Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Lord Baden-Powell, cidadão do mundo.



Lord Baden-Powell, cidadão do mundo.
(22/02/1857 – 08/01/1941)

Será que hoje todos os Escoteiros do mundo estarão reunidos com as mãos entrelaçadas cantando uníssemos a linda Canção da Despedida? Até que pode ser, até que poderíamos cantar que não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus. As lembranças do nosso Impeesa o Lobo que nunca dorme permanece vivo na mente de todos os Escoteiros deste pequeno planeta que habitamos. Na mente, no coração o espirito de BP é imutável e acredito que de todos os heróis do mundo ele será lembrado por toda a eternidade.
  
Lord Robert Baden-Powell "BP" - Chefe Escoteiro do Mundo, o nome de Baden-Powell é conhecido e respeitado em todos os lugares como o homem que, em seus 83 anos levou duas vidas separadas e completa, um como um soldado lutando por seu país, e outra como um trabalhador para a paz através da fraternidade do Movimento Escoteiro. Fundador original do Escotismo, Lord Robert Baden- Powell viveu por um lema interessante: Nós só temos um pouco tempo de vida, por isso devemos fazer as coisas que valem a pena, e fazê-las agora. Essa crença influenciou claramente sua visão da organização que ele estava a criar. Mas também continua a definir a verdadeira importância do Escotismo, a relevância e o impacto de seus programas, bem como o papel vital que os nossos grandes voluntários desempenham na tomada de Scouting o que é hoje. Em oito de janeiro de 1941, aos 83 anos de idade, BP morreu. Ele foi enterrado em uma cova simples no Nyeri dentro da vista do Monte Quênia. Em sua cabeça de pedra são as palavras "Robert Baden-Powell, Chefe Escoteiro do Mundo".

Ele sabia que ia partir e nos deixou a célebre mensagem de Peter Pan que todos conhecem. Hoje faz 73 anos que ele se foi. Saudades correm pelas fronteiras do mundo. No céu milhares de jovens transmitem suas mensagens de amor, amizade e fraternidade. Seu sonho de ver através do seu querido movimento Escoteiro uma união fraterna de todos os povos do mundo não acabou e nunca vai acabar. Ele vive na mente, no espírito e no coração dos jovens e adultos que participaram e participam deste movimento sem similar. Seu exemplo de vida ficará marcado para sempre no panteão dos heróis. Todos conhecem sua ultima mensagem. Mas aqui em nome de todos vocês eu faço questão de lembrar o que disse. Existem homens que sabem sua rotina e existem homens que fogem da rotina e estes se transformam em heróis da humanidade:

Escoteiros:
 Se porventura vocês tiverem visto a peça "Peter Pan", deverão estar lembrados de que o chefe-pirata estava sempre fazendo o seu "discurso de moribundo", porque receava que, possivelmente, quando chegasse a hora de ele morrer, não tivesse mais tempo para dizer tais coisas. Acontece quase a mesma coisa comigo e, assim, e embora neste momento eu não esteja morrendo - qualquer dia destes eu morrerei - , quero enviar a vocês uma palavra de despedida. Lembrei-me de que será a última vez que vocês ouvirão minhas palavras. Portanto, pensem bem nelas. Eu tenho tido uma vida muito feliz e quero que cada um de vocês também tenha uma vida feliz. Acredito que Deus nos colocou neste mundo alegre para que sejamos felizes e para gozarmos a vida. A felicidade não provém do fato de ser rico, nem meramente de ter sido bem sucedido na carreira; e, tampouco, de sermos indulgentes para com nós mesmos. Um passo na direção da felicidade é o de tornar-se saudável e forte enquanto se é ainda um jovem, de sorte que possa vir a ser útil e, dest'arte, gozar a vida quando for homem.
O estudo da natureza mostrará a vocês quão repleto de coisas belas e maravilhosas Deus fez o mundo para vocês gozarem. Alegrem-se com o que receberam e façam bom proveito disso. Olhem para o lado brilhante das coisas, ao invés do lado sombrio delas. Contudo, a melhor maneira de obter felicidade é proporcionar felicidade à outras pessoas. Tentem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram e, quando chegar a vez de morrerem, possam morrer felizes com o sentimento de que, pelo menos, não desperdiçaram o tempo, mas sim fizeram o melhor que puderam. Estejam preparados, desta maneira, para viverem e morrerem felizes, sempre fiéis à Promessa Escoteira de vocês, até mesmo depois que deixarem de ser jovens - e que Deus os ajude a cumpri-la. “Vosso amigo, Baden-Powell.”


Sempre Alerta meu grande Chefe. O escotismo graças a você ainda existe e nunca vai acabar!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O esforço para fazer a promessa.


Conversa ao pé do fogo.
O esforço para fazer a promessa.

- Eu me lembro até hoje de como foi difícil para “tirar“ as provas de Noviço.  Uma época que tínhamos de “ralar” para se conseguir um distintivo, uma especialidade. Quando você via um com Segunda Classe podia se orgulhar. E a Primeira Classe? Ali estava um Escoteiro padrão. Era função do Monitor e eu sempre a pedir a ele para me aprovar logo. – Calma Escoteiro, ele dizia. Vamos com calma, dê tempo ao tempo. São três meses para você fazer seu “estágio”. Eu louco de vontade de vestir meu uniforme. Foi conseguido com sacrifício, pois era de família pobre. Comprei peça por peça. Todos os dias eu o olhava com carinho. Estava perfeito no guarda roupa. Engomado. Aprendi com o Monitor como passar e engomar quando necessário. O cinto já havia recebido várias “graxas” para “amaciar” o couro e fazê-lo durar mais. O metal brilhava, pois eu não economizava na pasta de dente (usada naquela época para manter o metal e seu brilho). 

