Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 23 de novembro de 2013

De ilusão também se vive.


Conversa ao pé do fogo.
De ilusão também se vive.

           Sempre escrevo e conto histórias onde a aventura, a natureza e os belos sonhos Escoteiros estão presentes em todas as linhas dos meus escritos. Muitos dizem que o hoje não foi o ontem e o amanhã ninguém pode saber. Verdade sim, mas o nosso Movimento Escoteiro não é feito de sonhos? De sonhar em ser um cavaleiro andante? De montar em uma águia e partir em busca da terra do nunca? Quantos ainda ficam dias sonhando para o próximo acampamento? Sonhando em viver na floresta, em subir em árvores, em construir um ninho de águia ou uma ponte pênsil? E cantar? Sim isto mesmo, cantar ao redor de uma fogueira contando “causos” rindo das piadas alegres, deixar os olhos seguir as fagulhas que sem ninguém mandar se dirigem para o céu? – Mas Chefe, isto não mais existe, hoje os jovens nem pensam mais nisto. Será mesmo? Não seria nossa culpa, pois aceitamos ou quem sabe impomos um programa que achamos bom por não acreditar mais que não existem Escoteiros sonhadores?

        Quem sabe nós os adultos falamos por eles sem consultá-los dos seus sonhos? É fácil levar meninos para o campo, ficar horas falando disto e daquilo, esticar uma corda para que um por um passe sob os olhos atentos do Chefe. Se é assim o tempo passou e o sonho desmoronou. Pergunto-me se um dia na hora certa, no lugar certo, em uma sombra de uma grande árvore quem sabe ouvindo os sons da floresta ou do bosque tão perto, ou o doce cantar de um regato ao lado, sorrir ao contar que poderiam todos viajar pelas estrelas no céu azul basta criar na mente esta hipótese plausível? Não precisa de muitos, pois não se cria sonhos com dezenas em sua volta, mas você e eu podemos sem sombra de dúvida começar com poucos. Quem sabe os monitores? Pense, continue pensando que você está com eles subindo uma montanha deixando que eles recebam o vento no rosto, que vejam ao longe o ribombar de um trovão e eles assustados não pensaram em se defender da chuva? Chuva? Bendita chuva que se cair irá criar na mente de cada um a vontade de se tornarem aventureiros audazes, e então por que não parar e contar uma pequena história? Criar em suas mentes que eles podem se safar com aquela chuva que os aventureiros de outrora souberam se safar?

      Tudo é tão simples quando pensamos que os jovens querem acreditar, querem ver, querem sentir, querem fazer e você meu amigo ou minha amiga é o espelho deles. O espelho que eles seguirão e não faça nada para estragar esta visão tão bonita. Deixe que eles viagem na imaginação. Acredite que a vida é um processo de maturidade e está só existirá se deixá-los subir a montanha e ver o que existe do outro lado. Tudo que você fará para criar a fantástica ilusão do sublime sonho mudará completamente a razão da existência dos jovens que de novo irão sonhar, mas sonhar os pés no chão, fazendo, agindo e vivendo o que puderam criar. Faça exatamente como o Código Samurai – A perfeição é uma montanha impossível de escalar e ela deve ser escalada um pouco a cada dia. Sem perceber estamos discordando sempre destes sonhos em achar que eles são impossíveis de realizar.

             Ninguém vive sem ilusões, sem uma bela imaginação, sem criar uma fantasia ou devaneio. Deixe que eles façam desta miragem a realidade que podem e devem criar. Aquele poeta não disse que a vida é feita de ilusões, mas não é das ilusões que saem os melhores momentos da vida? Não diga não aos sonhos deles e se eles não tem sonhos crie um para eles copiarem e fazerem os seus. Todos os jovens querem viver o sonho de ser herói. Tiraram isto dele e nós podemos devolver em forma de escotismo aventureiro. Não aquele de uma fila interminável por uma estrada com você determinando aonde ir. Não tenha medo do que vai acontecer. Haja sim com cautela, mas sem tirar o espírito aventureiro. Lembre-se ali são eles os donos dos sonhos, os donos da aventura, você é um mero coadjuvante que tenta a sua maneira passar para eles o que um dia viveu. Agora o momento são deles e você deve aplaudir isto.

            Ninguém gosta de sonhar e ficar acordando vendo o tempo passar. Ver o vento vir e ir sem ter ao menos possibilidade de tocá-lo. Sem saber o som da floresta, sem saber como é o orvalho da madrugada a cair suavemente no rosto. Sem saber o que os pássaros dizem sem sequer reconhecer o cantar do regato que lhe forneceu a água para sobreviver. Deixe-os ver o vento balançar as árvores, deixe que eles descubram o caminho a seguir, deixe-os descobrirem como podem viver sonhando com os pés no chão. Esqueça a modernidade por alguns minutos e sim pode se preocupar com as adversidades dos novos tempos, mas faça tudo para que eles andem sozinhos. Eles um dia não terão de fazer isto? Belas são as palavras de Kipling que escreveu um dia quem sabe para nós chefes – Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite... Deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos de desejo provado e do encanto reconhecido!

            Não vamos mais além, mas precisamos retornar aos sonhos que um dia os jovens tiveram, precisamos pensar que o mundo é como um acampamento em que montamos nossa tenda podemos apreciar a natureza, e depois voltamos para a nossa casa que é a eternidade. Termino este comentário de alguém que nunca ouvi falar. Osho. Quem foi não importa, mas uma coisa eu garanto é um criador de ilusões a nos mostrar que o caminho para prosseguir é sonhar e acreditar em seus sonhos:

- Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.

E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Amigo, que surpresa, você é Escoteiro? - Não diga!



Publiquei aqui diversas vezes, mas quem sabe você não leu?
Amigo, que surpresa, você é Escoteiro? - Não diga!

Ah! Meu amigo e como sou. Nem imaginas o meu orgulho em ser um destes milhões que moram neste mundão de Deus. Sabe meu amigo, no escotismo estou aprendendo a ser alguém responsável para que todos que me amam possam um dia orgulhar. Ali junto aos meus amigos eu aprendo que o caráter é importante em cada um de nós. Que ser leal é ponto de honra, e minha palavra? Sim é sagrada. Estou aprendendo que a honra faz parte dos honestos. Que a ética é mais que tudo. Aprendo tantas coisas que cada dia que passa mais eu me orgulho de pertencer a este movimento maravilhoso.

Eu sei que você não sabe, mas são tantas coisas maravilhosas que acontecem comigo, que hoje sei que a felicidade pode ser alcançada e eu a já a alcancei. Sou um privilegiado por Deus em estar aqui. Saiba meu querido amigo que eu já vi um céu cheio de estrelas brilhantes, deitado na relva, em volta de uma fogueira com muitos amigos e amigas do escotismo. Ali vi as constelações, um cometa que passando e deixando um raio de luz no espaço sideral, uma lua enorme suspensa no céu. E é isto meu amigo que mais e mais me leva a certeza que o escoteiro é puro nos seus pensamentos, nas suas palavras e nas suas ações.

