Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

sábado, 23 de junho de 2018

Os amigos de Lord Baden-Powell. Frederick Russell Burnham.


Os amigos de Lord Baden-Powell.
Frederick Russell Burnham.

Frederick Russell BurnhamDSO, nasceu em Tivoli, MinnesotaEstados Unidos, dentro do território sioux, a 11 de maio de 1861 e morreu em Three Rivers, California, a 15 de setembro de 1947. Foi um explorador militar estadunidense, ou norte-americano, um Major e o Chefe dos Scouts sob ordens de Lord Roberts durante a Segunda Guerra Boer, e um grande viajante. Ficou conhecido pelos serviços prestados no exército colonial britânico e por ter ensinado woodcraft (escotismo) a Robert Baden-Powell, sendo está uma das influências mais notaveis do fundador do escotismo. Burnham começou na atividade aos 14 anos e foi um perito rastreador de índios no Velho Oeste. A amizade entre os dois resultou anos depois na formulação didática do escotismo.

Após a pacificação do Velho Oeste, em 1893, Burnham partiu para África do Sul para lutar nas guerras coloniais britânicas e lá conheceu Baden-Powell. Tal como Burnham, Baden-Powell era um batedor militar. Depois de servirem juntos na Campanha dos Matabeles em 1896, Baden-Powell começou uma amizade e tornou-se um amigo eterno e admirador de Burnham. Foi nesta guerra que Burnham introduziu Baden-Powell ao ponto de ebulição a maneira do Oeste americano e do woodcraft, e foi aquí que ele usou seu chapéu Stetson e Lenço escoteiro pela primeira vez. No seu livro Correndo Riscos (Taking Chances), de 1944, descreve aquele primeiro encontro quando ele e Baden-Powell exploraram as Colinas de Matobo. Descreve também um pouco conhecido e interessante acontecimento histórico, com a dedicação do Monte Baden-Powell nas Sierras, em 1931. A dedicação do Monte Burnham nas Sierras foi em 1951.

 Uma das batalhas mais notáveis a Primeira Guerra de Matabele foi o Shangani Patrol em dezembro de 1893 na qual um grupo de 34 soldados da Companhia Britânica foi emboscado por mais de 3.000 guerreiros. Um dos três sobreviventes do grupo foi Burnham. Os membros da patrulha, particularmente Major Allan Wilson e Captain Henry Borrow, foram elevados após ao status de heróis nacionais, representando o empenho diante de insuperáveis dificuldades. O aniversário da batalha tornou-se feriado na Rodésia dois anos depois. Um filme de guerra retratando o evento, Shangani Patrol, foi produzido em 1970.

Lovat Scouts
Foi durante a Segunda Guerra Boer(1899-1902) que a necessidade de ter unidades mais especializadas ou forças especialies se tornou mais aparente. Unidades de batedores tais como os Lovat Scouts (Os Escoteiros Lovat), um regimento das Terras Altas da Escócia especializado em táticas militares. Lovat Scouts foi criado em 1900 composto de unidades escocesas formadas por Joseph Simon Fraser, o 14º Lord Lovat, um lorde britânico, e a unidade foi comandada pelo Major Frederick Russell Burnham.

Quando a guerra acabou, os escoteiros Lovat foram desmantelados, mas se reuniram novamente apenas um ano mais tarde, desta vez em dois regimentos. Ambos viram muita ação durante a Primeira Guerra Mundial. Por esta altura, eles já haviam se estabelecido como alguns dos melhores olheiros do mundo, mas também começaram a se especializar como snipers (ou atiradores de elite, como eram chamados na época). Eventualmente, isso levou à formação, em 1916, da primeira unidade de franco-atiradora da história do exército britânico. O aparelho em si não durou muito tempo, uma vez que foi considerado muito pequeno para funcionar efetivamente como uma entidade independente.

Monte Burnham
Monte Burnham é uma homenagem ao Major Burnham é um pico localizado na Serra de San Gabriel, no estado americano da Califórnia, próximo da cidade de Wrightwood. O nome atual foi oficializado em 1951, durante uma cerimônia comemorativa. Como símbolo da amizade, desde 1936 a montanha ao lado é chamada Monte Baden-Powell. Major Burnham foi quem decidou homenagear Robert Baden-Powell, dando ao monte o nome dele. Entre os dois havia uma grande amizade e Baden-Powell era um grande admirador de Burnham.

Nota – Baden-Powell deve muito aos seus amigos que o ajudaram a dar forma ao movimento Escoteiro. Ele nunca escondeu isso de ninguém e Frederick Russell Burnham foi um deles que lhe mostrou os caminhos de como praticar o escotismo na sua forma aventureira. Sua vida foi sempre cheia de supresas e Burnham até seus ultimos dias nunca esqueceu o amigo Lord Robert Baden-Powell.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Conversa ao pé do fogo. Onde andam os sonhos e as aventuras escoteiras?



Conversa ao pé do fogo.
Onde andam os sonhos e as aventuras escoteiras?

Às vezes eu pego no meu pé por ser intransigente exigente e pensando que todos pensam da mesma maneira que eu para entender a metodologia escoteira que tão brilhantemente no meu modo de entender Baden-Powell deixou para nós como herança. Costumo reclamar dos novos, daqueles que ou não entenderam o que ele queria dizer ou então que seu tempo ficou lá no passado distante e hoje a juventude procura novo meio para se divertir e viver. Será mesmo?

Será que não nos esquecemos de dar para eles o verdadeiro escotismo nos escondendo das dificuldades de um novo meio de sobrevivência, acreditando que ele não tem mais interesse, falando por eles, pensando por eles sem pelo menos tentar mostrar se eles gostariam ou não daquele escotismo de aventuras, sem motor, sem avião, sem patinetes elétricas e voltar naquela feita de madeira tirada no mato para fazer de sua criação o verdadeiro sentimento da diversão que ele tanto sonhou?

