Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 28 de março de 2017

Carta Prego. (repeteco)


Conversa ao pé do fogo.
Carta Prego. (repeteco)

                Todos sabem, todos conhecem todos já fizeram em parte ou no seu todo. Mas acho que não sabem da importância na formação da patrulha, na sua liberdade de ação e na sua emancipação da chefia. Digo emancipação no sentido de não tê-los como observadores diretos e estarem desde agora, rumo ao livre arbítrio, que irão exercer quando adultos. Também já as usei quando chefe de alcatéia, claro bem diferente que para os escoteiros e seniores.

Vamos recordar e ver se pensamos da mesma maneira.

(a)      Comece com atividades na sede e em volta dela (máximo de dois quarteirões) – pode ser em uma reunião de tropa, no máximo uma ou duas horas.
(b)     Vá aos poucos expandindo o território, até chegar a um bairro distante – neste caso é necessário mais tempo e boa preparação.
(c)  Finalmente, um acampamento de fim de semana, todo com explicações diretas da Carta.
(d) O mais importante na carta prego é os escoteiros fazendo proselitismo. Portanto devem ser bem adestrados na sua apresentação, no garbo e na boa ordem. Ter uma boa monitoria é muito importante. Escoteiros bens uniformizados são motivo de orgulho para a organização. O público verá o que todos estão fazendo.

Como preparar:

                 Comece sugerindo o estudo por parte dos monitores (em reunião de monitores ou na Corte de Honra), da Carta Prego. Como é, o que diz a postura dos escoteiros quando ausentes da vista do chefe e da importância na observação daqueles que estarão a sua volta. Da responsabilidade da patrulha, da ordem, da disciplina etc. É claro que todos sabem que o melhor proselitismo, é um escoteiro ou lobinho bem uniformizado, na comunidade ou fora dela, mostrando que nossas leis Escoteiras são levadas a serio. Isto será sempre lembrando pelo monitor, pois a responsabilidade maior é dele. Sempre lembramos dos maus uniformizados. Isto é comum e também que sem perceber o colocamos como o representante da organização. Um militar desleixado e com o uniforme mal posto deixa impressões não condizentes de sua organização.

                Depois, faça a primeira experiência, expandindo aos poucos durante o ano, até chegar ao ápice, ou seja, um acampamento de fim de semana, totalmente feito pela patrulha, uma ou mais, sem a presença da chefia. Lembramos que a Carta Prego é para uma patrulha somente. Se outras patrulhas participarem, deverão ter programas e destinos diferentes. Demora-se muito para que varias patrulhas juntas façam atividades desta espécie, e não descartamos tais possibilidades, mas para isto é necessário anos e anos, com bons monitores e Escoteiros suficientemente adestrados.

                    Difícil? Não. Quando jovem fiz muitas vezes, e quando chefe de tropa foram inúmeras Cartas Prego realizadas com todas as patrulhas. Enfim, o que é uma Carta Prego? Sei que todos sabem, mas vou dizer como aprendi e como as fiz. Claro que diversos escotistas que me leem sabem fazer muito melhor, e  eu fico feliz com isto. Quem sabe eles poderiam publicar aqui para os mais novos?

- Carta Prego, são instruções de atividades a serem cumpridas com horários, itinerários, boas ações, temas de adestramento de etapas de classe etc. Elas são feitas em forma de carta envelopadas que só devem ser abertas quando toda a patrulha (completa – incompleta a atividade é considerada cancelada) estiver reunida e em horários determinados.  A carta é entregue ao monitor pelo chefe, dias antes, explicando que não deve abrir antes de todos estarem junto no horário e local programado. O monitor ou o Escriba (melhor este último) lê, e todos discutem entre si como fazer e partem para cumprir as determinações feitas pela chefia e Corte de Honra. Esta não sabe a localização e meios de transporte. Todos só são informados quais as rações a serem levadas e taxas (se houver ex. transporte, lanches etc.).

Assim partem em determinado horário, para a atividade programada.

                   Com a Alcatéia, pode-se fazer com as matilhas, em volta da sede ou abrangendo mais quarteirões, tendo em cada ponto, um escotista, que só irá intervir em caso de emergência ou necessidade. Não deve ensinar ou mesmo mostrar o rumo após a saída da sede. Para se tornar uma melhor aventura para os lobinhos, usava pais, que instruídos também eram só observadores. Assim, os lobinhos (as) achavam que estavam sempre dirigindo a si mesmos. A Carta Prego pode abranger uma reunião de tropa ou alcatéia, um sábado ou domingo completo, ou um fim de semana.

                 Quanto ao programa, deve ser bem explicito, curto, sem muitas explicações, tais como: Ex. -  Vá até o bairro tal... Lá encontre um escoteiro que mora na rua tal (não sabemos o número), conversem com ele, com os pais, tudo sobre o que ele conhece sobre o Movimento Escoteiro. Façam um relatório de tudo, inclusive contando como agiram no ônibus, comentários dos passageiros,  algum tópico interessante ou alegre, e convidem a ele e a sua patrulha a visitar vocês qualquer sábado. Neste caso, deve-se analisar o tempo a ser gasto, marcando sempre o horário de chegada – lembrar que este não pode ser alterado – chegar atrasado mostra que a patrulha não cumpriu as determinações e com isto pode perder ponto.

