Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Onde está o caminho a seguir?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Onde está o caminho a seguir?

Estava na praia com o meu pai, e ele me pediu para ver se a temperatura da água estava boa.
Ela estava com cinco anos, e ficou contente de poder ajudar; foi até a beira da água e molhou os seus pés.
 “Coloquei os pés, está fria", disse para ele.
O pai pegou-a no colo, caminhou com ela até a beira do mar, e sem qualquer aviso, atirou-a dentro da água.
ela levou um susto, mas depois ficou contente com a brincadeira.
 “Como está à água?" perguntou o pai.
 “Está gostosa", respondeu.
 “Então, daqui pra frente, quando você quiser saber alguma coisa, mergulhe nela".

Não sou mais o "Velho" estudioso do passado. Tento ler quando possível às novas mudanças, mas sinto dificuldades em interpretá-las. Meus olhos estão um pouco cansados. São tantas resoluções normas, artigos que fazem da minha cabeça um redemoinho. Sei que sem entender bem os novos ventos escoteiros não posso discutir os velhos ventos que já ser perderam no tempo. Antes achava tudo muito simples. Três ou quatro e o feijão com arroz ficava pronto. Hoje não.

Outro dia recebi um email de um jovem Escotista. Dizia – Leio seus escritos. Alguns bons outros não. Se não vai até um grupo trabalhar, melhor não ficar dando opinião. Eu estou em uma tropa. Amo o escotismo. Porque não faz como eu?  O passado Osvaldo ficou para trás. Agora temos outro escotismo. Mais moderno mais atual. Tente conhecer melhor para não ficar só fazendo críticas. Chamava-me de Osvaldo. Não chefe Osvaldo ou senhor Osvaldo. Até aí tudo bem. Fiz um exame de consciência. Tentei me colocar com a idade que tenho como um novo voluntário em um Grupo Escoteiro qualquer. Sabem? Eu não saberia preencher a tal ficha de inscrição. Muito complicada para mim. Tentei mas achei que não iria me enquadrar em nada. Mas suponhamos que fosse aceito. Teria um “assessor pessoal”, ele iria dizer no final se seria aprovado ou não. Afinal não é assim que funciona?

Passado alguns meses, vi em sonhos o assessor pessoal dizendo ao seu superior o seguinte – Olhe chefe, acho que o "Velho" não serve. Não me ouve e sempre discute comigo o que tento passar para ele. Veja, ele no primeiro dia já criticou a forma com que fazemos o cerimonial. Disse que devíamos ter uma patrulha de serviço ou matilha. Pode isso? Deixar para os meninos tamanha responsabilidade? O pior, nas reuniões fica dizendo aos chefes que não devem ficar dando palestras, por mais de 10 minutos, e que quando fizerem isso procurem um local adequado, etc. e etc. Completou. Depois de 10 minutos ninguém está mais prestando atenção!

E sabe o que mais? No acampamento. Criticou o tempo todo porque levamos os lobinhos, escoteiros, seniores todo mundo junto e fazíamos jogos e atividades escoteiras e devíamos fazer em separado. E olhe, falou um monte dos pais fazerem as refeições para todos. Usem as patrulhas, elas devem ser autônomas. Uma piada chefe. O cara não dá. É “carne de pescoço” vive cobrando que façamos pelo menos uma reunião de chefes por mês. Reclama de tudo. Acha que somos ásperos de vez em quando. E ainda quer que nos transformemos em anjos. Detesta uma piadinha e reclama dos meninos e meninas dizerem de vez em quando uns palavrões! E a Lei escoteira? Só reclama.

Cobra da gente tudo. Boa ação, treinamento dos monitores, um pouco de autonomia as matilhas, mais atividades e menos papeis coloridos. Fala sempre numa tal pontuação mensal. Reclama por que nos os chefes arrumamos a sede. Fala com nosso Diretor Técnico como se ele fosse sim o professor. Vive enchendo a paciência que não somos democráticos. Não ouvimos o que os meninos têm a dizer. Outro dia fizemos a promessa de seis de uma vez. Foi uma festa. Eles nos procuraram claro, sei que nosso grupo é bom. Sei que muitos estão saindo, mas eu disse a ele que nem todo mundo nasceu para ser escoteiro. Se quiserem ir embora xau!

Reclama sempre porque o distrito faz muitas atividades. Reclama mais ainda porque nós os chefes sempre vamos a Jamborees, Grande atividades escoteiras e os meninos não vão. Pode? Afinal somos adultos. Podemos pagar. Para isso trabalhamos. Quando eles crescerem poderá fazer o mesmo não acha? Olhe se fosse enumerar tudo o mandaria para a “Tonga da milonga do cabuletê”. O cara é carne de pescoço mesmo! E olhe, fique lá conosco uma reunião e você vai ver o "Velho". Só “enchendo o saco”!

É, o melhor é ficar na minha. São tantas atribulações e exigências que não iria ser aceito mesmo. Eu sei que sou um "Velho chato” mesmo. Não vou parar. Podem me chamar do que quiserem. Minhas idéias do que aprendi eu irei insistir até o fim da minha vida. Não sou perfeito eu sei, mas queira ou não é a única coisa que posso fazer. Lutar pelos meus ideais!


E por fim, o velho chato. Vocês conhecem um Velho Escoteiro chato? Ele é aquele que já viu de tudo, sabe de tudo, comeu de tudo, trabalhou de tudo na vida. Foi sapateiro, fazendeiro, caminhoneiro, lenhador, pescador, dentista e quem sabe Escoteiro. Na época dele ele serviu o exército e fez maravilhas que nem o Indiana Jones faria. Os peixes que ele pescava mal cabiam no mar. Adora falar sobre a guerra e sempre te dá conselhos QUE VOCÊ NÃO DEVE SEGUIR. A esposa dele não é chata, ela é uma velhinha carinhosa e cansada, sentada numa cadeira, fazendo tricô, que só quer te oferecer bolinhos, biscoitos e cafezinho. Se a velhinha é viúva, aí lascou tudo... Ela é boazinha, mas é triste e solitária, quando recebe uma visita faz questão de te tratar como um príncipe, mas você não gosta de velhinhas e tá morrendo de pressa! Só passou na casa dela pra fazer algum favor pra sua mãe. A principal função dos velhinhos chatos é tomar o seu tempo e gastar os seus ouvidos!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Opiniões? Eu as tenho, mas acho que todos também têm.


Opiniões? Eu as tenho, mas acho que todos também têm.

                   Gosto de escotismo e falo muito sobre ele. Acredito que conheço o movimento como todos, melhor não, mas tecnicamente falando me considero um estudioso e expert no tema. Escotismo para mim não tem segredos. Afinal foram mais de sessenta e cinco anos e centenas de acampamentos, excursões viagens e dezenas de atividades aventureiras. Porque escrevo isto? Bem porque não até o momento não me imiscui em assuntos da copa do mundo e passo ao largo das eleições deste ano. Claro que sou brasileiro como qualquer um, mas sofri e torci pelo meu time. Não deu. Vou me esganar por isto? Daqui a um mês todos voltam aos seus times e apesar das tristezas a vida continua. Sou daqueles que ganhe o melhor e o melhor queira ou não foram os Alemães.