Eu gostaria que um dia você pudesse junto comigo dormir sob as estrelas! Fazer delas sua barraca. Ver o nascer do sol e ver ele se pôr ainda vermelho no horizonte deixando uma marca profunda em nossos corações. Quem sabe um dia vai poder comigo saborear o cheiro da terra molhada, do perfume das flores silvestres, do som maravilhoso da passarada, do piar da coruja em um carvalho qualquer. Quem sabe um dia você vais poder beber a água límpida de uma nascente que corre na terra e em sua viagem irá refrescar terras e animais até que um dia vai alcançar o mar. Quem sabe você vai poder ver o lenho crepitando em uma bela fogueira onde todos riem, cantam e com seus olhos esperançosos vão vendo as fagulhas subirem aos céus, languidas e serenas até que a aragem leva-as para longe daquela clareira cheia de vida.

Meu amigo pode acreditar, é lindo e fabuloso ser do movimento escoteiro. Acho que é um privilégio de poucos e sinceramente? Poderia ser o privilégio de muitos. Quando vejo a chuva caindo em uma floresta, ouço o som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Sei que você não sabe que temos uma ternura imensa com a natureza. Para nós é fácil encontrar o Norte e o Sul, seguir a sota-vento, barlavento ou encontrar o caminho a sudoeste. Nem imaginas o que é sentir o vento no rosto, descobrir as flores desabrochando em campinas verdejante. Eu gostaria que você soubesse como é gostoso podemos tirar o calçado e molhar os pés nas águas geladas de um gostoso riacho. Poder sentar e tirar uma soneca embaixo de uma grande e frondosa árvore e olhar em volta com os olhos vibrantes às cores do céu, do mar, das montanhas onde o sol se põe. Poder ver e sentir o cheiro da relva ver o vento que sopra com amor, fazendo ondas no capim verde daquelas campinas verdejantes em vales floridos. Meu amigo, você nem imagina a maravilha que é chegar ao cume de uma montanha e ver o horizonte! Um espetáculo imperdível meu amigo!

Mas olhe, não sei se terá a oportunidade de ter o que temos. É preciso acreditar. É preciso ter fé e coragem. Aqui aprendemos que o medo é próprio dos fracos. Temos como Escoteiros a obrigação de ajudar a todos indistintamente e ter força de vontade e amor para conviver em uma vida saudável junto dos demais irmãos escoteiros. Mas saiba, se um dia quiser, quem sabe, você pode até entrar em um Grupo Escoteiro. No entanto não se esqueça, e preste muita atenção. Qualquer um pode entrar, mas é importante saber que ser escoteiro não é para qualquer um!

Se um dia tomar a decisão e resolver mesmo, seja bem vindo. Vou lhe esperar de braços abertos. E aí então você sem sombra de dúvida será mais um irmão de tantos milhões espalhados pelo mundo. E quando for, vai saber que o nosso fundador Lord Baden-Powell disse algumas palavras para os novos e que marcam em cada um de nós. – Ele assim o disse um dia - Saiba você meu jovem se quiser Escoteiro, saiba que somente os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda. E se aceitar o desafio você pode acreditar que será muito bem recebido, pois nós escoteiros somos amigos de todos e irmão dos demais escoteiros.

E quando for um de nós aceite o desafio, tão simples que vai marcar você por toda a vida. Assim coloque sua mochila e seu farnel, pegue seu cantil, leve seu canivete Escoteiro, vista com orgulho seu uniforme escoteiro, agora levante sua bandeira, cante uma canção, grite seu grito de guerra e parta conosco nesta bela aventura!

Chefe Osvaldo. 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

De quem é a culpa?



Conversa ao pé do fogo.
De quem é a culpa?

Diversas publicações estão a correr em todas as redes sociais. A Polícia Federal prendeu centenas de pedófilos entre eles alguns Chefes Escoteiros. Chefe Escoteiro? Fingia ser isto sim. Mas não passava de um doente mental. Doente que deveria receber todas as punições que a lei permite ou mais. Escrever somente não resolve. Dar nomes aos bois resolveria? Seria muita ingenuidade achar que somos todos puros de alma e pensamento. O movimento Escoteiro é um farto manancial para estes doentes mentais. Grupo Escoteiro estruturado, onde tem um bom sistema de patrulhas, bons monitores, (acredito até em um Conselho de Tropa para Escoteiros apesar de muitos acharem que não) uma ótima Corte de Honra, um Escotista para cada matilha, um perfeito Conselho de Chefes e uma democracia perfeita evitam muito a participação dos mal intencionados. Sei de muitos grupos que aceitam sem fazerem uma averiguação ou mesmo analisarem com cuidado a validade de tal aceitação. Infelizmente não é bem assim.

Por diversas vezes recebi comentários de guias e seniores e até chefes contando horrores. Guias e seniores? Sei não. Onde estão os chefes? Os pais? Por mais que alguns tentem me convencer eu nunca aprovaria em um grupo onde tivesse participando o escotismo misto. Exceto nos lobos e nos pioneiros.  Mas sei que tem muitos melhores que eu e defendem com todo ardor este tipo de participação. Defendem com unhas de dentes como se estivessem bem preparados para agir e acreditam que tudo vai dar certo. Conhecem o futuro. Já vi em alguns casos que o próprio Sistema de Patrulhas praticamente não existe mais. Um grande receio de deixar todos no mesmo campo de patrulha vinte e quatro horas por dia. Que bom seria ter locais para debater tais temas, desde o grupo até a mais alta esfera nacional. Não foi bem assim que aconteceu. Mas isto é outra história. Eu conheço os primórdios disto tudo. Vivi a época. Um caso foi interessante. A bebida no campo foi por conta do Chefe. Aconteceu no Brasil. Não vou citar nomes, mas foi uma festa. Digna de filme erótico. Acham que é só este? Tenho mais de doze testemunhos que mantenho a sete chaves.

Competem nesta hora os dirigentes do distrito serem os primeiros a descobrirem e não ficar demagogicamente enaltecendo seus feitos de acampamentos ou acantonamentos distritais. Idem as regiões. Só sabem convidar e se lá no desenrolar estão a postos eu não sei. Quem participa e corre nas madrugadas em vigília nestas atividades sabe o que vai encontrar. Eu já vi coisas do arco da velha. Providências? Um jeitinho aqui e outro ali. Nesta hora é que todos deviam saber aqueles implicados e dar nomes aos bois. Mas não é isto que acontece. Não se presta conta, não se sabe o que discutem nossos lideres nas entranhas do escotismo. Comissão de Ética? Conversa entre quatro paredes.

Os que conhecem grupos bem estruturados sabem que dificilmente isto irá acontecer com eles. Mas não se enganem mais de quarenta por cento dos grupos no Brasil não tem nenhuma organização assim. Investiguem, olhem, perguntem e tenho certeza que muitos de vocês sabem até mais do que eu do que se passa. Fui Comissário Regional na década de setenta. Muitos anos se passaram. Muitos casos aconteceram. Fui duro na hora. Não fui amigo? Infelizmente você vai pagar o pato. Entre o certo e o duvidoso fiquei com o duvidoso. Vai com Deus amigo! Se é que o posso chamar assim. Injustiças? Prefiro cometê-las a ter um nome como o Movimento Escoteiro reconhecido por sua seriedade e formação educacional ser colocado como um movimento de adultos mal formados e sem condições de participarem.

