Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 5 de novembro de 2016

HOJE TEM REUNIÃO, ALEGRIA DE MONTÃO.


HOJE TEM REUNIÃO, ALEGRIA DE MONTÃO.

Chefe levanta da cama, é hora de aprender e ensinar.
Pois hoje tem reunião, sua vez de escoteirar!
Chame seu filho maneiro, pois ele é bom Escoteiro.
E não esqueça Maninha, pois ela também é Lobinha.

Se tiver sol ou depois vento, põe-te em guarda e toma tento,
Mas se tem vento e depois água, deixe andar que não faz mágoa!
Afinal se vermelho o sol se por, é delicia do pastor,
E claro, orvalho de madrugada, faz cantar a passarada!

Vista sua vestimenta ou uniforme é hora de ficar nos conformes.
Mostre que você tem honra, não seja mais um pamonha!
Agora parta ligeiro, vá pru Grupo de Escoteiros.
Se aprume, não seja um fardo, mostre a todos que você tem garbo.

Leve consigo um sorriso, ele é o nosso oitavo artigo,
E quando lá chegar, não se esqueça de abraçar.
E na hora da Bandeira, uma saudação de primeira,
Diga depois ao amigo, hoje? Dever cumprido!

Feliz aquele que vai infeliz aquele que fica,
Venha conosco acampar, aceite minha boa dica.
Deixe bater seu coração, pois hoje tem reunião.
E no céu cor de anil, aplausos aos escoteiros do Brasil! 



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Programas de reuniões de Tropa.


Conversa ao pé do fogo.
Programas de reuniões de Tropa.

                        Vez ou outra chefes me mandam e-mail perguntando sobre Programas de Reuniões. Quando comento o que eu acho alguns dizem sim, tudo bem e mudam de assunto. Acredito que fazem de uma maneira e esperavam que eu confirmasse o que fazem o que não aconteceu. Um bom programa de reunião vem de diversas situações que a tropa a patrulha e os monitores participam ativamente e foi dado a eles oportunidade para comentar e sugerir. No entanto muitos acham que devia haver um manual com programas para o ano todo. Deveria mesmo? Já vi diversos formadores emitirem suas opiniões e muitas delas muito válidas. Afirmo, no entanto que cada Tropa tem um espirito Escoteiro diferente. Afirmo que sem a colaboração da Tropa e principalmente dos monitores muitos programas deixam de ter a importância que deviam ter para adestrar e manter o jovem na Tropa.

              Não tenho o dom natural em dizer que o programa que fiz deu resultados satisfatórios e que ele é melhor do que os outros. Consegui manter uma Tropa com 28 escoteiros e quase todos atingiram dois ou três anos de atividade. Sei que muitas outras tropas conseguiram diferente do que fiz. Discutir em conselho de chefes é o melhor caminho. Abaixo alguns exemplos de que a maioria dos escotistas da tropa hoje em dia faz para montar seus programas:

- Na semana ou no mês, com auxilio de assistentes ou em casa de um deles, prepararam o programa, item por item, costumam fazer programas para um trimestre ou mais. Não sei como eles sabem do sucesso do programa e se isto é feito com os jovens em patrulha ou toda a Tropa. Também não sei como sabem do crescimento dos jovens para cobrar dos monitores o que a patrulha tem feito em cada reunião. Nestes programas alguns são sucintos determinando as funções, jogos, palestras e se elas tem tempo livre para comentarem entre si se estão gostando ou não. Têm também aqueles que fazem o programa em sua casa e mandam via e-mail aos seus assistentes determinado a responsabilidade de cada um.  Outros no dia da reunião quase na hora de ir para o Grupo, ele corre para rabiscar um programa, somente para ter em mãos um lembrete e não esquecer o desenrolar da reunião, pois o contrário ele iria se perder e não seria nada bom;

- Existem muitos que nem programa fazem. Estes acreditam um bom Escotista não precisa de programas. Ele é daqueles que vestem o uniforme na sede, chegam correndo respirando o ar como se tivessem trabalhado duro até esse momento. Aprendeu a improvisar sem ver se está dando certo, se os jovens gostam e se voltam na reunião seguinte. Tem aqueles que preferem deixar a escoteirada se divertir com um “racha” de bola, ou jogos já batidos, mas que fazem sucesso sempre que colocados em ação. Se no sábado seguinte alguns faltam ele muitas sempre se entristece ou então ameaça uma expulsão. Claro são minorias. A grande maioria realiza bons programas dentro do que foi proposto no sistema de patrulhas.

                  Para que possamos saber se o programa vai agradar não podemos esquecer que somos coadjuvantes. Se a tropa vive e aplica o sistema de patrulha não tem erro. Nas reuniões de tropa é importante o tempo livre para que as patrulhas conversem se adestrem e troquem ideias para a reunião seguinte. É importantíssimo deixar a patrulha conversar. Chefe não interrompe enquanto o tempo livre existir. Corrigir se preciso é com o monitor educadamente dando explicações e ouvir quais os itens que gostariam de ter nos programas de tropa. Algumas tropas costumam ter reuniões de patrulha na semana, em casa de um deles ou se possivel na sede. Vejamos como poderia se fazer um bom programa:

- Conselho de Patrulha - Reunião programada pelo monitor, semanalmente, antes ou depois da reunião, onde se discutirá além de outros assuntos, as sugestões de programas para a chefia, visando o adestramento progressivo, jogos e sugerindo outras atividades que porventura podem dar mais conhecimentos a patrulha.

Corte de Honra - Realizada uma vez por mês, sob a supervisão de um dos monitores eleito para presidente (vide informações sobre Corte de Honra a parte) e dentre diversos assuntos apresentados às sugestões dos programas de reuniões sempre faz parte. Cada monitor apresenta seu relatório devidamente anotado pelo escriba da patrulha. Nestes casos o Chefe de posse do relatório da patrulha se reunirá com seus assistentes e acatando a maioria das sugestões irão preparar os programas do mês. Isto deve ser levada a sério. Se verificarem que as suas sugestões não foram posta em práticas muitas vezes ele desistem e não dão mais ideias seja em patrulha ou Corte de honra. Cabe a chefia, tornar possível a realização do programa, ver necessidades de jogos, distribuir horários, e caso aparecer algum item discordante não deixar de comentar com a patrulha que sugeriu.

