Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

“Pelas barbas do Profeta”. Adônis conseguiu sua Insígnia de Madeira.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
“Pelas barbas do Profeta”. Adônis conseguiu sua Insígnia de Madeira.

                     Ninguém acreditava que ele um dia seria mais um Insígnia de Madeira. Claro, todos sabiam que era um Chefe Escoteiro esforçado. Presente. Seus 25 anos lhe davam um aspecto juvenil. Quem não soubesse diria ser ele um Sênior ou Pioneiro. Foi sim Escoteiro quando jovem. Ficou menos de três anos. Não voltou mais. Um dia viu uma Patrulha em um shopping. Não gostou do que viu. Parecia não ter espírito Escoteiro. Não deviam estar preparados para esta atividade. Os interpelou. Não o levaram a sério. Foi para casa pensando. Criticar não adianta. Porque não voltar a participar? – Voltou. Cheio de gás. Foi bem aceito no grupo. Um ano como Assistente. Não perdeu tempo. Engoliu livros, fez todos os cursos que podia fazer. Era o orgulho do seu assessor pessoal.

                     Com dois anos na tropa assumiu a chefia. Não porque quisesse, mas o titular desistiu. Achou que seu tempo estava sendo usado muito no escotismo e sua família estava sendo prejudicada. Adônis deu tudo de si. Os jovens o amavam e ele amava os jovens. Aprendeu a ser amigo. Aprendeu a ser um irmão mais "Velho". Aprendeu a respeitar. Sem ninguém saber começou a responder o questionário. Na parte prática já tinha feito o avançado. Seu “caderno” foi devolvido. O leitor colocou várias ponderações. Estudou tudo e enviou de novo. Mais uma vez devolvido. Espere mais um ano. Você é novo. Só está no escotismo há três anos. Não concordou. Enviou um oficio – Qual a idade para ser um Insígnia de Madeira? O leitor ficou sem jeito. 

                     Um dia, um sábado apareceu um chefe. Desconhecido. Olá! – disse. Entabulou conversa. Cutucou. Olhou seu programa, conversou com alguns meninos. Não disse para que veio, deveria ter dito. Adônis acreditava que entre escoteiros não existe segredos. A lealdade acima de tudo. O Chefe se foi. Dois meses depois o Comissário Distrital e um Assistente Regional apareceram na sede. Após o cerimonial ele foi chamado à frente. Entregaram-lhe a Insígnia. Ele tremeu. Ficou vermelho. O lenço de Giwell agora adornava seu pescoço. Os demais chefes do grupo o saudaram. Não estavam acreditando que ele conseguiu. A maioria tinha seis sete ou mais anos de escotismo.

                     Adônis não dormiu naquela noite. Pensava – O que muda em mim com este lenço? Sei que muitos me olharão com respeito, mas não sou o mesmo quando não o tinha? Meus conhecimentos não eram o mesmo? Agora irão me convidar para muita coisa no escotismo. Deverão achar que agora sou tutor e não mais tutorado. Só um lenço mudou tudo? Já posso dar curso? Serei aconselhador? Serei chefão? Que lenço é este que só me trás duvidas e não certezas? – Adônis dormiu. Sonhou muito. Teve até pesadelos. Leves, mas alguém lhe tomava o lenço no sonho. Acordou suado. Meu Deus! O que é isto?

                     Passou a ir para as reuniões sem o lenço da Insígnia, usava o do grupo não só nas reuniões como também em outras atividades. Deixou em casa também seu colar de contas. Pretendia fazer um enorme quadro com seu certificado. Desistiu. Cobraram dele sua Insígnia. Ele abaixou a cabeça e não disse nada. Durante meses tentava ser o mesmo. Difícil. O que um lenço não faz. Em minutos após você receber passa para outra dimensão. A dimensão dos que tudo sabem. Mas não era o caso dele. O que ele sabia aprendeu antes. O Distrital mandou lhe chamar. – Soube que não tem usado seu lenço? – Por quê? – Não sei respondeu. – Explique melhor – Ele não sabia o que falar. Queria dizer que era mais feliz antes de ter este lenço. Antes eu dava risadas, brincava com todos e achava que era irmão de todos. Agora tudo mudou. Quando me colocaram o lenço disseram que eu era outro, agora eu pertencia ao Grupo do Giwell, que eu devia agir como um líder IM. Os chefes não mais o olhavam olho no olho Não gostava nada disto.


                     Um fim de semana prolongado resolveu reler o livro O Guia do Chefe Escoteiro de Baden-Powell. Já tinha lido. Ficou o dia inteiro com ele lendo. No sábado seguinte chegou à sede com o lenço e colar. Nunca mais o tirou. Viu que muitos chefes IM em seus grupos usavam o colar com o lenço do grupo. Não fez assim. Amava o Grupo Escoteiro. Todos sabiam disto. Não era usando um lenço do grupo que seu amor iria aumentar. Nunca aceitou nenhum cargo. Nunca aceitou ser considero melhor. Era apenas um Chefe, um Chefe amigo, simples, fraterno, um Chefe como tinha pensado BP no passado. Tinha orgulho do seu lenço, mas seu passado de amigo e irmão dos jovens não ia mudar nunca. Até hoje ele é um portador da Insígnia, mas para seus meninos ele é seu Chefe independente do lenço que usava. Tem mais? Sim, ele nunca aceitou outro cargo fora da tropa. Ali era seu lugar!  

BADEN-POWELL – CIDADÃO DO MUNDO!


BADEN-POWELL – CIDADÃO DO MUNDO!

155 ANOS SE PASSARAM DO NASCIMENTO DE BADEN-POWELL – SEM ELE O ESCOTISMO NÃO EXISTIRIA E O MUNDO ESCOTEIRO NÃ OSERIA O MESMO.

“Em 22 de fevereiro de 1857 nasceu, em Londres, capital da Inglaterra, o menino Robert Stephenson Smith Baden-Powell, que mais tarde seria famoso no mundo inteiro, como Fundador do Escotismo”. 

Hoje uma data histórica, data que mais de 160 países lembra com alegria o nascimento de um grande homem. Acredito que ninguém sobrepujou BP entre os jovens Escoteiros do mundo que festejam hoje a sua moda o nascimento do seu fundador. Seu escotismo é hoje praticado de maneira idêntica e se mantem inalterado sua metodologia. Falar de sua vida, de suas paixões não é preciso. Todos os jovens conhecem sua trajetória nunca igualada.

Apenas para não passar em branco, pequenas histórias de seu passado glorioso:

Baden-Powell foi sempre um apaixonado pela África. Não só adorava este continente, mas também as suas pessoas e a sua cultura. Desde cedo que estudava os seus dialetos, procurando conhecer os povos africanos, respeitando-os como aliados e adversários. BP seguiu de perto o povo Zulu que se impressionou com o jovem militar britânico, sobretudo pela sua coragem e destreza. Este povo atribuiu-lhe vários nomes com base em aspectos da sua personalidade.
 M’hlalapanzi – O homem que faz os seus planos com cuidado;
 Kantankye – O homem do chapéu grande;
 Impeesa – O lobo que nunca dorme;
 Baden-Powell de todos os nomes que os Zulus lhe deram aquele que sempre admirou foi o de Impeesa, por considerar o maior elogio que jamais recebera.
Impeesa é o apelido dado pelos nativos da África do Sul para Baden Powell e significa "O lobo que nunca dorme" e refere-se à grande capacidade que tinha em planejar e perseguir seus inimigos.