Pedófilos? Irão existir sempre. Escondem-se. São covardes. Seu maior amigo no grupo ou no distrito ou na região pode ser um deles. Tomar cuidado eu sei que todos dizem, mas o fulano? Coloco minha mão no fogo por ele! Que fogaréu eim? Sou daqueles que o adulto Escoteiro, o voluntário Escoteiro tem de ser como a mulher de César. Não basta ser honesto, tem que parecer honesto. Mas são menos de 05% por cento. Poucos não? Mas fazem um estrago enorme!


Que cada um faça sua parte claro, se achar que deve fazer.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Quem vem lá? Sou eu amigo. Um Velho Escoteiro que saiu da gaiola e aprendeu a voar.



Quem vem lá?
Sou eu amigo. Um Velho Escoteiro que saiu da gaiola e aprendeu a voar.

Não acreditava, mas minhas asas ainda bateram incessante no céu azul e mais uma vez neste ano com a ajuda do vento lá fui eu novamente em plagas nunca antes conhecidas. Duas vezes? Isto mesmo, duas vezes. A primeira eu fui respirar um ar perfeito no campo escola. Na segunda comecei a ter medo. Medo? Um Velho Escoteiro como eu que voou em plagas distantes neste Brasil Gigante, enfrentou tempestades, vendavais e rajadas de ventos incríveis em altas montanhas e ter medo? Tinha de pensar. Não tinha mais aquela vivacidade de outrora, agora teria de ser precavido. Afinal apesar de Dédalo ter orientado seu filho que não voasse tão alto eu não iria seguir os mesmos passos. Segui o conselho dele a risca. Se voasse muito alto os raios solares poderiam facilmente derreter a cera que segurava as penas presas em minhas asas e eu poderia despencar no mar violento. Meu nobre piloto Geraldo me mostrou como sobrevoar a seara do Falcão Pelegrino. Fácil Chefe. Mesmo com este sol escaldante ele me levou no céu de brigadeiro até lá.

Valeu outra vez. Valeu a minha coragem de deixar minha gaiola onde tenho tudo as mãos e voltar de novo a cumprimentar mãos de autênticos Escoteiros, sorrir de novo junto a lobinhos e lobinhas. São coisas estranhas para quem hoje não vive mais no ninho. Só a gente que viveu sabe como é bom um sorriso sincero, uma alegria autêntica, uma recepção fantástica que me levou sem pensar ao meu passado de regional. Cada cidade das minhas Minas Gerais agora vinha na lembrança novamente. Desta vez autenticada por perfeitos cavalheiros Escoteiros. Fiquei ali pensando o quanto eu escrevi, quanto falei em meus contos impossíveis, em meus artigos ferinos e eis que do nada surge assim como a estalar dos dedos tudo que pensava não mais encontrar. Um sorriso franco um escotismo autêntico de valentes chefes, pais, colaboradores que lutam para manter mais de cento e quarenta jovens no mais alto padrão Escoteiro.

Um Velho Escoteiro como eu sabe como é. Num piscar é como se fosse um filme deste a fundação de um Grupo Escoteiro. Um olhar, um aperto de mão um sorriso um líder que sabe ser liderado não anda por aí facilmente. Eu sabia que estava em casa. Via com meus próprios olhos a simplicidade em pessoa na figura de um Chefe simples, amigo, cavalheiro que não dirigia com mão de ferro, mas com um sorriso simples um piscar de olhos ou até um elogio gostoso. Um irmão mais Velho e nunca um ditador de ordens. Uma sincronização perfeita. Todos colaborando. Do menor lobinho ou lobinha aos velhos Escoteiros que lá viveram nas asas do falcão do passado. Lembrei-me de um comentário de um dirigente que os jovens de hoje querem coisas novas. Não gostam do nosso uniforme. Um dos motivos por eles não se aproximarem do escotismo. E aí meu Chefe! Isto acontece aqui? – Resposta adorável - Nunca, temos uma lista enorme de interessados e o caqui ainda vai morar aqui muito tempo. Ninguém comenta e nem vamos discutir se devemos ou não mudar. Nesta hora senti que uma enorme palma escoteira surgiu estrondosamente em meu coração.

Coisa bonita de se ver. Falcões indo e vindo. Todos bem uniformizados. Afinal não era fácil manter duas alcateias. Uma tropa masculina e outra feminina. Uma sênior e uma de guias e mais não sei quantos pioneiros. São quarenta chefes! Quarenta? E a diretoria já pensa em aumentar as sessões e adultos na liderança. Não quis bater tanta palma assim. Afinal só estava lá há uma hora. Olhando tudo aquilo junto a uma simpática Chefe de outro Grupo Escoteiro e o meu piloto de Boeing que não se negou a me ensinar a voar com asas de cera. Um dos responsáveis de tudo aquilo. Fiquei meditando. Para que mudar tanto como nossos dirigentes fazem? Ali estava à prova viva que quando se quer se faz. Aquele escotismo autêntico. – Todos registrados chefe! Nunca deixamos de participar de um Jamboree desde que começamos, os interessados quatro anos antes já estão em campanha. E olhe que cada sessão pelo menos acampa ou acantona quatro ou cinco vezes por ano. Os Escoteiros e seniores muito mais. Fechei os olhos e abri olhando diretamente no céu azul e tentei avistar tudo isto do Oiapoque ao Chuí. Ainda bem que não me decepcionei. Lá estavam ainda dezenas de grupos assim, mas não era a maioria. Lembrei-me de um artigo que fiz dizendo sobre formadores: Quem sabe fazer a massa sabe fazer o pão. Ali estavam chefes competentes que sabiam como fazer e não eram formadores.

Não havia como duvidar. A festividade era perfeita. Uma sincronização perfeita. Ninguém gritando faça isto ou faça aquilo. Grandes sim em número e muito maior em percorrer com maestria o Caminho para o Sucesso. Escotismo perfeito, remadas bem dadas no mar azul do atlântico e uma formação que sabia por experiência própria e sem sombra de duvida daria como está dando frutos. Será que os dirigentes (conheço alguns que sim) sabem fazer a massa e o pão? Ou só ouviram falar? Lá vou eu esta simpatia de Velho Escoteiro a cozinhar meus velhos amigos da corte. Não aprendi outra coisa? Risos. - Geraldo! Hora de voar. Rosangela prazer em conhecê-la. George Hirata orgulhoso em ter conhecido você pessoalmente e seu maravilhoso Grupo Escoteiro Falcão Peregrino. Parti com um simples aceno. Não houve adeus, nem um até logo. Ouve sim um olhar de amigos que se diziam sem falar que seriam amigos para sempre. Uma amizade que iria existir no coração de cada um.