Enfim, existem diversos programas para uma Carta Prego. O melhor momento é quando a patrulha ou as patrulhas já tiverem boa experiência fazer um acampamento de fim de semana. Claro que haverá uma série de empecilhos, mas todos contornáveis. Conversem com seus monitores, matutem a ideia, ouça-os. Veja por outros ângulos e se acharem que sim mãos a obra. Vocês escotistas de alcatéia e tropa, sabem mais do que eu, e tenho certeza que ao preparar vão fazer uma excelente atividade para desenvolver a cidadania, o livre-arbítrio, o aprender a fazer fazendo e claro muitos artigos da lei para serem revistos e colocados em prática. Não esqueçam nunca que monitores e Escoteiros devem ser ouvidos. Eles darão mais importância a esta bela atividade Escoteira.

Uma boa atividade e muito sucesso na sua próxima carta prego.

Sei que você conhece e já fez dezenas de “Carta Prego”! Muitas vezes esbarramos com falta de interesse, falta de motivação e acabamos por perder bons jovens que poderiam aproveitar muito sua formação para o futuro em uma boa Tropa Escoteira por falta de motivação e de liberdade. Boas ideias surgem e são abandonadas. Quem não houve sugestões ouve “coitado”. Não basta sorrir, não basta um bom jogo, escotismo é movimento e confiança. A Carta Prego é um excelente meio para desenvolver a liderança nos jovens. Boas atividades a todos.

sábado, 25 de março de 2017

Aleluia! Comprei uma bengala!


Aleluia! Comprei uma bengala!

             Velho sem bengala não é velho. É Um idiota completo. Bendito seja! Que uma nova aurora surja para mim no horizonte. Não sei grito Anrê, se vou para a rua dizendo “Bravôo”. Dizem que para andar com uma bengala tem de ter PHD. De que? De Bengaleiro? – Chefe, me disse Mestre Nariz Longo. – A bengala é um acessório para o auxilio no caminhar, sendo mais usada na locomoção em razão da idade para evitar quedas e ter uma fratura o que não é bom. – O Cara é bom nisto. Entende de tudo. E veja a pérola que ele me informou: - Chefe a bengala já fez parte excencial na indumentária masculina. Na década de vinte e trinta, todo homem elegante usava chapéu e uma bengala. Chefe! Mahatma Gandhi e Winston Churchill usavam bengala! Zé Carioca o famoso papagaio Brasileiro da Disney sempre portou uma bengala, e nada menos que Charles Chaplin na pele de Carlitos!

            Puxa vida, estou em boa companhia. E eis que surge na esquina Zé Pamonha e grita para mim: - Chefe eles já morreram e estão bem enterrados! – Que boa companhia é esta? Este cara merece uma bengalada! Falar nisto Mano Velho com toda sua sabedoria me disse que bengala tem mil e uma utilidades. Ajuda a andar nos passeios das ruas de São Paulo, todas esburacadas e com tops que mais parecem paredão para escalar. Mas uma das minhas preferidas é dar uma bengalada no chato de galocha que rir de mim. Preciso vestir meu uniforme, chapelão na cabeça, cinto no costado e bengalar prá todo lado. Kkkkkk. Pois é, um velho Escoteiro sem bengala não é um Escoteiro que se preze. Já pensou acampado e aparece uma jararaca? Bem depende da jararaca. Tem as que precisam mesmo de umas bengaladas, pois só falam mal de você pelas costas. Kkkkkk.

             Amanhã se Deus quiser começarei meu treinamento. Procurei na internet e ninguém soube me informar as técnicas de bengalar. Como sou um bom Escoteiro vou procurar aprender a bengalar bengalando. Não foi assim que BP ensinou? Vai ser bom demais. Quando aprender toda a técnica irei fazer um artigo sobre a “A arte de Bengalar Escoteirando”! Não sei se estou feliz ou triste. Feliz porque não vou mais tomar aqueles tombos homéricos, triste porque vai ser mais difícil acompanhar a patrulha na jornada do morro do chapéu. Bem vou tentar quem sabe ele passam também a ter uma bengala e assim formaremos a Patrulha dos Velhos Bengaleiros. Até já criei o grito: – Um, dois três, Escoteiros, somos todos Bengaleiros! Prá frente com união, Bengaleiros em ação!

              É brincando e aprendendo. Por duas vezes me espatifei no chão em uma delas perdi os dentes. Custei para voltar a si e catar dente por dente. O dentista me esfolou. Agora de novo banguelo. Isto vai acabar, tenho uma bengala, vou aprender a usar, e com minha bengala que a diretoria da UEB tome cuidado. Escreveu não leu? A bengala comeu! E viva os Bengaleiros do Brasil!

E como dizia Baden-Powell (não sei se ele disse risos) – Para ser feliz tenha sempre uma bengala na ponta do nariz!



quarta-feira, 22 de março de 2017

Donald Trump em carne e osso!


Donald Trump em carne e osso!

                Marido! O que você fez? Olhei para a Célia. Estava espantada com um telegrama na mão. – Eu Célia? Eu não fiz nada. Sou inocente. Juro por Deus! Palavra de Escoteiro! – Não vá me dizer que a turma da UEB resolveu me julgar na Comissão de Etica. Não pode, não tenho registro! - Não é isto marido, eu acredito em você. Afinal somos alma gêmea. Mas leia este telegrama. Comecei a ler e me assustei. O telegrama era curto seco e grosso. Dizia:

- Chefe Osvaldo, preciso urgente do Senhor aqui na Casa Branca. Chegando me procure no n. 1600 – Pensilvânia – Ave – NVV, Washington DC 20.500 EUA. O nosso embaixador Peter Michael McKinley que ficou no lugar da Liliana Ayalde nomeada pelo Obama irá pessoalmente buscá-lo em uma SUV preta, com cinco agentes secretos da CIA todos treinados na marinha americana. Não vá falhar, lembre-se dos velhos tempos!
Assinado: - Donald John Trump – 45º Presidente dos Estados Unidos.

