Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 31 de março de 2015

Quer mesmo saber por que sou Escoteiro?



Conversa ao pé do fogo.
Quer mesmo saber por que sou Escoteiro?

                   Não tenho nada para esconder, sei que me perguntou sem ofender e por isto eu vou lhe dizer. Você talvez não vai acreditar, pois nunca foi e nem sabe o que é ter o escotismo no coração. Muitos não entendem escolhas que fazemos na vida. Você me pergunta se eu sou um herói da juventude. Não sou. Sou um herói de mim mesmo. Não duvide nunca. Eu posso ser muito melhor sendo Escoteiro do que pode pensar. Acredito que se você quer ser o que sonhou, porque não correr atrás dos seus sonhos? Quem não vai atrás do que  gosta, não gosta de verdade. Orgulho tem limite, mas quer mesmo saber? O meu não tem. Não abro mão do que amo por receio de ir atrás ou errar na escolha que fiz. É uma questão de princípios, e alguns dizem que é uma questão filosófica. Não sou filósofo e é difícil explicar. Comecei sem saber onde pisava. Pivete dos meus sete anos sem eira nem beira como pensar em um movimento como este? Foi amor à primeira vista. Amor de menino sardento, marrento,  aprendendo a ler e nem escreve sabia.

                   O tempo passou. Fui crescendo. Vivendo cada dia como se fosse um novo dia. Vi coisas extraordinárias. Descobri minha paixão por aventuras, descobertas, das andanças por trilhas desconhecidas, estradas sem começo e fim, florestas encantadas que ficaram encravadas dentro de mim para sempre. Descobri o valor das fogueiras, em dias e noites que me ajudaram para melhor. Elas queimavam-me para me aquecer e queimava meu interior com um amor sem igual. Dormir sob as estrelas todos já dormiram, mas dormir e sonhar em ir até elas é diferente. Voei morro abaixo a procura de vales para acampar. Andei de canoa e jangadas em rios e lagos e profundos. Tive índios amigos, sertanejos que me ensinaram ser um mateiro e me fizeram feliz. Esculpi em minha memoria um sol que não conhecia, um sol diferente ao nascer ou ao se por no horizonte infinito. Fiz do meu escotismo uma maneira de aumentar amigos e com eles buscar minha felicidade. Não ouve montanhas com quem não conversei. Não ouve pássaros que aprendi seu cantar. Fui grande amigo de uma Coruja que me disse um dia: - Chefe, o espírito da coruja mora neste acampamento!

                     Dizem que sábio é o ser humano que reconhece até onde pode ir e que tem mais a aprender, do que a ensinar. E como eu aprendi nas minhas aventuras Escoteiras. Não fui herói não, por favor, nada disto, mas aprendi com a floresta, com os ventos, com as trilhas ligeiras de pedras no caminho e normas incríveis para seguir. Aprendi com o ribombar do trovão, da cascata que vem do céu, com a chuva incessante da primavera. Aprendi com as estrelas no céu, com o arco íris que nunca me mostrou seu pote de ouro. Rodei céus e terras para descobrir se pisava em terras virgens, conversei com magos, santos e homens da lei querendo aprender e saber se o mundo escoteiro era este mesmo que eu fazia. Sei que muitas vezes procuramos a verdadeira felicidade fora de nós sem saber que possuímos a sua fonte presa no coração. Em nenhum momento duvidei do meu amor Escoteiro. Meu uniforme era minha estrela, me mostrando que ser belo não precisa somente de um nome. Precisa ter amor e respeito.

                   Encontrei adversidades por onde passei. Nos seres humanos foi mais real. Sei que problemas grandes ou pequenos nos apresentam durante a nossa existência. Posso estar contente, posso ser inteligente e embora estejamos em algum momento tristonho, é difícil ver que a vida corre célere para a solução e esta sempre depende de nos mesmos. Inesperadamente somos confrontados com problemas, lutas, desafios e milhões de dificuldades. È como se o escotismo nos estivesse posto a provas para ver de qual fibra somos feitos. Atravessamos tudo isto como o vento atravessa entre arvores enormes e altos picos encontrados no caminho. Cada pessoa sabe como enfrentar, como pular a maré alta do mar verde azul. O escotismo nos diz que aceitar é uma estratégia até ter as armas de volta para partir e nos reestruturarmos seguindo em frente para vencer.


                  Desculpe, quem sabe não me fiz entender. Não existe segredos para o verdadeiro Escoteiro. Eu nunca abri mão do meu amor ao escotismo esteja onde estiver. Seja no passado e no presente, ou mesmo no futuro incerto e não sabido. Eu não abro mão do meu orgulho em me chamar Escoteiro. Sou mesmo com muito orgulho e honra! Não abro mão do meu uniforme. Não abro mão da minha lei. A promessa Senhor meu Deus que um dia fiz junto à tí me segue noite e dia me mostrando o caminho a seguir.  Não abro mão das minhas crenças, não abro mão dos meus sonhos e não abro mão do que acredito. Fiz do escotismo uma maneira de viver.  Se pudesse eu diria ao mundo inteiro: - Sempre amei e sempre vou amar este movimento que mora e residirá em meu coração para sempre. Queria se pudesse fazer acreditar a todo o mundo que somos todos irmãos, que não existe fronteiras entre nós que acreditamos no Espírito de BP. Não falo só por palavras, as uso para dizer o que sou e penso. Sou amante da natureza, sou amante das noites de luar, sou amante das chuvas no deserto do frio ou calor. Existe meu amigo filosofia mais linda que esta? Sou e serei Escoteiro de coração e nele tenho certeza que encontrei o meu destino e quando for o levarei para viver comigo sempre no céu, pois lá eu sou imortal!

sexta-feira, 27 de março de 2015

Vou-me embora pra Pasárgada



Apenas uma adaptação do poema de Manoel Bandeira.
Ele tenho certeza irá me autorizar a modificar!

VOU-ME EMBORA PARA PASÁRGADA!