                     Está vindo ai as eleições. Opinar? Será que todos não têm já uma opinião formada? Cada um sabe onde aperta o calo e no fundo já tem seu candidato. Se gostar do que existe bata palmas e se não gostar pense se pode mudar seu modo pensar. O que não entendendo em nosso país é que bons candidatos como pedagogos, professores, outros profissionais que são homens e mulheres de caráter são preteridos por alguns que nada oferecem. Basta à fama para serem eleitos. Eleger um analfabeto que se diz “estudado”, eleger um cantor, ou jogador de futebol se ele merece tudo bem. Mas só porque canta bem? Só porque joga bem ou é divertido?

                      Nas últimas eleições escrevi um artigo em que dizia sobre escolhas e porque não os oriundos do escotismo? Bem ou mal eles são ou foram escoteiros. Mas eles não foram eleitos. Nunca são. União dos Escoteiros? Sei não. Dizem que somos apolíticos. Acreditam? Sei de muitos que aproveitam do escotismo nas eleições. Em nossas lideranças regionais e nacionais tem vários exemplos. Agora eu pergunto: - Porque eleger o Zé das Quantas quando podemos eleger alguém nosso, ou quem sabe quase nosso? Veja esta bancada Escoteira no Congresso Nacional que dizem trabalhar por nós, alguém já viu o que fizeram? Agora nas eleições eles irão aproveitar nosso potencial (se o tivermos é claro) e falarem que são Escoteiros para angariar nossos votos?

                     Que cada um faça suas escolhas, não importa o partido, mas, por favor, procurem ver um pouco da Lei Escoteira em cada um. Não vá você colocar um lenço no pescoço de um candidato. Seu lenço tem honra, tem glória e tem passado. Pelo menos respeite o esforço dos chefes e jovens do seu Grupo Escoteiro que um dia lutaram para fazer uma promessa e ter orgulhosamente o símbolo do grupo no pescoço. É rotina sempre nesta época nos aconselharem, a saber, o que nossos candidatos fizeram nos últimos quatro anos. Se alguém faz isto não sei, mas eu faço e por isto já apaguei da minha lista muitos deles. – Mas Chefe, o fulano me faz muitos favores! Tudo bem, mas ele é probo e tem a Lei Escoteira como principio de vida?

                       Eu não dou conselhos e nem aponto escolhas. Só lembro que em toda minha vida lutando pelo escotismo foram poucos que se declararam Escoteiros não só nas eleições, mas em toda sua vida. Repito sempre que não temos pessoas bem colocadas na sociedade brasileira, que vem dar testemunho do valor do escotismo na imprensa falada, escrita e televisada. Claro que temos excelentes homens, honestos, caráter ilibado que sabem do nosso valor e alardeiam aos quatros ventos. Mas os que são altos dirigentes empresariais, os altos dirigentes políticos e aqueles que se assanham com o poder nada dizem e nada fazem. Mesmo aqueles que já se foram procurem saber o que fizeram pelo escotismo.

                  Nosso país carece muito de homens dignos que foram Escoteiros e nos dão valor devido. Qualquer estudioso sabe que nos demais que tem o escotismo como fato que são bem aquinhoados com cidadãos que alardeiam sua condição Escoteira. Temos muito que mudar, mas por onde começar que cada um comece agora. Escolha bem e lembre-se nas eleições Escoteiras pense bem se o que você está elegendo merece seu voto. Se ele vai dar transparência em seus atos e se vai prestigiar você ouvindo suas opiniões.


Abraço fraterno a todos. 

sábado, 12 de julho de 2014

O nostálgico toque do “Silêncio”.


Conversa ao pé do fogo.
O nostálgico toque do “Silêncio”.

Em Silêncio Acampamento,
Este canto vinde ouvir,
São fagulhas da fogueira que nos dizem
Escoteiros a Servir...

                   Um toque de clarim é mágico. Lindo. Marca profundamente para que já tocou ou ouviu seus sons calmos e tranquilos em uma noite de luar ou sem luar. Dizem que é um toque choroso, machucado, que dói fundo no coração. Sua história até que diz isto. Conta-se que na guerra civil americana um soldado gemia em uma trincheira. Um oficial confederado achou que era alguém do seu batalhão. Com dificuldade o trouxe até onde estavam. Não era um confederado e sim do exercito do norte. Todos o queriam morto e ele morreu. O oficial agora sobre uma luz bruxuleante nota que o morto parece com alguém. Sim, era seu filho que deixara sua fazenda no sul da Geórgia há muitos anos e foi para o norte. Queria enterrá-lo com honras. Não deixaram. O General confederado com pena chamou um corneteiro. – Toque qualquer coisa quando forem enterrá-lo. Ao retirar os objetos do bolso de seu filho morto viu um pedaço de papel onde ele havia escrito um hino. Surgiu assim a lenda que se transformou em realidade. Hoje esse hino é conhecido como o “Toque do Silêncio”.

                  Nunca me foi estranho. O toquei diversas vezes no exército onde servi e muitas outras vezes em acampamentos que fiz neste mundão de Deus. O toquei algumas vezes na partida de alguém que foi se juntar ao criador. Toque triste, não era o que eu gostava de tocar. No acampamento sim. Tocava sorrido. Ao terminar gostava de olhar a noite escura. Olhar para o céu estrelado. Olhar as barracas onde dormiam os Escoteiros, onde ao terminar de um dia, onde a fogueira apagou, onde as brasas adormecidas se escondiam em cinzas deixando aqui e ali algumas centelhas que subiam aos céus e tentavam os moleques vagalumes e pirilampos que se divertiam na orla da floresta. Gostava disto. Amava mesmo o Toque do Silêncio. Sabia que a noite seria longa, que sonhos mil iriam habitar a mente da escoteirada que dormia. Hora de ir dormir. Meu clarim guardava com orgulho. Sabia que na manhã seguinte, quando o sol despontasse no horizonte eu iria usá-lo novamente. O Toque da Alvorada.

                 Mesmo com sono, sentava na porta da barraca. A pequena fogueira era acesa. Nas brasas um bule de café esquentando. Um pão do caçador perdido no meio do fogo. De uma ou outra barraca saia um noctívago. Eram velhos amigos que sempre participavam desta deliciosa conversa ao pé do fogo. Eles sabiam que ali iriam surgir piadas, contos e causos, alguém iria trazer um violão e iriam surgir canções deliciosas e muito mais. Um amor que só os Escoteiros sabem ter um pelos outros. Algumas vezes, perdidos e vindos do meio da floresta, um tatu bola aparecia espantado, uma coruja buraqueira a nos olhar curiosa e até mesmo um antigo amigo um Lobo Guará mais conhecido como O “Anjo Amarelo” esperava seu quinhão de carne que sempre lhe dei. Coisas de um Velho corneteiro. Hoje não toco mais, tocar onde e como?

                      Dizem os Grandes Chefes da nossa liderança que isto não se faz. É para os militares. Adoro ser Escoteiro, adoro meu clarim que tanto toquei e que hoje não posso mais tocar. Eu os perdoo estes pobres velhos lobos que não sabem o que dizem e falam. Sei que eles nunca passaram por isto. Não viveram o que eu vivi. Não sabem o que é sentir o vento soprando de leve no rosto, uma brisa gostosa da noite fresca o ar da floresta, um pingo de um orvalho solto na folha que o segurou. Eles não sabem como é lindo um toque de um clarim no seio de uma floresta, em uma noite escura e sem luar, estrelas cintilantes como a aplaudir, o som se espalhando pela mata, um silêncio respeitoso dos animais e da passarada e sentir aos poucos o sorriso da madrugada a chegar.