                  Sei que feito pela primeira gera dúvidas, muitos não saberão o que fazer e falhas vão acontecer. É bom lembrar que eles nunca fizeram e precisam aprender a pescar. Tomemos como exemplo que estes jovens em suas turmas no bairro e sem a supervisão de adultos têm seus próprios programas e nunca reclamam. Ouvir o que eles tem a dizer é primordial. Li não sei onde que a aplicação destes programas mostrou que as tropas que fazem seu próprio programa e em alguns casos atividades ao ar livre sem a supervisão de adultos, mantém em suas fileiras por mais tempo seus membros com pouca evasão e com resultados surpreendentes. Muitos deles costuma voltar já adulto para colaborar com o grupo, claro eles sabem que receberam o melhor do escotismo.

                 Costumo afirmar que o escotismo é para os jovens. Os adultos são meros colaboradores e responsáveis pelo desenvolvimento. Não cabe a eles fazer e nem tomarem a frente de tudo. Conheço tropas que em muitos casos os monitores são partes importantes nos programas não só na sua confecção como atuantes nos jogos e outros. A Patrulha de monitores é a fonte do sucesso.

Em breve a continuação destas sugestões aos meus amigos chefes de Tropa.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!


Lendas Escoteiras.
Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!

               A vista era maravilhosa, debaixo daquele enorme castanheiro em um banco simples de madeira feito por ele mesmo estava sentado Lord Baden-Powell. Gostava de todas as tardes ficar ali, olhando seu planeta azul que se destacava no infinito entre milhares de estrelas brilhantes. Suas lembranças ainda estavam vivas. Morava em uma Colônia que tão singelamente batizaram de “Fraternidade”. Era uso fruto dos Escoteiros que um dia partiram para as estrelas. Lord Baden-Powell fazia questão de receber todos com um sorriso com um aperto de mão um abraço forte dos que chegavam da terra. Sorrindo dizia que armassem a barraca no campo mais verde, nas campinas mais florida onde o jorro de uma nascente ou cascata acontecia, e árvores frutíferas que proliferavam. Absorto em seus pensamentos Lord Baden-Powell não viu chegar seu amigo Kenneth Maclaren. Amigos de longa data desde a Guerra do Transvaal e do primeiro acampamento em Brownsea. Eram grandes amigos e sempre se reuniam ali.

                Recebi seu recado General – Disse Kenneth. Lord Baden-Powell sorriu. Sabia que ele teve muitas propostas de outras colônias no céu, mas recusou todas. Era um amigo de verdade. – Sabe Kenneth, preciso de um favor seu – As suas ordens meu General! – Baden-Powell riu e prosseguiu. Tem vários anos que não vou a terra e não sei como vai o escotismo por lá. Você sabe que breve irei para uma colônia de mais luz e nem sei se posso ajudar os Escoteiros terrenos. Se você tiver condições tire uma semana e faça um périplo na terra observando. Tente ver como está o método o aprender fazendo e se o sistema de patrulha está perfeito. Veja também se eles mantem muitas das tradições que deixamos. – Seu pedido é uma ordem general. Irei nesta semana mesmo. Kenneth se despediu não sem antes deixar lembranças a Lady Olave St. Clari Soames, a esposa de BP. Logo que ele partiu Lord Baden-Powell avistou uma tropa de chefes em curso comandada por seu outro grande amigo Chefe John Thurman. Ele sabia que John um antigo diretor de Gilwell Park era mestre em cursos deste tipo. Mesmo com alguns problemas sua colônia tinha muita gente boa.  

                   Na semana seguinte seu amigo Kenneth o procurou. – Já de volta? Disse BP. Já General. E olhe não trago boas notícias. BP não disse nada. Amigo vamos conversar em nosso ponto de reunião. Você sabe que eu amo sentar embaixo daquele castanheiro. – Eu sei General o senhor fez questão de fazer uma réplica de um que existia em Mafeking. Lembro que o senhor adorava ficar lá sentado pensando sobre a guerra. Pois é, mas me conte. - Para dizer a verdade General não tenho muito para contar. Desde a última vez que estive na terra que o escotismo não é mais o mesmo. Estão fazendo grandes modificações. Existe uma liberdade tal que mais parece uma indisciplina assistida. Países que se dizem modernos abrem mão em varias questões que em sua época não iriam acontecer. Uma liderança mundial chamada de WOSM ou OMME tem aprontado poucas e boas.

                  BP. Já sabia deste pormenor. Não havia como mudar. – B-P balançou a cabeça convidando-o a continuar. Olhe General rodei vários países, mas demorei mais no Brasil. Sei que o senhor nunca esteve lá e fez muito bem. Eu até que gostei de muitos chefes que estão atuando, são voluntários de valor e tentam ao seu modo educar a mocidade. Pena que lutam só. As autoridades brasileiras desconhecem o movimento. Dizem que eles só sabem vender biscoitos e ajudam a atravessar idosos nos sinais de trânsito. Muitas cidades aproveitam deles para plantar árvores, limpar praças, ajudar nas calamidades e carregar viveres para os necessitados. Eu sei que a ajuda ao próximo é bem vinda. Mas acampamentos? Técnicas Escoteiras? Quase nada. Eles dão enorme valor aos encontros nacionais e internacionais.

              – Me diga falou BP sabe se o escoteirinho de Brejo Seco conseguiu ir em um Jamboree? Nem pensar General. A taxa que cobram é só para ricos. Me contaram-me que os lideres gostam de cobrar. Afinal eles tem agora uma organização que dizem ser perfeita. Adoram taxar tudo que fazem e até cobram também do que os outros fazem. Tem uma loja que só eles podem vender seus produtos e os preços são acessíveis. Os mais pobres e humildes não tem vez. A palavra de ordem é: - Escotismo é para ricos! - BP pensou: - Coitado do escoteirinho de Brejo Seco. – Olhe General, a direção escoteira brasileira se apropriou de muitos termos e programas que o senhor fez. Registrou tudo como se fossem os donos. Surgiram outras associações e são tratadas a ferro e fogo. Todas levadas às raias dos tribunais de justiça. Esqueceram do sexto artigo e estão esquecendo da fraternidade. Do nosso uniforme que usamos lá na terra muito foi alterado.

