Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Crônica de um Velho Escoteiro Bengaleiro. A perna, a Bengala e o caminho para Sucesso.


Crônica de um Velho Escoteiro Bengaleiro.
A perna, a Bengala e o caminho para Sucesso.

- Ops! Não é o livro de BP, é o meu caminho. Sucesso ou não “tô” nele e não abro mão. Saltitei da cama cedo, a perna me olhou espantada e disse: Pé na taboa escoteiro vou te levar em excursão vai ser alegria de montão! Quá, eu conheço esta “petisca”. Mas não dei prá ela xulê, Café nos introitos, biscoito para mastigar e na parede pendurada a minha gostosa bengala. A perna logo reclamou: - Caminhada curta escoteiro, deixa de ser treteiro! Upalalá! Lá fui eu tartarugando e bengalando, e minha perna reclamando. Andei quase dois quilômetros, e ela calada não praguejou.

- Andar de bengala é um “barato”, todo mundo tira o chapéu, devem pensar coitado do velhote, já não vai ao convescote, perna curta não vai dar. Risos. Entro na padaria, minha voz não é batuta, rouca e desafinada, me atendem com presteza! Poxa! Ainda dizem que velho não tem valor, tem sim, e si tá de bengala todo mundo respeita. Vou atravessar a rua, paro no meio fio, os carros buzinando e a motoristada fazendo sinal: - Passe Velhote, a rua é sua! Lá atrás a “buzinaria”. Alguém grita “deixa o velho passar”!

- Finjo que quase tropeço, todos querendo ajudar e lá vou eu a caminhar. Minha mente não dá trégua e começo simplesmente a pensar. Lembro-me do Gilmar Mendes, o Ministro Valentão que diz não dar um abraço, não gosta da lava jato. Ele solta todo mundo e nem tai com aquela cara de assustar. Risos. E o Temer? E Rodrigo Maia? Um vai para a china o outro vira presidente. E a deputadaiada continua trabalhando (trabalhando?) terças e quartas e depois é hora de voltar no jatinho da FAB. E você? Vai votar em quem?

- O cara recebe propina de cinquenta mil e reclama. Só isto? Moço propineiro, passa prá mim, tô andando de Vulcabrás, meu carrinho fundiu o motor. E se não quer eu quero, “faiz favô”! Na esquina da São José dou uma bela risada. Quem passa acha o que? “O Velhote tá no norte” Deviam era preocupar em quem votar. Eu? Não voto em ninguém eleito. Ninguém! Ali e acolá seja vereador deputado ou senador, “nois tamo é roubado”! E se gritar pega ladrão não fica um meu irmão!

- A mente não para, a perna calada, a bengala toc toc. Olho atravessando a rua, um cara magro, alto cabelo espichado, dente prá frente e pensei... É o Maestro Munir! Conhece? Sei que não. Era o maestro da Banda do Grupo Escoteiro São Jorge onde aprendi a escoteirar. Adorava desde pequeno ir ao Campinho do Cine Pio XII ver a banda tocar. Batuta! Maestro munir andava com uma varinha. Bumbo aqui, corneta e clarim acolá! Acho que foi pela banda que entrei no lobinho. Quantas saudades! Sempre adorei marchar!

- Lobinho, não disseram que o Maestro Munir era o Akela? Bem nunca o vi lá, quem mandava era o João que todos chamavam de “Jão”. Balu seu moço, Balu mas ninguém chamava ele assim. Sabe, eu gostava dele. Seu jeitão de sorrir, de cantar de contar histórias. Pequeno magro, negro e pai eterno. Fiquei lobeando com ele por quatro anos. E o Maestro Munir? Era dono da banda, lá não tinha lobinhos, só sênior e pioneiro. Precisavam ver o Maestro nos desfiles. Nunca vi tanta medalha e tanta estrelinhas de metal. E o seu chapéu? Deus do céu! O cara era o tal!

