Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Breve resumo da história do Escotismo no Brasil e no mundo.


Conversa ao pé do fogo.
Breve resumo da história do Escotismo no Brasil e no mundo.

O escotismo, fundado por Lord Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, em 1907, é um movimento mundial, educacional, voluntariado, apartidário, sem fins lucrativos. A sua proposta é o desenvolvimento do jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Promessa e na Lei escoteira, e através da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, fazer com que o jovem assuma seu próprio crescimento, tornar-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina. As modalidades do escotismo, no Brasil, são constituídas de três formas existentes que são a básica, a Modalidade do Mar, a Modalidade do Ar e uma quarta, que caiu em desuso a Modalidade Ferroviária. São adotadas pelos grupos escoteiros de forma a guiar as atividades dos grupos e formação dos seus membros, entretanto o grupo quanto assume uma modalidade não fica restrita a essa e nem é impedida de realizar as atividades típicas das demais modalidades.

A principal organização representativa internacional é a Organização Mundial do Movimento Escoteiro (OMME), WOSM em inglês. O Escotismo é o maior movimento organizado de educação não formal. Em setembro de 2005, as estatísticas apontam o Escotismo presente em 216 país e territórios, com um total de 28 milhões de filiados, havendo apenas seis países sem escotismo. Já passaram pelo Movimento Escoteiro mais de 300 milhões de jovens desde a sua criação na Inglaterra. Em 2015 foi realizado um Jamboree (encontro de escoteiros de todas as nações) no Japão com mais de 37.000 participantes.

A historia do Movimento Escoteiro.

História
Na Ilha de Brownsea, no Canal da ManchaInglaterra, Baden-Powell um General Inglês que já vinha pensando e escrevendo sobre escotismo para rapazes, uma forma de educar através da natureza, realizou um acampamento com vinte jovens, de 12 a 16 anos de idade, no qual ensinou técnicas como primeiro socorros, observação, segurança, orientação. Como símbolo do grupo, levavam aqueles jovens uma bandeira verde com uma flor-de-lis amarela no centro. Entusiasmado com os bons resultados deste acampamento, Baden-Powell começou a escrever o livro Escotismo para Rapazes, que foi publicado em 1908, inicialmente como seis fascículos, de janeiro a maio, vendido em bancas de jornal. Em maio do mesmo ano, foi editado como livro com ligeiras modificações. O pai do movimento escoteiro internacional, Frederick Russell Burnham é conhecido por ter ensinado woodcraft a Baden-Powell depois de servirem juntos na Campanha dos Matabeles em 1896, sendo esta uma das influências mais notáveis do fundador do escotismo. Burnham começou na atividade aos 14 anos e foi um perito rastreador de índios no Velho Oeste. A amizade entre os dois resultou anos depois na formulação didática do escotismo. 

Escotismo para Rapazes surge devido a outro livro de Baden-Powell que escreveu em 1899, Aids to Scouting, um guia para recrutas do exército, principalmente os ensinamentos que aprendeu do Burnham. O livro fez muito sucesso entre professores de educação física, e depois da insistência de vários líderes da juventude, Baden-Powell decidiu adaptar seu manual de escotismo especificamente para treinamento de meninos. A recepção das ideias de Baden-Powell foi tanta que, em poucas semanas, centenas de Patrulhas Escoteiras estavam formadas, praticando Escotismo. Rapidamente o movimento se espalhou por vários países do mundo, chegando à América do Sul em 1908, ao Chile.
"O Escotismo é uma escola de cidadania através da destreza e habilidade em assuntos mateiros."
A primeira notícia sobre o Escotismo publicada, no Brasil, foi do dia primeiro de 1909, no número 13 da revista Ilustração Brasileira, editada no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e com circulação nacional. A reportagem tinha o título: Scouts e a Arte de Escutar; ocupava três páginas e apresentava sete fotografias. A matéria fora preparada na Inglaterra pelo 1º Tenente da Marinha de Guerra do Brasil Eduardo Henrique Weaver, onde se encontrava a serviço. Teve, assim, a oportunidade de presenciar o nascimento do Movimento Escoteiro – Scouting for Boys, criado em1907 pelo General Inglês Baden-Powell. Na época, juntamente com o Tenente Weaver, encontrava-se na Inglaterra numeroso contingente de Oficiais e Praças da Marinha — preparava-se para guarnecer os novos navios da esquadra brasileira em construção. Um grupo de suboficiais entusiasmou-se com o revolucionário método de educação complementar. Entre eles estava o Suboficial Amélio Azevedo Marques que fez seu filho Aurélio ingressar em um dos Grupos Escoteiros locais. Assim, o jovem Aurélio Azevedo Marques foi o primeiro escoteiro brasileiro. Quando da vinda para o Brasil, os militares trouxeram consigo uniformes escoteiros ingleses, no valor de trinta libras esterlinas.

O Encouraçado Minas Gerais, navio onde estava embarcada a maioria dos militares interessados em trazer para o Brasil o Movimento Escoteiro, chegou ao Rio de Janeiro em 17 de abril de 1910. No dia 14 de junho do mesmo ano, na casa número 13 da Rua do Chichorro no Catumbi, Rio de Janeiro, reuniram-se, formalmente, todos interessados pelo escotismo e embarcados nos navios que haviam chegado ao Brasil. Naquele local foi oficialmente fundado o Centro de Boys Scouts do Brasil. O evento foi informado aos jornais, os quais publicaram a carta recebida da Comissão Diretora.
A correspondência enviada começava nos seguintes termos: "À imprensa desta capital, brilhante e poderoso fator de progresso, campeã de todas as idéias nobres, vem o Centro de Boys Scouts do Brasil, solicitar o auxílio de sua boa vontade, o esteio de que necessita para que em todos os lares brasileiros penetre o conhecimento do quanto à Pátria pode ser útil à instrução dos Boys Scouts".

Espalhou-se pelo país, sendo adotado inclusive como proposta educativa governamental. Com o tempo, foi se modificando, em alguns aspectos se adaptando às mudanças da sociedade, por exemplo, passando a aceitar garotas em seus quadros e ampliando a faixa de atendimento para jovens na idade de sete aos 21 anos. No país, existem diversas associações Escoteiras. A principal com maior efetivo é a União dos Escoteiros do Brasil, UEB, fundada em 1924, como resultado da união de diversas associações escoteiras existentes na época (daí o nome "União dos Escoteiros") e filiada à Organização Mundial do Movimento Escoteiro. A União dos Escoteiros do Brasil adota uma organização vertical, definindo parâmetros de ação para as Unidades Locais (Grupos Escoteiros e Seções Autônomas) associadas, através de um programa único, visando maior coesão entre todos os membros.