QUE SEU NOME SEJA LEMBRADO POR TODA A VIDA COMO NOSSO CHEFE ESCOTEIRO MUNDIAL.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O Caminho para o Sucesso.


Crônicas escoteiras.
O Caminho para o Sucesso.

           Lenin tinha oito anos. Um menino triste e como lobinho não sorria. Estava ali sempre nas reuniões de Alcateia porque sua mãe sempre o levava. Se dependesse dele não voltaria mais. Quando entrou pensou que era o que disseram para ele, mas se enganou. Não ia negar que fez vários amigos e que aprendeu algumas coisas. Quase nenhuma tinham significado para ele. Os chefes exigiam muito e sempre chamando a atenção. Ele preferiria sua professora. Ela pelo menos lhe dava os parabéns quando ele tirava uma nota mais alta. Sua matilha cinza parecia estar sempre cansada e desanimada. Ninguém corria ninguém se interessava. Diversas vezes falou com sua mãe que gostaria de sair. Não estava sentindo nada e nem gostando das reuniões. Sua mãe insistia. Disseram para ela que o escotismo era uma fonte de sabedoria, onde o menino aprende muitas coisas. Insistia para ele continuar. Obediente Lenin continuou.

             Corina ia para as reuniões sem nenhuma motivação. Porque deu sua palavra ao Chefe Jaildes antes de morrer, ainda continuava. Mas por quê? Afinal ela não gostava de seus lobinhos? Podia até ser. No entanto a cada dia mais e mais ela estava desanimada. Até que quando entrou pensou que seria diferente. Nos primeiros meses foi ótimo, mas o tempo foi passando e ela não encontrou o que queria como Chefe de lobos. Mas afinal de conta o que ela queria? O que pensava? Tinha inteira liberdade e nunca foi questionada na Alcateia. Acostumou a ver os minguados lobos e lobas presentes. Eram seis meninos e oito meninas. Dificilmente os 14 estavam presentes. Sempre tinha três ou quatro faltas.  Ela lembrava no passado quando a alcateia chegou a ter 26 meninos e meninas. Foram saindo um por um. Chegou a ter quatro assistentes, mas todos a deixaram na mão. Ninguém quer sacrificar. Só querem “moleza” ela pensava. Ela nunca olhou para dentro de si.

               Marco Polo estava desiludido. Dois anos de lobo e mais dois de Escoteiro pensava o que estava fazendo ali. Devia ter saído. E porque não saiu? Achava que foi porque sempre acreditou que tudo ia mudar. Um ou dois acampamentos por ano, o Chefe levava todo mundo e lá tinha lobos, Escoteiros e seniores. Seniores? Um dia pensou em ser um deles. Agora com treze anos dizia para si próprio que não ia chegar lá. Não via eles fazerem nada. Eram quatro dois rapazes e duas moças. De vez em quando davam um grito de guerra que ser sênior é bacana, que o sênior é o tal, que o senhor desconhece as dificuldades e por aí eles gritavam como se estivessem com sono ou quase dormindo. Chegou a comentar com Rildo da sua patrulha que ia desistir. Nunca falaria com o Chefe Benevides. Ele sabia que ia ouvir o que não queria. O chamaria de fracote e que ali na tropa era lugar para homens de coragem.

              Chefe Benevides era daquele tipo bonachão, sempre risonho. Era caixa de banco e nunca mandou em ninguém. Quando lhe convidaram para a chefia ele pensou que iria gostar. Até que não era ruim. Ver a turma esticada e correndo ao ouvir o apito lhe dava prazer. Mas ele gostava mais era de cursos. Lá todos da sua idade e ele podiam mostrar que era um grande Escoteiro. Adorava fazer amigos, discutia com qualquer um as vantagens do escotismo. Era bem quisto por muitos chefes que o conheceram. Mas sua tropa fazia pena. Insistia em ter quatro patrulhas mistas, mas até a Lobo que sempre a presença era boa estava agora diminuindo. Eram quatro meninos e oito meninas. Nunca a tropa cresceu e ele acostumou em ver patrulhas com dois ou três jovens. E dai? Ele gritava para todos. Aqui é lugar para quem tem fibra, afinal nem todos nasceram para ser Escoteiros. Quem faltar vai para a rua!

            Chefe Galdino tinha 63 anos. Mais de vinte e cinco de escotismo. Julgava-se o tal. Era o diretor Técnico. Mandava em tudo. Determinava o que fazer a cada um. Quando se aproximava um pai ou um interessado em ajudar ele ficava igual ao galo de briga. Bem vindo! Mas quero lealdade, meu grupo só tem amigos. Temos uma disciplina e não saímos dela por nada. Eu serei seu assessor pessoal e vou lhe ensinar tudo. Infelizmente o voluntário quando era encaminhado para uma das sessões desistia logo. Era só conversa atravessada e ele sentia que ali não era seu lugar. Na Alcateia a filha da Akelá fazia o que lhe desse na telha. Seu uniforme cheio de distintivos. Via que ela não gostava de dividir tarefas e nem pedir sugestões. Chefe Galdino sabia que ali era seu terreiro. Ele o galo mandava. O Distrital o admirava. Quando comparecia em reuniões do distrito e da região era festejado como um grande Chefe e dos mais antigos. Ganhou três medalhas. Se ele mereceu ninguém perguntou.

                Jofre sempre quis ser Escoteiro. Jofre não tinha família. Foi criado por uma amiga de sua mãe que sumiu no mundo. Jofre adorava Dona Lena. Estudou muito e se formou como Engenheiro de minas. Viajava muito e foi eleito para ser o Diretor/Presidente da empresa que trabalhava. Agora como executivo ele viajava pouco. Procurou o grupo Escoteiro perto de sua casa. Uma recepção fria, não era o que e esperava. Jofre era um homem instruído apesar dos seus vinte e seis anos. Conhecia bem sobre relações humanas e sentiu que naquele grupo isto não existia. Nem na área militar poderia ser visto o que viu. Jofre não desistiu. Chefe Galdino o olhou enviesado. Via ali um inimigo, mas não aceitar? Deixa-o comigo pensou. Como seu assessor pessoal eu o coloco no lugar ou ele sai daqui com o rabo entre as pernas! Sempre foi assim.

              Jofre não era homem de fugir. Desafios para ele eram como doce de leite que ele sempre comia com prazer. Comprou uma verdadeira biblioteca escoteira. Lia em suas horas vagas e mesmo não concordando com as normas do Regimento Interno ele fez dele seu amigo de cabeceira. Esperou pacientemente o dia da Assembleia de Grupo. Como não viu nenhum comunicado interpelou o Chefe Galdino. – Não fazemos sempre. Mas este ano é de eleição e vai ter. Jofre sabia que ele era o dono de tudo. Nas sessões os chefes também não abriam mão. Não davam valor aos assistentes. Não havia reuniões de Chefes de Grupo. A tropa definhava e a Alcateia também. Conversou com alguns pais insatisfeitos. Montou as claras uma diretoria. Um susto para o Chefe Galdino. Nas assembleias sempre comparecia um numero mínimo. Poucos pais compareciam. Naquela assembleia ele se assustou mesmo. Nunca viu tanta gente. A diretoria do Chefe Jofre foi eleita com folga de votos.