                    Minha nossa. Nunca pensei em vê-lo outra vez. No ultimo acampamento lá pelos idos de 1958, no Deserto de Atacama no Chile eu dei nele uma puxada de orelha: - Trump, todo mundo trabalhando e você pintando o cabelo de roxo? Ele chorou igual bebê chorão. Gritei para ele – Não chora Escoteiro é macho. – Ele riu baixinho. Vado Escoteiro, e as meninas Escoteiras também são macho? Se não fosse Diego Constanza chileno nosso monitor eu não sei o que faria. Foi uma bela atividade. Fizemos uma lista de endereços para futuros contatos. Escoteiro são assim, se encontram e são irmãos para sempre. Nunca mais ouvi falar no Trump até que ele foi eleito presidente dos EE. UU. Era demais para mim.

                     Nem respirei para pensar melhor e uma SUV cantando pneus parou na porta da minha casinha pequetita. Cinco agentes secretos da letal unidade Seals da Marinha Americana desceram. Isto mesmo, aquela que matou Osama Bin Laden. O embaixador com aquele topete tipo americano, como se fosse o rei do mundo, gritou para mim: - Estou com pressa. Trump tem pressa. Não fica molengando! – Gritei para a Célia: - Pega meu bastão de duas e meia polegada um metro e setenta e com ponteira de aço. Vou mostrar a este gringo que gritar só com a mãe dele! Não ouve mais conversa. Socaram-me na SUV e nem deu para despedir da Célia.

                     Vendaram-me e não gostei. Sei que enxergo pouco e a operação de catarata no olho esquerdo não ficou lá estas coisas. O direito tudo cinza. Em Cumbica fomos direito para a ala VIP. Assustei. O Boeing 747-200B. 7 chamado de Air Force One lá estava. Nossa! – O Trump em pessoa veio me buscar? Uma loura desbotada com um lenço roxo no pescoço, sem anel e amarrado nas pontas me empurrou. Sobe logo velhote! Vai de carona, o Vice Presidente Mike Pence indo para o Alasca recebeu ordens do nosso Presidente para vir aqui buscá-lo. Se fosse eu iria levar você de teco-teco! Eita loira que merecia ser amarrada em uma pioneiria daquelas feita pelo CAN em Curitiba. Eita! Como são mal feitas! Kkkkkk.

                     Dormi toda viagem. So me serviram um pãozinho com mortadela e água. Malditos americanos! Mas eu sabia que não era assim. Tomaz Jeferson quando acampamos em Minesota foi um perfeito cavalheiro. Abraão Lincoln que me deu a Medalha de São Patrício quando fizemos aquela grande excursão pelo rio Mississipi sempre foi um cavalheiro. Descemos na base aérea de Andrews, situada próximo a Washington. De lá dois marines educados (me fizeram continência) me levaram em um Helicóptero Executive One um USMC N. 1. Na casa Branca Donald me esperava na porta. Estava sozinho e triste. Abraçou-me choroso e disse que naquela manhã havia perdido parte do seu patrimônio de 4,5 bilhões de dólares. Precisava de mim para ajudá-lo a recuperá-lo.

                     Ora ora, me fez vir aqui para isto? Vado Escoteiro, em nome da nossa amizade. Lá nos escoteiros éramos assim um por todos e todos por um? Aqui eu não sei em que posso confiar. Sei não. Confiar no Trump? Quando eu e ele fizemos uma jornada em 1961 para fotografar Ursos-Polar no Ártico e ele veio com aquela conversa mole que a pele valeria uma fortuna. Mama mia, que Escoteiro era aquele? Entramos no Salão Oval. Sentei e logo cinco diretores do CAN apareceram. Tá danado. Aqui não presidente, porque trouxe esta cambada? Um deles veio em minha direção. Apresentou-se com presidente do Conselho de ética. Disse que eu ia comer o pão que o diabo amassou. Peguei o bastão que segurava a bandeira dos Estados unidos, rodopiei ia dar uma bastonada e levei um catiripapo no nariz.


                Acordei gritando e dizendo que sou velho, mas sou mineiro, e não levo desaforo para casa! Osvaldo! Osvaldo! Acorde! Já estou cansada destes seus pesadelos. Levantei, fui para minha varanda. Uma esquadrilha de aviões da USAF, oito A-10 Thunderbolts II e seis Lockheed AC-130 fizeram um voo rasante na minha humilde morada. Corri para dentro. Enfiei-me embaixo da cama. Rezei muito. Prometi respeitar a UEB (com os dedos cruzados). E seja lá o que Deus quiser! 

domingo, 19 de março de 2017

Rastros do Fundador. O exemplo de Jesus Cristo.


Rastros do Fundador.
O exemplo de Jesus Cristo.

Acho bastante curioso que homens que se dizem bons Cristãos se esqueçam de tantas vezes, perante uma dificuldade, de fazerem a si mesmos esta simples pergunta: “o que é que Cristo teria feito nestas circunstâncias?”, e decidir em conformidade. Lembra-te de fazê-la na próxima vez que estiveres em dificuldades ou que não saibas como proceder. Cristo deu a sua vida para nos dar o exemplo, nomeadamente, de que devemos estar “Sempre Alerta” - qualquer que seja o preço que tenhamos de pagar - para cumprir o nosso dever para com os outros.
Lord Baden-Powell of Gilwell.

