Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

domingo, 22 de junho de 2014

De ilusão também se vive.


Conversa ao pé do fogo.
De ilusão também se vive.

           Sempre escrevo e conto histórias onde a aventura, a natureza e os belos sonhos Escoteiros estão presentes em todas as linhas dos meus escritos. Muitos dizem que o hoje não foi o ontem e o amanhã ninguém pode saber. Verdade sim, mas o nosso Movimento Escoteiro não é feito de sonhos? De sonhar em ser um cavaleiro andante? De montar em uma águia e partir em busca da terra do nunca? Quantos ainda ficam dias sonhando para o próximo acampamento? Sonhando em viver na floresta, em subir em árvores, em construir um ninho de águia ou uma ponte pênsil? E cantar? Sim isto mesmo, cantar ao redor de uma fogueira contando “causos” rindo das piadas alegres, deixar os olhos seguir as fagulhas que sem ninguém mandar se dirigem para o céu? – Mas Chefe, isto ainda existe, de maneira diferente, pois hoje os jovens nem pensam como se pensava no passado. Será mesmo? Não seria nossa culpa, pois aceitamos ou quem sabe impomos um programa que achamos bom por não acreditar mais que não existem Escoteiros sonhadores?

        Quem sabe nós os adultos falamos por eles sem consultá-los dos seus sonhos? É fácil levar meninos para o campo, ficar horas falando disto e daquilo, esticar uma corda para que um por um passe sob os olhos atentos do Chefe. Se for assim o tempo passou e o sonho desmoronou. Pergunto-me se um dia na hora certa, no lugar certo, em uma sombra de uma grande árvore quem sabe ouvindo os sons da floresta ou do bosque tão perto, ou o doce cantar de um regato ao lado, sorrir ao contar que poderiam todos viajar pelas estrelas no céu azul? Seria esta hipótese plausível? Não precisa de muitos, pois não se cria sonhos com dezenas em sua volta, mas você e eu podemos sem sombra de dúvida começar com poucos. Quem sabe os monitores? Pense, continue pensando que você está com eles subindo uma montanha deixando que eles recebam o vento no rosto, que vejam ao longe o ribombar de um trovão e eles assustados não pensaram em se defender da chuva? Chuva? Bendita chuva que se cair irá criar na mente de cada um a vontade de se tornarem aventureiros audazes, e então por que não parar e contar uma pequena história? Criar em suas mentes que eles podem se safar com aquela chuva que os aventureiros de outrora souberam se safar?

      Tudo é tão simples quando pensamos que os jovens querem acreditar, querem ver, querem sentir, querem fazer e você meu amigo ou minha amiga é o espelho deles. O espelho que eles seguirão e não faça nada para estragar esta visão tão bonita. Deixe que eles viagem na imaginação. Acredite que a vida é um processo de maturidade e está só existirá se deixá-los subir a montanha e ver o que existe do outro lado. Tudo que você fará para criar a fantástica ilusão do sublime sonho mudará completamente a razão da existência dos jovens que de novo irão sonhar, mas sonhar os pés no chão, fazendo, agindo e vivendo o que puderam criar. Faça exatamente como o Código Samurai – A perfeição é uma montanha impossível de escalar e ela deve ser escalada um pouco a cada dia. Sem perceber estamos discordando sempre destes sonhos em achar que eles são impossíveis de realizar.

             Ninguém vive sem ilusões, sem uma bela imaginação, sem criar uma fantasia ou devaneio. Deixe que eles façam desta miragem a realidade que podem e devem criar. Aquele poeta não disse que a vida é feita de ilusões, mas não é das ilusões que saem os melhores momentos da vida? Não diga não aos sonhos deles e se eles não têm sonhos crie um para eles copiarem e fizer os seus. Todos os jovens querem viver o sonho de ser herói. Tiraram isto dele e nós podemos devolver em forma de escotismo aventureiro. Não aquele de uma fila interminável por uma estrada com você determinando aonde ir. Não tenha medo do que vai acontecer. Haja sim com cautela, mas sem tirar o espírito aventureiro. Lembre-se ali são eles os donos dos sonhos, os donos da aventura, você é um mero coadjuvante que tenta a sua maneira passar para eles o que um dia viveu. Agora o momento são deles e você deve aplaudir isto.

            Ninguém gosta de sonhar e ficar acordando vendo o tempo passar. Ver o vento vir e ir sem ter ao menos possibilidade de tocá-lo. Sem saber o som da floresta, sem saber como é o orvalho da madrugada a cair suavemente no rosto. Sem saber o que os pássaros dizem sem sequer reconhecer o cantar do regato que lhe forneceu a água para sobreviver. Deixe-os ver o vento balançar as árvores, deixe que eles descubram o caminho a seguir, deixe-os descobrirem como podem viver sonhando com os pés no chão. Esqueça a modernidade por alguns minutos e sim pode se preocupar com as adversidades dos novos tempos, mas faça tudo para que eles andem sozinhos. Eles um dia não terão de fazer isto? Belas são as palavras de Kipling que escreveu um dia quem sabe para nós chefes – Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite... Deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos de desejo provado e do encanto reconhecido!

            Não vamos mais além, mas precisamos retornar aos sonhos que um dia os jovens tiveram, precisamos pensar que o mundo é como um acampamento em que montamos nossa tenda podemos apreciar a natureza, e depois voltamos para a nossa casa que é a eternidade. Termino este comentário de alguém que nunca ouvi falar. Osho. Quem foi não importa, mas uma coisa eu garanto é um criador de ilusões a nos mostrar que o caminho para prosseguir é sonhar e acreditar em seus sonhos:

- Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!



sexta-feira, 20 de junho de 2014

E você? Porque saiu do escotismo?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
E você? Porque saiu do escotismo?

            Já recebi quase uma dezena de e-mails de amigos aqui do Facebook onde comentavam sua saída do escotismo. Algumas foram traumáticas, outras, entretanto foram divergências de egos. Falam maravilhas da nossa fraternidade, mas será que ela é real? Somos mesmos fraternos? Cada um tem sua verdade e ser Salomão para dizer o certo e o errado é muito difícil. Mas sinceramente, só você que já passou por isto pode me dizer se ainda somos um movimento democrático, onde se aceita opiniões sem admoestações. Sei de casos que me assustaram, jovens meninos e meninas que precisavam de ajuda não foram compreendidos nos seus erros isto se houve erros. Vi casos em que uma Chefe do Grupo deu 90 dias de suspensão a uma menina. Como? Qual o seu direito em fazer isto? Os pais foram chamados? Foram solicitados a se manifestarem? Houve Corte de Honra? Discutiu-se em Conselho de Chefes? Foram a casa deles para saberem melhor o que houve?  Afinal se eles têm de estarem presentes na admissão não precisam na suspensão? Não simplesmente um comunica seco e nem escrito foi dizendo estás suspenso.

