Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 12 de março de 2020

Papo de Velho Escoteiro. O COVID-19 vulgo Corona está no PAXTU ou no POR?




Papo de Velho Escoteiro.
O COVID-19 vulgo Corona está no PAXTU ou no POR?

Debrucei nos meus arquivos, que tem mais de 38 artigos para publicar cujo tópico chamo amavelmente de “Crônicas de um Velho Escoteiro”, evito colocar rabugento, ranzinza e ranheta. Tudo bem sou um velho Escoteiro mesmo, daqueles lá das bandas das Gerais, dos anos quarenta que nem lembro mais. Não sou tão antigo e nem me dou ao luxo de dizer que sou um “Velho Lobo”. Esgaravatei página por pagina e vi que ali tinha um bom manancial para postar e ver muitos curtindo alguns poucos compartilhando e alguns gatos pingados comentando sobre o tempo e outros dizendo olá meu Chefe, tudo bem? Mas será que isso não é bom demais? Afinal ainda os tenho e conservar faz parte da minha formação do artigo da lei que amo: O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros... Disso faço questão e não abro mão! Nem que a Escoteiros do Brasil me peça para ir para aquele lugar, logo penso que é Shangri-lá, pois toda vez que acampava nas Montanhas do Ibituruna, logo pensava na descrição da cidade: Um lugar paradisíaco situado nas montanhas dos Himalaia, panoramas maravilhoso onde o tempo parece deter-se em ambiente de paz, felicidade e fraternidade...

Mas eis que surpreendentemente, recebo do meu amado filho Marcus, um áudio do doutor Fabio Jatene do Incor sobre o tal Corona, que sei não está no Paxtu e nem no POR. Ouvi com atenção. Francamente estou prá lá do Aiatolá e de tanta gente infectada. Os órgãos da imprensa não tem outro assunto. Uma TV por assinatura chega ao ponto de dedicar duas horas ouvindo os experts no assunto. Bem, educadamente para atender ao meu filho, ouvi o áudio do começo ao fim. Quer saber? O melhor que ouvi até agora. Deverasmente fiquei preocupado. Afinal chegando nos oitenta, velho rabugento, cara de comadre que comeu tomate com limão, não posso facilitar. Tenho a tal de diabete, da pressão alta e o melhor um Enfizema Pulmonar que me comeu metade do pulmão, me deixou sem ar, fraco como diz a galinha d’angola – Tô fraco! Tô fraco! Sou presa fácil para o tal Covid-19. Mas olhe, sou durão, mesmo com a minha bengala percorro 800 metros todos os dias e ainda faço alguns exercícios naqueles aparelhos de parques e etc;

E eis que tive uma ideia... Eureka! Porque não imitar o Chefe Zezé, aquele que com seus oitenta e quatro anos resolveu fazer o seu último acampamento? Ainda não leu? Um conto batuta se der vou publicar hoje à noite. Ele se revoltou por não o deixarem viver seu sonho de fazer o seu último acampamento, como sempre fazia a “lá Escoteira”, aquele que anda só. De madrugada, mochila no costado, cantil faca e facão e sua inseparável Silva para lhe mostrar o caminho, partiu sem ninguém ver e foi acampar onde sempre sonhava em ir. No sopé da montanha do falcão, onde havia um bosque com arvores de abacate, mangas e goiabas, Jatobás e Jenipapo e melhor, perto de tantas nascentes, comida farta na floresta, peixes pulando no remanso do Rio Pardo ele sabia que ali era sem éden, seu paraíso. Sabia que ali ele poderia viver para sempre. Sua família prá lá de preocupada, procurou e só dois meses depois o encontrou. Assustaram quando o viram sorridente, engordou corpo curado, pulmão sorrindo, o ar dando gritos de prazer. O levaram de volta a contragosto, jurou voltar, ali seria sua morada seu Paxtu seu ultimo lar aqui na terra!

E então começo a fazer planos. Aonde ir? Na mata do Tenente onde iniciei minha saga de Tarzan? No postado do Pico do Ibituruna onde centenas de vezes escalei? Nas matas de Derribadinha, jangadeiro a atravessar o Rio Doce para me encontrar com Guaraciaba, meu amigo cacique da Tribo dos Botocudos que penso nem existir mais... Faço mil planos. Sei que se encontrar uma floresta paradisíaca ficarei livre deste vírus infernal. Sei que onde escolher não haverá animais infectados, nem mesmo os macacos-pregos-dourados que dizem ser presa fácil da febre amarela que matou muita gente, mas que ninguém tem medo como tem do tal Corona... Resolvo treinar... Me adestrar... Ando devagar com minha amada bengala. Como fazer pioneiras com ela? Como entrar no remanso para brincar com os peixinhos se meus ouvidos zumbem quando entra água fria? Um casal de namorados passa por mim apressados. Não sei se estavam fazendo o passo duplo ou o passo escoteiro. Penso calmamente se vou aguentar esta nova aventura, bem maior que aquela feita a pé em Barra do Cuieté Velho, onde mataram o padre assobiador.

Célia, minha amada esposa desaconselhou. Marido vai ficar livre do tal Corona, vai respirar ar puro, irás comer do bom e do melhor do que colher e pescar em qualquer Shangri-la que encontrar... Mas e eu? Não estarei ao seu lado? Não posso deixar os filhos que estão aqui, nem os netos, não posso ficar longe da Maria Eduarda nossa bisneta que me encanta e a quem amo tanto! Célia tinha razão. Melhor é ficar longe de aglomeração. Lavar as mãos oitenta vezes por dia (acho que elas irão desaparecer no sabão) tossir na “cacunda” do cotovelo do braço. Mas sei que isso é pouco, se alguém com o vírus escoteiro, opa! Vírus mortal me pegar, irei sorrindo para meu outro lugar. Sei que lá um dia todos irão me encontrar. Levarei saudades da minha amada, dos que tem o mesmo sangue que eu. Levarei saudades da escoteirada, que por alguns dias irão lembrar do Velho Chefe Rabugento, nas paginas do aqui agora e depois... Baú,  baú!

