Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Conversa ao pé do fogo. A origem das Contas de Madeira.




Conversa ao pé do fogo.
A origem das Contas de Madeira.

- A mística escoteira encanta. A procura por aprender e conhecer a origem e o significado atrai muitos que adentram ao Escotismo. Baden-Powell é considerado por muitos um iluminado por criar um movimento único que atrai pela sua mística e beleza. Dizia ele: - “Todos os projetos devem responder às aspirações daqueles que os vão viver; devem partir dos seus desejos e sonhos”. Os sonhos materializam-se num imaginário com personagens e símbolos. O imaginário existe em todas as idades, apenas se torna menos explícito com o crescimento e vai-se transformando em situações reais. ”(Livro a Caminho do Triunfo”).

- Conta-se que na manhã de oito de setembro de 1919, dezenove homens vestidos de calças curtas e meias até o joelho, mangas de camisas arregaçadas, formadas por patrulhas iniciavam um curso de Chefes de Escoteiros. Um novo adestramento realizado em Gilwell Park, em Eping Forest, nos arredores de Londres, Inglaterra. O campo foi projetado e orientado por Baden Powell, um general de 61 anos reformado do Exercito Britânico e fundador do Movimento Mundial dos Escoteiros. Quando terminou seu adestramento em conjunto, Baden Powell deu a cada homem um cordão de madeira simples, como se fosse um colar que ele havia encontrado em uma cabana abandonada de um Chefe Zulu. Isto aconteceu quando estava em campanha na África do Sul em 1888. Para os primeiros deste curso, foi um grande sucesso e se tornou tradição por muitos e muitos anos. As perolas de madeira eram reconhecidas para os que tiveram a oportunidade de passar por aquele adestramento.

- Muitas são as versões sobre este simbolismo conhecido em todo o planeta que pratica o escotismo. Aqui algumas de suas histórias. A origem das pequenas contas de madeira está envolta num misto de história e lenda, romantizada por estórias passadas de década para década. Embora haja dúvidas quanto à veracidade de alguns acontecimentos frequentemente relatados, o certo é que estas contas não são umas contas quaisquer.

 Isiqu, a “medalha” dos Zulus.
Os relatos mais antigos remontam ao tempo de Shaka kaSenzangakhona (1787-1828), o famoso rei que transformou várias tribos dispersas da África do Sul na imponente nação Zulu. As suas táticas militares inovadoras e a alteração que fez no armamento dos seus guerreiros, permitiram-lhe criar um exército impressionante, organizado, disciplinado e eficiente. Os mais bravos, tendo protagonizado feitos em batalha merecedores de destaque, eram “condecorados” pelo rei Shaka, em cerimónias públicas, com colares feitos de contas de madeira - os “isiqu”. A madeira destas contas, amarelada, provinha de um salgueiro selvagem (Salix mucronata), a que os indígenas chamavam “um-Nyezane”, considerada “real” e para uso exclusivo do rei Zulu. Após a morte de Shaka, a tradição ter-se-á mantido.

Alguns historiadores sugerem que as contas seriam confeccionadas pelos próprios guerreiros distinguidos, originando colares “isiqu” de aspecto diferente, mas com um traço comum: encaixadas umas nas outras, perpendicularmente. Os colares de contas são muito utilizados na cultura Zulu, ainda hoje, sendo usados materiais naturais tais como madeira, sementes, marfim ou osso. Em 1999, foi construído um monumento em bronze, em Isandlwana, na África do Sul, em memória dos Zulus que tombaram naquela sangrenta batalha de 1879 contra o exército britânico. A estátua representa, precisamente, um “isiqu”.

Dinizulu.
Dinizulu kaCetshwayo (1868-1913) era sobrinho-neto de Shaka e filho de Cetshwayo (o último rei Zulu reconhecido pelos britânicos). Depois da Guerra Anglo-Zulu de 1878-79, os britânicos acabaram com o reino Zulu e dividiram a Zululândia em 13 distritos, cabendo um destes a Dinizulu, herdeiro do trono, que não tardou começar a “conquistar” pela força das armas outros distritos, pretendendo assumir-se como rei dos Zulus. Desavenças com mercenários Bóeres que ele próprio contratou e com os britânicos a quem, entretanto, pediu ajuda, levaram a que fosse procurado por tropas britânicas enviadas pelo Governador da Província do Natal, em 1888. Baden-Powell foi escolhido para oficial do estado-maior das tropas comandadas pelo Major McKean, que perseguiriam Dinizulu.

A lenda do colar de Dinizulu
Diz a “lenda”, entre os escoteiros, que foi o próprio Dinizulu quem ofereceu o colar a BP. Esta versão foi passada pela associação escotista inglesa, a partir da década de 50, devido ao embaraço causado pela versão anterior, segundo a qual B-P ter-se-ia apoderado do colar, abandonado por Dinizulu numa cabana especialmente preparada para ele. Quando B-P chegou a uma zona de penhascos, bastante arborizada e com cavernas, chamada “Ceza Bush”, identificada como baluarte de Dinizulu e dos seus homens, já estes tinham escapado para a República do Transvaal. Os britânicos só encontraram cavernas abandonadas e cabanas queimadas, numa das quais B-P terá - segundo contou ele próprio em 1925 - encontrado o colar “isiqu” de onde provieram as primeiras contas da Insígnia de Madeira. Dinizulu entregou-se três meses mais tarde ao Governador do Natal, em casa da família Colenso, que apoiava a causa Zulu.

No seu livro “Lessons from the Varsity of Life” (1933, capítulo V - Zululândia), BP. Relata o incidente em “Ceza Bush”, mas não faz qualquer referência ao colar “isiqu”. Curiosamente, nesse mesmo texto, conta como se apoderou de um colar de contas de uma moça Zulu que foi atingida por uma bala perdida e faleceu durante a noite, mesmo ao lado de B-P. Nos diários onde Baden-Powell descrevia detalhadamente todos os pormenores da sua vida, também não foi feita nenhuma referência ao colar.

Certo é que B-P nunca conheceu Dinizulu. Se o colar “isiqu” que B-P levou para Inglaterra era em Formato das contas; As contas que hoje ostentamos nos nossos colares da Insígnia de Madeira, são um pouco diferentes das primeiras. Estas tinham um formado mais delgado na zona onde passa o fio de couro, para o encaixe entre elas. A “falha” nas extremidades é natural. Ao fazer os cortes em “V” nas extremidades, que seriam queimados, o interior do cerne da madeira de salgueiro desfazia-se, dando origem às pequenas “falhas”, características, também em “V”. Algumas das contas que são produzidas hoje em dia, não trazem estas pequenas “falhas”, sendo os cortes apenas pintados, e não queimados, exceto na zona da “falha”, que fica da cor da madeira.

sábado, 21 de setembro de 2019

Hoje tem hoje tem, hoje tem sim senhor! Hoje tem reunião, Alegria de montão!