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou Escoteiro do rei
Lá vestirei meu caqui querido
Com o chapéu que escolherei.

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não posso acampar,
Lá não tem UEB e burocracia,
Só paisagens que vou amar.
Lá farei tantas aventuras
Que Baden-Powell sorridente
Fará meu sonho realizar.
 ·.
Lá armarei minha barraca
No pico do monte feliz.
Andarei de bicicleta
escalarei mil montanhas
Subirei na pedra dos sonhos,
Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado
Deito na beira do rio,
Na sombra do abacateiro
Pois como bom Escoteiro,
Voltarei de novo a sorrir.

E quando sentir saudades,
Mando chamar meu monitor
Para me contar lindas histórias
Que no tempo de eu menino
Meu Chefe vinha contar

Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De fazer escotismo de montão.

Tem escotismo prá pobre,
Tem escotismo sem par...
Tem escoteiras bonitas
Para a gente namorar.

E quando eu estiver mais triste
Mas triste que não ter jeito
Na conversa ao pé do fogo
Ouvirei histórias sem par.

Vou embora para Pasárgada.
— Lá sou Escoteiro do rei —
Terei o grupo que eu quero
No bairro que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.
Aqui eu não volto mais,
Adeus UEB dona de tudo,
Adeus amigos queridos,
Adeus... Eu não sei quando vou voltar...


O poema correto de Manoel Bandeira pode ser visto na internet. Ele vai me desculpar!

domingo, 22 de março de 2015

Se existem sonhos, a vida continua.



Hora dormir, amanhã é outro dia...
Se existem sonhos, a vida continua.

                   Foi em uma manhã como as outras. Levantei cedo como sempre faço. O sol já brilhava dando seu bom dia a todos. Hora de partir. Seria uma simples caminhada como fazia todos os dias. Sentia-me bem e enquanto caminhava dava tempo de pensar no passado e no futuro. O presente eu o estava vivendo e o achava radiante. Eu sorria feliz. Caminhava com prazer e alegria e em passos trôpegos, pois a idade e os prêmios que ela a idade me trouxe não me deixavam ir mais rápido. Era uma trilha. Uma linda trilha. Eu a descobri por acaso há alguns meses. Havia marcas a cada cem metros. A trilha não tinha mais de um quilômetro. Para mim o suficiente. Sabia que meu corpo de Velho trôpego não ia aguentar mais.

                 Tinha percorrido não mais que quatrocentos metros. Ainda faltava seiscentos para o final. Eu ia aguentar sem sombra de dúvida. Não dizem que devagar se vai ao longe? Os dois jovens se emparelharam ao meu lado. Dois frutos da mocidade. Ele com seus dezessete ou dezoito anos, alto, forte, camiseta para mostrar seu tórax e seus músculos fortes. Era um guapo rapaz. Ela nos seus quinze ou dezesseis anos. Magrinha e pequena, mas sadia. Sorridente ao lado do seu amado. – Ouvi seu vozeirão dirigido a mim - Velho levante o corpo, aprume os ombros, ande feito homem! – Olhei para ele. Sorri. Não ia dizer nada. Não tinha o que dizer. – Ele continuou – Conheço muitos velhos como você que andam feito homem! – Pensei comigo se eu era homem mesmo. Mesmo assim não disse nada e sorri.

                    A caminhada ainda estava longe do final. Seiscentos metros percorridos. Eles ao meu lado. Lembrei que quando cheguei passaram por mim correndo. Deram uma volta enquanto em andava em passos de tartaruga para percorrer cem metros. – Velho ele continuou – Esqueça suas dores, suas doenças, vamos Velho levante os ombros, dê uma passada mais larga. Velho ande feito gente grande! Quantos iguais a você percorrem caminhos mais longos? Quantos iguais a você ainda fazem questão de correr a São Silvestre? – Eu olhei de novo para ele. Minha respiração começou a acelerar. Era hora de diminuir o galope trôpego que estava dando. Sabia que meu ar tinha de ser dosado. Ele faltava de vez em quando. De novo olhei para ele e sorri. Não disse nada. Estava cansado. Muito. Para que responder a ele?

                      A jovenzinha o pegou pelo braço. Vamos meu querido. Ainda temos mais de vinte voltas a percorrer. Deixe o Velho em paz! Olhei para ela e senti uma alma boa. A gente nesta idade sabe onde mora a beleza no coração. – Ele rispidamente respondeu a ela que sabia a hora de correr. Que ela ficasse na sua! Ela abaixou a cabeça e não disse mais nada. Era submissa. Quem sabe o amor por ele a obrigava a aceitar tudo que ele dizia? Pensei comigo: - Será que seria uma boa esposa? Não sei. Prefiro não comentar o futuro dos dois. Ele olhou para mim sorrindo com ar de deboche – Velho, neste seu andar vais morrer logo. Parece como o meu pai. Sempre se entregando ao corpo. Eu nunca serei assim, sempre serei forte e a velhice nunca vai existir como existe em você. E o jovem partiu correndo. Sua cara metade correu atrás.

                 Eles viraram a direita na trilha que se escondia ao longe do pequeno bosque. Eu continuava calado, sorria, sabia o que eu era e o que sou e quem sabe o que serei. Desejei a ambos que a felicidade morasse para sempre com eles. Pedi a Deus que ambos vivessem juntos por toda a eternidade. Eu sabia que era um Velho. Um dia fui moço, corri mundo com meu chapéu de abas largas, com minha mochila escoteira, arvorei bandeiras aqui e ali por este país imenso. Eu me julgava imune à velhice. Mas ninguém escapa ao seu destino. Que ele e ela tivessem uma velhice tranquila. Senti uma brisa leve e intermitente no rosto. Eu gostava. As brisas das manhãs sempre me bem. Era um santo remédio. Lembrei-me das grandes caminhadas que fiz. Das grandes aventuras que se foram. Acho que era por isto que eu estava ali todos os dias mesmo com o pulmão reclamando porque lhe dei tanta nicotina no passado.