Mas será que os chefes de hoje pensam assim? Alguém vendeu para eles esta experiência do escotismo de campo mesmo que seja em um parque fora da cidade, em uma área para passeio ou mesmo um sacrifício para encontrar um belo lugar para acampar? Deveriam os chefes estar mais ouvindo os Escoteiros e as Escoteiras. Mas será que estão? Afinal se vê tanto Chefe querendo ser o dono das ideias, ser a figura principal que esqueceu sua finalidade na tropa. Esqueceram que existem monitores. Mas para que servem eles? Interessante, fotos e mais fotos dele o chefe falando, dele agindo e decidindo. Cansa-me ver um comando crawl e o Chefe ali segurando o menino e a menina. São escoteiros de porcelana.  

Cansa-me ver a tropa formada e monitores “dormitando” no bastão de sua patrulha. Cansa-me ver acampamentos com o Chefe lá no campo dos jovens. Fazendo o que? Aprender a fazer fazendo? Liberdade? Sonho de aventuras? Onde estão as fotos deles subindo em árvores e descendo em uma corda por um nó de evasão? Fazendo uma ponte pênsil, construindo um ninho de águia, o cozinheiro cozinhando e não pais que ali estão e não entendo o que eles fazem lá. Existe o cozinheiro? Existe o Escriba? Existe almoxarife? Existe o construtor de Pioneirias? Existe o bombeiro aguadeiro? Só de nome ou de ação?

Não pegaram nada? Fizeram mil cursos. Lá os formadores ensinaram mil coisas. Mas não ensinaram que estes jovens em seus bairros têm amigos e se encontram sempre sem a presença de nenhum Chefe? Nestas reuniões eles são os donos do programa, criam suas atividades e acreditam que seus amigos do bairro serão para sempre? Uma patrulha unida com os mesmos patrulheiros por dois anos? Se encontrando fora das reuniões, amigos de verdade? Não sei, devem existir poucas por aí. Muitos estão saindo por que pensaram que seria uma vida de herói e não foi.  Um medo atroz de acidentes, um medo enorme de eles saírem de suas asas, tanto medo que eles desistem. Nem os pais em suas casas são assim. Brinco em muitos artigos que escrevo e costumo colocar lá – Xô Chefe! Xô! Entenda o que você é e nunca será um deles. Seja um irmão mais Velho, mas sem dominar, sem achar que só você se preocupa. Quer fazer o que eles fazem? Chamem outros adultos, façam seus acampamentos e aprendam bastante às técnicas escoteiras.

Sinto pena dos jovens de hoje. Eles não terão histórias para contar. Um fogo do conselho onde o Chefe dirige. Um jogo que só o Chefe dirige e explica para toda a tropa. Monitores ali são enfeites. Uma jornada com o Chefe fora da fila olhando como se eles fossem lobinhos e podem se perder. E eles acreditam que ali tem um sistema de patrulhas. Não foi o escotismo do passado. Nunca foi. Se a proteção continuar em breve teremos o escotismo nas escolas, ou seja, eles sentados em salas de aulas com professores chefes falando, falando, falando e falando. Bem disse Kipling: “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido...”.

Por entre junco e hera verdejante, correm nascentes de águas límpidas,
Junta-se à sede da minha alma ímpia esta cascata pura e refrescante

Já são audíveis os sons da cachoeira num simulacro à magia da natureza
Insetos e pássaros voam na certeza que Deus existe e a fé é verdadeira...

Nota - Meus comentários são hoje exíguos. Não sei se devo falar ou continuar a escrever o escotismo de BP. Adianta dizer que nos esquecemos de dar a eles este sonho de aventuras este sonho de ser herói? Sempre a dizer que isso não funciona, se nem mesmo eles experimentaram? Ao contrário do poema já não são audíveis os sons da cachoeira, esqueceram-se da magia da natureza, nem sabem mais que existem insetos e pássaros voando no céu. Nem sei se pensam que Deus existe e que a fé não pode ser esquecida... Ainda digo... Louvado seja Deus!

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O Sistema de Patrulhas pelo Capitão Roland Philipps.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.

O Sistema de Patrulhas pelo Capitão Roland Philipps.

Dentre os grandes personagens do Escotismo Mundial, um deles é o autor do mais lido livro sobre o método escoteiro. É ele o Capitão Roland Phillips que escreveu o livro “O Sistema de Patrulhas” publicado em inglês em dezembro de 1915. Esta obra importante para as tropas escoteiras foi complementada por um outro livro o “Aplicando o Sistema de Patrulhas” editado por E.E. Reynolds. O Sistema de Patrulhas de Roland tem seu lugar até hoje na formação das tropas não só as novas mas como as mais antigas. Você pode adquirir esses livro na Loja Escoteira Nacional ou gratuitamente em PDF pelo meu e-mail:


 Ninguém pode falar em sistema de Patrulhas sem lembrar-se do capitão Roland Erasmus Philipps. Ele nasceu em Westminster, Inglaterra, no dia 27 de fevereiro de 1890. Estudou direito em Winchester e Oxford. Foi o precursor a entender o que Baden-Powell queria dizer sobre Sistema de Patrulhas. Baden-Powell quando da morte de Roland disse que o Movimento escoteiro teve uma perda irreparável. Roland Philipps nos deixou seu entusiasmo pelo escotismo através de seu livro O Sistema de Patrulhas e, além disso, em seu testamento deixou a The Roland House, dizendo: Deixo essa propriedade de Stepney Green. Façam uso deste lugar para ajudar os jovens da melhor maneira possível. Tenho certeza que Deus abençoará o trabalho que se leve a cabo neste lugar”.

Em 1911, em uma caminhada pelos campos de Liverpool, encontrou alguns membros da Quarta Tropa Escoteira de Blundellsands. Ao conversar com estes jovens, Roland soube que precisavam de um líder. Foi assim que, aos 21 anos de idade, Roland Philipps encontrou o trabalho que conduziria sua breve vida.
Como Comissário Escoteiro, entre 1912 e 1914, desempenhou as tarefas nesta área de maneira brilhante e escreveu o famoso livro Sistema de Patrulhas: um complemento à obra básica do Escotismo, o Escotismo para Rapazes, de Baden-Powell.

Caído em combate.