- Sai da Avenida São José e na Padaria do Guido atravessei a rua entrando na Pica Pau. A perna não reclamava. Andava devagar quase parando. Foi um custo para me aceitarem na banda. Entrei para treinar no Tarol. Depois fui para uma Caixa Clara até chegar ao Tambor. Meu sonho era o clarim. Um dia o Maestro me deu um e disse: Leve para sua casa, treine e quando souber tocar me dá um toque quem sabe você vai tocar na banda! E não é que no dia em que ia apresentar, eis que a Patrulha foi acampar! Clarim ou acampamento?

- Eu gostava mesmo era do “Seu Miguel” nos seus sessenta anos contava histórias demais. Dono do Sítio Pato Manco, era nosso local preferido para acampar poucos dias. Nem dava a noitinha chegar e lá vinha ele com o Montanha, um vira-lata magro e que nem latia. Montanha? Risos. Lembro que ele contava histórias quando soldado na frente da batalha da Revolução de Trinta. Paulistas contra “nois”. Ele era bom para contar. Fingia estar com seu fuzil “Mauzer” modelo 1928 e pum!


- Bem a mente vai sessando e vou chegando a minha morada. Célia está no portão. Marido comprou ovo? Puxa! Esqueci! A perna reclama mas lá vou de volta até o verdureiro Bastião. Sem ovo não dá. Sem dente não posso mastigar. A perna calada, a bengala toc. Toc. Upalalá! Viver é bom demais e prá que reclamar meu irmão! Um sorriso nos lábios bengala na mão e seja o que Deus quiser!

Nota de Rodapé: - Apenas para passar o tempo. Afinal ontem sofri o diabo na mão da minha perna. Hoje ela quebra o galho mas ainda não está no ponto e nem vai ficar. É bom caminhar. Acalma, faz a gente pensar e o tempo passa as historias ficam e no meu caminho para o sucesso vou vivendo com minha bengala minha nova companheira.

domingo, 27 de agosto de 2017

Putz! Minha perna não me obedece mais!


Putz! Minha perna não me obedece mais!

            Pois é, fiz de tudo, mas ela se encrespou. Chamei-a no cantão e rezei um sermão. Ela caladona como se estive nem aí! Fui até meigo, agradeci a ela pelo que fez por mim, por ter me levado a lugares lindos, por ter me ajudado a atravessar planícies, vales e subir montanhas escorregadias. Até fui piegas quando disse a ela que era hora dela me ajudar. Mocinha, você vai me deixar na mão? Ela ficou calada e calada ficou. Argumentei que precisa dela para fazer caminhadas, ir à padaria, comprar na vendinha do Abreu alguma verdura prá cozinhar.

            Ela já vinha definhando há tempos. Vivia se queixando que era melhor eu parar e partir para outra. Outra? Dona perna, que outra? Já não se vendem pernas como antigamente. Onde vou conseguir uma? Ela calou e desde aquele dia calada ficou. Hoje ao levantar vi que meu corpo estava pesado demais mesmo assim tateei pelas paredes e rodei a casa de canto a canto. Ela gemendo. Pensei que ela estava fingindo e fui até a varanda. Ela me obrigou a sentar. – Vado, não dá mais ela disse. Dá sim, deixa de frescura e vamos continuar pisando no chão brasileiro, afinal sou ou não sou o Vado escoteiro?

              Ameacei, rodei a baiana, disse a ela que ia chamar a Corte de Honra, meus monitores não teriam piedade. Ela deu gargalhada! – Fui mais além, vou levar você a Comissão de Ética da UEB ou será EB. Putz me confundo muito até hoje não entendi porque deixaram de lado a União, era tão bonito! – Ela naquele sorriso enigmático não me deu bola. Cheguei à conclusão que é melhor deixá-la fazer pirraça. Tudo bem que estou chegando aos setenta e sete anos e ela já trabalhou demais. Mas parar assim sem mais nem menos?

               Queria aposentar a bengala, mas não deu. Lá vou eu por caminhos conhecidos na minha barraca de plantão. Toc, toc, o som da bengala não é lá uma melodia de Puccini e me tira do sério. Passei o dia sentado e bengalando. Já que é assim que ela se dane, fui para meu computador. Escrevi adoidado. Dois contos e um artigo e ela lá esticada sem ao menos agradecer o que fiz por ela. Amanhã é outro dia, vamos ver se minha perna colabora. Preciso andar espraiar ir por aí sem rumo e sem violão debaixo do braço.