                  Demorei algum tempo, mas consegui chegar ao final. Tartaruga ambulante eu me apelidei. Sorri para mim mesmo ao pensar assim. Amanhã estarei de volta nesta gostosa trilha dos amores, dos amantes sonhadores dos velhos aventureiros que hoje não passam de uma pequena gota de orvalho do passado. Eu sabia que a vida continua. Não sei se os verei novamente. Não importa. Se isto acontecer irei sorrir para eles. Enquanto puder darei minhas voltas de um quilômetro. Não mais. Não adianta tentar andar mais que isto. Minha respiração não é boa. Queria um dia dizer a eles que tentava empinar os ombros, andar ereto e não conseguia. Minhas caminhadas sempre foram assim nos meus últimos tempos. Não sei se enganava a mim próprio. Eu sabia que meu corpo se esvaia aos poucos. Se não fossem estas pequenas caminhadas e a ajuda de Deus, eu sei que estaria entregue a um corpo inútil em uma cama qualquer de um pronto socorro da vida. Farei quantas caminhadas conseguir. Sorrirei para quantos jovens passar por mim. Devagar me lembrei do lindo versinho de Maria Cláudia – “Antes de correr, aprenda a andar. Tudo na vida tem sua hora, seu lugar. Tartarugas também chegam La!”. E meus amigos, se existem sonhos nos sabemos e também a certeza que a “vida continua”!


Boa noite durma gostosamente bem. Que a semana seja florida e que tudo para você seja mais do que espera. Que Deus esteja com todos vocês!

quinta-feira, 19 de março de 2015

Crônicas de um Velho Aposentado. Que país é esse?



Crônicas de um Velho Aposentado.
Que país é esse?

Que País é Esse?
Legião Urbana – Compositor Renato Russo.

Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação.
Que país é esse? Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia, na Baixada fluminense
No Mato grosso, Minas Gerais e no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso, mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis ao descanso do patrão
Que país é esse?
Terceiro Mundo se for, piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas dos nossos índios num leilão.
Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse?

Primeiro ato: - Ministro da corte, famoso pelas viagens com a sogra à França em jato pago pelo seu estado, pagou por uma simples apresentação seiscentas mil pilas a uma cantora famosa na inauguração de um hospital que até hoje não funciona. Agora é um Chefe educador ou era. Vai transformar ou iria transformar a Pátria Educadora em nosso país do futuro (deles é claro). Chama de achacadores (Enganados – ultrajados) uma turba eleita pelo povo. Estes se sentem ultrajados (?) e convidam para o dito cujo se explicar em sessão plenária. Ele foi, falou o que devia ou não devia? Confirmou que muitos ali achacam Dona Presidenta. A turba caiu de pau, se sentiu ofendida, pode? O Presidente da turba o mandou embora. Suma seu porcalhão! Aqui não! Sou o galo do pedaço! Já prometi um balaço no Janot! Ele foi sorrindo, chegou no palácio e meteram o pé na bunda dele. Suma! Tá desempregado! Aí eu pergunto – Que país é esse?

Segundo ato – Mil promessas, mil mentiras, o país seria muito mais que Xangrilá o pais da felicidade no seu segundo mandato. Eleita colocou as garras de fora. Seu compincha da fazenda foi fazer criar boi no raio que o parta. Colocou um novo na fazenda de criação de gado. Corta aqui, corta ali, a luz sobe, a água falta, a inflação sobe, a mulher diz: - Marido a feira está mais prá lá do que prá cá! Dizem que nossa caderneta nacional de poupança brasileira acabou e a chinesada tomou conta. Não tem mais farra para Salario Família, Minha Casa minha vida (eu até hoje nem chamado fui) e por aí vai. E viva o FMI do FHC. O Povo se revolta, quase dois milhões  as ruas para existir um  Impeachment contra a mandatária do país. Um instituto famoso diz que seu prestigio não passa de dez por cento. Está caindo mais que dente podre na boca do pobre. A corte berra, reuniões se fazem acontecer. Agora todos os dias lá está ela na TV propagandeando seus feitos. Eu mato a saúva e salvo o Brasil! Ela diz. E eu pergunto: - Que país é esse?


Terceiro ato – Um Presidente que não gostava de estudar, disse que o Brasil seria outro depois dele. Alardeava que o petróleo é nosso (nunca ganhei uma gota, só paguei, portanto não era meu). Que um tal de pré-sal iria mudar o Brasil. Escola de graça, hospital de graça, remédios de graça, que a saúde iria ser bombástica. Putz. Dois anos esperando uma operação de catarata. Ligo para o hospital e pergunto: - Oi chegou a minha vez? Aguarde seu merda, tem milhares na sua frente. O Presidente atente ao compadrio que fez para governar. Coloca em postos chaves homens de confiança. Deles é claro. A roubança antes calada nas esquinas do mensalão, agora petrolão foi descoberta. Milhões e milhões de dólares ou melhor euros na Suíça, na França, no raio que o parta. Um juiz fodérrimo está levando toda à cambada para o xilindró. Um alto dono de empreiteira reclama que tinha mordomo para limpar seu traseiro e agora tem de agachar para dar sua borrada diariamente e sem papel. Limpa com o dedo moço! Está explicado que País é esse!

Quarto ato – Publique-se! Novo código civil. Agora o país vai mudar. Novas normas, novos atos; - Roubou? Danou-se. Matou? Xilindró – E a dona do Brasil diz que vai acabar com a corrupção. E eu dou risadas pensando se acredito. Quem será o novo homem que o poderoso PMDB vai indicar para a Pátria Educadora? E ainda falta a Vale, as elétricas, a Roubobrás e tantas que fazem a festa dos cupinchas – E aí eu pergunto: - Que país é esse?