Na Primeira Guerra Mundial, a brigada onde Roland Philips era capitão recebeu a missão de tomar Ovillers, umas das vilas mais fortificadas pelos alemães.
Enquanto esperava o sinal de ataque, a trincheira ocupada pelo Capitão Roland Philipps foi alcançada por um morteiro, deixando-a totalmente em ruínas. Em um primeiro momento, se pensou que o capitão estava morto, porém, seus homens o desenterraram ileso dos escombros. Mal havia passado o incidente quando ordenaram o ataque. Ao sair da trincheira destruída, foi ferido em uma perna por metralha, e caiu ao chão. Colocou-se em pé imediatamente e novamente caiu, desta vez por uma bala de uma metralhadora que atravessou sua cabeça. Faleceu no dia 7 de julho de 1916.

Diversas são as histórias deste famoso escoteiro. Seu livro ficou marcado para sempre na história pela sua simplicidade e pelas informações sobre a monitoria. Foi ele quem declarou “o espírito de patrulha e uma disposição moral, uma atmosfera especial o ambiente natural de onde se desenvolvem os jovens, que se faz sentir-se parte essencial de uma unidade completando-a”. Sua presença se manifesta até nas palavras mais insignificantes e nos atos e gestos de cada jovem. E necessário que cada escoteiro "sinta" que sua Patrulha deva ser a melhor e para isto deve fazer tudo que puder, para poder falar com orgulho "Eu pertenço a esta Patrulha".

- O novo escoteiro deverá aprender a desenhar o emblema de sua Patrulha usando como uma assinatura. Estas são os meios para fazer germinar e angariar profundamente o espírito de Patrulha. Em se tratando de escotismo os mínimos detalhes têm uma extraordinária importância porque contribuem para criar o ambiente. O essencial é que cada patrulha tenha uma característica própria e que escoteiro tenha consciência de que possui alguma característica que os destinge dos demais.

Sem o Sistema de Patrulhas não existe o verdadeiro escotismo de Baden-Powell.

Nota – Dentre os grandes personagens do Escotismo Mundial, um deles é o autor do mais lido livro sobre o método escoteiro. É ele o Capitão Roland Phillips que escreveu o livro “O Sistema de Patrulhas” publicado em inglês em dezembro de 1915. Esta obra importante para as tropas escoteiras foi complementada por um outro livro o “Aplicando o Sistema de Patrulhas” editado por E.E. Reynolds. O Sistema de Patrulhas de Roland tem seu lugar até hoje na formação das tropas não só as novas mas como as mais antigas. Você pode adquirir esses livro na Loja Escoteira Nacional ou gratuitamente em PDF pelo meu e-mail:


terça-feira, 12 de junho de 2018

O ponto de vista do rapaz! Baden-Powell “calou-se”.



O ponto de vista do rapaz!

Baden-Powell “calou-se”.
- “Baden-Powell calou-se para escutar os Rapazes… Ele que não tinha recuado diante do inimigo no cerco (Mafeking), recuou diante desses Rapazes. Ele pôs-se inteiramente em segundo plano… calou-se para escutar os Rapazes”. A capacidade de BP de se colocar nos bastidores, sem deixar de olhar a “cena”, é reconhecida e apontada como o exemplo para todo o Chefe Escoteiro. A fantástica vida de BP o fez aprender que, saber estar em segundo plano, confiar e acreditar no outro, é regra de ouro para ser bom líder. BP era assim e desafia cada Chefe Escoteiro a sê-lo também: - O Chefe precisa confiar absolutamente no Escoteiro… Encarrega-o de uma função e espera que ele desempenhe fielmente essa função. Não deve estar sempre em cima dele para ver como ele faz; deixai-o que o faça à sua maneira, deixai que faça disparates se necessário, mas em qualquer caso deixai-o só, confiai nele para que ele faça o melhor que lhe for possível... Dar responsabilidade é a chave do sucesso com os jovens, sobretudo com os mais turbulentos e difíceis.

- Escutar as ideias dos jovens – Até as mais “estapafúrdias”, ser capaz de embarcar nas suas aventuras mesmo que estas pareçam irrealistas, acreditando nelas, serão dos atos mais ousados do Chefe Escoteiro. BP desafia: “Confiemos nos jovens! Precisamos vê-los «institucionalizar» a sua Patrulha, o seu Grupo, o seu Escotismo… e mais tarde o seu Mundo”. BP cria condições para que as crianças e jovens aprendam com erro: “Todo o Escoteiro tem de começar como Pata-Tenra e cometer alguns erros no princípio”… A criança quer estar a fazer coisas… Deixai-a cometer os seus erros; é por meio destes que ela ganha experiência.
Trechos de comentários de Lord Baden-Powell.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Jogando conversa fora. Canções.



Jogando conversa fora. Canções.

Nota – Jogando conversa fora foi uma sequencia que fiz de quatro chefes que todos os sábados após a reunião se encontravam em uma pizzaria para comentar temas interessantes. Cheguei a escrever seis deles. Este é sobre canções.

                  ¶ Vem depressa correndo Escoteiro, ajudar o cozinheiro a fazer o jantar, supimpa! ¶ - Todos riram. – Você está desafinado. – Eu? O que achou da minha voz Matheus? (Mateus era o dono da pizzaria) – Ele riu. Sei lá! Mas vá treinando. O chope já estava na mesa. As postas fritas de peixe também. Com um limãozinho ficava uma delicia. Hoje chegaram mais tarde. Uma Assistente da Alcateia fazia aniversário. Os parabéns a você foi cantado desafinado, horroroso mesmo. - A tropa ainda não está boa em canções. – Já notei. – Estive visitando o grupo do Chefe Tornado – Lembram-se dele? – Pois é precisam os ver cantando – Faço ideia. Ele é exigente “paca” – Mas será que não estamos errados? – Pode ser. Vi outro dia uma competição de quem cantava mais alto – Cantar? – Será? – Não sei um dia me disseram que musica é a arte de expressar por meio de sons de uma maneira agradável aos ouvidos – Todos deram boas gargalhadas.