                   E os adultos? Quando entram é só sorrisos. Quando acham que podem opinar então começa a divergência. – Aqui mando eu! É voz comum. Ou então – É melhor se enquadrar nas normas, pois pode ser expulso! – E assim vai – Ou concorda com tudo ou vá procurar outro lugar! Claro que eles podem estar errados, mas devemos agir assim? E as tais Comissões de Éticas? Elas nunca dão resultados para os julgados e tem casos de enviarem após o “julgamento” uma “cartinha” sucinta. Já ouvi falar de casos de quatro, seis meses até um ano sem uma simples comunicação. Houve um caso que o “réu” foi suspenso até o resultado da Comissão e se passaram oito meses. Até que adultos ainda vá lá, apesar de que acho um absurdo o modo que demitem, suspendem e fazem patrulhamento ideológico. O que? Isto não existe? Melhor não discutir. Os defensores se fecharam em um redoma e só veem o que querem ver.

                     Um amigo me escreveu dizendo que eu deveria ouvir aqueles que estão saindo e saber seus motivos. Quem sabe fazer um condensado do que me relataram sem citar nomes e locais. Não sei se vale a pena, mas se você que está lendo quiser me escreva. Isto ainda não existe no escotismo. Uma ouvidoria ou quem sabe um Ombudsman (é um profissional contratado por um órgão, instituição ou empresa com a função de receber críticas, sugestões e reclamações de usuários e consumidores, devendo agir de forma imparcial no sentido de mediar conflitos entre as partes envolvidas) (no caso, a empresa e seus consumidores). – Chefe! Não precisamos! Vão dizer alguns. Muitos acham que andamos de mãos dadas, e que um sistema igual ao nosso traz direitos que poucos têm. Eu calejado no escotismo não vejo deste modo. São centenas de reclamações. Vocês sabiam que na maioria dos estados com maior numero de membros registrados, tivemos um bom numero de adultos que abandonaram as fileiras escoteiras no ano passado?

                      Quanto aos jovens quantos são? Quantos saem por ano e porque saem? Será que não existe um motivo para isto? Procurar culpados não vale a pena, mas ouvi-los vale e vale muito. Isto nunca foi feito, uma pesquisa séria de quantos deixam o movimento por ano. E qual a idade média de permanência? Também não sabemos. Mas porque a UEB não se preocupa com isto? Hoje o que vemos são adultos falando pelos jovens, pensando pelos jovens e dizendo onde eles devem ir ou fazer. Eu mesmo não tenho dados. Dizer que x por cento é assim ou assado é invenção dos estrategistas que acham saber de tudo. Para mim não importa se a cada ano estamos aumentando o efetivo. Quem sabe um trabalho bem feito para corrigir esta evasão claro, se ela existir não seria uma fórmula para aumentar ainda mais nosso efetivo.

                       Já vi alguém dizer que em cada cinco saem três por ano. Outro que não passamos de cinco por cento a evasão e muitos acreditando que seus jovens e adultos permanecem por tempo suficiente para adaptarem em suas consciências o que pretendemos dar a eles através do programa Escoteiro. Paro por aqui, teria mais e mais folhas para comentar que nosso efetivo relativamente à população jovem do nosso país só diminui anualmente. Não é com quinhentos e poucos municípios com uma unidade escoteira ou até com mais de uma que vamos vencer os outros cinco mil que não tem. Gostaria muito de ouvi-lo, seja você um jovem ou um adulto. Mas me mande um e-mail, manterei como confidencial e ninguém saberá que você enviou. Conte porque saiu do escotismo. Se achou que foram errados no seu julgamento, se ouve ameaças, se ouve patrulhamento ideológico gostaria de ouvi-lo.

                       Olhe, não sou nenhum “Papa” na matéria e nem tenho a solução nas mãos e acredite não sou parte da liderança escoteira e nem tenho poderes para tomar qualquer providencia legal. Mas acho que é hora de fazer um apanhado real e não fictício como fazem por aí. Não pretendo fazer deste artigo uma discussão aqui no Facebook. Já conheço de cor e salteado quando discussões são feitas através dos comentários. Eles não representam o que todos pensam. Se achar que deve me escreva. Serei um ouvinte fiel e tudo que disser será quem sabe uma maneira de alerta para evitar que isto aconteça novamente. Uma vez escrevi um artigo que intitulei – A LEGIÃO DOS ESQUECIDOS. Chefes que saíram e ninguém mais perguntou por eles. Mais para adultos, um dia destes volto a publicar. Obrigado.

Meu e-mail – elioso@terra.com.br

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Conversa ao pé do fogo. Já participou?


A arte de aprender a fazer fazendo.
Conversa ao pé do fogo. Já participou?

              Quantas? Não sei. Centenas e centenas. Cada uma mais deliciosa que a outra. A primeira vez dizem que a gente nunca esquece e eu nunca esqueci. Entrando nos meus catorze anos, acampado, vi após um jogo noturno que alguns jovens se reuniam em frente à Barraca do Chefe Vagalume. Não era do nosso grupo e morava em uma cidade próxima. Lá não havia grupo e ele tentava organizar um, mas era difícil achar patrocínio, mesmo que fosse só a sede. Assim amigo do nosso Chefe Jessé ele sempre filava uma boa atividade escoteira. Aproximei-me de mansinho e vi mais de vinte jovens em volta de um pequeno fogo em frente à barraca de chefia e senti que ali havia algum mais que desconhecia. Todos alegres, dando risadas, cantando, outros servindo bananas assadas, um bule de café fumegante que sempre estava sobre as brasas e ele o Chefe Vagalume parecia estar em todos os lugares.

              Para dizer a verdade eu já tinha feito algum parecido quando acampávamos somente com nossa patrulha. Mas ali o espirito era outro. Tudo improvisado. As canções brotavam sem a gente perceber, e as histórias? Cada uma mais linda que a outra. O Chefe Vagalume e o Escoteiro Lomanto eram bambas em uma história. Imaginava como conseguiam guardar tudo na cabeça. Esqueçam o Fogo de Conselho, pode até ser parecido, mas o Fogo de Conselho é único, dependendo da tropa ou Alcateia ele marca para sempre. A Conversa ao pé do fogo é diferente. Nada é programado, você fica o tempo que quiser. Sai e volta e as conversas entre amigos são normais. Ninguém dirige ninguém ordena e quando alguém faz algum interessante todos param e prestam atenção. Tem algumas conversas ao pé do fogo que demoram horas e outras pouco tempo.

              Eu já vi Conversas ao pé do fogo em uma patrulha, onde sem perceber as demais patrulhas ali acampadas acorriam. Nada de fogo enorme e sim achas grossas para durarem mais tempo. Conheci monitores que sabiam conquistar a todos pelo sorriso e pelas histórias. Claro que a gente morria de rir com os pata tenras que vendo tudo aquilo se arriscavam a contar uma história e nela se embananavam. Mas ninguém criticava e havia até palmas para estes com suas piadas, seus jograis, suas histórias e suas canções. Nas patrulhas havia a obrigação de dormir antes das onze da noite quando o Chifre do Kudu anunciava a hora de dormir. Com chefes somente era diferente. Eu mesmo perdi a conta quando íamos dormir lá pelas tantas, madrugada adentro, mas sabendo que no outro dia tínhamos responsabilidades e não podíamos fugir delas.