Porque tudo isso? Porque um vírus sarnento chegar de mansinho para levar a gente para o céu? Que seja o que Deus quiser. Enquanto isso continuo a sonhar, como sonhou o Chefe Zezé. Na minha varanda calado, medito por algum tempo. O que ele fez tento acreditar que foi verdadeira felicidade. Trinta dias nas Serras do Cantagalo. Local maravilhoso, linda aguada, um céu incrível e bom para contar estrelas... Lembro quando ele me disse que montou um campo só dele, tinha tudo que eu podia imaginar... Sua cabana de galhos, folhas e capim aguentou chuvas e vendavais. A fartura era imensa, aipim, jabuticabas, bananas caturra, taioba, maracujá, mamões e frutas silvestres. Chefe lembro que ele falou... Ali foi meu éden meu paraíso. Quero rever o Caminheiro e a Midiata dois lobos amigos, quero rever os Quatis que me acompanhavam aonde ia. Quero conversar com Morena a linda Coruja buraqueira que nunca me deixou só...

Corona Vírus... Se todos pudessem acampar a “Escoteira” como o Chefe Zezé, ele já  teria sido extinto. Como daria minha vida para voltar no tempo, nas matas do Tenente, nos campos dourados de Derribadinha, no Pico do Ibituruna ou na Serra do Cipó. Poderia mesmo me esconder como aquela vez que me perdi em Lagoa Santa, nas grutas da Lapinha e Sumidouro. Lá só encontrei encantos, graciosidade, ar puro e estrelas a granel. Mas gente escoteira, não dá, tenho que enfrentar a realidade, farei tudo para evitar esta moléstia que assola o meu Brasil. Mas se ela me encontrar, vou usar o meu bastão de duas e meia polegada com ponteira de aço, vai ser uma luta infernal. Que seja que vença o melhor e que Deus me ajude na última batalha da minha vida!  

domingo, 8 de março de 2020

DIA INTERNACIONAL DA MULHER. A história da Co-Educação no Brasil. Por Rubem Suffert




DIA INTERNACIONAL DA MULHER.
A história da Co-Educação no Brasil.
Por Rubem Suffert

Adendo: - Por ocasião do dia internacional da mulher realizado nesta data, em que todos nós parabenizamos as escoteiras de todas as idades lembramos que devemos também agradecer ao Chefe Rubem Suffert, que foi o maior responsável pela Co-educação implantada no Brasil na década de oitenta. Hoje o efetivo delas ultrapassa os 35% em relação ao efetivo masculino. A cada ano se tornam uma força no Escotismo Nacional. Ao Chefe Rubem Suffert, nossos parabéns e a ele eu faço questão de tirar o meu chapéu!  

História da Co-educação no Brasil.
A co-educação no Brasil.
Por Rubem Suffert

Texto elaborado pela Região Escoteira do Distrito Federal com base nos documentos oficiais da UEB.

Introdução
A proposta de co-educação, oferecida pela União dos Escoteiros do Brasil, integra-se nas finalidades educacionais do Escotismo, diante de uma realidade em que muitas famílias e comunidades não compreendiam a razão de discriminarmos de nosso Movimento, as meninas e moças, muitas delas irmãs de escoteiros.

Histórico
Já em diversas ocasiões, entre 1914 e 1950, várias foram as oportunidades para a participação de moças no Escotismo, desde dezembro de 1914 com o surgimento, em São Paulo, da Associação Brasileira de Escoteiras. Mas, como Seções mistas, praticando a co-educação, ela foi aplicada em caráter experimental pela UEB, desde agosto de 1968 ao ano de 1972, no ramo pioneiro. Até então a presença feminina somente era permitida nas chefias de Alcateias. Em maio de 1978, começaram a funcionar as duas primeiras Alcateias Mistas Experimentais, que juntamente com Alcateias de Lobinhas foram adotadas em 16 Grupos Escoteiros Experimentais, sendo que 4 do Distrito Federal. As dúvidas sobre a viabilidade de aplicação da co-educação no ramo lobinho, assim como nos ramos escoteiro e sênior, foram esclarecidas pelas experiências em desenvolvimento. A aplicação na maioria das Associações Escoteiras da Região Interamericana e Europeia, em grande número de países em outras regiões do mundo, também estão a demonstrar a possibilidade desse trabalho, que pode ser implementado na forma da legislação brasileira e escoteira mundial. No ramo pioneiro a co-educação foi oficializada no mês de abril de 1979, sendo iniciada as experiências com escoteiras em maio de 1980 e com guias escoteiras em fevereiro de 1981. A partir de 1982 todos os Grupos Escoteiros da UEB puderam ter lobinhas, desde que atendessem a um conjunto de pré-requisitos.

Em janeiro de 1981 foi realizado no Parque Saint Hilaire pela 1ª vez um Jamboree Panamericano Misto, após a histórica presença de três pioneiras do Brasil no II Jamboree Panamericano, em 1970. Em julho de 1983 foi realizado no Canadá o XV Jamboree Mundial, pela 1ª vez com a presença de moças. A partir de julho de 1983, a co-educação foi oficializada no Brasil no ramo escoteiro, de forma paralela e com chefias do mesmo sexo que os jovens, desde que atendidos os respectivos pré-requisitos, após a análise dos resultados em 13 Grupos Escoteiros Experimentais que possuíam Tropas de Escoteiras. Finalmente, para o ramo sênior a oficialização das Tropas de Guias Escoteiras, em paralelo e com chefias do mesmo sexo que os jovens, ocorreu a partir de outubro de 1984.

Em abril de 1990 foi elaborado por alguns Comissários e depois pela CNOC – Comissão Nacional de Orientação e Coordenação o projeto “Chapada dos Guimarães”, devidamente aprovado pela Direção Nacional para experimentar uma nova etapa da co-educação, com as Tropas e Patrulhas Mistas, bem como chefias mistas nestes dois ramos, sendo esta forma adotada posteriormente pela UEB.

Conceito
O III Seminário Nacional de Programa, realizado em Brasília em setembro de 1981, estabeleceu o seguinte conceito para a co-educação no Escotismo Brasileiro: “A co-educação é um processo pelo qual meninas e meninos, moças e rapazes vivenciam um plano educacional para um melhor e mais harmônico desenvolvimento da personalidade, favorecendo a educação recíproca de uns pelos outros e levando em consideração as realidades locais e pessoais. Isto tendo presente o Propósito e o Método do Escotismo. A co-educação não é, portanto, simplesmente uma questão de reunir crianças e jovens de ambos os sexos.”.

Justificativas
A implementação da co-educação no Escotismo Brasileiro tem como principais justificativas:
1.     Propiciar uma formação mais adequada à criança e ao jovem;
2.     Possibilitar uma maior integração da família no Escotismo, possibilitando que todos os filhos possam participar do Grupo Escoteiro;
3.     Ampliar a participação feminina no Movimento;
4.     Contribuir com a redução do preconceito de gênero.
5.      
Vantagens de cada modelo de Seção
Numa análise comparativa, resultante da experiência desenvolvida, podemos relacionar as seguintes vantagens de cada alternativa, destacando que a Região Escoteira do Distrito Federal reforça o modelo das Seções Mistas:
Seções Paralelas
·       Assegura maior privacidade de cada sexo (aos meninos e meninas, rapazes e moças);
·       Evita a divisão do trabalho nos papéis tradicionais (trabalhos manuais e força);
·       A atuação da chefia não é tão diversificada como nas Seções Mistas;
·       Permite uma progressão na co-educação (que pode resultar em Seções Mistas e depois em Equipes Mistas).
Seções Mistas
·       Acompanha outras organizações sociais (escola, igreja, empresas, clubes, etc…);
·       Ensina a aceitar a liderança de outro sexo e treina na liderança co-educativa;
·       Propicia uma aprendizagem na cooperação e respeito entre os sexos (nas quais o exemplo da chefia é essencial);
·       É mais próximo do tipo de trabalho do Clã Pioneiro, que geralmente é misto;
·       Reduz a discriminação de meninas e moças, já que não destaca a diferenciação.
·        
Vantagens de cada modelo de Patrulha
Numa análise comparativa, resultante da experiência desenvolvida em vários Grupos Escoteiros, podemos relacionar as seguintes vantagens de cada alternativa:
Equipes Paralelas
·       Assegura maior privacidade de cada sexo (aos meninos e meninas, rapazes e moças) em especial nas atividades ao ar livre;
·       Evita a divisão dos trabalhos na equipe nos papéis tradicionais (trabalhos manuais e força);
·       A atuação da Monitoria é mais simples do que nas Equipes Mistas;
·       Permite uma progressão da co-educação (que pode resultar em Equipes Mistas).
Equipes Mistas
·       Acompanha a forma de equipes na maioria das outras organizações sociais (escola, igreja, empresas, clubes, etc…);
·       Ensina a aceitar a liderança de outro sexo e treina na liderança co-educativa;
·       Propiciar uma aprendizagem na cooperação e respeito entre os sexos;
·       Reduz ainda mais a discriminação de meninas e moças, já que não destaca essa diferenciação.
·        
Implementação da Co-educação
A adoção de uma Alcateia Mista requer a chefia também mista nessa seção. Após a ideia ter amadurecido entre as crianças, uma reunião do Conselho de Seção com os pais pode debater a decisão adotada e analisar suas vantagens e desvantagens. A decisão é tomada pela Diretoria do Grupo Escoteiro.

A prática recomenda que a transformação de Tropas Escoteiras e Patrulhas em Mistas sejam iniciadas nos Grupos Escoteiros, dispondo de chefias mistas e após o funcionamento por alguns anos, das Alcateias Mistas, favorecendo que já exista na Unidade Escoteira Local a vivência anterior dessa forma de trabalho.

Da mesma forma, a transformação no ramo sênior, de Tropas de Seniores e de Guias Escoteiras em Tropas Seniores Mistas, bem como a adoção de Patrulhas Seniores Mistas, requer a disponibilidade de chefia mista e deve ser precedida da implantação dessa sistemática na Tropa Escoteira, alguns anos antes.

Para favorecer a implantação das Tropas e Patrulhas Mistas, reuniões podem ser realizadas das chefias das duas Seções e das Cortes de Honra das duas Tropas (masculina e feminina) com frequência crescente.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Conversa ao pé do fogo. Porque não contar uma historia?




Conversa ao pé do fogo.
Porque não contar uma historia?

... - Dizem que contadores de Histórias quando deixam a terra têm um lugar especial lá no céu. Eles ficam junto das crianças que foram na frente de seus pais e lá ficam para alegrar coraçõezinhos e dar a eles uma esperança para voltar a sorrir!

                    “Não há quem resista a boas histórias. Nas páginas dos livros, dos jornais e das revistas, na tela do computador e na televisão, narradas presencialmente ou transmitidas pelo rádio... Seja lá onde e como aparecem, elas encantam, amedrontam, fazem rir ou chorar, assustam e são capazes de levar, ainda que em pensamento, há lugares distantes pessoas de qualquer idade, especialmente as crianças”. E quem resiste a uma história bem contada ao pé do fogo? Vendo o crepitar da fogueira, olhando como hipnotizado para as fagulhas que se espalham no céu, e como um lobinho feliz abre os olhos e ouvidos para ouvir e viajar na história que o Chefe ou um lobo está contando? A mente está ali fixa no conto, que vai desenrolar uma aventura e ele parte célere junto à história com as personagens. Pode agora ser um herói, um explorador, um grande acampador e naquela história tudo se confunde com sua vida e seus sonhos.

                  “Contar histórias é uma das mais belas ocupações humanas: E a Grécia assim o compreendeu, divinizando Homero que não era mais que um sublime contador de contos da carochinha” Todas as outras ocupações humanas tendem mais ou menos a explorar o homem; só essa de contar histórias se dedica amoravelmente a entretê-lo, o que tantas vezes equivale a consolá-lo. Infelizmente, quase sempre, os contistas estragam os seus contos por os encherem de literatura, de tanta literatura que nos sufoca a vida! Dizia Eça de Queiróz. Mas eu gosto de começar e terminar um conto, uma história. Seja uma lenda, ou seja, real. Um dia descobri as histórias das mil e uma noites. Conta à lenda que na antiga Pérsia o Rei Shariar descobre que foi traído pela esposa, que tinha um servo por amante, o Rei despeitado e enfurecido matou os dois. Depois, toma uma terrível decisão: todas as noites, casar-se-ia com uma nova mulher e, na manhã seguinte, ordenaria a sua execução, para nunca mais ser traído. E foi então que apareceu Sherazade... Nas suas belas histórias das “mil e uma noites”. Era uma vez... Um dia conto uma delas.

                         Quem não gosta de contar uma história? Dizem que contar histórias é uma arte, pode até ser, mas é uma arte gostosa, palatável de agrado geral. Histórias se contam em todos os lugares, mas nos Fogo de Conselhos e Conversas ao Pé do Fogo elas têm seu lugar. A fogueira alta, o contador de história ilustrando sua narração e fazendo seus gestos, em voz pausada ou mais alta, tentando mostrar as personagens, e todos de olhos fixos tentando ser mais um participante daquela história maravilhosa. Os olhos da moçada não piscam. Sei que até mesmo os adultos se sentem hipnotizados pelo narrador e sua historia. Mesmo aqueles que já estiveram ali por muitas vezes são atraídos pelos grilos e pirilampos com suas luzes brilhantes e saltitantes parecem querer também participar da história. É lindo estar ali com amigos, vendo um céu de estrelas, ouvindo o piar de uma coruja escondida em um carvalho com seus olhos brilhantes em um galho qualquer.

É gostoso ouvir o ruído da noite, um contador de histórias perfeito, a gente enrolado na manta se enrosca em um tronco para melhor sentir o calor da história. Nas brasas o bule de café, e enquanto a história vai sendo contada alguém dedilha um violão encantado baixinho, um toque saudoso ao luar. Ouvidos atentos, olhar penetrante cada um vai sentido o ar puro da floresta invadir a seara do Fogo de Conselho. Em determinada hora se ouve os sapos coaxando na lagoa próxima. A brisa não para de soprar. Os velhos mateiros sabem que já está na hora de ouvir o canto do Uirapuru lá bem no fundo da floresta. É um fogo especial, não tem hora para terminar. Outras histórias serão contadas, uma peça bem montada, alguém dá uma gargalhada e quem sabe pode até chorar. Contadores de Histórias atraem até os anjos lá do céu. E você meu amigo que está a ler, se achegue, se assente, venha ouvir e cantar conosco. Sinta-se em casa e se quiser, pode contar uma história, duas o quanto quiser...

“Era uma vez... Num país muito distante, em uma linda floresta verde e amarela como as cores do Brasil, uma matilha de lobinhos e uma Patrulha escoteira resolveram um dia acampar”...



quarta-feira, 4 de março de 2020

Estou à procura... De um chefe Escoteiro.




Estou à procura...

... Esse artigo foi escrito por mim em 2017. Todo ano posto aqui pensando que agora temos uma plêiade de bons chefes para que nosso movimento possa crescer em quantidade e qualidade. Espero que você seja um dos que procuro!

... Estou à procura de um Chefe Escoteiro. Não precisa ter sido menino escoteiro de outrora, mas se for melhor. Isto, no entanto não é importante, pois se está começando sua conduta dirá se seria o Chefe escoteiro que procuro. Não precisa ter beleza exterior, mas tem que ser um Chefe elegante, educado, que trate as pessoas com cortesia e fraternidade. Que tenha a palavra servir em tudo que fizer. Que siga os preceitos de São Francisco quando escreveu que é dando que se recebe que é perdoando que se é perdoado. Precisa ser um Chefe que respeita e assim ser respeitado. Um Chefe que sabe o significado da lealdade, da palavra dada, da ética escoteira da fraternidade que abraçou entregando seu coração ao escotismo e suas leis. ... Eu procuro um Chefe, pode ser homem ou mulher, não importa a idade a riqueza a cor ou sua origem. Que seja um líder um cavalheiro que traga segurança para que todos possam acreditar no seu modo de agir. Que tenha sempre um sorriso mesmo nas piores situações. Que traga conforto nas palavras e no exemplo para ser seguido pelos seus rapazes e moças. Que saiba motivar em todos os momentos da sua vida. Eu preciso de um Chefe, não para mim, mas para o escotismo que amo e que ele ame como eu, sem ser um fanático, sem fantasias ou místicas irreais. ... Eu estou à procura de um Chefe, que tenha um código de conduta, que leva a serio sua promessa escoteira e que a leve junto por toda sua vida. É necessário que ele seja verdadeiro, um escoteiro de caráter que se necessário daria sua vida pela honra, pela ética e pela sua palavra quando disse a todos ao redor que faria o melhor possível para obedecer a Lei do Escoteiro. Que ele seja útil a sua comunidade, que seja amigável, alegre e atencioso. Que seja cerimonioso sem ser fanático, que seja corajoso nas suas atitudes e não na sua força. ... Não sei se encontrarei um Chefe assim. Econômico sem ser sovina, que seja limpo de corpo e alma. Procuro nas ruas nas praças, nas casas, nos apartamentos nas fazendas sítios e ou nas esquinas da vida, um Chefe, que tenha o Espírito Escoteiro, que faça vibrar seus amigos e irmãos de menor idade. Que deite no chão, que role com eles na terra na grama ou no barro, que cante, que não reclame e que saiba que está ali para servir e não ser servido. Um Chefe que se preciso fique sem comer para que os jovens nunca tenham fome... - Eu procuro... Eu busco, estou a rastrear se existe um Chefe assim. Não precisa ser Formador, ter comendas, medalhas, insígnia ou anos de tempo escoteiro. Basta ter um sorriso franco, que só de olhar conquista corações. Que saiba ofertas de cargos, pois sua labuta e formar jovens e que seu apostolado não seja perdido nas teias da jactância, no esnobismo, na insolência e presunção. Afinal eu procuro um Chefe Escoteiro, é tão difícil encontrar alguém assim?
- Desculpe, coloquei a foto de Baden-Powell, pois ainda não tenho um perfil do Chefe que procuro quem sabe você pode me ajudar?

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Escoteiros Florestais, para eles eu tiro meu chapéu!




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Escoteiros Florestais, para eles eu tiro meu chapéu!

- Todos sabem, nasci na União dos Escoteiros do Brasil. Luto por um escotismo sem vaidades, sem opulência, sem ostentação, aquele que segue os rastos do fundador, que tem como preocupação a formação dos jovens no aprimoramento do seu caráter, da ética e vivencia da Lei do Escoteiro. Decepciono-me com a nova formação diferente que recebi da Minha Querida União dos Escoteiros do Brasil e se tornou a Escoteiros do Brasil. À opulência de ser o melhor, de fazer o melhor, da aparência visual que não tem mais aquele garbo que conhecia no passado. Sei que muitos ainda que lutam em suas fileiras percorrem o caminho idealizado por Robert Baden-Powell. Outros, no entanto querem ter o poder, sonham com o endeusamento, ficam a se mostrar com seus penduricalhos recebidos e esquecendo o menino, o jovem aquele que merece estar no topo da pirâmide, pois ele é o escotismo, é para ele que a doutrina de BP foi criada. Estão a se preocupar com a riqueza, a ostentação e esquecendo as bases fundamentais que o “Criador” deixou para nós.

Acompanho pelas redes sociais as demais associações escoteiras que nasceram voltando suas bases para o escotismo tradicional com o método do fundador, dentro dos princípios da Lei e Promessa e da formação individual. Ainda são poucos, alguns amigos me contam como é, outros vão ficando a margem por não encontrar o sonho escoteiro que ficou somente na imaginação. E eis que me surpreendo com o Escotismo Florestal. Pequeno ainda comparado ao aparato grandioso da Escoteiros do Brasil. Seu Líder Luiz Fidelis está aí, sorrindo, junto da meninada, acreditando no seu novo método voltado para a natureza. Faltam neles o verdadeiro sistema de patrulhas, a metodologia badeniana, mas a simplicidade, a maneira de achar seu caminho, a vontade de vencer e formar jovens para um futuro brilhante, está à vista e isso é extraordinário, memorável, merece palmas, seja a escoteira, a mexicana, seja a fumacinha, seja um dedinho e muitos dedões. Tira-se o chapéu!

Tive a honra e o privilégio de conhecer Fidelis pessoalmente. Sua família, seus filhos supimpas, a educação que receberam espanta. Vejo meninos florestais nas fotos, nos vídeos, o idealismo sem fanatismo, as saudações, a alegria e principalmente a uniformidade. Todos são iguais sem lenços de Gilwell, sem arganel, sem colar sem medalhas, sem fotos monumentais de cursos, de formadores que hoje é um sonho de boa parte dos participantes da Escoteiros do Brasil. São voluntários simples, alegres, dando seu tempo livre sem nada em troca, há não ser o ideal de servir. O esforço de cada um compensa. Sei que no futuro isto terá resultados para a formação daquele jovem que participou da sua metodologia.

Não se vê os Florestais se enaltecendo, não se vê o Fidelis desmerecendo qualquer associação. Como as demais também recebeu ameaças, promessas de processos e nunca postou ou disse nada que desabonasse a qualquer um. Um cavalheiro Escoteiro! Gosto de ver os vídeos, os meninos saudando, o sorriso, o mesmo lenço igual sem nenhuma conotação de dar a alguns o privilegio de usar outro para se mostrar superior. E as fotos? Lindas, meninos, meninas, homens, mulheres todos iguais perante a Lei dos Florestais. Não se vê falar em punições, em admoestações, nos Florestais não precisam de Comissão de Ética, de faturar à custa de badulaques e tralhas escoteiras. Não tem cantina suntuosa, sede tipo palácio, não tem jamboree onde são vão os chefes, onde eles estão na crista da onda do Escotismo para se mostrar em fotos, em causos em viagens de avião e aquela suntuosidade das barracas onde irão ficar.

Se correm, se gritam, se formam, se saúdam a bandeira, se dizem Sempre Alerta, se cantam se aprendem se existe pseudo saudosismo na formação militar, eu só tenho que parabenizar. Antes me preocupava com o futuro nas demais associações chamadas de tradicionais, onde um líder criou, dirige organiza, e sozinho luta contra as ameaças da EB. Pensava e ainda penso quando este líder faltar se haverá continuidade na associação. Fidelis inteligente está criando uma equipe das boas. Sua associação já ultrapassa as fronteiras do seu estado. Cresce com os pés no chão. E olhe, faz um dos melhores Marketing escoteiro do Brasil. Não tem Diretores, presidentes, não tem Formadores, não tem Insígnias e se tem desconheço as condecorações, grupos padrões, premiação para isso e aquilo e privilegio de viagens internacionais. Nem mesmo os suntuosos certificados de agradecimento que corre solto na Escoteiros do Brasil.

Tudo é muito simples. Necas de curso tal, de curso avançado, de nível não sei o que. Não tem fotos de figurões e graças a Deus não tem ninguém uniformizado com camisa solta e sandálias sem meias. Chapéu é um só. Lenço de uma só cor. Quanto custa tudo isso? Vende na Loja Escoteira? Recebe por cartão de crédito dólar e o escambau? Não... Lá nos Florestais não falta modéstia, não falta discrição, não falta cavalheirismo tão esquecido pelos que se acham donos do escotismo nacional. Lá nos florestais não existe a preocupação de cargo, de função, de evasão, de registro, de deveres sem retorno. Lá nos florestais existe sim a amizade, a fraternidade o desejo de servir e ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião. Lá nos florestais eles dizem e eu acredito que são todos irmãos.

Aos meus amigos Escoteiros Florestais, meus parabéns. Que continue assim por todo o sempre. É um novo escotismo surgindo, quem sabe se Baden-Powell ainda fosse vivo, iria tirar o chapéu para vocês. Lembrem-se Este Velho Chefe Escoteiro se sente honrado em ter amigos como vocês. Sem desmerecer a todas as associações escoteiras onde tenho grandes amizades e recebo pomposos abraços e saudações, para vocês Escoteiros Florestais eu tiro meu chapéu, e faço questão de dizer bem alto o Grito da União dos Escoteiros do Brasil tão esquecido:

- Anrê! Anrê! Anrê!
Pru Brasil?
Maracatu!

Sempre Alerta para Servir!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Conversa ao pé do fogo. Existem limites para continuar?



Conversa ao pé do fogo.
Existem limites para continuar?

... – Transcrito de uma observação de um amigo em uma publicação minha: - Infelizmente, chefe, se tendência a isso... Vida longa aos tradicionais (?). Escoteiros de verdade ainda firme na sua uniformização. Hoje vejo aquela “roupinha” ridícula, de meias vermelhas, tênis amarelo, lenço sem arganel, camisa fora da calça, cabelos verdes, amarelos, tri... Penta, hexa cor. Uma tropa horrorosa, desleixada e que sem nenhuma técnica ou Lei Escoteira no coração vão fazendo escotismo por alguns meses, pois logo saem para nunca mais voltar...

- Às vezes eu me pergunto... O que estou ainda fazendo aqui? Vale a pena minhas crônicas minhas histórias no seio da Patria Amada Escoteira do meu Brasil? Não seria melhor me abdicar dos meus pendores se é que tenho algum, dos meus amores, da minha admiração dos meus velhos tempos e esquecer que ainda sou um Escoteiro do Brasil? Por escolha pessoal não tenho laços com nenhum Grupo Escoteiro, não sou convidado para nenhuma atividade em nível distrital regional ou nacional e não tenho vínculos com a associação escoteira que amei. A União dos Escoteiros do Brasil é agora uma sombra do que foi. De união partiu para ser uma só entidade. Escoteiros do Brasil. Tudo se resume a grandiosidade, agride a fraternidade com esta pujança de ser a melhor. Somos tantos, temos tanto, e de tanto em tanto se esqueceu do seu papel fundamental: - Formar jovens dentro dos princípios educativos que propôs o Líder Escoteiro Robert Baden-Powell.

Cansa, e se cansa estou cansado demais para ver tanta mediocridade que nesta época os novos pedagogos e pensadores (eles existem?) dão a bula de como fazer o escotismo moderno nos  dias de hoje. Que me desculpem os arautos do saber. Os jovens hoje em sua maioria são massa de manobra nas mãos de ecléticos donos do poder que acreditam saber qual o melhor caminho a seguir e o caminho a evitar sem perguntar, sem pesquisar e ver se os resultados foram os esperados. Eles os paladinos da nova geração salpicam a sua maneira onde está o futuro que devemos buscar, e para isto tomam as rédeas sem ao menos ser amistoso com aqueles que como ele se preocupam se este seria o caminho para o sucesso.  

Não serve como fonte as conversas, as anotações, os comentários, as postagens nas redes sociais para saber se estamos seguindo o caminho correto. Posso estar enganado, mas boa parte dos dirigentes dos Grupos Escoteiros, dos chefes, preferem ficar em OF e fazerem seu trabalho sem alarde, sabendo que o escotismo é para os jovens e é este o caminho a seguir. Eu na minha ingenuidade às vezes pergunto aos demais: - Os jovens foram consultados? Seria este o escotismo moderno que escolheram e adotaram como linha de vida no seu crescimento individual no seu crescimento escoteiro? Costumo ficar boquiaberto com o que leio pensando se é assim que devemos fazer escotismo. Cada um oferece para dar testemunho na sua maneira de pensar. É um tal do meu grupo faz assim, minha tropa é assado, minha alcatéia adora, e quando vejo uma foto quase desfaleço... Lá estão meia dúzia de gatos pingados, escorados em seu bastão, outros em uma sala fazendo reunião, gritando melhor, melhor e o escotismo para aqueles meninos e meninas será uma breve passagem no tempo do que um dia sonharam encontrar.

Há uma carga de eletricidade no ar. Lá dos States vem a noticia que muitos nunca quiseram ler: - “Os Boy Scouts of America se declaram em bancarrota”! Milhares de jovens hoje adultos entram na justiça americana pedindo indenização pelo abuso sexual que sofreram. Não se enganem. Tal fato é notório em muitos países inclusive no Brasil. Como aconteceu e ainda acontece no Clero tudo é tratado por baixo do pano para evitar publicidade negativa. Seria esta maneira de agir a mais correta? Afinal se pensarmos que em nosso país os erros cometidos no escotismo foram escondidos a sete chaves, que a Comissão de Ética dos diversos segmentos da hierarquia escoteira mantém tudo em sigilo (o que em alguns casos até posso concordar) e nunca houve uma preocupação maior para descobrir e evitar tais predadores que estão no escotismo apenas para aproveitar suas taras já que  nosso sistema é fácil para atingirem seus objetivos.

Dizer que isto é moderno discordo. Vi no passado casos escabrosos que só foram descobertos anos depois. Mas hoje se tornou mais fácil. Milhares de adultos adentraram no escotismo. Há uma farta distribuição de favores que muitos deixam seus jovens nas mãos de outros para absorverem suas potencialidades, atrás de promoções, elogios, e conquistas que os colocam no pedestal de muitos que já passaram nas fileiras escoteiras. Os cursos de formação até que se preocuparam no sistema moderno de ensino, mas esqueceram-se do principal... Aprender fazendo, sistema de patrulhas, treinamento técnico, vida ao ar livre e ser responsável com sua própria autoeducação sob a supervisão de adultos.

Grupos Escoteiros hoje tem a liberdade de terem em suas fileiras meninos e meninas em atividades mistas e muitas vezes os chefes não estão devidamente preparados para agirem dentro dos padrões esperados pelos pais, pela escola e pela religião, já que estes são os principais pilares da existência do escotismo. Nada contra a coeducação. Mas não como fazemos hoje no escotismo. Peço a Deus que não estoure por aqui, centenas de reclamações de abusos sexuais como está acontecendo em outros países. Eu estou deverasmente pensando em diminuir minhas considerações que aqui diariamente posto. Como dizem por aí, é sonífero para boi dormir. Ninguém em sã consciência pode dizer que elas são válidas.

Sei que poucos apreciam e dão seu testemunho no que costumo escrever, mas o Velho Chefe Escoteiro mais parece um Juan Guaidó, líder da oposição e presidente do Parlamento da Venezuela, aquele que se acha presidente sem nunca ter sido. Ainda bem que as forças estão acabando e breve muito breve serei obrigado a deixar a luta no que sempre acreditei ser um escotismo verdadeiro do qual me orgulho. Sei que minhas palavras escritas não são levadas a sério. Cada um acredita no que aprendeu e o caminho hoje é esse. Alguns ainda me seguem, outros apenas dão suas curtidas sem ler. O tempo não é a favor do tempo. Não quero e não pretendo ser unanimidade.

Termino repetindo as palavras do Dr. Spock personagem da série Jornadas nas Estrelas... – “Após algum tempo, você vai perceber que ter não é tão agradável como querer. Não é logico, mas é normalmente verdade”. “É curioso como vocês humanos (escoteiros) conseguem tantas vezes obter aquilo que não querem”. – “Se eu fosse humano eu acredito que minha resposta seria “vá para o inferno”! Se eu fosse humano”. E eu poderia terminar com esta pérola da Interprise: “Uma pessoa pode começar remodelando a paisagem com apenas uma flor, capitão”.

- E chega por hoje, desejo a todos bons ventos, bons caminhos e uma vida longa próspera e feliz!


domingo, 16 de fevereiro de 2020

Conversa ao pé do fogo. Os heróis não tem idade.




Conversa ao pé do fogo.
Os heróis não tem idade.

O que uma pessoa precisa para ser um herói? Coragem? Sabedoria? Alguém disse que o herói é tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas. Possui a liberdade de decisão, fraternidade com o próximo, sacrifício e coragem, sem faltar à justiça a moral e a paz. Ser herói não é ser egoísta e não ser motivado pela simples noção de que ele agiu baseado nos princípios de se mostrar como um. Suas motivações sempre serão moralmente justas ou eticamente aprováveis mesmo que ilícitas. Pensemos que ser herói e preciso observar que o heroísmo caracteriza-se principalmente por um ato moral. No escotismo temos uma gama enorme deles. Não só os que ajudam o próximo, os que salvam vidas, mas também aqueles que querem ajudar a formar homens de caráter e com sentimentos nobres. Nosso país tem se esquecido de muitos. Nossos heróis são uns eternos desconhecidos. Poucos alcançaram a fama e são lembrados por isso.

Dizem que os heróis surgem em tempos difíceis, em fatos e atos que merecem destaque. Alguns afirmam que os heróis não se fazem eles já nascem assim. Caio Vianna Martins ajudou muitos, mas não salvou ninguém. Tornou-se um herói e se mudou a história escoteira foi com suas palavras que o fizeram um exemplo a ser seguidos por todos nós escoteiros do mundo. Nunca esqueci o que o Chefe Joel um dia me disse em um intervalo de um curso que dirigia. Estava eu embaixo de uma castanheira saboreando uma gostosa sombra quando ele chegou. Aluno do curso sentou ao meu lado e ficamos conversando banalidades até que o assunto surgiu: – Olhe Chefe desde pequeno que procurei ajudar o próximo. No escotismo o fiz em todas as sessões que participei. Mas quer saber? Nunca fui herói de nada. Se os meninos seguiam meu exemplo, não sei se um dia fui herói para eles.

Pensei em suas palavras. Cheguei à conclusão que também nunca fui um herói no bom sentido. O Chefe Joel me deu dois exemplos – Chefe, quando Sênior estávamos indo para uma atividade aventureira, de bicicleta quando vimos na beira da estrada um amontado de pessoas ajudando feridos e mortos em um ônibus que sofrera um acidente. Paramos e os patrulheiros correram para ajudar. Eu fiz o mesmo, mas confesso que não sabia o que fazer. Parei pensando que não fomos preparados para isto. Ouvi gritos e pedidos de socorro. Minha mente trabalhava para dizer quais as primeiras coisas que poderia ajudar ali naquele momento. Isto levou alguns minutos. Bem no final ajudei sim com os parcos conhecimentos de primeiro socorros que tenho. Mas Chefe eu demorei em tomar uma decisão. Dizem que os heróis agem por instinto e resolvem o que fazer em poucos segundos. Portanto não me considerei um herói.

Enquanto ele narrava sua saga de herói fiquei pensando em Joaquim José da Silva Xavier o Tiradentes. Pensei também em Alberto Santos Dumont. Não podia esquecer Heitor Villa-Lobos e Monteiro Lobato assim como o Visconde de Mauá e os irmãos Villas-Boas. Cada um deles ate hoje é lembrando e foi herói ao seu modo. O Chefe Joel não me deu chance de pensar melhor sobre o que ele fez e logo contou o segundo fato que aconteceu – Chefe eu estava em uma sessão de cinema. Não estava cheio, quem sabe dois terços de sua capacidade total. Cometi um erro que um bom Escoteiro que diz estar Sempre Alerta não comete. Não prestei atenção às saídas de emergências, extintores e portas contra fogo. O filme aqueles antigos de celuloide pegou fogo e se espalhou na cabine onde estava o projetor. A fumaça saia dos buraquinhos e logo uma chama apareceu. Alguém gritou fogo! Outro gritou mais alto que o cinema estava pegando fogo.

Eu levantei da poltrona e olhei aquela balburdia onde todos queriam sair por uma só porta. Vi choro de crianças, senhoras gritando e claro os mais fortes empurrando os demais para sair primeiro. Eu estático. Minha mente trabalhava para me dizer o que deveria fazer. Enquanto isto crianças e mulheres eram pisoteadas e eu um herói fracassado sem tomar nenhuma atitude. Isto demorou alguns minutos e logo sai em disparada para ajudar os feridos. Sempre Assim, poderia ter evitado aquela balburdia, socorrendo e mostrando o melhor caminho a seguir para fugir do fogo. Se tivesse conhecimento antecipado onde estavam às saídas de emergências muitos poderiam ter um melhor destino. Graças a Deus que não morreu ninguém. Mas uma dezena deles foram parar no hospital. Aprendi a lição. Não entro mais em local fechado sem ver as saídas de emergências, se estão fechadas a chave ou cadeado, sem perguntar quem fica com as chaves e claro estar pronto para gritar se preciso e tomar a liderança em qualquer emergência que aparecer.

Ouvi o toque do Chifre do Kudu. O tempo livre para um lanche tinha terminado. O Chefe Joel saiu correndo para formar. Olhei para ele. Quanta juventude, quantos sonhos quanta vontade de se sentir bem como um herói Escoteiro. Fui devagar à sala da chefia. Pensava comigo se eu também fui ou seria um herói no lugar dele. Eu sei que existem casos em que as pessoas sem vocação heroica protagonizam atitudes dignas de um herói. Sei também que tem aqueles outros que demonstram virtudes heroicas para realizar façanhas de natureza egoísta, motivados por vaidade, orgulho, ganancia ou mesmo ódio. Um dos assistentes do curso fazia um belo jogo com os cursantes. Adorava aquele campo escola. Era como se estivesse saído da cidade de pedra e entrasse em plena natureza que só os bons escoteiros sabem reconhecer.

Fico pensando quanto heróis escoteiros já tivemos. Acredito que muitos. A maioria na clandestinidade. Quase ninguém saberá quem foi. Não temos um programa para formar e fazer heróis. Ainda bem. Eu sei que o heroísmo é um fato profundamente arraigado no imaginário e na moralidade popular. Feitos de coragem e superação inspiram modelos em diversas situações. A atitude heroica surge muitas vezes a partir da problemática imposta por um ambiente ou situação adversa, cuja solução exige um feito grandioso ou um esforço extraordinário. Fico feliz em ver que temos muitos lideres sejam homens ou meninos, mulheres ou jovens participando do escotismo que de uma maneira ou de outra tem fibra de herói e fazem o que podem pelo escotismo. Caio Martins com sua frase “O Escoteiro caminha com suas próprias pernas” ficou na história. Compete a nós chefes dar uma volta no passado ou na história e trazer para o presente o valor dos nossos heróis e mostrar a nossa escoteirada que também temos exemplos a dar.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Conversa ao pé do fogo. Apenas uma reunião do 1º Grupo de Gilwell.




Conversa ao pé do fogo.
Apenas uma reunião do 1º Grupo de Gilwell.

... - Os Chefes Portadores da Insígnia de Madeira fazem parte do 1º Grupo de Gilwell. É um grupo único, bastante original, que rompe todas as regras dos P.O.R,s do mundo, não possuindo Assembleia, Diretoria, Conselheiros e Programa. Reúne-se uma vez ao ano em Gilwell no primeiro ou segundo fim de semana de setembro. Poucos tiveram a felicidade de estar em Gilwell em uma das reuniões. A maioria conhece sua história e participaram de uma em seus habitats locais. Dizem que tudo que se passa ali é altamente secreto, eu no alto da minha boca larga conto tudo sem dizer nada! Risos. Apenas uma historieta pequena sem nada para dizer!

                    Não eram tantos, mas era um número considerável para aquela reunião de Gilwell em uma floresta perto da cidade. Um bom bocado nunca tinham participado e esperavam ansiosos pelo seu inicio. Sempre tiveram o sonho de estar lá, junto com irmãos escoteiros que tiveram de se esforçar para pertencer com orgulho do 1º Grupo de Gilwell. Muitos comentavam que o que ali se passava era confidencial, outros não escondiam que era uma reunião de amigos, uma historia uma lenda, e confraternizar com a Canção de Gilwell lembrando o título de sua matilha ou patrulha e cantar como se ainda estivessem em cursos passados.

                   A espera do inicio fazia com que muitos olhassem no relógio, conversassem entre si, para que a impaciência não tomasse conta do sonho de ser mais um do 1º Grupo de Gilwell. Finalmente foram chamados ao salão. Em circulo olhavam uns para os outros, os mais novos e mais antigos o que se deduzia que ali a fraternidade reinava de maneira concreta e real. Ninguem esperava, mas adentrou a sala um Chefe Escoteiro, com seus 83 anos, fisionomia carcomida pelo tempo, e com passadas trôpegas firmando em bengala, foi até onde estava o dirigente da reunião e educadamente numa mistura de sotaque inglês pediu a palavra. Todos o fitaram espantados. Alguns ficaram confusos, pois sabiam que o conheciam de algum lugar. O silencio reinou na sala a espera do que ele iria dizer:

- Caros amigos e irmãos escoteiros de Gilwell, estamos aqui reunidos alguns pela primeira vez, pensando como seria e como deve nosso encontro e nos transportar para a Grama Verde de Gilwell onde belas histórias marcaram época. Fechem os olhos e veem comigo para Gilwell, mais precisamente no campo do cerimonial onde o fogo crepita e em volta da clareira, estarão os primeiros cursantes e muitos que ainda lembram com saudade em estar aqui. Cada um de vocês já conhece a história das Reuniões do primeiro grupo de Gilwell, onde coube a direção ao Chefe Mundial Lord Baden-Powell pela primeira vez. Ele não foi longo e dirigiu uma breve palavra a todos. Não vou repetir suas palavras e sim acrescentar outras que vale a pena ter sua atenção. – Vocês sabem essa nossa vida é tão curta... O tempo em que ficamos neste mundo é tão breve... E esquecemos que existem tantas coisas boas, úteis, concretas e que, principalmente, estão ao nosso alcance e as deixamos de lado. Não lhe damos a atenção necessária. Talvez por não acreditarmos que os momentos e os detalhes são únicos. Ou talvez por esquecermos que as oportunidades podem ser descartadas, mas dificilmente repetidas.

- Deu uma parada, respirou fundo e continuou: - Estamos sempre nos queixando pelas grandes obras que não podemos realizar e deixamos de lado aquelas pequenas que nos são possíveis. Vivemos desejando asas, enquanto nossos pés nos convidam a pisar firme no chão. Acreditamos que a nossa felicidade está naquilo que desejamos e deixamos de amar o que possuímos. Nossa vida é breve e temos muita coisa útil a realizar. De modo algum se justifica nossa busca por satisfações efêmeras, enquanto nossa realização está justamente naquilo que já é nosso.

- Respirou fundo e terminou dizendo: - Devemos nos lembrar de que passaremos por este caminho, este mundo, uma só vez. Precisamos, portanto, aproveitar estas oportunidades única e breve, precisamos reconhecer que somos chefes e se estamos aqui foi porque Deus nos deu esta missão. Que o espírito de BP esteja neste encontro, que Gilwell não signifique apenas um lenço e um certificado... Cada um de nós temos um objetivo e no escotismo temos um manancial de nos tornarmos mais amigos e irmãos escoteiros um dos outros. A promessa que um dia fizemos é tão importante ou mais que a nossa maneira de agir.
Sempre Alerta!

                    Deu um sorriso, e saiu da mesma maneira que entrou desaparecendo na penumbra da floresta onde se realizava a reunião!