E lá fui eu com minhas asas de cera, magnificamente pilotado por Geraldo de volta a minha gaiola. Quando irei voar novamente? Não sei. Não posso facilitar. As coisas não são tão simples para este Velho Escoteiro. Se facilitar minha asas de cera podem derreter. Um último olhar na sede do Grupo, fincada no coração de um bairro nobre, mas cuja nobreza fica do lado de fora. Quando se adentra naquele maravilhoso mundo dos Escoteiros só existe fraternidade. Até breve! E meu Anrê a todos que ali conheci. Guardei minhas asas de cera. Esperar uma nova oportunidade. Dosando o bater de asas poderei ir longe. Ate quando? Não sei. Só Ele lá no alto pode saber.

sábado, 9 de novembro de 2013

Minha, nossa, tua admirável Vovó Guiomar.



Conversa ao pé do fogo.
Minha, nossa, tua admirável Vovó Guiomar.

Ela não foi e nem era minha avó consanguínea. De nenhum dos Escoteiros. Assim como eu todos nós a chamávamos de Vovó e tínhamos por ela um amor todo especial. Acho que foi a Vovó com mais netos no mundo. Idade? Ela dizia ter 82 anos quando cheguei ao Grupo. Nunca esqueci aqueles sábados deliciosos que ela estava conosco sorrindo, cantando, brincando e tentando ser séria no cerimonial de bandeira, mas com um sorriso brejeiro. Disseram-me um dia que no passado ela acampava ia aos acantonamentos, viajava com a tropa e me garantiram que quando pediram a sede no Grupo Escolar Pedro de Matos ela foi sozinha no palácio do Governador para pedir que cancelassem a ordem. Não quiseram deixá-la entrar e ela ficou ali na porta sentada no meio fio por um dia inteiro. Teve insolação e depois de medicada quiseram levá-la para casa. – Não sem antes falar com o Governador ela disse. – Um assessor se prontificou e ela agradeceu, mas o assunto era com o governador. – Mocinho, eu votei nele e ele não pode me receber? – Doutor Morato o Governador assustou quando soube e deu belas risadas. Foi lá na antessala e deu nela um forte abraço. Claro aproveitou para fotos, pois a eleição estava próxima. A ordem foi cancelada e ganharam mais uma sala. A diretora que agiu assim foi demitida. Vovó Guiomar não gostou e de novo voltou ao Governador. Agora entrava direito. A demissão foi revogada.

Interessante que ela se tornou um de nós e a gente nem prestava mais atenção nela. Mas quando faltava era aquela preocupação e lá íamos nós após as reuniões em grupos a casa dela preocupados. Sei que morava só. Sei também que sempre foi solteira e no passado distante namorou um Chefe de nome Castor. Um dia foi achado boiando no rio Santissimo. Ninguém soube por que morreu. Vovó Guiomar não chorou. Ficou dias pranteando seu amado no Cemitério das Flores. Meses depois voltava lá uma vez por mês fato que até hoje/ontem se repete. Se aquele que amei não foi meu eu não serei de mais ninguém. Ela ria e dizia – Eu casei com o Escotismo. Baden-Powell foi meu padrinho! Era uma pândega e a gente nunca a viu chorar. Se um Chefe faltasse lá estava ela para substituir. Nunca fez nenhum curso e todos sentavam em sua volta e ela fazia um campeonato de piadas. Gostosas piadas. Ela era mestre e sabia contar cada uma que coravam a gente, mas a risada vinha naturalmente sem malícia.

Faltou barraca? Faltou facão? Faltou talheres? Faltou material para os lobos? – Quero a lista ela dizia. No dia seguinte o comércio local tinha de aguentar seus pedidos.  Não perdoava nem mesmo os supermercados com a lista de mantimentos para os acampamentos. Nunca aceitava sair de mão abanando. Ela resolvia tudo. Um dia um Chefe novato resolveu fazer uma diretoria. Não a consultou. Os novos diretores assumiram e nem ligaram mais para ela. Ficava no pátio se sentindo rejeitada. O dinheiro do grupo escasseou. Não tinha mais para comprar materiais. Ela não mais sorria. Sempre com uma cadeira que pegava na sede e na sombra da aroeira sentava como se estivesse cochilando. No conselho de chefes falaram sobre ela. Ela não merecia o que estava acontecendo. – Se não fosse ela não seriamos o que somos hoje – Disse a Akelá Naninha. Reverteram tudo. Disseram a ela que seria a Presidenta. Mandava agora na diretoria. Muitos não quiseram e pediram demissão. O grupo voltou ao normal.

Uma tarde alguém veio avisar que ela tremia. De olhos abertos sorria e tremia. Ninguém sabia o que era. Não reconhecia ninguém. O Chefe Damásio levou-a ao pronto socorro. Ainda sem exames completos diagnosticaram como Mal de Alzheimer. Sua memória começou a falhar, ficava desorientada para voltar para casa, mesmo indo ao grupo se sentia desinteressada, e em alguns momentos ficava agressiva e desagradável. O Hospital marcou o dia para levá-la a uma casa de repouso especializada. Ela foi a contragosto. Todos os domingos a escoteirada corriam todos para lá. Ela aos sábados fugia e pedindo carona chegava ao Grupo Escoteiro sorrindo. Suas crises iam e vinham. Os enfermeiros já sabiam onde ela estava e ninguém deixava que a levassem enquanto não acabasse a reunião. Tentaram fazer um pedido de uma medalha de Gratidão Ouro e recusaram. 120 Escoteiros foram pessoalmente na Assembleia Regional e entraram no auditório pedindo a palavra. Aprovaram a medalha. Foi entregue em um sábado de sol, ela em uma cadeira de rodas com dois enfermeiros no cerimonial de bandeira. Havia neste dia mais de quinhentas pessoas presentes. Antigos Escoteiros do grupo acorreram de todas as partes. A palma escoteira dizem que em tempo algum será a mesma.

Morreu quatro anos depois. Estava irreconhecivel. Nas suas exéquias milhares de antigos Escoteiros presentes. Lorentino morava no Japão e quase não chegou a tempo. Zeca e Bambocha estavam no Suriname e alugaram um jatinho. Centenas de milhares de pessoas emocionadas e lágrimas caiam sobre a terra do campo santo. Zé Arrebol levou seu clarim e tocou o mais lindo toque do silêncio de todos os tempos. A canção da despedida com milhares cantando foi em determinados momentos silenciosa. Seres humanos engasgados choravam e cantavam baixinho. Contaram-me que todas as tardes milhares de borboletas invadiam o seu tumulo por muitos anos. O enterro foi às cinco da tarde, mas às onze da noite guardas de patrulhas escoteiras lá estavam prestando sua homenagem. Rio Pequeno nunca mais foi o mesmo. Mudaram o nome do grupo para Vovó Guiomar. Nos encontros, jamborees e Camporee e outras atividades riam quando se falava o nome do grupo. Mas eles não sabiam que no coração de cada um Vovó Guiomar fez sua morada. E sabiam quem ali era iria morar para sempre.