Hoje tem hoje tem, hoje tem sim senhor!
Hoje tem reunião, Alegria de montão!

Zé das Quantas fez as contas era hora de escoteirar!
Ludovico tomou banho, hora de se limpar.
Toninha que nunca mente, correu a escovar seu dente.

A rua ficou colorida, e a escoteirada querida,
Pra sede marchou a cantar.
Era dia de sorrir, Era dia de jogar...
Tarzan não usava seu quepe, Sempre foi um bom Chefe.
Ivete não deixa pra lá, uma grande Akela.
João, Marineide de são Vicente, Todos bons assistentes.

Do Beco do Zé be Deu, Ricardo o lindo apareceu.
Maria e seu cunhado marchavam de braços dado.
Era gente de uniforme, de vestimenta nos conformes.

Na sede a lobada e seus sorrisos Gritavam o Melhor Possível.
Era hora da bandeira, não havia pasmaceira.
Pantaleão e o Chefe leal Chamou todos prú cerimonial.

O vento bateu na bandeira, Valeu o sorriso da escoteira.
A oração foi bonita demais, palavra do lobinho Zás Trás.
Agora é hora do jogo Pantaleão nisso era fogo.

E tudo correu nos conformes Tom Mix sujou seu uniforme.
No final da festa mateira direito de uso e fruto,
A escoteirada certeira deu o seu Grito do Grupo.
Assim terminou amigo Vado, a reunião daquele sábado!
Era canto era sorriso era como se fosse o paraíso.
E cada um bateu suas asas, todos foram para suas casas.

Pois hoje teve reunião! Alegria de montão!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Cem anos de Insígnia de Madeira – 1919-2019.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Cem anos de Insígnia de Madeira – 1919-2019.

Introito: Muita coisa mudou desde o primeiro curso da Insígnia de Madeira em Gilwell Park. Foram 12 dias em que os alunos aprenderam técnicas e como lidar com os jovens conforme o método de BP. O tempo passou e hoje os cursantes da parte II da IM (estou desatualizado) recebem uma formação bem diferente do que era antes. Eu daria tudo para voltar no tempo e ser um aluno para ver o que Francis Gidney o Diretor do Curso apoiado por Baden-Powell aplicou aos primeiros alunos. Vejamos a história desses dias que ficaram marcados na história.

- Na primeira década do Movimento Escoteiro, a formação dos dirigentes era feita de maneira assistemática e empírica. Formada uma patrulha, os jovens tinham o costume de pedir a um irmão mais velho, ao pai, tio ou a um amigo que desempenhasse o papel de Chefe. Estava claro, no entanto, que não era suficiente treinar garotos entusiasticamente interessados no programa escoteiro. Os líderes, principalmente, é que precisavam de treinamento.

O general Sir Robert Lockhart, dirigente da Associação dos Escoteiros da Inglaterra, afirmou, a propósito do assunto, em 1954: - “Treinamento é algo absolutamente vital, interessante e importante, porque nosso Movimento é, acima de tudo, um Movimento de Treinamento…” O espírito do Escotismo não é uma coisa que pode ser ensinado, disse. “Pode ser absorvido e adquirido vivendo com as pessoas que mostram isso publicamente em suas vidas e em uma atmosfera deste espírito.”

Os pioneiros do Escotismo entenderam a utilidade e a urgência de que os líderes conheçam seus objetivos e saibam como alcançá-los. James E. West, primeiro Chefe Escoteiro dos Estados Unidos, que ficou no posto por mais de 33 anos, definiu este problema quando perguntado sobre quais as três coisas que o Escotismo precisava mais. Respondeu: “treinamento, treinamento, treinamento”.

O primeiro curso para a formação de chefes escoteiros aconteceu em Londres, em 1910. Outros cursos foram realizados durante os quatro anos anteriores à 1ª Guerra Mundial. Todos eles foram considerados experimentais, com muitas palestras e pouca atividade prática. Baden-Powell procurava um local adequado para desenvolver a formação de dirigentes. Queria fazer como havia feito em Brownsea, pois chegara à conclusão de que os cursos seriam mais eficientes se fossem realizados no campo, fazendo-os funcionar como se fosse uma tropa, no sistema de patrulhas.

Em fins de 1918, William de F. de Bois Maclaren, amigo de Baden-Powell e Comissário Distrital de Rosenearth (Escócia) aceitou doar uma área para que os escoteiros de menos recursos pudessem usar para acampamentos. B-P sugeriu que o espaço também servisse para a formação de adultos, e em 1919, adquiriu a área procurada, ao lado da floresta Epping, ao norte de Londres. O local foi chamado de Gilwell Park e inaugurado em 25 de julho de 1919. A grama perfeita, os carvalhos centenários, o pequeno museu e as relíquias escoteiras conferem magia a este local rico em simbolismo para o Movimento Escoteiro. A Insígnia de Madeira surge no Movimento Escoteiro pelas mãos de Baden-Powell, associada ao primeiro curso realizado em Gilwell Park, de 8 a 19 de setembro de 1919.

O símbolo do treinamento são duas pequenas contas de madeira, cópia de um velho colar presenteado a Baden-Powell por Dinizulu, rei Zulu, durante sua permanência na África austral, em reconhecimento à superioridade guerreira e pelo tratamento digno dado ao rei e a seu povo. O colar de contas original encontra-se guardado na “Baden-Powell House” em Londres. É um colar de aproximadamente 7 metros, com mais de 2000 contas de madeira, passadas ao fogo. Na sua origem, a conta de madeira passada pelo fogo, representava o tição do primeiro fogo aceso pelos antepassados. As contas foram esculpidas de uma madeira africana de cor amarela e de medula macia, que deixava um pequeno entalhe natural em cada extremidade quando era trabalhada. As contas evocam também o “fogo sagrado”, símbolo de fidelidade a um ideal.