                - Quem foi que disse que aquele que não gosta de cerveja, vinho, mulheres e música será um tolo por toda a sua vida? – Caramba! Hoje você está demais. – Me disseram que ensinar os jovens a cantar é como ensinar a brincar e buscar na magia o belo prazer da música. – Perfeito – Completou dizendo que se bem ensinado a cantar, no fazer musical do jovem, ajudando-o a quebrar o preconceito de que não sabe cantar ou não tem ritmo o fortalece a cantar melhor – Isto mesmo. Ruim é quando uns dizem preconceituosamente que este tem ritmo e aquele não tem. – Vamos lá Matheus, outra rodada e seu peixe está um maná dos deuses – Mas não toma muito tempo? – Depende – Não vamos dizer que tal reunião por mês tem uma “aula” de música. – Mas procurar alguém que entende um pouco de altos e baixos, e aos poucos ir cantando uma ou outra canção o resultado é surpreendente.             
           
                  - Isto mesmo. Já me disseram que a cerveja, se bebida com moderação, torna a pessoa mais dócil, alegra o espírito e promove a saúde! – Só você – Estamos falando das canções que gostaríamos que as sessões cantassem e pudéssemos ouvir harmoniosamente. – Olhem, na Alcateia consegui uma Pioneira que conhece bem a arte de cantar com crianças. Pedi a ela se colaboraria conosco uma vez por mês e ela gostou tanto que pediu para ser assistente – Ah! Esse mosquito Escoteiro é pior que a dengue! – Ela me disse que ensinar música é garantir ao jovem a compreensão de que ela canta porque identifica os sons do seu ambiente, que bate o ritmo na pulsação, proporcionando-o a segurança e confiança do ato de se expressar através da linguagem musical! - Nossa! Desta vez você bateu seu próprio recorde de intelectualidade musical! – Todos riram.

                  - Matheus! A saideira! - Mas chegamos tarde hoje. Poderíamos ficar até meia noite não? – Nada disto. Amanhã vou ao campo com os Monitores. Vamos ver com identificar água potável, como ferver e tirar o gosto ruim das salobras – E você sabe fazer isto? – eu não, mas um pai sabe e vai conosco – Fizeram uma pausa. Lá se foi à metade do copo. O pratinho de peixe já era. Um deles começou a cantar - ¶ Acampei lá na montanha, de manhã fiz meu café, arrumei minha mochila e toquei prá frente a pé ¶ - Todos acompanharam e não é que estava bonito todos os quatro cantando? – Menos de cinco minutos e todo o salão cantava com eles - ¶ Como é bom viver, acampando assim, vendo o sol no horizonte nascer, todos devem ter um grande ideal e com ele lutar e vencer! ¶ - Uma salva de palma dos presentes. Os clientes do Matheus logo pediram o endereço do grupo. Queriam levar seus filhos.

                  - Quase meia noite e meia, lá fora um vento gelado. – Sabe estive pensando, do suor do homem e do amor de Deus, veio à cerveja ao mundo! – risos. E então Akelá, nada de taxi? – Nada. Já disse aqui é rápido e barato. Os chefes entraram no taxi e a Akelá ainda deu para ouvi-los cantarem - ¶ Amanheceu! O céu é cor de anil! Alerta, alerta de pé pelo Brasil! 

Nota: - Muitos dizem que seus jovens sejam lobinhos ou escoteiros não gostam de cantar. Quem sabe é porque não cantamos como se devia. Ter alguém de boa voz, um instrumento musical, cantar soltando a alma e o coração e não a boca pode ser um caminho. Convide alguém conhecido que toca um violão ou um violino ou mesmo uma flauta, ensine-o uma ou duas musicas escoteiras e vão ver como a sessão se interessa em cantar. Canções não são disputas de gritos e ver quem canta mais alto. Convidar alguém que conhece musica para quem sabe explicar seria um bom caminho. Abraços fraternos.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Histórias do Escotismo. 1º Jamboree Mundial.



Histórias do Escotismo.
1º Jamboree Mundial.

 O primeiro Jamboree foi um acontecimento notável, pois nunca algo assim havia sido tentado antes. O evento exigiu muita coragem de seus organizadores e, o sucesso o inquestionável.
O Jamboree de 1920 guarda muito pouca semelhança com os Jamborees modernos. A diferença mais notável, é que ele foi realizado em um local coberto, o Olympia, no coração de Londres. Os Escoteiros participantes, cerca de 8.000, vindos de 34 países diferentes, se apresentavam diariamente na grande arena do Olympia, que foi recoberta com 30 centímetros de terra e turfa, especialmente para permitir que os Escoteiros pudessem montar suas barracas.

Um local para acampamento no meio da metrópole é muito difícil - senão impossível - Encontrar um campo para 5.000 Escoteiros foi, por isso, preparado no "Old Deer Park”, em Richmond, enquanto o resto dormia no Olympia, prontos para as apresentações do dia seguinte.

Nos grandes salões laterais do Olympia, várias exibições foram montadas - mesmo uma barraca era novidade naqueles tempos - e demonstrações de trabalhos manuais e técnicas Escoteiras eram apresentadas sem parar, por Lobinhos e Escoteiros. Assim, o primeiro Jamboree foi mais um "show" do que um acampamento de confraternização.



O que tinha começado como uma celebração Escoteira tornou-se uma grande demonstração de boa vontade internacional. Pouco antes do fim do Jamboree, rendeu-se um extraordinário tributo, não programado, a B.-P. Na grande arena, lotada de Escoteiros, e na presença de milhares de espectadores, Baden-Powell foi aclamado, espontaneamente, "Chefe Escoteiro Mundial”.


- Um título que nenhum governo ou Rei poderia conceder, e que desapareceu com sua morte. Na cerimônia de encerramento, B.-P. pronunciou uma mensagem de despedida, tão significativa hoje como então. Aqui está um resumo:

"Irmãos Escoteiros: Diferenças existem, entre os povos do Mundo, em pensamento, e sentimento, assim como nas línguas e na aparência. O Jamboree nos ensinou que, se nós lembrarmos nossa herança mútua, e o Dar e Receber, então existirá simpatia e harmonia. Se for vossa vontade, vamos em frente daqui, firmemente determinados a desenvolver, entre nós e nossos rapazes, aquela camaradagem, através do Espírito Mundial da irmandade Escoteira, e assim poderemos ajudar a desenvolver a paz e a alegria no Mundo, e a boa vontade entre os Homens".