                Um boa Conversa ao pé do fogo deve ter seu código de conduta não escrito para que não fuja do nosso ideal Escoteiro, da nossa promessa e do nosso desejo fraterno para que não ofender quem quer que seja. O espirito ali era o de ser puro nos pensamentos nas palavras e ações. Quando acampamos devemos deixar nossa marca e ela acontece em uma Conversa ao pé do fogo. Aqueles que um dia desejarem fazer um, fica meu conselho. Nada obrigatório, quem sabe avisar a um ou dois que depois do jogo noturno ou atividade noturna você fará uma Conversa ao pé do fogo. Se perguntarem o que é não diga nada, só diga que está aberto a todos e não tem hora de começar e nem de terminar e que ninguém é obrigado a participar. O resto é com eles. Não faça propaganda para não haver decepção depois. Aos poucos os jovens vão aprendendo e no futuro farão o seu próprio em suas patrulhas.

               É bom ter um bom bule de café cheio, para a gauchada um chimarrão, bananas ou batata doce para assar. Tudo fica ali na brasa, pois o fogo não deve ser alto e achas grossas para durar e evitar sempre alguém ter de alimentar o fogo. Aprendi e costumava fazer em frente minha barraca e as banquetas são a grama do local. Os finais da Conversa ao pé do fogo é simples. Muitos já se foram para suas barracas e os poucos que ficaram agora deitados olhando para o céu vão contando pedaços de sua vida, de seus amores, do escotismo e dos sonhos que um dia acham que vão realizar. Se passar um cometa cintilante, grite bem alto para todos ouvirem: “Estrela cadente, não caia na minha mão, Estrela brilhante, traga seu brilho no meu chão. Estrela cadente, por favor, atenda ao meu pedido”. E faça um pedido logo, pois dizem que ele atende a todos que sabem pedir sorrindo.


               Eu sei que muitos de vocês já fazem normalmente uma conversa ao pé do fogo. Escrevi pensando naquele que já viu e os que e não tem ideia do que seja. Claro aqueles que em noite escura ou com luar, em um belo acampamento ainda não fizeram uma conversa ao pé do fogo. Cantem baixo, cantem com amor. Não leve nada escrito e deixe a improvisação chegar de mansinho e pense que a vida é bela para quem um dia teve a sorte de participar, de uma bela, simples e gostosa... Uma conversa ao pé do fogo!

No Acampamento


Lembranças de Baden-Powell
 No Acampamento

Eu escrevi minhas notas este mês no acampamento. Eu espero que muitos Chefes Escoteiros tenham sido capazes de passar seus feriados deste ano em acampamentos, como eu. Se desfrutou disso tanto ou mais que eu, terá feito uma boa coisa.
Tenho certeza que uma semana ou duas de tal vida é o melhor descanso restaurador e o melhor tônico para o corpo e a mente que existem para uma pessoa, seja ele menino ou idoso. Por acampamento eu quero dizer um acampamento no bosque, não um acampamento militar para alojar um grande número de pessoas sob uma lona. Este não é mais parecido com o tipo de acampamento que eu defendo do que um gafanhoto é parecido com um ganso. O acampamento Escoteiro deve ser do tipo acampamento de bosque, se quiser ser realmente bem educativo. Muitos acampamentos militares, não a maioria, são responsáveis por causar mais prejuízo do que bem aos jovens, exceto aqueles com boa administração e supervisão rígida. Considerando um acampamento mateiro, se corretamente desenvolvido dará desenvoltura individual e ocupação aos jovens todo o tempo.

Um grande acampamento tem necessidade de ser conduzido com uma quantidade considerável de rotinas disciplinares. Formaturas têm que ser asseguradas para dar ocupação e instrução aos jovens, reuniões fatigantes, inspeções de barracas, listas de chamadas, filas de banho, e assim por diante. Isto não serve para a revigorante vida ao ar livre, esse tipo de acampamento pode muito bem ser feito em barracas na cidade, não ensina aos jovens nada de individualidade, desenvoltura, responsabilidade, conhecimento da natureza, e muito menos (realmente pouquíssima) educação do caráter, para o qual o acampamento mateiro é o melhor, senão a única escola.
Mas um acampamento mateiro só pode ser realizado com um número pequeno de jovens, de trinta a quarenta, sendo este o máximo possível, e somente se o sistema de patrulhas for realmente e inteiramente colocado em uso Evidentemente é fácil alguém escrever a partir de um acampamento ideal deste tipo e pensar que todo mundo tem as mesmas possibilidades, mas eu não pretendo pensar dessa maneira.

Eu sei as dificuldades daqueles que tem que argumentar com um Chefe Escoteiro na Inglaterra, mas quero colocar o ideal à frente desses que não tem refletido muito cuidadosamente sobre a questão, e são inclinados, por costume ou exemplo, a achar que a forma militar de acampamento é a habitual e correta para os jovens. O ideal deve ser seguido o mais fielmente possível que as circunstâncias locais permitam. Aqui estou acampado perto de um rio que corre entre colinas revestidas de florestas. É perto de dez da manhã. Levantei-me as cinco, e estas cinco horas foram cheias de tarefas para mim, muito embora fossem não mais que pequenas tarefas de acampamento.

O fogão teve que ser reacendido, café e bolinhos foram feitos. Em seguida foram lavados e areados os utensílios de cozinha; coletada lenha para o dia (para queimar e formar brasa); uma nova barra e ganchos para panelas tiveram que ser cortados e aparados; uma tenaz para o fogo e uma vassoura de galhos para limpeza do chão do acampamento tiveram que ser cortados e feitos. A roupa de cama teve de ser arejada e guardada; as botinas foram engraxadas; o chão do acampamento foi varrido e o lixo queimado; a truta teve de ser destripada e lavada. Finalmente me barbeei e tomei um banho, e aqui estou pronto para as tarefas diárias que possam surgir. Mas levei cinco horas para tudo isso.

Meu companheiro foi ontem para o vilarejo mais próximo e deverá voltar logo com nossas cartas e suprimentos. Ele me encontrará em algum lugar pescando ou desenhando, e juntando amoras para nossa “sobremesa” de compota de frutas ao jantar; mas encontrará o acampamento varrido e guarnecido, fogão pronto para ser aceso, panelas, copos e pratos todos limpos e prontos para uso, à comida à mão. Nós podemos provavelmente “fazer as malas” e viajar em seguida, e ver um pouco mais das belezas da terra, como podemos “carregar nossas coisas” para o próximo local de
acampamento com uma agradável paisagem. Então vem todo esse negócio de montar o acampamento, buscar água e lenha, fazer a comida, e buscar seu próprio conforto. Toda uma sequência de pequenas tarefas cuja soma é importante. Todas elas dão prazer e satisfação ao homem mais velho, enquanto que aos mais jovens trazem prazer, experiência, desenvoltura, autoconfiança, pensamentos para os outros, e aquela excelente disciplina dos costumes campestres, sendo esperado que façam a coisa certa para eles.

Eles não têm nenhum tempo para inatividade, e não há espaço para o ocioso. Mas isto é uma coisa bastante diferente daquelas ruas de lona, onde os suprimentos são entregues por uma empresa, e cozidos e servidos por empregados contratados, com os jovens em rebanhos, fazendo somente o que os mandam fazer.

Baden-Powell, setembro de 1911.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Anotações de um amigo Escoteiro. Falando por falar.


Anotações de um amigo Escoteiro.
Falando por falar.