Aguardava com ansiedade o dia da minha Promessa. Já sabia ela de cor e salteado e tinha até treinado em frente ao espelho, a “pose” que iria fazer. Só quem passou pôr isso sabe o valor da Promessa. Naquela época ninguém vestia o uniforme antes da promessa. Acho que foi por isto que sempre me orgulhei em vesti-lo. Lembro-me do Chefe mandando voltar para casa, jovens que chegavam com ele. A disciplina fazia parte da nossa tropa. Nosso Chefe dizia que precisamos aprender o tempo certo para tudo. – Você não precisa correr para alcançar seus sonhos. Sua luta no dia a dia lhe dará força para conseguir todos eles, os sonhos de sua vida.

- Entendia perfeitamente o significado da Promessa e da Lei Escoteira. - Era sempre assunto no “Conselho de Patrulha”. A Corte de Honra tinha aprovado minha promessa e o próprio chefe conversou diversas vezes comigo a respeito. Mamãe ria quando me via no espelho - De novo filho? De novo sim. Eu sempre me olhava com o uniforme e me orgulhava. Lembro-me que o Chefe disse um dia que Baden-Powell nosso fundador dizia que o uso correto do uniforme e a elegância na aparência, tornam-nos motivo de credito para o movimento. Por outro lado um Escoteiro desleixado, mesmo vestido, pode causar aos olhos do público uma péssima impressão sobre todo o movimento Escoteiro. E ele dizia que se lhe mostrassem alguém assim ele iria provar que aquele Escoteiro não conseguiu pegar o verdadeiro Espírito Escoteiro. Completava – Ele não se orgulha de ser um membro da nossa grande Fraternidade.

Marcou-me profundamente estas palavras. Daí em diante iria me portar com um verdadeiro Escoteiro, não só nas palavras e ações, mas também na minha apresentação pessoal. E Quando chegou o dia da minha promessa foi o mais feliz em minha vida. Aquele uniforme tinha um valor tremendo. Lutei pôr isto. Mereci usá-lo. Os desafios das demais provas seriam mais fáceis agora.

Nunca mais esqueci aquele dia. A Promessa Escoteira marca por toda a vida! Ela nunca vai ser esquecida e olhe, não importa a idade. Desde menino até a idade da saudade. Quem fez sabe disto.

“Prometo, pela minha honra, fazer o melhor possível para cumprir meu dever para com Deus e a minha Pátria. Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer a Lei do Escoteiro”!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Pioneirias, sonho do Escoteiro?


As crônicas de um Chefe Escoteiro.
Pioneirias, sonho do Escoteiro?

             Não existe maior alegria para um Escoteiro ou uma Escoteira quando ao terminar de fazer uma pioneiria dar uns passos atrás e olhar com carinho sua obra. Um sorriso brota, os olhos brilham e dá uma vontade de tirar foto, filmar e mostrar para todo mundo. – Fui eu quem fez! Fui eu quem fez! Pode alguém aparecer e dizer que está mal feita, podem dizer o que quiser, mas ele ou ela estão ali orgulhosos pela construção que dedicaram horas, calos nas mãos, suor e mosquitos a enlouquecer qualquer um. Nesta hora é que todo o escotismo brota no coração. Bate aquela chama que nos dá orgulho em pertencer ao movimento.

             Todos jovens que entram no escotismo logo ouvem falar nesta palavra mágica. Pioneirias. O que é isto? Perguntam. Construções rusticas feitas com nós e amarras diz o Monitor. E ele fica com aquilo na cabeça. Doido para acampar e fazer uma. Depois não importa se o vento sul a jogou ao chão, ele vai ter “causos” e muitos para contar. De um simples banco um dia ele vai dizer aos seus netos que construiu uma linda poltrona reclinável e que bastava fechar os olhos e ela balançava ao sabor do vento. Os netos irão ouvir com orgulho e sonhar também em fazer o que seu avô fazia.

             Dizem e contam por aí que pioneiria tem técnica. Já vi artigos, livros, desenhos todos escritos. Eu mesmo publiquei vários. – Técnicas de Pioneiras. Tenho lá minhas dúvidas. Quando as fiz não tinha livros nem desenhos. Eram criadas da imaginação. Um pau ou bambu aqui, outro ali, umas amarras com sisal ou cipó e elas iam brotando conforme as necessidades. De vez em quando vejo fotos de algumas, lindas, esplêndidas, algumas obras de carpinteiros/engenheiros e não de jovens escoteiros. Dias e dias para fazer. Não sei se tem graça. A graça meus amigos é o Escoteiro ou Escoteira fazer. Chefe! Xôô! Se manda. Não fale, não fique ai olhando. Não dê palpites. Deixa-os crescerem! Faz parte do nosso método!

             Para mim vale mais uma pequena amarra dada por um jovem que uma casa em cima de uma árvore que não tem finalidade no adestramento progressivo e que foi feita pelo Chefe/engenheiro/carpinteiro. Ao dar a Amarra de acabamento ou fazer um simples Volta do Fiel é o inicio de tudo. E a Costura de Arremate? Simplesmente maravilhosa! Quando visitava acampamentos escoteiros no passado, ficava orgulhoso em ver no campo de Patrulha, como um simples sisal ou cipó cercava o campo. Ninguém pulava ou entrava por ali. A entrada era pelo pórtico. Rústico, simples sem aquelas belezas que vemos em fotos ou em grandes acampamentos ou jamborees escoteiros e sempre feitas pelos chefes. – Sempre Alerta Patrulha! Licença para entrar? Todos respeitavam.