              Chefe Galdino chorava num canto. Chefe Jofre foi até ele e lhe deu a mão. – Preciso de você, você é importante no grupo. Um abraço sincero e Chefe Galdino de olho aberto aceitou continuar. O grupo cresceu. Em dois anos já estava com um efetivo de mais de oitenta membros. A chefia cresceu. A Akelá Corina não aceitou a nova liderança. Chefe Benevides não quis perder seu status. Lenin hoje é Escoteiro e vibra com sua patrulha e sua tropa. Marco Polo é sênior e adora dar o grito de guerra com eles. Tudo mudou da água para o vinho. Chefe Jofre era um democrata. Nada fazia sem consultar a todos. As reuniões de chefia passaram a ser toda primeira sexta feira do mês. A frequência do grupo aumentou. No ano anterior só seis jovens entre oitenta existentes saíram do grupo. O distrito a princípio ficou de olho. Afinal o distrital também era daqueles que não passavam o bastão a ninguém. O mesmo na Região.
       

Já dizia Zíbia Gasparetto que a vida nunca pune. Ela ensina do seu jeito. Sinaliza de diversas formas, tenta advertir as pessoas provocando situações nas quais ela pode perceber a verdade, mas para os resistentes, que se acomodam e não querer mudar, ela permite que colham os resultados de seus enganos para que aprendam o que já estão maduros para saber. A verdadeira família é aquela unida pelo espirito e não pelo sangue. Aquele grupo hoje se orgulha em ser uma grande família. Escotismo é assim, ser franco sem ser egoísta, mesmo a contragosto tentar o máximo aceitar as pessoas como são, mas orientando quanto ao melhor caminho. Fim.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

João Papudo que morava nas florestas verdes do Brasil.


Lendas escoteiras.
João Papudo que morava nas florestas verdes do Brasil.

            O aviso estava dado. Chefe João Soldado (era sargento, mas o apelido pegou) autorizou. Batista nosso intendente logo nos disse que não nos preocupássemos. O material estaria pronto em vinte e quatro horas. Platão o cozinheiro iria entregar a lista de mantimentos para cada um dia seguinte bem cedo. Tudo era dividido. Pedrinho o Monitor sorriu de orgulho da patrulha. Todos sabiam como e quando deviam fazer. – Sairemos na quinta pela manhã. Vamos aproveitar bem o feriado. A reunião de patrulha acontecia na casa do Mino Pastel o sub. monitor. Seriam quatro dias bem aproveitados. Destino? As Florestas Verdes do Brasil. Que nome eim? Mas foi Ditinho quem a batizou assim. Estivemos lá duas vezes. Na primeira vez ao chegarmos ao cume do morro do João Papudo ficamos abismados. A floresta era verde, um verde musgo lindo, no seu seio muitos Ipês das flores amarelas. – Ditinho, para ser o Brasil falta o branco e o azul, eu disse. Ele riu. Vado Escoteiro O céu meu amigo e as nuvens em sua volta.

         Ninguém nunca esqueceu João Papudo. Ele tinha no pescoço um papo enorme. Hoje chamam de Bócio que é devido ao aumento da glândula tireoide. Fácil de operar nos dias de hoje, mas naquela época não. Ficou nosso amigo pelo simples fato de o cumprimentarmos, tomar café com ele e comer sua “brevidade” uma das melhores que já comi. Ninguém gostava dele. Logo ele uma alma de Deus. Só por causa do papo no pescoço todos tinham medo e asco. Um absurdo. Na primeira vez que chegamos lá para acampar assustamos. Ele estava na porta com uma foice enorme. Ninguém se mexeu. – Um café? Ele disse. - Porque não? Respondeu Pedrinho. Daí para a amizade foi um pulo. Ele queria conhecer o grupo e a escoteirada. –Apareça amigo, será bem recebido. Nunca foi. Quando ele precisava fazer compras ou vender suas plantações só ia à cidade à noite, e enrolava no pescoço um cachecol para ninguém ver sua deformidade.

           Foi Motosserra, isto é o Lorenzo o escriba da patrulha quem deu a ideia de uma vez por mês fazermos uma campanha do quilo e levar para ele. Na primeira vez chorou e disse não. Ele não merecia. Não falamos nada. Deixamos lá e voltamos. Pedrinho colocou em votação qual o melhor local para acamparmos naquele feriado prolongado. Foi descartada a Lagoa da Lua Branca, a montanha do Gavião, o vale do Esplendor e as campinas da flor vermelha. Eram ótimos locais, mas as Florestas verdes do Brasil ganhava de longe de todas e iriamos saudar nosso amigo João Papudo. Dito e feito, seis da manhã café no papinho, pé no caminho. Sete e meia a bordo das nossas máquinas voadoras chegamos. Na porta ninguém. Estranhamos. João Papudo sempre estava lá nesta hora. A porta estava aberta e chamamos. Nada. Entramos, pois ficamos preocupados. João Papudo estava gemendo e suando na sua cama de palha. Seu corpo tremia. No chão vimos muita água e sujeira, sinal que ele estava ali a mais de dois dias.

          O que fazer? Sabíamos que nosso acampamento nas Florestas Verdes do Brasil foi para o brejo. João Papudo tinha prioridades. Nunca iriamos deixá-lo ali a mingua e sem ninguém. Tinhamos que levá-lo urgente para o Hospital Santa Inês, o único da cidade. Mais de quinze quilômetros. Patrulha boa não se aperta. Luiz Nantes o Porta Corrente, nosso Sinaleiro e socorrista deu a solução. Mãos a obra. Duas horas e estava pronto. Fizemos uma maca com o toldo da cozinha, cada ponta amarramos em uma bicicleta. Usamos quatro e pé na taboa. Antes das onze estávamos na porta do hospital. Não o deixaram entrar. Ninguém se arriscou a ir ver o que se tratava. Pedrinho correu a chamar o Chefe João Soldado. Estava na sede do batalhão e veio correndo. Ameaçou, xingou fez tudo e eles nem deram bola. Foi até a casa do Juiz Ponderado e nada. Chamou o Delegado Praxedes e nada. Uma enfermeira Dona Adelaide nos chamou e deu uns comprimidos. Quem sabe ajuda? Com nosso cantil fizemos João Papudo tomar.

          Os Escoteiros e seniores do grupo estavam chegando. Uma aglomeração se fez. – Vamos levá-lo para a porta da prefeitura. Se o prefeito não tomar providencias ele vai ver com quem estão se metendo, disse o Sênior Jovialto, nove anos no grupo. Um mestre na ação no grupo. Aliás, tínhamos poucos amadores. O prefeito chamou a policia. Chefe João Soldado era policia. Nem deu bola. A patrulha Touro correu a sede e trouxe um enorme toldo da chefia. Armado com rapidez no jardim da prefeitura. Uma cama foi improvisada. João Papudo era tratado pelos Escoteiros na porta da prefeitura. Doutor Melão o prefeito foi lá reclamar. Pé de Pato um lobinho segunda estrela pegou na mão dele. – Doutor prefeito, venha ver como ele está. Afinal o senhor não tem coração? Ele deu meia volta e sumiu nas salas da prefeitura.  O povo aglomerava na praça em frente. Doutor Noel um medico antigo na cidade veio ver João Papudo. – Malditos disse – Um simples bócio faz dele um homem marcado? – Venham comigo a minha clinica.

               A história termina aqui. Doutor Noel tratou dele e conseguiu uma internação para operar na Santa Casa da Capital. Dois meses depois eu estava recebendo meu Correia de Mateiro. Orgulhoso, já tinha o cordão dourado e o vermelho e branco. Esperando a Primeira Classe. Poucos conseguiam. Tinham de ralar para conseguir. Todo mundo olhou para o portão. Eis que ali estava João Papudo em carne e osso. Agora não tinha mais o papo. Orgulhoso levantava a cabeça como a mostrar – Nunca mais! Doutor Noel, vocês e Deus me deram a alegria de viver. João Bonito (mudamos o apelido dele) entrou na ferradura, foi saudado com uma enorme palma escoteira. Não teve jeito, chorou igual menino. Fez questão de dar um abraço em cada um. Abraço gostoso, sincero, amigo.


