Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 2 de junho de 2018



Conversa ao pé do fogo.
Só para divertir!

De manhã, a mãe foi bater na porta do quarto do filho:
- Filho acorda!
- Hoje não vou à reunião dos escoteiros! E não vou por três motivos: estou morto de sono, detesto aquele Grupo e não aguento mais os chefes!
 Mas você tem que ir, filho! E por três motivos: você tem um dever a cumprir, já tem 45 anos e é o Diretor Técnico!


Anuncio colocado no jornal da cidade por um Escoteiro da Patrulha Leão.
“Desejo entrar em contato com antigos escoteiros que foram da Patrulha Tigre em 1960 e que tenham conhecido meu pai Francisco Dias naquela época”.
Motivo: Saber se ele era o melhor e mais inteligente da Patrulha como ele diz para mim todos os dias!


O Chefe Escoteiro tinha em sua tropa dois jovens que eram uns capetas. Bem, nada de mais, apenas gostavam de travessuras e isto já vinha quando eram lobinhos. Ele sabia que seus pais pensavam que se houvesse alguma travessura onde moravam, eles com certeza estariam envolvidos.
A mãe dos escoteiros ficou sabendo que o novo padre da cidade tinha tido bastante sucesso em disciplinar crianças. Conversou com o Chefe da tropa e ele aprovou que eles fossem conversar com o padre. Este prontamente atendeu. Disse à mãe que os mandasse, mas separadamente. A mãe mandou o mais novo. O padre, um homem alto com uma voz de trovão, sentou o garoto na mesa e perguntou-lhe austeramente:
- Onde está Deus?
O Jovem escoteiro abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som.  Ficou sentado, com a boca aberta e os olhos arregalados! Então, o padre repetiu a pergunta num tom ainda mais severo: o garoto não conseguia emitir nenhuma resposta. O padre levantou ainda mais a voz, e com o dedo no rosto do garoto e berrou:
- ONDE ESTÁ DEUS?
O garoto saiu correndo da igreja direto pra casa e trancou-se no quarto.  Quando o irmão escoteiro mais velho o encontrou, perguntou:
- O que aconteceu?
O irmão mais novo, ainda tentando recuperar o fôlego, respondeu:
- Cara, desta vez tamo “fu_di_do”! DEUS sumiu, e acham que foi a gente!

- Chefe Laércio foi visitar a família do Lobinho Nonato. Ficou impressionado em vê-lo tão sossegado. E quieto. Diferente do que era na Matilha.
- Nonato ele perguntou: - Você em casa é sempre assim?
- Claro que não Chefe, respondeu. É que a mamãe me dá dez pratas toda vez que eu ficar quieto quando estamos com visitas e lá na alcateia vocês não me dão nada!


O lobinho estava em um canto do pátio chorando muito. A akelá vendo que ele não parava de chorar e longe de sua matilha se aproximou. – Não chore Lobo, não chore. O lobinho Vadinho não parava de chorar. – Olhe você não deve chorar tanto, sabe por quê? – Não Akelá, por quê? Porque quando a gente é pequena e chora muito quando cresce acaba ficando feia, muito feia. Você não quer ficar feio quer? – Vadinho pensou e perguntou – Então Akelá, quando a senhora era pequena devia ser a maior chorona da Alcateia não é mesmo?


Dois rapazes metidos a gozadores parados na esquina, chamam o Escoteiro que vai passando.
- Dizem que vocês são inteligentes, posso perguntar?
- Claro respondeu o Escoteiro.
- Vamos imaginar que você tem um real no bolso e pede para seu Chefe mais um real. Com quantos reais você fica?
- Um real!
Risos. Nossa! Você um Escoteiro não sabe nada de matemática.
E vocês, dois idiotas não conhecem o meu Chefe Escoteiro!


Na reunião dos lobinhos a Kaa tentava convencer a Alcateia para serem bons cristãos e queria todos na missa no dia seguinte.  Para animar pergunta: — Quem aqui quer ir Todos os lobinhos e lobinhas levantam o braço, menos Maneco. Então Kaa pergunta:
— Ei, Maneco, você não quer ir para o céu? — Não posso, Kaa. Minha mãe falou pra eu sair daqui e ir direto pra casa!


Santinha uma lobinha simples e inocente chega pro pai e pergunta:
- Paiê… O senhor é o diabo?
- Que é isso minha filha? Minha filha de onde você tirou essa bobagem?
- É que toda vez que o senhor sai de casa, a mamãe grita para o vizinho: Pode entrar que o chifrudo saiu!

Alguns minutos depois da Chefe Marilda dar os três apitos para a reunião, ela leva o maior tombo. Afobada, levanta-se rapidamente, ajeita a saia que foi até a cabeça e com um sorriso sem graça brinca:
- Vocês viram a minha ligeireza?
E o Paulinho sub Monitor da Lobo responde:
- Vimos sim, chefe! Só que a gente conhecia isto por outro nome!

Seu Leôncio era um pai a antiga. Durão. Naninho seu filho chegou da reunião de tropa e disse:
— Pai, deixa eu fazer uma tatoo?
— Tá, se quiser pode até fazer duas...
— Sério?
— É, a segunda é pra fazer por cima da cicatriz que vai ficar se você fizer à primeira.

Nota – Muitos têm reunião escoteira hoje. Pensando nisso separarei algumas piadas para os lobos, escoteiros e chefes se divertirem. Boa reunião!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

conselhos de Baden-Powell



Prezados Chefes.

Pensamentos de Baden-Powell válido também para os Chefes Escoteiros.
- Um escoteiro faz o seu trabalho porque é esse o seu dever, não para receber alguma recompensa. O Escotismo não é apenas divertimento, mas exige muito de ti. Cumpre primeiro o teu dever, e os teus direitos ser-te-ão reconhecidos. Nenhum bom Escoteiro se furta aos seus deveres. Pelo contrário, o normal é que ele faça mais do que a parte que lhe cabe em benefício dos outros. Cumpre o teu dever mesmo que seja desagradável ou que ninguém dê por isso. Sê leal para com o teu amigo, mas ao mesmo tempo nunca sejas desleal para com o teu dever. É possível que isto te coloque frequentemente num dilema; mas a única maneira de resolvê-lo é por o teu dever em primeiro lugar, e agir em conformidade. A eficiência é uma excelente coisa, mas tem que haver algo mais por detrás dela: tem que haver coragem e valor e a determinação de cumprires o teu dever quaisquer que sejam os riscos de perigos que isso te acarrete.