              E durante a inspeção de campo pela manhã, ver uma mesa simples, um toldo mesmo que enrugado, bancos para sentar nas refeições, um fogãozinho suspenso, um lenheiro, um porta ferramentas, fossas de líquidos e detritos com tampas, mais ao fundo um WC bem feito ou mal feito, um tripé para o lampião, chapéus, um porta bastão e por aí afora eu me orgulhava. Nunca gostei de chefes que em vez de ajudar prejudicavam a Patrulha. Tudo limpo alguns levavam no bolso palitos, papeis para jogar ao chão e dizer: Não estava tão limpo. É correto? O que dirá a Patrulha? - Chamei a atenção de muitos e até em cursos que dirigi apareciam chefes assim. Vejam bem, eram formadores!

              E quando o cerimonial de bandeira terminava, era bom dizer o que tinha achado do campo, e fazer muitos elogios. Entregar a bandeirola de eficiência, cumprimentar o Monitor e toda a Patrulha, era bom demais! Que orgulho! Vê-los sorrindo! Pioneirias! Ah! Como são belas quando feitas por eles. Xôô Chefes! Voces não. Voces não precisam disto. Treinem seus monitores. Orientem-nos a ter ideias, mas deixe que eles façam, deixe que eles criem e um dia, um belo dia eles dirão: - Chefe vamos fazer um acampamento de dois ou três dias só para grandes pioneirias? Já pensou? Eles dizendo isto e não você?


             Pioneirias! Quem já fez nunca esquece. Mesmo aquelas que o vento malvado jogou ao chão. Mesmo aquelas que umas vacas invadiram o campo e pisaram em tudo. Mesmo aquelas que um dia passamos uma noite sentados nos bancos sobre a proteção do toldo, pois a chuva torrencial encheu de água e barro as barracas. Lembranças. Belas lembranças de pioneirias que brotaram na mente do escoteiro. Trazer água de um córrego próximo usando bambus, fazer uma ponte, Jangada de piteiras, Pórtico de três metros ou mais, estrado para barracas suspensa, escadas de cordas ou cipó, o caminho do Tarzan, um ninho de águia, uma passagem suspensa de bambus ou madeira de lei e até um elevador rústico. Tantas e tantas que começaram com uma simples amarra! Isto meus amigos, isto é escotismo!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Programas de reuniões de Tropa.



Conversa ao pé do fogo.
Programas de reuniões de Tropa.

Não sei dar muitos pitacos em programas de reuniões de tropa. Bem eu sei que fiz várias centenas deles e participei como jovem em outros tantos. Não dou porque sempre confiei nos monitores e deixava tudo nas mãos das patrulhas. Se eu não gostava não importava, se eles gostavam então eu sabia que estava no caminho certo. Não foi assim que BP criou o método escoteiro? Eu não se como são preparados os chefes nas UD (unidades Didáticas) de cursos de formação que se referem ao tema – Programando o Programa. Pode ser que diferem muito do que eu acredito como devia ser. Como sei que tem muitos chefes que estão acertando não posso dizer para mudar. Vejamos o que a maioria dos escotistas da tropa hoje em dia estão fazendo para montar seus programas:

- Na semana ou no mês, com auxilio de assistentes (ou mesmo só) em casa de um deles, prepararam o programa, um ou vários, determinando as funções de cada um, horários e adestramento progressivo; Tem aqueles que resolvem o quer fazer e mandam via e-mail aos seus assistentes o programa sem dizer qual seria a responsabilidade deles. - Em um sábado, quase na hora de ir para o Grupo, o Escotista corre para rabiscar um programa, meio sem eira nem beira, somente para ter em mãos e não esquecer o desenrolar da reunião, pois o contrário ele iria se perder e não seria nada bom;

- Sem tempo, ele acredita que é um bom Escotista e não precisa de programa. E a improvisação faz parte do dia. A garotada se diverte com um “racha” de bola, ou jogos já batidos, mas que fazem sucesso sempre que colocados em ação. No sábado seguinte ele verifica que alguns não vieram e sempre mandam um aviso ameaçando os faltosos disto e daquilo. Desculpe isto é minoria. A grande maioria dos chefes realizam bons programas dentro do que foi proposto no sistema de patrulhas. Sei que eles sabem que na tropa são coadjuvantes. Se a tropa aplica o sistema de patrulha não tem erro. Sei que hoje em dia em qualquer reunião de tropa é dado tempo para que as patrulhas se reúnam entre elas e os monitores lideram como deveriam liderar. Dando liberdade aos patrulheiros de opinar e divergir. Quem sabe a tropa ainda funciona no verdadeiro sistema de Patrulhas? Vejamos como penso que deveria ser:

 - Conselho de Patrulha - Reunião programada pelo monitor, semanalmente, antes ou depois da reunião, onde se discutirá além de outros assuntos, as sugestões de programas para a chefia, visando o adestramento progressivo, e sugerindo outras atividades extra sede que porventura podem dar mais conhecimentos a patrulha. Ops. Aonde eles irão sem supervisão da chefia o local deve oferece condições para isto.

- Conselho de Monitores – Ideal para montar programas de reunião, com sugestões da patrulha. Nada há ver com a Corte de Honra. Pode ser realizada uma vez por mês na sede, na casa de um Monitor ou na casa do Chefe. Sempre haverá a presença do Chefe e seus assistentes. Ali de posse das sugestões dos monitores o Chefe e Assistentes terão condições de montar programas a curto, médio e longo prazo. Poderão também colocar programas surpresa ou jogos ainda não testados. Já vi tropas usando este método e com bons resultados. Os jovens quando participam dão mais valor. A Corte de Honra poderá analisar melhor os resultados.

Aprender a fazer fazendo, faz parte do programa escoteiro e talvez um dos principais. Se a patrulha não tem esta liberdade ela não cria, não cresce individualmente e muitos jovens se sentem alijados motivo pela qual muitas vezes não participam das reuniões e preferem deixar o escotismo. Isto é importante, pois a experiência sempre mostrou que as tropas que fazem seu próprio programa e em alguns casos atividades ao ar livre sem a supervisão de adultos, mantém em suas fileiras por mais tempo seus membros e isto diminui a evasão e ajuda em muito no futuro. Conheço Grupos Escoteiros que além da ajuda dos pais sempre tem dois ou três chefes oriundos do próprio Grupo.