Organização
Os jovens são divididos conforme a faixa etária em vários ramos ou secções. Cada ramo possui um programa de desenvolvimento e de atividades apropriados à idade e ao desenvolvimento mental, intelectual, espiritual, físico e social do jovem.
A Seção é a unidade do Movimento Escoteiro, que congrega membros do mesmo Ramo. O Ramo Lobinho congrega jovens de ambos os sexos. Na idade de 7 a 11 anos, suas atividades se baseiam na Mística da Jângal, mística esta encontrada no Livro da Selva escrito por Rudyar Kliping.
·      O Ramo Escoteiro: para rapazes e moças de 11 a 14 anos tem como Seção a Tropa de escoteiros ou Tropa de escoteiras ou Tropa escoteira mista. São os Escoteiros, divididos em Patrulhas (grupos de seis a oito Escoteiros). Trabalha-se a aventura, através da vida ao ar livre;
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·      Ramo Sênior: para rapazes e moças de 15 a 17 anos. Seção: Tropa de seniores, Tropa de guias ou Tropa sênior mista. São os Seniores e Guias Escoteiras, divididos em Patrulhas (grupos de quatro a seis Seniores e Guias). Trabalha-se com o desafio aos limites, tanto físico, quanto intelectual, social e espiritual;
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·      Ramo Pioneiro: para rapazes e moças de 18 a 21 anos. Seção: Clã Pioneiro. São os Pioneiros, que se organizam em Equipes de Interesse, com quantidade variável de jovens. Tem como objetivo trabalhar o serviço ao próximo, como forma de melhorar a sociedade em que vivemos.
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Os adultos participam de diversas formas. Podem ser Escotistas, que coordenam as atividades com os jovens; na U.E.B., Dirigentes Institucionais, que dirigem os Grupos Escoteiros e Regiões Escoteiras (estaduais); ou ainda Dirigentes de Formação, que se ocupam da orientação e formação de outros adultos.

Conceitos inerentes à Lei Escoteira

Honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom-senso, respeito pela propriedade e autoconfiança. Quando Baden-Powell idealizou a Lei Escoteira, decidiu não estabelecer leis proibitivas, mas conceitos para formação de pessoas benévolas, para que, desta forma, o jovem escoteiro tivesse onde se espelhar e pudesse se orientar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A história de Lady Olave Baden Powell.


A história de Lady Olave Baden Powell.

                    Olave St. Clair Soames, que mais tarde se tornaria Lady Olave Baden Powell nasceu em 22 de Fevereiro de 1889, na Inglaterra. Seu pai Harold Soames e sua mãe Katherine Hill tiveram mais dois filhos, um menino chamado Arthur e uma menina chamada Auriol. Quando nasceu Olave, puseram este nome porque esperavam um filho homem que se chamaria Olaf. Apesar de sua saúde precária nos primeiros anos, o contato permanente com a natureza e sua vida ordenada a transformou numa jovem sadia e alegre, forte e com uma incrível energia. Nunca foi para colégios ou centro superiores, mas foi educada por instrutores que eram parte da família.

                         Sempre se interessou por música e tocava violão muito bem. Durante anos praticou rodeada de seu esposo e seus filhos, mas seu trabalho não lhe deu tempo para aperfeiçoar. Olave foi uma grande interessada em esportes, praticou tênis, remo, patinação, montava a cavalo, andava de bicicleta e quando estava cansada conduzia carruagem e automóvel. Quando jovem apesar de sua vida cheia de atividades, repleta de afazeres; sentia um grande vazio, queria ser útil e poder servir aos demais. Por ser muito jovem não a aceitaram na escola de enfermagem o que a fez desistir de seguir alguma carreira.
Olave achou que a vida da sociedade de sua época era bastante monótona e, por isso, resolveu dedicar-se aos meninos inválidos, que ela recolhia em Bornemouth, onde cuidava deles. Em 1912, embarcou com seu pai no navio "Arcadiam", rumo às Índias Ocidentais. Neste navio também viajava Lord Baden Powell, que mesmo com seus 55 anos, não impediu de descobrirem diversas afinidades, eram as mesmas ideias e aspirações. Quando deixaram a Jamaica, Olave e Robert estavam noivos e em Outubro de 1912 casaram-se. Foram passar sua Lua-de-Mel na África, iniciando uma vida comum, enriquecida por três filhos: Peter que nasceu em 1913, Heather em 1915 e Betty em 1917. Entre todas as tarefas de casa, educação dos filhos e ajuda pessoal ao marido, Lady transformou-se em sua secretária.
                      Neste ano, já havia Grupos Bandeirantes, na Inglaterra, e sua Presidente era Agnes Baden Powell, irmã de BP. O Movimento Bandeirante tinha uma grande necessidade de dirigentes e coordenadores, e por isso Lady Olave ingressou no Movimento, em 1914. Em 1916, devido aos seus grandes esforços, foi nomeada Comissária-Chefe. Nesta época a Inglaterra atravessava uma época difícil, pois a guerra impedia que fossem realizadas muitas atividades Bandeirantes, havia muita preocupação. Os poucos grupos ativos de Bandeirantes dedicavam-se aos primeiros socorros, emergências e serviços. Em 1918, foi nomeada Chefe-Bandeirante da Grã-Bretanha, neste mesmo ano foi impresso o primeiro exemplar Bandeirante, dirigido às meninas (Girl Guiding).
A carta de Olave Baden-Powell atravessa o Atlântico.
                         Logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, Olave Baden-Powell enviou uma carta ao Brasil, propondo a fundação do Movimento das Girl Guides no país. Sr. Barclay, amigo de Olave que viajava para o Rio de Janeiro a negócios, se responsabilizou pela correspondência, e a entregou nas mãos da família Lynch. No dia 30 de maio de 1919, a senhora Adéle Lynch promoveu uma reunião em sua casa com autoridades e senhoras interessadas no movimento das Girl Guides. Entre os convidados estava May Mackenzie, canadense residente no Brasil que já havia participado do movimento na Inglaterra, e Jerônyma Mesquita, cunhada do Sr. Lynch e conhecida por trabalhos educacionais e sociais.