                 Tenho que ser compreensivo. Perna não dura à vida toda disso eu sei. Mas precisava tanto dela e vou dar um descanso. Falei baixinho em seu ouvido: Perna querida faça igual ao meu pulmão, ele não reclama vez ou outra falta o ar, mas mesmo assim vai me dando tempo para pescar na vida que eu levo. Que seja se ela quer assim. Sei que isto faz parte da vida, nem tudo dura para sempre. O corpo nasce, cresce fica dodói e se vai. Vira poeira cósmica no chão da terra que sempre amei.


                 Mesmo assim, agradeço a ela meu pulmão e parte dos meus órgãos que ainda não me deixaram na mão. Mas sinto que estão acabando. Ainda bem que meu espírito, minha vontade não desiste e mesmo sem meu corpo que amo, vou andando no pedaço e dizendo, enquanto houver vida, enquanto houver pensamento, não desisto. Que seja, vamos aguardar o amanhã, quem sabe eles que fazem o meu corpo não resolvem me ajudar?

Nota de rodapé: -  Hoje acordei cansado, de que? Perguntei-me. Não sei. Minha perna não queria carregar meu corpo e insisti com ela para não desistir. Escrevi sentado e isto deu para ela pensar no erro que cometia. Mas cá prá nós, nem tudo dura para sempre e eu só tenho a agradecer a ela e partes do meu corpo por me darem a vida que sempre amei.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Curiosidades Escoteiras.


Conversa ao pé do fogo.
Curiosidades Escoteiras.

A FLOR DE LIZ ESCOTEIRA

É o símbolo do Escotismo. Foi escolhido por Baden Powell em 1907. Desenhada na cor amarelo-ouro, no centro de uma bandeira verde, foi hasteada ao lado da bandeira inglesa no primeiro acampamento escoteiro realizado em Brownsea, no Canal da Mancha, Inglaterra. Antigamente, a flor-de-lis era desenhada nas cartas náuticas para indicar o norte na rosa dos ventos. Ao observar essas cartas, Baden Powell chegou à conclusão de que a flor-de-lis representava o sentido de direção; e era exatamente esse sentido que ele idealizava para o Escotismo. No Brasil, o Selo da República, com círculo de estrelas e o Cruzeiro do Sul é usado para esse fim. Sob a flor-de-lis há uma faixa com o nosso lema: Sempre Alerta! Sob a faixa, há um nó, cujo objetivo é lembrar a boa ação diária que devemos fazer em benefício de alguém, sem outra recompensa que a de nos sentirmos úteis.

Nota – Uma nova Flor de Lis estilizada substituiu a antiga da UEB.


AS BANDEIROLAS DE PATRÚLHAS

As bandeirolas de patrulha surgiram no acampamento de 
 Brownseano ano de 1907, quando Baden-Powell colocou a prova suas idéias sobre o nascimento do movimento juvenil. No primeiro día do “campamento piloto" organizado pelo fundador, se formaram quatro  patrulhas: TouroMaçarico, Corvo e Lobo. Estas Patrulhas eram dirigidas por un jovem mais velho que recebio título de "guía" e era o portador de um curto bastão com uma bandeira triangular de cor branca que tinha desenhado ecor verde o animal "tótem" dessa patrulha. O mesmo tinha sido desenhado  pelo próprio Baden- Powell e tinha também a inscrição "BA", simbolizando a primeira e última letra da palavra "Brownsea", nome da ilha onde estavacontecendo o acampamento.  Um ano mais tarde, quando escreveu "Scouting for Boys", BP regulamenta de forma geral esta tradicão dizendo simplemente que "todo guía de patrulha leva um bastão com uma pequena bandeirola com a silueta do animal de sua patrulha em ambos os lados". 