- Várias lições foram aprendidas neste primeiro Jamboree, e cuidadosamente anotadas, para futura referência. Uma exposição em área coberta limita a atividade e impede uma demonstração plena do Escotismo, que é uma atividade externa. Também se percebeu que, acima de tudo, o Jamboree é uma forma de desenvolver o espírito da boa camaradagem entre os rapazes de várias nações e que, quanto mais este aspecto for perseguido, maior sucesso terá o Jamboree.


sábado, 2 de junho de 2018



Conversa ao pé do fogo.
Só para divertir!

De manhã, a mãe foi bater na porta do quarto do filho:
- Filho acorda!
- Hoje não vou à reunião dos escoteiros! E não vou por três motivos: estou morto de sono, detesto aquele Grupo e não aguento mais os chefes!
 Mas você tem que ir, filho! E por três motivos: você tem um dever a cumprir, já tem 45 anos e é o Diretor Técnico!


Anuncio colocado no jornal da cidade por um Escoteiro da Patrulha Leão.
“Desejo entrar em contato com antigos escoteiros que foram da Patrulha Tigre em 1960 e que tenham conhecido meu pai Francisco Dias naquela época”.
Motivo: Saber se ele era o melhor e mais inteligente da Patrulha como ele diz para mim todos os dias!


O Chefe Escoteiro tinha em sua tropa dois jovens que eram uns capetas. Bem, nada de mais, apenas gostavam de travessuras e isto já vinha quando eram lobinhos. Ele sabia que seus pais pensavam que se houvesse alguma travessura onde moravam, eles com certeza estariam envolvidos.
A mãe dos escoteiros ficou sabendo que o novo padre da cidade tinha tido bastante sucesso em disciplinar crianças. Conversou com o Chefe da tropa e ele aprovou que eles fossem conversar com o padre. Este prontamente atendeu. Disse à mãe que os mandasse, mas separadamente. A mãe mandou o mais novo. O padre, um homem alto com uma voz de trovão, sentou o garoto na mesa e perguntou-lhe austeramente:
- Onde está Deus?
O Jovem escoteiro abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som.  Ficou sentado, com a boca aberta e os olhos arregalados! Então, o padre repetiu a pergunta num tom ainda mais severo: o garoto não conseguia emitir nenhuma resposta. O padre levantou ainda mais a voz, e com o dedo no rosto do garoto e berrou:
- ONDE ESTÁ DEUS?
O garoto saiu correndo da igreja direto pra casa e trancou-se no quarto.  Quando o irmão escoteiro mais velho o encontrou, perguntou:
- O que aconteceu?
O irmão mais novo, ainda tentando recuperar o fôlego, respondeu:
- Cara, desta vez tamo “fu_di_do”! DEUS sumiu, e acham que foi a gente!

- Chefe Laércio foi visitar a família do Lobinho Nonato. Ficou impressionado em vê-lo tão sossegado. E quieto. Diferente do que era na Matilha.
- Nonato ele perguntou: - Você em casa é sempre assim?
- Claro que não Chefe, respondeu. É que a mamãe me dá dez pratas toda vez que eu ficar quieto quando estamos com visitas e lá na alcateia vocês não me dão nada!


O lobinho estava em um canto do pátio chorando muito. A akelá vendo que ele não parava de chorar e longe de sua matilha se aproximou. – Não chore Lobo, não chore. O lobinho Vadinho não parava de chorar. – Olhe você não deve chorar tanto, sabe por quê? – Não Akelá, por quê? Porque quando a gente é pequena e chora muito quando cresce acaba ficando feia, muito feia. Você não quer ficar feio quer? – Vadinho pensou e perguntou – Então Akelá, quando a senhora era pequena devia ser a maior chorona da Alcateia não é mesmo?


Dois rapazes metidos a gozadores parados na esquina, chamam o Escoteiro que vai passando.
- Dizem que vocês são inteligentes, posso perguntar?
- Claro respondeu o Escoteiro.
- Vamos imaginar que você tem um real no bolso e pede para seu Chefe mais um real. Com quantos reais você fica?
- Um real!
Risos. Nossa! Você um Escoteiro não sabe nada de matemática.
E vocês, dois idiotas não conhecem o meu Chefe Escoteiro!


Na reunião dos lobinhos a Kaa tentava convencer a Alcateia para serem bons cristãos e queria todos na missa no dia seguinte.  Para animar pergunta: — Quem aqui quer ir Todos os lobinhos e lobinhas levantam o braço, menos Maneco. Então Kaa pergunta:
— Ei, Maneco, você não quer ir para o céu? — Não posso, Kaa. Minha mãe falou pra eu sair daqui e ir direto pra casa!


Santinha uma lobinha simples e inocente chega pro pai e pergunta:
- Paiê… O senhor é o diabo?
- Que é isso minha filha? Minha filha de onde você tirou essa bobagem?
- É que toda vez que o senhor sai de casa, a mamãe grita para o vizinho: Pode entrar que o chifrudo saiu!

Alguns minutos depois da Chefe Marilda dar os três apitos para a reunião, ela leva o maior tombo. Afobada, levanta-se rapidamente, ajeita a saia que foi até a cabeça e com um sorriso sem graça brinca:
- Vocês viram a minha ligeireza?
E o Paulinho sub Monitor da Lobo responde:
- Vimos sim, chefe! Só que a gente conhecia isto por outro nome!

Seu Leôncio era um pai a antiga. Durão. Naninho seu filho chegou da reunião de tropa e disse:
— Pai, deixa eu fazer uma tatoo?
— Tá, se quiser pode até fazer duas...
— Sério?
— É, a segunda é pra fazer por cima da cicatriz que vai ficar se você fizer à primeira.

Nota – Muitos têm reunião escoteira hoje. Pensando nisso separarei algumas piadas para os lobos, escoteiros e chefes se divertirem. Boa reunião!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

conselhos de Baden-Powell



Prezados Chefes.