Baden-Powell apoiou o primeiro curso em Gilwell Park que foi dirigido por Francis Gidney, dando a cada um dos participantes uma das contas do colar que pertencera ao chefe africano. A ideia era conceder algo que tivesse um significado maior que um diploma ou certificado. Os portadores da Insígnia de Madeira usam uma correia que tem suas extremidades unidas por um nó de aselha e, em cada ponta, fixadas as contas por um cote de uma volta. Quando a correia possuir duas contas, uma em cada ponta significa que o seu portador é Escotista ou Dirigente com a Insígnia de Madeira concluída. Três contas, uma em uma ponta e duas em outra, significa que o seu portador é Diretor de Curso Básico. Quatro contas, duas em cada ponta, refere-se ao Diretor de Curso Avançado. Seis contas são privativas do Diretor de Gilwell Park.

O lenço de Gilwell foi criado por Baden-Powell a pedido de seus primeiros alunos. Primeiramente foi confeccionado no tecido “Tartan”, homenageando o clã familiar dos MacLaren, mas que se mostrou futuramente muito oneroso e de difícil aquisição. Alterou-se para o tecido do uniforme do Exército Colonial Inglês, aplicando-se na ponta triangular um retângulo do “Tartan” MacLaren, mantendo-se assim a referência aos que adquiriram as terras de Gilwell.

O arganel, que fixa e ajusta o lenço ao pescoço é um trançado de duas voltas de uma tira de couro, de perfil redondo e cor preta, também conhecida como “cabeça de turco”. O uso deste arganel significa que o seu portador possui o Curso Básico, pré-requisito para iniciar as três partes do último estágio oficial na formação de um Escotista. O alerta inicial, entretanto, não pode ser esquecido: treinamento como um processo contínuo!

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Cortesia é uma obrigação até de Reis!




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Cortesia é uma obrigação até de Reis!

- Ainda pela manhã, revia minhas publicações pendentes para postagens. São muitas. Fiquei entre três. Antes dei uma passada nas minhas páginas, grupos para ler quem gentilmente deixou uma mensagem, curtiu ou compartilhou. Eis que lendo aleatoriamente lá estão elogios, cortesia escoteira e alguns desabafos de chefes lamentando a falta de cortesia por parte do seu semelhante. Sei que isso faz parte, estamos aqui para aprender e com nosso livre arbítrio esquecemos muitas vezes como devemos ser e proceder. Vez ou outra um Chefe, ou um dirigente reclamam o modo como foi tratado e terminam assim: - Por mais que goste do Escotismo, por mais que acredite na sua filosofia, prefiro sair. Terei saudades do que fiz dos bons amigos, mas não dos que se acharam donos do poder, os únicos entendidos. Não terei boas recordações. Pessoas assim denigrem a imagem do verdadeiro Espírito Escoteiro. Cortesia?

- Um Chefe a quem guardo gratas recordações disse um dia em um curso onde era aluno lá pelos idos de 1961. Olhando para todos indistintamente disse: - Ser cortês não custa nada e, no entanto, vale muito! “É um comportamento que deveria ser utilizado muitas vezes, porque as palavras ditas com suavidade, tato e cortesia constroem, um “sinto muito”, um, ”por favor”, ou um “você primeiro” são o perfume da bondade que muitos deveriam se empenhar sempre”. Um Lord Inglês no Parlamento Britânico presenciou uma balburdia não própria naquele recinto e exclamou: A cortesia até dos reis e a obrigação dos educados! Afinal não é exigir muitos dos outros? Não devemos olhar mais para nosso “umbigo”? Sei que temos um artigo curto seco e grosso: - O Escoteiro é Cortês! Mas porque temos chefes que esquecem este belo artigo e se acham os melhores? São intragáveis, prepotentes, autoritários e parece não acreditar na Lei Escoteira. Sei que não são muitos, mas essa maçã podre tem estragado muito os bons voluntários que se aproximam do escotismo pensado encontrar “isso”, mas encontraram “aquilo”.

Tive a honra de conhecer milhares de chefes e dirigentes cuja educação ultrapassa as raias da imaginação. Prestativos, leais, sempre com um sorriso nos lábios, sabiam dar um abraço e um aperto de mão. Já sentiram a vibração em um aperto de mão? Chefe Conrado dizia que a gente sabe com quem está lidando por um simples aperto de mão. A corrente passa de um para o outro e em segundos captamos todos os fluidos bons e maus que possam existir no próximo ou em nós mesmos. Já vi colocações incríveis na minha vida escoteira por parte de outros adultos que se diziam escoteiros, mas para mim não passavam de um arremedo de amador. Quantas vezes pensei em parar? Em esquecer? Ou melhor, em revidar? Se você tem uma áurea brilhante segue em frente sem olhar para trás. Mas olhe, não sou santo, revidei e muitas vezes agredi por palavras o agressor e só não saímos para as raias da violência por que uma voz sempre me dizia que o escoteiro é Cortês, amigo e irmão dos demais. Mas ele meu amigo é meu irmão escoteiro?

Às vezes me ponho em marcha tentando melhorar e fazer do escotismo um mundo melhor. Tento a minha maneira mostrar o Escotismo de Baden-Powell, sem desmerecer ninguém. Se tudo que penso tivesse voz teria uma chusma de contendores, adversários da palavra e sei que aqui nesta rede social tudo descamba para o impróprio não levando a lugar algum. No passado nos encontros nacionais ou regionais chamados de Conselhos, seminários e Congressos (hoje conhecidos como Assembleias) haviam discussões interessantes, vários temas, onde a participação era aberta sem rumos pré-definidos. Ali uma dinâmica era interposta de maneira tal que a participação eram de todos. Hoje dizem os revoltosos presentes tudo está pré-definido, e ai daquele que ousar discordar. Receberá o silêncio ou uma admoestação de alguém que se acha no direito como “politicamente correto” da Escoteiros do Brasil.

Uma pena o abandono de muitos que teriam vantagens enormes para contribuir. Perde o escotismo, deixa um rastro de desconforto e melancolia... Eu continuo aqui de pé seguindo meu caminho que escolhi nos tempos áureos. Minha força é minha caneta, minha clava é minha mente, e graças a Deus por não ter um numero sequencial registrado na Escoteiros do Brasil ou quem sabe nas outras associações, ainda não tive ninguém a admoestar, repreender, espinafrar meus ideais Escoteiros. Dou sorrisos quando recebo um e-mail de um Chefe solicitando educadamente com elogios minhas publicações, sorrio muito mais com aqueles que nada dizem a não ser: - Pode mandar! E aqueles que ainda não imaginaram o trabalho para montar e distribuir publicações através dos e-mails e sem imaginar o que o Velho Chefe Escoteiro faria se copiasse seu e-mail onde minhas publicações foram oferecidas. Ah! Estou cansado demais...