(estas reminiscências foram escritas para um Grupo/lista que participo ali confidencial, mas resolveram transformar meus escritos numa mensagem. Que assim seja).

Na opinião deste humilde Escoteiro, o que precisamos é uma dose de escotismo
verdadeiro. Não isto que está aí e que cada um tenta explicar ao seu modo.
 “meus meninos" dizem alguns. Eles adoram a palavra meu. Ele diz "meus”
lobos, meus Escoteiros, meus seniores, meus monitores e dificilmente dizem -
Meu Chefe. Por quê? Acredito que ele tem todos registrados em cartório com o devido preço que pagou. Estes adultos que falam pelos jovens, que acreditam piamente que é isto que querem que defendem nas paginas do Facebook suas ideias e mostram suas fotos com certificados, com lenço de Giwell, suas ideias, seus programas e a gente, para sacanear vai à sua página e lá está ele na foto como sargentão com duas dúzias de gatos pingados. E putz, ele quer a todo custo a terceira e quarta conta.

Você acampa? A gente pergunta. – claro que sim e nas fotos em sua página lá está uma estrada, postes, várias casas, um montam de carros, cadeiras de praia, fogareiro a gáz e ao lado ele preparando o barro para a turma brincar. E aí gente pensa - É isto o acampamento dele? Onde está o sistema de patrulhas?

Esta do escotismo adulto que vivem falando quem sabe tem uma boa finalidade. Mas se como diz um poeta Escoteiro, se não tem tempo faça o escotismo adulto. E vem uma leva de ideias. Caramba! Se for para fazer isto vá fazer na tropa, no grupo.

Recebo dezenas de e-mail de chefes reclamando do entrosamento no seu grupo. Aí eu pergunto, vão atingir a finalidade? Sábado o Luciano Huck homenageou um voluntário pelo seu trabalho com escolinhas de futebol. Nota 10. Dizem que lá apareceu um grupo da Bahia. Não vi. Mas e o Chefe que tem anos fazendo o mesmo com meninos de classes C, D e o escambal? Ele foi homenageado? Não vai ser. Nossos lideres nem sabem o que significa isto. Se um dia sair alguma coisa do escotismo é um Deus nos acuda. Você viu? Agora somos famosos. Putz! Uma migalha e batem no peito.

São tantos adultos a falarem pelo jovem, a dizerem o que o jovem pensa que eu fico pensando se ele pensa mesmo assim. Quem sabe é verdade. Aquele ditado de água mole em pedra dura... O escotismo não é nada na sociedade brasileira. Nada mesmo. Ninguém de peso para dar um testemunho. Ninguém famoso ou importante para dizer - Vamos lá, vamos fazer um grande marketing e transformar um país de Escoteiros.

Alguém se habilita? Sei que muitos se habilitam a cargos, a terem um taquinho a mais, a sonhos de dirigir cursos, a se fazerem de Velho Lobo, a terem sua equipe e que uma vez por ano vão lá dar um cursinho. Haja paciência. Em 100 anos ele vai se tornar um expert em cursos. Um docente professor leva anos para se preparar e no escotismo poucas horas em alguns dias faz dele um Professor Escoteiro um tutor e mais um para dizer e bater no peito – escotismo é assim e se não acredita pegue seu chapéu e se mande!. Falar mal da estrutura e dos membros diretivos eu me excluo. Deixo para um amigo escoteiro que fala o que pensa e eu escrevo em baixo.

Agora vamos sair para o escotismo adulto. Muitos estão falando muito sobre isto. Uma diversão? Uma maneira de ajudar? Será que nele teremos os figurões? Enquanto não tivermos resultados e não me venham dizer que existem, pois na política mendigamos uma famosa frente parlamentar que de frente não tem nada. Alguém se habilita a dizer quais os benefícios que ela trouxe até agora? Temos regiões onde os eleitos como diretores regionais ou presidentes se tornam grandes chefes, olhando os demais por cima achando que são os donos de tudo. Se você olha e ouve e procura, não vais ver nele mais aquela humildade do passado antes da eleição.

Estão encantados com o poder. Mudando de assunto, nós temos profissionais Escoteiros gabaritados? Temos conferencistas e palestristas famosos? Algumas empresas ou associações nos procuram atrás destes chefes que entendem do riscado para darem uma palestra em seus redutos? Mesmo de graça? Para falar de basquete o Oscar cobra 50.000 reais. O Lula e o Fernando Henrique duzentos mil. Pouco ou muito? Sabe o que temos? Temos gente boa, gente humilde e temos também arrogante. Os humildes acreditando no que fazem e não tiro as razões deles, os arrogantes achando que caminhamos para o sucesso. Seis sete mil de aumento de membros por ano e todos batem no peito. Estamos chegando lá! Mais de 5.500 municipios no Brasil e temos 550 com escotismo. Somos grandes mesmo.

Se você um dia disser para um mutirão de chefes, que não estamos atingindo o objetivo teremos dezenas para dizerem o contrário. Eles sabem de tudo, são poliglotas e aprendem tudo do estrangeiro. Eles sim sabem o que o escotismo precisa, eles sabem onde vamos chegar, eles são superiores e acreditam que o futuro será dos escoteiros. Como não vou viver para ver, espero encontrá-los no futuro lá no céu ou no inferno para perguntar - E aí deu certo? O objetivo foi atingindo? E depois? Vou dar belas risadas.

Discutem em algumas listas o Escotismo Adulto. Na Europa é sucesso. Eu concordo e fico na minha. Talvez pelas centenas de noites de campo não só quando jovem como Escoteiro fazia ele e em todos os grupos que passei. Nunca perdi a oportunidade de acampar e viver a aventura como adulto. Não foi difícil, sempre tínhamos uma plêiade de chefes e diretores e formar duas três ou quatro patrulhas para partir em um acampamento era só contar dois e os demais diziam: Sempre Alerta Chefe, estamos contigo e não abrimos. Eles como eu adoravam. Para dizer a verdade as patrulhas se mantinham as mesmas por anos a fio. Só aqui em São Paulo fazíamos um ou dois por ano. Respeitando meus conhecimentos técnicos e teóricos nunca abusei deles. A cada dia eram eleitos dois chefes como responsáveis para desenvolver o programa que foi exaustivamente discutido em conselho de chefes. Nunca fiz isto quando acampava com jovens. Lá eles eram os objetivos principais.

Mas lembro de que levava ao pé da letra em termos nosso próprio campo de chefia, com cozinha e pioneirias. E quer saber? Eu desde que me tornei pioneiro tinha um hobby de acampar a escoteira. Sozinho mesmo. Foram mais de vinte deles. Fiz um na Serra da Piedade em Minas de quatro dias. Portanto participar, viver o sonho Escoteiro como adulto é fácil. Se tiver um distrito unido melhor ainda. Mas lembre-se, lá não havia sabe tudo, não havia chefão, meus tacos nunca deram as caras.

E meu amigo, as pioneirias, as inspeções, os jogos inter patrulhas, a caça ao tesouro
eram de arrasar. Que o digam que participou. Hoje não sei se isto é mais possível, pelo que vejo a maioria dos grupos os egos não permitem. Velho, agora, não posso mais a não ser sonhar. Convidar-me para uma barraca com camas, tv e toda a parafernália eletrônica perde a graça. Pensei em ir a Barretos onde fazem uma grande atividade regional e nacional. Não tenho condições. Mas você com seus sonhos, ainda jovem não perca a oportunidade. Convide, insista nada é impossível.