Lord Baden-Powell of Gilwell.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Meu Escoteiro e meu Lobinho são o “Cara”



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Meu Escoteiro e meu Lobinho são o “Cara”

- O Presidente Obama usou esta expressão para definir o Presidente lula há alguns anos passados. O “cara” poderia significar que ele era o homem certo, o líder, o motivador etc. – Tenho lá meus motivos para dizer que naquela época Obama ainda não conhecia por dentro o presidente lula. Mas meu artigo não é para denegrir ou elogiar o ex-presidente. Meu tema é escoteiro. Quem afinal não tem em sua tropa ou alcateia, aquele jovem ou aquela jovem que mostram serem os melhores que os demais? Os mais interessados, os mais dedicados? Acho que quase todos que ficaram ou estão à frente de uma sessão tem alguém assim.

- Eles são os primeiros a chegar à sede e os últimos a sair. Nos acampamentos, acantonamentos, atividades extra sede ç[a estão eles com seu equipamento individual, bem uniformizados e sorrindo. Não reclamam são bons estudantes e os pais os consideram filhos modelos. As vezes a gente pensa que eles nasceram com o “Espírito Escoteiro”. São o exemplo e o orgulho em qualquer situação. Claro, desejaríamos que todos fossem assim, mas sabemos que isto não acontece.   

- Porque os demais não são do mesmo jeito? Afinal o programa é o mesmo para todos e se uns poucos se destacam não seria coerente que os demais fossem assim também? Se fosse verdade teríamos uma tropa ou uma alcateia considerada elite e facilmente o objetivo a que nos propomos fosse alcançado mais facilmente. A realidade sabemos é outra. Temos aqueles que perderam o interesse, faltam às reuniões, chegam atrasados e sempre tem uma desculpa para explicar o porquê não são como aqueles outros, ou seja, “O Cara”!

- Dizem que um dos maiores problemas que enfrentamos é o “filho do Chefe”. Considero o “Filho do Chefe” um caso a parte. É o mais prejudicado por ser cobrado a dar o exemplo do pai e esses exigem dele mais que os outros. Cobram o tempo todo, dão sorrisos mostram fotos aos amigos e vizinhos quando conquistam alguma insígnia, distintivo e isto é sinal de festa em família. Sempre dizendo ao rebento: Você é um escoteiro ou lobinho, a promessa para é ponto de honra, deve ser sempre o melhor para mostrar que puxou aos seus pais.

- Conheci muitos casos assim. Via no jovem uma revolta silenciosa, mesmo mostrando o prazer aos seus pais de tudo que esforçou para conquistar. Sei que muitos pais pensam diferentes, agem diferentes, mas a maioria não. Já vi casos de muitos que entraram para o escotismo para ficar ao lado deles muitas vezes prejudicando seu crescimento já que pretendemos dar a eles um caminho a seguir quando chegar a hora da decisão do livro arbítrio que um dia irão tomar.

- Tive quatro filhos no escotismo. Sei bem como é. Por ter tido uma vida escoteira independente dos meus pais, deixei-os seguir com os outros aprendendo fazendo caindo e a se levantar sem minha ajuda. Aceitei suas escolhas e quando muito dava uma palavra de estímulo. Conheci e conheço pais que agem dando livre arbítrio ao Chefe, sem menosprezar ou reclamar do modo como ele está sendo tratado. Muitos quando cresceram tiveram oportunidade de reconhecer seus chefes independentes da maneira que seus pais pensavam a respeito.

- Não é tarefa fácil manter o “filho do Chefe” em uma sessão escoteira quando os pais querem o melhor para seus filhos esquecendo que os demais merecem ter o mesmo tratamento. Vai chegar o dia que ele o jovem vai tomar suas decisões e se ele aprendeu assim no Movimento Escoteiro melhor para ele. Livre arbítrio não é fácil de ser interpretado e realizado. Se os Chefes não estão devidamente preparados para agir nestes casos sempre acontecerão dissidências, conversas truncadas que nunca serão benéficas para os filhos.

- Quando temos o “cara” em nossa sessão e os demais não são, acredito que o Chefe não está ainda devidamente preparado para conduzir a todos de uma maneira igual. Vemos muitos saindo seja o jovem seja o adulto por que não houve entendimentos entre um e outro e isso quem sabe é falta de maturidade e vivencia na condução dos jovens na sessão. Não sei se este tema vez ou outra é comentado nos cursos de hoje em dia. Uma boa prosa em uma dinâmica de grupo costuma dar grandes resultados.

 Em um grupo escoteiro somos uma grande família, onde todos olham por todos independentes da linhagem e da idade que nascemos e vivemos. Ter o “Cara” e não ter os demais com a mesma chama escoteira é hora de parar, pensar, raciocinar onde estamos errando. Muitos Grupos Escoteiros conseguem alcançar o caminho para o sucesso e outros não. Não é o que eu acho que importa, é o que todos nos achamos, do lobo ao Presidente do Grupo.

- Entender os motivos, conversar, trocar ideias, aparar arestas é função do Chefe e muito mais do Diretor Técnico. Um Conselho de Chefes cujas reuniões são feitas em um clima de fraternidade e compreensão, sempre dão resultados cujo benefício irá servir para todos os participantes. Aprender a ouvir e calar muitas vezes é o caminho para evitar uma discussão inútil e tola que não leva a lugar nenhum.

Nota - “De todas as lutas” e mágoas que enfrentamos na vida, sempre nos será mais fácil falar das que já vencemos de há muito, cujas lições já aprendemos e nos reconhecemos melhorados, do que relatar fatos recentes, quando as emoções ainda permanecem a descompassar nossos corações carentes de aprendizagem e de mais equilíbrio.

domingo, 27 de maio de 2018

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Qual disciplina deseja quem reclama da indisciplina?



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Qual disciplina deseja quem reclama da indisciplina?

                    Um tema que está tornando-se moda em educação é a indisciplina. Ao afirmarmos isso, não desejamos dizer que não ocorra no escotismo e que os protestos dos chefes e pais não tenham sido sem razão. A questão da indisciplina é sempre assunto que preocupa e, nos dias de hoje, ainda mais, pois assume a perfídia em situações inesperadas ou avança para registros policiais quando não evolui para a violência. Há alguns anos atrás recebi a visita do "Chefe" Escoteiro Marcelo. – Chefe dizia, eu tomei algumas decisões na tropa e não sei se agi corretamente. Tenho um Monitor de Patrulha que tem trazido alguns transtornos. Já conversamos em particular, fui a sua casa varias vezes e até mesmo seus pais reclamam da sua maneira de agir. Vi depois de algumas conversas que ele sempre foi perdoado em todos os erros que cometeu. Sempre foi compreendido e nunca repreendido como devia. Resolvi agir de forma diferente.