                 Fazem questão de praticar um escotismo moderno, estão tentando apagar o passado, as tradições e só se preocupam com o presente. Os novos a gente sabe, passa a ser um hábito de comportamento e formação. Criaram novo uniforme e quer saber general? São mais de dezoito tipos a escolher. Disseram que um antigo poderia ser usado mas não vendem as peças em sua loja. Quer saber general? É comum colocar o lenço amarrado nas pontas e se dizer Escoteiro. Tem muita coisa general. Muita mesmo. Eles agem sem consultar ninguém. Não há transparência do que fazem. Pesquisas? Nunca existiram. Felizmente boa parte dos chefes são pais novos e desconhecem as tradições.

                  Lord Baden-Powell olhou para o seu planeta azul. Rezou muito. Pediu ao senhor que suas idéias não fossem desvirtuadas, que o amor e a fraternidade através do escotismo seja em forma de uma grande fraternidade mundial. Lady Olave chegava com John Thurman. Este sorriu e disse – Eu já sabia General. Em 1954 antes de vir para cá, deixei para eles uma mensagem onde escrevi com todos os meus conhecimentos adquiridos. O chamei de os Sete Perigos. Disse tudo que poderia acontecer. Falei sobre administração, sobre centralização, Seriedade demasiada, falei sobre exclusividade transparência e austeridade. Disse o que o senhor pensava sobre o escotismo entre os pobres. Falei da sua simplicidade e do prazer do rapazes que faziam um escotismo simples. E terminei dizendo que os únicos capazes de por o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Finalizei dizendo que se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.


                 Lord Baden-Powell perguntou ao seu amigo Kenneth: Sabe me dizer se o Vado Escoteiro já chegou? – Não General, ele ainda vai ficar na terra por mais alguns anos. Ele anda meio “pitimbado” mas escreve sobre escotismo e muitos não gostam do que diz. Os chefões e dirigentes nem dão bola ao que ele comenta. BP não disse mais nada. Era hora do grande cerimonial de Bandeira que todas as tardes acontecia em sua colônia. Pelo menos ali a disciplina, a fraternidade e o respeito era comemorado em todos os dias da semana. – Parou cumprimentou a todos na enorme ferradura e ao comando de arriar a bandeira fez sua saudação Escoteira com orgulho.  Ele sabia que nunca deu procuração a ninguém para falar em seu nome. Afinal o escotismo não tinha dono, ele era dos que quisessem seguir sua cartilha. Olhou de novo o planeta azul ajoelhou e pediu ao Senhor que fizesse da Terra um mundo feliz para todos os Escoteiros! 

sábado, 29 de outubro de 2016

Hoje tem reunião, alegria de montão.


Hoje tem reunião, alegria de montão.

Hoje tem reunião e tem piadas Escoteiras para você contar e rir com seus amigos:

Primeira: Chefe Laércio foi visitar a família do Lobinho Nonato. Ficou impressionado em vê-lo tão sossegado e quieto. Diferente quando na Alcatéia e na matilha. – Nonato, ele perguntou: - Você em casa é sempre assim? – Claro que não Chefe, é que a mamãe me da dez pratas toda vez que eu ficar quieto quando recebemos visitas e lá na sede vocês não me dão nada!

Segunda: De manhã, a mãe foi bater na porta do quarto do filho: - Filho acorda! – Ele respondeu ainda deitado na cama. - Hoje não vou à reunião dos escoteiros! E não vou por três motivos: estou morto de sono, detesto aquele Grupo e não aguento mais os chefes! E para encerrar mãe, nem uma medalha ainda me deram! - Mas você tem que ir, filho! E por três motivos: você tem um dever a cumprir, já tem 45 anos e é o Diretor Técnico!

Terceira: Alguns minutos depois da Akelá Marilda gritar lobo, lobo, lobo ela tropeça e leva o maior tombo. Afobada levanta-se rapidamente, ajeita a saia que foi até a cabeça e com um sorriso sem graça brinca: - Lobos, vocês viram a minha ligeireza? Paulinho um Lobinho gozador brinca: vimos sim Akelá. Só que a gente conhecia por outro nome!

Quarta: Lourenço um lobinho sapeca chega correndo em casa e diz pra sua mãe: — Mãe, eu joguei uma bomba na mesa do Diretor Técnico do Grupo. - A mãe gritou com ele... — Você está louco? Volta e pede desculpa para o seu Diretor Técnico.  — Mas mãe, que Diretor Técnico? Ele sumiu!


E chega por hoje, vamos lobear, vamos escoteirar, será que se pode dizer seniorar e Pioneirar? Sei lá, mas a todos desejo uma feliz e uma supimpa reunião! 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Anotações de Lord Baden-Powell.


Anotações de Lord Baden-Powell.

A EDUCAÇÃO.
Uma das mais importantes possibilidades que se encontram diante de nós é a Educação. Temos, por outros caminhos, chegado às mesmas conclusões que chegaram autoridades educacionais com suas experiências. Resumidamente, o segredo da educação eficiente é QUE CADA ALUNO APRENDA POR ELE MESMO, EM VEZ DE UM INSTRUTOR CONDUZINDO-O AO CONHECIMENTO ATRAVÉS DE UM SISTEMA ESTEREOTIPADO.

O método consiste em levar o jovem a perseguir o OBJETIVO de seu treinamento, e não entediá-lo com os passos preliminares de início. As autoridades educacionais já nos reconhecem como cooperadores na mesma esfera de ação, o objetivo de ambos é produzir cidadãos saudáveis e prósperos. Elas se ocupam do desenvolvimento intelectual, nós caminhamos um pouco mais para o desenvolvimento do “caráter” que, afinal de contas, é o atributo mais importante para prevenir as doenças sociais da inatividade e do egoísmo, e dá melhores oportunidades de uma carreira de sucesso em qualquer direção da vida.

Estamos desenvolvendo esforços para ajudar as autoridades educacionais em todos os aspectos que podemos. Elas estão trabalhando inteiramente de acordo conosco em vários centros importantes.

