Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Eu adoro a calça curta!


Crônicas de um Velho Escoteiro.
Eu adoro a calça curta!

              Ei! Nada contra de quem gosta da comprida caqui, amarela, cinza, azul, branca, roxa, verde e agora marrom e azul. Nada contra. Mas eu? Eu adoro mesmo a calça curta caqui. Quando visto meu uniforme cáqui me sinto bem. Não sei por que. Sinto-me mais Escoteiro. Antigamente, lá pelos idos de 50, 60, 70 e 80 havia uma norma no POR que dizia – Junto aos jovens e em atividades com eles se usa a o caqui tradicional (estava mesmo escrito tradicional). O cinza deve ser usado em cerimonias especiais, atividades sociais etc. Assim aquela norma vale para mim até hoje. Sei que a jogaram pela janela e ela se foi com o vento sul que sopra forte para nunca mais voltar. Novos tempos. Vento moderno.

               Sei que muitos hoje e até naquela época tinham vergonha da curta. Aqui e ali alguns com a comprida cáqui. Bem não era o meu caso. Nunca tive vergonha. Claro hoje vejo fotos de Baden Powell (BP) sempre de calças curtas nunca vi nenhuma foto com ele usando a comprida (estilo inglês podem me dizer) e me orgulho de ter feito o mesmo. Mas já me condenaram aqui por me arraigar nesta fútil ideia de manter uma tradição que não tem valor para eles. Claro. Respeito. Tradições? Bah! Fora tradições. Mas insisto, eu adoro e sempre adorei minha calça curta. Quantas peripécias passei com ela. Mas as alegrias superaram. Chegar a uma cidade, com o grupo, com a tropa ou com a Patrulha o andar ereto em frente, sorrindo e vendo todos nas portas, janelas a admiraram aqueles esbeltos escoteiros (risos eu não era assim tão esbelto) a desfilarem, (Puts! Agora proibiram) bandeiras ao vento! As meninas nos vendo apaixonadas. De onde São? Olhe aquele ali, lindo! Era eu! Risos.

              Claro, sempre provando a mim mesmo que enfrentaria multidões. Um dia fui para a sede. A pé. Tinha a minha bicicleta. Era fácil ir pedalar. Mas como eram somente seis quarteirões porque não desfilar a pé? Fazia isto sempre (hoje se escondem em um automóvel e alguns ainda tem a pachorra de levar o uniforme para vestir na sede, mas eles podem agora. É moderno). Ao passar em frente à Padaria do Osmar alguém gritou! Que belas pernas! Dez pratas para quem passar a mão! Engrossou! E agora? Dezessete anos, metido a valente, faca de um lado, machadinha pequena de outro. Um verdadeiro pistoleiro do oeste. Coloquei a mão na cintura gritei! Quem se habilita? Quem vai ser o primeiro? Risos. Ninguém. Nunca mais falaram nada.

              A calça curta para nós era sagrada. Nossos chefes sempre usaram. Sempre eles são nossos exemplos. Hoje até dirigentes nacionais se vestem com a tal vestimenta, meinhas brancas, outros sem, camisa fora da calça outros não, calça curta outros comprida. Um lenço no pescoço e uma camiseta qualquer. E salve-se quem puder! Exemplos? Claro. Quem os vê assim aprenderam e vão ensinar a todos a nova moda. Risos. E tem um que me garantiu ter achado barato. Deve ser o marido da barata. Garantem que a turma que não gostava do caqui agora vai vir de montão. Vamos esperar para ver. E interessante, só vejo a maioria escotistas classe media usando. Os humildes, os sem nada que nunca poderão comprar o mais caro tem a vantagem do mais barato. O que? Tem para pobre e para rico? Não sabia. Mas estou falando da calça curta. Desculpem. Saí do rumo. Perdi minha bússola prismática da minha lide “caqueana”. Vamos voltar ao percurso de Gilwell aqui comentado.


            Minha calça curta dos velhos tempos! Adoro você! Estranho até hoje quando vejo alguém de comprido caqui. Cinza até que vá lá. Mas como dizem os filósofos, tudo não passa de um hábito de comportamento e gosto não se discute. Aprendeu assim fará assim. Em breve estaremos todos de marrom e azul. Todos não. Eu nem morto. Eles quem sabe estarão de chinelos ou sem meias, com lenço ou sem lenço, o calçado hoje pouco importa. Cobertura? Será a critério de cada um. Pode ser um chapéu de cowboy vermelho vivo! Seria lindo, tudo colorido como se fosse um belo arco íris e com uma linda pena amarela de papagaio. Cacilda. Lá estou eu de novo a criticar. Não tenho este direito, sou um "Velho" Escoteiro chato, gagá e aposentado. Mas acreditem, não importa. Quando eu me for São Pedro que me aguente, chegarei lá de calça curta e chapelão. Risos. Se não me deixar entrar mando chamar Baden Powell. Ou melhor, poderei dizer – “Sabe com quem está falando”? Mas eu juro a vocês, se eu vivesse mais cem, duzentos ou trezentos anos eu estaria envergando a minha linda, a minha gostosa, a minha deliciosa, a minha espetacular, a minha grandiosa, a minha imponente, a minha majestosa, a minha divina a minha linda muito linda calça curta!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Um fantástico dia do Escoteiro. 23 de abril, um dia que nunca mais esqueci!


Um fantástico dia do Escoteiro.
23 de abril, um dia que nunca mais esqueci!

Foram tantos dias do Escoteiro que vivi... Tantos demais.  Hora de fazer a mente voltar no tempo... Quanto tempo! Quer saber? Tempo demais. Eu não sabia que era meu dia, nem deduzia que tínhamos o dia do Escoteiro. Podem acreditar era verdade, só fui saber naquele acampamento da Patrulha na Serra da Garça Branca. Acho que é por isto que nunca mais esqueci aquele dia. Ficou marcado para sempre em meu coração. Eu acreditava que sabia tudo com meus onze anos vividos. Não me chamem de menino, nem de noviço, já me considerava homem feito, pois caminhava para a segunda classe, assim já era um experiente Escoteiro. Bem não foi aquele o meu melhor acampamento, nada disto apenas um fim de semana gostoso. Mas o que aconteceu nele foi demais. Demais mesmo. Lembro-me de tudo, nunca esqueci, ora, ora, esquecer como? Não posso esquecer aquela tarde, um vento sul soprando, um friozinho chegando, uma deliciosa brisa do alvorecer...

Fomos até o mirante do Canta Galo, não mais que duzentos metros do campo. Era linda a vista e sempre quando acampávamos ali era normal e rotineiro ficarmos lá até o anoitecer. Um pôr do sol sem igual em todas as tardes sem muitas nuvens. A tarde chegava e o céu ficava cor de ouro, um amarelo vivo encantando as poucas nuvens no céu. Aos poucos um pedaço do sol ia desaparecendo atrás da montanha do Sabiá, nós de olhos firmes encantados com tão linda vista e de supetão Mauricio o Monitor diz – Hoje é o dia do Escoteiro, nosso dia! Tirei a vista daquele céu celestial e olhei para ele com o cenho franzido: – Temos um dia Monitor? – Temos sim é hoje, 23 de abril. Surpresa! Enorme surpresa! Fiquei encantado. – Então temos um dia? Incrível! Olhei para os outros patrulheiros. Nem ligaram. Não sei por quê. Para mim foi demais. Olhei de novo o céu. O amarelo ouro no meio de poucas nuvens se transformava em vermelho vivo e aos poucos ia escurecendo. O sol se foi. Um bando de andorinhas passou voando sobre nós. Confesso que não dormi direito. - Temos um dia repicava em meu pensamento. Lá pelas duas da manhã, já no dia 24 de abril levantei e sai da barraca. Um frio gelado me esperava.