             Seis meses depois João Bonito fez a promessa. Nunca vi ninguém chorar assim. Vá lá, uma promessa é uma promessa. Nossa tropa ganhou um novo assistente. João Bonito era um novo homem. Trabalhava durante o dia na prefeitura (o prefeito com vergonha e não querendo perder as eleições o admitiu como auxiliar geral) e a noite estudava. Três anos depois terminou o curso Técnico em Contabilidade. João Papudo perdeu o papo, mas ganhou uma cidade. Hoje e feliz cortejando Dona Mocinha uma alegre e linda jovem do Bairro Tatu Bola. Ficou um Chefe Escoteiro todo pomposo. As Florestas Verdes do Brasil tiveram nossas presenças por muitos anos. A casa onde João Bonito morava foi jogada ao chão para uma nova estrada até Muzambinho. Histórias que se foram histórias de Escoteiros. E quantas mais por este Brasil imenso?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Cascudo um Escoteiro sonhador.


Lendas escoteiras.
Cascudo um Escoteiro sonhador.

       O ônibus parou no ponto e desci. Meu tempo era curto, portanto não podia ficar olhando aqui e ali. Estava na Av. São João e mais dois quarteirões eu iria encontrar a Rua Santa Efigênia. Talvez pela pressa eu dei um esbarrão forte em um transeunte e ele olhou-me desaforado. Não queria briga e pedi desculpas. Ele que tinha caído no chão levantou e me encarou. Poxa, pensei! Não vim aqui para isto. O desconhecido deu um belo sorriso – Monitor! É você? – Olhei para ele. Não reconheci. Estava de terno, um sujeito forte, cabelos negros bem penteados. O danado até que era simpático. – Desculpe amigo, pelo jeito estivemos juntos no passado no escotismo. Ele deu belas risadas chamando a atenção de outros que passavam. – Olhe bem Monitor! Sou eu, Josiel de Arimatéia a que você e os outros da tropa chamavam de Cascudo! Caramba, como ele mudou, agora eu me lembrava de nosso glorioso passado. Ele se aproximou de mim bateu os calcanhares e gritou bem alto: – “Sempre Alerta Monitor”! Quem passava sorria.

       Nos abraços efusivamente – Vamos beber alguma coisa. Eu pago ele disse. Na esquina bem proximo a Avenida Ipiranga encontramos um barzinho aconchegante. Olhei para ele, se transformou em um homenzarrão bem mais alto que eu. Ele ria de satisfação – Monitor! Como foi bom encontrá-lo. Quanto tempo eim? – É meu amigo – falei. Muito tempo. Mais de quarenta anos. E você me fale de você – eu disse. Monitor eu ralei muito neste mundo. Você deve se lembrar do meu pai um pobretão. Coitado. Mas me formei e hoje sou Promotor de Justiça. – Nossa! Pensei. – Que bom eu disse. Mas desistiu do escotismo? Lembro que você era um entusiasta. – Olhe Monitor, acho que você sabe, é muito difícil entrar e participar de um Grupo Escoteiro como o nosso no passado. Enquanto estudava nem pensei em procurar um grupo depois quando me formei achei que podia ajudar. Ele riu e continuou – Mas eles não querem ninguém como eu. Preferem pessoas mais humildes que não discutem muito. – Pensei comigo como as coisas mudaram.

      - Mas Monitor não vamos falar sobre isto. Porque não se lembrar daqueles tempos? – Porque não pensei. – Olá posso me sentar com vocês? Olhei e vi um senhor de uns sessenta anos cabelos grisalhos, óculos de grau bem grossos e uma bengala – Não estranhem meu pedido ele disse. Também fui Escoteiro e sênior. Estive na luta pelas estradas da vida e só me dei conta que era hora de parar a cinco anos passados. Cansei. Estava solteiro, não tive ninguém ao meu lado. Tentei como você entrar em um grupo. Sempre amei o movimento Escoteiro, foi ele quem me deu a força para enfrentar tudo que enfrentei. – Ele já estava sentado. – Não parou por ai, outro sentado numa mesa próxima sorria. Deu-nos o sinal de Sempre Alerta. – Posso participar com vocês? Claro eu disse. Quatro antigos Escoteiros se encontrando por uma cisma do destino. Cada um querendo lembrar e contar histórias do seu passado. Todos dizendo que não se adaptaram ao escotismo de hoje. Tentaram mas viram que eram peixes fora d’água.

        Mas bons Escoteiros não ficam reclamando. Eles quando se encontram é para contar causos e causos. Lembrei-me de um Chefe que me enviou um convite -
Chefe! Aguardamos sua visita. No meu grupo o senhor vai poder contar muitas “historinhas”. Ri a valer. Contar “historinhas”! Sei que quando começamos a contar nosso passado era onze da manhã. Agora passava das seis da tarde. Cada um telefonou para sua cara metade explicando. Não guardei o nome de todos e eu pouco falei. Quantas histórias foram contadas. As noites das cobras, o vale seco, o Calcanhar de Aquiles onde todos tinham medo de ir, o Delegado que prendeu uma patrulha inteira, quinze escoteiros correndo de seis emas selvagens, e assim foi até o cair da noite. Pensei comigo que não era só eu o contador de histórias. Todos aqueles antigos Escoteiros também tinham a sua.

        Se quatro antigos Escoteiros em um pequeno bar tinham tantas coisas para contar quem diria se estivessem em uma floresta, numa clareira qualquer, uma noite sem lua e o céu estrelado eles contariam histórias a noite toda. Nos olhos de cada um eu via a chama da esperança, a vontade de voltar no passado, às saudades que machucam, mas que ajudam a viver. Ninguém comentou sobre suas dificuldades atuais, sua vida familiar ou profissional. Ali os quatro saudosos só lembraram-se do passado. Ah! Os poetas, sempre eles para nos dizerem tudo do passado, a dizer que saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que no machuca, é não ver o futuro que nos convida... Aguinaldo Silva escreveu isto. Melhor é ler Confúcio dizendo que a experiência é uma lanterna dependurada nas costas que apenas ilumina o caminho já percorrido. Quem sabe ao partir uma pequena lágrima rolou docemente nos rostos daqueles velhos Escoteiros.

       Cheguei e em casa quase meia noite. Pelo meu sorriso a Célia sentiu que eu estava feliz. Contei para ela o encontro com Josiel de Arimatéia, o Cascudo, um escoteiro da minha patrulha, contei do Geraldo Nonato que nunca vi e que devia ter sido um grande escoteiro e do Leandro Farias um Velho Escoteiro como eu. Ela me ouviu com um olhar gostoso e um sorriso carinhoso. Existem muitas felicidades que não vemos. A maior delas é estar ao lado de uma criatura maravilhosa que sempre me apoiou. Uma grande companheira, a mulher que amo. Não esperem muitas aventuras neste conto simples. Comecei do nada e termino com a história de um grande amor. Um não são dois. O primeiro minha linda esposa querida e o segundo meu escotismo maravilhoso. Ambos jamais esquecerei!

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Meu melhor curso escoteiro foi com os monitores.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Meu melhor curso escoteiro foi com os monitores.