Obrigado.

sábado, 14 de junho de 2014

Um pouco da minha vida.


Saudades da minha terra!
Um pouco da minha vida.

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu.

                    O tempo passa, e muitas coisas das nossas vidas vão sendo colocadas em uma parte do nosso cérebro, não esquecidas, mas para serem lembradas um dia. Eu sou um homem da terra. De muitas terras. De algumas cidades. Um dia destes li de Paulo Gondim, um poema, do seu lindo Ceará. “Minha terra tão querida, a quem sempre vou amar. Um dia eu deixei, mas voltarei, ao meu lindo Ceará”.

             Ninguém esquece sua terra natal. Sua cidade, seu estado, seus amigos, suas histórias tão queridas. Nasci na minha querida Minas Gerais. Oh! Minas Gerais! Quem te conhece não esquece jamais. Nasci em uma cidade perdida no longínquo norte do estado, pequena, sem nada para viver, quem sabe uma ou duas ruas calçadas, uma pracinha, mas eu? Morava a seis quadras mais longe. Casa de taipa, esburacada, rua sem calçamento, esgoto a céu aberto, doenças. Três irmãs foram para o céu ainda com menos de quatro anos. Eu quase fui.

            Dois anos que não lembro a não ser as histórias contadas por meus pais e irmãs. Sobraram duas delas e eu. Meu pai seleiro, família pobre, lá fomos nós para uma fazenda. Não me lembro de nada. Menos de um ano e de novo outra cidade do outro lado das Minas Gerais. Poucas lembranças. Mais três anos e de novo outra e outra até que com seis fincamos o pé por muitos anos em uma maior, bem ao lado do formoso Vale do Rio Doce. Rio Doce! Quantas saudades, quantas travessias, jangadas, comer ingá nas suas margens nas cheias, quantos peixes. Hoje soube que está como o Tietê. Dói-me fundo. Ali praticamente cresci. Fui lobinho, Escoteiro, viajando a pé, de bicicleta vivendo uma vida de aventuras sem pensar no amanhã. Voltei um dia em todas as pequerruchas cidades que vivi. Fiquei tempos na terra onde nasci. Passei ali menos de duas horas. Vi a casa onde comecei minha vida de homem terreno. Nas outras poucas lembranças de uma época que minha memória não arquivou. Não tinham mudado nada na visão dos meus pais. Nesta última foram treze anos, de alegria, felicidades até que um dia a mudança aconteceu.

           Meu pai doente, início da década de sessenta, diabete ainda desconhecida era melhor procurar médicos especialistas. Capital do Estado. Nova vida. Novo emprego. Usina Siderúrgica. Peão no inicio. Interessante. Nunca fomos ricos. Ouve fases, algumas remediados outras? Melhor nem comentar. Estudo? Terceiro ano de ginásio. Eu sou um Iletrado. Nunca fui Doutor. Aprendi muito na Escola da Vida. Não sei como fui convidado para ser o chefão Escoteiro do estado. Comissário Regional. Uma época de viagens. Cidades e mais cidades sendo engolidas pelo escotismo. Amigos e amigos novos sendo conquistados. Quantas histórias, quantas estradas de terra percorridas, quantas coisas ficaram para trás. Mas o tempo não para. Um dia alguém chegou para mim – Queres ser um Administrador de uma fazenda? Putz! Não pensei duas vezes. Celia ao meu lado. Sempre formidável minha linda Célia. Oito mil cabeças. Meu Deus! Que isso? Botas no pé, chapéu de couro, perneira, meu lindo gibão cravejado de brilhantes, um peitoril simples e lá estava eu vaquejando aqui e ali pelas largas e capoeiras da vida.

               Quantas aventuras. Viagens no Rio das Velhas, Sucuri de quinze metros, enfrentar a correnteza do São Francisco, enfrentar pistoleiros morrendo de medo. Pescarias, criação a parte, porcos, galinhas, tratores, um D-12 da Caterpillar, enorme me hipnotizava. Adora andar com ele prá e prá cá. Comprei uma vacada de um fazendeiro em Barra do Guaçuí, duzentas cabeças. 150 quilômetros de distância. Achei melhor trazer por terra. Para mostrar ao Diretor que eu era econômico. Pobre “bunda”. Seis dias ida e volta. A cavalo. Levando um gado fácil, mas trabalhoso. Cinco anos maravilhosos. Filhos crescendo. Precisavam de bons colégios. São Paulo. Meu destino final. Empregado. Luta constante. Osasco era minha morada, ou melhor, ainda é. A luta dizem que é renhida, difícil. Sempre ao olhar minha vida lembro-me do poema de Gonçalves Dias. - Juca-Pirama. “Sou bravo, sou forte, sou filho do norte”. Andei longes terras, lidei cruas guerras, vaguei pelas serras dos vis Aimorés...

               Ei, calma! Não sou bravo e nem forte. Mas o tempo vai passando. Os anos não perdoam. Não dá mais para trabalhar. Uma vil aposentadoria. Mas feliz. Muito feliz. Quatro filhos criados e casados. Oito netos, uma linda árvore genealógica dando prosseguimento as lides traçadas por milhares de anos no espaço. Rodei meio Brasil. Pisei em outras terras. Conheci outros rumos, outros destinos. Mudei demais. Não sei se fiz bem. Não vejo como traçar o meu destino de outra forma. Tenho dúvidas não arrependimento. Quem sabe nem todas as trilhas que escolhi deram em boas estradas. Um dia destes irei por aí. Sei aonde vou. Não posso levar mais minha barraca, minha mochila e meu chapéu de três bicos. Lá dizem tem lindos locais de acampamentos. Córregos dançantes de águas tão claras que dá para ver o passado e o futuro. Onde as florestas são verdes e as flores as mais lindas do universo.

               Sempre é bom lembrar o caminho. Sempre é bom ver o que se foi o que se fez. Nunca fui rico. Morei em casa de taipas. Morei em tantos lugares que de vez em quando perco a memoria onde estou. Meu carrinho está encostado. A vista já não é a mesma. As pernas obedecem reclamando. Obriga-me a forçar meus passos por aí. Melhor assim, pois sempre fiz isto em minha vida. Viajei meio mundo no lombo de uma bicicleta. Com meu Vulcabrás conquistei montes e vales desconhecidos. Adoro o que fiz. Adoro o que sou. Não tenho duvidas do que serei.


                 Eu gosto de São Paulo. Fiz dele minha morada por mais de 38 anos. Não sei se fiz aqui muito amigos. Os mais chegados já partiram para começarem tudo de novo com os novos tempos. Eu ainda não fui. Deus me reservou outro destino. Seja ele o que for estarei pronto a enfrentar. Mas sabem, não tenho medo, não tenho receios. O que tem de ser será. Não podemos fugir do nosso destino. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Mitos, lendas verdades e inverdades do Uniforme Escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
Mitos, lendas verdades e inverdades do Uniforme Escoteiro.