                         O Movimento Bandeirante se apresentava como uma proposta de educação pioneira, por acreditar na importância da mulher em assumir um papel mais atuante nas mudanças da sociedade. Essa característica cativou as pessoas que estavam na casa da Sra. Lynch, como Jerônyma, que dedicou sua vida ao Bandeirantismo e foi homenageada com o título de Chefe Fundadora do Movimento Bandeirante brasileiro. Surgia ali a Associação das Girl Guides do Brasil (primeiro nome da Federação de Bandeirantes do Brasil). Em 13 de agosto de 1919, realizou-se a cerimônia de promessa das 11 primeiras bandeirantes brasileiras – data oficial de fundação do Movimento Bandeirante no Brasil.

Os primeiros passos do Movimento Bandeirante
                          Mulheres como Maria de Lourdes Lima Rocha foram importantes para que o Bandeirantismo se tornasse forte e se firmasse no Brasil. Conhecida por todos como Chefe Lourdes, Maria de Lourdes era professora e pedagoga, e fundou a Companhia do Sagrado Coração de Jesus, em Botafogo. A primeira sede exclusivamente do Movimento Bandeirante foi inaugurada em setembro de 1927, construída na Matriz do Sagrado Coração de Jesus, onde funcionava também a companhia. Neste mesmo ano é iniciada a publicação do jornal “Bandeirantes”, editado até a década de 1990.

                              O Movimento Bandeirante, no ano de 1928, rompe barreiras sociais e comportamentais para as mulheres da época, em especial para as que compunham a elite da sociedade brasileira, classe da qual todas as bandeirantes do período pertenciam. Foi realizado o primeiro acantonamento para chefes na cidade de Itaipava, no Rio de Janeiro, que levou as moças para longe de seus cotidianos domésticos. Além disso, o campo de atuação das bandeirantes se estendeu para escolas municipais, favelas e bairros proletários, um escândalo na década de 1920. O Brasil, em 1930, torna-se membro oficial da Associação Mundial de Bandeirantes (World Association of Girl Guides and Girl Scouts), criada em 1928 em Londres, na Inglaterra.

                             O Movimento Bandeirante foi se solidificando e se expandindo, e chegou a outros Estados do Brasil, assim como a outros grupos sociais. Em 1937, por exemplo, é organizado pela Chefe Lourdes uma companhia bandeirante no Instituto Benjamin Constant, primeira e única companhia bandeirante para meninas cegas. A década de 1940 é marcada pela integração e intercâmbio entre as Regiões (hoje chamadas Estados). As bandeirantes começam a viajar pelo Brasil e criar uma unidade nacional entre as meninas. Ao mesmo tempo, o Movimento Bandeirante se organizava. A ideia de criar uma sede-central era reflexo da necessidade de oferecer uma situação mais sólida à Federação de Bandeirantes do Brasil (FBB), e de permitir o crescimento do Movimento, que ainda encontrava dificuldades para que isso acontecesse.


A existência das Bandeirantes do Brasil devem-se à dedicação, persistência e amor ao bandeirantismo dos seus personagens. Uma história que começou em 1919, com a chegada da carta de Olave Baden-Powell, e é construída todos os dias pelas crianças, adolescentes, jovens. Esse é o verdadeiro espírito bandeirante.

Lord Baden-Powell of Gilwell, cidadão do mundo!


Lord Baden-Powell of Gilwell, cidadão do mundo!

                      Baden-Powell foi sempre um apaixonado pela África. Não só adorava este continente, mas também as suas pessoas e a sua cultura. Desde cedo que estudava os seus dialetos, procurando conhecer os povos africanos, respeitando-os como aliados e adversários. BP seguiu de perto o povo Zulu que se impressionou com o jovem militar britânico, sobretudo pela sua coragem e destreza. Este povo atribuiu-lhe vários nomes com base em aspectos da sua personalidade.

 M’hlalapanzi – O homem que faz os seus planos com cuidado;
 Kantankye – O homem do chapéu grande;
 Impeesa – O lobo que nunca dorme;

 Baden-Powell de todos os nomes que os Zulus lhe deram aquele que sempre admirou foi o de Impeesa, por considerar o maior elogio que jamais recebera.
Impeesa é o apelido dado pelos nativos da África do Sul para Baden Powell e significa "O lobo que nunca dorme" e refere-se à grande capacidade que tinha em planejar e perseguir seus inimigos.

Vem o que Baden-Powell escreveu como ser feliz, embora rico ou pobre.

Uma viagem de canoa é semelhante à viagem da vida. Um Velho marujo deve passar adiante os segredos da pilotagem. O único sucesso verdadeiro é a felicidade.  Dois passos para a Felicidade: - Levar a vida como se fosse um jogo e dar a todos amor. Os burmeses são um exemplo de povo feliz. A felicidade não é um simples prazer, nem consequência da riqueza. É mais o resultado do trabalho ativo, do que o gozo passivo de um prazer. Seu sucesso depende do seu esforço individual na viagem da vida. E de evitar certas escolhos perigosos. A autoeducação, em continuação ao que você aprendeu na escola é necessária. Vá para a frente com confiança. Conduz com o Remo a sua canoa.
Lord Baden-Powell.




A origem do apelido Baden-Powell

                                  Todos conhecem o nome do nosso fundador: Robert Stephenson Smyth Baden-Powell. Entre os Escoteiros, é mais conhecido simples e carinhosamente por B-P. Estas iniciais do seu apelido parecem ter sido feitas à medida para o lema que adotou para o Escotismo: “Be Prepared”. Já quando criou e organizou a Polícia da África do Sul, em 1900, os seus homens adotaram o mesmo lema, coincidente com as iniciais do seu comandante. No entanto, Baden-Powell não nasceu com este apelido, mas apenas Powell. Ou seja, nasceu Robert Stephenson Smyth Powell, na família Powell.

