Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

sábado, 8 de junho de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Diário de um Velho Chefe Escoteiro Tradicional.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Diário de um Velho Chefe Escoteiro Tradicional.

Nota – Um sábado modorrento sol em ponto morto vou lendo e absorvendo o que cada um pensou e postou na sua página de estimação. Sentado no banquinho com os dedos no teclado, vou escrevendo o que vi e o que aprendi deixando o vento me levar ao sabor da vida. E vocês meus diletos amigos escoteiros, tenham uma bela tarde, uma bela noite, uma linda madrugada e uma vida espetacularmente feliz!

- Varrendo meu subconsciente abstrato filosófico, porque não dizer subjetivo, nada melhor que fazer uma autoanálise dos últimos dias e anotá-los sabiamente no meu livro da vida: - De novo me disseram que devia procurar outra freguesia. UEB ou EB não têm interesse no meu passe. E daí? Ele estava à venda? Afinal sou um dos poucos produtos fabricados no antigamente que não dá lucro a EB e nem bate palma pelas idiossincrasias que andam escrevendo e determinando por ai.  Em 1947 mesmo sem registro fiz a promessa de lobo na UEB. Durante todos estes anos que sou escoteiro ganhei distintivos e fui agraciado com tanta honraria Uebeana que adquiri certos direitos queira uns e outros não. E viva Baden-Powell meu eterno e único Guru que está no céu.

- Admiro as outras congêneres escoteiras que fazem o escotismo que acreditam. Respeito apesar de ainda não bater um prego na porteira pensando que vai ser para sempre. Queira ou não sou UEB e não EB mesmo não fazendo o registro. Ora bolas, se um dia me escolheram como DCIM, me deram medalhas sem pagar, nomear como Comissário e o Escambal hoje não sirvo mais só porque não comungo com as diretrizes dos novos dirigentes? - Sou Facebocano desde 2009. Só escrevo Escotismo e nada mais. Aqui cada um escreve o que quer. Uns fazem politica, outros mandam bilhetes, falam de suas escolhas pessoais e religiosas. Afinal eu também não sou um tagarela nos meus escritos?  Minha caixa de mensagem vive cheia. Pena que não tenho tempo para ler tudo e enviar para todos os meus amigos como pedem. São muitos, pois é. E dizem que estamos sozinhos por aqui. Sei não.

- E vão comentando os prazeres abstratos dos lideres da Escoteiros do Brasil, alguns eleitos e outros mantendo a posição do poder. Privilegio de poucos. Passagens pagas, exigências de hotéis cinco estrelas, gastanças nas viagens internacionais. Danado de escotismo moderno, onde nem mesmo o respeito aos “escoteiros” que mal podem pagar e viajar por aí. Meteram os pés pelas mãos, tentaram absorver todos que discordaram, abriram processos pensando que seus egos seriam satisfeitos com o poder de ser dono do lugar. Perderam tudo. Gastaram sem consultar aos seus correligionários e hoje estão sujeitos a ressarcir a todos que prejudicaram.

- E quem vai me pagar os dissabores de ver uma associação que não faz mais parte do meu passado? Do meu velho caqui, do meu chapelão, da minha fleuma representativa de um passado que se perdeu? Agora tem presidentes, diretores e o escambal. O Velho Escoteiro Chefe, o Velho Comissário, o Velho Chefe de Grupo, minhas saudosas classes tão bem descritas no livro do meu amigo Floriano de Paula. O que existe na paginas do Velho Lobo no seu Guia do Escoteiro ficou no tempo na memória de quem teve o privilegio de ler. Agora tudo é moderno. Um “pimpolho” chamado de “diretor presidente” resolveu que podem usar como quiser seu vestuário tipo “bombacha” cuja confecção não vale o quanto pesa.

- E vai daqui vai dali, tanto que devemos ver na formação do jovem e vem à preocupação com os Agnósticos, LGBT e outras religiões não cristãs em ter uma promessa própria no escotismo. Abstenho-me de opinar e nem sei se vale a pena concordar ou não. Queira ou não sou um dinossauro saudosista que não sabe se isto vai dar nova dimensão ao Escotismo que acredito. Apego-me aos resultados. Só aos resultados. Vi que estão organizando uma nova associação: - AEA – Associação dos Escoteiros Ateus. Sucesso para eles. Será que vem também a AELGBT? E ainda dizem que alguns pretendem acabar com o uniforme caqui? Quem ganha com isso? Maneiramente parece que a EB lucra. Mais associados para comprar o vestuário. (Ops! Não se dão por satisfeitos, antes era vestimenta agora é vestuário – Putz grila!) Haja tostão para ser escoteiro hoje em dia. E inventam mil maneiras para enricar: - Novos distintivos, novas taxas e algumas em “dólar!”. Olhe eu não sei se a “mula manca”, o que eu quero é rosetar... E o salário Ó’!

- Vai ser danadamente desagradável para alguns que não me veem com bons olhos enquanto estiver vivo. Quando morrer paciência. Mas enquanto viver vestirei aquele que usei pela primeira vez em abril de 1951 quando fiz minha promessa escoteira, lá nas Minas Gerais, no rincão do Ibituruna em Governador Valadares onde o Rio Doce virou poeira e lama. Será que vão me processar? Putz grila, vai ser demais. Serei meu próprio “Devogado”. Não tenho um tostão para contratar outro. Agora ficar atrás das grades não sei se vai dar. Velho maniento cheio de lugar comum morre em doze horas lá. Bem cada um morre onde pode não é? Esqueça Vado Escoteiro, eles nem sabem que você existe!

- Quase encerrando às vezes penso que se fosse mais jovem iria formar uma tropa dos meus sonhos. Daquelas de adestrar monitores para que eles fossem os irmãos dos demais patrulheiros e fizer bons acampamentos, sem pais preocupados, deixando a vida deles ser feitas com crescimento do aprender fazendo. Posso? Não nunca seria filiado a EB e a nenhuma outra associação. Seria aquela que iria seguir sua trilha com pés no chão, responsabilidade no costado, fazendo escotismo na veia, no meio da poeira cantando uma bela canção. Quem dera! Os sonhos desta vez não passam de uma ilusão.

- Ah! Caro Velho Chefe Escoteiro. Não fique criando “calango” de beira de estrada que está de olho onde vai passar. Esqueça a “chicana” não vai achar a palavra certa para dizer a essa turma metida que nem sabe fazer um nó de cabeça para baixo e que quando armaram barraca foi no fundo do quintal da sede... Risos se armaram! Ainda fecho os olhos e vejo estrelas, lindas montanhas, florestas, vales e lindos riachos para nadar. “Bão demais!”. Pois é, nos meus sonhos ainda posso ver a beleza das flores, do vermelho ao nascer e do por do sol e do azul do céu. Colocaram-me um olho azul, agora tudo azul na vida do Velho Chefe Escoteiro. Vida longa a todos vocês!

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Meu melhor curso escoteiro foi com meus monitores.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Meu melhor curso escoteiro foi com meus monitores.

Prologo; - A divisão dos escoteiros em patrulhas permanentes, de seis a oito e lidar com elas como unidades separadas e independentes, cada qual com próprio Líder, responsável, é a chave do sucesso com uma tropa. Baden-Powell.

