Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 19 de abril de 2014

O meu querido distintivo de lapela.



Conversa ao pé do fogo.
O meu querido distintivo de lapela.

Quem já teve nunca o esqueceu. Uma época que tínhamos que correr atrás para conseguir um nas lojas escoteiras. Quando vi o meu pela primeira vez me encantei. Só não chorei porque o meu sonho agora era real.  Pequeno, dourado, com uma linda flor de lis em cores verde e amarelo. Minha mãe me entregou e disse: - Um presente que seu tio Vadim trouxe para você do Rio de Janeiro. Parecia que ele foi feito para mim. Até seu formato era a Flor de Lis perfeita. Com sua presilha se prendia facilmente na gola da camisa ou no paletó social.

Foi uma época de identificação de qual organização você pertencia. Era comum vermos os rotarianos, os do Lions Club, e tantas outras organizações onde todos postavam com orgulho o seu botton de lapela. Os padres também usavam o seu. O prefeito também. Na Câmara de Vereadores idem. Naquele tempo não saímos por aí com o lenço no pescoço tentando nos identificar de maneira diferente. O botton era tudo.

E que orgulho amigo eu o colocava na lapela e íamos desfilar para que os outros soubessem que ali estava um Escoteiro. Quando pela cidade encontrávamos alguém com ele, logo corríamos para cumprimentar: Sempre Alerta! Escoteiro de onde? Prazer. Eu sou da Patrulha Raposa. Abraços, aperto de mão, histórias, lembranças tudo em questão de minutos era conversado entre nós. Nossos chefes nos ensinavam que o uniforme se vestia completo. Nada de usar peças por aí. Usar só o cinto? Nem pensar.

Um dia resolvemos fazer uma vaquinha, que rendeu além do esperado. Todos que participaram do Grupo Escoteiro na minha cidade e aqueles que procuramos colaboraram. Como se fosse hoje, chegamos a ter mais de cinco mil reais! Uma fábula para a época. Para que? Para custear uma viagem de um "Chefe" Escoteiro até a capital, o Rio de Janeiro. Motivo? Comprar distintivos de lapela para todos os ex-escoteiros e todos os participantes do Grupo Escoteiro. E lá foi ele sorrindo, mais de vinte e duas horas de viagem. Não reclamou. Claro, todos nós gostaríamos de estar no lugar dele.

Aproveitamos para ver se sobrasse algum dinheiro para ele comprar também a moeda da boa ação. Quem não tinha? Eu já tinha a minha há tempos. De manhã bolso esquerdo. Feita a boa ação, bolso direito. Claro, nunca nos contentávamos e voltávamos para o bolso esquerdo novamente como a dizer: - Uma boa ação só hoje? Nunca! Tinha de ser várias. Pelo menos mais uma e mais uma. Quando o "Chefe" Escoteiro retornou, foi uma apoteose. Contando da viagem, do Rio de Janeiro, como era o mar, as praias, Copacabana, e como era a loja Escoteira.

Ele contava maravilhas. Quantos distintivos tinham lá. Quantas coisas bonitas. Quantos livros. Trouxe até um que ia passar de mão em mãos para que o lêssemos. O Guia do Escoteiro do "Velho" Lobo. Lindo! Espetacular! Quando o levei para casa não queria dormir. Ficava ali sentado na cama lendo, relendo. Coisas do passado. E pensando no "Chefe" Escoteiro que viajou ao Rio de Janeiro nós também ficávamos ali a sonhar em um dia ir lá também. Naquele dia mesmo inundamos a cidade com o distintivo de lapela. Quando seu Leôncio o prefeito recebeu o dele, logo colocou com orgulho (fora Escoteiro quando menino). Agora todos sabiam quem eram ou quem foi escoteiro na cidade. E claro, um orgulho em usar na escola, no trabalho (eu era engraxate) na igreja, ou seja, em qualquer lugar. Não precisa dizer – Era como o distintivo de lapela falasse - Olhem! Estou sem uniforme, mas sou Escoteiro de coração!

Meu lindo distintivo de lapela que nunca esqueci. Se vocês tiverem um devem sentir o que eu sentia. O orgulho em usar e dizer aos quatro ventos: - Eu sou um Escoteiro! Se os políticos lá no seu habitat usam eu não sei. Mas ainda lembro-me de muitos profissionais, médicos, engenheiros e tantos outros que orgulhosamente o colocavam como a dizer, sou isso mesmo, esta flor de lis fez parte da minha vida.  Eu sempre amei o escotismo e hoje sou o que sou graças a ele.

São coisas do passado. Passado que já se foi. Mas que ficaram gravadas até hoje no presente. Será que hoje ainda tem alguém que usa a linda Flor de Lis de Lapela em todos os lugares que vai? Que se orgulha em se mostrar como Escoteiro? Claro, tenho certeza que sim. Mas porque escrevo isto? Não sei. Gosto de lembrar-me dos meus velhos tempos e quem não gosta? Foram tantas e tantas coisas que marcaram. Que valeram em minha vida no Movimento Escoteiro. Por isto minha luta em manter certas tradições que combatidas por outros nada provam se o mito do passado não pode também se erradicar no presente.

Vamos passando, passando, pois tudo passa / Muitas vezes me voltarei / As lembranças são trombetas de caça / Cujo som morre no vento.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Porque não se orgulhar do que somos? Lembre-se, você é responsável pelo que faz.

Conversa ao pé do fogo.
Porque não se orgulhar do que somos?
Lembre-se, você é responsável pelo que faz.

         Não e não, eu sei que você tem uma explicação, lógica para você, mas ilógica para mim. Pode me dizer o que quiser que o mundo seja outro que agora vivemos outro estilo de vida e mesmo assim não vou concordar com você. Nosso uniforme não está numa passarela de um desfile de modas e nem tampouco pode julgar que a moda agora é assim. Eu sei que você gosta, é seu estilo, achou bonito e porque não modificar e usar? Esqueceu que do outro lado você representa uma organização? Já pensou se todos que usam seus uniformes escolhessem o que acham bonito como ficaríamos? Sei que não dá bola para o que dizem que sua vida é sua, mas quando representa uma organização como a nossa você tem a obrigação de representá-la bem. Sei que nossos lideres não foram razoáveis nas alterações e nem se preocuparam em ser mais severos com as normas. Mas isto não nos dá o direito de vestir e postar o que achamos válido para nossa vaidade.

          Eu lhe pergunto, será que as outras organizações fazem isto? Veja os militares, claro que não somos militares, mas na uniformização somos iguais. O que você diria se um representante das forças armadas ou das policias estaduais e locais vestindo de qualquer jeito, chinelos, quepe virado, camisa solta em cima da calça, cabelos despenteados? E nos colégios? Cada um vestisse o que quiser claro levando em conta que aquele colégio tem normas? Eles estarão certos se apresentando assim e que no jargão de muitos que dizem ser desleixo, indisciplina e tantas outras colocações? Não e não. Eu não posso aceitar. Eu sou daqueles que acreditam na boa uniformização e ela é quem nos diz quem somos. Não me venha com a história de que quem faz a pessoa é ele mesmo e não o seu uniforme. Você pode acreditar nisto, mas eu não. Quer saber? Nosso movimento deixou de ter credibilidade para muitos por pensarmos assim e será que não temos culpa?