           Convenhamos que eu não seja um estudioso das tradições do uniforme Escoteiro brasileiro. Sei apenas o que vi e vivi com ele e outros amigos. Não vou dar um testemunho como foi em todo Brasil, para mim impossível, mas posso falar mais na minha área de atuação. Este é um artigo que não pretende de maneira nenhuma provocar uma discussão. Sei que nosso uniforme ainda levanta duvidas e hoje muitos que fazem parte da nova geração acreditam que o presente nada tem a ver com o passado. Tenho dito em todos os lugares aonde vou e mesmo em meus parcos escritos que faço do tema, que é difícil analisar uma era sem ter nela pisado com seus pés e sentido o calor do chão de terra. Os novos eruditos que se arvoraram em donos da verdade, muitos deles sequer conheceu o passado a não ser por escritos fazem hoje de suas belas palavras uma verdade que acreditam ser intocável. Não sei. Chega de polemizar. Já me disseram que isto não leva a nada. Fico somente com a análise do uniforme básico. Os do mar e do ar quase não sofreram mutação e até hoje se mantem no tradicional quando foram criados. Parabenizo a eles por este amor que até hoje sentem pelo seu passado.

           Uma vez em uma pequena clareira, um foguinho gostoso um Chefe meu amigo e antigo mineiro já falecido, Doutor Francisco Floriano de Paula comentou com voz calma e ponderada que em Minas no inicio do escotismo o uniforme foi o mesmo usado na Inglaterra. Uma espécie de caqui mais cinza com meiões pretos. Com o passar do tempo surgiu à calça azul com camisa caqui e assim permaneceu por muitos anos. Parece que a partir do final da década de 40, o caqui começou a se expandir por vários estados. Lembrem-se estou falando pelo meu estado Minas Gerais. Não vou contar aqui o que aconteceu quando o governo querendo uma expansão rápida do escotismo nomeou cabos e soldados para organizarem Grupos Escoteiros em todas as cidades. Os uniformes surgiram a bel prazer. Se no sul e no norte não foi assim fica o dito pelo não dito. Quando entrei para o movimento em 1947 os lobos usavam o azulão com o boné conhecido. Os Escoteiros já usavam o caqui curto, chapéu de abas largas e nunca se via adultos trajando calça comprida. Era como se diz uma tradição, pois BP nunca usou o uniforme com calça comprida. Sei que em vários estados ou cidades alguns grupos fizeram adaptações que não eram normativas. Assim apareceu o verde e cores parecidas com o caqui.

             O caqui, portanto era considerado o uniforme oficial dos Escoteiros da modalidade básica no Brasil. Em 1969 muitos já forçavam o uso da calça comprida. Discutiam que em cada estado devia haver uma abertura e varias ideias foram sugeridas. A temperatura de estado para estado, e o estilo de vida da comunidade foram dados como exemplo. Nota-se com orgulho que até no inicio da década de setenta via-se a liderança escoteira portando sempre o caqui curto em qualquer atividade nacional. Eu mesmo conheci Escoteiros Chefes e altos dirigentes não só da nacional como estaduais orgulhosos no seu uniforme caqui. Entretanto havia uma pressão enorme de adultos e seniores achando que precisávamos de um novo uniforme, mais apresentável (?) um que eles pudessem estar bem trajados em atividades sociais, reuniões extra sede e assim em 1975 formalizou-se o uniforme ou traje Azul mescla. O Chefe Darcy Malta Escoteiro Chefe na época, em visita a minha casa explicou como foi sacramentado o novo uniforme apesar de ser contra. Esqueçam esta de farda, uniforme, traje e vestimenta. No fundo tudo é a mesma coisa.

             Para que os adultos levassem a sério o novo uniforme, vamos chamá-lo de traje, a UEB enviou a todos os Grupos Escoteiros do Brasil um ofício via correio explicando como ele seria confeccionado, quais as ocasiões para o uso e juntou-se um desenho e pasmem-se: - um pedaço do pano tanto da camisa como da calça comprida. Havia a preocupação de que todos fossem reconhecidos sem nenhuma alteração no visual. Para maior formalidade foi dado à possibilidade do uso do paletó e gravata. Que eu saiba uma minoria adotou este último e que em minha opinião não tinha nada de escoteiro. No POR se sacramentou as normas e uso. Todos ficaram sabendo que o dirigente de qualquer atividade determinaria qual uniforme deveria ser utilizado. O POR era firme em um dos seus artigos que dizia nas atividades escoteiras os chefes deviam usar o tradicional, ou seja, o caqui. Eu mesmo dirigi vários cursos onde se exigia ou o traje ou o caqui. Em vários avançados da Insígnia da Madeira que fui o diretor pedia sempre os dois uniformes. Cada dia usamos um ou outro. O intuito era não só formalizar, mas mostrar que a uniformização deveria ser ponto de honra para nós Escoteiros. Interessante que sem a tecnologia de hoje, a disciplina era irreversível. Poucos destoavam e obedeciam sem discutir.

          A partir do meio da década de oitenta muitos adultos e seniores passaram a usar o azul mescla, mas com calças jeans desvirtuando o sentido da aprovação do traje no passado. Não esquecer que por volta de 1984/85 foi formalizado o escotismo feminino no Brasil e um novo uniforme foi acrescentado para elas. Dai em diante a cada liderança nova na UEB a abertura era constante. Acrescentou-se itens e banalizou-se completamente o sentido do uniforme SOCIAL. Cada grupo podia escolher com todos os seus participantes o que gostaram de usar. O próprio chapéu foi escamoteado abrindo a possiblidade do uso de bonés e outras coberturas. Lembramos que a própria UEB em sua loja vende um tipo de cobertura feita de brim ou similar e esta se espalhou por vários Grupos Escoteiros como uma chama. É comum ver o Chefe com ele e os jovens sem nenhum. Finalmente no final da década de noventa bastava portar o lenço com uma camiseta e se considerava uniformizado. A própria UEB foi quem criou esta Torre de Babel com o uniforme Escoteiro. Hoje se arvoram em dono da verdade e impuseram um novo uniforme a quem chamam de vestimenta.

          Com a participação em jamborees e atividades internacionais em outros países copiou-se o lenço preso nas pontas dando uma nova conotação da liberdade individual. Na nova vestimenta ficou a critério de cada um escolher como vestir e esqueceram-se da uniformidade o que sem sombra de duvida é o melhor marketing para o movimento Escoteiro. O tempo dirá. Cada um escolhe se quer a camisa solta ou não. Meiões ou não. Calça curta ou comprida. Lenço bem colocado no pescoço ou solto a escolha. Se isto vai dar nova visibilidade ao escotismo brasileiro vamos aguardar. Comparar o ontem com o hoje não é fácil. Era uma época que tínhamos o maior respeito com nosso uniforme. Nenhum novato poderia colocar peças antes da promessa. Todos faziam questão de estarem bem uniformizados e bem apresentados. Era uma questão de honra. Ninguém saia de casa sem ele. Impossível pensar em vestir na sede, pois o orgulho fazia parte de qualquer Escoteiro. Afinal o próprio BP já dizia que o melhor marketing do escotismo é um Escoteiro bem uniformizado.