Também se especifica nesta obra as cores das patrulhas, que até hoje se respeitam na maioria das associações escoteiras do mundoAs bandeirolas de patrulha fazem parte das tradições de patrulha que ajuda a formar o espírito de patrulha. O célebre Roland Phillips declarava que "o espírito de Patrulha e uma disposição moral, uma atmósfera especial o ambiente natural de onde sedesenvolvem os jovens, que se faz sentir-se parte essencial  de uma unidade completando-aSua presença se manifesta até nas palavras mais insignificantes e no atos e gestos de cada jovem. E necessário que cada escoteiro "sinta" que sua Patrulha deva ser a melhor e para isto deve fazer tudo que puder, para poder falar com orgulho "Eu pertenço a esta Patrulha".

O novo escoteiro deverá aprender a desenhar o emblema de sua Patrulha usando como uma assinatura. Estas são os meios para fazer germinar e arraigar profundamente o espírito de PatrulhaEm se tratando de escotismo os mínimos detalhes tem um extraordinária importância porque contribuem para criar o ambiente. O essencial e que cada patrulha tenha uma característica própria e que escoteiro tenha consciência de que possui alguma característica  que os destinge dos demais.



O CINTO DA UEB NA LUA

Um dos grandes momentos do Escotismo Mundial aconteceu com a primeira missão do homem na lua. O. Três astronautas, sendo eles todos escoteiros, realizaram a primeira Excursão Escoteira à Lua no histórico voo da Apolo 8Frank Borman foi escoteiro no Arizona, William Andres foi escoteiro na Califórnia e James Lowell chegou a ser Escoteiro da Pátria, maior classe que um escoteiro pode galgar, e atualmente atua como Escotista de uma Alcateia de Lobinhos no Texas.

Na missão do APOLO 11, um fato importantíssimo aconteceu, Neil Armstrong, que ficou conhecido com Escoteiro Astronauta da Apolo 11, foi 1.° homem a pisar no satélite natural, a lua. Este fato tem para nós paulista um significado todo especial. Pois, Neil Armstrong usou no seu espetacular voo à Lua o Cinto Escoteiro do Brasil, que recebeu de presente do escoteiro Carlos Laucevícius, por ocasião de sua visita em nosso país. Os astronautas cumpriram importante tarefa como escoteiros para "construir um mundo melhor".

Quando Armstrong desceu na Lua milhares de escoteiros de todo o mundo tiveram um motivo especial para acompanhar o desenvolvimento de seu êxito, afirmou hoje o Departamento Mundial de Escotismo. É que Armstrong foi "Águia", o grau mais elevado dos escoteiros nos Estados Unidos. Por outro lado o Escritório Mundial do Escotismo informou que dos primeiros 57 astronautas que fizeram parte do programa espacial dos USA, 44 foram escoteiros.


Fonte: Texto publicado por Rodolpho P. J. Mehlmann, Chefe do Grupo Ubirajara.

Nota de rodapé: - Duas chaves da felicidade:
- não levar as coisas muito a sério, mas aproveitar ao máximo o que se tiver, e olhar a vida como um jogo e o mundo como um campo de jogos;
- deixar as nossas ações e pensamentos serem orientados pelo Amor.
A felicidade está ao alcance de todos, ricos ou pobres. E, todavia os felizes são comparativamente poucos. Baden-Powell.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Um sonho escoteiro distante.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Um sonho escoteiro distante.

            Tenho muitas histórias para contar. Histórias que vivi, histórias que sonhei, histórias que criei na minha mente imaginativa pensando que um dia as pudesse viver. Mas pensando bem o que são histórias? Dizem os mestres que história é uma palavra de origem no antigo grego “historie” que significa “conhecimento através da investigação”. Que ela é uma ciência que investiga o passado da humanidade no seu processo de evolução. Então é isto que eu venho a escrever?

             Alguns mais chegados, que não tive a honra de apertar a mão escrevem vez ou outra que elas são contadas na seara das suas reuniões, dos acampamentos dos fogos de Conselhos e nas tardes de chuva ou em algum lugar onde estão os jovens escoteirando. Já ouve um que contou maravilhas das apresentações em fogo de conselho onde a meninada se esbaldava a representar o que o velho Chefe contou. Alguns não dizem se os jovens gostaram outros alardeiam que minhas histórias sempre tem apetite demais entre aqueles mais afoitos que vibram como escoteiros. Acredito pois seria cruel duvidar.