Dever para com Deus.

Ao cumprires o teu dever para com Deus, sê-Lhe sempre grato. Sempre que apreciares um prazer ou um bom jogo, ou conseguires fazer uma boa ação, dá-Lhe graças por isso, quanto mais não seja com uma ou duas palavras. Como fazes às refeições. Ser leal para com Deus significa nunca te esqueceres Dele e recordá-Lo em tudo o que fazes. Se nunca O esqueceres, nunca farás nada de mal. E se te lembrares Dele quando estiveres a fazer qualquer coisa errada, deixarás logo de a fazer.
Deus tem sido bom para contigo, por isso cabe-te fazer alguma coisa em troca que Lhe agrade; é esse o teu dever para com Deus.

O escoteiro tem de compreender que uma parte do seu “dever para com Deus” consiste em cuidar e desenvolver como uma obrigação sagrada os talentos com que Deus o dotou para a sua passagem por esta vida: o corpo com a sua saúde, a sua força e as suas faculdades de reprodução, para serem usadas ao serviço de Deus; a mente, com as suas maravilhosas capacidades de raciocínio, de memória e de julgamento, que o colocam acima do mundo animal; e a alma, essa parcela de Deus que o homem traz dentro de si - e especialmente o Amor, que se pode desenvolver, e fortalecer mediante a prática e expressão contínuas. E assim que podemos ensinar-lhe que cumprir o seu dever para com Deus não significa simplesmente confiar na Sua misericórdia, mas fazer a Sua vontade praticando o amor para com o próximo.

Lord Baden-Powell of Gilwell.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Conselhos de Mano Velho.


Conselhos de Mano Velho.

Mano Velho coçou a cuca, mexeu a cabeça para um lado e outro, e sem ele pedir resolver abrir o jogo:

- Meu amigo, está na hora de abrir a porta da barraca, mesmo que lá fora o tempo está chuvoso, pense que há sol, pule para fora e sinta o calor do campo o perfume das flores silvestres, mesmo que esteja frio. Afinal somos escoteiros e não podemos nos deixar abater. O que serve ficar lamentando? Vai resolver? Arregace as mangas, hora de uma pioneiria, hora de pular no riacho mesmo que a água esteja gelada. Você sabe mais que eu que sorrir é bom, ajuda a viver melhor. Difícil? Nem tanto. Basta querer. Apareceu alguém para lhe tirar do sério? Mesmo que ele alegue ser da fraternidade, aceite o desafio e o tire do sério também. Alguém lhe fez cara feia? Dê um sorriso Colgate para ele. Ele se acha poderoso? Ria internamente, pois ele é um “pobre coitado”. E faça seu acampamento. Ele é seu e ninguém pode tirar o seu direito.


E Mano Velho bateu em seu ombro terminando: - Se nada mudar, invente. E quando mudar entenda. Se ficar difícil, enfrente, e quando ficar fácil, agradeça. Se a tristeza rondar, alegre-se, e quando ficar alegre, contagie. E quando recomeçar acredite. Você tudo pode. Tudo consegue pelo amor, e pela fé que você tem em Deus!

sábado, 11 de março de 2017

Lobinhos da Jangal, hoje tem reunião, alegria de montão.


Lobinhos da Jangal, hoje tem reunião, alegria de montão.

Arrumei minha mochila,
Arrumei meu uniforme
Acabou a dor de barriga
Está tudo nos conformes!
Pois hoje tem reunião,
Alegria de montão.

Mamãe já fez o almoço.
Calmamente sem alvoroço.
Vou sorrindo para a sede,
Vou abraçar meu chefe.
Há Alcatéia é incrível,
E direi melhor possivel.

Já sei a lei do Lobinho,
Não sou feijão com bolinho.
Eu digo sempre a verdade,
Sou bacana sem alarde.
Hoje vai ter uma trilha,
Vou seguir com a matilha.

Ouço sempre os velhos lobos,
Faço certo não sou bobo.
Tomei banho mais de cinco,
Pois o Lobinho está sempre limpo!
Sou Lobinho e amo a flor de lis
Gosto muito sou feliz!

Meu pai disse não seja louco,
O Lobinho pensa primeiro nos outros!
Sei hastear a bandeira,
Gosto dela bem faceira.
Sou Lobinho disciplinado
Não sou de grito, sou mais calado.

Amo muito a Akelá,
O Balu e a Kaa.
Não sou Lobinho balela,
Gosto também da Bagheera.
Papai e mamãe até mais,
O Lobinho nunca desiste... Jamais.

Vou feliz correndo prá sede,
Pois eu estou sempre alegre
Eu faço o que sempre quis
Sou Lobinho sou feliz!
E hoje tem reunião,

Alegria de montão!

terça-feira, 7 de março de 2017

Olá amigos e irmãos do escotismo.


Olá amigos e irmãos do escotismo.


Tudo o que os jovens precisam é de esperança e do sentimento de que pertencem a algo. O escotismo tem um enorme caminho para motivar uma nova vida, uma nova concepção de aventura e isto poderia ser sem sombra de dúvida o caminho do sucesso para a juventude do Brasil e do mundo. Se eu pudesse fazer ou dizer alguma coisa que desse a eles este sentimento, eu diria a todos que lutem por um ideal, lutem pelo que acreditam. Se cada um de nós se comprometesse com estas palavras, podemos sim acreditar que teríamos contribuído em algo melhor para o mundo Escoteiro de Baden-Powell! Vamos dar a eles a chance de viver o escotismo autêntico, real, conforme nosso Lider nos ensinou. Afinal o futuro pertence àqueles que acreditam nas belezas de seus sonhos.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Quer saber? Eu adoro desfilar.