         Quando nosso movimento começou havia uma centelha se espalhando por todos os continentes. Todos viam os Escoteiros de uma forma educacional, formação do caráter com crescimento individual e o apoio se firmou em todos os lugares onde ele começou. Na Inglaterra em 1910 quando ele tomou pé e começou a se espalhar como um rastilho de pólvora foram dez países que acreditaram na ideia de BP e eles disseram avante formando sua organização. Destes 10 nós éramos um deles. Hoje se alegram porque chegamos aos 85 mil e daqui a alguns anos chegaremos com 100 mil. E os outros nove que começaram junto conosco? Nenhum deles tem menos de 200 mil e alguns passaram do milhão de membros com uma população bem menor que a nossa. Em todos eles o escotismo é visto como uma força de formação da juventude, as autoridades educacionais dão o maior apoio, a imprensa falada e escrita sempre diz – Palavra de Escoteiro e todos sabem do que se trata. Nestes países o escotismo é um orgulho da nação. Porque perdemos com o passar do tempo esta corrida de afirmação de identidade? Porque mudamos tanto? Vais dizer que são coisas de saudosistas? Que são coisas daqueles que se apegaram a uma tradição e nem sabe mais porque ela existe e de que se trata?

         Por favor, não me diga que hoje somos outra organização. Para mim ela é e será sempre a mesma. Claro há não ser que mudem o método e o programa. E também os objetivos a que nos propomos com a formação dos jovens. Portanto meu amigo e minha amiga quando você em público se porta mal, uniformização desleixada (pense nestas palavras) e apresentação pessoal sem pensar no que diz a lei escoteira é claro que seremos criticados. E olhe, você sabe, não seja uma “Maria vai com as outras”. Dizem que vendemos biscoitos. Quem dera! Melhor vender biscoito que vender imagens distorcidas do que somos ou podemos oferecer a uma juventude que cresce a olhos vistos longe das fileiras escoteiras.  Poucos nos dão as mãos. Temos que correr atrás de colaboração das autoridades que sorriem para nós só nas épocas de eleições e esta nem sempre é dada com prazer. Somos sempre subservientes colocando lenços e dizendo – Você agora é um de nós! Você acredita mesmo nisto? Sei que cada um tem uma opinião de tudo e isto não nego que seja um direito. Mas acredito que ainda não temos uma democracia autêntica onde todos podem sugerir através da voz e voto.

         Se ainda não tens a força das palavras, se ainda não tem o dom da oratória, pelo menos esforce na sua apresentação pessoal. Esqueça estes adágios que correm por aí que ser Escoteiro não é vestir uniforme e sim ter o amor no coração. Um não vive sem o outro. Ambos são importantes não só para o seu crescimento como para o reconhecimento da nossa organização. Seja ela em qualquer âmbito. No grupo, no distrito na região e na Nacional. Nem também venha dizer que uma andorinha só não faz verão. Faz sim. Se uma pessoa olha para você e diz – Veja esta jovem ou este jovem como estão garbosos. Será que isto não vai dar mais força ao escotismo? Lute com todas as suas forças para que possamos ser reconhecidos como uma organização de jovens que tem tudo para colaborar na formação e afirmação do nosso País. Você faz parte e não tente mudar as coisas conforme sua escolha pessoal e nem seja como o papagaio que faz tudo que os outros fazem.


              Bah! Abaixo as mudanças sem normas, abaixo o desleixo, abaixo aos que copiam o que os outros fazem abaixo a tudo que nos denegrida. Temos que levantar a cabeça e dizer: Somos Escoteiros de corpo e alma. Foi por sua causa que mudamos nosso estilo de vida, a ele vivenciamos uma nova concepção de ser alguém, foi por ele que nos deu o dom da observação da natureza que ficamos sabemos que o aprendizado teve um Caminho para o Sucesso. Bendito o dia que todos dirão que o escotismo fez parte do crescimento da nação, que a formação do caráter da ética e da verdade está no coração de todos nossos dirigentes, sejam eles políticos, empresariais e por que não naqueles que vivem com o pensamento em Deus?

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pigmor, o castor manco do lago Grande Urso.


Lendas escoteiras.
Pigmor, o castor manco do lago Grande Urso.

                Era uma linda tarde de outono, mas Lisabel estava cansada. Afinal não era para menos. Quinze lobinhos ali soltos naquele sitio e só ela como responsável daria dor de cabeça em qualquer um. Lorraine e Javier na última hora disseram que só poderiam chegar no sábado à noite. Desmarcar o Acantonamento era impossível. Tudo tinha sido preparado. Chegaram e logo arrancharam no Sitio Mimoso. Quinze lobos? Meu Deus, agora pareciam cem! Lisabel gritava chamando e logo eles corriam para todo lado. Conseguiu uma árvore próxima a casa e lá arvorou a Bandeira Nacional. Tinha no programa um estoque de jogos, brincadeiras, canções tudo que uma boa atividade deste porte requer. Ainda bem que dona Mercês mãe do Gustavo foi para a cozinha. Ela dava mais trabalho que seu filho. Queria ficar junto dele para protegê-lo, enfim uma mãe super-protetora.

              Após o almoço Lisabel reuniu os lobos e foram até próximo a um pequeno lago, e ao pé de um lindo Cajueiro, sentaram. Os lobinhos inquietos. Alguma coisa fazia ondas sobre as águas do lago. Lisabel não acreditou. Era um castor que logo mergulhou. Só se o proprietário do sitio o tivesse levado. Não havia no Brasil. Ela começou a cantar com eles uma canção. “A promessa de Mowgly”. Fizeram um jogo de faz de conta. Viu que a tarde se aproximava. Ainda bem. Logo seus assistentes chegariam e ela poderia descansar. Uma forte dor de cabeça. Os lobos sentaram em sua volta. Ia começar a contar uma história. Não lembrava. Assustou-se ao olhar novamente para o lago, parecia emergir de dentro das águas um velho com um chapéu e uma indumentária típica dos grandes caçadores de peles do passado. Um verdadeiro Mountain Men, ou melhor, um homem da montanha! Sorria, deu um olá simpático, chamou a atenção dos lobos. Eram seis meninas e nove meninos.

               - Sabem! Disse ele. Faz tempo que não vejo um Cub Scout. Quantas saudades! – O que é um CubScout logo perguntou uma lobinha. – Meninos lobinhos como vocês. – Lisabel ficou impressionada e assustada com ele. Uma figura imponente. Um cajado lindo. – Posso? Ele perguntou a Lisabel se poderia sentar com eles ali. – Claro que sim ela respondeu. – Por acaso viram um castorzinho deslizando há poucos instantes sobre o lago? Não? Vocês já ouviram falar de Pigmor, o castor manco do lago Grande Urso? – Também não? - Não Senhor responderam todos. - Querem conhecer sua história? Palmas e gritos. A lobada gostava de uma boa historia. – Bem vou contar, mas é uma historia triste, muito triste. Faz tempo, muito tempo quando conheci o John, ou melhor, o John Colter. Um pioneiro e um dos primeiros caçadores de pele a ser chamado de “homem da montanha”. Ficamos amigos em St. Louis uma cidade americana, lá pelos idos de 1807. Com ele fizemos uma serie de expedições até o rio Missouri para caçar castores e tirar suas peles.