              São poucos que comentam dizendo o que acharam, tem muitos que curtem e tem aqueles “anônimos” que leem e não se dão a conhecer. Houve um tempo que os famosos lideres em suas hostes escoteiras me deram a honra de ler e comentar. Naqueles velhos tempos eu costumava responder, mas o tempo foi passado e achei melhor me calar. Nem sempre sou bem interpretado. Ser malcriado, gritar aos ventos, subir na burra do cata-vento não ajuda a convencer ninguém. Imito Gandhi e outros tantos que acham que na paz podemos chegar lá.

                Dizem por aí que me acho um Bipezinho fardado de caqui. Não esquento a cuca. Se for o tal é conhecer o escotismo então eu sou mesmo um Baden-Powell esquecido nas suas memórias. Mas e dai? Gato molhado pula prá todo lado reclamando da água que levou. Más quá, como diz o mineiro, até onde pude chegar ou vou chegar algum dia? Necas que não sei. Se hoje na minha idade nunca fui convidado para mostrar o escotismo na sua realidade, pelos plantões do momento na liderança, eu sei que a verdade o convite fica na saudade. E bem dizia a minha patroa: Falar o que? Com esta tosse de arriba tu não dá mais prá gargantear.

                 Antigos adestradores, agora chamados de formadores, e alguns amigos que foram investidos como Mestres professores escoteiros não seguem minha cartilha. Ela é quadrada, destoada da mecânica original. Eles têm o rumo, tem a trilha pronta e a minha faz parte de um passado que não volta mais. É... Um caminho perfeito. Se sentem bem dando o que sabem a nova safra que amanhã irá despedir e ficar no anonimato escoteiro. E eles rindo leve e solto continuam no poder. O caminho está feito. Se a estrada tem asfalto de segunda classe e vai se deteriorar a elite escoteira não está nem aí. Discutir jamais. Não sou Jesus Cristo, mas poderia dizer: Baden-Powell, será que eles sabem o que fazem?

                 Engrosso a xarada e me pergunto. Sou história ou estória? Dizem que a diferença é que história é baseada em documentos ou testemunhos, e estória é baseada em elementos fictícios. Ops! Então eu sou estória, sou ficção. Meu escotismo não pode existir no entardecer da nova era, do novo escotismo, na ilusão de quem já foi não é mais. Perguntei a alguns especialistas escoteiros se o termo estória é isto mesmo. Responderam em unicidade que a palavra história sim é o certo.  Ela descreve relatos baseados tanto em fatos verídicos como fictícios.

                  É mesmo. Ainda fico na duvida se sou verídico ou fictício. E o tal fundador que um dia disse que ninguém tem interesse em ouvir ou pedir sugestões aos que passaram dos seus sessenta anos. Ele na porta de sua morada, olhando o Kilimanjaro ria e completava: - Afinal o velho escoteiro viveu uma vida, passou por trilhas de obstáculos, aprendeu como contorná-las e os novos resplandecentes dirigentes não querem entrar nesta seara. Tateiam como profetas a fazer um novo escotismo que um amigo meu chama de neo-escotismo. Olalá! Dou risadas porque ainda não sei o que é neo-escotismo.  

                   Enfim, vou passeando no teclado minhas letras como se fosse um “apanhador nos campos de centeio”. Dizem que a maioria das pessoas que ficam de cara amarrada, ou não sabe sorrir ou tem um sorriso pavoroso. Upalalá! Antigamente eu achava meus chefes inteligentes, me achava um burro junto deles. Afinal eles eram dirigentes, bons de bico, bons de fornada, lideram a escoteirada que não sabe reclamar. Fico na minha, quando as pessoas sabem um bocado do que dizem, a gente leva um tempão para descobrir se a gente é que é burro ou elas que são!