Crônicas de um Velho Escoteiro.
Quer saber? Eu adoro desfilar.

                      Bom demais. Só quem já passou por isto sabe o orgulho, o frenesi de estar ali desfilando, marchando, cantando, ou então tocando em um instrumento qualquer nos desfiles que para muitos se tornaram histórias. Não sei se era uma paixão enorme por ser Escoteiro, por ter passado uma semana engraxando o Vulcabrás, polindo as estrelas de metal, polindo o cinto e dobrando o lenço Escoteiro de olho no seu chapéu de abas largas. Sempre com a mente voltada para o dia especial. Cada desfile tinha um sabor diferente. As palmas do público quando pipocavam a gente sentia um entusiasmo próprio de ser Escoteiro e brasileiro. Não dá para esquecer o palanque, o alto, o direita volver, a saudação à autoridade, o corneteiro brilhando no seu toque, o retorno e ainda dar uma colher de chá aos bairros mais distantes fazendo lá também seu périplo de orgulho em desfilar.

               Eram tempos que ficávamos treinando ordem unida duas três vez por semana. Nestas épocas os acampamentos, as atividades aventureiras diminuíam de intensidade e davam lugar aos treinos, onde todos acorriam no campinho do Zefir Futebol Clube. Eram mães, pais, avós, tios tias, vizinhos e onde a meninada pequena ficava com os olhos brilhando a olhar o treino e sonhar que um dia seria um de nós. Ah! Saudade lembrada, saudade sentida, saudade hoje e para o resto da vida. São saudades eternas. Em um aniversário da cidade ganhamos mais cinco tambores, quatro tarois, quatro bumbos e cinco cornetas. Haja “embocadura” para tocar todas elas. Foi presente do Tiro de Guerra, amigo nosso de longa data. Quando chegou minha hora de servir a pátria eles me receberam de braços abertos. Claro, com uma corneta! Risos. Então voltemos à festividade. Nossa “banda” tinha mais de quarenta instrumentos. Ninguém tinha igual. Formados na sede esperávamos o Munir nosso Maestro e Guia Monitor para dar a ordem de: Grupo! Firme! Em frente, marche!

               Tivemos no passado um fato que marcou. Quer saber? Não fomos bons Escoteiros, mas até hoje eu guardo tudo na memória. O prefeito chamou a Banda de Colatina para desfilar na cidade. Treinada pelos Fuzileiros Navais. Respeitada em todo vale do Rio Doce. Munir nosso maestro e Guia da Tropa gritou: - Vocês são Escoteiros ou monte de “merda”! – Deus do céu, agora era para valer. Lá fomos nós com o orgulho próprio que BP nos deu. Ao passar uma banda pela outra foi como se uma bomba tivesse explodido. Quase houve brigas, mas enfrentamos sem medo. O prefeito não gostou. Reclamou com o Chefe João Soldado. Na partida deles fizemos uma delegação e fomos lá pedir desculpas. Eles riram, e oh! Que vontade de sair no tapa com eles! No vagão enquanto o trem partia gritavam: - Quer apanhar? Vão a Colatina.
             
                Soube que o prefeito pagou todas as despesas, pois muitos instrumentos quebraram. O tempo passou e nós fomos a Colatina várias vezes. Um grupo irmão se fez lá. Ficamos de castigo por três meses. Não podíamos acampar, não podíamos excursionar, nossas bicicletas estavam enferrujando (uma maneira de dizer). Que saudades da minha mochila, da minha barraca, de fazer uma pioneiria, de cantar em volta de um fogo. Mas Chefe João Soldado era duro e queda. O tempo passou e tudo foi esquecido. Esquecido? Nunca vi tantas enquetes da briga nos fogos de conselho. E nas conversas ao pé do fogo? Tinha Escoteiro que rolava no chão de tanto rir. No Sete de Setembro o prefeito não nos deixou desfilar. Deixou que tomássemos conta dos grupos escolares e mais nada. Paciência. Se errarmos nós temos que aprender com nossos erros. O “diabo” maior foi ver a banda de Colatina desfilando e rindo de nós. Acho que merecemos.

                 Sei que hoje somente os saudosos chefes de cidades do interior ainda pensam assim. Eles sabem que a meninada gosta e nas suas cidades todos se orgulham em desfilar. Nunca esqueci quando cheguei em Sampa. Um chefão paulista da gema olhou para mim como se fosse Deus e disse: - Só andando. Passos orgulhosos sem marchar! – Por quê? Eu perguntei. – Porque Escoteiro não marcha, não somos militares. – Um perfeito “bobiota”. Mistura de bobo com idiota. Nem liguei e até marchei com mais força. Lembro que lá por volta de 1980 um destes “bobiotas” de novo falou para não marcharmos. Nada de marchar. Caramba! O que ele sabe ou entende sobre isto? O que ele sabe dos pais e amigos dos meninos que foram ali para assistir? O que ele sabe do orgulho dos jovens em desfilar marchando e sorrindo pelo que estão fazendo? Não sei por que estes “bobiotas” acham que marchar é errado – Um Chefe me disse que isto é militarismo! Não somos militar! – E dai? Quantos meninos sonham com isto? Querem tirar o sonho dos jovens Escoteiros e Escoteiras? Já vi alguns que nem alto, nem direita volver, nem firme e descansar dizem mais. Isto é cortar na raiz o sonho do menino ou da menina que querem desfilar, marchar, sentir o calor humano dos que foram ali para ver e aplaudir.

                        Pois é. Pelo menos ensinam aos militares que o Brasil é grande, que temos orgulho, que servir a pátria é uma honra. Idiotas estes chefes que nada entendem. Gostaria de levá-los para o campo. Se não querem marchar devem ser bons em técnicas Escoteiras. Afinal marchei muito e gostaria, portanto de vê-los no campo.  Mostrar técnicas Escoteiras que eles nunca viram mostrar artimanhas e engenhocas que eles ficariam estupefatos em ver. Mostrar como se trabalha com cipó, como se virar com comida mateira colhida na floresta. Mostrar em um jogo noturno que o Morse é bom demais. Mostrar que ser Escoteiro aprender o que gostamos de fazer. Eu sei que este palavrório de novos tempos é papo furado. Não tem tempo bom tem escotismo bom seja ontem ou hoje. Importante é podemos nos orgulhar do que somos do nosso fundador do nosso Rataplã e do nosso Brasil.


            Época em que nós meninos acreditávamos no brilhantismo de desfilar, lembrar-se de um Don Pedro I em seu cavalo branco a dizer “Independência ou morte”! E na bandeira ao final do desfile todos formados na sede. Cantando com a dignidade de um infante o hino Nacional. Ali lobinhos Escoteiros e sênior sorriam orgulhosamente cantando e terminando com o Rataplã. Nunca esqueci. Os chefes no final do desfile vinham em fileira cumprimentar a cada um. Um aperto de mão gostoso, um sempre alerta saudoso – Parabéns Escoteiro, parabéns lobo, obrigado pela sua contribuição com a pátria. Gente isto fazia um bem danado. Agora não pode. Dizem que é militarismo. Bendito BP um milico que se orgulhava de marchar com seus Escoteiros. E viva o Brasil e abaixo a tirania!

Não te direi o nome, pátria minha, Teu nome é pátria amada, é patriazinha; Não rima com mãe gentil. Vives em mim como uma filha, que és Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez. Agora chamarei a amiga cotovia e pedirei que peça ao rouxinol do dia que peça ao sabiá para levar-te presto este avigrama: “Pátria minha, em marcha, saudades de quem te ama”...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Historias de Baden-Powell. A Campanha Ashanti e outros fatos.


Historias de Baden-Powell.
A Campanha Ashanti e outros fatos.

Baden-Powell trouxe para casa na sua velha Inglaterra e posteriormente usadas no escotismo, muitas idéias obtidas da campanha contra os Ashanti. Hoje conhecida por Gana, na África Ocidental. Muitas delas ainda estão atualmente em uso no Escotismo. A Costa do Ouro, atual Gana, foi uma colônia do Império Britânico. B-P foi enviado para lá em 1895 para estabelecer uma força nativa que se opusesse às poderosas tribo Ashanti. Os Ashanti eram bem conhecidos pelos seus ferozes guerreiros, com o mote:

Se eu avanço eu morro
Se eu recuo eu morro
Melhor avançar e morrer.

As forças de Baden-Powell foram compostas por centenas de guerreiros das tribos Krobos, Elima, Mumford e Adansi. Eles tinham que explorar uma nova rota através da selva, em território inimigo, e construir uma nova estrada pela qual a força britânica principal pudesse seguir para atacar a Kumasi, a capital Ashanti.

Os Ashanti usavam tambores para sinalizar através das longas distâncias. E a intricada linguagem dos tambores podia ser ouvida todas as noites ecoando através da floresta.

Pioneirías na Selva.
Construir uma estrada através da selva significa limpar a mata espessa, abrir caminho através dos pântanos, e construir pontes sobre rios e correntezas. B-P assegurou-se que o seu exército fosse treinado em conhecimentos da arte de lenhador, pioneirías e nós. Eles construíram mais de 200 pontes de madeiras com mastros de madeira amarrados com cipós.

Patrulhas Escoteiras.
Dos povos de Gana Baden-Powell aprendeu a frase 'devagarinho, devagarinho é que se pega o macaquinho' - e ele aprendeu que ele poderia obter um melhor resultado de suas forças dividindo-as em pequenos grupos, ou patrulhas, e dando a responsabilidade para o capitão de cada grupo.

O Bastão Escoteiro
O bastão escoteiro foi copiado de um usado na campanha Ashanti, para testar a profundidade dos pântanos, para tatear o caminho à noite enquanto observava secretamente as posições inimigas, e também para erguer linhas telegráficas através da selva. "Foi no território Ashanti, na costa ocidental da África onde minha tarefa particular foi organizar um Corpo de escoteiros e pioneiros nativos”.

"Nós estávamos trabalhando dois ou três dias à frente das principal força das tropas europeias na floresta virgem e densa, sem estradas ou caminho de qualquer tipo para nos conduzir”.
"Para evitar o inimigo muito de nosso avanço teve que ser feito à noite, o que significava dificuldades a cada passo entre os troncos caídos, atoleiros, juncais e matos, etc.
"Sem um bastão não se poderia ir muito longe."
- B-P

O Aperto de Mão Esquerda.
Há duas histórias sobre a origem do aperto de mão esquerda no Escotismo. A primeira é simplesmente que a esquerda é mais perto do coração. Todavia há uma história muito mais interessante que coloca este cumprimento como originário de tradições da tribo Descrição: http://www.oocities.org/geuirapuru/sementes/lefthands.gifAshanti.