Pensamentos de Baden-Powell válido também para os Chefes Escoteiros.
- Um escoteiro faz o seu trabalho porque é esse o seu dever, não para receber alguma recompensa. O Escotismo não é apenas divertimento, mas exige muito de ti. Cumpre primeiro o teu dever, e os teus direitos ser-te-ão reconhecidos. Nenhum bom Escoteiro se furta aos seus deveres. Pelo contrário, o normal é que ele faça mais do que a parte que lhe cabe em benefício dos outros. Cumpre o teu dever mesmo que seja desagradável ou que ninguém dê por isso. Sê leal para com o teu amigo, mas ao mesmo tempo nunca sejas desleal para com o teu dever. É possível que isto te coloque frequentemente num dilema; mas a única maneira de resolvê-lo é por o teu dever em primeiro lugar, e agir em conformidade. A eficiência é uma excelente coisa, mas tem que haver algo mais por detrás dela: tem que haver coragem e valor e a determinação de cumprires o teu dever quaisquer que sejam os riscos de perigos que isso te acarrete.

Lord Baden-Powell of Gilwell.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Meu Escoteiro e meu Lobinho são o “Cara”



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Meu Escoteiro e meu Lobinho são o “Cara”

- O Presidente Obama usou esta expressão para definir o Presidente lula há alguns anos passados. O “cara” poderia significar que ele era o homem certo, o líder, o motivador etc. – Tenho lá meus motivos para dizer que naquela época Obama ainda não conhecia por dentro o presidente lula. Mas meu artigo não é para denegrir ou elogiar o ex-presidente. Meu tema é escoteiro. Quem afinal não tem em sua tropa ou alcateia, aquele jovem ou aquela jovem que mostram serem os melhores que os demais? Os mais interessados, os mais dedicados? Acho que quase todos que ficaram ou estão à frente de uma sessão tem alguém assim.

- Eles são os primeiros a chegar à sede e os últimos a sair. Nos acampamentos, acantonamentos, atividades extra sede ç[a estão eles com seu equipamento individual, bem uniformizados e sorrindo. Não reclamam são bons estudantes e os pais os consideram filhos modelos. As vezes a gente pensa que eles nasceram com o “Espírito Escoteiro”. São o exemplo e o orgulho em qualquer situação. Claro, desejaríamos que todos fossem assim, mas sabemos que isto não acontece.   

- Porque os demais não são do mesmo jeito? Afinal o programa é o mesmo para todos e se uns poucos se destacam não seria coerente que os demais fossem assim também? Se fosse verdade teríamos uma tropa ou uma alcateia considerada elite e facilmente o objetivo a que nos propomos fosse alcançado mais facilmente. A realidade sabemos é outra. Temos aqueles que perderam o interesse, faltam às reuniões, chegam atrasados e sempre tem uma desculpa para explicar o porquê não são como aqueles outros, ou seja, “O Cara”!

- Dizem que um dos maiores problemas que enfrentamos é o “filho do Chefe”. Considero o “Filho do Chefe” um caso a parte. É o mais prejudicado por ser cobrado a dar o exemplo do pai e esses exigem dele mais que os outros. Cobram o tempo todo, dão sorrisos mostram fotos aos amigos e vizinhos quando conquistam alguma insígnia, distintivo e isto é sinal de festa em família. Sempre dizendo ao rebento: Você é um escoteiro ou lobinho, a promessa para é ponto de honra, deve ser sempre o melhor para mostrar que puxou aos seus pais.

- Conheci muitos casos assim. Via no jovem uma revolta silenciosa, mesmo mostrando o prazer aos seus pais de tudo que esforçou para conquistar. Sei que muitos pais pensam diferentes, agem diferentes, mas a maioria não. Já vi casos de muitos que entraram para o escotismo para ficar ao lado deles muitas vezes prejudicando seu crescimento já que pretendemos dar a eles um caminho a seguir quando chegar a hora da decisão do livro arbítrio que um dia irão tomar.

- Tive quatro filhos no escotismo. Sei bem como é. Por ter tido uma vida escoteira independente dos meus pais, deixei-os seguir com os outros aprendendo fazendo caindo e a se levantar sem minha ajuda. Aceitei suas escolhas e quando muito dava uma palavra de estímulo. Conheci e conheço pais que agem dando livre arbítrio ao Chefe, sem menosprezar ou reclamar do modo como ele está sendo tratado. Muitos quando cresceram tiveram oportunidade de reconhecer seus chefes independentes da maneira que seus pais pensavam a respeito.

- Não é tarefa fácil manter o “filho do Chefe” em uma sessão escoteira quando os pais querem o melhor para seus filhos esquecendo que os demais merecem ter o mesmo tratamento. Vai chegar o dia que ele o jovem vai tomar suas decisões e se ele aprendeu assim no Movimento Escoteiro melhor para ele. Livre arbítrio não é fácil de ser interpretado e realizado. Se os Chefes não estão devidamente preparados para agir nestes casos sempre acontecerão dissidências, conversas truncadas que nunca serão benéficas para os filhos.

- Quando temos o “cara” em nossa sessão e os demais não são, acredito que o Chefe não está ainda devidamente preparado para conduzir a todos de uma maneira igual. Vemos muitos saindo seja o jovem seja o adulto por que não houve entendimentos entre um e outro e isso quem sabe é falta de maturidade e vivencia na condução dos jovens na sessão. Não sei se este tema vez ou outra é comentado nos cursos de hoje em dia. Uma boa prosa em uma dinâmica de grupo costuma dar grandes resultados.

 Em um grupo escoteiro somos uma grande família, onde todos olham por todos independentes da linhagem e da idade que nascemos e vivemos. Ter o “Cara” e não ter os demais com a mesma chama escoteira é hora de parar, pensar, raciocinar onde estamos errando. Muitos Grupos Escoteiros conseguem alcançar o caminho para o sucesso e outros não. Não é o que eu acho que importa, é o que todos nos achamos, do lobo ao Presidente do Grupo.

- Entender os motivos, conversar, trocar ideias, aparar arestas é função do Chefe e muito mais do Diretor Técnico. Um Conselho de Chefes cujas reuniões são feitas em um clima de fraternidade e compreensão, sempre dão resultados cujo benefício irá servir para todos os participantes. Aprender a ouvir e calar muitas vezes é o caminho para evitar uma discussão inútil e tola que não leva a lugar nenhum.

Nota - “De todas as lutas” e mágoas que enfrentamos na vida, sempre nos será mais fácil falar das que já vencemos de há muito, cujas lições já aprendemos e nos reconhecemos melhorados, do que relatar fatos recentes, quando as emoções ainda permanecem a descompassar nossos corações carentes de aprendizagem e de mais equilíbrio.

domingo, 27 de maio de 2018

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Qual disciplina deseja quem reclama da indisciplina?