JOGO
O jogo é o primeiro grande educador - isto é tão verdade para os animais como para os homens. Ensinamos aos Lobinhos, nos jogos, pequenas coisas que os tornarão capazes, a seu tempo, de fazer outras maiores a sério. Para o rapaz, o jogo é a coisa mais importante da vida. Um dos objetivos do Escotismo é proporcionar jogos e atividades de patrulha que possam favorecer a saúde e a robustez do rapaz e ajudem a desenvolver o seu caráter.

O futebol, o basebol, o basquetebol, as gincanas, a natação e os jogos escoteiros são, a meu ver, a melhor forma de educação física, porque a maioria deles contribui também para a educação moral, e a maior parte deles nada custa nem exige campos bem tratados, aparelhagem, etc.

É importante organizar, tanto quanto possível, os jogos e competições de tal modo que todos os Escoteiros participem, visto que não pretendemos ter apenas um ou dois jogadores brilhantes entre uma massa de inaptos. Todos devem exercitar-se e todos devem ser razoáveis jogadores.

Baden-Powell Janeiro de 1912.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A Faca do Escoteiro.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
A Faca do Escoteiro.

                  Outro dia alguns amigos comentaram sobre o uso da faca escoteira. Não sei se existe ainda a prova exigida para seu uso. Antigamente se usava do lado direito preso ao cinto. Eu usei muito. Orgulhava da minha, uma brasileirinha da mundial. Era um orgulho em estar com uma e me sentia bem, pois achava que completava a indumentária. Na Tropa ninguém usava sem ser segunda classe e ter passado nas provas exigidas. Sabíamos que era para uso em atividades mateiras, cortes simples de cordas, quem sabe descascar uma laranja, mas neste caso melhor o canivete Escoteiro.

                   Quando fui Chefe de Tropa e  depois Chefe Sênior era exigente quanto a isso. Sempre fui a favor do uso desde que o jovem esteja preparado se esforçou para ter este direito. Porque não usar? Existe por parte de muitos a ilusão de que é uma arma. Pode influenciar no futuro. O público não vê com bons olhos. Será? Durante anos e anos eu usei, autorizei jovens a usarem nos acampamentos, ah! Nos acampamentos. Eles andavam aqui e ali soberbos com suas facas mateiras. E olhem, nunca soube de nenhum deles até hoje, já homens feitos com a ilusão de andar armado. E o público? Muitos deste “público” me perguntam onde andam os escoteiros e sua faquinha?

                É gostoso no campo portar uma faca. Dá-nos uma sensação de segurança. Eu tinha uma mundial simples. Já vi relatos de cada uma de tirar o sono. Dizem que são lindas. Nunca vi principalmente as importadas, mas quem era eu para ter uma delas? A minha eu tratava-a com carinho. A capa de couro, ou melhor, a bainha sempre engraxada, por dentro talco de bebê para proteger a lamina e não deixar enferrujar. Usou? Primeiro limpar antes de colocar na capa. Sabíamos que faca não é para cortar madeira quiçá poderiam servir para cortar uns gravetos para o fogo. Saber entregar e carregar assim como o machado simples ou do lenhador, ou mesmo o facão mateiro era uma arte. E cerimonia de entregar a ferramenta a outro Escoteiro era um espetáculo a parte para ser visto. Saber afiar era outra. Quando jovem tivemos um campeonato de lançamento de facas. Tínhamos facas especiais para isto. As nossas não. Não foram feitas para impacto.

              Disseram-me que para fabricar uma boa faca consiste em modelar a lâmina, através do processo de forja ou de desbaste, aplicar um tratamento químico conhecido como têmpera que confere a dureza ao fio da lâmina. Costumava proteger o cabo com um protetor plástico que esticava quando colocado e depois se firmava. Lembro-me do meu Chefe e eu mesmo dizendo aos escoteiros e seniores sobre a faca. Explicava sobre a lâmina, sobre o cabo ou empunhadura, a ponta ou ponteira, o fio ou gume, o desbaste, onde era o dorso, o ricasso, a guarda, o pomo e o cordão. Para ser sincero eu mesmo não dava muita importância às estas nomenclaturas. Para mim o mais importante sempre foi o saber conservar, limpar, usar e manusear. Feito isto que os escoteiros usassem suas facas. Acho e poderia dizer com certeza que sempre foi e pode ser uma forma de motivar os jovens na senda Escoteira. E tenho certeza qualquer um sonham em poder ter uma faca e coloca-la na cintura.

                  Até mesmo nas reuniões de sede, nas atividades ao ar livre e principalmente nos acampamentos aprovo o uso desde é claro que o portador esteja bem ciente e preparado. Se ele é um bom Escoteiro, se foi adestrado suficientemente tenho certeza que ele sentirá orgulho no uso da faca. Irá olhar para os outros e dizer – Façam como eu. E um dia também usarão a sua. Mas olhe, respeito os chefes que são contra. Não vou dizer a eles que nunca usaram e, portanto não sabem a importância de uma faca presa no cinto do lado direito de um Escoteiro ou Escoteira, bem uniformizado (a). A faca e o cabo de dois a cinco metros não pode faltar no uniforme. Bem enrolado a moda Escoteira. O que? Isto é passado? Amado passado! Porque não voltas novamente? – Ainda lembro na sede ou no campo das inspeções rotineiras – Escoteiro? Sim Chefe! – Me mostre sua faca! – Eu a pegava pelo cabo, entregava conforme padrões de segurança e deixava o Chefe ver o talco protetor, pegava com carinho no dorso e dava para ele o cabo. Ensinou-me assim. Segurança! E ali ficava a sorrir de orgulho!


                  Minha faca Escoteira está guardada até hoje. Não a uso mais a não ser se for a um acampamento ou uma excursão. Acampamento eu? Claro meu amigo, em sonhos! Mas gostaria de ver os escoteiros e as escoteiras como outrora. Respeitosos! Disciplinados! Vigilantes! Sempre Alertas! Boas ações feitas! Sorriso no rosto! Uniforme impecável! Treinados e prontos a demonstrarem suas aptidões e suas faquinhas do lado. Sei que existem muitos por aí neste mundo de Deus que ainda usam. Mas as facas, humm! As facas estão sumindo. E atrás delas muitos jovens cujos sonhos de serem heróis se perderam na modernidade. Minha faca Escoteira. Hoje não sei se é um acessório proibido. Ontem liberado. Hoje? Nem pensar. Precaução? Bem cada um sabe onde o calo aperta, mas se pudesse ser um Chefe Escoteiro elas voltariam. Sem sombra de dúvida! Meus amigos e amigas, que saudade da faca Escoteira!

domingo, 23 de outubro de 2016

Nó górdio.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.