Ei Chefe, não é uma pegada de um Quati? – olhei com calma, nunca tinha visto, mas se o Escoteiro dissera eu acreditava. Paramos, analisamos o peso, as passadas e assim fomos aprendendo a seguir pistas de animais. Eu e meus amigos monitores e subs. Junto a eles eu estava na melhor escola escoteira que tinha conhecido. – Chefe? É um ninho de Inhambu? Dizem que ele não se preocupa muito e junta umas folhas próximo a uma árvore disse Niltinho um Monitor da Gavião. Nunca fui expert em ninhos só sabia que Gill um sub Monitor um dia me contou que o ninho do João de Barro dava uma mão de obra danada para o casal. Barro húmido, esterco e palha. Fazem centenas de viagens para terminar. Mais ou menos com 30 cm de diâmetro. O casal de João de Barro amassa as bolas de barro com os pés. Tem área para colocar os ovos, tem porta de entrada sempre em direção contrária a da chuva e de difícil acesso para predadores. Nunca usam a casinha mais de uma vez. Após o crescimento dos filhotes eles voam para outras plagas. Os monitores me olharam espantados. Ficamos ali naquela floresta conversando sobre pássaros por muito tempo e como aprendi.

       Ei Chefe, sabe o Zózimo? Olhei para Bob Low um Monitor da Quati. O que tem ele Bob? Na eleição passada ele foi eleito Monitor e não queria – Por quê? Perguntei. Ele disse que ser Intendente/almoxarife era melhor. – Não acreditei e insisti – Como? Ele acha que o intendente é a alma de uma patrulha. Um bom acampamento depende dele, se faltar material ele é culpado. Se sumir ele é culpado. Se alguém precisa tem de falar com ele. E ele se preocupa muito com material que some no campo. Os escoteiros pata tenras são mestres. Vão cortar um bambu e o facão hó! E olhe Chefe ele me disse que sua barraca de intendência tem tudo. A alimentação fica fora das formigas e animais do campo. Lazinho o Cozinheiro o adora. Sabe que ele é chato, pois quer as panelas nos trinques. Nada de carvão! E eu sei que nem precisa falar com ele o que levar no acampamento. Ele sabe o que deve ser levado para um acampamento longo e um curto. Mas Chefe, se não fosse ele nosso material já teria sumido e estragado. Ele fez até um curso de barracas!

      O que eu mais gostava era a conversa ao pé do fogo. Cada um se abria, contava histórias, falava dos seus amigos, das namoradas que se olhavam de longe, dos seus pais, da escola e dos seus sonhos. Chefe ficou sabendo que o Lindolfo da Pantera
jurou que ia ser médico? Disse Matusalém da Anta. Era o nosso enfermeiro e aproveitava também para ser o bombeiro e lenhador. Era outro que Lazinho cozinheiro adorava. Nunca faltava lenha seca e agua à vontade. Seu porta lenha era perfeito. Podia chover canivete. Ele era um bamba e sabia escolher a melhor lenha, aquela que durava mais. Cozinheiro que se preza não fica sem um bom bombeiro e lenhador se não fica soprando o todo o tempo e os gravetos finos do fogão com os olhos cheios de lágrimas. Risos. Quer saber? Eu nem sabia disto. Eles é que me ensinavam. Uma patrulha que alguém preferia ser o intendente? - Foi Joel quem contou sobre Lazinho o cozinheiro. Ele Chefe é demais. Sabia surpreender a patrulha com suas iguarias. – Chefe ele encheu as “paciências” de sua mãe. Aprendeu tudo. Era um mestre cuca como ele gostava de ser chamado dos melhores. Chegou a fazer um forno de barro!

      Uma vez resolvemos fazer uma mesa com toldo e bancos reclináveis. Queríamos bater todos os recordes de tempo na construção. Claro eu sempre deixei que eles começassem que discutissem entre eles como iam fazer projetos e coisa e tal. E corta daqui, e corta dali o madeirame estava pronto. Ajudei pouco. Sabia bem as amarras. Sabia do acabamento, pois era uma exigência entre os Escoteiros. Fui ajudar somente na costura de arremate no tampo da mesa. Nem peguei no cipó (se tivéssemos cipós nada de sisal) e um Monitor logo disse – Chefe, não é assim. Veja se fizermos certos e damos no final um arremate perfeito com um volta de fiel duplo à tampa sempre vai ficar firme! Eu nos meus tantos anos sorria. Contradizer? Nunca. Eles eram meus mestres meus formadores.

        - Chefe! Que tal fazermos um programa diferente nas férias de julho? Humm! A última surpresa deles nós caímos numa gelada. Um frio de rachar. Bob Low riu, pois nunca esqueceu o frio que passamos. Chefe está na hora de aprendermos a fazer fogo. Fogueirinha de fogão e Fogo do Conselho todo mundo sabe. Lembra-se do acampamento nas Montanhas geladas do Rio Pequeno? Morremos de frio porque éramos uns pata tenras. – Concordei com ele. – Pois é Chefe, poderíamos treinar muito como evitar isto, eu li muito sobre fogo Espelho. Garantem se bem feito no frio pode se dormir de short sem camisa! Sabendo a técnica e ter cuidado para medir a distancia e não colocar fogo na barraca! E eles riram a valer.

       Eu posso dizer que meus melhores cursos foram com meus amigos monitores. Aprendi muito com eles. E trocamos tantas ideias e aprendemos tanto uns com os outros e sempre de comum acordo. Amigos são assim. Sempre fazer e insistir a acertar quantas vezes for preciso. Lembro que um deles resolveu surpreender em um fogo de conselho. Uma bola de papel bem encharcada de querosene, um galho em forma de F encurvado e pequeno para correr preso em um cipó ou sisal segurando a bola de fogo que na imaginação dele iria surpreender todo mundo. Ele todo posudo, em frente ao fogo, todos nós sentados em volta e ele gritou: - “Que os ventos do norte! Que os ventos do sul” Quem os ventos do este e do oeste nos traga hoje o espirito da paz e que BP nos guie pelas sendas da vida e que Deus nos proteja! Ascenda-te fogo! E a bola de fogo que foi acesa por outro encarapitado em uma arvore, desce a toda velocidade até onde esta o fogo e as chamas sobem aos céus!

         Quem sabe se não fosse por eles eu não saberia do valor de uma patrulha, de um patrulheiro intendente, de um bombeiro lenhador, de um cozinheiro, do sanitarista, do aguadeiro, do construtor de pioneirias e de tantos outros. Foram eles que me ensinaram e com eles fazendo e ouvindo eu aprendi. Lembro-me de uma noite de fogo de conselho onde resolvemos trazer o espirito da floresta na forma da Lei Escoteira. Foi lindo. Fico pensando se todos são como eu. Aprender com eles, sentar a moda índia em um fogo estrela, comer uma batata quente, beber um café do bule e deixar que eles cantem que eles riem de suas piadas, que eles inventem aplausos, canções e que a noite para eles seja uma criança. Deixar que eles mesmos possam contar estrelas, descobrir novos caminhos e assim quem sabe, eu no alto da minha enorme idade voltarei a aprender com eles na tenra idade de um escotismo que resolvi adotar. Aprender com monitores! Uma técnica que poucos até hoje conseguiram enxergar!


Meus melhores cursos foram com meus amigos monitores. Aprendi fazendo e vivendo situações divertidas e que me valeram muito pelo resto da minha vida!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Aprender a fazer fazendo.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Aprender a fazer fazendo.