Quinto ato – Vem aí o Congresso Nacional ou melhor Assembleia nacional Escoteira. Micharia. Coisa de quinhentos e poucos mangos para ficar lá. Dizem que lá não tem achacadores e nem corrupção (?). Se for você não vai ver eleições dos mesmos de sempre, conversas nas salas escuras para aprovar o que cada presidente regional quer, gente andando aqui e ali, abraçando, sonhando em ter um carguinho lá. E os de sempre batendo ponto na diretoria dos mandatários. E aí eu pergunto: Que país é esse? Ou melhor, que escotismo é esse?   

quarta-feira, 18 de março de 2015

Mensagem do Homem Triste



Mensagem do Homem Triste

Passaste por mim com simpatia, mas quando me viste parado, indagaste em silêncio porque vagueio na rua. Talvez por isso aumentou o passo e, embora te quisesse chamar, a palavra esmoreceu-me na boca. É possível tenhamos suposto que desisti do trabalho, no entanto, ainda hoje, bati, em vão, de oficina a oficina, de fábrica em fábrica, de loja em loja... 

Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar dignamente o meu pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade, e outros, desconhecendo que vendi minha roupa melhor para aliviar a esposa doente, despediram-me apressados, acreditando-me vagabundo sem profissão. Não sei se notaste quando o guarda me arrancou à contemplação da vitrina, a gritar-me palavras duras, qual se eu fosse vulgar malfeitor. 

Crê, porém, que nem de leve me passou pela mente a ideia de furto; apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçarem com fome, quando retorno a casa. Ignoro se observaste as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando-me embriagado, só porque eu tremesse encostado ao poste; afastaram-se todas, com manifesto desprezo, contudo não tive coragem de explicar-lhe que não tomo qualquer alimento, há três dias... A ti, porém, me fitaste sem medo, ouso rogar apoio e cooperação. 

Agradeço a dádiva que me estendas, no entanto, acima de tudo, em nome do Cristo que dizemos amar, peço me restituas a esperança, a fim de que eu possa honrar, com alegria, o dom de viver. Para isso, basta que te aproximes de mim, sem asco, para que eu saiba, apesar de todo o meu infortúnio, que ainda sou teu irmão.


B O A     N O I T E!

quinta-feira, 12 de março de 2015

E o doce não era salgado.


Conversa ao pé do fogo.
E o doce não era salgado.

                        Corria o ano de mil novecentos e cinquenta e quatro. Voltava de mais uma jornada de muitos quilômetros com a minha patrulha. Foram oito dias no lombo de uma bicicleta. Pela primeira vez estava cansado. Muito. Aconteceram tantas coisas que deixei para anotar outro dia. Passamos pela sede para deixar as tralhas e alguns materiais de sapa devidamente limpos e oleados. Éramos seis. Todos da Patrulha Raposa. Cada um montou na sua bicicleta, disse um sempre alerta sorrindo e partiram para suas casas. Da sede em minha casa não gastaria mais do que quinze minutos. Ao passar pela padaria Bom Pastor vi que o pneu da frente estava furado. Paciência. Isto para nós aventureiros ciclísticos era rotina. Manezinho e sua bicicletaria ficava menos de dois quarteirões.

                    - Osvaldo sua conta aqui está alta. Mais de cento e oitenta reais (em dinheiro de hoje). Vai me desculpar, mas enquanto não me pagar não faço mais nenhum serviço para você. - Eu sabia disto. Nunca aconteceu. Ganhava uns trocados com minha caixa de engraxate. Não tinha mesada. Estava juntando para comprar uma nova mochila. Que ela demorasse mais precisava pagar. Não discuti com Manezinho. Ele tinha razão. Triste fui empurrando minha bicicleta a pé. Reclamei da sorte. Todos meus amigos da patrulha tinham pais que davam alguns trocados. O meu não podia. Era seleiro. Ganhava pouco. Gastei quase quarenta e cinco minutos até ao quarteirão da minha casa. Agora era deixar a bicicleta guardada e tentar ver o que podia fazer para pagar o Manezinho. Nossa oficina portátil da patrulha não tinha nada para me ajudar.

                    No quarteirão da minha residência uma surpresa. Não queria acreditar. Ouvi o Rataplã. Que foi? Nosso hino cantado na rua? Quem? No portão de madeira da minha casa, minha mãe, meu pai e minhas duas irmãs rindo e batendo palmas. O Rataplã terminou e a Arvore da Montanha surgiu esplendidamente. Minha família me abraçou - Meu pai me deu as boas novas – Sua tia da capital mandou um presente. Um LP escoteiro do disco do Trio Irakitan. Todo ele só músicas escoteiras. Chorei de alegria. Era um momento mágico que só quem passou por sabe como é. Nunca soube do disco. Na bicicleta de meu pai voei até as casas dos patrulheiros dando as boas novas. À noite ainda criança, ouvíamos as canções lindas cantadas na vitrola da família. Sentados no quintal mais de trinta escoteiros e seniores. Lá pelas duas da manhã meu pai mandou todos embora. Hora de dormir disse, amanhã ou hoje é outro dia completou. Terminou rindo e dizendo que o disco podia furar! Risos.


                          Considerei-me um “sortudo”. A tristeza acabou. Sabia que iria pagar o Manezinho em breve. Até lá ia rezar e agradecer minha tia por aquele presente que nunca ninguém do Grupo Escoteiro tinha ganhado. A vida é assim, atrás das tempestades vem a bonanza. Aprendi muito e hoje lembro que as dificuldades não passaram de momentos bons e ruins e que ficaram no tempo. Seguir o meu destino foi o que sempre fiz.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

As estrelas moram no céu.


As estrelas moram no céu.

– ¶“Mas a lua, furando o nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão, tu pisavas os astros distraída, sem saber que a ventura desta vida é a cabrocha, o luar e o violão”!¶

                    Eu gostava de contar estrelas, uma, duas, três... E quando perdia a conta voltava a contar de novo e tentando não perder de vista a multidão de estrelas lá no céu. Aprendi nos lobos há tempos e tempos atrás. Estrelas no céu me fazem sonhar, sempre sonhei em andar no meio delas como na melodia Chão de Estrelas. Fui crescendo contando estrelas, me via velejando num barco a vela no meio delas, perdido e embriagado com tanto encanto. Quantas estrelas eu contei? Milhões? Bilhões? Números infinitos, me perder no meio delas quem sabe poder tocar e sentir a caricia do seu frescor? Do seu calor? Do seu brilho? Eu gostava de contar estrelas... Ainda Escoteiro me animava a deitar na relva e ver aquele espetáculo que só Deus poderia explicar.