                   No último acampamento chamei a Patrulha e disse – Todos vocês foram devidamente preparados. Cada Patrulha é livre para tomar decisões de interesse geral. Nos últimos acampamentos vocês não se saíram bem e espero que neste possam pelo menos conseguir a eficiência de campo. Conto com vocês. No entanto a noite uma borrasca fria pegou todos de surpresa. Chamei os monitores e disse que ficariam suspensas as atividades da noite e que eles fizessem uma lamparada em seus toldos e que ficassem abrigados da chuva. Todos fizeram isso, vi inclusive de longe muitas patrulhas se preparando para a noite e inclusive colocando a lenha em local próprio para o dia seguinte. Na Patrulha do Marcinho não. Lá eram risadas, piadas e vi que a Patrulha não podia continuar assim.

               No dia seguinte ao tocar a alvorada com o chifre do Kudu, a fumaça correu nos campos de patrulhas menos na do Marcinho. Hora combinada em corte de honra para a inspeção de campo, todos formados menos a Onça Parda do Marcinho. Perderam a hora não conseguiram acender o fogo e com a lenha molhada não fizeram café beberam leite frio. Jogaram a culpa na lenha molhada. Era norma não deixarem lanchar sem a bebida quente. Ficaram sem o café da manhã e o almoço deles só saiu às três da tarde. Não participaram do programa de jogos na Lagoa do Jacaré.

                      A Corte de Honra resolveu puni-los. Marcinho reclamou. Se o tirassem do cargo ele sairia dos escoteiros. Uma ameaça uma chantagem? – Não tinha certeza. Nunca aceitei este tipo de coisa. Disse que iria pensar na punição e daria uma resposta na próxima reunião. Chamei a Patrulha e expliquei que a corte ia suspender o Marcinho. Todos sorriram. Sinal que não era bem quisto. Opinaram em fazer nova eleição. Foi escolhido o menor Escoteiro da tropa. O Pedrinho. Pequeno, raquítico. Fala mansa. Engano. Pedrinho colocou Marcinho na linha. Em pouco tempo a Patrulha se transformou. Chefe Marcelo disse-me também que no sábado anterior mandou de volta dois jovens que chegaram atrasados na reunião e com o uniforme apesar de não terem feitos suas promessas. Isto não era aceito. Só no dia da promessa. O garbo e a boa ordem sempre foi orgulho da tropa. Perguntaram se trocassem os uniformes podia continuar. Não podem. Só na próxima.

                    O "Chefe" Escoteiro Marcelo ficou ali me contando diversas outras passagens interessantes em sua tropa. Fiquei pensando dos meus dias de "Chefe" Escoteiro e os meninos de outrora. Uma disciplina diferente. Nunca tive esses problemas. Hoje não sei mais como é o procedimento dos chefes nesses casos. Vejo jovens que pecam pela indisciplina e alguns acham que ela inexiste. Muitos chefes acreditam que o castigo ou a penitencia não deve ser utilizado por nós. Castigo e penitencia no bom sentido. Nada de violência. Alguns dizem que deveríamos ter um conceito mais amável, como por exemplo, utilizar a relação de afeto e respeito, uma ação onde haja reciprocidade aceitando que alguns erros são próprios da juventude.

                      São conceitos que hoje me sinto em dificuldade, ou melhor, sem sintonia para agir como agia no passado. No entanto acredito que devemos a todo custo manter a disciplina nas sessões, baseadas no respeito mútuo. Quando me dizem que ordem unida não faz parte mais do escotismo fico pensando o porquê alguns insistem em misturar ordem unida com militarismo. Os jovens na tropa ou na Alcateia têm de ter respeito nas formaturas. Tem de saber se formar e o melhor é ensinar as bases primordiais em uma apresentação que pode até parecer militar, mas na minha modesta opinião faz parte da disciplina que se pretende dar a uma sessão Escoteira.

                          Quando os chefes de uma sessão sentam-se com seus jovens e desconstroem e sabem reconstruir com uma boa discussão e fazendo ver a plenitude do significado e dos tipos de disciplina, não apenas a reunião corre mais facilmente e a aprendizagem se concretiza de maneira mais saborosa como escoteiros/lobinhos e os chefes descobrem que, reconhecendo a disciplina como ferramenta essencial às relações interpessoais, aprendem autonomia, exercitam a firmeza e conseguem, com mais dignidade, construir o caráter.

                        A simples ação de um Escoteiro ao pegar um papel de bala jogado no pátio ou na rua, já demonstra que no Grupo Escoteiro de origem se pratica uma disciplina Escoteira que merece todo nosso aplauso. Continuarei o tema em um próximo artigo. 


Nota - A simples ação de um Escoteiro ao pegar um papel de bala jogado no pátio ou na rua, já demonstra que no Grupo Escoteiro de origem se pratica uma disciplina Escoteira que merece todo nosso aplauso. Afinal damos ou não valor a disciplina que devemos ensinar aos nossos jovens? Uma matéria para meditar. 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Do livro “Rastros do fundador”.



Do livro “Rastros do fundador”.
- A educação individual implica uma total confiança entre o Chefe e o Escoteiro, baseada na relação entre irmão mais velho e irmão mais novo; empregando um tratamento diferente para cada caso, graças ao conhecimento pessoal do seu temperamento, idade e caráter. “Porque nos havemos de preocupar com a formação individual”? Perguntam. Porque é a única forma por que se pode educar. Podemos instruir qualquer número de rapazes, mil de cada vez, se tivermos voz forte e métodos atraentes para manter a disciplina. Mas isso não é educação. De nada vale pregar a Lei do Escoteiro ou proclamá-la em vozes de comando a uma multidão de rapazes: cada entendimento requer uma exposição dos seus artigos e ambição de pô-los em prática. E é nisto que a personalidade e a capacidade do Chefe intervêm.
Baden-Powell of Gilwell.

Crônicas escoteiras. Paranapiacaba, a vila dos sonhos Escoteiros.



Crônicas escoteiras.
Paranapiacaba, a vila dos sonhos Escoteiros.