Quando B-P entrou em Kumasi, a capital dos Ashanti, ele foi cumprimentado pelo Chefe guerreiro que apertou a sua mão esquerda. Ele contou a B-P que "os mais bravos entre os bravos se cumprimentam com a mão esquerda". Assim começou esta tradição que é seguida por milhões de escoteiros em todo o mundo.
A explicação para o cumprimento com a mão esquerda é que um guerreiro usa esta mão para carregar o escudo, enquanto na direita carrega a lança. Assim para mostrar confiança em alguém ele tem que deixar de lado o escudo e cumprimentar usando a mão esquerda.

Sempre Alerta!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A cidade dos homens.


A cidade dos homens.

                    Passaram-se três meses que Mowgli havia ido para a cidade dos homens. Andava muito ocupado em aprender os usos e costumes deles. Teve que acostumar-se a usar panos em cima do corpo, o que lhe incomodava muito, a empregar o dinheiro e a usar o arado, que lhe era inútil. Os demais garotos o punham furioso. Felizmente a Lei da jângal lhe ensinara a dominar-se, porque na vida selvagem o alimento e a segurança dependem muito do domínio sobre si próprio.

                   Mowgli desconhecia a sua própria força. Na jângal sentia-se fraco, em comparação com os animais selvagens; na aldeia, os homens o consideravam forte qual um touro, mas nada conhecia a respeito das castas. Tratava a todos com igualdade, o que não agradava a alguns, como o sacerdote. Na aldeia Mowgli conheceu um caçador chamado Buldeo, que reunido com os velhos da aldeia contava muitas mentiras sobre os animais da jângal, inclusive histórias inventadas por ele sobre fantasmas. Mowgli provocava a raiva do caçador ao desmentir as histórias contadas por ele. Ao ser repreendido por meter-se na conversa dos mais velhos, foi mandado a pastorear os bois e búfalos, o que não lhe era nada difícil.

                    Então ele disse aos outros garotos que tomassem conta dos bois, que ele sozinho guardava os búfalos. Como os búfalos gostavam de pontos pantanosos para se refrescarem do calor ele os levou para o extremo da planície, lá onde o Rio Waiganga sai da floresta. Saltou no pescoço de Rama, o chefe do rebanho e correu ao local onde marcara com o Irmão Gris.

                  Buldeo ficara assustado achando que era magia ou feitiçaria, pois jamais vira um humano dar ordens a um lobo. Ao chegar à aldeia contou histórias de feitiçaria e encantamento que deixou o sacerdote assustado. Após retirar e guardar a pele do tigre, Mowgli e os amigos, recolheram novamente os búfalos e retornaram para a aldeia. Ao chegarem viram luzes acesas e pensou "deve ser uma homenagem a mim por ter matado Shere-Khan"; mas uma chuva de pedras fora lançada em sua direção contrariando seus pensamentos.

                 - Feiticeiro, Lobisomem! Demônio da jângal! Fora! Fora! Atira Buldeo! Atira! - Mowgli parou assustado com as pedras e os gritos. - Não me parecem muito diferentes dos da alcatéia, estes teus irmãos homens disse Akelá, sentando se calmamente sobre as patas traseiras. Parecem que estão te expulsando do povoado. Outra vez? Exclamou Mowgli. Da primeira vez insultaram-me de homem.  Agora de lobo! - Vamo-nos daqui Akelá.

Uma mulher corre em sua direção e diz:
- Meu filho! Dizem que você é feiticeiro, não creio, mas vai-te antes que te matem Só eu sei que vingaste a morte do meu Nathoo. - Agradecei a Messua, homens; Por amor a ela deixo de invadir a aldeia com meus lobos e caçar a todos.

Depois do desabafo, incitou os búfalos sobre quem os apedrejavam, e tomou o caminho da jângal seguido dos dois amigos. Olhava as estrelas e sentia-se imensamente feliz.

                    Ao chegar ao jângal, após rever Mãe Loba, foram a Roca do Conselho, onde Mowgli apresentou a pele do tigre. Os lobos que chegavam à Roca encontravam-se aleijados, mancos e feridos devido terem ficado sem chefe desde que Akelá foi deposto da chefia. Após verem a pele do tigre os lobos pediram para Akelá chefiar novamente a alcatéia. Mowgli, por sua vez resolveu não mais pertencer a alcatéia e caçar sozinho na Jângal somente em companhia dos quatro irmãos lobos, até o dia em que...

Mas isso já é outra história.


E Mowgly resolveu ir morar na cidade dos homens... Mais uma história de Mowgly no Livro da Selva. Se você ainda não tem e gostaria de ter vários condensados sobre lobos em PDF peça em minha caixa postal o BLOCO 7 – LOBOS EM AÇÃO. Várias histórias interessantes sobre os lobos e sua vida na Jangal. Todas em PDF e gratuito. Nota – Não deixe aqui seu e-mail. Só atendo aos que me enviarei o pedido no meu: ferrazosvaldo@bol.com.br.
   

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A morte de Shere Khan. Tigre Tigre.


A morte de Shere Khan.
Tigre Tigre.