                                  O pai de B-P, um professor universitário de renome, falecido em 1860, chamava-se Baden Powell, sendo Baden o nome próprio e Powell o apelido. Alguns anos depois do seu falecimento, a mãe de B-P meteu na cabeça a ideia de mudar o apelido da família para Baden Powell, para homenagear o seu falecido marido e perpetuar o seu nome. O advogado da família tratou da legalização do duplo apelido e, a 21 de Setembro de 1869, através de uma notificação pública, todos os membros da família tomaram o apelido Baden Powell. No entanto, este apelido trazia alguns embaraços ao irmão mais novo de B-P, Baden, que agora se chamava Baden Baden Powell.

                               O problema resolveu-se em pouco tempo, com a introdução de um hífen no meio do duplo apelido. A mãe de B-P demorou algum tempo para conseguir que os familiares e amigos se habituassem a usar o duplo apelido com hífen, mas a persistência valeu a pena, não escapando, contudo, a que a família se referisse a ela, na brincadeira, como a “senhora hífen”. Em breve, os colegas de escola do nosso fundador trataram de abreviar o seu apelido para B-P, assim como aconteceu com o resto do mundo.


Você sabia que Baden-Powell não nasceu Baden-Powell?  Seu nome inicial era Robert Stephenson Smyth Powell sem o Baden. Quer conhecer a história? Fique a vontade!




Memórias de Baden Powell

                    Depois de escrever o meu livro, Escotismo para Rapazes, eu naturalmente pensei que as organizações dos meninos iriam utilizá-lo pelo seu trabalho e haveria pouco para eu fazer sobre o assunto. Mas antes de muito tempo, na primavera de 1909, eu percebi que muito dessas organizações, centenas de garotos se formavam Tropas Escoteiras. Foi em 1909 que o rei Edward tinha tido sua conversa comigo sobre o movimento. Apesar de ter sido, em seguida, apenas na sua fase embrionária Sua Majestade viu tais promessas e possibilidades e por isto me incentivou a tentar fazer uma grande concentração.

                   Motivado eu fiz o que minha mente dizia. Um convite foi enviado a todos os escoteiros para em um determinado dia fazer um encontro no Palácio de Cristal, e isso resultou em um desfile com a presença de mais de 11.000 escoteiros. Foi o maior agrupamento de meninos, o que nunca tinha acontecido até agora e olhe que o movimento não tinha dois anos! Isso foi um pouco de uma bomba para mim. Vi que eu não podia continuar no exército e ficar com o escotismo. Devia deixar um ou o outro?

                  Mas do ponto de vista pessoal, eu tinha cinquenta e dois anos e era um tenente-general, e, portanto, no alto da escala profissional para a minha idade: ao mesmo tempo em que seria uma pena deixar esse novo crescimento vacilar e desaparecer, e ainda assim eu não conseguia ver ninguém que poderia ou iria levá-lo na mão naquele momento. Como eu já disse, o Rei havia me questionado sobre esse ponto e sabendo que ele tinha entendido completamente a ideia, deixei em suas mãos para dizer qual curso eu deveria tomar. Eventualmente, ele concordou que eu devia organizar os Escoteiros e isto foi o mais importante para mim. Então, pedi demissão do Exército.

E o escotismo floresceu!




Fraternidade Mundial.
Baden-Powell no encerramento 1º Jamboree Mundial, Olympia, Londres, Agosto 1920.

“Irmãos Escoteiros, peço-vos que façais uma escolha solene”. Existem diferenças de pensar e de sentir entre os povos do mundo, tal como existem diferenças físicas e de línguas. A guerra ensinou-nos que, se uma nação tentar impor a sua vontade particular às outras nações, uma cruel reação seguir-se-á inevitavelmente.

O Jamboree ensinou-nos que, se exercitarmos a tolerância mútua e o hábito de fazermos concessões recíprocas, então haverá compreensão e harmonia. Se for essa a vossa vontade, partamos daqui totalmente decididos a fomentar essa camaradagem entre nós e entre os nossos rapazes, através do espírito mundialmente espalhado da Fraternidade Escotista, para que possamos ajudar a desenvolver a paz e a felicidade no mundo e a boa vontade entre os homens.


Irmãos Escoteiros, respondei-me. “Unam-se a mim neste propósito.”

Qual a diferença entre escoteiros e bandeirantes?


Conversa ao pé do fogo.
Qual a diferença entre escoteiros e bandeirantes?

                   Desde 1909 até hoje essa pergunta ainda existe, com o passar do tempo essa pergunta teve diversas respostas. Muitos sempre tentavam comparar os dois movimentos em quantidade de membros, como em ocupação no espaço terrestre, e quem sabe interplanetário, mas extensa e complexa ficava a resposta para uma simples pergunta. Já podemos considerar essa pergunta uma questão para decidir uma prova de vestibular ou concurso, pois nem mesmo quem participa desses movimentos sabe responder essa resposta de maneira exata, precisa e matemática. Existem diversas formas de responder essa pergunta, muitas delas nem sempre agradam a todos, por isso a complexidade, pois como tentaremos responder aqui essa pergunta, acreditamos que ainda haverá muitas controvérsias.

                 Para começar a responder essa pergunta e tentar ser o mais completo e exato possível, iremos utilizar, aqui, algumas versões que foram coletadas, mas para ficar claro principalmente aos leigos no assunto, vamos primeiro explicar do que se tratam em geral esses movimentos que além de toda a diferença que existe entre eles, ninguém negará que esses dois movimentos são irmãos de mesmo pai e de mesma mãe. Antes de 1909 o Movimento Bandeirante não existia, aliás, esse movimento só começará a existir em 1919, e somente no Brasil. Mas existia somente o Movimento Escoteiro que é oficialmente iniciado em 1907, lá em Londres, feito somente para meninos, aprenderem brincando e explorando o mundo a se tornarem homens de bem.

                   Então em 1909, essa brincadeira conquistou algumas meninas, que seriam as primeiras “scout girls”, mas num mundo masculino. Eis que o Movimento Escoteiro ganhou uma tia, titia Agnes, irmã do Fundador do Movimento Escoteiro Mundial Robert Baden Powell, que logo depois daria uma mãe ao movimento, sua esposa Lady Olave Baden Powell. A partir daí temos dois movimentos irmãos de mesmo pai e mesma mãe, Movimento dos Escoteiros (WOSM) e Movimento das Escoteiras e Guias (WAGGGS). Até aqui acredito que a resposta está simples e tranquila, porem o movimento desses movimentos começou a complicar. E como estamos no Brasil, e a nossa pergunta ainda não consta onde Movimento Bandeirante entra nessa história, vamos pular para 1919 onde enfim o Movimento Bandeirante aparece e começa a complicar essa resposta. 