                       À primeira vista fazer escotismo aventureiro ao ar livre em São Paulo quando cheguei nesta cidade que passei a amar por volta de 1977 era tarefa de gigantes. Fui descobrindo e vendo que quem quer anda e consegue, quem não quer senta e dança a roda das galochas. Não esqueço a primeira vez que fui a Paranapiacaba. Para ser sincero nem me lembro de quem foi à ideia. Adoro andar de trem e tendo oportunidade lá fomos nós, eu mais dois chefes e uma patrulha de monitores.

                      Uma hora e pouca de viagem. Naquela época tinha trem todos os dias. Hoje? Acabaram com tudo, dizem que foi para preservar a vila. Li uma vez na Folha - CANDIDATA A PATRIMÔNIO MUNDIAL, PARANAPIACABA TENTA RESISTIR AO ABANDONO. A foto de trens e vagões abandonados não ficará para a posteridade. Deu-me um nó na garganta. Quantas vezes eu fui lá? Tantas que nem me lembro. Fui com monitores, com a tropa masculina e feminina, fui com seniores e fui com as guias. Claro fui também com a lobada querida e por último fui sozinho, a “Escoteira”, pois queria descer a Serra do Mar e quer saber? Foi delicioso. Um dia quem sabe vou contar.

                     Paranapiacaba foi projetada no século dezenove para abrigar operários da Ferrovia da São Paulo Railway Company que ligava Santos a Jundiaí. Uma pequena Vila de casas de madeira, mas como é linda. Na passarela da estação para a Vila a vista é maravilhosa. Como está na Serra do Mar à origem do seu nome que significa “lugar de onde se vê o mar” veio a calhar.  A São Paulo Railway inaugurou sua linha férrea em 1º de janeiro de 1867. Ela, primeiramente, serviu como transporte de passageiros; também serviu como escoamento da produção de café da província paulista para o porto de Santos.

                    Em 1874, foi inaugurada a Estação do Alto da Serra, que, mais tarde, seria denominada Paranapiacaba. Em 1969 desci a serra por ferrovia até Santos. Descer a serra foi um espetáculo a parte. Nunca esqueci a viagem. Incrivelmente bela. A descida era de tirar o folego e as cascatas, cachoeiras, corredeiras, matas, pássaros e animais eram visto a cada curva parecendo nos dizer: Bem vindo Escoteiro!

                     Uma vez com Guias e Escoteiras acampamos próximo à descida no Alto da Serra por três dias. Um local lindo, maravilhoso aguada e lenha à vontade. Riachos, corredeiras cascatas e o som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Um jogo de aventuras foi demais. Ainda bem que a monitora possuía uma Silva e um Percurso de Gilwell perfeito.  Descobrimos uma pequena trilha que nos levou a locais lindos e nunca explorados. Durante dez anos fizemos da Serra de Paranapiacaba nosso local preferido para acampar. Tudo levado nas costas, bom demais!

Impossível descrever todos os acampamentos que fizemos lá. Os chefes, escoteiros, escoteiras guias e pioneiros que juntos vivemos dias maravilhosos e que estiverem lendo este artigo devem lembrar como tudo foi maravilhoso. Até os lobos viveram ali grandes aventuras como se tivessem entrado na Jângal de Mowgly. Como em todo local inexplorado a segurança vinha em primeiro lugar. Nunca foi um local para Pata Tenras.

                   Um dia Paranapiacaba saiu do nosso roteiro. Descoberta por marginais, rapazes e moças que iam lá para dar início ao seu vicio, falando palavrões, dando mau exemplo aos jovens fez com que deixássemos a beleza da vila, das matas e das cascatas para nunca mais voltar. Hoje o trem ainda vai lá, mas é um trem turístico somente aos sábados e domingos com horários determinados. Perdeu a graça. 

                   Dona Francisca uma moradora um dia escreveu: - Aqui a Vila é mágica. A Vila aparece e desaparece. Tem dia em que você vê o morro Tem horas que você não vê nada. Parece que o grande caldeirão que você põe para esquentar, e a fumaça vem para a vela apagar. Tem bruxa no pedaço com sua varinha de condão que põe fogo no fogão A fumaça aparece, e a Vila... Desaparece! Como em um passe de mágica. O morro a sorrir a fumaça há persistir O dia não passa, nem as horas. Só fica a fumaça na cidade mágica.

                  Faz anos que não volto lá. Poderia acrescentar outros lindos locais que acampávamos. O Sitio da Viúva, O Parque Anhanguera na área inexplorada e São Lourenço da Serra... Todos locais maravilhosos que tínhamos a porta aberta para acampar quando quiséssemos. Intercalávamos com acampamentos em outras cidades confraternizando com os Grupos locais. Lembro-me de Santa Barbara do Oeste e Pouso Alegre. Eita tempo bom. Se voltar na Terra quando partir quero continuar escoteiro... À moda de BP!

Nota - A Serra de Paranapiacaba - Dorme; repousa em teu sono, Da força pujante emblema, Que tens o oceano por trono E as nuvens por diadema! Imóvel, muda, imponente, Entestas com a excelsa frente Das águias o azul império; E em vastíssimo cenário. Da tormenta o quadro vário Contemplas do espaço etéreo. (somente a primeira estrofe). João Cardoso de Meneses e Sousa.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Conversa ao pé do fogo. Turnover, rotatividade, evasão e o escambal.



Conversa ao pé do fogo.
Turnover, rotatividade, evasão e o escambal.

Todos sabem o que significa, todos conhecem, alguns sentiram na pele outros se safaram por algum motivo. Não é fácil perder lobos ou escoteiros ou mesmo chefes amigos. Eles sempre têm um motivo para explicar e nem sempre condiz com a realidade. Se fizermos hoje uma pesquisa nos Grupos Escoteiros, cada um teria um motivo. Tem explicação? Claro, tem aqueles grupos mais estruturados, onde os chefes se preocupam e correm atrás para sanar esta perda tão nefasta.

Já ouvi tantas explicações que fico pensando porque a maioria dos chefes ainda continua lutando com a perda do efetivo. Sei de grupos com cem e até trezentos membros participantes que nunca se preocuparam. Não sei se eles têm um acompanhamento através de gráficos e pesquisa sobre o tema. Já ouvi de Grandes Chefes formadores ou mesmo de Velhos Lobos tantas explicações que ainda me bato do porque isso ainda não resolveu. E a UEB? O que ela diz?