               Os lobinhos assustaram-se. – Calma, foi em um passado muito distante. Nós vivíamos disto. Chegamos até a montar uma empresa de nome Rocky Mountan Fur só para vender as peles que conseguíamos caçar. - Mas vamos ao que interessa. Eu e o velho John rodamos meio mundo. Das Montanhas Rochosas até os grandes lagos de Michigan, Huron, Erie e Ontário. Diziam que eu e o John só caçávamos peles dos castores, mas não era verdade. Amávamos explorar o Velho Oeste americano. Nunca esqueci quando conheci Pigmor, o castor manco. Para ser sincero eu e o meu amigo chegamos às margens do Lago Grande Urso numa tarde de novembro. O frio intenso, pois nevava a mais de seis dias. Montamos uma pequena cabana e quando ascendi o fogo vi um castorzinho se aproximando e mancando. Assustei, pois sabia que eram ariscos e não se aproximavam. Sabia que ele e seus companheiros formavam uma colônia deviam ter um dique no fundo do lago. Nunca andavam sozinhos. Nós sabíamos que enquanto não passasse a nevasca nunca poderíamos caçá-los.

              - Olhei para o John e disse rindo: Não parece o Pigmor aquele velho caçador de ouro que morreu em Blue River Valley? Coitado. Achou que a riqueza fácil seria dele ali na região das Montanhas Rochosas. Morreu abraçado a um grande urso que encontrou na caverna do Mandor. Belas lembranças da famosa corrida do ouro em Breckenridge. Mas voltemos a historia. Vi que vocês querem saber tudo! Pigmor chegou até próximo ao fogo. Achamos ele diferente. Logo batizamos com o nome do meu amigo já falecido. Eu e o John ficamos calados. Não valia a pena dar um tiro ou mesmo matá-lo com um facão. Era raquítico, pequeno e descarnado. Seus olhos pareciam vermelhos e sentia que chorava por dentro. Ficou ali horas aproveitando o calor do fogo. Foi quando levamos o maior susto. Pigmor de cabeça baixa, deitado bem próximo à fogueira soluçou várias vezes. Começou a contar uma historia estranha. Isto mesmo, Pigmor estava falando. Como não sei. Castor falante? Nunca ouvi falar.

              Lisabel não estava acreditando no que via. Um velho curtido, uma capa estranha, botas de pele de urso, um lenço azul amarrado ao pescoço e um boné de peles de castores, de cócoras no meio do circulo, contava aquela história de uma maneira tão linda que até ela mesmo estava emocionada pelas palavras daquele velho caçador de peles. Notou que em nenhum momento os lobinhos tiravam os olhos dele. Sua dor de cabeça e seu cansaço desapareceram. – O Velho caçador continuou – Isto mesmo. Pigmor contava uma história muito triste, que aconteceu uma semana antes. Ainda não estava nevando e ele e seus irmãos da Colônia tinham terminado o dique onde iriam passar o inverno e aconteceu uma matança. Dois homens chegaram atirando. Pigmor correu para uns arbustos, mas levou um tiro na perna direita. Seu pai e sua mãe morreram na hora. Viu que somente Nakim, Molevo, Pariá e Jasmiel tinham se salvado pulando nas águas geladas do lago. Os dois homens jogaram uma banana de dinamite e quase destruíram o dique. Os quatro castores escondidos ficaram presos.

                  - Pigmor levantou a cabeça e me olhou dentro dos meus olhos. Depois olhou para John e continuou – Mergulhei até lá, estavam presos em uma toca sem poder sair. Tentei tudo. Jasmiel a Castora que seria minha esposa estava quase morta. Não sabia o que fazer. Melhor morrer com eles. Subi a tona e vi vocês. Acreditei que iam atirar em mim. Podem atirar. Eles irão morrer e eu quero morrer com eles. Iremos nos encontrar nas Grandes Tocas do Navarra onde se encontram os nossos ancestrais. – Pigmor se calou. Só ouvia soluços. Olhem não sei o que deu em meu amigo John. Não sabia que ele um dia poderia gostar de bichos, animais, ou seja, lá o que for. Mas mesmo naquela nevasca, escuro feito breu, o frio de rachar ele tirou a roupa e mergulhou nas águas profundas do lago. Passaram-se segundos e minutos. Nada do John vir à tona. “Diabos” pensei, será que ele morreu? A água estava um gelo! – Eis que os primeiros castores apareceram e logo em seguida o John com um castor no colo que julguei ser Jasmiel, a namorada de Pigmor.

                       Todos eles correram para a beira do fogo. Olhe eu juro pelas barbas do Coyote mais arisco de Yellowstone, pelas corcundas de um Bufallo das pradarias próximas a Little Bighorn em Montana que é verdade. Ficaram dois dias conosco. Pigmor e os seus irmãos mergulhavam de vez em quando para consertar sua toca no dique do lago. Uma semana depois Pigmor deu adeus. Hora de partir. Mergulharam na água do lago Grande Urso e sumiram. Nunca mais voltei lá. Disse ao John que minha vida de caçador peles e de castores tinha se encerrado ali. Juntamos nossas tralhas e partimos. Sabíamos que no então Território do Dakota seria feita uma grande corrida do ouro. Em Montana, Arizona, Nevada e Colorado só se falava nisso. Milhares de garimpeiros acorreram. Mas esta é outra história. Um dia John se desentendeu com um fora da lei. Morreu em um duelo em Virginia City. Eu resolvi fazer uma cabana nas montanhas e passar lá o resto de minha vida. Tropecei em um lago ao sul de Sonora. Vi um castor manco. Seria Pigmor? O levei comigo. Estamos juntos até hoje.


                           Ninguém falava nada. Lisabel viu que o velho caçador se levantou, deu um leve sorriso e disse adeus. Foi em direção ao lago. Andando sobre as águas todos notaram cinco castores nadando ao seu lado. Em segundos despareceram no fundo daquele pequeno lago do Sitio Mimoso. Um barulho de carro. Deviam ser Lorraine e Javier chegando. Eles adoravam os lobos. Um grito: - Lobo, lobo, lobo? E os lobinhos como a acreditar que outra linda história estava programada para eles, correram em direção ao Balu e a Bagheera. Lisabel ficou ali. Olhando para as águas do lago, que agora já noitinha uma bruma cinza se espalhava por sobre as águas. – Eu sonhei? Pensou Lisabel. Se sonhei os lobos também sonharam. Mas não é bom sonhar? Com terras altas, montanhas geladas, picos altos e longínquos, grandes lagos, é bom sonhar sonhos como este. Gostaria de ter conhecido Pigmor o castor manco do lago Grande Urso. Mas...

domingo, 13 de abril de 2014

Amigo, você é Escoteiro? - Não diga! Meus parabéns!


Amigo, você é Escoteiro? - Não diga! Meus parabéns!
    
       Ah! Meu amigo eu sou sim e com muito orgulho. Quer saber? Eu estou aprendendo a ser alguém para que todos que me amam possam um dia se orgulhar. Aprendo que o caráter é importante em cada um de nós. Que ser leal alegre e ser fraterno é ponto de honra, e minha palavra? Sim ela é sagrada. Estou aprendendo que a honra faz parte dos honestos. Que a ética é mais que tudo. Aprendo tantas coisas que cada dia que passa mais me orgulho de ser um Escoteiro.

       Acredito que você não sabe, pois poucos comentam, mas são tantas coisas maravilhosas que acontecem comigo que hoje sei que a felicidade pode ser alcançada e eu a alcancei. Sou um privilegiado por Deus em ser um deles. Olhe eu já vi um céu estrelado deitado na relva e em volta de uma fogueira cheia de amigos e amigas. Ali eu conheci as constelações, senti a grandeza da via láctea, eu vi um cometa brilhante no céu a uma velocidade incrível! E as estrelas faiscantes a brilharem no espaço? São coisas que o Escoteiro não esquece. E quando vejo isto mais e mais eu tenho a certeza que ser Escoteiro é fantástico e isto me transforma. Aprendo que devo ser puro nos meus pensamentos, nas minhas palavras e nas minhas ações, pois estou mais perto de Deus.