O Sistema de Patrulhas e o método deixado por BP é enfático em dizer que o escotismo é para os jovens. Os adultos são meros colaboradores e responsáveis pelo desenvolvimento sadio da tropa. Não cabe a eles fazer e nem tomarem a frente de tudo. Conheço tropas que em muitos casos os monitores são partes importantes nos programas e em todas as atividades da tropa. Eles valorizam muito quando tem sua própria patrulha de monitores e acampam com seus chefes aprendendo e trocando ideias. Um bom Chefe lidera como irmão mais Velho sua tropa e está de mãos dadas com a Patrulha de Monitores. Acampamentos, atividades e passeios com os monitores e subs fazem do chefe um líder amigo cujos benefícios serão conhecidos em pouco tempo.

Lembro que muitos escotistas procedem de outra forma. Não sou contra. Baden-Powell sempre disse que o importante é o resultado. Se ele é o esperado então deve continuar com faz hoje. A melhor maneira de analisar é ver se a evasão é pequena. Ela sim diz se o caminho percorrido foi válido. Aqueles que têm boas patrulhas, bons monitores, patrulheiros/patrulheiras motivados e com mais de um ano de atividade eles sim estão caminhando para o sucesso esperado. A melhor tropa é aquela que está sempre se motivando, procurando fazer o que gostam se sentindo parte do todo e dificilmente deixando as fileiras escoteiras.


Nota - Quando me refiro aqui aos meninos, é claro que também se aplica e muito bem as meninas, que por sua natureza são mais conservadoras, interessadas e sabem organizar o que querem de uma maneira prática e objetiva. Risos, melhor ainda em tropas separadas.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Obrigado por me dar a honra de ser meu amigo e minha amiga!



O ANO FINDA, OUTRO COMEÇA, E COMO BOM MINEIRO DIREI AO ENTRAR EM 2014 - “A NÓS AQUI TRAVEIS”!

Obrigado por me dar a honra de ser meu amigo e minha amiga!

Hoje não vou escrever uma história. O dia foi para analisar o ano que passou. Um ano proveitoso para muitos e principalmente para mim que adquiri centenas de amigos. Os amigos chegaram e os recebi de braços abertos. Na minha página do Facebook, no Grupo Escotismo e suas Histórias, em meus sete blogs sem contar um Clube de leitura via e-mail onde os comentários do que escrevo são vários. Nem todos concordaram com tudo que escrevi, mas não dizem que toda unanimidade é burra? Bem vindos os que deram sugestões, os que fizeram críticas simpáticas, os que por falta de tempo nada disseram. Todos a sua maneira enriqueceram as minhas publicações.
Nunca em minha vida me senti tão feliz ou quem sabe, mais feliz do que se estivesse na ativa com os jovens. Publiquei milhares de fotos quase todas de jovens enaltecendo o escotismo, respondi centenas de e-mails de membros do escotismo todos com suas dúvidas. Em quase todas as minhas escritas fiz questão de falar em um escotismo autêntico, de uma Lei de uma Promessa, comentei sobre a honra, a palavra, a lealdade, a ética e tudo que nossos jovens precisavam conhecer e saber. Se não ajudei mais foi porque minha saúde não ajudou.
Não agradei a todos. Sabia que não. Usei da minha liberdade de pensamento para discordar com nossos dirigentes com os destinos do escotismo no Brasil. Não bati palmas como alguns queriam. Poucos formadores entraram em contato e por isto não dei um sorriso e um abraço, mas aos demais chefes eu fiz tudo para motivá-los. Sai duas vezes da minha caverna para visitar atividades escoteiras a convite. Senti-me honrado onde fui. Por falta de outros convites não houve mais visitas.
Não sei o que me reserva em 2014. Espero que repita 2013 um ano muito frutífero para mim. Entretanto o que vier aceitarei sem reclamar. Seguirei sempre nesta trilha de falar o que penso, de passar o que aprendi, de ajudar quando posso e estar sempre com um sorriso, claro quando não for chorar. Obrigado amigos e amigas por me aceitarem como sou. Estou orgulho de ser amigo de todos vocês.

Gostaria de estar presente e apertar a mão individualmente de todos. Não sendo possível o faço mentalmente com orgulho de ter você como meu amigo. Que 2014 seja o ano do escotismo. Não importa qual nação. Que a felicidade more no coração de todos vocês para sempre!

FELIZ ANO NOVO!

Chefe Osvaldo Ferraz.

Obrigado Senhor por tudo que me destes por todos estes anos.



Um poema sem nexo de um Velho Escoteiro.
Obrigado Senhor por tudo que me destes por todos estes anos.

“Senhor obrigado por ter feito de mim um Escoteiro”,
A ser também um mateiro, mil noites, em campos sem fim.
Por me deixar conhecer a natureza perfeita, a sua maior obra...
Obrigado senhor por me dar a visão, por ela eu vi o sol,
Vi a lua, as estrelas e o firmamento. Doces momentos, obrigado Senhor.
Tudo que me destes fez de mim o que eu sou. Me deste a água da fonte,
Fez de mim amigo dos animais, deixou-me andar pelas florestas do mundo,
Conhecer pássaros coloridos e Gaviões tão grandes que me fizeram sorrir.

