Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 18 de maio de 2019

Crônica de Um velho e Saudoso Chefe Escoteiro... Melodias... Canções... Cantigas e toadas Escoteiras.




Crônica de Um velho e Saudoso Chefe Escoteiro...
Melodias... Canções... Cantigas e toadas Escoteiras.

Prólogo: - “Não, tempo, não zombarás de minhas mudanças! As pirâmides que novamente construíste não me parecem novas, nem estranhas; Apenas as mesmas com novas vestimentas”. William Shakespeare.

Um Chefe um dia me disse: - Porque não cantam mais as canções tradicionais escoteiras? Tradicionais? Pensei qual seria o gênero musical para denominar musica tradicional escoteira. Seria musica folclórica? Ou aquela transmitida de viva voz ao longo das gerações escoteiras? Pensei com meus botões... Será que ele tinha razão? Tudo está mudando e quem sabe nas diversas sessões escoteiras não existem mais os chefes tradicionais para ensinar a cantar a nossa Tradicional Musica Escoteira com amor. Temos muitas, temos melodias, temos cantigas e até toadas não esquecendo o Quebra Coco uma linda musica nordestina de Cordel.

Muitos chefes escreveram e deixaram nas páginas da internet “Cancioneiros” que se tornaram lendas, mas que ficaram no esquecimento da memória dos jovens de hoje. Pensar que agora seria impossível ter uma roda de amigos escoteiros, em volta do fogo, em uma noite linda sapecada de estrelas, uma lua “bunita que nem um queijo” um céu convidativo, uma viola cantante tocando ao amanhecer... ”Acorda escoteiro, acorda, que o galo já cantou”. E na barraca molhada do sereno da madrugada ele chega na porta e canta sorrindo... “Cantou, cantou? Cantou, cantou, cantou”! Lembro de Zé Duarte, um pioneiro com sua viola mágica, um sorriso gostoso, olhava além da mata e dedilhava e o som do violão corria nas trilhas da floresta: “Vem depressa correndo escoteiro, ajudar o cozinheiro, a fazer o jantar... Supimpa, supimpa, Parazibum, zibum!

Quantas saudades... Melodias que entraram na mente e ficaram para sempre morando na alma... No fundo do coração... Ao som de um violão, uma gaita, uma flauta mágica, ou até o Guia da Tropa Zé Pereira tocando seu pandeiro e cantando... “De BP trago o espírito, sempre na mente, sempre na mente”... Pato Negro, um sênior da Tropa Condor, tinha o dom com uma pequena panela de alumínio, fazia duas “baquetas” pequenas e a musica levada pela saudade se espalhava pelas campinas... “Está tudo azul, o caminho aberto, sopra o vento sul tudo dando certo”... E quando a noite chegava, lá estava Trindade Zulu, com sua flauta mágica tocando baixinho fazendo os escoteiros chorar... “Prometo nesse dia, cumprir a Lei, sou teu Escoteiro Senhor e Rei”! E quando ele tocava A Canção da Despedida? Ai, ai meu Deus! Se não me arrebento eu choro... Putz! Quantas saudades.

Não dá para esquecer Totonho das Rosas, um Chefe violeiro das antigas, que não deixava ninguém gritar alto quando cantavam uma canção escoteira. Fazia questão de ensinar o Bê-á-bá de como um coral se formava e cantava... Era “Bunito” de ouvir e ver a tropa cantar... “A árvore da montanha, o Cucu, Põe tuas mágoas no bornal, Adeus montes e vales, Cumbayah, Lá bela polenta, Canção de Gilwell, Canção do Clã, Guin-gan-guli, Foi Tupã, Ascenda à fogueira, e para dormir cantavam Boa noite Escoteiro"... Nossa! Tinha canções prá dar e vender, todas tradicionais cantadas pelos bisavós escoteiros até o lobinho recém-nascido no escotismo. Tristão Corneteiro ficou famoso com seu clarim quando tocava nas noites e nas madrugas o Silêncio e o Toque do Alvorecer... “Em silêncio acampamento... Este canto vinde ouvir, são fagulhas na fogueira que nos dizem... Escoteiros a servir!

Mas o tempo foi passando, os Velhos Escoteiros cantantes deixaram de existir. Tudo é novo no pedaço, agora as canções são outras. Algumas até guapa, catita, outras belas e muitas bem-posta com a turma cantando alto e dançando conforme o bailado demanda. As musicas, as canções, as melodias que o Escoteiro e o Lobinho cantaram nos seus idos tempos, foram levadas pelo vento e como disse o poeta: “O vento toca o meu rosto me lembrando que o tempo vai com ele... Levando em suas asas os meus dias, desta vida passageira minhas certezas, meus defeitos nada pode detê-lo, mas algo o tempo vai guardar, e eu no meu coração guardarei, minhas canções minhas velhas melodias que o tempo não vai apagar!

“Terra do belo Olmeiro, lar do castor... Terra onde o alce airoso, é o senhor... E como em sonho fui ao lago azul rochoso, um dia, ah! Um belo dia eu voltarei de novo”!


terça-feira, 14 de maio de 2019

Conversa ao pé do fogo. O meu "Velho" livro de Atas.




Conversa ao pé do fogo.
O meu "Velho" livro de Atas.

Prólogo: - Esta é a historia de um livro de atas que se perdeu no tempo de um velho escriba que nunca esqueceu suas histórias... Como ele mesmo escreveu a vida é uma gigantesca confusão. Mas essa é também a beleza dela – De um livro de ata que se perdeu no tempo e na memoria de alguém que nunca esqueceu suas memórias.