Li gostei e anexei um poema da Polonesa Wislawa Szymborska. Merece ser lido:
“O poeta lê seus versos para os cegos. Não esperava que fosse tão difícil. Sua voz fraqueja. Suas mãos tremem. Ele sente que cada frase está submetida à prova da escuridão. Ele tem que se virar sozinho, sem cores e luzes. Uma aventura perigosa para as estrelas da poesia, para as manhãs, o arco-íris, as nuvens, os neons, a lua, para o peixe tão cintilante sob a água e o falcão tão alto e quieto no céu. Ele lê-pois já não pode parar – sobre o menino de casaco amarelo num campo verde, telhados vermelhos que se contam no vale, números irrequietos na camisa dos jogadores e a desconhecida, nua, na fresta da porta. Ele gostaria de omitir – embora seja impossível – todos os santos no teto da catedral, a mão que acena do trem em partida, a lente do microscópio, o anel e seu brilho, as telas de cinema, os espelhos, os álbuns de fotografia. Mas é enorme a cortesia dos cegos, admirável a sua compreensão, a sua grandeza. Eles escutam, sorriem e aplaudem. Um deles até se aproxima com o livro de cabeça para baixo pedindo um autógrafo invisível”.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Conversa ao pé do fogo. Olavo Bilac comenta sobre o escotismo em 1916. (Copia fiel do que foi escrito nesta data)




Conversa ao pé do fogo.
Olavo Bilac comenta sobre o escotismo em 1916.
(Copia fiel do que foi escrito nesta data)

Nota sobre o autor:
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 1865 — 28 de dezembro de 1918) foi um jornalista, contista (vide ''Contos Pátrios''), cronista e poeta brasileiro do período literário parnasiano, membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15 da instituição, cujo patrono é Gonçalves Dias.
Conhecido por sua atenção à literatura infantil e, principalmente, pela participação cívica, Bilac era um ativo republicano e nacionalista, também defensor do serviço militar obrigatório[1] em um período em que o exército usufruía de amplas faculdades políticas em virtude do golpe militar de 1889. O poeta foi o responsável pela criação da letra do Hino à Bandeira, inicialmente criado para circulação na capital federal da época (o Rio de Janeiro), e mais tarde sendo adotado em todo o Brasil. Também ficou famoso pelas fortes convicções políticas, sobressaindo-se a ferrenha oposição ao governo militar do marechal Floriano Peixoto. Em 1907 foi eleito "príncipe dos poetas brasileiros", pela revista Fon-Fon. Bilac, autor de alguns dos mais populares poemas brasileiros, é considerado o mais importante de nossos poetas parnasianos.

“Trecho da Conferência realizada em Belo Horizonte, em 26 de agosto de 1916. – Publicado em 1929 em Niterói pelas Oficinas Gráficas da Escola Profissional Washington Luis”.

                   “A escola dos escoteiros, uma das células primárias do organismo da educação cívica e da defesa nacional, tem um objetivo que se resume em breves linhas”. É a educação completa dos adolescentes. O escoteiro, desde que se inicia no tirocínio, anda, corre, salta, nada monta a cavalo, luta defende-se, maneja armas; mantem-se num constante cuidado do asseio do corpo e da alma; afasta-se da pratica de todos os vícios; adquirem noções de física, chimica, botânica, astronomia, anatomia, geographia, topographia, astronomia; orienta-se pelo sol, pela posição das estrelas, pelo relógio, pela bússola, manuseia o termômetro e o barômetro, mede o caminho que percorre; estuda os mapas; sabe acender o fogo e cozinhar; faz acampamento; recebe e transmite comunicações pelos telégrafos Morse e Marconi, por meio de luzes, de sinais por bandeiras e pelos gestos dos braços; instintivamente aprende tática e estratégia; pode eficazmente socorrer feridos e vitimas de quaisquer desastres; alimenta e desenvolve os seus nobres sentimentos; abomina a mentira; reputa sagrada a sua palavra de honra; é disciplinado e obediente; é cortes; considera como irmãos os seus companheiros, ampara as mulheres, os velhos os enfermos; opõe-se a crueldade sobres os animais; é econômico, mas condena a avareza; respeitando a própria dignidade, respeita a dignidade alheia; é alegre; esforça-se por dizer claramente o que sente e exatamente descrever o que vê; pensa, raciocina, deduz; e enfim, conhece a historia e as leis do seu pais; é patriota e estimula a sua iniciativa.

                      Basta isso para que se veja que, no escotismo, se inclui todo ensino da infância e da adolescência. “Como o compreendia Platão, dizendo: “a educação tem por fim dar ao corpo e ao espírito a beleza e toda a perfeição de que eles são susceptíveis”“. E como concebia Spencer, professando: - “a educação é a preparação para a vida completa”. Esta admirável escola ao ar livre abrange todos os pontos, que se contem no programa da moderna pedagogia. Primeiro, a instrução física: a conservação ou o restabelecimento da saúde, pela higiene e pela medicina e o desenvolvimento normal e progressivo de todas as funções de corpo, pela ginástica e pelos jogos escolares. Depois, a instrução intelectual: o adestramento dos cinco sentidos, a percepção externa e a interna, a cognição e a experiência; a consciência, a personalidade, e a liberdade; a faculdade de conservação - a memória; e as faculdades de elaboração - a atenção, a abstração, a generalização, juízo, o raciocínio, e a imaginação. 

                  Enfim, a instrução moral; a sensibilidade, e a sua cultura; o amor próprio, o amor e o respeito da propriedade, foi livre arbítrio, da independência, da emulação; o altruísmo, a benevolência, a beneficência, a amizade, a docilidade; o amor da pátria, do belo e do bem; o brio, a coragem, a disciplina; e a cultura da vontade, e a formação do caráter. E este curso completo de adestramento é feito no seio da natureza, na alegria da vida desportiva, pelo gosto próprio, pela pratica, pela lição das coisas. O escotismo forma homens e, ainda mais, heróis. É a heroicultura. Em cada escoteiro, no ultimo grau da iniciação, existe um "Agenor", no sentido do vocábulo grego: Homem de coração.