Nas minhas andanças por este país eu conheci em dezenas de grupos escoteiros muitas vovós Guiomar. Cada uma com seu estilo especial, mas sempre presente sem nunca deixar de fazer o bem sem olhar a quem. Não deixem que ela se vá para depois prestar uma linda homenagem. Afinal eu sei que todos sabem do seu valor.

“Minha Vovô escoteira, cada ruga tua representa uma história vivida. E são tantas... Quantas experiências, quantas histórias para contar, quantos conselhos para dar, quanta paciência para nos suportar... Te amamos, vovó”!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Rei morreu (uniforme caqui). Viva o novo Rei (uniforme novo).



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O Rei morreu (uniforme caqui). Viva o novo Rei (uniforme novo).

         Ei vocês aí, por favor, não me joguem pedras. Sei que sou um Velho Escoteiro cheio de manias e tradições, e que alguns novos me disseram não ajudar em nada com esta conversa de “antigamente era assim”. Por favor, deixem-me falar afinal será por pouco tempo. Acho que dificilmente chegarei aos cento e dez anos, portanto não liguem para o que eu digo. Mesmo contrariado com muito do está acontecendo hoje eu aceito. Amigos dizem para mim que isto é democrático. Aceitar e saber divergir. O que? Divergir como? Meia dúzia decide mudar uma tradição de anos, um hábito de comportamento, um uniforme conhecido do Oiapoque ao Chuí e não consulta ninguém? (ela diz que sim eu digo que não) Deixa que os associados tomem conhecimento em uma apoteótica festa com modelos e tudo e eu vou ficar calado? Never! Sei que minhas palavras não ajudam em nada. É como o vento que chega faz charminho e se vai sem despedir. E me divirto com muitos que insistem em me dizer: - Que os jovens decidem o que querem. Agora? Primeiro ninguém perguntou a eles quando mudaram e agora eles decidem? Coitados. Bois de piranha isto sim. A modernidade gritada aos quatro ventos por muitos irão fazer a maioria aceitar esta imposição. Estão acostumado a só serem consultados quando o arroz queimou na panela daquele acampamento gostoso.

           Há tempos não colocava meu uniforme completo. Pensei comigo – “Chefinho”, porque não faz como muitos aí? Que gritam aos quatro ventos que o novo chegou para ficar e a maioria dos chefes batem palmas por ele? Vixe! Os adultos falam pelos jovens e dizem que eles são consultados? Depois de sacramentado o que eles irão dizer? Claro a modernidade está aí. Bem vamos continuar a saga dos meus escritos. Chefe Osvaldo vista o seu caqui e vá passear aos sábados em Grupos Escoteiros amigos. Faça seu marketing mesmo sabendo que será em vão. Meu pensamento é danado. Obriga-me a coisas difíceis de realizar. Experimentei o caqui que fiz em oitenta e dois. Ele e minha barriga entraram em choque. Difícil de apaziguar. A barriga não posso aposentar e ela precisa de mim. O melhor é aposentar o velho. Fiz para ele uma homenagem linda. Secreta. Não vou contar. O novo chegou. Um caqui lindo. Mostra sem vergonha a protuberância de um barrigudo teimoso. No topo do Terraço Itália fiz as honras de praxe. Para marcar para sempre. Deixei que o novo desse um abraço no antigo. Lágrimas rolaram. Bandeiras foram içadas, saudações mil. Choramos muito eu o Velho uniforme e o novo impaciente para ser investido no dono do meu corpinho jovem. Paciência com os velhos, como disse um amigo outro dia aqui o que é passado deve ser enterrado. Moço inteligente.

           Testei o uniforme. Chapéu novo olhei no espelho. Barriga danada! Fazer o que? Agora uma sessão de fotos e esperar convites de amigos para visitarem seus grupos. Não pode ser longe, pois minha matutagem e meu farnel de remédios me garantem por máximo de cinco horas e claro dependo de caronas ida e volta. Sentei na poltrona da sala e nem prestei atenção ao filme. O céu que me condene. Nome de filme “sacripanta”. Já fui condenado tantas vezes por dirigentes e ainda vou assistir a um filme deste? Nem pensar. Never! Vou tentar andar por novos caminhos. Muitos irão se decepcionar, pois ninguém esperava uma figura como a minha hoje. Velho, carcomido com o tempo, encurvado, falando baixo, tossindo, e com uma proeminente barriga a andar em passos trôpegos parecendo que vai cair. Risos. Não sei se será uma boa pedida. Mas que seja. Não quero morrer sem levantar minha bandeira. Não levarei a mochila e nem a barraca mesmo que o céu tenha sido minha lona, e meu farnel da comidinha e os lanches gostosos hoje não existe mais, ele vai se contentar com a bruxuleante maquininha de respirar, remédios, bombinhas suspirantes e o escambal.


            Rataplã do arrebol, escoteiros vede a luz! É... Aquela foto do caderno Avante de outrora irá desaparecer no tempo. Aqueles sonhos de meninos com a Bandeira Nacional de caqui e chapelão a correr pelas montanhas será coisa do passado. Sonhos de muitos meninos que um dia sonharam em ser Escoteiros. E qual criança daquela época que não sonhou ser um deles? Ratibum, pum, pum! Agora o tema é outro. Não existe volta. Não adianta reclamar. É fato consumado. Melhor é fechar os olhos e deixar que os sonhos percorram os caminhos de uma vida plena e cheia de felicidade. No amanhã ou no porvir dos novos meninos Escoteiros eles também terão seus sonhos, irão viver seu passado lembrando-se das coisas boas que fizeram. Irão ver novas mudanças e quem sabe eles irão conseguir o que eu não consegui. Uma democracia plena autentica cheia de transparência onde eles estarão naquela montanha do caderno Avante, com seus novos uniformes, alegres e benfazejos, marchando ao sabor do vento e a cantar o Rataplã!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Por que / Por que / Porque ou Porquê?



Por que / Por que / Porque ou Porquê?