      Eu gostaria que um dia você pudesse junto comigo dormir sob as estrelas! Sentir a brisa da madrugada e vendo o vento balançar as árvores prá lá... E para cá... Ver o sol nascer e ele se pôr ainda vermelho no horizonte deixando uma marca profunda em nós. Quem sabe um dia você vai poder saborear o cheiro da terra molhada, o perfume das flores silvestres, o som maravilhoso da passarada voando pelos céus, do piar da coruja em um carvalho qualquer. Ver o lenho crepitando em uma bela fogueira onde todos brincam, riem, cantam e vão vendo as fagulhas subirem aos céus, languidas e serenas até que a aragem leva-as para longe.

      Olhe você nem imagina como é lindo ser escoteiro. Acho que é um privilégio de poucos. Mas uma alegria de muitos. Quando vejo a chuva caindo em uma floresta o som me envaidece um som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Acredite nós temos uma ternura imensa com a natureza. É ela quem nos aproxima mais e mais do criador. Muitas vezes não precisamos de bússola, encontramos facilmente o Norte e o Sul só de olhar para as folhas das arvores, ou então um ninho de pássaros. Como é gostoso seguir a sotavento, sentir o vento no rosto, descobrir as flores silvestres desabrochando nas campinas, nos vales e nas serras distantes. É, podemos tirar o calçado e molhar os pés nas águas geladas de um belo riacho e isto meu amigo é bom demais. Podemos sentar e tirar uma soneca em uma grande e frondosa árvore e é preciso experimentar quando o cheiro da relva balançada pelo vento soprar em nossa direção. E olhe, é maravilhoso ao chegar ao cume de uma montanha e ver o horizonte! Um espetáculo imperdível meu amigo!

      Mas olhe, não sei se terá a oportunidade de ter o que temos. Aqui aprendemos que o medo é próprio dos fracos e é preciso ter coragem e amor para conviver em uma vida saudável junto dos demais Escoteiros. Isto meu amigo nós chamamos companheirismo e fraternidade. Se um dia quiser eu te darei a mão e se esforçar quem sabe você pode até entrar em um Grupo Escoteiro. Mas lembro a você que qualquer um pode entrar, mas é importante saber que ser escoteiro não é para qualquer um!

     Se resolver mesmo, seja bem vindo, o receberei de braços abertos e tenho certeza você será mais um irmão de tantos milhões espalhados pelo mundo. E quando chegar vai saber que o nosso fundador Baden Powell disse que aqui em nosso movimento só os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda. E pode acreditar que você será muito bem recebido por todos nas centenas de países onde o escotismo existe. Saiba meu amigo que nós escoteiros somos amigos de todos e irmão dos demais escoteiros. Chegando seja bem vindo, farei questão de apertar sua mão, dar o meu abraço e meu Sempre Alerta!

Agora vamos lá, coloque sua mochila, cante comigo o Rataplã, vista seu uniforme, coloque seu chapéu de três bicos, ajeite seu bornal e dê um belo sorriso. Agora você vai entrar no mundo maravilhoso dos escoteiros e vai participar de uma grande aventura!

Boa noite e uma linda semana a todos!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cumprir os deveres, apesar das dificuldades.


Assim escreveu Baden-Powell.  
Cumprir os deveres, apesar das dificuldades.

Tenho sido mestre de não realização, mas eu tenho sido “Jack” de muitos, e, assim gostava de toda a variedade das coisas boas que o mundo tem a oferecer. Alguma vez você já pensou nisso, que a duração da vida adulta de um homem de 70 anos tem 291.000 horas de vigília?
A maioria dos homens dormem por oito horas, quando sete são suficientes. O homem que dorme durante sete horas ganha um adicional de três anos e mais, e assim pode acordar para a vida mais que os outros.

Eu achei um bom plano de dar-se, na imaginação, três anos a mais para viver. Sentir que você tem que fazer as coisas dentro desse tempo, se eles estão fazendo grandes sonhos em realidade, ou ganhar felicidade. O tempo não deve ser desperdiçado.
Os jovens, claro dizem que não querem ser guiados por números de volta aos antigos, mas ao mesmo tempo eu sei que no meu caso eu ganhei muito por estudar os personagens dos chefes com quem eu servi de vez em quando.
Lord Wolseley, por exemplo, disse: "Use seu bom senso em vez de instruções do livro.”.
Sir Baker Russell deu responsabilidade e confiança os seus oficiais. Também dotado de intuição rápida ele tomou decisões rápidas e, se certo ou errado, levou-os através de um estrondo para o sucesso, enquanto Sir Henry Smyth, exatamente o oposto, teve o cuidado meticuloso para pensar as coisas na linha certa, mesmo para usar as palavras exatas, então ele nunca cometeu um erro.

Cecil Rhodes, por outro lado, tinha uma visão muito ampla, mas era capaz de ignorar detalhes. Lord Roberts foi um dos que usou essa poderosa alavanca, o toque humano, e Senhor Plumer já jogou o jogo para seu lado, sem respeito a qualquer pensamento pessoal.
Sir Sangue Bindon, com toda sua experiência, estava sempre pronto a aprender.
Sir Frederick Carrington resfolegou em uma risada contagiante para quebrar todas as dificuldades quando surgiram.
Tal estudo de personagens que vivem me ajudou e vai ser de auxílio para aqueles que gostam de realizá-lo.
Muitas vezes me pediram os meus jovens amigos, quando confrontado com um adversário, para "jogar polo" com ele, ou seja, não ir com ele careca, mas a andar lado a lado com ele e, gradualmente, bordá-lo fora de sua faixa. Nunca perdi a paciência com ele. Se você está com a razão, não há necessidade, se você está no errado, você não pode dar ao luxo.

Em uma situação difícil um guia que nunca falha é de se perguntar: "O que Cristo fez?" Em seguida, fazê-lo, tanto quanto você puder.
Possivelmente, a melhor sugestão de forma condensada, de como viver, foi dado pelo meu velho diretor, Haig Brown, em 1904, quando escreveu a sua receita para a velhice:
- Uma dieta moderada e livre, liberdade de cuidar de sua base financeira, o trabalho abundante e pouco lazer, Um amor do dever mais que um prazer, uma mente equilibrada e contente e caridade com todos os homens, alguns pensamentos muito sagrados para exibição em plena luz do dia comum, um lar cheio de paz, uma esposa amorosa, crianças, que são a coroa da vida; Estes alongam os anos do homem além do período estreito do salmista.

Olhando para trás, por cima do meu próprio "espaço estreito", dois pontos brilhantes entre os muitos que, instintivamente, uma vez vêm à mente são:

- Em número de vida eu e todo tempo que vivi entre bons companheiros na estepe ensolarada na campanha Matabele, e na vida de número dois, chego um pouco de lado e me vejo arrastando para baixo até que seus dois braços pode chegar à volta do meu pescoço, quando com um beijo macio e úmido ela sussurra: "Só mais uma história de boa noite, papai”.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Chefe Ralph, ser ou não ser?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Chefe Ralph, ser ou não ser?