¶ “Dorme o sol e a terra”...
Tudo em paz se encerra!
                    

                        È, o dia terminou, a lua nasceu e é hora de dormir – “O espírito da Coruja mora neste acampamento”!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O caminho para o sucesso. Afinal existe oposição no escotismo?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O caminho para o sucesso.
Afinal existe oposição no escotismo?

                Alguns dizem que o escotismo é uma filosofia de vida, outros dizem que é uma diversão e outros fazem da sua participação um aprendizado para a vida toda. Poucos são aqueles que discordam e falam o que pensam e se assim o fazem é somente em OF e se firmam que o escotismo é para colaborar e fazer os jovens caminhar para o sucesso. Sempre me pautei por criticar nossos dirigentes. Claro que sabemos que entre eles tem muitos cheios de boas ideias, mas que ainda se aferram no cargo que estão nunca discordando o certo e o errado. Poderia enumerar aqui centenas deles. Porque não crescemos apesar de que nossos dirigentes dizem ao contrário. Aceitamos tudo de mão beijada e nunca damos nossa opinião e quando o fazemos logo tem um para dizer – O Escoteiro é obediente e disciplinado. Isto é bom para nossos dirigentes. Eles decidem entre eles o que fazer como fazer e nunca nos perguntam se deveria ser assim ou não.

                Se os leitores deste blog tiver paciência vai ver que tenho muitos artigos aqui publicados que mostram onde estamos errando. Participo de algumas listas aonde por e-mail vamos discutindo e aprendendo uns com os outros. Ainda nesta semana um amigo mineiro escreveu respondendo a uma pergunta minha sobre a evasão. Tudo surgiu porque outro amigo mostrou um estudo da UEB sobre ela. O estudo baseou em poucos associados e ali nada poderia ser levado em conta. Não representava nada em relação ao que todos nós estudiosos do escotismo estamos vendo, uma evasão que prejudica e se ela acontece é porque o escotismo não caminha para o rumo que BP um dia nos deu. Não vou me alongar e transcrevo abaixo tudo que o Chefe escreveu. Poderia eu mesmo ter escrito em outras palavras, mas sobre evasão ele atingiu em cheio tudo aquilo que penso:

- Às vezes eu acho os participantes desta lista inocentes. Não há interesse da UEB em computar e divulgar números da evasão. Percebam quais são os principais argumentos dos politicamente corretos defendendo nossos lideres: Eles dizem - "Se está tão ruim porque estamos tendo crescimento? meu distrito cresceu, meu GE está com fila de espera", como se não houvesse evasão, como se não faltassem adultos, como se jovens não estivessem largando o Movimento Escoteiro pelos mais variados motivos. Aliás, estes tipos não dão a menor importância para a evasão, pois vivem a apontar a porta da rua para quem está insatisfeito com os rumos da instituição, mesmo que haja um enorme déficit de adultos voluntários que, em geral, quando deixam o ME levam mais algumas pessoas consigo.

O que acontece é que o adulto voluntário não é valorizado. A direção trata adultos como mão de obra barata que deveriam se sentir demais satisfeitos e privilegiados por serem aceitos como voluntários. A oposição não é bem vinda, as críticas às patacoadas muito menos (não é escoteiro apontar os erros que fazem) e, claro, se o sujeito não sair por livre e espontânea vontade se arruma um processo na comissão de ética com acusações imbecis e infundadas ou o colocam no ostracismo.

O ME hoje é dividido em dois extremos: os "Profetas do Caos" e os "Senhores de Xangri-la". Os primeiros conseguem enxergar que o Movimento Escoteiro é uma ferramenta válida para a formação dos jovens, acredita nos ideais, mas não fazem vistas grossas às constantes patacoadas da direção. Os segundos vivem em um mundo perfeito, aonde o Escotismo brasileiro vai muito bem, onde dirigentes não cometem erros sérios, onde tudo é justificável e relativo e, claro, pensando e agindo assim, tem um lugar ao sol junto à direção. Esta é a turma que vive falando de Lei e Promessa para os que criticam, mas acham que tais mandamentos não se aplicam aos dirigentes, em especial aqueles de notório Poder dentro da instituição. Então para esta turma, por exemplo, é muito ético, normal, escoteiro, que um comissário indique a si mesmo para se manter no cargo, como se entre 80 mil associados não exista outro capaz de exercê-lo. É a turma que não vê o menor problema de um alto dirigente ser flagrado saudando a bandeira, ao mesmo tempo em que fala ao celular. (foto vista no Facebook) É a turma que acha que rombos em lojas escoteiras e que não foram apurados devidamente devem cair no esquecimento e apesar de serem muito ativos muito apaixonados pelo Escotismo, não exigem que este tipo de coisa seja esclarecida. É a turma que afirma ser a AR uma instituição democrática, mas quando uma jovem é censurada não mexe uma palha quanto isto.

O que tenho constatado em conversas com outros escotistas de todo país é que existe MUITA GENTE descontentes com esta turminha que vem há anos se revezando na direção nacional. O caminho que muitos têm escolhido é deixar o ME e levar consigo amigos e parentes, pois não acreditam valer a pena ficar dando murros em ponta de faca tentando mudar o que uma maioria, por interesses vários, deseja manter. Os que apoiam não o fazem, muitas vezes, por que são a favor do que está sendo feito e sim com vistas às medalhas, honrarias e cargos.

Sobre a entrega da Insígnia da Madeira

Por fim, o que acontece hoje no ME são pessoas se aproveitando dele para promoção pessoal e afago ao ego. E, felizmente, existem muitos que não concordam com a bandalheira que tem acontecido. Vamos lembrar que a IM é mera conclusão do nível de formação do Escotista: não é medalha, não é honraria, não é benesse. É DIREITO de quem participou dos cursos e os concluiu com o devido aproveitamento. No entanto em algumas Regiões a IM virou uma honraria reservada aos alinhados com o Poder. Como viram aqui, até insinuar que eu não recebi a minha porque não sei nada sobre Escotismo já fizeram. Aliás, isto normal, já que para alguns a direção nunca erra: a culpa é sempre do escotista. Hoje dizem que não posso receber minha IM porque no que pese registrado, meu GE não está ativo. Ora, posso participar de qualquer curso (pagando taxas para tanto de R$ 100,00), posso comprar na Loja Escoteira, posso exercer qualquer direito meu dentro da UEB com meu atual registro, mesmo não estando meu GE ativo, mas não posso receber minha IM? Já pensei em recorrer à Justiça, mas desisti por dois motivos: o primeiro em respeito e agradecimento ao meu APF; o segundo que não quero ficar conhecido como um escotista que conseguiu a IM no "tapetão".


                Deixei o nome do Chefe em OF. Melhor assim, ele tem caráter, tem honra, faz tudo para que o escotismo cresça, mas hoje é considerado “persona no grata” por muitos dirigentes. Sua IM está guardada em alguma gaveta. Sinto tristeza nesta hora em ver que meu estado natal tem pessoas de índole má, onde a Lei e a Promessa só vale para os amigos. Um dia fui Comissário neste valoroso estado, pessoas com estes que se arvoram como dono da verdade não existiam. Mas hoje os tempos são outros. Melhor mesmo é colocar a cabeça no travesseiro e pensar se o escotismo como dizia BP tem seu Caminho Para o Sucesso garantido. A sede de poder, a vontade de ser alguém e pertencer à casta dos lideres ainda vão existir por muitos e muitos anos.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Jovem você pode escolher se quiser o caminho da felicidade.