                            Muitos não gostam do livro de Atas. Acham enfadonho e sem graça. Sempre que convidava pais para participarem da diretoria do Grupo Escoteiro quando comentava sobre o Livro de Ata um olhava para o outro como a dizer – Faça você – Prefiro outro cargo. Não sei por quê. Afinal atas tem uma importância enorme na vida de um Grupo Escoteiro. Esqueça a tecnologia moderna de hoje. Pense como um aventureiro que quer deixar uma história do que aconteceu com seu grupo, com sua tropa, com sua patrulha para ser conhecido nos anos futuros. Eu sei que nos grupos que vocês atuam elas são feitas assiduamente. Eu sempre gostei de atas. E gostava e ainda gosto de escrever, afinal fui escriba na patrulha e nem lembro mais quantas atas e relatórios eu fiz. Colocar ali o que cada um diz sua opinião seu estilo de interpretar uma situação, é como sentir a vida dentro daquelas páginas que um dia irão ser lembradas como um fato histórico. Experimente ler uma ata alegre, cheia de sabor, escrita por alguém que dá um toque especial. Vale a pena. As lembranças se você esteve ali naquele dia irão trazer de volta tudo que foi falado, anotado e escrito.

                     Sempre acreditei na importância das atas. Gostaria de voltar a minha cidade e ver se as Atas da Patrulha ainda existem. Acho que não. Eu era o escriba e quando passei para Sênior ficou na mão de João Mindinho. Se ele cuidou bem eu não sei. Sei que o grupo não mais existe, mas quem sabe tem alguns vivos lá? Seria uma grata surpresa. Já pensou? Ler o que escrevemos durante todos aqueles anos como escoteiros e seniores? Sempre acreditei que não devia existir um modelo de estilo de escrita em atas. Dizem que hoje tem até cursos para os “Ateiros” risos. Tem tanta exigência que dá medo. Não pode pular linhas, nunca se esquecer dos parágrafos.  Os espaços vazios devem ter um traço diagonal. Mas boa mesmo é a ata tipo história, cheia de adornos e Volante escoteiro da Touro fazia e desenhava em cima.

                   A patrulha tinha dois bons escribas. Eu era um deles. Enfeitava muito no que escrevia. Claro nosso Livro da Patrulha que alguns chamavam de atas, contavam sempre tudo que fazíamos em acampamentos, excursões, entrada e saída de escoteiros. Não faltava a entrega de distintivos, estrelas, etapas e tudo que se relacionasse a patrulha. Decisões da Corte de Honra (quando podíamos saber). Claro que a Corte de Honra tinha a sua trancada a sete chaves. As reuniões de Patrulha nunca eram feitas sem uma boa ata. E olhe, chegamos a ter mais de dois livros de por ano. Uma vez contei oito em cinco anos. Algumas patrulhas chamam de diário ou relatório. Quando os anos passam e se você puder ler a história da Patrulha, o seu cargo, sua promessa, as estrelas de atividade, os cordões, as classes e especialidades, os acampamentos, as eficiências de campo, as histórias que surgiram e aconteceram e ufa! Até mesmo os fogos de Conselho isto é bom demais.

                  São tantas coisas que valem a pena anotar que poderia escrever várias páginas sobre o tema. Por toda minha vida vivi junto a um livro de ata. Nunca deixei de ter uma para anotar e lembrar-se do dia em que foi escrita. Eu acredito que os livros de atas devem ficar a disposição de todo o Grupo Escoteiro e dos antigos escoteiros que se interessarem em ler. Nada do Diretor Administrativo levar para a casa, deixar a sete chaves em uma escrivaria qualquer.

                 Uma vez, quando Regional em Minas Gerais fiquei três fim de semana na sede regional a base de lanches para não perder o fio da meada, lendo atas que ali encontrei. Uma verdadeira historia contada por um simples livro do escotismo. Tinha um livro de atas de 1939! Falava coisas que sequer poderia imaginar. Quando deixei o cargo deixei lá os livros de ata. Onde foram parar eu não sei, mas ali estava escrito a saga de um estado e sua história na sua formação escoteira.  E olhem, é ruim quando você pergunta se o grupo tem tudo isto e a resposta é negativa. Fica como se o grupo não tivesse história, memória, como se seu passado fosse suprimido para sempre.

                 Não sei se todos pensam como eu, se dão valor e importância ao livro de atas. Atas das Assembleias, da diretoria, do Conselho de Chefes, das patrulhas e por que não da Alcatéia? Tão fácil ensinar os escribas os diretores administrativos a fazer uma ata gostosa e cheia de frases para abrilhantar um dia um ano e a vida de um Grupo Escoteiro para sempre. Nem me venha com formalidades. Está no POR? Atas formais são tediosas e muitas vezes elas nos dão preguiça ou sono quando há lemos.  Sempre digo que devemos procurar dar uma conotação especial ao fato. Claro não é uma narrativa de uma partida de futebol e nem tampouco um conto das mil e uma noites. Leva-se tempo para aprender a escrever com transparência e fazer do acontecido um espelho do real.

               Gosto de ver Grupos Escoteiros que tem história, que através de suas atas ficamos sabendo de sua saga, de sua vida e de como o tempo mudou para um e outro dos que estão e dos que já se foram. As atas tem papel fundamental. Na minha humilde opinião até mais do que fotos. Um livro de ata da Patrulha, da Corte de Honra, no caso dos seniores/guias do Conselho de Tropa, do Conselho de Chefes do Grupo e da diretoria do grupo, das assembleias tem uma importância fundamental. Muitas? Não. Cada uma tem sua particularidade. Cada uma tem sua história. Espero que isto faça aqueles que ainda não tem pensar mais no assunto. Colocar o supérfluo é fácil difícil é criar uma surpresa, uma maneira alegre da escrita onde às personagens ficam simpáticas a todos que leem.

Espero ter contribuído para que o Grupo em que colaboram possa ter sua história contada em seus detalhes mais lindos e suas mais loucas aventuras! Ainda me lembro de uma noite na mesa de campo, escrevendo sob o olhar de um lampião a querosene:

- A noite escura jogava sombras na patrulha que tentava dormir. Um uivo ao longe faziam com que pensamentos abstratos levassem até a porta da barraca um lobisomem, um fantasma. O medo aflorava a pele do noviço que se arriscou a acampar. Depois de tudo, da risada normal quando o medo passou eu fiquei pensando como acabar com o medo. Fácil disse o Monitor, apenas aprendemos a lidar com ele e aguentamos firme. Pois é! A vida é uma grande e gigantesca confusão...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Conversa ao pé do fogo. O belo do escotismo está em sua simplicidade.



Conversa ao pé do fogo.
O belo do escotismo está em sua simplicidade.

                     Pense comigo quanto tempo nós temos para ficar com nossos jovens? – Duas três horas por semana? Se somarmos as atividades ao ar livre, outras sociais ou prestação de serviços veremos que o tempo é muito pequeno para complicarmos demais as atividades Escoteiras. É bom quando vemos a moçada sorrindo em uma atividade qualquer. Ian Hislops no seu vídeo sobre escotismo para rapazes mostra o que precisamos para ver que o escotismo daquela época ainda tem seu lugar na época de hoje.  A descoberta da vida ao ar livre e de aventuras é a razão de ser das atividades escoteiras. Estamos hoje com uma preocupação pedagógica, planos bombásticos, cada um querendo descobrir o ovo de Colombo esquecendo que Baden-Powell já tinha descoberto e dado o caminho a seguir.

                   Antes o feijão com arroz dava certo, mas aos poucos tudo foi se modificando. Desenvolveu-se uma parafernália de cursos, visando aprimorar e qualificar o adulto voluntário. São centenas de novas ideias e planos miraculosos. Fico na dúvida da excelência de tantas informações, técnicas, pedagógicas, psicológicas para apenas duas ou três horas por semana. É necessário mesmo? Pensando bem será que os três livros básicos de Baden-Powell não nos dá o verdadeiro sentido do escotismo e seu sucesso? Nos primórdios do escotismo BP sentiu que não poderia deixar os jovens ao “Deus dará” sem ter pessoas qualificadas para ajudá-los no seu novo sonho aventureiro. Nos bosques, matas via-se meninos a correrem como se estivessem fazendo tudo àquilo que leram nos fascículos que ele escrevia. Ansiavam aventuras. Viver na natureza. Fazer o que ele descreveu tão bem nos seus fascículos “Scout for Boys”, ou melhor, Escotismo para rapazes.

                           Para testar as habilidades e conhecimentos BP fez acontecer o primeiro acampamento Escoteiro em Browsea. As bases do fazer fazendo foram assentadas. O tempo foi passando. Até alguns anos atrás tínhamos três cursos básicos para que o adulto pudesse adquirir conhecimentos técnicos até chegar a Insígnia de Madeira. Nestes cursos ele vivenciava a vida ao ar livre, os acampamentos, vida em equipe, e com isto o método e o programa foram mantidos na formula que BP acreditava. Aconteceu que muitos jovens começaram a abandonar o escotismo devido a sua nova roupagem e apresentação passou a realizar para atraí-los. Os chefes oriundos da própria tropa desapareceram. Começou-se a busca de novos voluntários que até hoje tentam dar nova forma ao escotismo que acreditam. Os cursos foram alterados. Experiências e experiências foram feitas. Muitas sem esperar os resultados e implantadas como fato consumado.

                            Ouvir o ponto de vista do rapaz quase não se utiliza mais. Os novos que se aproximaram, claro com exceções decidem em nome do jovem e acreditam que sabem o que o jovem quer. Com o tempo eles sequer são ouvidos. Alienaram o jovem na sua livre escolha. Como eles não conheceram a mística do verdadeiro escotismo de BP quando são consultados não sabem o que dizer. É fato que nas atividades escoteiras sempre tem um ou outro Chefe a dizer que tudo foi extraordinário e que “meus” Escoteiros adoraram. Alguns não concordam que exista a evasão. Outros que o caminho que percorrem conduzem ao sucesso.

                          São duas ou três horas por semana. Só. O que precisamos? Simples. Motivar a participação dos jovens espontaneamente, deixando que eles possam opinar e sugerir o que acreditaram ser o verdadeiro escotismo. Alguns chefes dizem que viver a vida de um aventureiro de um herói da floresta, de cozinhar sua comida, de construir o seu próprio habitat é coisa do passado. Alegam que não é isso o que eles querem. Se o jovem em seu bairro tem sua turma, se fazem seu próprio programa por anos a fio porque o escotismo de hoje complica nesta busca do diferente nas atividades Escoteiras? O que o fez procurar um dia o Grupo Escoteiro? O uniforme? A vestimenta? A formatura? Será que não ouviram falar nas atividades aventureiras, no herói da floresta? Na busca do impossível para realizar diferente do seu dia a dia? Se não encontra alegria e novas descobertas, se em vez de vida ao ar livre o que encontra não difere da escola ele um dia chegará à conclusão que é melhor sair. Ficar ouvindo o Chefe por tempo indefinido, sentar em cadeiras como se fosse na sua escola, ou mesmo um Monitor mal preparado quem sabe é melhor voltar aos seus amigos do bairro.

                         Acredito que muitos dos novos cursos podem ser válidos. Mas aqueles cujo método era diretamente proporcional ao Sistema de Patrulhas, a vida ao ar livre, aprender fazendo, vivendo a vida de um jovem para sentir o que ele poderia absorver isto sim seria um curso dentro dos padrões esperados. Escotismo não tem segredo. Qualquer um que entenda os objetivos do método e do programa, do fazer fazendo, do Sistema de Patrulha vai sem duvida nenhuma atingir o sucesso esperado. Como disse um antigo Chefe de Campo de Gilwell John Thurman.

- Existem fatores adversos que não nos dão a correta aplicação do método. O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso serve tanto para os dirigentes como para os rapazes. Estamos a pensar somente em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E sabemos que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho. Sem dúvida, Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis ideias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. É por isso que devemos nos manter o mais possível dentro da simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou. – Os únicos capazes e possíveis de pôr o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado autossuficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.

                      Precisamos repensar nossa maneira e nossas atitudes na aplicação do método Escoteiro. Sabemos que o mundo está mudando e podemos adaptar sem modificar o básico. Devemos repensar o que fazemos para manter o jovem no escotismo por um tempo mais longo. Muitos saem por não se sentirem a realização dos seus desejos. Não podemos esquecer que o escotismo é dos jovens para os jovens. Quando acreditarmos que podemos ter sucesso na aplicação do método Badeniano, então o escotismo vai conseguir atingir o que esperamos. Bons cidadãos conscientes de suas responsabilidades na comunidade onde vivem.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Saber ouvir quase que é responder.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Saber ouvir quase que é responder.

Prologo: - Nada de conselhos, nada de pito, nadinha de nada. Apenas uma crônica onde um Chefe Sênior teve que aprender a ouvir, falar e decidir. Serve como exemplo? Afinal ser Chefe Sênior não é viver somente no paraíso. Também tem seus percalços. Para sermos amigos dos jovens nesta idade temos que aprender a ouvir a outra parte e só seremos considerados justo se decidirmos com justiça. Pois é... O cuidado em ouvir é o caminho mais curto para o saber!

             - Ele me procurou naquele domingo de 10 de fevereiro. Ia sair de férias e preparava-me para partir, pois minha família já estava no interior em casa de parentes. Ia passar o carnaval com eles – Olá Chefe. Atrapalho? – Joshua, sempre ele. – Entre meu amigo. Ele entrou de cabeça baixa como não querendo dizer nada. No meio da sala deu meia volta. – Outro dia volto Chefe. – Joshua se veio até aqui diga logo o que deseja meu amigo. – Ele me olhou com aquela cara de magoado com o mundo. Quer ouvir? Perguntou-me. Fiquei calado. Aprendi com Sócrates que um Chefe Sênior deve ter quatro características para liderar uma Tropa Sênior e Guias: Escutar com cortesia, responder sabiamente, ponderar com prudência e decidir imparcialmente.

              Joshua era inconstante. Há meses me procurou dizendo que ia sair do escotismo. – Chefe ser Sênior para mim não dá. Até que ser Escoteiro foi bom. Quando tentei argumentar ele me olhou com aquele ar de enfado: - Chefe precisa aprender a ouvir! – Me lembrei de que voltou um mês depois como se nada tivesse acontecido. – Sentamos na poltrona da sala e fiquei ali calado. Ele também. Minutos depois disse: - Ela me trocou por outro Chefe. – Devia ser sua nova namorada. Não a conhecia. – O que devo fazer? – Quer respostas Joshua? – Ele balançou a cabeça negativamente. – Quero desabafar Chefe, só isto. O senhor já me disse que a vida pode nos derrubar, mas somos nós quem escolhemos a hora de se levantar. – Me levantei chegando perto dele: - Joshua, as montanhas da vida não existem apenas para que você chegue ao topo, mas para que você aprenda o valor da escalada. Dê tempo ao tempo. O mundo continuará girando queira você ou não. 

             Notei lágrimas em seus olhos. – Continuei – Na vida Joshua você irá encontrar três tipos de pessoas, aquelas que irão mudar a sua vida, aquelas que irão prejudicar a sua vida, aquelas que serão a sua vida. Levante a cabeça, não corra atrás de alguém que demonstra viver bem sem você. Deus sabe quem colocar na sua vida, da mesma forma que sabe quem tirar. – Ele se levantou, não chorava mais. – Bom carnaval Chefe! E saiu sem ao menos me dizer até logo ou me dar à mão esquerda o que fazíamos nos seniores questão de honra.

             Dois anos depois ele foi estudar na capital. Voltou após cinco anos homem feito e bateu na porta de minha casa: - Chefe passei só para lhe dar um aperto de mão. Junto a ele uma moça linda de cabelos negros encaracolados. – Minha Esposa Chefe. Prometo que seremos felizes para sempre como o Senhor e sua Esposa. Formei-me em psicologia. Estou indo para Pedra Azul onde vou abrir um Consultório. Vá me visitar! 

            Quem diria! A vida da muitas voltas e o mundo nos reserva surpresas mil. Gosto muito de falar, mas adoro ouvir. Eu sei que uma maneira de agradar é deixar que cada um fale por si. Pois é, como disse aquele sábio, a natureza deu-nos duas orelhas e uma só boca para nos advertir de que se impõe mais ouvir do que falar!


terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Vai um conselho?



Vai um conselho?

Ele se aproximou. Sorriu. Novo ainda. Olhou-me como a dizer posso? Sorri para ele e disse que sim. Sapecou-me uma pergunta a queima roupa:

- Chefe, o Canal do Youtube é uma boa ideia. Será universal ou só para a Escoteiros do Brasil?

Não titubeei. - Amigo acredito na quarta lei do escoteiro, o Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros! Meu coração é escoteiro, não importa qual associação.
- Ele parecia satisfeito com minha resposta. Mas me sapecou outra: - Chefe o Senhor parece ser mais vivido que eu. Pode dar-me um conselho? – Onde encontrarei as respostas para minhas duvidas?

– Olhei para ele espantado. Tinha que responder:
– Olhe meu amigo a vida é feita de muitos erros e alguns acertos. Para chegar à resposta certa, no resultado esperado, haverá muitas tentativas frustradas. Só há um único conselho que eu possa dar a você: Faça o que acredita que tem que ser feito, mesmo que contrarie os outros, mesmo que digam que está errado ou é impossível...

- E continuei:
- Siga o seu coração e durma certo de que se deu errado foi uma escolha sua. Nós não precisamos de ajuda para cometer enganos... Até porque só aprende quem arrisca, erra ou acerta. Se a decisão não foi fruto de uma certeza sua, você nem saberá o motivo da falha. Acredite tudo o que você precisa saber esta dentro de você! Vá em frente! -- Eu acredito que você pode.

- Falei muito falei de mais. Não era para ser assim, mas acredito que ele entendeu. Ele se despediu e fiquei pensando que Boi não é vaca, feijão não é arroz, e quem quiser que conte dois!

Uma ótima tarde a todos.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Lobinhos da Jangal, hoje tem reunião, alegria de montão.



Lobinhos da Jangal, hoje tem reunião, alegria de montão.

Arrumei minha mochila,
Arrumei meu uniforme
Acabou a dor de barriga
Está tudo nos conformes!
Pois hoje tem reunião,
Alegria de montão.

Mamãe já fez o almoço.
Calmamente sem alvoroço.
Vou sorrindo para a sede,
Vou abraçar meu chefe.
Há Alcatéia é incrível,
E direi melhor possivel.

Já sei a lei do Lobinho,
Não sou feijão com bolinho.
Eu digo sempre a verdade,
Sou bacana sem alarde.
Hoje vai ter uma trilha,
Vou seguir com a matilha.

Ouço sempre os velhos lobos,
Faço certo não sou bobo.
Tomei banho mais de cinco,
Pois o Lobinho está sempre limpo!
Sou Lobinho e amo a flor de lis
Gosto muito sou feliz!

Meu pai disse não seja louco,
O Lobinho pensa primeiro nos outros!
Sei hastear a bandeira,
Gosto dela bem faceira.
Sou Lobinho disciplinado
Não sou de grito, sou mais calado.

Amo muito a Akelá,
O Balu e a Kaa.
Não sou Lobinho balela,
Gosto também da Bagheera.
Papai e mamãe até mais,
O Lobinho nunca desiste... Jamais.

Vou feliz correndo prá sede,
Pois eu estou sempre alegre
Eu faço o que sempre quis
Sou Lobinho sou feliz!
E hoje tem reunião,
Alegria de montão!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O Cantil, a faca e o chapelão.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O Cantil, a faca e o chapelão.

                                      Dizem que o gato tem sete vidas e o antigo escoteiro duas. Será? E o novo escoteiro? Bem pensemos que o antigo viveu o passado e está vivendo o presente e o escoteiro novato não. Há um embate surdo entre o antigo escoteiro e novo escoteiro, digo jovens meninos não entram nessa discussão. Os meninos seguem o Chefe e costumam gostar do que fazem. Como não há meio de dizer qual o melhor se o escotismo do passado ou o escotismo de hoje cada um puxa a sardinha para seu lado.

                                      Comparar o passado com o presente, escoteiramente falando é perda de tempo. Cada lado defende o seu e muitos com bons argumentos. Não se convencem com seu adversário e ai vem à réplica a tréplica e o escambau. Se deixarem ficam se debatendo por décadas até chegarem à conclusão que envelheceram. Kkkkk. Cada lado apresenta seu raciocínio lógico e o lado contrário também. Não devemos esquecer que a finalidade do escotismo de Baden-Powell é uma só e visa principalmente o jovem através de um método revolucionário e atraente:
- Aceitação da Promessa e da Lei escoteira;
- Sistema de Patrulhas;
- Programas progressivos e atraentes;
- Aprender a fazer fazendo;
- Contato com a natureza.

                                         Poderíamos alavancar uma série de outras propostas de BP tão bem expostas no programa escoteiro, mas fiquemos com uma delas: - O Método Escoteiro é um sistema de progressão, a intenção é estimular que cada jovem desenvolva suas capacidades e seus interesses. Ele faz isso colocando desafios a serem superados, aventuras, incentivando a explorar, a descobrir, a experimentar, a inventar e a criar a capacidade de achar soluções; mas sempre respeitando-os individualmente, suas barreiras.

                                          Baden-Powell tinha em mente que esta metodologia seguiria por toda vida do Escoteiro. Afinal uma das principais características do Movimento Escoteiro é a Vida ao Ar Livre. O Acampamento é o auge da vida de um escoteiro. O contato com a natureza é imprescindível, já que se afastar da cidade e entrar em contato com as dadivas naturais traz saúde e felicidade. As excursões às atividades aventureiras torna o escoteiro mais forte e rijo. Com um sorriso no rosto enfrenta de peito aberto as intempéries.

                                         Sem mais delongas vemos que a maioria dos tópicos aqui descritos foram efetuados no passado e também no presente. Talvez a diferença exista em pequenas partes que para os antigos são ponto de honra. Sistema de Patrulha, treinamento de monitores, aprender fazendo, ouvir o ponto de vista do rapaz, criar raízes com a Patrulha e manter um laço com seu Grupo Escoteiro enquanto viver.

                                        Discutem-se muito sobre a Farda Escoteira. Podemos chama-la de traje, uniforme ou mesmo vestimenta. A dúvida é, criou-se ou não uma tradição para ser alterada? Para os antigos sempre ouve o consenso que o uniforme é ponto de honra na apresentação do escoteiro. Hoje em dia de acordo com muitos países que dão mais liberdade a vestimenta escoteira copiamos e isto desagrada muitos que acham um desleixo a maneira de vestir e se apresentar em publico.

                                        Já existe uma corrente, esta de novos escotistas que a vestimenta ou o uniforme não tem o valor que dão os antigos chefes. Pelo sim pelo não ainda fico com BP que dizia que a uniformização poderia até não ser prioritária, mas que ele nunca tinha visto um menino que não sonhasse em ter um. Dizer que o jovem escolhe o que quer vestir e como vestir pode até acontecer desde que não lhe seja oferecido uma Farda Escoteira. Qual menino que entra no escotismo e não sonha com sua farda, com sua faca, um cantil e um chapelão? Nove em cada dez garanto que a escolha é uma só. Afinal se ele entrou por aventura isso faz parte.

                                        Sem maiores delongas pode ser que não tenho “expertise” para tal. Pode ser. 70 anos me deu pouca experiência escoteira. Entretanto para mim o chapelão e o lenço são a maior marca do escotismo em todo o mundo. Posso dizer de cátedra, pois estive em lugares incrivelmente longínquos e ao adentrar em um arraial ou sítio todos diziam: - São os escoteiros do Brasil. Sonhos, meninos sonham, alguns são levados pela ideia do adulto que ainda não aprendeu a ouvir o ponto de vista do rapaz. Suas ideias são o caminho certo.

                                        Para mim não importa, vivi duas épocas. O antes cheio de traquinas de Baden-Powell e o hoje onde suas ideias são consideradas por muitos como ultrapassadas. Se ouvir o ponto de vista do rapaz for posto em prática, se der a ele possibilidade de conhecer o antes e o depois, se uma conversa individual trás experiência do seu ponto de vista posso assegurar que tanto no passado como no presente o escotismo pode ser desenvolvido a contendo.

                                        Portanto não importa o argumento se o ontem se perdeu no passado e o hoje é o que estamos vivendo. Cada um o antigo escoteiro e o novo escoteiro tem suas razões. Se gostam do que fazem se tem amor a sua promessa e a lei, se leva a sério o espírito escoteiro, merece nosso aplauso. Mas quer saber? Nunca fiquei sem meu chapelão minha faca e meu cantil. Novo ou velho deles não abro mão!

                                         E por favor, ao ler minhas ponderações, lembre-se não sou Baden-Powell, mas estou com sua maneira de pensar dos novos tempos: - O importante são os resultados. Se eles acontecerem dentro do espírito do método escoteiro valeu!               

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Basta ser escoteiro para ser feliz.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Basta ser escoteiro para ser feliz.

Prologo: - Gosto do que escreveu Martha Medeiros: - "Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar na pessoa, esgotar a dor. Permitir-se recordar, chorar, ter saudade”.

                                     A gente vai envelhecendo e vendo a vida passar como se não tivesse passado. Piso na relva, piso no chão de terra, piso no lodo e até na lama sempre a seguir, pois sei que nada pode me impedir. Ninguém é igual a ninguém. Uns desistem no meio do caminho outros nem esperam a curva surgir e se vão deixando para trás um rastro de boas intenções, ou melhor... De sonhos... Mas as lembranças ficarão no esquecimento? E ao apagar as luzes deste sonho dirão: - Valeu a pena?

                                    O escotismo tem disso, hora do tempo feliz, hora do tempo passado infeliz. Nem todos são capazes de se defender e para que se magoar ficando em um lugar onde não mais se sente bem? Outros dizem que amam que dariam tudo para continuar, mas saem ao primeiro sinal de dissabor, de cicatrizes que vão se avolumando. Às vezes me pergunto por que tanta sede de poder? Estarão esses falsos lideres fazendo o bem? A quem? Se em 1908 meninos sem chefes corriam pelas florestas de Londres e sorriam porque hoje com tantos chefes não é bem assim?

                                    Pisei no molhado e escorreguei, levantei e somei, andei e multipliquei, voltei e diminuí, deu um sorriso e dividi... É assim a matemática, desde os tempos de Confúcio e Jesus Cristo. Nada mudou nas contas da tabuada que não existe mais. O Escotismo deve mudar? Sem sombra de duvida, mas desculpe dizer, estão os adultos querendo satisfazer a “molecada” sem perguntar a eles se estão de acordo? Vez ou outra penso que o escotismo é dos chefes e não da escoteirada!

                                    Mas e daí Chefe? Aonde quer chegar? Ufa! Não sei, a lugar nenhum, prefiro ficar aqui a voltar ao ponto de reunião. Andei muito para chegar onde estou. Lembro-me do quebra canela, do voador, da briga de galo, da Revista na tropa, do desafio do quebra coco, passar o anel, do cabo de guerra... Ah! E veio o Boto Velho para atrapalhar... Chefe melhorar, os jogos do Boto Velho ficarão para a história. Será? Revejo meus conceitos, hoje a uma procura de novos jogos e tem tantos antigos que são supimpas para aplicar!

                                   Nunca esqueço que já crescido li por cortesia em uma ata de Corte de honra: - “Ficou acordado na Corte de Honra que os jogos nas reuniões serão uma escolha da Tropa”. O Chefe ficará encarregado somente dos chamados “Jogos surpresa”. Cada Patrulha fará mensalmente sugestões apresentadas pelos escoteiros. Os monitores transmitirão entre si e aos demais às sugestões apresentadas por toda a Tropa. Nenhum jogo terá a formalidade de obrigação e sim jogado espontaneamente, não só pelo caráter competitivo, mas também pela simplicidade de jogar e divertir!

                                    Como mudou! É mudou muito. Hoje há uma procura imensa de jogos, livros, apostilhas conceitos e mais conceitos sobre os entendidos em jogos e programas. Aquele espírito de sorrir de divertir é vendido pelo sorriso do Chefe: - Olá! Meus escoteiros e meus lobinhos adoram! Risos e risos. Será que não foi o Chefe que adorou? Mas a matemática não é mais a mesma, agora se ensina diferente e a tabuada deixou de existir.

                                   Mas voltando as raias da imaginação, tentando entender você que saiu do escotismo e agora tem uma explicação? O que posso dizer? Sinto muito? Sabe, eu gostaria de sentar com você na sombra de um abacateiro, falarmos de escotismo, dos amores, dos dissabores, da matemática moderna, dos pés de pato que se julgam donos do poder e querem ver você subjugado, querem ter em você um seguidor. É proibido pensar no Escotismo! Olhe, acho que lhe dou razão, nem todos tem a vontade de continuar brigando com o vento sabendo que a luta será inglória.

                                    Zé das Quantas, aquele Chefe simplório lá de Brejo Seco, nas suas veias de poeta comentou comigo: Chefe Vado, o que é meu de verdade, ninguém me tira. O que não é eu mesma me desfaço. Eita cabra danado. Que o diga o Escoteirinho de Brejo Seco, que nunca desiste e breve será um Escoteiro de Primeira Classe... Chefe! Existe ainda? Nos meus sonhos meu irmão escoteiro, existe, é aquela aventura feita de mãos dadas, com a Patrulha amada que me fez ser o que sou. Sem ser imitador dou um boi para não entrar na briga e uma boiada para não sair!

                                  Mas convenhamos, é uma luta inglória. Pisa na Fulô Chefe, não maltrata meus sonhos... E quem se importa? Eu me importo. Digo com muita certeza, meu sangue é escoteiro, não preciso de registro e nem de subserviência, faço questão de um abraço, de um aperto de mão e dizer, amigo agora somos irmãos e vamos seguir a trilha de BP hoje amanhã e Sempre. E quem aparecer... Hora, quem aparecer... A gente salta o obstáculo desce num evasão e parte para o cerimonial, pois é hora da bandeira moço, e que se dane os que me querem ver longe!

Sempre Alerta!

         

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Conversa ao pé do fogo. Mochila ame-a ou deixe-a.



Conversa ao pé do fogo.
Mochila ame-a ou deixe-a.

Prólogo: Pensei em escrever sobre a melhor mochila. Quem sabe a experiência de um Velho mateiro podia ajudar. Melhor não... Acho que cada um de nós tem de aprender usando e sentindo se ela é boa ou ruim. Para não ficar sem um continho, aqui vai um que escrevi há tempos... E põe tempo nisso!

                                    Já tive várias na vida. Tentei guardar a primeira, mas uma enchente me deixou órfão. Quase chorei. Na sede escoteira tinha um báu delas. Presentes do Batalhão Militar da cidade.  Com o tempo fui comprando outras. A pior de todas foi a com armação de metal. Uma jornada de vinte quilômetros acabou comigo. Jurei nunca mais usar. Aprendi desde pequeno que mochila não é armário ou guarda roupa. Aprendi usando. O Akelá disse – Não vou dar lista. Levem o que acharem necessário. - Penei. A mochila não deu. Levei mais um bornal e uma sacola. Fui alvo de gozação. Lobinho pata tenra só aprende assim. Mas aprendi. E como aprendi. Afinal subir montanhas, quilômetros e quilômetros em vales e gargantas, atravessar rios ou andar em lombos de burros foi lição para nunca mais esquecer.

                                    Você pode dar uma relação de itens para eles levarem. Não vai adiantar. Mamãe, titia ou Vovó sempre tem mais um. Nunca ri de Escoteiros noviços ao chegarem à sede parecendo uma árvore de natal. Mas que dava vontade de rir dava. Ele chegava vermelho. Sonhando com o acampamento. Eu só dizia – Vai precisar mesmo de tudo isto? Ele orgulhoso respondia - Claro Chefe. Afinal não foi o senhor quem disse que quem vai para o mar avie-te em terra? Tá bom. Aprender a fazer fazendo. Um quilômetro e o pobre bufando. Dois quilômetros ele desmaia na sombra de uma árvore. – Aprendeu? Claro que sim. Sem ajuda. Nunca deixei ajudar. Levou tem de carregar. Faz parte do crescimento.  

                                   Eu aprendi assim. Cortava isto, cortava aquilo e não fazia falta. Não faz mesmo. Nunca levei saco de dormir, ou melhor, em inglês “sleep”. Um trambolho. É isto mesmo? Não importa. Carregar um nas costas? Nem pensar. Se quero conforto fico em casa. Sempre tive dois sacos de linhagens. Era só encher com folhas secas ou capim e meu colchão estava pronto. Uma cueca, um par de meias, uma camiseta, um short, minha manta e os dois sacos de linhagens. Claro higiene e um bom livro. Mais? Não precisava. Se sujava eu lavava. Tinha técnica até para passar com dois arcos de madeira. Tive uma mochila que adorava. Simples, verde, gostosa. Nas costas não machucava. Nas laterais colocava meu facão, uma chaleira e um caldeirão. Não precisava de mais. Viajei mundo. Subi montanhas serras e escalei picos sem fim.

                                Mas dei boas risadas com as mochilas dos outros. Eu sempre fui um gozador às escondidas. Nos acampamentos nacionais, regionais e internacionais era que eu dava gargalhadas mil. Meu Deus! Cada tipo de fazer inveja. Eles chegavam posudos. Como se fossem os melhores do mundo. Mochilas enormes. Cheias de barangandãs. – Por que esta rindo? Perguntavam. – Por nada, desculpe. Mas lá no fundo eu sabia que ele era um eterno pata-tenra. Sabe o que é Pata-tenra? Nas alcateias é o recém-nascido. O novato, tanta coisa para aprender! Quando você vê um conhece logo. Você sabe. Só de olhar o Chefe ou o Escoteiro você sabe se ele é amador ou não. E a Patrulha então? Só o Monitor formar e lá está. Grande ou pequena Patrulha. Não tem erro. Adorava ver um Chefe tentando me explicar sua mochila machucando na subida da serra. - Aprendeu papudo? Claro que sim. Ele aprendeu. Achou que sabia tudo e não sabia nada. Não se aprende a fazer fazendo?

                                Quando Sênior era bom andar com meus companheiros. Ninguém reclamava. Todos sabiam o que fazer. Mochilas bem postas, somente o necessário. Hora de falar, hora de cantar e hora de prosseguir o caminho das nuvens. Andei por alguns lugares com chefes mateiros. Aprendi muito com eles. Muitas vezes não levava barracas. Prá que? Em meia hora sabíamos fazer uma cabana para dois ou três. Chuva? Uma capa plástica simples e mais nada. E ela nunca durava para sempre. Mas voltemos às mochilas. Cada um sabe o que quer. Cada um compra a quem mais lhe chamou a atenção. Mas cuidado. Muito cuidado! Nem tudo que reluz é ouro. Olhe para ela. Pense se vai sentir-se confortável subindo uma montanha por dois dias, sol a pino, nenhuma sombra. Como ela está nas costas? Dói? Então não compre. Veja aquela mais simples, mais leve. Você não vai mudar de residência ou cidade. Vai acampar ou excursionar e voltar para casa.

                                Ainda sinto saudades. Muitas. Em ver todos chegando à sede. Dia do grande acampamento. Pais e mães brigando para ver seus lindos filhinhos colocarem a mochila e dar adeusinho. Os mateiros rindo e pensando na bela atividade pela frente. Os pata tenra vermelhos maldizendo as vovós e as mamães que lhe entupiram de material. Mas não adianta. Só se aprende fazendo. Feliz Baden Powell que nos ensinou e muitas vezes esquecemos. Bom acampamento!

domingo, 20 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O começo do fim.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O começo do fim.

Prologo: Ei moço, você mesmo, aquele que tem a resposta que procuro. Onde anda o meu escotismo? Podes me dizer? Ainda existe um tal de CAN e DEN na Escoteiros do Brasil?

                                      Hoje é domingo. Dia santo para alguns e dia de descanso para outros. Hora de colocar a mente no ar, respirar ar puro e se estiver acampado se preparando para desmontar acampamento quando a tarde chegar. Eu, um velhote de sonhos utópicos estou a imaginar uma seara escoteira nos moldes dos escoteiros de Xangri-lá. Dizem que lá tem alegria, respeito, amor, fraternidade e muito mais. Lá a Lei e a Promessa são levadas a sério. Mas e daí vão me perguntar...

                                     Daí meus caros escoteiros que rebusquei no tempo passado algum que pudesse me alegrar. Vida boa é de menino, de lobinho ou de escoteiro para escoteirar. Reclamar do Monitor? Eu não o meu foi supimpa. Reclamar dos meus chefes? Nem pensar. Ali não havia dissabores, contrariedades, desejos ocultos de poder. Nunca liguei para ser o melhor, minha luta era comigo mesmo. Afinal o escotismo morava nas minhas andanças do meu corpo da mente ao coração.

                                    E o tempo foi passando, fui crescendo e sentindo na pele a sede do poder. Tem poder prá todo lado. Poder de ver os humildes meninos lobos e ou escoteiros para obedecer a uma ordem dada. Poder de alcançar o topo na linhagem da casta existente em um Grupo escoteiro. Poder para comandar uma legião de adultos que estão havidos em aprender. É uma luta invisível, muitas vezes na sombra, outras criando rixas como se fossem suas e mostrando sua verdadeira face para atingir o poder.

                                   Nada de novo no front escoteiro, algumas vezes ser um distrital é um sonho quem sabe para chegar à regional. Uma loucura a procura dos tacos. Só se dão por satisfeitos quando atingem o topo da pirâmide do adestramento nacional. Ops! Adestramento? Desculpe, vislumbrei o passado hoje se diz formação, mas estão a formar o que? Sei que tem gente querendo mudar. Já notaram os novos assistentes distritais? Os regionais? Os nacionais? Um bom numero deles dando ordens nas suas andanças de programas e dizendo: Hoje tudo vai mudar, nada será o mesmo...

                                  Juro pela Alma sagrada de Baden-Powell, que nunca vi isso no passado. O sonho de ser alguém, de ver centenas ou milhares gritando Anrê, ou Bravôo para a nova figura imponente que se prende no presente para mandar... Sempre com um estudado sorriso, um ar de vitória, uma vontade de ser BP coisa que nunca irá alcançar. Pequenos aprendizes ou profissionais dos políticos que muitos de nós detestam. Mas me perguntem por que esse cacarejo de velho Chefe escoteiro?

                                 Volto-me para Xangri-lá. Chutaram-me de lá uma vez. Tentando ver coisas boas e evitar as dores, fui viajar nos Desbravadores... Ali pelo menos tem amor no coração, à religião está em primeiro lugar. Arroz e feijão? Não tem macarrão? Era assim moço nosso cardápio nos acampamentos de então. Volto atrás na penumbra do tempo e vejo a realidade: CAN X DEN os doutores da lei se digladiando pelo poder. Sabia meu caro amigo? É nossa liderança. Dão trancos solavancos, querem o poder a qualquer custo, ali não tem amigos?

                                 E lá estão eles, reuniões secretas nos porões do poder. Suspensão, tome rapsódias ou réquiem tocadas nas jornadas das Comissões de Ética. Trocam de cargos, põe alguns na geladeira... Moço três meses suspenso, fica sem função. E pimba, entra até nossa cantilena constitucional. Um Juiz civil dita o que fazer na rede do poder. Cacilda! Os que ditam normas e fazem comissões para defender nossa honra, lutando como arruaceiros para arrebanhar o poder?

                                Ainda bem que sou escoteiro do mundo. Sou um afiliado da UEB, aquela antiga, que fazia amigos e eram sem forçar irmãos escoteiros. Fiz uma promessa e não prometi ter um registro para que me respeitassem como tal. Ninguém me tira do anonimato para ser um Zé Ninguém a ser enxovalhado só porque não concorda com essa cantilena de lideres que não são nada, não exemplificam para que vieram e nem sabe para onde vão. E então para não me delongar muito eu me pergunto: Para onde caminha a Escoteiros do Brasil?

Nota: - leia Ricardo Machado em sua página. Leia também Café Mateiro. Eles entendem deste pessoal que querem estar no poder... Ou melhor do poder do nada de gente que não valorizou um sorriso de um lobinho e falsamente deram a mão esquerda dizendo que seriam transparente ao assumirem o poder.