           O método escoteiro é único e foi copiado por muitos, principalmente organizações educacionais e até setores de áreas comerciais e industriais. BP foi realmente benfazejo em suas ideias. Ele sempre enfatizou que nós chefes escoteiros, devemos fazer de tudo para que os monitores conduzam a própria patrulha sua moda. Quando um escotista está sempre olhando se preocupando, não deixando que eles façam sempre para aprender, é um erro e foge completamente do mais puro e mais correto método do Aprender a Fazer Fazendo. Aprender a fazer fazendo. Tão simples e muitas vezes esquecido. Hoje as escolas, organizações e até universidades estão fazendo isso e estão tirando proveito, mais que nós escotistas cujo fundador foi o idealizador do método. E ainda tem alguns educadores que nos chamam de um movimento atrasado e ineficaz. Afinal existe maneira melhor para aprender? Errar quantas vezes for até fazer o certo?

         Existem diversas maneiras para fazermos isto. Primeiro, dando a eles toda a liberdade para programar o programa, ficando a cargo da chefia somente elementos surpresas, alguns jogos e condições físicas e ambientais. Outro dia, comentava com um jovem sênior, sobre o programa da tropa, e ele me dizia que a chefia fazia tudo. Perguntei se ele não opinava e me disse que não, pois assim havia surpresa no programa. Finalizei perguntando se no ano anterior quantos entraram e quantos tinham saído? Sua resposta – Somos somente quatro. Os demais saíram e ninguém entrou. Aí veio a realidade. Ali nunca foi dada aos seniores a liberdade de aprender a fazer fazendo. Tanto fizeram para eles que resolveram sair.

        Uma guia me respondeu que nunca pensaram em fazer nada. O chefe fazia tudo, assim ficava mais fácil. Elas não tinham de se esforçar, havia sempre um ar de mistério e todos gostavam. Perguntei como sempre, - Quantos vocês eram no ano passado? O mesmo número de hoje, somos seis, claro, saíram quatro e entraram quatro. Não perdemos nada! Como não existem bons programas que despertaram seus interesses e os mantenham na ativa, ficam sempre comentando, programando, e contando os dias de alguma atividade regional ou nacional. Nestas atividades a patrulha praticamente não existe como unidade. Não tiveram outra em suas tropas que marcaram e pedem bis. Ali nessas atividades eles se realizam, não pelo programa em si, mais pela amizade e fraternidade. Ali nada farão a não ser divertir. Tudo já está pronto, até as refeições. A Direção programou tudo. Desde a chegada ao término. Tudo feito de antemão. Eles serão um Bon vivant. Ou seja, “Comemos e bebemos, a Deus agradecemos”.

        Sempre em toda minha vida escoteira, tentei mostrar as vantagens de deixar os jovens fazer. Seja em seu crescimento individual, sua evolução técnica, e lembrava que todos, escoteiros e escoteiras tinham e tem em seus bairros amigos de infância, que se encontravam sempre, faziam seu próprio programa e ficavam eternamente juntos. Nenhum deles jamais reclamou do programa que planejaram ou fizeram. Em recente artigo comentei sobre o programa da tropa. A patrulha tem condições para fazê-lo. Muito mesmo. Claro, não todo ele, mas boa parte sim. E alguns até me disseram que o programa seria ruim, e eles poderiam não gostar. Mas você já tentou? Pelo menos tentou? Agora não é somente em uma ou duas reuniões que você vai conseguir motivá-los. Isso é como se fosse uma pescaria. Tem de escolher a isca, a vara e o local onde vai pescar.

       Pela experiência de observador vi que os jovens que fazem seu próprio programa, ficam mais tempo no escotismo. Facilitam sobremaneira o desenvolvimento de uma atividade, onde a técnica e o conhecimento adquirido é desenvolvido de maneira impar. Se você usa bem a Corte de Honra, se sua tropa faz semanalmente um Conselho de Patrulha e se você tem sua patrulha de monitores bem formada, você sabe como é. Sucesso na certa.  É comum encontrarmos escotistas construindo pioneirias e os jovens formados em circulo olhando ou dando ferramenta ou madeirame. Ele esqueceu que já é formado na escola da vida e não é essa a maneira certa de praticar o sistema de patrulhas. Ficar mostrando que sabe fazer ou é um mestre mateiro, não é o caminho. Inclusive um me disse que assim é melhor, pois os escoteiros podem ver como fazer e aprender no futuro. Não pegou nada.

      Esqueçam o “Não vai dar – É impossível – Eles não sabe escolher e programar” isso não é verdade. Claro não é de um dia para outro que o chefe terá os resultados esperados. Aprender a pescar demora. Talvez o chefe que ainda não conseguiu não deu a isca certa.


      É preciso lembrar que nosso movimento tem características próprias. Colocar jovens em forma, marchar, perfilar, saudar, gritar e cantar qualquer um com boa postura e voz de comando consegue. Mas esse não é o chefe que esperamos ter. O chefe que precisamos é aquele calmo, não grita, fala pouco, confia e é um irmão mais velho, um aconselhador, tutor, não o dono de tudo. E ainda tem aqueles que dizem – Esta é minha tropa, esta é minha patrulha, este é meu monitor, esta é minha escoteira. Caramba comprou tudo? Experimente. Dê um prazo para você e para eles. Com o tempo irá se surpreender. Se mostrar aos monitores onde devem chegar, eles chegarão lá sem sombra de duvida. Confiar faz parte do método. Quem ensina e adestra é o monitor. Você sim é o monitor dos seus monitores.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Nas asas da imaginação.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Nas asas da imaginação.

       Mamãe! Por favor, não chore! Eu disse que voltarei mamãe, eu não vou para a guerra, eu vou acampar e já volto. Irei aprender a ser homem Mamãe! A senhora ouviu o Chefe falar, que aqui é uma escola de honra! Aqui se aprende a sermos ético e verdadeiro, pois agora eu sou um escoteiro! Não foi ele quem disse que todos nós um dia iremos andar com nossas próprias pernas Mamãe? A senhora não quer me ver crescer e depois se alegrar em saber que sou um homem de caráter? Eu vou acampar minha Mãe. Eu vou pisar nas terras puras do meu país, vou sentir a natureza em meu coração. Deixe que leve seu espírito comigo, me dá um beijo e um abraço e enxugue estas lágrimas. Elas estão fora de lugar. Minha querida Mamãe reze por mim e por meus amigos. Peça a Deus que ele nos proteja, pois ele nunca deixou de proteger os Escoteiros. E quando voltar Mamãe eu estarei sujo por fora quem sabe apesar de que o Escoteiro está sempre limpo, mas se isto acontecer não se preocupe, estou aprendendo a ser homem.

        É Mamãe, agora sou um Escoteiro, e isto significa muito. Poderei olhar as águas do oceano de outra maneira. Vou entender porque as ondas do mar batem na praia, Irei entender as gaivotas que voam pelo céu azul. Irei aprender a beber na cuia onde fica a nascente, a pureza daquelas águas que nos dão a vida. E sabe Mamãe, vou dormir em uma barraca junto aos meus companheiros e me deliciar com os sons da floresta. Afinal Mamãe não diziam os poetas que sem sonhos, a vida é uma manhã sem orvalhos, um céu sem estrelas, um oceano sem ondas, uma vida sem aventura, uma existência sem sentido? Ah! Mamãe! Enxugue estas lágrimas, seu filho vai partir, mas vai voltar. São poucos dias e eu pensarei em você. Nunca vou esquecer a minha querida mãezinha. Você sabe que sempre estará em meu coração.