Nó górdio.

            Sempre fui um apaixonado de técnicas escoteiras. Nada eu deixava passar sem aprender. Lembro que treinei tanto Morse em uma cigarra que um
Chefe de Estação conhecido do meu pai disse que eu quando crescesse seria um ótimo telegrafista. Não fui graças a deus. Risos. O Morse foi meu caminho por anos. A patrulha tinha nos dedos a maneira correta de conversar por Morse. Um segredo que ninguem nunca contou. Não deu muito certo o Morse por sinais de fumaça. Demorava demais. Semaforas eu gostava também, mas nem tanto como o Morse. Dificilmente saimos para acampar sem um bom par de bandeirolas de semaforas e uma boa lanterna. Naquela época as lanternas não duravam como hoje. Era comum quando acampavamos em patrulha cada uma tinha em seu campo um portico para transmitir o Morse e a semáforas em cima dele. Era obrigatório sempre ter dois membros nas transmissões. Um para transmitir e outro para orientar o transmissor.

           Mas um dia a patrulha ficou “encucada” quando soube que existia um nó que ninguem nunca desatou. Chamava-se Nó Górdio. Qualquer um da patrulha fazia tranquilamente com os olhos fechados ou com as mãos as costas pelo menos dezoito nós escoteiros e mais quinze de marinheiros. Nonõ da Patrulha Morcego tinha um irmão marinheiro. Era ele visitar a familia e lá estavam todos da patrulha encostados nele para aprender nós que ainda não sabiamos. Foi ele quem contou sobre o tal nó Górdio. Era uma lenda que envolveu o Rei da Frigia e Alexandre, o Grande. Ficou famoso como metáfora de um problema insolúvel (desatando um nó impossível). Bem a historia é longa e não vou contar todos os detalhes, mas só para saber tudo começou com o aviso de um Oráculo que um sucessor do rei da Frigia iria chegar. Chamava-se Górdio. O moço chegou e foi coroado Rei. Chegou em uma carroça, pois era pessoa humilde e amarrou a carroça em uma coluna com um nó que ninguem conseguiria desfazer.

       Dizem que Górdio reinou por muito tempo e deixou como herdeiro seu filho Midas que expandiu o império, mas ao falecer não deixou herdeiros. O Oráculo ouvido novamente declarou que quem desatasse o nó seria o rei. Quinhentos anos se passaram e ninguem conseguiu. Muitos anos depois Alexandre o Grande ouviu esta lenda ao passar pela Frígia. Foi até o templo de Zeus e viu o nó Górdio. Não conseguiu desfazê-lo. Pegou a espada e cortou o nó. Lenda ou não o fato é que Alexandre se tornou o Rei de toda a Ásia Menor. O marinheiro riu depois de contar e completou – E daí também que deriva a expressão “cortar o nó górdio” o que significa resolver um problema complexo de maneira eficaz. Achamos a história interessante, mas e como fazer o tal nó? O marinheiro não sabia. Muitos anos depois me mostraram a foto do nó. É este perguntei? Quem me mostrou riu e disse não ter certeza.

        Sei não, mas nunca fui tão severo como São Tomé que dizem dizia só vendo para crer. Mas uma coisa eu tenho certeza naquela época se aceitava todo tipo de desafio. Muitos demoraram anos para desvendar, mas outros as patrulhas buscavam “céus e terras” e nunca desistiam. Nós e amarras, costuras de arremate, armadilhas de todos os tipos, conseguir tirar uma pena de um gavião vivo, transportar por corda um doente na maca por cima de um riacho, transmitir Morse e Semaforas deitado, de costas, e até pendurado por uma corda de cabeça para baixo eram desafios normais. Mas quer saber? Até hoje não desvendei como fazer e desmanchar o manhoso Nó Górdio das longiquas terras da Frigia.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Uma breve história do surgimento do Manual e do Ramo Lobinho.


Passeando na Jangal.

                     Na edição original do livro "Escotismo para Rapazes", Baden-Powell não fixou um limite de idade mínima, nem máxima para o ingresso do menino no Movimento Escoteiro. Como consequência disso as tropas tinham meninos cujas idades flutuavam entre 9 a 18 anos. As coisas, no entanto, não eram tão simples assim! Imediatamente levantaram-se agudas e persistentes vozes dos meninos que eram muito pequenos para serem escoteiros, irmãos menores, que não estavam na faixa etária da "diversão" organizada no princípio do século, queriam entrar na brincadeira e não podiam esperar mais. Os "pequenos" foram tão persistentes, intrometendo-se nas reuniões de Tropa e iniciaram alguns ensaios por volta de 1909.

                Os primeiros esforços de trabalhar com meninos menores não obtiveram sucesso. Alguns escoteiros sentiram em receber estas crianças como "Junior Scouts", mas os resultados foram desastrosos. A tropa desestruturou-se, os mais velhos não desejavam misturar-se com os pequenos e estes não conseguiram acompanhar as vigorosas atividades feitas pelos escoteiros. Tomar providências para que o que mais tarde foi chamado "Junior Scouts” (Escoteiro Junior), foi uma tarefa muito árdua para Baden-Powell, pois embora ele estivessem receptivo à idéia, teve que tomar precauções para evitar a impressão que seu Movimento estava criando um jardim de infância para escoteiros. Naturalmente o uniforme era o mais esperado pelos meninos, assim, essa primeira versão do LOBISMO usava chapéu de abas largas, um lenço, uma mochila e um bastão.