Sempre me faço a pergunta do por quê. Porquê?
Por que eu sou um Escoteiro? Porquê?
Por que eu amo o escotismo de montão? Porquê?
Por que eu amo a natureza e não sei viver sem ela? Porquê?
Por que eu adoro e amo acampar? Porquê?
Por que eu choro quando cantam a Canção da Despedida? Porquê?
Por que como Escoteiro eu não gosto de palavrão? Porquê?
Por que eu acredito que todos Escoteiros devem pensar primeiro nos outros? Porquê?
Por que ainda temos pessoas no movimento que não levam a sério a lei e a promessa? Porquê?
Por que eu ainda vejo palavrões aqui onde tem pessoas de todas as idades e muitas vezes estes palavrões são ditos por quem se diz Escoteiro? Porquê?
Por que mesmo pedindo ainda insistem em me vender ilusões? Porquê?
Por que os chefes insistem em falar com todos em vez de instruírem os monitores? Porquê?
Por que eu acredito em Deus? Será porque vivo em contato com natureza? Porquê?
Por que em uma pequena pesquisa descobri que um grande número de chefes ainda não leram os três principais livros de Baden-Powell e muitos nem sabiam os títulos? Porquê?
Por que alguns adultos chefes ainda se apresentam mal uniformizados? Porquê?
Por que os dirigentes nunca se preocuparam em manter tradições importantes que levamos anos para mantê-las? Porquê?
Por que eu adoro (hoje não posso mais) cantar uma canção junto a lobinhos ou Escoteiros? Porquê?
Por que eu gosto de contar estrelas no céu na madrugada em um gostoso acampamento? Porquê?
Por que eu treinei a fazer oito nós com dois pequenos pedaços de barbante dentro da boca com a língua? Porquê?
Por que quase não vejo mais cantarem o Rataplã? Porquê?
Por que os hinos nacionais são quase desconhecidos hoje no escotismo? Porquê?
Por que eu me arrepio todo quando hasteiam uma Bandeira Nacional? Porquê?
Por que eu fico emocionado quando vejo um lobinho e um Escoteiro sorrindo? Porquê?
Por que eu insisto até hoje em continuar no escotismo e discordando de muito do que os dirigentes fazem? Porquê?
Por que em sou feliz e acho que tenho a felicidade em meu coração sempre? Porquê?
Por que eu desejo honestamente e do fundo do coração que todos também possam usufruir da felicidade que eu tenho? Porquê?


São tantos e tantos os porquês. Mas quer saber? Eu sei o por que. Afinal é só um Por que / Por quê / Porque ou Porquê!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Abri a porta da gaiola do passado e voei para o presente.









Abri a porta da gaiola do passado e voei para o presente.

Foi um belo sábado. Sol a pino, nuvens no céu para fazer um dia perfeito. Pontualidade inglesa eu disse aos meus caroneiros. Levantei cedo, banho e comecei a rotina de anos e anos para colocar meu uniforme. Olhei o cinto, brilhando. Ótimo. Olhei o chapéu. Abas largas e retas. Cadê o sapato? Marido melhor ir com o tênis preto. (só tenho ele. Kkkkk). Bem não gostei, mas fazer o que? O sapato preto era 38 e meu pé engordou. Não serve mais. Calça, camisa bem presa dentro da calça, coloco o meião e depois o tênis.  Eu não. A Célia. Não consigo dobrar o corpo. Celia uma mulher sem igual. Ser Velho não é mole. Veja se as estrias estão retas! Eu disse. – Você sabe que eu sei disso afinal fui escoteira por 30 anos foi à resposta. Fui para o espelho, lenço sobre o pescoço o ritual do anel bem postado. Por último o colar. Agora o chapéu. Fácil. Vou para a varanda. Os dois chefes amigos (Geraldo e Denis Corazza) chegaram com 32 segundos atrasados, não gostei. Mas os perdoei, pois são dois grandes escotistas. Tentei conversar na viagem e falei pouco. O danado do ar faltando. Chegamos. Alegria, abraços, sempre alerta, ainda bem que nenhum SAPS. Detesto o SAPS.
 
Fotos, abraços e com minha cara de sapo morto tento sorrir. Espero que me entendam. A grande ferradura fica pronta. Centenas de meninos correndo. Rapidamente estão formados. Bandeiras ao vento e lá no céu vi o passado descendo ali. Quantos disto eu vi? Quantas vezes participei? Desde 1947. Perdi a conta. É o tempo não apaga o tempo. Emoções começam a vir à tona. Sou chamado ao centro da ferradura. Meu anfitrião o Robson, um Escoteiro meu do Águia Branca da década de oitenta e que ainda usava fraldas ali agora homem feito e emocionado quase chorando. Robson o Distrital e chefão da atividade Eu não sabia o que falar. Uma ferradura enorme. Robson repita para eles o que vou dizer – Chefe vou tentar, vou tentar estou engasgado. Incrível este momento. São coisas que só os grandes Escoteiros entendem. Falei uns dois minutos. Não é hora para discurso. A atividade de abertura terminou. Hora de bater pernas e voltar. Impossível continuar, pois meu ar vai e vem. Daria tudo para ficar os dois dias, sentir o calor do Fogo do Conselho, sentir o ar da mata do Jaraguá que tantas e tantas vezes senti no passado. Quem sabe o Macaquinho Tião ainda estaria vivo? Ou o Quati doidão? A Jaguatirica já deve ter ido para o céu. Quem sabe a coruja buraqueira amiga de tantos cursos que ali colaborei? Seria pedir muito lá se foram quase trinta anos – Chapéu a postos procuro a mochila que não levei. Rotina que não se esquece. Robson e Denis me dizem - Chefe aguarde. O Cido vem aí. Intimamos ele a vir. Cido, ele e a esposa Celia amigos do peito desde 79. Sempre juntos até hoje. Ele chegou. Fiquei contente estava de calça curta. Anda por aí se exibindo com a comprida. Peguei na orelha dele um dia. Veio do Cemucan de uma atividade para me dar um abraço. Mais de quarenta quilômetros.

Mais abraços e a partida. Chefe Geraldo me levou. Vai me levar domingo as onze ou meio dia de novo a visitar o Falcão Pelegrino. Amigão o Geraldo. Vou conhecer o George Hirata Chefe dos Falcões. Aqui somos velhos amigos virtuais. Devo conhecer outros e assim comecei minha jornada nas estrelas desculpem minha nova jornada na terra. Ainda pretendo abraçar muita gente. Basta me convidar e vir me buscar e trazer em minha casa. Não posso dirigir.


Valeu e se valeu. O Velho Escoteiro bateu asas e voou agora nas asas da imaginação pisando devagar no sonho real. Sempre Alerta meu amigo e minha amiga assim direi quando encontrá-lo por aí nestas minhas andanças. Quantas? Não sei, mas quer saber? Se um dia nos encontrarmos por aí já sabe o que vou dizer – SEMPRE ALERTA! É UMA HONRA CONHECER VOCÊ. POSSO LHE DAR UM ABRAÇO?

sábado, 2 de novembro de 2013

O Chefe Escoteiro de lua Verde.



Lendas escoteiras.
O Chefe Escoteiro de lua Verde.

                     Três patrulhas. A quarta só no ano seguinte. Tropa nova, com menos de seis meses de atividade. O Chefe Galício era novo, menos de vinte e três anos. Resolveu um dia ser Escoteiro. Nunca foi. Achou nos guardados do seu pai um livro chamado Escotismo Para Rapazes de Baden Powell o fundador. Leu em uma noite. Gostou. Seu pai quase não falava. Vivia em uma cadeira de rodas. A mãe morrera há anos. Ele arrimo da família. Sempre pensou em ir embora de Lua Verde. Só conseguiu terminar o segundo grau. Cidade pequena, menos de dez mil habitantes. Sem perspectivas de crescimento profissional. Não podia deixar seu pai. Para sobreviverem ele montou uma quitanda. Pequena. Na frente de sua casa para não pagar aluguel. Algumas verduras, frutas, doces, e quando pode comprar uma geladeira, refrigerantes e algumas guloseimas geladas. Dava para seguir adiante a cada mês. O “fiado” era a parte mais difícil. Como negar ao Seu Romerildo? A Dona Eufrásia e a tantos outros? Eram como ele. Nem sabiam o que iam comer amanhã.