Conversa ao pé do fogo.
Jovem você pode escolher se quiser o caminho da felicidade.

                Ei jovem, você mesmo, para onde vai? Está não é a estrada certa. Procure outra. Quem sabe aquela que ficou lá atrás, pois tinha flores azuis e amarelas na entrada do bosque florido. Não percebestes? Era lá que você devia olhar e quem sabe encontrar o que procuras. Eu vi na curva do caminho centenas de jovens sorrindo. Notou que eles brincavam de gente grande? Viu como eles eram solícitos quando perguntas-te se eles gostavam do que faziam? Sei que você gostou deles e porque não permaneceu lá? Todos insistiram para você ficar. Não se lembras daquele pequenino que lhe deu um aperto com a mão esquerda e disse que ali morava a felicidade eterna? Então porque titubeaste? Porque não aceitou o convite feito de forma alegre e fraterna? Eles são assim, divertidos, amigos de todos e irmão daqueles que estão com eles nas veredas do bom caminho. Sabe quem são? Não sabe? Eles são Escoteiros, entusiastas joviais briosos brasileiros que vão se tornar homens brincando de aventuras.

                Volte! Não siga nesta trilha que está cheia de espinhos. Ela não vai levar você a lugar nenhum. Não acredite que os outros que vais encontrar serão seus amigos. Eles estão perdidos como você. Eles não pensam mais, são mortos vivos a vagar por aí. Esqueceram-se seu passado, suas vidas seus sonhos. Eles não sonham mais. Sentam em qualquer lugar onde alguém lhe oferece o néctar do veneno que mata. Você não pode desejar isto. Ainda tens tempo. É só voltar nas passadas do tempo. Lembre-se daqueles que te amam, que desejam seu retorno. Eles imploram seu retorno. Volte, não fique na duvida. Você tem ainda vastos caminhos a percorrer. Não peço para acreditar no criador. Muitos que estão aí com você hoje duvidam que ele exista. Mas cada um tem o direito de criar seu próprio destino e você não precisa criar um onde um dia irá ver só a escuridão, quem sabe um raio solto no céu mostrando o lamaçal onde irás viver. Isto seria vida? Não escolha este caminho. Não é um bom caminho.

                  Volte! Procure a terra do amor perfeito. Encontre outros amigos, aqueles do sorriso franco, do abraço sincero, aqueles que te dizem para cantar com eles o Rataplã. Abriram-lhe uma vaga na patrulha da felicidade. Deixarão para você uma flor de lis para lhe indicar o caminho. Deixarão você um dia escolher se quer ou não ser mais um destes milhões de jovens amigos que o mundo abraçou. Sei que se tentar vai gostar. Vais sentir o cheiro da terra, do capim molhado, do doce cantar do riacho cristalino, onde na cascata da nevoa branca as borboletas dançam e cantam nas ondas que o vento sopra sobre elas. Encontre o novo mundo, um mundo de jovens que querem o seu bem. Vá com eles. Suba nas mais altas árvores, escale as montanhas da alegria e volte depois para os seus que com os olhos cheios de lágrimas, pois eles o receberão de braços abertos.

                    Escute por favor, o chamado dos Escoteiros que insistem que você seja mais um deles. Abandone esta estrada que não tem fim. Abrace com eles a felicidade, a sede da aventura, a vontade de ser mais um, de ter amigos, de saber que agora tem com quem contar. Escotismo é isto. Um caminho certo para que você um dia possa orgulhar do seu caráter. Onde todos dirão que você é um homem de honra e não importam o que digam mais, importa sim o que você vai sentir no seu coração. E como diz o velho poema: Quem afinal se anima a escalar das serranias as alturas? Quem são aqueles que uma bandeira arvora nas asas da imaginação? Contemplais e vereis, são jovens Escoteiros, entusiastas, joviais briosos brasileiros que lá vão brincar ao léu de uma aventura

domingo, 6 de julho de 2014

Paranapiacaba, a vila dos sonhos Escoteiros.


Crônicas escoteiras.
Paranapiacaba, a vila dos sonhos Escoteiros.

                       A primeira vista fazer escotismo aventureiro ao ar livre em São Paulo era tarefa de gigantes. Eu mesmo pensei assim quando cheguei por aqui em 1977. Aos poucos fui descobrindo que quem quer anda e consegue, quem não quer senta e dança a roda das galochas. Não esqueço a primeira vez que fui a Paranapiacaba. Para ser sincero nem me lembro de quem foi à ideia. Adoro andar de trem e tendo a oportunidade lá fomos nós, eu mais dois chefes e uma patrulha de monitores. Uma hora e pouca de viagem. Naquela época tinha trem todos os dias. Hoje? Acabaram com tudo, estão acabando até com a vila. Dou uma olhada na Folha de São Paulo e lá está escrito: - CANDIDATA A PATRIMÔNIO MUNDIAL, PARANAPIACABA TENTA RESISTIR AO ABANDONO. Lá tem uma foto de trens e vagões jogados as traças. Meu deu um nó na garganta. Quantas vezes eu fui lá? Pelas minhas contas mais de quinze. Fui com monitores, com a tropa masculina e feminina, fui com seniores e fui com as guias. Claro fui também com a lobada querida e por último fui sozinho pois queria descer a Serra do Mar e quer saber? Foi delicioso.

                     Paranapiacaba foi projetado no século dezenove para abrigar operários da Ferrovia da São Paulo Railway Company que ligava Santos a Jundiaí. Uma pequena Vila de casas de madeira, mas como é linda. Na passarela da estação para a Vila a vista é maravilhosa. Como está na Serra do Mar à origem do seu nome que significa “lugar de onde se vê o mar” veio a calhar.  A São Paulo Railway inaugurou sua linha férrea em 1º de janeiro de 1867. Ela, primeiramente, serviu como transporte de passageiros; também serviu como escoamento da produção de café da província paulista para o porto de Santos. Em 1874, foi inaugurada a Estação do Alto da Serra, que, mais tarde, seria denominada Paranapiacaba. Em 1969 em visita a São Paulo minha Mana nos levou até santos por trem descendo a serra e passado pela Vila de Paranapiacaba. Nunca esqueci a viagem. A descida era de tirar o folego e as cascatas, cachoeiras, corredeiras, matas, pássaros e animais eram visto a cada curva.

                     Uma vez com Guias e Escoteiras fiquei acampado lá por três dias. Saindo da cidade rumo à descida do mar, acampamos em um local espetacular, um riacho com corredeiras cujo barulho marca. Lenha à vontade, e pioneirias surgiram da noite para o dia. Um jogo de aventuras quase deu o que falar em uma patrulha. Ainda bem que a monitora além da bússola Silva tinha um Percurso de Giwell do local perfeito. Havia uma pequena estrada que desembocava em uma trilha entrando em uma mata cheia de riachos com águas cristalinas e nela todos nós do Grupo Escoteiro nos divertimos enquanto duraram nossas jornadas que se estenderam por mais de dez anos. Impossível descrever tudo. Os chefes que comigo lá estiveram e se acaso me estão lendo devem lembrar como tudo foi maravilhoso. Os jovens lobinhos ou escoteiros pequenos ou maiores tenho certeza que tem de lá grandes lembranças.