                     Eu sempre gostei de contar estrelas, aquelas que moram lá no céu. Contei estrelas em lugares incríveis, montanhas impossíveis, picos indecifráveis. Sempre descansando a cabeça na grama, em uma pedra, ou a velha mochila companheira de aventuras. Tentei e não consegui contar estrelas em Caparaó, pois a bruma da noite não deixou. Sempre premiado com belicosas nuvens brancas a perder de vista na segunda e terceira vez que voltei lá. Até que um dia o céu apareceu brilhante, ofuscante e as estrelas quem sabe envergonhadas do meu olhar se escondiam por trás dos astros e eu relutante ali a olhar para o céu contando estrelas. Eu gosto de contar estrelas... Uma, duas, três, quatro... Foram tantas! Em Itatiaia um espetáculo inesquecível. Nas Montanhas do Morcego elas perdiam de vista. Nas planícies de Crenaque eu esquecia de dormir. Deus criou tudo em sete dias? Na serra da Piedade me ofusquei de tanto brilho. No Pico do Itacolomi chorei de emoção com aquele céu que me pedia para aproximar... E não podia! Tantas estrelas no céu e eu nunca consegui saber quantas são. Perfeição do criador. Criou tantas lindas e brilhantes, criou o nascer do sol, o por do sol se escondendo no mar imenso. O vento! Sim o vento amigo que nos acaricia o rosto no sol escaldante. Será que ele acaricia as estrelas?

                         Eu gosto de contar estrelas... Uma, duas, três, quatro... São tantas! Nenhum sonho é maior do que deixar o corpo solto em volta do fogo, noite alta, inclinado de olhos abertos em volta amigos, brasas adormecendo, fagulhas serenas pensando em subir aos céus... Quem sabe para contar estrelas. As belezas do mundo são nossas e o Escoteiro pode sonhar com elas, abraçar com elas, e... Contar estrelas! Privilégios que Deus no deu. Sentir a brisa caindo, molhando as folhas verdes a espera do sol, vendo a lua que se foi. A lua é linda, mas é uma só. As estrelas? São muitas perdidas no céu. Têm as pequenas, as grandes e não esqueço quando me deitei após um gostoso fogo de conselho lá para os lados da Pedra da Mina e dormi. Acordei antes de a madrugada nascer. Uma enorme estrela estava lá no céu. A estrela D’alva reinava como uma rainha cercada de milhões de outras estrelas que se reverenciavam. Foi um dos mais belos espetáculos de estrelas que um dia consegui ver. Parecia que as estrelas dançavam, em um lindo balé em volta dela. Sem perceber milhões de violinos começaram a tocar o Lago dos Cisnes e se Tchaikovsky ali estivesse eu tenho certeza que estaria de calça curta ao meu lado maravilhado em ver milhões de estrelas cintilantes nesta grandiosa abóboda celeste, um firmamento impossível de se tocar e... Contar...

                    A vida não para. Fui crescendo homem me tornei e a idade não mais me deixou contar estrelas. Hoje as procuro no céu claro da minha morada e não as vejo. É, moderno isto. Não se pode mais contar estrelas nas grandes cidades, mas eu não desisto. Vou continuar insistindo e um dia quero de novo deitar na relva, próximo a um fogo adormecido onde as fagulhas relutam em subir aos céus, quem sabe para não atrapalhar a maravilha do firmamento e eu então começarei do zero, de novo a contar estrelas... Uma, duas, três quatro...

                Esta noite vou dormir pensando nelas. Pensando quantos como eu um dia tiveram a felicidade de contar estrelas. Seria o mundo mudado? Ninguém mais se importava com elas? Os meninos e as meninas não contam mais estrelas? Ah! Como eu gostaria de estar com eles, poder deitar na relva em uma noite escura, em uma clareira perdida na selva e olhar para o céu estrelado, sentindo o zunzum do passar dos cometas que não pedem passagem e se vão sumindo no espaço infinito. Olho para o teto do meu lar onde durmo, abre-se uma fenda e vejo o céu. Não sei se estou dormindo ou se estou contando as estrelas... Uma, duas, três, quatro... Eu gosto mesmo de contar estrelas...


Um boa noite a todos é o que deseja o Osvaldo... Um escoteiro. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Piadas adaptadas para divertir.


Conversa ao pé do fogo.
Piadas adaptadas para divertir.

            Uma vez retirei da internet muitas piadas que achei divertidas para adaptar no Escotismo. Alguns que leram minha primeira publicação gostaram outros não. Estas não sei se irá agradar ou se já publiquei aqui. Pelo sim pelo não se não rirem, reclamem com Baden-Powell. Comigo não Jacaré!

Dois rapazes metidos a gozadores parados na esquina chamam o Escoteiro que vai passando. - Dizem que vocês são inteligentes, posso perguntar?
- Muito educado ele disse: - Claro respondeu o Escoteiro.
- Vamos imaginar que você tem um real no bolso e pede para seu Chefe mais um real. Com quantos reais você fica? - - Um real!
Risos. Nossa! Você um Escoteiro não sabe nada de matemática.
E vocês, dois idiotas não conhecem o meu Chefe Escoteiro!

Anuncio colocado no jornal da cidade por um Escoteiro da Patrulha Leão.
“Desejo entrar em contato com antigos escoteiros que foram da Patrulha Tigre em 1960 e que tenham conhecido meu pai Francisco Dias naquela época”.
Motivo: Saber se ele era o melhor, grande cozinheiro, Monitor e mais inteligente da Patrulha como ele diz para mim todos os dias!”