            Ralph aceitou a mudança da sua cidade para Rio Vermelho. Afinal a proposta da sua empresa era muito boa. Consultou Doda sua esposa e ela concordou. Ela não estava trabalhando e só cuidava de Robertinho e Lorena, quatro e seis anos respectivamente. A única tristeza de Ralph foi deixar o Grupo Escoteiro Estrela Cadente. Afinal ele e o Josué foram os fundadores. Uma pena mesmo, pois o grupo crescera e a o bairro inteiro aplaudia os escoteiros. Mas ele precisava pensar em sua vida profissional e viu ali em Rio Vermelho possibilidades nunca sonhadas. A despedida da tropa foi triste, mas Ralph fez tudo para deixar todos alegres. Afinal somos ou não somos irmãos? E isto não é mais que um até logo. Sempre que possivel virei aqui abraçar vocês! – O Anrê foi vibrante. Ralph amava aquele grupo. Agora precisava seguir em frente. Lembrava-se de um filme que assistiu - “Nada é para sempre” não era mesmo.

              A empresa comprou uma nova casa para ele. Todos estavam adorando e Ralph não perdia a oportunidade de sair com a família. Um dia foram acampar em um sitio próximo de um dos diretores da empresa. Claro não era um acampamento Escoteiro e sim um camping divertido e gostoso. E não foi uma surpresa que ao subir um riacho para procurar um bom remanso para pescar ele deu de cara com uma Tropa Escoteira. Mas eles não estavam sós, havia lobinhos, seniores, guias e vários pais. Eles chamavam de acampamento, mas acho que estavam enganados. Colocaram as barracas em circulo onde todos dormiam. Os pais cozinhavam. Ralph riu baixinho. - Bem pelo menos eles estão em busca da natureza e só isto já conta um ponto. No entanto isto não é um acampamento nos moldes de Giwell. O importante era se eles estavam felizes. Ralph encontrou o Chefe e se apresentou. Não foi assim àquelas coisas o aperto de mão. Mas Ralph não se incomodou.

               No sábado seguinte foi fazer uma visita ao Grupo. Quem sabe ele poderia ajudar? Afinal era um Escoteiro e participava do movimento desde lobinho. Colocou seu uniforme caqui, seu chapéu Escoteiro, sua calça curta e se olhou no espelho. Estava ótimo. Como era menos de cinco quarteirões foi a pé. Levou seus dois filhos consigo só para eles saírem um pouco. Ainda não tinham idade. Chegou à sede do grupo por volta de quinze para as duas da tarde. A reunião conforme foi informado começava às duas e meia. Tinha poucos jovens e nenhum adulto. Procurou-os e se apresentou a um por um. Eles estranharam e sorriram baixinho. Ralph notou que eles não estavam acostumados com chefes a cumprimentá-los. Só às duas e meia chegou o Chefe com uma sacola sem o uniforme. Sorriu para Ralph e pediu alguns minutos, pois ele iria vestir o uniforme. Logo em seguida chegou mais dois, também sem uniforme e entraram na sede. Uma senhora dos seus sessenta anos também chegou com a saia e blusa, mas sem o lenço, foi também para a sede.

                Só às três horas todos foram chamados para o cerimonial de bandeira. Agora os chefes estavam uniformizados, mas esperaram alguns seniores que também foram se trocar na sede. Ralph nunca tinha visto isto. Sempre achou que o uniforme faz parte do Escoteiro. Ele é o melhor veículo para mostrar quem somos. Se os chefes davam os exemplos claro que os demais também o seguiriam, pois achavam ter os mesmos direitos. Na primeira oportunidade Ralph perguntou ao Chefe o porquê eles não vinham de uniforme de casa. – O senhor sabe, o uniforme serve para padronizar uma organização e mostrar o que somos. - Sem querer ofender – ele continuou, tenho visto muitos dizerem que o escotismo a gente traz no coração e isto é verdade, no entanto não significa que devemos andar sem ele. O próprio fundador do escotismo já dizia que devíamos nos orgulhar do nosso uniforme.

               O Chefe tentou se explicar e falou e falou. Alguns vinham direto do serviço e outros iriam para atividades fora de sua residência. Ralph pensou que isto era uma desculpa. Quem sabe já acostumaram assim. Viu logo que isto poderia desanimar os jovens, pois ele sabia que o sonho de todos quando buscavam o escotismo era vestir o uniforme, sem o exemplo do Chefe isto poderia deixar a desejar. Ralph quando foi ao Grupo pensou em pedir para ser um deles. Agora pensou muito se deveria fazer isto. Notou que muitos dos chefes e seniores depois que saíram da sede com seu uniforme não o cumprimentaram. Viu que ali a fraternidade não era o que ele sempre conhecera. O Chefe o olhou ressabiado. – Olhe porque não vem participar conosco? Nosso Chefe de Tropa tem faltado muito e já disse de sua intenção em sair do grupo.

             Ralph perguntou se eles tinham Conselho de Chefes e quando seria a reunião. O Chefe disse que não precisava. Resolviam ali durante as atividades tudo que precisavam resolver. – Seria possivel o Senhor marcar um Conselho de Chefes para me apresentar? Eu teria algumas observações a fazer. – Meu amigo ele disse, nunca fizemos. Eu resolvo tudo. Apresento você na ferradura e pronto. Ninguém vai contra meus desejos! – Ralph agradeceu o Chefe e disse que iria pensar. Já estava resolvido que não ia participar daquele grupo. Um grupo onde o Chefe determinava e mandava sem consultar a ninguém. Faziam um escotismo triste, pois viu que nas sessões poucos sorriam e aquela de vestir o uniforme na sede? Isto era duro de engolir.

              Ralph nunca mais voltou aquele grupo. Que eles fossem felizes, mas sem ele. Se eles gostavam assim que assim fosse feito. Ele sabia que precisava de um grupo e porque não começar um do nada? Não era difícil e até que foi fácil demais. Na reunião de pais da escola dos filhos ele procurou a diretora e dai para começar foi um pulo. Claro que ele manteve contato com os chefes do grupo que foi visitar, mas sempre os viu tristes, como se ir para uma reunião escoteira fosse uma obrigação e não um prazer. Sempre que ia para a sede ia cantando e todos das ruas onde ele passava sorriam ao vê-lo passar. Era isso mesmo que ele queria. Amava o escotismo e precisava mostrar a toda à comunidade do bairro que escotismo era bom, era necessário para a formação sadia da juventude. O uniforme era um auxilio para isto. Ele sabia que um Escoteiro bem uniformizado tem um papel relevante para o reconhecimento do escotismo no mundo.  

       

terça-feira, 1 de abril de 2014

Lomanto um Almoxarife&intendente para ninguém colocar defeito.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Lomanto um Almoxarife&intendente para ninguém colocar defeito.

            Vinte minutos de reunião de patrulha. Desta vez na sede escoteira. Lomanto fez um sinal que queria a palavra. Olhamos para ele sutilmente. Não podíamos deixar transparecer nada. Se ele desconfiasse do que pensávamos ia embora imediatamente.  Lomanto era único. Muitos que não o conheciam achavam que ele era mudo. Quase não falava. Naquela tarde sentamos em nossos bancos de madeira, que cada um fez o seu com caixotes doados pelo Senhor Joventino dono do Armazém das Flores. – Está faltando a Faca de cabo de osso! Disse – Ninguém falou nada. Nem devíamos falar. Se ele começou que terminasse. Demorou vinte minutos para falar esta frase. Seis minutos depois completou – Alguém sumiu com ela no Acampamento na semana passada no Riacho Seco. Não falou mais nada daí em diante. Nonato o Monitor esperou sua hora de falar. – Você não anotou quem a levou? Lomanto olhou para Nonato com os olhos em fogo! – Ninguém disse nada. Quinze minutos depois ele disse – Vou lá domingo, preciso de alguém para ir comigo!