                   Há coisas que a gente não deve discutir e melhor deixar do jeito que está. Tem hora “Entonce” que dá vontade de chamar o sujeito, enfiá-lo em uma barraca de duas lonas em noite de chuva e dizer: Dorme no molhado e se convença que seu caminho não leva ao sucesso. Mas é perda de tempo. Sei que setenta anos escoteirando e setenta e seis vivendo não é tão mal assim. Afinal o sol só aparece quando cisma de aparecer. E o engraçado mesmo é que a gente quando diz alguma coisa que ninguém entende eles sorriem dizem adeus e fazem exatamente o que eles querem. Que coisa sô!


                   E chega por hoje. Vou vivendo e ficando na beira do caminho, pois já sou historia ou será que é estória? Seja o que for não desisto. Desta água eu já bebi e vou beber prá sempre. Para mim não tem chuva no molhado, vou bicando aqui e ali e quem sabe um dia a porteira do Seu Jeremias irá abrir sem ranger ao puxa empurra? Que Baden-Powell me ilumine e me dê forças. Graças a Deus!

Nota de rodapé - Eu ia escrever uma história. Quem sabe bonita, que cativasse meus leitores a dizerem coisas lindas sobre o que escrevi. Mas comecei a escrever e cheguei à conclusão que devia falar outra coisa. Afinal se eu não aceito meu passado do jeito que ele é não terei futuro neste mundo. Eu sei que mesmo não tendo inimigos que é preciso muita coragem para enfrentar alguém que se diz ser meu amigo.  Ainda piso em aguas revoltas. Até onde o meu escotismo que acredito irá chegar?

sábado, 19 de agosto de 2017

Sábado, tem reunião outros acampamentos e outros sonhos!


Sábado, tem reunião outros acampamentos e outros sonhos!

                 E lá vou eu, neste sábado chuvoso, nestes tempos frios, me transporto para um acampamento, em uma noite gostosa, ali reunidos com muitos amigos e amigas, olhar perdido no universo, em uma clareira na floresta, em volta de uma fogueira, um violão cantante, um olhar distante que faz a gente pensar: - Como é bom ter amigos, perto ou longe eles sempre estão conosco. Os poetas dizem que os amigos são a família que nos permitiram escolher. A nossa frente à fogueira em brasa solta fagulhas no céu. Um calorzinho gostoso, um café amargo, um chimarrão cheiroso corre de mão em mão.

                 Brilha a fogueira ao pé do acampamento, para alegria não há melhor momento, crepita o fogo... Velhos amigos não perdem a ocasião de reunidos cantar linda canção. Entre nuvens e estrelas, pululam vagalumes no céu. A poeirada fumacenta não afugenta ninguém. Olhos vidrados na chama que aquece até o coração. Saudade da escoteirada rindo cantando brincando e convidando: - Irmãos aqui tem café e tem mate, vão chegando e se assentando. - Alguém põe mais lenha na fogueira prá esquentar “nois” escoteiros.

                 - Ei você! - Escute se a chaleira não chia, venha provar um cafezinho e se não quiser tem chimarrão “dos bão!”. Uma batata doce esquenta a “goela”, uma banana da terra passa de mão em mão... E a gente vai vendo a noite passar olha a dança dos pirilampos em volta das chamas, vendo seus medos virarem fumaça. Bom demais estar em um fogo de conselho prá não esquecer jamais!


Uma linda e proveitosa reunião ou quem sabe um acampamento!

sábado, 12 de agosto de 2017

Contos de Fogo de Conselho. “Amâncio”.


Contos de Fogo de Conselho.
“Amâncio”.

                      Olhou para seu monitor e pensou em dar uma resposta à altura. Eram da mesma idade e Torpedo só mandava e nada fazia. Deu para empurrar a patrulha quando em fila. O jogou no chão algumas vezes. Fervia de raiva. Porque aceitar aquilo? Prometeu a si mesmo sair depois do acampamento em Aguas Formosas. Sonhava com ele. Um ano de preparação. Perder tudo que criou na sua mente? E o Caminho do Tarzan? E O elevador de cordas?