                  Há pouco tempo, em São Paulo, um educador, o Sr. João Kopke, numa conferencia, lembrou que os antigos gregos davam aos ephebos, "sem ensino especial de civismo, meios de cultura própria, apenas por um programa limitado, entre os sete e os dezoito anos, formando uma boa e bela forma de homem, com a sua inteligência, os seus sentimentos e o seus corpos treinados”. Não era aquele ensino da ephebia o mesmo ensino que hoje damos aos escoteiros? Mais ainda: o juramento do escoteiro no primeiro grau de iniciação, e os doze artigos do Código do escotismo são uma reprodução aproximada da afirmação, que os efebos espartanos e atenienses prestavam, quando, perante os magistrados, recebiam a lança e o escudo: "Nunca aviltarei estas armas, nem abandonarei o meu companheiro na fileira; combaterei pela defesa dos templos e da propriedade; respeitarei as leis; e transmitirei a minha terra própria, não só menor, porem maior e melhor do que me foi transmitida".

                     Mas o juramento e o código do escoteiro tem mais larga e mais bela significação do que a formula dor efebos. A moral e o governo de Esparta e de Atenas estreiteza e secura de egoísmo. Se quiserdes dar ascendência legitima, e foros e brasões de altas nobrezas a moderna criação do escotismo, deveremos radica-lo na tradição medieval da Cavalaria Andante. O grande ímpeto de desapego, de liberdade, de coragem e de altruísmo, que dispersou os cavaleiros andantes pelo mundo, foi o mais belo serviço da idade média. Os abusos da cavalaria não a mataram. Os exageros de uma virtude matam-se a si mesmos; e deixam viva e inalterável a força da alma que foi exagerada. Também, sobre o curso dos rios nas cidades despejam todos os dejetos da sua vida; a água, turvada e infamada, aceita com resignação a afronta; mas, em breve, libertada do contato dos centros populosos, na sua incessante agitação, torvelinhando sobre o leito de pedra e musgos, expurgando-se com o banho do ar livre, abluindo-se em si mesma, é daí a mesma linfa imaculada, reproduzindo a clareza e a virgindade da nascente. 

                   Assim, o sentimento de honra, que inspirava os paladinos. Que era aquela instituição? Uma exaltação da alma, que impelia para a gloria, para a justiça e para o desinteresse: os heróis errante eram bravos e pródigos, destemidos e puros: respeitavam e protegiam os fracos, defendiam as viúvas e os órfãos, subjugavam a tirania insolente, veneravam a mulheres e davam ao amor um culto religioso... Morreram os abusos, mas a essência sublime ficou... Enquanto houver brio e bondade no mundo, sempre haverá cavaleiros andantes. No escotismo - e é esta a sua maior e mais verdadeira beleza - a exaltação reveste-se de um distintivo prático, sem perder a sua poesia sublime. Na Cavalaria, às vezes, a idéia de honra era vaga: a da generosidade, indecisa; a da abnegação, indeterminada; às vezes, era o sacrifício perdido, a bravura sem proveito, a dedicação inútil. No escotismo, a idéia da honra define-se: é a honra do indivíduo, a honra do cidadão; o desinteresse e a magnanimidade não são apenas gestos formosos; são ações justas e úteis - justas para a perfeição humana, e úteis para a grandeza da Pátria.

                       Tal é, em suas linhas fundamentais, a criação do escotismo. A vos, meus companheiros de trabalho literário, cumpre a tarefa da propaganda, da organização e da direção em Minas, da nova heroicultura, linha de Baden Powell.

sábado, 7 de setembro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Sete de Setembro “Independência ou morte”!




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Sete de Setembro “Independência ou morte”!

Nota - Em sete de setembro de 1822, foi proclamada, oficialmente, a independência do Brasil, em São Paulo. Quando regressou ao Rio de Janeiro, Dom Pedro foi aclamado imperador e coroado com o título de Dom Pedro I, em dezembro de 1822. Data cívica comemorada pelos escoteiros em todo o Brasil.

                    - Qual jovem não sonhou um dia em desfilar na avenida, uniformizado, marchando garboso, seguindo uma bela banda dos escoteiros, o povo aplaudindo, os pais gritando: - Ali está! É meu filho! Isto arrepia qualquer um que teve a oportunidade de estar em um belo desfile. É nesta hora que dizemos: Orgulho de ser escoteiro. Desfilei muito nos sete de setembro em minha vida escoteira. Os preparativos, o desfile, depois a comemoração na sede onde se hasteava a bandeira e os comes e bebes trazido pelos pais. Sempre foi um dia de festa de alegria de mostrar ao povo que os escoteiros existiam e estavam ali presentes e sempre alerta para o orgulho do Brasil.

                      Nesta hora sei que a maioria já está voltando do desfile e em muitas cidades do Brasil eles se abrilhantaram para mostrar seu amor à pátria. Orgulho de todo menino, a gente sente no corpo um tremor em saber que tantos olhos nos veem como um soldado mirim do Brasil. Não importa aqueles que não nos consideram soldados. Não importa. Nossas raízes para defender a pátria nunca serão esquecidas. Na minha cidade o povo corria em peso para ver os desfilantes. O Tiro de Guerra, o Batalhão da Policia Militar, Grupos Escolares, Colégios e claro os Escoteiros. Palmas e palmas. No palanque o Chefe do Grupo orgulhoso seu chapelão de abas largas e com suas estrelas de atividade brilhando. Quando saiamos da rua transversal, sempre na Frente o Pavilhão Nacional em seguida a banda, depois os lobos, os Escoteiros, os seniores e pais cada um se empertigava para mostrar seu orgulho em estar ali.

                     O trecho do desfile não era mais que oitocentos metros. A apoteose era em frente ao Palanque das autoridades onde sempre fazíamos evoluções, malabarismo e nosso. Com a carroceria aberta estava lá à barraca armada, uma mesa e um fogão suspenso que na hora exata quando passava pelo palanque o café está sendo coado. (fogão de barro a lenha é claro) Já tinha um Escoteiro preparado com uma bandeja, xicaras e ia servir o café para o Prefeito, O doutor Juiz, O padre, o delegado e o comandante militar e o Capitão do Exercito. Nosso desfile não parava por aí. Algumas ruas antes de voltar para a sede e o povo na porta na janela aplaudindo. Era rotina passar por várias ruas na volta para a sede. As famílias saiam de suas casas e vinham aplaudir. Ao chegar à sede mesas cheias de salgados e você podia escolher: – Coxinha de galinha e bolinhos de carne da Dona Esmeralda, empadinhas da dona Armênia, croquete, bolinhos de bacalhau da Mamãe, pastel de carne, de queijo, pasteis de mandioca, todos esplendidamente feitos por dona Nenê e suas amigas mães de escoteiros. Não faltava o suco de uva, de limão de groselha, de laranja todos naturais para sua escolha pessoal.  