Senhor eu agradeço de coração, pois me deu além do que merecia.
Meu deu o olfato para sentir o cheiro da terra, sentir o perfume das flores,
Deixou-me rolar em uma campina florida, sorrindo junto a borboletas douradas.
 Eu consegui Senhor só porque sou Escoteiro, senti o aroma da orquídea,
Nas florestas verdejantes e tão distantes que um dia explorei.
Eu sei senhor que fui um privilegiado, conheci a chuva tão doce a me refrescar.
E por ter me dado o tato eu a pude senti-la em meus ombros, O ribombar e o Estrondo, de uma tempestade juvenil.  Eu tive a benesse, de acariciar a
Pele de um esquilo, em um vale colorido quando o sol se escondeu.
Brinquei com os dedos no dorso, de um Lobo cinzento charmoso,
Que me aceitou venturoso como irmão de ideal.
Senhor quer alegria maior do que sentir o vento no rosto?  
Sentir o orvalho da madrugada? O sol nascer e o cantar dos pardais?
A audição que me destes, deixou-me ouvir os sons da natureza.

Meu Deus que alegria, ouvir o cantar da passarada, ouvir o trinar do bem-te-vi,
O som da cascata murmurante, o trovão da cachoeira distante,
O piar da Coruja no carvalho, ouvir o lenho arder nas noites de fogo amigo. As
Chamas tão vermelhantes, fazendo o lenho arder e fagulhas subindo aos céus.
O sorrir da meninada a cantar o Guinganguli, os olhos lacrimosos lembrando,
Da canção da despedida, cantada em versos sofridos, mas alegres no despertar.
Nada Senhor é mais lindo que sentir a respiração, ao subir em uma árvore.
A nadar num belo remanso e ver peixinhos a pular. E Senhor, ver todos,
Meus companheiros, cantantes alegres e faceiros, infantes lá nas estradas,
A marchar em terras desconhecidas, e na trilha do alvorecer!

Obrigado mesmo meu Senhor, por ter me dado o paladar. Estalar a língua no
Almoço e no jantar, feito pelo meu amigo cozinheiro. Ele um bom Escoteiro,
Não reclama mesmo se o sal faltar, se tiver picadinhos de folhas rosa,
 Se uma formiga no arroz pedir socorro, à gente a retira e nunca vai reclamar.
Tudo isto senhor será motivo de glória, pois sabemos que o que fizemos,
E o que somos, irá ficar na memória e para sempre em nossa história.
Obrigado Senhor, e nesta passagem de ano, eu nos meus setenta e três anos,
Ainda tenho no coração a alegria de um menino que nunca deixou de sorrir.
E sonhar. Sabe Senhor, a graça que me concedeu, de me dar grandes amigos.
Que os outros da minha idade, possam lembrar com saudade de tudo que aconteceu.
Aceite o agradecimento, de um Velho Lobo teimoso, que se acha venturoso,
Por ter estado presente em sua obra tão linda e eu só posso dizer:
Valeu meu Deus. Valeu! Escoteiro eu sou graças a ti!

   Vamos passando, passando, pois tudo passa. Muitas vezes me voltarei, as lembranças são trombetas de caça, cujo som morre no vento.

(Guillaume Apollinaire)

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Uma canção para o Canário Amarelo de Giacomo.



Contos de Natal.
Uma canção para o Canário Amarelo de Giacomo.

♫Imagine que não há paraíso. É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós, acima de nós apenas o céu.
Imagine todas as pessoas vivendo para o hoje ♫.

         Era apenas um filhotinho de canário amarelo caído do alto de uma castanheira em flor. Ficava em pé com dificuldade e já sabia que não podia voar. Sentiu-se só e abandonado. Sua mãe saíra para buscar o almoço e não voltou. Estava ali há horas e a fome só aumentando. Tentou um lugar para esconder, pois sua mamãe canária lhe dissera para tomar cuidado com o Gavião Malvado. Ele podia morrer se fosse encontrado só. Mas o que ele poderia fazer agora? Não podia andar e nem voar. Era muito pequeno e ali perdido naquela grama alta seria descoberto logo. Poderia ser pelo Gavião Malvado, poderia ser por um animal da floresta e poderia ser também pelo filhote de homem. Eles gostavam de machucar os pássaros da natureza. Fechou os olhos e chorou. Dizem que canário não chora, mas ele chorava. Saudades de sua mamãe canária, saudades do sua Tia A coruja Buraqueira. Ela também o protegia, mas desapareceu como o vento na tempestade.

♫Imagine não existir países não é difícil de fazer,
Nada pelo que matar ou morrer e nenhuma religião também,
Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz♫.

              Ele ouviu passos. Pequenos passos de um menino pequeno. Ele o viu. O filhote de Canário Amarelo tremeu. Era sua hora de morrer. Meninos não gostam de pássaros assim disse sua mamãe canária. O menino vestia de azul com um lenço verde e amarelo no pescoço e um boné azul também na cabeça. Ele não sabia o que era isto. Mas viu que o menino sorria, não o maltratou. Tentou falar com ele, mas ele não o ouvia. O menino viu que ele não podia andar nem voar. Saiu correndo e algum tempo depois voltou. Colocou em sua frente semente de arroz cozida. Em uma latinha havia água de beber. Ele viu que o menino de azul tinha um bom coração. Se sentiu revigorado após comer e beber. O menino ficou ali, não foi embora. Um sorriso simples como a dizer – “Não tenha medo eu tomarei conta de você”. Ele dormiu em paz acreditando na paz do menino de azul. Não sonhou. Canários não sonham. Acordou sozinho, pois o menino de azul se foi. De novo sozinho. De novo o medo. Agora tinha água e comida e mesmo assim ele não podia fugir dos seus predadores.

♫Você pode dizer que sou um sonhador
Mas não sou o único, tenho a esperança de que um dia,
Você se juntará a nós e o mundo será como um só♫.

          A noite chegou. Ele não tinha medo da noite. Para ele o dia e a noite era igual. Gostava mais da noite, pois podia se esconder. Ganharia mais um dia na vida. Sabia que o menino de azul não ficaria ali por muito tempo. Viu ao longe um amarelo branco aparecendo. Era a alvorada. O dia estava chegando. Onde estaria o menino de azul que lhe deu água e comida? Onde ele foi? Não entendia porque ele sumiu. A comida não iria durar muitos dias. Ele era pequeno tinha de comer bastante. Sentiu seu corpo revigorar. Levantou as asas e ela bateu para cima e para baixo. Tomou distância em uma trilha correu e saltou para o espaço. Caiu feito uma abóbora madura. Ainda não estava na hora? Impossível, ele tinha de tentar e tentou muitas vezes. Qual foi sua surpresa que de tanto tentar levantou voo. Como era lindo voar. Rodopiou no ar varias vezes e quase foi engolido pelo Gavião Malvado que voava por trás. Ele não viu. Não sentiu o som de suas asas.

♫Imagine não existir posses me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome uma irmandade do Homem
Imagine todas as pessoas compartilhando todo o mundo♫.

      Ele viu ao longe uma onça parda olhando por um precipício e sabia que devia ser sua caça. Ele estava à espreita, mas não atacou. Vou baixo para ver e qual foi seu espanto quando viu o menino de azul caído no buraco fundo. Ele estava com os olhos fechados e parecia estar com dor, pois chorava e cantava baixinho – Meu Jesus me proteja, não deixe que nada aconteça comigo neste dia de natal. Meus pais irão chorar quando não me virem na ceia da meia noite. Senhor Jesus amado, não quero que eles chorem. O filhote de Canário Amarelo sabia que precisava fazer alguma coisa. O menino de azul o salvou e ele tinha de fazer o mesmo. Pousou em um galho de uma arvore e ficou pensando. Sentiu um esvoaçar nos céus. Milhares de Canários Amarelos o procuravam por todos os lugares. Sua mãe o viu, voou até ele e com bico o beijou varias vezes. Ele contou para sua mamãe sobre o menino de azul. Ela lhe disse para não se preocupar. Mandou-o ficar ali na espreita enquanto ela iria montar um plano para salvar o menino de azul.

♫Você pode dizer que sou um sonhador
Mas não sou o único tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós e o mundo viverá como um só♫.

         Não demorou muito tempo. Milhares ou milhões de canários chegaram com uma enorme rede de cipó feita por Araras vermelhas, tico tico da floresta, pardais das campinas verdejantes e tantos pássaros que agora só havia um objetivo. Tirar o menino de azul do buraco. Quinhentas andorinhas voaram por cima da Onça Parda. Não deram sossego e quando ela se sentiu bicada pelas andorinhas saiu em desabalada carreira. Em pouco tempo os Canários Amarelos jogaram a rede em cima do menino de azul que assustado sentou no meio da rede e foi levado pelo ar até onde estava acantonada sua Alcateia. O deixaram ali e dezenas de lobinhos e lobinhas batiam palmas por tão belo espetáculo. O menino de azul foi salvo. Naquela noite de natal ele e sua família cantaram felizes por estarem juntos. Os pais não sabiam que ele salvou um Filhote de Canário Amarelo e eles o salvaram de morte certa. Ele nunca mais esqueceu este dia. Para ele o menino de azul foi o melhor natal de sua vida. Ele sabia que o que fizerdes de bem sempre terá em troca o dobro.

Noite feliz, Noite feliz,
O Senhor, Deus de amor,
pobrezinho nasceu em Belém.
Eis na lapa Jesus, nosso bem.
Dorme em paz, oh Jesus.
Dorme em paz, oh Jesus.


A canção Imagine tanto a letra como a musica é de autoria de John Lennon.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

E aí Pedrão Pioneiro, nada como um dia após o outro!



Contos de natal.
E aí Pedrão Pioneiro, nada como um dia após o outro!

♫ “Em uma montanha bem perto do céu, se encontra uma lagoa azul
Que só a conhecem aqueles que têm a dita de estar em meu clã”!
♫

           E quem disse que a vida do Pedrão Pioneiro era fácil? Ele sabia que não, mas como bom Escoteiro que sempre foi enfrentava tudo com um sorriso nos lábios. Enquanto sua mãe cozinhava para a Fábrica de Motores ele podia estudar. Agora não mais. Ela ficara doente e a mandaram embora. Reclamou na justiça e eles recorreram. O advogado disse que poderiam protelar por muitos anos. Ficaram a Deus dará. Ele seu irmão Juventino de seis anos e sua mãe que já estava chegando aos setenta. Pedrão Pioneiro tinha 21 anos e trabalhava em uma loja de calçados. Salário Mínimo e comissão. Tirava uns mil e trezentos por mês. Pagava sua faculdade novecentos. Não dava para a família comer. Teve que trancar a matrícula. O pior aconteceu. Devido dar muita atenção a sua mãe que mal podia andar faltava muito ao serviço e foi demitido. Chorou e implorou ao seu Nonato para ficar. Nada feito. Seu Nonato foi inflexível. O pior que isto aconteceu uma semana antes do natal. Belo presente de Papai Noel pensou. O Clã partira para o Rio de Janeiro. Foram convidados por pioneiros cariocas a passarem o réveillon com eles. Ele não foi. Ir como? Sem dinheiro? Deixar sua família em dificuldade? 

♫ “A sede de riscos que nunca se acaba, as rochas que há a escalar
O rio tranquilo que canta e que chora jamais poderei olvidar”.
♫

           Pedrão Pioneiro soube que havia uma vaga na loja de calçados do shopping Sol Nascente. Levantou cedo e partiu. Seu dinheiro acabara e nem para o ônibus tinha mais. Seguiu a pé. Não era longe, menos de doze quilômetros. Quantas vezes ele fez mais que isto nos Escoteiros? Riu com as lembranças. Mas no fundo chorava sem ninguém ver. Ele sabia que só tinham alimentos para mais dois dias. Depois só Deus para ajudar. Quando atravessou a Avenida Rebouças uma multidão correndo. Ele se assustou e ficou em pé em frente a um bar que já havia descerrado suas portas. Vários policiais o agarraram e batendo com seus cassetetes gritavam – “Toma seus Black Bloc filhos da mãe”! Pedrão Pioneiro tinha ouvido pela TV da baderna que faziam. Cruz credo logo ele um Escoteiro, um amante da paz apanhando daquele jeito? Levaram-no preso para o oitavo distrito. Foi jogado em um camburão com mais seis. Um inferno! Não podia se mexer e feriu seus pulsos com a algema que lhe colocaram. Os que estavam com ele logo foram soltos. Na delegacia advogados estavam lá a espera. Ele? Um pobre coitado sem eira e nem beira e nem conversou com o delegado. O levaram para o cadeião de pinheiros. Jogaram-no em uma cela de três por quatro junto com mais vinte presos.

♫ “No alto da serra na gruta escondida, foi lá que eu fiz o meu lar”.
“Subindo e descendo com corda ligeira, eu vi o meu clã acampar”.

            “Meu Deus!” rezava Pedrão Pioneiro. Ajuda minha mãe e meu irmão ela está doente e ele só tem seis anos! Pedrão Pioneiro no noticiário das seis apareceu como Chefe dos Black Bloc. – Preso o mais perigoso arruaceiro de São Paulo! Diziam em alto e bom som. Logo ele? Um Escoteiro? Uma pessoa que nunca fez mal a ninguém? Passou mais três dias na cadeia. Todas as noites seus olhos se enchiam de lágrimas a pensar em sua mãe e seu irmão. Dia 24 de dezembro véspera de natal ele foi solto. Esperava-o na Secretaria da Cadeia o Delegado Paulo Santos. Olá Pedrão Pioneiro, o que eles fizeram com você? O delegado Paulo Santos quando ele passou para Escoteiro com onze anos estava nos seniores fazendo a Ponte Pioneira. Pedrão Pioneiro tinha se esquecido dele, mas ele não se esqueceu de Pedrão Pioneiro. Foi ele quem o soltou. Deu uma carona até sua casa e Pedrão Pioneiro não aguentou. Chorou de felicidade em saber que amigos no escotismo são amigos para sempre. A surpresa maior foi ver na porta de sua casa dezenas de Escoteiros e chefes do seu grupo e de outros da redondeza. Eles souberam do acontecido e em nenhum momento acreditaram na acusação. Uma campanha do quilo e o problema da comida de Pedrão e sua família estava resolvido por alguns meses.

♫ “O sol no caminho, a seguir direciona, o vento estimula a andar,
Paredes e vidros e grandes rochedos, repetem o eco a cantar”!
♫

           Era noite de natal. A mãe de Pedrão Pioneiro fez uma linda ceia. Convidou o Delegado Paulo Santos que ficou por alguns instantes. Tinha de partir para ficar com a família dele. Dois pioneiros que não viajaram para o Rio de Janeiro ficaram com ele até a meia noite. Uma parte resolvida pensou Pedrão Pioneiro. Pelo menos comida eles teriam por alguns meses, mas e depois? Pedrão Pioneiro sorria ao ver o irmão Juventino brincando com amigos. Uma hora da manhã e uma perua parou em sua porta. Pedrão a viu, pois estava no portão vendo o belo céu cheio de estrelas. Viu que era a Perua da Loja de calçados que trabalhava. O próprio “Seu” Nonato desceu e chorando pediu desculpas a Pedrão Pioneiro. – Olhe eu fiz um cálculo errado na sua rescisão de contrato. Faltaram doze mil reais e fiz questão de trazê-lo pessoalmente. E quero que volte. Você foi nosso melhor funcionário que já tivemos. “Seu” Nonato, muito obrigado, mas não me tenha como vingativo. Eu agradeço, mas sabe? Com este dinheiro vou abrir na minha garagem uma lojinha de pequenas coisas. Minha mãe vai cuidar e tenho certeza que poderei estudar e voltar a tempo para administrar com ela! E a vida voltou a sorrir para Pedrão Pioneiro. Nada como um dia após o outro!
É melhor não contar, mas Pedrão Pioneiro se formou e hoje é dono de uma grande rede de lojas de calçados. Dizem que têm filiais até nas “Horopas e America”

Só dê ouvidos a quem te ama. Não te preocupes tanto com o que acham de ti. O que te salva não é o que os outros andam achando, mas é o que Deus sabe a teu respeito!

♫ “Põe tuas mágoas bem no fundo do bornal e sorri”!
O que importa é vencer o mal, mantenha sua alegria,
“Não importa você se zangar, pois o mal vai acabar”! ♫


domingo, 22 de dezembro de 2013

Milagres existem, é só acreditar.


Contos de Natal.
Milagres existem, é só acreditar.

♫ “Rataplã do arrebol, Escoteiros vede a luz”!
Rataplã olhai o sol, do Brasil que nos conduz” ♫

               Liminha não pensou duas vezes, se tinha de pular não ia discutir com o Monitor. Tomou distância e correu, pulou e quase alcançou a margem do outro lado. Não conseguiu, caiu por uns bons cinco metros e sentiu a pancada nas costas. Foi a primeira vez que sentiu uma dor enorme. Foi também que descobriram que ele estava com leucemia. Não foi assim tão rápido. Começou quando após a queda sentia uma dor de cabeça que não passava. Uma fraqueza e cansaço tremendo. Viu manchas arroxeadas na pele e sentia dor nos ossos e articulações. Apareceram outros sintomas, mas os médicos diagnosticaram facilmente. Liminha nunca pensou que podia ter esta doença. Era um Escoteiro alegre, Corredor, valente nas atividades e sempre se sobressaindo em tudo. Quando seus pais souberam acharam que o escotismo era o culpado. A dor é muito forte e achar a culpa de alguém é mais fácil para enfrentar o desespero que passavam. Liminha nunca chorou na presença dos seus amigos de patrulha. Aceitou e muitos estranharam por vê-lo sempre sorrindo.

♫ “Alerta, ó Escoteiros do Brasil, alerta!
Erguei para o ideal os corações e flor!
A mocidade ao sol da Pátria já desperta
A Pátria consagrai o vosso eterno amor” ♫.

               Seus pais não mediram esforços para tentar uma cura. A leucemia era uma doença cruel. Primeiro os medicamentos e a poliquimioterapia. Era demais para ele. Mas com três meses começou a se sentir melhor. Exigiu voltar para sua patrulha. Não pediu e disse aos seus pais que sem o escotismo ele iria morrer logo. Na primeira reunião de patrulha disse para todos o que tinha, mas não queria compaixão – Vocês tem que me considerar como um igual. Se acharem que estou doente nunca mais eu conseguirei melhorar! O escotismo era um balsamo para Liminha. Não perdia um acampamento e com tristeza não pode participar de um bivaque. Seria muitos quilômetros e o próprio Chefe o aconselhou a não ir. Foi a primeira vez que Liminha o viu. Tinha quase sua idade e sem nenhum fio de cabelo, mas com um belo sorriso. Ficaram amigos e seus pais ficaram mais ainda preocupados. Liminha apresentou seu amigo, mas ninguém via ninguém. Um amigo que foi tirado da sua imaginação, todos pensaram. A contra gosto aceitaram. Se isto o fazia feliz porque não? Liminha o chamava de Tércio. Passavam horas conversando.  

♫ “Por entre os densos bosques e vergéis floridos,
Ecoem nossas vozes de alegria intensa!
E pelos campos fora em cânticos sentidos
Ressoe um hino avante à nossa Pátria imensa”! ♫.

           Quatro meses depois Liminha teve outra recaída e desta vez passou meses internado no hospital. – Só um transplante de medula óssea poderia resolver, aconselharam. Mas e como achar um doador perfeito? Vários membros da família se revezaram nos exames, mas nenhum serviu. Liminha se tornou um exemplo para os internos do hospital. Vivia sempre sorrindo e contava longas histórias para os meninos internados no mesmo quarto que ele. Todos aprenderam a reconhecer quando Tércio estava com ele. Tércio sabia tantas histórias e mesmo não o vendo eles se divertiam. Até mesmo os Escoteiros da sua patrulha e da tropa gostavam de ir ao hospital para não só visitá-lo, mas para mandar um abraço a Tércio. Um Tércio que só Liminha conseguia ver. Liminha não melhorava. Pediu aos seus pais que trouxessem o seu uniforme. Gostaria que quando houvesse visita ele estivesse com ele. Era contra as normas do hospital, mas os médicos autorizaram. Quinze dias antes do natal Liminha piorou. Quase não falava. Os médicos comunicaram aos seus pais que não havia retorno. A vida de Liminha era uma questão de dias.

♫ “Unindo o passo firme à trilha do dever,
Tendo um Brasil feliz por nosso escopo e norte
Façamos ao futuro, em flores antever
A nova geração jovial confiante e forte”! ♫.

            Liminha pediu e foi autorizado que fizessem uma reunião de tropa em uma área ajardinada do hospital. Era o dia 24 de dezembro. Ele foi em uma cadeira de rodas. O Chefe Escoteiro emocionado fazia tudo para que Liminha participasse sem notar que o programa tinha sido feito para sua participação. Liminha ria a valer nos jogos e gritava a mais não poder para Tércio seu amigo imaginário. No final da reunião na cerimonia de encerramento antes da bandeira Liminha pediu ao Chefe se seu Amigo Tércio poderia fazer a promessa. O Chefe Escoteiro não sabia o que dizer ou fazer. Os pais de Liminha em um canto choravam lágrimas doídas. – Deus oh Deus porque tudo isto? Dizia sua mãe em prantos. Liminha na cadeira de rodas foi até o centro da ferradura e apresentou seu amigo Tércio a tropa. Quando assustado o Chefe Escoteiro tomava a promessa uma forte luz azul se fez presente. Ninguém entendia nada, mas todos viram em uma névoa branca um menino de branco, com a meia saudação a dizer: - Eu prometo, pela minha honra, fazer o melhor possível para: Cumprir o meu dever para com Deus e a Pátria, ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer à lei do Escoteiro.

♫ “E se algum dia acaso a Pátria estremecida,
De súbito bradar: Alerta aos Escoteiros,
Alerta respondendo, à Pátria a nossa vida
E as almas entregar iremos prazenteiros!
Alerta! Alerta! Sempre Alerta”! ♫
       A emoção foi demais. Lágrimas foram derramadas por todos. Liminha assustou todo mundo quando ficou de pé e corria rindo em volta do arvoredo do pátio do hospital. Ele gritava: Não vá embora Tércio. Não me deixes! Quero ir com você! Todos viram um redemoinho que se elevava aos céus. Alguns juram que ouviram Tércio dizer que voltaria. Seria por pouco tempo. Liminha chorava e andando normalmente pediu aos seus pais que o levassem para casa. Os médicos sem saber o que fazer concordaram. No outro dia ele voltaria ao hospital. Liminha voltou, mas para surpresa de todo mundo ele estava curado. Não sentia mais nada. Um milagre. Um milagre de Natal. Tércio no céu sorria. Liminha na terra sorria. O mundo Escoteiro voltou a pensar que no escotismo tudo pode acontecer. Foi o próprio Liminha quem disse ao seu pai e sua mãe:
♫ “Não é mais que um até logo,

Não é mais que um breve adeus” ♫.