           Eu conheci muitos almoxarifes, mas igual à Lomanto nunca vi. Era perfeito. Tudo muito bem anotado. Fazia cópias e entregava a cada um da patrulha, em cima estava escrito – “Você também é responsável”. Se quisesse um facão ele entregava e você tinha de assinar. O facão brilhava o fio perfeito, o cabo preso com tiras plásticas para não quebrar. Nossa caixa de intendência podia não ser a melhor da tropa, mas ninguém tinha uma superior. A caixa de primeiros socorros era perfeita. A carrocinha sempre limpa e engraxada. Nosso material fazia gosto e mesmo com a mudez dele nos sabíamos que ele era especial. Agora a faca de cabo de osso sumiu. Para ele era como se tivessem tirado um pedaço de sua carne. Ninguém entendeu como ele não anotou. Ele nada disse. Aprendemos com ele a ter responsabilidade com nossos encargos na patrulha. Se ele levava a sério nós também tínhamos a obrigação de ser sérios. Bem nosso cozinheiro era perfeito, nosso Construtor de Pioneirias&tesoureiro era demais. Jonatah o treinador de jogos&bombeirolenhador sabia o que fazer. Todos nos sabíamos que devíamos ter responsabilidade com nossos cargos, pois a patrulha dependia de nós.

        Três frases ditas por Lomanto e uma do Nonato o Monitor e a reunião terminou. Sempre era assim. Ao levantarmos após todos assinarem a ata Lomanto me olhou. Eu sabia. Ele também sabia que eu iria com ele atrás da faca de cabo de osso. Se alguém disse que compraria uma nova era briga na certa. – Responsabilidade é tomar conta de bens de todos. Se alguém não é responsável não merece estar na patrulha. Este era um dizer dele e eu sabia de cor. Combinamos para domingo e partimos. Não era perto, quase três horas de bicicleta. O tempo estava bom e não houve contratempos até o Riacho Seco. Procuramos e nada. Lomanto calado como sempre. Um pouco mais acima avistamos dois homens. Estavam abrindo uma novilha morta. O serviço quase terminado. Era comum naquela época açougueiros comprarem em fazendas e ali mesmo destrincharem. Mas Lomanto não tirava os olhos do “baixinho” ele estava com a faca de cabo de osso. Eu vi e reconheci. Eram dois homens mal encarados. Um deles foi até um remanso do riacho e o outro foi atrás. Só vi Lomanto voando como o vento em sua bicicleta, passar pela caminhonete deles, pegar a faca e sumir dali. Fiz o mesmo. Ouvi gritos de pega ladrão.

        Chegamos à sede espavoridos e cansados. Lomanto ficou mais de meia hora lavando e secando a faca. Depois pegou uma pequena lima e afiou o fio da faca. Era como se a faca fosse o filho dele. Guardou. Olhou para mim, colocou sua mão em mão ombro e mexeu com a cabeça como a dizer – Obrigado. No sábado a reunião se desenvolvia normalmente. O Chefe Miraldino atendeu dois homens que o procuraram. Reconheci logo, eram os dois açougueiros. A tropa foi formada – O Chefe perguntou quem pegou uma faca dos açougueiros. Lomanto deu um passo à frente – Nunca na vida vi Lomanto falando tanto. Acho que o que falou valeu por todo ano – Ele foi até a presença dos açougueiros. – Esta faca é da minha patrulha. Ela tem uma marca, tem um L de Patrulha Lobo no cabo de osso. Posso mostrar. Não é de vocês. Não sei onde a acharam, mas não vou devolver. Nem por ordem do Chefe!

          Nonato o Monitor se aproximou. – Chefe a faca é nossa não existe a menor dúvida. O Chefe olhou para os açougueiros. – Um deles disse – Se pagar pela faca pode ficar com ela. O Chefe Miraldino era sargento da Policia Militar – ele disse – Vamos fazer o seguinte, vocês me mostram o recebo da compra da vaca que mataram e eu pago a faca! Os dois açougueiros não disseram nada. Saíram resmungando e reclamando que os Escoteiros são irresponsáveis. – Eu sabia que estava havendo muito roubo de gado. Era comum alguns açougueiros desonestos fazerem isto. Nunca mais os vi. Lomanto passou quatro meses sem dizer uma única palavra. Não precisava. Era um amigão. Um Escoteiro dos bons, um Escoteiro que não precisa falar, mas que sabe ser responsável com o que pertence a todos. Para isto daria sua vida para proteger um bem comum.


         Lomanto sempre nos deu exemplos de como se procede um patrulheiro e sua responsabilidade com a patrulha. Se cada um faz sua parte a patrulha é uma família feliz. Éramos pobres, quando precisávamos de algum item na nossa intendência era uma luta. O que conseguíamos entregávamos a Lomanto de olhos fechados. Afinal precisávamos acampar e nada melhor que um bom facão, uma boa machadinha, umas facas mateiras para limpar nossos peixes, cortar tomates, mamões, e tantas outras coisas. Sabíamos que podíamos confiar nele e em todos da patrulha. Sabíamos que isto era um dos melhores aprendizados que nós Escoteiros podíamos ter. Manter o bem comum em prol da coletividade foi o que sempre aprendemos. Fico pensando em Lomanto adulto, morando em uma rua que é de todos, perto de uma praça que é de todos como ele estaria procedendo. Como sempre. O bem comum não é meu nem seu, é de todos nós! 

segunda-feira, 31 de março de 2014

Namoro no escotismo


Conversa ao pé do fogo.
Namoro no escotismo.

                        Um tema polemico. Para mim é claro. Não sou psicólogo e nem um professor no assunto. Criei quatro filhos com liberdade, mas com respeito. Hoje não é ontem e o amanhã eu desconheço. Algum tempo atrás entrei nesta seara, mas apareceram tantos sábios e psicólogos a me contradizer que coloquei um pé atrás e desisti do tema. O modernismo hoje é defendido com unhas e dentes. Até mesmo por chefes de ambos os sexos que defendem pontos de vista acima do que pensam os educadores do tema. Sempre pensei que o escotismo era para formar, ensinar, adestrar e preparar o jovem e a jovem dentro dos princípios que nos legou Baden Powell. Não vejo com bons olhos o que anda acontecendo por aí. Para dizer a verdade tem muitos que nos sites de relacionamentos postam mensagens que não me agradam. Não posso concordar que isto leva a ser o tão falado Espírito Escoteiro. E o palavreado então? Outro dia um se dirigiu a mim (não foi o primeiro) como se eu fosse da idade dele. Lembrei educadamente que seria bom ele chamar os mais velhos de Chefe ou de Senhor, isto é próprio dos escoteiros disse. Sabe o que ele disse? Que não sou melhor que ninguém, que eu podia ir a m.! Claro que ele tinha o uniforme e à promessa, mas não tinha nada de Escoteiro. Isto é culpa de quem? Do seu Chefe? Dos seus pais? Ou será que ele está certo e o errado sou eu? Quando vejo grupos (nem todos) comentando atividades nacionais, lá estão jovens seniores, guias, pioneiros, pioneiras e escotistas falando de uma maneira que para mim é grego fico pasmado. Não precisam repetir que eu estou fazendo horas extras e deveria bater o cartão e ir embora.