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Qual disciplina deseja quem reclama da indisciplina?

                    Um tema que está tornando-se moda em educação é a indisciplina. Ao afirmarmos isso, não desejamos dizer que não ocorra no escotismo e que os protestos dos chefes e pais não tenham sido sem razão. A questão da indisciplina é sempre assunto que preocupa e, nos dias de hoje, ainda mais, pois assume a perfídia em situações inesperadas ou avança para registros policiais quando não evolui para a violência. Há alguns anos atrás recebi a visita do "Chefe" Escoteiro Marcelo. – Chefe dizia, eu tomei algumas decisões na tropa e não sei se agi corretamente. Tenho um Monitor de Patrulha que tem trazido alguns transtornos. Já conversamos em particular, fui a sua casa varias vezes e até mesmo seus pais reclamam da sua maneira de agir. Vi depois de algumas conversas que ele sempre foi perdoado em todos os erros que cometeu. Sempre foi compreendido e nunca repreendido como devia. Resolvi agir de forma diferente.

                   No último acampamento chamei a Patrulha e disse – Todos vocês foram devidamente preparados. Cada Patrulha é livre para tomar decisões de interesse geral. Nos últimos acampamentos vocês não se saíram bem e espero que neste possam pelo menos conseguir a eficiência de campo. Conto com vocês. No entanto a noite uma borrasca fria pegou todos de surpresa. Chamei os monitores e disse que ficariam suspensas as atividades da noite e que eles fizessem uma lamparada em seus toldos e que ficassem abrigados da chuva. Todos fizeram isso, vi inclusive de longe muitas patrulhas se preparando para a noite e inclusive colocando a lenha em local próprio para o dia seguinte. Na Patrulha do Marcinho não. Lá eram risadas, piadas e vi que a Patrulha não podia continuar assim.

               No dia seguinte ao tocar a alvorada com o chifre do Kudu, a fumaça correu nos campos de patrulhas menos na do Marcinho. Hora combinada em corte de honra para a inspeção de campo, todos formados menos a Onça Parda do Marcinho. Perderam a hora não conseguiram acender o fogo e com a lenha molhada não fizeram café beberam leite frio. Jogaram a culpa na lenha molhada. Era norma não deixarem lanchar sem a bebida quente. Ficaram sem o café da manhã e o almoço deles só saiu às três da tarde. Não participaram do programa de jogos na Lagoa do Jacaré.

                      A Corte de Honra resolveu puni-los. Marcinho reclamou. Se o tirassem do cargo ele sairia dos escoteiros. Uma ameaça uma chantagem? – Não tinha certeza. Nunca aceitei este tipo de coisa. Disse que iria pensar na punição e daria uma resposta na próxima reunião. Chamei a Patrulha e expliquei que a corte ia suspender o Marcinho. Todos sorriram. Sinal que não era bem quisto. Opinaram em fazer nova eleição. Foi escolhido o menor Escoteiro da tropa. O Pedrinho. Pequeno, raquítico. Fala mansa. Engano. Pedrinho colocou Marcinho na linha. Em pouco tempo a Patrulha se transformou. Chefe Marcelo disse-me também que no sábado anterior mandou de volta dois jovens que chegaram atrasados na reunião e com o uniforme apesar de não terem feitos suas promessas. Isto não era aceito. Só no dia da promessa. O garbo e a boa ordem sempre foi orgulho da tropa. Perguntaram se trocassem os uniformes podia continuar. Não podem. Só na próxima.

                    O "Chefe" Escoteiro Marcelo ficou ali me contando diversas outras passagens interessantes em sua tropa. Fiquei pensando dos meus dias de "Chefe" Escoteiro e os meninos de outrora. Uma disciplina diferente. Nunca tive esses problemas. Hoje não sei mais como é o procedimento dos chefes nesses casos. Vejo jovens que pecam pela indisciplina e alguns acham que ela inexiste. Muitos chefes acreditam que o castigo ou a penitencia não deve ser utilizado por nós. Castigo e penitencia no bom sentido. Nada de violência. Alguns dizem que deveríamos ter um conceito mais amável, como por exemplo, utilizar a relação de afeto e respeito, uma ação onde haja reciprocidade aceitando que alguns erros são próprios da juventude.

                      São conceitos que hoje me sinto em dificuldade, ou melhor, sem sintonia para agir como agia no passado. No entanto acredito que devemos a todo custo manter a disciplina nas sessões, baseadas no respeito mútuo. Quando me dizem que ordem unida não faz parte mais do escotismo fico pensando o porquê alguns insistem em misturar ordem unida com militarismo. Os jovens na tropa ou na Alcateia têm de ter respeito nas formaturas. Tem de saber se formar e o melhor é ensinar as bases primordiais em uma apresentação que pode até parecer militar, mas na minha modesta opinião faz parte da disciplina que se pretende dar a uma sessão Escoteira.

                          Quando os chefes de uma sessão sentam-se com seus jovens e desconstroem e sabem reconstruir com uma boa discussão e fazendo ver a plenitude do significado e dos tipos de disciplina, não apenas a reunião corre mais facilmente e a aprendizagem se concretiza de maneira mais saborosa como escoteiros/lobinhos e os chefes descobrem que, reconhecendo a disciplina como ferramenta essencial às relações interpessoais, aprendem autonomia, exercitam a firmeza e conseguem, com mais dignidade, construir o caráter.

                        A simples ação de um Escoteiro ao pegar um papel de bala jogado no pátio ou na rua, já demonstra que no Grupo Escoteiro de origem se pratica uma disciplina Escoteira que merece todo nosso aplauso. Continuarei o tema em um próximo artigo. 


Nota - A simples ação de um Escoteiro ao pegar um papel de bala jogado no pátio ou na rua, já demonstra que no Grupo Escoteiro de origem se pratica uma disciplina Escoteira que merece todo nosso aplauso. Afinal damos ou não valor a disciplina que devemos ensinar aos nossos jovens? Uma matéria para meditar. 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Do livro “Rastros do fundador”.