Não sei, se ela se preocupa, pois nunca li nem ouvi falar. Sei que ela alardeia quando os associados crescem apesar de que nem sabemos do porque isso acontece. Quem sabe ela dirá que os cursos são pródigos, os formadores bem preparados e a literatura vasta para cobrir todas as deficiências. Ainda me pergunto por que ainda não fizeram uma grande pesquisa, orientação às bases e esquecer o velho mote que o Chefe não estava preparado? Sempre o Chefe!

Uma vez me disseram que a evasão estava um por um, ou seja, entra um sai outro. Eu fico no dois por um, entra dois sai um. Um membro importante na hierarquia escoteira comentou certa vez que ela a evasão não passa de cinco por cento do efetivo. Não sei de onde ele tirou esta afirmação. De uma coisa eu sei, se o jovem saiu é “porque não encontrou o que procurava”!  Não adianta somar dois mais dois ou cinco mais quatro, o resultado nunca vai bater! Saiu? Tem motivo e se tem cabe a nós encontrar e procurar melhorar onde está o erro.  

Eu tive enorme experiência neste tema; Sempre me preocupei com ele. Acredito até que tenha outros chefes que conhecem melhor que eu e isto seria bom se eles se voltassem a explicar aos que não sabem como fazer quais seriam as metas, ou os programas que eles fazem. Agora, ficar reclamando, dizendo que os jovens foram ingratos, deixando todos na mão e pegando o que sobrou jogando em outra Patrulha não vai resolver. Fazer um programa para 3 ou 4 patrulhas e elas estiverem incompletas dificilmente se alcançará a meta pretendida.

Patrulhas como diz aquele Velho Sábio são a alma do negócio. Sem elas a motivação será mínima. Não dá para trabalhar o motivar um ou dois somente. O tempo vai se encarregar para ele um dia sair. Isto acontece também com os voluntários, os chefes e nesse caso o motivo é obvio: - Acreditou que seria assim ou assado e não foi. E então? Os lideres daquela Unidade procuraram ver o erro ou só bateram palmas por ver que seu pupilo não era o que esperavam?

Sei que a participação em algumas alcateias ou tropas são boas. Em outras não. Os grupos onde existe a preocupação com a evasão tem maior sucesso e os outros que ficam a reclamar como se fosse sorte encontrar o escoteiro ideal não tem. Antigamente se batalhava para que a alcateia tivesse só 24 participantes e a tropa 32. BP chegou a dizer que ele se achava em condições de liderar uma tropa de até 26, mas que poderia haver outros chefes melhores que ele que pudessem chegar a 32 não mais. Eita cara humilde sô!

De uma coisa eu sei, Patrulha só com pata tenras ou uns gatos pingados dificilmente um programa poderá atingir o objetivo desejado. Catar um aqui, outro ali e ir completando e desfazendo para refazer mais a frente é perda de tempo. Nunca vai dar resultado. E aquele que "marketeou" convidando aqueles que não tivessem Patrulha para participar do Jamboree em Barretos que ele tinha vaga em suas patrulhas? Nossa! Que Patrulha eim? Nem vem que não tem dizer que seria só para o Jamboree. O ambiente esperado jamais será alcançado.

Eu teria mil e uma explicação sobre a evasão. Poderíamos em grupo discutir o tema por vários dias. Acredito que nada que me contassem seria novo. Macaco velho desculpem. Já vi tanto nessa minha vida que de uma coisa eu sei. Se saiu, se se mandou se aboletou de sua Patrulha e da sua responsabilidade na Chefia é porque não encontrou o que procurava. Como diz por aí: Não era a minha praia. Outro dia lembrei-me de um Chefe que me disse: Vado, se o cara diz que tem tempo não caia na onda. Os melhores chefes são aqueles que não tem tempo.

Chame seus jovens, deixe eles falarem. Cale-se! Na primeira vez em um conselho de Patrulha ou de tropa eles não saberão o que falar. Já fiquei uma vez quase uma hora e meia com eles mudos. Entraram mudos e saíram mudos. No sábado seguinte um vacilou, veio outro e ai a chuvarada caiu prá valer. É bom ouvir e péssimo dar desculpas. Que tal: Turma entendi, vamos fazer um novo programa? Quem ajuda? Eita ponha a Patrulha para trabalhar e diga, se sair à culpa não foi minha! Né ou não é?

Como estou meio por fora dos cursos, poderiam me informar se existe discussões sobre o tema Evasão e se todos opinaram ou só o Líder Formador sabia os motivos? Todos tem a palavra. De uma coisa eu sei e aprendi, um ano é muito pouco para dar a formação escoteira que se espera. Alardear cem mil se saiu vinte mil e entrou trinta mil não teremos os resultados esperados. Teremos?

Nota – Ele saiu do escotismo porque pensou que encontraria isso e encontrou aquilo! É  mesmo? Conheço essa frase desde que recebi uma encomenda da Wells Fargo escoltada por Tom Mix e o Zorro. Desculpem a brincadeira, mas o tema é sério. Se queres ter resultados na formação escoteira se preocupe com a Evasão, ou rotatividade ou Turnover. Não importa, importa que você conheça os motivos e trabalhe para saná-los. Boa atividade, bom campo e uma vida escoteira longa e feliz!     

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Os sonhos impossíveis do Velho Chefe Escoteiro.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Os sonhos impossíveis do Velho Chefe Escoteiro.

- Francamente eu não sei se foi Montgomery um General inglês, quem disse em uma das suas inúmeras e famosas batalhas: - “O possível faremos agora e o impossível daqui a pouco”! Monty seu apelido ficou famoso pelas suas frases: Esta ele perguntou a um soldado para levantar a moral de suas tropas: - "Qual é seu bem mais apreciado, soldado?", "Meu fuzil, senhor", respondeu o soldado. "Está enganado, é sua vida"!

- Portanto não posso duvidar que alguém em algum lugar já nasceu ou está para nascer para dar uma virada histórica no escotismo brasileiro. Quem sabe no mundo todo? Pensando bem alardeiam aos quatro ventos seja em qualquer nação que estamos crescendo. Crescendo? - Deixamos de lado nosso principal dogma, nossos mandamentos que BP escreveu e principalmente a mística ou até mesmo o mistério que cerca o escotismo. Quem sabe suas principais regras.

- Partimos para um modernismo desenfreado, realizado em poucas mãos, onde sábios e pensadores modernos mudam o sistema educacional, achando que devemos trilhar o caminho da certeza esquecendo aventura, a descoberta, o fazer fazendo atraindo o jovem pela beleza da simplicidade, incluindo aí a metodologia Badeniana diferente de sua escola, e seu aprendizado prático em seus lares. Deixamos de lado o mais chamativo e sensato meio que BP definiu em poucas palavras: - Acima das torres da matriz ainda existem estrelas no céu!