Sentei em um toco em frente à barraca, as brasas do pequeno fogo não existiam mais. Olhei para o céu cheio de estrelas. Eu o conhecia de cor. Sempre acampávamos ali. – Meu pensamento era o mesmo. Não esquecia o que o Monitor contou. Temos um dia 23 de abril. Era demais. Ficou gravado em meu coração para sempre. Meia hora depois me deu sono, voltei à barraca e dormi. Se sonhei não lembro, mas nosso dia ficou marcado. Todos os anos eu me lembrava dele estivesse onde estivesse. Agora eu tinha um dia que o considerava meu e de todos os meus irmãos Escoteiros. Neste dia elevo meu pensando a Deus para que ele mantenha viva a chama escoteira no coração dos nossos irmãos que participam desta grande fraternidade. Cada um tem um dia especial para lembrar. O meu é como fosse gravado para sempre naquele final de tarde de um abril do passado, um céu cor de ouro, poucas nuvens e o sol se escondendo atrás da montanha do Sabiá. Será que é por isto que amo demais o por do sol?
23 de abril, me junto a todos meus irmãos Escoteiros do mundo para dizer – Sempre Alerta! Como é lindo e fantástico ser um Escoteiro!

UM LINDO DIA DO ESCOTEIRO PARA TODOS! 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Zap, zep e zão... Um viva a revolução!


Conversa ao pé do fogo.
Zap, zep e zão... Um viva a revolução!

          Menos de dez horas, Nonô e Araceli desceram do ônibus na Praça Sete. Levaram o maior susto. Em todos os lugares soldados do exército armados até os dentes. Tanques de guerra cobriam cada rua e cada canto do centro da cidade. O que estava acontecendo? Nonô foi a uma banca de jornal e comprou o Estado de Minas. Lá explicava tudo. A revolução aconteceu. Nonô não era politico, não era comunista, não era revolucionário. Nonô era um Chefe Escoteiro. Um homem trabalhador que pensava em criar sua família como um bom brasileiro. Nonô foi a capital aproveitando uma folga de 80 horas da Usina onde trabalhava. Combinou com todos no grupo que passaria na Cantina escoteira e quem saber bater um papo com os lideres regionais claro, se tivesse alguém lá. Estava hospedado em casa de um primo. Ficaria só um dia, pois pretendia a noite pegar o trem noturno de volta para sua cidade.

           Nonô comentou com Araceli sua esposa que não deviam se preocupar. Eles não eram malfeitores e melhor eram cumpridor de seus deveres e bons cidadãos. Na Cantina Escoteira fizeram uma boa compra. Como sempre não havia ninguém da liderança regional. Ele entendia, pois sabia que todos trabalhavam. Pegaram o trem noturno e ele partiu da gare às onze e meia. Deviam chegar por volta de nove da manhã. Na estação de Pedreira eles desceram. Logo avistaram Lilico, um motorista de taxi e pai de um lobinho. – Chefe, cuidado, a “coisa tá feia” prenderam o Chefe Laerte e os demais chefes sumiram da cidade. Proibiram o Grupo Escoteiro de Funcionar. Disseram que ali estavam ensinando aos meninos as tática de guerrilhas e que o grupo era comunista. Isto porque o lenço era vermelho e branco. Soube que foram na sua casa e perguntaram por toda a vizinhança. Nonô notou que os trens passavam cheios de prisioneiros com destino a capital. O Chefe Laerte preso? Um rapaz seu amigo e irmão. Conheceram-se na usina e logo passaram a falar de escotismo. Coisas de escoteiros.

           Lilico os levou até sua casa. Alertou para não ficar ali. Era perigoso. Nonô disse para Araceli ficar de sobreaviso. Iria até a paróquia. O Padre Eli era gente boa. Ele devia saber o que estava acontecendo. No caminho alguém gritou de uma janela. Nonô viu que era Gegê, o Monitor da Raposa. – Chefe! Cuidado! Estão procurando o senhor por toda a cidade. Tem uma patrulha acampada atrás do Morro da Viúva. Estão com eles o Vavá e o Jair. Eles ficarão lá até passar esta onda de prisão. Nonô agradeceu e partiu para a paróquia. O Padre Eli sorriu quando o viu. – Chefe acusaram vocês de serem comunistas por causa do lenço vermelho e que estão treinando os meninos para guerrilheiros. Pode? Olhe expliquei para o Sargento Modesto que tudo não passava de um engano. Não sei se ele entendeu, mas o Marcondes estava com eles. Foi ele quem dedurou todo mundo aqui. Lembrei-me do Marcondes. Era Juiz de Menores na cidade e foi contra a fundação do Grupo Escoteiro.

        - Mas olhe continuou o padre Eli, não precisa se preocupar. Fui pessoalmente à 15ª Companhia da Policia Militar. O Capitão Natal foi legal. Disse que nunca acreditou no que disseram do Grupo Escoteiro. – Fiquem nas suas. Ninguém vai incomodar. Ele sabia que os Escoteiros tem uma formação patriótica. Ele iria ver se soltava o Chefe Laerte, mas ele tinha sido levado para o DOPS na capital. Passou uma semana e tudo estava voltando ao normal. Ninguém mais procurou o Chefe Nonô. A patrulha que estava acampada voltou. Vavá e Jair tinham dezessete anos. Eles se assustaram. Como sêniores e novos no Clã ficaram com medo de serem presos. Aos poucos o Grupo Escoteiro foi voltando ao normal com suas atividades. Só três semanas depois que soltaram o Laerte. Ele estava revoltado e dolorido. Aplicaram nele choques elétricos, enfiaram sua cabeça dentro de um vaso de água e com um pequeno alicate arrancaram uma unha de sua mão. Seus olhos estavam vermelhos. Devia ter chorado muito.

          Chefe Nonô! Não vou perdoar estes canalhas. Vou entrar para o sindicado e para a guerrilha. Lá terei respaldo e desculpe, vou deixar o grupo. Não quero que os militares achem que estou lá preparando uma revolução. Chefe Nonô não concordou, - nada disto Laerte. Não é nossa sina. Não somos revolucionários. Temos família para cuidar. Temos o Grupo Escoteiro e temos um nome a zelar. Chefe Laerte abaixou a cabeça e não disse nada. Sumiu de novo da cidade. Ninguém sabia onde fora. Um mês depois soubemos que tinha entrado para uma guerrilha na Mata do Pintassilgo. Durante meses lutaram de arma em punho. Cinco mil soldados chegaram e em menos de um mês acabou a guerrilha. Ninguém mais ouviu falar no Chefe Laerte. Chefe Nonô ficou inconsolável. Dizem que não houvera prisioneiros. A família do Chefe Laerte mudou para longe. Uma cidade grande e ali acharam que ficariam escondidos.