Do livro “Rastros do fundador”.
- A educação individual implica uma total confiança entre o Chefe e o Escoteiro, baseada na relação entre irmão mais velho e irmão mais novo; empregando um tratamento diferente para cada caso, graças ao conhecimento pessoal do seu temperamento, idade e caráter. “Porque nos havemos de preocupar com a formação individual”? Perguntam. Porque é a única forma por que se pode educar. Podemos instruir qualquer número de rapazes, mil de cada vez, se tivermos voz forte e métodos atraentes para manter a disciplina. Mas isso não é educação. De nada vale pregar a Lei do Escoteiro ou proclamá-la em vozes de comando a uma multidão de rapazes: cada entendimento requer uma exposição dos seus artigos e ambição de pô-los em prática. E é nisto que a personalidade e a capacidade do Chefe intervêm.
Baden-Powell of Gilwell.

Crônicas escoteiras. Paranapiacaba, a vila dos sonhos Escoteiros.



Crônicas escoteiras.
Paranapiacaba, a vila dos sonhos Escoteiros.

                       À primeira vista fazer escotismo aventureiro ao ar livre em São Paulo quando cheguei nesta cidade que passei a amar por volta de 1977 era tarefa de gigantes. Fui descobrindo e vendo que quem quer anda e consegue, quem não quer senta e dança a roda das galochas. Não esqueço a primeira vez que fui a Paranapiacaba. Para ser sincero nem me lembro de quem foi à ideia. Adoro andar de trem e tendo oportunidade lá fomos nós, eu mais dois chefes e uma patrulha de monitores.

                      Uma hora e pouca de viagem. Naquela época tinha trem todos os dias. Hoje? Acabaram com tudo, dizem que foi para preservar a vila. Li uma vez na Folha - CANDIDATA A PATRIMÔNIO MUNDIAL, PARANAPIACABA TENTA RESISTIR AO ABANDONO. A foto de trens e vagões abandonados não ficará para a posteridade. Deu-me um nó na garganta. Quantas vezes eu fui lá? Tantas que nem me lembro. Fui com monitores, com a tropa masculina e feminina, fui com seniores e fui com as guias. Claro fui também com a lobada querida e por último fui sozinho, a “Escoteira”, pois queria descer a Serra do Mar e quer saber? Foi delicioso. Um dia quem sabe vou contar.

                     Paranapiacaba foi projetada no século dezenove para abrigar operários da Ferrovia da São Paulo Railway Company que ligava Santos a Jundiaí. Uma pequena Vila de casas de madeira, mas como é linda. Na passarela da estação para a Vila a vista é maravilhosa. Como está na Serra do Mar à origem do seu nome que significa “lugar de onde se vê o mar” veio a calhar.  A São Paulo Railway inaugurou sua linha férrea em 1º de janeiro de 1867. Ela, primeiramente, serviu como transporte de passageiros; também serviu como escoamento da produção de café da província paulista para o porto de Santos.

                    Em 1874, foi inaugurada a Estação do Alto da Serra, que, mais tarde, seria denominada Paranapiacaba. Em 1969 desci a serra por ferrovia até Santos. Descer a serra foi um espetáculo a parte. Nunca esqueci a viagem. Incrivelmente bela. A descida era de tirar o folego e as cascatas, cachoeiras, corredeiras, matas, pássaros e animais eram visto a cada curva parecendo nos dizer: Bem vindo Escoteiro!

                     Uma vez com Guias e Escoteiras acampamos próximo à descida no Alto da Serra por três dias. Um local lindo, maravilhoso aguada e lenha à vontade. Riachos, corredeiras cascatas e o som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Um jogo de aventuras foi demais. Ainda bem que a monitora possuía uma Silva e um Percurso de Gilwell perfeito.  Descobrimos uma pequena trilha que nos levou a locais lindos e nunca explorados. Durante dez anos fizemos da Serra de Paranapiacaba nosso local preferido para acampar. Tudo levado nas costas, bom demais!

Impossível descrever todos os acampamentos que fizemos lá. Os chefes, escoteiros, escoteiras guias e pioneiros que juntos vivemos dias maravilhosos e que estiverem lendo este artigo devem lembrar como tudo foi maravilhoso. Até os lobos viveram ali grandes aventuras como se tivessem entrado na Jângal de Mowgly. Como em todo local inexplorado a segurança vinha em primeiro lugar. Nunca foi um local para Pata Tenras.

                   Um dia Paranapiacaba saiu do nosso roteiro. Descoberta por marginais, rapazes e moças que iam lá para dar início ao seu vicio, falando palavrões, dando mau exemplo aos jovens fez com que deixássemos a beleza da vila, das matas e das cascatas para nunca mais voltar. Hoje o trem ainda vai lá, mas é um trem turístico somente aos sábados e domingos com horários determinados. Perdeu a graça. 

                   Dona Francisca uma moradora um dia escreveu: - Aqui a Vila é mágica. A Vila aparece e desaparece. Tem dia em que você vê o morro Tem horas que você não vê nada. Parece que o grande caldeirão que você põe para esquentar, e a fumaça vem para a vela apagar. Tem bruxa no pedaço com sua varinha de condão que põe fogo no fogão A fumaça aparece, e a Vila... Desaparece! Como em um passe de mágica. O morro a sorrir a fumaça há persistir O dia não passa, nem as horas. Só fica a fumaça na cidade mágica.

                  Faz anos que não volto lá. Poderia acrescentar outros lindos locais que acampávamos. O Sitio da Viúva, O Parque Anhanguera na área inexplorada e São Lourenço da Serra... Todos locais maravilhosos que tínhamos a porta aberta para acampar quando quiséssemos. Intercalávamos com acampamentos em outras cidades confraternizando com os Grupos locais. Lembro-me de Santa Barbara do Oeste e Pouso Alegre. Eita tempo bom. Se voltar na Terra quando partir quero continuar escoteiro... À moda de BP!

Nota - A Serra de Paranapiacaba - Dorme; repousa em teu sono, Da força pujante emblema, Que tens o oceano por trono E as nuvens por diadema! Imóvel, muda, imponente, Entestas com a excelsa frente Das águias o azul império; E em vastíssimo cenário. Da tormenta o quadro vário Contemplas do espaço etéreo. (somente a primeira estrofe). João Cardoso de Meneses e Sousa.