                    Um dia Paranapiacaba saiu do nosso roteiro. Descoberta por marginais, rapazes e moças que iam lá para dar início ao seu vicio, falando e gritando palavrões, dando mau exemplo aos jovens fez com que deixássemos a beleza da vila, das matas e das cascatas sem fim para nunca mais voltar. Hoje o trem ainda vai lá, mas é um trem turístico somente aos sábados e domingos com horários determinados. Perdeu a graça. 

                   Dona Francisca uma moradora um dia escreveu: - Aqui a Vila é mágica. A Vila aparece e desaparece. Tem dia em que você vê o morro Tem horas que você não vê nada. Parece que o grande caldeirão que você põe para esquentar, e a fumaça vem para a vela apagar. Tem bruxa no pedaço com sua varinha de condão que põe fogo no fogão A fumaça aparece, e a Vila... Desaparece! Como em um passe de mágica. O morro a sorrir a fumaça há persistir O dia não passa, nem as horas. Só fica a fumaça na cidade mágica.

A Serra de Paranapiacaba

Dorme; repousa em teu sono,
Da força pujante emblema,
Que tens o oceano por trono
E as nuvens por diadema!
Imóvel, muda, imponente,
Entestas com a excelsa frente
Das águias o azul império;
E em vastíssimo cenário
Da tormenta o quadro vário
Contemplas do espaço etéreo.
(somente a primeira estrofe)

João Cardoso de Meneses e Sousa


Um adendo:

                Para descer a serra do mar é usado locomotivo Hitachi com cremalheiras, devido ao declive acentuado na ferrovia, impossibilitando o uso de locomotivas normais, pois elas não suportariam a carga, perderiam o atrito e fatalmente deslizariam serra abaixo com um desnível de 800m. São usados comboios com duas Hitachi na tração, na decida elas escoram o peso de no máximo 500 t, na subida elas empurram os vagões. Com intervalos calculados entre os comboios, a descida e a subida é simultânea. Em breve novas locomotivas elétricas mais potentes e com cremalheiras estarão trabalhando neste ramal, fabricadas pela Stadler Rail na Suíça, elas poderão levar 750 t por viagem.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O lindo Balão Azul do Escoteiro Zezé dos Pinhais.


Lendas Escoteiras
O lindo Balão Azul do Escoteiro Zezé dos Pinhais.

Levei o dia todo, a minha tarde inteira,
Não joguei futebol e até nem quis brincar
De soldado e ladrão...
Ajoelhado na sala, a minha brincadeira,
Foi cortar os papeis de cores, e os juntar.
Fazendo o meu balão...
J.G. Araújo Jorge.

             Eu estava ali com todo aquele populacho. Espremia-me para ficar a frente. Meus olhos brilhavam e meus lábios sorriam levemente mostrando o êxtase que sentia, me arrebatava como se fosse ele levado pelo ar. Quantas vezes sonhei em voar pelos céus em um balão. Meu arroubo de criança só via o encanto. Meu entusiasmo cobria o perigo e a alegria de estar ali não me deixava triste em desobedecer meu pai e minha mãe. Eu tinha duas forças que me faziam sentir bem. Balões no céu e ser Escoteiro. Todas as vezes que Seu Nonô Baloeiro soltava seu enorme balão eu corria para lá. Meu pai descobriu algumas vezes. Meu pai! Nunca me encostou um dedo. Chegava a casa e ele pacientemente dizia - Zezé balão mata. Muitos morreram assim queimados. Uma dor horrível. Quando não morrem ficam marcados para sempre!

            Mas eu, nos meus treze anos sabia que o perigo era grande. Mas fazer o que? Eu amava os balões. Quando ele se elevava ao céu, quando os foguetes estouravam, quando se lia a placa que os baloeiros colocavam, eu pulava de contente. Minha alegria era contagiante. Se pudesse eu ficava ali por toda a noite a ver os balões subirem aos céus. Um espetáculo que a criança que era se arrebatava e nos meus sonhos eu estava lá, junto ao lindo balão colorido que subia sôfrego aos céus até que um vento sul ou vento norte o levasse para longe. Muitas vezes sugeri em Reunião de Patrulha que fizéssemos um dia uma competição de patrulhas para ver quem soltava o mais lindo balão. Nunca aprovaram. O Chefe Valdez muito educado dizia – Balão só trás a infelicidade. Alegrias de uns tristeza de outros.

           Nas reuniões de Tropa, nas excursões, nos acampamentos eu vibrava como se estivesse soltando balões. Para dizer a verdade eu não sabia daquela minha sina. Nos meus sonhos de adultos eu estaria lá com seu Nonô Baloeiro, a fazer e a soltar os balões. Invejava toda sua equipe. Trabalhadores, sem nada a receber. Tentava explicar isto ao Chefe Valdez, mas ele sorria de leve e dizia – Zezé, eles sabem trabalhar em equipe, mas muitos deles gastam o que não tem para que o balão suba aos céus. Eles deixam suas famílias, sacrificam o pequeno salário que recebem e nem pensam o que suas escolhas podem fazer aos outros. Fecham os olhos para as desgraças, as desventuras e a infelicidade dos queimados, a miséria por ter perdido seu ganha pão, sua casa.

           Zezé dos Pinhais sentia pena, mas ele não sabia quem um dia disse para ele – O que os olhos não veem o coração não sente. Verdade ou não os balões e o escotismo eram os sonhos de Zezé. O acampamento anual se aproximava. Iam acampar no Rancho da Lagoa Dourada. Ele nunca tinha ido lá. Mas não importava. Fosse onde fosse Zezé vibrava. Amava sua Patrulha Morcego. Sentia uma enorme alegria em estar junto aos seus amigos da patrulha. Vibrava com os jogos, já estava ficando bom em pioneiras e quando do fogo de conselho Zezé olhava para o céu estrelado e pensava – Não poderia ter um enorme balão passando?

           Zezé não contou a ninguém. Em casa escondido construiu um lindo balão azul. Ele sonhava em fazer um. Sonhava em ver o balão coriscando nos céus em uma linda noite de inverno. Não haveria foguetes. Ele não podia comprar. Sabia que todos seus amigos na patrulha nunca iriam “vaquear” para comprar. Custou para comprar o papel, construiu devagar à cangalha e depois a tocha. Levaria para o acampamento escondido. Não mostraria para ninguém. Ele sabia que na segunda noite haveria um jogo noturno. Iria fingir ter dor de cabeça e zarparia para uma área descampada e então soltaria seu balão. Sabia como fazer. Seus olhos cintilavam quando pensava no seu plano.

            O grande dia chegou. A sede escoteira lotada de gente. Pais e mães preocupados pedindo aos chefes para tomarem conta. Dois ônibus e uma longa viagem. Chegaram à tarde. Um lanche já havia sido preparado. A patrulha sabia como fazer. Barracas armadas rapidamente. Cozinha, mesas, toldos e em pouco tempo o campo de patrulha já podia dar todo o conforto de uma casa na selva. Houve até momentos que Zezé se esqueceu do seu balão. Mas ele não saia de sua cabeça. Dito e feito. No segundo dia o grande jogo. Zezé falou ao Monitor que falou ao Chefe. - Está dispensado, disse o Monitor. Logo que o Jogo começou “Guerra” Zezé saiu de mansinho nos fundos de seu campo de patrulha. Nas mãos o bornal com seu lindo balão azul. Sonhava! Sorria! Cantava canções de louvores. Avistou um belo campo e um rio que corria com suas águas tranquilas em direção ao mar.