          Muitos anos se passaram. Hoje os filhos do Chefe Laerte são adultos. Boas lembranças do seu pai que só conhecem por fotografias, bem assim me disseram. A vida do Chefe Nonô virou do avesso. Despedido do emprego vagou por varias cidades. Um dia batendo sua bengala na Avenida Angelica passou por um ancião também com uma bengala. Pararam. Entreolharam-se. Impossível, não poderia ser o Chefe Laerte. Mas era ele mesmo. Abraçaram-se e os transeuntes que passavam por aquela rua não entendiam. Dois velhos se abraçando e chorando como duas crianças. Se eles tiveram “causos” para contar ninguém soube. O que sei é que resolveram colocar a conversa em dia. Dizem que ficam sempre conversando na varanda do Chefe Nonô até altas horas da noite. Ambos na casa dos setenta e cinco anos mal aguentavam em pé, mas a amizade que tinham um pelo outro os uniram até o fim da vida. Eu quando me lembro desta história eu fico pensando...  Zap, zep e zão... Um viva a revolução!

A fantástica lua de mel do Chefe Rosinha.


Crônicas escoteiras.
A fantástica lua de mel do Chefe Rosinha.

         Pelo amor de Deus! Lembrar-me dele de novo? Nunca em minha vida conheci alguém como o Chefe Rosinha. Nem sei como no grupo eles não diziam nada. Quem sabe pelas suas histórias, pelo seu jeito encantador que deixava as escoteiras e guias sorridentes, ou pela sua maneira prestativa, mas era chegar ao fim da reunião ele procurava algum Chefe – Chefe Nonato, tem dez paus para me emprestar? – Nonato coitado era um amor de Chefe e não sabia dizer não. Ele tirou da carteira dez reais e deu ao Chefe Rosinha. – E os mais de duzentos que você me deve Chefe Rosinha? – ele sorriu com aquela cara de besta e dizia – Você sabe, meu casamento é em novembro faltam três meses. Como lhe pagar com as despesas que tenho? Ele devia a cidade inteira. Pegava mal para o Grupo Escoteiro. Donato o Chefe do Grupo resolveu fazer um Conselho de Chefes para discutir o assunto. Ninguém concordou em mandar o Chefe Rosinha embora.

       Chefe Rosinha conheceu Anita na parada de Sete de Setembro. Ele logo apaixonou por ela. Ela estudava no Colégio Aparecida e no desfile se encontraram. Ela de uniforme escolar e ele de Escoteiro. Apaixonaram-se. Foi um amor de duas pessoas idênticas. Anina também não gastava. Cada tostão ela guardava. Mordia a língua para não comprar supérfluos. Todos benzeram o casal afinal eles iam se dar muito bem. Até aceitavam que ele continuasse no grupo, pois além de sua simpatia todos se divertiam com seu estilo. Um dia um chefe novato não sabia como era ele – Chefe Rosinha! O senhor poderia me emprestar quarenta reais? Fique tranquilo que pagarei sem falta na próxima reunião! – Ele sério respondeu – Prá que quarenta? Trinta é muito, vinte não! Penso em lhe dar dez, mas acho que cinco é o suficiente. Tome aqui um real e na semana lhe dou o saldo!

       Eles casaram em uma quinta, pois era mais barato na igreja e no civil. Ele era amigo do Juiz de Paz e tentou tudo para o casamento no civil fosse grátis. Mas Seu Zenóbio foi inflexível. – Nem pensar Rosinha. Eu te conheço bem. Ou paga ou não casa. Rosinha ficou fulo, chamou Turquinho um sênior muito amigo do filho do Seu Zenóbio e pediu a ele por misericórdia que tomasse duzentos reais emprestado do Seu Zenóbio. Ele não deveria contar para quem era. No dia do casório no civil Rosinha e Anita se casaram no civil. Depois de tudo assinado Rosinha bateu no ombro do seu Zenóbio – Obrigado amigo pelo empréstimo dos duzentos que o Turquinho lhe pediu emprestado para mim. “Fique tranquilo que um dia te pago”! Seu Zenóbio sabia que nunca mais iria ver a cor do  dinheiro!

          O grupo ofereceu uns comes e bebes, mas poucos. Não é que o casal saiu mais cedo da festa? Levaram uma bolsa cheia de guloseimas que os Escoteiros compraram para os convidados! Sei não, um Chefe Escoteiro uma vez me disse que o pródigo é arrogante e o avaro é mesquinho. É preferível a mesquinhez a arrogância. Seria verdade? Uma semana depois de casados, eles moravam na casa da Mãe de Anita souberam do acampamento. Chefe Rosinha pediu cinco dias de folga e Anita que era professora pediu também. Insistiram com o Chefe Nonato para eles participarem. Sabiam que seria na fazenda do Inácio Sapoti. Ele não podia ver os Escoteiros que oferecia tudo. Quando o ônibus chegou à fazenda os dois saltaram e procuraram o Inácio – Seu Inácio! Disse Chefe Rosinha, eu e a Anita casamos na semana passada e não seria de bom alvitre ficarmos lá no acampamento dos Escoteiros.

         Claro que Inácio iria convidá-los para dormir em sua fazenda. Foi uma verdadeira lua de mel de cinco dias. Comida farta, um quarto enorme só prá eles, e toda a manhã frutas frescas. O acampamento terminou e eles tiveram que voltar no ônibus. Inácio caiu na besteira em convida-los a voltar e claro eles voltaram nas ferias. Vinte e nove dia comendo e dormindo de graça! Em um Conselho de Chefes Chefe Rosinha pediu a palavra – Sabem meus amigos, a Anita queria participar dos lobinhos, vocês sabem ela é professora, mas ela não tem como fazer o uniforme, então eu pensei que vocês poderiam se cotizar e fazer um bem bonito para ela, mas tem de ser completo com meião e cinto! Todos olharam para ele e viram em seu bolso e ouviram uma voz fininha: - Estou contigo e não abro! Era a carteira de Rosinha o Escoteiro mais pão duro que existiu.

         Para dizer a verdade eu não sei como aguentaram Chefe Rosinha por tanto tempo. Nunca pagou nada. Fez seis cursos todos pagos ou pelo grupo ou pelo chefes amigos dele. Amigos? Acho que por causa da sua conversa, do seu sorriso e da sua alegria a maioria o aceitava. Mas no sábado à noite depois da reunião foram todos para uma choupada. Na maioria das vezes Chefe Rosinha não ia. Sempre tinha alguém para lhe falar umas verdades, pois ele nunca colaborava. Desta vez foi e levou Anita sua esposa. Contou piadas, riu a beça e até cantou musicas escoteira que muitos se surpreenderam. No final Bruno Cara Feia foi escolhido para recolher a parte de cada um. Ele era um Chefe novato e não sabia como era o Chefe Rosinha. Quando ele foi cobrar ele disse – Olhe Bruno, pareço egoísta, mas sempre deixo a satisfação de pagar a conta no bar para meus amigos. E começou a rir. Chefe Bruno não gostou. Foi preciso da intervenção dos demais para não saírem no braço.

       Chefe Rosinha saiu do grupo. Todos só foram saber o que aconteceu muitos meses depois. O danado ganhou um milhão e meio na Loto fácil. Sumiu de um dia para o outro. Sabia que iriam morar na frente de sua casa para receberem o que ele devia. Mais da metade da cidade. Dizem que ele foi morar em São Francisco do Sul. Até hoje o Grupo e a meninada sentem falta dele. Afinal era um boa praça, um pandego e claro um tremendo de um pão duro. Um dia apareceu na TV, levado pelo delegado por não pagar dividas. O pior é que estava de uniforme Escoteiro. Pode?

Os dez mandamentos do pão duro:

  1. Nunca dizer: "Pode ficar com o troco".
  2. Não colocar a mão no bolso em vão.
  3. Amar seu bolso como a si mesmo.
  4. Lembrar que tudo tem sem preço. Então, vamos às promoções!
    Pechinchar sob todas as formas.
  5. Desperdiçar.
  6. Ir a compras somente aos domingos, quando quase tudo está fechado.
    Valorizar cada centavo.
  7. Analisar o custo/benefício.
  8. Emprestar sempre com juros. Jurar é pecado. Cobrar juros, não!
  9. Valorizar cada centavo.
  10. Analisar o custo/beneficio.

sábado, 19 de abril de 2014

O meu querido distintivo de lapela.



Conversa ao pé do fogo.
O meu querido distintivo de lapela.

Quem já teve nunca o esqueceu. Uma época que tínhamos que correr atrás para conseguir um nas lojas escoteiras. Quando vi o meu pela primeira vez me encantei. Só não chorei porque o meu sonho agora era real.  Pequeno, dourado, com uma linda flor de lis em cores verde e amarelo. Minha mãe me entregou e disse: - Um presente que seu tio Vadim trouxe para você do Rio de Janeiro. Parecia que ele foi feito para mim. Até seu formato era a Flor de Lis perfeita. Com sua presilha se prendia facilmente na gola da camisa ou no paletó social.

Foi uma época de identificação de qual organização você pertencia. Era comum vermos os rotarianos, os do Lions Club, e tantas outras organizações onde todos postavam com orgulho o seu botton de lapela. Os padres também usavam o seu. O prefeito também. Na Câmara de Vereadores idem. Naquele tempo não saímos por aí com o lenço no pescoço tentando nos identificar de maneira diferente. O botton era tudo.

E que orgulho amigo eu o colocava na lapela e íamos desfilar para que os outros soubessem que ali estava um Escoteiro. Quando pela cidade encontrávamos alguém com ele, logo corríamos para cumprimentar: Sempre Alerta! Escoteiro de onde? Prazer. Eu sou da Patrulha Raposa. Abraços, aperto de mão, histórias, lembranças tudo em questão de minutos era conversado entre nós. Nossos chefes nos ensinavam que o uniforme se vestia completo. Nada de usar peças por aí. Usar só o cinto? Nem pensar.

Um dia resolvemos fazer uma vaquinha, que rendeu além do esperado. Todos que participaram do Grupo Escoteiro na minha cidade e aqueles que procuramos colaboraram. Como se fosse hoje, chegamos a ter mais de cinco mil reais! Uma fábula para a época. Para que? Para custear uma viagem de um "Chefe" Escoteiro até a capital, o Rio de Janeiro. Motivo? Comprar distintivos de lapela para todos os ex-escoteiros e todos os participantes do Grupo Escoteiro. E lá foi ele sorrindo, mais de vinte e duas horas de viagem. Não reclamou. Claro, todos nós gostaríamos de estar no lugar dele.

Aproveitamos para ver se sobrasse algum dinheiro para ele comprar também a moeda da boa ação. Quem não tinha? Eu já tinha a minha há tempos. De manhã bolso esquerdo. Feita a boa ação, bolso direito. Claro, nunca nos contentávamos e voltávamos para o bolso esquerdo novamente como a dizer: - Uma boa ação só hoje? Nunca! Tinha de ser várias. Pelo menos mais uma e mais uma. Quando o "Chefe" Escoteiro retornou, foi uma apoteose. Contando da viagem, do Rio de Janeiro, como era o mar, as praias, Copacabana, e como era a loja Escoteira.

Ele contava maravilhas. Quantos distintivos tinham lá. Quantas coisas bonitas. Quantos livros. Trouxe até um que ia passar de mão em mãos para que o lêssemos. O Guia do Escoteiro do "Velho" Lobo. Lindo! Espetacular! Quando o levei para casa não queria dormir. Ficava ali sentado na cama lendo, relendo. Coisas do passado. E pensando no "Chefe" Escoteiro que viajou ao Rio de Janeiro nós também ficávamos ali a sonhar em um dia ir lá também. Naquele dia mesmo inundamos a cidade com o distintivo de lapela. Quando seu Leôncio o prefeito recebeu o dele, logo colocou com orgulho (fora Escoteiro quando menino). Agora todos sabiam quem eram ou quem foi escoteiro na cidade. E claro, um orgulho em usar na escola, no trabalho (eu era engraxate) na igreja, ou seja, em qualquer lugar. Não precisa dizer – Era como o distintivo de lapela falasse - Olhem! Estou sem uniforme, mas sou Escoteiro de coração!

Meu lindo distintivo de lapela que nunca esqueci. Se vocês tiverem um devem sentir o que eu sentia. O orgulho em usar e dizer aos quatro ventos: - Eu sou um Escoteiro! Se os políticos lá no seu habitat usam eu não sei. Mas ainda lembro-me de muitos profissionais, médicos, engenheiros e tantos outros que orgulhosamente o colocavam como a dizer, sou isso mesmo, esta flor de lis fez parte da minha vida.  Eu sempre amei o escotismo e hoje sou o que sou graças a ele.

São coisas do passado. Passado que já se foi. Mas que ficaram gravadas até hoje no presente. Será que hoje ainda tem alguém que usa a linda Flor de Lis de Lapela em todos os lugares que vai? Que se orgulha em se mostrar como Escoteiro? Claro, tenho certeza que sim. Mas porque escrevo isto? Não sei. Gosto de lembrar-me dos meus velhos tempos e quem não gosta? Foram tantas e tantas coisas que marcaram. Que valeram em minha vida no Movimento Escoteiro. Por isto minha luta em manter certas tradições que combatidas por outros nada provam se o mito do passado não pode também se erradicar no presente.

Vamos passando, passando, pois tudo passa / Muitas vezes me voltarei / As lembranças são trombetas de caça / Cujo som morre no vento.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Porque não se orgulhar do que somos? Lembre-se, você é responsável pelo que faz.

Conversa ao pé do fogo.
Porque não se orgulhar do que somos?
Lembre-se, você é responsável pelo que faz.

         Não e não, eu sei que você tem uma explicação, lógica para você, mas ilógica para mim. Pode me dizer o que quiser que o mundo seja outro que agora vivemos outro estilo de vida e mesmo assim não vou concordar com você. Nosso uniforme não está numa passarela de um desfile de modas e nem tampouco pode julgar que a moda agora é assim. Eu sei que você gosta, é seu estilo, achou bonito e porque não modificar e usar? Esqueceu que do outro lado você representa uma organização? Já pensou se todos que usam seus uniformes escolhessem o que acham bonito como ficaríamos? Sei que não dá bola para o que dizem que sua vida é sua, mas quando representa uma organização como a nossa você tem a obrigação de representá-la bem. Sei que nossos lideres não foram razoáveis nas alterações e nem se preocuparam em ser mais severos com as normas. Mas isto não nos dá o direito de vestir e postar o que achamos válido para nossa vaidade.

          Eu lhe pergunto, será que as outras organizações fazem isto? Veja os militares, claro que não somos militares, mas na uniformização somos iguais. O que você diria se um representante das forças armadas ou das policias estaduais e locais vestindo de qualquer jeito, chinelos, quepe virado, camisa solta em cima da calça, cabelos despenteados? E nos colégios? Cada um vestisse o que quiser claro levando em conta que aquele colégio tem normas? Eles estarão certos se apresentando assim e que no jargão de muitos que dizem ser desleixo, indisciplina e tantas outras colocações? Não e não. Eu não posso aceitar. Eu sou daqueles que acreditam na boa uniformização e ela é quem nos diz quem somos. Não me venha com a história de que quem faz a pessoa é ele mesmo e não o seu uniforme. Você pode acreditar nisto, mas eu não. Quer saber? Nosso movimento deixou de ter credibilidade para muitos por pensarmos assim e será que não temos culpa?

         Quando nosso movimento começou havia uma centelha se espalhando por todos os continentes. Todos viam os Escoteiros de uma forma educacional, formação do caráter com crescimento individual e o apoio se firmou em todos os lugares onde ele começou. Na Inglaterra em 1910 quando ele tomou pé e começou a se espalhar como um rastilho de pólvora foram dez países que acreditaram na ideia de BP e eles disseram avante formando sua organização. Destes 10 nós éramos um deles. Hoje se alegram porque chegamos aos 85 mil e daqui a alguns anos chegaremos com 100 mil. E os outros nove que começaram junto conosco? Nenhum deles tem menos de 200 mil e alguns passaram do milhão de membros com uma população bem menor que a nossa. Em todos eles o escotismo é visto como uma força de formação da juventude, as autoridades educacionais dão o maior apoio, a imprensa falada e escrita sempre diz – Palavra de Escoteiro e todos sabem do que se trata. Nestes países o escotismo é um orgulho da nação. Porque perdemos com o passar do tempo esta corrida de afirmação de identidade? Porque mudamos tanto? Vais dizer que são coisas de saudosistas? Que são coisas daqueles que se apegaram a uma tradição e nem sabe mais porque ela existe e de que se trata?

         Por favor, não me diga que hoje somos outra organização. Para mim ela é e será sempre a mesma. Claro há não ser que mudem o método e o programa. E também os objetivos a que nos propomos com a formação dos jovens. Portanto meu amigo e minha amiga quando você em público se porta mal, uniformização desleixada (pense nestas palavras) e apresentação pessoal sem pensar no que diz a lei escoteira é claro que seremos criticados. E olhe, você sabe, não seja uma “Maria vai com as outras”. Dizem que vendemos biscoitos. Quem dera! Melhor vender biscoito que vender imagens distorcidas do que somos ou podemos oferecer a uma juventude que cresce a olhos vistos longe das fileiras escoteiras.  Poucos nos dão as mãos. Temos que correr atrás de colaboração das autoridades que sorriem para nós só nas épocas de eleições e esta nem sempre é dada com prazer. Somos sempre subservientes colocando lenços e dizendo – Você agora é um de nós! Você acredita mesmo nisto? Sei que cada um tem uma opinião de tudo e isto não nego que seja um direito. Mas acredito que ainda não temos uma democracia autêntica onde todos podem sugerir através da voz e voto.

         Se ainda não tens a força das palavras, se ainda não tem o dom da oratória, pelo menos esforce na sua apresentação pessoal. Esqueça estes adágios que correm por aí que ser Escoteiro não é vestir uniforme e sim ter o amor no coração. Um não vive sem o outro. Ambos são importantes não só para o seu crescimento como para o reconhecimento da nossa organização. Seja ela em qualquer âmbito. No grupo, no distrito na região e na Nacional. Nem também venha dizer que uma andorinha só não faz verão. Faz sim. Se uma pessoa olha para você e diz – Veja esta jovem ou este jovem como estão garbosos. Será que isto não vai dar mais força ao escotismo? Lute com todas as suas forças para que possamos ser reconhecidos como uma organização de jovens que tem tudo para colaborar na formação e afirmação do nosso País. Você faz parte e não tente mudar as coisas conforme sua escolha pessoal e nem seja como o papagaio que faz tudo que os outros fazem.


              Bah! Abaixo as mudanças sem normas, abaixo o desleixo, abaixo aos que copiam o que os outros fazem abaixo a tudo que nos denegrida. Temos que levantar a cabeça e dizer: Somos Escoteiros de corpo e alma. Foi por sua causa que mudamos nosso estilo de vida, a ele vivenciamos uma nova concepção de ser alguém, foi por ele que nos deu o dom da observação da natureza que ficamos sabemos que o aprendizado teve um Caminho para o Sucesso. Bendito o dia que todos dirão que o escotismo fez parte do crescimento da nação, que a formação do caráter da ética e da verdade está no coração de todos nossos dirigentes, sejam eles políticos, empresariais e por que não naqueles que vivem com o pensamento em Deus?

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pigmor, o castor manco do lago Grande Urso.


Lendas escoteiras.
Pigmor, o castor manco do lago Grande Urso.

                Era uma linda tarde de outono, mas Lisabel estava cansada. Afinal não era para menos. Quinze lobinhos ali soltos naquele sitio e só ela como responsável daria dor de cabeça em qualquer um. Lorraine e Javier na última hora disseram que só poderiam chegar no sábado à noite. Desmarcar o Acantonamento era impossível. Tudo tinha sido preparado. Chegaram e logo arrancharam no Sitio Mimoso. Quinze lobos? Meu Deus, agora pareciam cem! Lisabel gritava chamando e logo eles corriam para todo lado. Conseguiu uma árvore próxima a casa e lá arvorou a Bandeira Nacional. Tinha no programa um estoque de jogos, brincadeiras, canções tudo que uma boa atividade deste porte requer. Ainda bem que dona Mercês mãe do Gustavo foi para a cozinha. Ela dava mais trabalho que seu filho. Queria ficar junto dele para protegê-lo, enfim uma mãe super-protetora.

              Após o almoço Lisabel reuniu os lobos e foram até próximo a um pequeno lago, e ao pé de um lindo Cajueiro, sentaram. Os lobinhos inquietos. Alguma coisa fazia ondas sobre as águas do lago. Lisabel não acreditou. Era um castor que logo mergulhou. Só se o proprietário do sitio o tivesse levado. Não havia no Brasil. Ela começou a cantar com eles uma canção. “A promessa de Mowgly”. Fizeram um jogo de faz de conta. Viu que a tarde se aproximava. Ainda bem. Logo seus assistentes chegariam e ela poderia descansar. Uma forte dor de cabeça. Os lobos sentaram em sua volta. Ia começar a contar uma história. Não lembrava. Assustou-se ao olhar novamente para o lago, parecia emergir de dentro das águas um velho com um chapéu e uma indumentária típica dos grandes caçadores de peles do passado. Um verdadeiro Mountain Men, ou melhor, um homem da montanha! Sorria, deu um olá simpático, chamou a atenção dos lobos. Eram seis meninas e nove meninos.

               - Sabem! Disse ele. Faz tempo que não vejo um Cub Scout. Quantas saudades! – O que é um CubScout logo perguntou uma lobinha. – Meninos lobinhos como vocês. – Lisabel ficou impressionada e assustada com ele. Uma figura imponente. Um cajado lindo. – Posso? Ele perguntou a Lisabel se poderia sentar com eles ali. – Claro que sim ela respondeu. – Por acaso viram um castorzinho deslizando há poucos instantes sobre o lago? Não? Vocês já ouviram falar de Pigmor, o castor manco do lago Grande Urso? – Também não? - Não Senhor responderam todos. - Querem conhecer sua história? Palmas e gritos. A lobada gostava de uma boa historia. – Bem vou contar, mas é uma historia triste, muito triste. Faz tempo, muito tempo quando conheci o John, ou melhor, o John Colter. Um pioneiro e um dos primeiros caçadores de pele a ser chamado de “homem da montanha”. Ficamos amigos em St. Louis uma cidade americana, lá pelos idos de 1807. Com ele fizemos uma serie de expedições até o rio Missouri para caçar castores e tirar suas peles.

               Os lobinhos assustaram-se. – Calma, foi em um passado muito distante. Nós vivíamos disto. Chegamos até a montar uma empresa de nome Rocky Mountan Fur só para vender as peles que conseguíamos caçar. - Mas vamos ao que interessa. Eu e o velho John rodamos meio mundo. Das Montanhas Rochosas até os grandes lagos de Michigan, Huron, Erie e Ontário. Diziam que eu e o John só caçávamos peles dos castores, mas não era verdade. Amávamos explorar o Velho Oeste americano. Nunca esqueci quando conheci Pigmor, o castor manco. Para ser sincero eu e o meu amigo chegamos às margens do Lago Grande Urso numa tarde de novembro. O frio intenso, pois nevava a mais de seis dias. Montamos uma pequena cabana e quando ascendi o fogo vi um castorzinho se aproximando e mancando. Assustei, pois sabia que eram ariscos e não se aproximavam. Sabia que ele e seus companheiros formavam uma colônia deviam ter um dique no fundo do lago. Nunca andavam sozinhos. Nós sabíamos que enquanto não passasse a nevasca nunca poderíamos caçá-los.

              - Olhei para o John e disse rindo: Não parece o Pigmor aquele velho caçador de ouro que morreu em Blue River Valley? Coitado. Achou que a riqueza fácil seria dele ali na região das Montanhas Rochosas. Morreu abraçado a um grande urso que encontrou na caverna do Mandor. Belas lembranças da famosa corrida do ouro em Breckenridge. Mas voltemos a historia. Vi que vocês querem saber tudo! Pigmor chegou até próximo ao fogo. Achamos ele diferente. Logo batizamos com o nome do meu amigo já falecido. Eu e o John ficamos calados. Não valia a pena dar um tiro ou mesmo matá-lo com um facão. Era raquítico, pequeno e descarnado. Seus olhos pareciam vermelhos e sentia que chorava por dentro. Ficou ali horas aproveitando o calor do fogo. Foi quando levamos o maior susto. Pigmor de cabeça baixa, deitado bem próximo à fogueira soluçou várias vezes. Começou a contar uma historia estranha. Isto mesmo, Pigmor estava falando. Como não sei. Castor falante? Nunca ouvi falar.

              Lisabel não estava acreditando no que via. Um velho curtido, uma capa estranha, botas de pele de urso, um lenço azul amarrado ao pescoço e um boné de peles de castores, de cócoras no meio do circulo, contava aquela história de uma maneira tão linda que até ela mesmo estava emocionada pelas palavras daquele velho caçador de peles. Notou que em nenhum momento os lobinhos tiravam os olhos dele. Sua dor de cabeça e seu cansaço desapareceram. – O Velho caçador continuou – Isto mesmo. Pigmor contava uma história muito triste, que aconteceu uma semana antes. Ainda não estava nevando e ele e seus irmãos da Colônia tinham terminado o dique onde iriam passar o inverno e aconteceu uma matança. Dois homens chegaram atirando. Pigmor correu para uns arbustos, mas levou um tiro na perna direita. Seu pai e sua mãe morreram na hora. Viu que somente Nakim, Molevo, Pariá e Jasmiel tinham se salvado pulando nas águas geladas do lago. Os dois homens jogaram uma banana de dinamite e quase destruíram o dique. Os quatro castores escondidos ficaram presos.

                  - Pigmor levantou a cabeça e me olhou dentro dos meus olhos. Depois olhou para John e continuou – Mergulhei até lá, estavam presos em uma toca sem poder sair. Tentei tudo. Jasmiel a Castora que seria minha esposa estava quase morta. Não sabia o que fazer. Melhor morrer com eles. Subi a tona e vi vocês. Acreditei que iam atirar em mim. Podem atirar. Eles irão morrer e eu quero morrer com eles. Iremos nos encontrar nas Grandes Tocas do Navarra onde se encontram os nossos ancestrais. – Pigmor se calou. Só ouvia soluços. Olhem não sei o que deu em meu amigo John. Não sabia que ele um dia poderia gostar de bichos, animais, ou seja, lá o que for. Mas mesmo naquela nevasca, escuro feito breu, o frio de rachar ele tirou a roupa e mergulhou nas águas profundas do lago. Passaram-se segundos e minutos. Nada do John vir à tona. “Diabos” pensei, será que ele morreu? A água estava um gelo! – Eis que os primeiros castores apareceram e logo em seguida o John com um castor no colo que julguei ser Jasmiel, a namorada de Pigmor.

                       Todos eles correram para a beira do fogo. Olhe eu juro pelas barbas do Coyote mais arisco de Yellowstone, pelas corcundas de um Bufallo das pradarias próximas a Little Bighorn em Montana que é verdade. Ficaram dois dias conosco. Pigmor e os seus irmãos mergulhavam de vez em quando para consertar sua toca no dique do lago. Uma semana depois Pigmor deu adeus. Hora de partir. Mergulharam na água do lago Grande Urso e sumiram. Nunca mais voltei lá. Disse ao John que minha vida de caçador peles e de castores tinha se encerrado ali. Juntamos nossas tralhas e partimos. Sabíamos que no então Território do Dakota seria feita uma grande corrida do ouro. Em Montana, Arizona, Nevada e Colorado só se falava nisso. Milhares de garimpeiros acorreram. Mas esta é outra história. Um dia John se desentendeu com um fora da lei. Morreu em um duelo em Virginia City. Eu resolvi fazer uma cabana nas montanhas e passar lá o resto de minha vida. Tropecei em um lago ao sul de Sonora. Vi um castor manco. Seria Pigmor? O levei comigo. Estamos juntos até hoje.


                           Ninguém falava nada. Lisabel viu que o velho caçador se levantou, deu um leve sorriso e disse adeus. Foi em direção ao lago. Andando sobre as águas todos notaram cinco castores nadando ao seu lado. Em segundos despareceram no fundo daquele pequeno lago do Sitio Mimoso. Um barulho de carro. Deviam ser Lorraine e Javier chegando. Eles adoravam os lobos. Um grito: - Lobo, lobo, lobo? E os lobinhos como a acreditar que outra linda história estava programada para eles, correram em direção ao Balu e a Bagheera. Lisabel ficou ali. Olhando para as águas do lago, que agora já noitinha uma bruma cinza se espalhava por sobre as águas. – Eu sonhei? Pensou Lisabel. Se sonhei os lobos também sonharam. Mas não é bom sonhar? Com terras altas, montanhas geladas, picos altos e longínquos, grandes lagos, é bom sonhar sonhos como este. Gostaria de ter conhecido Pigmor o castor manco do lago Grande Urso. Mas...

domingo, 13 de abril de 2014

Amigo, você é Escoteiro? - Não diga! Meus parabéns!


Amigo, você é Escoteiro? - Não diga! Meus parabéns!
    
       Ah! Meu amigo eu sou sim e com muito orgulho. Quer saber? Eu estou aprendendo a ser alguém para que todos que me amam possam um dia se orgulhar. Aprendo que o caráter é importante em cada um de nós. Que ser leal alegre e ser fraterno é ponto de honra, e minha palavra? Sim ela é sagrada. Estou aprendendo que a honra faz parte dos honestos. Que a ética é mais que tudo. Aprendo tantas coisas que cada dia que passa mais me orgulho de ser um Escoteiro.

       Acredito que você não sabe, pois poucos comentam, mas são tantas coisas maravilhosas que acontecem comigo que hoje sei que a felicidade pode ser alcançada e eu a alcancei. Sou um privilegiado por Deus em ser um deles. Olhe eu já vi um céu estrelado deitado na relva e em volta de uma fogueira cheia de amigos e amigas. Ali eu conheci as constelações, senti a grandeza da via láctea, eu vi um cometa brilhante no céu a uma velocidade incrível! E as estrelas faiscantes a brilharem no espaço? São coisas que o Escoteiro não esquece. E quando vejo isto mais e mais eu tenho a certeza que ser Escoteiro é fantástico e isto me transforma. Aprendo que devo ser puro nos meus pensamentos, nas minhas palavras e nas minhas ações, pois estou mais perto de Deus.

      Eu gostaria que um dia você pudesse junto comigo dormir sob as estrelas! Sentir a brisa da madrugada e vendo o vento balançar as árvores prá lá... E para cá... Ver o sol nascer e ele se pôr ainda vermelho no horizonte deixando uma marca profunda em nós. Quem sabe um dia você vai poder saborear o cheiro da terra molhada, o perfume das flores silvestres, o som maravilhoso da passarada voando pelos céus, do piar da coruja em um carvalho qualquer. Ver o lenho crepitando em uma bela fogueira onde todos brincam, riem, cantam e vão vendo as fagulhas subirem aos céus, languidas e serenas até que a aragem leva-as para longe.

      Olhe você nem imagina como é lindo ser escoteiro. Acho que é um privilégio de poucos. Mas uma alegria de muitos. Quando vejo a chuva caindo em uma floresta o som me envaidece um som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Acredite nós temos uma ternura imensa com a natureza. É ela quem nos aproxima mais e mais do criador. Muitas vezes não precisamos de bússola, encontramos facilmente o Norte e o Sul só de olhar para as folhas das arvores, ou então um ninho de pássaros. Como é gostoso seguir a sotavento, sentir o vento no rosto, descobrir as flores silvestres desabrochando nas campinas, nos vales e nas serras distantes. É, podemos tirar o calçado e molhar os pés nas águas geladas de um belo riacho e isto meu amigo é bom demais. Podemos sentar e tirar uma soneca em uma grande e frondosa árvore e é preciso experimentar quando o cheiro da relva balançada pelo vento soprar em nossa direção. E olhe, é maravilhoso ao chegar ao cume de uma montanha e ver o horizonte! Um espetáculo imperdível meu amigo!

      Mas olhe, não sei se terá a oportunidade de ter o que temos. Aqui aprendemos que o medo é próprio dos fracos e é preciso ter coragem e amor para conviver em uma vida saudável junto dos demais Escoteiros. Isto meu amigo nós chamamos companheirismo e fraternidade. Se um dia quiser eu te darei a mão e se esforçar quem sabe você pode até entrar em um Grupo Escoteiro. Mas lembro a você que qualquer um pode entrar, mas é importante saber que ser escoteiro não é para qualquer um!

     Se resolver mesmo, seja bem vindo, o receberei de braços abertos e tenho certeza você será mais um irmão de tantos milhões espalhados pelo mundo. E quando chegar vai saber que o nosso fundador Baden Powell disse que aqui em nosso movimento só os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda. E pode acreditar que você será muito bem recebido por todos nas centenas de países onde o escotismo existe. Saiba meu amigo que nós escoteiros somos amigos de todos e irmão dos demais escoteiros. Chegando seja bem vindo, farei questão de apertar sua mão, dar o meu abraço e meu Sempre Alerta!

Agora vamos lá, coloque sua mochila, cante comigo o Rataplã, vista seu uniforme, coloque seu chapéu de três bicos, ajeite seu bornal e dê um belo sorriso. Agora você vai entrar no mundo maravilhoso dos escoteiros e vai participar de uma grande aventura!

Boa noite e uma linda semana a todos!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cumprir os deveres, apesar das dificuldades.


Assim escreveu Baden-Powell.  
Cumprir os deveres, apesar das dificuldades.

Tenho sido mestre de não realização, mas eu tenho sido “Jack” de muitos, e, assim gostava de toda a variedade das coisas boas que o mundo tem a oferecer. Alguma vez você já pensou nisso, que a duração da vida adulta de um homem de 70 anos tem 291.000 horas de vigília?
A maioria dos homens dormem por oito horas, quando sete são suficientes. O homem que dorme durante sete horas ganha um adicional de três anos e mais, e assim pode acordar para a vida mais que os outros.

Eu achei um bom plano de dar-se, na imaginação, três anos a mais para viver. Sentir que você tem que fazer as coisas dentro desse tempo, se eles estão fazendo grandes sonhos em realidade, ou ganhar felicidade. O tempo não deve ser desperdiçado.
Os jovens, claro dizem que não querem ser guiados por números de volta aos antigos, mas ao mesmo tempo eu sei que no meu caso eu ganhei muito por estudar os personagens dos chefes com quem eu servi de vez em quando.
Lord Wolseley, por exemplo, disse: "Use seu bom senso em vez de instruções do livro.”.
Sir Baker Russell deu responsabilidade e confiança os seus oficiais. Também dotado de intuição rápida ele tomou decisões rápidas e, se certo ou errado, levou-os através de um estrondo para o sucesso, enquanto Sir Henry Smyth, exatamente o oposto, teve o cuidado meticuloso para pensar as coisas na linha certa, mesmo para usar as palavras exatas, então ele nunca cometeu um erro.

Cecil Rhodes, por outro lado, tinha uma visão muito ampla, mas era capaz de ignorar detalhes. Lord Roberts foi um dos que usou essa poderosa alavanca, o toque humano, e Senhor Plumer já jogou o jogo para seu lado, sem respeito a qualquer pensamento pessoal.
Sir Sangue Bindon, com toda sua experiência, estava sempre pronto a aprender.
Sir Frederick Carrington resfolegou em uma risada contagiante para quebrar todas as dificuldades quando surgiram.
Tal estudo de personagens que vivem me ajudou e vai ser de auxílio para aqueles que gostam de realizá-lo.
Muitas vezes me pediram os meus jovens amigos, quando confrontado com um adversário, para "jogar polo" com ele, ou seja, não ir com ele careca, mas a andar lado a lado com ele e, gradualmente, bordá-lo fora de sua faixa. Nunca perdi a paciência com ele. Se você está com a razão, não há necessidade, se você está no errado, você não pode dar ao luxo.

Em uma situação difícil um guia que nunca falha é de se perguntar: "O que Cristo fez?" Em seguida, fazê-lo, tanto quanto você puder.
Possivelmente, a melhor sugestão de forma condensada, de como viver, foi dado pelo meu velho diretor, Haig Brown, em 1904, quando escreveu a sua receita para a velhice:
- Uma dieta moderada e livre, liberdade de cuidar de sua base financeira, o trabalho abundante e pouco lazer, Um amor do dever mais que um prazer, uma mente equilibrada e contente e caridade com todos os homens, alguns pensamentos muito sagrados para exibição em plena luz do dia comum, um lar cheio de paz, uma esposa amorosa, crianças, que são a coroa da vida; Estes alongam os anos do homem além do período estreito do salmista.

Olhando para trás, por cima do meu próprio "espaço estreito", dois pontos brilhantes entre os muitos que, instintivamente, uma vez vêm à mente são:

- Em número de vida eu e todo tempo que vivi entre bons companheiros na estepe ensolarada na campanha Matabele, e na vida de número dois, chego um pouco de lado e me vejo arrastando para baixo até que seus dois braços pode chegar à volta do meu pescoço, quando com um beijo macio e úmido ela sussurra: "Só mais uma história de boa noite, papai”.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Chefe Ralph, ser ou não ser?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Chefe Ralph, ser ou não ser?

            Ralph aceitou a mudança da sua cidade para Rio Vermelho. Afinal a proposta da sua empresa era muito boa. Consultou Doda sua esposa e ela concordou. Ela não estava trabalhando e só cuidava de Robertinho e Lorena, quatro e seis anos respectivamente. A única tristeza de Ralph foi deixar o Grupo Escoteiro Estrela Cadente. Afinal ele e o Josué foram os fundadores. Uma pena mesmo, pois o grupo crescera e a o bairro inteiro aplaudia os escoteiros. Mas ele precisava pensar em sua vida profissional e viu ali em Rio Vermelho possibilidades nunca sonhadas. A despedida da tropa foi triste, mas Ralph fez tudo para deixar todos alegres. Afinal somos ou não somos irmãos? E isto não é mais que um até logo. Sempre que possivel virei aqui abraçar vocês! – O Anrê foi vibrante. Ralph amava aquele grupo. Agora precisava seguir em frente. Lembrava-se de um filme que assistiu - “Nada é para sempre” não era mesmo.

              A empresa comprou uma nova casa para ele. Todos estavam adorando e Ralph não perdia a oportunidade de sair com a família. Um dia foram acampar em um sitio próximo de um dos diretores da empresa. Claro não era um acampamento Escoteiro e sim um camping divertido e gostoso. E não foi uma surpresa que ao subir um riacho para procurar um bom remanso para pescar ele deu de cara com uma Tropa Escoteira. Mas eles não estavam sós, havia lobinhos, seniores, guias e vários pais. Eles chamavam de acampamento, mas acho que estavam enganados. Colocaram as barracas em circulo onde todos dormiam. Os pais cozinhavam. Ralph riu baixinho. - Bem pelo menos eles estão em busca da natureza e só isto já conta um ponto. No entanto isto não é um acampamento nos moldes de Giwell. O importante era se eles estavam felizes. Ralph encontrou o Chefe e se apresentou. Não foi assim àquelas coisas o aperto de mão. Mas Ralph não se incomodou.

               No sábado seguinte foi fazer uma visita ao Grupo. Quem sabe ele poderia ajudar? Afinal era um Escoteiro e participava do movimento desde lobinho. Colocou seu uniforme caqui, seu chapéu Escoteiro, sua calça curta e se olhou no espelho. Estava ótimo. Como era menos de cinco quarteirões foi a pé. Levou seus dois filhos consigo só para eles saírem um pouco. Ainda não tinham idade. Chegou à sede do grupo por volta de quinze para as duas da tarde. A reunião conforme foi informado começava às duas e meia. Tinha poucos jovens e nenhum adulto. Procurou-os e se apresentou a um por um. Eles estranharam e sorriram baixinho. Ralph notou que eles não estavam acostumados com chefes a cumprimentá-los. Só às duas e meia chegou o Chefe com uma sacola sem o uniforme. Sorriu para Ralph e pediu alguns minutos, pois ele iria vestir o uniforme. Logo em seguida chegou mais dois, também sem uniforme e entraram na sede. Uma senhora dos seus sessenta anos também chegou com a saia e blusa, mas sem o lenço, foi também para a sede.

                Só às três horas todos foram chamados para o cerimonial de bandeira. Agora os chefes estavam uniformizados, mas esperaram alguns seniores que também foram se trocar na sede. Ralph nunca tinha visto isto. Sempre achou que o uniforme faz parte do Escoteiro. Ele é o melhor veículo para mostrar quem somos. Se os chefes davam os exemplos claro que os demais também o seguiriam, pois achavam ter os mesmos direitos. Na primeira oportunidade Ralph perguntou ao Chefe o porquê eles não vinham de uniforme de casa. – O senhor sabe, o uniforme serve para padronizar uma organização e mostrar o que somos. - Sem querer ofender – ele continuou, tenho visto muitos dizerem que o escotismo a gente traz no coração e isto é verdade, no entanto não significa que devemos andar sem ele. O próprio fundador do escotismo já dizia que devíamos nos orgulhar do nosso uniforme.

               O Chefe tentou se explicar e falou e falou. Alguns vinham direto do serviço e outros iriam para atividades fora de sua residência. Ralph pensou que isto era uma desculpa. Quem sabe já acostumaram assim. Viu logo que isto poderia desanimar os jovens, pois ele sabia que o sonho de todos quando buscavam o escotismo era vestir o uniforme, sem o exemplo do Chefe isto poderia deixar a desejar. Ralph quando foi ao Grupo pensou em pedir para ser um deles. Agora pensou muito se deveria fazer isto. Notou que muitos dos chefes e seniores depois que saíram da sede com seu uniforme não o cumprimentaram. Viu que ali a fraternidade não era o que ele sempre conhecera. O Chefe o olhou ressabiado. – Olhe porque não vem participar conosco? Nosso Chefe de Tropa tem faltado muito e já disse de sua intenção em sair do grupo.

             Ralph perguntou se eles tinham Conselho de Chefes e quando seria a reunião. O Chefe disse que não precisava. Resolviam ali durante as atividades tudo que precisavam resolver. – Seria possivel o Senhor marcar um Conselho de Chefes para me apresentar? Eu teria algumas observações a fazer. – Meu amigo ele disse, nunca fizemos. Eu resolvo tudo. Apresento você na ferradura e pronto. Ninguém vai contra meus desejos! – Ralph agradeceu o Chefe e disse que iria pensar. Já estava resolvido que não ia participar daquele grupo. Um grupo onde o Chefe determinava e mandava sem consultar a ninguém. Faziam um escotismo triste, pois viu que nas sessões poucos sorriam e aquela de vestir o uniforme na sede? Isto era duro de engolir.

              Ralph nunca mais voltou aquele grupo. Que eles fossem felizes, mas sem ele. Se eles gostavam assim que assim fosse feito. Ele sabia que precisava de um grupo e porque não começar um do nada? Não era difícil e até que foi fácil demais. Na reunião de pais da escola dos filhos ele procurou a diretora e dai para começar foi um pulo. Claro que ele manteve contato com os chefes do grupo que foi visitar, mas sempre os viu tristes, como se ir para uma reunião escoteira fosse uma obrigação e não um prazer. Sempre que ia para a sede ia cantando e todos das ruas onde ele passava sorriam ao vê-lo passar. Era isso mesmo que ele queria. Amava o escotismo e precisava mostrar a toda à comunidade do bairro que escotismo era bom, era necessário para a formação sadia da juventude. O uniforme era um auxilio para isto. Ele sabia que um Escoteiro bem uniformizado tem um papel relevante para o reconhecimento do escotismo no mundo.