- Partimos para uma nova filosofia escrita a poucas mãos sem consulta, sem pesquisa, alterando tudo que demorou dezenas de anos para construir. Bom ou ruim a mística, a tradição, o incompreensível habitat de Mowgly, o cabalístico das cerimonias de um Volta a Gilwell. Nomes históricos foram substituídos por nomes moderno. O Comissário, o Chefe, o Distrital o Adestrador e tantos outros passaram a se denominar comumente parecido com outras organizações que nada tem de escotismo. Esquecemos nossas origens?

- Pedagogos, novos pensadores modernos estão a mudar a maneira com deve ser a nova educação escoteira dos jovens. Estamos sendo uma máquina humana servindo de cobaia para ver se vai ou não dar certo. A fleuma Escoteira de BP está sendo esquecida. Vivemos a era do Presidente, do Diretor, do Líder sem nome impingindo cursos que nada tem a ver com a natureza que acreditávamos ser a fina flor do escotismo Badeniano de Gilwell Park.

- Aquela tempera que existia, aquele comportamento cabalístico, característico e porque não dizer medieval, seria o modo o estilo que tanto atraia os jovens? Preocupo que possam substituir as bases fundamentais, tais como O Sistema de Patrulhas, as técnicas de campo, a vida ao ar livre, o aprender fazendo e finalmente a Lei e a Promessa. Não podemos esquecer-nos da retidão moral e da correção de princípios.

- A luta pelo poder, as decisões secretas, os conchavos nos transformou em políticos astutos tentando criar uma nova forma uma nova mentalidade, esquecendo ou desprezando os Velhos Lobos para sua nova hegemonia de comando. Criam falsamente um novo sol, um novo épico do Escotismo. BP emudeceu! Não se discute mais sobre ouvir os jovens, os chefes ou a todos que participam do escotismo. As finanças, o enriquecimento, substitui passo a passo o nosso lema Servir. Qual a direção escolhida? Sem metáforas, por favor!

- Ainda tenho um sonho. Sonho de um Velho Chefe Escoteiro que não ficou parado no tempo. Sonho que todos possam usufruir de direitos e deveres sem os obscuros transcendentes de uma metáfora qualquer. Votar e ser Votado? Ser ouvido consultado? Afinal não seria assim que os direitos são de todos? Se os Matabeles chamavam BP de “Impisa”, O lobo que nunca dorme, ou se os Ashanti o chamavam de “Kantakye” o homem do chapéu grande, ou até mesmo os Kaffir o chamarem de “M’hlalapanzi” “o que atira deitado e que planeja antes de agir” não seria um novo recomeço uma nova história sem esquecer o nosso passado?

- Que se faça ou reescreva o novo escotismo que muitos chamam de Tradicional, mas lembremos de que fazer o escotismo de Baden-Powell não significa ser tradicional. Ninguém esquece quando aprende e adquire um hábito de comportamento. Temos uma herança, um legado que não pode ser esquecido. Temos quer queira ou não voltar às origens sem esquecer o mundo em que vivemos. Acima das torres da Matriz ainda existem estrelas no céu.  

- Precisamos de uma nova história sem esquecer-se de contar a antiga história. Direito iguais, ordem e progresso sem sofisma. Um novo despertar para que todos dêem as mãos em busca de um escotismo melhor. Qualidade e não quantidade. Quem sabe um novo “Conselho” formado por Velhos Lobos de todos os estados. Um fórum com direito a tomada de decisões com voz e voto.

- Precisamos acabar com esta guerra surda de que só alguns tem direitos da filosofia de BP. Chega dessas discussões e conchavos muitas vezes discutidas em porões do submundo escoteiro que nunca poderiam existir. Precisamos de humildade, de fraternidade e nunca esquecer que somos amigos de todos e irmãos dos demais escoteiros. Precisamos dar as mãos, recebendo e dando colaboração. Manter viva a chama do lema Servir! Uma estrada de duas mãos!

Nota – De repente tudo vai ficando tão simples que assusta. A gente vai perdendo as necessidades vai reduzindo a bagagem. As opiniões dos outros são realmente dos outros, e mesmo que seja sobre nós, não tem importância. Vamos abrindo mão das certezas, pois já não temos certeza de nada e isso não faz a menor falta. Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado, e sim a vida que cada um resolveu experimentar. Por fim, entendemos que tudo o que importa é ter paz e sossego, é viver sem medo, é fazer o que me alegra, o que me faz bem, o que me faz feliz... É só!

terça-feira, 22 de maio de 2018

Quem bate? É o friiooo!



Quem bate? É o friiooo!

- Sei não... Alguns dizem que amam outros que detestam. Já gostei do frio e hoje não mais. Tudo que tenho de “bode na sala” aparece quando o frio chega e a maioria dos meus “pobrema” dão as caras. Agora além das outras fui premiado com uma tal de labirintite. Chegou sem avisar e me derrubou. Tem dois meses que sou premiado com ela e vômitos. Puxa que danação, prá não dizer que é bão demais. Lá fui eu uma, duas, três e outras vezes correndo no Pronto Socorro atrás dos “homes” do Jaleco Branco. Era injeção no traseiro, soro na veia e o escambal.

- Faz parte da nossa vida, não está escrito lá que “seja feita a Tua vontade, aqui na terra como no céu”? Não reclamo. Afinal a vida continua e ele decide quando parar. “Quando o frio chega, é batata”! Lá vem ela me abraçar. Tudo vai resolver, já tenho marcado para final de setembro uma consulta com o especialista. Falta pouco tempo. Vamos aguardar afinal “tô nu SUS” e não posso reclamar. Nessas horas de frio me ponho a lembrar de quando escoteirava por aí no meio do gelo, das geadas tilintando de frio em volta das fogueiras para esquentar.

- Esta aconteceu há tempos. E põe tempo nisso. Tonico chegou correndo na Oficina de meu pai. – Vado chegou uma Patrulha de escoteiros do Norte. Dizem que vão para o Ajuri Nacional no Rio de Janeiro.  Estão na Praça Serra Lima. – Dei tchau pru papai e lá fomos até a praça na minha bicicleta pneu balão Philips. Eram quatro. Uniformizados com suas reluzentes bicicletas cheias de balangandãs. Sempre Alerta, aperto de mão e “zaz” para a sede. Em menos de uma hora a escoteirada e a lobada estava lá. – Viemos da Bahia e vamos prú Rio para o Ajuri Nacional! Putz, que inveja.