             Brinco muito com amigos que comentam comigo sobre a uniformização que uma vez lá pelos idos de 1956 em uma jornada de mais de quinhentos quilômetros, de bicicleta pelo norte de Minas e na região do Vale do Jequitinhonha, próximo à cidade de Almenara, portando orgulhosamente o caqui curto com o chapelão, paramos em um boteco para comer alguma coisa e logo juntou ao nosso redor uma grande multidão de moradores. Em principio calados logo começaram a gritar – São os Escoteiros! São os Escoteiros! Olhamos pasmados aquela multidão que sem pedir nos saudou com uma estrondosa salva de palma. Bah! Emocionante isto. Será que teremos isto com a vestimenta?  Velhos e saudosos bons tempos!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Programando o programa.


Conversa ao pé do fogo.
Programando o programa.

       Todo mundo conhece, todos os escotistas fazem. Afinal nada se produz sem ele. Alguns simples, outros complexos, mas todos com o mesmo objetivo. Conheci em minhas atividades escoteiras, muitos programas bons, outros nem tanto. Junto a tantos outros amigos escotistas, fizemos programas de sessões, de Diretoria, de Conselho de Chefes, de Atividades Especiais, de Grandes Jogos, de Região Escoteira, De Ajuris, de Elos, de Adestramento, de Atividades Nacionais e até algumas internacionais. Quando planejamos os programas das sessões e do grupo eles devem se entrelaçar. Como? Pensando em termos que todos os órgãos do grupo os têm (um programa). Alguns grupos todo final do ano fazem uma reunião própria para este tema, (Indabas dos chefes em regime de acampamento é muito válido) e costumam convidar a diretoria e alguns pais que sempre colaboram nos programas anuais. Isto facilita muito para se planejar adequadamente.

     Se um programa geral é feito isto ajuda em muito as sessões escoteiras para fazerem os seus e a diretoria do grupo. Ninguém gosta quando um programa diz uma coisa e a diretoria programa outra sem avisar. Conheço Grupos Escoteiros que no final do ano sempre dão oportunidade aos jovens para sugerir datas do ano seguinte. Quantas excursões, quantos acampamentos, quantas atividades aventureiras e assim por diante. Os lobos também quem sabe podem ser consultados. O Diretor Técnico é responsável para que não haja comprometimento de alguma atividade que não conste do programa geral do grupo. Difícil imaginar um bom programa onde ele sofre constantemente modificações, adaptações e é fustigado por terceiros para sempre colocarem ali, mais um ou outro parágrafo que antes não estava programado.

     O Diretor Técnico, o Conselho de Chefes e a Diretoria tem a obrigação de manter o programa conforme se discutiu e foi aprovado. É importante notar que os melhores programas de sessões e que mantem os jovens ativos e Até BP no Escotismo para Rapazes dizia que o melhor programa é aquele desenvolvido pelos rapazes e moças. Afinal são eles a parte interessada e eles o fazem com perfeição em seus bairros, na sua rua, com os amigos que ali estão sempre juntos por anos e anos a fio. Difícil? Não. É bom lembrar que quem deve gostar do programa são eles. Nós chefes estamos ali para ajudar, orientar e finalizar os dados que ficaram faltando.

      Alguns chefes discordam. Eles acham que os jovens não estão preparados. Alguns dizem que se eles o fizerem, não haverá nada prático. Muitos até irão sair, pois vão ver tudo diferente. Pode até ser. Mas foi tentado? Foi dado a eles ideias sugestões, instruções e aberto um leque de oportunidades? Claro, não estou aqui a dizer que o que escreverem será feito. Tampouco será deixado de lado. Para isto tudo deve ser discutido minuciosamente no Conselho de Patrulhas, no Conselho de Monitores e só após junto a Corte de Honra (muitas tropa só tem a Corte de Honra) será tomada uma decisão de qual programa será o escolhido.

      Nenhum programa ficará sem o “tempero” do chefe e dos assistentes. O que seria o “tempero”? – Jogos, canções, Conversa ao Pé do Fogo, e claro as sugestões que não estarão ao alcance deles. Tais como, atividades distritais, regionais e nacionais. Mas é importante que estas não ocupem nada mais que 10% do programa anual. Qualquer atividade que apareça sem constar no programa os chefes devem meditar muito antes de mudar. Não aceitar não é sinal de indisciplina é sinal de organização. Ninguém deve ser obrigado a fazer um programa que não foi planejado. Ninguém gosta de sugerir, aprovar e ver tudo alterado sem uma explicação lógica. Aqueles que ainda não trabalham com os jovens nesta área eu sugiro que tentem. Mas não uma vez só. Lembrem-se que aprender a fazer fazendo e acertar até corrigir o erro faz parte do programa Escoteiro. Se derem oportunidade aos jovens na sua sessão para fazer, montar e quem sabe até dirigir um programa em sua tropa, eu garanto que a evasão irá diminuir e muito. Deixe que façam sempre e verifiquem se a presença está melhorando, se os sorrisos aumentaram e se a procura agora é maior. Se for assim estão no caminho certo.

       Aquela velha tendência de reunir chefes e assistentes para montarem programas a curto e médio prazo sem ter um esboço feito pela tropa nem sempre alcança os resultados desejados. É possível reunir jovens e fazer estes programas. Mas quanto tempo uma patrulha se mantem com seus próprios elementos por anos? Nenhum Chefe gosta de chegar à sede e ver as patrulhas formando com três ou quatro. Ninguém vai deixar seu programa com os amigos da escola ou do bairro, que fazem há anos e gostam por uma reunião de sábado onde não existe motivação e os programas não são agradáveis (para eles).

      Lembramos sempre que BP criou um estilo, um método e fugir dele é saber que os resultados não irão acontecer. Temos hoje uma evasão desconhecida. Quase ninguém fala dela, mas muitas tropas e alcateias sentem na pele a saída dos jovens. O pior, sempre depois das férias muitos não voltam mais. Crescimento técnico, intelectual, e claro, caminhar com as próprias pernas. É tão bom saber que uma patrulha está junta por anos e podemos confiar que tudo vai dar certo. E depois do passar dos anos, ver aqueles que foram nossos jovens, estarem dentro da comunidade agindo como verdadeiros escoteiros.

       O melhor caminho vencido é aquele em que os rapazes e moças estarão reunidos por um bom tempo, onde sempre estarão à espera da próxima reunião, o próximo acampamento ou a próxima atividade com ansiedade conforme o programa que sugeriram. Um Grupo Escoteiro é uma família. Unida. Fraterna. Onde o respeito mostra o grau de crescimento de cada um. Você faz parte da família. Veja onde é seu lugar e trabalhe para que todos sintam felizes no desenvolvimento de suas tarefas.


       Não existe tarefa fácil. Formar caráter não é fácil. Mas o Movimento Escoteiro através do seu método simples facilita sobremaneira a atingir esse objetivo. E é um orgulho quando podemos ver homens e mulheres que um dia conheceram a maravilhosa Lei Escoteira. E sabemos que atingimos nosso objetivo. Honra e caráter e porque não dizer – Ética e altruísmo! E para isto acontecer precisamos ter programas agradáveis e que satisfação àqueles jovens que procuraram a senda escoteira.

domingo, 8 de junho de 2014

Cozinha mateira? Sei não!