                     Treinou amarras, costuras, desenhou. Sabia de cor o que ia fazer. Deixar tudo para trás? Não dizia para sim mesmo que só os fracos desistem? E porque o Chefe não via as ações de Torpedo? Porque aceitar um monitor sem qualidades, mandão, déspota, prepotente a “comandar” uma patrulha que nunca iria aprender a andar com suas próprias pernas dirigidas por um monitor sem formação?

                  Foi para casa pensando o que fazer. Quantos entraram na patrulha e sairiam? Há dois anos quando entrou a patrulha tinha sete, Torpedo entrou e saíram tantos que agora só tinham quatro e olhe que mais de oito entraram e saíram. Uma conta que não fecha. Resolveu falar de homem para homem. Foi à casa de torpedo.

                 Ficou horrorizado com o que viu. Seu padrasto com uma correia na mão lhe aplicava a maior surra. Sua mãe corria pedindo perdão. Torpedo chorava e gritava. A patrulha policial chegou. Levou o Padrasto de Torpedo. Sua mãe o levou para o hospital, pois estava todo machucado.


                 No sábado ao chegar à sede ele deu um enorme abraço em Torpedo. Este espantado não sabia o que dizer. Amâncio sorriu. – Torpedo, a amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento. Duplica a nossa alegria quando dividimos a nossa dor. Torpedo sorriu e abraçou forte Amâncio. Ficaram amigos para todo o sempre!

Nota de rodapé: - Decisões nem sempre são fáceis de tomar. Principalmente aquelas prometidas e nunca cumpridas. Era a vez de Amâncio decidir. Não dizem que a palavra desistir não existe para os escoteiros? A história irá explicar melhor. Bem vindos aos fortes, àqueles que sabem a hora certa de tomar uma decisão. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Uma crônica do cotidiano. Se existem sonhos, a vida continua.


Uma crônica do cotidiano.
Se existem sonhos, a vida continua.

                      Faço uma caminhada todos os dias. Tem alguns que não consigo. Falta o ar o cansaço chega e nestes dias passo a maior parte em minha varanda singela pensando no que fazer. Hoje comecei a divagar e me lembrei de um fato acontecido que gosto de lembrar. Uma manhã de sol... Lá fui eu na minha caminhada. Perto tem um Centro Esportivo muito arborizado. Gosto de lá. Não ando muito, máximo um quilômetro. Mais não aguento. Caminhava com prazer e alegria mesmo com meus passos trôpegos já que a idade não me deixava ir mais rápido. Uma pequena trilha. A percorro todos os dias. Outros também comparecem para correr e passam por mim voando como se tivessem asas. Sorrio... Quem dera pudesse fazer isto também. Corpo de Velho trôpego não ia aguentar mais.

                 Claudicando eu ia cantando, forçando o pulmão para aproveitar o ar da manhã, das árvores copadas que enchiam de perfume minha caminhada. Ah! Que saudades dos meus acampamentos! Já tinha percorrido mais de quinhentos metros. Meu corpo respondia aos passos. Um e dois, um e dois. Notei que emparelhou ao meu lado dois jovens. Ele e Ela. Dois frutos da nova mocidade que percorriam a mesma trilha que eu. Ele alto, forte sem camiseta para mostrar seu tórax e seus músculos fortes. Era um guapo rapaz. Ela nos seus quinze ou dezesseis anos, magrinha e pequena, mas sadia sorria ao lado do seu amado. – Ele virou para mim e disse: - Velho levante o corpo, aprume os ombros, ande feito homem! – Olhei para ele. Sorri. Não ia aceitar a provocação. – Ele continuou – Conheço muitos velhos como você que andam feito homem! – Ora, ora pensei. Será que não era homem? Mesmo assim não disse nada e continuei calado.