        Quero chegar à floresta e ver as aves que moram lá, quero ver os peixes que pulam na lagoa encantada, quero andar nas trilhas da imaginação e ver as pegadas dos animais. Como deve ser belo Mamãe poder sentir a brisa da madrugada, olhar o nascer do sol, o cantar da passarada vai ser um doce amanhecer. Mamãe deixe eu lhe dar um beijo, neste teu semblante preocupado, nesta tua tez franzida, nos seus olhos molhados e pedir para sorrir. Sorria mamãezinha querida, seu filho já vai crescer. Ele vai aprender a cozinhar. Pode Mamãe? Será que vou gostar? Ah! Mamãe eu acho que vai ser o máximo em minha vida. Vou poder sentir o aroma das flores, flores que aqui nesta cidade não vejo mais. Irei subir em uma montanha e avistar o mundo aos meus pés. Poderei gritar para as nuvens que agora sou uma delas. Quem sabe bem lá do alto irei ver o Gavião passar?

        Mamãezinha meu amor, te amo demais, mas preciso enfrentar a vida. Um dia eu vou crescer e preciso aprender as maneiras de viver como um homem respeitado. Quero aprender com a natureza o que aprendi com a senhora. Sabe Mamãe, me contaram tantas coisas que eu quero viver também o que os outros viveram. Quero fechar os olhos e ver o som de uma bica gelada, beber a água da fonte, sentir seu sabor, deixar a bica dos sonhos molhar meu rosto alegre. Pois é mamãe, pense no seu filho feliz, junto aos seus companheiros, eles são bons Escoteiros e brincam de aprender a crescer. Eu quero também contar estrelas, pois eu nunca contei. Vou descobrir onde fica a constelação de Aquarius, quem sabe verei a Gemine o Caranguejo, do Escorpião eu terei medo, nossa Mamãe são tantas. Mas já conheço o Cruzeiro do Sul no hemisfério celestial sul. São tantas coisas no céu que penso que ele é imenso demais Mamãe.

         E o tal fogo de conselho que eles falam muito? Acho que amarei demais. Ver o fogo esvoaçante, querendo andar pelo céu, as labaredas brilhante a fazerem escarcéu. E as palmas minha Mãe? Dizem que elas são lindas, e as esquetes nunca esquecidas as risadas coloridas, alguém a gritar! – Sou o próximo! Disseram-me que farei parte em uma. Vai ser a primeira vez. E os aplausos Mamãe eu sei que serão demais. Pois eu vou me preparar com alegria e quem sabe serei um ator por um dia? É Mamãe dizem que no final do fogo todos choram, mas é de alegria, eles dão as mãos entrelaçadas e cantam uma canção tão linda que tenho de decorar! - “Não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus”!  

        O último beijo de hoje Mamãe. O Chefe está chamando, a patrulha me esperando e tenho que partir. Irei acampar nos montes, nos altos dos horizontes para aprender ser alguém. Voltarei de novo a casa e serei um homem digno, a senhora pode acreditar. Sabe Mamãe uma estrofe de um poema que não esqueço? – “Mamãe, um dia fiz a promessa, a todos eu prometi, que seria homem honrado, e do escotismo uma apaixonado, subindo lá nas alturas, em busca de aventuras, que só podemos encontrar no meu escotismo amado”. Adeus Mamãe preciso partir, você que fica não chore com minha brusca partida, e se um amigo me procurar diga a ele onde estou. Que ele coloque a mochila aprume sua bandeira e cante uma bela canção, com um belo sorriso no rosto, e corra para me encontrar.


Adeus Mamãe, adeus não até logo, pois logo eu voltarei!

O Jornal do Grupo. 09 de fevereiro de 2014 – n.1


O Jornal do Grupo.
09 de fevereiro de 2014 – n.1

Pequenas noticias que aparecem no cotidiano escoteiro e que iremos publicar aqui semanalmente no Grupo Escotismo e suas Histórias. Se tiverem outras notícias e quiseram publicar, enviem para meu e-mail. Elioso@terra.com.br.

A LONA – A Região de São Paulo aceitou convite da FIFA para a retirada da lona do estádio após o termino das solenidades de abertura da Copa. Devido ainda ao baixo índice de adesão da nova vestimenta, determinou-se que todos portarão o uniforme Caqui. (Sempre lembrado e nunca valorizado pelos dirigentes) A Região vai ainda determinar como serão escolhidos os 250 participantes. Em principio serão jovens. Comentou-se que após a retirada da lona serão servidos lanches e sucos. Nada foi dito se eles terão direito a assistir ao jogo de abertura.

JAMBORE – Já existe uma euforia por parte dos jovens para participar do Jamboree em Natal Rio Grande do Norte em janeiro de 2015. Este estado teve um dos maiores índices de crescimento do efetivo Escoteiro no Brasil nos últimos três anos, superando estados do sul e sudeste. Muitos jovens reclamam dos altos custos para participar e outros penam para ver se podem fazer alguma poupança até lá. Pois é, e dizem por aí que no escotismo brasileiro a participação de pobres ricos não tem diferença. “Engana-me que eu gosto”!

PESQUISA – O Grupo Boy Scout do Facebook iniciou uma pesquisa para saber o que pensam seus amigos do novo traje que tem dado o que falar. Em poucos dias 76 participantes disseram ser contra, 24 a favor e 7 contra. Será que isto não vai de encontro o que disse nossos dirigentes que existem enorme aceitação da nova vestimenta?

CALOR – Neste verão uma onda de calor tem sido uma norma nos estados do sul e sudeste. Soube que as reuniões de sessões para aqueles que não possuem sombra em suas sedes tiveram os programas alterados. Enormes mangueiras foram superpostas em partes altas e a meninada se diverte como se estivesse chovendo. Ver para crer! (Vou procurar um grupo próximo para participar desta chuvarada. Rarará!)

UM SALTO PARA O SUCESSO – O Grupo Escotismo e suas Histórias tem crescido a olhos vistos. Em pouco tempo já está chegado proximo aos 13.000 participantes. O grupo fez uma pesquisa onde a maioria diz estar participando pelas publicações escoteiras e fotos. Seus administradores tem dado tudo para que o grupo seja a cara do escotismo não só no Brasil com no exterior. Todas as publicações escoteiras dos seus membros são publicadas vedadas apenas aquelas que não falam de escotismo.

PESQUISA 2 – O Grupo Escotismo e suas Histórias faz uma pesquisa do tempo de movimento Escoteiro de cada um dos participantes. Resultado até o momento:
De um a cinco anos –  80 participantes
De seis a dez anos -    45 participantes
De onze a vinte anos – 39 participantes
Acima de vinte anos –  39 participantes.
Os mais novos são maioria. E dizem que nossa evasão de membros Escoteiros é pequena.

MANIFESTAÇÃO DE PROTESTO – Uma jovem guia está a assustar os lideres Escoteiros do brasil. Acreditando que os preços da nova vestimenta estão além das possibilidades de muitos jovens em todo território nacional, ela acredita que a falta de transparência e consultas as bases deixaram a desejar quando da implantação do mesmo. Outros itens foram incluídos e ela está sendo monitorada e procurada para que desista da sua ideia. Como é o primeiro caso como se diz – Contra os métodos da classe dominante – A uma discussão de norte ao sul do país. Muitos já marcaram passagens para estarem presentes outros acreditam que se virar baderna pode prejudicar muito o movimento Escoteiro. A jovem em questão tem argumentos sólidos e com isto atrai simpatias. De vez em quando me pergunto se a tal frase de “ouvir sempre os jovens” não é conversa para “boi dormir”.