- Iam embora no dia seguinte. Cada um dos mais de cem meninos que estavam em volta deles ofereceram alojamento, com cama, roupa lavada e comida no bucho. Eu levei um, se não me engando de nome Joaquim. De que não sei. Alto magro, uns dezesseis ou dezessete anos. Almoçou, jantou e a noite fomos paquerar as meninas na pracinha Serra Lima. Claro vesti meu uniforme e a praça encheu. Os causos conto depois. Fomos dormir lá pelas tantas. Ele disse que preferia dormir na rede. Rede? Invejei! Nunca tinha dormido. – No dia seguinte foram embora acompanhados de dezenas de nós até a ponte de São Raimundo.

- Resolvi comprar uma rede. Trabalhei dobrado com minha caixa de engraxate. Três meses. Custava sessenta paus a vista. (não havia fiado nem prestação). Comprei. Linda, meio verde musgo com beirolas brancas. Junho, o frio chegou. Fomos acampar no pé do Pico Ibituruna, um pico de frente para nossa cidade. Orgulhosamente levei a dita cuja e a turma me olhando. Chico disse: - Tem certeza? E o frio? – Faço fogueira eu disse. – Donato riu: - Aposto que lá pelas uma ou duas vai prá barraca!

- Meia noite e eu inquieto na rede. Não havia posição para dormir. Marinheiro de primeira viagem. Mesmo enrolado na manta o frio gelava o fogo ajudava só de um lado. Acendi outra fogueira. Uma de cada lado. Embaixo nas costas e trazeiro só gelo. Caramba! Porque fui inventar? Pensei em ir prá barraca. Mas o orgulho do desafio era maior que eu. Lá pelas três e meia uma garoa! Chuva intermitente. Eu na rede joguei uma lona... Nada, não resolveu.  

- Rael levantou e disse: Vado, venha não vou contar para ninguém. Minha capa preta, na frente um fogo espelho que ele fez. Quentinho. Dormi. Rede? Ficou para minhas manas quando quisessem descansar usando o pé de Manga e Abacate do quintal da nossa casa. Anos depois quando descemos o São Francisco a bordo do Benjamim Guimarães, o Capitão ofereceu rede prá nós. Eu necas de catibiriba. Dormi enroscado na minha manta na proa da barca e os outros na rede. Se não conseguiram não me disseram.

- Olhe, já dormi em cada lugar de fazer medo, em cima de uma árvore correndo de uma jaguatirica. Na subida da Serra da Piedade cheia de pedras, no Pico da Bandeira por duas vezes, no Cipó, no Itacolomi e no Itatiaia. Centenas de vezes olhando as estrelas, debaixo de chuva, de vento que nem dá para contar. Mas dormir na rede nunca mais. Minhas costas só reclamavam. Bom mesmo era enroscar em minha capa, sentar com as pernas cruzadas em volta de um fogo e cochilar. Bom demais. Ainda tenho duas redes que nem colocar na varanda coloco. Rede? Desculpe os aficionados, mas eu nunca mais!

Nota – Nesses dias frientos a barra para os velhos escoteiros como eu pesa. E como pesa. Chegou de presente uma labirintite acompanhada de vômitos como se fosse um prêmio que fui sorteado. Algumas vezes fico de molho, o mundo rodando e quem sou eu para corujar minha máquina que me leva junto a amigos. Hoje acordei sem poder levantar, reclamei comigo e disse: - Vado vá lá, conte uma história para alegrar e depois volte prá cama! É prá já! E aqui tô eu!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Matar ou morrer! Já leu? Não? Veja uma pequena parte da historia: - O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA ILHA DO GAVIÃO NEGRO.



Matar ou morrer!
Já leu? Não? Veja uma pequena parte da historia:
 - O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA ILHA DO GAVIÃO NEGRO.

            Dezoito horas e quinze minutos. Sinaleiro ouviu um trovão no céu. O foguete do Chefe Nemo parecia um tiro de canhão. Os patrulheiros da Falcão tremeram. Dominó olhou para Sinaleiro de olhos arregalados. – Calma Dominó é só um jogo. Lembre-se você é um falcão e um falcão não tem medo! Olhou para os outros dizendo: – Logo que entrarmos na mata vamos nos separar. Não ficar longe mas nunca juntos. – Fechem os olhos por dois minutos e vão se adaptar logo a escuridão.  

              Continuou: - É um jogo e temos de matar para não morrer.  – Sinaleiro riu baixinho. Sabia que seria uma barra chegar ao Forte. Quase três quilômetros. Todos monitores receberam o mapa da selva. Andaram menos de cem metros e a trilha sumiu no meio da mata. Amarrou a bússola em seu pescoço. A senha era o grito do Sabiá Laranjeira. A selva estava muda. Nenhum som.

          Corredor tinha orgulho de sua patrulha. Treinaram semanas o grito do bugio com perfeição. Camuflados Corredor e os patrulheiros não sentiam medo. Era uma Patrulha unida. Anos juntos fazendo escotismo. Tinham histórias para contar. Ninguém disse nada quando entraram na mata e a escuridão os pegou em cheio. Quase não viam nada. Montanha parecia dominar a escuridão. Olhos abertos para não ser morto desprevenido. Sabia que mataria mais de dez. Jurou que seria o campeão.

            Eram peritos em andar em matas. Inclusive à noite. Ficaram cinco dias treinando como rastejar em florestas. Sabiam que poderiam perder, mas seriam páreo duro. Deram uma parada. Corredor só ouvia a sua respiração. E a mata? Ela não respondia? Porque este silêncio? Aqui não têm animais e pássaros noturnos?

              Professor olhou com carinho para Pequeno Polegar. Ele fingia que não tinha medo, mas Professor sabia que ele tremia. Fique ao meu lado disse! Noviço, entrou há quatro meses. Parecia um lobinho apesar dos seus onze anos. Fora Lobinho Cruzeiro do Sul e chorou muito quando passou para a tropa. Mas quem não chorou? Professor conseguiu que sua tia fizesse oito toucas ninjas negra. Ficaram ótimas. Dava para impressionar principalmente à noite.