                  Ei Chefe, não é uma pegada de um Quati? – olhei com calma, nunca tinha visto uma, mas se o Escoteiro dissera eu acreditava. Paramos, analisamos o peso a altura, as passadas e assim fomos aprendendo a seguir pistas de animais. Eu e meus amigos monitores e Submonitores. Junto a eles eu estava na melhor escola escoteira que tinha conhecido. – Chefe? É um ninho do Inhambu? Dizem que ele não se preocupa muito e junta umas folhas próximo a uma árvore disse Niltinho um Monitor da Gavião. Nunca fui expert em ninhos só sabia que Gill um sub Monitor um dia me contou que o ninho do João de Barro dava uma mão de obra danada para o casal. Barro húmido, esterco e palha. Fazem centenas de viagens para terminar. Mais ou menos com 30 cm de diâmetro. O casal de João de Barro amassa as bolas de barro com os pés. Tem área para colocar os ovos, tem porta de entrada sempre em direção contrária a da chuva e de difícil acesso para predadores. Nunca usam a casinha mais de uma vez. Após o crescimento dos filhotes eles voam para outras plagas. Os monitores me olharam espantados. Ficamos ali naquela floresta conversando sobre pássaros por muito tempo.

                 Ei Chefe, sabe o Zózimo? Olhei para Bob Low um Monitor da Quati. O que tem ele Bob? Na eleição passada ele foi eleito Monitor e não queria – Por quê? Perguntei. Ele disse que ser Intendente/almoxarife era melhor. – Não acreditei e insisti – Como? Ele acha que o intendente é a alma de uma patrulha. Um bom acampamento depende dele, se faltar material ele é culpado. Se sumir ele é culpado. Se alguém precisa tem de falar com ele. E ele se preocupa muito com a guarda e a limpeza do material. Os escoteiros pata tenras são mestres. Vão cortar um bambu e o facão ôh! E olhe Chefe ele me disse que na sua barraca de intendência tem de tudo. A alimentação fica fora das formigas e animais do campo. Lazinho o Cozinheiro o adora. Sabe que ele é chato, pois quer as panelas nos trinques. Nada de carvão! E eu sei que nem precisa falar com ele o que levar no acampamento. Ele sabe o que levar para um acampamento longo e um curto. Pois é Chefe, se não fosse ele nosso material já teria sumido e estragado.

                O que eu mais gostava deles era à noitinha em uma gostosa conversa ao pé do fogo. Cada um se abria, contava histórias, falava dos seus amigos, das namoradas com olhares piscantes, dos seus pais, da escola e dos seus sonhos. Chefe fiquei sabendo que o Lindolfo da Pantera jurou que ia ser médico. Disse Matusalém da Anta. Era o nosso enfermeiro e aproveitava também para ser o bombeiro e lenhador. Era outro que Lazinho o cozinheiro adorava. Nunca faltava lenha seca e agua à vontade. Seu lenheiro era perfeito. Podia chover canivete. Ele era um bamba e sabia escolher a melhor lenha, aquela que durava mais. Cozinheiro que se preza não fica sem um bom bombeiro e lenhador. Quem sopra muito é cozinheiro novato usando graveto fino e palha de capim seco. Observem que ele está sempre com os olhos cheios de lágrimas. Risos. Quer saber? Eu nem sabia disto. Eles é que me ensinavam. Uma patrulha que alguém preferia ser o intendente? - Foi Joel quem contou sobre Lazinho o cozinheiro. Ele Chefe é demais. Sabia surpreender a patrulha com suas iguarias. – Chefe ele encheu as “paciências” de sua mãe. Aprendeu tudo. Era um mestre cuca como ele gostava de ser chamado dos melhores. Chegou a fazer um forno de barro e fez um bolo fantástico!

                      Uma vez resolvemos fazer uma mesa com toldo e bancos reclináveis. Queríamos bater todos os recordes de tempo na construção. Claro eu sempre deixei que eles começassem que discutissem entre eles como iam fazer projetos e coisa e tal. E corta daqui, e corta dali o madeirame estava pronto. Ajudei pouco. Afinal era o Monitor dos meus monitores. Sabia bem as amarras. Sabia do acabamento, pois era uma exigência entre os Escoteiros. Ajudei somente na costura de arremate no tampo da mesa redonda. Nem peguei no cipó (adorávamos o cipó e nada do sisal) e um Monitor logo disse – Chefe, não é assim. O acabamento é de terceira qualidade. Faça no final do arremate um volta de fiel duplo. A tampa vai ficar firme! Eu nos meus tantos anos sorria. Contradizer? Nunca. Eles eram meus mestres meus formadores.

                 - Chefe! Que tal fazermos um programa diferente nas férias de julho? Humm! A última surpresa deles nós caímos numa gelada. Um frio de rachar. Bob Low riu, ele nunca esqueceu o frio que passamos. Chefe está na hora de aprendermos a fazer fogo. Fogueirinha de fogão e Fogo do Conselho todo mundo sabe. Lembra-se do acampamento nas Montanhas geladas do Rio Pequeno? Morremos de frio porque éramos pata tenras. – Concordei com ele. – Pois é Chefe, poderíamos treinar muito como evitar isto, eu li muito sobre fogo Espelho. Garantem se bem feito no frio pode se dormir de short sem camisa! Sabendo a técnica e ter cuidado para medir a distancia e não colocar fogo na barraca! E eles riram a valer.

                 Eu posso dizer que meus melhores cursos foram com meus amigos monitores. Aprendi muito com eles. Trocamos tantas ideias e aprendemos tanto uns com os outros que fiquei perito em pioneirías. Amigos são assim. Sempre fazer e insistir a acertar quantas vezes for preciso. Lembro que um deles resolveu surpreender em um fogo de conselho. Uma bola de papel bem encharcada de querosene, um galho em forma de F encurvado e pequeno para correr preso em um cipó liso segurando a bola de fogo que na imaginação dele iria surpreender todo mundo. Ele todo posudo, em frente ao fogo, todos nós sentados em volta gritou: - “Que os ventos do norte! Que os ventos do sul” Quem os ventos do este e do oeste nos traga hoje o espirito da paz e que BP nos guie pelas sendas da vida e que Deus nos proteja! Ascenda-te fogo! E a bola de fogo que foi acesa por outro encarapitado em uma árvore desceu a toda velocidade até onde estava o fogo e logo as chamas subiram aos céus!

         Quem sabe se não fosse por eles eu não saberia do valor de uma patrulha, de um patrulheiro intendente, de um bombeiro lenhador, de um cozinheiro, do sanitarista, do aguadeiro, do construtor de pioneirías e de tantos outros. Foram eles que me ensinaram e com eles fazendo e ouvindo eu aprendi. Lembro-me de uma noite de fogo de conselho onde resolvemos trazer o espirito da floresta na forma da Lei Escoteira. Foi lindo. Aprender com eles, sentar a moda índia em um fogo estrela, comer uma batata quente, beber um café de bule na brasa, deixar que eles cantem que eles riem de suas piadas, que eles inventem aplausos, canções e que a noite para eles seja uma criança. Deixar que eles mesmos pudessem contar estrelas, descobrir novos caminhos e assim quem sabe, eu no alto da minha enorme idade e sabedoria irei aprender com eles na tenra idade de um escotismo que resolvi adotar. Aprender com monitores! Uma técnica que poucos até hoje não querem enxergar! 

terça-feira, 4 de junho de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Páginas da vida.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Páginas da vida.

Prólogo: - No retrato que me faço, - traço a traço - às vezes me pinto nuvem, às vezes me pinto árvore... Ás vezes me pinto coisas, de que nem há mais lembrança... Ou coisas que não existem, mas que um dia existirão... E, desta lida, em que busco - pouco a pouco - minha eterna semelhança, no final, que restará?
Um desenho de criança... Terminado por um louco! Mario Quintana

                      O poeta O S Marden escreveu um dia que quando na vida uma porta se fecha para nós, há sempre outra que nos abre. Em geral, porém, olhamos com tanto pesar e ressentimento para a porta fechada, que não nos apercebemos da outra que se abriu. Acredito que todos nós temos uma porta. Muitos a mantém fechada outros não. Somos milhares de adultos no escotismo. Cada um interpreta a sua maneira como viver escoteiramente para ser feliz. Uns mais outros menos. Um dia também fechei a porta que sempre deveria ficar aberta como escoteiro. Tentei ao meu modo deixar que só aqueles e, que eu acreditava passassem pela porta para abraçá-los. Vi que com o passar dos anos sem perceber, alguns não quiseram passar por aquela porta. Significa que na vida deles eu não tinha mais direitos em entrar.

                     Sempre quando celebramos datas especiais que falam do escotismo estamos vendo adultos e jovens enaltecendo o que se passa em seus corações. São palavras lindas e tenho certeza à maioria a tirou dentro de sua alma. Mas o escotismo é isto? Tudo é maravilhoso? Não existem portas fechadas? Portas que não se abrem? – Vez ou outra costumamos ver aqui e ali insatisfeitos. Por quê? Não se deram bem com os demais irmãos onde montaram barraca? Graças aos céus que temos condições de analisar o bom e o mau. Assim dizem. Seremos maus? Seremos bons? Difícil dizer. Onde está a verdade? Com aquele ou comigo? Temos amigos ele também tem.

                Um dia fizemos a mesma promessa, a Lei Escoteira nos foi apresentada e todos nas entrelinhas disseram um dia cumprir. – Deixe-me entrar em sua porta? Posso? Não? Você não me acha merecedor? E eu o que acho de você? Um incapaz? Alguém sem Espírito Escoteiro? Não são todos com as portas fechadas. Em muitos grupos escoteiros vemos no dia a dia o afastamento de um e outro. Tentou entrar em portas daqueles que considerou amigo e não conseguiu. Afastou-se. Foi para casa. Outros não desistiram e abriram novas portas. Portas que sempre aceitava os que quisessem entrar. Mas e os mais novos também não se sentiram do lado de fora? Esperamos muito. Muito dos adultos. Nem perguntamos o que eles esperam de nós. Cada um tem sua maneira de agir, de pensar, de analisar e estamos deixando de lado um fato, um ato que esquecemos completamente.

                  Ouvir. Ouvir sempre. Augusto Branco um sábio comentou o que seria saber ouvir: - Saber ouvir e saber calar: nisto consiste o supremo valor do silêncio. Ouvir, silenciar, pensar, falar, silenciar e pensar outra vez evitaria muita coisa dita em vão. Por falar apenas e pouco pensar, pessoas cometem erros difíceis de reparar depois. E por ouvir tanto menos do que pensam, piores erros cometem ainda... O escotismo se cercou de alguns que falam muito. Esqueceram-se de ouvir. Resolvem, tomam atitudes, decidem e até falam palavras que machucam assustando uns e afastando outros que muito teriam a contribuir. A cada mês, a cada ano as cisões nos grupos escoteiros fecham portas que não vão abrir a não ser para quem os donos das chaves acham que merecem. A cada temporada de novos grupos que surgiram sempre estarão ali os insatisfeitos, os que queriam entrar por uma porta e a encontraram trancada.

                    Seria este o escotismo que queremos? É tão difícil compreender? Elogiar alguém mesmo que não o achamos merecedor? Norman V. Peale disse que o mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela critica. Verdade? Assim confirma Sigmund Freud que disse também – Contra os ataques é possível nos defendermos: contra o elogio não se pode fazer nada. Precisamos mudar para acreditar em nós mesmos. Sei que é difícil. Um grande poeta Chico Anísio já falecido (risos, grande sim) dizia que palavras são palavras, mas outro que desconheço emendaram: – Agua mole em pedra dura tanto bate até que fura. Não custa nada, faça um elogio honesto e sincero e vais ver quantos amigos podem passar pela sua porta para lhe abraçar e agradecer. Ou nos conscientizamos que somos irmãos escoteiros mesmo com nossas deficiências, ou então as portas do futuro estarão sempre fechadas para nós.

                 Pois é, eu nunca me esqueço de BP com sua frase mais famosa – A verdadeira felicidade é fazer a felicidade dos outros. É ótimo ver os olhos sorrindo. Mesmo que estejam rindo de mim, das minhas palavras, dos meus escritos me sinto feliz. Obrigado, entre, pois minha porta sempre estará aberta para você!

domingo, 2 de junho de 2019

Conversa ao pé do fogo. Sinais de pista. Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.




Conversa ao pé do fogo.
Sinais de pista.
Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.

Prólogo: - Sobre a personagem Kim descrito neste artigo: Publicado pela primeira vez em 1901, A história de Kim vem encantando e seduzindo várias gerações de jovens e adolescentes em todo o mundo, com as aventuras e a absoluta disponibilidade de Kim, o menino que podia se mover livremente por todo o território indiano, disfarçar-se, viver ao ar livre, sem entraves, quase sem regras.

              Pistas... Já foi feito em sua tropa isto eu tenho certeza. Mas agradou? Os Escoteiros e Escoteiras gostaram da atividade? Você repetiu? Bem vejamos o que BP dizia sobre pistas: - “Para um bom explorador, seguir as pistas torna-se um costume. Sem saber, ele está sempre em busca de ”pistas”, enquanto se ocupa de outros serviços”. O Escotismo é uma arte em que a gente se exercita a vida toda, mas dificilmente um homem “branco” chega àquela perfeição a que tem um indígena (sudanês Bosquímano da África do Sul, Gonds da Índia ou negro Australiano). Onde o branco supera o indígena é no uso da inteligência para descobrir o significado dos sinais. Pôr pistas, não se entende só os passos, tudo aquilo que envolve sentidos, é pista. – E BP completa: - Uma vez, uma menina inglesa me desafiou na interpretação de pistas. - A filha do Lorde Meath, um dia no Jardim, descobrindo pistas no chão perguntou-me que pistas eram. - Respondi: “do gato comum” - E ela: - De que cor era o gato?”- Olhei no chão e nos galhos das arvores vizinhas. Não havia nenhum sinal”. “Então ela me respondeu:” O gato era de cor morena clara”. Perguntei-lhe -” Como é que você sabe? - e ela: - “Eu vi o gato passar”. Portanto se ainda não chegou a este ponto quem sabe uma boa conversa com seus monitores não iriam surgir novas ideias?

                Comecemos com uma tropa que já tem uma boa ideia sobre pistas. Ela já seguiu por mais de dois quilômetros e se saiu bem. Agora é hora de subir um degrau na arte de seguir pistas. Vamos treinar a todos a seguir e entender as pegadas em suas diversas situações. Comece em uma pequena estrada, quem sabe próximo a uma fazenda ou um sitio. Se não encontrar um trecho molhado e com barro faça com eles um trecho assim, não é difícil. Quem sabe uns dez metros para começar. Primeiro passa um Escoteiro o menor da tropa e por ultimo o maior. Depois ao lado das pegadas deixadas faça de novo, desta vez com as mochilas. E para encerrar com um Escoteiro correndo e depois carregando outro. Todas as patrulhas em volta prestando atenção como se fosse um jogo de Kim. Após as patrulhas fazerem um relatório sobre o que observaram. Qual a diferença de pegada por pegada? Altura, peso, idade, andando ou correndo? Estas técnicas de pistas devem ser feitas pelo menos uma vez a cada três meses. Exercitar, fazer discutir em Patrulha e em uma dinâmica de tropa. Toda vez que as patrulhas estiverem em marcha de estrada convide a eles que relatem o que viram.

                  Interessante é a diversificação. Pegadas descalço, pegadas com sapato, com tênis ou chinelo. Botina ou bota é uma boa. Agora é hora de tentar descobrir pegadas de animais. Se conhecerem algum fazendeiro lá é o local ideal. Pegadas do gado, de porcos, de galinha, de cães enfim toda a bicharada do habitat. Hora de usar a memória para identificação. Uma pegada de um cão, daqueles maiores se aproxima um pouco do de uma onça. A diferença é que a onça anda devagar e quando corre é em saltos. Seguir também pistas feitas sem usar as conhecidas. Um pequeno galho quebrado apontando a direção. (quebrado da altura da mão esticada do escoteiro pode se saber a altura). Um galho virado para o chão explica que houve uma parada dos que faziam a pista. Nada de riscar ou chapiscar árvores. Cada patrulha deve ter seu estilo e o bom mesmo é se ela criou seus próprios sinais. Se as outras não souberam pode dar um excelente jogo de seguir pista.

          Pegadas, pistas simples ou não. Estas sempre devem ser cobradas em marcha de estrada ou mesmo uma jornada ciclística. Um lembrete já conhecido de todos, mas que sempre é bom lembrar: - Pista não é para um somente. Pelo menos dois para evitar desacertos. Os sinais são feitos à direita dos caminhos. No inicio da aprendizagem os sinais devem ser visíveis. Quando venta não pode ser utilizados papéis ou folhas. Os sinais não devem ser traçados a mais de um metro de altura do solo. Nos cruzamentos de estradas deve sempre ser colocado o "caminho a evitar" nas que não vão ser utilizadas. Nos lugares de movimento devem ser feitos muitos sinais. Os sinais devem ser traçados obedecendo às condições do terreno: em terrenos difíceis de cinco em 5 metros, nas rochas de dez em dez, nas matas de 20 em 20, nos campos de 30 em 30 metros.

           Jogos de sinais de pistas sejam eles dentro dos padrões conhecidos da tropa sempre chamam a atenção principalmente se antes de seguir o Chefe conta uma boa história sobre o tema. Kim para quem leu e conhece é perfeito para isto. Kim é um órfão irlandês, o “amigo de todo mundo”, que vive ao deus-dará pela cidade de Lahore, na Índia dominada pelos ingleses, até que se torna o discípulo de um lama, um sábio tibetano engajado numa busca mística. Ao mesmo tempo, aproveitando seu grande talento para o disfarce e a facilidade que tem de dominar vários dialetos, torna-se agente do coronel Creighton, o sagaz chefe do Serviço Secreto que investiga os detalhes de uma conspiração na qual espiões russos estão envolvidos. Kim se entrega de corpo e alma ao que, ao longo da narrativa, é chamado de Grande Jogo. O livro foi escrito por Rudyard Kipling, o mesmo que escreveu o Livro da Jângal.

             Criando situações reais ou imaginárias dos perigos que estão em volta das pistas na trilha ou estrada o sucesso é garantido. Quando uma patrulha está seguindo uma pista evitar outra junto a ela. Dar certa distância entre as patrulhas. Lembrar ao Escoteiro ou Escoteira que ao seguir uma pista, não se deve chamar atenção falando alto, gritando e comentando. Use da imaginação com seus monitores. Pistas são excelente meios para desenvolver a mente.  Kipling célebre escritor britânico, escreveu diversos livros e no escotismo dois são bastante utilizados. O Livro da Jângal e a novela Kim que celebrizou o menino observador. Aconselho aqueles que puderem adquirir este ultimo livro que ele denominou de novela a ler com atenção. Baden Powell em Brownsea já comentava as utilidades do menino Kim na arte da observação e dedução.

De Rudyard Kipling: - Nenhum homem tem o dever de ser rico ou grande ou sábio, mas todos têm o dever de serem honrados... Tenho seis regras que me ensinaram tudo que sei: O que? Por quê? Quando? Como? Onde? E quem?

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O Escotismo segundo Baden-Powell.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O Escotismo segundo Baden-Powell.

Prólogo: - No escotismo de hoje estamos vendo tantas divergências, pessoas assumindo cargos sem merecê-los, alguns levando sua vida “escoteira” no grito ou na valentia, sentindo-se dono das ideias, alegando um novo escotismo de mentalidade aberta e moderna que assusta. Como acredito na tese Badeniana, no que escreveu o fundador não importando a década ou mudanças, saquei das memorias de BP alguns trechos que escreveu e que merecem ser lidos e compreendidos por todos que acreditam que o escotismo Badeniano é o verdadeiro caminho para o sucesso.

- Nós do Movimento Escoteiro temos que ser capazes de explicar, claramente, a finalidade do Movimento Escoteiro, não apenas aos pais ou responsáveis, mas, especialmente às crianças e jovens. Para estes, a explicação está inserida no programa escoteiro, ao qual devemos dedicar muita atenção e estudo, disciplina e organização. - Devemos tornar o escotismo ainda mais atraente, sem desculpas que os shoppings, o videogame o celular e uma série de outros fatores são os que afastam as crianças e jovens do Escotismo. Quem experimenta atividades atraentes, progressivas e variadas, tem tudo para gostar. E quem gosta, fica. Fica e trás outros para compartilhar desta experiência.

- Quanto à conduta, se não somos capazes de dar o exemplo da Lei e da Promessa, não deveríamos tentar passar estas normas de conduta para crianças e jovens. Não estamos aqui falando em conhecer ou em “saber de cor”. Mas, de seguir os preceitos éticos e morais da Lei Escoteira, fazendo com que, diariamente, a Promessa seja cumprida por nós mesmos. Senão, como posso pretender ensinar aquilo que não vivencio. - No livro “Lições da escola da vida”, Baden-Powell indica quatro pontos necessários para fazer um plano de discurso, de livro ou de uma atividade. Segundo B-P, estas são as bases para o sucesso de qualquer projeto.

a) Saber claramente sua finalidade e saber expressá-la;
b) Que seja atraente;
c) Formular uma lei que lhes sirva de linha de conduta; e
d) Formar uma organização conveniente sob a liderança de chefes “competentes”.
Foi exatamente isso que ele fez com o Movimento Escoteiro.

Amizade - “A amizade é como um boomerang, tu dás a tua amizade a um dos teus companheiros, e depois a outro e a outro ainda e eles retribuem-te com a sua amizade. Assim, a tua amizade e boa vontade iniciais vão-te fortalecendo à medida que vão sendo transmitidas aos outros, e acaba por regressar a ti, em retribuição, tal como o boomerang regressa à mão de quem o lança”. “Se não tiveres medo das pessoas que encontras nem sentires antipatia por elas, também elas, da mesma maneira, não te recearão nem desconfiarão de ti e terão tendência para gostar de ti e serem tuas amigas”. (Impele a Tua Própria Canoa).

Fraternidade Mundial - “Se todos os homens tivessem” desenvolvidos em si mesmo o sentido da fraternidade, o hábito de pensar em primeiro lugar nas necessidades dos outros, e de subordinarem a elas as suas ambições, prazeres ou interesses pessoais, teríamos um mundo muito melhor onde viver. Um sonho utópico, diriam alguns, mas não passa de um sonho, por isso não vale a pena tentar. “Mas se, ao sonharmos, nunca estendêssemos as mãos para agarrar a substância dos nossos sonhos, jamais conseguiríamos progredir”.

- Aprender fazendo. - Todo o escoteiro tem de começar como Pata-Tenra e cometer alguns erros no princípio. Como disse Napoleão, «Um homem que nunca fez erros nunca fez nada». A criança quer estar a fazer coisas; por isso, encorajai-a a fazê-las na direção correta, e deixai-a fazê-las à sua maneira. Deixai-a cometer os seus erros; é por meio destes que ela ganha experiência. A prova do pudim só se faz quando o comemos. Não faça ele (o chefe) muito daquilo que compete aos próprios rapazes, e assegure-se de que eles o fazem. «Quando quiserdes que uma coisa se faça, não a façais vós» é a divisa apropriada.

- BP foi um iluminado ao escrever sobre a fraternidade que não pode ser desvirtuada só porque hoje os tempos são outros. Ser Chefe no bom sentido é saber compreender seus ensinamentos e não criar situações divergentes, querendo impor seu ponto de vista em uma organização centenária. Quando voltarmos nossos olhos e pensamentos no que ele disse e pensarmos que o verdadeiro escotismo é o que ele nos ensinou então, seremos fraternos e iremos entender que para ser escoteiro temos que desde já reconhecer que somos todos irmãos.

- “Se todos os homens tivessem” desenvolvidos em si mesmo o sentido da fraternidade, o hábito de pensar em primeiro lugar nas necessidades dos outros, e de subordinarem a elas as suas ambições, prazeres ou interesses pessoais, teríamos um mundo muito melhor onde viver. “Sir Robert Baden-Powell”.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Fotos, e quem não gosta?




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Fotos, e quem não gosta?

Prologo: - No ano de 1694, o holandês Wilhelm Homberg descobriu que ao expor determinados produtos químicos a luz, tal como o cloreto de prata, eles se tornavam escuros. E essa descoberta, mais tarde, foi de grande importância para a fotografia.

Eu amo fotos. Minhas, suas e de quem quiser aparecer. Mas se estiver uniformizado então me derreto todo pensando em postar em um dos meus contos. Vez ou outra consulto aos meus leitores se meus contos, meus artigos, minhas lendas seriam melhores sem fotos. Três ou quatro respondem... Assim continuo na duvida. Quando vejo uma foto de um lobo ou uma lobinha bem apresentado e com garbo, sorrindo é hora de consultar o titular e saber se posso usar. Antes copiava e postava. Um dia um Chefe exigiu que retirasse a foto, pois não me deu autorização. Tirar a foto somente não dava assim fui obrigado a cancelar a postagem. Uma pena, mas fazer o que? Acho que ele não entendeu a fraternidade e eu a educação de pedir.

A Escoteiros do Brasil há alguns anos no seu afã de se apropriar de tudo, escreveu uma norma sobre fotos escoteiras. Não me lembro bem como era, mas nas entrelinhas que sem sua autorização ninguém poderia copiar ou postar fotos escoteiras! Vixi! Deixou-me vexado. Risos. Dai em diante comecei a “catar” fotos de escoteiros de outros países. Sempre achei que quem visse sua foto ou de seu grupo em um dos meus contos seria motivo de orgulho e felicidade. – Nem tanto Chefe! – Disse-me um amigo. Tem alguns que não gostam e nada dizem. Mas tem aqueles que gostam e escrevem agradecendo. A estes me estico, fico em posição de sentido, dou um aperto de mão através das ondas do tempo e digo: - Obrigado. Feliz em saber que gostou!

Sinceramente tenho mais de duas mil fotos no meu arquivo. Algumas notas dez outras um pouco menos. Tento na medida do possível colocar uma foto que poderia dizer tudo do que escrevi. Outras vezes não dá e a foto chama mais a atenção do que deixei redigido. Vez ou outra quando estou um pouco sóbrio de saúde, o que nem sempre acontece costumo viajar nas páginas dos meus amigos e quando vejo uma foto não importando se está com o caqui ou o vestuário e desde que se apresente (em minha opinião é claro) condignamente, com garbo e se a foto tem um sorriso, pimba! Lá vou eu escrever pedindo autorização...

Li no Blogs Mania que os poetas diziam que a graça da vida está nos olhares dos românticos, nas entrelinhas dos desejos mais ardentes da alma, no doce beijo que acontece escondido, e na prenuncia da renúncia. As palavras costumam aquecer os corações ou até mesmo causar inquietação... Mas as fotos... Embelezam qualquer publicação seja escoteira ou não. Mas voltando aos meus afazeres fotográficos e copiando o que outro disseram sobre fotos, repito... – E, assim como poetas tentam expressar e explicar sentimentos através de seus versos, a fotografia se mostra também um importante instrumento para, por meio de imagens, representar sentimentos como alegria, tristeza, medo, indiferença, reflexão e muitos outros.

E você, o que acha das fotos que publico? Dos contos nem pergunto, como dizia um Compadre meu lá de BH já falecido, - Vado Escoteiro, tem sempre gente que gosta! E enquanto isto vou fuçando aqui e ali atrás de uma foto, cheguei à conclusão que sem ela meu conto perde o charme e o colorido de uma história que marca.

E para terminar, copio Confúcio que dizia: - Uma imagem vale mais que mil palavras!

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Conversa ao pé do fogo. Era uma vez... Uma inspeção de Gilwell!




Conversa ao pé do fogo.
Era uma vez... Uma inspeção de Gilwell!

Prólogo: - Todos formados na entrada do campo ao lado do pórtico. Havia uma placa pendurada com os seguintes dizeres: - Campo da Pantera - Lema “Verdade e amor”. Cantavam... “Acampei lá na montanha, de manhã fiz meu café”! Esperavam o Chefe que exigia pontualidade. - Nove em ponto! – Desta vez não iriam falhar... Uniformes lavados, sapatos engraxados. Todos estavam de posse do seu lenço e pente. As facas e canivetes devidamente limpas e talqueadas. Os materiais individuais postados dentro dos padrões. Poderiam perder, mas se acontecesse perderiam com honra!

Jovialto sorria... Não brincava com suas responsabilidades. Desde que nomeado Intendente/Almoxarife que ele se sentia prestigiado. Sua lista de materiais de Patrulha ele conhecia de cor. Não deixou para o dia da inspeção para fazer alguma limpeza. Sempre trazia tudo limpo e oleado. Na barraca de intendência tudo bem guardado e limpo. Panelas, frigideira, colher de pau, Coador de pano, facão, machadinha, escavadeira, enxada, chibanca... Sabia quem usou e quando não entregava cobrava. Sorria ao lembrar-se dos pequenos acampamentos eram menos materiais. Sua intendência estava pronta. Tudo limpo e arrumado. Não iria falhar quando o Chefe o chamasse para a inspeção.  

Marcha Ré era o xodó da patrulha. Passava horas com sua mãe e sua avó aprendendo os quitutes para fazer no acampamento. Olhou pela ultima vez sua cozinha. Um toldo bem esticado, um fogão de barro firme e com amarras perfeitas na mesa em forma de L. Exigia tudo limpo e bem cuidado. Votaram a favor de deixar os utensílios de refeição em uma pioneira própria, mas ele fazia questão de inspecionar. Seu lenheiro bem cuidado e pronto para se defender da chuva. Seu aguadeiro nunca deixou nada sem ter uma boa porção de água. Que o Chefe viesse, ele estava pronto!

Cafundó tinha as pernas tortas, mas era o mais veloz da Patrulha. Sonhava um dia ser o cozinheiro, mas por enquanto se contentava como auxiliar de cozinha e aguadeiro. Sempre ao lado de Marcha Ré, não deixava faltar nada. Sabia que todos gostavam dele e nunca deixou a “peteca” cair. Tinha grande facilidade em escolher uma água boa para beber e outra má. Ajudava na limpeza do vasilhame e era exímio em barrear as panelas para que o não ficasse grude ou carvão. Sorria quando cantava: - “No acampamento, o nosso tormento é ter que usar... Panelas”!

Calango não era tão novo na patrulha. Esperava um cargo melhor, mas ninguém saia e ele se esforçava como Lenhador. Para ajudar fez um curso nos bombeiros como Socorrista e era conhecido como o escoteiro Cura-Cura. Sempre deixava uma boa pitada de madeira no lenheiro. Tudo separado... Gravetos, galhos secos, achas de pequeno e maior tamanho. Quando levantava já deixava o fogão aceso. Era um perito e se orgulhava do seu ofício. Na formatura olhava para Manfredo e sorria.

Manfredo era o mais novo. Seis meses de Patrulha. O chamavam também de Pata-Tenra e ele não se incomodava. Ajudava Jovialto a afiar e olear as ferramentas de corte. Colocava nos canecos a identificação dos alimentos. Afinal era o Escriba e Tesoureiro. Fazia questão de anotar tudo no Livro da Patrulha. Sonhava o dia que eles receberiam a Insígnia de Campo. Contaram que no ano anterior a Patrulha tirou nota máxima e conseguiu. Olhou para Tiago o Sub e fez o sinal de ok!

Tiago chegava nos seus quatorze anos. Sabia que Palafita breve iria passar para os seniores. Seria seu substituto na monitoria. Sempre foi um Sub Monitor dedicado. Ajudava em tudo e combinou com seu anjo da guarda fazer tudo para conseguirem neste acampamento a Insígnia de Campo. Estava sonhando acordado e rezava. Tinha orgulho da Pantera. Desde quando saiu dos lobos ele nunca duvidou da amizade da fraternidade de todos na Patrulha. Foi um dos últimos a dormir no dia anterior. Checou tudo. Com sua lanterna olhou todo o campo a procura de objetos estranhos ao campo. Fez o sinal de perfeito a Palafita. Que o Chefe viesse. Desta vez não iriam perder!

Palafita sorria. Já havia inspecionado os nós, as amarras, os estiques e espeques das barracas. Tinha um enorme orgulho de sua Patrulha. Fazia questão de um abraço, de um aperto de mão seja no escotismo ou fora dele. Dizia ao pé do ouvido de cada um “Obrigado por ser meu amigo, tenho orgulho de você”! Havia dois anos que assumiu a monitoria substituindo Peixe D’água. Hoje está nos seniores preparando para ser pioneiro. Eram amigos até hoje. Sempre dizia a todos que o importante é competir com honra, vencer é uma questão de oportunidade. Lembrou da reunião do dia anterior ideia de Manfredo. O Pata-Tenra. Deram as mãos e disseram: - Desta vez vamos conseguir! Olhou na trilha da Chefia, viu o Chefe Tornado chegando.

Tornado se orgulhava de sua tropa. Fazia questão de ser amigo e irmão e nunca um Chefe no bom sentido da palavra. Conhecia um por um. Havia visitado a casa de todos e era amigo dos seus pais. Diziam que era um bom aconselhador. Ele sorria... Conselhos? E quem os quer? Hoje estava sozinho na inspeção. Combinou com os monitores ajudá-lo. Exceto a Patrulha inspecionada os demais participariam. Explicou as normas apesar de que já conheciam de outros acampamentos. Ele sabia do valor de uma inspeção, de como era motivo para o crescimento da tropa, da Patrulha e do jovem escoteiro. Não havia primeiro lugar, o importante era alcançar a nota estipulada em Corte de Honra. Torcia para que todos alcançassem, mas sabia que nem sempre isso acontecia.

Nove horas... O vento calmo soprava nos campos de Patrulha. As canções evoluíram para os Gritos de Patrulha. Sempre Alerta Chefe! Patrulha Pantera pronta para a inspeção! Ah! E logo veio a apresentação da Elefante, da Jaguar, da Coruja... Ali imperava a fraternidade. Todos desejavam que cada Patrulha alcance o objetivo e pudesse receber com honra a Insígnia de Campo. Seria mais um dia memorável todos esperavam o grande jogo, a aventura na Serra do Sol, as conversas ao pé do fogo, a travessia do Rio Vermelho e o Fogo do Conselho. Quatro dias... Dias de alegria e dias de vitória, não importava quem vencesse, pois o importante era participar!

“Senhor, ensina-me a ser obediente às regras do jogo. Ensina-me a não proferir nem receber elogio imerecido. Ensina-me a ganhar, se me for possível. Mas se eu não puder, acima de tudo, ensina-me a perder”! – (Inscrições encontradas nas paredes da Biblioteca Real do Palácio de Buckingham).

terça-feira, 21 de maio de 2019

Crônicas de um Chefe Escoteiro. O Caminho dos desgastados e caducos Velhos Escoteiros.




Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O Caminho dos desgastados e caducos Velhos Escoteiros.

Prólogo: - Hoje ao voltar da minha caminhada diária pensei em pausar um pouco das minhas lides de escritor, coisa que não sou e tento sem saber aonde chegar. Eis que me pus a pensar o que pensam de mim e o que penso do mundo escoteiro que vivo. Sentei na cadeira, liguei a telinha, metí os dedos no teclado e escrevi... Tantas bobagens que nem sei se valeu. Se eu fosse você passava longe... Ler é perder tempo! Afinal sou ou não sou um Velho Escoteiro senil, arcaico e borocoxô? Risos.

Não sou mais o "Velho" leitor e estudioso do escotismo moderno. Vivo preso no passado e as amarras do tempo não me deixam sair. Ainda tento ler quando possível às novas mudanças escoteiras, mas sinto dificuldades em interpretá-las. Meus olhos e minha mente estão cansados. São tantas resoluções normas, artigos que fazem da minha cabeça um redemoinho. Sei que sem entender bem os novos ventos escoteiros não posso discutir os velhos ventos que já se perderam no tempo. Antes achava tudo muito simples. Três ou quatro e o feijão com arroz ficava pronto. Hoje não.

Outro dia recebi um email de um jovem Chefe. Dizia – Leio seus escritos. Alguns bons outros não. Se não vai até um grupo trabalhar, melhor não ficar dando opinião. Eu estou em uma tropa. Amo o escotismo. Porque não faz como eu?  O passado Osvaldo ficou para trás. Agora temos outro escotismo. Mais moderno mais atual. Chamava-me de Osvaldo. Não chefe Osvaldo ou escoteiro Osvaldo. Até aí tudo bem. Fiz um exame de consciência. Tentei me colocar com a idade que tenho como um novo voluntário em um Grupo Escoteiro. Sabem? Eu teria que aprender a “navegar” no PAXTU, aceitar exigências para minhas andanças quando de uniforme. Tudo muito complicado. Fazer continência para chefões seria o fim da picada. Fiquei pensando se deveria tentar, mas nos conformes vi que não iria me enquadrar em nada. Mas suponhamos que fosse aceito. Teria um “assessor pessoal”, (Deus do céu!) ele iria dizer o que deveria fazer e agir. Afinal não é assim que funciona?

Passado alguns meses, vi em sonhos o assessor pessoal dizendo ao seu superior o seguinte – Olhe chefe, acho que o "Velho" não serve. Não me ouve e sempre discute comigo o que tento passar para ele. Veja, ele no primeiro dia já criticou a forma como fazemos o cerimonial. Disse que devíamos ter uma patrulha de serviço ou matilha. Pode isso? Deixar para os meninos tamanha responsabilidade? O pior, nas reuniões fica dizendo aos chefes que não devem ficar dando palestras, por mais de 10 minutos, e procurar um local adequado com sombra. E enche a paciência comentando que devemos trabalhar com os monitores e eles com seus patrulheiros. E completou. Falar demais a todos depois de 10 minutos ninguém está mais prestando atenção!

E sabe o que mais? No acampamento criticou o tempo todo porque levamos os lobinhos, escoteiros, seniores todo mundo junto e fazíamos jogos e atividades escoteiras e devíamos fazer em separado. E olhe, falou um monte dos pais estarem lá e fazerem as refeições para todos. – “Usem as patrulhas, elas devem ser autônomas”. Uma piada chefe. O cara não dá é “carne de pescoço” vive cobrando que devemos fazer pelo menos uma reunião de chefes por mês. Reclama de tudo. Acha que somos ásperos e sorrimos poucos para a garotada. E ainda quer que nos transformemos em anjos. Detesta uma piadinha do “Bocage” e reclama dos meninos e meninas dizerem de vez em quando uns palavrões! E a Lei escoteira? Como é chato. Só reclama.

Cobra da gente tudo. Boa ação, treinamento dos monitores, um pouco de autonomia as matilhas, mais atividades no Waingunga e menos papeis coloridos. Disse-me na cara de pau que a alcateia esqueceu da Jângal, do Mowgly, da Kaa e da Bagheera e do Balu. Existe que recebamos os jovens com cavalheirismo e fraternidade. Reclama por que nos os chefes arrumamos a sede e não os escoteiros. Fala com nosso Diretor Técnico como se ele fosse seu professor. Vive enchendo a paciência que não somos democráticos. Não ouvimos o que os meninos têm a dizer. Outro dia fizemos a promessa de seis de uma vez. Foi uma festa. Sei que nosso grupo é bom. Padrão Ouro. Sei que muitos estão saindo, mas eu disse a ele que nem todo mundo nasceu para ser escoteiro. Se quiserem ir embora xau!

Reclama sempre porque o distrito faz muitas atividades. Reclama mais ainda porque nós os chefes sempre vamos a Jamborees, Grande atividades escoteiras e os meninos não vão e ainda pagamos para trabalhar como Staff. Pode? Afinal somos adultos. Podemos pagar. Para isso trabalhamos. Quando eles crescerem poderão fazer o mesmo não acha? Olhe se fosse enumerar tudo o mandaria para a “Tonga da milonga do cabuletê”. O cara é carne de pescoço mesmo! E olhe, fique lá conosco uma reunião e você vai ver o "Velho". Só “enchendo o saco”!

- É... Tenho que aceitar. O melhor é ficar na minha. São tantas atribulações e exigências que não iria ser aceito mesmo. E se me aceitassem o que diria o distrital? O Regional? Nem pensar na Nacional que fez uma norma para a entrada de Velhos Escoteiros e Antigos Escoteiros. Escreveram para tomar cuidado. Estes tipos se acham os melhores e podem atrapalhar o bom escotismo que estão fazendo. Eu sei que sou um "Velho chato” e não vou parar. Podem me chamar do que quiserem. Minhas idéias do que aprendi eu irei insistir até o fim da minha vida. Não sou perfeito eu sei, mas queira ou não é a única coisa que posso fazer. Lutar pelos meus ideais!

E por fim admito que sou um velho senil antigo e borocoxô. Vocês conhecem Velhos Escoteiros decrépitos e caducos? Ele é aquele que já viu de tudo, sabe de tudo, comeu de tudo, e se gaba de ter trabalhado e deu duro na vida. Foi sapateiro, fazendeiro, vaqueiro, técnico de alto forno, programador, gerente, lenhador, pescador, corneteiro soldado e metido a Escoteiro. Diz que em sua época serviu o exército e fez maravilhas que nem o Indiana Jones faria. Os peixes que ele pescava mal cabiam no mar. Adora falar sobre escotismo e sempre te dá conselhos... QUE VOCÊ NÃO DEVE SEGUIR! A esposa dele não é chata, é uma velhinha carinhosa e cansada, sentada numa cadeira, fazendo tricô, que só quer te oferecer pão de queijo bolinhos, biscoitos e cafezinho. Se a velhinha ficar viúva, aí lascou tudo... Ela é boazinha, mas quando fala não para mais. Se receber uma visita faz questão de te tratar como um príncipe, mas você não gosta de velhinhas e tá morrendo de pressa! Só passou na casa dela pra fazer dizer que foi conhecer o seu velho escoteiro. Pois é, a principal função dos velhinhos chatos é tomar o seu tempo e gastar os seus ouvidos!

sábado, 18 de maio de 2019

Crônica de Um velho e Saudoso Chefe Escoteiro... Melodias... Canções... Cantigas e toadas Escoteiras.




Crônica de Um velho e Saudoso Chefe Escoteiro...
Melodias... Canções... Cantigas e toadas Escoteiras.

Prólogo: - “Não, tempo, não zombarás de minhas mudanças! As pirâmides que novamente construíste não me parecem novas, nem estranhas; Apenas as mesmas com novas vestimentas”. William Shakespeare.

Um Chefe um dia me disse: - Porque não cantam mais as canções tradicionais escoteiras? Tradicionais? Pensei qual seria o gênero musical para denominar musica tradicional escoteira. Seria musica folclórica? Ou aquela transmitida de viva voz ao longo das gerações escoteiras? Pensei com meus botões... Será que ele tinha razão? Tudo está mudando e quem sabe nas diversas sessões escoteiras não existem mais os chefes tradicionais para ensinar a cantar a nossa Tradicional Musica Escoteira com amor. Temos muitas, temos melodias, temos cantigas e até toadas não esquecendo o Quebra Coco uma linda musica nordestina de Cordel.

Muitos chefes escreveram e deixaram nas páginas da internet “Cancioneiros” que se tornaram lendas, mas que ficaram no esquecimento da memória dos jovens de hoje. Pensar que agora seria impossível ter uma roda de amigos escoteiros, em volta do fogo, em uma noite linda sapecada de estrelas, uma lua “bunita que nem um queijo” um céu convidativo, uma viola cantante tocando ao amanhecer... ”Acorda escoteiro, acorda, que o galo já cantou”. E na barraca molhada do sereno da madrugada ele chega na porta e canta sorrindo... “Cantou, cantou? Cantou, cantou, cantou”! Lembro de Zé Duarte, um pioneiro com sua viola mágica, um sorriso gostoso, olhava além da mata e dedilhava e o som do violão corria nas trilhas da floresta: “Vem depressa correndo escoteiro, ajudar o cozinheiro, a fazer o jantar... Supimpa, supimpa, Parazibum, zibum!

Quantas saudades... Melodias que entraram na mente e ficaram para sempre morando na alma... No fundo do coração... Ao som de um violão, uma gaita, uma flauta mágica, ou até o Guia da Tropa Zé Pereira tocando seu pandeiro e cantando... “De BP trago o espírito, sempre na mente, sempre na mente”... Pato Negro, um sênior da Tropa Condor, tinha o dom com uma pequena panela de alumínio, fazia duas “baquetas” pequenas e a musica levada pela saudade se espalhava pelas campinas... “Está tudo azul, o caminho aberto, sopra o vento sul tudo dando certo”... E quando a noite chegava, lá estava Trindade Zulu, com sua flauta mágica tocando baixinho fazendo os escoteiros chorar... “Prometo nesse dia, cumprir a Lei, sou teu Escoteiro Senhor e Rei”! E quando ele tocava A Canção da Despedida? Ai, ai meu Deus! Se não me arrebento eu choro... Putz! Quantas saudades.

Não dá para esquecer Totonho das Rosas, um Chefe violeiro das antigas, que não deixava ninguém gritar alto quando cantavam uma canção escoteira. Fazia questão de ensinar o Bê-á-bá de como um coral se formava e cantava... Era “Bunito” de ouvir e ver a tropa cantar... “A árvore da montanha, o Cucu, Põe tuas mágoas no bornal, Adeus montes e vales, Cumbayah, Lá bela polenta, Canção de Gilwell, Canção do Clã, Guin-gan-guli, Foi Tupã, Ascenda à fogueira, e para dormir cantavam Boa noite Escoteiro"... Nossa! Tinha canções prá dar e vender, todas tradicionais cantadas pelos bisavós escoteiros até o lobinho recém-nascido no escotismo. Tristão Corneteiro ficou famoso com seu clarim quando tocava nas noites e nas madrugas o Silêncio e o Toque do Alvorecer... “Em silêncio acampamento... Este canto vinde ouvir, são fagulhas na fogueira que nos dizem... Escoteiros a servir!

Mas o tempo foi passando, os Velhos Escoteiros cantantes deixaram de existir. Tudo é novo no pedaço, agora as canções são outras. Algumas até guapa, catita, outras belas e muitas bem-posta com a turma cantando alto e dançando conforme o bailado demanda. As musicas, as canções, as melodias que o Escoteiro e o Lobinho cantaram nos seus idos tempos, foram levadas pelo vento e como disse o poeta: “O vento toca o meu rosto me lembrando que o tempo vai com ele... Levando em suas asas os meus dias, desta vida passageira minhas certezas, meus defeitos nada pode detê-lo, mas algo o tempo vai guardar, e eu no meu coração guardarei, minhas canções minhas velhas melodias que o tempo não vai apagar!

“Terra do belo Olmeiro, lar do castor... Terra onde o alce airoso, é o senhor... E como em sonho fui ao lago azul rochoso, um dia, ah! Um belo dia eu voltarei de novo”!


terça-feira, 14 de maio de 2019

Conversa ao pé do fogo. O meu "Velho" livro de Atas.




Conversa ao pé do fogo.
O meu "Velho" livro de Atas.

Prólogo: - Esta é a historia de um livro de atas que se perdeu no tempo de um velho escriba que nunca esqueceu suas histórias... Como ele mesmo escreveu a vida é uma gigantesca confusão. Mas essa é também a beleza dela – De um livro de ata que se perdeu no tempo e na memoria de alguém que nunca esqueceu suas memórias.

                            Muitos não gostam do livro de Atas. Acham enfadonho e sem graça. Sempre que convidava pais para participarem da diretoria do Grupo Escoteiro quando comentava sobre o Livro de Ata um olhava para o outro como a dizer – Faça você – Prefiro outro cargo. Não sei por quê. Afinal atas tem uma importância enorme na vida de um Grupo Escoteiro. Esqueça a tecnologia moderna de hoje. Pense como um aventureiro que quer deixar uma história do que aconteceu com seu grupo, com sua tropa, com sua patrulha para ser conhecido nos anos futuros. Eu sei que nos grupos que vocês atuam elas são feitas assiduamente. Eu sempre gostei de atas. E gostava e ainda gosto de escrever, afinal fui escriba na patrulha e nem lembro mais quantas atas e relatórios eu fiz. Colocar ali o que cada um diz sua opinião seu estilo de interpretar uma situação, é como sentir a vida dentro daquelas páginas que um dia irão ser lembradas como um fato histórico. Experimente ler uma ata alegre, cheia de sabor, escrita por alguém que dá um toque especial. Vale a pena. As lembranças se você esteve ali naquele dia irão trazer de volta tudo que foi falado, anotado e escrito.

                     Sempre acreditei na importância das atas. Gostaria de voltar a minha cidade e ver se as Atas da Patrulha ainda existem. Acho que não. Eu era o escriba e quando passei para Sênior ficou na mão de João Mindinho. Se ele cuidou bem eu não sei. Sei que o grupo não mais existe, mas quem sabe tem alguns vivos lá? Seria uma grata surpresa. Já pensou? Ler o que escrevemos durante todos aqueles anos como escoteiros e seniores? Sempre acreditei que não devia existir um modelo de estilo de escrita em atas. Dizem que hoje tem até cursos para os “Ateiros” risos. Tem tanta exigência que dá medo. Não pode pular linhas, nunca se esquecer dos parágrafos.  Os espaços vazios devem ter um traço diagonal. Mas boa mesmo é a ata tipo história, cheia de adornos e Volante escoteiro da Touro fazia e desenhava em cima.

                   A patrulha tinha dois bons escribas. Eu era um deles. Enfeitava muito no que escrevia. Claro nosso Livro da Patrulha que alguns chamavam de atas, contavam sempre tudo que fazíamos em acampamentos, excursões, entrada e saída de escoteiros. Não faltava a entrega de distintivos, estrelas, etapas e tudo que se relacionasse a patrulha. Decisões da Corte de Honra (quando podíamos saber). Claro que a Corte de Honra tinha a sua trancada a sete chaves. As reuniões de Patrulha nunca eram feitas sem uma boa ata. E olhe, chegamos a ter mais de dois livros de por ano. Uma vez contei oito em cinco anos. Algumas patrulhas chamam de diário ou relatório. Quando os anos passam e se você puder ler a história da Patrulha, o seu cargo, sua promessa, as estrelas de atividade, os cordões, as classes e especialidades, os acampamentos, as eficiências de campo, as histórias que surgiram e aconteceram e ufa! Até mesmo os fogos de Conselho isto é bom demais.

                  São tantas coisas que valem a pena anotar que poderia escrever várias páginas sobre o tema. Por toda minha vida vivi junto a um livro de ata. Nunca deixei de ter uma para anotar e lembrar-se do dia em que foi escrita. Eu acredito que os livros de atas devem ficar a disposição de todo o Grupo Escoteiro e dos antigos escoteiros que se interessarem em ler. Nada do Diretor Administrativo levar para a casa, deixar a sete chaves em uma escrivaria qualquer.

                 Uma vez, quando Regional em Minas Gerais fiquei três fim de semana na sede regional a base de lanches para não perder o fio da meada, lendo atas que ali encontrei. Uma verdadeira historia contada por um simples livro do escotismo. Tinha um livro de atas de 1939! Falava coisas que sequer poderia imaginar. Quando deixei o cargo deixei lá os livros de ata. Onde foram parar eu não sei, mas ali estava escrito a saga de um estado e sua história na sua formação escoteira.  E olhem, é ruim quando você pergunta se o grupo tem tudo isto e a resposta é negativa. Fica como se o grupo não tivesse história, memória, como se seu passado fosse suprimido para sempre.

                 Não sei se todos pensam como eu, se dão valor e importância ao livro de atas. Atas das Assembleias, da diretoria, do Conselho de Chefes, das patrulhas e por que não da Alcatéia? Tão fácil ensinar os escribas os diretores administrativos a fazer uma ata gostosa e cheia de frases para abrilhantar um dia um ano e a vida de um Grupo Escoteiro para sempre. Nem me venha com formalidades. Está no POR? Atas formais são tediosas e muitas vezes elas nos dão preguiça ou sono quando há lemos.  Sempre digo que devemos procurar dar uma conotação especial ao fato. Claro não é uma narrativa de uma partida de futebol e nem tampouco um conto das mil e uma noites. Leva-se tempo para aprender a escrever com transparência e fazer do acontecido um espelho do real.

               Gosto de ver Grupos Escoteiros que tem história, que através de suas atas ficamos sabendo de sua saga, de sua vida e de como o tempo mudou para um e outro dos que estão e dos que já se foram. As atas tem papel fundamental. Na minha humilde opinião até mais do que fotos. Um livro de ata da Patrulha, da Corte de Honra, no caso dos seniores/guias do Conselho de Tropa, do Conselho de Chefes do Grupo e da diretoria do grupo, das assembleias tem uma importância fundamental. Muitas? Não. Cada uma tem sua particularidade. Cada uma tem sua história. Espero que isto faça aqueles que ainda não tem pensar mais no assunto. Colocar o supérfluo é fácil difícil é criar uma surpresa, uma maneira alegre da escrita onde às personagens ficam simpáticas a todos que leem.

Espero ter contribuído para que o Grupo em que colaboram possa ter sua história contada em seus detalhes mais lindos e suas mais loucas aventuras! Ainda me lembro de uma noite na mesa de campo, escrevendo sob o olhar de um lampião a querosene:

- A noite escura jogava sombras na patrulha que tentava dormir. Um uivo ao longe faziam com que pensamentos abstratos levassem até a porta da barraca um lobisomem, um fantasma. O medo aflorava a pele do noviço que se arriscou a acampar. Depois de tudo, da risada normal quando o medo passou eu fiquei pensando como acabar com o medo. Fácil disse o Monitor, apenas aprendemos a lidar com ele e aguentamos firme. Pois é! A vida é uma grande e gigantesca confusão...