            Zezé tirou o balão. Desdobrou. Pegou a cangalha e a tocha. Quando ia acender a tocha para que o gás espalhasse pelo balão ele ouviu um choro de criança. Não viu ninguém. Onde seria? Largou seu balão e foi até a barranca do rio. Sentado em um tronco uma menina de cinco anos chorava em prantos. Ela estava toda queimada. Zezé sentiu o cheiro de carne viva queimando. Zezé não sabia o que fazer – Venha comigo, vou levar você até o acampamento. O Chefe vai lhe ajudar – Ela não respondia, mostrava sua casa toda queimada. Zezé viu saindo da casa um Velho e uma velhinha também queimados. Saíram gritando. Uma dor terrível. – Meu Deus! Pensou Zezé. O que foi? O que foi? – Corra menino ele o Velho dizia. Corra! É um balão nos céus. Matou minha família. Destruiu minha casa, queimou minha plantação de milho!

            Zezé acordou dentro da barraca. Ainda bem que foi um sonho. Sonho terrível. Eu poderia destruir uma família com meu balão? No ultimo dia Seu Pataxó, um índio que morava próximo ao rio contou a história do Velho Manequinho, Dona Valquíria e sua filha Martinha a quem chamavam de Por do Sol e que morreram no ano passado. Um balão caiu na plantação de milho, que atingiu sua casinha de sapé e não deu tempo para fugir. Morreram todos. Os olhos de Zezé se encheram de lágrimas. Poderia ter sido o meu balão pensou. Eu poderia ter matado todos eles! Juro meu Deus! Nunca mais, mas nunca mais mesmo vou tocar em um balão. Direi a todos meus amigos o mal que ele faz!


           Assim como Zezé tem muitos jovens que sonham com balões. Que está historia sirva de lição. Não é uma lenda. Todos os anos centenas de casos como este acontecem. Morrem adultos e crianças, perdem-se plantações que foram plantadas com o suor de quem precisa viver. "Balão no céu, perigo na terra". Todo mundo já deve ter ouvido essa frase em algum lugar, mas as pessoas não costumam dar muita atenção a ela. Os incêndios causados por balões podem ser bastante graves e podem destruir as casas, indústrias, plantações e até mesmo causar mortes. Seja um bom Escoteiro. Nunca solte balões!

sábado, 28 de junho de 2014

Passo Duplo – Passo Escoteiro – Percurso de Giwell. Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.


Conversa ao pé do fogo.
Passo Duplo – Passo Escoteiro – Percurso de Giwell.
Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.

         Vejamos se você em sua Tropa Escoteira tem feito parabéns se não quem sabe pode pensar a respeito junto aos monitores? Estou falando hoje de três itens que acho interessante para a prática mateira. Pratica mateira? Bem alguns podem achar que não. Estou falando do PASSO DUPLO, do PASSO ESCOTEIRO e do PERCURSO DE GIWELL. Teria outros para comentar, mas hoje fico nestes três. Quem sabe podemos voltar novamente com mais alguns, mas ficamos concentrados nestes. Sei que a maioria já fez uma ou várias vezes. Isto é bom. Uma tropa afiada e melhor ainda uma patrulha afiada vale por duas. É como seguir pistas. Eu dou belas gargalhadas quando BP escreveu sobre pistas. Dizia ele: - Uma vez, uma menina inglesa me desafiou na interpretação de pistas. – A filha do Lorde Meath, um dia no jardim, descobrindo pista no chão perguntou-me que pistas eram. – Respondi: “Do gato comum” – E ela: - De que cor era o gato?”– Olhei no chão e nos galhos das árvores vizinhas. Não havia nenhum sinal. Então ela rindo me respondeu: - “O gato era de cor morena clara”. Perguntei-lhe: - Como você sabe? E ela com a maior inocência do mundo: - “Eu vi o gato passar”...!”.

           Sei que estes três itens parecem à primeira vista muito fáceis. Mas vejamos – Como saber se um Escoteiro ou Escoteira estão preparados? Fazer uma vez só não adianta. O Passo Escoteiro são 40 andando e 40 correndo. Não uma corrida de campeões. Para que serve? Para treinar o jovem nas caminhadas principalmente se houver uma necessidade de chegar a determinada hora ou mesmo em uma emergência. Quantos na tropa estão preparados? Treinar é fácil. Na sede isto pode ser feito, mas uma reunião feita fora da sede melhor ainda. Que não seja em ruas movimentadas. O treino é individual. Não adianta mandar uma patrulha treinar se não for individualmente. Quem sabe depois de exaustivamente treinado (pelo menos dois quilômetros) aí então a patrulha entra em ação em conjunto. O treino deve ser bem explicado ao Escoteiro. Manter a respiração uniforme, andar normalmente, correr calmamente sem muita pressa. Conseguiu percorrer os quilômetros sem se cansar? Ótimo. Estão preparados. Mas não esqueça, dentro de um ou dois meses repetir a dose.

             Vejamos agora o passo duplo. Para que serve? Para o Escoteiro aprender a medir distancias. Fácil. Na sede marque com uma trena duzentos metros. O Escoteiro (a) deve aprender quantos passos duplos ele anda em cem metros. Passo duplo significa dois passos valendo por um. Não é uma corrida de obstáculos. Deve se andar normalmente ou caminhar. Melhor ainda com uma mochila como se estivesse indo acampar. Ele anda os duzentos metros contando seus passos duplos. Ao final ele divide por dois e sabe quantos passos para cada cem metros. Isto deve ser feito muitas vezes. Treinar sempre em jornadas e caminhadas. Cada um tem seu próprio Passo Duplo. A maneira de caminhar nem sempre é uniforme. Desde que aprendi a muitos e muitos e muitos anos em sempre ando contando meus passos. Tornou-se um habito de comportamento. Quando mais jovem era 70 passos duplos por cem metros. Hoje passou a ser 85 passos duplos por cem metros. Já não sou como antes. E você? Já sabe qual é o seu passo duplo por cem metros? Não esqueça, a cada ano faça o teste novamente.

                 Todos já devem saber o que seria um Percurso de Giwell. Trata-se de conseguir dados relativos a um trecho percorrido e passá-lo para o papel, traçando o esboço cartográfico. Partindo de um ponto chamado estação inicial, seguir uma estrada anotando os detalhes de interesse o azimute e medindo as distâncias. Material necessário: Prancheta, lápis, borracha, régua, transferidor, papel quadriculado, e bússola prismática. Antigamente se usava muito quando na Jornada de Primeira Classe. Como sei que ainda mantem a prática de jornadas não como no passado, o percurso é deveras interessante. Impossível ensinar por aqui. A literatura escoteira é vasta sobre isto. Conhecer bem a orientação por bussola ou outros meios, sabendo medir distâncias (ver o Passo Duplo) e considerando as diversas estações demarcadas, é um maravilhoso meio de orientação e serve muito para que outras patrulhas o utilizem em suas jornadas se forem fazer o mesmo caminho. Claro que se espera que um Escoteiro (a) esteja devidamente preparado para isto. Fazer um percurso de Giwell é divertido e quem faz uma vez nunca mais esquece. Um dia no campo é pouco para isto assim repetir sempre anualmente é válido para que ele seja executado sem erros.

