram para suas casas.

Pois hoje teve reunião!

Alegria de montão!