Leonel tinha quatro meses na tropa. Ainda não conseguira fazer a promessa. Antes do inicio da Reunião ele encontra com seu Chefe da tropa.
Ele se dirige ao Chefe e para surpresa do chefe dá-lhe um tapinha nas costas e diz:
- Chefe, não quero amedrontá-lo, mas meu pai me disse que, se eu não fizesse essa promessa logo, alguém ia levar umas palmadas daquelas!

O marido da Akelá Maria chega em casa todo estressado, e ela pergunta:  O que foi Manoel? Ele responde:
— Ah… nessa cidade só tem idiotas e bestas. Queria que viesse uma onda e levasse todos eles embora daqui!
A Akelá Maria como adorava o marido, quase chorando fala:
— Aí amor, nem brinca com isso, eu ia morrer de saudades de você!

Serginho era um lobinho endiabrado. Na Alcatéia ninguém aguentava suas estripulias. Um dia a Akelá ao dar um jogo levou um tombo enorme. Sua saia do uniforme subiu-lhe até cabeça. Levanta-se imediatamente, ajeita-se e interroga os lobinhos:
- Luisinho, o que você viu? - Seus joelhos Akelá. - Vá para casa. Só volte na semana que vem.
- E você Carlinhos o que viu? – Suas coxas, akelá, magrinhas eim? – Um mês de suspensão em casa. Ora, onde já se viu um lobinho segunda estrela dizer isso?
- E você Serginho, me diga o que viu? – Serginho dá melhor possível para todos e vai saindo da reunião – Bem amigos da Alcatéia, até o ano quem vem...

Na alcatéia, A Akelá fala para os lobos:
- Hoje, na reunião iremos ter um tempo só para treinar versos e rimas. Lobinha Ângela diga um verso: E a lobinha Ângela diz:
- Eu tenho uma coisa que é só minha: o coração da minha mãezinha.
- Muito bem. Agora você, Lobinho Nestor.
E o lobinho Nestor: - Eu fui à praia de Água funda, a maré estava baixa e molhou a minha... Canela. - Ué, que besteira é essa, menino? O seu verso não rimou
- Não rimou porque a maré estava baixa, se a maré estivesse alta seria outra coisa.

- Joselino escoteiro entrou em casa e perguntou pro pai:
- Paieeh! Eu nasci de um ovo? 
- Ora meu filho, claro que não! Mas que bobagem eh essa? 
- É que quando eu entrei no elevador o porteiro disse pro faxineiro: 
- "Olha aí o filho da galinha do quarto andar".

- Noêmia uma escoteira muito simples pega seus pais no maior beijo na cozinha e sapeca: - Ah, safadinho hein pai? Vou contar pra empregada que você esta beijando a mamãe! 

Um mercado acaba de ser assaltado por uma turma em uma Van, rapidamente a polícia interdita todas as ruas de possível fuga. Numa dessas ruas, um grupo de policiais para uma Van, e um deles fala: - Todos pra fora da Van, e todo mundo falando o nome! De repente sai um monte de escoteiros japoneses uniformizados que iam para o Jamboree e estão de uniforme escoteiro com as mãos para o alto e assustados. Então começaram a falar os nomes:  - Chefe Saltamu Merkadu - - Chefe Matamu Ukasha -  Chefe Fugimu Navan - Chefe Ustira Pegho...
Dois chefes escoteiros apaixonados pelo escotismo combinaram que quando um deles morresse voltaria a Terra para falar se lá em cima tinha escoteiros.
Uma semana depois um deles morreu e comprindo o combinado ele voltou e disse: - Eu tenho uma noticia boa e uma má noticia. Qual delas quer primeiro?
O outro animado disse: - A boa 
o amigo então disse: - Lá no céu têm escoteiros sim. 
ele então perguntou:
- E a ruim qual é? Ele responde:
- Você foi convocado para ser o Chefe da tropa na reunião nesse domingo lá. 

Batem à porta de Dona Maria. Sua casa era ao lado da sede Escoteira. Dona Maria abre. Diante dela está o Paulinho Escoteiro. 
http://sitededicas.ne10.uol.com.br/gifs/novos_gifs/travessao.gif Dona Maria, eu posso entrar lá no seu quintal? Era sempre assim quando a bola caia lá no quintal dela. Eles em vez de ficar em reunião sempre inventavam outros jogos. Quando não era bola era pipa ou bolas de mão. 
http://sitededicas.ne10.uol.com.br/gifs/novos_gifs/travessao.gif Não. Deixa que eu mesma vou! Que foi que caiu lá desta vez? 
http://sitededicas.ne10.uol.com.br/gifs/novos_gifs/travessao.gif Minha flecha. 
http://sitededicas.ne10.uol.com.br/gifs/novos_gifs/travessao.gif E onde é que ela está? 
http://sitededicas.ne10.uol.com.br/gifs/novos_gifs/travessao.gif Espetada no rabo do seu gato.

Outro dia tem mais. Atenção, você não é obrigado a rir, mas se não rir se prepare, pois vai cair uma árvore na sua cabeça. Kkkkkk.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A morte da barata.


Conversa ao pé do fogo.
A morte da barata.

             Esta madrugada eu me levantei lá pelas três da manhã. Destino? O banheiro da minha morada. Nem bem acendo a luz e lá está ela. Quieta. Parada, finge-se de morta. Ela parece  John Wayne naquele filme que ele fazia papel de caolho. Fingiu-se de morto na guerra e conseguiu escapar dos sulistas. Voltemos à história: -  Eu a olho e penso: - Mato? Sou um matador? Quem sabe posso tirar uma de lutador de UFC? Sei não, esta turma só entra pelo cano. Dizem que todos tem sangue de lutador, pistoleiro e matador ao avistar uma barata. Coitada, é totalmente indefesa. Tem algumas que correm e escapam tem outras que se fingem de morta. A coitada quando cai de barriga para cima é uma piada. Quem vê acha que morreu, mas a danada está vivinha da silva. Truque Velho já conhecido pelos matadores. A barata é o terror das mulheres. Claro para alguns homens também. Se você gritar alto – Uma barata! É um Deus nos acuda. É gente correndo para todo lado. Parece Brasília quando gritam pega ladrão! Já vi homens fortes, aqueles que se dizem durões, frequentadores de academia, musculoso, gemer e subir em uma cadeira e ficar tremendo gritando: - Barata! Barata! Mata! Mata! E veja a pobre coitada. Pequena, indefesa, não morde e não sabe dar “porrada”.