                     Não entraria de novo no tema se não fosse alguns chefes e algumas jovens que me mandaram mensagens nas últimas semanas. Pouco? Claro que sim. Eles não representam de nenhuma maneira o universo dos mais de dez mil membros registrados (acima de quinze anos). E também não serve como amostragem para dizer que é geral. Nada disto, mas um dia isto vai prejudicar em muito o nome do escotismo em nosso pais. Centenas de tropas mistas, sem ter uma Chefe feminina ou então sem ter um Chefe masculino. Deram-me exemplo da escola. Lá tem professores masculinos e femininos. Bah! Não me convenceram. Contaram-me as jovens coisas incríveis que andam acontecendo no grupo deles. Isto é escotismo? Discordei e discordo de uma Patrulha mista. Acho que não tem como dar certo. Sempre acreditei que as patrulhas deveriam ser autônomas. Cada uma agindo com suas próprias forças. Concordo plenamente com atividades conjuntas. Nada mais que isto. Mas deixo claro que tem outros com mais qualidades e experiências do que eu. Podem fazer o que eu não faria. Tenho minhas duvidas se o método será alcançado desta maneira. Não julgo o hoje, penso no amanhã quando estes jovens estiverem na idade adulta. E alguns chefes? (nem todos, entendam bem) não tem a mínima condição de manter um diálogo ou mesmo orientar como devia aos jovens de sua sessão. Eles são culpados? Parte sim parte não. Se de muitos cujo diálogo é impossível. Gritam, ameaçam, suspendem e nem mesmo os pais ficam sabendo. Muitas vezes eles nunca utilizaram a Corte de Honra e nos seus grupos o Conselho de Chefes inexiste. Suas ações ficam restritas ao grupo e os pais nunca são informados. Esquecem que quando eles entram estão junto com seus filhos.

               Muitos jovens são enfáticos em perguntar sobre o namoro no escotismo. Namoro? Pensei que o escotismo tinha outras finalidades. Uns dizem que os chefes implicam, outros acham que nas reuniões e atividades extra-sede é para fazer escotismo e não namorar. Mas é claro, por acaso perguntaram aos pais se estão de acordo com o namoro dos seus filhos na tropa? Nas reuniões nos acampamentos? Discutiram com eles os prós e os contras? Ou será que o Chefe Escoteiro tem todas as qualidades para assumir esta responsabilidade que deveria caber aos pais? Quando começamos com o movimento feminino havia tropas separadas lideradas por chefes femininas. Tive a honra de dirigir o primeiro CAB Escoteiro com as chefes femininas. Mas muitos me garantem que os tempos são outros. Falar o que? São tantos a desfazerem minhas ideias que fico pensando se eles têm experiência suficiente e se os resultados no futuro serão bons.

               Poderia afirmar que mesmo aceitando uma tropa mista ela não poderia existir com um Chefe só. Como sou um pai a antiga não aceitaria minha filha ou meu filho em uma tropa dirigida por um Chefe masculino sem a participação de um adulto feminino. Mas cada um é cada um e sabe onde o calo aperta. Para mim seria obrigatório ter representantes de ambos os sexos. Explicar o porquê seria me alongar. Escotismo tem métodos próprios e mesmo tentando adaptar-se aos novos tempos, acredito que a honra, a ética, o respeito e a responsabilidade não podem desaparecer. Liberdade sim, mas abuso não. Chega de ver meninos e meninas, jovens de todas as idades mal uniformizados, camisas soltas, lenços pendurados, sem meia, de chinelos, e indo para estas atividades nacionais ou regionais sempre pensando em rever os amores que lá fizeram.


              Não sou uma autoridade no tema. Nem quero que pensem que estou generalizando. Sei de muitas tropas que funcionam com ambos os sexos e muito bem. Mas e os outros que não estão preparados? Será que um dia estes podem trazer consequências as quais poderemos nos arrepender? É bom lembrar que em muitos lares cada um tem seu quarto. Ainda vestem de maneira diferente e são tratados pelos pais também de maneira diferente. Costumo dizer que para um bom entendedor meia palavra basta. Se acharem que estou errado paciência. Mas disciplina sem amizade, sem fraternidade e respeito não é disciplina e, por favor, não confundir nunca com libertinagem. Quer namorar? Fora das atividades escoteiras e com plena concordância dos pais. Responsabilidades deles e não do Chefe. Parabéns aos que estão dentro da linha do senso e do bom escotismo. Temos que pensar no crescimento dos jovens com o respeito que ele merece, mas visando única e exclusivamente sua formação moral. É isto que precisamos para um país sério que todos sonhamos. E por favor, conversem com os pais. Esta é uma educação que parte deles devem participar e autorizar. Amém! 

domingo, 30 de março de 2014

Somos todos irmãos. O Escoteiro é amigos de todos e irmão dos demais. É verdade?


Crônicas de um chefe Escoteiro.
Somos todos irmãos.
O Escoteiro é amigos de todos e irmão dos demais. É verdade?

        Os poetas são magníficos quando escrevem sobre a fraternidade. Dizem que aprendemos a voar como pássaros, e a andar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos. Como seria nas demais nações a convivência escoteira de todas as associações? Independente se pertence ou não a outra associação escoteira? Sou leigo, sei que em Portugal convivem fraternalmente. Aqui em nosso país parece que a irmandade e a fraternidade é só entre uma associação. As demais não. São consideradas inimigas. Se as outras pensam assim também eu ainda não sei. Falo da nossa, da mais antiga aquela que nos vendeu o escotismo puro, alegre, sincero e cheio de ideais. Onde as palavras ódio não existia. Onde nos cursos nos ensinaram que a lei escoteira estava acima de tudo. Onde se pregava o amor Escoteiro e nos diziam com sinceridade que éramos todos irmãos.

      Mas sabemos que não é assim. As outras organizações escoteiras são tratadas como inimigos. Acharam que elas estão usurpando nossos direitos. Dizem que somos donos do nome Escoteiro, do nome Indaba, do nome Jamboree e por aí em diante. Meia dúzia afirmam que se eles quiserem que criem outros nomes. Nomes centenários e que dizem pertencer a nossa Associação. Um dia tentaram contestar os desbravadores, marcas de grupos centenários. A lista é grande. Não sei e nem quero saber se o outro lado é certo ou errado. Não pertenço a eles apesar de que tenho ótimos amigos e irmãos escoteiros fazendo um belo escotismo lá. A arrogância prisma pela elegância. Dizem que o egoísmo e o ódio têm uma só pátria. A fraternidade não a tem. Verdade mesmo? Melhor dizer que um irmão pode ser um amigo, mas um amigo será sempre um irmão, e nisto eu acredito.

       Sem perceber estamos nos tornando um movimento inverso ao que o Fundador pretendia. Ele dizia e eu acreditava que o escotismo seria uma forma excelente de unir nações, de que os jovens quando adultos e tivessem participado do movimento teriam outra visão e a fraternidade escoteira iria ser uma força nas relações humanas. Ele acreditava que somente pela fraternidade a liberdade será preservada. Dizer que as religiões estão mudando e sentindo que sem amor ao próximo nunca seremos nada pode não valer para alguns. Porque nossa Associação insiste nestes processos absurdos? Porque ela se acha proprietária de nomenclaturas que foram criadas a centenas de anos? Vi e amei uma atividade nacional realizada em outra nação. – Fizeram um convite assim: - Esta atividade está aberta a todos que participam do escotismo independente ou não da associação a que pertençam. Maravilhoso! Quem sabe esta sim seria a verdadeira fraternidade?
      