                    Depois que leu o livro o releu diversas vezes, pensou com seus botões. - Porque não ter uma tropa Escoteira? E assim fez. Mãos a obra. Convidar meninos foi fácil, a sede também não foi difícil. Ficaram num pequeno porão da Igreja Matriz. Mas Galício não entendia nada. Começou assim na raça, nem sabia que existia autorização, alguém responsável acima dele. Ele e os Raposas, os Tigres e os Leões eram os escoteiros mais felizes do mundo. Amigos, irmãos, juntos sempre. Quando os viam pela cidade a correr pelos campos, parecia um bando de meninos loucos a fazerem suas aventuras fantásticas. Galício adorava. Um dia recebeu uma carta. Era do Grande Chefe Escoteiro da Capital. O convidava para um curso. Todas as despesas pagas. Porque não ir? A quitanda deixou na mão de Quinzinho e Marquinho. Dois Monitores que sempre o ajudavam nos sábados quando a quitanda estava cheia.

                   Partiu de trem para a capital. Quinze horas de viagem. Na chegada se informou onde era o Zoológico. Pegou o bonde. Desceu no final e dai seguiu a pé. Eram mais seis quilômetros. Nada que assustasse Galício. Quando chegou viu muitos chefes. Bastante. Gostou do curso. Não gostou de alguns. Prepotentes, vaidosos, cheios de importância. Não era seu estilo. Aprendeu muito. Resolveu que deviam ter uma Alcatéia. Mas quem convidar? No trem quando retornava pensava a respeito. Uma jovem morena sentou ao seu lado. Galício teve duas namoradas. Pouco tempo com elas. Nunca pensou em casar. Novo. Agora com seu pai entrevado não tinha esse direito. Ela o olhou de cabeça baixa. Galício viu que chorava. – Por quê? Perguntou. Ela não respondeu. Acordou com ela dormindo em seu ombro. Reparou que era muito bonita, mas tinha o olhar envelhecido por uma vida de lutas.

                    Toda a viagem ela chorava. Galício insistiu. Ela nada dizia. Só disse que deveria ter morrido e Deus quis assim. Que seja. - Vai para onde? Sem destino respondia – Sem destino? Não tem amigos, parentes, nada? Não tenho. Quando chegou à estação de Lua Verde tinha resolvido. Desça comigo. Ficará uns dias em minha casa. Ela assustou – Descer? E sua família? Não se preocupe. Uns dias em Lua Verde você irá colocar a cabeça no lugar e saberá aonde ir e o que fazer. Ela desceu. A cidade inteira na janela vendo Galício e a bela morena. Quem era? Ele casou? Ele não disse nada. Sua vida continuou. Seu pai nem perguntou. Os escoteiros nada disseram. Sua vida mudou. Lena era uma mulher perfeita. Cuidava da casa. Fazia tudo. Seu pai tinha os olhos brilhando quando estava ao seu lado. A cidade inteira comentando. E a Tropa? Alguns pais querendo tirar os filhos. Os comentários não eram bons. Uma mulher da vida, só podia ser.

                   Galício resolveu casar com Lena. Ela disse não. Por quê? Você não tem ninguém. – Ela chorando disse que ia contar a verdade. Era mulher de vida na capital. Gostava de um soldado. Ele prometeu casar com ela. Morreu em tiroteio com bandidos. Chorou muito e o pior. Tinha AIDS. Sim, isto mesmo! Ainda em fase inicial.  Galício manteve seu pedido. Não importa. Quero você como minha mulher. Casaram-se na Igreja de São Judas Tadeu. Cerimônia simples. Ele uma vizinha e as três patrulhas escoteiras. Casou de uniforme. Ela feliz. Sorria. Viveram muitos anos. Lena se tornou Akelá. Os lobinhos adoravam sua Chefe. Galício e Lena nunca fizeram sexo. O amor dos dois eram diferentes. Lena morreu com quarenta e oito anos. Seu velório foi assistido por toda a cidade. Dizem que virou santa. Não sei. Mas seus lobinhos hoje homens feitos nunca esqueceram a Chefe que tiveram. Galício chorou por muitos anos. Morreu com sessenta e quatro anos.


                  Conheci ambos. Sempre quando vou a Lua Verde não deixo de fazer uma visita ao tumulo dos dois. Lado a lado. Escreveram uma lápide simples. Nem sei quem escreveu. – “Aqui jaz, dois amantes que nunca foram. Amaram o escotismo e com ele viverão para sempre no céu!”.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Um hipotético passeio no futuro. Cuidado isto pode ser real e acontecer com você!



Jogando conversa fora.
Um hipotético passeio no futuro. Cuidado isto pode ser real e acontecer com você!

 - Um antigo Escoteiro, depois de anos, retorna ao grupo onde cresceu e aprendeu toda a filosofia do programa Escoteiro. Ali recebeu formação de caráter, ética e liderança. Aprendeu o que era honra e considerava a Lei Escoteira como sua filosofia de vida. Era grato por isso. Ele chega ao grupo, e vê um número bem inferior ao que eram antes. Sempre Alerta! Diz alegre e solicito. Alguém olha de soslaio para ele e diz de maneira despretensiosa - Oi! - Amigo eu fui Escoteiro aqui, poderia falar com o chefe do Grupo? Não tem mais responde. Só Diretor Técnico. Tem alguém da Comissão Executiva? Também não, isto já era. Agora é Diretoria.  Ele olha para o lado e vê um monitor displicente, sem patrulheiros, com o mesmo bastão do passado, onde sua patrulha tinha orgulho, e vê agora a bandeirola quase caindo. – Onde está a patrulha dele? – faltaram todos. Estamos prevendo punições em massa! Responde.

Você é chefe aqui? Pergunta. Não, sou formador, responde. Não entendi. Dou cursos moço. Formo adultos para chefes. Não vê meus tacos? E a Akelá? O Baloo onde estão? Isto não existe mais, a mística da jângal já era. Já estão mudando tudo. Estes termos do passado atrapalham nosso crescimento. Olhe, continua o humilde antigo Escoteiro - Não estou mais vendo escoteiros com os distintivos de Segunda e Primeira classe. Ninguém aqui ainda conseguiu? - Já acabou há tempos responde isto é passado. Agora está tudo moderno, é pista, trilha, rumo e travessia. – Se me dá licença estou muito ocupado.