              Estas atividades feitas no campo são deliciosas. Para isto deve ser programado um sábado ou domingo em local previamente escolhido onde não possa haver senões para que o Escoteiro ou a Escoteira se sinta livre e sem preocupações com terceiros. Se por acaso algum Chefe se interessar no Percurso de Giwell eu tenho um material em PDF feito por um distrito Escoteiro excelente.

Divirtam-se e lembrem-se: - Escotismo é aventura. Escotismo se faz lá no campo. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

A lenda de Sasquatch, o lobo solitário da Montanha de Cristal.


Lendas escoteiras.
A lenda de Sasquatch, o lobo solitário da Montanha de Cristal.

             Esta é uma história de um lobo, um lobo solitário que nas madrugadas vagava pela Montanha de Cristal com seu uivo sinistro como a pedir à ajuda que nunca teve. Dizem que ele chorava, que de seus olhos negros sempre se via uma lágrima a cair. Não é uma história de um final feliz. Disseram por aí e eu não posso afirmar que os lobos nas montanhas andam em matilhas, o mais forte protege o mais fraco, mas quando ele está Velho, sem condições de sobrevivência é deixado pelos demais e morre uivando de fome sede e frio. Mas deixe-me contar a vocês a história de Sasquatch. Foi Sandra quem o apelidou assim. Sandra foi outra que viu seu mundo desmoronar. Mas não vamos avançar a história. Melhor narrar parte por parte para que vocês conheçam melhor tudo que aconteceu com Sandra e Sasquatch, o lobo solitário da Montanha de Cristal.

            Sandra tinha trinta e seis anos quando Otávio seu marido faleceu. Ficou mais de quatro anos agonizando de hospital em hospital até que Deus o levou e quem sabe para melhor. Sandra não chorou. Chorou sim quando soube que ele tinha uma grave doença pulmonar e que não sobreviveria mais que um ano. Viveu quatro anos dos mais felizes em sua vida com ele e o tratando com o maior carinho. A doença consumiu tudo que tinham. Gastaram todas suas economias. Vendeu sua casinha que compraram há muitos anos com muito sacrifício. Não tiveram filhos. Otávio já doente no primeiro ano de casado resolveu assim. Seis meses depois da morte de Otávio, Sandra ainda morava só. Uma irmã no nordeste escreveu para ela para ir morar com ela. Sandra não quis e resolveu ficar. Sua tristeza quando chegava à noite em casa do seu trabalho era enorme. Lia um livro, um programa de TV e ia dormir sonhando com Otávio ao seu lado.

            A vida de Sandra era uma rotina. Foi Amélia sua colega de trabalho quem mudou tudo. – Preciso de uma assistente. E você vai me ajudar disse. – Sandra riu e aceitou. Quem sabe o Escotismo lhe daria um novo caminho? O tempo passou. Amélia casou e saiu do Grupo. Sandra ficou em seu lugar. A Alcateia passou a ser um pouco sua vida. Dedicava de corpo e alma aos seus lobinhos. Adorava os meninos e as meninas. Fez curso, aprendeu muito em outras alcateias que visitou e acantonou. Tonho e Marilda eram suas assistentes. Baloo e Bagheera. Os lobinhos e as lobinhas tinham verdadeira adoração por eles. Sandra já não mais se sentia só. O escotismo deu a ela nova motivação e uma filosofia de vida que ela nunca esperava.

            Tudo aconteceu em julho. Anualmente sempre faziam um acantonamento no Rancho dos Grandes Amores. Seu Ruan proprietário adorava os lobos e dizia sempre – Enquanto estiver vivo aqui será um rancho de lobos! Atrás da casa sede tinha uma montanha. Linda. Muitos bosques e uma nascente. Sandra quando ia ali ficava horas e horas a olhar para ela. Chamavam-na de a Montanha de Cristal. Sandra não sabia por que, mas no dia da viagem para o acantonamento bateu uma enorme saudade de Otávio. Três anos sem ele e ela não entendia aquela melancolia, logo agora em um acantonamento. Quem sabe por que ia só e os seus dois assistentes iriam à noite. Duas mães foram juntas para ajudar na cozinha e limpeza diversas. Chegaram, arrancharam, e logo começou as atividades. Iam ficar três dias.

         À tarde do primeiro dia enquanto os lobos arrumavam suas tralhas para a noite e o banho Sandra como sempre olhava para a Montanha. Assustou quando avistou um Lobo parado em uma pequena trilha olhando para ela. Não sabia o que fazer. Entrou correndo na casa sede. Olhou pela janela. O lobo se afastava. Mancando. Notou que sua perna direita estava quebrada. Sentiu pena dele. Sem perceber o chamou de Sasquatch. Nada há ver com a história do homem de neve que contam por aí. Ela saiu de novo da casa. O lobo parou e voltou. Ela notou seus olhos tristes. Parecia que lagrimas caiam. Não era possível. Ela devia estar enganada. Lobo não chora. Viu que ele se aproximou dela. Lambeu seus pés. Ela foi até a cozinha. Cortou um pedaço da carne do almoço do outro dia e deu para ele. Ele olhou para ela com os olhos húmidos e balançou a cabeça como a agradecer. Não comeu a carne. Pegou entre os dentes e subiu a trilha que levava ao alto da Montanha de Cristal.

       Sandra acordou várias vezes. Jurava ouvir uivos enormes. Acordou pela manhã e alguém uivava lá fora. Era ele. Sasquatch. Sempre mancando. Sandra aproximou dele e ele deixou que ela o acariciasse. Viu que a perna estava curta e tinha sinal de perfuração de bala. Um caçador malvado só podia ser. Ela o olhou nos olhos, viu o brilho firme a encará-la. Foi de novo buscar alimentação para ele. Ele ajoelhou e balançou a cabeça. Deu um enorme uivo pegou a carne com os dentes e de novo seguiu a trilha da montanha. Vários lobinhos viram o lobo, tentaram se aproximar, mas ele mancando corria. Só com Sandra ele se deixava acariciar. Assim foram os três dias. No último ele fez um sinal para ela. Parecia saber que ela ia embora. Andava em direção à trilha, parava e olhava para trás. Sandra o seguiu. Não andou muito e ele entrou em uma pequena caverna.

        Sandra ficou com medo de entrar lá. Por diversas vezes Sasquatch chegou à entrada e fez o sinal para ela entrar. Resolveu segui-lo. O que viu foi de estarrecer. Dois lobinhos recém-nascidos mortos e dois vivos entre a vida e a morte. Tinha carne junto deles, mas não conseguiam comer de tão fracos. Olhou de novo para Sasquatch. Viu que ele era um lobo macho. A femea devia ter morrido, mas ele não abandonou os lobinhos. Filhos dele? Sandra não sabia o que fazer. Ele olhava para ela com carinho como a pedir que o ajudasse. Ajudar como? Ela tinha de ir embora. Sentia enorme pena dos lobinhos e sabiam que eles iam morrer. Fazer o que? Saiu da caverna. Olhou para o céu e perguntou a Deus o que devia fazer. Viu em uma nuvem Otávio a sorrir para ela. Era alucinação, ela não acreditava nisto. Resolveu voltar ao Rancho. Olhou para trás, Sasquatch ajoelhado uivava. Um uivo dolorido, choroso, e lágrimas caiam de seus olhos.