 

                   Ela é noctívaga. Só a noite dá as caras, pois espera que os humanos estejam dormindo. Afinal elas não estão no topo da cadeia alimentar e tem de se virar com seus velhos baratos e filhos baratinha. Tem aquelas que resolvem passear durante o dia, umas idiotas, pois sem saber estão cometendo haraquiri. Não adianta as donas de casa a deixarem um brinco. Varrer passar pano, comprar mil e uma utilidades mostradas na TV. Você mata cem hoje e amanhã aparece duzentas! Elas as perseguidas se escondem nos canos de esgoto ou no próprio esgoto. Deus do céu! Que destino é esse? Morar no esgoto e sair para ser morta? Dizem que elas adoram uma cozinha. Restos de alimentos ou açúcar e quase não bebem água. Os estudiosos separam as famílias de barata como a americana. (nunca vi, deve ser riquíssima, renda per capita acima da média e com filhos Marines). Existem a cascuda e a voadora. Esta é demais. De vez em quando estou com a janela do meu pequeno escritório aberta e surge uma voando. Levo o maior susto. Deve ser a americana da Air Force saltou de paraquedas pensando ser o Afeganistão  e veio parar na minha janela.

 

                   Falam ainda na barata Alemã e na australiana. Não tem a brasileira? Acho que não. Se tivesse estariam dando risadas nas cozinhas das plataformas continentais da Petrobrás, aguardando o pré-sal que de sal só tem dólares. Quem sabe estão na própria cozinha do prédio enorme na esplanada Santo Antonio no Rio de Janeiro alimentando-se das sobras da Operação Lava Jato. Mas voltemos a nossa mente assassina. Assassina? Era apenas uma barata. Pequena coitada. Tentando se esconder e você atrás com uma metralhadora israelense ou um fuzil AR-15, uma bazuca e não leva um canhão porque é pesado demais. Bem para não alongar a história da barata Escoteira... Calma não era Escoteira. Não existe uma barata usando a vestimenta. Já pensou? Barata com camisa solta, aqueles bolsos enormes que cabem mil baratas e sem meia? Kkkkkkk. Elas são contra totalmente contra este tipo de uniforme. Uma me disse que se fosse seria o caqui de calças curtas ainda vá lá, mas preferem morrer de vassourada ou pé de chumbo (minha mulher mata de chineladas!).

 


                    Mas voltemos à barata no banheiro. Paro na porta, ela para perto do vaso. Eu olho para ela com os olhos injetados. Ela finge-se de morta. O que devo fazer? Dizem que nós Escoteiros somos bons para os animais e as plantas, mas a barata não é animal, não é pássaro e nem peixe. Dizem que é um inseto perigosíssimo.                   Penso, analiso, somo dois mais dois, faço uma raiz quadrada de 0,0,3285860. Ainda na duvida se a mando para a terra dos baratos e baratas e fecho os olhos. Uma pena enorme. Se contar para a Célia que a deixei viver vou ouvir o que não quero. Levanto o pé calçado com um chinelo, o levo em cima da barata. Ela imóvel não sabe que vai ser assassinada. Abaixo o pé sem dó e sem piedade. Um barulho de “trak” se fez. A barata morreu!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Apenas uma reunião de tropa...


Conversa ao pé do fogo.
Apenas uma reunião de tropa...

                Gedeão sabia que o sábado estava chegando. Como tudo mudou para ele. Antes uma motivação enorme quando ia para as reuniões de tropa. Uma alegria uma vontade de continuar ali além do horário, mas agora... Agora não. Ele notou que as últimas reuniões foram fracas, sem graça, e Marcondes tinha faltado mais de duas reuniões. Ele se lembrava de Ethan e Galileu. Nenhum deles o procurou para dizer que estava saindo. Ele foi à casa dos três e olhe que não era fácil. Trabalhava do outro lado da cidade e só aos sábados após as reuniões tinha um pequeno tempo, é claro que isto interferia e muito com sua família que o cobrava sempre. Chefe Gedeão havia meses que pensava onde estava errando. Ele sempre rebuscava no passado as atividades os acampamentos e as reuniões de tropa que participava. Era outra época. Quatro patrulhas completas. Dificilmente alguém saia, mas hoje? Hoje era tudo diferente. Ele ainda tinha três patrulhas porque Jerusa, Jesabel, Germine e Isabel passaram da Alcateia para a tropa.

                  Ele sentia que as meninas ficavam mais tempo, eram mais interessadas e queriam a todo custo chegar ao Lis de Ouro. Os meninos nem todos. Agora a tropa tinha dezenove participantes, mas dez eram meninas. Ele sabia que isto não podia continuar, ele não podia perder meninos assim. Tinha que haver um motivo. Ficou feliz quando Ester saiu dos lobos e veio ajudar na chefia. Mas ela tinha muito boa vontade e pouco conhecia dos Escoteiros. A consultou muitas vezes, mas sua experiência era mínima. Um dos maiores problemas ele conseguiu resolver: - O enorme tempo que ficavam no hasteamento e arreamento da bandeira. Sempre escolhiam esta cerimônia para promessa, para entrega de distintivos e especialidades e certificados o que atrasava muito o programa da tropa. Como todas as sessões faziam a reunião em conjunto era natural que todos estivessem presentes, afinal eram ou não uma grande família? No Conselho de Chefes que faziam uma vez por mes mês ele levantou o assunto. Sorriu quando viu que outros pensavam como ele.

                  Chegaram a um acordo. Cada sessão iria tirar um tempo durante as reuniões para fazer a promessa, entregar distintivos dentre outros. No Cerimonial só as grandes conquistas: - Lobo Cruzeiro do Sul, cordões de eficiência, Lis de Ouro e Escoteiro da Pátria. Não iriam demorar mais que quinze minutos no inicio e dez no fim. Mesmo assim ele não estava satisfeito. As reuniões estavam mornas, os jogos sem graça e as atividades técnicas desinteressantes. Notou também que as patrulhas nos tempos livres quase não se reunião, o adestramento do Monitor com seus patrulheiros só era feito quando ele exigia.  Sabia que adoravam acampamentos e excursões, mas e a ultima excursão? Faltaram cinco. Uma lástima. Conversou com os monitores na Corte de Honra e em particular. – O que está havendo? Alguns nada diziam e outros davam desculpas que não condizia com a verdade. Ele tinha um enorme arquivo de jogos. Agora com a Internet ficou mais fácil ainda. Adiantava? Não.

                  Chefe Gedeão precisa descobrir o motivo. O motivo real e ele sabia que não era só ele. Conhecia muitos amigos chefes que se ressentiam da mesma maneira. Nunca se descuidou de sua biblioteca Escoteira. Gastou uma nota para ter todos os livros que precisava. E os cursos? Pagou do seu próprio bolso a maioria deles. Mesmo depois quando recebeu a Insígnia de Madeira ele notou que nada mudou a não ser o lenço. Cantava sempre baixinho o Volta a Giwell. Mas voltar para onde? Outros cursos? Quais? Não sabia se existiam cursos de pós-graduação o conhecido MBA no escotismo. Será que existia? Ele precisava mais, precisava de um curso onde se poderia discutir programas de reuniões, jogos, técnicas novas de motivação e tantos mais. É não adianta dizer que em meus sonhos sempre volto a Giwell. Nem sei se eles tem cursos para aprimorar meus conhecimentos ele dizia.

                     Ele tentou de tudo. Fez jogos que ninguém esperava, montou diversas bases técnicas, deu dica para cada patrulha onde conseguir conhecimentos, levou um amigo violonista para ensinar a cantar melhor as musicas Escoteiras, tentou ao seu modo ensinar e mostrar a cada Escoteiro e Escoteira o verdadeiro sentido da lei e promessa. Em nenhuma reunião ele deixava de comentar ou fazer um jogo sobre a lei escoteira. Como religioso que era Deus estava presente em tudo que fazia e ele fazia questão de dizer aos seus jovens. Chegou a comprar um caminhão de eucaliptos e bambus para uma disputa de pioneirias na sede. No inicio supimpa, mas depois... É voltar a Giwell todos diziam, mas ele não sabia onde ficava Giwell a não ser na Inglaterra. Passou domingos e domingos montando programas, discutiu com monitores e pediu ajuda as patrulhas para dizerem se aprovavam ou não. Claro ninguém dizia não só sim.

                       Chefe Gedeão viu que nada deu certo. No último sábado  Jerusha não veio. Quase ao encerrar foi procurado por Joviel que disse não iria vir mais. Ele iria fazer um curso à tarde. E agora meu amigo? Ele disse para si mesmo. Tentou uma última cartada, ligou para muitos chefes que conhecia. Todos ou a maioria sempre lhe dando uma força, dizendo o que fazer como fazer e ele sabia que tudo aquilo ele já tinha feito. A tropa ele sabia ia de mal a pior e detestava quando via patrulhas incompletas, com três ou quatro ou mesmo quando via algum Chefe tirando Escoteiro de uma patrulha para colocar em outra. Naquele sábado foi para casa amargurado. Tinha de haver uma solução. – Fazer fazendo? Deixar que eles decidam? Querem fechar a tropa? Melhor acabar com tudo? – Gedeão já tinha decidido. Iria insistir para que cada um desse sua opinião, ele sabia que no inicio todos sempre abaixavam a cabeça e não diziam nada. Os mais afoitos comentavam, mas nada de importante.

                 - Tropa! Ele disse com todos em linha. A partir de hoje vamos ficar quinze minutos depois do horário. Avisem aos seus pais. Não disse mais nada. – Naquele sábado eram doze. Muitos já tinham desistido. – O motivo é para saber qual a atividade que devemos fazer quais os jogos que devemos fazer como motivar nosso amigo na patrulha, quais as sugestões podemos dar. Agora é com vocês. Gedeão se calou. Não falou mais nada. Pegou todo mundo de surpresa. Naquele sábado o tempo acabou sem ninguém falar nada. No segundo sábado todos sentados em circulo e ele nada disse. Ninguém falava. Deu o tempo e todos foram embora. Assim foi no terceiro e quarto sábado. Gedeão soube que eles se reuniam fora da sede. E no quinto e sexto sábado começou a ouvir. Ele só ouvia. Em todas as reuniões nunca disse nada. Nunca deu palpite. Afinal por anos ele fazia tudo e achava que tinha a solução na mão.


                     Três meses depois ele viu alguém levantando a mão. – Sabe Chefe, eu acho... – Outro também disse: - Sabe Chefe... E assim Gedeão venceu a batalha. Agora todos faziam questão de opinar. A tropa se motivou de tal jeito que vinte minutos não dava. Precisavam de mais. As discussões eram acaloradas. Gideão nunca falou. Nunca disse nada. Sempre ouvindo seus Escoteiros e Escoteiras. Mas o que diziam ele sabia que devia por em prática. Só sei que em menos de oito meses a tropa de Gedeão tinha três patrulhas completas a caminho para a quarta. Chefe Gedeão ainda lembrava quando leu em um livro um comentário de saber ouvir: -                Perceber, reconhecer, entender, compreender, valorizar, dar atenção, respeitar… São vários nomes diferentes para um processo tão simples, mas ao mesmo tempo tão difícil de ser praticado: ouvir, de fato, o outro.