                 Eles aprendiam nós simples sinais de pista, semáfora e noções rudimentares de primeiros socorros. Isto, na verdade, constituía uma versão diluída do Escotismo aplicada por incomodados Assistentes ou Chefes de Tropa. Não há dúvida de que o pioneiro do nosso ramo foi o Reverendo A.R. Brow, Chefe da Tropa número 1 do Enfield Highway, em Niddlessex, Inglaterra. Foi ele quem em janeiro de 1910, publicou um artigo no "Headquarters Gazette", onde concretamente questionava: O que iremos fazer com os meninos menores de 12 anos? B.P. teve dupla preocupação, conforme explicou em artigo do "Headquarters Gazette", a primeira era de não exaurir as crianças desta idade com atividades que não estavam além de sua capacidade física; e a segunda era evitar o risco de perturbar os rapazes mais velhos, os quais poderiam se sentir humilhados em terem de executar as mesmas atividades que os mais jovens.

                  Para esclarecer as suas idéias, escreveu no final do ano de 1913 as primeiras tentativas de denominar os meninos menores e entre as sugestões do chefe estavam os nomes de :Juniores Scouts ? Beavers (castores) ou Wolf Cubs (lobinhos) ou Cubs (filhotes) ou Colts (potros) ou Trappers (ajudante de caçador). Em suma B.P. preocupava-se que o novo ramo tivesse suas próprias características, não fosse uma versão simplificada do programa dedicado aos escoteiros.

As primeiras regras
                 Depois deste período de experiências e indagações, B.P. solicitou a Percy W. Everett que estudasse o que estava fazendo e que redigisse um esquema provisório. Em novembro de 1913, Everett lhe apresentou um projeto intitulado: Regras para escoteiros menores. Sobre este manifesto o Chefe manifestou seu agradecimento ao reverendo Everett, salientando apenas o uso de uma nomenclatura e a distinção necessária pelo uniforme. Segundo B.P. o nome "Lobinho" ou "Cachorro" seria muito adequado especialmente este último para designar os Pata Tenras. Quanto ao uniforme disse que um boné, semelhante ao usado no jogo de criket e um suéter estaria muito de acordo com a elegância e praticidade necessária.

                     Com mudanças e emendas, em 1914, o Headquarter Gazette publicou o esquema para "Lobinho" ou "Jovem Escoteiro" que não era mais que uma forma modificada de adestramento de escoteiros; incluía uma forma de saudação, um emblema em forma de cabeça de lobo, a promessa simples de servir e cumprir o dever e alguns testes simples adaptados à faixa etária. O clima de guerra imprimia um forte sabor patriótico, com muitas manobras, marchas, saudações a Bandeira e cantar o Hino Nacional. A publicação desse esquema foi acompanhada da promessa de B.P. de elaborar um Manual próprio para os pequenos o qual abordasse um método com características próprias.

O Manual do Lobinho
                 B.P. que não teve tempo suficiente para escrever o Manual do Lobinho durante a Primeira Guerra Mundial, porém, anunciou que o faria pouco tempo depois. Com a erupção da guerra, as mulheres escalaram os lugares antes ocupadas pelos jovens, que haviam respondido aos apelos do exército. Assim, foi permitido o ingresso de senhoras e senhoritas no Movimento, estas estavam encantadas com a idéia de que pudessem adestrar os pequenos. Suas idéias foram de grande valia na elucidação de problemas especiais que surgiam no adestramento dos pequenos. E nesta leva feminina que surge o braço direito do Fundador, no ramo lobinho: a Srta. Vera Barclay.

                 O seu encontro com o Fundador deu-se no dia 16 de junho de 1916 em uma conferências em Londres, onde Chefes de Lobinhos reuniram-se para reivindicar o esperado Manual do Lobinho, que contivesse um esquema específico para o ramo. Vera Barclay, uma romancista, não compareceu a conferência movida pelos seus objetivos uma vez que lobinhos não interessava, sua fixação eram os escoteiros. Porém, havia recebido um convite especial de B.P. que queria conversar com ela. O objetivo de B.P. era contratá-la para juntar-se a equipe do Headquarters e trabalhar no projeto dos lobinhos. A idéia não a entusiasmou muito uma vez que lobinhos não era o seu trabalho, e fechar-se em um escritório em Londres não estava em seus planos.

                Em sua atuação com escoteiros nas áreas carentes de Londres recebeu de companheiros mais formais a crítica de que os rapazes não atendiam perfeitamente a todos os aspectos da Lei Escoteira. Deu, então, uma resposta que se tornou famosa: "O que interessa é que pelo escotismo, os rapazes se tornem melhores!". No entanto, em virtude de um joelho machucado, estava afastada de suas funções de enfermeira no "Netley Red Cross Hospital” e além do mais, como admitiu posteriormente, era um grande serviço para o escotismo isolar os meninos pequenos e seus persistentes chefes dentro de suas próprias competências.

                 Não demorou muito, porém, e os lobinhos conquistaram completamente a sua simpatia, instalando-se definitivamente dentro de seu coração, de forma que a fizesse fazer de tudo para que eles fossem aceitos na fraternidade escoteira, pleiteando junto ao Headquarters tudo o que eles queriam. Ela dedicou-se com entusiasmo na organização do Manual do Lobinho, intercalando ao famoso manuscrito de B.P. recortes, seus desenhos feitos a pena e bilhetes que encontrava jogados sobre sua mesa, contendo novas idéias de B.P. muitas vezes anotadas em papéis de suas lâminas de barbear. O Manual ficou também enriquecido com suas próprias opiniões acerca das insígnias e especialidades que constituiriam a parte II do Manual.

                O Manual do Lobinho está impregnado de suas influências, feitas com entusiasmo e imaginação e, principalmente de um grande conhecimento da natureza de meninos pequenos. Ela via claramente a necessidade de conservar a essência, tanto quanto o método de treinamento, o tão distinto quanto possível daqueles do escoteiro. Esta posição futuramente influiu fortemente para a sua indicação como Comissária do Quartel General para Lobinhos, posto que ela manteve até 1927.


Porém, o que veio responder a procura de Baden Powell por algo atraente, especial, capaz de sustentar a fantasia e contribuir com a formação da criança foi o Livro da Jângal, cuja adoção revolucionou completamente o esquema.

domingo, 16 de outubro de 2016

Um domingo qualquer e de bem com a vida!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Um domingo qualquer e de bem com a vida!