                              E a gente saia da sede com os olhos brilhando e sonhando. Sonhando com um novo Sete de Setembro. Quanto tempo, quantos Sete de Setembro eu vivi. E fico triste em saber que em algumas capitais não se marcha mais. A maioria anda em passo comum alguns conversando e lá vão desordenados pela avenida sem saber aonde vão. Porque esta mania de achar que marchar não é escoteiro? Ainda bem que são poucos. Muitos Grupos ainda tem no sangue a marcha infante de um escoteiro orgulhoso do seu País.

                              - Três âncoras deixou Deus ao homem: O amor à Pátria, o amor à liberdade, o amor à verdade. Cara nos é a Pátria, a liberdade, mais cara; mas a verdade, mais cara de tudo. Damos a vida pela Pátria. Deixamos a Pátria pela liberdade. Mas à Pátria e à liberdade renunciamos pela verdade. Porque este é o mais santo de todos os amores. Os outros são da terra e do tempo. Este vem do céu e vai à eternidade... Rui Barbosa.

PARABÉNS AOS LOBOS AS LOBINHAS, ESCOTEIROS E ESCOTEIRAS, SENIORES GUIAS E PIONEIROS QUE ORGULHOSAMENTE DESFILARAM NESTE DIA IMPORTANTE PARA A HISTÓRIA DO BRASIL. VIVA O SETE DE SETEMBRO, A INDEPENDÊNCIA DO NOSSO BRASIL!

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Saudação Escoteira.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Saudação Escoteira.

Nota – Há tempos publiquei este artigo e até hoje é lido, copiado e curtido por muitos dos meus amigos que me dão a honra de ler meus contos, Conversa ao Pé do fogo e Crônicas. Estou postando novamente atendendo a pedidos. Uma ótima tarde e que o sol desponte, que o calor apareça... Estou precisando demais!

– Significado do Lema do Escoteiro. No livro Scouting for Boys, Baden-Powell explica o significado do lema: O lema escoteiro é "BE PREPARED" (esteja preparado), significando que você deve estar constantemente em um estado de atenção mental e corporal para cumprir o seu DEVER.  Esteja preparado mentalmente através de uma disciplina que lhe permita ser obediente a cada ordem, e também pensando de antemão nas situações e acidentes que podem ocorrer de forma, a saber, e desejar atuar de maneira correta no momento correto. Esteja preparado corporalmente, tornando-se forte, ativo e capaz de atuar de maneira correta no momento correto.

- Sem desmerecer o Melhor Possível do Lobinho e o Servir do Pioneiro, eu amo demais meu lema Sempre Alerta. Quando passei para a Tropa Escoteira já sabia de cor e salteado o que significava o lema Sempre Alerta. A tradução do Be Prepared inglês de Baden-Powell é perfeita. Estar alerta sempre é um pensamento que nos acompanha por toda a vida.

- Acho que meus irmãos de ideal de outras nações se sentem como eu. Fico pensando no Escoteiro Alemão dizendo Allzeit Bereit, ou no Armênio dizendo Misht Badrat. Tive a honra de apertar a mão de um Escoteiro Espanhol que me saudou dizendo Siempre Listo. Já vi um Escoteiro Francês dizendo Sois Prêt. E quantos neste sábado irão se reunir e gritar para uns e outros Sempre Alerta? O Inglês é claro na sua fleuma dirá: - Be Prepared, o Japonês Sonae-yo, o sueco Var Redo e o polonês Czuwaj.

- É supimpa chegar à Sede, como quem não quer nada e gritar: Sempre Alerta Patrulha, Sempre Alerta Tropa, e ficar atrás do portão esperando o Chefe entrar e dizer para ele primeiro; - Sempre Alerta Chefe! Bom demais. Um gostinho de orgulho em dizer que estamos mentalmente Alerta e obediente a cada ordem. Estamos preparados para situações que podem ocorrer para poder atuar no momento correto. Estamos Sempre Alerta corporalmente, nos tornando forte, ativo e capaz de estar prevenido em toda e qualquer ocasião.

- A você meu amigo escoteiro, meu amigo sênior, meu amigo Chefe com orgulho me sinto a sua frente lhe dando meu Sempre Alerta e lhe desejando uma ótima e feliz reunião neste sábado que prenuncia. E a você Lobo meu Melhor Possível afinal já fomos e ainda somos irmãos de sangue e o seremos para sempre!

Servir Pioneiro! Sempre Alerta Escoteiro! Melhor possível lobinho!
Uma estupenda reunião neste fim de semana para todos vocês!


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Li hoje no Google e achei interessante. Emoji. E quem vive sem eles?




Li hoje no Google e achei interessante.
Emoji. E quem vive sem eles?

Um espectro assombra nossos meios de comunicação: o emoji. Neste exato momento, é muito provável que alguém esteja digitando a imagem de um polegar em sinal de positivo para confirmar uma reunião ou enviando um fantasminha camarada para dar "um susto" em algum amigo. Apesar da popularidade, essas carinhas (e menininhas, e animaizinhos, e comidinhas) são polêmicas: os mais tradicionalistas veem o declínio da alfabetização refletido em seus olhinhos em formato de coração, enquanto os guardiões do decoro lamentam a disseminação de personagens e elementos cada vez mais explícitos. Dada a semelhança com os adesivos que costumam enfeitar os cadernos das meninas – sem contar sua adoção praticamente unânime como língua franca entre pré-adolescentes e adolescentes nos quatro cantos do mundo –, muitos questionam o uso de emojis por homens adultos. Linguista da Universidade de Columbia, John McWhorter diz que alguns barbados os evitam porque, como ele mesmo diz, "as mulheres usam mais"; entretanto, afirma também que a tendência pode mudar. – A mulher tende a usar uma linguagem mais expressiva e aberta, mas alguns hábitos femininos de linguagem conseguem conquistar o público masculino, que, aliás, se beneficiaria do uso mais frequente dos emojis – diz McWhorter, para quem o emoji é uma forma eloquente e humana de traduzir a palavra falada em texto, dando ao usuário, com seus símbolos engraçados, meios de ditar o tom da mensagem. – Deveria haver formas masculinas de usar os emojis. Embora o próprio McWhorter, de 49 anos, admita não usar os símbolos por causa da idade, não deixa de ser um admirador:

–Não sou conhecido como a pessoa mais progressista desse mundo, mas, de certa forma, não gosto deles. Prefiro um comentário, mas se quiser me mandar um Emoji aceito sem polemizar...

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Saudades do Antigo Escoteiro!




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Saudades do Antigo Escoteiro!