                   Em 1919 o Movimento das Escoteiras e Guias chega ao Brasil através, como consta nos registro, das mulheres da elite carioca (e juramos isso não é coisa de novela), que simplesmente implantaram o movimento feminino aqui no Brasil, fazendo uma pequena alteração como uma tradução e homenagem, para o nome Bandeirante.
Ótimo então ficava simples, se um garoto pedisse ao seu pai, que gostaria de ser escoteiro, bastaria levá-lo a um grupo escoteiro, onde diversos meninos iriam brincar e aprender sob os princípios do escotismo a se tornar homens de bem de uma maneira bem masculina. E se fosse uma menina bastava levá-la a um núcleo bandeirante, onde várias meninas aprenderiam e brincariam também sobre os princípios do escotismo, ou como seriam chamadas de bandeirantismo, a se tornarem mulheres de respeito.

                  Não seria nada de mais se em 1919, ser menina e participar de um movimento feminino não fosse visto como algo um tanto revolucionário demais, e olha que não era, pois as meninas aprendiam muito bem a cuidar da casa, a cozinha, a ser prendada, a ser uma ótima esposa, mas sem querer elas aprendiam um pouco mais é claro, mas essa versão talvez seja somente uma hipótese, afinal como o passar do tempo esses movimentos foram vistos também como algo careta e sinônimo de pessoas bobas que usam uniformes e meião. Mas confessamos que mesmo amando nossos uniformes por causa de tudo que eles significam para nós, sabemos que é meio ridículo passear por aí impecavelmente uniformizados, e quanto mais impecáveis estavam os nossos uniformes mais orgulho temos deles, cada distintivo, cada broche, o meião, o cinto, um chapéu, nosso lenço, às vezes rimos daqueles que não entendem. 

             Com o passar do tempo outra hipótese seria que por serem movimentos irmãos, mas talvez também por isso um tanto concorrente e competitivo pela atenção, os movimentos começaram a se misturar, então meninas poderiam ser escoteiras e meninos poderiam ser bandeirantes. Hoje isso já é visto como algo comum, mas existem histórias de que as meninas no movimento escoteiras mesmo aceitas, só poderiam participar realizando tarefas consideradas exclusivamente “de mulher”, mas no movimento bandeirante por ser feminino, não existia tarefa só “de mulher” então os meninos aprendiam logo a dividir todas as tarefas, mas se sentiam umas menininhas e muitas vezes tinha vergonha de dizer que eram bandeirantes.

                Desta maneira o Movimento Escoteiro por toda sua origem e formação masculina ainda tem uma forte presença de aspectos masculinos em suas atividades, e aparência, o que atraí muito meninos e meninas que tem como interesse, atividades mais bruscas, mais agressivas, mais robustas, mais físicas, coisa de pai pra filho. E o Movimento Bandeirante por outro lado pela origem feminina, atraí mais meninos e meninas que gostam de atividades mais delicadas, mais detalhadas, mais floreadas, ou coisa de mãe pra filha. Mas aqui entra outro fato que pode confundir os interessados em ingressar em qualquer um dos movimentos, vale também considerar a característica do grupo escoteiro ou do núcleo bandeirante, pois pode haver núcleos bandeirantes que tem uma forte característica do movimento Escoteiro, como o contrário onde um grupo escoteiro com muitas características do movimento bandeirante. Afinal assim como conhecemos muitos escoteiros que se tornaram bandeirantes, como deve haver também muito bandeirante que se tornou escoteiro. 

                Aí surge uma pergunta por que ambos os movimentos que são tão parecidos não se tornam um só? Diríamos que isso é somente uma questão burocrática de briga de irmãos, que se divertem em sempre discordar que são parecidos.
Mas vamos à parte física das diferenças:

Escoteiro
Bandeirante
- símbolo flor de lis (três pétalas)
- símbolo trevo de três folhas
- associado ao WOSM (Mundial)
- associada à WAGGGS (Mundial)
- União dos Escoteiros do Brasil
- Federação de Bandeirantes do Brasil
- uniforme da cor do tipo de escotismo e/ou faixa etária
- uniforme azul marinho, e azul marinho e branco.
- lenço colorido conforme o grupo escoteiro
- 6 cores de lenço conforme faixa etária
- nomenclatura: lobinho, escoteiro, pioneiro, sênior, chefe.
- nomenclatura: abelha ou zangão, fada ou mago, B1, B2, guia, guia-auxiliar, coordenador (a).
- lei: o escoteiro é...
- lei: ser bandeirante é... (antes era: a bandeirante é...).

                  Está mais tranquila agora acha que está com sua pergunta respondida? Pois não fique não, pois a intenção aqui não é essa, e como dissemos antes esse blog é bandeirante e tem a missão de dizer que ser bandeirante é muito melhor que ser escoteiro, e ainda que for bandeirante do Núcleo Piratininga é muito melhor que ser bandeirante de qualquer outro núcleo, mas como “Ser Bandeirante é valorizar a estima e a amizade”, temos que falar muito bem de nosso irmão escoteiros e bandeirantes, mas como também “Ser Bandeirante é ser leal e respeitar a verdade”, confessamos sim que estamos puxando algumas sardinhas a mais para o nosso lado. 
Artigo retirado da Internet.




quinta-feira, 11 de junho de 2015

Dick Barzon o Escoteiro do Rio chegou na cidade.


Conversa ao pé do fogo.
Dick Barzon o Escoteiro do Rio chegou na cidade.

                            O tempo passa célere e quase não vemos as mudanças que nos transformam e se não segurarmos com mãos fortes nosso passado acredito que a vida não teria o valor que devemos dar a ela.  Alguém um dia me disse que o passado de cada um tem seu valor próprio. Os jovens que estão vivendo hoje se lembrarão também dos seus velhos tempos. Velhos tempos! Não foi o título de um filme? Novos e velhos tempos! – “Como era belo viver, enlaçado por um anel... Nas costas uma mochila, ao longe uma bandeira, embrenhar em matas na trilha que foi desfeita”... Ah! Escotismo. Quantas coisas vivemos num mundo mágico a sombra de um arco íris cercados de borboletas coloridas e lindos beija flores parados no ar, como se fossem se elevar em poucos instantes ao céu.