                      Está é uma historia contada e recontada muitas vezes nas Alcateias de lobos do Brasil e do mundo. Alguns a chamam de Tigre Tigre como se diz na História da Jangal. Eu a contei muitas vezes e sempre procurei dar uma conotação diferente da vingança pessoal ou coletiva. O receio, o medo à raiva dos lobinhos por Chery Khan não deve ser levada ao extremo. Afinal ele era um tigre que tinha seus direitos e se foi feito como vilão não podemos esquecer que havia uma lei da selva, onde cada um poderia ser caçado para a sobrevivência do outro.

                    Começamos nossa historia quando Mowgly deixou a caverna do lobo dez estações após sua apresentação à alcatéia. Depois de muito ouvir de Shere-Khan e do próprio povo livre, na Roca do Conselho; Mowgly ergueu-se segurando na mão uma vasilha com a "Flor Vermelha" (nome dado ao fogo), estendeu os braços e magoado gritou: - Ouvi! Basta de discussão de cachorro! Muito já me disseram esta noite para provar que sou homem, a mim que desejava ser lobo toda vida, de modo que estou convencido de que sou homem!

                     Mowgly então derramou as brasas no chão, ateando chamas em um tufo de ervas secas. Todos os lobos recuaram atemorizados e o filhote de homem continuou berrando: - Vou-me para minha gente. A jângal estará fechada para mim. Serei, porém mais generoso que vocês; porque fui durante dez anos irmão em tudo menos no sangue. Prometo que quando me tornar homem, entre os homens não trairei vocês perante eles, como vocês fizeram comigo. - Mowgly ainda prometeu que na próxima reunião da Roca do Conselho que ele viesse, ainda mais homem traria a pele do comedor de bezerros, Shere-Khan sobre a cabeça. E também declarou que ninguém mataria Akelá, mesmo sendo ele considerado um lobo morto por haver perdido o bote.

                    Vieram-lhe soluços de desespero e grossas lágrimas brotaram de seus olhos. Sem entender o que se passava, pois não queria, mas sentia que tinha de deixar a Jângal. Mowgly chorou; Chorou pela primeira vez em toda sua vida. "Você já é um homem", disse Bagueera mansamente. - Despedindo-se de sua Mãe Loba na gruta, Mowgly deixa as montanhas de Seeonee e sozinho rumou à aldeia onde moravam as estranhas criaturas chamadas homens.

                   Ao ver o primeiro homem, apontou para a boca aberta significando que tinha fome. Este homem chamou o sacerdote e muitos outros homens, que se espantaram com o menino nu, com cicatrizes de mordeduras nos membros. Após alguns comentários, o sacerdote com solenidade disse a Messua, esposa do lavrador mais rico da região, que levasse o menino para a casa dela, visto que ela havia perdido um filho pequenino para a jângal. A mulher o conduziu até a cabana onde havia muitas coisas, e dando-lhe leite e pão chamou-o de Nathoo, porém Mowgly deu a entender que não conhecia tal nome. Cheia de mágoa, Messua disse-lhe que se parecia bastante com seu filho, e assim ele acabou ficando seu filho.

                   Mowgly não se sentia à vontade, pois nunca morou em uma cabana, mas sossegou-se vendo o teto onde poderia fugir se lhe desse vontade. Mowgly também se sentia estúpido sem entender a linguagem dos homens, porém isso não era difícil de aprender para quem já sabia imitar tantas outras linguagens. Com isso começou a imitar tudo o que Messua falava, tendo assim aprendido nesse mesmo dia o nome de muitas coisas. Quando trancaram a porta para que Mowgly dormisse na cama, ele fugiu pela janela, pois não estava acostumado a dormir assim. Foi estirar-se na relva macia do campo vizinho, para lá dormir. Antes que seus olhos fechassem um focinho amigo veio farejá-lo, era Lobo Gris, filhote mais moço de Mãe Loba que lhe trazia notícias da jângal.

                  -Shere-Khan foi à procura de caça, mas quando voltar jurou que vai te matar. Mowgly então respondeu: - Eu não tenho medo dele; Não se assustando com o juramento de Shere-Khan, uma vez que ele também prometeu que o mataria. Depois de prometido que nunca esqueceria os irmãos da gruta, pediu que Irmão Gris sempre trouxesse notícias.

                   - Em outra ocasião encontrou novamente o Lobo Gris e combinaram que quando Shere-Khan estivesse caçando Mowgly, este o avisaria. Foi o que aconteceu após alguns dias; Shere-Khan atacaria Mowgly na entrada da aldeia, quando este estivesse voltando com os búfalos.

                    Mowgly, ajudado pelo Lobo Gris e Akelá, preparou um plano para matar Shere-Khan, ou seja, estes dividiriam a manada de búfalos em duas partes: de um lado os machos, do outro as fêmeas e os filhotes; e fariam um estouro de boiada sobre Shere-Khan que seria esmagado sobre as patas dos búfalos. Este não teria como fugir, pois estaria lerdo pela refeição que acabara de fazer, e cercado por búfalos e pelo barranco. O plano foi bem sucedido. Mowgly com ajuda dos amigos resolveram retirar a pele de Shere-Khan para apresenta-la à Roca do Conselho, foi quando apareceu o caçador Buldeo, dizendo que ficaria com a pele de Shere-Khan, pois havia uma recompensa de 100 rúpias pela morte do tigre. Mowgly recusou-se a entregar a pele a Buldeo e este ameaçou dar-lhe uma surra. Akelá saltou sobre o caçador arremessando o ao chão. Buldeo conseguiu se livrar de Akelá pedindo perdão a Mowgli.

Vejam amanhã no próximo capitulo: - Mowgly na cidade dos homens.