Conversa ao pé do fogo.
Cozinha mateira? Sei não!

          Hoje existe uma plêiade de bons mateiros que se divertem no campo a fazerem comida mateira. Nos dias de hoje porque não? É o pão do caçador? A sopa de cebola? O pão do minuto? Ovo no espeto? Ovo na casca de laranja? Ovo no barro? Milho assado na brasa? A maçã recheada? Frango no barro? Carne moída na batata? Arre! São centenas se deixar os mateiros Escoteiros engordam esta lista em minutos ou horas. Dizem os bons técnicos mateiros que a comida mateira escoteira é a técnica de se cozinhar sem a utilização de utensílios domésticos. Dizem também que é a comida típica dos Escoteiros nos acampamentos. Um deles disse que preparar a própria comida é um desafio e sempre uma grande distração para os jovens. Saber improvisar, ter paciência ver como substituir as tradicionais panelas (pelo menos se tem uma vantagem, evitar lavar panelas, arre!).

            Nada como um bom fogo, boas achas para brasa e já pensou colocar ali uma banana verde uma cebola, uma batata e enrolar o pão do caçador para depois de cozido se deliciar? Só não vale um churrasco no campo de patrulha. Não vale? Vale sim, uma noite fria, um bom fogo mateiro, caçar uns patos do mato ou marrecos, quem sabe uma carninha de tatu, uma cobrinha bem limpa e cortar em rodelas pequenas ficadas em espetinhos, ou de um belo Gavião que vou baixo e se danou? Bom demais. Bem sei que hoje isto não pode, mas quantos patos selvagens ainda existem por aí? Está dando sopa nas lagoas o pato-do-mato, pato-crioulo, pato-bravo, cairina, pato-selvagem e o pato-mudo. Haja patos para encher a “pança” dos escoteiros. Risos. Não pode? Bem o respeito à natureza e a liberdade dos animais e pássaros precisam ser respeitados. Mas ouve uma época que nós Escoteiros vivíamos da natureza selvagem. Na mochila não faltava meio quilo de sal, um vidro de gordura de porco, (quase não havia óleo de cozinha) eu gostava de uns dentes de alho e dependendo o lugar a acampar isto bastava. Lista de mantimentos? Meu Deus! Nem pensar.

             Será que teríamos jovens para um acampamento assim? Uma mochila, uma manta, mudas de roupas e material de higiene, uma pequena lona de 1,5x1,5, claro não podia faltar uma boa faca mateira, um canivete Escoteiro, uma machadinha pequena e mais nada. Ops esqueci o sal a gordura e o alho. Sem eles dava para se virar, mas no máximo alguns dias. E você quer ir comigo? Use de sua imaginação e lá vamos nós. Para onde? Para onde o vento nos levar. Quem sabe na lagoa do Epaminondas? Gente boa. Sempre a nos presentear com um franguinho vivo ou morto. Risos. A lagoa era o máximo. Dela tirávamos belas traíras, bagres e quando chovia enormes corvinas. Pegamos uma vez um pequeno Jacaré. Coitado serviu a seis seniores sem saber que eles adoraram. E os patos selvagens dando sopa a pedir: - Nos faça no espeto bem tostado, por favor! Risos. Uma sopa? Era só desencavar a macaxeira, ou melhor, o aipim, mandioca-doce, mandioca mansa e frita então? Bela lagoa. Era como dizia Pero Vaz de Caminha, nesta lagoa se plantando tudo dá. Mas ele estava errado, nela não precisava plantar, pois tudo dava.

           Mas vamos lá, não vamos ficar somente na lagoa, quem sabe ir até o Rio Chorão? Gente ali vamos nos fartar de peixe, Zé Bigode o intendente da Patrulha Leão, aquele que não tinha bigode disse que pegava com as mãos. Verdade ou não na piracema lá na curva da Cachoeira do Cavalo eu mesmo peguei vários. Mochila nas costas, desfraldem a bandeira e lá vamos nós continuar nossa jornada. Cuidado ao atravessar o Riacho do Piraçu, a correnteza é forte, mas se amarre no cipó e fique frio. Melhor arranchar ali. Tem uma clareira na Mata do Guaporé linda de morrer. Cada um faz uma coisa. Um prepara o fogo mateiro, outro veja a lenha, eu vou buscar uns timburés e uns xuxu do mato. Aqui tem dos grandes. E você Akelá entre na selva e veja se encontra uma colmeia e devagar sem alarde retire um ou dois favos. Não tenha medo das abelhas. Afinal elas sabem que você é uma escoteira. Vamos retirar da cera todo mel que precisarmos. Vamos nos empanturrar de doces de mel. Tem vasilhame? Que isto minha cara Chefe, estava na lista?

         Acho que não vai chover turma portando durmam com Deus. Que o céu seja sua barraca. Fiquei a vontade para contar as estrelas, façam seu pedido ao passar de um cometa brilhante no céu. Eu hoje nem papo quero, estou cansado e preciso de descanso, pois amanhã o dia não vai ser mole. Sei onde estão as galinhas d’angolas selvagens. Muitos as chamam de Cocar. Vamos pegar três e vamos nos regalar. Um bom cipó e aqui na floresta eles abundam em todo lugar. Você sabia que temos uma grande variedade deles? Tem espécies medicinais, são bons para diarreia, hepatite, leishmaniose e até câncer. Bem não sou medico, mas além de servirem como uma boa corda, os uso como tempero e conheço um com aroma e sabor de alho e cravo. Putz! Sua meia está furada Chefe? Troque já. Calo nas jornadas não é bom. E vamos dar belos galopes atrás delas e não acreditem nelas, são danadas para gritarem: - Tô fraco! Tô fraco! Risos. Se forem bons chefes vamos pegar umas três rapidamente. Depois abrimos o bucho, deixamos as penas, dentro um pouco de óleo e sal e já devemos ter pronto as assadeiras. Três buracos de uns 40 de fundo por 12 polegadas de diâmetro. Cobrir com barro (as galinhas d’angola) e colocar na brasa fechando o buraco em seguida.


            Agora pé na taboa. Deixe as gostosas galinhas d’angola se aquecendo. Vamos voltar em três horas e elas estarão prontas. Ao tirar o barro saem as penas. E que delicia! Mochila nas costas e lá vamos nós novamente. Na Floresta do Jangadeiro vai ser fácil encontrar a Castanha e o Açaí. E olhe o que não falta lá é o Palmito (uma delícia) e na descida vamos passar pelo Lago Vermelho. Uma vez encontrei lá belos inhames, maracujás bananas da terra e folhas de lobrobô. Não conhecem? Risos. Vais ver o ensopado que vamos fazer sem panelas. Sem panelas? Calma. É o truque que uso. Não conto para ninguém, só para quem acampa comigo risos. Quem vai aguentar cinco dias assim? E dez dias? É não é fácil. O melhor mesmo é voltar a Comida mateira. Tudo é levado da sede. Lá é só preparar. Mas você que esteve comigo nesta bela viagem de sonhos aventureiros não gostou? Lembra-se do Macaquinho que pulou em seu ombro na selva do Soldado? São tantas lembranças que tenho certeza estes cinco dias vão lhe marcar para sempre. Quem sabe um dia vamos voltar?