Aguardem o número 2. O Jornal do Grupo está aberto a todos seus membros. Querem alguma publicação. Fiquem a vontade. É só enviar os dados para elioso@terra.com.br

sábado, 8 de fevereiro de 2014

E quem precisa dos pais dos Escoteiros?


Conversa ao pé do fogo.
E quem precisa dos pais dos Escoteiros?

                Muitos escotistas comentam comigo sobre as dificuldades encontradas quando procuram os pais para colaborarem em diversas situações no Grupo Escoteiro. Claro, sabemos que vários grupos não têm este problema, portanto nos dirigimos àqueles que nos lêem e gostariam de algumas sugestões a respeito. Os demais eu sei que já fazem assim ou até melhore que estas sugestões. Vejam alguns dos comentários recebidos:

               - Alguns jovens participam com idealismo, mas nunca vi seus pais e quando peço uma reunião com eles, poucos aparecem. - Em época das Assembleias de Grupo e principalmente quando da eleição da diretoria é uma luta para que alguém se ofereça para ajudar, e isto nos poucos que comparecem. - Para qualquer atividade que for necessário uma taxa, isto sem falar na mensalidade, a maioria (os pais) não colaboram e não ajudam em nada. Quando algum Escotista pretende participar de alguma atividade ou cursos para aprimorarem seus conhecimentos, sempre arcam com todas as despesas de transporte e taxas, com isto muitos desistem de prosseguirem na trilha escoteira. - Enfim, sem eles ficamos sem condições de manter o Grupo Escoteiro, e até o registro anual é prejudicado. Ou fica sem fazer ou se registra poucos membros do Grupo.

              É, é uma situação constrangedora. Claro tudo isto não existiria se na entrada do jovem, algumas providencias tivessem sido tomadas. Já vi chefes pagando do próprio bolso taxas para seus Escoteiros, comprando material de campo e muitas vezes deixando seus familiares prejudicados. Depois que eles se acostumaram com este estado de coisas existem poucas as soluções para consertar. Como disse o Chico Xavier não podemos voltar atrás no tempo, mas podemos fazer um novo começo. Vejam alguns exemplos de vários grupos escoteiros que são exigentes na admissão do jovem. Eles são taxativos. Sabem que quem entra no grupo são os pais. A família. Os filhos vem juntos.

               - Em hipótese nenhuma se abre mão para uma inscrição sem os pais. Não importa se ele é amigo do fulano ou sicrano. A ficha de inscrição só deve ser preenchida na presença do responsável e muitos grupos o Diretor Técnico se encarrega disto. Não se abre mão em hipótese alguma para uma admissão. Abriu para uma abriu para todos. Neste dia os pais devem vir acompanhados dos filhos interessados. Eles ficaram a par do que é o escotismo (pai, mãe e filhos) – Eles devem passar por um cursinho ou algumas horas aprendendo o que é escotismo. Este cursinho é feito uma vez por mês. Pais que não participarem não tem a inscrição assegurada. Só após eles são convidados para em um dia posterior a participarem de uma reunião onde serão apresentados ao grupo. Sempre após o cerimonial. Eles os pais e os filhos ficam fora da ferradura), Os pais e os filhos são apresentados a todo o grupo e os filhos ao Chefe da sessão que irão participar.

               - Os chefes da sessão em que foi destinado o jovem ou a jovem já estarão ao par, pois foram informados pelo diretor técnico. Eles discutirão na tropa ou alcateia qual matilha ou patrulha eles irão ficar. Claro que a recepção ao jovem deve ter um destaque especial. Gritos, Grande Uivo (claro que eles não participam e só assistem). Neste primeiro dia os pais são convidados a permanecerem na sede enquanto os filhos estão em atividade. Aproveita-se para uma conversa amigável e quem sabe uma mesinha com café, biscoitos podem ser servidos. É nesta hora que se entrega o programa do grupo (o programa geral, o de sessão é entregue ao jovem ou a jovem pela patrulha). Ficar sabendo em que eles podem ajudar principalmente na preparação de especialidades. É importante que pelo menos uma vez por mês um dos chefes ou membros da diretoria ligue para sua casa para dar um boa noite e dizer que o grupo se sente honrado com a presença da família.

                 O mais importante é que a falta de duas ou três atividades marcadas nenhum deles comparecerem, e após contato telefônico sem resultados é bom ligar e dizer que ficaram triste com sua ausência. Sejam taxativos, lembre-os da conversa no primeiro dia.  Se persistir alguns chefes costumam ir pessoalmente outros mandam por escrito lamentando a ausência, pois as normas são claras para os faltosos. Os filhos infelizmente não poderão mais participar até que a família prestigie as atividades do grupo. Claro, vocês podem dizer que isto é muito radical, mas é bom lembrar que somos um movimento voluntário, sem fins lucrativos e nosso intuito é colaborar com os pais, a escola e a igreja. Nós também somos voluntários, estamos ali ajudando aos pais e eles precisam saber que são eles quem deve agradecer e não o contrário.

                   É importante que o Grupo Escoteiro mantenha algumas atividades para os pais em seu programa, a fim de motivá-los e sempre acontece que muitos deles passam a se interessar mais pelo movimento, oferecendo seu tempo para colaborar como escotistas. Existem exemplos diversos do interesse dos pais pela chefia e há casos de se ter um grande número de chefes advindo dos pais. Isto muitas vezes resolve de vez a falta de adultos tão reclamados por muitos.
Algumas atividades sugeridas:

                 Uma vez por ano, com ajuda de alguns pais, escolher um local onde todos possam passar um dia inteiro, em confraternização (se possível um sítio fora da cidade, que tenha instalações necessárias para os participantes). Nesta confraternização executar um programa nos moldes escoteiros, formando patrulhas de pais junto com os filhos, competições entre elas, com grito próprio, cerimonial de bandeira e encerramento com fogo de conselho (lampião) e a Cadeia da Fraternidade.

                Nas atividades de Alcatéia, sempre ver com a chefia quantos pais serão necessários e convidar aqueles que se propuseram a isto. Comissões internas para em conjunto com a Comissão Executiva (diretoria) desenvolver tarefas tais como: Arrecadação de fundos compras para acampamentos – transporte para atividades de seções – instrutores de especialidades e outras de comum acordo com o Conselho de Chefes e Diretores do Grupo Escoteiro.

                  Alguns grupos costumam se organizar quinzenalmente, com revezamento em uma noite de confraternização na casa de um pai previamente sorteado. Cada família deve levar salgados e doces. Claros que eles ficam para a limpeza, pois o anfitrião cedeu sua casa e não pode arcar sozinho com a limpeza. Bebidas também são de responsabilidades dos pais. Já conheci casos onde os casais aproveitavam para um Karaokê divertido, baile informal etc. Sem caráter de obrigação é uma forma de arregimentar os pais em um ambiente escoteiro onde se conversa temas de interesse de todos.


                 Lembramos que o grupo é uma grande família. Os pais participam dela também. Uma perfeita sincronização com o Conselho de Chefes mensal deve haver para que a troca de ideias, sugestões e outros, poderão tirar duvidas e aprimorar mais e mais o aproveitamento dos pais. Espero ter colaborado, mas se quiserem mesmo ter os resultados esperados, mãos a obra. Um poeta já dizia: Quem quer anda, quem não quer manda! E não deixe para amanhã o que pode fazer hoje!