Ele agora está em dúvida. Mesmo assim insiste e pergunta: - Me diga, não usam o uniforme caqui? Estão todos com uma camiseta e o lenço do grupo com um nó nas pontas. Muitos com tênis colorido e alguns usam chapéus esquisitos de todos os tipos, poderia explicar-me? É assim mesmo, responde. Você como formador está usando um caqui de calça comprida e um chapéu canadense. É isso mesmo? O formador encara o ex-escotista. Olhe o que você vê está no POR e os demais estão com o traje. Já temos também a vestimenta. Nossos líderes nos presentearam com uma estupenda vestimenta. Custa caro? Pergunta o ex-escoteiro. Se você é pobre aqui não temos lugar para você. Acha que existe almoço grátis? Aqui você paga o lenço, o distintivo, o anel os acampamentos. Não acredita que dinheiro cai do céu não é? Ele arrisca uma última pergunta – Sabe dizer quando vai ser o próximo Conselho do Grupo? Gostaria de participar. Não existe isto aqui – responde, você está vivendo no passado. Só temos Assembleias de Grupo e é só para os do grupo, aqui sapo de fora não tem vez.


Ele vai embora. Triste, desacreditado. Acha que não é o grupo onde tanto amou e onde viveu seus mais lindos sonhos e suas grandes aventuras. Quem sabe ele se enganou e um sindicato qualquer montou uma sucursal infanto/juvenil e ele achou que eram escoteiros?

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Como é gostoso sorrir.



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Como é gostoso sorrir.

           Eu sempre tive uma queda por Machado de Assis. Ele sempre foi prodigo em comentar sobre uma vastidão de temas e soube transportá-los para uma realidade que nos toca fundo. Hoje resolvi falar sobre como é gostoso sorrir. Abro meus escritos com o que ele escreveu – “Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas”! Adorável isto. Mas não é bom sorrir? E ver os outros sorrirem então? Lembro que a muitos e muitos anos estava dirigindo um curso Escoteiro e na equipe havia um padre sério que vivia de cara fechada. Todos tinham medo dele e não deixava saudades em suas palestras. – Padre eu falei, porque não sorri para os alunos Escoteiros? – E ele – Uai! Disseram-me que é assim que se procede em Gilwell Park. Ele tinha uma sessão quinze minutos depois. Entrou sério e sisudo. Uma época que os alunos levantavam-se na entrada do formador. Sentaram e ele de cara feia olhava todo mundo. Seus olhinhos miúdos corriam os bancos postados na orla daquela floresta. Todos calados pensando: Que diabo quer este padre? E ele olhando a cara de um por um começou a rir. Seu riso aumentou. Os alunos chefes não entendiam nada. Mas sua risada era contagiante. Ficaram lá rindo por muito tempo. O padre nunca mais foi esquecido e no inicio de outros cursos sempre me perguntavam – O Padre X está na equipe?

         Já me disseram muitas vezes que o salário de um Chefe está no sorriso de suas crianças. É mesmo. Existe algum mais lindo que um sorriso? E se for de criança melhor. Chegar ao seu grupo, ver a alegria estampada, ver o Diretor técnico vindo lhe cumprimentar e sorrir, os demais chefes sorrindo e olhando para você dizendo - Sempre Alerta meu Chefe, alegre em ver você de novo! Tem salário que paga tudo isto? Não tem. Aí você se enche de orgulho e diz em sua consciência, valeu ser voluntário. Ajudando o próximo estou ajudando a mim mesmo. Eu tive a oportunidade de ver belos sorrisos. Já notaram quando saem para uma atividade ou acantonamento? Todos chegando sorrindo e as mães preocupadas? Elas sem saber destoam do conjunto. Mas eles estão sorrindo de orelha a orelha. Muitos dormem nos ônibus e quando lá chegam é aquela alegria. E o Fogo de Conselho? Você já teve a alegria de ficar observando os rostinhos infantis e juvenis a brilharem quando as chamas altas querem tocar no céu? Prestou atenção neles? É Indescritível. Uma hora ou duas horas e eles pregados ali, sentados na grama, olhando sempre para o fogo crepitando e se aparece alguém para um esquete ou um jogral meu Deus! Os sorrisos dobram.

         Não sei por que alguns chefes são sisudos. Cara feia. São até bonitos, mas com seu estilo de chefão é de matar. Quando formam as crianças eles se portam como se fossem os Capitães da Guerra. Dão uma olhada de ponta a ponta e param em alguém que não está como ele deseja. Isto se não gritar pedido que fique firme. Acredito que ele ainda não pegou que o escotismo tem de ter alegria em tudo. Não existe hora nenhuma para ficar sério. Pode até ser uma atividade séria, uma cerimonia séria, um jogo sério (jogo?) não importa. Importa é a maneira de se apresentar e conduzir tudo isto. Amigos sorrir faz parte do bem viver. Já me disseram que sorrir sempre é um ótimo remédio. Os entendidos dizem que isto foi uma grande descoberta científica. Dizem que vale a pena dar uma boa gargalhada. Isto mesmo, ele contagia a quem está por perto e nos momentos difíceis lembrar coisas boas e tentar sorrir mesmo que por pouco tempo ajuda. Muitos comentam que nos piores momentos um sorriso torna as coisas que eram difíceis ficarem fáceis. Uma pesquisa revela o porquê rir é o melhor remédio, segundo os pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra todos estes benefícios só existem quando se trata de um riso de felicidade e de euforia. O riso social, por vergonha, embaraço ou por educação, não tem o mesmo efeito.

             O escotismo é uma fonte inigualável de alegria e satisfação pessoal. Sabendo sorrir e valorizar seus amigos é meio caminho andado. Uma época fui sisudo. Muito. Chegava e todos ficavam calados. Mas a Escola da Vida me mudou. Hoje sorrio muito e poucos acham que estou sorrindo. De vez em quando fico no espelho treinando, mas não é fácil. Gosto de lembrar Baden-Powell sempre. Dizia que sempre foi feliz e gostava de fazer as pessoas felizes. Afinal não foi ele quem colocou lá na Lei Escoteira o Oitavo Artigo? – O Escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades. Veja o que disse o poeta Dinamor: - Quem quiser vencer na vida deve fazer como os sábios: mesmo com a alma partida, ter um sorriso nos lábios. Quer viver mais tempo? Quer se curar rapidamente? Quer fazer do seu Grupo Escoteiro uma família feliz? Coloque um sorriso nos lábios, mas espere um sorriso autêntico, alegre e espontâneo, pois se não for assim todos saberão que você não está sendo verdadeiro.


            Antes de terminar me lembrei de um fato interessante. Estava eu e a Celia (se passou há uns dez anos) em um restaurante (simples não aqueles cinco estrelas) e ouvi uma gargalhada gostosa. Daquelas que a gente tenta dar e não consegue. Ao meu lado um casal novo dizia – Que falta de educação. O maitre devia coloca-la para fora. Virei-me e vi quem estava sorrindo. Nada mais nada menos que Dolores. Uma antiga Chefe de lobinhos hoje com seus oitenta e sete. Levantei-me e fui até a mesa do casal – Meus amigos superem se possível esse inconveniente, aquela senhora tem oitenta sete. Olhem bem ela vai viver mais vinte tranquilamente. Sabem por quê? Porque ela gosta de sorrir, ela enfrenta as dificuldades sorrindo. Completei com Martin Luther King – Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios!