Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Você já passou por isto?



Crônicas de um Chefe escoteiro.
Você já passou por isto?

Novo emprego.

                  Seu Chefe resolve apresentar você a todos. - Este é fulano. Um dos mais antigos, este é ciclano, entende de tudo, na dúvida pergunte a ele. E este é o Escoteiro. Trabalha bem, mas só fala em escotismo. Não gosta de outros assuntos. O Palmeirense tenta falar de futebol e ele fala em acampamentos. O Corintiano tenta falar do clássico de domingo e ele? Da excursão com seus lobinhos. Na mesa da hora do almoço fica anotando. O que é perguntam? Esboço da reunião de sábado. Preciso de um jogo novo! E por aí vai. E o pior ou quem sabe o melhor já levou mais de cinco daqui ao seu grupo. Se deixar ele monta aqui um Conselho de Chefes, mas olhe é bom sujeito. Trabalha bem e só falta para ir a Jamborees, Ajuris, Aventuras escoteiras, mas paga direitinho nas folgas. Enfim, eu mesmo já pensei em entrar no Grupo Escoteiro dele!

Reunião de pais no colégio.

               Só ele fala. A professora começa e ele pede a palavra. A diretora assiste a reunião e até gosta dele, mas o pai acha que tudo ele conhece. Um dos pais fala baixinho para uma mãe que está ao seu lado. – Quem é ele? – Chefe nos Escoteiros. Tem muitos anos que está lá. Dizem que os chefes dos escoteiros entendem tudo. Conhecem os jovens, sabem o que eles querem. – Mas aqui ninguém fala? – Claro que sim. Mas se prepare. Você fala e ele rebate. Numa boa, é educado. Mas como fala meu Deus! Eu já aprendi. É melhor ficar na minha!

Um domingo no ônibus.

             Você vai visitar um amigo, um parente, pega o ônibus ou o metrô e pensando na vida entra dois e param junto a você. Você não quer entrar na conversa, é educado. Mas não dá para evitar. – Eu disse a você, fala um – Eu sei que disse fala o outro – Valeu a pena o curso, você devia ter ido – Não deu mesmo. A família tinha um aniversário. Se faltasse já viu né? Precisava ver a equipe do curso. Nunca vi gente assim. Boa demais. – Conhecia alguns deles? - Não. Já vi um em uma assembleia, mas os outros não. – Todos tinham mais de três tacos? Só dois. Tinha um com quatro tacos. Menino! O cara era bom mesmo! Mas não vou desfazer dos outros. Um deles super técnico. Ensinou-nos técnicas que se hoje precisasse me virava bem em qualquer mata.
            Os dois descem na sua frente. Você fica allí matutando. Que diabo era aquilo? Curso? Que curso doido! Tacos? Vai ver eram jogadores de beisebol! Mas jogar com três ou quatro tacos? É cada doido que aparece que a gente fica doido também!

Sentado na praça do bairro.

              Gosto de ir à praça. Achar um bom lugar para sentar e pensar na vida. Alguns da minha idade vão jogar baralho, damas e eu não. Estava ali há meia hora. Atrás de mim sentou um menino. Onze ou doze anos. Falava baixinho. Não deu para evitar e ouvir – Prometo pela minha honra possível melhor, - não, não é assim. Acho que é prometo pela minha honra fazer o melhor possível – Não sabia o que ele estava fazendo. Continuou o menino – Vou ser leal, sincero, vou ter uma palavra, eu juro! - Caramba! O que ele estava a fazer? Um juramento secreto? Ele continuou – Serei puro nos meus pensamentos, nas minhas palavras e nas minhas ações! Não aguentei mais, me virei e perguntei – Menino desculpe, não pude evitar em ouvir, você está treinado alguma peça teatral? – Não Senhor, sou um Escoteiro, estou aprendendo. Sábado farei minha promessa. Terei orgulho dela e quero falar para todos ouvirem!
              Sem palavras. Dizer o que? Acho que este escotismo é diferente. Acho que vale a pena conhecer melhor!

              Tenho muitas outras. Ficam para outro dia. Mas você sabe como é. Escoteiros são um “bicho” diferente. Não sabem falar outra coisa. O bichinho quando morde fica ali, não sai. Dizem até que isto não é bom. Parece coisa de alienado. Mas quem está lá não pensa assim. E viva os escoteiros! Deixem-nos! Adoram o que fazem e eu? Risos. Nem precisa falar precisa?

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Que alegria! Seja bem vindo a sede Regional!



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Que alegria! Seja bem vindo a sede Regional!

                 Foi assim? Perguntei se foi assim que você foi recebido quando visitou sua região escoteira. Ou sua sede distrital. Ou a sede nacional em Curitiba. Os funcionários olharam para você e deram aquele sorriso? Logo te deram uma cadeira para sentar e um deles começou a perguntar como vai seu grupo, se está tudo bem, e que eles estão honrados com sua visita? Ofereceram um cafezinho? Disseram o que podiam fazer para ajudar? Afinal acredito que esta deve ser a postura dos funcionários de uma região não acham? Não dizem que os Grupos são a Célula Mater do escotismo? Não dizem que sem eles as regiões e distritos não existiriam? Eu não digo tanto. Nunca fui recebido assim. Sempre um ou outro levantavam um olho e abaixavam logo. Como se estivessem atarefados. Igual ao Coelho Maluco daquele filme. Se estivessem no telefone então... Ai é que a coisa “degringolava”. Como sabia como era eu dava risadas. Alí junto a eles. E eles me olhavam como se eu fosse também maluco!

               E os diretores? O Chefão? Ficaram surpresos em te receber? Ou perguntaram por que não avisou que ia? Quem sabe se soubessem poderiam programar um jantar no restaurante da esquina onde os escoteiros eram muito bem vindos. Afinal ele foi eleito por voces não? Ou será que foi balela e os votos foram uma questão de pró-forma? Não? Acho que não. Afinal eles e você sabem que temos um quarto artigo e que irão dar seu exemplo, pois são pessoas que alem de superiores (?) são amigos de verdade. De norte a sul temos muitas regiões. Algumas mais abastadas e outras menos. Algumas com dois ou mais funcionários outras só com um. Mas em todas elas acho que existe o respeito quando você adentra e eles sabem que você é um Escoteiro, pois não disse bem alto: Sempre Alerta? Se não foi assim tem algum errado.

               Olhe, nem vou falar na sede nacional. Nunca fui lá. Já vi em fotos. Parece linda. E por serem os maiorais do escotismo no país o tratamento deve ser soberbo. Soube que por telefone que informam tudo que perguntar. Resolvem todos os seus problemas. Acredito se der a sorte de encontrar lá um do quatorze formidáveis diretores do CAN então? E os mandachuvas do DEN? Minha nossa! Conhecer este pessoal vale por mil acampamentos no Pico da Felicidade. Eu mesmo se pudesse pegaria um avião e ia lá. Iria sentir honrado em conhecer algum deles, pois a maioria não se mistura a não ser em seu habitat onde vivem. Mas não vamos desfazer deles. Tenho certeza que na sede regional qualquer um que chegar lá terá um tratamento VIP. Não importa se você é o Zé das Quantas da cidade de Sapo Morto ou se você é recém-chegado do exterior onde era um CEO ou um BOSS famoso do escotismo de lá.

                Claro, sei que tem uns que só sabem reclamar. Afinal estes funcionários ganham pouco. Sacrificam tempo para ajudar você em seu grupo. E vamos entender que um diretor ou presidente não tem salário. Estão ali sacrificando seu lazer, sua família, enfim foram eleitos contra a vontade deles. Se pudessem passariam o cargo para frente na próxima eleição. Mas vamos ser sincero. Somos um movimento fraterno. Não sei se nestes órgãos somos reconhecidos como ponta de lança do escotismo. Mas olhem, eles estão lá para isto. E você sabe, não é você quem precisa do escotismo é o escotismo que precisa de você. E eles são o escotismo hoje. Portanto são eles que precisam de você. Não se engane. Se não é bem tratado abra a boca no mundo no próximo Conselho ou Assembleia. Afinal você também não tem salário e costuma gastar mais que eles não?

                Seja pessoalmente, seja por telefone você é membro do escotismo, e você paga uma taxa anual. Seja o mais simples lobinho ao mais alto dirigente todos tem os mesmos direitos. Não são vendedores de lojas que estão sempre com um sorriso, mas são escoteiros! Devem dar a você um tratamento formal e alegre e sejam eles funcionários ou diretores. Afinal não dizem que o exemplo vem de cima? Se não conhece ninguém e tiver a felicidade de participar de um curso escoteiro, não vá pensando que o dirigente ou o formador líder é alguém do outro mundo. Ele é como você. Tem pernas, braços, cabeça, alma e coração. Está ali para ajudar você e nunca para ser endeusado. Espere que ele lhe dê as mãos, as boas vindas. É obrigação dele. Sem essa de que ele poderia estar com a família, pois ele gosta do que faz. Adora isso. E olhe tem muitos que darão tudo para estar ali no lugar dele e a fila é grande. Você sabe disto. Portanto levante a cabeça, não seja orgulhoso, não diga nada, deixe que eles digam e se aproximem de você. Isto é escotismo. Uma mão lava a outra e duas lavam o tacho, não é assim que dizem?

                Escotismo. Uma escola de cidadania, de respeito de amor e fraternidade. Todos deveriam pensar assim. E olhe, seja bem vindo aos meus escritos, uma honra ter você como leitor. Se pudesse iriamos tomar um cafezinho juntos para realçar a bela amizade que vai existir entre nós!  E que a alegria reine no mundo encantado das regiões e da direção nacional. E como diria o falecido Chico Anísio - ”É verdade istoTerta?”.   

A chuva.



A chuva.

      Ela chegou. Uma espera inolvidável. Quanta espera. Chegou agora. De mansinho, dizem que é das boas. Daquelas que chegam sem barulho. Duram horas, dias e tem casos de semana. Adoro a chuva. Não importa onde. Pode ser em casa, viajando de trem. Nem posso falar. Pela janela do trem ver a chuva cair é um espetáculo inesquecível. Alí vai ele, o trem. A correr pelas campinas sempre ao lado de um rio caudaloso ou não e a chuva cai. Que saudades!

      Estava na varanda, pensando no vento que soprava. Devagar. Calmo. E eis que ela chega. Trás uma gostosa brisa. Fresca. Espanta um pouco o calor de trinta e seis graus. Gostosa. Doce. Me lembrei de acampamentos. Quantos e quantos a chuva chegou. Às vezes brava. Gritante. Raios enormes e trovões que ribombavam o céu. Outras aquelas que não faziam barulho. Simples. Calma como a dizer não se assuste Escoteiro. Só vim molhar a terra. Estava seca. Precisava de mim.

      Na barraca, ouvir os pingos na lona, é uma musica suave, gostosa, como um cantar da mamãe nas noites de chuva para me fazer dormir. Tempos que já se foram. As madrugadas, a chuva não para. Abrir a porta da barraca, sentir o cheiro da terra! O farfalhar das árvores, a floresta falando baixinho chove chuva. Maravilhoso! Chove chuva. Quantas melodias me vêm a memoria. Prefiro uma só. Saudades de tantas, deixa chover!

Chuva
O céu está fechado escuro me parece vai chover no meu jardim
Depois que você me deixou nunca mais choveu em mim
Como esquecer todas as noites que a gente se amava sem pensar
Não tinha luz fazia frio e a chuva nos molhava.

Chove chuva, chove vem lavar esta saudade.
Leva do meu peito as lembranças que me invadem
Chove chuva, chove vem lavar esta saudade.
Lava do meu peito as lembranças que me invadem
Por favor.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O escotismo e as eleições.



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O escotismo e as eleições.

              Tema difícil. Danadamente difícil. Votar? Escolher? Sujam minha varanda de papeis, passam gritando na rua. Propostas e mais propostas dos candidatos. Cada um alardeando mais e mais o que vão fazer e sabemos de antemão que não irão fazer nada. Principalmente vereadores. A função deles é outra, mas poucos sabem disto. Prometem fazer coisas que nem o prefeito vai conseguir fazer. Este é o nosso país. Temos que escolher. Nenhum deles até agora disse o que fará para a juventude. Só pensam em escola o que é importante, mas não o excencial. E o escotismo? Esqueçam. A maioria nem sabe o que é isto. Nunca foram do movimento.
       
               Temos alguns candidatos escoteiros espalhados pelo nosso país. Não conheço suas propostas. Poucos procuram a gente para dizer o que vão fazer. Acho que só pessoalmente. Eles têm receio de se aproximar. Ainda com aquela mentalidade retrógada do passado achando que não devem.  Amigos já deram a ideia de uma união em torno deles. Sei não. Somos escoteiros, mas poucos lutam para termos representantes que podem lutar por nós onde estiverem. Somos tão fracos que a própria UEB tenta fazer uma frente parlamentar Escoteira. É uma tentativa válida. A dúvida é se ela vai falar somente nas eleições e depois desaparece. Se muito deles não tiveram uma formação Escoteira quando jovem não será fácil montar esta frente.

              Enquanto religiões, organizações diversas como sindicatos e ONGs tentam colocar lá seus candidatos e lutam por eles nos nada fazemos. De quem é a culpa? Claro que é nossa. Não engajamos na proposta. Diziam antes que somos apolíticos e estamos aí ao Deus dará! Temos receio de ser ludibriados e cá prá nós, a maioria já escolheu seus candidatos e não vão mudar. Estou em Osasco SP. Aqui não vi falar se tem alguém. Quando digo alguém deveria ser um Escoteiro ou um ex-Escoteiro, que viveu no movimento pelo menos por dois anos. Só ouço um barulhão e panfletos à vontade sujando tudo pela frente. Promessas mil. Em São Paulo uns dois ou três candidatos que foram ou são escoteiros. (Não sei se tem mais). Um deles ex-presidente da Região. Boa pessoa. Se estiver engajado nas ideias de BP seria uma boa escolha. Mas seu trabalho junto aos escotistas dizendo do seu programa eu desconheço. Entre eles existem um medo generalizado de postagens nas redes sociais principalmente as predominantes escoteiras e ficarem mal vistos.
              
              Nada mudou com nossos adultos escoteiros. Brigam com qualquer um que discordam de suas ideias. Quando se fala em candidatos escoteiros poucos se manifestam. Muitos defendem de corpo e alma que o escotismo não deve se meter em politica. Mas sabem? Nos grupos, nos distritos, nas regiões e na própria UEB se faz politica. E muitas vezes da pior qualidade. Neste caso todos se calam. Um amigo comentou que são poucos que discutem ou se importam com diversas situações por que passa o movimento escoteiro. Eles partem da premissa que, por sermos escoteiros, somos todos bons, e a isso somamos o temor reverencial que têm alguns por nossos dirigentes, e o que vai acontecer ao movimento não importa e sim o que fazem no momento. Acostumaram que em nossa instituição tem muitos na direção que estão lá há mais de vinte anos mandando e desmandando. Para estes pouco importa se há continuidade ou continuísmo.

              Mas precisamos repensar o escotismo. Começar a mudar nem que seja por parte de uma meia dúzia. Lutar por nossos direitos e podemos começar escolhendo alguns destes candidatos escoteiros mesmo que possam trazer decepções futuras. Se não procurarmos eleger um deles outros serão eleitos. Esqueçam-se da Mulher Abóbora, do Ponta de lança do time tal, Do Palhacinho Troca Letras. Não é hora de repensar e acreditar que só lutando podemos conseguir ter o apoio que precisamos? Até hoje não tivemos. Nossa autoridades educacionais não nos dão valor. É isto que queremos para toda vida? Vamos dar um crédito de confiança. A luta é árdua. A cada dois/quatro anos nova escolha, mas não podemos desistir. Sei que a maioria não vai se importar, mas tem que haver um começo e o começo pode ser agora. Quem sabe isto vai significar muito para os nossos netos escoteiros do futuro?

EU APOIO CANDIDATOS QUE FORAM ESCOTEIROS POR PELO MENOS DOIS ANOS.

Carta aberta ao Senhor Baden Powell.



Carta aberta ao Senhor Baden Powell.

Prezado Senhor Baden Powell.

                Desculpe esta liberdade de lhe chamar pelo nome e não pelos títulos que recebeu aí na sua boa Inglaterra. Sei que foi homenageado pela Câmara dos Lords e pela Rainha recebendo os títulos de Lord e Sir pelo seu relevante trabalho junto aos jovens, alem do que foi aclamado como herói desta nação pela sua brilhante passagem no exército inglês. Inclusive me perdoe por escrever ao meu amigo diretamente sem usar os trânsmites legais aí no céu. Mas saiba que não tenho nenhuma pretensão de ser além do que sou. Não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente. Nasci cinco horas depois que o meu amigo partiu para a eternidade. Acho que no dia oito e nove de janeiro do próximo ano ambos completaremos 72 anos, claro eu de idade e o Senhor da partida aqui do planeta terra.  Mas vou ser sincero. Parece que o conheço de longa data. Li muito ao seu respeito. E desde que entrei para o escotismo como menino que tento ser conforme o Senhor deixou em seus ensinamentos.

               Mas vamos ao assunto principal desta humilde missiva. Sei que não me conhece e acho que nunca ouviu falar de mim. Meu nome é Osvaldo Ferraz, moro em São Paulo capital, em um lindo país chamado Brasil. Estou preocupado com os rumos que está tomando o escotismo aqui. Eu nada posso fazer a não ser escrever e postar em blogs e no facebook o que penso. Risos. Desculpe. Blogs e Facebook surgiram agora numa maquinha que tem a internet como diretriz para aposentados como eu. Essas maquinhas dizem alguns falam muitas “asneiras”, mas com fundo de verdade. Para lhe ser sincero não sei como anda o Movimento Escoteiro lá na sua terra e em outros países. Aqui temos um Diretor Internacional que sabe de tudo e ajuda sempre nas mudanças que está havendo no escotismo por aqui. Ele é um expert em mudanças copiando dos outros suas alterações. Olhe Senhor Baden Powell aqui está mesmo tudo mudado. Os que estão hoje na liderança adoram mudar e sempre em nome dos novos tempos. Já mudaram tantas coisas que me sinto um peixe fora d’água.

               Se tiver tempo dê uma olhada no site da UEB. Acho que aí no céu deve ter internet banda larga não? O senhor vai encontrar dirigente trajando uniformes conforme suas escolhas pessoais. Tem agora um tal traje. Coloca-se uma camiseta com um símbolo Escoteiro e mais um lenço e pronto. Está devidamente trajado ou uniformizado. Tem outros com chapéus esquisitos. Não acredita? Veja no tal site que lhe indiquei. Vai ver foto de dirigente assim. E as atividades nacionais? Mais de trinta por ano. Não só deles da UEB e sim de cada região e cada distrito. São várias. Todos querendo mostrar que a sua é melhor e dizem por aí não tenho certeza e nem posso afirmar que a maioria é para fazer caixa. Não sei se é verdade, pois agora muitos vivem disto. Eles dependem dos registros para sobreviverem e com o preço nas alturas muitos não se registram mais. Claro a UEB dá uma colher de chá para os pobres. Coitados dos grupos escoteiros pobres. Dizem por aqui que escotismo é só para ricos. Não sei não. Muitos lutam para conseguirem manter seus meninos e meninas, ah! Desculpe. Agora as meninas tem vez nas patrulhas junto com os meninos. O Senhor sabe as Girl Guides para nós Bandeirantes foi criada para isto, mas como o modernismo hoje está de vento em popa agora nós temos as meninas. A FBB ainda existe, resolveu também ter os meninos. E olhe Senhor Baden Powell elas as meninas são o máximo. Em muitos casos superiores aos meninos. Ah! Esqueci, mande minhas lembranças a Lady Olave.

                 Bem, já falei do uniforme não? Totalmente descaracterizado. Uma barafunda sem tamanho e já estão fazendo outro. Eles adoram fazer isto. Mas sabe Senhor Baden Powell, aqui em meu país não conseguimos crescer. Já pensei em vários motivos e que são de domínio geral. Providencias? Algumas a quatro paredes feitas pelos dirigentes. Desculpe. Eles decidem tudo sozinhos. Os demais chefes acostumaram a receber a marmita pronta. Risos. E o pior poucos reclamam os demais aceitam orgulhosamente. Não sei se tomou conhecimento de um Chefe de Campo de Giwell Park, o Senhor John Thurman que em 1957 mostrou o que estamos fazendo e errando. Falou e escreveu coisas ótimas que os dirigentes atuais não levam em consideração. Uma pena. Já escrevi aqui sua carta diversas vezes. Não adiantou. Mas voltando ao crescimento. Hoje seu programa praticamente não existe mais. Por quê? Meu caro Senhor Baden Powell, dizem que vivemos uma nova era. Tudo moderno. Acampar como o Senhor fez em Browsea? Nem pensar. Sistema de Patrulhas? Alguns ainda fazem e faz pena ver tantas tropas onde o Monitor não é nada. Apenas um representativo de uma Patrulha de dois ou três que fica na frente com o seu bastão totem esperando o discurso do Chefe.

                   Olhe Senhor Baden Powell, sem querer ser dedo duro, tem alguns que me disseram que o senhor está ultrapassado. Dizem a boca pequena que o Senhor sempre foi “milico” e só sabe dar ordens e viveu a vida inteira marchando! Risos. Desculpe Senhor Baden Powell. Mas eles agora sabem como salvar o escotismo e olhe poucos ainda falam em seu nome. Quando mudam dificilmente colocam seu nome. Seus livros servem para sabe o que foi no passado e não como deve ser agora. As etapas de classe? Esqueça Senhor Baden Powell. Aqui no Facebook fico sabendo que os jovens agora tem especialidade a escolher em ciências, tecnologia, desportos, e habilidades escoteiras. Neste último quase ninguém tem ou se interessa em ter uma de Acampador, Socorrista, Sinaleiro, Construtor de Pioneirias, Cozinheiro, Mateiro enfim aquelas velhas atividades que nós os velhos escoteiros tínhamos no passado. Sabe Senhor Baden Powell acampar hoje é um emaranhado de misturas de lobinhos, escoteiros seniores e pais. Aqueles acampamentos só com a tropa quase não existem mais. Pudera. Tem tantas normas que muitos desistem de antemão.

                      Senhor Baden Powell sou sincero. Quando ainda temos a frente das tropas ou alcateias Escotistas que se preocupam em reconhecer o valor do escotismo aventureiro, ainda vá lá, mas se quiser percorrer as fotos que andam por aí só verá chefes fazendo. É Chefe aqui, Chefe ali, caramba! Pensei que o escotismo era para os jovens e não os chefes!  Aprender a fazer fazendo? Nunca. O chefão sempre é quem faz mostrando para os meninos e as meninas que ele é o maioral. Morro de rir deles Senhor Baden Powell. Falam de tecnologias, de modernidade e quando estão em bandos (nunca em patrulhas) sabem o que fazem? Brincam no barro, rastejam, andam nas Falsas Baianas, Comando Crow, enfim não sabem fazer outra coisas.  Desculpe Senhor Baden Powell eles não tem culpa e saiba que tem muitos ainda que fazem um bom escotismo dentro do método que o Senhor nos deixou. Agora temos cursos diferentes do passado. São cursos para administração, para assessores, e alguns técnicos, mas sem aquele “Tchan” aos moldes dos aplicados em Giwell Park. E os manuais? Uma infinidade. Livros? Nunca vi tantos. Mas olhe Senhor Baden Powell os cursos são mesmos diferentes. Lembra quando começou com eles em Giwell Park? Quando ficávamos em uma Patrulha acampados, vivendo o que o menino e a menina deveriam viver em um sistema de patrulhas? Mudaram tudo. Agora impera as novas normas técnicas de ensino. Cozinhar no campo ficou no passado. Dormir sob barracas nunca. Têm dormitórios, lanchonetes, refeitórios e se podem pagar uma taxa as comodidades de um mundo moderno está lá. Um deles me disse que o preço é pequeno. Inferior a um hotel cinco estrelas. Que coisa eim?

                      Bem Senhor Baden Powell não vou me alongar mais. Sei que já falei muito e até acredito que alguns amigos meus que estão por aí no céu contaram o que está havendo. Breve eu estarei aí também. Mas quem sabe aqui eles conseguirão acertar? Claro, nada como antes em que cada um era responsável pela sua autoeducação e que os chefes se preocupavam com os meninos, sendo amigo, irmão mais "Velho" e sem pensar em escalar cargos como agora. Os insígnias Senhor Baden Powell a maioria só se preocupam em ser formadores, em pertencer à alta direção e meu amigo Senhor Baden Powell tem cada um lá que faz pena. Colocam-se como se fosse uma cópia do Senhor que nada tem a ver com sua figura. Uma arrogância desnaturada, um tal de dizer que eu sei o que os jovens precisam e consultas? Só rindo Senhor Baden Powell. Eles não fazem. São mais que o Senhor. Sabem tudo.

                      Senhor Baden Powell eu teria muito mais coisa a dizer. Ficaria longo demais. Eu agradeço pela sua atenção em ler esta missiva que não é mais que um desabafo, de um "Velho" Escoteiro que ainda sonha que podemos fazer o escotismo conforme o Senhor idealizou, com seus métodos e programas claro, pequenas adaptações da época moderna. Eu senhor Baden Powell acredito que se déssemos aos jovens um pouco do passado com alguns toques do presente iriamos acertar em cheio. Mas do jeito que anda as coisas em breve todos os jovens estarão fazendo escotismo virtual, sentados em uma poltrona e sonhando com o que não tiveram oportunidade de ter. Sabe Senhor Baden Powell eu gostaria mesmo de fazer esta experiência. Uma nova tropa fazendo o escotismo do passado, aventureiro, acampador e provar para os dirigentes que isto sim, é o que os jovens querem. Atividades escoteiras verdadeiras, pois o modernismo eles já tem em suas casas, na escola e junto aos amigos. Deixem-nos fazerem lá suas atividades modernas. No grupo e no campo irão aprender cidadania, atividades mateiras, aventureiras e tenho certeza que a evasão cairia pela metade ou muito mais. Mas enfim, não sei se isto um dia vai acontecer.  

                      Vou terminando por aqui. Desculpe ter tomado seu tempo ai no céu. Receba meu abraço cordial e sinceras manifestações de amor e consideração. Receba também o meu Sempre Alerta (desculpe aqui no Brasil é SAPS) Do seu amigo,
Osvaldo Ferraz.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Os Sete Perigos




Acredito que muitos novos amigos não conhecem este artigo de John Thurman. Nada melhor que republicar aqui. John Thurman foi durante muito tempo Chefe de campo de Giwell Park. Tem muito ainda de atual. Nada que possamos dizer – Não somos mais assim! Será?

 

Os Sete Perigos

Por John Thurman - agosto de 1957 (chefe de campo de Giwell Park)

Recuperado pelo Chefe Maurício Moutinho

Existem sete perigos para o Escotismo, para os quais, me parece, devemos estar alertas e tomar cuidado:

1. Complacência, do tipo de pessoas que pensam: "há cinqüenta anos temos trabalhado assim e temos feito um bom trabalho, portanto continuemos assim". Recordemo-nos que o trabalho para os rapazes de hoje tem que ser feito pelos homens do presente. Estou tão orgulhoso, como qualquer outro Escotista, do nosso passado, mas isso não nos leva a parte alguma. Há, hoje, muito mais a ser feito do que houve em qualquer outra época e o máximo que o passado pode fazer para nós é inspirar-nos para um maior esforço;

2. Centralização. Acampamentos Nacionais, Regionais e Jamborees são muito bons, mas quando muito freqüentes, podem ser desastrosos. Devemos dar ao Escotista a maior oportunidade possível para trabalhar com a sua Tropa e infundir-lhe os bons princípios e não juntar os rapazes em grandes massas para um grande espetáculo. Às vezes existe tal número de atividades organizadas pelo Distrito ou Região que praticamente não resta tempo ao Escotista para trabalhar com as Patrulhas ou Alcatéias;

3. Super administração e não suficiente capacitação. Gostaria de sugerir-lhes dar uma olhadela nos orçamentos e balanços, para verificar se aquilo que gasta com papelada e administração está equilibrado com o que se emprega na capacitação técnica. Ambas as coisas são necessárias, porém mantenhamos o equilíbrio.

4. Seriedade Demasiada. O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso tanto para os dirigentes como para os rapazes. Em alguns países, há o perigo de se pensar em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E vocês todos sabem que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho.

6. Austeridade demasiada. Acho que tendemos a nos fazer demasiado respeitáveis e a nos converter em um movimento para apenas os rapazes bons, em vez de levar o Movimento para os rapazes que dele necessitam. O Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo.

7. Trabalhar para fazer super escoteiros. Devemos estar conscientes, no que diz respeito a adestramento, de não tratar de começar um curso a partir de onde deixamos o anterior, sem pensar que necessitamos começar e recomeçar sempre pelas bases e os princípios para progredir a partir destes.

Para terminar, recordemo-nos que Baden-Powell, em 1938, proclamava com orgulho e alegria o número de três milhões e meio de Escoteiros no mundo. Agora podemos ver um movimento que ultrapassou os oito milhões, (1957) devido justamente à sua simplicidade e ao prazer dos rapazes que tem sido contínuo.

Sem dúvida, Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis idéias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. É por isso que devemos nos manter o mais possível dentro da simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou.

OS ÚNICOS CAPAZES E POSSÍVEIS DE PÔR O ESCOTISMO A PERDER SÃO OS PRÓPRIOS CHEFES E DIRIGENTES.

Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.

Feliz palavras de John Thurman. O mundo está mudando, e a mudança que o escotismo tem feito não está dando certo. Muitos rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades. Precisamos meditar.

Afinal estamos em 2012 não? O ano da esperança!

UM MILHÃO DE ESCOTEIROS EM NOSSO PAIS! IMPOSSÍVEL? NÃO!

sábado, 15 de setembro de 2012

O grande amor da escoteira Nadya Romanov.



Lendas escoteiras.
O grande amor da escoteira Nadya Romanov.

            Nadya Romanov era Escoteira. Tinha quatorze anos e faria quinze no final do mês. Nadya Romanov era linda. Alta para sua idade, corpo bem feito, cabelos encaracolados de um castanho avermelhado. Sua pele alva e sua face rosada, olhos verdes como se fossem duas turmalinas, completavam a beleza que irradiava para todos seus amigos ou não. Nadya Romanov amava o escotismo. Com paixão. Só falava nele em todos os lugares aonde ia. Nadya Romanov era excelente aluna. Sempre a primeira da classe. Sua Chefe Marlúcia Javiere tinha uma afinidade grande com ela. Quem sabe pelo seu esforço pessoal, pois era de família humilde e seu pai e sua mãe faleceram quando nasceu. Foi criada pela Avó Dona Cataryna Romanov, cuja pensão do marido era mínima.
           
           Nadya Romanov foi à primeira Escoteira a conseguir o Lis de Ouro em sua tropa. Fora lobinha Cruzeiro do Sul e há um ano eleita monitora da Patrulha Touro. Suas patrulheiras tinham grande simpatia por Nadya Romanov. Todos diziam que um dia ela seria uma das melhores chefes que o Grupo Já teve. Nos acampamentos e excursões estava sempre se movimentando ou ajudando onde sentia que podia completar a tarefa. Mas este mundo não é feito só de alegrias. Dizem que nada é para sempre. As coisas acontecem com qualquer um e Nadya Romanov não escapou das teias do destino que devia fazer parte da sua vida.

          Nadya Romanov estava apaixonada. Nunca pensou que pudesse acontecer. Um amor louco, uma paixão enorme por alguém mais velho que ela. Andrey Kobilya vinte anos. Aconteceu ao acaso. Andrey Cobilya vinha a toda pela rua em seu conversível amarelo ouro quando Nadya Romanov atravessou a rua. O sinal aberto para ela. Quase foi atropelada. Ele desceu do carro e queria levá-la ao hospital. Andrey Cobilya era um cavalheiro. Impressionava todas as mulheres pelo seu porte, seu rosto de Tom Cruise e seu sorriso encantador. A levou até sua casa, Nadya Romanov estava muda. Não conseguia falar. Seu coração não parava de bater. Seu corpo tremia Esqueceu-se de convidá-lo para entrar, mas ele a levou até a sala. Sua Avó ficou fã de Andrey Cobilya. Nadya Romanov esqueceu do escotismo.

          Saíram diversas vezes. O primeiro beijo aconteceu em uma noite de luar, próximo a praia da Areia dos Sonhos. Foi um beijo delicioso. Mexeu com tudo em seu corpo. Seus olhos fecharam e abriram novamente nas nuvens brancas do espaço sideral. Como se fosse uma carruagem puxada por dois cavalos brancos com crinas esvoaçantes ela e seu amor cumprimentaram a lua, um cometa que passou e as estrelas cintilantes no céu. No entanto, Andrey Cobilya era filho de um Capo da “Cosa Nostra”, para dizer a verdade ele era o “Capo di tutti capi”, ou seja, o Chefe dos chefes dentro da Máfia. O Senhor Nicolau Cobilya era conhecido. Dono de estradas de ferro, fábricas e diziam a boca pequena que era o maior chefão que a Máfia conhecera. Andrey Cobilya a levou a visitar seu pai. Ele beijou suas mãos. Elogiou. Falava rouco. Mexia com as mãos. Atrás dele sempre dois brutamontes que deviam ser seus capangas. Nadya Romanov teve medo. Já não frequentava mais os escoteiros. Seu coração pendeu para o outro lado.
 
           Seus irmãos escoteiros sentiram sua falta. A Chefe Marlúcia Javiere chorou muito ao saber da decisão de Nadya Romanov. Uma tarde um tiroteio em uma boate pôs fim à vida de Andrey Kobilya. Nadya Romanov tinha o coração partido. Mesmo sabendo que as dificuldades são enfrentadas pelo Escoteiro era difícil aguentar. Não sabia o que fazer. Só vivia em seu quarto. Chorando, pedindo a Deus que a levasse para junto do seu amor. O pior aconteceu. Nadya Romanov aos quinze anos estava grávida. Não sentiu pavor nem medo. Andrey Kobilya deixou para ela uma parte de sí. Iria amar seu filho para sempre. O Senhor Nicolau Cobilya queria levá-la para sua casa. Afinal era seu neto. O primeiro. Nadya Romanov não aceitou. Sua Avó apoiava em tudo. Voltou para o escotismo. Uma alegria geral de todos. Contou a cada um sua vida. Apoio total. Ivan Romanov Kobilya nasceu em 19 de novembro. Dia da Bandeira. Ivan Romanov Kobilya não perdia uma reunião da tropa Sênior/guia. Era amado por todos.

               Ela acostumou com os dois homens que dia e noite a protegiam e ao seu filho. Sabia que de uma forma ou outra estava ligada a Máfia. Não tinha jeito. Mas gostava sim de seu sogro. O Senhor Nicolau Cobilya era todo amor com o neto. Dava tudo que ele pedia. Foi com ela e ele percorrer o mundo. Ficaram muito tempo na Cicília, principalmente em Palermo. Ela conheceu muitos “padrinhos” que faziam parte de sua família.  Dizem que muitos anos depois, muitos anos mesmo Ivan Romanov Kobilya se tornou capo com a morte do Avô. Não sei bem o final da história. Sei que até hoje Nadya Romanov é Chefe Escoteira. Insígnia de Madeira. Seu filho cresceu como lobinho, foi Escoteiro Sênior e Pioneiro. Aqui a história termina. A máfia dominou o grupo? Não sei. Acho que não. Nadya Romanov já é Diretora Técnica e ama o escotismo mais que tudo. Sem imposições e sem donos. O distrito e a região tinham o maior respeito com ela. Pudera! Risos. Seu filho agora era o Capo dos “Capos”. Melhor calar e ir acampar. Com esta turma é melhor distância. Mochila as costas, bornal no pescoço, bandeiras ao vento e lá vamos nós! Xau capo dos capos! Risos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Nas terras bravias do Lago Dourado.



Nas terras bravias do Lago Dourado.

          Foi uma noite calma. As estrelas não cintilavam no céu como no dia anterior. Algumas nuvens brancas as cobriam como se fossem um manto protetor. A lua se fora há tempos. Achei que ia chover. Não choveu. Meus olhos estavam fechados. Dormitava pela madrugada fria. Um pequeno tronco me serviu como travesseiro. Coisas de um "Velho" mateiro acostumado. Um pequeno fogo ao lado agora só brasas com pequenas fagulhas que se inibiam ao subir aos céus me davam um pouquinho de calor. Pela aba do meu chapéu de três bicos eu podia ver a escuridão da noite. Gostava dela. À noite. Era minha amiga de muitas e muitas jornadas.

       Não ansiava pela madrugada. Que ela chegasse de mansinho. Não era um arbusto e quem sabe seria um pequeno arvoredo que encontrei perdido naquele vale dos sonhos era onde dormia. Serviu-me de manto para a noite gostosa daquele inverno que não fora tão rigoroso como os anteriores. Minha mochila ao lado era minha companheira de anos e anos de caminhada. Sempre fora. Dentro dela com carinho estavam minhas “bugigangas” de mais uma jornada. Meu bornal pendurado no galho guardava minha “matutagem” caso tivesse fome. Abri um olho de mansinho. Avistei uma cigarra azul que cantava baixinho seus cantos noturnos. Gosto das cigarras. Fazem-se de pródigas e só aparecem uma vez ao ano. E como são lindas. Amo-as! Muito!

         Senti uma brisa leve no rosto. Soprava gostosamente. Gostosa mesmo. Afagante. A brisa. Sempre perdida por aí. Nas montanhas, nos vales nos rios caudalosos ou no pequeno riacho de aguas turvas. Uma amiga. Não se esquece da gente. Os anos passam e lá está ela.  A madrugada não iria demorar. Grilos falantes pareciam fantasminhas na escuridão noturna. Melhor tentar dormir. Fora um dia e tanto. Uma grande jornada de um "Velho" Escoteiro sonhador. Um vagalume pousou no meu ombro. Sorri para ele. Enrosquei-me na Manta Negra que um dia a muitos e muitos anos meu Vô me deu com carinho. Não sentia frio. O corpo curtido pela idade já não era aquele de um passado que se foi.

         Um pequeno lusco fusco. Sinal que ela a madrugada ia chegar. Eu gostava das madrugadas. Eram lindas. Não importava se com sol ou com chuva. Adorava as madrugadas nos campos perdidos deste mundo de Deus. O cheiro da relva, das flores silvestres. O cheiro da terra. Ah! Maravilhoso! Tive madrugadas que marcaram. Com brumas a cobrir o campo verdejante, com brumas sobre os lagos azuis, cinzentos e vermelhos com o sol cobrindo-os. As brumas. Ah! Adoro-as. São lindas, querem cobrir meus olhos. Não querem que você veja ninguém só elas. Mas choram. Choram porque o sol irá chegar e elas terão que ir para longe, aonde ele o “Senhor Sol” ainda não chegou.

          Lá no horizonte um pequeno brilho. Pequeno mesmo. O sol. Ele estava chegando. Gostava de anunciar sua chegada. Era o rei. Não era um astro qualquer. Não aparecia assim do nada. Anunciava que se preparassem todos. Uma pequena claridade, um pequeno vermelho desbotado, raios brancos tingidos de amarelo ouro e eis que ele aparece. A montanha o reverencia. O dia nasceu. Eu estou acordado. Uma hora sagrada. Sempre gosto de ver o nascer do dia. É como se fosse uma criança chegando ao mundo. As brumas cinzentas me disseram adeus. O orvalho se escondeu. A última gota d’água caiu de uma folha adormecida. A brisa insistente continuava lá a me acariciar o rosto. Não se afastava. Uma amiga de épocas e épocas passadas.

          Hora de partir. Não disse adeus para todos eles que me acompanharam a noite e no lusco fusco da manhã. Não precisava. Eles sabiam que não era mais que um até logo, não era mais que um breve adeus. Eu voltaria. O "Velho" Escoteiro não para. Em sonhos ou pisante nos meus pés hoje cansados. Ajeitei meu lenço, arrumei meu meião. Calcei meu velho coturno de guerra. Mochila as costas, pendurei meu bornal no ombro. Minha forquilha de anos e anos e agradeci o arbusto que me serviu de lar e parti. Meu rumo? O mesmo de sempre. A busca da aventura. Sabia que em algum lugar iria encontrar o Lago Dourado. Diziam que não tinha peixes. Que uma bruma cinza o cobria por todo o tempo. Isto eu iria ver quando chegasse.

            O sol a pino. Gosto disto. Os primeiros pingos do suor caem e somem na estrada da vida que leva a rumos impossíveis. Meu chapéu de abas largas me protege. A forquilha me ajuda a andar e achar o caminho. Uma montanha verde, cheia de arvores lindas e floridas avisto ao longe. Deve estar perto a minha busca incessante. Quem sabe na virada da curva da Raposa que Chora eu encontro o Lago Dourado. Acordo. Era um sonho. Sempre sonho com este lago. Um dia irei encontrar. A cada dia em meus sonhos mais me aproximo. Levanto. Dou um sorriso. Um novo dia. Na janela o sol. Não há brumas. Até o lusco fusco da manhã se foi. A brisa está ali de leve de mansinho nunca deixou de me acariciar o rosto. Mais um dia iniciando. Ele vai passar como tantos que passaram. E quando a noite chegar vou dormir, vou sonhar e quem sabe um dia eu vou encontrar o Lago Dourado. Não vou desistir dos meus sonhos. Eles fazem parte de mim. A cada dia eu digo, não desista "Velho" Escoteiro. Digo sempre – “Eu voltarei”. Quem sabe um dia eu poderei dizer que encontrei o meu querido Lago Dourado? 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

SAPS? Humm!



Uma pequena crônica pela manhã

SAPS? Humm!

     Alguns amigos estão em dúvida quanto a um comentário meu feito aqui no passado quando comentei o porquê não gosto da sigla SAPS. Por quê? Me perguntam sempre. Passei longo tempo meditando e vendo minha resposta anterior. Fui duas vezes ao meu retiro espiritual na varanda de minha casa e ali meditei por longo tempo. Não satisfeito pedi meu filho para me levar até o Pico do Jaraguá, e sem entrar na área do publico, fui por trás onde à mata avança até a estrada. É outro retiro especial. Se pudesse iria parar no Campo Escola do Jaraguá, mas acho que não deixarão entrar lá. Voltando ao pico, quando vou ali me sinto “acampado”. Fiquei duas horas lá sentado meditando. Será que BP disse SAPS alguma vez?

Mesmo não lembrando de tudo que disse antes, forcei minha memória para dar uma explicação razoável aos “perguntantes”. Eureka! Lembrei! (Eureka, uma famosa exclamação atribuída a Arquimedes, significa efeito à realização e súbita e inesperada solução para um problema). Acho que foi por volta da década de 70 ou 80 sem lá, que um “iluminado” da direção nacional (tem tantos lá) criou a sigla SAPS. Devia estar escrevendo para algum órgão Escoteiro ou até quem sabe uma autoridade e querendo impressionar escreveu SAPS. Mas pode também ser que era um preguiçoso na escrita datilográfica e escrever Sempre Alerta para Servir achou melhor colocar a sigla. Ou então admirado com tantas siglas surgidas na UEB (Uai! aí está uma delas) porque não fazer mais uma?

E então, a façanha atingiu a todos. Era gostoso dizer SAPS. De norte a sul só se escrevia SAPS. Era SAPS aqui, SAPS ali uma profusão de SAPS que fiquei “sapeado” com tudo isto. A preguiça tomou conta. Em vez de escrever agora também se pronunciava SAPS. Ainda não vi mas deve ter muitos chefes chegando à sede e gritando: - SAPS turma! E lá se foi o Sempre Alerta!, O Servir do Pioneiro. Ainda bem que manteve-se o Melhor Possível do lobo. Tenho medo que amanhã apareça outro “iluminado” (tem tantos por aí!) e resolver acrescentar MPSAPS! Aí danou-se!

Mas Cacilda!, Isto é tudo que tenho a dizer? Risos. Esqueçam. Sou um "Velho" Escoteiro “gagá” que lembra com carinho o Sempre Alerta, o Melhor Possível, o Servir, feito de maneira elegante, em posição de sentido, cascos juntos, um sorriso nos lábios e uma voz cantante ao dizer aos meus amigos que encontrava. Gosto de receber uma correspondência, um e-mail e até um comprimento sem esta efêmera e famigerada palavra (para mim é claro). Outro dia uma lobinha me mandou um e-mail. No final disse SAPS! Deus do céu! Esqueceu até do Melhor Possível. Onde vamos parar?

E ao diabo com SAPS. (apelando Chefe?) e para voces meu abraço e meu querido S E M P R E A L E R T A! (e não se preocupem, deleitem-se com o tal de SAPS, sei que nunca deixarão de usá-lo e escrever)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O Chefe Pata Tenra, Os escoteiros chorões, o tatú-bola e a cascavel.



Lambanças. Quem não as tem?
O Chefe Pata Tenra, Os escoteiros chorões, o tatú-bola e a cascavel.

                 Lambanças fazem parte da vida. Ninguém passa pela vida sem passar por elas. Acontecem com qualquer um. Tive muitas lambanças na vida. Gosto de lembrar-me delas. São divertidas. Fazem-me bem. Cada passo cada jornada seja escoteiramente ou então na lida diária lá estão elas. Prontas para nos tirar do sério. Já contei aqui várias. Mais duas para ficarem na lembrança como verdade ou mentira. Acreditem se quiserem. Estas são duas simples. Nada espantoso. Risos. Não importa. Vamos lá:

- Primeira - 1979 - Acampamento de três tropas, grupos diferentes. Não era distrital. Chefes amigos acampando. Cinco dias. Local excelente. Seis chefes. Todas as tropas com quatro patrulhas completas, ou melhor, algumas com sete. Chegamos cedo. Dez horas. Combinado lanche para o almoço para dar tempo de montagem do campo. Dizem que é tipo Giwell, não sei. Me parece tipo Net. Não gosto. Acho que a Net debocha. Para não atrapalhar, não fizemos a inspeção da tarde. Cinco e meia já no lusco fusco chamada dos intendentes. Viveres para o jantar. Todos vieram. Simples. Um arroz, linguiça frita, batatas cozidas com chuchu. Seis e meia ouvimos as primeiras patrulhas dando o grito. Jantar pronto. Monitores nos procurando no campo de chefia nos convidando e dizendo que o jantar estava pronto. Claro, agradecemos. Fizemos nosso próprio jantar.

Oito horas da noite. Faltavam ainda quatro patrulhas. Todas de um só grupo. Melhor ir lá ver. Em cada campo só barracas montadas e muito mal armadas. Fogão? Necas! Escoteiros? Todos chorando em um canto de fome e medo e pedindo mamãe. Eureka! Só jovenzinhos de dez/onze anos. – Montei a tropa agora, disse o Chefe deles. Resolvemos nivelar a idade, assim todos teriam as mesmas condições. Não preparou os Monitores? - Eles me garantiram que dariam conta. Humm! Se tivéssemos celular naquela época o acampamento estaria cheio de mães para buscar os filhos. Eu e outro Chefe de outra tropa chamamos nossos Monitores. Ajudem. Façam o que puderem. Passem o comando para o submonitor. Tempo livre. Fazer atividade noturna só com todos. Os pata tenras não iriam aguentar. Em nenhum momento os chefes interferiram.

Dez e meia, os chorões jantando. Vieram todos de todas as patrulhas, abraços, ajuda, ensinando pioneiras. Montando campo. Onze e meia. Todos dormindo. Dia seguinte, um belo de um acampamento. Uma amizade sem fim. Os Pata Tenras sorrindo. Adorando o acampamento. Ultimo dia, abraços, apertos de mão, choro, mas desta vez de saudades. O Chefe aprendeu. Virou IM. Anos depois foi dirigente da Região onde eu estava. Pois é. A vida nos ensina e dá muitas voltas. Quem o viu antes! Coisas da vida.

- Segunda – 1954 – Acampamento em Aguas Turvas. Dois dias. Só os Raposas. Chegamos sábado bem cedo. Nada de novo. Sabíamos o que fazer. Sete escoteiros. Três Primeira Classe e três segunda. Só eu de Pata Tenra. Duas horas da tarde. Tãozinho correndo – Vi um Tatu-Bola. Fumanchú vibrou. Daria um ótimo ensopado com batatas. Fumanchú era o máximo. O melhor cozinheiro que já vi. Lá fui eu o Romildo Monitor, o Israel Sub e o Tãozinho. Não era fácil pegar um tatu. Eles já pegaram antes. Buraco fundo. Enfiar a mão? Nunca como dizem pode ter uma cascavel. Vamos usar o truque da fumaça. Galhos secos na porta, fogo muitas folhas verdes molhadas. Uma fumaceira do inferno. É só fecha a porta do buraco. O tatu sai correndo. Dez minutos nada. Vinte. Chocalho de Cascavel. E agora? O tatu se enroscou. A cascavel não podia morder. Só vi o buraco sendo aberto pela cascavel.

Pernas para quem vos quer. Não estávamos preparados. Deixe para amanhã. Voltamos, matamos a cascavel e pegamos o tatu. O danado não escapa! Dormimos. Um bom Fogo de Conselho. Dei risadas, mas de vez em quando ouvia chocalho de cascavel. Os patrulheiros também ouviram. Melhor fazer um fogo alto em frente às duas barracas de duas lonas. Dormimos. Dia seguinte espreguiçando, saí da barraca. Putz Grila! Oito Cascavéis em volta. Dormiram ali esperando a gente acordar. Todos levantaram assustados. Romildo gritou! Por aqui. Corram o que puderem. Fomos para o lago. Ficamos lá até duas da tarde. Voltamos. Campo vazio. Desmontar acampamento. Vamos para a fazenda do Linhares.  Em fila partimos, chocalhos na mata atrás de nós. Saímos na Rio Bahia. Avistamos quatro delas na beira da estrada a nos espiar. Uma carona em um caminhão caçamba.

Nunca mais voltamos em Aguas Turvas. Não gosto de cascavéis até hoje. Sempre que vejo uma me dá arrepio. Uma mordida, quatro horas para morrer. Dependendo dela nem soro resolve. E naquela época soro? Melhor uma Surucucu. Não corre. Para e enfrenta. Se vai ela fica. Cascavel não. Corre atrás da gente. Enfim, quem já acampou já viu cobras. Sempre correndo da gente. Fazer barulho no mato e elas vat. Vup! Mas não confiem nunca em cascavéis! 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A volta dos que não foram.



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
A volta dos que não foram.

                      - Bom tarde! Sempre Alerta! – Ele me olhou como se eu não fosse ninguém e disse – Bom tarde. – Olhe eu já fui Escoteiro, passei e vi voces. Resolvi visitar. – De novo aquele olhar obscuro como se eu fosse um intruso ou de outro planeta. – Tudo bem, fique a vontade disse. Eram duas patrulhas, uma com cinco e outra com três. Quatro mocinhas e três rapazes. – São Seniores? – Ele me olhou como se eu fosse um cego ou uma “besta” e disse – São sim. – Tropa pequena eim? De novo aquele olhar gélido. – Seniorismo é só para macho! Poucos topam! – Não entendi! As meninas são machos também? Ele me fulminou com um olhar. – Não entendeu? Muitos não ficam. Preferem outros programas. Prefiro assim, ficar com os que gostam. – É, compreendo. Mas vejo você falando muito com todos. Não conversa com Monitores? – Olha, estou ocupado. Falamos outra hora ok? Posso fazer a ultima pergunta? Só vi a resposta fulminante em seus olhos. – Bem é que vi o distintivo do Jamboree em você. Todos foram? – Não, fui eu o Diretor Técnico, uma guia e um membro da diretoria. Representamos o grupo. – Mas porque os outros não foram? - Não tinham condição de pagar! Pensei comigo – Um por todos e todos por um! Bah!
                   
                        Vi que ele não falaria mais. Procurei a Akelá. Uns doze lobinhos e lobinhas. – Olá! Melhor Possível! Um sorriso amarelo como resposta. – Já fui lobinho. – Ah! Já foi? Hoje mudou muito – Notei que nenhum tem mais os distintivos de estrelas no boné. – O que é isto? Nunca ouvi falar. – Melhor mudar de assunto. – São suas assistentes? – O mesmo olhar do Chefe Sênior. – Sim. Ajudam-me. – Mas não as vejo fazer nada! – Farão quando eu mandar. – É seu programa? – sim, respondeu. – Não vejo o nome delas! – Não precisa, quando preciso as chamo. – Poucos lobinhos, só uns quatro com um ano e um com dois anos de atividade, por quê? – Eles acham que aqui é jardim de infância, chegam ficam dois ou três meses e vão embora. Melhor assim. Aqui tem que ter sangue! – Sangue? Não entendi! Tem alguém sem sangue nas veias? – Ela gritou com uma – Magda, corra até o almoxarifado e veja se tem papel e lápis, vamos fazer um jogo da “Velha”! – Mas você não tinha outro jogo aí no seu programa? Perguntei – Me deu as costas e se foi.
                   
                        Em fila vi que os escoteiros estavam chegando à sede. Rostos nada apreciáveis. Alguns com lenços tortos e outros com camisas soltas. Um Monitor arrastando no chão seu bastão totem da Águia Dourada. Não sei o porquê dourada, tudo bem.  – Bom dia! Sempre Alerta! – O Chefe me olhou, novo ainda não mais que vinte e seis anos. Idade ideal para chefia Escoteira. – Boa tarde ele respondeu. Sorri, esqueci que era de tarde! - Três patrulhas? – Sim, por quê? Notei que duas das meninas são monitoras e só uma um menino é. – Claro, elas são mais dedicadas. – Ah é? Não sabia! – O Chefe Sênior o chamou. Falaram por alguns minutos. Ele voltou – Olhe vou dar um jogo e não tenho tempo. Desculpe. Chamou todo mundo e gritando explicou como era o jogo. Os Monitores ali e na tropa Sênior serviam para ficar na frente com o bastão. Risos.
                       
                         Vi dois chefes se aproximando. – Olá, sou o Diretor Técnico. Você quer alguma coisa? – Não senhor, só visitando. Lembrando os velhos tempos! – Olhe, hoje estamos muito ocupados. Eu mesmo vou receber a visita do Assistente distrital. – Ah é! Posso ficar? Gostaria de conhecê-lo. - Posso perguntar? – Sim, ele disse. – Voces não tem lista de espera? – Me olhou com aquela cara de que comeu e não gostou – Não precisa. Os que aparecem é porque querem ser homens de verdade! – Não entendi! E as moças? – Ficou fulo. Olhe somos um grupo antigo, temos orgulho do que somos. – O outro me olhou e disse – Eu sou um assessor de muitos chefes. Não sou pata tenra! Tenho muitos cursos e oito anos de escotismo – Prazer! Bom saber disto! – O outro Insígnia (esqueci-me de dizer) me disse – Eu sei como fazer. Entendo de escotismo tá entendendo? Não nasci ontem! Sou Chefe aqui desde que o grupo iniciou! – Sim senhor, sim senhor meu coronel! Ficou puto! Me matou com seu olhar! Tal pai tal filho. Agora entendia a postura dos chefes no Grupo Escoteiro.

                        Chegou o Assistente distrital. Novo, uns vinte e cinco anos. Insígnia. Carreirista. Conheço o tipo. Que pose meu Deus! Abraços apertados. Olhou-me – Prazer Doutor Comissário! Falei juntando as botas em sinal de respeito.  Acho que não gostou. Não sou Doutor. Quem é você? Apresentei-me. – Um simples Escoteiro do passado. – Olhe, disse. Os tempos mudaram. Estamos mudando tudo. Para melhor – Notei disse, só de olhar já entendi. Você um comissário está de bermuda branca, camiseta rolê, lenço da insígnia, um tênis branco e gostei do seu chapéu eurasiano! – Foi à conta. – Você não me conhece. Estou sendo preparado para ser um formador. Já fiz diversos cursos! Mais um ou dois anos serei DCIM! Mais respeito! Você não sabe com quem está falando! Putz! O homem ficou bravo! Falar o que?

                       Ri por dentro. Se desse risadas poderia levar uns sopapos. Melhor ir embora. Se continuasse ali iria virar farinha de mandioca! Ainda bem que na semana anterior tinha visitado outro Grupo Escoteiro. Gente boa, sorridente, todos amigos, fui muito bem recebido. Abraços, endereços, Monitores em ação, Alcatéia lotada e uma enorme lista de espera. Disseram-me que o distrital e o Assistente quase nunca vão lá. Entendi. Ainda restam esperanças. Este escotismo é maravilhoso. Tem altos e baixos, mas não desiste. Disseram-me que é sangue Escoteiro. Sangue? Deve ser tipo O positivo. Rarará! E como dizem por aí, não se preocupe, os bons ventos voltaram. Confirme. A Terra do Nunca existe? Não sei, dizem que nunca é uma palavra que não existe. Melhor ir ao meio do oceano, quem sabe é só “poeira em alto mar?”.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

De Volta para o Futuro – parte I



As crônicas de um Chefe Escoteiro.
De Volta para o Futuro – parte I
(Bach to the Future)

         Uma volta ao passado, diferente do que fez Robert Zemeckis na sua trilogia De Volta para o Futuro. Quisera eu ser tão inteligente como o Dr. Emmett L. ‘Doc’, o Doutor amigo de Marty McFly que em três deliciosos episódios voltam no tempo precisamente em 1955, no DeLorean, um automóvel que se transforma em uma máquina do tempo. Quem me dera ter este carro para viajar no tempo. Assim sou obrigado a conviver com minhas memórias, cujos chips estão em fase de desgaste natural pela idade. Neste retorno no tempo, procuro fazer analogias do passado com o presente. Difícil, comparativamente é quase impossível, mas vamos lá.

        Um grupo simples. Nada de coisas maravilhosas. Mal e mal cinco cadeiras uma mesa, uma pequena escrivaria, daquelas antigas, cujo tampo se fecha ao terminar a jornada. Uma salinha onde cabiam todos os nossos sacos com quatro alças de intendência, quatro carrocinhas, inclusive também usadas pelos seniores, e uma saleta pequena para os lobinhos. Um pátio de uns seiscentos metros quadrados e se chovesse corríamos para a rua onde havia uma serraria e lá nos escondíamos. Nosso Chefe de Grupo, um Sargento da Polícia Militar gente boníssima ia ao grupo quinzenalmente. Nosso Chefe Jessé, um bom camarada. Não participava de todas as reuniões. Fora Escoteiro e Sênior, mas casou e conseguiu se empregar na Cia. Vale do Rio Doce. Um serviço que o levava em viagens sem fins.

         Nas reuniões chamava o Romildo, o mais velho dos monitores, o qual todos chamavam de guia da Tropa. Entregava a ele uns rabiscos para as reuniões futuras. Ele chamava os monitores, conversavam e as reuniões saiam. Em quase todas sempre uma ou outra Patrulha ia acampar. Nossa vida Escoteira era mais ao ar livre que dentro da sede. Atividades externas? Procurávamos o Chefe Jessé no seu trabalho ou em casa e avisávamos aonde íamos horário de saída e retorno. Mais nada. Nosso treinamento era feito por nós mesmos. Sem ser presunçoso, sabíamos de olhos fechados técnicas que hoje poucos sabem. Nosso Chefe do Grupo entrava em contatos com mais três grupos em cidades próximas. Sempre nos levava a acampar com eles. O trem e a bicicleta eram nossos meio de transporte. As carrocinhas serviam para acampamentos mais próximos a nossa cidade. Era lindo ver as quatro patrulhas uniformizadas, vários segunda e primeira classes, mostrando que a maioria tinha três, quatro ou cinco anos de atividade.

          Hoje? Dificilmente. Tudo mudou. Nada poderia ser como antes. As grandes cidades não oferecem condições mínimas de segurança. Mas olhem pegando carona no DeLorean, eu vou a 1961, 1975 e 1980 e 1990. Vários grupos. O último que participei muito do que fiz eu fiz com eles também. Nossa evasão não ultrapassava cinco por cento. Começamos com dois e quando saí tinha 180 membros do grupo. Na época um Grupo dos que mais tinham Liz de Ouro e Escoteiro da Pátria no estado. Concordo inteiramente que haja novos critérios, novas normas, pois agora precisa-se disciplinar toda a organização. Mas voltemos a 1961. Ainda uma época das antigas. Um grupo, em uma igreja. Começamos com oito. Quando saímos de lá tinha cento e quarenta membros. Tínhamos duas tropas como filiais. Risos. Em uma cidade bem próxima.

          Volto de novo em meu DeLorean a 1955. A técnica se sobrepunha a teoria. Nada de grandes relatórios sobre isto ou aquilo. Tudo muito simples. Se um dia puderem ver como eram as etapas para se conseguir as estrelas, ou as classes de segunda e primeira poderão ter uma ideia melhor. Não eram tão simples assim. Você olhava um Escoteiro, seu uniforme, sua postura, sua disciplina e principalmente sua ética e honestidade junto aos amigos da patrulha para se orgulhar. Nada que difere hoje. Muitos também são assim. Já dizia nosso Mestre BP que se conhece o Escoteiro pelo seu uniforme. Será? Hoje dizem que não. Dizem que o uniforme não faz o Escoteiro. Bem, cada um entenda como quiser.

          São épocas. Cada um que viveu a sua tem boas lembranças. Mas aqueles do passado se orgulham muito do tempo que ficavam no escotismo. As patrulhas eram completas, todos uniformizados, poucos novatos. Se tinha interessados, melhor abrir uma segunda tropa. Mas chega de lembranças. Me lembra o Dr. Emmett L. ‘Doc’ que o DeLorean precisa voltar ao presente. Saudades sim, mas tristezas não. Vamos embarcar neste carro mágico. Não quero ir para o futuro distante. Tenho medo. Não sei o que vou encontrar lá. Hoje encontro bom escotismo ainda. Bons chefes dedicados. Pena que não temos mais aquele gostinho da aventura do passado. Mas o passado se foi não? Bom mesmo foi o Marty McFly. Foi no passado, no futuro, em outra dimensão do presente e se deu bem. Bach to the Future, vamos lá de volta para o futuro parte II proximamente.