        Sandra voltou. Colocou os dois lobinhos no colo. Iria levá-los com ela. Não tinha outra saída. Desceu com Sasquatch a acompanhando. O ônibus chegou e a lobada cantando tomou seus lugares. Brincavam com os lobinhos que já estavam recuperando suas forças. Sandra deu leite para eles que beberam sofregamente. Ao entrar no ônibus deu uma última olhada em Sasquatch. Ele uivava e ela não sabia se de alegria ou tristeza. Sabia que não podia levá-lo. Não tinha condições. O ônibus foi saindo devagar pela estrada vermelha. Sasquatch tentou acompanhar, não conseguiu. Coxeava muito. Sua perna quebrada não deixava. Uivou muito e Sandra ouvia chorando baixinho. Quando o ônibus chegou à estrada asfaltada ele olhou pela ultima vez a Montanha de Cristal. Parecia que uma luz brilhante pairava sobre ela. Mas viu a figura novamente de Otávio sorrindo. Tranquilizou-se.


       Dizem que durante muitos anos Sandra cuidou dos dois lobos. Um ela chamou de Lobo Gris e o outro... Sasquatch. Por onde andava os dois lindos e enormes lobos a acompanhavam. Um de cada lado. Disseram-me que ela voltou muitas vezes a Montanha de Cristal. Foi até a caverna onde os lobos nasceram. Levou Gris e Sasquatch e eles uivaram por muito tempo como a lembrar de seu pai que deu a eles um grande carinho e amor e porque não a vida. Ao retornar ouviu bem no alto da montanha um uivo enorme. Sabia que era ele. Olhou para lá, não viu nada. Mas sentiu um calafrio. Não era ele em vida, mas ali estava seu espirito como a agradecer o belo gesto de Sandra. E posso garantir as mil e uma historia que um dia irei contar, Sandra viveu feliz para sempre na companhia dos dois lobos. Sei que ficaram amigos para sempre! E contam até hoje que uma estrela brilhante paira todas as luas cheias por cima da caverna da Montanha de Cristal. 

domingo, 22 de junho de 2014

De ilusão também se vive.


Conversa ao pé do fogo.
De ilusão também se vive.

           Sempre escrevo e conto histórias onde a aventura, a natureza e os belos sonhos Escoteiros estão presentes em todas as linhas dos meus escritos. Muitos dizem que o hoje não foi o ontem e o amanhã ninguém pode saber. Verdade sim, mas o nosso Movimento Escoteiro não é feito de sonhos? De sonhar em ser um cavaleiro andante? De montar em uma águia e partir em busca da terra do nunca? Quantos ainda ficam dias sonhando para o próximo acampamento? Sonhando em viver na floresta, em subir em árvores, em construir um ninho de águia ou uma ponte pênsil? E cantar? Sim isto mesmo, cantar ao redor de uma fogueira contando “causos” rindo das piadas alegres, deixar os olhos seguir as fagulhas que sem ninguém mandar se dirigem para o céu? – Mas Chefe, isto ainda existe, de maneira diferente, pois hoje os jovens nem pensam como se pensava no passado. Será mesmo? Não seria nossa culpa, pois aceitamos ou quem sabe impomos um programa que achamos bom por não acreditar mais que não existem Escoteiros sonhadores?

        Quem sabe nós os adultos falamos por eles sem consultá-los dos seus sonhos? É fácil levar meninos para o campo, ficar horas falando disto e daquilo, esticar uma corda para que um por um passe sob os olhos atentos do Chefe. Se for assim o tempo passou e o sonho desmoronou. Pergunto-me se um dia na hora certa, no lugar certo, em uma sombra de uma grande árvore quem sabe ouvindo os sons da floresta ou do bosque tão perto, ou o doce cantar de um regato ao lado, sorrir ao contar que poderiam todos viajar pelas estrelas no céu azul? Seria esta hipótese plausível? Não precisa de muitos, pois não se cria sonhos com dezenas em sua volta, mas você e eu podemos sem sombra de dúvida começar com poucos. Quem sabe os monitores? Pense, continue pensando que você está com eles subindo uma montanha deixando que eles recebam o vento no rosto, que vejam ao longe o ribombar de um trovão e eles assustados não pensaram em se defender da chuva? Chuva? Bendita chuva que se cair irá criar na mente de cada um a vontade de se tornarem aventureiros audazes, e então por que não parar e contar uma pequena história? Criar em suas mentes que eles podem se safar com aquela chuva que os aventureiros de outrora souberam se safar?

      Tudo é tão simples quando pensamos que os jovens querem acreditar, querem ver, querem sentir, querem fazer e você meu amigo ou minha amiga é o espelho deles. O espelho que eles seguirão e não faça nada para estragar esta visão tão bonita. Deixe que eles viagem na imaginação. Acredite que a vida é um processo de maturidade e está só existirá se deixá-los subir a montanha e ver o que existe do outro lado. Tudo que você fará para criar a fantástica ilusão do sublime sonho mudará completamente a razão da existência dos jovens que de novo irão sonhar, mas sonhar os pés no chão, fazendo, agindo e vivendo o que puderam criar. Faça exatamente como o Código Samurai – A perfeição é uma montanha impossível de escalar e ela deve ser escalada um pouco a cada dia. Sem perceber estamos discordando sempre destes sonhos em achar que eles são impossíveis de realizar.

             Ninguém vive sem ilusões, sem uma bela imaginação, sem criar uma fantasia ou devaneio. Deixe que eles façam desta miragem a realidade que podem e devem criar. Aquele poeta não disse que a vida é feita de ilusões, mas não é das ilusões que saem os melhores momentos da vida? Não diga não aos sonhos deles e se eles não têm sonhos crie um para eles copiarem e fizer os seus. Todos os jovens querem viver o sonho de ser herói. Tiraram isto dele e nós podemos devolver em forma de escotismo aventureiro. Não aquele de uma fila interminável por uma estrada com você determinando aonde ir. Não tenha medo do que vai acontecer. Haja sim com cautela, mas sem tirar o espírito aventureiro. Lembre-se ali são eles os donos dos sonhos, os donos da aventura, você é um mero coadjuvante que tenta a sua maneira passar para eles o que um dia viveu. Agora o momento são deles e você deve aplaudir isto.

            Ninguém gosta de sonhar e ficar acordando vendo o tempo passar. Ver o vento vir e ir sem ter ao menos possibilidade de tocá-lo. Sem saber o som da floresta, sem saber como é o orvalho da madrugada a cair suavemente no rosto. Sem saber o que os pássaros dizem sem sequer reconhecer o cantar do regato que lhe forneceu a água para sobreviver. Deixe-os ver o vento balançar as árvores, deixe que eles descubram o caminho a seguir, deixe-os descobrirem como podem viver sonhando com os pés no chão. Esqueça a modernidade por alguns minutos e sim pode se preocupar com as adversidades dos novos tempos, mas faça tudo para que eles andem sozinhos. Eles um dia não terão de fazer isto? Belas são as palavras de Kipling que escreveu um dia quem sabe para nós chefes – Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite... Deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos de desejo provado e do encanto reconhecido!

            Não vamos mais além, mas precisamos retornar aos sonhos que um dia os jovens tiveram, precisamos pensar que o mundo é como um acampamento em que montamos nossa tenda podemos apreciar a natureza, e depois voltamos para a nossa casa que é a eternidade. Termino este comentário de alguém que nunca ouvi falar. Osho. Quem foi não importa, mas uma coisa eu garanto é um criador de ilusões a nos mostrar que o caminho para prosseguir é sonhar e acreditar em seus sonhos:

- Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!