                          Meu primeiro amor. Treze anos e já amava alguém. Levantei cedo. Só um milagre para isto. Acontece que o milagre estava acontecendo. Era terça feira. E as terças e quintas eram meus dias de encantamento. Benditas férias escolares, sem elas não poderia vê-la. Terça e quinta eram sagradas. Dias que eu poderia sonhar e suspirar. Maria das Dores! Quantas vezes sonhei com ela? Nos meus treze anos me apaixonei profundamente. Soube muito tempo depois que a chamavam de Dorita. Tomei um café correndo com minha mãe dizendo que comesse um biscoito. Lá fui eu feito um maluco pelas ruas da cidade onde junto à nova praça de esporte eu iria vê-la. Parei sentado em minha bicicleta esperei ela chegar à janela. Quanta ansiedade. Seu rosto apareceu belo como se fosse a Virgem das Rochas impossíveis, ou melhor, a Madonna dos Rochedos onde Leonardo da Vinci fez a sua mais pelas telas que um dia pintou e ficou na história.

                       Olhou-me com um sorriso simples, jogou seus cabelos loiros de um lado a outro me deu uma piscada de olhos e um adeusinho. Isto me encantava. Era lindo. Minha namorada eterna que iria morar no meu coração para sempre. Fechou a janela e se foi. Era assim nosso amor. Eu não importava. Agora era esperar a quinta feira onde eu poderia vê-la novamente. Quantas saudades iria sentir por esperar uma eternidade de um dia depois do outro. Mas o destino da gente não dá para descrever. A vida de um menino é cheia de nuances e eis que meu Monitor chegou a toda velocidade em sua bicicleta verde. Vermelho com a corrida, Chapéu e uniforme gritou alto – Tem Escoteiro novo na cidade! O Escoteiro do Rio chegou! Está na sede! Vamos La! Esqueci meu amor. Um Escoteiro novo na cidade? Isto era demais. Dorita ficou esquecida na minha mente. Ela iria esperar que meu escotismo fosse guardado em outras plagas. Desculpe meu amor.

           Pelas barbas do profeta. Uma oportunidade única para ver o verdadeiro Escoteiro do Rio de Janeiro. Sempre foi assim. Era chegar um deles de qualquer cidade e a escoteirada ficava em polvorosa. Dorita, minha linda Dorita me perdoe. Juro que irei ver você outro dia. Peguei minha bicicleta pneu balão verde e lá fomos nós em desabalada carreira para a sede. A escoteirada e a lobada já estava lá. Mais de cinquenta meninos ansiosos pelo novo badeniano. Todos nós vibrávamos quando aparecia um Escoteiro ou Chefe de outra cidade. Ninguém ficaria de fora sem olhar e conversar com ele. No centro da roda ele chamava atenção. Uniforme diferente. Calça azul, camisa de mescla azul clara, meiões pretos e uma boina preta tipo Montgomery. E na boina tinha um lindo distintivo de metal em forma de asas com uma flor de lis.

         Cheguei e entrei na roda. - Sempre Alerta disse! Ele sorriu para mim. Sentei e ele continuou conversando com todos. Dizia que morava próxima a praia do Arpoador (não fazia a mínima ideia). Era Escoteiro do Ar. Já tinha viajado em diversos tipos de avião. Seu pai era Piloto da Panair do Brasil. Contou que fazia mil coisas como Escoteiro do Ar. Seu pai tinha um teco-teco e ele por diversas vezes dirigiu o monstro. Acamparam em Paquetá, em Niterói, na região dos lagos, já fora na Alemanha, nos Estados Unidos. Lindo! Supimpa, este sim era o Escoteiro do mundo. Um autentico acampador! Ficamos ali por horas. Todos ouvindo o Escoteiro do Rio contando suas aventuras.

         Lá pelas duas da tarde o convidei para ir almoçar comigo em minha casa. Fiquei esperando sua resposta quando a maioria também convidou. Ele agradeceu, pois estava na casa da avó e se não fosse lá almoçar teria que ouvir poucas e boas. O escoltei até a Rua Peçanha perto da Padaria do Tunico Boca Grande. Ele no portão deu um sempre alerta e entrou. Durante a semana ficávamos o dia inteiro com o Escoteiro do Rio. Passeamos com ele em vários lugares e depois de consultar o Papaleguas nosso Monitor o convidei a ir a uma excursão noturna no Pico do Papagaio no próximo sábado. Estava no programa e ninguém iria faltar. Iriamos logo após a reunião terminar e voltaríamos no dia seguinte à tarde. Ele aceitou só não tinha mochila. Sem problemas. Tínhamos guardado na sede várias ganhas da polícia militar. As demais patrulhas sabendo que ele iria resolveram ir também.

        Sábado, sete da noite. Lá íamos nós em fila indiana as quatro patrulhas e o Guia Cocada seguia em frente. Eu ia ao lado do Escoteiro do Rio. Orgulhoso. Iria contar para muitos que ele ficou do meu lado e subiu a serra comigo. O Pico do Papagaio era próximo a nossa cidade. O duro era a subida. Treze quilômetros que matava qualquer um. Eu já tinha ido lá varias vezes e jurava sempre quando ia que seria a última vez. Eram onze e meia da noite. E não foi que aconteceu uma surpresa. O Escoteiro do rio começou a chorar. Paramos. Quem sabe um espinho? – Eu quero mamãe! Eu quero mamãe! – Deus do céu! O que era aquilo? Só então ele nos contou que tinha dez anos e ia passar para a tropa no fim do ano. Era lobinho e seu pai comprou tudo que ele precisava para ser Escoteiro!

         Foi demais para mim e todos da Patrulha. Rimos a mais não poder. Achávamos que junto a nós estava um Super Escoteiro, e não passava de um lobinho crescido e que nunca fez atividade em Patrulha. Estava morrendo de medo e de cansado. Distribuímos sua mochila entre nós, e voltamos à cidade. As demais patrulhas continuaram. Eram uma da manhã quando o deixamos na porta da avó dele. Os olhos cheios de lágrimas. Chorava de fazer dó.


         Bem, lá se foi o nosso herói. Mas sabíamos que ele iria crescer. Aprender e ser um bom mateiro, mas que servisse de lição para não ser gabola, mentir dizendo o que não era. Nunca mais ouvi falar no Escoteiro do Rio. Para dizer a verdade nem o nome dele ficamos sabendo. Só no dia que partiu contou que se chamava Dick Barzon. Quem sabe ele está aqui a ler esta história e vai lembrar? Alô Escoteiro do Rio, (hoje beirando os setenta anos) Sempre Alerta para você! Apesar dos pesares você significou muito para nós. Sempre Alerta! E meu namoro com Dorita continuou por mais alguns anos. Ela lá naquela janela encantada a piscar para mim e eu encostado no muro a sonhar, quer melhor que isto? Risos. 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Hora de dormir, amanhã tudo vai começar novamente... A Lenda da Rosa.


Hora de dormir, amanhã tudo vai começar novamente...
A Lenda da Rosa.

Dizem que quando a Terra começava a ser habitação de forças vivas,
Nas telas primitivas, tudo passara a ser agitação de festa;
As cidades nasciam em singelas aldeias na floresta...
A beleza imperava, o verde resplendia,
Toda a vegetação se espalhava e crescia,
Dando refúgio e proteção aos animais,
Do mais fraco ao mais forte...
O progresso ganhava as marcas de alto porte.

No campo, as plantas todas respiravam felizes,
Da folhagem no vento à calma das raízes;
Era um mundo de belos resplendores,
Adornado de flores, com uma estranha exceção.
Tão-somente, o espinheiro, era triste e sozinho
Uma espécie de monstro no caminho,
De que ninguém se aproximava,
Todo feito de pontas agressivas,
Recordando punhais de traiçoeiro corte,
Que anunciavam dor e feridas de morte.

De tanto padecer desprezo e solidão, um dia, o espinheiral
Fitou o Azul Imenso e disse em oração:
- Senhor, que fiz de mal para ser espancado e escarnecido,
Todos me evitam cautelosamente
Como se eu não devesse haver nascido...
Compadece-te, oh! Pai, da penúria que trago,
Terei culpa das garras que me deste?
Acendes astros mil para a noite celeste,
Vestes a madrugada em mantilhas vermelhas,
Dás lã para as ovelhas, inteligência aos cães, cântico às neves,
Estendeste no chão a bondade das fontes
Que deslizam suaves na força universal com que desdobras,
A amplitude sem fim dos horizontes,
Em cujo místico esplendor falas de majestade, paz e amor...
Não me abandones, Pai, às pedras dos caminhos,
Se posso não desejo oferecer somente espinhos...
Quero servir-te à obra, aspiro a ser perfume,
Inspiração e cor, harmonia e beleza,
Para falar de ti nas leis da Natureza.

Dizem que Deus ouviu a inesperada prece
E notando a humildade e a contrição do espinheiral,
Mandou que, à noite, o orvalho lhe trouxesse
Um prodígio imortal. Na seguinte manhã, logo após a alvorada,
Por entre exalações maravilhosas,
O homem descobriu, de alma encantada,
Que Deus para mostrar-se o Pai e o Companheiro,
Atendendo a oração pusera no espinheiro
A primeira das rosas...
Chico Xavier.


O sorriso que eu levo hoje apaga todos os outros rastros. Eu aprendi, aos trancos, que ser feliz não dói. Boa noite meus amigos. Uma noite maravilhosa e um amanhecer cheio de sol transformando sua vida em raios de luz! Durma com Deus. 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Podemos servir de exemplo?


Hora de dormir, amanhã é outro dia...
Podemos servir de exemplo?

                     Cada um tem o direito de pensar e agir conforme suas convicções. É um direito democrático. Estamos passando por uma fase de transição em nosso país. Nem sei quanto vai durar. Pode ser que em centenas de anos ainda não iremos atingir o consenso de concordância mútua. Se você age de maneira nervosa a cada esquina onde passa com seu carro discute, grita e se não tem a calma suficiente para cantar e pensar em flores quem sou eu para criticá-lo. Se você em pleno dia de semana tem tempo para protestar junto a milhares de outros por algum que acredita porque seria eu a discordar? Afinal você tem tempo e eu não tenho. Se você sabe que seu filho vai lá nestes protestos e é preso ou mesmo uma selvageria policial acontece com ele o que posso dizer? Ele é inocente? Bem o meu não estava lá. Eu o eduquei de outra maneira. Ele era um Escoteiro.

                   Isto até que é compreensível. Uns querendo mais direitos, mais condições de vida e outros aproveitando a boa fé para prejudicar alguém que não prejudicaram você ou todos que estão ao seu lado. Parar uma cidade e alardear que são os tais, prejudicando o cidadão com seu veículo que depois de um dia de luta em seu emprego volta para casa cansado e eis que: - Centenas de pessoas estão na rua, fechando tudo, batendo no seu capô, chutando, riscando e amassando seu veículo não se entendo este modo de protesto. E quando uma ambulância ao socorrer alguém não consegue chegar a tempo em um hospital por causa de ideologias e/ou fatos que não estão em minha opinião dentro dos princípios do respeito mútuo. Não encontro justificativa para isto. O meu direito termina onde começa o seu. Eu tento entender a mágoa de muitos, alguns tem e não podem e outros podem e não tem. Como justificar um  panelaço, a vaia? Fiz como todos as minhas escolhas. Se eu escolhi errado o erro foi meu. Não sou fã da presidenta, não votei nela, mas ela a maior autoridade no país e queira ou não merece o respeito dos que votaram nela e dos demais brasileiros.    

                  Respeito não significa concordar, apoiar. Respeito sim por uma autoridade constituída. Pecamos por amar um país lançar uma bandeira do Brasil no ar, cantar nosso Hino Nacional e não sabermos respeitar quando se faz a ocasião. Nossos filhos estão aprendendo a vaiar, a defender bandeiras sem saber se são certas ou erradas. Nossos exemplos se perdem, mas não julguemos que tudo vai mal. Não são todos. Uma pequena parcela em ação e outra em casa tomando posições. Um amigo meu que foi visitar o Japão ficou várias horas em uma esquina só para provar que alguns japoneses jogam papel no chão, cospem e falam palavrão. Ele desistiu cinco horas depois. Ainda bem que no escotismo ensinamos civilidade, amor à pátria, cidadania e a todo o momento lembramos o que é ética e honra. Mesmo assim fico triste quando convidado para um aniversário em casa de um Escoteiro e ao sair fico penalizado com o responsável que me convidou. O chão cheio de copos e papel. Mesas sujas e uma grande falta de respeito com os demais que ali estão. E cantar os parabéns? Não cantam, inventam, misturam a letra e música. São escoteiros? Não devem ser. Mas estavam de uniforme. Pobre Brasil. Quanto tempo ainda para ver e sentir que meu direito termina onde começa o seu? – “Eu te amo meu Brasil, eu te amo, ninguém segura à juventude do Brasil”!


Boa noite meus amigos. Sonhem sonhos bons e que a paz permaneça por longos anos com todos.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A origem da Flor-de-Lis no Escotismo


Conversa ao pé do fogo.
A origem da Flor-de-Lis no Escotismo

                     Em 1924, Lord Baden-Powell escreveu um artigo pouco conhecido, provavelmente editado na revista The Scout, que a seguir transcrevemos: “O emblema é uma flor de lis, símbolo de paz e pureza”. A história da flor de lis enquanto emblema remonta há muitos séculos atrás, senão mesmo milhares de anos. Na Índia antiga, simbolizava a vida e a ressurreição, enquanto que no Egito era um atributo do deus Hórus, cerca de 2000 anos antes de Cristo.

                   Alguns anos atrás, enquanto era ajudante de campo no meu Regimento, descobri que alguns jovens recrutas eram pouco melhores do que rapazes meio educados. Após alguns anos, quando comandava um esquadrão de cavalaria na Irlanda, treinava os meus homens a serem exploradores, para além dos seus deveres ordinários de combater nas fileiras.

                  Ensinei-os a encontrar o seu caminho através de territórios desconhecidos lendo e desenhando mapas e redigindo relatórios daquilo que tinham visto cada homem por si, de noite e de dia; a atravessar rios com os seus cavalos, cozinhar a sua comida, seguir rastos e a manterem-se camuflados enquanto observavam o inimigo. Pensei que algum mérito lhes era devido e conseguir autorização do Departamento de Guerra para conceder a cada homem que se qualificasse como explorador, um emblema que o distinguisse.

                     Escolhi a flor de lis, que apontava no norte nas bússolas, pois, tal como o compasso, estes exploradores podiam mostrar o caminho certo para atravessar um território desconhecido. Quando os Escoteiros começaram, anos mais tarde, usei o mesmo emblema para eles, pois, tal como nos exploradores militares, que através do desenvolvimento do seu sentido de dever e hombridade podiam prestar uma ajuda valiosa ao exército, assim os Escoteiros podiam prestar um igualmente valioso serviço ao seu país.

                      O atual significado que se deve ler da flor de lis é que aponta na direção certa e para cima, não virando nem à esquerda nem à direita, uma vez que estes caminhos poderiam levar de novo para trás. As estrelas nas pétalas também podem ser interpretadas como indicação de caminho a evitar, embora o seu significado mais conhecido seja o dos dois olhos do Lobinho que se abriram antes de se tornar Escoteiro, quando obteve a sua insígnia de 1ª classe ou a 2ª estrela. “As três pétalas da flor de lis relembram ao Escoteiro os três artigos da sua Promessa.” Baden-Powell.


Nota – A nova flor de lis da UEB aqui não é mencionada. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A carta do Índio.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A carta do Índio.

                         Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz já mais de cento e cinqüenta anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:

                    “Como podeis comprar ou vender o céu, a tepidez do chão”? A idéia não tem sentido para nós. Se não possuímos o frescor do ar ou o brilho da água, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques sombrios, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem a terra de seu nascimento, quando vão pervagar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os gamos, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, a energia vital do pônei e do homem, tudo pertence a uma só família.

                  Assim, quando o grande chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossas terras, ele está pedindo muito de nós. O grande Chefe manda dizer que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente por nós mesmos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Se for assim, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Mas tal compra não será fácil, já que esta terra é sagrada para nós. A límpida água que percorre os regatos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vos vendermos a terra, tereis de lembrar a nossos filhos que ela é sagrada, e que qualquer reflexo espectral sobre a superfície dos lagos evoca eventos e fases da vida do meu povo. O marulhar das águas é a voz dos nossos ancestrais. Os rios são nossos irmãos, eles nos saciam a sede. Levam as nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra a vós, deveis vos lembrar e ensinar a nossas crianças que os rios são nossos irmãos, vossos irmãos também, e deveis a partir de então dispensar aos rios a mesma espécie de afeição que dispensais a um irmão. 

                    Nós mesmos sabemos que o homem branco não entende nosso modo de ser. Para ele um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si à sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seus irmãos, o céu como coisas a serrem comprados ou roubados, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. Isso eu não compreendo. Nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer aos olhos do homem vermelho.

                Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e como tal, nada possa compreender. Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender. O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem dos charcos à noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume dos pinhos.

               O ar é precioso para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O ar que vossos avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último suspiro. Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a brisa aromatizada pelas flores dos bosques. Assim consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, farei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

                  Sou um selvagem e não compreendo de outro modo. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecerem nas pradarias, deixados pelo homem branco que neles atira de um trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo, que nós caçamos apenas para nos mantermos vivos. Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo isso pode cada vez mais afetar os homens. Tudo está encaminhado. Deveis ensinar a vossos filhos que o chão onde pisam simboliza a as cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, ensinai a eles que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai a eles o que ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe. Quando o homem cospe sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; O homem branco é que pertence a terra. Disso nós temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra. 

               O homem não tece a teia da vida: É antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio. Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha e com quem conversa como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo, sejamos todos irmãos. Nós o veremos. De uma coisa sabemos, é que talvez o homem branco venha há descobrir um dia: Nosso Deus é o mesmo deus.  Podeis pensar hoje que somente vós o possuis como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho. Esta terra é querida dele, e ofender a terra é insultar o seu criador. Os brancos também passarão talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos próprios excrementos.

               Mas no nosso parecer, brilhareis alto, iluminados pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes.

    Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. “O fim do viver e o início do sobreviver.”


Boa noite!