                        O slogan de bem com a vida é uma metáfora muito usada nos dias de hoje. Parece que a modernidade não trouxe a felicidade ou a satisfação que muitos acreditavam iria acontecer no futuro. Muitos correm atrás da felicidade. Cada um interpreta a seu modo. Alguns se valem de bons conselhos outros se deleitam com os milhares de filósofos ou pensadores que pululam nas paginas sociais mostrando por A mais B como ser feliz. O próprio Baden-Powell foi um dos precursores quando idealizou o movimento Escoteiro e nos falou que a verdadeira felicidade é fazer a felicidade dos outros. Platão e Sócrates falaram algum parecido. Um deles foi enfático em dizer não devemos trocar o que mais queremos na vida por aquilo que mais quer no momento. Completa: - Momentos passam, a vida continua.

                     O modernismo nos trouxe as redes sociais onde anonimamente ou até mesmo pessoalmente comentamos nossas nuances muitos de maneira franca outros se deixam conhecer aos poucos. A jornada da vida vai deixando cicatrizes que alguns sabem enfrentar e outros se perdem nos seus segredos, escondidos no recôndito da alma para ninguém ver... Ou saber. A luta em busca da felicidade já rendeu contos, histórias de filmes que deixaram muitos lacrimosos em uma sala escura ao lado de alguém ou sozinho na escuridão. O bom é que muitos se apiedam e nos dão ânimo nos transmitindo palavras ou frases que se bem interpretadas poderíamos dar um novo rumo em nosso destino. Destino? Será que teríamos que passar por isto e ainda não vimos que podemos escolher nova trilha para caminhar?

                       Winston Churchill era um emérito pensador e herói inglês na segunda guerra pela sua maneira em enfrentar as  forças que lutavam contra ele. Gosto de todas elas, mas as minhas preferenciais são duas: - Um pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade. Um otimista vê uma oportunidade em cada dificuldade. Completa: - O homem não teria alcançado o possivel se, repetidas vezes, não tivesse tentando o impossível. Mas cá entre nos, isto ajuda? Se estamos naquela fossa, na pior, uma tristeza e magoa batendo fundo no coração isto basta para nos revigorar? José de Alencar o ex-Escoteiro e ex-presidente sempre dizia que o sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos no mínimo fará coisas admiráveis.

                      Muitos vangloriam que depois de ser Escoteiro seu mundo mudou... Para melhor? Muitos garantem que sim. Mas isto deixou desaparecer as dificuldades, as tristezas, as nuances de momento e o enfretamento do dia a dia? Sei de casos que sim, mas sei de outros que não. Não é só ser Escoteiro para ter descoberto a felicidade, ou quem sabe a cidade fictícia de Xangri-lá (um conto de James Hilton, descrevendo um lugar paradisíaco escondido nas montanhas do Himalaia). Será que lá poderíamos viver para sempre com a felicidade escoteira sempre a nos acompanhar? Seria bom demais que o escotismo pudesse rivalizar com Xangri-lá e nos dar um mundo novo, onde o tempo parece deter-se em um ambiente de felicidade e saúde, com a convivência harmoniosa entre todos os habitantes do lugar.  


                        Enfim são muitas as hipóteses, são muitas as frases de autoajuda para aqueles que precisam de um conforto ou uma palavra de carinho. O Escotismo não é a única solução. Dizer que quem adota a filosofia se transforma para sempre. Tenho lá minhas dúvidas. Não somos chefes para sermos felizes só porque julgamos ser mais um Badeniano ou conforme a metodologia escoteira, mas sim para colaborar um pouco na formação da juventude. Se nossa lei e nossa promessa nos dão novo ânimo a vida continua e só mesmo o tempo poderá curar feridas ou mesmo poderá mudar concepções entre os homens e mulheres desta terra. Se nem todos são felizes por serem escoteiros, tem muitos escoteiros que são felizes. A luta não parar o tempo, pois ele é implacável, mas sem copiar nenhum filósofo ou pensador, não seria melhor dar um abraço ao invés de um olhar raivoso? Não seria melhor dizer muito obrigado que nada dizer? Que cada um entenda que o escotismo não é um meio de vida, mas sim uma maneira excelente para se viver. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Enquanto houver um, vale a pena sim!


Enquanto houver um, vale a pena sim!

Todas as noites quando vou dormir, ou melhor, tentar dormir me pergunto se vale a pena continuar a escrever. – Para quem Chefe? São mais de 15.000 nas suas páginas e nem vinte são frequentes. Uma pergunta que sempre faço a mim mesmo e as respostas veem na hora. Quanto vale um amigo que te quer bem? Se ele está com você não importa se os outros não estão. Cada um tem seus motivos e temos que aceitar o que pensa cada um. Sei que não é fácil ler todos meus escritos. Muitas vezes são longos chatos e sem interesse e o tempo é curto, muitos no trabalho, outros em casa com seus afazeres. Mas se pelo menos vinte gostam de ler não vejo porque parar. Meu pulmão vez ou outra reclama do ar. Meu corpo pesa como chumbo e nem sempre tenho a vivacidade para continuar. Mas quer saber? Não desisto. Posso ficar alguns dias em recuperação, mas vou continuar enquanto puder.

Eu sei que muitos chegam, dão uma olhada e vão embora. Meus contos, minhas histórias e meus artigos nunca dão IBOPE junto à Corte Escoteira. Como não tenho registro não existo para a UEB. Os famosos chefões sejam hoje ou do passado nem um olá dão. Alguns com sono se inscrevem em minhas páginas e quando descobrem quem sou eu se mandam de vez. Bolas, não posso ser unanimidade, gostar não se obriga, respeitar sim. Nosso escotismo graças a Deus não para. Sei que muitos já se foram. Encostaram suas mochilas e quem sabe um dia poderão voltar. Tenho que me sentir realizado. Quem tem um amigo tem um tesouro não dizem isto por aí? Que seja vinte, trinta ou somente um. Quando ele ler sabe que estou escrevendo para ele. Histórias, comédias, escotismo, aprender e ensinar. Você gosta? Acha válido? Obrigado. Sinto-me realizado em saber que posso contar com você e que de alguma forma estou ajudando ao movimento Escoteiro do Brasil.