- Oi! Desculpe me intrometer neste bate papo delicioso de chefes escoteiros e Akelás que vivenciam tão belo escotismo dos novos tempos. Mas preciso defender o antigo e velho escoteiro que vocês estão estranhando nesta roda tão querida neste pequeno fogo de conselho. Ele é de outra época, outros momentos, outras conversas, outras maneiras de vivenciar o escotismo de seu passado que não existe mais... Pois só vive hoje de suas queridas lembranças. Ele estava acostumado a pular a fogueira, mostrando em gestos seus acampamentos, suas jornadas, suas aventuras pelas estradas queridas de sua terra. Eram preciosos momentos quando botavam o pé na estrada, a procura do desconhecido, das serras intermináveis, das barracas feitas de estrelas onde em volta do fogo à meninada sem seus chefes se divertiam a valer. Vejam que ele fica calado, prestando muita atenção, pois não está atualizado com a nova maneira de se expressar com palavras desconhecidas o estilo atual de rir de comentar principalmente quando falam de outros chefes do mesmo grupo de origem ou do distrito. Veja seu semblante, às vezes assusta em ouvir o que dizem daqueles que não estão presentes, pois ele não se sente bem em falar de alguém que não pode se defender e mostrar sua versão dos fatos citados.

- Ele está voltando ao escotismo agora uma seara difícil para entender estes tempos modernos que alardeiam ser um escotismo dos novos tempos. Não entendeu a sabatina e os formulários que teve de preencher quando resolveu procurar seu antigo grupo escoteiro pensando em voltar às origens. Ficou em dúvida se seria interessante voltar ao um escotismo que desconfiam de sua palavra e de sua honra. Vagamente ele recorda seus tempos de lobinho, suas excursões bivaques e acantonamentos. Ele sorri nas noites de lua cheia das histórias de Mowgly contada pelo Balu, das passagens no Waingunga da morte de Sheri Khan como brincava Raksha a contar com sua amiga Bagheera. Ele nunca esqueceu sua promessa, feito pela Akelá com a presença do Chefe do Grupo que hoje nem existe mais. Foi ele quem colocou o lenço e sorriu para dizendo que agora fazia parte da Grande Fraternidade Mundial dos Escoteiros. Ele não entende que hoje não é mais como ontem, as reuniões são diferentes, as canções também. Estranha a falta das danças da Jângal. Ele ainda cantarola superficialmente uma parte da estrofe da Dança da Morte de Shere-Khan... “Mowgli está caçando, Mowgli está caçando”... Matou o Shere-Kha... “Esfolou o come-gado, esfolou o come-gado, Ra-rá-rá”!

- Veja ele não entende porque chamam agora de Escoteiros do Brasil e não União dos Escoteiros do Brasil. Alguns tentam explicar, mas não leve a mal ele nasceu sobre a égide do antigamente e hoje tudo embolou na sua mente. Fica assustado quando contam histórias de suas tropas, do quadro negro na sede, das palestras intermináveis e só do Chefe a falar e cantar. Não entende as promessas em bloco, as atividades sociais, as atividades de limpeza de rios e córregos na cidade, dos desfiles sem marcha, do tempo gasto para hastear e arriar uma Bandeira Nacional. Fica estupefato ao ver o novo uniforme que chamam vestuário. Assusta, pois sempre usou o caqui de calças curtas e chapelão. Ele presta a maior atenção, pois quer aprender a nova filosofia as novas normas, e até mesmo o Estatutos que é bem diferente do que conheceu. Ele coitado, viveu em outra época, do de Sistema de Patrulha, do Aprender Fazendo, da liberdade de ir e vir, da responsabilidade, do horário que o Chefe dizia ser pontualidade inglesa. Para ele tudo era aventura, poucas atividades de sede, um Monitor amigo, um Sub Monitor sorridente e irmão escoteiro e os demais verdadeiros cavalheiros a moda do antigamente onde a palavra escoteira era ponto de honra.

Vejam seus olhinhos miúdos olhando e ouvindo como são os novos métodos, do uso do lenço sem estar devidamente uniformizado, da falta do chapéu escoteiro, do meião da camisa solta e do calçado de qualquer cor. Não pensem que ele está sorrindo por deboche, nada disso! Ele sorri porque vê que agora tudo que aprende pode ser uma nova maneira de fazer escotismo, mas acredite, ele fica pensando se o Fundador BP iria concordar com tudo isso. Ele sabe que o garbo e a boa ordem aliada à disciplina no seu tempo era questão de honra. Sorri ao se lembrar de sua marcha militar, a banda do Grupo Escoteiro bem afinada, a guarda da bandeira, o uso correto do bastão, da boa ação individual e com a Patrulha, do sorriso nos lábios ao passar em frente ao palanque das autoridades... Ele se assusta quando alguém escreve sobre o peso dos chefes mais gordos, dos magros, que dizem que estão assim e podem dar mau exemplo aos seus comandados... Ops! Aos seus meninos que consideram como filho e não como amigo e irmão mais velho.

- Peço desculpas por ele. Não é mais sua época. Ele sabe que dificilmente será ouvido há não ser pelas suas histórias que nos novos tempos não tem mais hora e nem lugar. Ele sabe que sua voz não será ouvida, pois seu tempo já se foi. Se olharem bem, verão nos seus olhos pequenas lágrimas por não entender o escotismo moderno que vocês tanto apregoam. Ele aceitou estar ali com vocês por um convite de um velho amigo que não compareceu. Se sente fora da turma. Nem mesmo abre a boca para dizer como foi, o que foi e o que fez. Sabe que não haveria interesse de ninguém. Por educação ouve sem nada dizer. Seu pensamento viaja no tempo, um tempo que já passou. Seu passado é forte demais para esquecer. Sabe que nunca esqueceu sua palavra, sua honra que dizem ter mudado, pois ela não vale mais que a própria vida. Até hoje ele sabe de cor e salteado os artigos da Lei Escoteira. Lembra quando seu Chefe o orientou a aprender com seu Monitor que sua promessa seria dita pessoalmente e não repetida. Nunca esqueceu quando seu Chefe disse para ele que aquele dia seria o mais importante de sua vida. Até hoje chora ao lembrar. 