                    Sem pressa eu dava minha última volta. Eles ao meu lado. Eles já tinham passado por mim várias vezes enquanto eu em passos de tartaruga forçava para percorrer alguns metros. – Velho ele continuou: – Esqueça suas dores, suas doenças, vamos Velho levante os ombros, dê uma passada mais larga. Velho ande feito gente grande! Quantos iguais a você percorrem caminhos mais longos? Quantos ainda fazem questão de correr feito homem? – Eu olhei de novo para ele. Minha respiração começou a falhar. Diminui meus passos trôpegos. Meu ar tinha de ser dosado. Quando não me sinto bem ele reclama. De novo olhei para ele sem nada dizer Estava cansado. Muito. Para que responder a ele?

                      A jovenzinha o pegou pelo braço. - Vamos meu querido, disse. - Ainda temos mais de dez voltas a percorrer. Deixe o Velho em paz! Olhei para ela e senti que era uma alma boa. É fácil reconhecer onde existe a beleza no coração. – Ele rispidamente respondeu: - Paro quando quiser, corro quando quiser. Ela abaixou a cabeça submissa. Quem sabe o amor a obrigava a aceitar o que não queria. Meditei. Será que o futuro deles seria de amor para sempre? Não sei. Era melhor não comentar o futuro dos dois. Ele olhou para mim com ar de deboche – Velho, neste seu andar vais morrer logo. Parece como o meu pai. Sempre se entregando. Eu nunca serei assim, quando a minha velhice chegar não serei como você e meu pai. E o jovem partiu correndo. Ela correu atrás.

                 Logo desapareceram na curva do caminho. Continuei calado, sabia o que eu era e o que sou e o que serei. Desejei a ambos muitas felicidades. Pedi a Deus que desse vida longa para o casal. Eu sabia que era um Velho. Um dia fui moço, corri mundo com meu chapéu de abas largas, com minha mochila escoteira, arvorei bandeiras por lugares nunca antes imaginado. Também me julgava imune à velhice. Mas ninguém escapa ao seu destino. Senti uma brisa leve e intermitente no rosto. Eu gostava. As brisas das manhãs sempre me bem. Era um santo remédio. Lembrei-me das grandes caminhadas que fiz. Das grandes aventuras que se foram. Acho que era por isto que eu insistia em andar para não me maldizer de tantas nicotinas que aspirei quando jovem.

                  Cheguei ao final da trilha. Tartaruga ambulante pensei comigo. Sorri para mim mesmo ao pensar assim. Sentei em um banco a beira da trilha. Gostava de ficar ali, vez ou outra passarinhos voavam baixo chilreando enviando mensagem de amor. Quantos dias mais eu ainda iria caminhar? Minha amada trilha era agora percorrida por jovem amantes sonhadores que acreditam nunca serão velhos como eu. Ah! Aventureiros que se foram. Gota de orvalho sumindo no meu passado. A vida continua. Será que os verei novamente? Não são escoteiros disto tinha certeza. Não sei e isto não importa.

                         Não desejava nada ruim para eles. Eram hoje guapos jovens. Não sei se gostariam de ouvir alguém dizendo no futuro para empinar os ombros, andar ereto e não ser um velho inútil. – Deixe a vida me levar e a deles também. Que minhas caminhadas pudessem ser realizadas por muito e muito tempo. Sentado no banco em um caminho arborizado, eu não sei se enganava a mim próprio. Procurava manter meu corpo firme mesmo sabendo que o tempo não perdoava a idade. Acredito que sou um velho feliz. Deus está comigo, ela também e mesmo com suas dores me dá o que preciso para continuar. Não quero terminar meus dias em uma cama ou em um Pronto Socorro a quem chamo de Purgatório.


                          Amanhã estarei de volta às trilhas do meu bem querer. Farei quantas caminhadas conseguir. Sorrirei para quantos jovens passar por mim. Devagar me lembrei do lindo versinho que sempre me vem à memória: – “Antes de correr, aprenda a andar. – “Tudo na vida tem sua hora, seu lugar”. Tartarugas também chegam Lá!”. É meus amigos, se existem sonhos nos sabemos e também a certeza que a “vida continua”!

Nota de rodapé:- As coisas têm que passar, os dias têm que mudar, os ares têm de ser novos e a vida continua... Em qualquer lugar! Uma pequena crônica simples, sem muitos trejeitos apenas para meditar!