Uma ótima tarde, um ótimo dia e um fim de semana supimpa, daqueles de tirar o chapéu e dizer: - Obrigado Baden-Powell, graças a você faço escotismo e sou feliz! 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Acampamentos – Fatos e versões.


Crônicas de um Velho Chefe escoteiro.
Acampamentos – Fatos e versões.
(para não ferir susceptibilidades Twedy é um nome fictício)

                Ontem, quando fazia minha aventura diária escoteira percorrendo mais de um quilometro a pé, o que hoje para mim não é fácil, durante a caminhada comecei a me lembrar de fatos pitorescos em acampamentos que tive o privilegio de estar presente e de que guardo ainda boas recordações. Se não me engano acampei por mais de setecentas noites, em barracas, lonadas ou sob estrelas ou até mesmo embaixo de nuvens negras que deixavam a água cair do céu como se fosse uma cachoeira sobre mim. Seria impossível lembrar de tudo, afinal perdi a conta há muito tempo de quantos meninos escoteiros, seniores, pioneiros e chefes tive a honra de acampar com eles. Peguei um “punhado” de lembranças. Sacudi em meu bornal e como em um voo cego escolhi duas para contar.

                 O nome dele se não me engando era Twedy. O apelidamos de Holandês Voador. Era um importante CEO de uma multinacional e por causa do filho resolveu participar como Chefe. Claro como muitos pais ele queria estar perto para ver o que fazíamos com seu filho. Foi em julho que acampamos em um local que sempre dava um ou dois graus abaixo de zero nas épocas de inverno, mas excelente para acampar. Ele não tinha mochila. Levou duas bolsas e uma mala. Chegou em seu carrão importado. Quando viu que iriamos de ônibus e depois percorrer quatro quilômetros a pé quase desistiu. Quem tem experiência de campo sabe que a chegada ao campo é cheia de entretantos. Corre aqui corre ali, patrulhas escolhendo campo, chefia montando seu campo e a intendência, não havia folga. Twedy tinha trazido um banco móvel e ali sentou olhando tudo. – Vamos trabalhar? Eu disse. – Chefe não posso, olhe minhas mãos. Sou um executivo e não um lenhador!

                 Éramos oito chefes, seis deles pata tenra. Twedy sabia como eu era e estranhei seu estilo folgado. A meninada corria por todo lado preparando seu campo. Lá pelas duas ele veio reclamar que estava com fome quando seria o almoço. – Peguei o programa e mostrei para ele. O primeiro dia a cozinha é sua eu disse. É você quem vai dizer quando vamos almoçar! Como era um líder em seu trabalho foi logo me dizendo que ia almoçar fora e todos os chefes poderiam ir comigo que ele pagava. – O chamei para ir comigo visitar os campos de patrulha que estavam sendo montados. – Mostrei o filho dele suado, com as mãos cheias de calo e construindo um fogão de barro. Para secar mais rápido um fogo foi aceso e duas panelas soltavam deliciosos aromas de uma refeição supimpa. – Veja seu filho. Pensei que você era quem iria dar exemplo. Que tal aprender com ele?

                 Claro que ele trocou sua roupa de grife e logo com um facão o vi cortando bambus a granel. Sumiu neste mundo nunca mais o vi. Vez ou outra seu filho entra em contato comigo. Um dia me disse – Chefe, o acampamento mudou meu pai! Lembrei-me de um Chefe que me dizia: - Você pode ficar anos com um aprendiz de Escoteiro e não o conhecer ou então fazer um acampamento com ele e em menos de vinte e quatro horas ver o que ele é, e o que será no futuro. E Voltaire? Um menino gordo desculpe, avolumado sim. Sua mãe quando o deixou sob nossos cuidados chorava a cântaros. – O que vão fazer com ele? Chefe o senhor vai dar toda a atenção a ele? Deu-me uma lista de remédios e horários. - Chefe... Bem tenho experiência de sobra com pais protetores. Eles não entendem que o escotismo é uma maneira de dar liberdade e livro arbítrio desde cedo para que quando crescerem saber como fazer e agir.

                         Voltaire quase desistiu. Sua Avó, sua tia, sum mãe e a empregada não saiam de perto dele. O ônibus partiu. Ainda bem que era uma época sem celular. Quatro dias acampados em uma clareira de uma floresta sombria. Sem civilização, só nós abrindo um novo caminho para aprendermos a nos virar. Tinha bons monitores. Sabiam como agir e fazer. Não me preocupava. Em hora nenhuma procurei Voltaire. Ele era um menino esperto. Seu corpo não ajudava, mas em nenhum momento o vi parado. Mesmo suando as bicas para a montagem de campo, ele era um exemplo para os demais. Quando Moralto o monitor me procurou para reclamar de Pagé, eu disse para ele: - Peça para Voltaire conversar com ele. Moralto riu e voltou ao campo.

                       No dia da chegada a família de Voltaire toda lá. Quanta choradeira. Pensei comigo que antes dos filhos acamparem quem devia fazer um bom acampamento na selva são os pais e parentes protetores. Afinal para que servem nossos filhos? Ficaram sob nossas asas por todo o sempre? Esta é a vantagem do escotismo. Não sou muito a favor de pais protetores estarem chefiando tropas com seus filhos atuando. Sei que não é muito fácil, pois não se encontra chefes preparados como voluntários dando sopa. Mas que estes pais façam tudo para não ter o filhote sobe suas asas. Isto além de prejudicar o próprio filho, vai dar mau exemplo para os demais. Muitos anos depois me encontrei com Voltaire. Ainda forte, mas não gordo. – Chefe, se não fosse o escotismo não seria o que era hoje! – São estas palavras que nos motivam a continuar.


                       Peço desculpas aos leitores que no meu ponto de vista estes fatos e versões não os deixem acabrunhados. Não foi esta minha intenção. Hoje não é ontem onde tínhamos um manancial Escoteiro crescido para atuarem nas alcateias e tropas. Hoje dependemos dos pais, estes abnegados que estão dando tudo de si para colaborar. Escotismo é bom, tem um programa um método, mas tem uma finalidade muito importante; Desenvolver o jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Lei Escoteira e na Promessa escoteira. Através de prática no trabalho em equipe e da vida ao ar livre, faz com que o jovem assuma seu próprio crescimento tornando-o um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade e disciplina.