               Fez o possível para treinar os patrulheiros da Lobo Cinzento na mata do Onça. Esqueceu-se de treinar uma senha, mas sabia que sempre estariam por perto se fizesse algum sinal. Sinal no escuro? Faltava pouco para começar a matança. Matança? Isto não o preocupava. Interessante é que sentiu que a floresta se calava. Nenhum sinal mortal parecia viver dentro dela.

            Dentuço sussurrou para Centeralfo. – Estamos nos distanciando! Não podemos nos dispensar e sumir na escuridão da selva. – Têm razão Dentuço, chegue perto de cada um e diga para ficarmos próximos. Os patrulheiros da Patrulha Quati eram na maioria fortes, altura normal, mas bem maiores que os outros Escoteiros das demais patrulhas. Centeralfo não sabia se seria uma vantagem ou desvantagem. Todos se achavam vencedores do jogo.

             Eram vitoriosos nos jogos de Scalp. Ganhavam com facilidade o troféu eficiência. Centeralfo era um grande mateiro. Conseguiu tocar um quati e um tatu sem perceberem sua presença. Assustava com a floresta calada. Por quê? Olhou para cima, para os lados, com dizem os lobinhos abriu os olhos e os ouvidos e nada. O único som que ouviu foi de um estalo de um galho que alguém da patrulha pisou.

               Chefe Nemo, Chefe Euclides, Goiabada e Calango os seniores estavam calados próximo ao Forte. Sentados um ao lado do outro na Pedra Grande onde montaram seu staff. Todos de olhos na floresta. – Diabos pensava Chefe Euclides, que coisa esquisita! A mata não fala? Era mesmo de assustar. Não havia lampiões acesos. Nem tochas. Essas só às cinco da manhã onde todos se encontrariam. O relógio marcava uma meia. Chefe Nemo não gostava do que estava acontecendo.

               - Jogo é jogado e lambari é pescado pensava. Sentia algum fantasmagórico no jogo. Almas do outro mundo dizem não gostar de ser incomodadas. A ilha era uma delas? Não preparação não viram nada. Três meses dentro da selva. Os pássaros cantavam, os bichos corriam prá lá e prá cá. Ouviram um estalo. Outro e parou. Goiabada o Sênior levantou e pegou um bastão. Não tinha medo de alma do outro mundo. Que venham os demônios, estou preparado. Gostava de um jogo Quebra-pau. Calango outro sênior olhou para cima e assustou. Um enorme Gavião Negro voava nos céus. Era um vulto fantasmagórico e não esperado.

              Trinta Escoteiros avançavam cautelosamente na floresta escura. Ninguém via ninguém. Cada Patrulha escolheu um canto da ilha. Três da manhã. Eles sabiam que breve iriam se encontrar. Que Deus tivesse piedade de quem corresse, seria presa fácil ao ficar longe dos seus amigos. Nenhum som. Só se ouvia a própria respiração. Era uma aventura inesquecível. Pensavam que seria a única. Rezas e orações pipocavam nas mentes dos escoteiros. Nervos a flor da pele. Professor suava, não tremia, mas estava em uma situação anormal que nunca aconteceu com ele.

             Sinaleiro de olhos arregalados buscava na floresta algum sinal. Os patrulheiros sumiram de sua vista. Corredor pela primeira vez na vida teve medo. Isto é anormal pensou. Onde estão todos para lutarem? Que espera infernal. Centeralfo parou. Sua respiração ofegante. Medo? Impossível, Centeralfo não sabia o que significava a palavra medo. Sentiu um barulho esquisito, era um galho de árvore a toda velocidade em direção ao seu rosto. Não deu para desviar.

             Sinaleiro via a sua frente uma figura espectral pulando freneticamente como se fosse um zumbi do outro mundo. Tremeu! Meu Deus! Não gritou, pois Sinaleiro era um Escoteiro de verdade. Um barulho monstro como se o inferno estivesse chegando a terra caiu sobre a floresta. Mil latas explodindo no chão. Uma torrente de água jorrando do céu sem parar, Cafuné foi jogado ao ar preso por um cipó dois metros acima do chão de cabeça para baixo gritando feito um louco e pedindo socorro. Ninguém se entendia, os planos foram por agua abaixo, 30 meninos Escoteiros se encontraram naquela escuridão alguns gritando outros chorando e muitos sendo mortos sem dó e sem piedade...

- Epa! Essa é só uma parte do meu livro: - O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA ILHA DO GAVIÃO NEGRO! Quer ler todas a história? Peça no meu e-mail e recebe em PDF de graça. ferrazosvaldo@bol.com.br. Não peça por aqui. Não vai dar para atender. Só no meu e-mail. E melhor vai junto outras quatro para você viajar no fantástico mundo dos escoteiros. Aguardo seu e-mail.


Nota - Ainda não leu? São cinco livros com histórias narradas de forma simples e direta, mas com uma pitada de aventura que não pode faltar aos escoteiros e chefes. Todas em PDF e gratuito. Histórias eletrizantes onde você vai vibrar com cada uma delas. Contada de maneira simples, e com aquela pitada de quero mais. Peça no meu e-mail e terei prazer em enviar para você! Em PDF. Peça na minha caixa postal ferrazosvaldo@bol.com.br e terei prazer em saber que vai ler. Se vai gostar não sei!

quinta-feira, 29 de março de 2018

Minhas publicações



Olá,
Estou colocando a disposição dos meus amigos escoteiros ou não, quase tudo que escrevi até hoje sobre escotismo. São contos, histórias, artigos, técnicas escoteiras, simbolismo, místicas, temas sobre Baden-Powell e também os meus sonetos de boa noite.  Muitas das publicações não são de minha autoria. Compactei os contos para facilitar a leitura e ter sempre a mão quando quiser ler. Tudo em PDF e sem ônus. Não existe nenhum livro ainda publicado. O sonho persiste. Ficar guardado sem oferecer aos amigos seria um contrassenso do meu lema Servir! Se estiver interessado peça primeiro a Lista dos Blocos pelo meu Imbox ou pelo e-mail para conhecer os títulos oferecidos. Os Blocos são numerados de 01 a 27. Ao receber e fazer o pedido se atenha as instruções na Lista. Fora dela não poderei enviar o pedido. Acredito que todos sabem da minha saúde que me impossibilita ficar além do tempo na internet. Lembre-se é um prazer atender você. Fraternos abraços e Sempre Alerta!
Chefe Osvaldo

Nota – Os que quiserem compartilhar em outros grupos ou páginas fiquem a vontade. Quem sabe tem outros que irão se interessar. Obrigado.