        E nós? Nossos lideres fazem questão de escrever – Esta atividade é somente para os membros registrados da UEB. Ou seja, os demais estão fora. Eu que não faço meu registro há alguns anos nem pensar. Estou fora. Já pensou hipoteticamente as outras organizações escoteiras receberem um convite? – A UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL TEM A HONRA DE CONVIDAR TODOS OS ASSOCIADOS DE SUA ASSOCIAÇÃO PARA PARTICIPAR DO JAMBOREE NO RIO GRANDE DO NORTE! – Estou maluco? Quem sabe. Mas se um dia a nossa liderança fizesse uma pesquisa de campo como todos os 87.000 mil membros eu acho que um número considerável iria votar a favor de que a fraternidade não tem fronteiras. Não basta tentar explicar que eles são errados se não corrigirmos nossos próprios erros. Vejam a nova vestimenta, fico preocupado cada vez que vou a uma atividade e lá estão os adeptos usando o que querem como querem. Afinal são tantas as escolhas. Uma profusão de arranjos que se não fosse à cor eu diria que somos um movimento DESUNIFORMIZADO!

      Colocar a culpa nos outros é fácil. Olhar para dentro de nós e ver se somos perfeitos é muito difícil. Os erros existem. Só não erra os que não querem acertar. Muitos que não estão mais conosco tem suas razões. Eu mesmo uma época quase me afastei e por sugestões de amigos me sugeriram criar uma nova associação escoteira. Achei que não. Nasci na UEB mesmo sem registro e nela quero estar até meu ultimo dia na terra. (mesmo sem registro). As explicações deles são perfeitas. Mas explicar a falta de união, a falta de amor, a falta de fraternidade é difícil. Muitos um dia foram até indelicados comigo. Estes se sentem donos da voz e da razão. Tem argumentos mil. Mas e o amor? Ou será que o Mestre um dia disse sobre caridade e amor ao proximo só serve para os que acreditam nele? Não seria possivel termos benevolência para com todos, indulgencia para as imperfeições alheias, perdão para as ofensas?

           Acho que não na visão dos nossos dirigentes. Para eles e não afirmo se é verdade a lei é clara, e ela está conosco. E quem sabe eles completam, para os amigos tudo, para os inimigos a lei. É, nossos irmãos Escoteiros de outras associações ou mudam ou serão condenados ao fogo do inferno. Estes que estão lá, gastando dinheiro da associação com processos, (e perdendo todos) com admoestações, aceitando em contra partida adulações e esperando só elogios pelo que fazem, seria uma maneira incompreensível de saber quem realmente queremos para estar ao seu lado. Eu sonho por uma democracia plena onde todos os associados tenham voz e voto. Que nossos lideres sejam mais transparentes, que discutam a exaustão mudanças que existem há anos. Podem ter a divisão que quiserem para implantar seu escotismo moderno, mas nenhuma delas é dona da verdade. Nenhum delas pode ter certeza absoluta que está fazendo corretamente e que estas mudanças um futuro promissor.   


        Hoje e ontem nunca ambicionei o poder. Nunca quis ficar ao lado dos poderosos. No escotismo amava estar junto aos grupos, cantando, brincando, contando histórias e acho que fui o primeiro diretor a convidar todos os chefes de alguns cursos que liderei a comer uma pizza e tomar um chope gelado em um local fora do acampamento. E (risos) despesa paga com a taxa (bem pequena) dos cursos. São coisas que marcam. Marcam mais que cara feia, com idiotices de ser o dono de tudo, de ser o dono da verdade, o único a saber o que deve ou não ser feito e realizado. Termino com citações que  nos ajudam a meditar. Como dizia Fernando Sabino – Sou dono de uma verdade que não se traduz em palavras, sou inteligente, sei disso, mas minha inteligência não é capaz de iluminações nem de distribuir justiça. E repetindo Nelson Mandela, sonho com o dia que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos. – E porque não finalizar com Martin Luther King que dizia - Ou vivemos todos juntos como irmãos, ou morreremos todos juntos como idiotas!    

sexta-feira, 28 de março de 2014

A chave secreta da felicidade.


A chave secreta da felicidade.
(Para você levar amanhã a reunião)

             Silvio levantou sorrindo. Um belo sorriso. Pensava no sonho que tivera. Nunca sonhou assim. Um vale de flores, um perfume de jasmim, um céu azul e nuvens escritas – Seja feliz sempre! Onde seria? Não sabia, mas uma paz silenciosa abateu sobre ele. Sentou na relva e a brisa soprou de leve em seu rosto, ao longe um arco íris lindo e colorido se formou. Passarinhos cantavam em suas volta. Meu Deus! Isto era suprema felicidade para ele, pois sua semana não foi boa. Muito trabalho. Muitos problemas.

            Ficou em pé, fez a sua higiene pessoal e sempre pensando. Eu posso ser feliz, porque não? Se Baden Powell dissera que a felicidade é fazer os outros felizes porque eu não posso fazer isto? Claro. Hoje iria fazer todos a sua volta feliz. Começou abraçando seus filhos e sua esposa. Disse em voz alta – Amo e adoro vocês. Sem vocês não sou nada! Todos espantaram. Era um pai e esposo diferente. Até a hora do almoço cantava. Rataplã, De BP trago o espírito, e tantas outras. Só escoteiras, nada de outras musicas. Depois do almoço ajudou a todos a se prepararem para a reunião. Sempre solícito corria aqui e ali.
            
          Uma e vinte saíram cantando e uniformizados. Como não era longe convidou a todos para irem a pé. Os vizinhos estranharam. Uma família Escoteira? E sorrindo? E cantando? Enfim, pensaram cada doido com sua mania. Chegaram à sede, resolveram cumprimentar a cada um em particular. Um vigoroso aperto de mão claro sem machucar e um abraço. Não deixaram de dizer o quanto era importante serem amigos. Convidaram a todos para ser o dia de sorrisos, porque não? A Alcatéia sorriu, a tropa sorriu. Sempre após um jogo todos se cumprimentavam dando os parabéns. O Diretor Técnico achou estranho no início, mas logo aderiu sorrindo. Foi a cada Chefe cumprimentar e abraçar. Disse baixinho no ouvido de cada um – Obrigado por ser meu amigo, você é muito importante para mim e para o grupo.

           No final da reunião todos se abraçaram e disseram até mais, um até logo gostoso, uma saudação sincera e Silvio voltou com sua família para casa feliz. Viu que basta um para fazer todos felizes e ele? Nunca sorriu tanto de sua felicidade. Agradeceu a Deus pelo dia. Pediu que todos agora fossem assim. Sentiu pela primeira vez que não só sua família, mas a família Escoteira também era feliz! E você? Vai para a reunião sábado? Porque não levar um sorriso gostoso? Lindo? Aquele que você sabe dar e todos adoram? Leve também um aperto de mão e decore as palavras que vai dizer a cada um em particular – Obrigado, muito obrigado mesmo por ser meu amigo. Sabe você é muito importante em minha vida e o grupo precisa muito de você!


ISTO MESMO. SABADO NA REUNIÃO ABRAÇOS VONTADE. SORRISOS EM PROFUSÃO. E LEMBRE-SE A VERDADEIRA FELICIDADE É FAZER OS OUTROS FELIZES!