Ele velhinho se sente um peixe fora d’água. Ele sabe que o tempo apaga o tempo, e ele não quer apagar, não esquece quando alguém lhe disse: - Chefe faça o seu escotismo como aprendeu, com alegria. O Escotismo Chefe é como pedra de moinho, sabendo jogar só terá alegria e não tristeza. E quando um dia deixar de acreditar, lembre-se da historia que BP contou a muitos anos da fábula do Pássaro Azul. “A história da menina chamada Myltyl de seu irmão Tyltyl que resolveram achar o Pássaro Azul da Felicidade”, e andaram por todo o país, procurando-o sem jamais encontrá-lo, até que no final descobriram que jamais houvera a necessidade de andar tanto, pois a felicidade, o Pássaro Azul, estava lá, onde resolveram fazer bem aos outros, em seu próprio lar. Se você meditar no profundo significado dessa lenda e aplicá-la, ela o ajudará a encontrar a felicidade, bem perto, ao seu alcance, tão perto que você irá sorrir sabendo que sempre estivera ali. Portanto meus amigos desculpem o Velho Escoteiro, ele não entende os novos tempos, a modernidade e o novo escotismo diferente do que disse um dia BP!

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Os donos do poder.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Os donos do poder.

Prólogo: - E o velho Chefe sorrindo completou: - Vocês não podem mudar certas circunstâncias ou situações, mas podem adaptar-se a elas sempre, escolhendo a forma do mal menor. Pode não ser o ideal, mas será o melhor. Aproveitem as oportunidades que lhes derem, mesmos que sejam aparentemente pequenas. As grandes árvores vêm de pequeninas sementes. Be Prepared!
                                                     
            Quem lê ou ouve alguém falar da Filosofia Escoteira, fica estupefato. É linda demais. Juventude unida por um só ideal. Voluntários que fazem de tudo para que esta estupenda ideia de um General Inglês possa dar frutos criando homens e mulheres dentro de um paradigma de amor ao próximo, lealdade, caráter honra e porque não uma ética escoteira em que todos possam viver fraternalmente. Muitos vieram dos velhos tempos outros dos novos tempos. Acredito que ambos conhecem a fraternidade, a cortesia e o respeito daqueles que se prontificaram a colaborar sem soldo, muitas vezes sem um muito obrigado. Brinco educadamente que o escotismo não tem dono, não pode ter. Ele é universal e o Fundador dizia que seus frutos seriam para manter a paz entre os homens para um mundo melhor.

             Mas eis que apareceram normas, regulamentos, regimentos, leis, roteiros de ação, estatutos, código de conduta e tantas outras para dizer o que cada um pode ou não pode fazer. Não existe mais o salomônico Chefe para mostrar o caminho e sorrindo dizer: - Vamos juntos fazer. Antes um escotismo alegre, solto, livre como o vento a correr pelos montes, pelas trilhas desconhecidas procurando um lugar para acampar. Hoje? Tudo mudou. Primeiro as normas, pedido escrito se pode ou não fazer. E claro ter a autorização do Chefe do Poder. Se isto fosse feito de uma maneira fraterna, educada, sem o cunho de imposição poderia ainda haver aquele sonho dos meninos correndo pelas matas das cidades sem um adulto ao seu lado para dizer aonde ir. Mas não, sem perceber apareceram os “donos do poder”. E então o escotismo mudou. Alguns chegaram com um sorriso outros arrogantes, ríspidos a dizerem o que é certo e errado, mostrando o artigo, a norma e a lei escrita por eles mesmos pensando que assim seria o certo para dizer onde pisar e escoteirar.

              Não critico normas, leis e o escambal. E por favor, não me venham dizer que os tempos são outros. Afinal os adultos de hoje são poucos os que sentam, se calam e ouvem o que o jovem tem a dizer. Não deram para ele o direito de escolha, daquele escotismo solto, sem amarras, do garbo, das aventuras e da vida ao ar livre. Não discuto normas, nos dias de hoje elas tem de existir. Se o aprender fazendo foi uma descoberta hoje é o Chefe fazendo e falando o que deve ser. A liberdade da responsabilidade já não é mais a mesma. O confiar na palavra escoteira deixou de existir. Agora se agarra a norma tal que um bando de lideres acreditou que seria o melhor para todos. Onde foi parar a mística? Aquele sorriso ao correr pelos campos para descobrir o imponderável? Onde foi parar o sonho da descoberta, a mangueira alta sombreada a beira de uma cascata de águas cristalinas para que se possa sorver seu néctar e a sede matar? Tudo agora é norma, é lei, ande reto e não pare a não ser quando eu mandar. Olhe você só vai se cumpriu seu dever se pagou a soma que lhe quiseram cobrar. E dizem que ele o General se vivo fosse faria assim também.

               Mas ainda vejo sorrisos, sonhos, vontade de acertar e caminhar como Caio Martins sempre caminhou. “Com as próprias pernas”. São meninos, meninas que se formam como um punhado de sonhadores a fazer um escotismo que acreditam poder realizar. Ainda temos chefes que fecham os olhos para os adoradores do poder e se metem a sair por aí com um bornal, cheios de fantasia, imaginação a procura de um escotismo encantado. Não foi assim que ensinou o General? Entristece-me a discussão de normas, regulamentos e o escambal. – Chefe, esta difícil... Não dá para continuar... Não dá? Se todos que são achincalhados e humilhados na sua sina escoteira pensar assim, quando iremos vencer esta batalha para dar aos jovens pelo menos uma parte deles que ainda acreditam na graça, no encanto na grandiosidade de um escotismo que julgam perfeito para fazer? Belo é o escotismo de quem acredita de quem luta e não desiste quando na curva encontram espinhos sem olhar direito e ver rosas formosas mostrando o caminho da felicidade.

             Sei que os donos do poder dificilmente vão mudar. Nos últimos anos fizeram uma “lavagem cerebral” não dando opções de escolha. Fazem tudo para continuar no poder. Aqueles que podem opinar fingem que concordam.  Estes pseudos lideres não tem histórias e querem fazer histórias. Qual delas? A do escotismo puro, com cheiro de mato, com trilhas pisadas sem saber aonde vai dar? Pode ser que um dia chegarão lá, mas isto só irá acontecer se ombrear ideias, valores éticos sem dissabores que muitos querem criar. Como estou na flor da idade e não estou preso a nenhuma associação não ligo para as normas criadas com a finalidade da perpetuação no poder. Eu não preciso delas, nunca precisei. Às vezes lembro-me daquela história da mitologia chinesa dos três macacos. Kikazaru o surdo; Iwazaru o mudo e Mizaru o cego. Eles aparecem nos templos nos desenhos um tapando os ouvidos, outros tapando os olhos e o outro a boca. Estou velho demais para ficar cego surdo e mudo. Com a palavra os novos chefes que estão chegando.